CPI: MANDETTA

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Mandetta expõe DISCÓRDIA com Bolsonaro mas SEM ATAQUES DIRETOS e diz à CPI que ciência foi ignorada
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'Problema NÃO é bem na CABEÇA, é no CORAÇÃO, diz Mandetta sobre Bolsonaro
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Apesar de jogo de empurra, Renan TIRA de Mandetta MUNIÇÃO contra Bolsonaro
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Em depoimento, Mandetta desviou de cascas de banana dos governistas
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Carta de Mandetta e fuga de Pazuello estragaram tática de Bolsonaro na CPI
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Para militares, Pazuello recorre a "ação retardadora" para se livrar da CPI
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Jovem com facão invade creche e deixa adultas e três crianças mortas em SC
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Diogo Mainardi pede demissão da TV Cultura após xingar advogado em programa
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WHATSAPP permite ENVIO de DINHEIRO para pessoas a partir de hoje
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NYT alerta para falsa capa sobre Brasil querer 'Bolsonaro para sempre'
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RON FALCONER (escocês) e a família viveram isolados em ilha deserta Caroline Island - KIRIBATI (1987-1991): "Foi um choque voltar"
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Apesar de jogo de empurra, Renan TIRA de Mandetta MUNIÇÃO contra Bolsonaro

Kennedy Alencar

Colunista do UOL

04/05/2021 12h33

É fato notório que mais gente morreu e adoeceu no Brasil por culpa do presidente Jair Bolsonaro. A CPI Pandemia não precisaria tomar nenhum depoimento ou apresentar pedidos de informação ao Executivo. Bastaria pegar os posts de Bolsonaro nas redes sociais.

Mas é preciso que a CPI formalize política e penalmente a responsabilidade do presidente, pois as instituições e pessoas que já poderiam ter feito isso se omitiram e se tornaram cúmplices do genocida.

Carta de Mandetta e fuga de Pazuello estragaram tática de Bolsonaro na CPI

O formalismo jurídico é uma garantia do cidadão. Ninguém será arrastado ao calabouço sem a demonstração formal de sua culpa. Daí a importância do processo, seja o civil, seja o penal.

No debate sobre impunidade no Brasil, são sempre apontadas as chicanas para postergar ao máximo a sentença final e o seu trânsito em julgado. Guardadas as devidas proporções, essa é a estratégia que restou ao Palácio do Planalto na CPI da Pandemia, que começou seus trabalhos no Senado.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, poderia apresentar denúncia contra o presidente da República pelos inúmeros crimes comuns cometidos por Bolsonaro ao longo da pandemia. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por exemplo, apresentou a Aras pedido para investigar Bolsonaro com base no artigo 132 do Código Penal ("expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente").

Engavetador-geral da República no que se refere a Bolsonaro, Aras não se mexe porque está interessado em ser indicado ao Supremo Tribunal Federal.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ignora a pilha de pedidos de impeachment apesar da montanha de crimes de responsabilidade do presidente da República. Lira já disse que não vê razão para dar seguimento a um pedido de impeachment enquanto é ouvido por Bolsonaro em indicações para cargos públicos.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sofreu o constrangimento de ter recebido um puxão de orelha do STF, que mandou, por decisão do plenário, que ele respeitasse a Constituição e instalasse a CPI da Pandemia em respeito ao direito da minoria parlamentar.

Aras, Lira e Pacheco são personagens à altura de Bolsonaro. Na CPI da Pandemia, a bancada governista não fica atrás em termos de omissão e cumplicidade.

No dia do primeiro depoimento (ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta), senadores governistas insistiram na apresentação de requerimentos para investigar supostos desvios de verbas federais para estados e municípios. A intenção é embaralhar as investigações e atrasá-las durante os 90 dias de duração da CPI.

É um jogo que já foi visto em CPIs anteriores. Mas o governo está em minoria na CPI da Pandemia, o que dificulta o êxito dessa estratégia. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), tem conseguido, com firmeza e educação, escapar desse jogo de empurra.

A "fuga" do ex-ministro Eduardo Pazuello se enquadra na estratégia governista. O general Pazuello, cuja fala estava prevista para amanhã, disse ter tido contato com dois coronéis que estão com covid. Logo, melhor mesmo não comparecer presencialmente à CPI.

Ótimo que finalmente o ministro que se acovardou perante todos os absurdos sanitários de Bolsonaro tenha se convencido de que precisa proteger outras pessoas. Ele deve depor no dia 19, provavelmente de forma virtual.

Apesar da estratégia protelatória do governo, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), está empenhado em formalizar a culpa por mais brasileiros terem adoecido e morrido devido a um governo que nega a ciência. No depoimento de Mandetta, Renan obteve a confirmação formal de Mandetta de que discordava de como Bolsonaro queria conduzir a resposta à pandemia. Houve relatos de que o presidente negou a ciência e deu maus exemplos, como boicote à quarentena e ao uso de máscaras. O genocida continua nessa linha, apesar de o país ter hoje mais de 400 mil mortes.

Nesta terça, Renan conseguiu tirar de Mandetta munição contra Bolsonaro. O então ministro da Saúde repetiu que alertou o presidente da iminente tragédia, apresentando, no início da pandemia, um cenário pessimista de 180 mil mortes até 31 de dezembro de 2020. Na época, havia menos de mil mortos no Brasil por covid-19. De lá para cá, o país viu o que aconteceu.

Na CPI, Mandetta falou que Bolsonaro teve um "aconselhamento paralelo" ao do Ministério da Saúde e apostou numa narrativa que contrariava as medidas de governadores para evitar aglomerações. Apesar de Mandetta ter dito que nunca discutiu com Bolsonaro, o depoimento do ex-ministro da Saúde deixou o presidente mal na foto.

Com as perguntas de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o depoimento deu uma esquentada quando Mandetta falou das dificuldades criadas com a China pelo então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. O Brasil depende de insumos chineses para combater a pandemia. Araújo e Bolsonaro criaram crises com a China.

No geral, o depoimento de Mandetta reforçou a culpa de Bolsonaro pela tragédia brasileira na resposta ao coronavírus, mas o ex-ministro tomou cuidado para não atacar a ponto de também ser responsabilizado por mais mortes e doentes no Brasil.

Os senadores governistas procuraram destacar contradições de Mandetta no período em que serviu como ministro de Bolsonaro, mas não conseguiram nada que pudesse comprometê-lo. Como saiu do Ministério da Saúde em 16 de abril de 2020, ele conseguiu se desligar dos crimes contra a saúde que Bolsonaro cometeu e ainda comete. O longo depoimento de Mandetta, que durou até as 18h25, gerou desgaste político para o presidente.

