LAURA VERMONT (18 anos) - CRIME_TRANSFÓBICO (2015): Justiça condena governo de SP por OMISSÃO.

LAURA VERMONT (18 anos) - CRIME_TRANSFÓBICO (2015) ____________________ Justiça condena governo de SP por OMISSÃO.

Datafolha _________________________________________ Para 58%, Bolsonaro NÃO TEM capacidade de liderar o Brasil.  ___________________________________ ÚNICO segmento que MAJORITARIAMENTE julga o presidente APTO é o de EMPRESÁRIOS, segundo a pesquisa

Jogadora Chu do Palmeiras é denunciada pela Secretaria da Justiça por homofobia a Paulo Gustavo

Na Ponte Aérea, com Paulo Gustavo (Artur Xexéo)

O silêncio do GENERAL FUJÃO 

Bolsonaro perde seguidores nas redes sociais e passa a falar de vacina

Vinte anos depois, Bruno Covas (41) repete drama do avô, Mario Covas.  _____________________________ Em 2018, foi um dos POUCOS LÍDERES tucanos a NEGAR apoio a Jair BOLSONARO

Quem é RICARDO NUNES, que assume Prefeitura de São Paulo após a morte de Bruno Covas

Anvisa notifica Maranhão após passageiro INDIANO chegar de navio ao Brasil com Covid-19, diz estado

Em estudo na Itália, infecções por Covid-19 caem 80% entre vacinados cinco semanas após primeira dose

Variante BRASILEIRA da Covid-19 já foi DETECTADA em 16 países latino-americanos

Uruguai sofre o maior índice de mortalidade Covid-19 por MILHÃO do MUNDO. _______________________ 14,23 _ Uruguai * 10,90 _ Paraguai * 09,05_ Brasil 

PANDEMIA se AGRAVA em Uruguai e Argentina; países sul-americanos chegam a taxas de transmissão (Rt) que estão entre as PIORES do PLANETA

Pandemia joga pá de cal na Previdência chilena, e reforma é consenso da direita à esquerda

Martha Medeiros: É gay? Não é gay?

Cidade do Rio tem quase um milhão de moradores sem acesso à coleta de esgoto; mapa mostra áreas mais sensíveis

Corpo de ex-deputado JORGE PICCIANI é sepultado no Rio

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LAURA VERMONT (18 anos) - CRIME_TRANSFÓBICO (2015) _________ Justiça condena governo de SP por OMISSÃO.

O juiz concluiu que o estado foi omisso e negligente quanto à morte de Laura

Justiça de São Paulo condenou o governo estadual a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais aos pais da travesti Laura Vermont, assassinada no dia 15 de junho de 2015 por um grupo de rapazes.

Os réus respondem o crime em liberdade e aguardam a data do julgamento. As informações são do G1.

O juiz Kenichi Koyama, da 11ª Vara de Fazenda Pública do Foro Central, atendeu parcialmente o pedido de indenização feito pela Defensoria Pública, alegando que o estado foi omisso na morte de Laura, considerando que os policiais envolvidos no caso foram NEGLIGENTES, IMPRUDENTES e ainda MENTIRAM, mesmo que NÃO tenham participado do assassinato da travesti.

Na ocasião, dois policiais militares foram acionados para atender a ocorrência de que jovens estavam agredindo a Laura e, segundo ambos, assim que eles chegaram com a viatura, ela teria entrado no carro para fugir dos jovens agressores, batendo o veículo em um muro.

Justiça condena governo de SP por omissão no crime transfóbico contra Laura Vermont
Reprodução

Um dos PMs teria agredido ela depois do ocorrido, enquanto o outro atirou no braço dela.

Depois deixaram de socorrê-la

Ao chegar na delegacia, os policiais deram uma versão fantasiosa, mas após serem confrontados, acabaram contando a versão mais próxima à realidade.

“Indiscutível que a omissão estatal foi no momento da abordagem negligente com a situação, permitindo inclusive perder a viatura. 

Provavelmente por esse fato, tornou-se imprudente na abordagem, inclusive com disparo desnecessário de arma de fogo. 

Sucedeu-se que não atendeu a vítima para lhe salvar a vida, sem que haja qualquer elemento suficiente para supor que o atendimento não fosse exitoso se desde logo tivesse sido correta abordagem. 

E finalmente, foi dolosamente inaceitável alterar sua versão para escapar de uma realidade patética que causou”, escreveu o juiz Kenichi em 4 de abril.

“Desse modo, fixo o dano moral em R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), o que se dá compatível com a imprudência e imperícia da abordagem policial, de forma que o valor seja para mitigar os resquícios do prejuízo enfrentado pelo autor”, informa outro trecho da decisão do magistrado.

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Jogadora do Palmeiras é denunciada pela Secretaria da Justiça por homofobia a Paulo Gustavo

A jogadora Chu disse que Paulo Gustavo "foi ao inferno" por ser "umbandista, ator e homossexual"

A atacante do Palmeiras Francisleide dos Santos Barbosa, conhecida como Chu, usou o Facebook para fazer um comentário demonizando a existência do ator Paulo Gustavo, vítima de complicações da covid. Em uma postagem, trazia uma imagem do Irmão Lázaro, “evangélico, cantor gospel e servo de Deus” ao lado Paulo Gustavo, “umbandista, ator e homossexual”, ao que Chu escreveu: “Blz, morreram pelo mesmo vírus, a diferença é: que um Lázaro foi para o céu e Paulo Gustavo para o inferno”.

chu pa
Comentário da Chu

Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual (CPDS), da Secretaria da Justiça e Cidadania, tomou conhecimento por meio matérias jornalísticas sobre o comentário da jogadora de futebol e abriu um expediente preliminar de apuração de ato discriminatório contra o humorista, que morreu no dia 4 de maio, vítima de Covid-19.

Com a denúncia, com base na Lei Estadual nº 10.948/2001, que pune administrativamente a discriminação em razão da orientação sexual ou identidade de gênero, poderá ser instaurado um processo administrativo contra Chu, tendo como sanções advertência e até uma multa que pode chegar ao valor de R$ 87.000.

Uma das colegas de Chú na Seleção chegou a chorar quando soube do posicionamento da jogadora. O apresentador e ex-jogador Neto chegou a defender que ela fosse desligada do Palmeiras, equipe que ela defende atualmente.

A avaliação da equipe técnica da Seleção e da própria CBF é de que o dano à imagem de Chu será difícil de reverter, havendo grande preocupação em relação a Chu às vésperas da disputa da Olimpíada de Tóquio.

GIBA

Nesta mesma semana, Marcelo Gallego, que atua na Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual, também abriu outro expediente contra o ex-jogador de vôlei Giba, que durante uma conversa no canal do Youtube de Eduardo Bolsonaro, o ex-ponteiro da seleção brasileira teria dito que ‘o fato de Tiffany (atleta transexual) atuar em equipes de vôlei femininas é completamente fora do normal’ e sugeriu um campeonato disputado apenas com transexuais.

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O silêncio do general | Bernardo Mello Franco - O Globo

O ministro Eduardo Pazuello ajeita a máscara em audiência no Senado

Há dez anos, o estamento militar se uniu para combater a Comissão Nacional da Verdade. 

Os generais temiam que a revelação de crimes da ditadura causasse dano à imagem das Forças Armadas. 

Faltou visão estratégica: o pior estava por vir com Eduardo Pazuello.

A passagem do general pelo Ministério da Saúde implodiu o mito da eficiência dos militares. O oficial afastou técnicos e aparelhou a pasta com coronéis, majores e capitães.

O resultado foi uma gestão caótica, que abraçou o negacionismo, atrasou a compra de vacinas e deixou faltar oxigênio em hospitais.

Pazuello também desmontou o marketing da bravura dos homens de farda. 

Para não perder o cargo, o general se humilhou publicamente diante do capitão. 

“É simples assim: um manda, e o outro obedece”, explicou, ao ser desautorizado na negociação com o Instituto Butantan.

A CPI da Covid já causou novos desgastes a Pazuello e ao Exército. 

Depois de usar uma desculpa esfarrapada para adiar seu depoimento, o ex-ministro apelou ao Supremo pelo direito de permanecer calado.

O habeas corpus concedido pelo ministro Ricardo Lewandowski segue a jurisprudência do tribunal. 

