Bolsonaro tem alta na popularidade e só Lula o venceria no 2º turno em 2022
Discurso de ódio sexista explode na campanha alemã
Na disputa para suceder Merkel, grande parte da atenção está voltada para Annalena Baerbock, candidata do Partido Verde. Sua entrada na disputa fez dispararem ataques e mentiras misóginas nas redes.
Foram necessárias apenas algumas horas após a indicação de Annalena Baerbock como candidata a chanceler federal da Alemanha pelo Partido Verde, em 19 de abril, para que a desinformação e o ódio em torno do nome dela começassem a se espalhar na internet.
Michael Kellner, líder da campanha eleitoral do Partido Verde, diz que o discurso de ódio e as notícias falsas ganharam uma "dimensão completamente nova".
Especialistas advertem que a onda de ódio e desinformação que se espalhou em torno de Baerbock é apenas a ponta do iceberg antes das eleições gerais de setembro, que definirão o sucessor ou sucessora de Angela Merkel.
"Não foi o aumento do conteúdo falso e de ódio que nos surpreendeu. Foi a velocidade em si", diz Josephine Ballon, chefe do departamento jurídico da HateAid, o único centro de aconselhamento da Alemanha que apoia exclusivamente pessoas afetadas pela violência digital. "O que está se desdobrando é o ódio específico de gênero", comentou ela à DW. "Este tipo de ódio procura desacreditar e silenciar o alvo".
Ódio misógino
O ódio misógino online não é novidade. Um estudo da revista alemã Der Spiegel, divulgado em fevereiro, constatou que 69% das deputadas na Alemanha haviam experimentado "ódio misógino” na condição de parlamentares.
Enquanto 64% disseram ter recebido mensagens - a maioria online, mas também por correio - cerca de 36% experimentaram "ataques físicos contras elas, seus escritórios ou suas casas".
"O ódio contra as mulheres on-line é significativamente mais forte e tem qualidade diferente do ódio e da desinformação voltada contra os homens", diz Ballon.
"O conteúdo falso difundido sobre as mulheres é muitas vezes mais sexualizado. E o espectro é amplo, começando com os comentários sobre a aparência de alguém, seu sexo, sua sexualidade, chegando até a ameaças de abuso sexual", afirma.
Calúnias e até falsa foto nua
Desde sua nomeação, Baerbock tem sido alvo de ódio sexista: houve calúnias sobre sua aparência, mentiras como sobre ela supostamente estar pedindo a abolição dos animais de estimação para combater a mudança climática.
E circulou também uma falsa foto nua de Baerbock, que na verdade era a foto de uma jovem estrela pornô russa com uma vaga semelhança com a política alemã.
Tudo isso foi divulgado em uma tentativa de desacreditar Baerbock, que está atualmente à frente na corrida para substituir Merkel.
"O que estamos vendo agora, infelizmente, não foi inesperado", diz o conselheiro político e de comunicação Johannes Hillje. "Ao lado de teorias conspiratórias, islamofobia e sentimento antimigração, a misoginia é uma parte fundamental da ideologia dos grupos que criam e difundem este tipo de conteúdo".
"Como mulher, política liberal e bem-sucedida, Baerbock atende a muitos dos critérios da imagem clássica de 'inimiga'. Para a nova cena da extrema direita, Baerbock é a nova Merkel", complementa Hillje. Baerbock subiu rapidamente nos índices de popularidade e está politicamente mais à esquerda que Merkel.
Discurso de ódio se adapta
Durante anos, mesmo antes da popularização de plataformas como Facebook, Twitter, Telegrama e Whatsapp, Merkel foi alvo de teorias de misoginia, desinformação e conspiração semelhantes às de outras figuras públicas em todo o mundo.
O conteúdo, antes focado na migração, por exemplo, foi rapidamente adotado no último ano para se adequar à pandemia: manchetes e imagens foram alteradas, mas a terminologia e as táticas permanecem as mesmas.
A proteção climática não é apenas um dos temas centrais da campanha verde de Annalena Baerbock, ela também se tornou há muito tempo um assunto-chave para desinformação difundida por grupos de extrema direita e teóricos da conspiração.
No momento, dois grupos principais estão de olho em Baerbock, diz Hillje. Um é uma rede de extrema direita. O segundo é pró-russo, diz ele, apontando as críticas de Baerbock a Moscou, e o desejo do Partido Verde de acabar com a construção do Nord Stream 2, o controverso gasoduto entre a Rússia e a Alemanha.
Mas rastrear a origem exata da desinformação e do ódio ainda é uma tarefa difícil, afirma Till Eckert, repórter e pesquisador da desinformação e do extremismo moderno de direita na organização sem fins lucrativos Correctiv. Ele já expôs vários relatos falsos sobre Baerbock desde que sua candidatura foi confirmada.
Como isso pode ser impedido?
O Partido Verde diz que planeja combater o aumento do ódio e desinformação com a chamada "Netzfeuerwehr" (bombeiros da rede), criado antes das eleições de 2017 para reportar conteúdo falso e ódio online. Vários incidentes também já foram relatados de acordo com uma lei, aprovada em 2017, com o objetivo de combater o ódio e a desinformação nas redes sociais.
Julian Jaursch, que dirige o projeto Fortalecimento da Esfera Pública Digital no instituto alemão SNV diz que não há milagre para deter o ódio e a desinformação online.
"Mas, como sociedade, há uma combinação de coisas que podemos fazer para tentar combatê-la", diz. Ele destaca a necessidade de um jornalismo forte e independente e de verificação de fatos para desmascarar a desinformação.
"Os próprios cidadãos também precisam ser competentes na forma como consomem as notícias. Precisamos estar nos perguntando: de onde vem esta notícia? O que esta fonte quer me dizer? É uma fonte séria? Eu realmente preciso encaminhar isso a todos os meus contatos?", questiona.
Radicalização crescente
A maior preocupação dos especialistas agora é menos o efeito nos resultados eleitorais, e mais como o ódio e a desinformação online podem se traduzir em violência na vida real - algo que já se tornou realidade em várias ocasiões.
Durante a pandemia, período no qual se viveu um impulso nas teorias da conspiração, o Instituto Robert Koch, bem como os centros de vacinação, foram atacados por negacionistas da covid. Perpetradores de vários ataques de extrema direita a civis e políticos nos últimos anos também foram ligados a plataformas que divulgavam ódio e desinformação.
"Mais parcelas da sociedade estão se radicalizando cada vez mais", diz Eckert. "E isso não deve ser subestimado".
Como 23 judeus expulsos de Recife ajudaram a fundar Nova York - BBC News Brasil
- Luis Barrucho - @luisbarrucho
- Da BBC News Brasil em Londres