Ficou evidente no primeiro dia de depoimento que será de formiguinha o trabalho do relator e dos senadores interessados em passar a limpo os crimes de Bolsonaro. Na formalização de responsabilidades, Pazuello terá lugar de destaque como cúmplice de Bolsonaro, o pai da tragédia por implementar uma política pública negligentemente homicida de imunidade de rebanho. Não há jogo de empurra capaz de tapar o sol com a peneira.

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Em depoimento, Mandetta desviou de cascas de banana dos governistas

4.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em depoimento à CPI da Covid no Senado - Edilson Rodrigues/Agência Senado
4.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em depoimento à CPI da Covid no Senado Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Diogo Schelp

Colunista do UOL

04/05/2021 18h54

Senadores governistas e oposicionistas tinham expectativas divergentes em relação ao depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta na CPI da Covid, nesta terça-feira (4).

Governistas esperavam pegá-lo em contradições, como nas orientações para pacientes da doença no início da pandemia. Oposicionistas ou independentes pretendiam encontrar indícios que os ajudem a elaborar uma linha do tempo das omissões ou ações do governo federal, especialmente aquelas oriundas do Palácio do Planalto, que potencialmente agravaram a disseminação do novo coronavírus.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI e o primeiro a sabatinar o ex-ministro, acredita ter obtido do depoimento de Mandetta munição contra o presidente Jair Bolsonaro.

São projéteis como o "aconselhamento paralelo" a respeito do que fazer na pandemia que Bolsonaro recebia dos filhos e a ideia do governo, abortada, de mudar a bula da cloroquina para poder prescrever o remédio, ineficaz contra a doença, a torto e a direito.

Já os governistas tiveram dificuldade de conseguir o que queriam. Ex-deputado federal e conhecedor dos meandros do jogo parlamentar, Mandetta desviou de todas as cascas de banana lançadas em seu caminho pela tropa de choque do governo na CPI.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), por exemplo, tentou apontar um erro da gestão de Mandetta pelo fato de o Brasil não ter cancelado o Carnaval de 2020, quando começavam a surgir os primeiros casos da doença no país. O ex-ministro disse que na semana anterior à festa popular apenas pessoas "em contato com a China" eram consideradas de risco e afirmou que Bolsonaro nunca lhe pediu que cancelasse o evento.

Em outro momento, quando o senador Ciro Nogueira (PP-PI) lhe perguntou sobre a recomendação, no início da pandemia, para que as pessoas com sintomas leves ficassem em casa, Mandetta inverteu o jogo, relatando que havia recebido por celular a mesmíssima pergunta, com as mesmíssimas palavras, do ministro das Comunicações, Fábio Faria. Mandetta concluiu que Faria lhe enviou a pergunta por engano.

Em seguida, pôs-se a dar o contexto do conhecimento médico que se tinha sobre a doença naquele momento da pandemia e afirmou ter seguido as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ele já havia dado uma resposta à questão no início do depoimento, quando Calheiros lhe perguntou sobre o assunto.

"Ciência" é uma das palavras mais repetida por Mandetta no depoimento. A certa altura, quando os principais questionamentos referentes às suas ações concretas à frente do ministério e à maneira como Bolsonaro reagia a elas já se haviam esgotado, as perguntas dos senadores passaram a ser apenas oportunidades para o ex-ministro, que é médico ortopedista, dar explanações professorais sobre estudos científicos, medicamentos, medidas restritivas para reduzir o contágio pelo vírus e o funcionamento do SUS (Sistema Único de Saúde).

Um dos momentos mais constrangedores para a estratégia governista foi quando o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), agrônomo, disse que está há três semanas estudando a cloroquina e a hidroxicloroquina e que em Rancho Queimado (SC) o medicamento está sendo adotado com grande sucesso.

Mandetta ironizou: "Tomara que Rancho Queimado tenha descoberto a fórmula." E depois lembrou que no resto do mundo não se tem a mesma convicção.

Os senadores governistas queriam evitar "dar palanque" a Mandetta, que é citado como possível candidato à presidência em 2022, na CPI. Não só ele teve o palanque que pretendiam evitar, como ainda expôs a falta de preparo da "tropa de choque" governista.

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Carta de Mandetta e fuga de Pazuello estragaram tática de Bolsonaro na CPI

Josias de Souza

Colunista do UOL

04/05/2021 18h45

No primeiro dia reservado pela CPI da Covid à oitiva de depoimentos, a estratégia do governo para enfrentar a investigação legislativa sofreu dois reveses. Num, o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta forneceu à comissão cópia de carta que entregou em 28 de março de 2020 ao presidente da República. O documento contém informações que dificultam o esforço do Planalto para reescrever o enredo da pandemia no Brasil.

Noutro revés, o também ex-ministro Eduardo Pazuello cavou uma desculpa para protelar o depoimento marcado para quarta-feira. Alegou que teve contato com dois coronéis infectados pelo coronavírus. Estaria, portanto, impedido de comparecer à CPI. Pazuello já contraiu a Covid-19 quando era ministro. Curiosamente, o único mal-estar que exibiu nas últimas horas foi o nervosismo com o treinamento que recebeu para o depoimento que conseguiu adiar por duas semanas.

Na carta que entregou a Bolsonaro no final de março do ano passado, quando ainda era ministro, Mandetta recomendou ao presidente uma revisão de suas posições anticientíficas. E alertou para a hipótese de ocorrer um "colapso do sistema de saúde", com "gravíssimas consequências à saúde da população".

Em reuniões com Bolsonaro e outros ministros, Mandetta informou que, na previsão mais pessimista de sua equipe, o Brasil colecionaria 180 mil mortos até o final de 2020 se não gerenciasse adequadamente a crise sanitária. Bolsonaro deu de ombros. O ano terminou com pouco mais de 190 mil cadáveres. Hoje, as vítimas do vírus somam mais de 400 mil.

Escrito há mais de um ano, o documento de Mandetta funcionará como uma espécie de vacina da CPI contra a tática de Bolsonaro de colocar a culpa nos outros. Nesse contexto, a fuga de Pazuello ajudou a expor os pés de barro do presidente. O general promoveu uma ocupação militar da Saúde, ajustando o gerenciamento da pandemia às idiossincrasias do capitão. Isso incluiu desde a defesa do tratamento precoce com medicamentos ineficazes como a cloroquina até a demora na aquisição de vacinas.

Considerando-se que Pazuello comandou a pasta da Saúde guiando-se pelo lema segundo o qual "um manda e o outro obedece", o general teria de se autoincriminar para retirar Bolsonaro da mira da CPI. Daí a súbita adesão de Pazuello à estratégia do isolamento social.

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Para militares, Pazuello recorre a "ação retardadora" para se livrar da CPI

Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

04/05/2021 16h35

Atualizada em 04/05/2021 18h18

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já irritou bastante os militares da ativa durante sua gestão na pasta.