A Constituição também é clara: ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. 

No entanto, a blindagem jurídica terá efeitos adversos. O silêncio do general deve agravar sua desmoralização diante dos senadores e da opinião pública.

Ainda que compareça em trajes civis, Pazuello representará o Exército na CPI. 

Ele é general da ativa, loteou o ministério entre colegas da caserna e agora é defendido pela Advocacia-Geral da União. 

É impossível separar o personagem da instituição que o abriga e acoberta.

Há outros riscos à vista para o general fujão. 

Apesar de ter garantido seu direito ao silêncio, Lewandowski ressaltou que ele precisará responder a perguntas que envolvam “fatos e condutas relativas a terceiros”. 

Nesses casos, valerá o compromisso de dizer a verdade. 

Se mentir aos senadores, o ex-ministro poderá ser responsabilizado por falso testemunho.

O relator Renan Calheiros deixou claro que o habeas corpus não resolve todos os problemas de Pazuello. 

“Interrogatório bom não busca confissões, quer acusações sobre terceiros. Com relação a ele, outros falarão”, avisou.

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O drama dos Covas

Duas décadas depois, Bruno Covas repete o drama do avô. 

Mario Covas descobriu um câncer no auge da carreira política.

Havia acabado de se reeleger governador de São Paulo.

Ele rompeu uma tradição da política brasileira e manteve os cidadãos informados sobre a doença.

Morreu em 2001, aos 70 anos.

O prefeito Bruno também escolheu enfrentar a tragédia pessoal com transparência. 

Além de explicar cada etapa do tratamento, usou as redes sociais para divulgar mensagens de fé e otimismo. 

Na quinta-feira, ele publicou a última foto no hospital. Na sexta, os médicos informaram que seu estado de saúde era irreversível.

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Na Ponte Aérea, com Paulo Gustavo (Artur Xexéo)

Era só uma história, não fará falta. O triste é constatar que muita coisa perdeu a graça desde a morte do ator. E estas, sim, vão fazer sempre falta
16/05/2021 - 04:30

Paulo Gustavo morria de medo de avião. Não, não sou mais um dos muitos amigos íntimos do comediante que sabiam tudo sobre ele. Na verdade, não tínhamos a menor intimidade. Mas quis o destino que nos cruzássemos na sala de espera do Aeroporto de Congonhas, aguardando o último voo da Ponte Aérea para o Rio.

Eu estava voltado de uma gravação no “Domingão do Faustão”. Ele estava com Dona Déa e tinha ido a São Paulo comprar um apartamento. Foi ele quem puxou assunto.

— Lembra que eu te procurei no GLOBO pra você fazer uma matéria comigo?

Não me lembro dessa história. Mas, sempre que me encontrava, ele começava a conversa. Segundo Paulo Gustavo, ele vivia seu primeiro grande sucesso, o monólogo “Minha mãe é uma peça”. Eu era o editor do Segundo Caderno e teria rebatido:

— Por quê?

— Porque fui indicado pro Prêmio Shell de melhor ator.

— Então, quando você ganhar, eu faço.

Ele morria de rir com essa história. Riu de novo no aeroporto e aí falou do medo de avião.

— Eu gosto de encontrar alguém famoso no voo. Porque nenhum avião cai com dois famosos dentro. Cai só com um.

Além de o raciocínio não ter lógica alguma, a que outro famoso ele estava se referindo? Seria eu? Não quis deixar Paulo Gustavo nervoso explicando o abismo que separava nossos níveis de fama. Deixei passar. Afinal, se ele tinha se tranquilizado, deixa ele pensar que eu era famoso também.

Sentamos juntos. Paulo Gustavo na janela, Dona Déa no meio, eu no corredor. Ele mergulhou no telefone celular. Eu fiquei de papo com Dona Déa. Ela foi divertidíssima. Pra começar, falou mal da remontagem de “Sai de baixo”, que o canal Viva tinha levado ao ar. “Horrível”, ela dizia. Constrangido, eu dizia baixinho: “Eu fui o roteirista”. “Péssimo, uma bobagem!”, ela continuava. “Eu fui o roteirista”, dizia um pouco mais baixinho. “In-qua-li-fi-cá-vel”. Mudei de assunto. Passei a elogiar a capacidade de observação do filho dela. Agora que eu conhecia o modelo, podia dizer que o perfil de Dona Hermínia era uma obra-prima. Ela não deu muita bola. “Paulo Gustavo é muito alienado. Eu digo sempre, vai ler um jornal, Paulo Gustavo. Mas ele não vai. Nem que seja só a primeira página. Mas nem isso.”

Chegamos sãos e salvos no Rio. Nenhum famoso morreu a bordo. Alguns meses depois, reencontrei o comediante em Belo Horizonte. Acho que ele estava em cartaz na capital mineira com “220 Volts”. Eu tinha ido visitar Inhotim. Estávamos hospedados no mesmo hotel. Ele se aproximou:

— Lembra que eu te procurei no GLOBO pra você fazer uma matéria comigo?

Mas aí eu já me lembrava de outra história. Paulo Gustavo não ganhou o prêmio Shell. Mas ganhou a matéria do GLOBO. Foi capa do Segundo Caderno quando “Minha mãe é uma peça” completou um ano em cartaz. Assinada por Mauro Ventura, a reportagem talvez tenha sido a primeira a dar destaque ao talentoso ator.

— Lembro. E você acabou na capa do Segundo Caderno.

— Ah... agora a história perdeu a graça.

Era só uma história, que não vai fazer falta. O triste é constatar que muito mais coisas perderam a graça desde a morte de Paulo Gustavo, há pouco mais de dez dias. E estas, sim, vão fazer sempre falta.

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Bolsonaro perde seguidores nas redes sociais e passa a falar de vacina | Sonar - A Escuta das Redes - O Globo

Jair Bolsonaro, abertura da semana das Comunicações

Guilherme Caetano

Instalada no fim do mês passado, a CPI da Covid no Senado coincidiu com dois movimentos nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro e de parlamentares aliados. Desde 16 de abril, dois dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a instalação da comissão, houve 11 dias em que o presidente perdeu seguidores, segundo levantamento da consultoria Bites. Além disso, apoiadores de Bolsonaro passaram a usar a palavra vacina com mais frequência e deixaram de lado a expressão “tratamento precoce”.

Somando os dias de queda de seguidores com outros oito em que os números não mudaram significativamente, são 19 dias em que a popularidade do presidente não cresceu em Twitter, Facebook, Instagram e YouTube. Segundo André Eler, diretor-adjunto da Bites, que monitora redes sociais, é o maior intervalo de estagnação na comunicação digital do governo desde o início do mandato.

Bolsonaro teve em 2020 apenas quatro quedas na base de seguidores, e só uma delas durou dois dias consecutivos. A pressão da CPI levou o vereador do Rio Carlos Bolsonaro a Brasília, onde passou duas semanas ajudando o gabinete presidencial a rever a estratégia de comunicação do governo, segundo mostrou O GLOBO.

— A mudança de narrativa do governo nas redes sobre a pandemia desarticulou o bolsonarismo. Ele ainda não encontrou um discurso para retomar a hegemonia no ambiente digital — diz Eler.

Ainda segundo a Bites, Bolsonaro e seus filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Renan vem usando mais o termo “vacina”, que, em abril, alcançou o pico de menções — 15% do total de publicações. Menções em defesa do que eles chamam de “tratamento precoce” para a Covid-19 caíram e se encontram próximas de 1% do total.

A Bites notou o mesmo padrão ao analisar todas as 89,4 mil publicações em redes sociais de 90 parlamentares defensores de Bolsonaro no Congresso. Esse grupo fez 266 menções a tratamento precoce em março e 126 no mês seguinte. Já as publicações referentes a vacinas se mantiveram num patamar mais alto: 2,2 mil citações em março e 1,9 mil em abril.

— O volume de menções a tratamento precoce, cloroquina, azitromicina, ivermectina ou “atendimento precoce” esteve em alta em março, mas cai com a proximidade da CPI e hoje é residual — diz Eler.

Outra semelhança entre os discursos de Bolsonaro e seus apoiadores reside nas críticas a governadores e medidas de restrição de circulação. Esse tipo de publicação cresceu em março e se manteve em patamar alto em abril, segundo a consultoria. O tom aumentou com a proximidade da CPI, com questionamentos sobre gestão dos recursos da saúde.

