CoronaVac previne 98% das mortes por covid, diz estudo feito na Indonésia

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CoronaVac previne 98% das mortes por covid, diz estudo feito na Indonésia

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CoronaVac previne 98% das mortes por covid, diz estudo feito na Indonésia

Funcionários pegam ampolas da CoronaVac no centro de produção do Instituto Butantan, em São Paulo - Amanda Perobelli/Reuters
Funcionários pegam ampolas da CoronaVac no centro de produção do Instituto Butantan, em São Paulo Imagem: Amanda Perobelli/Reuters

13/05/2021 15h18

Atualizada em 13/05/2021 20h31

Jacarta - Um estudo realizado na Indonésia, apresentado na quarta-feira, 12, mostrou eficácia inédita de 98% na prevenção de mortes após imunização com a CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. A pesquisa também mostrou que a vacina teve efetividade de 96% na prevenção de hospitalizações e 94% contra infecções sintomáticas da doença. No Brasil, o imunizante é produzido pelo Instituto Butantan.

Essa é a taxa mais alta já identificada em estudos com a CoronaVac. As descobertas do estudo, patrocinado pelo Ministério da Saúde da Indonésia, foram baseadas em dados de pelo menos 120 mil trabalhadores da saúde acompanhados na capital Jacarta. Eles receberam a vacina entre janeiro e março deste ano com intervalo de 21 a 28 dias entre a primeira e a segunda dose.

Uma versão anterior e menor do estudo, envolvendo cerca de 25.000 pessoas, já tinha revelado os mesmos dados de efetividade para hospitalização e infecção. A proteção contra a morte foi de 100% no grupo menor, segundo informou o ministro da saúde da Indonésia, Budi Gunadi Sadikin, em uma entrevista na terça-feira, 11.

Informações da Associação Médica Indonésia mostraram, em paralelo, que o número de baixas entre médicos por covid-19 caiu significativamente desde que a vacinação na Indonésia começou este ano. Em janeiro, 64 médicos morreram por complicações da doença, a maior taxa desde o início da pandemia. O número, no entanto, caiu pela metade em fevereiro e para oito em abril.

Nos testes clínicos de fase 3 da vacina na Indonésia, a eficácia primária - proteção da vacina contra a doença em qualquer intensidade - foi de 65,3%, enquanto os estudos na Turquia indicavam 91,25%. No Brasil, os primeiros resultados, divulgados em janeiro, apontavam 50,38% de imunização inicial e 78% em casos moderados da covid-19. Em abril, um artigo preliminar, liderado pelo Butantan e submetido à revista científica The Lancet, já demonstrava elevação da eficácia do imunizante.

A CoronaVac utiliza o vírus inativo SARS-CoV-2 e deve ser administrada em duas doses, podendo ser mantida em geladeiras normais a temperaturas entre 2 e 8 graus. No Brasil, o esquema de imunização é feito com intervalo entre 14 e 28 dias de diferença entre a primeira dose e a dose de reforço. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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Que correção do FGTS é essa? Saiba por que esse assunto interessa a tanta gente - 6 Minutos

, 6 Minutos - São Paulo
12/05/2021 - 19:50
  • 4 min

Que correção do FGTS é essa que entrou no topo dos assuntos mais pesquisados nos últimos dias no Google? Trata-se de uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada em 2014 no STF (Supremo Tribunal Federal) pelo Solidariedade. A ação questiona a aplicação da TR (taxa referencial) como índice de correção do saldo das contas do FGTS depositadas na Caixa Econômica Federal.

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Por que o assunto voltou à tona agora? Apesar de ser uma ação de 2014, ela estava parada desde então. O tema voltou a ser discutido porque o STF havia agendado para esta quinta-feira (dia 13)  o julgamento da ação.

Isso significa que a ação vai começar a andar? Não. Na semana passada, o STF tirou a ação da agenda de julgamento e não há novo prazo para o assunto voltar a ser analisado. Ou seja, ninguém sabe quando isso irá acontecer.

O que a ação pede? O FGTS é corrigido pela TR mais 3% ao ano. Como a TR está zerada, a correção do FGTS está perdendo até da inflação. A ação pede a substituição da TR por outro indicador para garantir o poder de compra do dinheiro parado no FGTS.

“Desde 1999, a TR não acompanha a atualização de outros índices inflacionários. Para se ter uma ideia, ela está zerada desde 2017. A correção é para acompanhar a inflação”, afirma Abner Vidal, especialista em direito trabalhista.

Quem tem direito? Em tese, todo mundo que tinha conta do FGTS em 1999, mas isso pode mudar dependendo do que for decidido pelo STF, quando isso acontecer. Estima-se que 60 milhões de pessoas podem ter direito a essa correção.

A correção vai representar um rombo para os cofres públicos? Um rombo gigante: o impacto pode chegar a R$ 295,6 bilhões, segundo cálculos da AGU (Advocacia Geral da União).

“Desde 1999, a TR não acompanha a atualização de outros índices inflacionários. Para se ter uma ideia, ela está zerada desde 2017”, afirma Abner Vidal, especialista em direito trabalhista.

Como a Justiça tem julgado esse tema? Vidal diz que o próprio STF, em julgamentos anteriores, já entendeu que a TR não era o indicador de correção adequado para atualizar precatórios, contratos financeiros e dívidas trabalhistas.

“O STF já se debruçou sobre esse tema e disse que a TR era inconstitucional como indexador das dívidas trabalhistas. Isso nos faz crer que se o julgamento da correção entender que a TR é inconstitucional, vai gerar um grande prejuízo para a Caixa e quem vai arcar somos todos nós, afinal a Caixa é um banco público”, afirma Vidal.

No entanto, o advogado diz que a decisão de um novo julgamento é imprevisível, pois a composição da corte mudou nos últimos tempos. Em caso de reconhecimento da inconstitucionalidade, ele acredita que a tendência é de o STF ‘modular’ o alcance da decisão: seja por tempo de prescrição ou corrigir somente novos depósitos.

“O STF tem tomado decisões cautelosas, modulando os efeitos das suas decisões. No meu entender, vai modular o efeito dessa decisão aplicando a correção para frente (sem correção retroativa) ou usando o tempo de prescrição de 5 anos, que chegaria a 2016”, diz Vidal.

