Funkeiro MC Kevin MORRE após CAIR do 11º andar de hotel. __________________________________________ Ele chegou a ser encamihado, EM ESTADO GRAVE, ao Hospital municipal Miguel Couto.

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ATROPELAMENTO em RESTAURANTE de COPACABANA deixa um morto.

Bolsonaro COPIA e COLA nota de pesar de LULA sobre Bruno Covas

‘NÃO tínhamos ilusão, mas Bolsonaro é pesadelo ELEVADO a ENÉSIMA POTÊNCIA, inimaginável’, diz Dino

Funkeiro MC Kevin MORRE após CAIR do 11º andar de hotel. __________________________________________ Ele chegou a ser encamihado, EM ESTADO GRAVE, ao Hospital municipal Miguel Couto.

Menina MORTA por MÃE e MADRASTA será homenageada com nome de rua ou praça em Porto Real

Resultado PARCIAL indica liderança de INDEPENDENTES na eleição para Constituinte no Chile

Gigante das telecomunicações AT&T deve selar FUSÃO de WARNERMEDIA com DISCOVERY nesta semana, diz jornal

'Roda de fogo': velha novela aos olhos de hoje - Patrícia Kogut, O Globo

'Netanyahu é o GRANDE BENEFICIÁRIO político do conflito com o Hamas, mas com um CUSTO ALTO, afirma especialista

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Funkeiro MC Kevin morre após cair do 11º andar de hotel

Policiais da 16ª DP estao no hospital Miguel Couto apurando o caso
Lucas Altino e Paolla Serra
16/05/2021 - 21:50 / Atualizado em 17/05/2021 - 00:41
MC Kevin caiu do 11º andar de hotel Foto: Reprodução
MC Kevin caiu do 11º andar de hotel Foto: Reprodução

RIO — O funkeiro paulista Kevin Nascimento Bueno, de 23 anos, conhecido como MC Kevin, faleceu na noite deste domingo após cair do 11º andar de um hotel da Barra da Tijuca. Ele chegou a ser encamihado, em estado grave, ao Hospital municipal Miguel Couto, mas a Secretaria municipal de Saúde confirmou sua morte por volta das 21h30. A 16ª DP (Barra) abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do caso e policiais da delegacia estiveram no hospital e no hotel para buscar informações.

O artista foi atendido pelo Corpo de Bombeiros, após a queda e o grupamento da Barra o encaminhou para o hospital. No último dia 1º de maio, Kevin se casou, em Tulum, no México, com a advogada criminalista Deolane Bezerra. Ela estava com ele no hotel e vai ser ouvida pelos policiais. O delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e, já na noite de deste domingo, equipes da delegacia fizeram diligências no hospital, além de buscar informações no Hospital Miguel Couto.

No final de março, MC Kevin chegou a anunciar nas suas redes sociais que deixaria a carreira de cantor, mas, de acordo com registros no Instagram de Deolane, ele fez uma apresentação musical, em uma festa com muito público, na noite deste sábado. Antes de oficializarem o casamento, os dois passaram por idas e vindas no relacionamento. No último dia 8, Deolane escreveu “Obrigada por tanto amor, por me fazer sentir a mulher mais especial do mundo”, na legenda de uma foto tirada em um passeio em Cancún.

Outro funkeiro, PK Delas, que é amigo de MC Kevin, postou mensagens com pedidos de oração em seu Instagram. Em um dos registros escreveu "estávamos juntos hoje cedo na minha casa comemorando seu primeiro show no RJ!! Não tô acreditando meu Deus". Em outro escreveu “Te amo meu irmão, Deus tá no comando”. Em julho de 2020, os dois amigos foram motivo de polêmica, ao participarem de uma grande festa, com apresentações musicais.

Já em dezembro, MC Kevin passou por uma internação após sofrer um acidente de carro.  MC Kevin morava em Mogi das Cruzes e é um fenômeno da internet, com 8,9 milhões de seguidores no Insatagram, além de 1,8 milhão de ouvintes mensais no Spotify. Ele começou a carreira em 2013 e já lançou músicas com astistas como MC Guimê e Igu. Seus maiores sucessos são “Cavalo de Troia” e “O menino encantou a quebrada”

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Atropelamento em restaurante de Copacabana deixa um morto. Veja vídeo

Vítima já chegou sem vida ao hospital Miguel Couto. Carro invadiu a varanda do Deck Buffet, na Avenida Atlântica, no início da tarde deste domingo
Ricardo Ferreira e Natália Boere
16/05/2021 - 13:20 / Atualizado em 16/05/2021 - 20:07
Carro invade varanda de restaurante e deixa pelo menos três feridos em Copacabana Foto: Reprodução
Carro invade varanda de restaurante e deixa pelo menos três feridos em Copacabana Foto: Reprodução

RIO - Uma das três pessoas atropeladas por um carro que invadiu um restaurante em Copacabana, na Zona Sul do Rio,  no início da tarde deste domingo, morreu, de acordo com a secretaria municipal de Saúde. O órgão afirmou em nota que Manuel Roque, de 79 anos, já chegou ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, morto.

Outra vítima do acidente, Maria Antônia Carvalho, de 73 anos, mulher de Roque, teve ferimentos na perna e foi transferida para um hospital particular em Copacabana. Os dois eram contadores. A terceira vítima teve apenas ferimentos leves e não precisou ser levada a uma unidade de saúde.

Segundo o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, o motorista perdeu o controle do veículo quanto tentava estacionar na Orla, na esquina da Rua Siqueira Campos, e acabou batendo em outro carro. Os dois veículos foram parar na calçada e um deles acabou avançando na varanda do restaurante Deck Buffet, na Avenida Atlântica, e atingindo algumas mesas de sua área externa.

De acordo com um funcionário do restaurante Rondinella, colado ao Deck Buffet, foram ouvidos muitos gritos e o clima de pânico se instalou nas duas casas após o acidente.

