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7 (SETE) METROS só com a GROENLÂNDIA

Estudo: derretimento na GROELÂNDIA pode causar ELEVAÇÃO de 7 metros no NÍVEL do mar

TERCEIRA ONDA seria a PIOR do país, diz presidente dos secretários de saúde

Vacinas contra covid-19 SÓ chegarão para TODO mundo NO FIM DE 2023 no RITMO atual, calcula editor-chefe da Lancet

Após ataque de garimpeiros, yanomamis enviam quarto pedido de socorro ao Exército

Desmatamento da Amazônia em abril é o maior para o mês em uma década

NOVA YORK terá elevador de VIDRO a 360 metros de altura e PISCINA FLUTUANTE no East River

ENSAIO GERAL..? Com armas PESADAS, Eduardo Bolsonaro e fazendeiros gaúchos CAÇAM JAVALIS

Hoje é o dia em que o RABUDO ARROMBADO BORRA-BOTAS vai ter que se virar pra não dar com a língua nos DENTES. _____________________________ Será que o PUSILÂNIME PASPALHO vai defender Sua EXCREMECÊNCIA custe o que custar?

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Estudo: derretimento na Groenlândia pode causar elevação de 7 metros no nível do mar

Pesquisadores do Instituto de Potsdam de Pesquisa Climática alertam que, caso a temperatura média global exceda entre 0.8ºC e 3.2ºC em relação aos níveis pré-industriais, as camadas de gelo da Groenlândia poderão derreter inteiramente ao longo das próximas centenas ou milhares de anos

(Foto: Reuters)

247 - Caso a temperatura média global exceda entre 0.8ºC e 3.2ºC em relação aos níveis pré-industriais, as camadas de gelo da Groenlândia poderão derreter inteiramente ao longo das próximas centenas ou milhares de anos, relatou o Instituto de Potsdam de Pesquisa Climática (PIK), com base em dados de pesquisadores alemães e noruegueses. 

O resultado seria uma elevação de 7 metros do nível do mar global e o colapso da circulação meridional de capotamento do Atlântico, responsável pelo calor relativo na Europa e na América do Norte, alertam os pesquisadores. 

"Nossos resultados indicam que no futuro ocorrerá um derretimento significativamente maior, o que é muito preocupante", explicou o cientista Niklas Boers. 

"Ou seja: a perda de massa de gelo atual e a esperada no futuro próximo será basicamente irreversível. Por isso, é mais do que hora de reduzirmos, rápida e decididamente, as emissões de gases do efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, e de voltar a estabilizar o manto glacial e o nosso clima", apelou Boers.

O manto glacial groenlandês é o segundo maior do mundo, depois do da Antártida, no Polo Sul.

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Após ataque de garimpeiros, yanomamis enviam quarto pedido de socorro ao Exército

Os yanomamis vêm sofrendo ataques diários de garimpeiros ilegais que juram vinganças após os indígenas interceptarem uma carga de quase mil litros de combustível no final de abril

(Foto: Victor Moriyama/ISA)

Brasil de Fato – Após uma semana de ataques intensos de garimpeiros ilegais contra a comunidade Palimiu, em Roraima, que resultaram na morte de duas crianças, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) enviou um novo ofício à Fundação Nacional do Índio (Funai), à Polícia Federal em Roraima (PF/RR), à 1ª Brigada de Infantaria da Selva do Exército (1ª Bis) e ao Ministério Público Federal em Roraima (MPF-RR), pedindo segurança para o local, conhecido como Base dos Americanos. É o quarto pedido de socorro desde o início do mês. Os yanomamis vêm sofrendo ataques diários de garimpeiros ilegais que juram vinganças após os indígenas interceptarem uma carga de quase mil litros de combustível no final de abril. 

No último 11 de maio, agentes da Polícia Federal estiveram na comunidade localizada na Terra Indígena Yanomami para verificar a situação e foram recebidos por tiros pelos garimpeiros que espreitavam na região. 

No vídeo gravado pelos indígenas, é possível ouvir os disparos contra a comunidade. 

Garimpeiros jogaram bombas de gás lacrimogêneo e alvejaram comunidade 

Segundo Dário Kopenawa, vice-presidente da associação, os indígenas da comunidade Palimiu estão fracos e ainda sentem os impactos das bombas de gás lacrimogêneo jogadas pelos garimpeiros no domingo (16). 

No documento, a entidade reitera o pedido de apoio logístico e instalação de posto emergencial na comunidade de Palimiu para manutenção da segurança na região.

“No dia 16 de maio, pela noite, às 21:40, recebemos ligação da comunidade de Palimiu comunicando novo ataque de garimpeiros à comunidade. Segundo disseram os Yanomami, eram 15 barcos de garimpeiros se aproximando contra a comunidade. 

Os Yanomami disseram que além dos tiros, havia muita fumaça e que seus olhos estavam ardendo, indicando o disparo de bombas de gás lacrimogêneo contra os indígenas. Os Yanamami estavam muito aflitos, e gritavam de preocupação ao telefone. Ao fundo, era possível escutar o som dos tiros. A situação era grave. 

Reiteramos o pedido aos órgãos que atuem com urgência dentro de seu dever legal para impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiu, antes que conflitos de mais grave natureza ocorram.

Em particular, solicitamos que urgentemente:

(i) Proceda-se com a instalação de um posto avançado emergencial na comunidade de Palimiu, com o objetivo manter a segurança no local e no rio Uraricoera,

(ii) O Exército brasileiro, por meio da 1ª Brigada de Infantaria da Selva, promova apoio logístico imediato para ações dos demais órgãos públicos para garantir a manutenção da segurança no local“, diz o ofício.

Comunidade também solicita segurança para os isolados Moxihatëtëa

A Hutukara solicita segurança não só para a comunidade Palimiu, mas, também, para os isolados Moxihatëtëa. Segundo a organização, uma base de garimpo ilegal está localizada a 15 km da comunidade, também situada em Roraima, e coloca em risco os indígenas, que negam contato com qualquer pessoa externa.

Assim, o pedido por garantia de segurança, da lei e da ordem por parte do Estado, segundo a associação, é total, já que indígenas de todo o território Yanomami estão vulneráveis aos ataques dos garimpeiros. 

A expectativa dos indígenas é que o Exército atenda à solicitação por segurança, já que mulheres e crianças estão na rota de tiro do garimpo ilegal. 

Segundo membros da comunidade, até o momento não há qualquer logística de segurança operando na defesa dos indígenas. Questionados por e-mail, o Exército, a FunaiI e nem a Polícia Federal responderam quais medidas estão sendo tomadas. 

Com base em pedido do Ministério Público Federal em Roraima, a Justiça Federal determinou na última sexta-feira (14) que a União mantenha efetivo armado, de forma permanente, na comunidade Palimiú, na Terra Indígena Yanomami em Roraima, para evitar novos conflitos e garantir a segurança de seus integrantes.

Na decisão, foi estabelecido prazo de 24 horas para que a União informe e comprove nos autos o envio de tropa para a comunidade sob pena de multa a ser fixada. Também foi determinado à Funai que auxilie as forças de segurança no contato com os indígenas e no gerenciamento das relações interculturais.

O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal na quarta-feira (12), na ação civil pública ajuizada no ano passado, na qual pediu a total desintrusão de garimpeiros na região.

Outro lado

O Brasil de Fato procurou o Exército Brasileiro, o ministério da Saúde, a PF, a Funai, o MPF-RR e o Ministério da Defesa pra comentar o assunto. Até a publicação desta reportagem, apenas os dois primeiros haviam respondido. Veja abaixo.

Ministério da Saúde  

O Ministério da Saúde, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, informa que os profissionais da Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) que se encontravam no Polo Base da comunidade Palimiú, na Terra Indígena Yanomami, foram retirados, pelo DSEI, por falta de segurança no local, na terça-feira, 11 de maio. 

A retirada foi  acompanhada por agentes da Polícia Federal e pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) Yanomami para garantir a integridade física dos profissionais de saúde. A unidade de atendimento será reaberta tão logo seja possível atuar em segurança na localidade. Em caso de urgência ou emergência durante este período, o DSEI realizará atendimento pontual e a comunidade não ficará desassistida.

Exército Brasileiro

Este Comando Militar de Área informa:

O Exército Brasileiro ainda não tem informações precisas sobre o incidente, pois o mesmo encontra-se em investigação pelas autoridades competentes.

O Exército Brasileiro, quando acionado, prestou apoio logístico e de segurança à ação da Polícia Federal e da FUNAI – Fundação Nacional do Índio. No momento, aguarda-se novas demandas dos órgãos responsáveis para prosseguir no apoio.

O helicóptero solicitado pela Polícia Federal foi prontamente disponibilizado e a missão dos agentes da Polícia Federal foi cumprida.

A partir de agora, o Exército Brasileiro aguarda as investigações das autoridades competentes e novas demandas dos órgãos responsáveis para prosseguir no apoio.

Atenciosamente, 

Seção de Comunicação Social do Comando Militar da Amazônia

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Desmatamento da Amazônia em abril é o maior para o mês em uma década

O índice também é 45% maior que o desmatamento registrado em abril de 2020

Caminhão transita em área desmatada da Amazônia, no Estado do Acre 24/08/2019
Caminhão transita em área desmatada da Amazônia, no Estado do Acre 24/08/2019 (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)

247 - O desmatamento da Amazônia no último mês de abril foi de 778 km², o maior valor para o mês registrado nos últimos dez anos, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O índice é 45% maior que o desmatamento registrado em abril de 2020. Em março, também foi registrado um recorde histórico, quando o Imazon constatou 810 km² de floresta devastada.

Os estados com maior área desmatada são: 

  • Amazonas - 28%
  • Pará - 26%
  • Mato Grosso - 22%
  • Rondônia -16%
  • Roraima -5%
  • Maranhão - 2%
  • Acre 1%

"Em Lábrea e Apuí, no Amazonas, municípios que lideram o ranking dos 10 que mais desmataram, houve perda de 126 km² de floresta, o que representa quase 60% de todo o desmatamento do Estado detectado em abril", diz o Imazon.