Dá para entrar com ação ainda? Que dá, dá. Mas significa que isso seja recomendável agora. Uma ação individual gera custo e a retirada de pauta do tema gera incertezas sobre quando haverá decisão sobre isso.

“A simples notícia de que o STF iria julgar a correção do FGTS gerou uma corrida. Mas hoje todas as ações relativas a esse tema estão paradas. É muito difícil recomendar entrar com uma ação agora ou não”, diz Cristiane Grano Haik, professora mestre em direito previdenciário e do trabalho.

O que diz o governo? Em nota, o Ministério da Economia afirma que a “correção aplicada aos saldos das contas vinculadas do FGTS sempre observou o estrito respeito à legislação, não havendo qualquer espaço para se praticar entendimento diverso”.

“Portanto, não é adequado afirmar que o cumprimento da lei imputa perda ao trabalhador, uma vez que as políticas públicas apoiadas pelo FGTS são 9usufruídas, em sua maioria, pelos próprios participantes.”

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Projeto para proibir propaganda com LGBTs em SP chega a outros estados

Ceará, Espírito Santo e Pernambuco replicaram o projeto de lei paulista; se aprovados, campanhas como a da Quem Disse, Berenice?, com mulheres se beijando, serão proibidas - Divulgação
Ceará, Espírito Santo e Pernambuco replicaram o projeto de lei paulista; se aprovados, campanhas como a da Quem Disse, Berenice?, com mulheres se beijando, serão proibidas Imagem: Divulgação

Mariana Gonzalez

De Universa

13/05/2021 04h00

O projeto de lei que pretende proibir a representação de pessoas LGBTQIA+ (Lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queers, intersexuais, assexuais e demais existências de gêneros e sexualidades) e famílias homoafetivas na publicidade no estado de São Paulo teve forte rejeição na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), mas está ganhando "clones" em outros estados do país. Propostas semelhantes surgiram recentemente no Ceará, no Espírito Santo e em Pernambuco.

Para a deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL-SP), que lidera a oposição a esse projeto de lei em São Paulo, o fato de a proposta estar se espalhando em outros estados mostra uma "perseguição" em relação às pessoas LGBTQIA+. "As pessoas que elaboram este e outros projetos semelhantes olham para pessoas LGBTQIA+ e associam elas a coisas ruins e negativas", diz ela a Universa.

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Resistência e identidade: por que elas preferem ser chamadas de travestis

A deputada diz que seu gabinete está entrando em contato com parlamentares dos estados onde o PL foi replicado.

Essas propostas utilizam expressões como 'ideologia de gênero', um conceito pejorativo usado pelo campo ultraconservador contra os avanços nos direitos sexuais e reprodutivos e na igualdade de gênero. Os autores costumam se referir à 'ideologia de gênero' como ameaça à sociedade e usam o conceito de 'família' para impor uma agenda política

Assim como aconteceu em São Paulo, os textos dos projetos protocolados no Ceará, no Espírito Santo e em Pernambuco usam erroneamente os termos "ideologia de gênero" e "preferência sexual"— o correto é "orientação sexual", como está na Constituição.

Projeto diz que publicidade com LGBTQIA+ é 'danosa' às crianças

No texto protocolado no ano passado na Alesp, a autora do PL 504/2020, Marta Costa (PSD), afirma que publicidades com pessoas LGBTQIA+ representadas trariam "desconforto emocional a inúmeras famílias" e que mostrariam "práticas danosas" às crianças. Para ela, a proibição vai "evitar a inadequada influência na formação de jovens e crianças".

A deputada estadual Marta Costa (PSD-SP) é autora do projeto de lei para o fim da publicidade com pessoas LGBTQIA+ em SP - Alesp - Alesp
A deputada estadual Marta Costa (PSD-SP) é autora do projeto de lei para o fim da publicidade com pessoas LGBTQIA+ em SP Imagem: Alesp

"É indiscutível a necessidade de proteção da infância e da adolescência, mas isso não pode ocorrer às custas da desumanização de qualquer pessoa por ela ser quem é. Precisamos de projetos sérios e não projetos sem fundamento, cujo único objetivo é retroceder na luta por direitos das pessoas LGBTQIA+", diz Malunguinho.

erica malunguinho - Reprodução - Reprodução
Erica Malunguinho (PSOL-SP) lidera oposição ao PL na Alesp Imagem: Reprodução

Segundo a parlamentar, se esse projeto de lei for aprovado, as consequências serão muito danosas. "Não só para nós, que temos nossa ética e moral questionadas, mas também para as crianças, que ao conceberem suas identidades de gênero ou orientação sexual não terão a possibilidade de ver com naturalidade aquilo que elas são."

Após críticas, PL ganhou nova versão

Em abril, o PL 504/2020 foi alvo de críticas de pessoas LGBTQIA+ e de empresas que defendem a diversidade. Especialistas ouvidos por Universa também se mostraram contrários à aprovação do texto, que disseram ser inconstitucional e antidemocrático.

Pedro Hartung, coordenador do Programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, ONG de defesa dos direitos da criança, por exemplo, afirmou que a justificativa da deputada Marta Costa para propor o projeto é "infundada", tanto na perspectiva dos direitos da criança, quanto na perspectiva democrática.

"Esse projeto precisa ser rechaçado para, de uma vez por todas, entendermos que não dá para usar direitos de crianças e adolescentes como instrumento de legitimação de discursos ou atividades antidemocráticas ou autoritárias", disse.

A votação foi adiada mais de uma vez, até que em 28 de abril a deputada Erica Malunguinho conseguiu aprovar uma emenda para alterar a estrutura do projeto: em vez de vetar propagandas com "alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionadas a crianças", comi propunha inicialmente, passaria a proibir "publicidade que contenha alusão a drogas, sexo e violências explícitas relacionada a crianças", conforme determina a portaria do Ministério da Justiça que trata da classificação etária indicativa.

Agora, a versão alterada do Projeto de Lei volta para ser discutida nas comissões da Casa.

"A expectativa é que o objetivo principal — a proteção de crianças e adolescentes — seja o centro do debate", afirma Malunguinho. "Acredito que toda a mobilização em torno da denúncia deste PL LGBTfóbico abriu espaço para que outros projetos de lei e iniciativas no legislativo sejam vistos e debatidos de outra forma, desta vez com um alerta de que a LGBTfobia não tem mais hora e nem vez."