— O carro ficou parado bem em frente ao Rondinella. Ficamos muito apavorados, poderia ter nos atingido. Os clientes se desesperaram. A maioria pagou a conta e saiu correndo. E o clima ruim permaneceu ao longo do dia, até porque o veículo só foi removido por volta das 17h30. O movimento foi muito fraco para um domingo — disse o funcionário, que preferiu não se identificar.

O acidente aconteceu por volta das 12h30. Equipes da Polícia Militar, da Guarda Municipal e dos bombeiros foram local do atropelamento. Uma faixa da Avenida Atlântica foi interditada no sentido Leme e provocou lentidão na via.

O caso foi registrado na 12a DP (Copacabana), para onde foi levada a motorista do carro que atropelou os clientes do restaurante.

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Menina morta por mãe e madrasta será homenageada com nome de rua ou praça em Porto Real

A ideia, de moradores do bairro onde Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6 anos, morava, está sendo analisada pelo prefeito Alexandre Serfiotis
Francisco Edson Alves
16/05/2021 - 17:36 / Atualizado em 16/05/2021 - 17:37
A ideia, de moradores do bairro onde Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6 anos, morava, está sendo analisada pelo prefeito Alexandre Serfiotis Foto: Reprodução
A ideia, de moradores do bairro onde Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6 anos, morava, está sendo analisada pelo prefeito Alexandre Serfiotis Foto: Reprodução

RIO - A menina Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6 anos, morta por espancamento pela mãe e a madrasta no dia 24 de abril, em Porto Real, será nome de uma rua ou praça da pacata cidade do Sul Fluminense. A ideia, de moradores do bairro Jardim das Acácias, onde ela morava, está sendo analisada pelo prefeito Alexandre Serfiotis. A intenção é transformar a tragédia em um dos marcos de luta contra a violência infantil.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o prefeito disse que até a próxima semana "definirá como a homenagem se concretizará". A iniciativa baseia-se no último levantamento do Disque 100, plataforma do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, mostrando que o Rio registrou mais de 11 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes em 2020. O estado fica atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

Para Maria Alves, de 54 anos, que mora na Rua 11, onde a garota residia com a mãe, Gilmara Oliveira de Farias, 27, e a madrasta, Brena Luane Barbosa Nunes, 25, apontadas como as responsáveis pela tortura e morte da menina, a mobilização é justa.

- Não queremos a marca dessa barbaridade. Um patrimônio público com o nome de Ketelen, pode despertar o assunto de outra forma, pela conscientização da importância do combate à violência infanto-juvenil - justificou.

Na casa humilde, também moravam Rosângela Nunes, 50, e Maria Aparecida Nunes, 86, mãe e avó de Brena, respectivamente. Rosângela, Gilmara e Brena, presas no Instituto Penal Santo Expedito, em Bangu, responderão por homicídio triplamente qualificado. Rosângela, segundo a juíza Priscila Dickie Oddo, teria se omitido e não impedido as surras.

A Defensoria Pública informou que o processo está em fase de citação das rés, mas que somente Rosângela foi citada até o momento. O GLOBO não conseguiu localizar advogados que por ventura tenham sido constituídos por Gilmara e Brena.

Na internet:  Mãe de menina morta após agressões dela e da madrasta dizia 'te amo, filha' em rede social

Seis dias antes de morrer, Ketelen foi internada em coma no Hospital Municipal São Francisco de Assis, com sangramento no crânio, marcas compatíveis com queimadura de cigarro e vermelhões por todo o corpo, causados por golpes de fio de telefone. Depois de apanhar, a vítima foi jogada de uma ribanceira de sete metros.

Denúncia do Ministério Público (MPRJ) indica que Ketelen teria sido submetida a severos castigos, como se alimentar com comida estragada, e espancamentos, por nove meses. O imóvel teve uma das janelas fechadas com tijolos. Os vizinhos contaram à polícia que nunca viam a menina, nem no quintal

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Resultado parcial indica liderança de independentes na eleição para Constituinte no Chile

Candidatos de partidos conservadores ligados ao governo não devem obter o terço das cadeiras necessário para vetar aprovação do texto
O Globo e agências internacionais
16/05/2021 - 22:29 / Atualizado em 17/05/2021 - 02:00
Membros do Serviço Eleitoral do Chile (Servel) começam a contagem de votos para nova Constituinte Foto: RODRIGO ARANGUA / AFP
Membros do Serviço Eleitoral do Chile (Servel) começam a contagem de votos para nova Constituinte Foto: RODRIGO ARANGUA / AFP

SANTIAGO — Com 81,63% das urnas apuradas no Chile, candidatos de listas independentes surpreenderam, deixando para trás partidos tradicionais em uma votação histórica para eleger os 155 redatores de uma nova Constituição.

De acordo com o boletim divulgado pelo Serviço Eleitoral do Chile (Servel) no início da madrugada desta segunda-feira, as listas de independentes têm até agora 35,68% dos votos. A lista Vamos pelo Chile, formada pelos partidos de direita que apoiam o governo de Sebastián Piñera, tem 20,88% dos votos.

A lista Aprovo Dignidade, encabeçada pelo Partido Comunista, a Convergência Social e a Frente Ampla, de esquerda, tem 18,58%. Já a Lista do Aprovo, de centro-esquerda, está com 14,64% dos votos já contabilizados. Esta última é formada pelo Partido Democrata Cristão,  o Partido Socialista, o Partido pela Democracia e outras forças de centro-esquerda que governaram o Chile na maior parte do tempo desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.

Em um pronunciamento, realizado ainda na noite de domingo, o presidente Sebastián Piñera reconheceu que as eleições enviaram uma mensagem "forte e clara" às forças políticas tradicionais. "Não estamos nos sintonizando adequadamente com as demandas e anseios dos cidadãos e somos desafiados por novas expressões e novas lideranças", admitiu Piñera.

O resultado indica que os os conservadores não chegarão a um terço dos constituintes, o que os impediria de bloquear a aprovação de artigos da nova Carta. Também antecipa uma incógnita sobre a posição dos independentes eleitos.

Uma das eleitas como independente é Giovanna Grandón, transportista escolar da periferia de Santiago que ficou conhecida por ir aos protestos de 2019 vestida de Pikachu, o personagem da saga Pokémon. Ela foi candidata pela Lista do Povo, que está se configurando como a surpresa da eleição, com 22 eleitos até agora.