Agora, ocupando um cargo na secretária-executiva da Força de certa forma "obrigou" o Exército a se pronunciar para explicar a sua negativa de comparecer ao seu depoimento de forma presencial na CPI, que estava marcado para amanhã e foi transferido para o dia 19.

Militares da ativa e da reserva ouvidos pela coluna, em condição de anonimato, criticaram a decisão do ex-ministro e a classificaram com um jargão militar: chama-se ação retardadora.

Resumidamente, postergar seu depoimento, na visão dos militares é para que ele ganhe tempo.

"No Exército se chama ação retardadora. Um tipo de operação militar em que você vai retardando o avanço do inimigo, retardando até que a nossa tropa fique mais forte, mais preparada", explicou um coronel.

Um general da reserva usou palavras semelhantes para descrever a estratégia: A ação retardadora ocorre quando estou em desvantagem e troco espaço por tempo, aguardando reforços amigos".

O depoimento de Pazuello foi adiado para dia 19. A fala do também ex-representante da pasta Nelson Teich, que ocorreria na tarde de hoje, foi adiada para amanhã.

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Mandetta expõe discórdia com Bolsonaro e diz à CPI que ciência foi ignorada

4.mai.2021 - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em depoimento à CPI da Covid no Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado
4.mai.2021 - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em depoimento à CPI da Covid no Senado Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Luciana Amaral e Lucas Valença

Do UOL e colaboração para o UOL, em Brasília

04/05/2021 04h00

Atualizada em 04/05/2021 20h52

Em depoimento de mais de sete horas hoje à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que alertou Jair Bolsonaro sobre a gravidade do coronavírus e expôs série de divergências com o presidente em relação à condução do governo federal no enfrentamento à pandemia.

Ao longo da fala, Mandetta — que não descarta se candidatar ao governo de Mato Grosso do Sul ou à Presidência da República em 2022 — ressaltou que suas ações ações à frente do ministério se basearam em evidências científicas, que várias sugestões não foram seguidas pela Presidência e que o comportamento do presidente teve "impacto" na crise sanitária.

Com Mandetta e Teich na CPI, oposição busca erros da gestão Bolsonaro

O que só me resta dizer [após fala inicial sobre sua gestão] foi a tomada de decisão em cima de três pilares: a defesa intransigente da vida, que foi o princípio número um - não haveria nenhuma vida que não fosse valorizada -, o SUS como meio para atingir e a ciência como elemento de decisão. Esses foram os três pilares sobre os quais construímos o eixo de prevenção, atenção, testagem, hospitalização e de monitoramento da doença"

"Nós [do Ministério] não tomamos nenhuma medida que não tenha sido pela ciência" e "todas as nossas orientações foram assertivas, foram pela ciência", acrescentou, em outros momentos.

Segundo Mandetta, apesar de Bolsonaro aparentemente entender as sugestões apresentadas, o presidente atuava de maneira contrária dias depois.

Cada vez que se conversava com o presidente, ele compreendia. A gente falava: 'Olha, não pode aglomerar; não vamos aglomerar; vamos usar máscara; usa o álcool gel'. Então, a gente saía de lá, sim, animado, porque era um corpo total que falava: 'ok.'. E ele compreendia, ele falava que ia ajudar. Só que passavam dois, três dias e ele voltava para aquela situação de aglomerar, de fazer as coisas"

O presidente da República costuma se opor ao uso de máscara de proteção facial, ao isolamento social e já desdenhou de quem cobrava a compra de vacinas contra a covid-19. Mandetta afirmou que fazia alertas a Bolsonaro, inclusive com projeções de óbitos, e disponibilizou à CPI uma carta enviada a Bolsonaro em março de 2020 em que aconselhou que a Presidência da República revisse seu posicionamento.

O ex-ministro afirmou que o presidente contava com um aconselhamento paralelo constante, com a participação dos filhos políticos e de assessores de fora do Ministério da Saúde. O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), inclusive, esteve em diversas reuniões sobre a pandemia tomando notas, relatou.

Mandetta afirmou que o governo federal não quis promover uma campanha oficial contra a covid-19 e, devido à falta de um plano de comunicação, passou a conceder entrevistas diárias. Nas ocasiões, ele prestava informações, dava orientações e tirava dúvidas da imprensa.

30.mar.2020 -  O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta durante coletiva sobre ações do governo no combate ao novo coronavírus - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
30.mar.2020 - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta durante coletiva sobre ações do governo no combate ao novo coronavírus Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Política de testagem descontinuada e vacinas em fase de testes

Ao responder a perguntas do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), Mandetta defendeu que sua gestão articulou a compra de kits de testagem, apesar de dificuldades por conta de uma carência mundial, e disse que a assinatura do recebimento dos produtos aconteceu na gestão de seu sucessor no cargo, Nelson Teich.

Mandetta afirmou depois saber que a estratégia acabou não sendo utilizada como o previsto. "Essa era, de uma maneira muito clara, a nossa estratégia: testar, testar, separar para diminuir o índice de transmissão desse vírus."

Segundo Mandetta, enquanto à frente do cargo, as vacinas contra a covid-19 ainda estavam sendo testadas, com divulgação de lista de iniciativas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e não havia um plano ou uma diretriz para a aquisição dos imunizantes. Ele afirmou que, mesmo assim, pelo histórico de outras doenças causadas por vírus, "a gente sabia que a saída era pela vacina".

Isolamento social era o "adequado", defende

O ex-ministro afirmou que, na época, entre março e abril, o isolamento social era "adequado por causa do índice de transmissão do vírus". Ele ressaltou que havia poucos casos de coronavírus no Brasil até então e que o vírus chegou ao país por meio dos mais ricos vindos do exterior.

Para Mandetta, naquele momento, o sistema de saúde não estava em condição de responder a uma demanda e era preciso prepará-lo para quando o coronavírus se espalhasse pela massa da população. "Então, naquele momento, era fundamental que se fizesse uma fala una de prevenção de todos os brasileiros e se fizesse isolamento."

Todas as recomendações as fiz com base na ciência vida e proteção, as fiz em público em todas as manifestações de orientação dos boletins, as fiz nos conselhos de ministros, as fiz diretamente ao presidente, as fiz diretamente a todos os secretários estaduais, todos os secretários municipais e a todos aqueles que, de alguma maneira, tinham no seu escopo que se manifestar sobre o assunto."

Mandetta afirmou que alertou Bolsonaro e outros ministros sobre a necessidade de políticas de isolamento social, mas que houve discordâncias. Segundo ele, se percebia que havia, por parte do presidente, "outro caminho a tomar", sem que houvesse um assessoramento do Ministério da Saúde naquele sentido.

