DIÁLOGOS DO SUL - CADERNOS DO TERCEIRO MUNDO
Leais a Trump, republicanos podem roubar eleições em 2024, alerta analista estadunidense
Em carta a Macron, militares franceses falam em "guerra civil" ao criticar "concessões" ao islamismo na França
Nazi-fascismo NÃO teria sido DERROTADO na 2ª_Guerra_Mundial SEM ação do EXÉRCITO SOVIÉTICO
GENOCÍDIO PALESTINO é realizado há DÉCADAS por Israel e Humanidade NADA FAZ para ajudar
A debacle de Bolsonaro e do seu bando
Em carta a Macron, militares franceses falam em "guerra civil" ao criticar "concessões" ao islamismo na França
Em uma carta aberta, oficiais franceses na ativa expressaram apoio aos apelos feitos no final de abril por generais aposentados e outros oficiais superiores advertindo sobre o perigo de “desintegração da França”.
No fim de abril, 20 generais franceses e uma centena de outros oficiais superiores publicaram uma carta advertindo que o país está sob ameaça.
A revista Valeurs Actuelles publicou a carta, assinada por mais de 40.000 pessoas, entre militares e civis.
“Nossos camaradas seniores são combatentes que merecem ser respeitados. São, por exemplo, militares idosos cuja honra vocês pisotearam nas últimas semanas. São os milhares de servidores da França, signatários de uma tribuna de bom senso, militares que deram seus melhores anos para defender nossa liberdade, obedecendo a suas ordens, para combater suas guerras ou implementar suas restrições orçamentárias […]. Essas pessoas que lutaram contra todos os inimigos da França, vocês os chamaram de facciosos quando sua única culpa é amar seu país e lamentar seu declínio visível”, lê-se na carta dirigida às autoridades francesas.
Os militares signatários, que iniciaram recentemente sua carreira militar, declararam que a sua missão era “ter a honra de dizer a verdade”, dizendo que para eles “é igualmente impossível permanecer em silêncio”.

“Quase todos nós já vimos a Operação Sentinela. Vimos com nossos próprios olhos os subúrbios abandonados, as acomodações com delinquência. Suportamos as tentativas de instrumentalização por parte de várias comunidades religiosas, para as quais a França não significa nada – nada além de um objeto de sarcasmo, desprezo e até mesmo ódio”, diz a carta aberta.
Reprodução:Winkiemedia
A revista Valeurs Actuelles publicou a carta, assinada por mais de 40.000 pessoas, entre militares e civis
“No Afeganistão, no Mali, na República Centro-Africana e em outros lugares, alguns de nós ficaram sob fogo inimigo. Alguns perderam camaradas. Eles ofereceram suas vidas para destruir o Islamismo, ao qual vocês estão fazendo concessões em nosso território.”
Os militares alertam que a situação no país pode se tornar crítica.
“Vocês podem argumentar que não é o papel do Exército dizer isto. Pelo contrário: por sermos apolíticos em nossa avaliação da situação, estamos fazendo uma constatação profissional. Porque temos visto este declínio em muitos países em crise. Ele precede o colapso. Ele anuncia caos e violência e, ao contrário do que vocês dizem aqui e ali, este caos e violência não virão de um ‘pronunciamento militar’, mas de uma insurreição civil”.
Os militares falam inclusive da possibilidade de uma guerra civil.
“Sim, se uma guerra civil eclodir, o Exército manterá a ordem em seu próprio território, porque lhe será pedido que o faça. Essa é a própria definição de guerra civil. Ninguém pode querer uma situação tão terrível […] sim, mais uma vez, a guerra civil está se formando na França e vocês sabem disso”, afirmam os militares.
“Tomem providências, senhoras e senhores. […]. Trata-se da sobrevivência do nosso país, do seu país”, conclui a carta aberta dos militares franceses.
Anteriormente, François Lecointre, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francesas, havia declarado ao jornal Le Parisien que os generais na reserva que assinaram a primeira carta aberta, poderiam ser afastados do Exército.

