ENCURRALADO
Bolsonaro está desesperado e não precisa de detratores, porque se autoincrimina, aponta O Estado de S. Paulo

247 – "Já se disse que o único trabalho da CPI da Pandemia será o de organizar as inúmeras evidências de que o governo de Jair Bolsonaro comportou-se de maneira irresponsável e muitas vezes criminosa em relação à pandemia de covid-19. E o presidente Bolsonaro colabora, diariamente, com novas provas. Ontem, Bolsonaro chegou a ponto de produzir essas provas no exato momento em que o ex-ministro da Saúde Nelson Teich prestava depoimento à CPI. Enquanto o ex-ministro confirmava aos senadores que deixou o Ministério da Saúde, depois de menos de um mês no cargo, porque descobriu que não teria autonomia e porque foi pressionado a estimular o uso de medicamentos inúteis contra a covid-19 a título de 'tratamento precoce', Bolsonaro discursava fazendo violenta defesa desses remédios", aponta editorial de O Estado de S. Paulo desta quinta-feira.
"A histeria bolsonarista denota desespero. O presidente parece intuir que sua situação política ficará a cada dia mais insustentável diante da exposição pública, na CPI, das extravagâncias, todas fartamente documentadas, cometidas por seu governo ao longo da pandemia. E estamos apenas no segundo dia de depoimentos na comissão, que certamente ainda reservará muitos dissabores para o governo – especialmente quando o ex-ministro Eduardo Pazuello resolver dar o ar da graça", prossegue o editorialista.
"Bravatear é o que resta a Bolsonaro, já que seu governo, incompetente para conter a pandemia, foi igualmente incompetente para esvaziar a CPI. Sua única competência parece ser a de produzir provas contra si mesmo. Um presidente que, cobrado a usar máscara, diz que 'já encheu o saco isso, pô', como fez em seu discurso, não precisa de detratores", finaliza.
Bolsonaro no limite | Merval Pereira - O Globo
Por mais que o Exército faça para se distanciar de Bolsonaro, o presidente faz questão de incluí-lo em suas ameaças, voltando a confrontos institucionais que já o colocaram em desacordo anteriormente com o ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e o ex-comandante do Exército e general Edson Pujol. Voltou a chamar de “meu Exército” os militares que, segundo ele, podem sair às ruas para proteger o direito de ir e vir em caso de lockdown. E nenhum juiz ousará contestar essa decisão, garantiu em sua retórica abusiva.
A convocação do ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello pela CPI quase se transformou em princípio de crise, não fosse a iniciativa do senador Omar Aziz, presidente da CPI, de ligar ao novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio, para esclarecer que Pazuello era convocado na qualidade de ministro civil, e não de general da ativa.
O novo comandante era chefe do Departamento do Pessoal do Exército, encarregado da logística de combate à Covid-19 dentro da corporação, e agiu de acordo com as orientações médicas. Por isso, Pujol certa vez deu o cotovelo para Bolsonaro, que lhe estendia a mão e ficou irritado.
O próprio general Paulo Sérgio escreveu um artigo em que se rejubilava pelo fato de a pandemia, no Exército, estar sendo muito menos letal entre os seus do que na média brasileira, justamente por seguirem orientações científicas. O artigo, que também provocou a ira de Bolsonaro, não impediu que a antiguidade se impusesse na escolha do novo comandante do Exército e mostra bem a diferença de visão entre os dois.
O presidente está claramente a perigo, se sentindo acuado pelos relatos que estão surgindo na CPI da Covid. Mais uma vez está escalando a retórica que domina, a da ameaça e do extremismo, para tentar criar uma situação crítica que obrigue as Forças Armadas a se posicionar. Aproveitando um discurso em cerimônia do Palácio do Planalto sobre a tecnologia 5G — que nada tem com o tema que abordou —, Bolsonaro deu um jeito de voltar a criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a autonomia de governadores e prefeitos na definição de medidas restritivas durante a pandemia, que ele considera uma “excrescência”, por ter dado “competências esdrúxulas” a eles.
O ex-ministro Pazuello se preparava justamente para atacar o Supremo em seu depoimento na CPI, que acabou adiado por incapacidade do convocado de postar-se minimamente bem diante de seus arguidores. Bolsonaro é capaz de fazer um ato extremo, como ameaçou, com o objetivo de criar uma situação-limite e confrontar instituições como o STF para testar sua força popular. As manifestações do fim de semana a seu favor, em várias capitais, devem tê-lo convencido de que ainda é capaz de acionar multidões para reforçá-lo no poder.
Trata-se de movimento perigoso porque, estando acuado, é capaz de transpor a linha da legalidade.
Pode ser só uma bazófia, mas pode perfeitamente se transformar em realidade diante dos fatos, que estão sempre contra ele nos últimos tempos. Com essas bravatas, é possível acelerar um processo de impeachment, que está latente na CPI. Está protegido pela pandemia, que impede as pessoas de ir à rua. Mas, nesse ritmo, provoca ações de seus seguidores e dos contrários. E, se isso acontecer, as instituições terão que funcionar, inclusive o Exército, que terá de dizer se está do lado da democracia ou de um presidente claramente desequilibrado, que tenta fazer tudo para criar um ambiente político que facilite o autoritarismo.
A sorte é que, aparentemente, ele é minoria. A questão é saber se irá até o final, se testará nas ruas sua força. O mais grave, diante da falta de vacinas e do tamanho da tragédia que vivemos, é voltar a pensar alto besteiras como uma guerra biológica da China, que teria “inventado” o vírus da Covid-19 para poder crescer economicamente e superar seus competidores ocidentais. São os ecos ainda da visão conspiratória do ex-ministro Ernesto Araújo, que ficou no inconsciente dos remanescentes do governo e levaram o ministro Paulo Guedes a repetir a besteira numa reunião que era transmitida.
CPI da Covid revela homens ainda menores do que pensávamos | Malu Gaspar - O Globo