Com informações do G1.

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Com armas pesadas, Eduardo Bolsonaro e fazendeiros gaúchos caçam javalis

Em um vídeo, o deputado aparece com outros homens cantando e celebrando enquanto atiram nos animais

Eduardo Bolsonaro posa para foto com cadáveres de javalis caçados
Eduardo Bolsonaro posa para foto com cadáveres de javalis caçados (Foto: Reprodução)

247 - O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) aparece em uma foto ao lado de fazendeiros com dezenas de javalis silvestres mortos. A ocorrência se deu no distrito de São Chico, em São Francisco de Assis (RS), na propriedade de Mauro Maia.

Em um vídeo, os homens aparecem cantando e celebrando enquanto atiram nos animais. 

A caça de javalis não é novidade para o filho do presidente, entusiasta da prática:

No Brasil, a espécie é considerada invasora e prejudicial à flora e à fauna e sua caça é autorizada desde que haja um registro ativo de "controlador". Os animais vieram do Uruguai no século XX e se proliferaram pela região da fronteira.

"Quem fala que quer defender o Meio Ambiente, tem que pregar o controle do javali", disse Eduardo, que reclamou de "xiitas ambientalistas" que condenam a prática. 

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A mutação dos bolsonaristas | Bernardo Mello Franco

O ex-ministro Ernesto Araújo em depoimento à CPI da Covid

A CPI da Covid produziu uma mutação nos bolsonaristas. Diante dos senadores e das câmeras de TV, os defensores do capitão perdem subitamente a valentia. Passam a falar baixo, renegam suas bravatas e fingem esquecer o que já disseram.

Na semana passada, o fenômeno ocorreu com Fabio Wajngarten. Conhecido pela agressividade nas redes sociais, o publicitário afinou ao usar o microfone. Adotou um tom humilde, quase servil, para tentar escapar ileso do depoimento.

O ex-secretário de Comunicação se disse vítima de “boatos maldosos” sobre a intermediação da compra de vacinas. No entanto, perdeu a memória ao ser questionado sobre um termo usado pelo ex-ministro Eduardo Pazuello. “Não sei nem o que significa pixulé”, desconversou. “Melhor assim, não é?”, ironizou o senador Renan Calheiros.

Ontem a foi a vez de Ernesto Araújo sofrer um surto de amnésia. Pivô de múltiplas crises com a China, o ex-chanceler jurou que nunca criou atritos com Pequim. Renegou até o artigo em que se referiu ao coronavírus como “comunavírus”, endossando a teoria conspiratória de que os chineses teriam lucrado com a pandemia. “Vossa excelência renega o que escreveu. Aí, não dá!”, protestou o senador Omar Aziz.

Em outro momento, Ernesto disse que o ideólogo Olavo de Carvalho não era o guru da sua política externa delirante. “O senhor de fato é um homem muito ousado, muito corajoso”, debochou a senadora Kátia Abreu, antes de chamar o ex-ministro de “negacionista compulsivo”.

Apesar dos recuos e das gaguejadas, Wajngarten e Ernesto não conseguiram blindar o chefe. O publicitário admitiu que Jair Bolsonaro ignorou ofertas de vacinas da Pfizer. E o ex-chanceler confirmou que o presidente deu ordens para negociar a importação de cloroquina.

Ernesto deixou claro que sua gestão estava mais empenhada em travar lutas ideológicas do que em salvar vidas. Por discordar do governo da Venezuela, o ministro se negou a colaborar com o transporte de cilindros de oxigênio de Caracas para Manaus. Depois que a doação chegou, ele se recusou a dar um mísero telefonema para agradecer.

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Insistência na cloroquina e demora na compra de vacinas: os erros de Pazuello na Saúde

Em cerca de 10 meses de gestão do militar, número de mortes por Covid-19 no Brasil passou de aproximadamente 15 mil para quase 300 mil
Renata Mariz
19/05/2021 - 04:30
Gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da saúde está no centro das investigações da CPI da Covid Foto: Editoria de Arte
Gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da saúde está no centro das investigações da CPI da Covid Foto: Editoria de Arte

BRASÍLIA — Em 15 de maio do ano passado, numa sexta-feira, o general da ativa Eduardo Pazuello, então secretário executivo do Ministério da Saúde, apressou-se em convocar uma reunião com integrantes da cúpula do órgão. No encontro, o militar  lamentou a saída do médico Nelson Teich do comando da pasta, o segundo a deixar o cargo em plena pandemia, e comunicou que conduziria todos os trabalho dali em diante. Em sua primeira ordem, Pazuello avisou que queria a aprovação de um protocolo sobre o tratamento da Covid-19. Para cumprir essa missão, parte da equipe trabalhou ao longo do fim de semana. Poucos dias depois, a pasta anunciou a "nota informativa" que ampliava a recomendação de uso de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina no SUS (Sistema Único de Saúde) desde o primeiro dia dos sintomas, ainda que leves e moderados. Não havia à época, assim como não existe até hoje, comprovação da eficácia dos medicamentos. Mas o pedido atendia aos interesses de Jair Bolsonaro, que propagandeava o uso dessas drogas. Essa foi a primeira demonstração do que Pazuello mais tarde verbalizaria durante uma transmissão nas redes sociais ao lado do presidente: "Um manda, o outro obedece". 

A consequência dessa subserviência foi fatal para o Brasil. Em cerca de 10 meses de gestão, Pazuello militarizou o Ministério da Saúde com quadros sem experiência em áreas estratégicas, não se consultou com especialistas para a tomada de decisões importantes, tentou esconder dados da pandemia e postergou medidas que poderiam ter salvado vidas. Nesse período, o número de mortes por Covid-19 no país passou de aproximadamente 15 mil para quase 300 mil. Por causa dessa tragédia, o general da ativa se tornou alvo de uma série de investigações. Procurado pelo GLOBO, ele não quis se manifestar. Nesta quarta-feira, 19, ele prestará esclarecimentos à CPI da Covid do Senado. Será a primeira vez que Pazuello terá de encarar todos os seus erros, conforme esta reportagem especial destaca a seguir.

20 de maio de 2020: Cloroquina e espionagem

Número de mortos por covid-19 em 20/05/20 Foto: O Globo
Número de mortos por covid-19 em 20/05/20 Foto: O Globo

Com a orientação formal do uso da cloroquina, divulgada no dia 20 de maio do ano passado, o Ministério da Saúde passou a fazer distribuição da droga a estados e municípios. Nos meses seguintes, estudos internacionais, inclusive desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foram paralisados por conta de efeitos colaterais e da falta de eficácia. Mesmo assim, a pasta sustentou que havia pesquisas, mesmo que com metodologias duvidosas, apontando certos benefícios do medicamento.  No total, segundo dados publicados no site do Ministério da Saúde, 5,4 milhões de comprimidos de cloroquina e 609 mil de hidroxicloroquina foram distribuídos no país. Pazuello demonstrava ser entusiasta da política do tratamento precoce em reuniões, ao mesmo tempo em que determinou o abandono de orientações sobre restrições de locomoção que a pasta vinha fazendo.

Documento do Ministério da Saúde indica cloroquina Foto: Editoria de Arte
Documento do Ministério da Saúde indica cloroquina Foto: Editoria de Arte



Mesmo antes de assumir o ministério da Saúde, Pazuello foi transformando a pasta numa espécie de quartel do Exército, onde a sua opinião sempre prevalecia. No início de maio, quando ainda era secretário-executivo, o militar chegou a ameaçar dar voz de prisão a um técnico que participava de uma reunião sobre remanejamento de equipamentos. Após o profissional sair da sala do encontro para pedir orientação ao coordenador dele por telefone, alegando que a equipe recém-chegada parecia não entender como as coisas funcionavam no SUS, foi levado por um assessor para falar com o "secretário-executivo".

CPI da Covidconfira os documentos e depoimentos que vão nortear investigação sobre o governo Bolsonaro

Na conversa, Pazuello não só falou que o técnico poderia ser preso como afirmou que a conversa dele havia sido captada, sem explicar se o telefone estava grampeado ou se havia sistema de som nos ambientes, e sugeriu que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) poderia "ir atrás" dele. O profissional, assustado, explicou que não estava falando com a imprensa, mas sim com seu chefe imediato, o que não aplacou a ira do general.

5 de junho de 2020: Mortes ocultadas

Número de mortos por covid-19 em 02/06/20 Foto: O Globo
Número de mortos por covid-19 em 02/06/20 Foto: O Globo

A tentativa de esconder os números da Covid-19 foi outra marca do início da gestão Pazuello no Ministério da Saúde. Servidores do quadro técnico relatam que o próprio ministro reclamava dos dados em reuniões, afirmando que não era possível que tantas mortes tivessem como causa apenas a Covid-19.

Um deles lamenta o tempo que se perdia para convencer Pazuello ou os militares de confiança dele, principalmente Elcio Franco e Jorge Kormann, que comandavam a Secretaria-Executiva da pasta, sobre a inconsistência de algumas "fake news", como a do homem que teria sido registrado como vítima de Covid-19 após ter morrido devido à explosão de um pneu.
O momento mais tenso, no entanto, ocorreu na primeira semana de junho, quando chegou uma ordem explícita ao setor de dados: atrasar a liberação do boletim diário da Covid-19 para depois dos telejornais. Fontes relataram ao GLOBO que os dados continuavam a ser compilados, assim como desde o início da pandemia, por volta de no máximo 19h, sem necessidade operacional de postergar sua divulgação.

Boletim do Ministério da Saúde passou a esconder total de mortes Foto: Editoria de Arte
Boletim do Ministério da Saúde passou a esconder total de mortes Foto: Editoria de Arte



Após dias de atraso na liberação dos números, o Ministério da Saúde foi mais ousado. Simplesmente desidratou o boletim, tirando dados de total de mortes e casos, entre outros, e tirou a página com a série histórica da internet. A tentativa de esconder as mortes levou o Supremo Tribunal Federal a determinar o retorno da divulgação nos moldes anteriores.