De acordo com eles, os apoiadores fanáticos da guerra racial odeiam a França, sua cultura e tradições, querem ver o país se destruindo. Além disso, os dogmáticos islâmicos conquistaram os subúrbios das cidades do país e estabelecem lá regras que contradizem a Constituição francesa.
A passividade do governo levará à explosão e à intervenção do Exército, que assumirá a missão de defesa dos valores da civilização e da segurança de seus compatriotas no território francês, destaca a carta.
As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul
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Leais a Trump, republicanos podem roubar eleições em 2024, alerta analista estadunidense
Em artigo publicado no The News York Times, Michelle Goldberg explica que o sistema eleitoral dos Estados Unidos está em perigo
O sistema eleitoral nos Estados Unidos está em perigo e os republicanos entregariam a presidência a um candidato sem respaldo popular, indicou hoje um artigo do diário The New York Times.
Uma opinião assinada por Michelle Goldberg, "Como os republicanos poderiam roubar as eleições de 2024”, diz que “se o atual Partido Republicano controlar ambas as câmaras do Congresso em 6 de janeiro de 2024, não há forma de um democrata legitimamente vencedor ser certificado como presidente eleito”.
Baseado em pesquisas de Erica Newland, conselheira de Protect Democracy, uma organização sem fins de lucro fundado em 2017 para lutar contra a ruptura democrática no país, o informe alerta sobre as ameaças atuais e futuras que enfrentarão os estadunidenses nas eleições.
Antes que se confirmasse oficialmente a vitória de Joe Biden em janeiro, ela investigou algumas das formas em que os aliados de Donald Trump no Congresso poderiam sabotar o processo, sublinha a analista.
Em suas avaliações, Goldberg cita como um exemplo do problema a destituição nesta semana de Liz Cheney da liderança republicana na Câmara de Representantes.
Asseverou que o Partido Republicano de hoje não tem uma filosofia política no sentido normal; está organizado em torno à lealdade a Trump e ao mito de que lhe roubaram as eleições.
White House
Partido Republicano está se organizando em torno à lealdade a Trump e ao mito de que lhe roubaram as eleições.
A defenestração de Cheney é um indício a mais de que o partido está se preparando para fazer nas próximas eleições o que não pode fazer nas últimas, adverte, referindo-se a turvos manejos que lhe poderiam outorgar-lhe a Câmara Baixa em 2022.
"Se Biden ou outro democrata se impuser em 2024, uma Câmara de Representantes dirigida por Kevin McCarthy, o covarde líder da minoria que ajudou a expulsar Cheney, parece provável que colabore com os planos da direita para mudar os resultados”, advertiu a analista do Times.
A tentativa de Trump de roubar as eleições de 2020 revelou quanto depende nossa democracia de que os funcionários de todos os níveis de governo ajam com honorabilidade, asseverou.
Denuncia que o chamado partido vermelho trabalha em todos os estados para aprovar leis “que permitiriam às legislaturas estaduais anular o voto popular e eleger seus próprios eleitores”.
Com a suficiente picardia de procedimento, os políticos republicanos que representam uma minoria do país poderiam entregar a presidência a um candidato que obtivesse uma minoria tanto dos votos populares como do Colégio Eleitoral em 2024.
“Cubo Mágico”: Especialista analisa série de mudanças repentinas na política exterior do Governo Biden
A política exterior dos EUA tornou-se uma espécie de “cubo mágico”. Num momento, o cubo está todo vermelho, com a equipe aparentemente pronta para desescalar tensões com Rússia ou China; e no momento seguinte, o cubo gira para outra conformação, com Washington esgrimindo sanções de gume muito afiado, estupidezes e shows de força militar. O que mais intriga é que o cubo um dia é tão agressivamente azul, e no dia seguinte já é, vermelho calmante.