‘Um homem pequeno para estar onde está’ foi a expressão usada por Luiz Henrique Mandetta no depoimento à CPI da Covid. O ex-ministro da Saúde se referia ao ex-colega da Economia, Paulo Guedes, que o acusou de “pegar R$ 5 bilhões” e não comprar vacinas quando elas ainda nem existiam. Mandetta falou só de Guedes, mas bem poderia ter usado o aposto para outros personagens.
No momento em que Mandetta se apresentava à CPI, homens de confiança do presidente da República trabalhavam nos bastidores para ajudar outro ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a escapar do próprio depoimento. Estavam alarmados com o que viram no treinamento aplicado a ele no final de semana. O general que, no poder, se acostumou a dar entrevistas coletivas em que só falava o que queria e não respondia a pergunta nenhuma tremeu diante da simulação de um pelotão agressivo de senadores ávidos por um embate.
Acuado, o mesmo Pazuello que dias antes circulava sem máscara num shopping center de Manaus, despreocupado com a pandemia, escondeu-se atrás do Exército. Coube a um general assinar um ofício avisando à CPI que ele não compareceria, por ter tido contato com coronéis contaminados com o coronavírus.
O ex-ministro da Saúde não apresentou atestado médico, nem lhe ocorreu fazer um teste para eliminar a hipótese de contaminação e se liberar para prestar esclarecimentos à CPI o mais rapidamente possível. Mas ganhou duas semanas para tomar coragem e responder às perguntas dos senadores.
No dia seguinte, diante de plateia amiga no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro adotou postura combativa. Disse que estava pronto para garantir por decreto “o direito de ir e vir”, contra medidas de isolamento social determinadas por governadores. Em mais uma de tantas indiretas contra o Supremo Tribunal Federal, disse que, se baixar o tal decreto, “não será contestado por nenhum tribunal, porque ele será cumprido”.
No mesmo tom ameaçador de sempre, chamou de canalha “aquele que é contra o tratamento precoce e não apresenta alternativa” e criticou o pedido da CPI para que informasse onde esteve nos finais de semana em que circulou pelos arredores de Brasília sem máscara e sem tomar cuidados preventivos contra a disseminação do coronavírus. “Não interessa onde eu estava. Respeito a CPI, estive no meio do povo, tenho que dar exemplo”, afirmou o presidente, exaltado. “Vou continuar andando em comunidades em Brasília.”
Não parecia o mesmo Bolsonaro que, há duas semanas, telefonou ao governador de Alagoas, Renan Filho, pedindo para ajudá-lo no diálogo com seu pai, o relator da CPI, Renan Calheiros. Ou que, em visita fora da agenda, perguntou ao antecessor José Sarney: “O Renan é mesmo muito amigo do Lula?”. Embora se tratasse de uma pergunta inútil — ou alguém acredita que Sarney responderia que “sim, são muito amigos, falam sempre ao telefone, tocam de ouvido”? —, foi uma indagação reveladora dos contornos que o espírito combativo do capitão assume nos bastidores.
Na CPI, em público, o que se viu foram senadores recitando perguntas já enviadas prontas pelo governo ou por médicos pró-cloroquina, enquanto os ex-ministros Mandetta e Nelson Teich demonstravam claramente que houve, sim, uma concertação do Palácio do Planalto contra o isolamento social, pela adoção do tratamento precoce como política pública e de confronto às recomendações preconizadas pela ciência.
“A verdade, ela vai triunfar!”, proclamou em defesa do tratamento precoce o senador Eduardo Girão, que é empresário e ex-presidente de clube de futebol, mas fala como se entendesse de assuntos médicos. E que se proclama independente, mas atua como integrante da tropa de choque de Bolsonaro.
Sim, todos queremos que a verdade triunfe. É muito cedo, porém, para dizer que é isso o que acontecerá. Difícil, também, prever se a CPI da Covid resultará mesmo em punição aos responsáveis pelos fracassos e desídias que custaram milhares de vidas nesta pandemia. Mais arriscado ainda seria antever se haverá vontade política para produzir um impeachment.
Mas já é possível adaptar ao momento atual um velho ditado popular — aquele que diz que é quando a maré baixa que se vê quem está sem roupa. A CPI da Covid ainda está começando, mas uma coisa ela já conseguiu. Agora que a maré baixou bastante, a gente constata que os homens pequenos são ainda menores do que conseguíamos ver.
O presidente e o delito continuado | Míriam Leitão - O Globo
O que a CPI mostrou até agora foi que o presidente Jair Bolsonaro impediu dois ministros da Saúde de agirem conforme as orientações técnicas e científicas durante a pandemia. O ato foi continuado. O ex-ministro Nelson Teich repetiu ontem diversas vezes a informação de que ele não concordava com a recomendação de uso da cloroquina e, por divergir disso, saiu. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta entregou carta a Bolsonaro, fez cenário, mostrou a gravidade da crise e teve que enfrentar uma assessoria paralela no Planalto que queria o uso da cloroquina. Não aceitou e, por isso, foi demitido. As orientações dos ministros poderiam ter salvado vidas.
O presidente da República amarrou a mão de seus ministros, os impediu de agir, não ouviu técnicos, ignorou a ciência, desafiou a medicina e impôs a sua forma de conduzir o país numa pandemia. E isso está nos levando à morte. Bolsonaro deu várias vezes sinais explícitos de que aposta na tese perigosa de ampliar a contaminação para chegar ao fim mais rápido da pandemia. Ontem, Nelson Teich foi claro: “Essa tese de imunidade de rebanho, onde você adquire a imunidade através do contato e não da vacina, isso é um erro.”
O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta explicou que a crise seria longa, trágica, mataria, no pior cenário que fez, 180 mil brasileiros em 2020. Foram 11 mil a mais. Disse que não havia remédio, portanto era para seguir o que sempre foi usado nas epidemias de doenças infecciosas: o distanciamento social. O presidente o ignorou. Nem mesmo a máscara ele adotou. Pelo contrário, quem entra no Planalto é até constrangido a tirar a máscara, como me disse uma autoridade. Da mesma forma que o general Eduardo Ramos tomou vacina escondido, o código perto de Bolsonaro é esconder a máscara. Essa é a lógica tacanha de quem preside o país.
Mandetta diz que foi chamado a uma reunião no terceiro andar, gabinete do presidente, e lá viu a minuta de um decreto que imporia a mudança da bula da cloroquina. Estavam presentes pessoas estranhas ao governo, mas que o presidente ouvia sobre saúde, em vez de o ministro. Presente também o filho Carlos, que participa de reuniões ministeriais com direito a assento na mesa. Tudo era o retrato de um governo distorcido.
Teich contou que num dia houve uma live em que o presidente garantiu que ampliaria o uso da cloroquina e, no dia seguinte, ele falou a mesma coisa em uma declaração na saída do Alvorada. Isso sem a aprovação do ministro da Saúde. Foi essa a sequência final dos eventos que levou Teich a sair do governo, 29 dias depois de ter entrado.
Nesses dois dias da CPI ficou claro que o único ministro da Saúde que ele permitia ficar no cargo era um que aceitasse dizer a frase: “Senhores, é simples assim: ele manda, eu obedeço.” A propósito, Teich aceitou o general Pazuello como seu secretário-executivo, e com a experiência da proximidade disse que ele não tinha o conhecimento técnico suficiente em gestão de saúde para ocupar a posição de ministro da Saúde.
Pazuello ocupou o cargo, no meio de uma pandemia, porque era o único a aceitar o cabresto do presidente. Cabresto que ele tenta impor ao país com seu mandonismo agressivo. Ontem foi mais um dia de ameaças institucionais ao país, gritadas no meio de um evento oficial. Disse que vai baixar um decreto contra as medidas protetivas adotadas por prefeitos e governadores.
— Se baixar esse decreto, ele será cumprido e não será contestado, não ousem contestar — berrou Bolsonaro, querendo dizer que a Justiça não poderia revogar tal ato.
Ontem também o presidente fez novo ataque à China, insinuando que o vírus teria sido parte de uma guerra química, bacteriológica.
Poderia ser só insensatez, mas é muito mais. Bolsonaro está acuado. Está ficando claro que ele cometeu delito continuado na gestão da pandemia. Derrubou os ministros que queriam nos conduzir para um cenário de menos mortes e mais proteção, impôs um que seguiu todas as suas ordens e que agora está se escondendo na barra da farda do Exército. O comando de Bolsonaro foi claro: exposição ao vírus, cloroquina e ameaças autoritárias. Enquanto a CPI fazia nova radiografia do seu absurdo modo de governar, Bolsonaro deu mais um dos seus gritos. Queria distrair a atenção. O risco é o país não reagir a esse candidato a ditador.
Auxiliar de Pazuello e Queiroga na Saúde confirma ao MPF que planejou ida a Manaus para difundir cloroquina