15 de agosto de 2020: A revolta da vacina

Número de mortos por covid-19 em 15/08/20 Foto: O Globo
Número de mortos por covid-19 em 15/08/20 Foto: O Globo

Se a parceria com a AstraZeneca/Oxford, por meio da realização de testes no Brasil com o apoio da Fiocruz, foi obra iniciada ainda na gestão de Nelson Teich, cabia a Pazuello seguir a receita de países que estavam com negociações mais avançadas, segundo especialistas: ampliar o portfólio de vacinas.

Mas o ministro fez o contrário disso. Ignorou sucessivas ofertas da gigante americana Pfizer, que começaram em 15 de agosto, tendo acatado os termos propostas pela empresa somente 216 dias depois, com a contratação de 100 milhões de doses, formalizada integralmente dias após a demissão de Pazuello, em março passado. Mais recentemente, o governo fechou nova compra de mais 100 milhões de doses, que só terminarão de chegar no fim do ano.

Pazuello gostava de alardear, com certo tom de orgulho, que não recebia laboratório, não conversava com fornecedor, como forma de se blindar de possíveis acusações de má conduta. Ele confiou a tarefa de centralizar processos mais delicados de compras, não só de vacinas, a Elcio Franco, o seu número 2 — que também parecia padecer do mesmo temor. A falta de experiência acabou colocando o Brasil nas últimas posições da fila da vacinação no mundo.

Ex-ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), auditor fiscal aposentado e advogado, Valdir Simão afirma que o gestor público pode ser responsabilizado tanto por agir de forma errada quanto por não agir. Em todo caso, se o cenário é nebuloso e há dúvidas sobre quais ações tomar, o importante é que o administrador registre o que o motivou a adotar ou deixar de adotar uma determinada providência.

— No cenário de incerteza da pandemia, todos estão tomando decisões com alto nível de risco, mas esse é ônus da administração pública. Não agir não é a melhor forma de se proteger, mas sim deixar registrados em atas, relatórios, documentos, e-mails, o porquê de ter atuado como atuou — diz ele, esclarecendo: — No campo administrativo, o erro grosseiro e a omissão injustificada já são passíveis de responsabilização. No criminal, é preciso haver dolo, o que não acredito que tenha ocorrido no caso da condução do Ministério da Saúde.

22 de outubro de 2020: 'Coquetel Pazuello'

Número de mortos por covid-19 em 22/10/20 Foto: O Globo
Número de mortos por covid-19 em 22/10/20 Foto: O Globo

Depois de ser desautorizado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, que mandou cancelar a compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac — por rivalizar com o governador João Doria, de São Paulo, que viabilizou a produção no estado por meio do Instituto Butantan —, Pazuello produziu uma das frases mais marcantes de sua breve vida pública: “É simples assim: um manda e o outro obedece”.

Ele deu a declaração durante visita que recebeu de Bolsonaro enquanto se recuperando da Covid-19 à época no local em que ficava hospedado em Brasília. O encontro foi transmitido pelo presidente nas redes como uma forma de enterrar as especulações de que Pazuello seria demitido.

Integrantes do governo temem que declaração de ex-ministro seja usada para embasar acusação de que o presidente é o principal responsável por todas as decisões e omissões no combate à pandemia de Covid-19.
Integrantes do governo temem que declaração de ex-ministro seja usada para embasar acusação de que o presidente é o principal responsável por todas as decisões e omissões no combate à pandemia de Covid-19.

Pazuello também disse, naquela ocasião, que tomou hidroxicloroquina e outros remédios e defendeu que já havia estudos sobre eficácia da droga. O presidente voltou a incentivar o uso dos medicamentos sem eficácia comprovada, chamando-os de "coquetel Pazuello".

Para Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o maior problema da gestão de Pazuello foi o desmonte da área técnica no Ministério da Saúde:

— A pasta foi afastada das sociedades de especialidades, comitês de especialistas foram desfeitos. Houve um desmonte da estrutura técnica do ministério. Focaram só no tratamento da doença, com abertura de leitos, envio de remédios que não funcionam, e abandonaram a prevenção, como medidas de distanciamento, testagem em massa e a própria vacina — critica o médico.

11 de janeiro de 2021: Crise asfixiante

Número de mortos por covid-19 em 11/01/21 Foto: O Globo
Número de mortos por covid-19 em 11/01/21 Foto: O Globo

Episódio mais dramático da pandemia no Brasil, a morte de pacientes sem oxigênio em Manaus foi um dos retratos mais cruéis da atuação de Pazuello à frente da pasta. O próprio general admitiu, no dia 11 de janeiro deste ano, em evento na capital amazonense, que já tinha conhecimento prévio do problema, tendo sido cobrado inclusive por uma cunhada, ao que ele respondeu: “Vai esperar chegar. Não tem o que fazer”. O ministro também tinha sido avisado pela empresa White Martins ainda no dia 8 de janeiro sobre a impossibilidade de garantir o abastecimento nos hospitais. No dia 14, pacientes começaram a morrer na capital amazonense.

“Vai esperar chegar. Não tem o que fazer”.

Apesar de o ministério da Saúde defender que aviões da FAB já trabalhavam para reforçar o abastecimento de oxigênio medicinal em Manaus, medidas mais efetivas foram tomadas somente após o início das mortes. Uma delas foi a remoção dos pacientes. Investigação do Ministério Público Federal aponta que a pasta já sabia, desde o dia 12 de janeiro, que seria necessário fazer as transferências, mas decide adotar a estratégia apenas a partir do dia 15.

Em visita a Manaus, então ministro da Saúde disse que solução era esperar o abastecimento ser normalizado
Em visita a Manaus, então ministro da Saúde disse que solução era esperar o abastecimento ser normalizado

Servidora do Ministério da Saúde que fez parte da comitiva enviada pela pasta relatou em depoimento às autoridades que as remoções foram adiadas até que houvesse “óbitos em ambulância” e “colapso de oxigênio”.

Enquanto pacientes morriam sem ar em Manaus, Pazuello anunciava o lançamento do aplicativo TrateCov, criado pelo ministério para fazer diagnóstico da Covid-19, dispensando testes, e indicar protocolo de tratamento com hidroxicloroquina. O remédio era receitado até para bebês pela ferramenta digital.

— Hoje vai ser lançada uma plataforma, que a Mayra (Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na pasta) vai falar sobre isso, que vai permitir que o próprio prefeito cobre o protocolo de atendimento. É uma plataforma com o protocolo e o protocolo vai nos dar mais de 85% de acerto. Tá bom, né? Mais a capacidade do médico, chegamos em 100%”.

Ministério da Saúde aguardava óbitos em ambulância e colapso de oxigênio para enviar doentes a outros estados. A informação foi prestada por uma servidora do órgão, durante depoimento no Ministério Público Federal
Ministério da Saúde aguardava óbitos em ambulância e colapso de oxigênio para enviar doentes a outros estados. A informação foi prestada por uma servidora do órgão, durante depoimento no Ministério Público Federal

Após a má repercussão do aplicativo, que se mostrou apenas uma forma de prescrever o chamado kit Covid, a pasta tirou o TrateCov do ar e disse que um hacker o havia publicado. Mas 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina foram enviados ao estado no período, enquanto a demanda era por oxigênio.

23 de março: Despedida com ataques

Número de mortos por covid-19 em 23/03/21 Foto: O Globo
Número de mortos por covid-19 em 23/03/21 Foto: O Globo

Desgastado diante do ritmo lento da vacinação no país, da segunda onda da pandemia no país com alta letalidade e já alvo de investigações, Pazuello foi substituído pelo médico Marcelo Queiroga, que tomou posse em 23 de março. O militar não fez mea culpa na despedida no ministério. Ao contrário, ao falar com a equipe em reunião reservada, afirmou que sofreu pressões de políticos interessados num “pixulé”. Disse ainda que foi alvo de tentativas de sabotagem de médicos, mas não de detalhes nem nomes.

Na despedida com ex-auxiliares, Eduardo Pazuello reconheceu a distribuição de recursos do Ministério da Saúde com finalidade política.
Na despedida com ex-auxiliares, Eduardo Pazuello reconheceu a distribuição de recursos do Ministério da Saúde com finalidade política. "A operação de grana com fins políticos acontece aqui", disse o ex-ministro, ao lado do atual, Marcelo Queiroga

Em seu último pronunciamento oficial horas antes de o presidente Jair Bolsonaro confirmar sua saída, ainda em 15 de março, Pazuello ainda tentou capitalizar a contratação das 100 milhões de doses da vacina da Pfizer, afirmando que o contrato estava assinado. Só no dia 19 de março, no entanto, o governo anunciou a concretização final da compra.
No Ministério da Saúde, servidores de carreira comemoraram a saída do ministro e sua equipe. Ficaram para trás as reuniões sem a expressão "selva", do jargão militar, e sem o "vamos liberar a cachorrada", que Pazuello usava para dispensar o pessoal técnico de um determinado compromisso. Mas a gestão desastrosa do militar continua indelével na história do país.

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Murro em ponta de faca

Quer me matar? Tenha comigo as mesmas discussões, não resolva os mesmos temas durante semanas, meses, anos, me faça as mesmas perguntas
19/05/2021 - 04:30

Das obstinações, várias tentativas, repetições, não desistências, insistências, confesso: não sou das melhores.

O tempo às vezes me ganha, esse deus lindo e valiosíssimo. Não só ele, o cansaço, a preguiça. Quer me matar? Tenha comigo as mesmas discussões, não resolva os mesmos temas durante semanas, meses, anos, me faça as mesmas perguntas sempre, brigue comigo pelos mesmos motivos, me diga para resolver coisas que já foram resolvidas por outras pessoas no passado.

Minha ansiedade me faz querer avançar, pensar no que pode ser a próxima coisa, no que posso trazer de novo. Não consigo acreditar que recebi esta vida para perder tempo pensando em coisas que já foram resolvidas. Mas, veja bem, não digo que estou certa. Na verdade, percebi que várias vezes estou muito errada.