Comportamento atípico

A CPI também levou a um “comportamento atípico” de apoiadores do presidente nos grupos de WhatsApp de defesa do governo, de acordo com o pesquisador da Universidade da Virgínia (EUA) David Nemer, que monitora 1.830 desses grupos. Ele diz que na medida em que Bolsonaro passa a ser o alvo dos ataques, ele usa mais tempo para se defender, o que provoca ruídos entre seus apoiadores.

— O interessante é que o WhatsApp bolsonarista prevalece no ataque (a desafetos do presidente). Como todos os convocados para depor na CPI estão na defensiva, eles (bolsonaristas) não sabem o que fazer sem linha de comando — diz Nemer.
Segundo ele, a ida de Bolsonaro a Alagoas na quinta-feira, onde ele atacou o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), chamando-o de “vagabundo”, reorquestrou os ataques nesses grupos. Também movimenta a base de seguidores a participação do presidente em manifestações de rua e o compartilhamento de vídeos de atos a favor de seu governo.

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Vinte anos depois, Bruno Covas repete drama do avô | Bernardo Mello Franco - O Globo

Bruno Covas

Duas décadas depois, Bruno Covas repete o drama do avô. Mario Covas descobriu um câncer no auge da carreira política. Havia acabado de se reeleger governador de São Paulo. Ele rompeu uma tradição da política brasileira e manteve os cidadãos informados sobre a evolução da doença. Morreu em 2001, aos 70 anos.

O prefeito Bruno também escolheu enfrentar a tragédia pessoal com transparência. Além de explicar cada etapa do tratamento, usou as redes sociais para divulgar boletins médicos e mensagens de otimismo. Na quinta-feira, ele publicou a última foto no hospital. Morreu neste domingo, aos 41 anos.

O câncer de Bruno Covas interrompe uma carreira política promissora. 

Em 2016, ele se elegeu vice-prefeito na chapa de João Doria. 

Quando Doria renunciou para concorrer ao governo paulista, tornou-se o prefeito mais jovem da história da cidade.

Covas não herdou o carisma do avô, mas honrou sua trajetória de combate ao autoritarismo. 

Em 2018, foi um dos poucos líderes tucanos a negar apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. Depois ofereceu ajuda para encenar peças de teatro boicotadas pelo governo federal.

Num ambiente político marcado pela radicalização, o prefeito se destacava pela moderação e pelo equilíbrio. Ele também representava uma face mais progressista do PSDB, partido que caminhou para a direita desde o fim do governo FH.

Em 2020, Covas se reelegeu ao vencer uma disputa civilizada com Guilherme Boulos. Chegou a se desculpar publicamente quando um aliado fez ataques pessoais ao candidato do PSOL. Um dos pontos fracos de sua campanha foi a escolha do vice Ricardo Nunes, num arranjo para garantir o apoio do MDB. Agora o ex-vereador assume o comando da maior cidade do país.

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Quem é Ricardo Nunes, que assume Prefeitura de São Paulo após a morte de Bruno Covas

Ele foi escolhido para vice após recusa de outros nomes; episódio de violência doméstica veio à tona na campanha
O Globo
16/05/2021 - 10:00 / Atualizado em 16/05/2021 - 12:32
Ricardo Nunes (MDB) na diplomação após a eleição de 2020: ele assumirá por 30 dias Foto: Alex Falcão/Futura Press
Ricardo Nunes (MDB) na diplomação após a eleição de 2020: ele assumirá por 30 dias Foto: Alex Falcão/Futura Press

SÃO PAULO — Com a morte do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, o vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), assume a gestão da maior cidade do país. 

Indicado a candidato na chapa de Bruno Covas (PSDB) como resultado de um arranjo político, após a recusa do apresentador José Luiz Datena e do deputado Celso Russomano (Republicanos), e quando ocupava o cargo de vereador pelo MDB, Ricardo Nunes tem trajetória curta na política, mas conseguiu cultivar boas relações na Câmara Municipal.

Além das alianças, pesou  na escolha de Covas o fato de o dono de uma empresa de controle de pragas, de 53 anos, ser conhecido pela discrição e ter uma biografia sem escândalos. 

Mas, ainda no meio do primeiro turno da eleição, veio a público uma denúncia de violência doméstica feita em 2011 pela mulher de Nunes.

O casal reatou o relacionamento e a investigação não foi à frente, mas, com a publicidade do caso, ambos tiveram de dar explicações sobre o episódio e alegaram que o fato ocorreu num momento de instabilidade emocional já superado.

Pouco antes, ligações do vice com entidades que prestam serviços para a prefeitura na área de creches também vieram a público e causaram desgaste.

Nunes foi eleito pela primeira vez em 2012, sob a bênção do vereador MILTON LEITE (DEM), um dos políticos MAIS INFLUENTES de São Paulo. 

O reduto eleitoral dos dois é a  periferia da Zona Sul da cidade. 

Católico, integrava a  bancada cristã da Câmara de Vereadores. 

Durante a campanha a vice-prefeito, declarou:

— Meu papel será o de somar esforços com o prefeito em tudo o que ele precisar. Vamos cuidar das pessoas numa gestão humanizada. Meu conhecimento das finanças públicas e da Câmara Municipal estarão sempre à disposição da liderança do prefeito e dos paulistanos.

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Anvisa notifica Maranhão após passageiro indiano chegar de navio ao Brasil com Covid-19, diz estado

Preocupação é que ele carregue nova variante do coronavírus, considerada pela OMS como uma preocupação de nível global
Bruno Alfano
16/05/2021 - 08:10 / Atualizado em 16/05/2021 - 12:58
Profissional de saúde coleta uma amostra de esfregaço de um homem para realizar um teste de coronavírus RT-PCR em Chennai, em 28 de abril de 2021 Foto: ARUN SANKAR / AFP
Profissional de saúde coleta uma amostra de esfregaço de um homem para realizar um teste de coronavírus RT-PCR em Chennai, em 28 de abril de 2021 Foto: ARUN SANKAR / AFP

RIO - O governo do Maranhão informou na noite deste domingo que foi notificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que um tripulante indiano do navio Mv Shangon Da Zhi deu entrada num hospital da rede privada de São Luís com sintomas de Covid-19. Um teste já confirmou o diagnóstico e uma amostra do vírus já foi enviada ao Instituto Evandro Chagas, que realizará o sequenciamento genômico.

A preocupação é a de que tenha chegado ao Brasil a variante B.1.617, que a OMS classificou como “preocupante em nível global” e apareceu pela primeira vez na Índia. Atualmente, o país é o que tem o maior número de casos e de mortes por Covid-19 confirmados por dia. Na última sexta-feira, o governo brasileiro suspendeu os voos vindos do país asiático, dez dias depois da recomendação da Anvisa.

Em nota, o governo do Maranhão informou que o navio com o passageiro indiano encontra-se em quarentena para isolamento dos demais tripulantes: "O órgão estadual foi notificado pela Anvisa para seguir as exigências de protocolo sanitário, sendo orientada a realizar coleta de exame de PCR em toda a tripulação, procedimento que está em curso".

O paciente é um homem de 54 anos que começou a ter sintomas no dia 4 de maio, apresentando febre. "Procedimentos médicos foram realizados previamente à sua remoção para o hospital, no dia 13 de maio, mas os sintomas persistiram. A remoção do paciente foi realizada por meio de helicóptero por determinação médica", diz a nota.

O comunicado foi divulgado pelo secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula. Horas antes da notificação, ele havia declarado pelas redes sociais que "uma terceira onda no Brasil a partir da entrada de uma variante dessas seria o horror".

A Índia vive um surto acentuado de Covid-19, com uma média móvel de 365 mil novos casos e 4 mil mortes por dia (ultrapassou o Brasil há pouco mais de duas semanas no número de mortes diárias).

— Existe alguma informação disponível que indica uma transmissibilidade acentuada [da variante indiana] — disse Maria Van Kerkhove, autoridade técnica da OMS em Covid-19, em uma entrevista coletiva nesta semana.

