PERSONAL SHOPPERS
SEM viagens ao EXTERIOR, classes média e alta recorrem a 'PERSONAL SHOPPERS' para comprar importados
MEDIDA PRECIPITADA: EPIDEMIOLOGISTAS dos EUA foram pegos de SURPRESA com a decisão do CDC de LIBERAR vacinados de uso de máscara
Prefeitura do Rio afirma não ter visto irregularidades em festa para 500 pessoas no Copacabana Palace
Bombardeio israelense destrói prédio em Gaza com escritórios da agência de notícias AP e da Al-Jazeera
Alvo tem de ser terror do Hamas, não crianças palestinas | Guga Chacra
Pela primeira vez, MAIORIA da população apoia IMPEACHMENT de Bolsonaro, aponta Datafolha
Viagem virtual _______________________ de Nova York a Hiroshima, 5 travessias de trem para passear sem sair de casa
Fãs de 'FRIENDS poderão dormir no APARTAMENTO de Monica e tomar café no CENTRAL PERK
Vereadora BENNY BRIOLLY sobre sair do país após ameaças de morte: "É cruel"
Sem viagens ao exterior, classes média e alta recorrem a 'personal shoppers' para comprar importados

RIO - A pandemia de Covid-19 impulsionou a presença de brasileiros em grupos de compras on-line em busca de artigos importados. Com restrições de voos diretos do Brasil em vários países, mesmo com o processo de reabertura de economias na Europa e nos Estados Unidos, as classes média e alta recorrem aos serviços de personal shopping (compras pessoais) para garantir o consumo de produtos do exterior.
A publicitária Priscila Rocha, de 38 anos, trocou as andanças por lojas como Primark e H&M na Flórida ou em Londres por compras remotas, feitas por meio de um personal shopper na pandemia.
— Sem a perspectiva de viajar e com o tempo gasto em redes sociais, resolvi experimentar. Posso comprar o que quiser. Compro itens que nem traria de viagens, como por exemplo uma caixa de giz, por € 1. Estava numa live, vi passar na prateleira, e a personal shopper mostrou — conta ela, que também participa de um grupo de compras no WhatsApp.
Priscilla não foi a única a mudar de hábitos. Segundo levantamento do Instituto QualiBest, 40% das mulheres de classe alta em São Paulo, principal mercado de luxo do país, passaram a comprar mais pela internet durante a pandemia. Outras 23% mantiveram o mesmo patamar de consumo de antes e 12% são novas consumidoras do e-commerce.
Do popular à grife de luxo
Murilo Oliveira, especialista em marketing de influência e CEO da IWM Agency, diz que a maior procura pelo serviço de personal shopper tem relação com a busca por conforto e segurança em compras on-line, especialmente entre clientes de maior poder aquisitivo.
Existem dois formatos no mercado: o de redirecionamento e o de compras pessoais. No primeiro, o consumidor faz a compra no e-commerce com o endereço da consultora no exterior. Ela recebe a encomenda e envia ao Brasil, com custo do frete e taxa sobre o serviço.
No segundo, a consultora normalmente administra grupos no WhatsApp ou Telegram, agenda visitas até as lojas selecionadas pelos clientes e busca os produtos desejados com direito a transmissão ao vivo ou videochamada.
— Vou precisar de um espaço maior em breve. Muitas clientes têm comprado toda semana ou todo mês. São pessoas que vinham de uma a três vezes por ano aos EUA para comprar vitaminas, cosméticos, roupas infantis — relata a empreendedora Josi Grottoli, de 35 anos, que trabalha há quatro anos como personal shopper em Nova York, e já se mudou para o terceiro escritório, onde armazena produtos, em menos de um ano.
O público que compra com Josi é formado por mulheres casadas e com filhos, de 28 a 39 anos, e gasta em média de R$ 5 mil a R$ 6 mil por compra. Os gostos vão de marcas mais populares a grifes de luxo, de Victoria’s Secret, GAP, Disney e Kipling a Prada, Gucci, Burberry e Marc Jacobs.
— Comecei a frequentar lojas de luxo no ano passado, pois vi que meu público tem potencial para isso. As clientes querem comprar uma bolsa, mas gostam de acompanhar o processo e de que eu prove pra elas. Elas se sentem junto comigo.
A auxiliar administrativa Juliana Cavazotto, de 33 anos, compra desde vitaminas, chocolates e brinquedos até roupas, calçados e eletrônicos:
— Compro sempre que tem algo que gosto e não tem no Brasil ou o preço está melhor. Minha última compra foram os copos (térmicos) da Stanley, maravilhosos — diz ela, que gastou cerca de US$ 300.
Nem mesmo o dólar a R$ 5,27 e o euro, a R$ 6,39 assustam esse público. Para Priscila, mesmo quando o item sai mais caro do que o habitual, acaba custando o mesmo que se fosse adquirido no Brasil.
Mariana Fernandes, de 30 anos, trabalha há dois anos como personal shopper na Flórida, e não sentiu o impacto nos negócios com a flutuação do dólar. Na pandemia, adquiriu um endereço comercial e contratou três funcionários devido o crescimento das vendas:
— Criei o serviço das “compras express”, onde faço uma agenda semanal com as lojas que vou visitar e posto vídeos e fotos no Telegram para as clientes. Elas podem escolher, garimpar e mandar print com os pedidos que querem e têm até um dia útil para realizar o pagamento. É um sucesso absurdo — aponta ela, que atende muitos clientes à procura de cosméticos e vitaminas.
Tributação nas compras
Eliézer Marins, advogado especialista em direito tributário, lembra que há cobrança de impostos sobre mercadorias enviadas ao Brasil com valor acima de US$ 50. Quem paga é o importador, e a fiscalização é feita pela Receita Federal através dos Correios.
Dependendo da compra é possível ser taxado via Regime de Tributação Simplificada. Neste caso, é aplicada alíquota de 60% sobre o valor da remessa. A opção é automática quando se cumprem alguns requisitos. Um deles é que o valor total seja de até US$ 3 mil ou o equivalente em outra moeda.
Ele lembra que as importações neste regime estão sujeitas ao ICMS que segue legislação estadual.
Se a compra não se enquadrar no modelo, pode haver incidência de IPI, PIS, Cofins e Imposto de Importação, mas há diferenças na tributação de acordo com o produto.
— Além dos impostos, os Correios e as empresas de courier cobram do destinatário tarifas como custos do despacho alfandegário, que fazem parte da transação entre cliente e fornecedor — explica Marins.
Ele alerta ainda que para não correr risco de ficar sem o produto em razão da fiscalização, o consumidor deve comprar apenas de profissionais que declarem seus impostos no país de origem e tenham um CNPJ para realizar o serviço.
Bombardeio israelense destrói prédio em Gaza com escritórios da agência de notícias AP e da Al-Jazeera

JERUSALÉM — Um bombardeio do Exército israelense destruiu um prédio na Faixa de Gaza com escritórios da agência de notícias AP e da emissora Al-Jazeera neste sábado. Durante a madrugada, um ataque israelense também atingiu o campo de refugiados de Al-Shati, em Gaza, matando dez pessoas de uma mesma família, incluindo oito crianças.
O confronto entre Israel e o Hamas, o mais violento desde que o território palestino foi invadido em 2014, entrou no seu sexto dia neste sábado. Até agora, 140 palestinos morreram em Gaza, sendo 39 deles crianças ou adolescentes, segundo autoridades médicas do enclave. Em Israel, foram dez pessoas mortas, incluindo duas crianças.
As Forças de Defesa de Israel disseram que tinham dado um aviso prévio e "tempo suficiente" aos civis no prédio al-Jalaa, onde trabalhavam os jornalistas da agência e da emissora para a evacuação do edifício. No Twitter, a Al-Jazeera afirmou que militares israelenses deram uma hora para que eles se retirassem do prédio de 12 andares. Não houve feridos entre as equipes de jornalismo, mas o presidente da AP, Gary Pruitt, publicou um comunicado classificando o ataque ao prédio como "incrivelmente perturbador".
"Estamos chocados e horrorizados que o Exército israelense tenha tido como alvo e destruído o prédio sediando o escritório da AP e de outras organizações em Gaza. Eles conhecem há muito tempo a localização do nosso escritório e sabiam que jornalistas estavam lá", escreveu Pruitt, confirmando que receberam um aviso de que o edifício seria atingido. "Nós evitamos mortes por pouco. Uma dúzia de jornalistas da AP e freelancers estavam no prédio, e felizmente fomos capazes de evacuá-los a tempo."
"O mundo ficará menos informado sobre o que está acontecendo em Gaza por causa do que aconteceu hoje", acrescentou.