Uma das últimas vezes foi assim: eu seguia na minha plenitude quando Julio Ludemir, da Flup, na live de lançamento do livro “Carolinas”, me perguntou sobre o programa que realizei em 2018, o “Querendo assunto”. Eu respondi que, quando escrevi a ideia do programa, eu queria comprovar “cientificamente” algo que já sabia: era possível realizar um produto audiovisual de entretenimento em que mulheres pretas brasileiras falassem de coisas que não fossem racismo, violência, exclusão, sofrimento, fome ou qualquer outra caixinha onde geralmente a mídia coloca nossa fala, vida e corpos.

Pronto. Com minha comprovação debaixo do braço eu segui para o mundo achando erroneamente que certas coisas eu não precisaria mais falar. E, mesmo antes de mim, tinha também os tantos outros assuntos já abordados por outras mulheres e homens negros, pra citar alguns:

Relações entre gênero e raça: Lélia Gonzalez, check. Economia: Flávia Oliveira, check. Racismo e televisão brasileira: Joel Zito Araújo, check. Movimento social: Átila Roque, check. Literatura: Conceição Evaristo, check. Teatro: Abdias do Nascimento, check. Atuação: Léa Garcia, check. Música: Elza Soares, check. Política: Marielle Franco, check.

Foi no assassinato da Mari, na véspera no lançamento do “Querendo assunto”, que percebi que nada estava resolvido. Mesmo que eu queira, mesmo que eu olhe para o futuro, mesmo que eu escreva sobre ele, há lá o retorno das falas óbvias, a insistência delas. E o que eu (re)percebi esses dias é que, quanto menos se foge dele, melhor. É preciso se entregar ao óbvio, pelo menos neste momento histórico.

Eu espero que meus netos não precisem continuar a repetir que uma operação policial que mata 27 civis é uma chacina, que três crianças não podem simplesmente desaparecer, que o 13 de Maio serviu para pouca coisa, que não precisamos que todos os lutos virem luta, que todas as formas de existir são válidas e por isso que não há espaço para a homofobia, que os mais de 400 mil mortos pelo Covid no Brasil sofreram genocídio, o absurdo de mais de 200 mortos na Faixa de Gaza em uma semana ou que “manicômio nunca mais”.

Mas é cansativo, todos sabem. Há dias que são como murros em ponta de faca, outros em que tudo faz sentido. Um salve aos chilenos que elegeram os 155 deputados constituintes, e nenhum deles faz parte do atual congresso, metade é de mulheres, 17 são indígenas e 30% não pertencem a nenhum partido.

Ou como escreveu o Instagram da Casa Porto esses dias: Sejamos insistência!

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Fernanda Torres, aos 20 anos, ganha a Palma de Ouro em Cannes, na França

Há 35 anos, atriz foi a primeira brasileira a receber o prêmio por interpretação no filme ‘Eu sei que vou te amar’, de Arnaldo Jabor, feito só repetido por Sandra Corveloni em 2008.

Janaína Polonini*

No dia 19 de maio de 1986, o cinema brasileiro era celebrado na França. Fernanda Torres, com apenas 20 anos, tornava-se a primeira brasileira a receber o “Prix d'interprétation féminine” no Festival de Cannes, prêmio concedido à melhor atriz, por sua brilhante atuação no filme “Eu sei que vou te amar”, de Arnaldo Jabor. Na 39ª edição do festival, a atriz dividiu a honraria com a alemã Bárbara Sukowa, 16 anos mais velha, que atuou como Rosa Luxemburgo no longa-metragem homônimo de Margarethe von Trotta.

Como na época gravava um remake da novela “Selva de pedra”, Fernanda não foi a Cannes e ficou sabendo do prêmio por telefone. Na verdade, os seus pais, os atores Fernanda Montenegro e Fernando Torres, foram os primeiros a saber da notícia: Lui Faria (marido de Fernandinha à época), que estava em Cannes, avisou-os sobre a decisão dos jurados. Eles então ligaram para a filha, que ficou surpresa. E só no dia seguinte ao anúncio do prêmio a atriz, que sumira na véspera, comentou a consagração do seu trabalho num dos principais festivais internacionais de cinema.

— Minha primeira reação foi de total espanto. Fiquei repetindo para me convencer: gente, eu ganhei, ganhei! Não sei como teria sido se eu estivesse lá na hora da premiação. Aqui, foi indolor. Não tinha expectativas. Resolvi então não ver ninguém. Tirei o dia para descansar e pensar na vida — disse Fernanda Torres em entrevista ao GLOBO, publicada no dia 21 de maio de 1986.

Apenas no dia 3 de junho de 1986, ela recebeu do então presidente da República, José Sarney (PMDB), a Palma de Ouro de Cannes, numa audiência no Palácio do Planalto, em Brasília. Ao lado de Fernanda estavam Thales Pan Chacon (1956-1997), que contracenou com ela no longa-metragem, e Arnaldo Jabor.

— Pela primeira vez tenho esperança e orgulho de ser brasileiro. São sentimentos que eu, que tive filmes arrancados de salas de projeção por soldados armados, nunca pensei em experimentar — afirmou Jabor.

O drama “Eu sei que vou te amar”, sétimo longa do cineasta, teve direção de fotografia de Lauro Escorel Filho, figurinos de Glória Kalil e cenário projetado por Oscar Niemeyer. O filme era sobre um jovem casal que resolve experimentar em duas horas um jogo da verdade sobre tudo o que já haviam vivenciado. Por sinal, o filme também foi um marco para cinéfilos do Rio. No dia 12 de novembro de 1985, o Cineclube Estação Botafogo (na Rua Voluntários da Pátria), que marcou gerações, estreou com a exibição da obra de Jabor estrelada por Fernanda Torres.

Filha do casal de atores Fernanda Montenegro e Fernando Torres, Fernandinha desde muito nova começou a brilhar por trás das câmeras. Diferente de sua mãe, que batalhou por longos anos para ser considerada a dama do teatro, ela foi para O Tablado, escola de teatro na Lagoa, Zona Sul do Rio, porque não sabia o que queria fazer e acabou por engatar trabalho após trabalho, conquistando um dos maiores prêmios do cinema internacional. Para Arnaldo Jabor, “Fernanda Torres é uma espécie de Fernanda Montenegro pós-moderna”.

O feito de Fernanda, que nasceu no Rio em 15 de setembro de 1965, somente foi alcançado por outra atriz brasileira em 2008. Naquele ano, Sandra Corveloni recebeu a Palma de Ouro de melhor atriz por “Linha de passe”, filme de Walter Salles e Daniela Thomas.

Criado em 1946, o Festival de Cannes completou 70 anos de premiações em 2016. Considerado um dos mais prestigiados festivais cinematográficos da Europa e do mundo, ocorre anualmente na cidade francesa de Cannes. Até 2002 era chamado de Festival International du Film.

O prêmio máximo do festival, a Palma de Ouro, foi concedido somente a um filme de produção inteiramente nacional até hoje: “O pagador de promessas”, dirigido por Anselmo Duarte, em 1962. Antes disso, em 1959, a Palma de Ouro também foi entregue a “Orfeu Negro”, longa em língua portuguesa, porém com produção ítalo-franco-brasileira e direção do cineasta francês Marcel Camus.

Outras premiações do festival francês já contemplaram o cinema brasileiro nas décadas de 50 e 60, com destaque para “O cangaceiro”, de Lima Barreto (1953), e “Terra em transe”, de Glauber Rocha (1967). Mas até a década de 80 nenhum ator brasileiro havia sido premiado no festival.

*com edição de Gustavo Villela, editor do Acervo O GLOBO

Casamento. Cena do filme “Eu sei que vou te amar”, com Fernanda Torres e Thales Pan Chacon


Leia mais: https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/fernanda-torres-aos-20-anos-ganha-palma-de-ouro-em-cannes-na-franca-19331221#ixzz6vJ9FZIRv
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Nova York terá elevador de vidro a 360 metros de altura e piscina flutuante no East River

Big Apple espera recuperar o setor turístico com avanço da vacinação
O Globo
19/05/2021 - 04:30
Elevador transparente em Manhattan Foto: Divulgação
Elevador transparente em Manhattan Foto: Divulgação

RIO - Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 nos Estados Unidos, a cidade de Nova York espera receber mais turistas até o final do ano. E há novidades para quem estiver revisitando a Big Apple, ou para quem for pela primeira vez. E um dos novos pontos turísticos da cidade é para quem não sofre com vertigem. O deck de observação do prédio Summit One Vanderbilt será inaugurado em outubro, mas a experiência por lá não será apenas observar a vista para a cidade, mas a jornada até o alto: o Ascent, o elevador responsável pela subida, é todo de vidro e vai a mais de 360 metros.

Com chão e paredes transparentes, ele vai oferecer vista de quase toda Manhattan. Chegando lá, mais vidro: no alto, há um outro espaço envidraçado: na Levitation, caixas de vidro se projetam para fora. Também há um bar externo, o Après.

O prédio fica ao lado da Grand Central Station e pertinho de outros pontos famosos de Nova York, como o Bryant Park, Quinta Avenida e de outro prédio famoso: Empire State.  A inaguração acontece no dia 21 de outubro.

"Você tem que experimentar para entender a sensação completa, é incrível", disse Rob Schiffer, diretor-gerente do desenvolvedor, a SL Green Realty Corp em entrevista ao site da Travel + Leisure. "Já estive em prédios e terraços por toda Nova York e pelo mundo - e esta é uma experiência única. Leva você ao ponto mais alto ao ar livre de Nova York e é uma vista que está além de deslumbrante. É uma obrigação."

Piscina flutuante

Uma outra novidade será uma boa pedida para o verão, que começa em junho no Hemisfério Norte: uma piscina flutuante no East River. Batizada de "+ Pool" por seu formato que lembra um sinal de mais, o projeto está em obras e ficará na orla marítima de Lower East Side, ao norte da ponte de Manhattan.

Mas a piscina não vai apenas flutuar: a ideia é que contribua para o meio ambiente e use a água do próprio rio para preencher seu espaço, através de um sistema de filtragem.