Candidato do partido de Piñera, o Renovação Nacional, à Presidência nas eleições de novembro deste ano, Mario Desbordes reconheceu a derrota:

— É uma derrota. Não fomos capazes de interpretar a maioria cidadã que está pedindo mudanças — disse.

O país concluiu, neste domingo, dois dias da votação para definir a Assembleia Constituinte, que terá de nove meses a um ano para redigir a Carta Magna que substituirá a herdada da ditadura de Pinochet. Os chilenos escolheram entre 1.373 candidatos os integrantes da Convenção Constitucional, entre eles atores, escritores, professores, ativistas sociais, advogados e políticos tradicionais.

Governadores

Além dos constituintes, os chilenos votaram para prefeitos, vereadores e, pela primeira vez na História do país, para eleger os governadores das 16 regiões chilenas, em mais uma etapa em direção a um Estado mais descentralizado.

Na capital, Santiago, Irací Hassler, do Partido Comunista, e Felipe Alessandri, do Renovação Nacional, o partido de Piñera, disputavam voto a voto, de acordo com a apuração inicial. A Frente Ampla de esquerda e independentes já asseguraram no primeiro turno o governo de quatro das regiões, enquanto candidatos governistas vão ao segundo turno em sete.

Não foram divulgados, até a noite de hoje, dados sobre a participação total. No sábado, mais de três milhões de eleitores foram às urnas, pouco mais de 22% de 14,9 milhões aptos a votar. O voto não é obrigatório no Chile, e a participação eleitoral ficou em torno de 50% nas últimas eleições nacionais.

A Constituição anterior, elaborada durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), é considerada a origem de muitas das desigualdades sociais no país. 

O processo constitucional também marca a primeira vez no mundo que uma Constituição será redigida de forma paritária, já que ao menos 40% das constituintes serão mulheres. Também fará história ao reservar 17 cadeiras aos 10 povos originários, que pela Carta atual não têm seus direitos reconhecidos.

Devido à pandemia do  novo coronavírus, a votação foi dividida em dois dias. As urnas foram lacradas e guardadas no sábado à noite, nos centros eleitorais, sob vigilância de mais de 23 mil militares e delegados do Serviço Eleitoral, sem registro de incidentes.

A Constituinte foi uma das reivindicações dos protestos que eclodiram em 2019 no Chile. Quase um mês após o início das manifestações, as forças políticas anunciaram um acordo para convocar um plebiscito para decidir sobre a mudança da Constituição, que finalmente foi realizado em 25 de outubro de 2020.

— Uma boa parte do futuro do nosso país está em jogo na redação de uma Constituição que nos una, não uma que nos separa, como a atual —  declarou o pré-candidato presidencial Heraldo Muñoz, de centro-esquerda, após votar no sábado.

Um levantamento da empresa Criteria, divulgado pelo jornal La Tercera, mostrou que 63% dos chilenos acreditam que o resultado da nova Constituição terá "consequências positivas para o país".

—  Venho votar com a expectativa de que possamos conseguir uma mudança para o país, que possamos construir uma nova Constituição muito distante daquela que nos foi deixada pela ditadura — disse à agência AFP Guillermo Guzmán, arquiteto de 57 anos.

A esperança do mundo político é que o processo constituinte vire a página da longa transição que começou quando o Chile recuperou a democracia.

—   Posso confessar que votei apenas nas mulheres, não dei o meu voto a nenhum homem porque acredito que também faz parte da mudança que as mulheres possam assumir cargos de poder e que nos escutem — disse Fabiola Melo, piscóloga de 35 anos.

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Gigante das telecomunicações AT&T deve selar fusão de WarnerMedia com Discovery nesta semana, diz jornal

Acordo avaliado em quase R$ 800 bilhões uniria a detentora dos estúdio Warner Bros. e os canais HBO e CNN com as marcas Discovery Kids, TCL, Food Network, entre outras, de acordo com o Financial Times
Reuters
16/05/2021 - 23:08
Uma das marcas da AT&T Foto: Reprodução da internet
Uma das marcas da AT&T Foto: Reprodução da internet

Rio - A gigante de telecomunicações norte-americana AT&T deve fechar nos próximos dias um acordo para unir a sua marca WarnerMedia - que detém o estúdio Warner Bros. e os canais HBO e CNN - com a rival Discovery, das marcas Discovery Kids, TCL, Food Network e outras, segundo o jornal Financial Times (FT) publicou neste domingo.

O acordo proposto uniria um dos estúdios mais poderosos de Hollywood, lar das franquias Harry Potter e Batman, com os programas caseiros, culinária, natureza e ciência do Discovery. O valor avaliado para criação deste novo grupo de mídia é de US$ 150 bilhões (quase R$ 800 bilhões).

No portfólio da Discovery estão ainda o Animal Planet e o Discovery Channel. Seu serviço de streaming Discovery +, lançado em janeiro, tem 15 milhões de assinantes. A empresa atualmente tem um valor de mercado, incluindo dívidas, de cerca de US$ 30 bilhões.

Segundo o FT, os porta-vozes da AT&T e da Discovery não quiseram comentar.

Um dos objetivos do acordo é ajudar ambas a se reafirmarem no mercado de streaming para enfrentar empresas como a Netflix, que tem mais 270 milhões de assinantes.

Aém disso, a AT&T tem buscado desfazer suas aquisições carregadas de dívidas e aliviar seu balanço patrimonial. Em fevereiro, ela concordou em vender um terço do serviço de TV via satélite DirecTV, que comprou em 2015 por cerca de US$ 68 bilhões, para a TPG Capital em um negócio que avaliou o negócio em US$ 16,25 bilhões.