A reação do canal árabe Al-Jazeera foi ainda mais contundente, classificando como "crime hediondo" o ataque. "O objetivo deste crime hediondo é silenciar a mídia e esconder a carnificina e o sofrimento indescritível do povo de Gaza", disse Mostefa Souag, diretor-geral da rede Al-Jazeera. Em comunicado, a emissora disse que processará Israel pelo ataque.
As Forças de Defesa de Israel justificaram o ataque ao prédio com os escritórios dizendo que havia recursos militares pertencentes ao Hamas no edifício. "O prédio também abrigava escritórios de veículos de comunicação civis, atrás dos quais o grupo terrorista Hamas se esconde e que usa como escudos humanos", afirmou o Exército.
É a segunda vez que prédios com escritórios de empresas jornalísticas são derrubados em ataques de Israel na atual ofensiva. Nesta semana, os edifícios al-Jawhara e al-Shorou, que sediavam mais de uma dúzia de veiculos de comunicação locais e internacionais, segundo denúncia feita nesta semana pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas, foram destruídos.
Os Estados Unidos se manifestaram por meio da porta-voz da Casa Branca, dizendo que é "crucial" garantir a segurança dos jornalistas. "Comunicamos diretamente os israelenses que é uma responsabilidade crucial cuidar da segurança dos jornalistas e meios independentes", afirmou Jen Psaki, pelo Twitter.
Mais tarde, o gabinete do premier divulgado em comunicado que Benjamin Netanyahu conversou com Joe Biden em um telefonema, no qual "enfatizou que Israel está fazendo todo o possível para evitar qualquer dano àqueles que não estão envolvidos" no conflito". Já a Casa Branca disse que Biden expressou "grande preocupação" com a escalada de violência.
Nesse sábado Biden também falou pela primeira vez no telefone com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Segundo a Casa Branca, Biden disse a Abbas que o Hamas — rival político do premier palestino, sobre o qual ele não tem autoridade — deve parar de lançar foguetes contra Israel.
Biden tem recebido críticas de setores progressistas do Partido Democrata, que exige que ele tome ações para mediar o conflito. Após um bloqueio americano a uma declaração conjunta, o Conselho de Segurança da ONU tem reunião marcada para amanhã para discutir a crise.
Foguetes em Tel Aviv
Em Tel Aviv, moradores foram deslocados para abrigos depois que sirenes soaram antecipando o kançamento de foguetes pelo Hamas. Um deles atingiu um edifício residencial no subúrbio de Ramat Gan, matando um homem de 50 anos, segundo fontes médicas.
O Hamas disse que os foguetes deste sábado direcionados a Tel Aviv foram uma resposta aos ataques de Israel na madrugada, que atingiram um campo de refugiados, matando dez membros de uma mesma família, sendo oito crianças. O governo israelense disse que teve como alvo um apartamento usado pelo Hamas.
Sirenes de alerta de foguetes também foram acionadas em diversas cidades israelenses próximas à fronteira com Gaza, incluindo Ashkelon, Sderot, e Ashdod.
Segundo o jornal israelense Haaretz, na noite deste sábado (começo da tarde no horário de Brasília), aviões israelenses atacaram as casas de quatro comandantes do Hamas em Khan Yunes, Sul de Gaza, e Deir Al Balah, no centro do território. Também teriam atingido túneis e lançadores de foguetes.
Ainda segundo o jornal, o ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, se reuniu com altos integrantes das forças israelenses e disse que Israel não tem interesse em escalar a violência com os palestinos na Cisjordânia, mas que o Exército não vai permitir "que o terrorismo levante a sua cabeça". Ele também afirmou que o Hamas pagará um alto preço por lançar foguetes em Israel, mas que o Exército tem planos adicionais para restaurar "a paz e a estabilidade".
Despejos de Sheikh Jarrah
O estopim para a escalada foi a violência de segunda-feira na mesquita de al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado para o Islã, quando a polícia israelense feriu mais de 300 palestinos. A cidade é uma panela de pressão desde o início do mês do Ramadã — que terminou na quarta — devido à ameaça de expulsão das quatro famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.
A Suprema Corte deveria ter decidido na segunda se permitiria um recurso ou se manteria a decisão de expulsar os 30 adultos e 10 crianças, mas adiou o veredicto no domingo para algum momento nos próximos 30 dias.
As quatro famílias palestinas afirmam que vivem na região desde 1950, quando foram realocadas pela Jordânia após serem forçadas a abandonar suas casas em Jerusalém Ocidental e Haifa durante a guerra com os vizinhos árabes que se seguiu à criação do Estado de Israel, em 1948. O temor é que seu despejo, algo que a ONU caracterizou como um possível "crime de guerra", crie precedentes para expulsões em ampla escala.
Desde a segunda-feira, além de confrontos entre Israel e Hamas, que lançou mais de 2 mil foguetes nos últimos cinco dias, houve enfrentamentos entre árabes-israelenses e judeus ultraortodoxos em cidades mistas em Israel e conflitos entre palestinos e membros das forças israelenses na Cisjordânia.
Alvo tem de ser terror do Hamas, não crianças palestinas | Guga Chacra - O Globo

Israel tem o direito de se defender dos lançamentos de foguetes do grupo terrorista Hamas. Qualquer país faria o mesmo. Mas deveria agir com mais rigor para evitar a morte de crianças em seus bombardeios. Os atuais cuidados são insuficientes e o argumento de que elas seriam usadas como escudos humanos não se justificam em muitos casos, embora sejam verídicos em outros. Neste sábado, por exemplo, um ataque israelense matou dez membros de uma mesma família, incluindo oito crianças. Apenas um bebê sobreviveu. É simplesmente inaceitável. Quem defender isso não tem respeito à vida.
Nenhuma das vítimas integrava o Hamas e tampouco o grupo estava na área. Israel precisa explicar o que ocorreu e punir os responsáveis. Mesmo que tenha havido erro, é gravíssimo. Não há como justificar a morte de oito crianças. O bombardeio deveria ter sido abortado. A guerra tem de ser contra os terroristas, não contra todos os palestinos de Gaza. Espera-se no mínimo que haja um pedido de desculpas israelense, investigação sobre o episódio (esta tende a acontecer) e uma admissão do erro.
Este não foi o único ataque israelense que deve ser condenado neste sábado. Também houve o bombardeio do prédio que servia de sede para os órgãos de imprensa internacionais baseados em Gaza, incluindo a Associated Press, mais importante agência de notícias dos EUA. Caso houvesse presença do Hamas no prédio, o governo israelense deveria ter alertado aos jornalistas, que teriam a obrigação de reportar os terroristas.
Sabemos que o momento é delicado para Israel e a população israelense vive com medo diante dos lançamentos de foguetes de forma aleatória pelo Hamas. É claro que Israel precisa fazer algo contra os terroristas. Os EUA, ao longo das presidências de Bush pai, Clinton, Bush, Obama, Trump e Biden bombardearam múltiplas vezes o Iraque, Afeganistão, Síria, Iêmen e Líbia, matando dezenas de milhares de civis, mesmo sem estes países terem atacado os EUA. Algo bem mais grave do que faz Israel. Ao mesmo tempo, é trágico ver as imagens dos palestinos vítimas dos bombardeios. Elas não devem pagar o preço das ações do Hamas. Não é aceitável a morte de absolutamente nenhuma criança ou civil inocente palestino ou israelense.
O ideal é que haja um cessar-fogo imediatamente, antes que o total de vítimas se multiplique, como em 2009, 2012 e 2014. Todas aquelas guerras foram inócuas para eliminar o Hamas. Jovens israelenses e jovens palestinos morreram. Para que morrer mais? Para completar, segue deplorável a postura de Biden, que segue fazendo o mínimo possível para um cessar-fogo, sabotando iniciativas do Conselho de Segurança da ONU e de mediadores regionais neste sentido.
Prefeitura do Rio afirma não ter visto irregularidades em festa para 500 pessoas no Copacabana Palace