A construção será dividida e terá uma piscina para crianças, uma piscina de esportes, uma piscina olímpica e uma piscina para relaxar. Enquanto não abre (a data ainda não foi definida), é possível conhecer uma mini versão temporária da piscina chamada “Float Lab”, que fica no Pier 40 no Hudson River Park.

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Discussão sobre autorização para uso de cannabis medicinal faz Roberto Jefferson ameaçar expulsar deputado do PTB e brigar com a filha

A ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Jefferson, pediu afastamento indeterminado da legenda por conta da discussão
O Globo
18/05/2021 - 22:35 / Atualizado em 18/05/2021 - 22:44
Roberto Jefferson disse que a posição do deputado poderia prejudicar a construção de uma imagem cristã e conservadora do partido Foto: Infoglobo
Roberto Jefferson disse que a posição do deputado poderia prejudicar a construção de uma imagem cristã e conservadora do partido Foto: Infoglobo

BRASÍLIA — A discussão que aconteceu nesta terça-feira entre a oposição e apoiadores do governo na Câmara sobre um projeto que autoriza o plantio de cannabis para fins medicinais e industriais causou uma briga interna no PTB, comandado pelo ex-deputado Roberto Jefferson.

O desentendimento resultou em uma ameaça de expulsão do deputado Eduardo Costa (PA) e uma briga familiar no grupo de WhatsApp do partido, envolvendo Jefferson e sua filha e ex-deputada, Cristiane Brasil, que chegou a pedir afastamento do partido.

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Toda a questão começou quando o deputado Eduardo Costa se manifestou a favor do projeto, contrariando a posição de Jefferson. Titular da comissão e médico, Costa citou convicções profissionais e pessoais para justificar sua posição.

A manifestação não foi bem recebida pelo presidente do partido, Roberto Jefferson. Em um áudio enviado no grupo de parlamentares, Jefferson diz que a posição de Costa vai prejudicar a construção da imagem de um partido “cristão e conservador”.

— Esse gesto de hoje do deputado Eduardo Costa do Pará terá uma grave repercussão também. Nós vamos despencar nas pesquisas e viveremos de novo a incredulidade da opinião pública em torno de toda a obra que estamos construindo de sermos um partido cristão e conservador — disse Jefferson no áudio.

O presidente da legenda disse que esse seria o último voto do deputado na legenda e que determinaria que a Comissão de Ética do partido o expulsasse.

— Ele tem as opiniões dele, conflita com o partido. Ele buscará abrigo numa legenda que seja pertinente ao seu ideal.

Procurado pelo GLOBO, o deputado Eduardo Costa disse que ainda não recebeu nenhum documento oficial sobre a expulsão, mas que a decisão gerou estranheza, já que a posição dele a favor do projeto vem sendo defendida na comissão desde 2019.

— Eu sou da base do governo, voto com o governo em praticamente 99% das situações, mas tem situações que são sensíveis pra mim, que são diferenciadas e que não posso abrir mão porque eu jogo todos os meus princípios, o meu trabalho e a minha história no lixo. Eu não posso fazer isso — afirmou.

O parlamentar defendeu que a razão maior do projeto é democratizar a medicação, diminuindo os preços e atender as famílias que precisam. Costa disse que vai entrar na justiça contra a expulsão do partido porque entende que não fez nada para merecer essa punição.

— Sei que no partido, do jeito que o diretório é estruturado, eu vou perder, mas na justiça eu vou requerer que se faça realmente a justiça. Não vou aceitar de forma passiva essa situação — disse o deputado, que admite sair da legenda em uma janela partidária, mas não dessa maneira.

Briga com a filha

No mesmo áudio que foi enviado no grupo, Jefferson disse que sua filha, Cristiane Brasil, era membro da comissão quando ainda tinha mandato como deputada e era a favor do projeto, mas que estava afastado dela.

— A minha filha está afastada de mim porque até a minha opção religiosa ela duvidou. Filha é assim, parente é igual dente, morde na língua da gente. Eu afastei do meu convívio pessoal e do convívio político e não me importo de tomar essa atitude de afastar o deputado Eduardo Costa que nem meu sangue tem e está pisando na bandeira do PTB — disse Jeffersonno áudio.

Logo depois, Cristiane Brasil se manifestou no grupo por meio de um texto longo em que se diz orgulhosa da opção religiosa do pai e defende o uso medicinal da cannabis.

“Quero que ele saiba que fiquei feliz e orgulhosa de sua escolha religiosa. Religião é religar-se. Religar-se ao Divino de que somos parte. Não tenho ideia de onde teria surgido uma palavra contrária a isto. Como posso ter duvidado de sua opção religiosa se eu mesma aceitei Jesus?” — disse a ex-deputada no grupo.

Brasil também afirmou que entende o “novo posicionamento político”, alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, que Jefferson adotou.

“Vejo o esforço hercúleo que ele tem feito para dar um novo rosto ao partido, conservador e cristão, para que este possa abrigar novos rostos e novas lideranças - inclusive ao PR Bolsonaro. Espero de coração que todos esses atores também reconheçam”.

Ao final do texto, a deputada diz que nada pode ficar no caminho entre um pai e a filha, agradece a convivência com outros membros do partido e pede a licença por tempo indeterminado.

“Preciso dar um tempo para mim. Preciso dar um tempo para que meu pai e presidente nacional continue a implantar no partido seu projeto de mudança, sem que me veja como um obstáculo. Como dirigente partidária e trabalhista, oficializo minha licença por tempo indeterminado do glorioso PTB”.

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Generais ameaçam a CPI da Covid, o Renan, e se comportam como alunos a brigar no fim das aulas - Davis Sena Filho

Por Davis Sena Filho

Eduardo Pazuello

Seria cômico se não fosse trágico e ridículo. Acreditem, os militares, leia-se generais que resolveram entrar na luta política e assumir o poder na carona de Jair Bolsonaro, afirmaram, de acordo com o jornalista Bela Mengale, do jornal O Globo, que estão muito preocupados com o depoimento do general Eduardo Pazuello na CPI da Covid, que está a ser realizada pelo Senado Federal.

Os generais, apesar de estarem no poder e darem opinião sobre tudo e todos, bem como dão pitacos sobre o que acontece na sociedade civil, apesar de serem militares, não aceitarão provocações e "não vão levar desaforos para casa!" A verdade é que se trata de pessoas, que, apesar do mito de serem valentes e dispostas a encarar qualquer coisa, ficam cheias de não me toques e reclamações sem fim se forem criticadas, pois o Exército não pode ser manchado em sua moral, custe o que custar, mesmo se generais fazem parte de um governo que se recusou a tomar as medidas necessárias para enfrentar tão grave pandemia. Deve ser isso...

Falam como se as pessoas ou a sociedade não conhecessem o Exército, o que a força fez no passado e faz no presente quando se trata de defender o establishment. Se a preocupação é não manchar o Exército, porque os generais historicamente intervêm na política e cometem todo tipo de casuísmo ao ponto de o general Villas Bôas ameaçar o TSE e o STF para que Lula não pudesse ser candidato, dentre muitas outras intromissões autoritárias, que mancharam o Exército em seu tempo histórico e, ultimamente, por intermédio da administração desastrosa do general Pazuello, que inacreditavelmente foi nomeado ministro da Saúde, que chegou a um ponto tão surreal que não se conseguia  comprar seringas em grande proporção, além de Manaus ser transformado em um gigantesco cemitério a céu aberto.

Trata-se, sem sombra de dúvidas, de um governo militarista cujo presidente dos generais é negacionista e refratário a tudo que possa ser fundamental para o combate à pandemia.

Os militares tem se mostrado tão vaidosos, arrogantes e prepotentes que se consideram acima da lei ou que fazem parte de uma casta superior nos moldes da Índia antiga ou das arábias desses tempos, pois se comportam como se fossem intocáveis. Não aceitam críticas e questionamentos, mas criticam todo mundo, principalmente os movimentos sociais e os partidos de esquerda e suas lideranças, de maneira violenta, desaforada, agressiva e intolerante.

Desde antes do golpe contra a presidente Dilma Roussef, em 2016, os militares conspiravam, porque francamente arrivistas e dispostos a fazer intervenções políticas e ideológicas, fatos que acontecem desde que o traidor e usurpador Michel Temer, político sorrateiro e abjeto que assumiu o poder central com o apoio dos generais até chegar na posse de Jair Bolsonaro. Os generais apoiaram todas as ações governamentais desses dois governos de direita e de extrema direita, que extinguiram direitos, desmontam até hoje o Estado nacional, entregam estatais e acabaram com os programas de inclusão social, bem como a tratarem o trabalhador à míngua, sendo que o desemprego descomunal e a volta do Brasil ao mapa da fome são vergonhas inomináveis do Brasil.

E aí, cara pálida, os generais querem briga, ameaçam irresponsavelmente a CPI e os senadores, como se fossem meninos à espera do portão da escola abrir no final das aulas para trocarem socos. "Não vamos levar desaforos pra casa!" É o que dizem os generais, e dane-se, para não dizer outra palavra, todos os fracassos que os militares são autores, pois protagonistas do governo fascista de Bolsonaro, bem como aparelharam o Estado, porque são quase oito mil militares a ocupar cargos civis, sendo que muitos são da ativa.

E dane-se! É isso que eles afirmam, do alto de suas boçalidades e falta de empatia com a sociedade, pois sempre foram assim, basta que o eleitor leia história para confirmar o que assevero. Dane-se! É o que pensam, porque são co-responsáveis pela tragédia de quase 430 mil pessoas mortas por Covid-19, afinal estão nomeados nos cargos mais importantes da República e não querem, de forma arrogante e autoritária, serem questionados.