BRASÍLIA — Conhecida como “Capitã Cloroquina”, a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, confirmou, em depoimento obtido com exclusividade pelo GLOBO, que ela foi a responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em Manaus dias antes de o sistema de saúde do Amazonas entrar em colapso, em janeiro último. O depoimento foi dado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.
A promoção de remédios sem eficácia e as ações do Ministério da Saúde antes e durante o colapso em Manaus são alvo das investigações da CPI da Covid no Senado.
Mayra é uma das seis pessoas que respondem a uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF no Amazonas por conta da ação dos governos estadual e federal durante a crise no sistema de saúde do estado. Além dela, são alvos da ação o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco, entre outros. Já há pelo menos um requerimento pedindo a convocação de Mayra para testemunha na CPI da Covid.
Determinação de Pazuello
No depoimento aos procuradores da República no Amazonas, Mayra admite que, por delegação de Pazuello, ela foi a responsável por planejar o ciclo de visitas de médicos a unidades básicas de saúde de Manaus nos dias que antecederam o caos no sistema:
— Todas as atividades que foram demandadas inicialmente foram feitas por mim porque foi delegada essa competência pelo ministro da Saúde (Eduardo Pazuello). Nós fizemos uma série de ações que foram planejadas inicialmente por mim. Uma delas foi de levar os médicos voluntários (às unidades de saúde).
Segundo Mayra, a função das visitas era orientar profissionais de saúde sobre as alternativas para o tratamento da Covid-19 na cidade que enfrentava um aumento vertiginoso no número de casos e de mortes causados pela doença.
As visitas a unidades básicas de saúde em Manaus dias antes do colapso do sistema foram alvo de polêmica, sobretudo depois de um ofício assinado por Mayra cobrando os profissionais de saúde de Manaus a aderirem ao chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19. O “tour” de médicos percorreu 13 unidades básicas de saúde da capital.
Questionada, Mayra confirmou que o ofício em que cobrava a adesão dos médicos ao tratamento precoce incluía a orientação ao uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina, drogas sem comprovação científica contra a Covid-19.
— Essa questão dos tratamentos e da orientação aos médicos. Aí se insere a cloroquina e a hidroxicloroquina? — indagou um procurador que conduzia o depoimento.
— O ministério disponibilizou uma orientação para os médicos brasileiros para, que de acordo com a autonomia que foi dada a eles pelo Conselho Federal de Medicina e a sua autonomia de prescrever e a autonomia do paciente de querer, que eles pudessem orientar medicamentos com doses seguras (de remédios) como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, que naquela época só tinham comprovação in vitro, e que hoje têm mais de 250 referências — respondeu Mayra Pinheiro.
Em outro trecho, Mayra volta a defender o uso de cloroquina e hidroxicloroquina alegando que as duas teriam ficado estigmatizadas por conta da “politização” da doença.
— E aí, como médica, é preciso que a gente tenha um discurso que não seja cansativo mais para população, a gente, numa pandemia, tem que dispor de todo um arsenal para salvar vidas (...) não só mais a cloroquina e a hidroxicloroquina... essas duas ficaram estigmatizadas por conta da politização da pandemia, que é ruim para o debate científico.
Em outro trecho, Mayra defendeu a ivermectina, outra droga sem comprovação científica contra a Covid. Ela chega a dizer que, “nos próximos dias”, a Organização Mundial de Saúde (OMS) “liberaria” o uso como antiviral contra a Covid. Mas, em março, a OMS emitiu comunicado recomendando que a substância não fosse usada no tratamento da Covid. Em abril, estudo publicado na revista científica “Nature”, apontou que a hidroxicloroquina pode estar associada a um aumento na mortalidade de pacientes com Covid-19.
Com pressão de CPI, Carlos Bolsonaro retoma comunicação e aconselha pai a radicalizar discurso

