GAIA DEU AS COSTAS PARA A HUMANIDADE

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Gaia deu as costas para a humanidade
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Brasil tem 2.531 mortes em 24h e ultrapassa 15 milhões de casos de Covid-19. 
417.176 mortos.
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Em live, Bolsonaro DISTORCE dados sobre VOTO eletrônico, CLOROQUINA e DESEMPREGO 
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PAI e QUATRO FILHOS morrem de covid em 33 dias em SC: 'Difícil de superar'
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Vitamina C, ácido hialurônico e mais: o que cada ativo faz pela sua pele?
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Davi Kopenawa Yanomami em cena do documentário "A Última Floresta", de Luiz Bolognesi - Pedro J Marquez/Divulgação
Davi Kopenawa Yanomami em cena do documentário 'A Última Floresta', de Luiz Bolognesi 
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Brasil tem 2.531 mortes em 24h e ultrapassa 15 milhões de casos de covid

Hoje, o Brasil também teve 2.531 óbitos por covid-19 nas últimas 24 horas. No total, 417.176 já morreram pela doença no país - Andre Coelho/Getty Images
Hoje, o Brasil também teve 2.531 óbitos por covid-19 nas últimas 24 horas. No total, 417.176 já morreram pela doença no país Imagem: Andre Coelho/Getty Images

Carolina Marins, Douglas Porto, Sara Baptista e Ricardo Espina

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

06/05/2021 20h02

Atualizada em 06/05/2021 21h01

O Brasil ultrapassou hoje a marca de 15 milhões de pessoas infectadas pela covid-19 desde que o primeiro caso foi notificado no país, em fevereiro de 2020. Com 72.559 novos infectados registrados desde as 20h de ontem, o total chegou a 15.009.023.

Mais uma vez o país registrou mais de 2 mil novas mortes em um período de 24 horas. Foram 2.531 óbitos notificados pelas secretarias estaduais de saúde, totalizando 417.176 vítimas da doença segundo o consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

Em SP, internações por covid crescem em 3 dias e apontam tendência de alta

Com isso, a média semanal de mortes permanece acima dos 2 mil pelo 51º dia consecutivo. Isso significar dizer que, na última semana, 2.251 pessoas morreram por dia, em média, por complicações da infecção pelo novo coronavírus.

Além disso, são 106 dia seguidos em que esse índice não fica abaixo de mil. No pico de contaminações e mortes do ano passado, o período mais longo havia sido de 31 dias.

Já de acordo com o governo federal, foram registradas 2.550 novas mortes nas últimas 24 horas, um total de 416.949 desde o início da pandemia.

Pelo balanço do ministério da Saúde, 73.380 novos diagnósticos foram confirmados entre ontem e hoje, elevando o total de infectados para 15.003.563. Desse total, 13.591.335 se recuperaram, com outras 995.279 em acompanhamento.

Os dados não representam quando os óbitos e diagnósticos de fato ocorreram, mas, sim, quando passaram a constar das bases oficiais dos governos.

A pandemia nos estados

Embora os números ainda sejam altos, o país apresenta tendência de desaceleração há 3 dias. Na comparação entre a média de hoje e a de 14 dias atrás — o que corresponde ao período de manifestação da doença — o Brasil tem estabilidade de -10%.

Cinco estados reportaram mais de cem mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. A soma do total de vítimas destes locais (1.725) representa mais do que a metade do total de mortes no país:

  • São Paulo - 696
  • Rio de Janeiro - 333
  • Minas Gerais - 328
  • Paraná - 244
  • Rio Grande do Sul - 124

Ainda que sejam em números altos, doze estados apresentam tendência de estabilidade nos registros, enquanto outros doze e o DF têm queda. Apenas dois apresentam aceleração: Ceará e Paraná.

Em três regiões a média móvel de mortes é considerada estável: Nordeste (-4%), Sudeste (-9%) e Sul (4%). Em outras duas a média apresenta desaceleração: Centro-Oeste (-31%) e Norte (-32%). No geral, o Brasil apresenta um índice em estável (-8%) na variação de 14 dias.

Veja a situação por estado e no Distrito Federal:

Região Sudeste

  • Espírito Santo: queda (-34%)
  • Minas Gerais: estabilidade (-10%)
  • Rio de Janeiro: estabilidade (2%)
  • São Paulo: estável (-11%)
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Bolsonaro distorce dados sobre voto eletrônico, cloroquina e desemprego

Juliana Arreguy e Douglas Maia

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Curitiba

06/05/2021 22h09

Na live de hoje (6), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o voto auditável, que já existe no Brasil, e distorceu afirmações sobre hidroxicloroquina, taxa de desemprego e vacinação.

Bolsonaro afirmou que, "se não tiver voto impresso, é sinal de que não vai ter eleição", ao pedir pela aprovação de um projeto na Câmara sobre o tema. O projeto é encabeçado pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), aliada do presidente.

Eduardo Bolsonaro invoca Brizola ao pedir auditoria já existente em urnas

Bolsonaro ainda ironizou e deturpou publicações da imprensa sobre não ter utilizado máscaras em locais públicos. Como exemplo, citou o caso em que fez um passeio de lancha em Praia Grande (litoral de São Paulo): "Bolsonaro nada sem máscara na Praia Grande".

O texto publicado pelo UOL na ocasião não se referiu ao uso de máscara, e sim à aglomeração promovida pelo presidente da República num momento em que o país registrava aumento do número de mortes e casos de covid-19.