Quando o bicho pega querem a isenção, mas quando estão a navegar em águas calmas são arrogantes e atacam até partidos políticos, geralmente de esquerda, e poderes independentes como o Congresso e o STF. E são generais, servidores públicos pagos regiamente pelo contribuinte brasileiro, cujos regulamento e a Constituição não permitem que militares da ativa ocupem cargos públicos e recebam por outra fonte que não seja a força militar onde trabalha. Se o militar, no caso o general Pazuello, quer ocupar cargo civil, como o de ministro da Saúde, que fosse para a reserva e fizesse o que bem entender. Só não poderia deixar de comprar vacinas e não ter um plano nacional para combater a covid.

Para os generais, que por tudo e qualquer coisa se ofendem, o Pazuello, esse general incompetente e irresponsável, não poderá ser questionado com assertividade, pois, para seus colegas de caserna que estão no governo responsável por essa triste tragédia sanitária, responder a perguntas, ainda mais se forem do relator da CPI, senador Renan Calheiros, seria um acinte, quiçá desrespeito ou deboche com vossas excelências, os milicos de paladares mais refinados do que os paladares dos reis ou monarcas.

Era só o que faltava nessa republiqueta bananeira de milicos sem guerras e ambiciosos de poder político e civil. Militares que se recusam a se profissionalizar a copiar o que fazem os militares norte-americanos. Só copiam os defeitos dos generais yankees, mas as virtudes do profissionalismo deles jamais. Trata-se, prezados leitores, da pior geração de generais que o Exército formou em todos os tempos.      

Além disso, os generais apoiam, talvez, o pior presidente do mundo, basta ver o fracasso retumbante na economia em todos os setores e segmentos de atividade humana com seus números e índices praticamente todos negativos, bem como observa-se a tragédia que é a política para o meio ambiente, além de evidentemente o fracasso mais do que retumbante da política de combate à pandemia do novo coronavírus, pois, na verdade, nunca existiu um plano para enfrentar tão grave situação, que deixou o Brasil à deriva e com péssima imagem perante o mundo.

E os generais, em profunda alienação, a pensarem que tudo o que já aconteceu de terrível neste País desde 2013 e a recrudescer no governo dos generais não irá manchar as forças armadas. Como podem pensar assim, se ocupam os cargos mais importantes da República? Trata-se realmente de um contrassenso e de completa e total dissonância com as realidades brasileiras. É o fim da picada!

A verdade é que existe uma realidade que transforma o Brasil em um País pária no mundo, porque os brasileiros estão impedidos de viajar e o chefe dos militares de terceiro mundo, o capitão Bolsonaro, é tratado pela comunidade internacional e seus mandatários como um ser abjeto, desprezível e de mentalidade deletéria. E os generais, pasmem, não querem que o ministro da Saúde deles não responda questões sobre a monumental crise sanitária em que tal desgoverno meteu o Brasil, por incompetência, omissão e iniquidade, além da imensa e deliberada irresponsabilidade.

Será que os generais, mesmo a ocupar cargos de poder e mando consideram que não devem dar satisfação a ninguém, a não ser entre eles, como se estivessem em seus cassinos de oficias e no Clube Militar do Rio, onde falam o que querem, dão ordens nas suas unidades militares e ninguém do governo fala nada ou cobra resultados? É o que parece, e olha que a Constituição, que é vilipendiada sistematicamente desde 2013, ainda está em vigor.

Que temor é esse? Que preocupação é essa de "manchar" as forças armadas? O que é isso, cara pálida? Militar é inimputável, é isso? Militar não dá satisfação? Militar não erra e não é incompetente? Para com isso, pois que eu saiba os militares são brasileiros que estão submetidos às leis do País. Ora bolas!

Se estão preocupados com a imagem das Forças Armadas que não se aventurassem na política, como fazem as forças militares que os generais do Brasil mais admiram, as dos Estados Unidos. Os generais tem de entender que entraram no mundo político-partidário e tem de enfrentar as realidades e se submeter ao Senado Federal, que é parte de um dos três poderes da República. O Exército é uma instituição corporativa, não é um poder republicano, conforme reza a Constituição. Ponto!

Que negócio é esse de "não levar desaforo pra casa?" Entram na política e pensam que estão na caserna, à vontade, a mandar e a desmandar? Querem se comportar assim no mundo civil, governamental e parlamentar, como se estivessem momentaneamente a se divertir no poder e com as mordomias, privilégios e benefícios que ele proporciona?  

Os generais só querem o bônus e não assumirem o ônus? Então, aviso aos navegantes: Generais, não se preocupem com manchas na moral das forças armadas, pois grande parte do povo brasileiro sabe e compreende que os militares são parte desse desgoverno que abandonou a população à própria sorte. Não se preocupem, vossas excelências os generais, dentro ou fora do desgoverno, continuarão com suas vidas como sempre viveram desde a criação das forças armadas.

Ah, já ia esquecer, muitos militares de alta patente são pró-ditadura, apoiam as sandices de bolsonaro, estão num governo que recomendou medicamentos para combater a covid que não tem eficácia, assim como ajudam a administrar um governo de extrema direita que fracassou em todas as frentes econômicas, sanitárias, sociais e ambientais.

Contudo, há o melhor "de tudo isso que está aí": o general Pazuello e a Capitã Cloroquina pediram habeas corpus para não serem presos ou não responderem o que considerarem provas contra eles. Foram os únicos a usar tal instrumento jurídico, porque no poder são corajosos até para cometer  ações que certamente irão parar na Justiça, mas enfrentar as realidades de seus atos não querem e por isso tergiversam e não enfrentam de frente as consequências, por piores que elas fossem. Francamente, general Pazuello... Sem mais comentários.

Alô, militares! Perceberam como é bom existir o habeas corpus? Pois é... Vocês que são de um governo com vocação autoritária e sectária, além de elitista, o habeas corpus é garantido pela Constituição e, sem dúvida, é um dos pilares da democracia e do Estado Democrático de Direito. Não venham com essa de não levar desaforo pra casa. Assumam responsabilidades e enfrentem as questões com coragem e republicanismo. Viu, general? É isso aí.  

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'Eu não ligava para o que o Bolsonaro falava. Erro meu', diz FHC

FHC lança livro no próximo dia 31 de maio - UOL
FHC lança livro no próximo dia 31 de maio Imagem: UOL

Colaboração para UOL

18/05/2021 18h09

Atualizada em 19/05/2021 03h07

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que nunca chegou a conhecer Jair Bolsonaro durante seu período na política, apesar de ter escutado menções ao seu nome e até mesmo ameaças por ele proferidas.

A declaração foi dada ao programa Conversa com Bial, que foi ao ar na madrugada de hoje, na TV Globo.

"Ele falava mal de mim, uma vez disse que ia me fuzilar, com não sei quantos mais. 

Eu não ligava para isso, porque ele não existia. 

Erro meu, porque ele existe.

Foi presidente, foi eleito, e corre o risco de ser reeleito. 

Depende da capacidade que nos tenhamos de oferecer uma alternativa capaz de enfrentá-lo", disse FHC.

Bolsonaro anuncia fim do pedágio para motos em novas concessões

Fernando Henrique se referia ao episódio protagonizado por Bolsonaro durante uma entrevista ao programa "Câmera Aberta", de 1999. 

À época, o atual presidente do Brasil disse que apenas uma guerra civil consertaria o país, e que seria necessário fazer o "trabalho que o regime militar não fez. 

Matando 30 mil, e começando por FHC".

Fernando Henrique explicou que, em todos os cargos que passou - de senador, a ministro e presidente - nunca trabalhou com Bolsonaro. 

Para ele, o atual presidente não tem o peso cultural que o país precisa.

Governo Bolsonaro e eleições 2022

Ao comentar sobre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), FHC disse ter a impressão de que "o nosso governo está deslocado, não está batendo na mesma toada que o resto do mundo". 

Mesmo assim, o ex-presidente se disse otimista de que seja "transitório" e possível de melhorar.

Para Fernando Henrique, os partidos políticos precisam ter mais proximidade com a realidade do povo brasileiro. 

Essa, segundo ele, seria uma vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porque ele "veio de baixo" e "guardou na memória dele o que é dificuldade da vida".

"Não podemos nunca esquecer que a vida é dura para muita gente, e olhar para essa maioria. 

Talvez o presidente atual olhe mais para os colegas dele", opinou.

Por isso, para o ano que vem, FHC considera necessária a existência de uma frente que possa evitar a vitória de "quem está ganhando" - em referência a Lula e Bolsonaro, que lideram as pesquisas de intenção de voto. 

No entanto, o tucano não mostrou preocupação de que este nome saia, necessariamente, do PSDB. 

E, sim, que haja "um caminho mais aberto, mais democrático", para fugir da "polarização".

"Nunca votei no Bolsonaro, e dessa vez quero poder votar com tranquilidade. 

Mas se não puder votar com tranquilidade eu vou fazer uma escolha, porque nós sabemos o que significa o Bolsonaro", disse.

Sendo assim, disse que escolheria Lula por ser "democrata" e respeitar as instituições. 

FHC disse, também, que o petista é "uma pessoa curiosa" por ser ao mesmo tempo um "líder sindical" que "olha para os que mais precisam" e que também "gosta dos que não precisam".

"Ele faz uma ponte aí. 

E em certas circunstâncias é melhor ter a ponte do que alguém que derrube pontes", afirmou.

Livro e documentário sobre FHC

No programa desta terça, Fernando Henrique falou, também, sobre o livro "Um intelectual na política: Memórias" - que será lançado no dia 31 de maio -, e sobre o documentário "O Presidente improvável", dirigido por Belisario França e previsto para o primeiro semestre de 2022.

O livro, escrito pelo próprio FHC, reúne memórias de vida dele desde a infância. 

Já o documentário, traz um panorama sobre a história do político, que durante a ditadura militar foi perseguido e ameaçado, e se exilou no Chile e depois na França.

Entre os convidados para uma série de diálogos documentados estão 18 personalidades importantes, como Bill Clinton, Boris Fausto, Gilberto Gil, Nelson Jobim, entre outros.

Questionado se teria pensado em convidar o ex-presidente Lula para as gravações, Fernando Henrique disse que não teria "nenhuma objeção" ou "reserva com relação ao Lula". 

Disse, ainda, que "se puder" fala com o petista, a quem fez elogios.