RIO — A prefeitura do Rio não encontrou irregularidades em uma festa que aconteceu no hotel Copacabana Palace, na Zona Sul, na noite dessa sexta-feira. A assessoria do cantor Gusttavo Lima, que se apresentou na ocasião, informou que o evento estava preparado para receber cerca de 500 convidados. Contudo, numa vistoria realizada entre 22h30 e 23h, a Secretaria de Ordem Pública (Seop) diz ter encontrado apenas 100 pessoas.
Segundo o portal "Metrópoles", Ludmilla e Mumuzinho também participaram da festa, que teria sido organizada pela promoter Carol Sampaio. Uma foto publicada pelo "Metrópoles" mostra que houve aglomeração na porta de trás do hotel, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, por onde ocorreu a entrada dos convidados. A imagem mostra que uma fila de convidados se formou no local.
O decreto da prefeitura do Rio que está em vigor dsede o último dia 7 proíbe a formação de filas em frente a casas de festas. A prefeitura alegou que não se deparou com aglomerações na recepção dos convidados durante a fiscalização.
As normas da administração municipal autorizam a atividade desses estabelecimentos, mas com lotação limitada a 40% da capacidade máxima em ambientes fechados e 60% em ambientes abertos. A Seop e o Copacabana Palace não informaram a capacidade máxima do espaço onde a festa aconteceu. Na tarde deste sábado, Carol Sampaio publicou um vídeo no Instagram em que afirma que o local tem capacidade para receber 1.800 pessoas, e que o evento teve lotação máxima de 480.
A promoter nega que tenha sido a responsável pela lista dos convidados do evento e diz que a organização da festa foi feita por um dos braços de sua empresa. Segundo ela, o evento cumpriu com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para confraternizações do tipo.
Em nota, o Copacabana Palace informa que, "para realização do evento do dia 14 de maio nas dependências do hotel, foram cumpridas todas as exigências e obrigações legais estabelecidas pelo decreto n° 48.845, publicado em 7 de maio de 2021".
O hotel informou ainda que reforça para seus contratantes externos que o comprometimento com as recomendações das autoridades "é um pré-requisito para que os eventos aconteçam".
"Adotamos um protocolo de prevenção e combate à Covid-19 de acordo com as regras vigentes, de modo que a saúde e segurança de hóspedes, funcionários e clientes são nossa maior prioridade", diz a nota. O hotel não se manifestou sobre as imagens de fila na entrada dos convidados.
Embora não tenha flagrado infrações, a Seop ressalta que, "caso surjam evidências de descumprimento ao decreto vigente, as autuações podem ser feitas" em momento posterior. A pasta não deu detalhes sobre o alvará e a capacidade máxima do estabelecimento.
Na coletiva de divulgação da nova edição do boletim epidemiológico da cidade, nessa sexta-feira, o prefeito Eduardo Paes foi questionado sobre a realização da festa no hotel de luxo.
— Não posso comentar uma festa que não sei se vai se realizar. Se for uma festa feita fora das regras, pode ser no Copacabana Palace ou em qualquer lugar, a Secretaria de Ordem Pública, o secretário Brenno, vai fiscalizar e interromper. Existem as regras e existe a possibilidade de fazer festa, sim, eventos e tal, mas tem lá a lotação máxima, um conjunto de critérios estabelecidos na resolução para o momento que a gente vive — disse.
Bolsonaro não prioriza nem a Saúde, muito menos a Educação | Ancelmo - O Globo
Por Ancelmo Gois

Saúde e Educação não são prioridades de Bolsonaro. A negligência com a vacina é crime hediondo. Os cortes nos orçamentos das universidades públicas — inclusive na UFMG, onde Paulo Guedes estudou — e o provável adiamento do Enem mostram o desamor pelo saber
Vídeo de homem negro morto em prisão após policiais usarem eletrochoque gera indignação nos EUA

