HERÓI DESCONHECIDO

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Cesar Victora : o cientista brasileiro que mudou o mundo

Cesar Victora recebeu o prêmio Sir Richard Doll 2021, a maior distinção da Epidemiologia mundial; e pasmem: não foi fazendo ciência de WhatsApp

O hábito de fumar data de 5.000 a.C., mas foi no século 16 que o tabaco se popularizou. Até a metade do século passado, a ciência pouco conhecia os riscos do tabagismo. Ao contrário, alguns médicos acreditavam que fumar fazia bem à saúde. Foi só no final da década de 1940 que estudos liderados pelo médico inglês Richard Doll sugeriram que o tabagismo fazia mal. Num artigo clássico da ciência mundial, publicado no British Medical Journal em 1950, Richard Doll e Bradford Hill mostraram uma forte relação entre fumo e câncer de pulmão.

Notem que, antes de a ciência demonstrar uma relação entre cigarro e câncer de pulmão, era perfeitamente aceitável que alguns profissionais acreditassem que o cigarro fazia bem para a saúde. Mas, depois da confirmação científica de que o cigarro mata, estimular o seu consumo é criminoso. Qualquer semelhança com a CPI da Covid-19 não é mera coincidência.

Richard Doll e Cesar Victora
Richard Doll e Cesar Victora durante 4º Congresso Brasileiro de Epidemiologia - Ana Maria Baptista Menezes

Existem hoje entre 10 milhões e 15 milhões de médicos no mundo. O fato de que 10 mil (0,08%) assinaram um manifesto pró-cloroquina não significa nada para a ciência. Diferentemente dos médicos que acreditavam que fumar fazia bem para a saúde, pois não havia confirmação científica, os médicos que insistem em defender a cloroquina no tratamento da Covid-19, depois das confirmações de sua ineficácia, não podem se defender pelo desconhecimento: é politicagem mesmo.

Em 1998, aos 85 anos, Richard Doll veio ao Brasil participar do 4º Congresso Brasileiro de Epidemiologia. Neste evento, um pesquisador brasileiro, chamado Cesar Victora, tirou algumas fotos com o seu ídolo. Após o falecimento do doutor Doll, em 2005, a Associação Internacional de Epidemiologia resolveu conceder um prêmio em sua homenagem: a mais prestigiosa distinção da epidemiologia mundial. E em 2021, o vencedor do prêmio foi o brasileiro que, em 1998, tirou as fotos com seu ídolo.

O doutor Cesar Victora esteve envolvido nos primeiros estudos que mostraram que a amamentação exclusiva por seis meses reduzia o risco de doenças e mortes em crianças. Na época, a crença era de que, a partir dos 3 a 4 meses, o leite materno não era suficiente para os bebês seguirem se desenvolvendo. Pouco tempo depois, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o leite materno como alimento exclusivo até os seis meses.

Qualquer leitor dessa coluna, no Brasil ou no mundo, que já tenha levado uma criança ao pediatra também já foi influenciado pelo trabalho do doutor Victora. As curvas de crescimento, que avaliam o estado nutricional de crianças, foram desenvolvidas em estudo liderado por ele, em parceria com a Organização Mundial da Saúde.

Mais recentemente, em parceria com pesquisadores da Universidade Harvard, o professor Victora mostrou os primeiros efeitos positivos da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil, relatando uma queda pela metade das mortes em idosos de 80 anos ou mais.

Diferentemente de pesquisadores como o doutor Doll, que ficaram marcados por descobertas revolucionárias, o professor Victora ficará marcado como um pesquisador que conseguiu transformar as descobertas científicas em políticas de saúde. Estimar quantas crianças foram salvas pela amamentação exclusiva ou pela identificação precoce de desnutrição é uma tarefa científica complexa, mas posso garantir que a contagem não é na casa das centenas ou dos milhares. Milhões de vidas de crianças foram salvas pelo trabalho do doutor Cesar Victora.

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Avanços no tratamento de HIV fazem com que pacientes não transmitam o vírus

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Imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Colaboração para VivaBem

12/05/2021 04h00

Quando as infecções pelo vírus HIV surgiram, na década de 80, receber um diagnóstico positivo era praticamente uma sentença de morte. No entanto, com o avanço da medicina e dos tratamentos disponíveis, hoje as pessoas vivendo com HIV (PVHIV) que seguem o tratamento corretamente conseguem alcançar o ponto de não transmitirem mais o vírus.

Na opinião de médicos ouvidos por VivaBem, esse é mais um marco importante para as PVHIV. O conceito, conhecido como u=u (undetectable = untransmittable) ou i=i (indetectável = intransmissível) no Brasil, surgiu por conta de uma série de estudos com casais sorodiferentes (quando um dos parceiros vive com HIV e o outro não).

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Esses trabalhos revelaram que quando o parceiro com HIV realizava o tratamento a ponto de deixar sua carga viral indetectável, não havia transmissão do HIV para o outro.

"Esse guideline (i=i) existe por conta de uma série de estudos —dentre eles o Partner 1 e 2, que reuniu casais hetero e homossexuais. Ou seja, foram analisadas mais de 160 mil relações sexuais desprotegidas e os pacientes com carga indetectável não transmitiram o vírus ao parceiro", explica José Valdez Ramalho Madruga, infectologista, coordenador do Comitê de Aids/HIV da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e pesquisador da Casa da Pesquisa do Centro de Referência e Treinamento - DST/Aids, de São Paulo, que reitera que essa orientação é apoiada pelos principais órgãos de saúde do mundo, como OMS (Organização Mundial da Saúde) e CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA).

Para alcançar a carga viral indetectável, no entanto, o paciente precisa aderir ao tratamento, que também foi avançando desde a década de 90. Atualmente o coquetel antirretroviral é uma combinação de três medicações e tem menor toxicidade ao paciente.

"No início, o coquetel tinha medicamentos distintos, um que precisava de jejum, outro que tinha que tomar alimentado e isso dificultava a qualidade de vida e a adesão ao tratamento. Hoje, com a medicação, de dois a seis meses o paciente consegue ficar com a carga viral indetectável", explica Madruga.

Mas claro que para atingir essa marca é necessário manter um acompanhamento regular com o médico e seguir o tratamento sem interrupções e falhas. Isso porque se o paciente não adere ao tratamento corretamente há o risco de o vírus ficar resistente.

Segundo Ricardo Diaz, infectologista, professor associado de infectologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e um dos brasileiros envolvidos nos estudos de cura do HIV, 20% dos vírus do Brasil têm resistência a algum dos medicamentos do coquetel.

"Isso significa que em algum momento do tratamento, um paciente começou a não aderir ao tratamento corretamente, esquecendo de tomar os comprimidos, e isso fez com que o vírus parasse de responder a medicação", explica o professor associado de infectologia da Unifesp.