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Em estudo na Itália, infecções por Covid-19 caem 80% entre vacinados cinco semanas após primeira dose

Análise do impacto da campanha de imunização italiana, com dados de 13,7 milhões de pessoas, mostra redução de 95% nas mortes pela doença
Reuters
15/05/2021 - 12:28 / Atualizado em 15/05/2021 - 12:32
Mulher sendo vacinada contra a Covid-19 com o imunizante da Pfizer/BioNTech no sul da Itália, na Ilha Pelagie de Lampedusa, em 15 de maio de 2021 Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP
Mulher sendo vacinada contra a Covid-19 com o imunizante da Pfizer/BioNTech no sul da Itália, na Ilha Pelagie de Lampedusa, em 15 de maio de 2021 Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP

ROMA — As infecções por Covid-19 em adultos de todas as idades caíram 80% cinco semanas após receberem a primeira dose das vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna ou Oxford/AstraZeneca, de acordo com uma pesquisa italiana publicada neste sábado.

Este é o primeiro estudo feito por um país da União Europeia sobre o impacto no mundo real de sua campanha de imunização contra a doença, e foi realizado pelo Instituto Nacional de Saúde da Itália (ISS) e pelo Ministério da Saúde, a partir da análise de 13,7 milhões de pessoas vacinadas em todo o país.

Os cientistas começaram a estudar os dados a partir do dia em que a campanha de vacinação da Itália começou, em 27 de dezembro de 2020, até 3 de maio de 2021.

A análise mostrou que o risco de infecção, hospitalização e morte pela Covid-19 diminuiu progressivamente após as primeiras duas semanas depois da vacinação com a dose inicial.

"A partir de 35 dias após a primeira dose, há uma redução de 80% nas infecções, 90% nas hospitalizações e 95% nas mortes", informou o ISS, acrescentando que o mesmo padrão foi observado em homens e mulheres, independentemente de idade.

“Estes dados confirmam a eficácia da campanha de vacinação e a necessidade de alcançar uma cobertura elevada em toda a população rapidamente para acabar com a emergência”, disse o presidente da ISS, Silvio Brusaferro, em comunicado.

Entre os quase 14 milhões de pessoas incluídas no estudo italiano, 95% das pessoas que tomaram as vacinas da Pfizer e Moderna completaram o ciclo da vacina, enquanto nenhuma das que usaram a da AstraZeneca recebeu a segunda dose.

Até o momento, a Itália tem seguido as recomendações dos fabricantes, administrando a segunda dose da vacina da Pfizer três semanas após a primeira, a da Moderna após um intervalo de quatro semanas e a da AstraZeneca após um intervalo de 12 semanas.

Na manhã de sábado, cerca de 8,3 milhões de italianos, ou 14% da população, estavam completamente vacinados, com as duas doses de imunizantes contra a Covid-19.

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Uruguai sofre o maior índice de mortalidade por Covid-19 do mundo

Alta no número de casos e mortes, segundo Ministério da Saúde do país, ocorre por causa da variante encontrada no Brasil, a P.1
Daniel Politi, do New York Times
14/05/2021 - 12:34 / Atualizado em 14/05/2021 - 12:42
Em meio a alta taxa de obitos no país, Conmebol disponiliza vacinas CoronaVac para jogadores de futebol no Estádio Centenário, em Montevideo Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP
Em meio a alta taxa de obitos no país, Conmebol disponiliza vacinas CoronaVac para jogadores de futebol no Estádio Centenário, em Montevideo Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP

BUENOS AIRES — Na maior parte do ano passado, o Uruguai foi apontado como um exemplo de como evitar que o coronavírus se espalhasse, enquanto os países vizinhos lutavam contra o aumento do número de casos e mortes.

O bom momento do Uruguai acabou. Na última semana, a taxa de mortalidade per capita por Covid-19 do país da América do Sul foi a maior do mundo, alcançando 14,23 mortes por milhão de habitantes no dia 13 de maio, segundo o site Our World in Data, da Universidade de Oxford.

Até este dia, pelo menos 3.252 pessoas morreram no país de apenas 3,4 milhões de habitantes de Covid-19, de acordo com o Ministério da Saúde, e o número diário de mortos ficou na média de 50 na última semana.

Seis dos 11 países com as maiores taxas de morte per capita hoje estão na América do Sul, onde a pandemia está deixando uma marca brutal de desemprego, pobreza e fome crescentes. Em sua maioria, os países da região não conseguiram adquirir vacinas suficientes para imunizar suas populações rapidamente.

As taxas de contágio no Uruguai começaram a aumentar em novembro e dispararam nos últimos meses, aparentemente por causa de uma variante contagiosa identificada pela primeira vez no Brasil em 2020.

— No Uruguai, é como se tivéssemos duas pandemias, uma até novembro de 2020, quando as coisas estavam sob controle, e outra a partir de novembro, com a chegada da primeira onda ao país — afirmou o vice-ministro da Saúde, José Luis Satdjian. — Nós temos uma nova figura na situação e é a variante brasileira, que atingiu nosso país com muita força — completou.

O país com a segunda maior taxa de mortes per capita é o vizinho Paraguai —  10,9 por milhão de habitantes no dia 13 —,  que também teve relativo sucesso no controle do vírus durante boa parte do ano passado, mas agora se encontra em uma crise que tem piorado. No Brasil, a taxa é de 9,05 por milhão.

O Uruguai fechou suas fronteiras no início da pandemia, mas cidades ao longo da fronteira com o Brasil são efetivamente binacionais e o trânsito é intenso.

O surto de casos sobrecarregou hospitais uruguaios. Em 1º de março, o país tinha 76 pacientes de Covid-19 em unidades de terapia intensiva. Nesta semana, profissionais de saúde estavam cuidando de mais de 530, de acordo com presidente da Sociedade Uruguaia de Medicina Intensiva, Julio Pontet, que lidera a UTI do Hospital Pasteur em Montevidéu, capital do país.

Esse número está um pouco abaixo do pico no início de maio, mas os especialistas ainda não viram um declínio constante que possa indicar uma tendência de queda.

— Ainda é muito cedo para chegar à conclusão de que nós começamos a melhorar, estamos em um alto patamar de casos — afirmou Pontet.

Apesar do alto número de casos continuar, há otimismo de que o país poderá controlar a situação em breve, já que é um dos poucos na região que tem conseguido avançar rapidamente em sua campanha de vacinação. Cerca de um quarto da população foi totalmente imunizada, por volta de 914 mil pessoas.

— Esperamos que o número de casos graves comece a diminuir no final de maio — projetou Pontet.

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Pandemia se agrava em Uruguai e Argentina; países sul-americanos chegam a taxas de transmissão que estão entre as piores do planeta

Colômbia decreta quarentena para 12 milhões; novas variantes impulsionam aumento de casos na região, que segundo a OMS segue sendo o epicentro da pandemia no continente
Ana Rosa Alves e agências internacionais
14/04/2021 - 12:10 / Atualizado em 14/04/2021 - 20:28
Em Buenos Aires, pessoas esperam para serem testadas para o novo coronavírus no tradicional teatro Colón Foto: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS/13-4-21
Em Buenos Aires, pessoas esperam para serem testadas para o novo coronavírus no tradicional teatro Colón Foto: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS/13-4-21

RIO — A nova onda da Covid-19, impulsionada pelas variantes mais contagiosas do coronavírus, causa uma piora do quadro epidemiológico em diversos países da América do Sul, o epicentro da pandemia nas Américas. A Argentina e o Uruguai veem um aumento sem precedente dos casos, enquanto a Colômbia voltou a acirrar as restrições de locomoção para cerca de 12 milhões de pessoas.

Segundo as projeções do Imperial College para 68 países e territórios, o Uruguai e a Argentina tinham na segunda-feira, respectivamente, a terceira e a quarta maiores taxas de transmissão (Rt) do coronavírus no planeta, de 1,42 e 1,37, atrás apenas de Índia e Irã. O Brasil, em contraste, aparece na 33ª posição, com um Rt de 1,06, enquanto os índices de Peru e Colômbia estão entre os 10 maiores.

O Rt é uma das principais referências para acompanhar a evolução epidemiológica: quando é inferior a um, indica tendência de desaceleração dos casos. Quando é superior, indica que o vírus se dissemina mais rapidamente. Os números uruguaios e argentinos significam que cada 100 pessoas infectadas devem contaminar outras 142 e 137 pessoas, respectivamente.