ATLANTA — A morte de um homem negro, após policiais terem utilizado spray de pimenta e armas de eletrochoque nele em uma prisão na Carolina do Sul, gerou indignação e pressão por mudanças no tratamento de pessoas sob custódia que sofrem de doenças mentais.
Imagens divulgadas pelas autoridades do condado de Charleston mostram dois policiais tentando retirar da cela o homem, Jamal Sutherland, em 5 de janeiro. Primeiro, eles lançam spray de pimenta e, depois, utilizam armas de eletrochoque enquanto ele grita de dor. Sutherland foi declarado morto logo depois, e o vídeo gerou denúncias na sexta-feira em relação à atuação dos policiais.
Sutherland estava em um centro de saúde mental, o Palmetto Lowcountry Behavioral Health, e foi preso no local em 4 de janeiro, um dia antes de morrer, após uma briga. Trabalhadores da unidade psiquiátrica disseram a agentes que Sutherland havia atacado um membro da equipe. Ele e outro paciente foram presos, acusados de agressão de terceiro grau e lesão corporal, de acordo com o jornal Charleston Post and Courier.
Elementos dos vídeos na prisão, incluindo um momento em que Sutherland, que tem o joelho de um oficial nas costas, diz "não consigo respirar" — a mesma frase dita pelo segurança George Floyd, assassinado em 25 de maio de 2020 —, ecoam outros casos recentes de brutalidade policial envolvendo negros nos EUA, o que levou a a diversos protestos e pedidos de reforma na polícia.
“Jamal Sutherland foi tratado como um animal por oficiais correcionais que não tinham consideração por seu estado mental alterado”, disse uma coalizão de grupos ativistas da Carolina do Sul em um comunicado na sexta-feira. O texto afirma que o vídeo de sua morte revelou as condições desumanas do centro de detenção onde ele estava detido, “o que sem dúvida agravou o estado de angústia mental de Jamal”.
Os dois agentes do condado de Charleston que se envolveram com o Sutherland, Lindsay Fickett e Brian Houle, foram colocados em licença administrativa, e a promotora local, Scarlett A. Wilson, disse esta semana que estava revisando os resultados de uma investigação conduzida pela Divisão de Polícia da Carolina do Sul.
Wilson também disse que espera decidir se as acusações criminais são justificadas antes do final de junho.
— Doença mental não dá a ninguém o direito de colocar as mãos em meu filho — disse a mãe de Sutherland, Amy Sutherland, em uma entrevista na sexta-feira. — Eu quero que vocês saibam que Jamal foi um grande homem. Ele tinha defeitos como todo mundo, mas era um grande homem.
Na sexta-feira, líderes cívicos pediram calma em Charleston. “Reconhecemos que as emoções são altas e as preocupações são justificáveis, mas é importante que optemos por abordar isso com calma e juntos”, disse Teddie Pryor, o presidente da Comissão do Condado de Charleston, em um comunicado.
O vídeo de Sutherland no dia de sua prisão mostra-o em evidente aflição, gritando "me solte" para os policiais e falando de conspirações, incluindo referências aos Illuminati, grupos — reais e fictícios — que datam de séculos atrás e dizem ter conhecimento especial.
Na manhã seguinte à sua prisão, os policiais, Fickett e Houle, foram à cela buscar Sutherland e levá-lo ao tribunal para uma audiência. Imagens de câmeras de segurança e das afixadas aos uniformes dos agentes, divulgadas pela xerife do condado de Charleston, Kristin Graziano, mostram os oficiais pedindo repetidamente para que Sutherland, que está gritando na cela, ir até a porta e cooperar. Em um determinado momento, um funcionário da saúde aparece e fica aguardando.
Os policiais utilizam o spray de pimenta duas vezes na cela, enquanto fecham a porta e pedem para que Sutherland saia. O homem aparenta estar se movendo lentamente no chão em direção à porta, quando um policial entrar e tenta algemá-lo. Neste momento, Sutherland grita e se debate enquanto os agentes se esforçam para segurá-lo. Sutherland, então, é atingido por uma arma de eltrochoque e começa a se contorcer no chão. Enquanto isso, o joelho de um policial está em suas costas. “Não consigo respirar”, diz Sutherland.
Quando os policiais conseguem algemar suas mãos atrás das costas e colocá-lo em uma cadeira, Sutherland aparenta ter pedido a consciência. Posteriormente, um dos agentes, Houle, disse que Sutherland foi atingido com a arma de eletrochoque de seis a oito vezes.
Wilson, a promotora, disse em um comunicado que um patologista, J.C. Upshaw Downs, revisou o processo de desencarceramento e descobriu que ele não revelou nenhuma "interação incomum ou excessiva ou áreas de preocupação direta".
Downs, segundo Wilson, considerou a forma da morte do Sutherland como "indeterminada", afirmando que ele morreu "como resultado de um estado de excitação com efeito farmacoterapêutico durante o processo de subjugação".
Joe Crawford, assistente jurídico do legista do condado de Charleston, disse na quinta-feira que o relatório da autópsia de Sutherland não foi considerado um registro público e não seria divulgado.
“As evidências em torno da morte de Sutherland levantaram sérias preocupações e suscitaram muitas perguntas”, disse Wilson. “Eu contratei especialistas que podem esclarecer mais sobre a morte de Sutherland e as circunstâncias em torno dela, incluindo a culpabilidade potencial dos oficiais.”
Governos que informaram a população com base em evidências conseguiram engajamento e contribuíram para a redução da propagação do Coronavírus | A hora da Ciência - O Globo

Miguel Lago*
O tão aguardado depoimento de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, terminou em confusão. Uma pena, pois o assunto é da maior importância. A literatura científica sobre a importância da comunicação pública nas políticas de saúde é abundante. A comunicação das autoridades sanitárias tem uma influência direta nos comportamentos da população. Numa situação pandêmica, que requer um imenso e complexo esforço de coordenação de múltiplos agentes, ela é ainda mais importante.
É o que mostra um estudo “padrão ouro” publicado recentemente na revista “Nature Human Behaviour”, um dos mais prestigiosos periódicos científicos do planeta. Os pesquisadores fizeram uma comparação global para avaliar quais intervenções não farmacológicas têm mais impacto na redução da transmissão do vírus Sars-CoV-2. Dentre as 46 medidas avaliadas, a comunicação de risco e a conscientização do público em geral aparecem em oitavo lugar, à frente de medidas como a aplicação de restrições ao transporte público, o aumento da capacidade de testagem ou a contratação de mais profissionais de saúde. De acordo com as várias metodologias aplicadas sua efetividade seria de 48%, contribuindo para uma média de redução de entre 0,18 e 0,28 da taxa de transmissão da Covid-19, o chamado Rt. Ao longo do ano de 2020, governos que ativamente se comunicaram de maneira clara e baseada em evidências incidiram sobre o comportamento da população e contribuíram para a redução da propagação do vírus.


Participação crucial
A comunicação tem uma segunda função: a de engajar a população nas principais políticas de saúde. Num momento em que se busca a imunização, é fundamental conseguir a adesão da imensa maioria das pessoas à vacina. Pesquisas recentes em importantes periódicos apontam para a hesitação particular de grande parte da população em relação à vacina de Covid-19, inclusive em comparação com outras vacinas. Uma revisão sistemática de 126 pesquisas em nível global apontou uma redução da confiança em relação à vacina de Covid-19 entre março e outubro de 2020 — de 70% caiu para 50%. Para que a imunização seja alcançada não basta termos doses, é preciso que tenha gente disposta a se vacinar. As campanhas de comunicação e a palavra das autoridades são portanto fundamentais para restabelecer e manter a confiança.
A Secom é a responsável por pensar, planejar, apoiar e executar a comunicação governamental. No contexto de uma pandemia, sua atuação é determinante para o sucesso das políticas de contenção do vírus e para buscar a imunização da população. Os senadores não deram importância suficiente à instituição Secom, centrando seu foco essencialmente na figura de Wajngarten, um empresário próximo do clã Bolsonaro. Foram muito mais perguntas sobre sua participação nas negociações por aquisição de vacinas — para a qual não tinha qualquer atribuição institucional — do que o papel desempenhado pela comunicação do governo no combate à pandemia.
Gestão revista
Mais do que inquirir a participação do empresário nas compras de vacinas, a CPI deveria analisar mais a fundo as políticas de comunicação governamental promovidas pela Secom sob a sua gestão. A falta de comunicação ou a desinformação é certamente mais letal do que qualquer possível tentativa de enriquecimento ilícito no processo de aquisição de vacinas. O foco da CPI não deveria ser o disse me disse e sim a atribuição de responsabilidade às instituições, que — deliberadamente ou por incompetência — nos levaram à trágica morte de mais de 425 mil pessoas.
(*) Miguel Lago é diretor executivo do IEPS e professor adjunto da School of International Public Affairs da Universidade de Columbia (EUA)
Pela primeira vez, maioria da população apoia impeachment de Bolsonaro, aponta Datafolha

247 - A parcela da população que apoia o impeachment do presidente Jair Bolsonaro aparece pela primeira vez numericamente à frente dos contrários ao afastamento, de acordo com pesquisa Datafolha revelada neste sábado (15) e publicada no jornal Folha de S.Paulo.
Segundo o levantamento, são favoráveis ao processo 49% dos entrevistados ouvidos pelo instituto, ante 46% que se dizem contrários à saída dele do cargo dessa forma.
A pesquisa ainda indica que cvaliam o governo Bolsonaro como ótimo ou bom 24% dos entrevistados, queda de seis pontos percentuais em relação a dois meses atrás. Na pesquisa eleitoral, 54% disseram agora que não votariam de jeito nenhum na reeleição do atual mandatário. Em simulação de segundo turno com Lula, teve 32% das intenções de voto, ante 55% do petista.
A reprovação ao impeachment vai a 52% entre homens e no Sul do país. Também sobe para 60% entre entrevistados que dizem não ter medo do coronavírus, 57% entre evangélicos e 56% entre assalariados registrados.
Já o apoio ao afastamento cresce entre jovens de 16 a 24 anos (57%), moradores do Nordeste (também 57%), desempregados que procuram emprego (62%) e entrevistados que dizem ter muito medo do coronavírus (60%).
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.071 pessoas em todo o Brasil na terça (11) e na quarta (12). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Epidemiologistas dos EUA foram pegos de surpresa com a decisão do CDC de liberar vacinados de uso de máscara