É claro que os EUA visam a manter a primazia mediante sua própria e autodefinida ordem global; mas tem-se a impressão de que aquela “equipe” quer, ao mesmo tempo, fazer guerra de 5ª geração, e exigir – e esperar – cooperação dos próprios "adversários" em uns poucos pontos específicos de interesse dos EUA (como mudança climática, que é a pedra de toque a partir da qual os norte-americanos contam com um re-boot[1] [‘reiniciar’, como se recomenda para computadores travados (NTs)] a própria economia política).
Não surpreende que o resto do mundo coce a cabeça, sentindo que tais contradições não têm nenhum sentido, e boicotando simultaneamente qualquer sucesso que qualquer dos lados ainda espere obter.
Há quem especule que haja diferentes “equipes” manejando as cordas na Casa Branca, às vezes uma “equipe”, às vezes outra. Talvez haja aí alguma verdade. Mas talvez também, o erro esteja em nós tanto insistirmos, como obcecados, em ver a política exterior de hoje pelo prisma super convencional de um Estado que estaria perseguindo seus interesses nacionais em terra estrangeira.
É possível que estejamos testemunhando uma política exterior com raízes em algo diferente, de outra natureza, que não sejam interesses nacionais como se os entendem tradicionalmente.
Estamos talvez, lidando com uma "geopolítica da memória" que já não é limitada por qualquer estado específico, mas requer "legitimação moral" muito mais ampla, em termos geográficos. O ‘interesse nacional’, assim sendo, se centraria mais na gestão da revolução cultural, do que na lógica para relações bilaterais.
Uma das asas desse "pássaro" é evidente num monólogo potente (e controverso) trazido por Tucker Carlson, importante comentarista político [conservador] norte-americano, atualmente dedicado a explicar por que um dos partidos norte-americano está importando um novo eleitorado, para diluí-lo e, com ele, substituir o eleitorado existente – e já faz isso há décadas. Esse – garante Carlson – é o impulso dominante na política norte-americana. É "política de substituição" [ing. ‘replacement politics’, aspas no original].
Carlson oferece exemplos de estados dos EUA (como a Califórnia) que tiveram sua compleição política permanentemente alterada por efeito da mecânica da imigração. Insiste que há uma desvalorização do eleitorado existente: assim como o tal "dinheiro que cai de helicóptero", "dinheiro fiat" (no bolso de cada cidadão), que é desvalorizado pelas prensas de imprimir dinheiro que cospem mais e mais moedas, também os votos do eleitorado existente podem ser politicamente desvalorizados mediante imigração excessiva. Até que o antigo eleitorado é finalmente substituído por novos eleitores que defendem lealdade à parte que os importou.
Não se trata de compaixão pelos imigrantes, diz Carlson, trata-se de poder.
Casa Branca
A política exterior dos EUA tornou-se uma espécie de “cubo mágico”.
O objetivo, Carlson continua, é "refazer" o eleitorado que se oponha aos legítimos interesses da maioria tradicional branca. Biden sugeriu a permanência desse remake quando, tendo exaltado sua agenda muito radical (na primeira conferência com a imprensa), questionou se, bem feitas as contas, ainda haveria Partido Republicano.
Esse objetivo posterior, Carlson afirma, é o núcleo da política atual, e cita a coluna do NYTimes: “Podemos substituí-los”: “O potencial ali está; a Geórgia é menos de 53% branca não hispânica”.
É processo que já tem décadas, Carson insiste. E tem mesmo.
O presciente The Revolt of the Élites de Christopher Lasch já previra, em 1994, uma revolução social que seria conduzida pelos filhos radicais da burguesia. Suas demandas seriam centradas em ideais utópicos: diversidade e justiça racial. Um dos insights chaves de Lasch mostrou-lhe que futuros jovens norte-americanos marxizantes entregariam a guerra de classes, aceitando, em troca, a guerra cultural.