A bordo do navio Valk, cerca de 600 judeus deixaram Recife, em Pernambuco, expulsos pelos portugueses. Era o fim da ocupação holandesa no Brasil e também da liberdade de praticar sua religião.
Eles queriam voltar à terra natal — a Holanda, onde o culto do judaísmo era permitido devido ao calvinismo, uma versão mais liberal do cristianismo. De lá haviam chegado mais de duas décadas antes, quando os holandeses conquistaram parte do Nordeste brasileiro — de olho na produção e comércio do açúcar.
Mas uma tempestade os desviou do caminho e o navio foi saqueado por piratas.
O grupo foi resgatado por uma fragata francesa e levado à Jamaica, então colônia espanhola, e acabou preso por causa da Inquisição espanhola.
Mas, graças à intervenção do governo holandês, foram libertados e, por motivos financeiros, parte deles seguiu para um destino mais próximo do que a Europa: a colônia holandesa de Nova Amsterdã, atual Nova York, então um mero entreposto comercial.
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Ali formaram a primeira comunidade judaica da América do Norte e contribuíram para o desenvolvimento da cidade. Atualmente, Nova York é a segunda cidade com o maior número de judeus no mundo, atrás apenas de Tel Aviv, em Israel.
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Vista de Mauritsstad (Recife) em 1645
Mas essa história rocambolesca não começa em 1654, ano em que Portugal derrotou os holandeses e retomou o controle do Nordeste, provocando, por consequência, a expulsão dos judeus, temerosos com a Inquisição.
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Imigração judaica
A imigração judaica ao Brasil remonta à época do descobrimento, com os chamados "cristãos novos", judeus que foram obrigados a se converter ao cristianismo na Península Ibérica devido à perseguição pela Igreja Católica.
Na então maior colônia portuguesa, alguns deles abdicaram das práticas judaicas. Outros as mantinham às escondidas.
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Daniela Levy
Livro de Daniela Levy foi resultado de 10 anos de pesquisas
Mas foi em fevereiro de 1630 com a ocupação holandesa que os judeus dos Países Baixos, alguns dos quais descendentes dos que haviam fugido da Península Ibérica rumo à Holanda, chegaram ao Brasil, diz à BBC News Brasil a historiadora Daniela Levy, autora do livro De Recife para Manhattan: Os judeus na formação de Nova York (Editora Planeta), que demandou 10 anos de pesquisa. Levy investigou inicialmente o tema para sua dissertação de mestrado, na Universidade de São Paulo (USP).
"Os judeus que vieram ao Brasil eram descendentes dos cristãos novos que se mudaram para a Holanda um século depois da conversão forçada pela Inquisição. Naquele país, eles puderam retornar ao judaísmo, recuperando tradições e reorganizando-se enquanto comunidade", explica Levy.
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Olinda, então cidade mais rica do Brasil Colônia, foi saqueada e destruída pelos holandeses, que escolheram Recife como a capital da Nova Holanda. O mapa de Nicolaes Visscher mostra o cerco a Olinda e Recife em 1630
Muitos desses judeus holandeses integravam a Companhia das Índias Orientais, uma empresa de mercadores fundada em 1602 e cujo objetivo era excluir os competidores europeus daquela importante rota comercial.
No Recife, eles foram abrigados por parentes aqui já estabelecidos, mas constituíram sua própria comunidade, na qual podiam, enfim, professar sua religião em paz, dedicando-se ao comércio, à botânica e à engenharia.
Construíram escolas, sinagogas e cemitério, dando sua contribuição ao enriquecimento da vida cultural da região.
A primeira sinagoga das Américas, Kahal Zur Israel, foi fundada ali, ocupando um dos casarões da "Rua do Bom Jesus", então chamada de "Rua dos Judeus", e reinaugurada em 2002 após restauração.
As estimativas sobre o número de judeus no período holandês variam muito, entre 350 e 1.450. O número é expressivo considerando que cerca de 10 mil pessoas viviam na região.
Segundo Levy, a isso não só se deveu ao fato de que a Holanda era calvinista, permitindo a liberdade de de culto, mas também graças a Johan Maurits van Nassau-Siegen, ou Maurício de Nassau, militar que governou a colônia holandesa no Recife de 1637 a 1643.
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Kahal Zur Israel foi primeira sinanoga das Américas
"A Holanda era um país protestante e abriu suas portas para outras religiões quando se tornou independente da Espanha. Foi então quando os cristãos novos saíram de Portugal e foram para lá. Existiam alguns calvinistas que tinham animosidades contra os judeus, mas, de forma geral, a política holandesa era de tolerância religiosa", diz Levy.
"Maurício de Nassau, um grande humanista, defendia a visão de que o bom convívio de grupos de diferentes religiões seria politicamente mais proveitoso, e também do ponto de vista econômico", acrescenta.
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Maurício de Nassau transformou Recife na cidade mais cosmopolita das Américas
Com o intuito de transformar Recife na "capital das Américas", Nassau investiu em grandes reformas, tornando-a uma cidade cosmopolita. Apesar de benquisto, ele acabou acusado por improbidade administrativa e foi forçado a voltar à Europa em 1644.
Após o fim da administração Nassau, a Holanda passou a exigir a liquidação das dívidas dos senhores de engenho inadimplentes, o que levou à Insurreição Pernambucana e que culminaria, mais tarde, com a expulsão dos holandeses do Brasil, em 1654.
Na prática, mesmo depois de terem sido derrotados, os holandeses receberam dos portugueses 63 toneladas de ouro para devolver o Nordeste ao controle lusitano no século 17.
O pagamento envolvia dinheiro, cessões territoriais na Índia e o controle sobre o comércio do chamado Sal de Setúbal, segundo disse à BBC News Brasil em 2015 Evaldo Cabral de Mello, historiador e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL).
O montante equivaleria a cerca de 500 milhões de libras esterlinas (R$ 4 bilhões) em valores atualizados, de acordo com Sam Williamson, que fez o cálculo na ocasião a pedido da reportagem. Williamsom é professor de economia da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, e cofundador do Measuring Worth, ferramenta interativa que permite comparar o poder de compra do dinheiro ao longo da história.
Os judeus que aqui haviam fincado raízes se viram sem alternativa. Receberam um ultimato do então governador da região, Francisco Barreto de Menezes: três meses.
Alguns deles fugiram para o Sertão. Outros decidiram voltar à Holanda — dando início à epopeia que abre esta reportagem.
Após a intempérie com os piratas e a prisão na Jamaica, 23 deles, entre os quais famílias com crianças nascidas no Brasil, partiram rumo a Nova Amsterdã.
Registros populacionais da Prefeitura de Nova York mostram que eles chegaram em setembro de 1654, mas não foram "bem recebidos", conta Levy.
A então colônia holandesa era insignificante, quase deserta e governada por um calvinista fanático, Peter Stuyvesant, que impôs várias dificuldades aos recém-chegados.
"Stuyvesant não gostava de judeus. Ele não queria permitir a entrada deles. Mas a comunidade judaica da Holanda interferiu a favor deles e eles foram aceitos", diz Levy.
"O restante do grupo - que havia ficado preso na Jamaica - acabaria se juntando aos 23 posteriormente", acrescenta.
A duras penas, os 23 judeus conseguiram sobreviver a partir do comércio, que logo cresceu, atraindo mais judeus para a cidade, que viria a mudar de nome (para Nova York) em 1664.
Depois da guerra de independência americana, seus descendentes alcançaram plena cidadania. Um deles, Benjamin Mendes (1745-1817) fundou a Bolsa de Nova York.
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Biblioteca do Congresso dos EUA
Cemitério antigo judeu em Nova York
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Monumento homenageia primeiros judeus a chegarem a Nova Amsterdã
Na 'Big Apple' ou 'Grande Maçã' (em português), o apelido da cidade de Nova York, um monumento, chamado Jewish Pilgrim Fathers, rende homenagem aos Henrique, Lucena, Andrade, Costa, Gomes e Ferreira que ajudaram a fundar e desenvolver a cidade.
Recentemente, essa saga deu origem a um novo livro, Arrancados da Terra - Perseguidos pela Inquisição na Península Ibérica, do escritor e jornalista Lira Neto (Editora Companhia das Letras).
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Daniela Levy
Placa homenageia primeiro cemitério judeu em Nova York
Após a ocupação holandesa, uma nova leva de imigrantes judeus começou a chegar ao Brasil em 1810, oriundos, em sua maioria, do Marrocos. Eles se estabeleceram principalmente em Belém, onde fundaram a segunda mais antiga sinagoga do Brasil, que continua ainda hoje em pleno funcionamento. Ali também construíram o primeiro cemitério israelita do país.
A partir de então, a imigração judaica se intensificou culminando com seu apogeu na primeira metade do século 20, após a 2ª Guerra Mundial. Além do Nordeste, Sul e Sudeste foram os principais destinos. Os imigrantes partiram, na maior parte, da Europa e de alguns países árabes.
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Dia Nacional da Imigração Judaica
Nesta quinta-feira, dia 18 de março, comemora-se o Dia Nacional da Imigração Judaica.
A data que celebra a contribuição do povo judeu na formação da cultura brasileira foi criada por um projeto de lei de autoria do então deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), e sancionado em 2009.
Para marcar a ocasião, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) vai promover uma "live" reunindo Itagiba e o ex-chanceler Celso Lafer, professor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
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Palácio de Friburgo, construído Maurício de Nassau entre 1640 e 1642, foi demolido no século 18
"O Brasil permitiu que imigrantes judeus reconstruíssem suas vidas com acolhimento e liberdade, e nossa comunidade, pequena, mas diligente, retribuiu com muito amor e trabalho. Aqui criamos nossas famílias, criamos empresas, desenvolvemos carreiras profissionais nas mais diversas áreas de atuação e conhecimento", diz Claudio Lottenberg, presidente da Conib.
"Por isso a comunidade judaica brasileira está tão bem integrada à comunidade maior de brasileiros, com diversidade e dedicação ao país generoso que acolheu nossos pais e avós", acrescenta.
Atualmente, o Brasil possui a segunda maior comunidade judaica da América Latina, com cerca de 120 mil cidadãos.
Por que deixamos sempre as pequenas tarefas para depois - BBC News Brasil
- Mark Johanson
- BBC Worklife