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Diretor da Pfizer escancara atraso letal do Governo Bolsonaro na compra de vacinas

Carlos Murillo, presidente da Pfizer na América Latina, durante a CPI da Pandemia.
Carlos Murillo, presidente da Pfizer na América Latina, durante a CPI da Pandemia.JEFFERSON RUDY / JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO

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O depoimento do presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia expôs ainda mais a inação do Governo Jair Bolsonaro no enfrentamento da crise do coronavírus. O discurso do executivo nesta quinta-feira de que o presidente e seu Ministério da Saúde ignoraram ao menos cinco ofertas de vacina ―que significariam milhões de doses― sacramentou a pior semana para o Planalto na CPI da Pandemia. No dia anterior, o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten já havia comprovado que o próprio presidente tinha sido alertado formalmente sobre a falta de ação da União para a compra dos imunizantes da gigante farmacêutica norte-americana. As declarações são contundentes argumentos nas mãos dos acusadores da comissão no momento em que já morreram mais de 430.000 brasileiros por covid-19 e quando a campanha de vacinação segue lenta e errática, com o desabastecimento de insumos vindos da China para a fabricação dos fármacos no país.

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Ao longo desta quinta-feira ficou claro que o Brasil deixou de receber 1,5 milhão de doses de vacinas contra covid-19 da Pfizer em dezembro do ano passado. A farmacêutica americana apresentou cinco propostas ao Governo Federal entre agosto e novembro. As três primeiras previam a entrega desta quantidade de vacinas ainda em 2020. As duas últimas, só no primeiro trimestre deste ano. Nenhuma delas foi respondida pelo Ministério da Saúde, então comandado pelo general Eduardo Pazuello.

“Nossa oferta de 26 de agosto tinha uma validade de 15 dias. Passados esses 15 dias, o Governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou a oferta”, afirmou Murillo. A objeção principal era sobre as cláusulas do contrato, que foram consideradas abusivas pelo Brasil, mas foram assinadas sem empecilhos por outros 66 países.

O Governo só assinou um contrato com a farmacêutica em 19 de março de 2021, ou seja, 234 dias após a primeira oferta da Pfizer. Se fosse assinado em agosto passado, quando ocorreram as primeiras propostas, o país receberia 18,5 milhões de doses até junho deste ano. O atual contrato prevê a entrega de 13,5 milhões de imunizantes no primeiro semestre e outros 86,5 milhões até o fim do ano. Nesta semana, há a expectativa de um novo contrato para mais 100 milhões de vacinas deste laboratório.

Com o desenho do cronograma da negociação com a farmacêutica, as duas últimas sessões da semana deram mais munição à oposição liderada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que tenta colocar de pé duas teses: a de que o Governo preferiu deliberadamente investir na imunidade de rebanho ao invés de comprar vacinas e a de que havia um assessoramento paralelo de Bolsonaro no enfrentamento da doença. Este segundo tópico ficou claro também durante o depoimento de Murillo. Ele revelou que em 7 de dezembro do ano passado duas diretoras da Pfizer estiveram reunidas com Wajngarten no Palácio do Planalto e o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente sem qualquer ocupação na estrutura federal, participou do encontro, ainda que brevemente. Na ocasião eram debatidos os aspectos legais para a aquisição dos imunizantes pelo Governo brasileiro.

“Quantas vidas de brasileiros não poderiam ser salvas se tivéssemos essas vacinas desde o ano passado? Acho que está patente a omissão que houve”, afirmou o oposicionista Randolfe Rodrigues (REDE-AP), delineando a estratégia da oposição. Já os bolsonaristas afirmavam que o Governo estava negociando os termos do contrato, que era considerado draconiano e aguardando a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “O que não podia haver era a vacinação de brasileiros em dezembro, porque não havia a aprovação da Anvisa”, ressaltou Marcos Rogério (DEM-RO). Ele tentou criar a narrativa de que quase nenhum país tinha condições de vacinar sua população tão rapidamente, já que a agência de regulação norte-americana só aprovou a vacina da Pfizer no começo de dezembro. Naquele mês, contudo, ao menos seis países que firmaram contratos prévios já tinham começado a vacinar com o imunizante da Pfizer: Chile, Costa Rica, México, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

Há vários pedidos de impeachment e de investigação criminal que tem como base a conduta do Governo Bolsonaro na crise sanitária. Nenhum prosperou, quer por veto político na Câmara dos Deputados ou por desinteresse do atual procurador-geral, Augusto Aras, tido como alinhado a Bolsonaro. Por isso, a oposição reforça a artilharia na CPI, enquanto os governistas reagem com tumulto e diversionismo. Em dado momento, os senadores Jorginho Mello (PL-SC) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), por exemplo, tentaram fazer com que o depoente Murillo explicasse a razão de a Pfizer atrasar a entrega de imunizantes na Itália. O foco de atuação do executivo é a América Latina. Em sua carreira na farmacêutica ele ocupou cargos de direção na Bolívia, no Chile e no Brasil, antes de assumir a atual função.

Temor de Pazuello

Na prática, até agora, a comissão já tem atingido um de seus objetivos, de escancarar em rede nacional, três vezes por semana, os equívocos cometidos pelo presidente e por sua equipe. As sessões ocorrem de terça a quinta. Desde o seu início, não houve um dia de fôlego para o Governo. O clima de que o Planalto está sem defesa na CPI ficou mais patente ainda com dois pedido de habeas corpus apresentados em nome do general da ativa do Exército e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Há dois pedidos do militar o Supremo Tribunal Federal: para que ele possa se manter em silêncio e um de veto à sua eventual prisão durante o seu depoimento, marcado para o próximo dia 19. O temor de detenção cresceu depois que o relator da CPI, Renan Calheiros, pediu a prisão de Wajngarten na sessão de quarta por falso testemunho. O presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), não acatou o pedido, mas encaminhou um ofício para que o Ministério Público analisasse se era o caso de investigar o ex-secretário.