Mandetta avaliou que era "muito constrangedor" para um ministro da Saúde ficar explicando que, enquanto estavam indo por um caminho, o presidente ia por outro. Em sua avaliação, o "problema" do presidente "não é bem na cabeça", mas "no coração".

Para o ex-ministro, "o Brasil não fez nenhum lockdown", mas apenas tomou medidas "depois do leite derramado".

4.mai.2020 - O ex-chanceler Ernesto Araujo e o presidente Jair Bolsonaro - Ueslei Marcelino/Reuters - Ueslei Marcelino/Reuters
4.mai.2020 - O ex-chanceler Ernesto Araujo e o presidente Jair Bolsonaro Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Resistência do governo perante a China e falta de clareza do país asiático

Mandetta disse ainda ter tido dificuldades com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, numa época em que era "mais do que necessário que tivéssemos um bom diálogo com a China" para a chegada de insumos, e lembrou o mal-estar diplomático criado por meio de críticas ao país asiático do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter.

Mandetta relatou ter ido ao Palácio do Planalto para tentar articular uma reunião com o embaixador da China em busca de ajuda e perguntou se poderia levá-lo à sede do Executivo federal. "E eles estavam todos lá, os três filhos do presidente, e mais assessores que são assessores de comunicação". O pedido teria sido negado e a conversa acabou sendo por telefone.

Ainda assim, no depoimento, Mandetta questionou a transparência da China ao enfrentar a pandemia.

"Acho que a falta de clareza da China e da Organização Mundial da Saúde, durante 45 dias, foi determinante não só para o Brasil, mas para o mundo. Depois, a falta de condições internacionais, a falta de liderança. O mundo claramente não tem governança mundial para um problema como esse", disse, ao acrescentar críticas também a ações tomadas pelos Estados Unidos e pela Alemanha.

Aumento de produção de cloroquina e tentativa de mudança em bula

Em sua fala, o ex-ministro afirmou que o estímulo ao aumento da produção de cloroquina pelo Exército não partiu do Ministério da Saúde, porque a pasta já tinha a quantidade suficiente do remédio para as doenças para as quais tem eficácia comprovada, como o lúpus, e para o eventual uso em pacientes hospitalizados em estado grave com covid-19.

"Foi uma determinação feita, na minha época, como ministro, à margem do Ministério da Saúde."

Aos senadores, Mandetta disse que foi apresentado a ele, em reunião no Palácio do Planalto, uma proposta de decreto presidencial para alterar a bula da cloroquina a fim de que o fármaco pudesse ser indicado para tratamento da covid-19. Segundo o ministro, a proposta estava em um papel não timbrado e sem identificação, apenas com uma minuta que sugeria a mudança na bula do medicamento.

O ex-ministro disse que o próprio presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, negou o pedido de modificação.

'Guedes não ajudou em nada'

Embora não tenha partido para um confronto direto com Bolsonaro, Mandetta fez duras críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e o classificou como uma pessoa "desonesta intelectualmente", que "não sabia nem olhar para um calendário" e que não "ajudou em nada" durante a pandemia.

"Esse ministro, ele não soube nem olhar para o calendário [de vacinação] para falar 'puxa, não tem vacina sendo comercializada no mundo...'. Eu só posso lamentar. O ministro da Economia não ajudou em nada, pelo contrário. Só ligava e falava 'já mandei o dinheiro, se virem, agora vamos tocar a economia", disparou.

Mandetta diz que jamais pediria demissão em meio à pandemia

Mandetta ocupou o cargo de ministro da Saúde de janeiro de 2019 a abril de 2020, início da pandemia no Brasil. À CPI, ele disse que "jamais" pediria demissão em meio à pandemia e fez uma analogia de que um médico não pode simplesmente abandonar os pacientes.

"Eu tinha que ficar com o meu paciente, à revelia de tudo e de todos, baseado no que eu tivesse de melhor. Acho que o presidente não gostou, não quis, achou por bem ter um outro ministro, também colega, o Teich - ficou lá 20, 30 dias - e depois encontrou um ministro que parece que é com quem ele teve melhor afinidade nas suas ações. O meu compromisso era com o meu paciente chamado Brasil. E eu não o deixaria em hipótese alguma, mas também não negociaria os valores, não negociaria a formação que tenho", declarou.

Quando foi demitido, a média móvel de mortes pela covid-19 era de 142 óbitos por dia — hoje é de 2.375. Mais de 407 mil pessoas morreram no Brasil em razão da doença.

Governista faz pergunta enviada a Mandetta por ministro

Ao longo da sessão hoje, alguns senadores governistas não rebateram críticas de Mandetta e, para os oposicionistas, passaram a imagem de despreparo.

Questionado por um dos principais líderes do centrão no Senado, Ciro Nogueira (PP-PI), sobre recomendação dada no início da pandemia, Mandetta afirmou que a "mesma pergunta" chegou a ser enviada a ele pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria. E que este apagou a mensagem antes que pudesse respondê-lo.

Os questionamentos dos senadores governistas a Mandetta se voltaram mais a aglomerações no carnaval, ao uso de cloroquina e declarações pelo então ministro consideradas equivocadas atualmente pela base.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), buscou ressaltar pontos positivos listados por Mandetta e falou que seu trabalho serviu como "arcabouço" para aqueles que o sucederam.

Disse ainda ter a "alegria" de ver o testemunho do ex-ministro por este ter ressaltado liberdade para compor a equipe de forma técnica. Também exaltou a edição do alerta de emergência nacional de forma rápida e elaboração de lei que permitiu medidas excepcionais para o enfrentamento da pandemia.

Não deixou, porém, de cutucar Mandetta ao dizer "não ter dúvida" de que este pode "lamentar alguns equívocos e estar também amargando algumas frustrações".

Mandetta rebateu dizendo que o "problema foi que, na hora em que veio a necessidade do trabalho técnico, aí, naquele momento, não queriam mais um trabalho técnico".

Depoimento de Pazuello é remarcado para 19 de maio

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), informou na abertura da sessão que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello alegou ter tido contato com coronéis diagnosticados com covid-19 e, por isso, não poderia depor pessoalmente amanhã, às 10h, como previsto.

Após debates entre senadores quanto a fazer uma oitiva virtual ou adiá-la, a CPI remarcou o depoimento para 19 de maio.

Em 25 de abril, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello foi flagrado sem máscara em um shopping de Manaus - Jaqueline Bastos/Arquivo Pessoal - Jaqueline Bastos/Arquivo Pessoal
Em 25 de abril, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello foi flagrado sem máscara em um shopping de Manaus Imagem: Jaqueline Bastos/Arquivo Pessoal

Antes da fala de Mandetta, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que se diz independente, mas é considerado como da ala governista na CPI, reclamou que a comissão não estaria dando a atenção devida ao uso de recursos da União repassados a estados e municípios. Com o apoio do governista Marcos Rogério (DEM-RO), Girão pediu ainda que os depoentes sejam alternados: um chamado pelo governo e outro, pela oposição.