Menos preconceito e mais qualidade de vida

Injeção, comprimidos, preservativo, prevenção HIV - iStock - iStock
Imagem: iStock

Saber da possibilidade de parar a transmissão tem contribuído para que muitas pessoas com HIV sigam o tratamento da forma adequada. De acordo com o estudo Positive Perspective, os pacientes diagnosticados que receberam a informação de como ficar com vírus indetectável aumentaram em 80% a adesão ao tratamento em comparação aos que não ouviram falar sobre o i=i.

"De fato, esse é um conceito que a sociedade como um todo não conhece tanto. Mas ter conhecimento é tudo. Por isso, é importante cada vez mais campanhas educativas para que possamos popularizar a informação e contribuir para diminuir o estigma das pessoas vivendo com HIV, que ainda é muito prejudicial", afirma Miralba Freire, infectologista, professora na Faculdade de Medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e diretora do CEDAP (Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa) na Bahia.

Além de ajudar no tratamento em si, a carga viral indetectável também traz uma série de benefícios psicológicos aos pacientes, já que eles também se preocupam com a possibilidade de o parceiro contrair o vírus.

"Ao eliminar o risco de transmissão, a paciente pode ter um filho naturalmente sem qualquer risco, pode fazer um transplante de órgão e até mesmo sexo desprotegido com o parceiro —ainda que sempre recomendamos o uso de preservativo para evitar todas as demais doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia", destaca Diaz.

A carga viral indetectável no organismo também ajuda o paciente com HIV a recuperar seu sistema imunológico. Diaz explica que o vírus causa uma doença inflamatória crônica e a consequência é uma espécie de "cicatriz" nos órgãos que produzem as células de defesa.

"Por isso, quanto antes iniciar o tratamento, melhor, a chance de a pessoa conseguir recuperar a imunidade é grande. Agora, se demora muito, o paciente pode perder de 20 a 30% da imunidade", diz.

Essa rapidez no tratamento também é primordial para evitar que a pessoa desenvolva a Aids —sigla em inglês para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. "Há uma estimativa de que é preciso estar infectado com o HIV de 8 a 9 anos para poder desenvolver a Aids, mas tem gente que desenvolve mais rápido. Dois anos sem tratamento e aí a pessoa já está com a doença.", explica o professor da Unifesp.

Teste = prevenção = tratamento mais rápido

HIV, exame, teste - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Com o conceito i=i, os especialistas têm abordado o tratamento também como forma de prevenção. "O teste é muito importante, já que a medida que se testa, o resultado sai no mesmo dia e você já recebe encaminhamento, se for necessário, e consegue iniciar o tratamento o quanto antes", explica Freire, que é diretora em um centro na Bahia que realiza testagens.

Feita de forma gratuita na rede pública, a testagem também foi afetada pela pandemia, impactando no diagnóstico do HIV.

De acordo com dados básicos de monitoramento do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, o número de casos notificados em 2020 reduziu em 68,3% em comparação com 2019.

"As pessoas ficaram com medo de buscar o serviço de saúde por conta do coronavírus. Os testes não faltaram, mesmo com a pandemia, mas a baixa procura por eles impacta diretamente no número de casos notificados. Mas é importante reforçar que os postos estão preparados para atender quem precisa. A recomendação é que todo adulto deve realizar esse teste pelo menos uma vez na vida", afirma Freire.

Diaz acredita que ao expandir o diagnóstico, maior a chance de conseguir tratar os pacientes de forma precoce, aumentando consequentemente a expectativa de vida e diminuindo o risco de transmissão.

"As pesquisas modernas de cura do HIV são focadas em diminuir a quantidade de células que tem o vírus dormente. Quatro pacientes já foram curados com transplante de medula. No entanto, esse procedimento é arriscado e não dá para fazê-lo em larga escala. Já sabemos que a cura é possível, portanto, por hora, precisamos que os pacientes sigam o tratamento adequado para que eles possam estar vivos até a cura chegar", finaliza.

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15 coisas que as pessoas que vivem com HIV gostariam que você soubesse

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Abinoan Santiago

Colaboração para VivaBem

22/12/2020 04h00

Com o surgimento nos anos 1980 e explosão de casos até o início da década seguinte, o vírus do HIV/Aids ainda carrega estigmas sobre como a infecção atinge o paciente diagnosticado. Mesmo com campanhas e avanço considerável da medicina sobre o tratamento —ainda sem cura—, dúvidas ainda rondam a mente de quem se depara pela primeira vez com o vírus ou conhece alguém que vive com a condição sorológica.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, foram diagnosticados 41.909 novos casos de HIV e 37.308 casos de Aids, em 2019. O dado é o mais recente, publicado no boletim epidemiológico em 1º de dezembro de 2020. No total, de 2007 até novembro de 2020, o Brasil diagnosticou 342.459 pessoas com HIV.

Jovens vão à TV derrubar mitos sobre HIV: "É possível ter vida saudável"

VivaBem ouviu especialistas e listou os principais mitos e verdades que envolvem o tema.

1) Vivo com HIV. Isso quer dizer que tenho Aids

Mito. O HIV é considerado pela medicina o vírus transmissível, que pode ser passado de uma pessoa para outra através da relação sexual, transfusão de sangue ou verticalmente de mãe para filho durante o parto ou amamentação. A Aids, sigla em inglês que significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é o estágio avançado do vírus no organismo do paciente, que causa a debilitação do sistema imunológico.

Segundo a médica infectologista Letícia Ikeda, do Hospital Partenon, referência no tratamento do HIV na região Sul, quem tem HIV, necessariamente não significa que também possui Aids, mas quem está diagnosticado com Aids, obrigatoriamente está com o vírus HIV no organismo.

"Quando o HIV destrói o sistema imunológico e fica suscetível a doenças graves, ela é considerada uma pessoa com Aids. Ter HIV é viver com o vírus. Ter Aids é possuir a doença pelo vírus no organismo em razão da imunidade", explicou.

2) Posso ser diagnosticado já com quadro de Aids

Hiv & aids - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Verdade. De acordo com médicos ouvidos por VivaBem, se a pessoa esteve exposta ao vírus, como ter praticado relações sexuais sem proteção, e não fez o teste para saber da condição sorológica, é possível que descubra a infecção já em quadro avançado. Isto é, na condição da Aids.

A recomendação é realizar exames periódicos em caso de relações sexuais sem proteção com mais de um parceiro para que o vírus não seja descoberto em quadro avançado.

Não existe uma orientação do Ministério da Saúde sobre em quanto tempo deve ser essa periodicidade da realização dos exames, mas os médicos aconselham que a pessoa busque pelo teste após se expor ao vírus.

No Brasil, em 2019, o Ministério da Saúde contabilizou 37.308 pessoas com Aids. O dado, por outro lado, não difere se são casos novos ou de pacientes já com HIV. "Qualquer relação sexual pode transmitir o HIV. Em tese, todo mundo deveria se testar", avisa Rodrigo Zilli, infectologista, diretor médico da farmacêutica GSK para HIV e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

3) Estou exposto ao vírus HIV somente se tiver relações sexuais desprotegidas

Camisinha usada - BreakingTheWalls/Getty Images/iStockphoto - BreakingTheWalls/Getty Images/iStockphoto
Imagem: BreakingTheWalls/Getty Images/iStockphoto

Mito. Além das relações sexuais, o vírus também pode ser transmitido por meio de contato com o sangue do diagnosticado com o HIV ou de maneira vertical, ou seja, de mãe para filho em caso de gestações sem o acompanhamento de um profissional médico durante o pré-natal.