BRASÍLIA — Com a pressão da CPI da Covid sobre o Palácio do Planalto, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) retomou as rédeas da narrativa do presidente Jair Bolsonaro. O vereador passou duas semanas em Brasília, retornando ao Rio na última sexta-feira. No período na capital federal, esteve diversas vezes com o pai no gabinete presidencial e ajudou a rever a estratégia de comunicação do governo, fechando-se ainda mais para a imprensa e com foco nas redes sociais. Como em outros momentos de crise, Carlos, mais uma vez, aconselhou o presidente a partir para o confronto que agrada à militância ideológica e ajuda a desviar o foco dos problemas do governo.
O principal argumento de Carlos é que a suposta moderação adotada por Bolsonaro nos últimos meses, sugerida por ministros e aliados do Centrão, não foi suficiente para impedir a CPI da Covid, instalada por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro também se frustrou com a escolha do senador Osmar Aziz (PSD-AM) como presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na função de vice, e Renan Calheiros (MDB-AL) como relator.
O efeito prático da ingerência do filho foi sentido mais claramente no discurso de Bolsonaro ontem no Palácio do Planalto. Interlocutores do presidente viram digitais de Carlos na fala do chefe do Executivo com recados indiretos ao STF e insinuações contra a China, principal parceiro comercial do Brasil.
No mesmo evento, em claro afago à militância digital, prometeu um decreto para regulamentar o marco civil da internet, alegando que ele e muitos que o apoiam “são cerceados”. Bolsonaro prometeu “liberdade e punições” para quem não respeitar as regras.
Em seguida, defendeu seu filho Carlos e assessores presidenciais que são acusados de participar do “gabinete de ódio”. Bolsonaro afirmou que eles são “o gabinete da liberdade, da seriedade” e que são “perseguidos”. Após ser investigado na CPMI das Fake News, o grupo pode ser chamado para falar na CPI da Covid.
“Gabinete do ódio”
Bolsonaro citou nominalmente Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial da Presidência, e “Mateus” — que seria uma referência a José Matheus Sales Gomes, também assessor presidencial. Os dois, junto com Mateus Matos Diniz, que tem um cargo no Ministério das Comunicações, são próximos a Carlos e foram apontados como integrantes do que ficou conhecido como “gabinete do ódio”.
— O meu marqueteiro não ganhou milhões de dólares fora do Brasil. O meu marqueteiro é um simples vereador, Carlos Bolsonaro, lá do Rio de Janeiro. É o Tercio Arnaud, aqui que trabalha comigo, é o Mateus... São pessoas, são perseguidas o tempo todo, como se fosse, tivesse inventado um gabinete do ódio. Não tem do que nos acusar. É o gabinete da liberdade, da seriedade — disse Bolsonaro, durante evento no Palácio do Planalto sobre o 5G.
Segundo um interlocutor próximo da família, embora Carlos nunca tenha se afastado da rotina do governo, é nos momentos de crise que o vereador ganha força no Planalto por validar as convicções do presidente e o reaproximá-lo da militância.
A Carlos também é atribuída a mudança na Secretaria Especial de Comunicação (Secom). Em 16 de abril, o almirante Flávio Rocha, secretário especial de Assuntos Estratégicos (SAE), foi substituído pelo coronel da Polícia Militar, André Costa. A mudança, segundo integrantes do governo, tem o objetivo de que a Comunicação do governo fique mais ligada ao gabinete presidencial e menos diretamente ao Ministério das Comunicações. A principal reclamação do vereador é que o governo, sob ataque, não conseguia se defender.
Em depoimento na CPI da Covid anteontem, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta citou Carlos algumas vezes, dizendo que ele participava das reuniões sobre o enfrentamento à pandemia. Ao GLOBO, em caráter reservado, integrantes do governo reconhecem a presença do vereador em reuniões sobre a comunicação.
Em resposta a Mandetta, Carlos publicou no Twitter uma foto do ex-ministro em um bar e também abraçando, sem máscara, servidores do Ministério da Saúde ao deixar a pasta em abril do ano passado. “Use máscara, mantenha o distanciamento social e só procure um médico quando sentir falta de ar... Ahhhhh e o tratamento precoce, que estamos proibidos democraticamente de FALAR, foi indicação do sabugo de milho encravado!”, ironizou.
Universidade fica inviável
Por Denise Pires de Carvalho* e Carlos Frederico Leão Rocha**
A pandemia da Covid-19 revelou a importância da ciência no enfrentamento de questões de risco para a sociedade. Conhecimento científico é importante no planejamento das ações de redução da transmissibilidade da doença, nos cuidados hospitalares e no desenvolvimento de alternativas de combate ao vírus, como a produção de vacinas.
As universidades públicas estão na linha de frente dos desafios postos ao país e têm sido protagonistas em diversas ações para combater a pandemia. No caso da UFRJ, realizamos testes moleculares padrão ouro por RT-PCR, enquanto a rede privada não dispunha desses testes diagnósticos. Nosso Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o maior do Estado do Rio em volume de consultas, instalou um novo CTI e mais de 100 leitos de enfermaria para tratamento da Covid-19. A assistência aos pacientes esteve associada à geração de conhecimento científico. Realizamos estudos pioneiros de vigilância genômica, identificando novas variantes dos vírus; desenvolvemos testes sorológicos, e vacinas com tecnologia nacional estão na fase de testes pré-clínicos. Nossas perspectivas de retorno após a pandemia seriam muito piores sem essas ações.
Isso se tornou possível em razão do desenvolvimento de capacitação científica, fruto de investimentos anteriores no sistema nacional de ciência e tecnologia nas universidades e nas demais instituições científicas. Em 2013, R$ 12 bilhões foram investidos pela Capes e pelo CNPq, transformando o cenário da produção científica do país. Consequentemente, durante a epidemia da zika, o Brasil liderou o número de publicações relacionadas à enfermidade, o que permitiu a identificação de suas consequências fisiopatológicas, resultando em vidas salvas pela nossa ciência.
As universidades também dobraram o número de estudantes matriculados nos cursos de graduação. Efetuou-se um importante programa de democratização do ingresso. O investimento no ensino superior passou a ser um dos mais efetivos agentes promotores da diminuição da desigualdade social, tornando-se um importante programa social do Estado brasileiro.
Desde 2013, o orçamento das universidades vem sendo radicalmente cortado. O orçamento discricionário aprovado pela Lei Orçamentária para a UFRJ em 2021 é 38% daquele empenhado em 2012. Quando se soma o bloqueio de 18,4% do orçamento aprovado, como anunciado pelo governo, seu funcionamento ficará inviabilizado a partir de julho. A UFRJ fechará suas portas por incapacidade de pagamento de contas de segurança, limpeza, eletricidade e água. O governo optou pelos cortes e não pela preservação dessas instituições. A universidade nem sequer pode expandir a arrecadação de recursos próprios, pois não estará garantida a autorização para o gasto. A universidade está sendo inviabilizada. Em dez anos, nos restará perguntar onde estará a capacidade de resposta na próxima emergência sanitária e qual será a opção terapêutica milagrosa que colocarão à venda.
*Reitora da UFRJ
*Vice-reitor da UFRJ
Bolsonaro ameaça e ataca para criar mais uma cortina de fumaça | Míriam Leitão - O Globo

O país está vivendo o segundo dia de depoimento de um ex-ministro da Saúde na CPI dizendo o mesmo: o presidente da República impedia as decisões técnicas na gestão da saúde. Os governistas na Comissão se atrapalham frequentemente como na briga desta manhã de quarta com a bancada feminina.
Bolsonaro usa então a estratégia de sempre. Faz uma manobra diversionista, ataca e ameaça as instituições. Disse que baixará um decreto - sobre o qual tem falado - para “garantir o direito de ir e vir”, e levanta a voz “não ouse contestar”. Já adianta que não será revogado pela Justiça. Sua inclinação autoritária todo mundo conhece, o problema que ele sempre encontra é que a democracia o impede de fazer o que ele tem ameaçado.
Outra técnica de desviar a atenção é atacar a China. E por isso ele insinuou que o vírus é parte de uma guerra química. “Que país mais cresceu seu PIB? Não preciso dizer a vocês”, disse ele, mais uma vez insinuando que era da China os disparos dessa suposta guerra química.
Criar um inimigo externo é um jogo conhecido dos autoritários que querem se fortalecer. Ameaçar a democracia tem sido o cotidiano de Bolsonaro desde o começo do seu governo.
O que tudo isso revela é um presidente que se sente acuado, que está com medo de que a CPI chegue à comprovação de que ele tem sido um fator de agravamento da pandemia no país. Uma das razões está sendo exposta hoje por Nelson Teich, como foi ontem por Luiz Henrique Mandetta: ele atropelou a ciência, as decisões técnicas para impor ao país o peso das suas decisões erradas, e elas elevaram as mortes.
Bolsonaro ameaça editar decreto para garantir 'direito de ir e vir' e avisa: 'não ouse contestar'