Há semanas, a Organização Mundial da Saúde alerta que as novas variantes e, em especial, a dimensão calamitosa da pandemia em território brasileiro representavam um risco para a região — todos os vizinhos, com exceção do Paraguai, fecharam suas fronteiras com o Brasil. Teme-se em particular a variante P.1, mais contagiosa e possivelmente mais letal, tida como uma alavanca para a crise sanitária. Na semana passada, ela já era associada a 30% dos novos casos no Uruguai e a 40% dos diagnósticos em Lima, capital do Peru, que concentra mais de um terço da população do país.

— A América do Sul segue sendo o epicentro da pandemia nas Américas — disse nesta quarta Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana de Saúde, ressaltando que as mortes por Covid-19 nos últimos sete dias superaram todos os números semanais de 2020 e alertando que as medidas de distanciamento já não têm a mesma adesão de antes. — Não estamos agindo como uma região em meio a um surto cada vez pior.

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Alerta no Uruguai e na Argentina

A situação uruguaia é particularmente alarmante: no último mês, a média móvel de novos casos mais que triplicou, passando de 1.017 em 13 de março para 3.766 na última terça, 13 de abril. Na semana passada, segundo o levantamento do New York Times, o país foi o segundo do planeta com mais novos casos por 100 mil habitantes, atrás apenas da ilha caribenha de Curaçao.

As mortes diárias cresceram em uma proporção ainda maior: multiplicaram-se por mais de sete, passando de uma média de 7,6 para 57,7. Para tentar conter a crise sanitária, o país prorrogou até o fim de abril a suspensão das aulas presenciais e eventos públicos, além de fechar seus órgãos públicos.

Diversos setores da população e especialistas de saúde pressionam por medidas mais duras do governo de Luis Lacalle Pou, que teve sucesso em controlar a pandemia no ano passado. Na terça, um panelaço organizado pela internet foi ouvido em diversos bairros de Montevidéu demandando restrições mais contundentes — o presidente, contudo, reluta a fazê-lo, afirmando não crer no que chama de "Estado policial".

Na Argentina, a situação também é crítica. Em 13 de março, o país registrava uma média móvel de quase 6,5 mil novos casos por dia. Em 13 de abril, o número havia mais que triplicado, passando para 21,6 mil novos diagnósticos. As mortes, por sua vez, duplicaram: passaram de uma média diária de 110 para 220 no último mês.

Segundo o jornal La Nación, 19 das 24 regiões do país registram mais de 150 casos por 100 mil habitantes ou viram uma variação de casos superior a 20% nos últimos 14 dias. Em Buenos Aires, a taxa de ocupação hospitalar ultrapassa 70%.

Em 7 de abril, o governo de Alberto Fernández impôs um toque de recolher noturno para tentar conter o avanço da doença, mas se vê diante de uma disputa política envolvendo medidas mais rígidas. No ano passado, a Argentina teve a quarentena mais longa do mundo, com impactos econômicos significativos: seu PIB caiu 10% e a taxa de pobreza passou de 35% para 42%.

Quarentenas na Colômbia

Já a Colômbia viu os novos casos diários quase quadruplicarem, passando de 3,7 mil para 14,4 mil no último mês. O país tem hoje um Rt de 1,31, o oitavo maior entre os países analisados pelo Imperial College. Na terça, o presidente Iván Duque anunciou quarentenas de fim de semana em Bogotá e nas cidades de Medellín, no Noroeste, e de Barranquilla e Santa Marta, na região caribenha.

A capital, que concentra 28% dos casos de Covid-19 do país e já esteve sob confinamento no fim de semana passado, verá restrições a partir de meia-noite de quinta. Apenas setores essenciais poderão funcionar, e somente uma pessoa por família poderá sair de casa para comprar comida, remédios ou produtos básicos.

No último dia 4, Duque já havia estendido o toque de recolher noturno em diversos pontos do país onde a taxa de ocupação das unidades de terapia intensiva estava acima de 50%.

A situação não é muito melhor no Peru, que foi às urnas no domingo: o país tem hoje um Rt de 1,3, o décimo maior entre os analisados pelo Imperial College. Em 30 de março, registrava uma média de 6,3 mil novos casos por dia, número que hoje é de 9,9 mil. As mortes diárias, por sua vez, passaram de uma média de 167,6 por dia para 335,9.

Apesar de já ter aplicado a primeira dose da vacina em 40% de sua população — mais que qualquer outro país das Américas — o Chile é outro que continua a ver um aumento dos casos. Para que os imunizantes consigam conter o contágio, apontam especialistas, é necessário que se inocule em torno de 70% a 90% da população.

Panorama regional

O agravamento ocorre apesar da ampliação de uma quarentena, desde 27 de março, que se aplica a mais de 85% da população. Segundo um estudo da Universidade do Chile, contudo, as restrições têm se mostrado menos eficazes que no ano passado, diante do cansaço da população: a taxa de redução da mobilidade é cerca de metade da registrada em 2020.

A previsão do governo é que o avanço da vacinação na população mais jovem, faixa etária majoritariamente responsável por transmitir o vírus, permita uma melhora significativa da situação sanitária até o meio do mês que vem. Foi essa perspectiva que levou o país a adiar as eleições regionais, municipais e para a Constituinte do fim de semana passado para 15 e 16 de maio.

Já no Paraguai, os casos também crescem, mesmo que em ritmo menor: passaram, no último mês, de uma média diária de 1,7 mil para 2,2 mil. As mortes por dia, por sua vez, quase triplicaram, passando de 23 para 65.

A Venezuela vê uma escalada parecida das mortes diárias, que passaram de uma média de 7 para 17 no último mês, segundo registros oficiais. Os casos, por sua vez, apresentam uma tendência de queda nos últimos dias: após registrarem um pico de 1,4 mil no último dia 6, o maior desde o início da pandemia, seguem em tendência de queda. Na terça, a média móvel de novos diagnósticos no território venezuelano foi um pouco superior a 1,1 mil.

A Bolívia, por sua vez, viu a média móvel de novos casos aumentar de 722 para cerca de 1.098. A média de mortes, por sua vez, teve uma pequena queda: era de 19,6 há um mês e hoje é de 18,57. Tal qual Montevidéu, La Paz tomou medidas para acelerar a campanha de vacinação em cidades fronteiriças ao Brasil.

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Variante brasileira da Covid-19 já foi detectada em 16 países latino-americanos

Cientistas ainda não sabem se cepa do vírus é mais agressiva, mas por ser mais transmissível ela já leva indiretamente a mais mortes
Rafael Garcia
16/05/2021 - 04:30
Idoso aguarda vacinação em Sibate, na Colômbia, um dos países onde a variante brasileira P.1 do coronavírus já está circulando Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP
Idoso aguarda vacinação em Sibate, na Colômbia, um dos países onde a variante brasileira P.1 do coronavírus já está circulando Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP

SÃO PAULO - A variante do coronavírus identificada pela sigla P.1, que emergiu no Brasil e dominou o cenário da pandemia em apenas quatro meses, já atravessou fronteiras. Foi encontrada em outros 36 países do mundo, sendo 16 na América Latina. Os dados são da GISAID, iniciativa de monitoramento global de gripe e doenças respiratórias, para o Grupo de Diários América (GDA).

Cientistas ainda não garantem que essa cepa do Sars-CoV-2 é mais agressiva — mas já está claro que, por ser mais transmissível, acaba provocando mais mortes do que a versão “original” do vírus. Até agora, casos de transmissão local da P.1 na América Latina só foram confirmados no México e na Colômbia, além do próprio Brasil, provavelmente porque nesses países há vigilância genômica melhor. Nações que só encontraram casos importados da variante concentram a vigilância no controle fronteiriço. Em Chile, Equador, Paraguai, Suriname e Costa Rica, a P.1 já representa mais de 10% das amostras de coronavírus que passaram por sequenciamento genético.

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Manter essa variante sob vigilância é fundamental, dizem cientistas, porque existem bons indícios de sua relevância para a devastadora segunda onda de Covid-19 no Brasil, ainda que não seja o único fator. Em Manaus, no Amazonas, cidade onde a P.1 emergiu, ela se tornou dominante em apenas dois meses.

— A P.1 já representa de 75% dos casos da doença no Brasil. Na Região Norte, chegou a 90% — explica Tiago Gräf, biomédico e geneticista da Fiocruz-Bahia, um dos laboratórios brasileiros que fazem monitoramento genético do Sars-CoV-2. — Essa abrangência mostra o perigo das mutações da P.1.