Em razão do vírus, a pessoa que vive com o HIV não pode doar sangue, mas não está impedida de receber uma transfusão em procedimento médicos.

4) Descobri o HIV e não posso ser mãe de um bebê saudável

Mito. No Brasil, não existe qualquer legislação ou norma que proíba os pais que vivem com HIV de terem filhos. Além disso, se descoberto o quanto antes, durante o pré-natal, o bebê pode não ser infectado pelo vírus durante o parto, seja ele natural ou cesárea.

Segundo a médica Letícia Ikeda, durante o pré-natal, a mãe deve realizar exames para saber se vive com o HIV. Em caso de testagem positiva, o tratamento é iniciado de imediato para que se torne intransmissível.

O exame também serve como preparação para a equipe médica do parto na adoção de protocolos após o nascimento do bebê, como a prescrição de remédios de profilaxia pós-exposição.

Além disso, a mãe deixa de amamentar o filho, mesmo em caso carga viral indetectável. Com isso, o bebê recebe o alimento de bancos de leite públicos ou suplementação láctea através do SUS (Sistema Único de Saúde).

"O bebe vai tomar o remédio por 30 dias e a mãe não vai amamentar. A política brasileira está desenhada para não permitir a transmissão vertical. Se for adotado este protocolo, a taxa de transmissão cai para menos de 2%", comenta Ikeda.

5) Meu teste HIV pode dar falso negativo

Verdade. Se a pessoa esteve exposta ao vírus e fez o exame, pode ser que tenha um resultado de falso negativo. É que dependendo do organismo, o vírus se manifesta no teste de imediato ou após 30 dias a exposição ao HIV. Esse período é chamado de janela imunológica.

"Se um teste isolado, sem nenhum indício de exposição, der negativo, é este o resultado mesmo. Agora se a pessoa esteve em uma condição exposta, sempre é recomendável fazer um teste um mês depois se o primeiro deu negativo", orienta Zilli.

6) Vou morrer mais cedo porque estou diagnosticado com HIV

Mito. A expectativa de vida de um paciente infectado e em tratamento é a mesma de pessoas sem a referida condição sorológica. Médicos ouvidos explicam que ninguém morre com quadro de HIV. A mortalidade pode atingir os pacientes com estágio avançado de Aids.

Por outro lado, a morte não ocorre pelo vírus em si, mas por doenças oportunistas que se aproveitam de um sistema imunológico debilitado. "Só morre de Aids quem não trata ou quem não sabe que possui por falta de diagnóstico. A Aids não mata, mas a pessoa é atingida com deficiência no sistema imunológico, o que pode fazer surgirem doenças oportunistas", diz o infectologista Juliano Molina, do Hospital de Clínicas da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), referência em HIV na região.

7) Não consigo sobreviver a Aids porque o meu sistema imunológico está fraco

Mito. Membro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV (RNP+Brasil), Vanessa Campos é exemplo da superação do quadro de Aids. Vivendo com o vírus há 30 anos, ela passou pelo estágio mais avançado do HIV e conseguiu reverter o quadro.

"Quem vive com HIV pode evoluir para Aids se não fizer tratamento ou tiver diagnóstico tardio, com a descoberta do vírus em um estágio avançado. Eu mesma tive Aids e estou aqui, vivendo com o HIV há 30 anos", celebra.

O paciente pode superar a Aids com uso de medicamentos diários. É necessário que o diagnosticado tome os remédios de maneira regular.

8) O vírus HIV não se manifesta por sintomas no corpo

young man with a PrEP pill - iStock - iStock
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Mito. Quando a pessoa está com o vírus e não sabe da sua condição sorológica, o HIV pode se manifestar em quadro de Aids através de sintomas semelhantes a de uma virose em quadro agudo.

O exame rápido de HIV dura em média 30 minutos para emitir o resultado e pode ser feito em qualquer UBS (Unidade Básica de Saúde) ou centro especializado em doenças infecciosas.

Além disso, quem se expôs ao vírus pode procurar um centro de saúde para realizar a profilaxia pós-exposição, que é um medicamento a ser tomado em até 72 horas depois do sexo desprotegido.

"Boa parte das pessoas fica sem sintomas, porém o mais comum é o quadro de uma virose aguda. Muitos não pensam em HIV, mas se a pessoa esteve em exposição ao vírus, é recomendável que peça a unidade de saúde o exame. O sintoma pode sumir e depois pode voltar como Aids", explica Rodrigo Molina.

9) Quem vive com HIV e Aids pode beijar, abraçar e dividir itens pessoais

Por que a adolescência é a idade da doença do beijo e o que você deve saber - iStock - iStock
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Verdade. Não existe qualquer estudo médico que tenha comprovado a transmissão do vírus de uma pessoa para outra através de gestos de afetos, como beijos, abraços ou apertos de mão. Também não há comprovação científica de propagação do HIV por compartilhamento de itens pessoais de rotina, a exemplo de talheres, toalhas, roupas e demais objetos do gênero.

"As formas de transmissão do HIV são sexuais, sanguínea ou vertical. Não existe por beijo, abraço, aperto de mão ou compartilhamento de talheres, por exemplo. Tudo isso é um estigma que o vírus carregou por um tempo", comentou a médica Letícia Ilkeda.

10) Sexo oral e brinquedos sexuais podem transmitir o vírus HIV

Verdade. O sexo oral é considerado por especialistas infectologistas como uma relação sexual que também pode causar a transmissão do vírus, caso a pessoa que o receba esteja com a carga viral detectável.

O mesmo pode acontecer com o compartilhamento de brinquedos sexuais durante com contato direto com os órgãos sexuais de uma pessoa detectável durante as relações.

"Se [o brinquedo] estiver sujo com material biológico que pode carregar o vírus, como sêmen ou sangue, pode transmitir", alerta o infectologista Juliano Molina.

11) Se o HIV não tem cura, não preciso tomar remédio

Mito. Apesar de não existir uma cura para o vírus por meio de medicamentos ou vacina, médicos recomendam que se inicie o tratamento de imediato após as primeiras consultas com o infectologista.

A medicação acontece por meio de um antirretroviral em comprimido, tomado todos os dias. O tratamento é orientado por dois motivos: o primeiro recai sobre a própria saúde do paciente para que não desenvolva um quadro de Aids; e a outra razão está relacionada com a transmissão do vírus para outra pessoa.

A mesma recomendação de início imediato é seguida por entidades de apoio e representativas de pessoas que vivem com HIV. "O vírus não tem cura, mas o tratamento consegue controlar a multiplicação. Ele faz com que o HIV fique indetectável e isso preserva as células de defesas do organismo. O HIV continua, mas com uma quantidade tão pequena que se torna intransmissível sexualmente", diz Vanessa Campos, da RNP+Brasil.