No documento em que Pazuello pede a concessão da liminar, um advogado que não tem procuração para representá-lo afirma que a CPI transformou-se em um “tribunal de exceção”, que há o claro intuito de se prender o general e que ele não poderia ser “covardemente alvejado pelos anseios políticos de parlamentares que não possuem envergadura moral sequer de ocuparem o cargo que ocupam, e, ainda mais, exigir comportamento diverso daquele que verdadeiramente trabalhou e honrou as cores desta nação ao atuar com as armas que tinha contra um inimigo invisível e desconhecido”.

O outro pedido foi assinado pelo advogado-geral da União, André Mendonça. O AGU cita o risco de prisão e pede que a “[Pazuello seja] garantida a prerrogativa constitucional de não produzir prova contra si mesmo”. O órgão foi instado a defender o general porque ele irá depor sobre fatos relativos ao período em que era ministro de Estado.

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Mais um exemplo do tom de desespero ou ao menos desconforto do Governo. Na quarta, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), primogênito do presidente, esteve na CPI apenas para tumultuar e xingar o relator de vagabundo. Nesta quinta-feira, o presidente Bolsonaro foi inaugurar obras no Estado de Calheiros, Alagoas, e repetiu o xingamento. “Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no país”, disse.

Ainda na tentativa de desviar o foco do Governo, os senadores bolsonaristas querem convocar o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Gustavo Maiurino, e a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo para falar sobre as investigações contra Estados que receberam verbas federais na área de saúde. Ainda comemoram a aprovação da convocação da médica Nise Yamaguchi, defensora da ineficaz cloroquina para o tratamento de covid-19 e uma das consultoras informais do presidente.

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A linha do tempo das propostas da Pfizer

- 14 de agosto de 2020. A farmacêutica fez duas propostas.

1) 30 milhões de doses que seriam entregues assim: 500.000 doses até dezembro de 2020; 1,5 milhão para o 1º trimestre deste ano; 5 milhões no segundo 2º trimestre de 2021; 14 milhões no 3º trimestre e 9 milhões no 4º trimestre.

2) 70 milhões de doses que seriam entregues desta maneira: 1,5 milhão em dezembro do ano passado; 5 milhões para o segundo trimestre de 2021; 33 milhões para o terceiro trimestre de 2021; e 30 milhões para o quarto trimestre de 2021.

- 18 de agosto de 2020. A Pfizer fez mais duas propostas

1) 30 milhões de doses que seriam entregues assim: 1,5 milhão de doses para 2020; 1,5 milhão de doses para o primeiro trimestre de 2021; 5 milhões para o segundo trimestre de 2021; 14 milhões para o terceiro trimestre de 2021; e 8 milhões para o quarto trimestre de 2021.

2) 70 milhões de doses que seriam entregues desta maneira: 1,5 milhão em 2020; 1,5 milhão, primeiro trimestre de 2021; 5 milhões, segundo trimestre de 2021; 33 milhões, terceiro trimestre de 2021; 29 milhões, quarto trimestre de 2021.

- 26 de agosto de 2020. A companhia fez outras duas propostas

1) 30 milhões de doses que seriam entregues assim: 1,5 milhão para 2020; 2,5 milhões para o primeiro trimestre de 2021; 8 milhões para o segundo trimestre de 2021; 10 milhões para o terceiro trimestre de 2021

2) 70 milhões de doses que seriam entregues desta maneira: 1,5 milhão a serem entregues em 2020; 3 milhões para o primeiro trimestre de 2021, 14 milhões para o segundo trimestre, 26,5 milhões para o terceiro trimestre de 2021 e 25 milhões para o terceiro trimestre de 2021.

- 11 de novembro. A farmacêutica faz apenas uma proposta, de 70 milhões de doses, que era atualização da última proposta

1) A entrega das 70 milhões doses seria feita assim: 2 milhões para o primeiro trimestre de 2021, 6,5 milhões no segundo trimestre de 2021, 32 milhões no terceiro trimestre de 2021, 29,5 milhões no quarto trimestre de 2021.

-24 de novembro. A Pfizer repete a proposta feita no dia 11 anterior, com pequenas alterações condicionantes, mas não no volume de entrega.

- 15 de fevereiro de 2021. Pfizer apresenta nova proposta, com entrega de 13,5 milhões de doses para o primeiro semestre e 86,5 milhões para o segundo. O acordo é aceito pelo Governo e assinado em março.

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Governar através do sexo

Manifestantes protestam contra o tratamento da justiça para mulheres vítimas de estupro, em novembro, no Rio de Janeiro.
Manifestantes protestam contra o tratamento da justiça para mulheres vítimas de estupro, em novembro, no Rio de Janeiro.PILAR OLIVARES / REUTERS

No final do século XIX, o Ocidente desenvolveu uma forma de falar de sexo que até então nunca vira a luz. Nós conhecíamos discursos jurídicos sobre comportamentos sexuais, que tipificavam o permitido e o proibido. Conhecíamos discursos morais e teológicos, com suas distinções entre o moral e o imoral. Mas nunca havíamos visto discursos médicos e clínicos sobre o sexual. Ou seja, nunca a definição sobre o que é da ordem do sexual havia passado por distinções como “normal” e “patológico”. Não por acaso, foi exatamente nessa época que o Ocidente viu proliferar, pela primeira vez, tratados sobre perversões, classificações clínicas detalhadas e precisas a respeito de “desvios” em relação a uma sexualidade “normal”. O mundo então descobriu, entre nós, a existência de pessoas descritas como “sádicos”, “fetichistas”, “exibicionistas”, “masoquistas”, “zoofílicos”, “homossexuais”, entre tantos outros. O primeiro texto no qual um comportamento sexual era definido como um transtorno psíquico fora publicado em 1870 pelo médico alemão Carl Friedrich Otto Westphal. Nele, tratava-se de descrever o sentimento homoafetivo como “sentimento sexual contrário”. A partir de então, o Ocidente rapidamente criou uma forma totalmente nova de falar de sexo.

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Análise: Caçador de Carros - SUVs abaixo de R$ 80 mil: os melhores usados e quais são grandes roubadas

Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL
Felipe Carvalho

Colunista do UOL

13/05/2021 04h00

A ideia de reunir os modelos da categoria que mais cresce em todo o mundo me surpreendeu pela quantidade de opções disponíveis. Os SUVs dominam cada vez mais nossas ruas e aposentam outras categorias. Aqui no Brasil, as peruas ficaram para o passado, e tudo indica que os próximos eliminados serão os sedãs, para tristeza deste colunista.