NOVA YORK — A decisão tomada nesta quinta-feira por autoridades de saúde pública dos Estados Unidos de liberar os americanos vacinados da obrigatoriedade de usar máscaras em ambientes abertos e fechados surpreendeu profissionais da saúde do país. A mudança de postura também vai de encontro com a opinião de diversos epidemiologistas procurados nas últimas duas semanas pelo "New York Times".
Em pesquisa informal feita pelo jornal americano, 80% dos profissionais disseram acreditar que os americanos deveriam continuar usando máscara em público e dentro de espaços fechados por, ao menos, mais um ano. Apenas 5% disseram que as pessoas não precisarão mais usar a proteção facial a partir do verão, que começa em junho no Hemisfério Norte.
O uso de máscaras em grandes eventos a céu aberto, como shows e protestos, foi recomendado por 88% dos epidemiologistas procurados pelo jornal.
O jornal entrou em contato com 723 epidemiologistas, entre 28 de abril e 10 de maio, antes da implementação das novas medidas de flexibilização pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). A pesquisa os questionou sobre ocupar espaços abertos em grupos de tamanhos variados, e também ambientes internos com pessoas, sem saber se já foram totalmente vacinadas.
Os epidemiologistas disseram concordar com as diretrizes apresentadas anteriormente pelo governo — que haviam liberado a convivência em espaços fechados entre pessoas que já foram imunizadas. Eles ainda recomendam controlar as medidas de distanciamento e proteção em espaços abertos, onde é impossível rastrear o status de vacinação dos outros.
— Exceto se o nível de vacinação ficar entre 80% e 90% nos próximos meses, nós devemos continuar usando máscara em locais fechados — afirmou a cientista Vivian Towe.
Incentivo à vacinação
De forma geral, os especialistas informaram tomar muito cuidado no que diz respeito à Covid-19, por terem plena consciência dos riscos e da prevenção da propagação de uma doença infecciosa. Cerca de 3 em cada 4 profissionais entrevistados se declararam avessos ao risco e, em sua maioria, puderam trabalhar de casa durante a pandemia. Entretanto, todos têm o mesmo treinamento que muitos cientistas do CDC, que vai de encontro com a nova política.
A epidemiologista Sophia K. reforça que, apesar das novas diretrizes, é importante seguir com o uso de máscaras:
— Isso vai ser uma necessidade, uma questão bem diferente de entender por quanto tempo essa situação vai continuar ocorrendo. Eu imagino que a maioria das pessoas vá se negar a usar máscaras, mesmo em público, até o final de 2021, independentemente de ainda estarmos em um contexto pandêmico — afirma.
Muitos epidemiologistas reforçaram as determinações do CDC de que, desde que as pessoas estejam devidamente imunizadas, elas podem se reunir sem precauções. Mas o órgão foi além do que os especialistas pregam ao liberarem americanos vacinados da obrigatoriedade de usar máscara em grupos com um número indeterminado de pessoas que ainda não se imunizaram.
— Ou você acredita na vacina, ou não acredita. E, se nós confiamos na vacina, isso significa que um número ilimitado de pessoas vacinadas podem ser liberadas para se encontarem — explica a pós-doutoranda em Epidemiologia pela Universidade Emory, Kristin Harrington.
Já outros reconhecem que a política é baseada em muitas metas, como revitalizar a economia e incentivar as pessoas a irem se vacinar.
Controle da contaminação
Entretanto, a maioria reforça que o uso de máscaras continua importante neste momento, porque o número de americanos vacinados ainda não atingiu um nível que os cientistas consideram significativamente lento para a propagação do vírus. Segundo eles, até lá, ainda há a possibilidade de vacinas, que não são 100% eficazes, falharem.
— Circunstâncias em que há aglomerações, tanto em espaços abertos quanto fechados, necessitam do uso de máscara até o nível comunitário da Covid-19 chegar a um patamar muito baixo — afirma o doutor e epidemiologista Luther-King Fasehun.
Os especialistas reforçaram que, enquanto o vírus ainda estiver se espalhando, as máscaras são uma ferramenta importante para proteger pessoas do grupo de risco ou que não podem ser vacinadas, como crianças.
Professora assistente de saúde pública na Universidade de Boston, Julia Raifman reforça que o uso de máscara é fundamental enquanto não houver o controle da transmissão comunitária, e pode também ajudar a proteger grupos como crianças, pessoas imunodeprimidas e comunidades negras e latinas nos Estados Unidos, que foram mais atingidas pela pandemia.
Uso por tempo indeterminado
Um em cada quatro epidemiologisas disseram acreditar que as pessoas devem continuar usando máscara por tempo indeterminado, em certos contextos. Outros planejam continuar usando em espaços como aviões e espaços de concerto durante a temporada da gripe, que ocorre no país a partir de dezembro.
Epidemiologista no Departamento de Saúde Pública do estado de Colorado, Alana Cilwick reforça essa precauções:
— Eu planejo usar máscara em espaços fechados para o futuro imprevisível, diante da quantidade de pessoas que hesitam em tomar a vacina, especialmente em locais de maior risco, como nas academias e em aviões — afirma.
Apenas um quinto dos epidemiologistas procurados pelo "New York Times" afirmou que acreditam ser seguro pessoas totalmente vacinadas socializarem sem máscara em espaços fechados e em grandes grupos. Segundo a maioria, reuniões em espaços fechados devem ser limitadas a cinco ou menos grupos do mesmo lar.
Mesmo em ambientes ao ar livre, em que é muito mais difícil a disseminação do novo coronavírus, praticamente todos os epidemiologistas disseram ser necessário continuar usando máscara em multidões, momento em que as pessoas estão mais próximas de indivíduos com o status de vacinação incerto.
Viagem virtual: de Nova York a Hiroshima, 5 travessias de trem para passear sem sair de casa

RIO - Passar pelos Alpes italianos e suíços, conhecer as montanhas americanas e o interior do Japão sobre trilhos. Ou ver Nova York pelas suas estações de metrô. E subir os Andes. Com muitas fronteiras ainda fechadas para os brasileiros, por conta da pandemia da Covid-19, esse tipo de viagem ainda está no futuro para a maioria das pessoas. Mas enquanto essa realidade não chega, separamos alguns trajetos de trem que podem ser feitos de forma virtual.
1. Alpes europeus
Esta é a mais alta travessia alpina ferroviária da Europa. Começa em St. Moritz, na Suíça, e termina em Tirano, na Itália. Através da linha da Bernina (patrimônio da Unesco), é possível ver as paisagens dos dois países, que incluem falésias, montanhas nevadas, pequenos vilarejos e lagos de águas azuis. bit.ly/2SJawAF
2. Montanhas no Colorado
Há mais de um tour virtual pelas montanhas do Colorado. Uma delas é, inclusive, pela mais alta linha férrea da América do Norte. A viagem começa na estação na cidade de Manitou Springs e sobe até o pico da montanha Pikes Peak. O trajeto, repleto de verde e belas paisagens, leva apenas quatro minutos no tour virtual. bit.ly/2RSgaQw

