CPI = ciência por intuição. NÃO queremos uma VERDADE_INVENTADA
DIRETRIZ para uso de MÁSCARAS nos EUA causa CONFUSÃO e autoridades reagem
Após 4 meses, Brasil deixa 47% dos IDOSOS com mais de 80 anos sem_2ª_dose
Alemanha já conta com necessidade de 3ª dose contra covid-19
CPI = ciência por intuição. Não queremos uma verdade inventada
App que MONITORA COVID poupou vidas no Reino Unido; Brasil IGNOROU medida
Guga Chacra: Esse NÃO É o PIOR momento da história
Leonardo SAKAMOTO - Datafolha indica que 14% agem como REBANHO ao confiar 100% em Bolsonaro
ESQUERDA hoje é um FETICHE CULTURAL, algo que cabe num comercial de banco
VULNERABILIDADE da economia sob DILMA foi POTENCIALIZADA pelas escolhas de política econômica
AUMENTO da VIOLÊNCIA agita campanha pela prefeitura de NOVA YORK
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Diretriz para uso de máscaras nos EUA causa confusão e autoridades reagem

Do Estadão
16/05/2021 17h03
Autoridades de saúde pública dos Estados Unidos tentaram resolver neste domingo uma confusão sobre as novas diretrizes para o uso de máscaras no país. As regras atualizadas foram divulgadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).
Na quinta-feira, 13, o CDC sugeriu que pessoas totalmente vacinadas, 14 dias após a segunda dose do imunizante, poderiam "voltar a fazer o que faziam antes da pandemia", sem a necessidade de usar máscara protetora.
A orientação pegou muitas empresas e governos locais desprevenidos, e os formuladores de políticas e companhias até agora adotaram abordagens díspares para aplicar a nova recomendação.
"Esta não é uma permissão para a remoção generalizada de máscaras", disse hoje a diretora do CDC, Rochelle Walensky, à ABC.
As autoridades de saúde disseram que foram encorajadas por pesquisas que mostram que é extremamente improvável que pessoas vacinadas transmitam o vírus a outras pessoas, mesmo que tenham infecções assintomáticas ou leves.
"Estamos vendo que é muito improvável que uma pessoa vacinada, mesmo que tenha uma infecção séria, a transmita para outra pessoa", disse à CBS o infectologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias Infecciosas e consultor de saúde do governo Joe Biden.
Após 4 meses, Brasil deixa 47% dos idosos com mais de 80 anos sem 2ª dose
Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió
16/05/2021 04h00
Depois de quatro meses do início da vacinação contra a covid-19 no país, apenas o grupo prioritário de idosos que vivem abrigados atingiu 70% de cobertura vacinal completa (ou seja, as duas doses dos imunizantes). Essa faixa de pessoas vive em asilos e clínicas.
O dado foi apurado junto ao Ministério da Saúde e consta em um estudo feito por professores e pesquisadores da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e USP (Universidade de São Paulo).
Eles alertam que o ritmo da vacinação é lento no Brasil, com diferenças entre os grupos e regiões e com inclusão indevida de grupos mesmo antes dos prioritários alcançarem índices adequados. Eles recomendam que sejam alcançadas coberturas vacinais altas, preferencialmente acima de 90%.
Idosos longe da imunização
Dos grupos prioritários, os idosos abrigados alcançaram 100% das segundas doses e são os únicos totalmente protegidos da covid-19 no país hoje por vacinação.
Entretanto, esse percentual tem uma ressalva: não há números 100% confiáveis de idosos abrigados.
"Cabe observar que as coberturas acima de 100% registradas em pessoas com mais de 60 anos institucionalizadas pode estar relacionada a uma estimativa inicial inadequada sobre o tamanho desta população", afirma Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores do estudo.
O balanço leva em conta as 46 milhões de doses aplicadas até o dia 11 de maio. "Dentre aqueles com 80 anos e mais, 91% foram vacinados com a primeira dose e 53% com a segunda dose. Ou seja, quase metade dos que têm acima de 80 anos", cita.
Nós temos 47% dos idosos com mais de 80 anos sem a segunda dose, e eles são altamente vulneráveis. É preciso lembrar que eles foram os primeiros convocados e chegar a essa altura com esse número é preocupante.
Mário Scheffer, pesquisador
Ainda há disparidades marcantes ente os estados. Enquanto o Tocantins conseguiu imunizar 89% dessa faixa etária com duas doses, Acre, Ceará, Pernambuco e Sergipe estavam com apenas 43% deles com ciclo vacinal completo.
Da primeira dose, apenas oito estados conseguiram alcançar 100% dos idosos de 80 anos ou mais vacinados. Nessa faixa etária, ainda há coberturas abaixo de 90% com primeira dose em quatro estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Os índices ficam ainda menores à medida que se reduz a idade para análise.
Entre o grupo de 60 a 69 anos, por exemplo, apenas 68% da população tinha recebido a primeira dose da vacina, e apenas 16%, a segunda dose. Entre 70 a 79 anos, 90% receberam uma dose e 67% completaram a segunda dose.
Profissionais de saúde e indígenas
Entre os trabalhadores de saúde, que também foram priorizados na imunização, a cobertura vacinal é baixa e alcançou apenas 59% no caso das duas doses até o dia 11.
Nem mesmo entre os indígenas aldeados, inclusos na primeira leva do plano, a taxa chega perto do esperado, ficando em 53%.
Improvisos e pulverização de doses
Os pesquisadores alertam que os números baixo deixam claro que é preciso acelerar a vacinação por meio da aquisição mais rápida de imunizantes. Além disso, eles cobram critérios mais bem definidos de população a ser vacinada prioritariamente.
"A baixa disponibilidade de vacinas convive com incertezas e revisões constantes de quantitativos, para menos, com a ausência de metas claras no plano de imunização e com critérios inadequados de priorização. Foi, assim, estabelecido um padrão de improvisos e pulverização da distribuição de doses, transferindo para gestores locais e serviços de saúde a decisão sobre quem e quando vacinar", afirmam.
Eles alertam ainda que, mesmo no cenário de escassez, "continua sendo acrescentado à demanda potencial para a vacinação um enorme contingente de pessoas que, somadas aos grupos prioritários anteriores ainda por vacinar, requererão uma oferta de vacinas muito superior à disponível".
É uma ilusão supor que o Brasil avança nas coberturas vacinais somente porque um novo grupo foi convocado, sem que as populações prioritárias anteriores tenham sido efetivamente imunizadas.
Trecho de estudo sobre cobertura de vacinação
Por fim, os pesquisadores afirmam que a dinâmica da vacinação contra a covid-19 "não pode ser orientada apenas por um calendário de sucessão de dias, idades, condições de saúde e profissões".
"Exige o cumprimento de metas de coberturas para obtenção de níveis de imunidade suficientes para reduzir a mortalidade. Em muitos países, autoridades governamentais divulgam como rotina as metas de cobertura. No Brasil, o indicador vem sendo equivocadamente considerado irrelevante", dizem.
"Novos grupos estão sendo convocados sem que a população prioritária tenha sido completamente imunizado. Percebe-se que os idosos estão sendo deixado para trás", completa Mário Scheffer.
Alemanha já conta com necessidade de 3ª dose contra covid-19
16/05/2021 08h38
As autoridades de saúde da Alemanha já contam que, o mais tardar no próximo ano, deverá ser necessária uma campanha nacional para a aplicação de uma terceira dose da vacina contra a covid-19.
A previsão foi feita, em entrevista publicada neste domingo (16/05), pelo presidente da Comissão Permanente de Vacinação (Stiko), Thomas Mertens. Embora ainda não haja confirmação oficial a esse respeito, ele garantiu que as atuais doses aplicadas não serão as últimas.
Economia disse à Pfizer em agosto que compra de vacinas não cabia ao ministério
"O vírus não vai nos deixar. As vacinas atuais não serão, portanto, as últimas", disse Mertens aos jornais do grupo midiático Funke. "Basicamente, temos que estar preparados para o fato de que, possivelmente no próximo ano, todos terão que reforçar sua proteção vacinal".
Mertens alertou ainda para o fato de poder ser necessária, com urgência, uma terceira dose caso surjam variantes para as quais as vacinas sejam ineficazes.
Se tais variantes surgirem, prosseguiu o especialista, será necessário adaptar as fórmulas às mutações e vacinar novamente os já imunizados. Ele citou como exemplo as vacinas da AstraZeneca e Johnson & Johnson, "que se mostraram menos eficazes com a variante detectada pela primeira vez na África do Sul".
As empresas farmacêuticas Pfizer e BioNTech, criadoras da vacina considerada a mais eficiente em evitar novos contágios, anunciaram recentemente que poderá ser necessária uma terceira dose para fortalecer a imunidade.
O governo alemão indicou nos últimos dias que a terceira onda da pandemia parece estar controlada. A tendência atualmente é de queda no número de casos e mortes - nas últimas 24 horas, foram 8.500 novas infecções e 71 óbitos.
No país, 36,5% da população (30,4 milhões de pessoas) já receberam pelo menos uma dose da vacina, e 10,9% (cerca de nove milhões) já se encontram totalmente imunizadas com a segunda.
Guga Chacra: Esse não é o pior momento da história
Correspondente da GloboNews em Nova York, o jornalista fala sobre pandemia, Donald Trump, Jair Bolsonaro e como esporte e família moldaram seu caráter
Já se falou muito do visual despenteado e do jeito moleque de Guga Chacra. Mas a dicotomia entre o terno e a pitada de desleixo tem raízes muito claras na história do jornalista. Com a mãe, nadadora, ele pegou a paixão pelo esporte. Cai na água regularmente, deixa o cabelo secar de qualquer forma, e corre para fazer sua análise diária de política internacional, pela GloboNews. Já o interesse pelos assuntos do mundo veio do pai. Com ele, antes de escolher a profissão, fez uma viagem marcante que passou por Líbano, Síria, Jordânia, Israel, Palestina e Egito.
Guga nega a imagem do intelectual sisudo porque a notícia sempre se encaixou na sua vida de forma leve e natural entre outras paixões, desde muito jovem. "Na subida da praia, enquanto os amigos escutavam música, eu gostava de ligar o rádio no noticiário”, conta. Em outro momento, lembra de correr para a mãe empolgado para contar sobre o congelamento de preços do Plano Cruzado.
E é esse jeito de menino encantado que o comentarista político mostra quando está ao vivo. Embora às vezes se emocione durante uma fala – como quando Nova York, onde mora, entrou em quarentena no início da pandemia pelo novo coronavírus –, sabe se posicionar com calma e firmeza. Sobre o atual cenário, dispara: “As pessoas sempre acreditam no contrário, mas esse não é o pior momento da nossa história”.
Fora do país há dezesseis anos, Guga Chacra conversou com o Trip FM sobre Donald Trump, Jair Bolsonaro, o amor pelo esporte, a infância entre outros assuntos. Ouça o programa no Spotify, no play abaixo ou leia um trecho da entrevista a seguir.