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'Roda de fogo': velha novela aos olhos de hoje - Patrícia Kogut, O Globo

Patrícia Kogut

Tarcísio Meira e Bruna Lombardi em 'Roda de fogo' (Foto: Globo)
Tarcísio Meira e Bruna Lombardi em 'Roda de fogo' (Foto: Globo)

Renato Villar foi um dos inúmeros personagens marcantes de Tarcísio Meira nas novelas. Poderoso, milionário e corrupto, ele mantinha uma pose que jamais desarmava. Até que descobriu um tumor cerebral e reviu conceitos. Quem assistiu a “Roda de fogo”, escrita por Lauro César Muniz em 1986, recorda-se das cenas em que o malvado sofria com enxaquecas horríveis. Ele fechava os olhos, balançava a cabeça e massageava as têmporas em sofrimento. Agora, a trama está no ar no Globoplay e voltou a fazer sucesso.

Em 1986, como lembra um filminho de quatro minutos que também está no Globoplay ao lado dos capítulos, o Cometa Halley tinha passado; a ditadura, recém-terminado; e Maradona era uma estrela no auge da carreira. São décadas, mas “Roda de fogo” está atraindo espectadores, entre outras razões, porque seu enredo tem muita atualidade. Ele fala de política e moral num Brasil cheio de falhas até hoje não superadas.

O leitor não imagina quantas mensagens sobre essa produção vêm chegando aqui todos os dias. Muitas são de saudosistas. Mas essas se somam a outras, de jovens que estão descobrindo a história. Todas as pessoas têm em comum a adoração por novelas, uma característica, aliás, do público brasileiro. Faz pensar que o Globoplay conta com uma vantagem sobre qualquer serviço de streaming que chegue ao país.

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As novelas foram criadas pensando no consumo serializado. O número grande de capítulos serve a diluir os custos e a fórmula funciona como um todo. Porém, as novas gerações estão subvertendo esse padrão e assistindo a elas de outras formas. Fazem maratonas e pulam trechos mais arrastados. Essas apropriações levam à conclusão de que o gênero está bem longe da extinção.

No caso de “Roda de fogo”, há uma curiosidade adicional. A Globo perdeu o capítulo 90, e o Globoplay pôs um aviso para o espectador. Marcílio Moraes, que era colaborador de Lauro César, disponibilizou o texto que falta no seu site. Assim, entre adendos e variadas maneiras de assistir, “Roda de fogo” vai ganhando outra vida.

Recomendo conferir pela história ótima desse autor que é um mestre. E para ver o trabalho do elenco. Além de Tarcísio Meira, Bruna LombardiRenata Sorrah, Cecil Thiré, Eva WilmaOsmar PradoJoana Fomm, Carlos Kroeber e tantos outros estão brilhando. E o jovem Felipe Camargo já esbanjava talento, assim como Isabela Garcia. As cenas eram muito mais longas do que as das tramas modernas, e a qualidade da imagem, bem pior. Nas externas, o ruído ambiente atrapalha. É preciso dar um desconto para tudo isso. Mas vale a viagem.

PS: O Globoplay sugere para os que buscam “Roda de fogo” a paródia exibida na TV Pirata, "Fogo no rabo". Fica a dica. 

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Letrux fala sobre novas músicas, refúgio em São Pedro da Aldeia, maconha recreativa e perda de Paulo Gustavo

Cantora precisou se reiventar na vida pessoal e profissional, durante a pandemia
Eduardo Vanini
16/05/2021 - 04:30 / Atualizado em 16/05/2021 - 07:28
Top LED. Chemise Une Autre Chemise à venda na Sala51. Brincos Gansho Foto: Pedro Napolinário
Top LED. Chemise Une Autre Chemise à venda na Sala51. Brincos Gansho Foto: Pedro Napolinário

Ainda pairava uma certa ressaca de carnaval no ar, quando Letícia Novaes reuniu, numa noite de março de 2020, no Manouche, um grupo de convidados para a audição de seu segundo e aguardado disco, “Aos prantos”. Enquanto bebericava um drinque, Letrux — sua persona artística — apresentava faixa a faixa do novo trabalho, tecendo comentários como “este é um samba meio David Lynch”, e ria, incrédula, do público que aplaudia cada música tocada nas caixas de som, a partir de um laptop sobre a mesa.

A noite na pequena casa de espetáculos no Jardim Botânico seria o prólogo do que ela chamava de “vida-furacão”. “As pessoas estavam intrigadas, querendo saber o que eu ia fazer”, diz, sobre a expectativa pelo álbum seguinte a “Letrux em noite de climão”, de 2017. “Já havíamos feito apresentações em Portugal, com todo mundo cantando e, agora, tínhamos show agendado num festival na Europa. Dois mil e vinte seria o ano em que ia passar um furacão, e a gente ia voar. De repente, o que aconteceu foi que ficamos no centro dele. O furacão está passando à nossa volta, mas estamos parados. É um lugar onde você vê tudo voando. Tem casa voando, gente voando...”

A artista estava pronta para cair na estrada com a nova turnê, mas a pandemia bloqueou a agenda por tempo indeterminado. Mais de um ano depois, a situação permanece inalterada. “Não consigo planejar shows porque estamos num estado de suspensão com esse governo genocida, que não nos permite sonhar. Quando farei uma nova apresentação em público? Não sei. A resposta tem a ver com vacina”, desabafa.

Letrux usa vestido SãnSe e chapéu Barbarah Foto: Pedro Napolinário | Set designer: Hugo S. Tex | Beleza: Taiane Lima | Coordenação de moda: André Puertas | Produção de moda: Agatha Barbosa | Assistência de moda: Fabiana Pernambuco | Assistência de fotografia: Daniel Sulima | Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos | Tratamento de imagens: Bruno Rezende | Agradecimentos: Madi Gastronomia | Oliver Equipamentos Clínica Alba Saúde
Letrux usa vestido SãnSe e chapéu Barbarah Foto: Pedro Napolinário | Set designer: Hugo S. Tex | Beleza: Taiane Lima | Coordenação de moda: André Puertas | Produção de moda: Agatha Barbosa | Assistência de moda: Fabiana Pernambuco | Assistência de fotografia: Daniel Sulima | Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos | Tratamento de imagens: Bruno Rezende | Agradecimentos: Madi Gastronomia | Oliver Equipamentos Clínica Alba Saúde

O cenário, porém, não a impediu de criar. Nas próximas semanas, Letrux lança quatro músicas nas plataformas digitais. “Duas são inéditas e as demais são velhinhas, mas nunca havia gravado”, adianta, acrescentando que cada uma será produzida por uma pessoa diferente. “O que consigo oferecer para o mundo agora é a minha cabeça musical. Então, vou proporcionar uma trilha para as pessoas se divertirem, terem força, me ouvirem.”