UOL Confere verificou as principais declarações dadas pelo presidente na noite de hoje.

É falso que desemprego foi menor em 2020 do que em 2019

Agora, a questão do desemprego, é a metodologia. Terminamos 2020 com mais empregados do que terminamos 2019.

O desemprego atingiu nível recorde no Brasil em 2020, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa média anual de desemprego foi de 13,5%, valor acima de 2019 (11,9%). Houve recuo de 7,9% da quantidade de trabalhadores com carteira assinada e aumento de 16,1% de desalentados.

"A metodologia diz que desempregado é só quem procura emprego", justificou o presidente. O IBGE considera desalentada a pessoa que desistiu de procurar emprego por desânimo com o mercado de trabalho, seja diante de sucessivas negativas ou falta de opções.

Um relatório do Banco Central, publicado no ano passado, frisa que a falta de alternativas contribuiu para o aumento do índice. "Ressalta-se que a expectativa de encontrar emprego é um dos principais determinantes da evolução do desalento", diz trecho do texto.

É falso que Brasil é o único país a utilizar voto eletrônico

A única republiqueta do mundo que aceita isso acho que é a nossa, que aceita essa porcaria, esse voto eletrônico.

Segundo o Idea (Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Social), organização não governamental que estuda processos eleitorais pelo mundo, até 2015 pelo menos 23 países utilizavam votação eletrônica em eleições gerais e 18 em eleições regionais. Além do Brasil, Canadá, México, Argentina, Rússia, Índia, França e Namíbia são alguns dos países que realizam eleições com votação eletrônica.

Dentre os países com urnas eletrônicas, ao menos 15 possuem urnas de votação eletrônica de gravação direta, ou seja, não imprimem comprovantes individuais de voto, como ocorre nas eleições brasileiras.

Por aqui, as urnas registram os votos eletronicamente, mas emitem um comprovante impresso com todos os votos registrados na sessão, chamado Boletim de Urna. O documento é tornado público no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) logo após o fechamento da sessão, o que permite a conferência, mas preserva o anonimato dos eleitores.

É falso que urnas eletrônicas não são auditáveis

Quem quer uma democracia e quer que o voto valha de verdade tem que ser favorável a quaisquer novas medidas para tornar o voto auditável.

As urnas utilizadas nas eleições brasileiras já são auditáveis e são testadas com regularidade sobre sua segurança. Já foi constatado que os dados principais são invioláveis e não podem ser infectados por vírus que roubam informações.

O TSE afirma que não há indícios de fraude nas eleições desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram adotadas.

É falso que efeitos de tratamento com hidroxicloroquina não estejam relacionados a mortes

Eu nunca vi ninguém morrer por ter usado hidroxicloroquina.

Os dados mais recentes do Painel de Notificações de Farmacovigilância, mantido pela Anvisa e atualizado em 2 de maio de 2021, registram pelo menos dez óbitos após efeitos adversos da cloroquina desde o início da pandemia, além de dois casos registrados como "recuperados com sequelas".

O painel também registra uma disparada nas notificações de efeitos adversos ao medicamento a partir de março de 2020. No período, a Anvisa fez 897 notificações de efeitos relacionados à cloroquina, hidroxicloroquina ou sulfato de hidroxicloroquina. Se considerados outros medicamentos do chamado "kit covid" (que também inclui azitromicina e ivermectina), o número de notificações salta para 1.403.

Um painel de especialistas internacionais da OMS (Organização Mundial da Saúde) confirmou que a hidroxicloroquina não deve ser usada para tratamento da covid-19. Os cientistas do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes do órgão analisaram os resultados de seis ensaios clínicos com mais de 6.000 participantes.

Os resultados publicados pelo painel apontaram que o medicamento "não influencia a taxa de infecção e provavelmente aumenta o risco de efeitos adversos".

Em seu site, a Anvisa também admite que não há comprovação científica sobre o tratamento com cloroquina contra a covid-19 e afirma que não recomenda a utilização do medicamento em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus.

O Boletim de Farmacovigilância nº 14 da Anvisa, de janeiro de 2021, reúne diversos estudos que apontam riscos de efeitos adversos no uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, especialmente quando somadas à ingestão da azitromicina, outro medicamento do "kit covid".

É falso que não há do que acusar governo em CPI

Continua a CPI da Covid, não tem do que nos acusar, fizemos todo o possível.

O colunista Rubens Valente, do UOL, divulgou um documento elaborado pela Casa Civil que listava 23 acusações contra o governo Bolsonaro na condução do combate à pandemia, o que inclui a falta de interesse na compra de vacinas da Pfizer em agosto passado e promoção da hidroxicloroquina mesmo sem comprovação da eficácia contra a covid-19. O UOL Confere levantou ações do governo que justificam os questionamentos.

Brasil é o 4º com mais doses aplicadas, mas 12º no total percentual da população vacinada

Somos hoje o quarto país que mais vacina no mundo.

A afirmação de que o Brasil está entre os países que mais vacinam no mundo, repetida diversas vezes pelo presidente e já desmentida anteriormente pelo UOL Confere, leva em consideração números absolutos de doses aplicadas, sem diferenciar as populações de cada país.