Trip. Você já disse ser uma pessoa que faz o possível para mostrar que o mundo não está de cabeça para baixo, que tudo é apenas uma questão de perspectiva. O mundo está de cabeça para baixo ou não?
Guga Chacra. Não. As pessoas sempre acham que está no pior momento, mas ao longo da história existiram outros muito piores. Quando você olha de longe, os anos de 1990 foram mais estáveis, com o fim da União Soviética e a democratização de vários países do leste europeu. Mesmo assim, aconteceu o genocídio em Ruanda naquele período. Quer dizer, sempre depende de onde você está. A pandemia não era um fato inesperado. Bush, Obama e Bill Gates foram alguns dos que já haviam citado essa possibilidade no passado. O que impressionou foi que poucos países estavam preparados. Alguns conseguiram se preparar rapidamente. A própria China seria um exemplo disso. A grande decepção, e que chocou muita gente, foi o mundo ocidental. Estados Unidos, Reino Unido e Canadá com um desempenho medíocre. A gente viveu uma época em que os Estados Unidos era o país do futuro. Eu acho que essa pandemia mostrou esse cenário de mudanças. A China emerge hoje como grande potência. É complicado porque é uma ditadura que viola os direitos humanos, mas que começou a rivalizar com os Estados Unidos não tem como negar mais.
Eu queria que você falasse sobre essa certa idolatria atrelada ao seu nome. Ao que você atribui o sucesso nas redes sociais, até com pessoas mais jovens, que não seriam exatamente o seu público? Acho que é preciso saber usar as redes sociais para brincar, não se levar muito a sério. Sou palmeirense e cresci no período em que o Palmeiras ficou muito tempo sem ser campeão. O Palmeiras até chegar a Parmalat era motivo de gozação. O futebol me ajudou muito nesse aspecto. O polo aquático, o esporte de clube, também. Assim como o fato de ter crescido indo para praia, no litoral norte paulista. Não me encaixo nesse perfil intelectual. Eu sou muito mais uma pessoa que cresceu no meio do esporte ou na praia. Quando precisa, eu falo sério, mas quando é uma coisa alegre não tem porque não deixar tirarem sarro. Se ficar bravo, aí é que vai se dar mal.
Você já disse que enquanto seus colegas de faculdade estavam mais ligados em escrever, você tinha interesse na notícia. Explica qual é essa diferença? Tem muita gente que vai para o jornalismo porque escreve muito bem. Eu sempre fui viciado em notícia; não era daquelas pessoas com um texto fantástico. Longe disso. Eu lembro do congelamento de preços no Plano Cruzado, quando eu corri em casa para contar para minha mãe. Tem aquela adrenalina. Lembro de ver a CNN americana, isso novinho, de voltar da praia querendo escutar notícia, literalmente. Estar no ar, em um momento importante, com a cara no telão, isso dá uma adrenalina que você não quer ir para casa. É vício.
Acho muito interessante essa desconstrução da figura do intelectual. Você fala bastante sobre a natação, sobre o polo aquático. Mas até hoje no Brasil existe o entendimento de que praticar esporte não seria uma demonstração de inteligência, mas um habito de jovem vagabundo. Em 2021 ainda há essa percepção. Faz sentido isso? É interessante pensar que nos Estados Unidos são as universidades que valorizam o esporte. Aqui [nos EUA], eles não fazem essa diferenciação. Eu acho o esporte uma das coisas mais importantes para a formação de caráter. Você pode acabar na reserva, que é algo que pode acontecer no futuro da sua vida, é preciso conviver com a questão do chefe, que é o técnico. Aprende a perder e quando perde, perde todo mundo junto. É muito legal, na adolescência, eu sempre falo, poder morar um ano fora do Brasil e praticar um esporte coletivo.
Marta Suplicy fez um diagnóstico da patologia que o presidente Jair Bolsonaro estaria apresentando. Ela fala em um quadro psicótico que tem como um dos principais sintomas aparentes a falta de empatia. Qual a sua análise sobre o nosso Bolsonaro? Falam isso do Donald Trump também. Mas eles são diferentes. Trump se acha a pessoa mais inteligente do mundo, a mais bonita do mundo. Não tem empatia nenhuma com as pessoas. Agora, ele tem uma questão que o Bolsonaro não tem: é impossível negar que ele é um grande comunicador. O Bolsonaro até tenta imitar, mas não consegue. Ele é uma figura que representa um Estados Unidos enquanto o Bolsonaro talvez seja uma coisa um pouco mais acidental. Mas a falta de empatia dos dois me chama a atenção. Não teria motivo para culpar o Bolsonaro pela economia se ele pelo menos tentasse. E é natural que vá mal durante a pandemia.
Opinião: Leonardo Sakamoto - Datafolha indica que 14% agem como rebanho ao confiar 100% em Bolsonaro

Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
16/05/2021 09h38
Há um naco de 14% da população, segundo a última pesquisa Datafolha, que acredita em tudo o que Jair Bolsonaro diz. Esse grupo vive em uma realidade paralela onde há a TV Globo é uma trincheira comunista, universidades são locais de produção em larga escala de maconha, indígenas são os responsáveis por destruir a Amazônia e a vacina da Pfizer pode transformar alguém em jacaré.
Esse grupo também acredita que a covid-19 é apenas uma gripezinha, que foi inventada pela China para uma guerra econômica, que cloroquina e ivermectina são a cura precoce que os grandes laboratórios querem esconder, que máscara e isolamento social são coisa de frouxo e que os números de óbitos estão inflados.
Após acusar China, Bolsonaro refuga e assume que brasileiro é trouxa
Só para efeito de comparação: entre a população em geral, 50% não confia nunca nas declarações de Bolsonaro e 34% confia apenas às vezes.
Esses 14% batem com aquilo que os levantamentos do Datafolha vêm apontando como o tamanho do bolsonarismo-raiz, grupo de seguidores incondicionais do presidente. Para quem acha isso pouco, saiba que isso representa mais de 29,5 milhões de pessoas. É daí, por exemplo, que brotam muitos dos golpistas que defendem que Jair dê um autogolpe com a ajuda das Forças Armadas.
Esse grupo estava com ele antes de o lavajatismo tornar-se aliado conjuntural do bolsonarismo. Parece não se importar com as rachadinhas dos salários de servidores públicos que atuavam nos gabinetes da família - pelo contrário, acham justo, afinal os Bolsonaro trabalham tanto pelo país. E não apenas consideram Fabrício Queiroz um injustiçado, mas veem nele um instrumento entregue por Deus para ajudar Jair Messias em sua missão.
Contudo, há outro grupo também interessante a ser analisado. Entre o 24% da população que considera o governo Bolsonaro ótimo ou bom, 48% acredita sempre em Jair, 47% confia às vezes e 5% nunca confia. Ou seja, parte dos que o aprovam sabe que ele mente, mas não se importa.
Nesses grupos, estão inseridos aqueles que veem este governo como uma oportunidade de passar por cima de regras e leis que tentam limitar a agressividade do capital. Empresários e investidores, que se beneficiam da política de terra arrasada do governo e celebraram quando o licenciamento ambiental foi queimado na Câmara dos Deputados na semana que passou. São sócios do regime e, portanto, corresponsáveis pelas mortes dele decorrentes.
Há também aqueles que defendem que o presidente deve usar todas as "armas" disponíveis, o que inclui boatos, notícias falsas e outras formas de desinformação, para combater o "inimigo", que inclui a esquerda, os ambientalistas, feministas, moradores de comunidades pobres, populações tradicionais, grupos LGBTQIA+, religiões de matriz africana... Ou seja, manter esse povo que acha que tem direitos iguais em seu devido lugar.
As mentiras de Bolsonaro são vistas por esse grupo como justificáveis instrumentos das guerras política e cultural que o bolsonarismo vem travando. Para eles, não importa se o presidente mentiu e agravou uma pandemia que já matou mais de 435 mil brasileiros. Mas se, ao final a fictícia mamadeira de piroca não for incorporada no material escolar.
Luiz Felipe Pondé: Esquerda hoje é um fetiche cultural, algo que cabe num comercial de banco
Ninguém quer acabar com o capitalismo, querem achar um nicho com todas as cores do arco-íris, cheio de amigues e iPhones
Olhem que lindo esse trecho de uma carta do Lênin escrita em agosto de 1918 em meio à guerra civil, após o golpe de outubro de 1917 —a fonte é a biografia do Lênin escrita por um general soviético e historiador, Dmitri Volkogonov:
“Camaradas! O levantamento kulak (camponeses ricos) deve ser esmagado sem piedade [...] Deixem-me exemplificar:
1) Enforquem um número não menor que cem [...]
2) Escrevam seus nomes [...]
3) Confisquem seus cereais [...]
4) Façam de modo a que, ao longo de centenas de quilômetros, as pessoas possam ver, saber, tremer e apregoar: eles matam e continuarão a matar [...]
Cumprimentos, Lênin.”
Imagino um woke lendo isso. Faria xixi nas calças orgânicas.
Você não sabe o que é um woke? Um woke é uma pessoa muito bacana. Um seguidor da Greta Thunberg.
A expressão significa acordou do verbo “to wake” (acordar). Mas, ao longo do tempo, acabou por ser uma expressão usada para a esquerda cultural, oriunda da máxima “stay woke”.

A ideia de desperto, como alguém que despertou para a verdade, é antiga e era usada pela heresia gnóstica cristã no início da era comum ou cristã. Os gnósticos eram homens e mulheres que achavam que o mundo fora criado por um deus mau e a única saída era fugir das cidades e ir morar no deserto. A fuga do mundo.
Críticos os acusavam de matar bebês para não aumentar os números das vítimas desse deus mau e de fazer sexo antinatural —leia-se anal e oral— para não engravidar as mulheres.
Não suponho que os wokes de hoje tenham a mínima ideia do que seja um gnóstico antigo. Eles foram perseguidos sistematicamente pelo que veio a ser o cristianismo oficial.
Os wokes estão ocupados em fazer geleia natural e em ensinar as crianças a amar todas as cores do arco-íris. Não conseguem lidar com coisas de gente grande.
Exemplos da agenda woke: casais em que os homens são egressos das novas masculinidades e que sofrem de depressão pós-parto, coitadinhos; pessoas que falam “pessoas que dão à luz” porque mãe não é termo inclusivo; que usam combustível vegano, e têm cachorros trans.
A verdade é que o cruel Lênin os teria considerado mais uma degeneração burguesa e mandaria enforcá-los com gosto. Mas temos que reconhecer que as realidades humanas são históricas e, portanto, pautas que eram queridas aos bolcheviques —gente que nasceu no século 19!— não podem ser, evidentemente, queridas por alguém que vive no século 21, né?
Na época, os bolcheviques queriam destruir o capitalismo, a esquerda de hoje é um fetiche cultural para filhos da elite que brincam de fazer documentários sobre pobres e para suas mães, que brincam de espiritualidade oriental, enquanto seus pais continuam sendo burgueses de sucesso.
A verdade é que não há mercado para bolcheviques hoje em dia, só para wokes.
Lênin e sua patota matavam a rodo. Em meio à fome de 1918, junto com seu Politburo (comitê central do partido comunista da extinta URSS), ele chegou mesmo a recusar dar grana para crianças que morriam de fome, enquanto encaminhava joias para financiar a revolução na Europa.
Para ele, de nada adiantava gastar dinheiro com crianças em meio a tantas mortes, mais importante era alimentar a revolução na Europa. O que um woke fofo diria disso?
Minha hipótese é que o mercado engoliu a esquerda.
Não é à toa que uma das pautas mais importantes para os wokes —ser os inquisidores do politicamente correto— atravessou as fronteiras ideológicas e hoje alimenta os departamentos de marketing das empresas. A esquerda de hoje é um fetiche cultural, algo que cabe num comercial de banco.
Mas será que a justificativa de mudança histórica se aplica ao método revolucionário bolchevique em si?
O argumento da mudança histórica só se aplica à recusa da violência revolucionária bolchevique porque, na verdade, o espírito revolucionário atrofiou, e não porque a esquerda evoluiu. A humanidade não evolui moralmente.
Ninguém mais quer acabar com o capitalismo. Quer, sim, achar um nicho de mercado para chamar de seu: e que seja com todas as cores do arco-íris, esteja repleto de amigues e com iPhones aos montes.
Samuel Pessôa: Vulnerabilidade da economia sob Dilma foi potencializada pelas escolhas de política econômica
Problema de atribuir responsabilidades à Lava Jato é esquecer que endividamento de empresas ocorreram na mesma época
Nelson Barbosa, meu colega do Ibre e ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, escreveu na sexta-feira (14) nesta Folha sua avaliação do legado econômico do impedimento.
A coluna tem duas partes. Primeiro, a avaliação das causas da crise brasileira, a perda de 8% do PIB entre o 1º trimestre de 2014 e o 4º de 2016. Segundo, a avaliação do legado do impedimento sobre o crescimento econômico.
Na avaliação de Nelson, 40% da crise teve causas externas, uma parcela de 20% foi causada pela Operação Lava Jato e parte foi consequência das pautas-bomba, sobrando um pouco para os erros de política econômica da gestão petista.
O erro de avaliação de Nelson, a meu ver, é supor que, para os efeitos sobre o desempenho econômico, haja independência entre as causas externas —queda do preço das commodities, Lava Jato e crise política— e as escolhas de política econômica e de gestão da política tomadas ao longo do período da hegemonia petista.
O problema de atribuir responsabilidades à Lava Jato é esquecer que outro fator ocorreu na mesma época. Uma série de investimentos maturaram mal e endividaram as empresas. Ao menos parte da queda dos investimentos é fruto do superendividamento.
Em setembro de 2014, antes, portanto, do agravamento da Lava Jato e da queda dos preços das commodities, o endividamento da Petrobras, como razão da sua geração de caixa, já era de 4. Petroleiras com esse nível de endividamento não conseguem manter planos ambiciosos de investimento.
É certo que a reversão do ciclo das commodities explica parte da crise. Mas é importante lembrar que a vulnerabilidade da economia brasileira a essa reversão foi potencializada pelas escolhas de política econômica do período.
O processo de reestatização do setor petrolífero promovido pelo petismo nos expôs perigosamente, da mesma forma que a escolha dos militares, nos anos 1970, de financiar o 2º Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) com empréstimos externos a juros flutuantes nos expôs.
A decisão de reestatização do setor foi motivada por uma ideologia, comum na esquerda e entre os militares brasileiros, de que o investimento estrangeiro nos empobrece. Não há nenhuma evidência empírica desse fato.
O recuo do PIB teria sido menor, mesmo com a queda do preço das commodities, se, após a descoberta do pré-sal, medidas fossem tomadas para que nós compartilhássemos com o resto do mundo os riscos inerentes à atividade de extração do petróleo.
Com relação aos impactos das pautas-bomba e da crise política em geral sobre a economia, Nelson parece supor que elas tenham sido externas ao petismo.
Uma das pautas-bomba foi a devolução, em fevereiro de 2015, por Renan Calheiros, da medida provisória que desfazia a desoneração da folha de pagamentos. A MP era tecnicamente correta e foi apoiada pelos técnicos (vale lembrar que a Faria Lima apoiou vigorosamente a política econômica de Dilma em 2015).
De fevereiro de 2015, retornemos para 2014. A desoneração da folha de salários tinha data para terminar, 31 de dezembro de 2014. Por que motivo Guido Mantega perenizou algo que todos sabiam que tinha que terminar?
Evidentemente essa decisão foi importante para angariar apoio dos empresários para a campanha de reeleição de Dilma. Difícil desfazer em fevereiro algo realizado uns meses antes, no âmbito da negociação de uma reeleição.
A campanha eleitoral petista de 2014 foi excessiva na agressividade com os adversários, na quantidade de mentiras ao cidadão brasileiro e no vale-tudo para acelerar a economia, inclusive na base de fraudes nas contas públicas.
O problema é que, diferentemente do que pensava o PT antigo, aquele que era uma UDN de macacão, em política, a quantidade importa. Em política, meia gravidez é diferente de uma. Como nos lembrou inúmeras vezes Marina Silva, Dilma ganhou perdendo.
Nelson se pergunta sobre o que teria ocorrido se não tivesse havido o impedimento de Dilma. Tenho certeza de que, se não houvesse o ambiente político deteriorado, se não tivesse havido as pautas-bomba e se o Congresso tivesse aprovado o ajuste fiscal de 2015, estaríamos muito melhor. Nelson propôs reformas, tanto da Previdência quanto uma versão do teto de gastos, não muito diferentes do que as implantadas posteriormente.
O problema é que a política não conseguiu gerar esse resultado. Exclusivamente do ponto de vista econômico, havia espaço para estarmos muito melhor.
Mas aí me parece que a responsabilidade de quem ganha quatro eleições seguidas em um regime presidencialista com presidente forte, como é nosso caso, é bem maior do que a do grupo político que perde quatro eleições seguidas, em que pese ter votado favoravelmente às pautas-bomba.
Reportagem: Mauricio Stycer - Séries, memórias, história: 5 livros recentes sobre o mundo da televisão