Por causa dessa grande quantidade de modelos, resolvi fazer alguns filtros, como transmissão automática, idade de no máximo cinco anos e a faixa de preço que considero ser bem procurada no momento, entre R$ 70 mil e 80 mil. Ainda assim, sobraram 13 opções!
Só me resta então dar leves pinceladas sobre cada um deles, sendo bem direto se recomendo ou não a compra.

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Chevrolet Tracker

Chevrolet Tracker - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Claro que não se trata do atual Chevrolet Tracker, que é baseado no Onix, mas sim da geração anterior, importada do México. Nessa faixa de preço é possível levar para casa a versão LT 2018 ou LTZ 2017, ambas equipadas com o ótimo motor 1.4 turbo com transmissão automática de 6 marchas, mais potente que o da atual Tracker. Faltam a eles os importantes controles de estabilidade e tração, mas ainda assim recomendo a compra.

Um dos principais expoentes da categoria, o Ford EcoSport teve alguns momentos de baixa ao longo da vida, mas chegou ao fim dela com muita dignidade, principalmente quando equipado com o motor 2.0 de injeção direta e 176 cv. Nessa faixa de preço, é possível comprar a versão Titanium, equipada com esse motor e a transmissão automática de 6 marchas.

O pacote de equipamentos é bem generoso, um dos melhores da categoria. Mas não recomendo a compra, pois o modelo foi "abandonado" por seu fabricante no início do ano e tem tudo para ser cada vez mais desvalorizado no mercado.

Como todo bom Honda, o HR-V é reconhecido como um modelo robusto de baixa manutenção, mas que sempre custa mais caro que seus concorrentes. No mercado de usados isso fica ainda mais evidente, pois sua desvalorização é baixa e ele está em constante distanciamento dos outros.

A melhor versão do Honda HR-V para se ter com esse orçamento é a EXL, equipada com motor 1.8 e transmissão do tipo CVT, que beira os R$ 80 mil no modelo 2016. Ou seja, é praticamente o mais antigo e mais caro dessa lista. Ainda assim, a compra é mais do que recomendada por mim.

No caso da Hyundai, dois SUVs aparecem como opções entre R$ 70 e 80 mil e com até 5 anos de uso: Creta e ix35.

O primeiro é baseado no Elantra e traz em sua mecânica versões 1.6, as mais vendidas. Porém, a melhor mesmo é a versão 2.0, que só não é indicada para quem se preocupa com consumo de combustível. Ambos motores são acompanhados de transmissão automática de seis marchas e são recomendados por mim.

Diferentemente do que acontece com seu irmão maior, o ix35, que é um bom carro em termos mecânicos, mas que não recomendo por conta de sua simplicidade de equipamentos

O Renegade é um caso curioso, pois é dos carros que mais sofrem bullying nas redes sociais por aparentar ser um jipe inadequado para uso urbano. Entretanto, é um sucesso comercial, ou seja, as brincadeiras não o afetam. Na faixa de preço dessa lista, as versões diesel ficam de fora, mas não tão fora.

Com uns R$ 5 mil a mais já é possível cogitar a compra de um Jeep Renegade diesel 2016. Sendo fiel à lista, restam as versões flex. Recomendo que seja a partir de 2017, quando o motor 1.8 ganhou algumas melhorias, ficou mais potente e econômico.

Junto com a transmissão automática de seis marchas, esse Jeep está longe de ser ágil, mas é uma compra racional por conta de sua boa liquidez no mercado. Sendo assim, a compra é recomendada por mim.

Kia Sportage

Kia Sportage - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O Sportage anda meio esquecido nos últimos anos, mas é o modelo mais antigo dessa lista, presente no nosso mercado desde meados dos anos 90. O carro é bom mecanicamente, mas sofre do mesmo problema do ix35, que é a simplicidade de equipamentos na versão LX.

Além disso, a marca tem pouca participação e tende a desvalorizar mais que as concorrentes. Diante de tantas boas opções de SUVs, o Sportage é pouco atraente e portanto, não indicado por mim.

Mitsubishi

Mitsubishi ASX Flex - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Dois modelos da Mitsubishi aparecem nessa faixa de preço: ASX e Outlander. O primeiro é um dos mais pedidos pelos meus clientes, por entregar uma excelente relação custo/benefício, principalmente na versão AWD, que tem o diferencial da tração nas quatro rodas e lista farta de equipamentos de conforto e segurança.

Sendo assim, o ASX, que é equipado com motor 2.0 e transmissão do tipo CVT, é recomendado por mim. Já o Outlander, que nessa faixa de preço compartilha o mesmo motor, tem desempenho sofrível, já que é bem mais pesado.

Outlander bom, na minha opinião, só quando equipado com motor 2.2 diesel ou o 3.0 V6 gasolina, mas são versões que ficam fora dos filtros dessa lista. Quando equipado com o motor 2.0, eu não recomendo.

Conheço bem o conjunto mecânico do Nissan Kicks e aprecio bastante o motor 1.6 com a transmissão do tipo CVT, mas isso no pequenino March, que infelizmente saiu de linha.

No caso do Kicks, que é um pouco mais pesado, o motor não brilha tanto. Para piorar, a resposta do acelerador é lenta e a suspensão é mal calibrada para andar em ruas esburacadas.

Por mais que eu goste bastante dos carros da Nissan, dificilmente teria um Kicks na garagem. Diante de tantos bons concorrentes, não recomendo a compra.

São poucos os pedidos que me fazem de Peugeot 2008, assim como é difícil encontrar um nas ruas. Gosto bastante do modelo quando equipado com motor turbo e transmissão automática, mas são bem mais caros nesse caso, restando apenas as versões com motor 1.6 aspirado.

O carro até que anda bem, mas não empolga em nenhum quesito. Até o consumo, que deveria ser baixo nesse pequeno motor, afasta possíveis compradores. Diante de tudo isso, não recomendo a compra.

São dois os SUVs da Renault disponíveis nessa lista: Duster e Captur. O primeiro é o mais conhecido e bem mais comum nas ruas. O Duster tem muitas qualidades, mas é dos carros mais chatos de se procurar no mercado de usados. Muitos, mas muitos mesmo, foram e são vendidos para empresas locadoras de carros.