Segundo o painel de vacinação mundial Our World In Data, da Universidade Oxford, o Brasil está atrás de Estados Unidos, Índia e Reino Unido e à frente da Turquia no ranking do total de segundas doses aplicadas. No entanto, ao verificar o que os números correspondem no percentual populacional de cada país, o Brasil é o 12% da lista.

Com mais de 212 milhões de habitantes, o Brasil tem população duas vezes maior que a turca e três vezes maior que a do Reino Unido.

Até a noite desta quinta-feira (6), o Reino Unido apresentava 24% da população vacinada com a segunda dose (cerca de 16,9 milhões de pessoas), enquanto o Brasil foi listado com apenas 7,02% de habitantes vacinados com a segunda dose (14,9 milhões).

A Turquia, apesar de ter 9,8 milhões de vacinados com a segunda dose, tem um percentual maior da população alcançado: 11,7% receberam a imunização completa contra o vírus.

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M.Queiroga se OMITE sobre ATUAÇÃO de Bolsonaro na pandemia e IRRITA comando da CPI _ Sessão é marcada por atos de OBSTRUÇÃO dos trabalhos por senadores GOVERNISTAS 

Brasília

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, irritou membros da CPI da Covid por evitar responder perguntas sobre a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento da pandemia.

Queiroga depôs na comissão nesta quinta-feira (6), em uma sessão de mais de nove horas, também marcada por atos de obstrução dos trabalhos por senadores governistas.

Os senadores próximos ao Planalto contestaram a atuação do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e reagiram a cada pergunta mais incisiva e direta, para tentar evitar respostas que pudessem contrariar os interesses do governo Bolsonaro.

Na quarta (5), parlamentares aliados do presidente tiveram uma reunião com ministros palacianos para tentar traçar algumas estratégias a serem usadas na CPI.

Queiroga tentou driblar perguntas relativas ao posicionamento pessoal do presidente da República, recusou-se a dar sua opinião sobre o uso da hidroxicloroquina (medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid) e não quis fazer uma avaliação das condições do ministério e das ações de enfrentamento à pandemia no momento em que assumiu o cargo.

O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) em depoimento à CPI da Covid no Senado
O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) em depoimento à CPI da Covid no Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado/AFP

Queiroga se tornou ministro da Saúde em março, em substituição ao general Eduardo Pazuello, que saiu bastante criticado por sua atuação, pelo atraso na contratação de vacinas e pelo colapso do sistema.

O atual ministro respondeu que não recebeu nenhuma orientação de Bolsonaro referente ao uso da hidroxicloroquina, mas se recusou a avaliar a posição do presidente em defesa do medicamento.

“Todos nós estamos aguardando a resposta. Não tem três palavras, só tem uma: ‘sim’ e ‘não’”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). “Até minha filha de 12 anos falaria ‘sim’ ou ‘não’”, completou.

Queiroga também disse desconhecer a existência de um "ministério paralelo", expressão que membros da comissão têm usado em razão da possibilidade de o presidente receber aconselhamento de pessoas alheias à pasta para questões de saúde.

A CPI EM CINCO PONTOS

  • Foi criada após determinação do Supremo ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG)

  • Investigará ações e omissões de Bolsonaro na pandemia e repasses federais a estados e municípios

  • Terá um prazo inicial (prorrogável) de 90 dias para realizar procedimentos de investigação

  • Relatório final será encaminhado ao Ministério Público para eventuais criminalizações

  • É formada por 11 integrantes, com minoria de senadores governistas

O ministro da Saúde, que é médico, também se recusou a dar sua própria avaliação sobre o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19.

Afirmou que a instância adequada para analisar essa questão seria a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), da qual faz parte, que está elaborando um protocolo.

“Segundo o decreto-lei que regulamenta a Conitec, eu sou instância final decisória. Então, eu posso ter que dar um posicionamento acerca desse protocolo, de tal sorte que eu gostaria de manter o meu posicionamento final acerca do mérito do protocolo quando o protocolo for elaborado”, disse.

Posteriormente, ele reconheceu que a hidroxicloroquina pode causar arritmias cardíacas, embora ressalte que são seguros. “A instância própria é essa. Esta é a instância”, reagiu o relator, Renan Calheiros.

O ministro da Saúde não soube dar certeza a respeito de ações de sua pasta para a distribuição de cloroquina para estados e municípios —apenas disse que não tinha conhecimento.

“Eu não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão. Eu não tenho conhecimento de que esteja havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão”, disse Queiroga, após ser questionado.

Em diversos momentos do depoimento, Queiroga disse que não faria “juízo de valor” e assim evitou responder diretamente a perguntas feitas pelos parlamentares.

O ministro deu essa resposta, por exemplo, quando questionado se concordava com a declaração de Bolsonaro de que poderia editar decreto contra a política de isolamento social.

Após a insistência na pergunta, apenas respondeu que Bolsonaro pensa em preservar a liberdade das pessoas e que, com isso, ele concordava. Por outro lado, reconheceu que não foi consultado pelo Palácio do Planalto a respeito de uma medida nesse sentido, apesar de sua pasta estar no centro das discussões.

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Queiroga se recusou a responder até mesmo a questões atuais, se envolvesse de alguma forma emitir uma opinião a respeito de gestões anteriores à frente do Ministério da Saúde. Senadores perguntaram, por exemplo, detalhes a respeito das negociações para a compra das vacinas da Pfizer e da russa Sputnik.