Pode ser um simples e-mail para um colega de quem você não gosta. Talvez alguma burocracia; um pequeno ajuste em uma planilha ou uma nota fiscal que precisa ser arquivada. Quem sabe um breve telefonema para o seu chefe — algo que vai levar apenas um minuto e, ainda assim, de alguma forma, por algum motivo, você continua adiando.
Se leva apenas cinco minutos, você acaba se perguntando: por que diabos você não fez? Você perde tempo pensando em como isso é irritante — mas é claro que isso não resolve.
Em vez disso, a tarefa continua lá, e o que era um item minúsculo da lista de pendências se transforma em uma irritação constante completamente desproporcional aos recursos necessários para concluí-la de fato.
Pequenas tarefas tendem a ocupar uma quantidade extraordinariamente grande de espaço em nossas mentes. No entanto, há maneiras simples de reduzi-las ao tamanho normal, algo que começa com entender como permitimos exatamente que se tornem tão grandes.
Sendo assim, ao reformular nossa abordagem em relação às tarefas, mudar nossa resposta emocional e praticar alguma autocompaixão, podemos trabalhar no sentido de concluir os pequenos itens da lista de tarefas que nos consomem.
Por que pequenas tarefas se tornam monstruosas
Em sua essência, a procrastinação envolve o adiamento voluntário de uma tarefa pretendida, apesar da expectativa de piorar a situação ao fazer isso, explica Fuschia Sirois, professora de psicologia da Universidade de Sheffield, na Inglaterra.
"Você tem todo tipo de gente dizendo que [procrastinação é] bom para isso ou bom para aquilo, mas embutido na definição está que nenhuma forma de procrastinação é boa para você."
Pessoas que procrastinam cronicamente tendem a ter níveis mais altos de estresse, padrões de sono insatisfatórios e perspectivas de emprego piores, especialmente quando se trata de ser promovido para funções em que a autonomia e a tomada de decisões são necessárias.
No caso da saúde mental, a procrastinação também está ligada à depressão e ansiedade. Da mesma forma, pode prejudicar os relacionamentos, porque, quando procrastinamos, acabamos não honrando compromissos com outras pessoas.
É fácil entender por que procrastinamos em tarefas grandes; elas podem ser assustadoras ou mentalmente desgastantes e requerem muito tempo, energia e dedicação. Por outro lado, tarefas pequenas podem levar a uma forma particularmente incômoda de procrastinação.
Sirois diz que não procrastinamos em relação a elas porque escapam da nossa mente; em vez disso, fazemos uma escolha consciente e intencional de adiar algo que possa despertar dúvidas, insegurança, medo ou sentimentos de incompetência.
Pode ser algo tão simples como preencher uma papelada com a qual você não está familiarizado, trocar o cartucho de tinta da impressora quando você não sabe como, ou algo um pouco mais capcioso, como escrever um e-mail curto para um colega quando está com medo da resposta dele.
E embora muitos acreditem que procrastinar tarefas como essas tem a ver com mau gerenciamento de tempo, Sirois diz que se trata, na verdade, de gerenciamento de estado de espírito.
"Procrastinadores não são essas pessoas preguiçosas e despreocupadas que apenas falam 'que se dane, eu realmente não me importo'", afirma.
"Eles são, na verdade, muito autocríticos e se preocupam bastante com sua procrastinação."
Essa preocupação permanece em suas mentes e esgota seus recursos cognitivos, reduzindo sua capacidade de resolver problemas. E os faz pensar: o que há de errado comigo? Por que não posso simplesmente fazer essa pequena coisa?
E então eles começam a ruminar sobre a tarefa, aumentando os sentimentos negativos em relação à mesma e dificultando sua capacidade de vê-la racionalmente pelo o que realmente é.
"Então, você tem essa coisinha, em relação à qual você tem um pouco de incerteza, e agora ela está se transformando em uma coisa enorme com todo esse medo, incerteza e pavor", explica Sirois.
"Simplesmente se torna uma coisa monstruosa — um montinho de terra que agora é uma montanha."
Outra razão pela qual as pequenas tarefas podem se acumular é que muitas vezes não possuem as mesmas estruturas e prazos rígidos que as tarefas maiores contemplam; você acha que pode simplesmente encaixá-las em algum momento ao longo do dia.
Portanto, é mais fácil ter uma reação de fuga porque, diferentemente das grandes tarefas, às quais reservamos uma parte do tempo para resolver, não há nada que te leve a realizar pequenas tarefas imediatamente.
Como lidar com as pequenas tarefas
Mas então como nos motivamos para enfrentar uma tarefa que tememos? Timothy Pychyl, professor de psicologia da Carleton University em Ottawa, no Canadá, e autor de Solving the Procrastination Puzzle, diz que muitas vezes a motivação acompanha a ação.
Portanto, se você simplesmente fizer algo imediatamente, sem primeiro parar para pensar sobre por que não quer fazer aquilo, talvez seja preferível no longo prazo.
"Da próxima vez que você sentir que todo o seu corpo está gritando: 'Eu não quero, não estou com vontade', pergunte-se: Qual é a próxima ação que eu precisaria realizar para esta pequena tarefa se eu fosse fazer", sugere.
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Se uma tarefa for pequena, em vez de adicioná-la à sua lista de pendências, por que não apenas começar e realizá-la imediatamente?
"O que acontece é que você está desviando sua atenção de suas emoções para a ação."
O consultor de produtividade americano David Allen, autor de Getting Things Done, chama isso de regra de dois minutos — se uma tarefa leva menos de dois minutos, o tempo gasto para adicioná-la à sua lista de pendências excederá o tempo que leva de fato para concluir a tarefa imediatamente. Então, em vez de programar, apenas se jogue nela.
Essa mentalidade pró-ativa pode te ajudar a contornar a ruminação desnecessária.
Um estudo conduzido por Pychyl com estudantes universitários mostrou que, uma vez que eles realmente começavam uma tarefa, a consideravam muito menos difícil e estressante do que quando estavam procrastinando em relação à mesma.
"Trata-se de reconhecer que as coisas estão sendo influenciadas por seu estado emocional", explica.
Segundo ele, trabalhar para reduzir sua resposta emocional vai ajudar a gerenciar melhor as pequenas tarefas.
"Adiamos muitas pequenas coisas, e elas se tornam grandes em nossas mentes porque sofremos o sequestro da amígdala", explica ele, se referindo a uma resposta emocional imediata desmedida em relação ao que a desencadeou de fato.
"Temos uma reação negativa no momento em que pensamos na tarefa, e isso tende a se retroalimentar."
Outro truque para lidar com tarefas menores é incorporá-las em outras maiores.
"Tente encontrar um espaço em que a tarefa se encaixe em sua rotina normal", sugere Pychyl, observando que ele aspira a casa durante os 15 minutos que leva para sua aveia cozinhar todas as manhãs.
Isso não apenas ajudará a evitar qualquer sensação de perda de tempo durante a tarefa, como você também usará o estímulo externo da tarefa maior para mascarar quaisquer reações negativas que possa ter em relação à tarefa menor.
Praticando autocompaixão
Sirois explica que temos memória das respostas emocionais que desencadearam a procrastinação no passado.
"Se você está se lembrando de uma emoção negativa, uma maneira de dissipá-la e voltar à realidade é começar a pensar em como você pode ressignificar a tarefa", diz ela.
Você pode, por exemplo, olhar para a tarefa como uma oportunidade de aprender uma nova habilidade.
"Se você puder dar um curto-circuito logo no início, ressignificando (a tarefa) — talvez para algo que possa ser divertido ou agradável — isso é muito importante", observa.
Outro truque quando algo é simplesmente enfadonho ou monótono é "mudar as lentes que você coloca quando está visualizando a tarefa" para ajudar a diminuir os sentimentos negativos, mudando sua perspectiva emocional desde o início.
"Parece um pouco bobo", acrescenta ela, "mas na verdade é muito poderoso."
Tanto Pychyl quanto Sirois afirmam que é importante não nos punirmos muito, especialmente devido ao estresse adicional da pandemia. Afinal, embora toda procrastinação seja um adiamento, nem todo adiamento é uma procrastinação.
"Adiar faz parte da vida", observa Pychyl.
"Posso deixar as coisas para depois e não é nenhum tipo de falha moral; faz parte do meu raciocínio prático" de priorizar uma coisa em detrimento de outra.
Se você se pegar procrastinando, ambos dizem que um pouco de autocompaixão pode ser o segredo para voltar ao eixo.
Pychyl foi o autor de um estudo que mostrou que pessoas que se perdoavam procrastinavam menos no futuro diante da mesma tarefa em relação à qual haviam se perdoado. Já Sirois liderou uma pesquisa sobre como o aumento da autocompaixão pode ser particularmente benéfico para reduzir o estresse associado ao adiamento de tarefas.
"Assim que pararmos de nos culpar", diz Sirois, "será mais fácil cair na real novamente."
Doença cerebral misteriosa intriga médicos no Canadá
- Jessica Murphy
- Da BBC News em Toronto