Encontrar um Renault Duster em bom estado, que não tenha tido sua quilometragem adulterada, é das tarefas mais difíceis. Não recomendo a compra por causa da perda de tempo que se tem nessa procura.

Já o Renault Captur tenta ser um Duster mais refinado, mas não consegue. Pelo menos tem uma quantidade maior nas mãos de particulares, o que facilita a busca do SUV. Portanto, se for para escolher um desses dois, recomendo o Captur.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado, o Hyundai Creta não é baseado no HB20, e sim no Elantra. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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Crimes nazistas: a noite do massacre de Penzberg

Por Marcel Fürstenau | História | 28.04.2021
O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, fala em um evento de discussão no Palácio de Bellevue no dia 26 de abril de 2021, sobre a noite do massacre de Penzberg (Bavária), ocorrido em 28 de abril de 1945.Em homenagem ao 76º aniversário do episódio, presidente Steinmeier fala a estudantes sobre ato de vingança contra alemães antinazistas cometido poucos dias antes do fim da guerra.


Sem mais derramamento de sangue – era esse o objetivo de Hans Rummer. O prefeito da pequena cidade de Penzberg, ao sul de Munique, que havia sido deposto pelos nazistas em 1933, sabia que os soldados americanos estavam a apenas alguns quilômetros de distância. Sem cerimônias, ele removeu então o nazista que ocupava o cargo na prefeitura desde 1944, além de ter impedido a explosão da mina local e libertado trabalhadores forçados. Mas o social-democrata teve que pagar com a vida por sua coragem. Na noite de 28 a 29 de abril de 1945, ele foi assassinado por soldados leais a Adolf Hitler.

Leis e Justiça | 09.04.2021

Nazistas condenados nos EUA escampam da Justiça na Alemanha

Memorial de Neuengamme, em Hamburgo (Alemanha), visto através de uma cerca.

Além de Rummer, foram fuzilados ou enforcados outros 15 homens e mulheres, incluindo uma gestante. O crime, executado dez dias antes da rendição incondicional da Alemanha nazista e após seis anos de guerra mundial, foi o tópico de uma discussão iniciada nesta segunda-feira (26/04) pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, com estudantes de Penzberg. Diante da pandemia de coronavírus, contudo, o encontro aconteceu apenas no formato digital: de um lado, a partir do Palácio Bellevue, em Berlim, falavam Steinmeier, sua esposa Elke Büdenbender e a escritora Kirsten Boie; do outro, em Penzberg, participavam os jovens, conectados ao vivo e ao lado do prefeito Stefan Korpan.

03:05 min

NOTÍCIAS | 02.02.2021

Mistério do massacre de Babi Yar é desvendado 80 anos depois

O presidente alemão só foi saber da noite do assassinato em 2019, durante uma visita à cidade. Penzberg, disse ele no início da conversa, representa os crimes que os alemães cometeram nos últimos dias da guerra. "Até o último minuto, ocorreram assassinatos em toda a Alemanha." Em 1948, foi erguido um memorial em Penzberg em memória à tragédia ocorrida pouco antes do fim do regime nazista, e o museu da cidade também abriga uma exposição permanente sobre o episódio.

Noite Escura – o massacre de Penzberg na forma de livro para jovens

A primeira vez que Tabea confrontou este capítulo sombrio de sua cidade natal foi numa aula de história. Para isso, ela consultou os arquivos de Penzberg e se debruçou integralmente na noite do assassinato. Emelie, que não é natural de Penzberg, já havia aprendido algo sobre isso com sua colega de classe, Emma. Mas foi somente através do projeto na aula de história que o tema se tornou "presente" para ela. Antes, ela não poderia ter imaginado "que algo assim tivesse acontececido aqui". Com Emma, foi completamente diferente – sobretudo por causa de seu avô. "Ele tinha mais ou menos a minha idade e teve que lutar na guerra – enquanto eu posso crescer aqui em paz."

História | 08.04.2021

Marcha em formato virtual lembra história do Holocausto

Captura de tela de imagem promocional da Marcha dos Vivos [MOTL] 2021

Repetidamente, os jovens enfatizaram a importância de uma abordagem pessoal ou emocional da era nazista. Iris, por exemplo falou sobre suas impressões ao assistir ao filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg: "Achei muito louco ver algo assim". Ela disse ter tido uma experiência semelhante com livros como When Hitler Stole Pink Rabbit, de Judith Kerr. E agora chega um novo livro sobre os terríveis acontecimentos de Penzberg: Dunkelnacht ("Noite Escura", em tradução livre), escrito pela autora infantil e juvenil Kirsten Boie. Durante o encontro, alguns trechos foram lidos pela própria autora.

'O que foi que eles fizeram?'

A noite do assassinato de Penzberg é contada a partir da perspectiva dos jovens com base em fatos históricos. Uma mistura, portanto, de documentário e ficção. Veronika gostou do formato, pois ele permite que o leitor se identifique melhor com o acontecido, além de achar que assim pôde "capturar melhor a parte emocional da história". Ela também achou impressionante a visita ao memorial do campo de concentração de Dachau, a noroeste de Munique, "porque foi possível estar ao vivo no local onde tantas injustiças aconteceram". Tudo isso, avalia Veronika, torna a história mais emocionante.

Bundespräsident spricht über Penzberger MordnachtNo livro "Dunkelnacht", a autora Kirsten Boie descreve a noite do massacre a partir de uma perspectiva jovem

A autora Kirsten Boie ficou feliz com a recepção de seu livro pelos jovens. Na sua geração, ainda era difícil conversar com pais e professores sobre a era nazista. Por outro lado, tudo podia ser vivido de forma muito concreta. "Tratava-se das pessoas que viveram na época e a quem sempre perguntávamos: o que foi que eles fizeram?" Isso a acompanhou durante toda a juventude e, assim, o nazismo teve algo a ver com a sua própria vida.