“Eu não participei dessas tratativas”, disse o ministro da Saúde. “Mas o senhor está tratando do contrato da Pfizer. O senhor não teve acesso a isso?”, questionou Renan Calheiros. “Não leva em consideração [para as negociações atuais] os contratos anteriores e as tentativas, o histórico?”

Por outro lado, o ministro se mostrou desenvolto para responder as perguntas de senadores governistas. Ciro Nogueira (PP-PI) perguntou o que Queiroga achava sobre a fala do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, na qual disse que o Brasil poderia ter começado a vacinação em novembro do ano passado.

“Impossível, não é? O primeiro país do mundo a vacinar foi a Inglaterra, em dezembro, com a vacina da Pfizer. Como é que nós poderíamos começar a nossa campanha em novembro? Quer dizer, muito difícil”, respondeu o ministro.

Renan Calheiros então ironizou o ministro. “Eu quero cumprimentar o ministro e cumprimentar também o senador Ciro Nogueira, porque, após o advento das perguntas do senador Ciro Nogueira, o interrogado começou a fazer juízo de valor”, disse.

Vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que mesmo as negativas de respostas do ministro da Saúde oferecem elementos e contribuem com o trabalho da CPI.

“Troque ‘não farei juízo de valor’ por ‘não concordo com isso’, aí eu acredito que nós temos a linha continuada a partir do depoimento do senhor Mandetta, que no meu sentido indica que o governo federal adotou deliberadamente a estratégia de contaminação coletiva, de contaminação natural, de imunidade coletiva, imunidade natural ou podemos chamar de imunidade de rebanho”, afirmou.

Em uma rara opinião sobre falas do presidente Jair Bolsonaro, Queiroga disse que desconhece “indícios de guerra química na China”. No dia anterior, o presidente havia levantado essa possibilidade.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?", disse Bolsonaro em evento no Palácio do Planalto na quarta (5). "Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês."

O ministro da Saúde também foi questionado sobre a quantidade de vacinas contratadas pelo país e se confundiu ao dizer o número.

Inicialmente, ele falou que houve contratação de 563 milhões de doses de imunizantes, mas foi corrigido por um assessor e alterou para 430 milhões a quantidade. A diferença entre os números é referente a doses que a Fiocruz produzirá.

Grande parte da discussão durante a sessão, no entanto, se deu em torno do uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) brincou que o nome da comissão deveria ser mudado para CPI da Cloroquina —ela é crítica do uso desse medicamento.

Presidente da CPI, Aziz contou que a médica Nise Yamaguchi, defensora do uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 mesmo sem comprovação científica, foi ao gabinete do senador pela manhã e pediu para ser ouvida na comissão.

Aziz comunicou aos colegas que o colegiado deverá ouvi-la. Já há requerimento, assinado por senadores aliados do governo Jair Bolsonaro, para convidar a pesquisadora a prestar depoimento na CPI.

Yamaguchi tornou-se conhecida por ser uma das médicas consultadas pelo presidente para referendar a defesa do mandatário do uso do medicamento contra o coronavírus, o que não tem comprovação científica.

Nesta quinta, os trabalhos na CPI começaram às 10h08 e foram interrompidos às 16h54, para a sessão plenária do Senado. Foram retomados então às 18h34 e finalizados por volta das 20h40.

Queiroga foi a terceira autoridade ouvida pelos senadores na CPI da Covid. Antes dele, houve o depoimento dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, seria ouvido também nesta quinta, mas o depoimento foi adiado para a próxima terça-feira (11). Com isso, o depoimento do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten fica remanejado para o dia seguinte.

Na quinta-feira (13), serão ouvidos o ex-chanceler Ernesto Araújo e representantes da Pfizer.

Nesta quinta, chegaram à comissão as primeiras respostas de um pedidos de informação solicitados pelo grupo. Na primeira delas, a delegacia de Polícia de Santa Isabel, em São Paulo, enviou um inquérito de 102 folhas sobre o desvio de vacinas contra a Covid-19 na região.

O documento entrou no site da comissão com acesso restrito, por conter informações cobertas por sigilo. Porém os senadores não conseguiram acessá-lo, por não terem decidido ainda quem poderá entrar nos documentos sigilosos da CPI.

Nem o autor dos requerimentos, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), conseguiu acesso. O parlamentar ligado ao governo de Jair Bolsonaro havia solicitado às diretorias gerais de Polícia Civil e à diretoria geral da Polícia Federal o envio de inquéritos relativos à aplicação de recursos federais destinados aos estados, Distrito Federal e municípios de até 200 mil habitantes para o combate à Covid.

Há uma pressão de pessoas ligadas à mesa diretora do CPI para que só o presidente, o relator, o vice-presidente, o autor do requerimento e os servidores da secretaria tenham acesso a esses documentos. Se abrirem para todos os senadores da comissão, segundo cálculos deste grupo, cerca de 30 pessoas teriam acesso. Cabe ao presidente da CPI decidir sobre a questão.

Aziz informou, após ser questionado sobre o assunto durante a sessão, que na terça-feira o impasse estará solucionado. Segundo ele, é preciso também encontrar um lugar para guardar os documentos sigilosos.