CRÉDITO,CORTESIA/ STEVE ELLIS
Roger Ellis (direita) começou a apresentar sintomas da doença em 2019, diz Steve Ellis (esquerda)
Médicos no Canadá têm deparado com pacientes que apresentam sintomas semelhantes aos da doença de Creutzfeldt-Jakob, um mal raro e fatal que ataca o cérebro. Mas quando resolveram investigar o mal em mais detalhe, o que eles descobriram os deixou perplexos.
Quase dois anos atrás, Roger Ellis desmaiou em casa com uma convulsão em seu 40º aniversário de casamento.
Com 60 e poucos anos, Ellis, que nasceu e foi criado na bucólica península de Acadian, na província de New Brunswick, era uma pessoa saudável. Ele estava aproveitando sua aposentadoria após décadas trabalhando como mecânico industrial.
Seu filho, Steve Ellis, diz que depois daquele dia fatídico a saúde de seu pai piorou rapidamente.
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"A certa altura, ele não conseguia nem andar. No intervalo de três meses, médicos disseram acreditar que ele estava morrendo— mas ninguém sabia por quê."
Os médicos de Roger Ellis primeiro suspeitaram da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Trata-se de uma doença causada por proteínas chamadas de príons. A doença cerebral degenerativa fatal e rara faz com que os pacientes apresentem sintomas como falta de memória, mudanças de comportamento e dificuldades de coordenação.
Uma categoria conhecida da doença se chama Variante DCJ, que está associada à ingestão de carne contaminada com a doença da vaca louca. A DCJ também pertence a uma categoria mais ampla de doenças cerebrais como Alzheimer, Parkinson e ALS, em que as proteínas do sistema nervoso se deformam.
Mas o exame de DCJ de Ellis deu negativo, assim como a enxurrada de outros testes a que seus médicos o submeteram enquanto tentavam descobrir a causa de sua doença.
Seu filho diz que a equipe médica fez o possível para aliviar os diversos sintomas de seu pai, mas ainda havia um mistério: o que estava por trás da piora do quadro de Ellis?