A disseminação da variante pela América Latina ocorreu a despeito de restrições de circulação na região. Dos 16 países onde a P.1 já foi detectada, quatro tem política obrigatória de quarentena para quem chega do exterior e dez tem regras que submetem viajantes ao procedimento dependendo da apresentação de sintomas ou de serem ou não cidadãos.

Segundo epidemiologistas, bloqueios de fronteira ajudam, mas estão longe de serem impenetráveis, sobretudo quando o alvo são as pessoas com sintomas.

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— É equívoco achar que barreiras sanitárias funcionam para doenças virais. Em 40% dos casos de Covid-19, a transmissão se dá a partir de pessoas sem sintomas — explica Wanderson Oliveira, ex-chefe da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Brasil.

Na opinião do infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz Amazônia, a medida mais importante a ser tomada é criar um sistema de vigilância genômica robusto, que dê conta de uma grande parcela das amostras de Sars-CoV-2 coletadas.

— Depois que uma variante de alta transmissibilidade entrou em um país, mesmo que seja em apenas uma pessoa ou poucas, é muito difícil impedir que ela se estabeleça ali. Mas a velocidade com que os casos atravessam a fronteira também ajuda a definir a velocidade com que ela vai se espalhar.— explica Lacerda.

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No final de março, quando o Uruguai detectou a entrada da variante P1, o ministro de saúde de país vizinho, Daniel Salinas, soou o alerta: “Isso pode modificar os rumos ou iniciar novos caminhos na prevenção desta doença”. Nas semanas seguintes, o Uruguai teve um crescimento acelerado no número de casos positivos, mortes e ocupação de leitos de tratamento intensivo.

Vigilância genômica, explicam pesquisadores, também é importante para monitorar novas variantes preocupantes do vírus que venham a surgir — fenômeno mais provável em países como Brasil e Peru, onde a epidemia está fora de controle.

— A P.1 deve se desdobrar depois em alguma variante nova, uma “P.1.1”. É importante acompanhar de perto para que todos sejam logo notificados — diz Gräf.

Desafio às vacinas

A eficácia das vacinas também é imporante neste cenário. Um estudo recente patrocinado pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), está acompanhando 67 mil indivíduos imunizados com a vacina chinesa CoronaVac em Manaus para saber se ela permanece eficaz diante da P.1, a variante dominante na cidade— que este mês teve novo aumento relevante de casos de Covid-19 e de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), indicador indireto da crise.

O trabalho, liderado pelo infectologista Júlio Croda, ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, emitiu conclusões preliminares apontando que a vacina funciona. Tem uma eficácia global contra infecção de 50% na cidade, patamar similar ao que a vacina obteve nos testes clínicos em São Paulo, antes da emergência da P.1.

A notícia é importante para a América Latina, pois sete países da região contrataram doses da CoronaVac: além do Brasil, Chile, México, Colômbia, Equador, Uruguai, Peru e El Salvador.

Para Lacerda, a garantia de que a vacina funciona contra uma variante do vírus não se estende a outras possíveis variantes que venham a surgir. Mas faz sentido, diz, tentar conter o espalhamento da P.1 por vigilância epidemiológica enquanto for possível:

— O que alguns países estão tentando fazer é ganhar tempo, vacinando a maior parte possível da população antes que entrem mais casos de P.1.

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Pandemia joga pá de cal na Previdência chilena, e reforma é consenso da direita à esquerda

Criado na ditadura, sistema de aposentadoria por capitalização individual perdeu fundos com retiradas autorizadas na crise pandêmica; sistema deverá ser reformulado pela Constituinte eleita neste fim de semana
Gabriela García e Jorge López Orozco, especial para O Globo
16/05/2021 - 04:30 / Atualizado em 16/05/2021 - 11:10
Chilenos fazem fila do lado de fora de uma Administradora de Fundos de Pensão (AFP) em Santiago para fazer a última retirada autorizada pelo Congresso, em abril Foto: MARTIN BERNETTI/26-4-2021 / AFP
Chilenos fazem fila do lado de fora de uma Administradora de Fundos de Pensão (AFP) em Santiago para fazer a última retirada autorizada pelo Congresso, em abril Foto: MARTIN BERNETTI/26-4-2021 / AFP

SANTIAGO - A explosão social de 2019 e a posterior pandemia da Covid-19 puseram em xeque um dos emblemas da economia chilena. As Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), criadas na ditadura como o principal sistema de previdência social, sofreram um grande abalo depois que os cidadãos, sem ter como sobreviver na crise pandêmica, tiveram autorização para sacar em três ocasiões parte do dinheiro que estava destinado a sua aposentadoria.

O tema deverá ser um dos principais desafios dos constituintes eleitos neste fim de semana, que redigirão uma nova Carta para substituir a herdada de Augusto Pinochet. Quatro deputados ouvidos pelo GLOBO, da esquerda à direita, concordam que o sistema deve ser modificado.

Criado em 1981, o sistema chileno é baseado na capitalização individual. O valor da aposentadoria do trabalhador depende de com quanto ele contribuiu, diferentemente do regime de repartição brasileiro, em que as gerações na ativa contribuem para quem está aposentado. No Chile, o dinheiro arrecadado vai para sociedades anônimas que o investem nos mercados. A ideia dos “Chicago boys” chilenos foi adotada pelos governos democráticos, que fizeram apenas algumas modificações, como a criação do Pilar Solidário, fundo para financiar uma pensão básica para 600 milhões de chilenos sem economias.

Os protestos de 2019 já haviam chamado atenção para as baixas aposentadorias pagas pelas AFP: a média das pensões é de 250 mil pesos (R$ 1.875) no caso dos homens e de 150 mil pesos (R$ 1.125) no das mulheres. Depois,  as quarentenas para conter a pandemia paralisaram a economia. A incapacidade do governo do presidente Sebastián Piñera de adotar medidas de compensação rapidamente e a sua resistência em criar uma renda básica universal levaram os congressistas a aprovar leis para aliviar o mal-estar social. Entre elas, os saques dos fundos em poder das AFP, que somam US$ 200 bilhões.

Em julho de 2020, o Legislativo autorizou cada trabalhador chileno a retirar 10% de suas economias. Em novembro, foi autorizado um segundo saque do mesmo percentual. Finalmente, em abril deste ano foi dada a luz verde para a terceira retirada.

— Com o terceiro saque vamos passar dos US$ 50 bilhões em fundos retirados e não é possível recuperá-los — advertiu na época Osvaldo Macías, superintendente de Pensões.

Enquanto o tema não passa à Constituinte, os atuais congressistas debatem o que fazer com o sistema. Para o deputado Gonzalo Winter, da Convergência Social, de esquerda, o colapso das AFP é anterior às retiradas, porque o modelo fracassou como sistema de previdência social.

— Ninguém realmente pode se aposentar pelas AFP e ficar acima do nível de pobreza. Os que recebem a pensão básica solidária tampouco têm as condições mínimas para viver no Chile — disse Winter. — Pelo atual sistema, um grupo reduzido de pessoas da elite, muito ligado à ditadura e ao sistema político, tem mais poder de modelar a sociedade chilena do que o Estado, pois são os únicos que podem decidir onde investir o dinheiro dos trabalhadores.

Segundo o deputado, o objetivo das AFP sempre foi ser um mecanismo “dinâmico de injeção de capital no mercado financeiro”. Por isso, disse, é preciso “construir outro que cumpra o objetivo” de dar vida digna aos aposentados.

A deputada Alejandra Sepúlveda, da Federação Regionalista Verde Social e integrante da Comissão de Trabalho da Câmara, afirmou que a crise mostra que o sistema de capitalização individual “por si só não serve para as pensões” e funciona mais como “um sistema de economias”. Ela propõe um modelo misto, onde o dinheiro de contribuição dos trabalhadores “seja efetivamente destinado à entrega das aposentadorias e não ao fundo que empresta o dinheiro aos grandes empresários”.

— Uma das demandas mais importantes da explosão social foi esta e, independentemente das retiradas agora, continuará sendo, porque é uma dívida histórica — disse.

 Antes que os constituintes definam um novo modelo, Sepúlveda defende que parte das atuais contribuições seja transferida para um sistema de repartição, deixando as AFP em segundo plano.