Foi a era, além do mais, de Bill Clinton e Tony Blair, quando a esquerda [liberal (NTs)] norte-americana e europeia cortejava Wall Street com promessas de desregulação, e começara a lançar os alicerces de duradouro controle sobre o poder. Lasch já escreveu também sobre a próxima simbiose entre guerra cultural e Big Business (que hoje está em plena avançada).
Foi Obama, contudo, quem selou esse casamento com as euroelites. Obama também deu corpo à noção da ‘revolução woke (orig. ‘woke’ revolution; é a guerra como a fazem os Movimentos “Acordai!”: “Acordai: Mulheres importam!”/ “Acordai: Vidas negras importam”/ “Acordai: Vidas homossexuais importam”, etc.) como estratégia de substituição. E Obama lá continua, por trás das cortinas, movimentando os fantoches.
E, para escapar um pouco da política dos EUA, superturbinada, altamente partidarizada –, consideremos a Europa, para compreendermos os frutos da outra asa da guerra cultural – articulada dessa vez "do outro lado da Mancha", tema de Politics of Memory de Stanley Payne (aqui, ing.).
A ressonância daquela iniciativa sobre o que está acontecendo nos EUA é clara. Mas o que, afinal, está acontecendo aqui nos EUA, no nível mais profundo? Por que imitamos os europeus, como imagem especular?
No fundo, a meta é ampliar o apoio ao ‘moralmente correto’ da revolução “Acordai!”: ampliá-lo até que envolva uma elite europeia, já bem pré-preparada (pela memória política, como referido acima) para a guerra cultural – embora, lá, mais orientada para substituir "populistas" e nacionalistas europeus por adeptos do projeto imperial da União Europeia.
O "Reset" (substituir uma base manufatureira que agoniza, por automação e High Tech) é parte constitutiva desse plano de “Rotação do Poder”. A agenda do Reset, de Davos, especifica em detalhes a necessidade de novas ferramentas para disciplinar o povo. Os que escolham manter-se distantes, ou renegar a nova indulgência política (i.e., os movimentos “Acordai!”), serão provavelmente “condenados e ritualmente descartados”, conforme as empresas organizem-se pelas novas regras ideológicas ASG (Ambientais, Sociais e de Governança) (ing. “regras ESG: Environmental, Social and Governance).
Já está acontecendo com os não portadores de Passaporte Vacinal, que já encontram dificuldades para participar da vida pública, para viajar ou para trabalhar (trabalho que só se admite na modalidade home office). Um sistema de ajuda financeira estatal é correspondente lógico inescapável do Passaporte Vacinal, e virá a seu tempo. O círculo já está praticamente fechado, em teoria, contra qualquer dissidência.
O aspecto de política exterior dessa suposta "revolução" deve ficar bem claro. O nacionalismo russo ou chinês, ou de fato qualquer soberania, são per se ameaça existencial a uma "revolução" concebida para eliminá-los ambos.
Rússia e China podem ser ofendidas e caluniadas livremente, como se fossem o generalíssimo Francisco Franco reencarnado;[2] mas na ausência de mais ampla adesão europeia à validade moral de "substituir-se", em nome de injustiças históricas, uma população fundadora, a mudança seria vista, na melhor das hipóteses, como frágil.
Num dia, a "equipe" age agressivamente (no caso da Rússia); mas também retrocede, quando a agressão ameaça a Europa (no caso do risco de eclodir guerra quente pela Ucrânia) –, porque "a equipe" ainda não recebeu o tácito endosso moral dos líderes europeus para seu experimento doméstico sem precedentes. Em resumo, o experimento “Rotação no Poder” é o rabo abanando o cachorro da política exterior dos EUA.
Se tudo isso parece um pouco fábula delirante, é porque é. E fracassará, muito provavelmente.
O estresse imposto à coesão societal dos EUA pelo lançamento de uma revolução cultural de tipo woke (os Movimentos “Acordai: Vidas negras/mulheres/ o ‘verde’/ o-a ‘jovem’/ o-a ‘idoso’/ o-a ‘homossexual’ etc. importam!” pode vir a se provar forte demais.