BRASÍLIA E RIO — Em um discurso repleto de recados indiretos ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que estuda editar um decreto para garantir o que ele chamou de "direito de ir e vir", entre outras questões. Bolsonaro não confirmou se irá editar ou não o decreto, mas disse que, se ele for publicado, "não será contestado por nenhum tribunal".
Bolsonaro é um crítico de medidas restritivas tomadas por governadores e prefeitos para reduzir o contágio do novo coronavírus, que já matou mais de 411 mil pessoas no Brasil. Ele considera que essas medidas desrespeitam o artigo 5º da Constitução e afirmou que poderia editar um decreto para reforçá-los, o que ele próprio classificou como "pleonasmo".
— Nas ruas, já se começa a pedir, por parte do governo, que ele baixe um decreto. E se eu baixar um decreto, vai ser cumprido. Não será contestado por nenhum tribunal, porque ele será cumprido. E o que constaria no corpo desse decreto? Constariam os incisos do artigo 5º da Constituição — disse Bolsonaro, durante evento sobre 5G no Planalto.
O presidente disse que os direitos que constam no artigo 5º da Constituição que ele quer garantir são o direito de ir e vir, de liberdade de culto e de trabalhar:
— Quem poderá contestar o artigo 5º da Constituição? O que está em jogo e alguns ainda ousam, por decretos subalternos, nos oprimir? O que nós queremos do artigo 5º de mais importante? Queremos a liberdade de cultos, queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir. Ninguém pode contestar isso.
Durante o discurso, ele repetiu diversas que o Congresso estaria do seu lado e que não poderia ser contestado:
— Peço a Deus que não tenha que baixar esse decreto. Mas, se baixar, ele será cumprido, com todas as forças que todos os meus ministros têm. E não será contestado esse decreto. Não ouse contestar, quem quer que seja. Sei que o Legislativo não contestará.
Bolsonaro também afirmou que a decisão do STF, de abril do ano passado, que garantiu autonomia para governadores e prefeitos tomarem medidas restritivas durante a pandemia é uma "excrescência" por ter dado "competências esdrúxulas".
— O Brasil não pode ser um país condenado ao fracasso porque alguém delegou competências esdrúxulas a governadores e prefeitos — disse, acrescentando depois: — Que poder é esse que foi dado a governadores e prefeitos? Isso é uma excrescência.
Mais tarde, no Rio, onde teve uma reunião com o governador Cláudio Castro e depois se encontrou com Robson Oliveira, que chegou da Rússia, Bolsonaro voltou a levantar a hipótese de editar uma norma:
— Vou ter que esperar este momento de eu assinar um decreto para poder dar liberdade a este povo nosso? Isso é um crime o que estão fazendo no Brasil com essa política indiscriminada de lockdown, de toque de recolher, roubando empregos. No artigo 5º que eu falei lá o que é muito importante? O direito de ir e vir, liberdade de culto, liberdade de trabalho.
"VOTO AUDITÁVEL"
Em outro recado ao STF, pela manhã, o presidente também disse que, caso o Congresso aprove o que chamou de "voto auditável" (uma combinação entre voto impresso e eletrônico, defendida por Bolsonaro), "ninguém vai contestar, em lugar nenhum". O STF já considerou inconstitucional uma outra proposta que previa a impressão do voto.
— Se vocês promulgarem o voto auditável, ele será executado por ocasião das eleições do ano que vem. Repito: será posto em prática. Ninguém vai contestar, em lugar nenhum, a constitucionalidade de uma ação por parte dos senhores parlamentares nesta questão.
Em derrota do governo e de Bia Kicis, deputados rejeitam projeto sobre impeachment de ministros STF

BRASÍLIA — Apesar da mobilização do governo e da presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Bia Kicis (PSL-DF), deputados rejeitaram nesta quarta-feira um projeto que limitava a ação do Poder Judiciário. Incluída na pauta do colegiado, a proposta tratava do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Com 33 votos contra e 32 a favor, uma diferença de um voto, os parlamentares derrotaram parecer favorável à iniciativa. A redação do texto incluía a "usurpação de competência do Congresso Nacional" entre os crimes de responsabilidade listados na lei 1.079 — a lei do impeachment.
Durante a discussão da matéria, Bia Kicis se afastou da cadeira de presidente da comissão para discursar a favor do projeto e criticar o "ativismo judicial" de ministros do STF. Oposição e deputados do Centrão, entretanto, se posicionaram de forma contrária. Com a derrota, o deputado Pompeo de Mattos (PDT), que votou contra o relatório, foi indicado para elaborar relatório pela rejeição da proposição.
Desde que assumiu a presidência, o presidente Jair Bolsonaro estimula e apoia a participação de apoiadores em manifestações contrárias ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal. Em diversas ocasiões, já indicou também que os ministros do Supremo abusam de suas prerrogativas. Entre bolsonaristas, há a pressão para que o Senado dê prosseguimento a processos de impeachment contra os ministros da Corte. Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, inclusive comemorou recentemente a destituição de todos os integrantes da Suprema Corte de El Salvador.
— Estamos lutando para resgatar a autoridade do parlamento contra o ativismo do Supremo. Quando dizem que o Judiciário age por provocação, isso é verdade. Mas ele pode responder dizendo: "não podemos nos imiscuir em assuntos privativos do Legislativo" — defendeu Bia Kicis, antes da votação.
A presidente da CCJ, inclusive, argumentou que participava de uma espécie de vanguarda ao defender o projeto.
— Me sinto como aqueles desbravadores que vão com facão na mata, abrindo caminho. E eu tenho orgulho de fazer parte desse grupo de parlamentares (que apoia o projeto) — disse a deputada do PSL.
Kicis, porém, foi derrotada. Parlamentares contrários argumentaram que o termo "usurpar competência do Congresso" era vago e poderia suscitar o impeachment de ministros do STF que apenas exercem o controle de constitucionalidade. Avaliaram que um magistrado poderia ser perseguido apenas por determinar a inconstitucionalidade de uma lei.
Aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), Margarete Coelho (PP-PI) votou contra a proposta por entender que a legislação ameaçava o poder "contramajoritário" do Supremo, usado em defesa de minorias. O projeto, de autoria de Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), foi relatado por Chris Tonietto (PSL-DF). Em seu parecer, Tonietto incorporou uma proposta semelhante de Bia Kicis para a tramitação em conjunto.
— O que nós estamos acompanhando hoje é uma tentativa de criminalização da atividade contramajoritária do Supremo Tribunal Federal. E nós entendemos que esse tipo de regra e limitação irá recair justamente sobre as partes mais fracas. Porque é nessa atuação contramajoritária do Supremo que nós temos tido os maiores ganhos, que a socidade civil tem tido os maiores ganhos — discursou Margarete Coelho.
Parlamentares do PSL, por sua vez, afirmaram que a proposta era uma resposta à altura ao ativismo judicial.
— O Supremo, na verdade, se tornou um poder moderador, um poder que se acha Supremo não na estrutura do Poder Judiciário, mas se julga Supremo na estrutura dos três poderes. É preciso ter um basta nessa exacerbação de poderes e competências que foram dadas aos ministros do Supremo — discursou Carlos Jordy (PSL-RJ).
Autor do texto original, Sóstenes Cavalcante disse que os deputados estavam se "agachando" a outro poder. Ao orientar pelo governo, o deputado Giovani Cherini (PL-RS) afirmou que a proposta era uma demanda da população.
— Achei que fosse um projeto de unanimidade. Meu celular está cheio de mensagem. O clamor da população pede esse projeto — disse Cherini.
'Arroubo retórico', diz ministro do STF sobre ameaça de Bolsonaro