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Moncton é a maior cidade da província de New Brunswick
Em março deste ano, Steve Ellis encontrou uma possível — embora parcial — resposta para o mal de seu pai.
A Rádio-Canadá, a emissora pública do país, obteve uma cópia de um memorando de saúde pública que foi enviado aos profissionais médicos da província alertando sobre um grupo de pacientes exibindo uma doença cerebral degenerativa desconhecida.
"A primeira coisa que eu disse foi: 'É como meu pai'", lembra ele.
Roger Ellis agora é considerado um dos afetados pela doença desconhecida e está sob os cuidados do neurologista Alier Marrero.
O neurologista do hospital Dr. Georges-L-Dumont University Hospital Center, da cidade de Moncton, diz que os médicos detectaram a doença pela primeira vez em 2015. Na época havia apenas um paciente — um "caso isolado e atípico", diz ele.
Mas, desde então, surgiram mais pacientes como o primeiro — o suficiente para que agora os médicos pudessem identificar uma condição ou síndrome diferente "nunca vista antes".
A província diz que está rastreando atualmente 48 casos, igualmente divididos entre homens e mulheres, em idades variando de 18 a 85 anos. Esses pacientes são da península Acadian e de áreas de Moncton de New Brunswick. Acredita-se que seis pessoas tenham morrido da doença.
A maioria dos pacientes começou a apresentar sintomas recentemente, a partir de 2018, embora acredite-se que um deles já os tenha apresentado em 2013.
O neurologista diz que os sintomas são variados.
A princípio, podem ocorrer alterações comportamentais como ansiedade, depressão e irritabilidade, além de dores inexplicáveis, dores musculares e espasmos em indivíduos saudáveis.
Frequentemente, os pacientes desenvolvem dificuldades para dormir — insônia grave ou hipersonia— e problemas de memória. Pode haver deficiências de linguagem que avançam rapidamente e que dificultam a comunicação e a manutenção de uma conversa fluente — problemas como gagueira ou repetição de palavras.
Outro sintoma é a perda rápida de peso e atrofia muscular, bem como distúrbios visuais e problemas de coordenação e espasmos musculares involuntários. Muitos pacientes precisam da ajuda de andadores ou cadeiras de rodas.
Alguns desenvolvem pesadelos ou alucinações auditivas ao acordar.
Vários pacientes apresentaram a Síndrome de Capgras, um distúrbio psiquiátrico em que uma pessoa acredita que alguém próximo a ela foi substituído por um impostor.
"É bastante perturbador porque, por exemplo, um paciente dizia à esposa: 'Desculpe senhora, não podemos ir para a cama juntos, eu sou casado' e mesmo quando a esposa dizia seu nome, ele respondia: 'Você não é a verdadeira'", conta o médico.
O neurologista do Canadá está liderando a investigação sobre a doença com a ajuda de uma equipe de pesquisadores e do órgão federal de saúde pública.
Os pacientes suspeitos passam por testes de príons e de condições genéticas, painéis que examinam doenças auto-imunes ou formas de câncer e exames para detectar vírus, bactérias, fungos, metais pesados e anticorpos anormais.
Eles são questionados sobre fatores ambientais, estilo de vida, viagens, histórico médico, comida e água. Eles são submetidos a punções lombares para testar várias infecções e distúrbios.
Não há tratamento disponível contra as causas. O único tratamento possível é ajudar a aliviar o desconforto de alguns dos sintomas. Por enquanto, a teoria é que a doença é adquirida, não genética.
"Nossa primeira ideia comum é que há um elemento tóxico adquirido no ambiente desse paciente que desencadeia as mudanças degenerativas", diz o neurologista.