Mauricio Stycer
Colunista do UOL
16/05/2021 06h01
O mercado editorial não costuma dar a atenção devida ao que acontece na televisão, mas de tempos em tempos alguns livros sobre este universo são publicados. Segue uma pequena lista com cinco lançamentos recentes:

Séries - o livro: De onde vieram e como são feitas (Objetiva, 208 págs., R$ 50) - Dedicado a fãs de séries, o livro de Jacqueline Cantore e Marcelo Rubens Paiva traz bastante informação sobre como este formato se tornou dominante no mercado audiovisual, culminando na chamada "era de ouro" da TV americana. Fala de obras-primas, como "Breaking Bad" e "Família Sopranos", mas também séries mais obscuras, porém de qualidade. Com um pé no didatismo e no "como fazer", o livro traz dicas úteis a quem pretende se aventurar no ramo do desenvolvimento e da criação de ficções para a TV.
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A Melhor Televisão do Mundo (Terceiro Nome, 212 págs., R$ 37) - Escrito em tom memorialístico, por José Roberto Filippelli, descreve o papel do executivo na exportação de alguns títulos marcantes da Globo, como "Escrava Isaura", "Malu Mulher" e "Você Decide", e o impacto que alcançaram em diferentes países. Filipelli foi diretor de vendas internacionais da Globo para quatro continentes, entre 1977 e 1999.
Sou a Mãe Dela (Globo Livros, 228 páginas, R$ 38) - Quem conhece Adriana Araújo apenas da TV vai se surpreender, e muito, com este livro no qual ela narra a saga de Giovanna Araújo, sua filha, nascida com uma deformidade ortopédica rara e de efeitos muito dolorosos. A autora foi apresentadora do "Jornal da Record" e deixou a emissora em março, após 15 anos de contrato.
Conversa com Bial em casa (Cobogó, 288 págs., R$ 47,60) - Com o subtítulo "Os 70 anos da TV brasileira em tempos de internet e isolamento social", este livro reproduz algumas das boas entrevistas que Pedro Bial fez durante a pandemia, em esquema "caseiro", com Glória Maria, Laura Carvalho, Paulo Gustavo, Xuxa, Daniel Filho, Ary Fontoura, Lima Duarte, Betty Faria, Glória Pires e William Bonner, entre muitos outros.
Sempre Raia um Novo Dia ((Harper Collins, 256 págs., R$ 44,90) - As lembranças da atriz Claudia Raia, ainda no auge de sua carreira, são tão divertidas quanto surpreendentes. Com transparência, Claudia fala de romances, namoros e muitos bastidores de TV. Mais do que uma mera autobiografia complacente, o livro oferece ao leitor a chance de bisbilhotar um pouco a indústria do entretenimento em que ela atua há tanto tempo.
'Top Gun' faz 35 anos: como Tom Cruise foi convencido a trabalhar no filme

De Splash, em São Paulo
16/05/2021 12h48
Tom Cruise se tornou um astro ainda maior depois de "Top Gun - Ases Indomáveis", que está completando 35 anos em 2021. Mas não foi exatamente fácil convencer o ator a se juntar ao filme.
Jerry Bruckheimer, produtor do longa, contou à "Variety" que o ator estava hesitante na época. Por isso, ele recorreu a uma tática um pouco diferente.
'Top Gun: Maverick' e 'Missão Impossível 7' têm estreias adiadas novamente
"Nós marcamos para ele ir voar com os Blue Angels em uma base militar na Califórnia", recordou. Segundo o produtor, Tom estava com os cabelos compridos e presos em um rabo de cavalo, pois havia acabado de filmar "A Lenda", de Ridley Scott —e os pilotos não gostaram muito do visual "hippie" do ator.
"Eles levaram Tom em um F-14, viraram de ponta-cabeça e fizeram todo tipo de manobra para garantir que ele nunca mais voltasse a uma cabine de pilotagem. Mas o resultado foi o oposto", recordou Jerry.
Ele pousou, me ligou e disse: 'Jerry, adorei. Vou fazer o filme'. Ele se tornou um grande piloto, e pode pilotar qualquer avião que aparecer.
Ainda este ano, Tom Cruise irá estrelar a sequência "Top Gun: Maverick". A estreia, adiada pela pandemia de covid-19, ficou para novembro.
Aumento da violência agita campanha pela prefeitura de Nova York