Omar Aziz pediu calma aos senadores, já que nem o primeiro depoente havia falado ainda. Para o vice da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), os pedidos são formas de os governistas atrasarem os trabalhos.

"Ô tropa de choque [de Bolsonaro] atrapalhada, homem!", disse Randolfe em bate-boca com Ciro Nogueira. "Parece que tem uma coisa pessoal contra o relator. Tem uma paixão pelo relator, homem. Toda vez ficam querendo questionar os trabalhos do relator."

Os membros da CPI aprovaram pedido para que seja solicitado ao TCU (Tribunal de Contas da União) a disponibilização de duas servidoras para que auxiliem nos trabalhos da comissão.

Veja o cronograma de depoimentos à CPI:

  • Ex-ministro da Saúde Nelson Teich: 5 de maio, às 10h
  • Atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga: 6 de maio, às 10h
  • Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres: 6 de maio, às 14h
  • Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello: 19 de maio
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Jovem com facão invade creche e deixa adultas e três crianças mortas em SC

Abinoan Santiago, Giorgio Guedin e Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Blumenau, Florianópolis e Saudades (SC)

04/05/2021 11h26

Atualizada em 04/05/2021 17h25

Um jovem de 18 anos armado com um facão invadiu hoje uma creche municipal em Saudades, a 446 km de Florianópolis (SC), e desferiu golpes em crianças e adultos dentro do estabelecimento de ensino, segundo a Polícia Militar. A corporação confirmou ao menos cinco mortes, sendo três de crianças e duas mulheres.

A Polícia Civil informou que duas crianças morreram no local e uma terceira veio a óbito após atendimento médico no hospital em Saudades. Todas são alunas da creche e tinham menos dois anos, confirmou o delegado Jerônimo Marçal. Já entre as adultas, uma professora morreu no local e uma funcionária da creche foi hospitalizada, mas não resistiu.

Culto com deputado Marco Feliciano é interrompido por violar distanciamento

De acordo com a PM, o atentado aconteceu na CEI (Centro de Educação Infantil) Pró-Infância Aquarela, voltado para crianças de até 3 anos. O homem entrou e "golpeou com arma branca tipo facão" professores e alunos. Depois, ele tentou se matar, mas foi interrompido por populares e está internado. Até o meio da tarde, seu estado de saúde era estável.

O autor do atentado foi levado ao Hospital Beneficente de Pinhalzinho, cidade vizinha. O rapaz não tem passagem pela polícia.

Saudades tem população de cerca de 9.000 pessoas e fica na região de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.

saudades - Reprodução/RecordTV - Reprodução/RecordTV
Três crianças morreram no ataque a creche em Saudades Imagem: Reprodução/RecordTV

Como foi o ataque em Saudades

De acordo com a Polícia Civil, o jovem invadiu a escola por volta das 10h. Ele primeiro atacou uma professora de 30 anos que estava na entrada do prédio. A vítima chegou a correr do suspeito, mas foi alcançada pelo homem e morreu na escola.

Após atacá-la, ele teria entrado em uma sala de aula e desferido os golpes em crianças. No local havia quatro alunos e uma funcionária da escola na sala.

"Ele começou a atacar a professora, que correu para uma sala onde tinham crianças. Lá nessa sala, ele agrediu outras pessoas", disse o delegado Jerônimo Marçal, em entrevista à Rádio Vale FM.

Mapa Saudades SC - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa Saudades (SC) Imagem: Arte/UOL

"Intenção dele era fazer o maior número de vítimas"

Mais tarde, Marçal disse que a intenção do suspeito era "fazer uma barbárie". Havia 30 crianças dentro da escola.

"Ele teria deixado o local e foi abordado por populares. Neste momento, ele tentou contra a própria vida, mas não conseguiu. (...) O que entendo até o momento é que a intenção dele era fazer a barbárie e o maior número de vítimas possível e tentar suicídio, mas não conseguiu se matar", acredita o delegado.

fachada - Divulgação/Prefeitura de Saudades (SC) - Divulgação/Prefeitura de Saudades (SC)
Fachada da Creche Aquarela, em Saudades (SC), alvo de atentado Imagem: Divulgação/Prefeitura de Saudades (SC)

A informação preliminar apurada pela investigação aponta que o suspeito chegou em uma bicicleta e não tem problemas mentais aparentes, segundo informações repassadas pela família.

A Polícia Civil já apreendeu um computador usado pelo jovem, que passará por perícia.

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Em entrevista à BandNews FM, o prefeito da cidade de Chapecó, João Rodrigues (PSD), afirmou que o jovem é de uma família conhecida da cidade de Saudades e que seu ataque foi interrompido por populares.

"É um jovem de família muito boa, não se sabe se teve um desequilíbrio mental. Ele matou duas crianças, matou uma professora [números que depois subiram] e só não foi mais longe porque houve intervenção de um metalúrgico e de um pedreiro, que pegaram o garoto e o interromperam com golpes de barras de ferro", afirmou João Rodrigues.

"Não se tem confirmação se foi um surto repentino, ou se foi algo desses jovens de internet. O jovem é de uma família conhecida na cidade, pessoas de bem, não é uma família com problemas. A mãe do garoto está com problemas de câncer. E os motivos, ninguém sabe. Ele foi levado para um hospital da cidade de Pinhalzinho. Ele tentou suicídio e foi ferido pelos populares, para pará-lo, porque ele não ia parar seu ataque", concluiu o prefeito de Chapecó.

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Diogo Mainardi pede demissão da TV Cultura após xingar advogado em programa

Diogo Mainardi mandou o advogado Kakay "tomar no c..." no programa Manhattan Connection - Reprodução/TV Cultura
Diogo Mainardi mandou o advogado Kakay "tomar no c..." no programa Manhattan Connection Imagem: Reprodução/TV Cultura

Do UOL, em São Paulo

04/05/2021 14h47

Atualizada em 04/05/2021 18h26

O jornalista Diogo Mainardi anunciou hoje seu pedido de demissão da TV Cultura, seis dias após xingar o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, no "Manhattan Connection". Ele explicou a decisão em texto no site "O Antagonista":

"Desde a quarta-feira da semana passada, quando xinguei o lulista Kakay, a TV Cultura estava pressionando os produtores do Manhattan Connection, a fim de que tomassem alguma medida contra mim. Para preservar o programa, resolvi pedir demissão, que foi aceita de bom grado pela diretoria da emissora", escreveu.

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Na semana passada, ele mandou o advogado, que era convidado do programa, "tomar no c...". O palavrão foi coberto com um "bipe" na transmissão, mas foi possível entender.