12) Iniciei o tratamento contra o HIV e ficarei indetectável imediatamente

Mito. Dependendo da carga viral do diagnosticado, o remédio faz efeito entre o terceiro e o sexto mês. O paciente deve realizar exames nesse período para saber se o HIV já está intransmissível.

A farmacologia avançou bastante desde o surgimento do vírus, o que deixa a condição de ser ou não uma pessoa indetectável exclusivamente nas mãos dos pacientes.

"Se até os seis meses, não se tornou indetectável, é preciso reavaliar o medicamento. Na maioria dos casos, é por falha da pessoa que não está tomando o remédio adequadamente. Tudo vai depender de quanto é a carga viral no início para saber quando estará indetectável", esclarece o médico Juliano Molina.

13) O remédio contra o HIV tem efeitos colaterais ou contraindicações

Verdade. "Nenhum medicamento é isento de efeitos adversos. A pessoa não pode sair da consulta achando que vai passar mal. A maioria das pessoas não terá efeitos, mas em algumas pode causar algum efeito colateral. Os medicamentos atuais não têm tantos relatos porque a medicina e a farmacologia avançaram bastante", avisa Ikeda.

Os efeitos colaterais são considerados leves, como náuseas ou ânsia, dependendo de como o organismo responde aos medicamentos. São bem diferentes em relação aos resultantes de remédios fabricados entre o fim dos anos 1990 e a primeira década dos anos 2000, que causavam lipodistrofia, por exemplo, que é o ganho e perda de massa corporal de maneira assimétrica.

14) Fui diagnosticado com HIV e agora preciso contar no trabalho

Mito. Quem vive com HIV tem o direito ao sigilo da sorologia e não é obrigado a revelá-la no trabalho ou em processos de admissão de emprego. Isso está garantida na CLT (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm).

Em caso de qualquer referência sorológica do médico do trabalho em processos de admissão, o diagnosticado pode procurar o Ministério Público do Trabalho para formalizar denúncia.

Os profissionais médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos também devem manter o sigilo da sorologia do paciente. O descumprimento pode resultar em reclusão de um a quatro anos, e multa, conforme estabelece a lei 12.984, de 2012.

15) Preciso deixar de fazer o que gosto porque vivo com HIV

Mito. Uma pessoa que vive com HIV pode ter uma rotina normal, como qualquer outra. A condição sorológica não impede a prática de atividades esportivas, ingestão de bebidas alcoólicas ou uso de cigarros.

Além disso, não existe interação medicamentosa entre o tratamento contra o HIV e os remédios de uso rotineiro, como anticoncepcionais, e os esporádicos, a exemplo de dipirona. O paciente, contudo, deve informar ao médico em caso de utilização de algum tipo de medicamento controlado.

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Opinião: Nina Lemos - Luísa Sonza: até quando mulheres sofrerão julgamento moral e machista?

Luisa Sonza contou no Twitter que teve ataques de pânico devido as ameaças que sofreu - Reprodução / Internet
Luisa Sonza contou no Twitter que teve ataques de pânico devido as ameaças que sofreu Imagem: Reprodução / Internet
Nina Lemos

Colunista de Universa

12/05/2021 04h00

Vamos imaginar o seguinte. Um casal popular em uma cidadezinha do interior termina um casamento. Como ninguém sabe o motivo, os fofoqueiros da cidade começam a espalhar que a mulher do casal traiu o sujeito. Ela ganha fama de "galinha", "mal-agradecida", "péssima". Passam um ano xingando a mulher. Até que ela se cansa e diz: "mas gente, eu nem traí ninguém!"

Parece uma história dos anos 50, um tempo longínquo onde mulheres que exerciam sua sexualidade eram "galinhas" e tinham que ser gratas a quem casava com elas. Mas aconteceu agora, em 2021. E não foi em uma cidadezinha, mas no Brasil todo. Os personagens: Luísa Sonza, seu ex, o humorista Whindersson, e seu atual, o cantor Vitão. Essa separação e seus desdobramentos é um dos assuntos prediletos dos fofoqueiros de plantão, uma espécie de obsessão.

BBB 21 ensinou sobre gaslighting, xenofobia, ativismo e racismo

Quando Luísa e Whindersson avisaram que iriam se separar, no ano passado, ela foi detonada nas redes sociais, onde recebeu uma enxurrada de mensagens de ódio. E também na vida real. Além de falarem que ela teria traído o ex-marido, ela ainda foi julgada por abandonar o marido em um momento difícil. Sim, Whindersson sofre de depressão, mas que isso tem a ver? E, claro, os motivos da separação de um casal, seja famoso ou não, não são problema nosso.

Mas o tempo passou. Luísa Sonza namora Vitão e Whindersson casou e vai ser pai. Era para já terem esquecido. Mas "fama de galinha" e "traidora" é uma coisa que pega até hoje em dia. Lembrete didático: não, nenhuma mulher é galinha ou qualquer uma dessas palavras. A gente fica com quem a gente quiser.

Quase um ano depois, Luísa fez um post no Twitter onde reclamava da vida, do governo Bolsonaro, da pandemia... O que aconteceu? Ela levou pedra de novo, no maior estilo Geni (aquela da música do Chico Buarque, "ela é feita para apanhar, ela é feita para cuspir, ela dá para qualquer um) e chamada de traidora.

No Twitter, a influenciadora disse que estava cansada de ser atacada e contou que ela e o namorado recebem xingamentos até quando andam na rua!

Uma mulher ser xingada na rua porque tem fama de "traíra" é tão absurdo e caricato que assusta. E explicou que não, ela nunca tinha traído ninguém, inclusive o ex que teria terminado o casamento. Ela só não contou porque não queria expor ninguém. Whindersson confirmou.

Resumo do absurdo: ela passou um ano sendo apedrejada nas redes sociais e na vida por algo que não fez. E é importante lembrar: se ela tivesse traído o ex, isso também não era motivo para que ela fosse atacada. Casamentos acabam. Traições acontecem. Assim é a vida. O que é inacreditável é que essa tendência a culpar uma mulher e chamá-la de traidora continue a acontecer tão descaradamente...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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Opinião - Gregorio Duvivier: Paulo Gustavo levava as pessoas a lugares altos e iluminava suas camas

Comediante provou ao brasileiro que humor também pode ser uma luzinha na mesa de cabeceira

Corria o ano de 2012 e eu chutava propaganda política. Gostava de destroçar aqueles cavaletes com o pé e postar nas redes. Pensava estar fazendo humor político.

Estava na Gávea, na praça Santos Dumont, quando encontro o rosto de algum botocado sorridente, com pinta de miliciano, no meio da calçada. Chuto com tanta raiva que atravesso seu sorriso com a sola do meu pé. Tento tirar o cavalete preso na minha perna quando irrompe um sujeito enorme, com relojão de ouro e cabelo acaju.