Na Mira da CPI

Série de reportagens aponta principais eixos de investigação da CPI da Covid, comissão do Senado que apura o enfrentamento da pandemia no país

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Pai e quatro filhos morrem de covid em 33 dias em SC: 'Difícil de superar'

Cecília Almeida, de 69 anos (centro), perdeu o marido e quatro filhos; quinto está internado - Arquivo Pessoal
Cecília Almeida, de 69 anos (centro), perdeu o marido e quatro filhos; quinto está internado Imagem: Arquivo Pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

06/05/2021 17h23

Atualizada em 06/05/2021 18h56

Cinco pessoas de uma mesma família morreram por complicações da covid-19 em um intervalo de apenas 33 dias, na cidade de Ituporanga, a 169 quilômetros de Florianópolis.

As vítimas foram identificadas como o aposentado João Alci de Almeida, de 70 anos, e quatro de seus filhos. A última morte aconteceu ontem, a do técnico em refrigeração João Ércio de Almeida, de 43 anos.

Pedestre levanta e sai correndo mesmo após ser atropelado no interior de SP

A viúva de Ércio, Viviane Almeida, de 40 anos, comentou que os familiares não sabem como se infectaram com o coronavírus, pois todos respeitavam os protocolos sanitários.

"É difícil de superar este momento doloroso para todos da família. Não sabemos como a gente se infectou porque nos cuidávamos, com álcool em gel, lavando sempre as mãos e usando máscara", diz.

A primeira da família a perder a vida para o vírus foi Maria Rosimara de Almeida Hellmann, de 34 anos, no dia 2 de abril. Irmão dela, o técnico em enfermagem Antônio de Almeida, de 50 anos, morreu oito dias depois.

João Almeida, 70 anos, morreu por covid-19 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
João Almeida, 70 anos, morreu por covid-19 Imagem: Arquivo Pessoal

Em 24 de abril foi o pai, João Alci, que não resistiu às complicações causadas pelo coronavírus. Pouco mais de uma semana depois, em 3 de maio, mais uma de suas filhas, Zelirde Almeida, de 45 anos, também morreu.

Todos receberam atendimento em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ituporanga já registrou 52 óbitos pela covid-19.

A família contou ao UOL que um quinto irmão, Joares Almeida, de 48 anos, ainda está internado na terapia intensiva, no Hospital Bom Jesus, também na cidade do interior catarinense.

Além deles, uma sexta filha de João Alci, Lucimara, e a matriarca da família, Cecília Almeida, de 69 anos, também foram infectadas, mas sobreviveram.

Viviane afirma que, apesar da perda dos parentes, continua acreditando na importância de seguir os protocolos para não evitar uma tragédia ainda maior.

"Acima de tudo, precisamos nos cuidar e respeitar essa doença. Por mais que acredite que não vai acontecer com a gente, a cada dia a covid-19 nos prova que é violenta, tira o nosso chão e toda a nossa estrutura", finaliza.

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Como Sexify: cinco aplicativos que prometem dar um gás na sua vida sexual

Crítica: Sexify - 1ª Temporada - Reprodução / Internet
Crítica: Sexify - 1ª Temporada Imagem: Reprodução / Internet

Júlia Flores

De Universa

06/05/2021 04h00

Em abril estreou no Brasil "Sexify", uma produção da Netflix que conta a história de três amigas explorando a vida sexual e o prazer feminino. 

A trama começa quando a protagonista Natalia (Aleksandra Skraba) tem a ideia de desenvolver um aplicativo para ajudar outras mulheres a gozar. 

A partir daí, o assunto se desenrola.

Não é só na produção polonesa que tecnologia e sexualidade feminina estão conectadas. 

Fora das telas, o universo do bem-estar sexual é promissor e não para de crescer. 

Segundo um levantamento do Instituto Allied Market Research, a previsão é a de que este mercado fature 108 bilhões de dólares em 2027. 

Pois é, não é brincadeira.

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Revolta de Caio e Pocah com VTs gera climão com a Globo em rescaldo do BBB

BBB 21: Caio e Pocah fizeram críticas a VTs exibidos na final do programa - Reprodução/Instagram/Globoplay
BBB 21: Caio e Pocah fizeram críticas a VTs exibidos na final do programa Imagem: Reprodução/Instagram/Globoplay

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/05/2021 11h24

A final do "BBB 21" (TV Globo) foi um sucesso e, como sempre, além de anunciar Juliette como grande campeã da edição, também trouxe uma retrospectiva do programa, exibiu vários momentos marcantes e alguns memes da internet.

Mas alguns participantes como Caio e Pocah — e o noivo da funkeira — não ficaram nem um pouco contentes com alguns conteúdos que foram transmitidos.

Na ocasião, Tiago Leifert disse que a história era "um dos maiores mitos do BBB" e exclamou: "Que vergonha, Caio!"

Fiuk deu risada e comentou: "Todo mundo acreditou!". Leifert concordou e respondeu: "Até eu acreditei".

"Ele repetia 20 vezes por dia", disse Juliette, de boca aberta. Camilla afirmou: "Eu tô em choque".

BBB 21: Caio diz que gravou vídeo pedindo torcida de Rodolffo - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
BBB 21: Caio diz que gravou vídeo pedindo torcida de Rodolffo Imagem: Reprodução/Globoplay

Ele explicou que lhe foi pedido para gravar dois vídeos pedindo apoio de famosos. Ele, então, pediu torcida de Rodolffo na primeira versão e citou Leonardo no segundo conteúdo gravado.