No texto anunciando sua demissão, Mainardi agradeceu os colegas de programa e repetiu o xingamento: "Fiz grandes amigos nesses 17 anos. Obrigado, Lucas [Mendes], Caio [Blinder], Pedro [Andrade] e Angélica [Vieira]. E vai tomar no c..., Kakay".

Em nota enviada semana passada à coluna de Mauricio Stycer no UOL, a TV Cultura, mantida pelo estado de São Paulo, afirmou: "A TV Cultura não censura seus programas, apresentadores e entrevistados. Neste caso do 'Manhattan Connection', o jornalismo optou por cobrir o palavrão com sinal eletrônico."

A Cultura também informou, na ocasião, que não concordava com o ocorrido e que já havia tomado providências junto à empresa produtora do "Manhattan Connection".

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WhatsApp permite envio de dinheiro para pessoas a partir de hoje

WhatsApp libera transferência de dinheiro no Brasil pelo serviço, mas ainda não para todo mundo - Divulgação
WhatsApp libera transferência de dinheiro no Brasil pelo serviço, mas ainda não para todo mundo Imagem: Divulgação

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

04/05/2021 17h00

Resumo da notícia

  • Pessoas poderão enviar e receber dinheiro pelo Whatsapp da mesma forma que enviam mensagens ou imagens
  • Serviço começa por um pequeno número de usuários e será ampliado com o tempo
  • Diretor mundial do Whatsapp falou sobre segurança do serviço e planos de lançar também serviço de pagamentos.

O WhatsApp vai permitir a partir de hoje que pessoas transfiram dinheiro para outras pessoas, assim como enviam mensagens, áudios, vídeos ou fotos. Não haverá cobrança de taxas, mas a facilidade por enquanto só está disponível para clientes de duas bandeiras de cartões e de nove empresas financeiras do país - veja mais abaixo.

Assim, o serviço de transferência de valores via WhatsApp vai estar disponível imediatamente para uma pequena fatia dos cerca de 130 milhões de usuários que a plataforma tem no Brasil. Segundo o diretor de operações do WhatsApp, Matt Idema, a nova operação vai começar a ser oferecida a um pequeno grupo de usuários no país para, gradualmente, chegar aos demais. O executivo não detalhou o percentual de usuários que poderão usar o serviço já hoje nem em quanto tempo a oferta será expandida.

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Acreditamos que esse serviço vai ser mais impactante nesse momento, de pandemia, em que as pessoas estão isoladas, porque enviar dinheiro de forma digital é mais seguro. Também acreditamos que esse serviço vai ajudar milhões de pessoas que não têm acesso a bancos, porque elas poderão participar do mercado.
Matt Idema, diretor de operações do WhatsApp

Segundo Idema, as pessoas com a função já ativada poderão convidar amigos e familiares para utilizar os pagamentos no WhatsApp também. Uma conta habilita o serviço de outras automaticamente ao enviar uma transferência de qualquer valor. A partir daí, o contato que recebeu o dinheiro já terá o serviço automaticamente habilitado.

Os bancos que participam da plataforma também poderão convidar seus clientes para se inscrever e usar os pagamentos no WhatsApp.

Bancos participantes

Inicialmente, o serviço será habilitado para usuários do aplicativo com cartões de débito, pré-pago ou combo do Banco do Brasil, Banco Inter, BradescoItaú Unibanco, Mercado Pago, Next, Nubank, Sicredi e Woop Sicredi, com as bandeiras Visa e Mastercard.

Como a transação é realizada por meio da plataforma da Cielo, o acesso está aberto para outras empresas interessadas que decidirem se tornar parceiras, segundo o WhatsApp.

Como funciona

No aplicativo de quem estiver autorizado a fazer a transferência de dinheiro vai aparecer um ícone para transferências entre as opções que surgem quando clicamos naquele ícone de um clipe, quando queremos enviar fotos ou documento. Além de imagem, áudio, contato, câmera, localização e contato, terá a opção enviar dinheiro.

Mas por enquanto, para transferir ou receber dinheiro, a pessoa terá que ter um cartão que seja Visa ou Mastercard de um dos bancos participantes. As transferências poderão ser feitas com cartões de débito, pré-pagos ou combo participantes, mas não com cartões de crédito.

Quem tentar incluir dados de um cartão que não seja de uma dessas bandeiras e emitido por um dos bancos participantes não vai conseguir fazer a transação.

Para começar a usar, a pessoa deve adicionar os dados do próprio cartão, escolher a pessoa para enviar o dinheiro e clicar para adicionar a transação. O destinatário verá o pagamento direto na conversa com o remetente.

As pessoas precisam de um número de telefone do Brasil para poder enviar ou receber dinheiro no WhatsApp. Somente serão autorizadas transações dentro do país e em moeda local, ou seja, em reais. Nenhuma taxa será cobrada.

Segurança

Os pagamentos no WhatsApp são habilitados pelo Facebook Pay, empresa autorizada pelo Banco Central a oferecer esse tipo de serviço no Brasil.

Segundo o diretor de operações, transferências e pagamentos são protegidos por várias camadas de segurança, como o PIN do Facebook Pay ou a biometria em dispositivos compatíveis. Cada usuário terá o seu PIN, que será a sua chave de segurança para seus dados.

O diretor disse que em caso de uma transação feita por engano, como o envio de valores para uma pessoa errada, por exemplo, a devolução do dinheiro vai depender da vontade de quem recebeu, pois o sistema não tem como cancelar a transação já finalizada.

Limites

O WhatsApp estabeleceu limites para os valores que podem ser enviadas por vez e para a quantidade de transações que pode ser realizada em um determinado período de tempo.

As pessoas podem enviar até R$ 1.000,00 por transação e receber até 20 transações por dia, com um limite de R$ 5.000,00 por mês. Mas os bancos parceiros poderão estabelecer um limite menor para transações.

Pagamentos para empresas

O WhatsApp ainda não permite a transferência de valores para pagamento de compras. Segundo o diretor de operações da empresa, isso está em análise pelo Banco Central. "Vamos trazer os novos serviços de pagamento em breve", disse Matt Idema, sem definir prazos.

O executivo comentou o tempo levado pelo Banco Central para autorizar o funcionamento do sistema de pagamentos criado pelo WhatsApp. O serviço chegou a ser anunciado em junho do ano passado, mas foi bloqueado pelo Banco Central e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para análises no mesmo mês. A liberação então só ocorreu no fim de março deste ano.