BRASÍLIA — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, classificou como um "arroubo de retórica" o discurso em que o presidente Jair Bolsonaro ameaçou editar um decreto contra as medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores. Durante um evento sobre a tecnologia 5G no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que, se publicar um decreto com esses termos, ele "não será contestado por nenhum tribunal".
O discurso foi visto como mais um ponto de tensão entre a Presidência e o Supremo Tribunal Federal, relação desgastada desde o início do governo Bolsonaro. O ministro Marco Aurélio, entretanto, disse que é preciso não acirrar os ânimos em um momento em que mais de 400 mil pessoas já morreram por causa do novo coronavírus.
— Foi um arroubo de retórica. Vivemos em uma República, numa democracia em que, evidentemente, não se pode afastar do Judiciário. E, em se pronunciando o Judiciário, se o clima é democrático, há observância do que foi decidido. Foi um arroubo de retórica. Precisamos dar um desconto e não acirrar os ânimos — afirmou o ministro.
A tentativa de minimizar o discurso também foi seguida por outros ministros. O presidente do STF, Luiz Fux, disse a um interlocutor considerar que a declaração do presidente foi uma “retórica para plateia” e uma “cortina de fumaça”. Fux avalia que Bolsonaro não tem o apoio para colocar em prática o que deseja.
Procurada, a assessoria de imprensa do presidente do STF disse que ele não se manifestaria.
Durante o discurso na manhã desta quarta-feira, Bolsonaro afirmou que a decisão do STF, de abril do ano passado, que garantiu autonomia para governadores e prefeitos tomarem medidas restritivas durante a pandemia é uma "excrescência" por ter dado "competências esdrúxulas".
— O Brasil não pode ser um país condenado ao fracasso porque alguém delegou competências esdrúxulas a governadores e prefeitos — disse, acrescentando depois: — Que poder é esse que foi dado a governadores e prefeitos? Isso é uma excrescência.
Apesar de colocar panos quentes no discurso de Bolsonaro, o ministro do Supremo garantiu que, se for provocado em relação a qualquer assunto, a Corte, assim como qualquer outra instância do Poder Judiciário, irá tomar uma decisão.
— O tribunal não contesta. Quem busca impugnação são os interessados. Se o Judiciário se pronuncia, a decisão se cumpre sendo presidente ou não. Assim como, quem estiver inconformado com a decisão pode impugná-la — afirmou.
Acusado por 5 mortes em creche de SC usou faca inspirada em espada ninja

Atenção: esta reportagem contém a descrição de um episódio de extrema violência.
Apontado como o responsável pelo ataque que causou cinco mortes nesta terça (04) em uma creche na cidade catarinense de Saudades, Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, escolheu uma faca inspirada em uma espada ninja para cometer os crimes.
De acordo com um parente do acusado, a faca foi comprada em uma grande plataforma de varejo digital dias antes da ação que causou a morte de três crianças e duas professoras da unidade de educação. A arma branca, de fabricação nacional em lâmina de aço inoxidável, é inspirada no modelo conhecido como “Red Guardian Ninja Sword”, produzido nos Estados Unidos.
“Ele chegou a mostrar a faca aos seus pais na semana passada. Disse que havia comprado em um site conhecido de compras. E avisou que iria atrás de um suporte de parede para deixar a faca como objeto de decoração. Falou que era uma faca decorativa”, disse João Erotildes dos Reis, casado com uma tia de Fabiano, em entrevista ao GLOBO.
Após a tragédia, ele conversou com os pais de Fabiano Kipper Mai, que mencionaram a compra da faca pela internet realizada pelo filho. O GLOBO entrou em contato também com a mãe do acusado. Ela disse que estava sem condições de falar sobre o assunto e mencionou que “seu coração estava sangrando de dor”.
Com a arma inspirada numa espada ninja, Fabiano cruzou o acesso principal do Centro de Educação Infantil Aquarela por volta das 10h30 desta terça (4).

Encontrou pelo caminho sua primeira vítima, a professora Keli Aniecevsk, de 30 anos, morta a golpes de faca perto da entrada da unidade.
Depois, matou a professora assistente Mirla Renner, de 20 anos. E então, esfaqueou quatro crianças que estavam em sala de aula. Três morreram: Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses, e Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses. A quarta criança estava internada em estado grave em uma UTI.
Algumas professoras conseguiram trancar as portas antes da aproximação do homem. Os gritos de desespero chamaram a atenção de vizinhos e pessoas que trabalhavam nos arredores.

Tentativa de suicídio
Dois moradores entraram no colégio munidos com pedaços de madeira e seguiram em direção ao Maternal 3.
Ao perceber a aproximação, o criminoso cortou o próprio pescoço com a faca utilizada para matar suas vítimas. Ele não conseguiu concluir a tentativa de suicídio e ficou estirado no chão.
“Ele estava sangrando bastante, mas permaneceu consciente. Perguntava quantas pessoas tinha matado. E dizia que queria morrer”, diz o soldado Raphael Blazech, do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, que fez parte do primeiro grupo da corporação a chegar ao Centro de Educação Infantil Aquarela, minutos após o ataque.

O acusado foi levado para um hospital na cidade de Chapecó. Até a publicação desta reportagem, seu quadro clínico era classificado como grave. O caso é investigado pelo delegado Jerônimo Marçal Ferreira, da Delegacia de Polícia Civil de Pinhalzinho, em Santa Catarina.
(Colaboraram Lucas Mathias e Rodrigo Castro)
(* Especial para o Globo)
“Capitã Cloroquina”, secretária do Ministério da Saúde confessa ao MP que organizou viagem a Manaus para difundir remédio