"Como pessoa, o Lula é sagaz. 

Desde que o conheci, fiquei admirado com a capacidade que ele tinha. 

Ele percebe na hora, e ele muda na hora também. 

Ele é rápido. 

Ele não precisa ler, ele percebe", disse.

Fernando Henrique Cardoso foi presidente do Brasil de 1995 a 2003. 

Atualmente é presidente de honra do Diretório Nacional do PSDB.

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3ª onda seria a pior do país, diz presidente dos secretários de saúde

Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão, teme pela 3ª onda de covid-19 - Karlos Geromy/Governo do Maranhão
Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão, teme pela 3ª onda de covid-19 Imagem: Karlos Geromy/Governo do Maranhão

Colaboração para o UOL

19/05/2021 08h50

Carlos Lula, secretário de Saúde estadual do Maranhão e presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), afirmou que uma terceira onda de covid-19 no país poderia ser pior do que as anteriores. Em entrevista ao jornal O Globo, o secretário falou também que alguns estados já emendaram em uma quarta onda da doença.

Para o presidente do Conass, as próximas semanas serão cruciais e a ajuda da população, por meio de distanciamento social, é importante. "Uma terceira onda seria muito pior do que esses dois momentos que a gente já viveu", falou.

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Segundo Carlos Lula, o grupo de secretários de saúde considera a terceira onda uma realidade que se aproxima e tenta se preparar para ela. "Uma diminuição passou uma falsa impressão para as pessoas de que o pior da pandemia passou. Só que não passou. A gente estabilizou num número muito alto de casos e mortes", afirmou.

Ele apontou também que essa taxa vem aumentando novamente e que estados, como o Espírito Santo, estão a caminho da quarta onda de coronavírus. O secretário do Maranhão disse ser hora de repensar medidas de isolamento social. "Não dá para a gente ignorar o fato de que a gente tem uma vacinação lenta no país, que vai diminuir seu ritmo nas próximas duas semanas", pontuou.

Caso haja altos níveis de contágio e óbitos por covid-19 novamente, o presidente da Conass aponta que o maior insumo em falta é o kit intubação. Nos hospitais brasileiros, a quantidade existente basta para a rotina de agora, mas não para combater outra crise do vírus.

O órgão já tinha tentado comprar imunizantes por conta própria, incluindo a Sputnik V, que não teve aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "O que era para ter sido feito era o governo federal adiantar suas compras. Nós, os entes subnacionais, não temos mais oferta de vacina", lamentou.

Carlos Lula afirmou existir um bom diálogo entre o Conass e o Ministério da Saúde. "O problema é que, muitas vezes, ações são bloqueadas pelo presidente da República", falou. Outra crítica do presidente do órgão é o foco do Ministério na CPI da covid, em vez de "se preocupar neste momento em vacinar mais pessoas, e mais rápido". Para o secretário, a vacinação é o caminho para conter a pandemia.

Ele ainda reprovou a falta de ação do ministério em articular compras dos imunizantes sobressalentes, especialmente de AstraZeneca, da Europa e dos Estados Unidos. "Cadê a interlocução para fazer um acordo com os EUA e tentar pegar o excedente de vacinas de lá? Falta às vezes proatividade para o governo federal tentar tomar medidas se antecipando ao problema, sem esperar acontecer", criticou.

Outro ponto de desaprovação, para Carlos Lula, é a pouca verba dos agentes subnacionais e a necessidade de fazer pressão para ter algum tipo de financiamento. "A gente viveu o pior momento da pandemia sem o governo federal aportar nada de recursos para estados e municípios", disse.

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Vacinas contra covid-19 só chegarão para todo mundo no fim de 2023 no ritmo atual, calcula editor-chefe da Lancet

Especialista acredita que países mais ricos devem pensar em doar doses excedentes de vacinas contra a covid-19 - Getty Images
Especialista acredita que países mais ricos devem pensar em doar doses excedentes de vacinas contra a covid-19 Imagem: Getty Images

André Biernath

Da BBC News Brasil em São Paulo

19/05/2021 08h26

Atualizada em 19/05/2021 08h26

O microbiologista John McConnell tem um privilégio único: ler em primeiríssima mão os estudos que avaliam a segurança e a eficácia das vacinas contra a covid-19.

O cientista é editor-chefe da The Lancet Infectious Diseases, revista científica que publicou as mais importantes pesquisas sobre a pandemia e os imunizantes nos últimos meses.

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Ele é responsável por receber os manuscritos originais, enviados por laboratórios e especialistas de várias partes do mundo, e encaminhá-los para o time de editores independentes, que faz a revisão e a análise do conteúdo antes da divulgação.

Formado em microbiologia clínica e parasitologia pela Universidade East London, na Inglaterra, McConnell atua na The Lancet desde 1990.

Em 2001, ele foi um dos fundadores e logo tornou-se editor-chefe da The Lancet Infectious Diseases, uma revista voltada 100% para as doenças infecciosas.

No final de abril e no começo de maio, o cientista foi convidado para uma série de webinários no Brasil promovidos pela Elsevier, empresa de informação analítica responsável por diversas publicações científicas, incluindo a própria The Lancet.

Numa entrevista à BBC News Brasil feita por e-mail, McConnell avaliou o atual ritmo de vacinação no mundo e destacou que o fim da pandemia está necessariamente vinculado às ações globais.

"Acredito que nós conseguiremos sair juntos dessa pandemia, desde que não percamos o foco. Só assim faremos que a luz no fim do túnel não seja destinada apenas para ricos e afortunados, mas para todos", disse.

Sobre a situação particular do Brasil, o microbiologista entende que nosso país precisa aliar duas estratégias: acelerar a imunização e promover as medidas preventivas.

"As duas ações precisam andar de mãos dadas. Depender inteiramente da vacina significa que o progresso será lento. Precisamos proteger as pessoas por meio de intervenções não farmacológicas, dando-as a oportunidade de serem vacinadas no futuro", analisou.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil - Num feito inédito, a humanidade conseguiu desenvolver, testar e aprovar várias vacinas contra uma mesma doença em pouco menos de um ano. Como o senhor avalia esse progresso?

John McConnell - Acho que é o culminar de muitos anos de trabalho no desenvolvimento das tecnologias, o que nos permitiu gerar vários tipos diferentes de vacinas, que agora estão sendo aplicadas em bilhões de pessoas.

Uma dessas tecnologias, que usa vírus inativados, já existe há um século ou mais. A tecnologia que utiliza as chamadas subunidades proteicas é aplicada às vacinas contra a hepatite B, por exemplo, há muitos anos.

E mesmo as vacinas de vetores virais, como as de Johnson & Johnson e AstraZeneca/Oxford, se valem de uma tecnologia que vem sendo usada em ensaios clínicos há cerca de 20 anos, principalmente em três imunizantes licenciados contra o ebola.

E, embora se acredite amplamente que as vacinas de mRNA, como as de Pfizer/BioNTech e Moderna, são novas e essa é a primeira vez em que se utiliza tal tecnologia, a verdade é que o trabalho de desenvolvimento de produtos semelhantes está em andamento por quase 30 anos.

Antes da covid-19, havia vacinas em testes clínicos usando a tecnologia de mRNA contra doenças como aids, zika e raiva, por exemplo.

Portanto, embora as vacinas de Pfizer/BioNTech e Moderna sejam as primeiras a usar essa tecnologia em uma escala muito grande em seres humanos, elas se baseiam em um conhecimento existente e bem testado.

Então, de certa forma, tivemos sorte que a pandemia surgiu em um momento em que temos algumas formas muito bem estabelecidas de produzir vacinas, bem como um conjunto de novas tecnologias, para as quais havia um pouco de experiência clínica.

BBC News Brasil - Como o senhor mesmo mencionou, temos diversas plataformas tecnológicas bem-sucedidas neste momento. Qual a importância dessa variedade nos tipos de imunizantes?

McConnell - Nunca foi garantido que uma determinada tecnologia funcionaria, então acho que era muito importante ter uma gama de tentativas diferentes, mesmo que, quando aplicadas na vida real, elas sejam comparáveis — em relação à eficácia.

É importante ter vacinas que possam ser distribuídas de diferentes maneiras. Por exemplo, as vacinas de Pfizer/BioNtech e Moderna precisam de uma cadeia de frio para distribuição que requer congelamento, enquanto as vacinas de AstraZeneca/Oxford e Johnson & Johnson requerem apenas geladeiras regulares. Já a vacina da Bharat Biotech pode ser mantida em temperatura ambiente.

Precisamos de uma gama de tecnologias que podem ser levadas para diferentes contextos ao redor do mundo.

Também é importante ter vacinas que possam ser modificadas conforme surgem novas variantes do coronavírus. Algumas das tecnologias são mais facilmente adaptáveis do que as outras.

Devo acrescentar também que, ao usar diferentes formas de produção de vacinas, estamos aproveitando ao máximo as instalações de fabricação disponíveis em todo o mundo. Se dependêssemos apenas da tecnologia de mRNA, não haveria nenhuma maneira de produzir doses suficientes para 2022 ou 2023, mesmo nos países de alta renda.

Se você espalhar as vacinas por diferentes tecnologias, poderá usar a gama de instalações disponíveis em todo o mundo.

BBC News Brasil - E como foi acompanhar tantas novidades e saber, em primeira mão, os resultados de segurança e eficácia das vacinas, que o mundo inteiro aguardava com tanto interesse?

McConnell - É uma grande honra ser o canal através do qual flui essas pesquisas incrivelmente importantes durante a maior emergência de saúde pública do mundo nos últimos 100 anos.

É um verdadeiro privilégio ver esse material e organizar sua revisão antes da publicação. Sinto-me realmente em uma posição honrada e espero que o que estamos fazendo enquanto editores tenha algum impacto em controlar a pandemia o mais rápido possível.

BBC News Brasil - Em alguns países, como Israel, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, a campanha de imunização contra a covid-19 está bem adiantada. O que essa experiência de vida real nos revela sobre a efetividade das vacinas disponíveis?