Antes disso, ela já havia publicado, há dois meses, o livro “Tudo que já nadei” (Planeta), que caiu como uma luva nestes meses pandêmicos e chegou a ocupar, durante uma semana, o posto de segundo mais vendido no ranking de “ficção” do portal Publishnews, atrás apenas de “Torto arado”, de Itamar Vieira Junior. A obra abarca “textões”, poemas e aforismos debruçados sobre diferentes aspectos da vida. Na orelha da edição, um texto de Rita Von Hunty, drag queen personificada pelo professor de literatura Guilherme Terrer, avisa o que está por vir e usa a psicanálise para dizer que algo poderoso acontece quando uma mulher, como Letrux, encontra o mar. “O oceano, para Freud, era o inconsciente. Existe alguma coisa muito mal resolvida no nosso tempo com o feminino”, diz Rita. “O contato com essas mulheres que celebram o seu feminino é um jeito de desarticular isso.”

Não é por acaso que a própria autora sempre busca refúgio junto à água salgada, com a qual estabeleceu uma relação vital ao longo dos anos. “Faço análise, mas tem dias em que preciso mergulhar a cabeça para conectar algum raciocínio que estava solto”, diz, sobre o costume que chama de “batismos semanais”. Tijucana de carteirinha, ela havia alugado, em janeiro do ano passado, um apartamento em Ipanema, pelo conforto de ir a pé até a praia, mas precisou abrir mão do endereço. “Não dava mais para morar lá, pagando aluguel e condomínio caros, sem fazer show”, conta. A cantora, então, entregou o imóvel e se mandou para a casa de férias da família em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, onde posou para este ensaio. Por lá permanece, na companhia do namorado, o músico Thiago Vivas. “Deixamos uma parte das nossas coisas na casa dos meus pais e outra num guarda-móveis.”

Juntos há oito anos, os dois se adaptaram rapidamente à coexistência assídua trazida pela pandemia, algo que, admite Letrux, ficou mais fácil sob o teto de uma casa com quintal, em vez de um apartamento. “Ele faz faculdade de música e fica estudando no computador. Então, nos vemos só à noite”, narra, ponderando que ambos odeiam a ideia de “casal-simbiose”, do tipo “eu sou você, você sou eu, e nós somos um”. “Amor é um lance livre. Acham que namorar ou casar, fecha. Mas não acho. Sinto que expande muito também, liberta igualmente. Mas é tudo pacote completo. Compra quem aguenta, consegue quem arrisca. Traumas, paranoias, taras, desejos. Casar é um lance livre para tudo isso.”

Em “Tudo que já nadei”, Letrux arrebata os leitores logo nas primeiras páginas com a história de Marina, prima a quem idolatrava na juventude e que sofreu uma morte precoce por meningite meningocócica. “Ela era esquisita, diferente e feminista. Perder a única que se parece com você na família dá uma vontade de ser aquela pessoa”, diz a cantora, que tinha 17 anos quando Marina faleceu. “Até então, eu tinha uma vida muito naïf, ingênua. Quando isso aconteceu, veio toda uma carga existencialista.”

Falar da morte num momento em que o país beira o meio milhão de vítimas fatais pela Covid-19 é um exercício tão doloroso quanto inevitável. O falecimento de Paulo Gustavo pela doença, no início do mês, fez a cantora refletir novamente sobre o assunto de maneira íntima. Também atriz, ela foi contemporânea do ator na Casa das Artes de Laranjeiras e chegou a substituí-lo num festival de esquetes. “Foi a única vez em que a Barbara Heliodora (crítica de teatro morta em 2015) me elogiou. Eu o imitava, porque ele era gênio. Anotava tudo o que fazia em cena”, recorda-se. “O meu nome não estava no programa, mas ela escreveu ‘atuação muito satisfatória, principalmente, de uma atriz alta e loira’.”

Enquanto Paulo ainda estava internado, Letícia se juntou às correntes de vibrações positivas pela sua melhora e, entre as homenagens póstumas, compartilhou no Instagram a foto antiga de um abraço entre os dois e o print de uma recente conversa feita pelo chat da mesma rede. No diálogo, o ator dizia ter sonhado com ela. “Tirando toda a minha revolta de ele ter morrido enquanto já existe vacina, quando penso espiritualmente, reflito que, talvez, ele tenha sido chamado para fazer a passagem porque o lado de lá precisa dele."

Desde que Letrux surgiu na cena cultural, toda a sua intensidade foi captada pelas antenas de veteranos da música brasileira, como Marina Lima. Além de participar de seu primeiro disco, na faixa “Puro disfarce”, a cantora é entusiasta do trabalho da artista, de quem também virou amiga. “Quando me mudei do Rio para São Paulo, em 2010, estava grilada, porque não havia mais música pop na cidade. Estava tudo meio careta”, recorda-se. “Então, o ‘Letrux em noite de climão’ me trouxe um misto de alegria e euforia. Finalmente, ouvia algo com o que podia me identificar. Tinha tudo ali, pop, rock, samba, como quando comecei minha carreia. Vi, então, que havia uma continuidade.”

Com o lançamento das próximas músicas, é provável que ainda mais pessoas experimentem essa sensação. As quatro composições são salpicadas por versos escritos nas outras três línguas dominadas por Letrux: espanhol, francês e inglês. A artista conta que, quando está escrevendo, frases em outros idiomas simplesmente surgem em sua mente, e ela achou válido incorporá-las ao processo. “Às vezes, olho no Spotify e tem mil pessoas me ouvindo na Islândia”, comenta. “Estou com saudade do mundo e, quando tudo passar, seria lindo viajar com a minha música.”