Placa comemorativa no 76º aniversário do massacre

Para os jovens de hoje, tudo isso parece tão distante quanto "as guerras napoleônicas e eles encontram poucos paralelos", opina a escritora. Mas quando testemunhas contemporâneas falam com eles, "isso surte muito, mas muito efeito". Ou quando eles visitam locais onde algo aconteceu. "Então, de repente, tudo se torna real novamente". Bem no local onde o prefeito Rummer e sete outros homens foram fuzilados, já havia sido erguido um memorial em 1948. Agora, no aniversário de 76º aniversário da noite do assassinato, uma placa de bronze será inaugurada no centro da cidade, comemorando o destino das 16 pessoas que foram assassinadas.

Denkmal für die Opfer des 28. April 1945 von Nikolaus Röslmeir in PenzbergO memorial de Nikolaus Röslmeir fica no local onde oito pessoas foram fuziladas pouco antes do fim da guerra

Foi também em 1948 que os nazistas foram julgados, ainda sob a lei de ocupação dos Aliados. Dois foram condenados à morte, outros quatro receberam sentenças de prisão, algumas das quais vitalícias. No final das contas, porém, todos os réus escaparam com vida pois as sentenças foram severamente atenuadas em vários julgamentos subsequentes após a fundação da República Federal da Alemanha.

Elke Büdenbender: 'O que nós poderíamos fazer hoje?'

No final da conversa com o presidente alemão sobre a noite do assassinato de Penzberg, sua esposa Elke Büdenbender dirigiu uma pergunta aos jovens: "O que todos nós poderíamos fazer hoje para que algo assim não aconteça novamente?" Valentin dá a resposta – na forma de uma citação do livro Dunkelnacht de Kirsten Boie:

Oskar Schindler

"Contanto que nos lembremos desses feitos, desde que não esqueçamos todas as coisas inimagináveis ​​que são possíveis, podemos ver também o que acontece hoje com uma perspectiva diferente. E neste contexto, tomamos decisões de forma diferente, com mais cautela, talvez até de forma mais humana"

Um 'testemunho contemporâneo eterno'

O estudante Valentin, por sua vez, complementa a citação com suas próprias reflexões. Ele diz que vê o livro como uma espécie de "testemunho contemporâneo eterno" e acredita assim estar falando por todos. O que os nazistas e a população alemã cometeram há quase 80 anos "não deve se repetir jamais".

Réus nos julgamentos de crimes de guerra do Tribunal de Nurembergue, Alemanha (1945-1946). Os nazistas no banco dos réus

A acusação: crimes de guerra

Eles eram funcionários do partido, militares, servidores administrativos, diplomatas ou industriais. Todos serviram ao regime de Hitler. Em 20 de novembro de 1945, iniciou-se o julgamento de 21 réus perante o Tribunal dos Aliados, criado especialmente para tratar dos crimes do nazismo.

Os nazistas no banco dos réus

O cenário: Palácio da Justiça de Nurembergue

Segundo a União Soviética, os julgamentos deveriam ocorrer em Berlim. Contudo, ao contrário dos edifícios da capital do Reich, o Palácio da Justiça de Nurembergue só fora levemente destruído durante a guerra, oferecendo espaço amplo, além de dispor de uma prisão própria. O fato de a cidade na Baviera ter servido de palco para os comícios do partido nazista também tinha um peso simbólico.

Adolf Hitler e Franz von Papen no "Dia de Potsdam", em 21 de março de 1933.Os nazistas no banco dos réus

Franz von Papen: preparando o caminho para Hitler

O vice-chanceler do Reich tentou manter Hitler em xeque, um governo de coalizão com forças conservadoras nacionais, mas logo foi relegado a um posto de diplomata. Absolvido em Nurembergue, num processo posterior de desnazificação ele foi apontado como o principal réu. Condenado a oito anos em campo de trabalhos forçados, Von Papen acabou sendo libertado em 1949.

Nazista Hermann GöringOs nazistas no banco dos réus

Hermann Göring: o "marechal do Reich"

Göring era o nacional-socialista mais graduado no banco dos réus, tendo acumulado diversos cargos sob Hitler. Sua responsabilidade era proporcionalmente grande. Ainda assim, alegava nada saber sobre os campos de concentração. Göring foi considerado culpado de todas as acusações e, por fim, condenado à morte. Na véspera da execução, porém, pôs fim à vida com uma cápsula de cianeto.

Nazista Rudolf HessOs nazistas no banco dos réus

Rudolf Hess: o vice do Führer

Fiel seguidor de Hitler, Hess foi nomeado vice na liderança do partido. Em 1941, embarcou num voo para a Escócia, aparentemente por conta própria, e tentou em vão fechar um acordo de paz com o governo britânico. Em Nurembergue, foi condenado à prisão perpétua. Em 1987, aos 93 anos, Hess suicidou-se na prisão militar dos Aliados, em Spandau.

Hans Frank, governador-geral da Polônia ocupada durante o regime nazista.Os nazistas no banco dos réus

Hans Frank: o "açougueiro da Polônia"

Como governador-geral na Polônia ocupada, Frank investiu na exploração desenfreada do país. Ele foi responsável pelo assassinato de centenas de milhares de poloneses e judeus. Sobre estes últimos, disse em 1939: "Quanto mais [judeus] morrerem, melhor." Diante da condenação, Frank acabou se voltando para o catolicismo. Sobre a pena de morte, disse: "Eu a mereço e aguardo por ela."

Joachim von Ribbentrop, ministro das Relações Exteriores de Hitler, em sua cela em 1945.Os nazistas no banco dos réus

Joachim von Ribbentrop: ministro do Exterior

Ribbentrop deixou claro que o Ministério das Relações Exteriores não era "puro", mas sim profundamente envolvido nos crimes do regime nazista. As missões diplomáticas no exterior, por exemplo, trabalharam em estreita colaboração com a SS e outras organizações no genocídio de judeus. Ribbentrop não demonstrou nenhum remorso em Nurembergue, e foi o primeiro dos condenados à morte a ser executado.

Arquiteto Albert Speer e ditador nazista Adolf Hitler em 1936.Os nazistas no banco dos réus

Albert Speer: o arquiteto favorito de Hitler

Speer (2º à esq.) foi o principal arquiteto do nazismo. Hitler era grande fã de seus edifícios monumentais. O tribunal, por outro lado, estava mais interessado no papel de Speer como ministro de Armamentos e Munições. Ele se apresentou como idealista equivocado e conseguiu encobrir parte de suas ações, como a expansão dos campos de concentração. Escapou por pouco à pena de morte.