— Isso, mais o Pilar Solidário, daria como um resultado um sistema de três eixos mais equilibrado, sem as diferenças aberrantes que há hoje entre homens e mulheres.

Já o deputado Gabriel Silber, da Democracia Cristã, defende uma reforma tributária que injete mais dinheiro no Pilar Solidário. Para isso, diz, as alíquotas de contribuição para a previdência social teriam que passar dos atuais 10% das remunerações para 16% a 20%, que é a média dos demais países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Silber diz ter como referência o Canadá , onde um órgão público e autônomo gerencia os fundos de pensão e os protege, “mas com uma musculatura em termos de investimentos que lhe dá uma robustez muito maior do que as AFP em termos de rentabilidade”.

— Se as novas gerações repudiam o sistema que temos é porque não há nenhum tipo de solidariedade, ele foi desenhado sob a lógica do salve-se quem puder — afirmou Silber.

Deputado do Renovação Nacional, o partido de Piñera, Francisco Eguiguren também concorda que “as AFP entregam pensões miseráveis”.

— Não dão nem para os remédios ou a comida e são uma angústia permanente para as pessoas — afirma o deputado.

Como Silber, Eguiguren aponta que a baixa alíquota de contribuição influiu no fracasso do sistema, que exige “reformas profundas”.

— Acredito que esse tema deve estar na nova Constituição e que deve haver uma definição de pensões que permitam às pessoas ter uma vida digna depois de aposentadas.

O deputado conservador diz esperar que o governo “tenha aprendido a lição” e aprove logo uma “renda familiar de emergência universal”, que evite mais saques das AFP.

— Nenhum de nós que apoiamos as retiradas o fizemos achando que era uma boa alternativa. Temos que caminhar para um sistema misto de pensões, onde o pilar contributivo seja importante, mas a atividade solidária seja potente e financiada pelos impostos gerais. Não deveria haver nenhuma aposentadoria no Chile que seja menor que o salário mínimo [de 250 mil pesos].

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Martha Medeiros: É gay? Não é gay?

Parece cada dia mais claro que nascemos todos bissexuais. Poderíamos sentir prazer transando tanto com homens quanto com mulheres, mesmo estando bem satisfeitos em atender apenas nossa atração predominante
16/05/2021 - 04:30

Dezessete de maio é o Dia Internacional da luta contra a Homofobia. Em 1990, neste dia, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial de Saúde. Bravo! Trinta e um anos atrás nos tornamos menos ignaros. O que será que celebraremos nos próximos 30?

Exercício de futurologia: acho que até mesmo antes de 2050, nosso vocabulário irá mudar. Não sei você, mas eu já começo a achar obsoleto designar alguém como gay. Nada contra usar a expressão como um adjetivo divertido (“esta camisa é muito gay”), mas não acredito que continuará classificando a sexualidade de uma pessoa, diferenciando-a de outras.

Sei de mulheres que foram casadas com homens, tiveram filhos, se separaram, aí namoraram uma mulher, separaram de novo, e por ora estão muito bem sozinhas, até a próxima paixão. Sei de garotos que ficaram com outros garotos e hoje estão casados com mulheres. Conheço mulheres héteros que já se envolveram com outra mulher em alguma ocasião furtiva, mas continuam preferindo viver com homens. Parágrafo muito promíscuo? Nem tanto, caso se esteja disposto a enxergar e reconhecer o que acontece ao redor.

Os exemplos acima não são de pessoas sem Deus no coração. Entre eles, pode estar o médico que atende seu pai, pode estar a engenheira que está construindo sua casa, pode estar a vizinha que reza ao seu lado na missa, pode estar sua prima do interior — ela mesma, tão quietinha. Uma pena não termos o costume de conversar mais sobre sexo.

Minha experiência, até aqui, é exclusivamente hétero, mas observo a vida. Leitura, teatro, cinema, viagens, nada disso é entretenimento, apenas, e sim o combustível que expande nossa mente, que traz compreensão sobre a existência humana. E me parece cada dia mais claro que nascemos todos bissexuais. Poderíamos sentir prazer transando tanto com homens quanto com mulheres, mesmo estando bem satisfeitos em atender apenas nossa atração predominante.

Trago o assunto à reflexão, sem certeza de nada, mas aberta aos movimentos do mundo. Nunca considerei a homossexualidade uma escolha, e sim uma condição genética que envolvia diversos fatores — porém, hoje, penso que a escolha pode ser também um desses fatores, no sentido de opção pela liberdade dos sentimentos, venham de onde vierem. Sendo assim, será que continuaremos rotulando alguém como sendo exclusivamente isso ou aquilo? Quem sabe, por fim, cada um cuidará da própria vida afetiva e sexual, sem dedicar-se à patrulha, agressão e discriminação dos demais?

Essa sou eu imaginando a sociedade daqui a 30 anos, com pouca probabilidade de confirmar in loco se acertarei nos prognósticos. Mal sei se escapo viva desse perverso 2021.

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Cidade do Rio tem quase um milhão de moradores sem acesso à coleta de esgoto; mapa mostra áreas mais sensíveis

Análises do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostram que, entre 2019 e 2020, 90,7% das amostras de rios da capital tinham Índice de Qualidade da Água ruim ou muito ruim, em parâmetros como a quantidade de oxigênio dissolvido e coliformes fecais
Rafael Galdo
16/05/2021 - 04:30
Área sem saneamento na Rua da Beira Rio, Pavuna Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
Área sem saneamento na Rua da Beira Rio, Pavuna Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo


RIO — Da janela de casa, o que se vê são rios, lagoas e baías com águas transformadas num caldo de sujeira, muitas vezes fétido. Milhares de cariocas convivem com essa realidade manchada por uma dívida histórica da Cidade Maravilhosa. Só 65,62% do esgoto do Rio são tratados, segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Pessoas sem acesso sequer à rede coletora desses efluentes são pelo menos 921 mil. Mas se engana quem imagina que esse seja um descalabro restrito às ocupações irregulares e às áreas mais pobres da cidade.

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Mapeamentos do Programa de Saneamento Ambiental, assim como de estudos da Fundação Rio-Águas para atualizar o Plano Municipal de Saneamento Básico, revelam vazios de coleta e/ou tratamento de esgoto em áreas que podem cobrir bairros inteiros nas zonas Norte e Oeste.

O aposentado Roberto Joaquim da Silva, de 71 anos, mora na Travessa Pedrinhas, em Rocha Miranda, diante das águas escuras do Rio das Pedras. Na mesma Zona Norte, vive a cozinheira Marlene Guareschi, de 55, na Avenida Beira Rio, no Jardim América, com vista para o imundo Rio Acari. Ao longo de décadas, os dois já ouviram um rosário de promessas de políticos. Mas o esgoto continua a ser despejado na frente de casa.

— Meu maior medo é de que as crianças tenham contato com essa água, cheia de riscos à saúde— diz Marlene sobre meninos e meninas que já se depararam até com corpos em decomposição boiando rio abaixo. — Quando vêm as enxurradas, é pior. Em algumas casas, a água volta pelos ralos. Nas mais próximas do Acari, entra pelas janelas, e tem gente que perde tudo.

Enquanto isso, um paradoxo: o conjunto de cinco das principais estações de tratamento no município (ETEs Alegria, Barra da Tijuca, Ilha do Governador, Pavuna e Penha) teve vazão média, no ano passado, de 3.317 litros por segundo, apenas 43,9% da capacidade atualmente instalada (7.560 litros por segundo). Os equipamentos são poucos e, ainda por cima, trabalham com ociosidade.

Ao mesmo tempo, há regiões que não têm rede coletora. Onde ela existe, muitas vezes não está ligada à estrutura de tratamento. E, mesmo quando está conectada, não são raros desvios que lançam os dejetos in natura no meio ambiente. Um desafio que, com o leilão da Cedae, no último dia 30 de abril, passou para a responsabilidade de empresas privadas em toda a capital. Parte da Zona Oeste teve o serviço concedido pela prefeitura em 2012.

Tanto Rocha Miranda quanto o Jardim América e bairros próximos, como Honório Gurgel, Coelho Neto, Acari, Barros Filho, Costa Barros e Pavuna, deveriam ser atendidos pela ETE Pavuna, em Vigário Geral, última grande estação inaugurada pela Cedae em 2014. A companhia ressalta que ETEs são “construídas com capacidade ociosa para garantir futuros crescimentos populacionais”. Mas, nesse caso, só parte da rede coletora ficou pronta, e extensas áreas ainda jogam esgoto nos rios.