Logo percebo que o capanga estava ali pra vigiar a propaganda que eu tinha destroçado. Tento argumentar, obviamente sem sucesso, que o anúncio era irregular.

Ele me empurra e eu caio no meio-fio, por cima do cavalete que continuava preso na minha perna. Já não dava nem pra fugir. “Chama a polícia, então, porra!”, ele grita, enquanto me chuta, até que é surpreendido por uma mão em seu ombro.

“Calma, amigo, esse menino é dodói.” A voz soa familiar. É Paulo Gustavo. “Ele tá comigo.” Ao seu lado, Ingrid Guimarães se junta ao coro. “Ele não bate bem, não.”

O sujeito sai de ré, não sem antes me ameaçar de morte se eu voltasse ali. Os amigos me ajudam a me livrar do cavalete. Agradeço a intervenção. “E eu menti?”, diz o Paulo. “Você é dodói, garoto.”

Acho que não foi a única vez em que ele salvou minha vida. Toda vez que me deparo com impulso vândalo, uma indignação difusa, penso nele. Paulo tinha horror ao ativismo vazio.

“Basta! Chega!”, grita sua personagem loira revoltada. “Eu to indignada com o Brasil! Basta! Chega!” Ela repete em looping, e eu penso nele toda vez que tenho vontade de gritar basta. Infelizmente acontece muito. Mas nunca mais chutei um cavalete. O ódio continua, mas tento canalizar de formas mais eficientes.

“Lenny Bruce está morto, mas seu fantasma vive por aí”, canta Bob Dylan, em homenagem ao comediante maldito que morreu aos 40 anos de idade. Nada une Paulo Gustavo a Lenny Bruce, a não ser a profissão e a morte precoce.

Paulo teve a carreira mais bem-sucedida que um comediante pode ter. Ao contrário do Lenny (e de mim), nunca ofendeu ninguém, não usava drogas, mas tem uma parte da música que, hoje, não consigo ouvir sem chorar. “Talvez ele tivesse alguns problemas”, canta Bob Dylan, “mas ele levava as pessoas a lugares altos e iluminava suas camas”.

Humor também pode ser isso: uma luzinha na mesa de cabeceira. Sendo ele mesmo, Paulo fez o brasileiro mais feliz de ser ele mesmo. Paulo fez o brasileiro mais feliz.

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Opinião: Aline Ramos - No drama com Whindersson, Luísa Sonza responde pelo crime de ser mulher

Reprodução / Instagram
Imagem: Reprodução / Instagram
Aline Ramos

Colunista do UOL

11/05/2021 07h44

Luísa Sonza já negou inúmeras vezes que tenha traído Whindersson. Entretanto, parece que alguns só acreditaram nela agora que o comediante se manifestou e disse com todas as letras que não rolou traição.

Faz um ano que Whindersson e Luísa anunciaram publicamente que o casamento deles chegou ao fim. Porém, ao que tudo indica, essa história vai perseguir os dois por muito tempo, principalmente Luísa

E sabe por quê? Luísa é mulher.

Mulher não vale nada

Whindersson passou a madrugada desta terça-feira (11) rebatendo as acusações no Twitter de que foi omisso e sacana por não ter esclarecido antes os boatos de traição. Alguns fãs chegaram a falar que estavam decepcionados com a postura dele.

Só que Whindersson é o menor dos problemas nessa história. Se acreditassem no que Luísa vem dizendo, ninguém precisaria que ele confirmasse. Essa situação reforça como a palavra de uma mulher tem pouco valor, mesmo sendo uma das cantoras mais populares do Brasil.

Perigosas, ardilosas e sedutoras

A palavra de uma mulher é frequentemente questionada porque somos tratadas como perigosas, ardilosas e sedutoras desde que nascemos. Quer uma prova? Você com certeza conhece algum homem que já achou que uma mulher estava dando mole para ele quando ela estava apenas existindo. Para muitos homens, mulher é o próprio diabo.

Mais que fofoca, machismo

Luísa não apenas é uma mulher, mas uma mulher que explora a sua sexualidade em sua arte e no trabalho. E isso tem um preço alto. Acreditam tanto que ela tenha sido infiel exatamente por esse motivo. Afinal, para muita gente, uma mulher livre sexualmente é capaz de tudo e não vale nada. E é por isso que ela não é só alvo de fofocas, mas de ataques misóginos constantes.

Você responde pelo quê?

Obviamente, a situação não é fácil para o Whindersson. O término de um relacionamento pode ser doloroso para os dois, mas o peso das cobranças e acusações é desigual. Enquanto ele responde a questionamentos invasivos, Luísa responde por ser quem ela é, uma mulher.

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Opinião: Nina Lemos - Damares apaga nota lamentando mortes no Jacarezinho. E a defesa à vida?

Ministério de Damares apaga a nota em que lamentava as mortes no Jacarezinho (RJ) - Reprodução/Flickr Palácio do Planalto
Ministério de Damares apaga a nota em que lamentava as mortes no Jacarezinho (RJ) Imagem: Reprodução/Flickr Palácio do Planalto
Nina Lemos

Colunista do Universa

11/05/2021 04h00

Semana passada, um dia depois de 28 pessoas terem sido assassinadas em uma operação policial na favela do Jacarezinho, a ministra da Família, Mulher e Direitos Humanos Damares Alves teve uma atitude rara: ela agiu como ministra dos Direitos Humanos. Isso porque ela lamentou oficialmente as mortes em nota oficial. Ontem, o ministério de Damares apagou o post e deletou a nota do site.

A nota do ministério não era nem um pouco "do pessoal do direitos humanos", como dizem os radicais, se referindo a quem é contra as execuções pela polícia. Mesmo assim, era equilibrada para um ministério que já tentou impedir uma menina de dez anos vítima de um estupro a fazer um aborto a que ela tinha direito por lei.

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A nota dizia: "O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lamenta as mortes ocorridas em operação policial na comunidade do Jacarezinho. É urgente a necessidade de combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e às demais atividades marginais que ocorrem na cidade. Entendemos, também, que essas devem ocorrer de forma a proteger a vida de todos, especialmente dos moradores que, também, são vítimas e reféns de atividades criminosas."

Repito, parece até uma nota de um Ministério de Direitos Humanos de verdade. E deve ser por isso mesmo que a nota foi apagada, já que as reações do governo foram de parabenizar a polícia. Sim. No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro escreveu que a Polícia Civil do Rio de Janeiro estava de parabéns e que "imprensa e esquerda" tratavam como vítimas "traficantes que roubam, matam e destroem famílias." O vice-presidente general Mourão foi no mesmo tom e disse que tinha certeza de que os mortos eram "todos marginais''. Lembrete: não há provas disso. E mesmo se fossem traficantes, não existe pena de morte no Brasil.

A nota de Damares pegou mal entre os apoiadores radicais do governo nas redes sociais, onde ela foi atacada. Deve ter levado uma bronca. E voltou atrás. Resultado: a Ministra, que fala tanto que defende a vida, acabou não condenando essa matança toda.