"Eu jamais iria falar uma coisa dessa num programa ao vivo sabendo que o conteúdo ia todo pra internet. Eu não ia inventar isso lá dentro. Depois, voltou pra mim fazer um outro vídeo pra outra pessoa e coloquei o Leonardo. Então, não falei pro Rodolffo que tinha pedido pra ele torcer pra mim como mentira", afirmou.

Caio disse ainda que estava trabalhando com a sua equipe para encontrar a versão que pede o apoio do sertanejoque virou seu principal aliado no programa.

(...) O Tiago até brincou que teve algumas edições e brincadeiras nos vídeos, mas, pra mim, eu tô muito chateado, triste com isso. Foi realmente uma coisa que eu falei pro Rodolffo. Pedi pra ele torcer pra mim mesmo e com o nome dele nítido. Então, muito paia, muito chateadão mesmo, contrariado com isso. Peço que vocês entendam e se eu achar o vídeo, vou postar na hora.

Áudio editado

Pocah também não ficou feliz com um VT da final. Em uma das provas do anjo do "BBB 21" (TV Globo), ela e Arthur formaram dupla. Na ocasião, a funkeira subiu em uma "lata" e o colega precisou puxá-la utilizando umas rodas.

Enquanto a dinâmica acontecia, Pocah emitiu alguns suspiros e incentivou o colega, dizendo "vai Arthur".

Acontece que o áudio isolado lembra uma relação sexual. A grande final do reality trouxe um VT editado com esse áudio isolado em cima de outras imagens, que mostravam brothers como Camilla de Lucas, Gil, Fiuk e Projota, na sala. A montagem deu a entender que os brothers estariam reagindo aos barulhos.

A ex-BBB utilizou o Twitter para expressar sua chateação com a edição:

Vi o VT da Globo o agora. Falta de senso passou longe, ridículo demais! Enfiaram o respeito no c* (...) Um monte de criança assistindo, nossas famílias, todos! Coloca um vt desses da sua mulher editor, pra ver se seus filhos e família vão curtir! Arrombado

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Gaia deu as costas para a humanidade

Davi Kopenawa Yanomami em cena do documentário "A Última Floresta", de Luiz Bolognesi - Pedro J Marquez/Divulgação
Davi Kopenawa Yanomami em cena do documentário 'A Última Floresta', de Luiz Bolognesi Imagem: Pedro J Marquez/Divulgação
Elaíze Farias

06/05/2021 06h00

"Gaia foi tirar um cochilo e decidiu dar as costas para esta humanidade, Elaíze". Pouco mais de um ano atrás, Ailton Krenak sentenciou o que se passava no mundo naquele início pandêmico. Estas e outras palavras do líder indígena fixaram-se na minha memória.

Trocávamos impressões e reflexões sobre o momento incerto do nosso planeta doente; e ele foi certeiro sobre o que a Mãe-Terra estava fazendo conosco. Tudo ainda era novo e eu estava assustada; iludida com a extensão da pandemia da covid-19. Achava que duraria alguns meses.

Nos últimos tempos, Ailton Krenak transmutou-se. Há mais de 30 anos, foi a emblemática figura que pintou o rosto de jenipapo na frente de parlamentares para cobrar direitos dos indígenas na carta magna de 1988. Nos anos seguintes, tornou-se referência de premissas ontológicas dos povos originários, em contraste com a racionalidade ocidental, eurocêntrica.

Na pandemia, refugiado em sua aldeia no Rio Doce, em Minas Gerais, passou a expandir sua sabedoria para o mundo virtual, nas incontáveis lives das quais participa. Tem partilhado conhecimento, erudição pessoal e, claro, a vasta estrutura cosmológica dos povos indígenas, mostrando que há outras perspectivas de mundo fora da caixinha ocidental.

No dia 19 de abril, Ailton esteve no programa Roda Viva, da TV Cultura e, como comentei em uma rede social, ele respondeu às perguntas da maneira que quis. O espectador que teve cognição e humildade compreendeu. Nada mais tranquilo do que testemunhar a calamidade deste mundo ouvindo Ailton Krenak.

Por que iniciei este texto falando do Ailton? A sabedoria e o conhecimento dos povos originários operam com uma lógica diferente da ocidental, pois é uma compreensão que vai além da inteligência racional cartesiana.

A capacidade de analisar vem de uma sabedoria de várias experiências ancestrais e coletivas de cada um dos povos; vem da cosmovisão, das relações com os seres da natureza como organismo vivo e sujeito de direitos; sejam pedras, rios, florestas, animais, etc. São formas diferentes de compreender o mundo, visto a partir de outro intelecto e de outras perspectivas. E, por vezes, estes povos já perceberam o que somente agora parte do mundo ocidental se deu conta: que o planeta está em colapso.

"Quem já ouvia a voz das montanhas, dos rios e das florestas não precisa de uma teoria sobre isso: toda teoria é um esforço de explicar para cabeças-duras a realidade que eles não enxergam", diz Ailton Krenak em "A vida não é útil". No livro, o líder indígena mostra que a humanidade não está com essa bola toda e que, ou a gente "ouve a voz de todos os outros seres que habitam o planeta junto conosco, ou faz guerra contra a vida na Terra".

"Destruir a floresta, o rio, assim como ignorar a morte das pessoas, mostra que não há parâmetro de qualidade nenhuma na humanidade, que isso não passa de uma construção histórica não confirmada pela realidade".