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Roger Ellis morava na cidade de Bathurst
O também neurologista, da Universidade de British Columbia, Neil Cashman, é um dos pesquisadores que está tentando desvendar o mistério médico.
Apesar dos pacientes não apresentarem vestígios de doenças por príons, a causa não foi completamente descartada, diz ele.
Outra teoria é a exposição crônica a "excitotoxinas" como o ácido domóico. Essa toxina foi associada a um incidente de intoxicação alimentar em 1987 por mariscos contaminados, na província vizinha da Ilha Prince Edward.
Junto com problemas gastrointestinais, cerca de um terço das pessoas afetadas apresentaram sintomas como perda de memória, tontura, confusão. Alguns pacientes entraram em coma e quatro morreram.
Cashman diz que eles também estão olhando para outra toxina — beta-metilamino-L-alanina (BMAA) — que foi classificada como de risco para o desenvolvimento de doenças como Alzheimer e Parkinson.
Alguns pesquisadores também acreditam que esta segunda toxina esteja ligada a uma doença neurodegenerativa documentada na população nativa no território americano da ilha de Guam, no Pacífico, em meados do século 20, e encontrada em sementes que faziam parte da dieta do grupo.
Cashman adverte que a lista atual de teorias "não está completa".
"Temos que voltar aos primórdios, voltar à estaca zero", diz ele. "Neste ponto, basicamente, nada pode ser excluído."
Então, quantas pessoas mais podem ser afetadas por esta doença?