Damares diz defender também as crianças e as mães. Uma das mortes ocorreu no quarto de uma menina de 9 anos, que vai ficar traumatizada para sempre. Se a criança morar na favela ela pode passar por isso, Ministra? Ela não merece ser protegida? A operação aconteceu durante o dia, enquanto as crianças brincavam.

Os mortos no massacre têm famílias, claro, e mães. Há relatos de que, um dia depois do massacre, muitas delas ainda vagavam pela comunidade em busca de seus filhos. E aí, Damares? Não valia enfrentar a bronca que deve ter vindo do chefe? Ou o Ministério dos Direitos Humanos vai assumir de uma vez por todas que não tem nenhum compromisso com... os direitos humanos mais básicos?

Ah, internacionalmente, o massacre foi tratado como o que é: um escândalo. O porta-voz dos Direitos Humanos na ONU, Rupert Colville, se disse preocupado com o caso e pediu uma investigação independente sobre a operação. "A força letal deve ser usada como último recurso", disse. Instituições como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch Brasil também lamentaram as mortes.

Pelo jeito, Damares ficou com medo de ser confundida com algumas pessoas dessas entidades, ou seja, com alguém que realmente defende, de verdade, os direitos humanos.

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Joshua Bassett se pronuncia após se assumir LGBTQ+: 'Escolho o amor'

Reprodução
Imagem: Reprodução

Colaboração para Splash, no Rio de Janeiro

11/05/2021 19h44

Joshua Bassett, ator de "High School Musical", elogiou Harry Styles e insinuou estar se assumindo como LGBTQIA+. Em vídeo recente publicado hoje, o cantor e compositor de 20 anos de idade aparece cantando e faz uma declaração sobre os rumores que surgiram sobre sua sexualidade.

Toda a minha vida as pessoas me disseram minha sexualidade. As pessoas me envergonharam por coisas sobre as quais nada sabem. Quero agradecer àqueles de vocês que defendem o amor e a aceitação. Toxicidade, ódio e negatividade dizem menos sobre o assunto, mas dizem muito mais sobre aqueles que o vomitam.

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Ele continuou: "Estamos em 2021. Somos a geração do amor e do crescimento, é hora de começarmos a agir dessa forma. Quer você me ame, me odeie ou me condene ao inferno, eu te amo do mesmo jeito."

Joshua Bassett, que chegou a se relacionar com Olivia Rodrigo e recebeu indireta na música "Drivers License", terminou sua nota escrevendo: "Ame quem você ama descaradamente. Tudo bem ainda estar descobrindo quem você é. A vida é muito curta para deixar a ignorância e o ódio vencerem. Eu escolho o amor."

Na última segunda-feira, os fãs ficaram agitados nas redes sociais após Bassett descrever Harry Styles como "gostoso" durante uma entrevista e dar a entender que sua menção de seu amor pelo dono do hit "Watermelon Sugar" era seu vídeo para "sair do armário".

Eu acho que ele é um cara legal. Ele não fala muito, mas quando fala, fala muito bem. As coisas que ele fala, tipo... Ele é muito legal. Quem não acha que Harry Styles é legal? Além do mais, ele é gostoso, sabe? Ele é muito charmoso também. Ele é muitas coisas. Acho que esse é o vídeo em que eu estou me assumindo.

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Apresentador do Pânico, na Jovem Pan, sai na porrada com convidado bolsonarista (vídeo)

Briga no estúdio do Pânico, da Jovem Pan

Da Revista Fórum - ANDRÉ MARINHO, apresentador do programa Pânico, da Jovem Pan, acabou trocando socos e pontapés com o convidado da tarde, o empresário bolsonarista TOMÉ ABDUCH, na edição desta terça-feira (11).

Abduch chamou Marinho de “babaca”, que respondeu chamando o empresário de “chorão”. Abduch foi pra cima do apresentador e a dupla acabou “saindo na mão” até serem contidos pelos presentes no estúdio.

O apresentador Emílio Surita teve que chamar um intervalo comercial por conta da briga.

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Capitã Cloroquina ameaçou Prefeitura de Manaus exigindo distribuição do Kit Covid

A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro

247 - Pouco antes do colapso do sistema de saúde de Manaus, que ocorreu na segunda quinzena de janeiro, Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho, conhecida como Capitã Cloroquina, enviou, em janeiro, um ofício à P|refeitura de Manaus contendo ameaças e exigência de distribuição do Kit-Covid nas UBS da cidade. 

Mayra enviou ofício à prefeitura de Manaus em janeiro afirmando ser inadmissível que medicações do chamado "tratamento precoce", como cloroquina e ivermectina, não estivessem sendo administradas. De 511 mil comprimidos enviados pelo Ministério da Saúde ao estado até então, 130 mil chegaram em janeiro de 2021.

 Além disso, ela mobilizou outros órgãos do Ministério da Saúde na "caravana da cloroquina" com médicos e técnicos que foram a Manaus. A informação faz parte do depoimento que o olavista Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, concedeu ao Ministério Público Federal no Amazonas. Segundo ele, sua pasta custeou as viagens de médicos a Manaus.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, no depoimento, ele afirmou que a programação das visitas era atribuição da pauta de Mayra e que entendeu que se tratava de uma "prospecção junto à atenção primária à saúde."

"A gente buscou ajudar a SGTES [Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, comandada por Mayra] no sentido de correr para organizar essa parte, em esforço cooperativo, e promover a ida de voluntários até lá. Voluntários que, do que eu lembro da programação preparada para eles, a programação não foi a gente que preparou, a gente só ajudou na parte logística, nesse esforço cooperativo, ela incluía a busca de informações na atenção primária à saúde, que é o grande gargalo", disse Angotti.

A reportagem ainda informa que ela organizou essa comitiva formada por ao menos 11 médicos de seis estados para fazer a ronda pró-kit Covid nas UBSs em janeiro. Após a força-tarefa pelas UBSs de Manaus, os médicos distribuíram medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina aos pacientes. 

 Angotti diz ainda no depoimento que não sabe o motivo para que sua pasta tenha pago pelas viagens, que custaram ao menos R$ 4.200 cada, incluindo passagens e diárias. Ele afirma que a iniciativa foi importante para iniciar sondagem sobre a necessidade de assistência farmacêutica da cidade. 

Mayra foi convocada pela CPI da Covid-19 para prestar esclarecimentos no próximo dia 20 sobre a política oficial do governo federal de na divulgação de cloroquina e ivermectina, mesmo após a OMS reforçar que que os medicamentos não possuem eficácia alguma contra a Covid-19, podendo gerar graves efeitos colaterais principalmente em pacientes cardiopatas.

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Justus, que disse que “15 mil mortes era muito pouco”, desembolsa R$ 200 mil para se vacinar nos EUA

Roberto Justus

247 - O empresário e apresentador Roberto Justus, que seguiu a linha de Jair Bolsonaro ao menosprezar as mortes e o poder de propagação da Covid-19 em março do ano passado, se vacinou nos EUA, com direito a avião executivo resort de luxo. 