Gustav Krupp von Bohlen e Halbach com Adolf HitlerOs nazistas no banco dos réus

Gustav Krupp: o magnata dos armamentos

O diplomata Gustav Krupp von Bohlen und Halbach (dir.) se tornou grande industrial através do casamento com Bertha Krupp, herdeira da gigante siderúrgica alemã. Inicialmente se distanciou de Hitler, mas, com o crescente papel da empresa no setor de armamentos, logo cedeu. Devido à saúde precária de Gustav von Krupp, seu processo foi arquivado.

Benito Mussolini, Karl Dönitz e Adolf Hitler.Os nazistas no banco dos réus

Karl Dönitz: o último "presidente do Reich"

Como comandante da Marinha, Dönitz (c., entre Mussolini e Hitler) foi responsável por emitir slogans de perseverança suicida às tripulações dos submarinos. Pouco antes de cometer suicídio, Hitler o nomeou "presidente do Reich". Após dez anos de prisão, Dönitz permaneceu um ferrenho nacional-socialista até o fim da vida

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O brasileiro por trás de ação pioneira contra segregação racial nos EUA em 1833

https://www.bbc.com/portuguese/extra/vploatz80t/mundrucu_segregacao_racial
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WhatsApp: o que acontece se não tivermos aceitado as novas regras de uso até sábado?

Montagem de um usuário e um celular em frente a um logotipo do WhatsApp.
Montagem de um usuário e um celular em frente a um logotipo do WhatsApp.UNSPLASH

Aproxima-se a data crucial de 15 de maio para os mais de dois bilhões de usuários do WhatsApp. Nesse dia, sábado que vem, termina o prazo para que seus clientes aceitem os novos termos e condições de uso que a companhia propõe, os mesmos que já causaram uma onda de críticas contra a plataforma no começo deste ano. A polêmica tem a ver com a privacidade: acatar estes novos termos significa aceitar que o aplicativo compartilhe determinados dados com o Facebook, a empresa dona do serviço de mensagens instantâneas, e que este possa lucrar comercialmente com tais informações.

A companhia diz que as novas condições não terão efeitos práticos na privacidade dos moradores de países da União Europeia, porque o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) do bloco impede que o compartilhamento de dados com o Facebook. Mas, mesmo assim, quem não aceitar a nova atualização, mesmo residindo na UE, começará a ter a funcionalidade limitada a partir do dia 15. Por exemplo, não terá como acessar a sua lista de chats ao abrir o aplicativo. Mas por enquanto poderá continuar a ler e responder mensagens, além de atender a chamadas de voz e vídeo e, se tiver as notificações ativadas, poderá tocá-las para ler ou responder mensagens e para devolver chamadas perdidas, segundo a empresa.

Entretanto, após algumas semanas “de funcionalidade limitada”, a situação do usuário que não tiver aceitado se complicará. “Não poderá receber chamadas nem notificações entrantes, e o WhatsApp deixará de enviar mensagens e chamadas para o seu telefone”, informa a companhia. Chegado o momento, e após receber notificações cada vez mais insistentes para que tome uma decisão, os usuários terão que aceitar as novas condições ou não poderão mais usar o WhatsApp “absolutamente”. Além disso, se um usuário não usar a plataforma por mais de 120 dias a conta será eliminada, “a fim de manter a segurança, limitar a retenção de dados e proteger a privacidade dos usuários”.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), entre outras instituições brasileiras, como o Ministério Público Federal, recomendou ao Facebook adiar a adoção da nova política de privacidade, alegando que suas sugestões não foram acolhidas nos novos termos. As autoridades brasileiras são contra o compartilhamento dos dados com o Facebook e a imposição de limitações no uso da ferramenta para quem não aceitar os novos termos. O WhatsApp declarou em nota que a atualização vale para o mundo todo e que “a maioria das pessoas que já foi notificada aceitou a atualização e o WhatsApp continua crescendo”.

Anúncio do WhatsApp para que os usuários aceitem os termos e condições.
Anúncio do WhatsApp para que os usuários aceitem os termos e condições. WHATSAPP

Problemas na Alemanha

Fora da União Europeia, entre os dados que o WhatsApp compartilhará com as empresas do Facebook não se inclui o conteúdo das conversas dos usuários, já que estas estão criptografadas e nem sequer a companhia tem acesso a elas. Mas será compartilhada a informação associada à conta de cada usuário e o uso que ele faz do serviço. Por exemplo, o número de telefone, as transações realizadas, o celular que utiliza, o endereço IP. O WhatsApp informa ainda que é possível o compartilhamento de outros dados mencionados na seção “informação que recolhemos” da sua política de privacidade, mas não especifica quais. Estes dados vão do nome de perfil às conexões ou a localização.

Embora a nova política do WhatsApp não afete a privacidade de seus clientes europeus, o comissário de Hamburgo para a Proteção de Dados e a Liberdade de Informação na Alemanha, Johannes Caspar, mostrou-se convencido de que há problemas para que entre em vigor. Por isso, emitiu uma “proibição de emergência” de três meses em que a companhia não poderá “continuar com a coleta de dados” e exigiu aos órgãos reguladores da União Europeia que estendam esta medida aos demais Estados membros, segundo a AFP.

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“As críticas em nível mundial das novas condições de uso deveriam impulsionar mais uma vez uma revisão fundamental do mecanismo de consentimento”, escreve o funcionário do órgão regulador alemão. Destaca que não se trata apenas de proteger a privacidade dos usuários, mas também de evitar o uso de dados “para influenciar nas decisões dos eleitores a fim de manipular as eleições democráticas”, citando a proximidade das eleições parlamentares de 26 de setembro na Alemanha, onde o WhatsApp tem quase 60 milhões de usuários.

A entrada em vigor desta nova política representou um revés para a já abalada imagem da empresa. O aplicativo de mensagens, na verdade, pretendia alterar a sua política de privacidade em 8 de fevereiro, mas a polêmica em torno dessa medida o obrigou a adiar a entrada em vigor. “Houve muita desinformação que causa preocupação e queremos ajudar todos a entenderem nossos princípios e os fatos”, afirmou a empresa em nota. “Faremos muito mais para esclarecer informações errônea sobre como funciona a privacidade e a segurança no WhatsApp”, acrescenta o texto.

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