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A condição de Roger Ellis se estabilizou
Marrero diz que é possível que seja um fenômeno mais amplo encontrado fora das duas regiões onde os pacientes foram identificados até agora (a península Acadian, com suas comunidades de pescadores e praias arenosas, e Moncton, um centro da cidade).
"Estamos vendo a ponta do iceberg? Talvez", diz ele. "Espero que possamos entender isso rápido para que possamos impedir mais casos."
Embora aqueles que vivam nas comunidades afetadas estejam compreensivelmente preocupados, Marrero exorta as pessoas a "trabalharem com esperança, não com medo. O medo paralisa".
A condição de Roger Ellis se estabilizou desde a rápida progressão inicial, diz seu filho.
Ele está em um asilo especializado e precisa de ajuda para atividades diárias. Ele ainda tem problemas com a fala e o sono.
Steve Ellis, que dirige um grupo de apoio no Facebook para famílias afetadas pela doença, pede que o governo se comprometa com a transparência sobre a doença.
Acima de tudo, ele quer saber o que fez seu pai adoecer.
"Eu sei que eles estão trabalhando nisso, mas como isso aconteceu?", pergunta.
"Como família, estamos cientes do fato de que ele provavelmente vai morrer por causa disso."
Bolsonaro tem alta na popularidade e só Lula o venceria no 2º turno em 2022, mostra pesquisa Atlas

O presidente Jair Bolsonaro obteve uma melhora em seu nível de popularidade neste mês de maio em relação a março, revela pesquisa Atlas divulgada nesta segunda-feira. De acordo com os números, 40% da população aprova o desempenho do ultradireitista, contra 35% em março. A desaprovação também teve leve queda e foi de 60%, há dois meses, para 57% agora. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Para Andrei Roman, CEO do Atlas, a melhora de Bolsonaro tem relação direta com a volta do pagamento do auxílio emergencial, a partir de abril, apesar de ter valores mais baixos do que os do benefício pago em 2020. Na visão de Roman, há ainda “um alívio relativo em relação a situação da pandemia no país”, destaca. “A pesquisa anterior, de março, foi feita no ponto de maior estresse”, pondera ele. Março e abril foram os meses mais letais da pandemia até agora no Brasil. A média de mortes caiu nas últimas semanas, mas especialistas apontam que ainda é cedo para qualquer comemoração e alertam para risco de uma nova onda de contágios com os encontros do Dia das Mães neste fim de semana. Como esperado, os índices de avaliação do Governo Bolsonaro também exibiram melhora: 31% (contra 25% em março) consideram a gestão ótima e boa, contra 53% que a consideram ruim ou péssima (eram 57% em março).
Lula também tem melhora e 2022
A pesquisa Atlas também mostra que a melhora da popularidade de Bolsonaro se refletiu em uma melhor performance nas simulações eleitorais para a corrida pela sucessão presidencial em 2022. O presidente lidera numericamente a corrida no primeiro turno, quer com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou não. Com Lula, aparece em empate técnico. Tanto o mandatário como o petista tiveram melhor desempenho em maio em relação a março. Bolsonaro foi de 32,7% de intenção de votos há dois meses para 37%. O petista, que conseguiu reaver seus direitos políticos após decisões do Supremo Tribunal Federal que eliminaram o veto da Lei da Ficha Limpa, também surfou na nova conjuntura. No período, o ex-presidente foi de 27,4% em março para 33,2% em maio na simulação de intenções de voto no primeiro turno.

Lula, inclusive, é o único que continua vencendo o atual ocupante do Planalto em 2022 em um eventual segundo turno, fora da margem de erro da pesquisa. O ex-presidente aparece com 45,7% contra 41% de Jair Bolsonaro, uma diferença de quase cinco pontos percentuais, quando a margem de erro da pesquisa é de dois pontos. Ciro Gomes (PDT) e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) aparecem numericamente à frente de Bolsonaro, mas em ambos os casos estão tecnicamente empatados.