A Revolução Cultural Chinesa, lançada por Mao (como parte de sua campanha de 1966, para afastar rivais do Partido), muito rapidamente se converteu em movimento decentralizado, semicaótico de Guardas Vermelhos, estudantes e outros grupos que partilhavam ideias e programas, mas agiam com excessiva independência na relação com a liderança central do Partido.
Já há sinais de que ativistas norte-americanos nos movimentos de rua começaram a condenar, por charlatanismo, os próprios líderes: Obama pelas primeiras deportações; e Pelosi pelo imoralismo espetaculoso que manifestou no desfecho do caso George Floyd: “Assim, mais uma vez, muito obrigada, George Floyd, por sacrificar a própria vida pela justiça”. (Absurdo. George Floyd não escolheu morrer. E nada "sacrificou": foi sacrificado.)
Como terminará? Ninguém sabe.
Em Demônios, Dostoievsky nos faz lembrar, contudo, o quanto os liberais seculares russos dos anos 1840s, gentis, sensíveis, bem-intencionados, prepararam o caminho para a geração dos anos 1860s, de crianças radicalizadas, enlouquecidas de tanta ideologia, empenhadas em destruir o mundo e executar pai e mãe. Revoluções têm o costume de ‘comer’ os próprios filhos.[3]
Na Europa, a fúria contra a absoluta incapacidade da liderança institucional da União Europeia para tratar uma série de questões, de vacinas até o ‘dano de guerra’ já ativo em partes da economia europeia (com intermináveis lockdowns), fala mais de uma Europa que bate cabeça à procura de algum (qualquer!) líder efetivo, com a visão necessária para conduzir o continente por trilha que o afaste do abismo. Há algum por aí? Até agora, ninguém sabe, ninguém viu.*******
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[1] 22/3/2021, “Economia global ‘mascarada-de-verde’: delírio que pode derrubar tudo”, Alastair Crooke (ing., SCF; port., Blog Bacurau Homenagem ao Filme) NTs.
[2] Referência a Politics of Memory, Stanley Payne, aqui (ing.), que comenta um projeto de lei, apresentado pelo governo socialista da Espanha, em janeiro de 2020, para formalização de uma “Lei da Memória Histórica e Democrática” (que geraria uma “comissão da verdade”), que processe e julgue os feitos e crimes da ditadura franquista, baseado em projeto de lei assemelhada, encaminhado pelo Governo socialista de Zapatero, na Espanha, em 2007 [NTs].
[3] Referência a uma frase muito repetida como se tivesse a ver com a Revolução Francesa e se aplicasse ao período do Terror (1793-1794). Mas é comentário de um belga, quase dez anos antes da Revolução Francesa. Mallet du Pan, protestante liberal que apoiou de início a Revolução de 1781-1782 dos liberais belgas contra a República de Genebra (cidade-estado) e depois se voltou contra ela (mais sobre isso aqui, fr.). A frase original e a citação incorporam o mito grego aparentemente imortal de Cronos (Saturno) que devora os próprios filhos, devoração de um dos quais Goya pintou entre 1819–1823 [NTs, com informações da Wikipedia].
As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul
Nazi-fascismo não teria sido derrotado na 2ª Guerra Mundial sem ação do Exército Soviético
O povo russo tem todo o direito de proclamar, com orgulho, sua vitória sobre a Alemanha nazista e o fascismo na Europa. Todos os anos as celebrações do Dia da Vitória são muito vibrantes. E por boas razões.
Essa semana marca o 76º aniversário da derrota dos nazistas, dia 9/5/1945. Houve desfiles da vitória em toda a Rússia, dos quais a mais esplêndida manifestação de honra nacional aconteceu na Praça Vermelha, em Moscou.
Muito eloquente é o modo como as comemorações nos EUA e na Grã-Bretanha foram-se tornando relativamente discretas ao longo do tempo. Ano a ano parece que o ocidente dá menos importância ao aniversário. Por quê?