Mas essa conexão entre humano e natureza não transita apenas na dimensão do metafísico. Não tem nada de extático. É também um conhecimento que opera como uma prática de resistência ao colonialismo, que há mais de 500 anos pensa o meio ambiente nos países sul-americanos como um celeiro para exploração de matéria-prima. Exatamente como a floresta amazônica vem sendo vista há mais de 50 anos, desde a ditadura militar, passando pelos governos democráticos, até o atual momento sem precedentes de ataque à floresta amazônica e de perseguição aos povos indígenas.

No momento em que escrevo este texto, estou nas páginas finais de "A Queda do Céu", de autoria do líder Yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo Bruce Albert. "A Queda do Céu" é uma obra-prima indispensável. Há mais de 30 anos Davi denuncia a presença de garimpeiros no território Yanomami, localizado no norte do Amazonas e em Roraima.

Nos últimos três anos, uma nova leva de garimpeiros avança sobre a floresta da terra Yanomami, desvia rios e leva doença. "Por que eles não trabalham em sua própria terra?? Não passam de comedores de metal cobertos de xawara (doença)", indaga Davi Kopenawa, no livro.

O líder Yanomami diz que o mundo dos brancos quase não tem mais floresta e eles não podem mais beber água. Agora, querem fazer o mesmo com o território Yanomami. Por que? Por causa da mercadoria.

"As mercadorias deixam os brancos eufóricos e esfumaçam todo o resto em suas mentes. Nós não somos como eles. Mais do que nos objetos que queremos possuir, é nos xapiris que nosso pensamento fica concentrado, pois só eles são capazes de proteger nossa terra e de afastar para longe de nós tudo o que é perigoso", diz o líder e xamã Yanomami.

Nada mais real de um mundo em colapso do que águas poluídas por mercúrio, garimpeiros cooptando indígenas prometendo falsas ilusões de riquezas e causando conflito sociais.

No momento em que empresários da mineração querem autorização para explorar as terras indígenas, presenciamos uma natureza em crescente esgotamento, com águas contaminadas e animais ameaçados. Cientistas já alertam para o risco de um novo vírus surgir por causa do desequilíbrio ecológico, desta vez na floresta amazônica.

Pensadores como Ailton Krenak e Davi Kopenawa Yanomami propõem uma transformação civilizatória frente ao modelo capitalista e exploratório.

No lugar de um processo devastador de acumulação permanente de bens, um modo de se colocar no mundo que aponta uma ética baseada nos saberes e nas culturas dos povos originários que não resulte na deteriorização ambiental. Sem essa saída urgente, os mais prejudicados somos nós mesmos, que tanto precisamos da natureza.

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Vitamina C, ácido hialurônico e mais: o que cada ativo faz pela sua pele?

Os ingredientes de sabonetes, séruns e cremes são aliados quando bem aplicados - Getty Images
Os ingredientes de sabonetes, séruns e cremes são aliados quando bem aplicados Imagem: Getty Images

Luana Kondrat

Colaboração para Universa

06/05/2021 04h00

Basta uma breve olhada nos produtos de skincare para se deparar com os mais variados ativos. E, diante de tantos nomes, fica difícil entender qual é a função de cada um na pele. Antes de passar o cartão de crédito, o ideal é consultar um dermatologista para saber em qual investir, afinal, ele poderá indicar nomes e doses ideais. Entretanto, para que se sinta mais segura na hora das compras, das pesquisas e da leitura dos rótulos, preparamos um glossário, em ordem alfabética, dos ingredientes mais queridos. Prepare o papel e a caneta:

Ácido ferúlico

Sozinho, o ácido ferúlico não é uma grande atração. Entretanto, é na combinação com a vitamina C e E que ele brilha. Trata-se de um importante estabilizador, que ajuda a conservá-las, e ainda complementa a ação de antioxidante. O mix combate envelhecimento celular. "Também contribui para a homogeneização da pele e garante o aspecto viçoso", conta o dermatologista Daniel Cassiano, de São Paulo.

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Ácido glicólico

O ácido glicólico faz parte da família dos alfa-hidroxiácidos, ingredientes naturais obtidos da cana-de-açúcar. Apesar da moda recente, especialmente em tônicos, ele foi um dos primeiros ativos usados pela cosmetologia. "Estimula a renovação celular da pele, melhorando a textura e a uniformidade. Também é benéfico como coadjuvante no tratamento da acne e suas cicatrizes", explica o pesquisador e farmacêutico Maurizio Pupo, de São Paulo. Tais características explicam a razão pela qual o nome costuma aparecer em rótulos de esfoliantes enzimáticos, aqueles que não contêm partículas para gerar atrito.

Quando usar: à noite, seguido de limpeza do rosto e proteção solar pela manhã.

Ácido hialurônico

Um clássico! Também conhecido pela sigla AH, o ácido hialurônico é naturalmente encontrado na pele e tem a capacidade de se ligar à água, tornando a pele elástica e firme. Tem cara de papo de química, mas quem quer gabaritar o skincare precisa saber: o AH varia em peso molecular. "Alguns estudos demonstram que oferecer mais de um tipo na fórmula, com variados pesos moleculares, pode ser benéfico por causar estímulos distintos", explica a dermatologista Flávia Addor, de São Paulo. Os mais leves alcançam maior profundidade e atuam como preenchedores, estimulando a produção natural. Já os mais pesados permanecem na superfície e se comportam como hidratantes.