247 - Conhecida como “Capitã Cloroquina”, a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, confessou ao Ministério Público Federal (MPF) ter sido a responsável pelo planejamento e organização de viagem a Manaus para difundir o uso de remédios sem eficácia científica comprovada contra a Covid-19. A visita de médicos e técnicos comandados pela Capitã Cloeoquina aconteceu dias antes de o sistema de saúde amazonense entrar em colapso, no mês de janeiro. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.
"Todas as atividades que foram demandadas inicialmente foram feitas por mim porque foi delegada essa competência pelo ministro da Saúde (Eduardo Pazuello). Nós fizemos uma série de ações que foram planejadas inicialmente por mim. Uma delas foi de levar os médicos voluntários (às unidades de saúde)", disse ela ao Ministério Público no Amazonas.
Além do MPF-AM, a CPI da Covid, no Senado, apura a promoção de medicamentos sem eficácia e as ações do Ministério da Saúde antes e durante o colapso em Manaus. Um requerimento pediu a convocação de Mayra para testemunha na CPI da Covid.
Nessa quarta-feira (5), o ex-ministro Nelson Teich disse na Comissão Parlamentar de Inquérito que membros do governo Jair Bolsonaro faziam lobby pelo uso da cloroquina contra a Covid-19.
Mayra é uma das seis pessoas que respondem a uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF-AM por conta da ação dos governos estadual e federal durante a crise no sistema de saúde do estado. Também são alvos da ação o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco, entre outros.
Colapso na capital amazonense
Documentos públicos apontaram que Pazuello sabia do cenário crítico sobre o sistema de saúde em Manaus oito meses antes de ser constatada a falta de oxigênio em hospitais da capital.
Em outra manifestação, o procurador da República Igor Spindo disse que a causa principal para que o oxigênio faltasse para pacientes de coronavírus em Manaus na última semana foi a interrupção do transporte deste insumo pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Vice-governador do Amazonas diz que política de imunidade de rebanho apoiada por Bolsonaro levou Manaus ao colapso

247 - Manaus foi transformada em laboratório gerador da nova cepa do coronavírus, que matou milhares de pessoas e a responsabilidade sobre isto recai sobre Jair Bolsonaro e o governador do estado, Wilson Lima. A política de "imunidade de rebanho" acarretou milhares de mortes na capital, Manaus.
A denúncia foi feita pelo vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida. "Quando houve envolvimento do governador na operação [da Polícia Federal], a estratégia foi mostrar alinhamento [com Bolsonaro]. Uma coisa era clara, a política era de afirmar que se tinha uma imunidade de rebanho. O que acabou acontecendo foi um laboratório, a P1 encontrou ambiente adequado", diz em entrevista à Folha de S.Paulo.
Filhos de Bolsonaro serão responsabilizados pelo genocídio, prevê Paulo Pimenta

247 – Consolida-se opinião da existência de um Ministério paralelo, formado pelos filhos e alguns assessores que de fato comandam o Ministério da Saúde do Capitão Cloroquina durante a pandemia. Avessos à ciência e adeptos da cloroquina, deverão ser responsabilizados pela tragédia sanitária", aponta o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Bolsonaro é "tigre de papel", segundo ministros do STF

247 - As ameaças de Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal) levaram ministros da Corte a concluírem que o governo está “trôpego” por causa da CPI da Covid. Sob ameaça, o títular do Planalto parte para o ataque.
Mas na opinião de magistrados, Bolsonaro, no entanto, tem se mostrado um tigre de papel, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna.
Depois de dois dias de depoimentos dos ex-mnistros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich na CPI da Covid, acumulam-se indícios de que o presidente da República cometeu crime de responsabilidade na gestão da pandemia de covid-19.
‘Vimos a Justiça começando a ser feita’, diz pai de Henry Borel após conclusão de inquérito sobre morte do filho

247 - Pai do menino Henry Borel, Leniel Borel afirmou, nessa quarta-feira (5), "hoje vimos a Justiça começando a ser feita". A polícia indiciou o vereador Dr. Jairinho e Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança, respectivamente.
De acordo com as investigações, o menino morreu por conta de agressões do parlamentar e pela omissão da mãe. Ambos estão presos.
Em postagem numa rede social, Leniel agradeceu a Deus, aos policiais que trabalharam na investigação do caso, aos advogados, à imprensa e a familiares, além do apoio que tem recebido desde que o filho morreu.
Deputado do Centrão pede "interdição civil" de Bolsonaro - Alex Solnik
Por Alex Solnik

Por Alex Solnik
Em nota oficial, em papel timbrado da Frente Parlamentar Brasil-China, seu presidente, o deputado Fausto Pinato escreveu que o grupo não compactua com “declarações desrespeitosas e irresponsáveis contra a China” de Bolsonaro, que sugeriu que aquele país criou o vírus para levar vantagem econômica e que isso poderia ser uma guerra química contra o mundo.
Pinato também disse estar preocupado sobre um possível “desvio de personalidade” do presidente:
“Não se trata de pessoa irresponsável, desequilibrada e sem noção do mundo. Na verdade, pode tratar-se de grave doença mental que faz o nosso presidente confundir realidade com ficção”.
E concluiu:
“Penso que estamos diante de um caso em que recomenda-se (sic) a interdição civil para tratamento médico”.
“O país agradece” finaliza a nota.
Seria a terceira forma de afastar Bolsonaro: as outras duas são impeachment e renúncia.
Integrante do centrão, Pinato está no PP, o partido do presidente da Câmara, Arthur Lira.
O doido cada vez mais doido - Eric Nepomuceno
Por Eric Nepomuceno

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia
Dizem que Einstein disse o seguinte: “Há limites para tudo, exceto para duas coisas: o Universo e a estupidez humana. E devo esclarecer que, quanto ao Universo, tenho cá minhas dúvidas”.
Nesta quarta-feira, cinco de maio, Jair Messias comprovou, uma vez mais, que no que se refere à estupidez, Einstein estava certo.
Também comprovou que quando um psicopata se sente acuado reage com mais aberrações ainda, fora de qualquer controle. E que como todo bom mentiroso compulsivo, mente desbragadamente.
Entre as pérolas do dia, assegurou que seu governo é o que mais assegurou total liberdade de imprensa. Esqueceu, com certeza, os seguidíssimos ataques que faz contra os meios de comunicação. Que deu ordens estritas para cortar publicidade oficial, exceto nos seguidores exaltados. Que afirmou que não compraria produtos e comércios que anunciam nos grandes meios de comunicação. E que soltou a Polícia Federal contra quem chama o Genocida de Genocida, o Psicopata de Psicopata, o Mentiroso de Mentiroso.
Estava especialmente descontrolado, a ponto chamar de canalha quem se opõe ao uso da cloroquina. Chamou o Gabinete do Ódio de Gabinete da Liberdade. Aproveitou para, de novo, atacar a China – justo a China, maior parceira comercial do Brasil e de quem dependemos essencialmente para obter vacinas. E descarregou sua ira, de novo, contra o Supremo Tribunal Federal. As obsessões de um obsessivo totalmente desequilibrado saltaram, e com fúria, para a luz do sol.
Chegou ao desatino olímpico de elogiar aquilo que chamou de política externa de seu governo, mencionando, meio de esguelho mas mencionando, o ex ministro de Aberrações Exteriores, Ernesto Araújo.
O auge dos disparates, porém, foi quando Jair Messias ameaçou, uma vez mais porém agora com fúria especial, agir contra as medidas adotadas por prefeitos e governadores para tentar conter o avanço da covid-19.
Advertiu que está a ponto de baixar um decreto que assegure o direito de ir e vir, e também de frequentar cultos religiosos. Como, não disse. Mas deixou claro, iracundo, que tal decreto não será contestado por nenhum tribunal – menção clara ao STF.
Reiterou que é capitão, esquecendo que foi escorraçado do Exército quando era tenente, e que só por ter passado automaticamente para a reserva foi promovido.
A insistência com que Jair Messias recorda sua condição de ex-militar é patética e não faz mais deixar à flora sua frustração. Ter espalhado militares por todo seu governo tem o efeito imediato de conspurcar a imagem da caserna por fazer parte de todos os absurdos que levaram ao genocídio. Mas é também a tentativa de passar a imagem de que conta com um apoio que nada indica existir.
Há uma razão clara e palpável para que o desequilibrado tenha destrambelhado de novo e num grau insólito: a CPI do Genocídio.
Muito mais que alimentar a seita de seguidores radicais e fanatizados, trata-se da tentativa de desviar o foco das atenções do que interessa. Manobra esperta do Genocida, mas inútil.
O que surpreende é a impunidade com que ele continha desfilando aberrações e ameaças absurdas.
Seria e é apenas patético e bizarro, mas também é preocupante.
Os depoimentos de Mandetta e Teich na CPI não fizeram mais que ressaltar o absurdo que foi o general da ativa Eduardo Pazuello, em íntima cumplicidade com Jair Messias e, portanto, co-responsável pela tragédia que o país enfrenta nas mãos do pior e mais absurdo governo da história.
E a cada três frases, deixaram clara a irresponsabilidade sem fim do responsável pela maior parte de mais de 410 mil mortes. O Genocida.
Em um ano, mortes tiveram aumento de 4.533%. Mas Bolsonaro repete discurso