Segundo informações do portal Yahoo, ele e Ana Paula Seibert, sua mulher, aderiram ao disputado turismo da vacina. Nas últimas semanas eles passaram 14 dias no México para poder entrar nos Estados Unidos e se imunizarem contra o covid-19 em um investimento de cerca de R$ 200 mil. A prática está em alta entre os ricos do Brasil há cerca de um mês.

O país já vacina todos com mais de 16 anos, mas brasileiros, ou pessoas que passaram pelo Brasil, não podem entrar direto nos Estados Unidos e precisam fazer uma 'quarentena' em outro território. No caso de Ana Paula e Roberto Justus, o casal passou 14 dias em um resort de luxo na Riviera Maya, no México. Eles escolheram o Banyan Tree Mexico – Mayakoba e se hospedaram em uma suíte de frente para o mar com piscina exclusiva. Com diárias de quase US$ 2 mil, eles pagaram cerca de US$ 27,500 mil ou R$ 144.091 na conversão do Banco Central.

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Variante indiana do coronavírus é detectada em 44 países, alerta OMS

247 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nessa terça-feira (11), que a variante do coronavírus detectada em outubro na Índia, a B.1.617, já foi confirmada em 44 países - 27 novas nações desde 28 de abril.

De acordo com o documento, "as sub-linhagens da B.1.617, como a B.1.617.1 e B.1.617.2, "parecem ter taxas maiores de transmissão", com aumento rápido da prevalência já observado em vários países. O relato foi publicado pelo portal G1

Doutora Maria Van Kerkhove, responsável técnica do combate contra a Covid-19 na OMS, disse haver "informações de que a B.1.617 é mais contagiosa". De acordo com a médica, existem, por outro lado, elementos que permitem pensar que a variante atenuaria as respostas dos anticorpos que combatem o vírus e, "portanto, nós a classificamos como uma variante preocupante em nível global". 

Na plataforma Worldometers, que disponibiliza dados globais sobre a pandemia, a Índia tem o segundo maior número de casos da Covid-19 (23,3 milhões), atrás dos Estados Unidos (33,5 milhões).

Na quantidade de mortes, os indianos ficam em terceiro lugar (254 mil), atrás do Brasil (425 mil) e dos EUA (596 mil). 

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O espírito de ralé irá moldar nosso futuro? - Paulo Moreira Leite

Por Paulo Moreira Leite

Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Não há dúvida que a ralé terá uma função importante -- quem sabe decisiva -- na encruzilhada de 2022.

Embora a visão comum entenda o termo "ralé" como sinônimo de miséria e desamparo num padrão próximo do absoluto, capaz de lhe dar até um tom pejorativo, os trabalhos de Hanna Arendt (1906-1975) renovaram nossa visão a respeito. 

Pioneira nos estudos sobre o nascimento de regimes totalitários nas primeiras décadas do século XX, Arendt mostrou que a ralé não é uma condição econômica, apenas. 

Acima de tudo, envolve uma visão de mundo e um projeto de sociedade. Seu alimento ideológico é o ressentimento. Sua resposta aos dramas da vida cotidiana tem uma contrapartida coerente -- o ódio -- combustível necessário para o aplauso a atos de selvageria que podem variar na forma e estilo. 

Podem implicar na tortura permanente de prisioneiros,  na execução pública de populações indefesas, na perseguição a minorias. Todas variações possuem  um traço comum, que é sua verdadeira razão de existir -- rebaixar o grau de humanidade da espécie. 

Ainda que a ralé tenha uma base popular óbvia, reproduzindo-se ao sabor das permanentes contradições materiais e morais que fazem o cotidiano de povos e países, sua importância adquire outra dimensão quando uma parcela da elite de determinado país passa a pensar e agir com modos e atitudes semelhantes. Isso permite transformar o ressentimento em instrumento de poder e o ódio, em estratégia política, cujo objetivo é a conquista do Estado.  

No resultado final, os sistemas políticos se transformam em ditaduras, com a peculiaridade de não ter vergonha de assumir a própria condição. Até são capazes de vangloriar-se e bater no peito, num esforço para pisotear e humilhar as lembranças democráticas de um povo. 

Dois anos e quatro meses depois de sua chegada ao Planalto, é difícil negar o avanço do governo Jair Bolsonaro nessa direção. Todos sabemos o que tem feito. 

Não custa lembrar, contudo, que enfrenta percalços típicos de uma nação que resiste, tentando atrasar e quem sabe impedir que catástrofe se transforme em destino.  

Num povo silenciado pela pandemia, com um Congresso comprado por favores indecorosos e orçamentos secretos, o Supremo cumpriu tarefas indispensáveis. 

Ao eliminar entraves à participação de Lula, garantiu o caráter democrático à eleição presidencial de 2022.  

Permitiu a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito capaz de apurar o papel do governo Bolsonaro numa catástrofe que se aproxima dos 500 000 mortos. 

Se ainda fosse pouco, o mesmo STF assumiu  outras responsabilidades. Definiu regras e limites para a proteção da população pobre e massacrada dos morros do Rio de Janeiro -- alvo de intervenções cruéis que apenas confirmam, com Elza Soares e Renegado, que a carne mais barata do mercado é a carne negra. Foi assim que se produziu a chacina do Jacarezinho. 

Por razões que tem ficado cada vez mais claras, é fácil compreender a origem da ira contra os "ativistas jurídicos". Suas togas representam, hoje, uma barreira contra um futuro mau.  

Alguma dúvida?

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CFM violou ética médica ao endossar cloroquina e colocar vida dos brasileiros em risco, diz cardiologista - Joaquim de Carvalho

Por Joaquim de Carvalho

Bolsonaro, o presidente do CFM e Bruno Caramelli (fotos: Marcos Corrêa/PR e arquivo pessoal)

No futuro, quando estiver pacificado o entendimento de que a cloroquina foi a droga que ajudou a matar mais brasileiros durante a pandemia do coronavírus, o nome de um médico terá que ser lembrado pela coragem de denunciar a farsa e, mais do que isso, enfrentar sozinho o Conselho Federal de Medicina (CFM), instituição a que está vinculado.

Bruno Caramelli, professor de cardiologia da USP e médico do Instituto do Coração em São Paulo, protocolou há cerca de dois meses representação no Ministério Público Federal contra os médicos que dirigem a sua entidade de classe.

Caramelli pediu que os procuradores instaurem inquérito civil, "a fim de apurar a responsabilidade civil, administrativa e/ou penal da Diretoria do Conselho Federal de Medicina”.

Ao mesmo tempo, ele iniciou um abaixo-assinado para pressionar o Ministério Público Federal a não deixar a representação na gaveta.

Em pouco mais de dois meses, conseguiu cerca de 54 mil apoios. Está próximo da meta, que é de 75 mil assinaturas.