Em Nova York (EUA)
16/05/2021 12h15
Homicídios e tiroteios em alta, inclusive na Times Square, ataques surpresa com faca ou espancamentos no metrô. O crime disparou em Nova York e se tornou uma questão central na campanha para eleger um novo prefeito no final de junho.
Cerca de 505 pessoas foram mortas a tiros na maior cidade americana até agora este ano, o maior número em uma década, segundo dados da polícia. Já ocorreram 146 assassinatos, contra 104 no mesmo período de 2019 e 115 em 2020.
EUA: Duas mulheres e uma criança de 4 anos são baleadas na Times Square
O aumento da violência começou no verão de 2020, após os primeiros meses de confinamento devido à pandemia que deixou mais de 30.000 mortos em Nova York, quando a violência armada caiu para seu nível mais baixo em seis décadas.
Os especialistas afirmam que o confinamento, o desemprego e a inatividade explicam em grande parte esses números, longe dos números das décadas de 1980 e 1990, quando a cidade às vezes tinha 2.000 homicídios por ano.
"Temo por minha filha"
O metrô também tem sido palco de violência. Nos últimos incidentes, cinco pessoas foram esfaqueadas, cortadas no rosto ou espancadas na sexta-feira em vagões ou estações.
"A violência está claramente aumentando ... e o aumento de 2020 corre o risco de continuar em 2021", disse John Pfaff, professor de direito penal na Fordham Law School, à AFP.
"O cotidiano que ocupa as pessoas e as mantém fora do crime não é para todos. Há uma enorme incerteza econômica, grande estresse emocional ... Tudo isso contribui para a violência, que se autoperpetua", acrescentou.
"Você já pegou o metrô? Porque eu já, e fiquei com medo (...) Não falo para minha filha andar de metrô, porque temo pela minha filha", disse o governador Andrew Cuomo, opositor ao prefeito Bill de Blasio, a quem acusa de não combater o crime com força suficiente, embora ambos sejam democratas.
De acordo com o NYPD, houve pelo menos 300 ataques no metrô este ano, em comparação com 380 neste momento em 2020. Mas este ano, devido à pandemia, há três milhões de passageiros a menos.
Pat Foye, chefe da Metropolitan Transportation Authority (MTA), responsável pelo metrô, garante que "uma mobilização imediata de policiais é necessária nas plataformas e nos vagões".
Mas o prefeito nega, diz que o assunto está politizado e lembra que há mais 600 policiais fiscalizando as estações desde fevereiro.
"A direção da MTA alimenta o medo nas pessoas (...) Eu andei de metrô. Tantas pessoas na minha vida andam de metrô o tempo todo. Eles são extremamente seguros", disse ele há poucos dias.
Ele garantiu que a partir de 17 de maio, quando o metrô voltar a funcionar 24 horas por dia, como antes da pandemia, a maior frequência trará mais segurança.
Segurança na agenda política
No sábado, 8 de maio, dois transeuntes e uma menina de quatro anos foram baleados e feridos à tarde na Times Square, por motivos desconhecidos.
Vários candidatos a prefeito democratas, como o ex-presidente Andrew Yang, o presidente do Brooklyn e ex-policial Eric Adams e Raymond McGuire, um ex-banqueiro de Wall Street, foram imediatamente à Times Square para prometer melhorar a segurança caso eleitos.
A questão ganhou destaque na campanha eleitoral para prefeito de Nova York, logo após as primárias democratas de 22 de junho.
As pesquisas devem indicar o vencedor da eleição municipal em novembro, já que os republicanos são extremamente impopulares em Nova York. E a questão voltou à tona no primeiro debate (virtual) das primárias democratas na noite de quinta-feira.
"Não financiar a polícia é a abordagem errada para a cidade de Nova York", disse Yang, um moderado.
"Segurança não é sinônimo de polícia", disse Dianne Morales, mais à esquerda, após lembrar que o NYPD é a principal força do país com 35 mil agentes.
Alguns republicanos, como o comentarista da Fox News, Tucker Carlson, retratam Nova York como uma cidade extremamente perigosa, mas os democratas pedem relativização dos episódios de violência.
Susan Kang, professora da Escola de Justiça Criminal do John Jay College, disse que os números de homicídios e disparos ainda são baixos, mesmo que estejam aumentando.
"Ainda acredito que é bastante seguro morar em Nova York (...) Não ouço ninguém ao meu redor dizer 'não me sinto seguro'. Há uma tentativa política de orientar a discussão", disse.
Cor preferida indica áreas da vida que precisam ser trabalhadas. Descubra
Claudia Dias
Colaboração para Universa
16/05/2021 04h00
É fato: a vida teria menos graça se não fosse colorida. Porém, o que provavelmente você não sabe é que as cores revelam muito mais do que belas paisagens e combinações que agradam os olhos.
Isso porque a cor preferida de uma pessoa indica aspectos positivos e negativos experimentados naquele determinado momento da vida. Alguns deles, aliás, precisam ser trabalhados para uma vivência mais harmônica e equilibrada.
Saiba por que você deveria usar a cor cinza com bastante moderação
Conforme lembra Marcelo U. Syring, professor e cromoterapeuta, as cores presentes no planeta como um todo promovem diferentes estímulos, entre eles alegria e tranquilidade. Além disso, possuem propriedades terapêuticas, que contribuem com o equilíbrio físico, mental, energético, emocional e espiritual.
Cor leva ao autoconhecimento
O especialista ressalta ser possível identificar como as cores refletem no dia a dia de cada indivíduo. Por exemplo: através de determinada tonalidade escolhida para a roupa que vai vestir, identifica-se o estado de humor naquele dia ou momento.
Assim, conhecer as características de cada tonalidade ajuda a identificar as próprias características pessoais. Antes de tudo, porém, é importante ter consciência das preferências, bem como as cores que não fazem parte do dia a dia a partir de alguma motivação, mesmo que inconsciente.
Em um dos capítulos do seu livro "O poder das cores - um guia prático de cromoterapia para mudar a sua vida", lançado pela Luz da Serra Editora, o professor Marcelo sugere um exercício para identificar como é a relação pessoal com as cores.
A dica dele é listar em uma folha qual a cor (ou mais de uma) que você mais gosta e usa e explicar o motivo de tal escolha. Na sequência, apontar também a que não gosta ou usa, igualmente justificando a resposta.
A partir daí, basta avaliar os aspectos positivos e negativos de cada cor e identificar as áreas que precisam ser trabalhadas, conforme exemplos abaixo. "Esses aspectos representam um perfil da personalidade, em determinado momento da vida", ressalta.
Isso quer dizer que, se aos 20 anos, uma pessoa tem como cor preferida o azul e aos 30 anos, ela gosta mais do vermelho, percebem-se necessidades diferentes a serem trabalhadas nessas fases específicas da vida.
Mudança de preferências
"Nós mudamos ao longo do tempo e as necessidades também podem mudar, devido a inúmeras circunstâncias. Se aos 20 alguém gosta do azul, significa que, nesse momento específico, a pessoa está buscando uma forma de se sentir mais tranquila e calma. Já se o vermelho é o preferido aos 30 anos, pode significar que, no atual momento, ela tenha mais a necessidade de ação, agitação e mais energia, por alguma necessidade no seu interior, que não precisa ser consciente", exemplifica.
É possível, sim, que alguém aponte várias cores como prediletas, mas há sempre uma que sobressai, considerada especial, na opinião de Marcelo. "Um gosto variado de cores pode dar muitas informações de características que a pessoa tem, mas sempre há aquela cor que a pessoa gosta mais, tanto de usar como interagir, que encanta mais. Certamente essa cor tem mais peso em relação às características da sua personalidade", comenta.
Por que não gosta?
O cromoterapeuta ressalta a importância de analisar também o motivo de não gostar de uma determinada cor, para identificar se existe alguma memória negativa relacionada à tonalidade. "Pode acontecer de ter usado uma roupa com determinada cor quando vivenciou uma situação ruim e isso fica registrado na memória, porque associamos a cor ao evento. Ou aquela cor que faz ficar muito agitada e a pessoa não gosta de agitação porque é muito sossegada", exemplifica.
Usar uma cor que não gosta é a chance de refletir a respeito dos motivos da recusa e criar possibilidades de ressignificação de conteúdos interiores que precisam ser transformados.
Inclusive essas mesmas cores podem ser usadas com o intuito de resolver os pontos identificados, sejam em roupas, acessórios, objetos pessoais ou da casa ou até mesmo com algum tratamento específico de cromoterapia, com um especialista da área.
O que as cores representam
A seguir, listamos o simbolismo de algumas das cores apresentadas por Marcelo no livro "O Poder das Cores".
Azul
- Aspectos positivos: tem a ver com alguém calmo, tranquilo e bem sociável, dono de grande fé e espiritualidade.
- Aspectos negativos: tendência à lentidão. Se a pessoa é muito voltada às questões espirituais, pode fugir de situações que envolvam o lado material e de concretização.
Amarelo
- Aspectos positivos: quem prefere essa cor tende a ser mais racional do que emocional, dono de bom humor, alegria e otimismo. Gosta de estudar e analisar dados e se concentra e foca facilmente.
- Aspectos negativos: perfil mental demais e que pensa bastante também pode ser negativo, provocando "dor de cabeça" em certas situações.
Branco
- Aspectos positivos: quem prefere o branco é alguém que busca ajudar o próximo e se doa para os outros, pensando em uma causa maior.
- Aspectos negativos: a pessoa sente dificuldade em enxergar o "eu e com tendência ao egoísmo.
Cinza
- Aspectos positivos: preza muito pela neutralidade e analisa bem qualquer situação, sem envolver emoção.
- Aspectos negativos: é alguém que tende à tristeza, à depressão, à apatia, ao desânimo. Revela um apego ao passado.
Laranja
- Aspectos positivos: tem relação com criatividade, alegria, coragem e muita ousadia. É uma pessoa despojada, que costuma se dar bem nos negócios e lidar com as emoções.
- Aspectos negativos: tem um perfil inconsequente e destemido, medroso, estagnado e procrastinador. Existe dificuldade de se relacionar (consigo e com os outros). Falta criatividade e sobram críticas.
Marrom
- Aspectos positivos: é alguém prático e tranquilo, com certo grau de maturidade e dono de atitudes conservadoras em muitas situações.
- Aspectos negativos: não sabe muito resolver questões de maneira simples, com tendência à insegurança e bloqueio nos assuntos espirituais.
Preto
- Aspectos positivos: sabe lidar com seu mundo interno, além de ser uma pessoa bem discreta.
- Aspectos negativos: apresenta dificuldade de se relacionar, com tendência ao isolamento.
Rosa
- Aspectos positivos: é uma pessoa amorosa, afetuosa, com compaixão, geralmente envolvida em relacionamentos mais tranquilos.
- Aspectos negativos: para ela, é difícil perdoar. Ainda alimenta mágoas e age baseada na emoção.
Verde
- Aspectos positivos: tende a ser uma pessoa calma e equilibrada, sempre atenta aos detalhes.
- Aspectos negativos: risco de ser indecisa e, na tentativa de ficar em cima do muro, viver em desequilíbrio.
Vermelho
- Aspectos positivos: a tendência é a pessoa ser agitada, cheia de energia e bastante motivada, com força, vigor e vontade de atingir objetivos com garra e determinação.
- Aspectos negativos: predisposição para irritabilidade, materialismo, impulsividade, raiva e nervosismo, além de querer tudo para o agora.
Como usar perfis e fitas de LED na decoração de forma moderna e eficiente