Reinaldo Azevedo
Colunista do UOL
06/05/2021 06h32
No dia 7 de maio do ano passado, Jair Bolsonaro atravessou a Praça dos Três Poderes, em companhia de Paulo Guedes, do general Luiz Eduardo Ramos e de um grupo de empresários para ir falar com Dias Toffoli, que presidia o Supremo. O grupo tinha uma porção de reclamações a fazer contra as medidas de restrição de circulação em curso no país. O chefe do Executivo resolveu impressionar o presidente do tribunal com uma frase de efeito: "Nós temos um bem muito maior até que a própria vida, se me permite falar isso: é a nossa própria liberdade". Total acumulado de mortos por Covid-19 até aquele dia: 9.146.
É coisa de pensador que atinge, como escreveu o poeta, os "pélagos profundos" do pensamento. Seria preferível circular por aí, sem qualquer restrição, e acabar morto a se submeter a alguns sacrifícios temporários para continuar vivo. Nessa perspectiva, a verdadeira liberdade está na cessação do direito de viver. É a forma que tomou o individualismo na extrema direita bucaneira que governa o Brasil.
Mandetta destrói governo Bolsonaro em CPI; trata-se de crimes dolosos
Muito bem! Nesta quarta-feira, Bolsonaro promoveu uma solenidade em homenagem à Semana das Comunicações. Num discurso aloprado, ameaçou baixar um decreto intervindo nos Estados e desafiou o Supremo: que não ousasse contestá-lo. E, mais uma vez, sob o pretexto de defender a liberdade, falou em morte. Afirmou:
"Os militares, quando se tornam praça, juram dar a vida pela Pátria. Os que estiveram nas ruas, nesse 1º de Maio, bem como outros milhões que não puderam ir às ruas, darão sua vida por liberdade".
Está sonhando com uma guerra civil. Total de mortos por Covid-19 nesta quarta, um ano depois daquela "Marcha ao Supremo": 414.645. Um aumento de 4.533%.
Bolsonaro não aprende nada nem esquece nada.
É impressionante como ele não consegue associar a liberdade à paz, à alegria, à convivência pacífica. No seu discurso, a perspectiva é sempre sangrenta, de confronto, de enfrentamento. Na sua pregação, nunca se é livre para viver, mas se morre para ser livre ou se é livre para morrer. Isso explica o governo que ele faz.
Por que chamo a atenção para os dois eventos? O caos social com que Bolsonaro acenava há um ano não veio, para sua tristeza e melancolia. Ora, qual é o desejo secreto de um autoritário senão a eclosão de um conflito de grandes proporções para que possa, então, impor a ordem "manu militari"?
Um ano depois, Bolsonaro continua a alimentar o mesmo delírio. Como o país não vive uma rotina de saques e confrontos armados, então se encarrega ele próprio de convocar seus milicianos virtuais a ir às ruas para berrar um "eu autorizo" — no caso, estariam autorizando-o a dar um autogolpe. E que se note: voltou a fazer o discurso estridente quando os Estados estão relaxando as restrições.
DESESPERO E GABINETE DO ÓDIO
O que explica o chilique? É o desespero somado à sua estúpida irresponsabilidade. No mesmo discurso, voltou a atacar a China -- embora tenha negado mais tarde que o tivesse feito, o que é ainda mais espantoso --, acusando o país, ainda que de modo oblíquo, de ter criado o vírus para se impor como potência hegemônica. Estou traduzindo para o português e segundo marcos de economia política aquela bobajada que engrolou.
Cumpre lembrar aqui o depoimento de Luiz Henrique Mandetta à CPI. Deixou claro que Bolsonaro não seguia as recomendações do Ministério da Saúde — e isso está registrado na carta que o então ministro lhe mandou no dia 28 de março. Preferia as orientações do tal "Gabinete do Ódio", aquele grupinho de assessores que se encarrega de insuflar os milicianos digitais.
De onde veio a conversa do "vírus criado pela China"; de um mundo "submetido à guerra química, bacteriológica e radiológica" — seja lá o que a expressão "guerra radiológica" queira dizer —; da "liberdade (de contaminar) ou morte"; da ameaça ao Supremo? Resposta: do Gabinete do Ódio.
Assim que o presidente disparou seus perdigotos de indignidade moral e política, os milicianos digitais se encarregaram de disseminar seus gritos de guerra, afirmando que seu líder estava pronto a atender à reivindicação em favor do golpe que levaram às ruas.
ENTENDERAM?
Há um ano, Bolsonaro não tinha ideia melhor para enfrentar a crise do que ignorar os mortos, pregar a volta à absoluta normalidade -- o que teria efeitos desastrosos -- e tentar intimidar o Supremo, ainda que, então, de maneira um pouco mais mansa.
Já na reta dos 500 mil mortos, seu discurso é rigorosamente o mesmo, só que mais agressivo porque acuado pela CPI.
O deputado Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, emitiu uma nota depois do destampatório do presidente em que põe em dúvida sua sanidade mental, recomendando sua interdição. Não tenho dúvida de que estamos diante de uma questão também clínica. Mas jamais se ignore o fato de que a necropolítica de Bolsonaro é uma escolha consciente. Há muita gente que quer ouvir precisamente o que ele diz. E ele está convicto de que esse discurso o leva para o segundo turno.
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