McConnell - As vacinas parecem ser ainda mais efetivas quando aplicadas a grandes populações do que nos ensaios clínicos. Os dados provenientes de Israel e do Reino Unido mostram cerca de 90% de eficácia na prevenção de todas as formas de covid-19 para a vacina de Pfizer/BioNTech e algo em torno de 88% para a vacina de AstraZeneca/Oxford.

É bastante encorajador que as vacinas que estão sendo usadas em todo o mundo pareçam ser amplamente eficazes contra as variantes do vírus, particularmente em termos de prevenção de doenças graves e morte, embora não necessariamente previnam a infecção em si.

Se você olhar os gráficos, pode ver o quanto a taxa de novas infecções diminui nas populações que foram vacinadas, em comparação com aquelas que não receberam as doses ainda.

O Chile é um bom exemplo de como as vacinas estão realmente funcionando. Lá está claro que os casos se estabilizaram ou estão diminuindo nos indivíduos que foram vacinados, enquanto continuam a aumentar naqueles que não foram imunizados.

O motivo do aumento de casos, portanto, não é o fato de a vacina eventualmente não estar funcionando, mas porque ela ainda não foi administrada em um número suficiente de pessoas.

BBC News Brasil - Se, por um lado, a campanha deslancha em alguns lugares, outros países estão lidando com a escassez ou a falta absoluta de vacinas. Como o senhor avalia essa desigualdade global?

McConnell - Existe um mecanismo global chamado Covax, que foi projetado para comprar vacinas e distribuí-las a países que não têm condições de financiar seus próprios programas de vacinação.

No atual momento, esse programa foi elaborado para ajudar a vacinar apenas 20% das pessoas nessas nações de baixa e média renda.

Na atual progressão, levará até o final de 2023 para que as vacinas estejam disponíveis para todas as pessoas do mundo.

É imperativo que outros países, quando tiverem vacinado totalmente as suas populações, disponibilizem as doses restantes aos governos que não têm condições de pagá-las.

Alguns desses países mais ricos chegaram a contratar uma quantidade de vacinas suficientes para cobrir três ou quatro vezes a sua população total.

BBC News Brasil - O senhor acredita que é possível resolver esse problema da desigualdade global?

McConnell - É muito importante que os governos levem em consideração o interesse global para minimizar a quantidade de vírus em circulação em todo o mundo.

Quando os programas de vacinação nesses locais estiverem concluídos, e com o planejamento para os reforços necessários num futuro próximo, os países com estoques remanescentes precisarão considerar seriamente a doação de doses excedentes.

Enquanto o vírus permanecer em circulação, sempre existe a chance de ocorrer uma mutação para a qual alguns imunizantes atuais podem não ser eficazes.

Deixo aqui uma sugestão, sobre a qual não tenho opinião formada ou dados suficientes. Mas será que deveríamos priorizar a vacinação de crianças, que não são particularmente suscetíveis a essa doença e é extremamente improvável que tenham sintomas graves ou morram? Ou deveríamos priorizar os idosos e pessoas vulneráveis — dos países de baixa e média renda?

Para encurtar esse prazo de 2023, quando o mundo inteiro estará vacinado segundo as projeções atuais, precisamos nos fazer perguntas sobre nossas prioridades, e não apenas olhar para a realidade interna de nossos próprios países.

BBC News Brasil - Como o senhor vê a situação do Brasil? Nós temos um Programa Nacional de Imunizações reconhecido internacionalmente, mas a campanha contra a covid-19 avança lentamente...

McConnell - As vacinas parecem ser eficazes contra a variante P.1 e proteger até mesmo contra as formas mais graves da doença. Parece que o número de casos está começando a diminuir no Brasil.

Agora, o único caminho a seguir no Brasil é combinar uma distribuição ampla e rápida da vacina com a continuação das medidas de distanciamento físico. Isso tem se mostrado eficaz tanto em Israel quanto no Reino Unido.

As duas ações precisam andar de mãos dadas. Depender inteiramente da vacina significa que o progresso será lento. Precisamos proteger as pessoas por meio de intervenções não farmacológicas, dando-as a oportunidade de serem vacinadas no futuro.

BBC News Brasil - Mesmo com as primeiras vacinas contra a covid-19 aprovadas, nós temos uma série de outras candidatas que continuam em estudo. Por que é importante ter mais opções de imunizantes contra a covid-19?

McConnell - Pois bem, as vacinas que ainda estão em desenvolvimento terão a oportunidade de modificar suas formulações, para que sejam direcionadas contra as novas variedades do coronavírus.

O maior problema é que simplesmente não há vacina suficiente para todos. Atualmente, existem muitas fábricas no mundo que produzem os imunizantes. Se os diferentes países possuem suas próprias instalações de produção de vacinas e podem atender às suas demandas, isso é extremamente importante para controlar a pandemia o mais rápido possível.

Além disso, há também uma questão de preço. Alguns fabricantes, devido ao tipo de tecnologia que estão usando, produziram vacinas muito mais baratas e de distribuição muito mais fácil do que aquelas que foram desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech, por exemplo.

Não consigo imaginar como todas as pessoas no mundo serão vacinadas se contarmos apenas com a vacina da Pfizer/BioNTech.

Assim como temos um arsenal muito amplo de antibióticos, por exemplo, acredito que precisamos de um arsenal variado de vacinas.

BBC News Brasil - Como a vacinação ajudará a tirar o mundo desta pandemia? O senhor já vê alguma luz no fim do túnel?

McConnell - Sim, certamente há uma luz no fim do túnel. Para os países que implementaram seu programa de vacinação rapidamente, essa luz está muito forte.

Israel já reabriu completamente e o Reino Unido está a caminho disso. A França teve que introduzir um novo bloqueio, mas a combinação da vacinação com as medidas de restrição está levando esse país a uma posição em que poderá começar a aliviar as políticas em breve.

Até mesmo os Estados Unidos estão virando esse jogo, embora não seja a mesma realidade para todos os Estados. No entanto, os locais onde há uma ampla aceitação da vacina e onde as medidas de distanciamento físico têm sido mais rigorosas estão definitivamente evoluindo bem.

Alguns dados publicados pela autoridade de saúde pública na Inglaterra (Public Health England), indicam que quase 70% de todos os doadores de sangue têm anticorpos contra o coronavírus.

Esses 70% são o número estabelecido como a soroprevalência necessária para que exista uma imunidade coletiva. Ainda não podemos traçar uma linha rígida sobre isso, mas acredita-se que essa seja uma taxa importante.

Também sabemos que menos de 20% dessa soroprevalência é causada pela infecção natural. Então, a maior parte disso veio da vacinação.

Ainda precisamos de organização e disponibilidade de uma variedade de vacinas, mas há uma esperança real.

Essa luz ainda está escura para países do Sul da Ásia, como Paquistão, Bangladesh e Nepal, que não têm condições de pagar pelas vacinas. Nessa mesma linha, menos de 2% de toda a população do continente africano já recebeu suas doses. Portanto, algumas partes do mundo estão muito atrasadas.

Acredito que nós conseguiremos sair juntos dessa pandemia, desde que não percamos o foco. Só assim faremos que a luz no fim do túnel não seja destinada apenas para ricos e afortunados, mas para todos.

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Defensor de cloroquina, Osmar Terra pede aval científico para Cannabis

Osmar Terra em seminário na Câmara dos Deputados.  -  Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Osmar Terra em seminário na Câmara dos Deputados. Imagem: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/05/2021 20h16

Defensor da utilização de hidroxicloroquina para tratamento da covid-19, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) afirmou que "não há nenhuma evidência científica" que mostre a eficácia da Cannabis para tratar doenças. Durante sessão da comissão especial da Câmara dos Deputados para discutir projeto que prevê a liberação do cultivo da planta para fins medicinais, o deputado pediu que mostrassem "uma evidência científica".

"Salvar vidas adoecendo milhões de pessoas, se não houvesse outra alternativa teríamos que decidir, mas tem. É possível que as crianças que possuem síndromes convulsivas, essas crianças têm a possibilidade de ter acesso ao medicamento que elas precisam. Se tiver evidência científica, que tenha efeito... vamos deixar a Anvisa regular isso. Como ela regula todos os medicamentos agora. Desde quando óleo de maconha é remédio? Óleo de maconha tem 480 substâncias que causam dano permanente", disse Osmar.

Brasil registra 2.517 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

"Não tem nenhuma evidência científica. Me mostrem uma evidência científica disso. Me mostrem uma só, eu nunca vi isso aqui na mesa, uma evidência científica. Eu sou médico, eu trabalho com evidência. Não tem essa evidência, e como não tem essa evidência nós estamos aqui trabalhando em cima de narrativas", completou ele, em seguida.

Durante debate promovido pelo UOL, no ano passado, o deputado falou sobre a pandemia da covid-19 no Brasil e disse, entre outras coisas, que "quase 99% dos portadores do vírus" não apresentam sintomas e que a cloroquina - defendida como forma de tratamento pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até então— apresenta riscos como disfunção hepática e arritmia cardíaca, mas que a "maioria não tem problema nenhum", sem provas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já destacou que não há eficácia comprovada da hidroxicloroquina contra a covid-19 e alertou para a gravidade de seus efeitos colaterais.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 2017 o registro do Mevatyl, usado para sintomas da esclerose múltipla. Na sua composição há o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) —substâncias que já estiveram na lista de proibição da agência. Ele é considerado o primeiro remédio à base de maconha aprovado no Brasil.

Apesar de uma lei aprovada em 2006 já prever o uso medicinal da maconha, a falta de regulamentação levou a decisões judiciais autorizando pacientes a cultivar cannabis para tratar diversas patologias, como autismo, epilepsia, Alzheimer, depressão, ansiedade e enxaqueca crônica, conforme mostrou reportagem da BBC News Brasil.

O plantio de cannabis para uso medicinal e científico já é previsto no Brasil desde 2006, por meio da lei 11.343, a chamada Lei de Drogas, aprovada no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Mas pouco se avançou na sua regulamentação até o início desta década.

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