A comunicação com os fãs, no caso da cantora, é visceral. Nas apresentações de “Climão”, que tinham ingressos esgotados em casas como o Circo Voador, o público não só saía de casa com todas as letras na ponta da língua como vestido de vermelho da cabeça aos pés, em sintonia com a identidade visual da turnê. Longe dos palcos, essa troca segue pelas caixas de mensagens de suas redes sociais. “Coisas profundas acontecem por lá. Há pessoas que me fazem perguntas como ‘Letícia, você já pensou em desistir? Porque eu estou pensando. O que você pode me dizer?”, ilustra. “Sinto que existe um papel da arte que, para mim, vai além do entretenimento.”

Ela encara essa relação com responsabilidade e entende que nem sempre está preparada para travar um diálogo. Quando isso acontece, restringe-se a aconselhar os seguidores que busquem ajuda profissional. Afinal, os últimos meses tampouco têm sido fáceis para a cantora. “No início (da pandemia), eu me estraguei um pouco, fiquei com muita raiva do mundo, só queria chorar, beber e comer”, conta. Não se trata aqui de perder as rédeas da própria vida. Hoje com 39 anos, Letícia começou a beber somente aos 24 e sempre foi a primeira da turma a deixar o bar. “Tudo na vida é equilíbrio e eu, felizmente, consigo me utilizar tanto de álcool quanto de maconha de um modo muito capricorniano”, afirma, citando o canabidiol e o THC como alternativas ao Rivotril, no seu caso. “Nem fumo de manhã porque gosto dos meus pensamentos rápidos. Mas, à noite, curto um torpor. Senão, como dormimos com tantas notícias horrorosas vasculhando o nosso cérebro?”

Está tudo sob controle com a mulher que acena para os 40 anos a serem completados em janeiro enquanto desliza sobre o skate com a prancha de bodyboard debaixo do braço.

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Confira os personagens inesquecíveis de Eva Wilma, uma das grandes damas do teatro e da TV do Brasil

Atriz, que foi diagnosticada com câncer no ovário, estava internada desde o dia 15 de abril
O Globo
15/05/2021 - 23:40 / Atualizado em 16/05/2021 - 16:29
A atriz Eva Wilma na primeira versão de "Mulheres de areia" Foto: O GLOBO
A atriz Eva Wilma na primeira versão de "Mulheres de areia" Foto: O GLOBO

A atriz Eva Wilma Riefle Buckup Zarattini nasceu em São Paulo, em 1933, filha de um metalúrgico alemão e uma portenha judia. Em setembro do ano passado, a atriz comemorou 70 anos de carreira. No início da década de 1950, após chamar a atenção como bailarina clássica, estreou como figurante em filmes italianos e fez dois longas com o diretor Armando Couto e o ator Procópio Ferreira, "O Homem dos Papagaios" e "A Sogra". Ao longo da carreira, trabalhou com diretores como Walter Hugo Khouri ("A ilha"), Luiz Sérgio Person ("São Paulo S.A") e Roberto Farias ("A cidade ameaçada").

Na TV, Eva estreou na Tupi, em 1953, no seriado "Namorados de São Paulo" (depois rebatizado para "Alô, doçura"). Ao GLOBO, ela relembrou que eram horas de ensaio antes da ação acontecer em tempo real, diante das câmeras. Na época, a televisão era toda feita ao vivo — o videotape só chegou em 1959, na TV Continental, no Rio.

— Tudo era muito artesanal. A gente ensaiava e combinava tudo antes. Chegava ao fim da tarde e era “vamos ao ar, salve-se quem puder” — contou a atriz, lembrando-se dos textos que eram escondidos no cenário. — Em São Paulo, se chamava cola; no Rio, dália (gíria que surgiu após um ator colar suas falas num vaso de dálias). Usávamos nossa marcação de cena para escolher peças do cenário para colar a dália.

Ao longo dos anos 1970, Wilma se tornou uma das principais estrelas da TV brasileira. Fez sucesso atuando ao lado do ator Carlos Zara em diversos programas, muitas vezes como par romântico. Os dois foram casados por 25 anos, até 2002, quando ele morreu. Antes, ela teve um casamento com o também ator John Herbert, pai de seus dois únicos filhos, John e Vivien Buckup.

Os maiores sucessos da paulistana na telinha incluem as gêmeas Ruth e Raquel na primeira versão de "Mulheres de Areia", de Ivani Ribeiro, e papéis em novelas como "A viagem", "O direito de nascer" e "Selva de pedra". Na década de 1990, virou febre como Altiva, em "A indomada", com seu sotaque nordestino e misturado com inglês na fictícia Greenville.

Em entrevista ao GLOBO, em 2019, a atriz falou com empolgação sobre os projetos nos quais esteve envolvida, como a novela "O tempo não para", de 2018, um recital e a comédia "As aparecidas", dirigida por Ivan Feijó. Com bom humor, abordou as dificuldades que a idade tinha trazido, como as dificuldades para decorar texto ("lembrar as datas, então, é um horror"), lamentou a perda de amigos, mas dizia que continuava em frente.

— O segredo para seguir é não se levar a sério.

Engajada politicamente, lutou contra a ditadura militar e participou da histórica Marcha dos Cem Mil em 1968. Na novela "Roda de fogo", fez o papel da ex-militante Maura, torturada durante os Anos de Chumbo. Após um período ausente, voltou às novelas com "Fina Estampa", de 2011. Também fez aparições no seriado "A grande família" em 2014.

Em setembro, aderiu às lives, apresentando-se dentro de casa com o espetáculo virtual  "Eva, a live", transmitido no YouTube e no Instagram

A atriz Eva Wilma morreu neste sábado, em São Paulo, aos 87 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, por complicações de um câncer de ovário. Com longa carreira no teatro, televisão e cinema, ela estava internada desde o último dia 15 de abril.