Tragédia ambiental

Resultado: a apenas 2,3 quilômetros em linha reta de onde Marlene não tem acesso a saneamento, a estação foi construída para tratar 1.500 litros de esgoto por segundo, mas está longe disso. Em 2020, operou com uma vazão média de 263,6 litros por segundo, de acordo com a própria Cedae.

Além de uma população desassistida, a tragédia ambiental fica evidente. Análises do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostram que, entre 2019 e 2020, 90,7% das amostras de rios da capital tinham Índice de Qualidade da Água ruim ou muito ruim, em parâmetros como a quantidade de oxigênio dissolvido e coliformes fecais.

Lagoas como as da Barra e Jacarepaguá também agonizam, seguindo os destinos dados às baías de Guanabara e de Sepetiba. É nesta última que, há 25 anos, Roberto Pinto, de 40 anos, pratica pesca submarina. Nesse tempo, ele viu a visibilidade da água diminuir, os peixes escassearem e, para sair com seu barco em direção ao mar quando a maré está baixa, passou a ter que atravessar o que parece ser uma lama movediça. Ele é nascido e criado na região das praias da Venda Grande e da Ponta Grossa, em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste. A população ali não parou de crescer. O esgotamento sanitário, porém, não chegou.

— Onde havia areia de praia agora só tem lodo que, se pisar, parece queimar a pele. Não muito longe daqui, na Restinga da Marambaia, é bem diferente: a lama no mangue não tem esse cheiro e é cinza. A daqui é preta e gordurosa — diz ele, diante dos canos e manilhas de onde o esgoto segue para a Praia da Venda Grande.

Anos de investimento

O lugar é um antigo povoado de pescadores e veraneio numa região, a Área de Planejamento 5 (AP-5), que reúne 22 bairros da Zona Oeste. Desde 2012, quando assumiu os serviços de esgotamento local, a concessionária Zona Oeste Mais Saneamento informa ter investido R$ 732 milhões, incluindo a instalação de 473 quilômetros de rede. Para o ano que vem, a previsão é de abertura de outra ETE, a de Bangu. Os índices de coleta e tratamento, segundo o consórcio, já saltaram de 5% para 41%. Ainda assim, mais da metade do esgoto de onde vivem 1,8 milhão de pessoas não é tratada.

Paulo Canedo, professor de recursos hídricos da Coppe/UFRJ, acredita que, após o leilão da Cedae, as concessões vão alavancar progressos nas regiões, mas, como o ponto de partida está muito longe do ideal, serão anos de investimento para obter bons resultados. Além de levar coleta e tratamento aonde não há, ele afirma que são necessárias melhorias nas redes existentes.

— É mais fácil construir rede onde não há do que resolver problemas de bairros como Copacabana, por exemplo, devido à bagunça generalizada que se tornou nosso subsolo — afirma ele, destacando a importância de uma agência reguladora (neste caso, a Agenersa), tecnicamente forte, para acompanhar o processo.

A Cedae informa que, em 2020, começou a executar a complementação da rede de esgoto do Sistema Pavuna, em Caxias, que exigirá R$ 17,5 milhões. A obra deve ficar pronta em 2022. Além disso, está sendo feito o Tronco Coletor Faria-Timbó, e o projeto executivo do Tronco Coletor de Manguinhos. Duas intervenções que vão ampliar a coleta de esgoto na Zona Norte.

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Datafolha: Para 58%, Bolsonaro não tem capacidade de liderar o Brasil

Único segmento que majoritariamente julga o presidente apto é o de empresários, segundo a pesquisa

São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não tem capacidade de liderar o Brasil segundo 58% dos brasileiros, mostrou pesquisa realizada pelo Datafolha na terça (11) e quarta-feira (12). É o maior percentual da série histórica desde que o instituto começou a fazer a pergunta, em abril de 2020.

Para 38%, Bolsonaro possui, sim, condições de comandar a nação, com base no que ele fez e está fazendo pelo país; 4% responderam não saber. O resultado vem a público em meio às críticas pela lentidão na vacinação contra a Covid-19, o descontrole da pandemia e a deterioração da economia.

O levantamento foi feito a partir de 2.071 entrevistas de forma presencial em 146 municípios espalhados por todo o Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Na pesquisa anterior, de março, 56% disseram não enxergar capacidade, 42% afirmaram que sim e 3% não opinaram. Desde a aferição de 27 abril do ano passado, a parcela dos que respondem que o presidente carece de aptidão para governar o país é superior à dos que veem o contrário.

Nos subgrupos representados na pesquisa, o de empresários é o único que majoritariamente acha hoje que Bolsonaro é capaz de liderar o Brasil, com 62% dos entrevistados que expressaram esse sentimento.

A categoria é também a que concede a melhor avaliação positiva ao governo, com 48% de ótimo ou bom —na média geral da população, o índice é de 24%, a pior marca do mandato até aqui.

Com exceção do empresariado, em todos os demais segmentos sociodemocráficos relevantes os resultados sobre a inaptidão do atual chefe do Executivo sobressaem, de acordo com o Datafolha.

A avaliação de que o presidente tem capacidade para a missão também é elevada entre os evangélicos. Nessa parcela, que usualmente confere popularidade a Bolsonaro, 49% veem nele condições de liderar o país, índice que cai para 34% entre católicos e para 28% entre espíritas/kardecistas.

No recorte geográfico, o diagnóstico de incapacidade atinge o maior patamar (65%) no Nordeste —região que, segundo o Datafolha, concentra hoje a maior resistência a Bolsonaro e desaprovação do governo.

Já na região Sul, que entrega ao presidente suas maiores taxas de aprovação e intenção de voto para 2022, o percentual dos que o julgam capaz é de 44%, ante 51% que pensam o contrário.

Um pedido de reconhecimento da incapacidade civil de Bolsonaro para ocupar o cargo foi apresentado na quinta-feira (13) ao STF (Supremo Tribunal Federal) por um grupo de acadêmicos, advogados e professores. Na ação civil pública, eles reivindicam o afastamento do presidente.

Os autores apontam razões jurídicas, sociais e psíquicas. Afirmam que Bolsonaro "não está exercendo devidamente" a função e falha na execução de políticas públicas, pecando por "palavras, ações e omissões". Além disso, apresenta "incapacidade de cognição e ação".

O grupo requisita ao STF a realização de perícia médica para verificar possível anormalidade de personalidade do presidente. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes, que ainda não se manifestou.

A ação é assinada pelo presidente da APD (Academia Paulista de Direito), Alfredo Attié Jr., e pelos professores Renato Janine Ribeiro (USP), Roberto Romano (Unicamp), Pedro Dallari (USP) e José Geraldo de Sousa Jr. (UnB), além dos advogados Alberto Toron e Fábio Gaspar.

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Corpo de ex-deputado Jorge Picciani é sepultado no Rio

Do UOL, em São Paulo

16/05/2021 09h39

O corpo do ex-deputado e presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Jorge Picciani foi sepultado ontem no cemitério Jardim da Saudade, no Rio, em uma cerimônia restrita a familiares.

Picciani morreu na madrugada de sexta-feira (14) em um hospital de São Paulo, vítima de câncer na bexiga, contra o qual lutava há alguns anos. Mais cedo no sábado, seu corpo foi velado na Alerj.

Picciani morre de câncer na bexiga; ser homem e fumar aumentam risco

Picciani foi um dos principais líderes do MDB no Rio e teve problemas com a Justiça nos últimos anos. Em 2019, foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª região, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa a 21 anos de prisão em regime fechado. Também foi condenado ao pagamento de multa de R$ 11 milhões.

Ele tinha sido preso quando ainda estava na presidência da Assembleia, em 2017, na operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato. Atualmente, Picciani cumpria prisão domiciliar.

Picciani foi eleito deputado estadual pelo Rio pela primeira vez em 1990 e então foi eleito mais cinco vezes. Foi presidente da Alerj de 2003 a 2010 e de 2015 a 2017. Em 2010, tentou se eleger senador e não conseguiu.

(Com Estadão Conteúdo)

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