3. Big Apple
O metrô de Nova York é a melhor forma de se deslocar pela cidade. Além de bastante capilarizado por todos os cinco boroughs, funciona 24 horas. Um tour virtual promove um experiência ainda mais imersiva nos trens que circulam pela cidade, com uma câmera dentro da cabine do maquinista da linha A 7 Express Line (Flushing Express), que sai do Queens e vai até Manhattan. As vistas externas incluem os arranha-céus da Big Apple, além das estações subterrâneas. Sem esquecer da clássica voz que faz avisos no metrô. É para se sentir no dia a dia da cidade. bit.ly/3yd5hK6
Veja também:
4. Japão
As paisagens do interior do Japão podem ser visitadas em um tour on-line de três horas, que parte da estação Hiroshima, na cidade de mesmo nome, até a linha Geibi, que fica na província de Iwate, na região norte de Tohoku, a cerca de 450km de Tóquio. Pela linha Fukuen, o trajeto é todo feito na área montanhosa do país, com vistas para as montanhas e atravessando pontes e túneis. bit.ly/33HDGCw
5. Andes
O Ferrocarril Central Andino liga o porto pacífico de Callao e a capital Lima a Huancayo e Cerro de Pasco, no Peru. No trajeto, as paisagens incluem as pontes Puente Carrión e Puente Infiernillo. Parte do passeio é feito à beira de um estreito desfiladeiro com altos muros de pedra que vão deixar até os mais corajosos com frio na barriga - mesmo que virtualmente. No final, o trem atravessa os túneis ferroviários mais altos do mundo. bit.ly/2RkJZcy
Fãs de 'Friends' poderão dormir no apartamento de Monica e tomar café no Central Perk

Entre os próximos dias 23 e 24, será possível bater papo no sofá amarelo do Central Perk, disputar uma partida de totó na mesa de Joey e Chandler ou simplesmente passar a noite no apartamento de Monica e Rachel (sim, aquele da porta roxa). Tudo isso em Nova York, claro. Mas essa experiência dos sonhos para qualquer fã de "Friends" será para poucos e faz parte de uma ação promovida pela plataforma de reserva de hospedagens Booking.com. A proposta pega carona no anúncio de que o elenco estará junto novamente num episódio especial de "Friends", que vai ser lançado no canal HBO Max no dia 27.
O pernoite acontecerá num dos ambientes que compõem a Friends Experience, uma atração que recria alguns dos cenários mais icônicos da série de TV num espaço que ocupa dois andares num prédio no Flatirion District, na esquina da Rua 23 com a Lexington Avenue, em Manhattan.

São, ao todo, 18 ambientes, que reproduzem também o apartamento de Ross (será que dá para ver o vizinho pelado?), a capela em Las Vegas onde o paleontólogo e Rachel se casaram, a escadaria onde o sofá de Ross ficou entalado. Também é possível posar ao lado do táxi de Phoeb e relaxar na cadeira reclinável de Chandler.
Tudo isso pode ser visitado pelo público em geral, tanto em Nova York quanto em Chicago, onde também existe uma Friends Experience. Mas os hóspedes dessa ação da Booking.com terão direito a experiências exclusivas na atração, além do pernoite num dos cenários principais da série.

A experiência incluirá um tour personalizado, com direito a jantar e bebidas, um jogo de caça ao tesouro "Phoebe's Cab Escape Room", e um café da manhã no Central Perk — que realmente funciona como um café, atendendo os visitantes da atração. Durante o tour, um fotógrafo profissional poderá registrar todos os momentos.
Para garantir a hospedagem, os interessados devem entrar no site do evento na manhã do dia 21, e as vagas serão de quem se registrar primeiro. Serão apenas duas reservas, uma para a noite de 23 de maio, e a outra para 24. Em cada uma delas, serão permitidas até duas pessoas. O valor da diária é US$ 19,94 (R$ 105), uma referência ao ano de estreia da série na TV americana, um quarto de século atrás.
Evento com temática LGBT é cancelado em SC e Mario Frias comemora decisão
Prefeitura de Itajaí alega que o título do projeto beneficiado com a Lei Aldir Blanc, 'Criança Viada Show', pode ferir o ECA
Uma live intitulada Roda Bixa estava prevista para acontecer neste sábado (15), mas, na véspera, a transmissão foi cancelada pela prefeitura de Itajaí, cidade de Santa Catarina.
O evento promoveria o podcast 'Criança Viada Show', que ainda não está no ar. O projeto foi criado pelo ator e diretor Daniel Olivetto para resgatar a memória de infância de pessoas LGBT e foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, pela qual recebeu R$ 10 mil via prefeitura. A transmissão seria exibida no canal do YouTube do Ações para Reexistir, também de Olivetto.
Em nota, a prefeitura de Itajaí informa que determinou a suspensão da exibição da live e que o termo “criança viada” pode confrontar o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e, por meio meio de uma notificação, informou que a live está suspensa até que sejam prestados esclarecimentos.
Olivetto afirma que interpretou a suspensão como uma espécie de intimidação da prefeitura sobre o projeto e, por isso, optou por não fazer a live neste sábado. Ele explica que a verba arrecadada para o projeto não foi suspensa e o podcast também não foi cancelado.