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'Netanyahu é o grande beneficiário político do conflito com o Hamas, mas com um custo alto', afirma especialista

Michael Wahid Hanna, pesquisador da Universidade de Nova York, diz que crise atual é resultado de anos de fortalecimento da extrema direita pelo premier, o que provoca reações dos árabes-israelenses e mudança da opinião pública nos EUA
Ana Rosa Alves
16/05/2021 - 04:30 / Atualizado em 16/05/2021 - 19:02
Netanyahu com integrantes da polícia de fronteira israelense em Lod, onde houve protestos de árabes-israelenses; conflito paralisou formação de governo alternativo ao dele Foto: YUVAL CHEN / AFP/13-5-2021
Netanyahu com integrantes da polícia de fronteira israelense em Lod, onde houve protestos de árabes-israelenses; conflito paralisou formação de governo alternativo ao dele Foto: YUVAL CHEN / AFP/13-5-2021

Do confronto na Faixa de Gaza à violência na ruas entre judeus ultraconservadores e árabes-israelenses, a crise atual em Israel é resultado de anos de fortalecimento da extrema direita nacionalista pelo premier Benjamin Netanyahu. Ainda assim, é ele que desponta como principal beneficiário do imbróglio, mesmo que com um custo alto. Para o Hamas, o conflito também não é necessariamente um mau negócio, afirma Michael Wahid Hanna, pesquisador da Fundação Century, da Universidade de Nova York, e especialista em Oriente Médio e Segurança Internacional. Em entrevista ao GLOBO, Hanna disse crer que é necessário olhar para o fator estrutural maior: a ocupação permanente e as circunstâncias em que vive o povo palestino.

Esta onda de violência teve seu estopim na segunda, após os embates entre palestinos e a polícia israelense na mesquita de al-Aqsa. Por quais motivos, em questão de dias, isso se transformou em um conflito armado entre Tel Aviv e o Hamas?

É importante pôr um pouco de lado a narrativa da escalada imediata e olhar para o fator estrutural maior, que é a ocupação permanente. Essa é a realidade diária dos palestinos e, quando o ciclo de violência chegar ao fim, é para ela que vão retornar. Para a ocupação, a ausência de pátria, os bloqueios e despejos. Há também uma série de ocorrências que ajudaram a desencadear o conflito. Passam evidentemente por Sheikh Jarrah e pelos esforços para mudar o perfil demográfico de Jerusalém Oriental por meio de um processo judicial injusto. Mas também dizem respeito ao que Benjamin Netanyahu tem feito com a política israelense: para tentar garantir a sobrevivência de seu governo, ele empoderou e viabilizou figuras de extrema direita. O impacto disso pode ser visto nas ruas: basta olhar para os conflitos entre os judeus ultraconservadores e árabes-israelenses. É uma demonstração de onde a política israelense chegou.

Na quinta, discussões para formar um novo governo sem Netanyahu foram suspensas, abrindo caminho para que ele permaneça no poder até pelo menos uma nova eleição, a quinta desde 2019. A disputa com o Hamas o beneficia de alguma maneira?

Politicamente, sem dúvidas. Parece que a escalada vai mais uma vez salvar Netanyahu do que finalmente parecia ser sua queda. Por mais que ele seja o principal beneficiário político, o custo que isso traz é altíssimo: muitas vidas, o tecido social de Israel, sua reputação internacional. O cenário atual é diferente do de 2014 [data da última invasão de Israel a Gaza], o discurso e a opinião popular mudaram, até mesmo nos Estados Unidos.

Há hoje maior apoio à causa palestina?

Há uma mudança geracional e, no caso dos EUA, há também vozes mais jovens e ativas no Congresso, muitas delas vindas de movimentos em que a solidariedade internacional não é novidade. O outro fator-chave é que muitas pessoas e organizações internacionais estão encarando a realidade de que não existe mais uma solução de dois Estados. Não há processo de paz e a ocupação é não só permanente, mas também em expansão. As soluções antigas, portanto, não vão funcionar.

Há alguma alternativa viável aos dois Estados a essa altura?

O que nós vemos hoje é muitas pessoas dizendo que não se importam mais com a modalidade — um Estado binacional, dois Estados ou uma confederação — desde que os palestinos tenham direitos iguais e sejam tratados com dignidade. É uma posição inteligente, especialmente para conquistar o apoio de quem é estrangeiro à causa. O debate deve se enveredar por esse caminho nos próximos anos, mas não há uma saída a curto prazo. A solução de dois Estados está morta há muito tempo, mas só recentemente as pessoas estão começando a perceber que se deve discutir mais seriamente o que fazer. Apatridia permanente, despejos e ocupações são intoleráveis e a comunidade internacional não deveria simplesmente aceitar isso porque é um impasse difícil de ser solucionado.

A escalada também vem algumas semanas após o adiamento das eleições palestinas, que seriam as primeiras desde 2006, e o Hamas se encaminhava para sair vitorioso. O que o grupo islamita ganha com essa situação?

Há uma grande frustração dos palestinos com a ineficiência das suas lideranças e com a situação política. Para o Hamas, isso é uma oportunidade. Paradoxalmente, esse tipo de conflito militar, apesar do custo humano, deverá lhe ser útil. Há pessoas que ficarão frustradas e insatisfeitas, mas também há quem veja como uma resistência a Israel.

A extensão dos ataques do Hamas, com cerca de 2 mil foguetes lançados em cinco dias, é surpreendente em comparação com embates prévios?

Sem dúvidas, se vê um avanço desta vez. Há um bloqueio e uma política muito dura que isola Gaza e tenta impedir a entrada de armas e, mesmo assim, há capacidade tanto para contrabandeá-las quanto para produzi-las. Pode matar as pessoas, mas não o acesso aos artefatos. O conflito pode até atrasar o grupo islamista mas, quando a situação acalmar, ele vai se reorganizar e começar novamente.

Os conflitos entre Israel e o Hamas não foram ocorrências raras nos últimos 15 anos, sendo o mais recente deles em 2014. O que é diferente desta vez?

O ambiente internacional e a percepção são diferentes, mas há também muita coisa similar. Essas campanhas militares alcançam objetivos em curto prazo, mas não só empurram os problemas verdadeiros para o futuro. Daqui a dois, três, cinco anos, vão haver novos gatilhos e a situação dos palestinos só vai se deteriorar. A constante é a realidade cada vez pior da vida dos palestinos.