Para Andrei Roman, Bolsonaro se beneficia da fraqueza cada vez maior de seus antigos rivais diretos no espectro de direita e centro-direita, com a redução da figura o ex-juiz Sergio Moro (aparece com 4,9% quando tinha 9,7% em março). “Há ainda a canibalização deste espaço com a entrada do Danilo Gentili”, aponta. O humorista e apresentador de TV vem sendo ventilado como um candidato da direita ―pelo mundo, vários comediantes já tentaram a sorte nas urnas como nomes antissistema, alguns com sucesso. Na pesquisa, Gentili aparece com 2%. Veja os demais nomes na simulação de primeiro turno.

O levantamento também mediu a imagem positiva e negativa dos líderes. Nesse quesito, Lula e Bolsonaro aparecem quase numericamente empatados em termos de rejeição.

A pesquisa Atlas foi realizada com 3.828 entrevistas entre os dias 6 e 9 de maio, todas feitas por meio de questionários aleatórios via internet. As respostas são calibradas por um algoritmo de acordo com as características da população brasileira.
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Pesquisa XP aponta Lula com 51% e Bolsonaro com 49% no segundo turno

247 - Pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta terça-feira (11) aponta o que já é esperado: o segundo turno da eleição presidencial em 2022 deve ser disputado por Jair Bolsonaro e pelo ex-presidente Lula.
Na pesquisa estimulada, tanto Bolsonaro quanto Lula aparecem com 29% das intenções de voto no primeiro turno, seguidos por outros candidatos mais distantes: Ciro Gomes (9%), Sergio Moro (8%), Luciano Huck (5%) e outros.
Em um segundo turno entre Bolsonaro e Lula, o petista aparece numericamente à frente, embora dentro da margem de erro (empatados tecnicamente). Lula tem 42% das intenções de voto e Bolsonaro 40%. Apenas com os votos válidos, Lula tem 51% e Bolsonaro, 49%.
A margem de erro do levantamento é de 3.2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Governo é ruim/péssimo para 49%
Para 49% da população brasileira, o governo de Jair Bolsonaro é "ruim e péssimo" e 58% desaprovam a maneira de Bolsonaro governar o país. Somente 29% julgam o governo como "ótimo e bom" e 35% aprovam a administração do país pelo atual ocupante do Palácio do Planalto.
65% defendem intervenção do Estado para retomar a economia
A pesquisa mostra também que, para 65% dos pesquisados, o caminho para retomar a economia é "mudar a política com mais investimentos do governo para o Brasil voltar a crescer". Para 25%, o caminho é "manter a política econômica atual com as reformas" e buscar "maior participação das empresas privadas para retomar o crescimento". 10% disse não saber ou não quis responder.
Veja na íntegra da pesquisa:
Quinto de seis irmãos morre de covid-19 em menos de 40 dias em SC

Abinoan Santiago
Colaboração para o UOL, em Florianópolis
11/05/2021 12h39
Atualizada em 11/05/2021 15h02
Morreu na manhã de hoje em Ituporanga, a 169 km de Florianópolis (SC), José Joarez de Almeida, de 48 anos. Ele é a a sexta pessoa da mesma família a perder a vida por complicações da covid-19 e estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Bom Jesus.
Antes de José Joarez, morreram quatro de seus cinco irmãos e o pai deles, em um período de 33 dias. A primeira morte ocorreu em 2 de abril. Do núcleo familiar, apenas a mãe e outra irmã conseguiram sobreviver à infecção.
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Ao UOL, parentes de José Joarez informaram que o velório e o sepultamento ocorrerão em Ituporanga. "Será o único que conseguiremos velar em meio a todas essas perdas", disse uma familiar que, muito abalada, preferiu não se identificar.

José Joarez faria 49 anos em 31 de maio e não tinha histórico de comorbidades. Ele estava sob ventilação mecânica e ficou internado por quase duas semanas.
Nas redes sociais, a vítima chegou a agradecer amigos e familiares pelas mensagens de conforto em razão da perda do pai e dos irmãos.
"Obrigado a todos os amigos e parentes do Facebook pelo conforto neste momento difícil que estamos passando. Em nome da família Almeida o meu muito obrigado de coração partido", escreveu.
Seis mortes em 39 dias
A família Almeida enfrenta a perda de parentes desde 2 de abril, quando Maria Rosimara de Almeida Hellmann, de 34 anos, morreu de complicações da covid-19.
Irmão dela, o técnico em enfermagem Antônio de Almeida, de 50 anos, faleceu oito dias depois.
Em 24 de abril foi o pai, João Alci de Almeida, que não resistiu às complicações causadas pelo coronavírus. Pouco mais de uma semana depois, em 3 de maio, mais uma de suas filhas, Zelirde Almeida, de 45 anos, também morreu. Já em 5 de maio, João Ércio de Almeida, de 40 anos, se tornou a quinta vítima fatal na família.
Além deles, uma sexta filha de João Alci, Lucimara, e a matriarca da família, Cecília Almeida, de 69 anos, também foram infectadas, mas sobreviveram.
Os familiares comentaram que não sabem como se infectaram com o coronavírus, pois todos respeitavam os protocolos sanitários.
Todas as vítimas residiam em Ituporanga, que agora registra 53 mortes pela doença.




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