Em nota, a prefeitura diz que "abrirá procedimento administrativo com o objetivo de apurar os fatos". Também determinou à Superintendência Administrativa das Fundações que "notifique o proponente para a suspensão da live de lançamento do projeto [...] pois o assunto foi remetido para apreciação da Procuradoria-Geral do Município, junto ao Ministério Público”.
O prefeito de Itajaí é Vôlnei Morastoni (MDB), que, no ano passado, defendeu o tratamento da Covid-19 por meio de ozonioterapia —a prática não tem eficácia científica comprovada. Ele também afirmou, durante uma live, que a prefeitura ofereceria a aplicação da mistura dos gases oxigênio e ozônio pelo ânus de pacientes infectados pelo coronavírus.
Nesta sexta (14), Morastoni divulgou um vídeo em que se manifesta contra a live promovida por Olivetto, afirma que o título "Criança Viada Show" pode confrontar dispositivos do estatuto da Criança e do Adolescente e também determina "a imediata destituição dos membros componentes da comissão que promoveu a escolha dos projetos".
O secretário especial de Cultura Mario Frias comemorou a decisão de Itajaí pelas redes sociais. “Parabenizo a prefeitura por reconhecer o equívoco, cancelando o edital, evitará que tomemos medidas jurídicas. Estarei sempre atento para impedir o uso da verba da cultura para outros fins, outrora ignorados pelos antigos governos.”
Frias criticou o projeto e escreveu que é lamentável que os recursos, repassados devido a imposição da Lei Aldir Blanc, sejam usados para fins políticos/ideológicos, e não para seu real motivo, o financiamento da cultura.
“Roda bixa, roda hétero ou roda alienígena não tem relação com os aspectos e manifestações da nossa cultura. Verificarei mais a fundo essa questão, para ver como será juridicamente possível garantir que os recursos da cultura não sejam aplicados para outros fins”, escreveu.
Neste sábado, o evento previa a participação de seis convidados que entrevistariam Olivetto. Ao contrário do que alega a prefeitura, ele esclarece que o projeto é feito por e para adultos, nunca tendo sido dito nada diferente disso na divulgação.
Além disso, ele relata que durante a divulgação do projeto sempre foi esclarecido o porquê do nome “Criança Viada”. O termo foi popularizado em 2004, quando o ativista Iran Giusti criou um blog onde discutia a experiência de homossexuais durante a infância e a adolescência. No portal, ele comentava também sobre o bullying sofrido por crianças homossexuais.
O termo serviu de inspiração para a obra “Travesti da Lambada e Deusa das Águas”, de Bia Leite, que reúne desenhos de duas crianças com escritos “criança viada travesti da lambada” e “criança viada deusa das águas”. A obra fazia parte da exposição “Queermuseu”, suspensa em 2017, na sede do Santander Cultural, em Porto Alegre.
Sobre a suspensão deste sábado, Olivetto diz se sentir censurado. “Eles usam outro nome, dizem que é uma suspensão. É uma prefeitura que não quis bancar a autonomia de uma gestão cultural que é de referência no estado. Também é moralismo e distorção dos fatos”.
Ele afirma que a suspensão foi uma surpresa. “A gente sabe com o que tá lidando, mas confesso que até quinta-feira a noite tava feliz, pensei que estávamos evoluindo, até que veio essa avalanche”.
Agora, Olivetto busca orientação jurídica para retomar o projeto. “No momento, nosso posicionamento é atender a essa suspensão. A gente decidiu esclarecer publicamente, vai fazer um debate público, vamos lançar os episódios e vai fazer a live de estreia”.
Neste sábado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), usou as redes sociais para dizer que lamenta a suspensão do evento e diz que oferece os canais da secretaria da Cultura do estado para a realização do projeto de Olivetto.
"Em um momento histórico dramático, em que os trabalhadores da cultura são os mais afetados, parte do poder público escancara o autoritarismo e a tentativa de impor sua visão ideológica sobre a sociedade brasileira", escreveu Leite.
O caso da live não foi a única suspensão de evento cultural da semana. Na quinta-feira (13), a exposição "Suaves Brutalidades", também com temática LGBT, foi cancelada em Belém. O projeto de Henrique Montagne Figueira foi aprovado no Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais - Edital de Pautas do Espaço Cultural 2021, num valor de R$ 25 mil para a execução.
MEC admite não ter verba para Enem e bolsas
Júlia Marques
15/05/2021 10h03
Atualizada em 15/05/2021 11h33
O MEC (Ministério da Educação) admitiu em documento ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que a verba destinada ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2021 é insuficiente para aplicar a prova em todos os participantes.
Também vai faltar dinheiro para pagar bolsas de 92 mil cientistas, incluindo pesquisadores da covid-19, médicos residentes e para livros didáticos. Em ofício obtido pelo "Estadão", a pasta pede dinheiro para "viabilizar projetos" e fala em impactos pedagógicos "imensos".
Corte nas universidades federais afeta bolsas e pesquisa
O documento encaminhado anteontem pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, à Economia pede o desbloqueio de R$ 2,7 bilhões e a suplementação de R$ 2,6 bilhões, sob o risco de deixar sem verba "diversas demandas essenciais à área da educação", entre elas a realização do Enem. O MEC foi a pasta mais atingida pelo bloqueio de verbas realizado em abril pelo presidente Jair Bolsonaro.
Para aplicar o Enem, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao MEC e responsável pelo exame, prevê gastar R$ 794 milhões este ano.
Com R$ 226,7 milhões bloqueados, o orçamento total do Inep é de R$ 1,183 bilhão, mas seria necessário quase o dobro do dinheiro para atender às necessidades da autarquia, que também realiza outras avaliações educacionais.
"Especificamente com relação ao Enem, a insuficiência orçamentária resultaria na inexecução dos serviços, tendo em vista a quantidade de participantes prevista para 2021", aponta o ofício.
O Inep estima ter 6 milhões de alunos inscritos nesta edição do Enem, além de 100 mil estudantes na aplicação da prova digital.
"O montante disponibilizado não atenderia a totalidade de aplicações/participantes previstas, o que de fato poderia trazer prejuízos às aplicações do Enem e ao Inep", afirma o MEC.
No mesmo documento, o MEC cita ainda os prejuízos à pesquisa brasileira, com cortes na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação que fomenta a pós-graduação. Segundo a pasta, todos os 92.377 bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado "não poderão ser pagos" a partir de novembro.
"Entre o total de bolsas, cabe destacar a interrupção do pagamento de 795 bolsistas vinculados a 109 projetos de combate à covid-19, com o envolvimento de 1.280 pesquisadores", destaca o ofício. Além do desbloqueio de verbas, a Capes precisa de R$ 121,5 milhões para garantir pagamento aos bolsistas.
Faltam ainda recursos para o programa de residência médica. O dinheiro recebido até agora será suficiente para pagamento das bolsas até setembro e o MEC já prevê reduzir o programa. Residentes têm atuado diretamente no combate à pandemia em hospitais.
"O valor atual programado para a ação orçamentária contempla recursos suficientes para a manutenção de apenas 10.800 bolsas de residência, de um total de 13.883." A contratação de supervisores e tutores para o programa Mais Médicos também fica comprometida.
Sem assistência estudantil
Nas universidades federais, o ofício admite que a partir de setembro não haverá dinheiro para bolsas de permanência no ensino superior. Os recursos são destinados a estudantes de baixa renda. E o "funcionamento geral" das universidades federais também pode ficar comprometido, segundo o MEC. As instituições falam em paralisar atividades em julho.
Livros e alfabetização
Até programas considerados prioritários para a gestão Jair Bolsonaro (sem partido) sofrem impactos dos cortes. Na alfabetização, a previsão é de atender 16% a menos dos estudantes com cortes na formação de professores para essa área.
E os livros didáticos podem não ser entregues em 2021 porque um terço da verba está comprometido. O investimento mínimo é de R$ 3 bilhões, mesmo valor do "orçamento secreto" de Bolsonaro, esquema revelado pelo "Estadão".
Procurado, o MEC não se manifestou. Já a Economia disse que o bloqueio visa ao atendimento de despesas obrigatórias. "Caso novas projeções de despesas obrigatórias indiquem queda do valor projetado dessas despesas, os valores bloqueados poderão ser reavaliados", informou a pasta. "Até esta data não existe previsão para eventual desbloqueio."
As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Conflito entre Israel e palestinos: a impressionante foto que mostra luta entre Domo de Ferro de Israel e mísseis do Hamas
Redação - BBC Mundo
15/05/2021 09h15
Atualizada em 15/05/2021 09h22
À esquerda, o poderoso sistema israelense de interceptação de mísseis, chamado Domo de Ferro. À direita, os foguetes lançados contra Israel pela milícia palestina Hamas, partindo de Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza.
A imagem noturna impressionante, captada pela fotógrafa Ana Baba, reflete a violência do conflito entre o exército de Israel e os militantes palestinos, que tem escalado nos últimos dias.
Rápida escalada do conflito surpreende israelenses e palestinos
As luzes dos projéteis do Hamas refletidas na noite e os mísseis lançados pelo Domo de Ferro se converteram em cenas habituais para os habitantes de Ashkelon, Sderot e outras populações que vivem nos arredores da Faixa de Gaza.
Segundo as forças de Defesa de Israel, mais de 2.000 projéteis foram lançados de Gaza contra alvos israelenses. Já o último ataque aéreo israelenses teria matado na última noite sete pessoas de duas famílias num campo de refugiados em Gaza. Um bebê de cinco meses seria o único sobrevivente.
O Hamas respondeu lançando mísseis em territórios israelenses ao sul, mas não houve relato de mortes.
Domo de Ferro
No conflito, Israel conta com um arsenal sofisticado que os palestinos não possuem. O Domo de Ferro é parte do seu amplo sistema de defesa aérea.
O objetivo dele é proteger o território de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, foguetes e outras ameaças aéreas.
Ele foi desenvolvido pela empresa Rafael Advanced Defense System LTD, uma empresa particular com vínculos fortes com as forças armadas israelenses e que constrói sistemas de defesa aérea, marítima e terrestre.
O Domo de Ferro também contou com financiamento de mais de US$ 200 milhões dos Estados Unidos. O fabricante assegura que esse escudo antimísseis é eficaz em mais de 90% dos casos.
As baterias são feitas de mísseis interceptores, radares e sistemas de comando que analisam onde os foguetes inimigos podem pousar.
A tecnologia de radar diferencia entre mísseis que podem atingir áreas urbanas e aqueles que devem errar o alvo. O sistema então decide quais devem ser interceptados.
Os interceptores são lançados verticalmente a partir de unidades móveis ou estacionárias. Eles então detonam os mísseis no ar.
Mortes
A fotografia de Baba reflete a potência do escudo antimíssil israelense e como o conflito com os palestinos tem no céu umas de suas frentes mais ativas. E a violência vista no ar, mas também em terra, é a pior em pelo menos uma década.
Mais de 120 mortos foram contabilizados na Faixa de Gaza e dez na Cisjordânia, ambas zonas de população palestina. Oito pessoas teriam sido mortas em Israel.
A última escalada ocorreu depois de confrontos entre a polícia de Israel e grupos palestinos na Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém. Hamas lançou foguetes sobre o território israelense, enquanto Israel bombardeou trechos da Faixa de Gaza.
A onda de violência também envolve enfrentamentos entre comunidades judias e árabes na Cisjordânia e em várias cidades israelenses.
O estopim
Os primeiros conflitos eclodiram a partir da ameaça de despejo de famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah, que fica fora dos muros da Cidade Velha de Jerusalém.
A área em que hoje vivem as famílias é reivindicada por grupos de colonos judeus em tribunais israelenses.
Há décadas israelenses têm ocupado áreas habitadas por palestinos por meio de assentamentos, tanto em Jerusalém Oriental quanto na Cisjordânia. Só nesta última, são cerca de 430 mil colonos israelenses distribuídos entre 132 assentamentos.
Essas colônias são consideradas ilegais pela lei internacional. Em pelo menos seis ocasiões desde 1979 o Conselho de Segurança da ONU reafirmou que elas são "uma violação flagrante da legislação internacional". A última delas foi em 2016 —o documento oficial também menciona Jerusalém Oriental.
Já Israel defende as iniciativas argumentando que se trata de uma estratégia de defesa de sua integridade, e não uma tentativa de tomada da soberania palestina.
Esse é um dos pontos mais contenciosos das negociações de paz na região e ajuda a explicar porque o atual conflito era inevitável, segundo o editor da BBC para o Oriente Médio, Jeremy Bowen.
O fato de o conflito ter desaparecido das manchetes internacionais nos últimos anos, diz ele, não significa que tenha acabado. É uma ferida aberta no coração do Oriente Médio, que gera ódio e ressentimento que atravessa não apenas os anos, mas gerações.
Vereadora Benny Briolly sobre sair do país após ameaças de morte: "É cruel"