No noticiário ocidental até que aparecem artigos sobre a história do Dia da Vitória e sobre por que há cerimônias para fazer lembrar a ocasião.
Yevgeny Khaldei | Wikipédia
A bandeira que tremulou no alto da Chancelaria do Reich exibia a foice e o martelo soviéticos
Contraste de "cerimônias"
O contraste com as cerimônias vibrantes e dedicadas que se veem na Rússia explica-se por um fato claro: o povo russo e o Exército Vermelho Soviético foram os principais vitoriosos sobre o regime nazista.
É crucial reiterar e jamais perder de vista a verdade histórica, porque a mídia e os políticos ocidentais sempre tentarão nos convencer de que a versão da propaganda estadunidense seria verdadeira.
A "Grande Guerra Patriótica"
Aliados da União Soviética na 2ª Guerra Mundial [que os russos chamam de "Grande Guerra Patriótica"], EUA e Grã-Bretanha contribuíram para a derrota da Alemanha Nazista; tiveram participação na luta que derrotou a Alemanha nazista, mas foi participação acessória.
Dito de outro modo: essencialmente, o 3º Reich não teria sido derrotado, não fosse o Exército Vermelho a martelar o front oriental, abrindo caminho até o bunker de Hitler em Berlin. Os aliados ocidentais foram acessórios, na vitória.
A bandeira que tremulou no alto da Chancelaria do Reich exibia a foice e o martelo soviéticos, não estrelas e listras, nem foi a bandeira britânica.
Numa linha: o povo soviético libertou a Europa da tirania nazista e do fascismo. O povo soviético pôs fim aos infernais campos de morticínio
Finian Cunningham mestre em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira em jornalista
Genocídio palestino é realizado há décadas por Israel e humanidade nada faz para ajudar
Das ditaduras na América Latina se disse que era muito difícil reproduzir a informação devido à repressão e às limitações técnicas, e o que tinham que fazer os jornalistas estrangeiros eram mil malabarismos para que se conseguisse tirar do país, dar a conhecer e, por isso se ficou tanto tempo no silêncio e no esquecimento.
A tecnologia avançou e os tempos mudaram; vemos hoje a própria população usando seus telefones celulares e reproduzindo em tempo real o que acontece em seus países; as imagens se reproduzem no nível mundial em questão de segundos. Tampo que se ganha aos meios de comunicação corporativos que perdem tempo maquiando a informação para manipular à sociedade.
Mas nada acontece, o mundo continua guardando silêncio e virando para o outro lado, porque não se trata de que a informação não lhe chegue, é que a veem e preferem ser tão culpados como os que ordenam os massacres e como os que as realizam, porque com o silêncio se esconde e com a passividade também. Não se envolver é se pronunciar a favor do genocídio, neste caso na Palestina.
O genocídio palestino é realizado há décadas e a atrocidade é incapaz de tocar as fibras mais profundas do nosso ser. As imagens são desoladoras: roubo de terras, destruição de escolas, hospitais, casas. Genocídio constante.
O que necessitamos para reagir? Como é possível que a gente permita que façam isso a um povo sem sequer pronunciarmo-nos? E se fosse conosco? Sem importar a condição social, que chegassem para destruir nossas casas, destruir nossas hortas, que as escolas onde estudam nossos filhos fossem bombardeadas, os hospitais e não existisse um lugar seguro onde abrigar-nos. Gritaríamos ao mundo por ajuda? Lutaríamos como faz o povo palestino? Exigiríamos ao mundo que se pronunciasse?
Reprodução: Flickr Mindia Ninja
Ato em Solidariedade à Luta do Povo da Palestina no Rio de Janeiro
Porque se pode ter uma ideologia, não estar de acordo com as políticas de Estados dos países, mas se debate com ideias, com propostas, não com massacres, não roubando a alimento a uma população, não derrubando hospitais. Não com a imposição. Nenhum país tem o direito a se impor sobre outro. Nenhum ser humano contra outro, nenhum!