De Nossa
14/05/2021 10h29
Bem pensada, a iluminação faz toda a diferença no resultado final de um projeto de arquitetura e interiores. E, hoje, uma tendência nesse setor são os perfis com fitas de LED, que chamam atenção por sua versatilidade e economia de energia.
"Tendência em projetos residenciais e corporativos, esse recurso é bem-vindo tanto em marcenaria quanto forros e sancas, além de inovar em pisos e paredes. Ele trouxe maior liberdade criativa para usos decorativos e arquitetônicos", apontam as arquitetas Claudia Yamada e Monike Lafuente, sócias do Studio Tan-Gram, para Nossa.
Transforme os cômodos da sua casa usando apenas a iluminação
Segundo a dupla, todo ambiente pode se beneficiar do uso do perfil e fita de LED, capaz de realçar elementos da arquitetura e decoração com uma luz indireta.
"Sua principal vantagem é ser slim, flexível e alongado, o que a faz perfeita para uma iluminação linear, de grandes áreas", explicam.

A sustentabilidade do material também representa um diferencial, já que o LED é durável e tem um baixo consumo de energia elétrica. Também se trata de uma opção de iluminação que possui fácil instalação. Vendidas por metro ou rolo, a fita de LED é flexível e simples de ser cortada, realçando nichos, prateleiras, rodapés luminosos, entre outros.
Há as versões rígidas, no caso, as barras de LED, que também são fixadas com a ajuda de perfis, parafusados e encaixados na marcenaria. "Sempre usamos o perfil para ajudar a dissipar o calor do LED e fazer com que ele dure mais", conta Monike.
"As fitas de LED também agregam elegância e sofisticação aos ambientes e são capazes de transitar entre todos os estilos de projeto, pois ficam discretas quando aplicadas", diz a arquiteta Claudia Yamada.
Quando iluminando marcenarias, são mais discretas do que a opção de spot embutido, ocupando menos espaço.
"É fundamental que a fita não seja colada diretamente na marcenaria", alertam as arquitetas. O ideal é que seja instalado também um perfil metálico e um acrílico, que funciona como difusor. "Eles fazem toda a diferença no efeito da luz e na durabilidade do material", reforça a arquiteta Monike Lafuente.
Existem diversos modelos de fitas de LED no mercado, que se diferenciam por seu fluxo luminoso, calculado pela potência por metro de fita, e tonalidade.
"A escolha correta depende do efeito desejado no projeto. Se a fita de LED tiver uma função mais decorativa, é possível optar por um modelo menos potente, enquanto o uso para iluminação técnica pede por mais potência", indica Claudia Yamada.
Alguns modelos ainda permitem a mudança de temperatura de cor, variando de uma luz branca à mais amarelada. Também existem as fitas RGB, coloridas, perfeitas para ambientes jovens e descolados.

Segundo a Yamamura, especialista em iluminação, o LED é um diodo de emissão de luz capaz de produzir luz a partir da camada ativa do diodo usado em corrente direta. Com inúmeras vantagens, ele veio para revolucionar a iluminação, oferecendo baixo consumo de energia e alta eficiência. Trata-se de uma opção que não agride o meio ambiente porque não há mercúrio na composição.
"Sobre cores e potência, ainda estamos em 85% do percurso e falta pouco para alcançarmos a plenitude do que a gente tinha na época de incandescentes e halógenas. Mas estamos no caminho. Temos o led neutro, quente, então dá para trabalhar muito bem num projeto", acredita a arquiteta Monike Lafuente.
Independentemente da escolha, as arquitetas Claudia Yamada e Monike Lafuente indicam que as fitas de LED sejam combinadas com outros tipos de iluminação, sejam elas spots com focos, trilhos ou outros. "De forma geral, projetos com apenas um tipo de iluminação ficam muito uniformes. O ideal é ter a opção de diversos efeitos de iluminação em um mesmo ambiente, conferindo mais harmonia ao projeto", opina Claudia.

No caso de projetos que utilizam as fitas de LED menos potentes, outras fontes de luz também são essenciais para criar a iluminação geral do espaço.
Sobre a exigência de contratar mão de obra técnica para instalar o LED, a dupla do Studio Tan-Gram acredita que tudo depende da complexibilidade do projeto ou da situação. A fita flexível é mais simples de instalar porque é colada. Mas, caso o ambiente exija uma sanca ou rodapé luminosos, a união de circuitos elétricos e, muitas vezes, a dimerização acabam exigindo um eletricista.
Menina de 6 anos sobrevive a ataque em Gaza que destruiu sua casa e matou seus irmãos
Suzy, que também perdeu a mãe, foi resgatada após horas presa nos escombros
Suzy Eshkuntana, 6, acordou sozinha no maior hospital de Gaza. Ela foi levada para lá após ser retirada dos escombros de sua casa, destruída num ataque de Israel que matou sua mãe e quatro de seus irmãos.
A menina, que ficou presa por sete horas sob os escombros, reencontrou o pai, também ferido, no hospital de Shifa. "Perdoe-me, minha filha. Você gritou para que eu fosse até você, mas eu não pude ir", disse Riyad Eshkuntana à filha, depois que os médicos colocaram os dois juntos, em camas próximas.

A família foi atingida por um ataque na madrugada de domingo (16), na cidade de Gaza, que matou ao menos 42 pessoas, incluindo dez crianças, segundo as autoridades médicas locais. Trata-se da ação mais letal desde que o conflito atual entre Israel e palestinos estourou. Agora, chegou a 192 o total de mortos por bombardeios israelenses, em uma semana.
Israel diz que os ataques miram lideranças do grupo Hamas, que controla Gaza, e de outros grupos radicais, que ao todo dispararam 2.800 mísseis contra cidades israelenses desde o início da crise atual. Já os ataques vindos de Gaza mataram dez pessoas em Israel, incluindo duas crianças.
"A razão para estas baixas é que o Hamas está nos atacando, de forma criminosa, a partir de bairros civis", disse o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, à emissora americana CBS.
A casa da família Eshkuntana ficava na área próxima a um sistema de túneis do Hamas em Gaza. Quando os túneis desmoronaram após os bombardeios, as construções próximas também foram abaixo.
Dezenas de membros dos serviços de resgate, policiais, parentes e vizinhos se juntaram para ajudar nas buscas em meio aos destroços da casa da família. Depois de várias horas de trabalho, ouvi-se a frase "Allahu Akbar" (Deus é maior) —um sinal de que alguém havia sido encontrado com vida.
Suzy, coberta de poeira e muito fraca para erguer a cabeça, chorou ao ser levada para a ambulância.
No hospital, parentes perguntavam por detalhes conforme as vítimas chegavam. "Este é Yehya? Este é Yehya?", gritavam homens e mulheres que esperavam na recepção, pouco antes de os médicos dizerem a eles que o irmão de Suzy, de quatro anos, estava morto. Duas mulheres desmaiaram ao ouvir a notícia.
Minutos depois, o corpo de uma menina foi trazido. "Eles trouxeram Dana. Dana, Dana, você está bem?", perguntaram. Mas a garota estava morta, junto com outro irmão e outra irmã. Ver Suzy com os olhos abertos trouxe a eles um breve momento de alegria, antes de ela ser levada para exames. Médicos disseram que estava machucada, mas sem lesões graves, e a levaram para a maca próxima à de seu pai.
Lá Fora
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Riyad Eshkuntana disse que achava que a família estava segura naquela casa, porque havia médicos vivendo no mesmo prédio. E tinha colocado as crianças em uma parte da residência que parecia segura em caso de ataque. "De repente, veio um foguete, com fogo e chamas, e destruiu duas paredes", disse ele. Enquanto os pais corriam em busca das crianças, houve uma segunda explosão, que derrubou o teto.
"Ouvi meu filho Zain chamando 'pai', mas eu não conseguia virar e olhar para ele, porque eu estava preso."