Nathália Geraldo
De Universa
15/05/2021 04h00
"Me sinto mais uma vítima do Estado de barbaridade, racista, genocida, que é cruel com nossos corpos." É assim que Benny Briolly (PSOL-RJ), primeira vereadora trans eleita de Niterói (RJ), traduziu em entrevista a Universa, nesta sexta (14), a sensação de ter sido obrigada a sair do Brasil após receber novas ameaças de morte.
Desde janeiro, quando assumiu seu mandato, a vereadora tem sido vítima de transfobia e de ameaças. A decisão para que ela deixasse o país foi tomada pelo PSOL — em 2018, a também vereadora pelo partido Marielle Franco foi executada no Rio de Janeiro.
Érica Malunguinho: "Trans têm mais a oferecer do que apenas pautas LGBTs"
Para Benny, a necessidade de sair do Brasil para assegurar sua integridade física assinala como o Estado lida com os corpos negros, de mulheres e de pessoas LGBTQIA+ (Lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queers, intersexuais, assexuais e demais existências de gêneros e sexualidades). "Me sinto uma vítima do Estado da indústria mercadológica religiosa, do que não respondeu ainda quem mandou matar minha amiga e companheira de partido Marielle Franco", afirma.
É ruim, é triste, é cruel. É uma sensação de impotência, de ainda estar vivendo sob a chibata e o chicote de um processo escravocrata
Em uma das recentes ameaças que recebeu por e-mail, a pessoa mostrou que sabia seu endereço e exigiu que ela renunciasse ao mandato senão iriam até sua casa matá-la. Além disso, Benny recebeu comentários em suas redes sociais desejando que "a metralhadora do Ronnie Lessa" a atingisse. Ronnie Lessa é o policial militar reformado preso por suspeita de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, em 2018.
Vereadora entrou no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos
As ameaças foram comunicadas e oficializadas, segundo a assessoria da vereadora, para várias instâncias do governo, e nenhuma medida havia sido tomada para garantir a integridade física de Benny. No dia 6 de maio, foi confirmada a possibilidade de a parlamentar ser incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
Há um mês, Benny, que foi a quinta candidata mais votada em Niterói na última eleição, com 4.358 votos, conseguiu que a Câmara Municipal determinasse a obrigatoriedade do uso de nome social entre os parlamentares, depois de sofrer ataques transfóbicos no exercício de seu mandato. O nome social é aquele que uma pessoa escolhe para usar quando se reconhece com um gênero diferente daquele com o qual foi identificada no nascimento.
"Neste ano, completamos 133 anos da falsa abolição do processo escravocrata, 89 anos em que mulheres têm direito ao voto. Ainda somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo e um dos que mais extermina defensores de direitos humanos", diz. Em 2020, 175 travestis e mulheres transexuais foram assassinadas — um aumento de 41% em relação ao ano anterior, quando houve 124 homicídios.
Para ela, as medidas protetivas são uma "luz no final do túnel", mas ao mesmo tempo mostram o quanto a Câmara de Niterói e todos os órgãos institucionais vão precisar se debruçar rigorosamente para garantir a minha integridade de vida".
Sou a mulher mais votada do município. O povo escolheu uma travesti, preta, favelada, para ocupar esse espaço, porque represento as vozes das mães que choram pelos filhos vítimas de violência do Estado, que são pretos. Das travestis e transexuais que se encontram ainda nas esquinas, nos becos e nas noites sem o direito de vida assegurado. De muitas pessoas LGBTQIA+ e mulheres que todos os dias são vítimas das barbaridades misóginas e LGBTfóbicas que acontecem no Brasil
Trabalho continuará de maneira virtual
Benny deverá ficar por 15 dias afastada presencialmente da Câmara Niterói. Nesse período, participará das sessões de maneira virtual, recurso adotado desde o início da pandemia de covid-19. Ela diz que seu trabalho como vereadora continuará ativo e que, apesar da medida extrema de sair do país, segue firme em sua atuação política.
"A 'mandata' [mandato] segue nos territórios, nas favelas, fiscalizando os órgãos institucionais", fala. "Com a coroa de orixá na minha cabeça, minha ancestralidade, com a política que acredito que não é a do Estado capitalista, que não é o Brasil genocida, que não é Bolsonaro ocupando o poder. Preciso enfrentar todas as instâncias necessárias para que minha vida seja assegurada e eu continue a exercer meu mandato."
No ano passado, uma colega de partido de Benny, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), enviou uma carta à ONU (Organização das Nações Unidas) denunciando ameaças contra sua vida. Para ela, que também foi vereadora em Niterói e precisou sair do estado do Rio para se sentir mais segura, a situação de Benny por conta da violência política é "inadmissível".

Comentários
Postar um comentário