E o que estamos vendo na Palestina é o roubo de terras, sequestros, encarceramentos de décadas por um pronunciamento, por levantar a voz, assassinatos em massa, destruição de comunidades inteiras. Um governo que foi tomado por corruptos e genocidas podem apoiar o abuso, porque afinal de contas são bandos de criminosos sem nacionalidade, que trabalham para um só fim: enriquecer-se à custa dos povos. Mas os povos, por que não se pronunciam? Pesa-lhes a religião, as palavras da bíblia? Escritas por homens para a opressão dos povos e das mulheres.
O raciocínio próprio, onde fica? E se na bíblia dissesse que também é lei de Deus que destruam nossas casas, violem nossas filhas e nos matem, também cruzaríamos os braços como fazemos com a Palestina?
Dizem-nos que os muçulmanos são violadores e assassinos por sua religião, mas não nos falam dos verdadeiros criminosos, os cobrem, os enchem de louvações, os fazem parecer que são grande humanistas e contribuintes e embora saibamos que isso é falso, preferimos estar do lado da manada porque aí há sombra e comodidade. Não fazer uso de nossa voz e de nosso próprio raciocínio. Ou usá-los para estar do lado dos impostores.
Não nos atrevemos a dizer que isso está mal, isto é injusto, porque tememos perder contatos, que já não nos convidem às festas, e também perder negócios e trabalhos; que nos fechem de repente os benefícios do futuro. O que é a dignidade sem dinheiro, melhor ter dinheiro que dignidade.
O que vive a Palestina é uma imposição e o povo israelense o esconde e se beneficia desse roubo e genocídio. Porque devia ter se pronunciado contra a atrocidade que seu governo realiza à nação vizinha. Não tem nada que ver com religião nem com o Holocausto, nem com memória histórica, é o genocídio de um bando de criminosos sem credo nem nacionalidade que tem como único fim enriquecer-se e mostrar sua superioridade ao mundo. Um mundo fraco, covarde e manipulável.
Na nossa cara se leva a cabo o genocídio palestino e sem escrúpulo algum fechamos a porta ao chamado de ajuda de um povo que tem a coragem de resistir. Fala-se do genocídio armênio, mas se apoia o genocídio palestino. Somos uns grandes covardes.
*Colaboradora de Diálogos do Sul desde território estadunidense
Tradução: Beatriz Cannabrava
A debacle de Bolsonaro e do seu bando
Por Emir Sader

Por Emir Sader
A pesquisa do Datafolha confirma não somente o favoritismo de Lula como a debacle de Bolsonaro. Um candidato erigido a favorito da direita foi alçado ao governo do Brasil por meio de uma gigantesca manipulação feita pela mídia, pelo Judiciário e pelo grande empresariado e foi da glória à debacle em pouco tempo. Agora enfrenta o tão temido – por ele e por seus filhos – caminho da derrota.
Um candidato que conquistou o coração e as mentes da mídia e do empresariado, encarnou, antes de tudo, a única via que sobrava para a direita, para tentar impedir o retorno do PT ao governo. Resgataram Bolsonaro do fundão do Baixo Clero para salvar a direita.
Os eleitores de Bolsonaro em 2018 foram, essencialmente, os que assumiram o antipetismo como a maior bandeira do Brasil. O país estaria à beira do abismo, havia que resgatá-lo, daí o papel do salvador da pátria do candidato das milícias, que passou a ser o candidato da direita brasileira.
Chegou ungido da imagem daquele que conseguiu derrotar o PT, com bases de apoio de segmentos evangélicos, da burguesia, da mídia, do Judiciário e de bases populares lumpen. Propôs-se a renovar a política, com discurso anti-mídia, anti-Judiciário, anti-Congresso e, sobretudo, anti-esquerdista. Com política econômica ultra-neoliberal, conquistou o empresariado e a mídia econômica.