Quando usar: a qualquer hora do dia, logo após a higienização do rosto, em fórmulas cremosas, em sérum ou gel. Funciona para qualquer tipo de pele a depender do veículo escolhido.

Ácido kójico

O ácido kójico pode derivar da soja, do arroz ou do vinho. Uma das aplicações mais indicadas é para controle de melasma, uma vez que ele atua bloqueando a ação de um dos aminoácidos precursores da melanina. Controlando essa quantidade, caem as chances da hiperpigmentação da pele e, consequentemente, do surgimento do melasma. Uma das vantagens dele é que não é fotossensível, ou seja, não mancha a pele caso seja usado durante o dia.

Quando usar: segundo recomendação médica, mas sem limitação de período do dia.

Ácido salicílico

Outra figurinha carimbada nas prateleiras de beauté. Ele é um velho conhecido, especialmente de quem tem pele oleosa com tendência à acne. "Está presente em diversos tipos de sabonetes, géis e séruns. É um aliado no tratamento das espinhas, cravos, produção excessiva de sebo e poros abertos. De quebra, ainda promove uma leve esfoliação e, como todo ácido, estimula a produção de colágeno", conta o dermatologista Daniel Cassiano, de São Paulo.

Quando usar: na limpeza ou na hidratação com controle de oleosidade. Há ainda versões concentradas de uso tópico, mas a aplicação exige acompanhamento especializado.

Bakuchiol

Queridinho da geração de cosméticos veganos, naturais e clean, o bakuchiol é o que se chama de "retinol-like' — ou seja, um possível substituto para derivados de retinol. A vantagem é que, diferentemente do original, é bem tolerado até pelas peles mais sensíveis e com tendência ao ressecamento. Sob outro ângulo, ainda é capaz de estimular a firmeza e evitar o envelhecimento celular por meio da ação antioxidante. Quando usar: preferencialmente à noite.

Esqualano

Até alguns anos atrás, o esqualano para a indústria cosmética era obtido a partir de um óleo de fígado de tubarão. A história mudou em meados de 2009, quando a extração foi proibida e a indústria se adaptou desenvolvendo versões veganas. Hoje, ele é obtido por processo de fermentação de oliva, amêndoas e cana-de-açúcar. Umectante e rico, tem função hidratante e ajuda na criação de um filme lipídico, que evita a perda de água e mantém a pele viçosa. Segundo as pesquisas da Biossance, marca que tem o ativo como carro-chefe, ele é biocompatível (ou seja, tem absorção facilitada no organismo) e pode ser usado em qualquer área do corpo.

Quando usar: a qualquer momento do dia, por meio de óleos ou cremes.

De olho no rótulo: compreender os ingredientes ajuda na hora da compra - 	Getty Images - 	Getty Images
Skincare Imagem: Getty Images

Niacinamida

Também conhecida como vitamina B3, a niacinamida tem aplicação anti-inflamatória, homogeneizante e renovadora. "O uso deste ingrediente melhora a textura e uniformiza a tonalidade da pele", explica Daniel. Outro atrativo é o efeito antiglicante, isto é, capaz de blindar a pele dos efeitos do açúcar.

Quando usar: prático, o ativo é incorporado em loções e séruns e pode ser usado tanto de dia quanto à noite. Peles sensíveis e oleosas também respondem bem a ele.

Pantenol

O nutriente, que também aparece nos rótulos como vitamina B5, atua na regeneração da pele e equilíbrio da produção de oleosidade. "Ele também diminui os efeitos irritativos de outros produtos, como, por exemplo, os retinoides", explica Daniel.

Quando usar: por ser um hidratante, deve ser utilizado após lavar o rosto, pela manhã ou à noite.

Polifenóis

Encontrado em produtos naturais, como os óleos de melaleuca e prímula, derivados do ginkgo biloba e da erva do chá verde, os polifenóis são antioxidantes poderosos. "Eles auxiliam no controle de manchas e melasma, protegem a pele dos efeitos da radiação solar, estimulam o colágeno e a elastina, além de ajudarem na conservação do ácido hialurônico", explica Maurizio Pupo.

Quando usar: como é um ativo antioxidante, procure usá-lo pela manhã antes do protetor solar.

Retinol

Há quem sinta arrepios só de ouvir o termo "ácido retinóico". Tratamentos mais antigos, que lançavam mão do ingrediente em peelings químicos, deixavam a pele vermelha e sensível. Hoje, entretanto, o retinol é mais popular nos frascos. Trata-se de um derivado de vitamina A, outro queridinho da dermatologia, que reduz a degradação natural do colágeno e melhora linhas, tonicidade e firmeza.

Quando usar: sob supervisão médica, em dias alternados e sempre à noite. É imprescindível manter também uma rotina de alta proteção solar.

Vitamina C

Unanimidade nos consultórios, a vitamina C é realmente efetiva para a pele. "Ela combate o fotoenvelhecimento, potencializa o protetor solar e uniformiza a pele. O uso contínuo ainda garante menos linhas de expressão e maior sensação de luminosidade", explica Maurizio. Por ser altamente instável, isto é, pode oxidar com facilidade em contato com o ar, a indústria está sempre em busca de novas embalagens e jeitos de aplicar para ampliar a vida útil dos produtos. O esforço vale à pena.

Quando usar: por ser um antioxidante, é melhor aplicá-la pela manhã, antes do filtro solar.

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