Caramelli não se conforma com o aval que o CFM deu ao chamado “tratamento precoce”, que tem em Jair Bolsonaro o grande defensor.

Na representação, de 24 páginas, descreve como o Conselho se aliou a Bolsonaro, na estratégia deste de dar prioridade ao uso de remédios sem eficácia comprovada no combate à covid-19.

No dia 21 de março do ano passado, Bolsonaro mencionou pela primeira vez a cloroquina, ao dizer que o laboratório do Exército aumentaria a produção do medicamento.

Vinte e cinco dias depois, em 16 de abril, o CFM elaborou parecer, de autoria do seu presidente, Mauro Ribeiro, que autoriza os médicos a usarem a cloroquina (ou hidroxicloroquina, composto derivado daquela) em pacientes com sintomas leves.

Uma semana depois, o presidente do CFM foi recebido por Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, na companhia do então ministro da Saúde, Nélson Teich, para entregar o parecer em mãos.

(Brasília - DF, 23/04/2020) Audiência com Mauro Luiz Britto Ribeiro, Presidente do Conselho Federal de Medicina. Foto: Marcos Corrêa/PR(Photo: Marcos Corrêa)Creative Commons

Até então, o uso em casos graves já ocorria nos hospitais, enquadrado na modalidade “compassiva”, ou seja, como um dos últimos recursos em pacientes à beira do óbito.

Bolsonaro, por sua vez, ao defender a cloroquina para casos leves, ecoava Donald Trump, que, dois dias antes, havia anunciado que a cloroquina seria usada em fase experimental nos EUA.

O anúncio de Trump foi feito ao lado de Stephen Hahn, da FDA, a Anvisa norte-americana. A fala fez disparar a busca pelo termo “cloroquina" no Google.

No Brasil, quando Bolsonaro mencionou o remédio, ocorreu o mesmo fenômeno: busca recorde pelo termo cloroquina e corrida às farmácias, onde o estoque de medicamento praticamente zerou.

Caramelli lembra que a “fama” da cloroquina tinha surgido na França, a partir de um estudo coordenado pelo médico Didier Raoult.

Algumas semanas, no entanto, bastaram para demonstrar que a pesquisa era inconsistente, pois levava em consideração a evolução da doença em pacientes que tomaram o medicamento, mas não havia comparação com um grupo de doentes que não haviam tomado cloroquina.

Em junho do ano passado, diante das evidências de que o remédio era ineficaz, atestadas por outros estudos, o FDA proibiu o uso da cloroquina para tratamento de covid-19 nos EUA.

E ainda alertou que a cloroquina pode ter efeitos colaterais capazes de levar a óbito, como o médico Caramelli comprovou em sua atividade profissional no Incor, que faz parte do Hospital das Clínicas (HC).

"Ao longo de 37 anos de medicina, eu tinha tratado de três pacientes com arritmia com cloroquina. Em quatro meses no HC, no início da pandemia, eu vi o mesmo tanto. E um paciente morreu e era arritmia grave. No Hospital das Clínicas, ninguém dá cloroquina. Os pacientes vinham de outros hospitais, inclusive de campanha, tomando cloroquina e a gente suspendia”, relata.

Se o FDA brecou a experiência assim que surgiram as evidências de que o remédio poderia matar, no Brasil o CFM ficou em silêncio. “Um ano depois editada a norma, o Conselho não reviu o parecer. É inadmissível. E digo isso como médico e como cidadão”, afirma Caramelli.

A omissão do CFM tem um efeito prático benéfico para que os que se aliaram a Bolsonaro: médicos que prescrevem a cloroquina não poderão sofrer sanções da entidade de classe caso algum de seus pacientes morra ou tenha sequelas graves.

Como existe esse parecer, a prescrição do medicamento formalmente não será considerada erro médico. Para Caramelli, é um absurdo sem tamanho e esta é a razão de ter se insurgido.

“Está no código de ética: eu usar um medicamento que não tenha eficácia comprovada, para o qual não existe o equilíbrio entre segurança e eficácia, é um erro. Dizer que tomar o remédio não significa risco, pois há muita gente tomando e o máximo que pode acontecer é não acontecer nada, não está correto. Existe efeito colateral”, diz.

Caramelli foi um dos primeiros brasileiros diagnosticados com covid-19. Ele teve a doença em 16 de março do ano passado e os sintomas não foram leves. Teve pneumonia bilateral, febre alta, dor de cabeça muito forte e não comia (emagreceu 3 quilos e meio).

"O mais difícil foi, entretanto, conviver com o medo de não sobreviver, que me retornava cada vez que via na TV o número de mortos ou quando eu soube que meu filho disse que achava que eu ia morrer”, conta no texto em que pede apoio ao abaixo-assinado.

“Me curei sem tomar cloroquina e ivermectina”, disse. Então o que o curou? "Eu costumo dizer que foi o capeletti in brodo preparado pela minha mulher”, afirmou. Era a única refeição que conseguia fazer.

Caramelli faz o relato para desmontar a farsa de que os medicamentos prescritos por Bolsonaro têm alguma eficácia. 

"A atual situação que estamos vivendo – com um drástico aumento de óbitos e contaminações – somente atesta que a propagação e a propaganda de uma inexistente cura para a COVID-19 levaram ao abrandamento das medidas efetivas de combate, as quais já demonstraram impacto positivo frente à doença”, destaca na representação entregue ao MPF.

Para ele, ao endossar a cloroquina, o CFM viola o código de ética, o que é um contrassenso: é o Conselho que tem o dever legal de impedir que os médicos cometam abusos.

"A ausência de posicionamento firme do Conselho Federal de Medicina, ao se quedar silente e não repudiar a recomendação do tratamento precoce sem evidências científicas, com a utilização medicamentosa da hidroxicloroquina para a COVID-19, configura patente afronta ao código de ética médica. Que o Conselho Federal de Medicina tem o dever legal de preservar”, afirmou na representação ao MPF.

Dois meses depois de denunciar o CFM por violação ética, Caramelli já não está mais sozinho. Depois que a representação já tramitava, outros 29 médicos assinaram a petição.

Esse número representa 0,0058% dos médicos no Brasil. É muito pouco, mas é melhor do que andar sozinho ou como Dom Quixote, que só tinha Sancho Pança como parceiro.

O apoio a Bruno Caramelli precisa vir de fora da corporação médica. O CFM, que tem poder para cassar registros ou impor outras sanções a seus inscritos, demostrou na prática cumplicidade com Bolsonaro. 

Que médico terá coragem de se levantar contra? Bruno e outros 29 se levantaram e parecem ter a firme convicção de que, cedo ou tarde, a verdade prevalecerá.

"Pode ser exagerada, mas nunca se quebra e sempre vem à tona”, já dizia Dom Quixote a Sancho Pança a respeito da verdade.

.x.x.x.x.

PS: O Conselho Federal de Medicina foi procurado, mas não quis se manifestar. O Ministério Público Federal, chefiado por Augusto Aras, ainda não abriu inquérito civil, mas solicitou informações à entidade de classe dos médicos.

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