Teve vigência enquanto não teve que pagar o preço das vítimas da pandemia e da sua política econômica.
A volta de Lula à vida política é um golpe fatal para ele, ao demonstrar de novo que a alternativa para o Brasil está à esquerda e não à direita. Ao apontar que Bolsonaro é o representante dos ricos, o responsável pela miséria e pelas vítimas da pandemia. Que o Brasil tem jeito, contanto que derrote o Bolsonaro. E que ele, Lula, é o caminho para o resgate do país.
A debacle e a derrota de Bolsonaro será uma nova grande derrota da direita, depois do fim da ditadura e da incapacidade de eleger de novo um presidente, derrotada pelo PT em quatro eleições sucessivas. Desta vez o Bolsonaro ameaça levar com ele, na derrota, muita gente.
Será, antes de tudo, mais um fracasso do modelo econômico neoliberal, tirado das catacumbas por Paulo Guedes e que, de novo, demonstra que não está feito nem para a economia andar, nem para criar empregos. O empresariado e a mídia econômica, arautos do neoliberalismo, serão derrotados de novo. O país terá nova oportunidade de construir uma política econômica alternativa, superadora do neoliberalismo.
Será uma nova derrota dos militares e da militarização da política. Não tiveram até agora uma derrota no Brasil na escala do que aconteceu na Argentina, no Uruguai e no Chile. Na Argentina, pela derrota na guerra das Malvinas. No Chile, pela derrota do Pinochet no referendo em que pretendia ser candidato de novo. No Uruguai, pelas derrotas nos dois referendos sobre privatização de empresas públicas. Desta vez, diante da circunstância de que, uma vez mais, democratizar significa desmilitarizar o Estado brasileiro, terão que explicar sua aventura no governo Bolsonaro e sua derrota.
Será também uma derrota da mídia econômica e do consenso neoliberal que conseguiram impor como “consenso nacional”. Uma derrota da criminalização do Estado, das “virtudes” do mercado e do empresariado privado, da centralidade do ajuste fiscal, do equilíbrio das contas públicas e da luta contra a inflação, da diabolização dos gastos públicos, especialmente dos recursos para políticas públicas, da manutenção das desigualdades sociais.
Tentarão se esconder no mau desempenho do Paulo Guedes para tentar esconder o novo fracasso do neoliberalismo.
Será derrotado também o empresariado especulativo, anti-nacional, que vive das privatizações, neoliberal por conveniência. Ficará claro que esse grupo não está interessado na retomada da economia produtiva, que gera empregos.
Ficarão derrotados também – já o estão sendo, conforme as pesquisas demonstram o apoio que grande parte deles já dá a Lula – os evangélicos fanáticos, aderidos ao bolsonarismo, portadores do discurso do ódio.
Será derrotado o discurso do ódio, que faz do outro o diabo, o inferno, o inimigo, que torna a luta política uma batalha contra adversários inventados pelo ódio.
Em suma, com Bolsonaro serão derrotados os inimigos do Brasil, da paz, da harmonia, da resolução dos problemas pelo debate, os inimigos da inclusão social e da luta contra as desigualdades.
Bolsonaro levará consigo, na derrota, todo o bando que o elegeu, que o sustentou, que fez dele o “salvador do país”.
'Bolsoflix' divulga conteúdos antibolsonaro para disparar nas redes

247 - Foi lançada recentemente a plataforma Bolsoflix, que reúne todo tipo de material contra Jair Bolsonaro, para combater as mentiras do governo federal e do clã bolsonarista. A plataforma na internet reúne vídeos em diversas editorias, que são separadas em “Destaques”, “Pandemia”, “Corrupção”, “Violência”, “Mentiras”, “Economia”, “Miscelânia” e “Arrependidos”.
A ideia da plataforma de streaming é espalhar conteúdo antibolsonaristas nas redes sociais, onde a base bolsonarista é forte.
Confira a repercussão nas redes.
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