"Entendemos o tempo que levou para a aprovação dos serviços pelo Banco Central, pelas condições de pandemia e pela coincidência de lançamento do Pix", disse o diretor do WhatsApp

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NYT alerta para falsa capa sobre Brasil querer 'Bolsonaro para sempre'

É falsa a imagem que circula nas redes sociais sobre uma suposta capa pró-Bolsonaro do The New York Times - Reprodução/Twitter
É falsa a imagem que circula nas redes sociais sobre uma suposta capa pró-Bolsonaro do The New York Times Imagem: Reprodução/Twitter

Do UOL, em São Paulo

04/05/2021 19h06

Atualizada em 04/05/2021 19h40

O jornal americano The New York Times desmentiu hoje a existência de uma suposta capa com notícias favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A imagem, que circulou nas redes sociais, trazia uma foto de um protesto pró-Bolsonaro ao centro e manchetes como "Brasil wants to be free" ("O Brasil quer ser livre") e "Bolsonaro forever" ("Bolsonaro para sempre").

"Estamos cientes de que uma versão manipulada da primeira página do New York Times circula na internet com matérias falsas e uma imagem de manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro. O New York Times não publicou essa capa", escreveu a assessoria do jornal, junto aos links que levam à seção que reúne notícias sobre o Brasil.

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A falsa capa já havia sido analisada (e refutada) por serviços de checagem de fatos no Brasil, como a Agência Lupa e o Estadão Verifica.

A imagem traz alguns erros grosseiros que ajudam a identificá-la como uma montagem. O primeiro está na manchete principal, em que se vê a palavra "wants" escrita com "h" ("whants"). Além disso, a página diz datar de uma segunda-feira, 4 de abril, e a última destas aconteceu em 2016, quando Bolsonaro nem sequer era presidente ou mesmo candidato.

Naquele dia, porém, o Brasil realmente foi capa do NYT — mas representado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), que ganhou o maior destaque, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral e o ex-ministro Sergio Moro. Citando os escândalos da Petrobras, a reportagem principal tratava dos elos entre a corrupção e a crise na política brasileira.

"Com Dilma Rousseff enfrentando um [processo de] impeachment, entenda como um presidente do Brasil pode ser destituído [do cargo]", diz uma publicação feita no Twitter à época. A reportagem está disponível em inglês neste link.

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'Problema não é bem na cabeça, é no coração', diz Mandetta sobre Bolsonaro

4.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em depoimento à CPI da Covid no Senado - Edilson Rodrigues/Agência Senado
4.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em depoimento à CPI da Covid no Senado Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

04/05/2021 17h50

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse hoje que o problema do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não é na cabeça, e sim no coração, ao incentivar a aglomeração e o não uso de itens básicos, como a máscara de proteção facial, durante a pandemia da covid-19. A declaração ocorreu enquanto o ex-ministro era sabatinado por senadores na CPI da Covid, na tarde de hoje.

"O que se passa na cabeça do presidente [Bolsonaro], que é a pergunta da senadora Eliziane Gama [Cidadania-MA]... eu acho que a primeira coisa é que tem que ter sentimento para tomar decisão pela vida. E eu acho que o problema não é bem na cabeça, é mais o coração", respondeu Mandetta.

Mandetta deixou o comando do Ministério da Saúde em abril do ano passado, após embates com Bolsonaro e por se recusar a assinar um protocolo recomendando o uso de cloroquina para o tratamento da covid-19. Estudos afirmam que o medicamento não tem eficácia contra o coronavírus e podem até causar outros problemas de saúde.

O ex-ministro da Saúde é ouvido na comissão em condição de testemunha, e tem o compromisso de dizer a verdade. Caso contrário, poderá incorrer no crime de falso testemunho.

Sem máscara e com aglomeração

Repetidamente, o presidente Bolsonaro tem incentivado aglomerações —até mesmo em eventos oficiais realizados no Palácio do Planalto, em Brasília. Não raramente, o chefe do Executivo também aparece em público sem o uso da máscara.

O distanciamento social é recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pelo Ministério da Saúde como medida mais eficaz para controlar a disseminação do coronavírus. Aglomerações são vistas como potenciais focos de propagação da doença.

Da mesma forma, o uso de máscara é visto como medida importante no controle do novo coronavírus, sendo aconselhável inclusive para quem já teve a doença. Ainda não há estudos conclusivos sobre a possibilidade de reinfecção e o tempo de imunidade após a recuperação. Bolsonaro contraiu a doença em julho do ano passado.

Nesta segunda-feira (3), o Brasil alcançou 408.829 óbitos desde o início da pandemia, segundo dados obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de saúde.

Foram registradas 1.054 mortes em decorrência da covid-19 em todo o país somente nas últimas 24 horas.

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Ele e a família viveram isolados em ilha deserta: "Foi um choque voltar"

Ron Falconer e família na ilha deserta nos anos 70 - Arquivo pessoal
Ron Falconer e família na ilha deserta nos anos 70 Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

04/05/2021 04h00

Nos anos 1970, o escocês Ron Falconer construiu seu próprio veleiro e, alguns meses depois, caiu no mar: com a embarcação, ele navegou, sozinho, para distantes lugares do mundo, como a África, a América Central e a Polinésia Francesa. "Sempre gostei de ficar isolado. E, com o barco, percebi que podia ir para onde eu quisesse", conta.

A vontade de viajar, o desejo de fugir do mundo moderno e a atração que sempre sentiu por lugares de natureza fizeram Ron adotar uma vida que, para boa parte da população, só pode existir em livros e filmes de aventura.

Isolados

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Em 1987, quando morava na morava na Polinésia Francesa com esposa Anne e dois filhos pequenos Alexandre e Anaïs, ele descobriu, no oceano Pacífico, uma ilha completamente desabitada, conhecida internacionalmente como Caroline Island.

Resolvemos nos mudar para este pedaço de terra despovoado e construir uma vida em total isolamento. E acabamos ficando quase quatro anos por lá", relata ele.

Ao aportar em Caroline Island, a família teve que, imediatamente, se comportar como uma expedição de desbravadores de um mundo selvagem. O local era só mato, areia e com o horizonte marcado pela imensidão do oceano Pacífico.

Ron montando sua casa na ilha deserta - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ron montando sua casa na ilha deserta Imagem: Arquivo pessoal
O moinho de vento construído na ilha - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O moinho de vento construído na ilha Imagem: Arquivo pessoal

"Construímos uma cabana com madeira e folhas de coqueiro. E começamos a descobrir onde estavam os alimentos na ilha", conta Ron, que, durante suas navegações solitárias pelo mundo, já havia aprendido técnicas de sobrevivência.

Entre caranguejos gigantes e tubarões

Anne pega um caranguejo gigante na ilha - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Anne pega um caranguejo gigante na ilha Imagem: Arquivo pessoal

A família rapidamente se adaptou à sua nova realidade. Descobriu que, na ilha, havia uma grande quantidade de caranguejos gigantes, fáceis de caçar. "Quando confrontados, estes caranguejos congelam. Então eles são fáceis de pegar, além de terem um sabor muito bom", conta Ron. "Mas suas garras gigantes podem quebrar um dedo".