Quando as equipes de resgate fizeram o primeiro chamado por sobreviventes, Eshkuntana estava muito fraco para gritar. Meia hora depois, ele conseguiu pedir ajuda e foi encontrado. Deitado na cama ao lado da filha, com a cabeça enfaixada, ele disse que, primeiramente, queria morrer. "Eu estava sentindo toda a raiva do universo, mas quando eu ouvi que uma das minhas filhas estava viva, eu disse 'obrigado, Deus'."
Opinião: Dante Senra - CPI = ciência por intuição. Não queremos uma verdade inventada


Dante Senra
Colunista do UOL
16/05/2021 04h00
Momento difícil. A realidade travestida de ficção onde o mundo atual se tornou mais ameaçador do que a vida na série de televisão dramática "The Walking Dead" ou no filme pós-apocalíptico estrelado por Will Smith "Eu sou a lenda", quando a população de Nova York foi dizimada por um vírus criado pelo próprio homem (ou por sua relação predatória com a natureza, que parece ser nosso caso).
E assim vamos vivendo, procurando o oxigênio nosso de cada dia para tentar sobreviver, implorando pelo retorno à vida que reclamávamos sem parar.
Como se não bastassem mais de 425 mil mortos pelo vírus, vamos assistindo jairzinhos (letra minúscula propositadamente) e Jacarezinhos.
O que houve com a nossa sociedade?
Perdemos nossa capacidade de indignação? Discursos de ódio entre brasileiros, racismo, violência banalizada e generalizada, exclusão social, agressões ao meio ambiente, pobreza extrema e cobiça nos envenenando a alma.
Pensamos muito e sentimos pouco. Vivemos a globalização da indiferença, como disse o papa Francisco.
Para vencer o mal externo é preciso primeiro vencer o mal que existe dentro de nós.
Chaplin, em o último discurso do filme "O Grande Ditador", disse: "Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina que produz abundância tem-nos deixado em penúria".
Aí ligamos a televisão e vemos contagem de mortos por minuto, falta de oxigênio, falta de vacinas, falta de vagas de UTI, kits para intubação e insumos hospitalares. Indignados, criamos a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito).
A distopia desse mundo novo é tamanha que criamos uma CPI para analisar o enfrentamento da pandemia (já que até agora apanhamos de 7 a 1) e vemos mais discursos de ódio.
Me parece estranho que políticos tenham prescrito medicamentos e agora políticos dizem que esses medicamentos não têm eficácia.
Nada contra a comissão, desde que ela tenha objetivos claros e resultados no sentido de ajudar nossa sociedade. Ela não pode ser um palco de vaidades ou um palanque eleitoreiro. Nela, até agora, ciência tem sido a palavra de ordem.
Entretanto, a única relação entre política e ciência está no fato em que ambas precisam ser estudadas, uma vez que a ciência também estuda a forma como se dá a política, chamada ciência política. Mas não está sendo usada neste sentido.
A palavra ciência deriva do latim scientia e significa "conhecimento" e, portanto, a ciência não é uma questão de opinião. Ela não é o que "achamos" ou o que nos é conveniente.
Um princípio importante nela é o ceticismo, que é a noção de que tudo deve ser questionado e analisado sistematicamente, e afirmações nunca devem ser aceitas sem debate.
A ciência foge do improviso em seu pragmatismo e, assim, é feita de experimentos de laboratório, observações, estudos duplo-cego, randomizados e com rigor metodológico buscando conhecer a verdade, mas sempre de forma ética porque o desenvolvimento tecnológico e científico jamais pode transgredir os direitos humanos.
Sua função no mundo contemporâneo é auxiliar a manutenção da vida humana, bem como o desenvolvimento de sua qualidade, e não servir a propósitos políticos partidários em um país já ferido demais e polarizado.
Como disse o filósofo prussiano Immanuel Kant: "Ciência é conhecimento organizado. Sabedoria é vida organizada".
Nesse momento de crise temos gente demais falando em ciência, muitas vezes sem nenhum conhecimento ou legitimidade. Não queremos uma verdade inventada.
Tenham medo de quem fala em nome da ciência porque já foi dito que nela não existe um erro tão grosseiro que, amanhã ou depois, sob alguma perspectiva, não pareça profético.
O debate de ideias de forma respeitosa deve ser a essência de nosso parlamento, assim como o respeito ao contraditório o fundamento e força motriz da democracia, porque como disse Henri Poincaré, matemático, físico e filósofo da ciência francesa: "Assim como casas são feitas de pedras, a ciência é feita de fatos. Mas uma pilha de pedras não é uma casa e uma coleção de fatos não é, necessariamente, ciência".
Onde está o nosso velho normal? Não tenho lá muito apreço por ele, mas parecia menos aterrorizador do que os dias atuais.
Para o desapontamento de quem espera que voltemos logo ao que chamávamos de "normal", isso não vai acontecer. Não sem antes passarmos pelo chamado estresse pós-traumático. A psicanálise tem reforçado que essa situação ocorre não tanto pela intensidade ou duração da dor ou agressão, mas porque ela não foi aceita como algo que possa fazer sentido.
E esta, vida sem amor e respeito, não importa quantas outras coisas tenhamos, é uma vida vazia e sem sentido.
App que monitora covid poupou vidas no Reino Unido; Brasil ignorou medida
Aurélio Araújo
Colaboração para Tilt
16/05/2021 04h00
Um novo estudo sugere que o uso de sistemas de rastreamento de contato ajudou a salvar milhares de vidas no Reino Unido. Publicado pela revista "Nature", o levantamento diz que quase 9.000 pessoas foram salvas na Inglaterra e no País de Gales graças ao app NHS Covid-19, que usa um sistema de notificação de exposição à doença desenvolvido por Apple e Google. O Brasil tem uma solução semelhante com o app Coronavírus-SUS, mas que não teve muito sucesso por falta de explicação e divulgação da ferramenta.
A pesquisa mostra que o app do NHS, o sistema de saúde público britânico, pode ter salvado a vida de entre 4.200 a 8.700 pessoas - o Reino Unido registra mais de 128 mil mortes pela covid-19 até o momento. Segundo o estudo, cada aumento de ponto percentual no uso do aplicativo resultava em uma redução de 0,79% dos casos.
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"Nossa análise sugere que um grande número de casos da covid-19 foi evitado por rastreamento de contato através do aplicativo NHS, variando de aproximadamente 100 mil a 900 mil, dependendo dos detalhes metodológicos", acrescenta o estudo.
Os pesquisadores avaliaram o uso do app entre setembro e dezembro de 2020. Ao todo, 16,5 milhões de pessoas instalaram a aplicação (o equivalente a 28% da população do Reino Unido), e foram enviadas 1,7 milhão de notificações de exposição.
Integração com testes
O estudo sugere que a integração dos aplicativos com os testes da covid-19 foram importantes para controlar a disseminação da doença. Isso porque "os testes ordenados por meio do aplicativo acionam ações automaticamente, sem exigir que o usuário insira o resultado no app", o que acelera o rastreamento de contato.
Além disso, o estudo teoriza sobre como a funcionalidade dos aplicativos contribuíram para sua eficácia. O levantamento sugere que quem instalou o aplicativo costuma manter o distanciamento social acima do que teria feito caso não possuísse a aplicação, já que estaria ciente de que "ele monitora a distância e pode aconselhar a quarentena posteriormente".
"O uso de smartphones já é global e, portanto, os aplicativos de rastreamento de contato que preservam a privacidade devem ser integrados ao kit de ferramentas de saúde pública", conclui o estudo.
No Brasil, app fracassou por falta de uso
Muita gente nem ficou sabendo, mas em março de 2020 o governo divulgou o aplicativo Coronavírus-SUS, que depois passou a ter a função de rastreamento de contato. O funcionamento era semelhante ao app do NHS, ou seja, daria para saber quando alguém doente chegou perto de você usando o recurso de Bluetooth dos celulares.
Contudo, esse app nacional "flopou" basicamente porque ninguém explicou como a ferramenta funciona e por não haver uma campanha mostrando os benefícios da aplicação.
O Coronavírus-SUS passou a usar a tecnologia da Apple e da Google em agosto do ano passado. Sua divulgação foi feita prioritariamente pela imprensa e no canal do YouTube do Ministério da Saúde, que registrou menos de 10 mil visualizações na época.