A dimensão da ofensiva do Hamas ofusca o mês de protestos contra os despejos em Sheikh Jarrah e o descontentamento que eles representam?

Isso frustra muitos ativistas palestinos porque desvirtua a narrativa dos protestos em Sheikh Jarrah e, posteriormente, dos ataques das forças de segurança israelenses à mesquita de al-Aqsa. O que se vê agora é um conflito e, apesar da disparidade de poder, você tem o Hamas cometendo crimes de guerra, lançando foguetes indiscriminadamente contra cidadãos israelenses sem capacidade ou desejo de diferenciar civis e militares. Isso muda a cobertura, a natureza e a percepção das coisas, dando espaço para argumentos como “sim, é trágico que os palestinos estejam morrendo, mas o Hamas está pondo em risco vidas israelenses”. A natureza do campo de batalha se reflete no debate público.

Vemos uma grande mobilização da comunidade árabe-israelense, que protesta contra as condições em que vive dentro do próprio Estado de Israel. A que atribuir isso?

Vê-se uma guinada muito forte para a direita na política e nos valores israelenses, um empoderamento de vozes muitos radicais que costumavam ficar de fora do espectro político. Essa mobilização nas ruas é uma consequência disso e das plataformas que esses grupos defendem e implementam, como a lei do Estado Nação, por exemplo [medida de 2018 que determina que Israel é a pátria histórica do povo judeu e apenas ele tem um direito à autodeterminação nacional].

Vemos também as piores cenas de violência entre árabes-israelenses e judeus dentro de Israel em décadas. A que se deve essa explosão?

Ao contrário do que acontece em Gaza, Jerusalém Oriental ou na Cisjordânia, os árabe-israelenses são cidadãos de Israel. Isso, contudo, não significa que sejam iguais. Não se pode esquecer, por exemplo, que os partidos árabes nunca fizeram parte de governos em Israel, que a retórica oficial tenta minar a sua representação. As coisas estão se deteriorando gradualmente há muitos anos, mas pioram com o fortalecimento da extrema direita. Hoje se vê vozes ultraconservadoras defendendo expulsões como forma de retribuição e contenção. É um problema social seríssimo que a onda de violência só acentua.

Como o senhor vê a maneira como a Casa Branca está respondendo à crise e o que poderia ser feito de diferente?

É decepcionante, mas não posso dizer que estou surpreso. Ela reflete uma política que não colabora para nada e aceita a premissa de retaliação, dando efetivamente tempo e espaço para que Israel toque a sua ofensiva militar. Washington, por exemplo, impediu que a reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada para este domingo ocorresse antes. Se o encontro tivesse sido na semana passada, o sinal enviado para Tel Aviv seria completamente diferente.  É como se dissessem para Israel que eles têm alguns dias para tocar a ofensiva militar antes do cessar-fogo começar a ser debatido. É uma postura que sugere quea Casa Branca  não está preocupada com o custo humano, algo particularmente incoerente com os planos de uma Casa Branca com os planos de reposicionar os EUA como um país que se importa com os direitos humanos e com a democracia.

As negociações de paz estão interrompidas desde 2014, ainda durante o governo de Barack Obama. Há alguma chance delas retornarem em breve?

Não há nenhuma possibilidade disso ocorrer em um futuro próximo. Netanyahu deixa muito claro que é contra uma solução de dois Estados e contra a criação de um Estado palestino real. Também não há nenhum apetite em Washington para comprar esta causa agora. Para o governo Biden, isso nunca foi uma prioridade — o que talvez seja até compreensível, já que não há qualquer espaço para progresso.

O Egito vem exercendo um papel-chave na mediação de um cessar-fogo em Gaza. O que dá ao Cairo um bom trânsito entre Tel Aviv e o Hamas?

A resposta mais simples é a geografia. A Turquia e o Qatar também são canais de comunicação viáveis com o Hamas, mas o Egito controla a maior fronteira. Seu poder regional não é o mesmo dos anos 1960, mas por ter um impacto significativo na vida de Gaza, o Hamas é obrigado a lidar com o Egito. Estruturalmente, os egípcios têm também elos com o setor de segurança israelense e com o Hamas, especialmente com o seu setor de Inteligência, o que colabora para que sejam um canal viável.

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Bolsonaro copia e cola nota de pesar de Lula sobre Bruno Covas

247 - Após horas do comunicado de falecimento do prefeito de São Paulo Bruno Covas, neste domingo (16), Jair Bolsonaro postou   mensagem de "solidariedade aos familiares e amigos”.

No entanto, a mensagem postada quando o prefeito já estava sendo velado em São Paulo contém trechos idênticos da mensagem que postou horas antes o ex-presidente Lula.

Nas redes sociais, os internautas apontaram a gafe:

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‘Não tínhamos ilusão, mas Bolsonaro é pesadelo elevado a enésima potência, inimaginável’, diz Dino

247 - O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), comentou em entrevista concedida ao portal Carta Campinas sobre batalha que os governadores estão travando com o governo Bolsonaro e com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a aprovação da vacina russa Sputnik V, que já foi liberada por 62 agências reguladoras do mundo inteiro.

“Eu nunca tive nenhum tipo de ilusão, de esperança com Bolsonaro na Presidência da República, eu conheço ele, fui deputado com ele. Agora [o que está acontecendo] é um pesadelo inimaginável. Pega seu pesadelo, coloca a enésima potência e nós chegamos a esse quadro. Eu não estava preparado para tantas tragédias. O preço desses entraves do governo Bolsonaro é o aumento do número de óbitos. Não podemos naturalizar essas mortes, são vidas!”, afirmou.

O governador revelou na entrevista que já recebeu dos produtores russos da vacina a resposta dos últimos questionamentos da Anvisa e espera o fim dessa novela em breve. “Enquanto isso, na Argentina 12 milhões de vacinas Sputnik já foram aplicadas, razão pela qual temos um indicador objetivo de segurança e eficácia”, disse Flávio Dino.

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