Neste começo de vida em Caroline Island, eles também comiam cocos, construíram um sistema para coletar água da chuva e começaram a plantar alimentos com sementes que trouxeram no veleiro. E, logicamente, iam ao mar para buscar refeições.

Anne, uma francesa criada na cidade, rapidamente provou ser uma exímia pescadora. "Eu ficava com as crianças e, pelas manhãs, ela saía para pescar. Ela usava linhas com anzol e, às vezes, lanças de madeira. Voltava para casa cheia de peixes", lembra o escocês.

Filho de Ron pega um polvo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Filho de Ron pega um polvo Imagem: Arquivo pessoal
Anne mostrou talento para pescaria - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Anne mostrou talento para pescaria Imagem: Arquivo pessoal

Em terra, porém, os ocupantes se deparavam com cobras e formigas agressivas. Havia, também, a preocupação com o surgimento de ciclones, algo recorrente nesta região do planeta. E, na água desta parte do Pacífico, há muitos tubarões.

"Nós nos deparávamos frequentemente com os tubarões. Mas você aprende a respeitá-los e a evitá-los. Nunca tivemos problemas com eles".

A natureza é boa para os seres humanos. Podemos entrar perfeitamente em harmonia com ela. O difícil é se adaptar a um mundo com carros, trânsito e poluição", avalia Ron.

Prova disso é o dia em que houve indícios da chegada de um ciclone perto da ilha. A preocupação com um desastre natural, porém, logo deu lugar a um sentimento de alívio e alegria. "O ciclone não se abateu sobre nós, mas começou a chover muito. De repente, estávamos todos dançando na chuva, felizes por saber que aquela água iria regar nossas plantações".

Mestres da ilha

Na ilha, a rotina de Ron e sua família misturava os cenários de "Náufrago" (estrelado por Tom Hanks e lançado em 2000) com um estilo de vida parecido com aquele visto no filme "Capitão Fantástico", que mostra um pai que decide criar e educar seus filhos longe do mundo moderno.

Banho na ilha deserta - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Banho na ilha deserta Imagem: Arquivo pessoal

Quando aportaram no local, os filhos do escocês estavam com dois e quatro anos e, enquanto estiveram na ilha, tiveram aulas com os pais e viveram uma infância com ampla sensação de liberdade, correndo nus para lá e para cá e brincando na natureza.

Uma vez por ano, a família voltava a embarcar no veleiro e, em uma viagem que durava cinco dias, ia até a ilha do Taiti, onde está a cidade de Papeete, capital da Polinésia Francesa.

"Ficávamos cerca de duas semanas lá. Neste tempo, as crianças tomavam vacinas, íamos ao médico e ao dentista e comprávamos suprimentos e novos equipamentos para a ilha", explica Ron.

Com o tempo, eles foram criando uma estrutura que melhorou (e muito) as condições de habitação em seu isolado paraíso selvagem.

Almoço com lagosta em Caroline Island - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Almoço com lagosta em Caroline Island Imagem: Arquivo pessoal
O veleiro construído por Ron - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O veleiro construído por Ron Imagem: Arquivo pessoal

Fizeram plantações de diversos legumes, trouxeram patos e galinhas para ajudar na alimentação e até construíram um pequeno moinho de vento, que os ajudava a moer trigo e produzir farinha. A casa, por sua vez, cresceu, ganhando novos espaços (feitos com madeira e folhas de coqueiro) como cozinha e até painéis de energia solar.

Para eventuais emergências, a família contava com um sistema de radioamador, que permitia que eles falassem com o mundo exterior em casos de acidentes ou doenças e, também, recebessem avisos de ciclones e outros perigos (a ilha habitada mais próxima ficava a aproximadamente 480 quilômetros de distância).

E a sorte se fez presente: nenhum deles jamais teve um problema grave de saúde durante esta feliz vida em isolamento.

Ron e sua plantação de abóboras na ilha deserta - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ron e sua plantação de abóboras na ilha deserta Imagem: Arquivo pessoal

Fim do sonho

O paraíso de Ron, porém, chegou ao fim em 1991.

Ciente de que eles haviam ocupado Caroline Island, o governo do arquipélago de Kiribati (país no oceano Pacífico ao qual pertence a ilha) resolveu expulsá-los de lá. "Sofremos por ter que ir embora, mas não tinha jeito", lamenta o escocês.

E o retorno ao mundo moderno não foi fácil.

A família acabou se mudando para a ilha de Moorea, com aproximadamente 16 mil pessoas e uma considerável estrutura urbana.

Foi um choque retornar para o mundo. Eu não queria voltar a me inserir na sociedade", conta Ron.

O escocês relata que, ao chegar a Moorea, percebeu que seus filhos não sabiam o que era dinheiro. "Eles também não sabiam o que era mentir. Mas entraram na escola, fizeram amigos e acabaram se adaptando bem à sua nova vida".

O casal, por sua vez, acabou se separando e, no final dos anos 90, Anne, Alexandre e Anaïs foram embora para a França.

Ron ficou em Moorea, morando em uma casa erguida em uma colina, com vista para o mar absurdamente azul da região. Músico, ele ganhou a vida tocando em bares e restaurantes da ilha — e, também, vendendo o livro que escreveu sobre sua experiência em Caroline Island (obra que, em português, se chama "Juntos na Solidão").

Um novo amor

Em 2015, Ron deixou Moorea após se apaixonar por uma neozelandesa chamada Fiona.

Ele foi para a Nova Zelândia para morar com ela, mas teve seu pedido de residência no país negado, porque, no histórico de Ron, consta que ele foi deportado de Kiribati ao ser expulso da ilha deserta.

Ron e Fiona nos dias de hoje - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ron e Fiona nos dias de hoje Imagem: Arquivo pessoal

A solução encontrada pelo casal foi se mudar para a França, onde Ron poderia ficar perto dos filhos. E, no país europeu, eles conseguiram adotar uma vida que permite que o escocês (que hoje está com 82 anos) fique relativamente longe do mundo moderno.

Neste momento, eles moram em um confortável barco parado em um canal da região da Bretanha, cercados por belas paisagens rurais. "E é uma casa móvel. Podemos viajar com ela através da França", conta.

Ron mora em um barco nos canais da França - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ron mora em um barco nos canais da França Imagem: Arquivo pessoal

Ao final da entrevista feita via Skype, o telefone de Ron apitou. "É um aviso dizendo que já posso ir ao hospital tomar a vacina contra a covid", disse ele.

Não estar mais vivendo totalmente isolado do mundo tem suas consequências.

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