A pouca divulgação pode ter refletido na adesão mínima dos brasileiros ao recurso. Até abril deste ano, o Coronavírus-SUS teve 61,5 milhões de downloads, segundo dados do Ministério da Saúde a Tilt. Mas eram apenas 2,3 milhões de usuários ativos até fevereiro de 2021, ou seja, menos de 1% da população brasileira.
Contudo, Claudio Miceli, professor de engenharia de sistemas e computação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), não credita o fracasso do Coronavírus-SUS apenas à falta de divulgação. Ele afirma que o rastreamento de contato esbarra em uma questão técnica que incomoda o brasileiro: a bateria do smartphone.
"De modo geral, o brasileiro não costuma deixar o Bluetooth ligado, pois gasta bateria. O app faz sentido do ponto de vista tecnológico, mas na prática, talvez, não fosse o suficiente para o Brasil", explicou.
Outro ponto levantado por ele é que todo brasileiro tem smartphone e o app do SUS tem compatibilidade limitada —para usá-lo, é necessário ter um iPhone com no mínimo iOS 13 ou um celular com sistema Android 6.0 ou superior.
Igreja e editora de Malafaia devem R$ 4,6 milhões em impostos
Eduardo Militão
Do UOL, em Brasília
17/05/2021 04h00
A igreja e a editora dirigidas pelo pastor Silas Malafaia possuem R$ 4,6 milhões em impostos inscritos como dívida ativa da União — desse valor, R$ 1,3 milhão está sendo parcelado. As cifras são quase o triplo do registrado em dezembro de 2018, quando somavam R$ 1,59 milhão, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), obtidos pelo UOL por meio da Lei de Acesso à Informação.
As dívidas totais da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, da qual Malafaia é presidente, somam R$ 2,89 milhões. Elas se referem a imposto de renda e contribuições previdenciárias. Os mesmos tributos são cobrados da editora Central Gospel, que também possui R$ 26 mil em débitos da CSLL (Contribuição Social do Lucro Líquido). Em recuperação judicial desde 2019, a editora possui R$ 1,76 milhão em dívida ativa no total. O pastor é sócio-administrador da empresa; a outra sócia é a mulher dele, Elizete.
Governo publica lei sobre precatórios, com veto parcial do perdão a igrejas
A CSLL foi tema de uma mudança na lei que pode criar um perdão bilionário em impostos de dívidas de igrejas, segundo dados da Receita Federal. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a bancada evangélica atuaram para modificar a legislação num movimento contrário às "absurdas multas" contra igrejas.
Malafaia disse ao UOL que pagou R$ 7 milhões em impostos desde 2018. Ele afirmou que parte dos débitos que possui é questionada na Justiça e na Receita, inclusive com base na nova lei que livrou igrejas da CSLL.
Ele disse acreditar que o crescimento dos valores esteja associado a refinanciamentos da outra parte das dívidas e à expansão do número de funcionários por causa da abertura de mais de 40 templos desde 2019 (veja mais abaixo).
Bolsonaro não aumentou tributo de igreja nenhuma. Não teve aumento de carga tributária para ninguém"Silas Malafaia, pastor
Aliado de Bolsonaro
Malafaia é um dos principais aliados do presidente da República. Em 2013, ele realizou o casamento religioso de Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle de Paula.
Em 2019, o pastor pediu a demissão do então secretário da Receita Marcos Cintra porque ele cogitou tributar dízimos. "A palhaçada do secretário da Receita Federal deixando Bolsonaro de saia justa", escreveu na descrição de um vídeo publicado por ele na internet. Cintra deixou o governo meses depois e foi substituído por José Tostes.
Em 2020, Tostes participou de reunião com Bolsonaro e o filho do missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, para tratar dos débitos. A Igreja Internacional da Graça de Deus tem R$ 162 milhões em dívidas, como revelou o UOL.
Maior parte da dívida está em cobrança
Os dados da PGFN se referem ao mês de fevereiro, o último disponível ao UOL. A reportagem consultou o sistema da Receita e da Procuradoria para tentar obter uma certidão negativa de débitos, mas os órgãos responderam que não era possível fornecer o documento em relação à igreja e à editora.
Os dados da PGFN mostram que a maior parte da dívida ativa da empresa e da entidade religiosa está em situação de cobrança. Trata-se de R$ 3,3 milhões. Quatro anotações de dívida ativa de imposto de renda retido na fonte da igreja somam R$ 1,3 milhão. Elas se referem a débitos que foram parcelados, informou a assessoria da Procuradoria. "Elas estão regulares", explicou o órgão.
Em dezembro de 2018, a situação era semelhante. Da dívida de R$ 1,59 milhão da época, R$ 971 mil estavam em cobrança e R$ 626 mil, em parcelamento.
Pastor questiona débitos com base em nova lei
Em entrevista ao UOL, Malafaia disse que questiona parte dos débitos. Um dos argumentos é a nova lei aprovada no Congresso. "Esses meus débitos têm a ver com tributos mesmo que eu tenho que pagar, pedir para renegociar", explicou o pastor.
O outro está em discussão na Receita Federal. Tem discussão ainda porque tem a questão do que foi feito agora... que votou no Congresso"Silas Malafaia, pastor
Ele disse que não comentaria os detalhes dos questionamentos por questão de sigilo fiscal "São argumentos de advogados junto às instâncias da Receita Federal. Estamos dentro dos parâmetros legais que qualquer instituição, de lucro ou sem lucro, dentro do escopo legal de questionar qualquer questão tributária."
Após consultar seu contador, Malafaia explicou que o aumento dos valores em dívida ativa se explica por novos parcelamentos feitos a partir de 2019. Ele apresentou um histórico de tributos pagos desde 2018, que mostra aumento das despesas com impostos.
"O contador estava explicando para mim: 'Pastor, é que entrou refinanciamento porque; até R$ 2 milhões, você faz direto no sistema da Receita'. Se for alguma coisa acima disso, tem que ir lá. Então, leva tempo esses trâmites."
Além disso, Malafaia lembrou que abriu mais de quarenta templos desde 2019. "Para se ter ideia, agora, estamos inaugurando oito igrejas. Isso requer secretário, zelador, pastor e tudo isso."
Pela lei, igrejas não pagam impostos sobre dízimos e ofertas. No entanto, precisam recolher contribuições previdenciárias de seus funcionários. E há multas quando situações incomuns são detectadas.
Auditores mantêm multas; deputado reclama
Assim, em tese, a nova lei aprovada pelo Congresso impede a cobrança da CSLL das igrejas. Ainda não há certeza sobre seu efeito prático. Isso porque informa que as igrejas já são imunes a impostos, explicou o presidente do sindicato dos auditores da Receita (Sindifisco), Kléber Cabral.
Entidades religiosas são multadas e cobradas quando se comportam como empresas, ao distribuírem lucros e patrimônio a seus pastores ou associados, esclareceu ele. Um exemplo é pagar bônus para sacerdotes que comandam congregações de acordo com a arrecadação de ofertas e dízimos.
A Receita identificou que algumas igrejas pagaram aos pastores bônus proporcionais à arrecadação maior de certas congregações. Para o Fisco, isso significa distribuir lucro, o que é uma atividade tipicamente empresarial, e não de igreja. Por isso, nos casos em que isso ficou provado, tributaram a igreja com imposto de renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Por isso, os auditores têm dito que seguirão multando igrejas atuarem desta maneira.
"Esses caras fizeram uma festa", diz Malafaia
O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da igreja de Malafaia, afirmou ao UOL que, para a bancada evangélica, o assunto está encerrado porque a nova lei impede a cobrança de impostos de igrejas. O parlamentar declarou que, se os auditores seguirem aplicando multas, eles argumentarão nos tribunais com base na legislação recente aprovada por eles.
Malafaia destacou que, em todo o mundo, os templos sempre foram imunes a tributos. Mencionou que, em alguns países, as pessoas ainda ganham desconto no imposto de renda por darem ofertas. Ele recordou que uma "tramoia" mudou regras no governo de Dilma Rousseff (PT) para prejudicar igrejas e, agora, Jair Bolsonaro estaria corrigindo injustiças.
Meu irmão, eles meteram multa em tanta igreja e tanta religião. Esses caras fizeram uma festa"Malafaia
"Quem fez toda a sacanagem foi Dilma, que meteu caneta num monte de igreja." A assessoria da ex-presidente afirmou que não comentaria as declarações do pastor.



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