PROVOCAÇÃO? - CHUTE no PAU da BARRACA?

Quer saber como preservar seu notebook? Veja três conselhos de quem manja
Marcos Bonfim
Colaboração para Tilt
04/05/2021 04h00
Cada vez mais brasileiros têm se rendido à praticidade dos notebooks. Com mais tempo em casa, por causa da pandemia, e fazendo praticamente tudo (desde trabalhar, estudar, até ter vida social) usando esse tipo de computador, as vendas cresceram no ano passado —alta de 21,8%% em comparação com 2019, segundo dados do instituto de pesquisa IDC Brasil.
Em média, brasileiros desembolsaram R$ 4.300 por um novo notebook. Foram quase 5 milhões de unidades vendidas no ano passado, apesar da grave crise econômica que o país enfrenta. Se você foi uma dessas pessoas, saiba que, com os cuidados certos, seu novo computador terá um tempo de vida útil maior —fazendo seu dinheiro render.
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Paulo Sérgio, professor e pesquisador de ciência tecnológica do Centro Universitário FEI, manja bastante do assunto e, por isso, pedimos a ele para te dar três conselhos sobre como cuidar do seu notebook.
1. Comida e notebook não combinam
Quem nunca comeu enquanto trabalha em frente o notebook, principalmente ao longo da pandemia, que atire a primeira pedra. A atitude, porém, precisa ser evitada por oferecer diversos riscos de danos ao equipamento.
"O maior prejuízo é a poeira e sujeira caírem e entrarem nos componentes eletrônicos. Essa micro sujeira seca vai degradando o notebook ao longo do tempo e se espalhando por outros espaços. Agora, se for líquido, como café e refrigerante, o dano é mais imediato, tem que levar para a assistência para limpeza e manutenção", explica.
Esse uso, sem a devida atenção à limpeza, também pode desvalorizar o aparelho, já que as teclas do teclado tendem a desgastar em pouco tempo.
Para evitar esses problemas, o professor recomenda limpezas periódicas. "Já que não vamos conseguir proibir as pessoas de comerem enquanto usam os seus notebooks, principalmente neste período de pandemia, o ideal é sempre cuidar do equipamento, passando uma flanela com álcool isopropílico no teclado. Não basta só passar por cima, precisa virar também o notebook para que saiam todos os resíduos", complementa.
2. Cuidados com as conexões
Como em todas as nossas novas aquisições, todos temos uma tendência a cuidar muito bem dos dispositivos. Com o passar do tempo, no entanto, relaxamos. E é aí que mora o perigo.
Para o professor, muitas pessoas acabam, ao longo do tempo, reunindo um emaranhado de fios conectados aos notebooks. Para além da aparente desorganização, isso pode significar prejuízos para o aparelho e enfraquecer as conexões. "Hoje, temos vários relatos de choques elétricos em razão disso."
Ademais, o especialista chama atenção para o uso da tomada de três pinos. "Muitas pessoas ignoram esse terceiro pino, mas ele é o responsável pelo fio terra", afirma. Para preservar o aparelho, a melhor saída é ter um adaptador sempre à disposição.
3. Especialista de tutorial
Acompanhar tutoriais já se tornou uma prática comum na internet e muitas pessoas têm se aventurado em campos que não dominam. Para o especialista, quando há desejo de fazer ajustes ou melhorias, o caminho a seguir é outro.
"Muitos usuários, seguindo tutoriais, querem alterar conexões, aumentar a memória, por exemplo. E isso acaba sendo um problema sério porque mexem de uma maneira não profissional e sofrem com prejuízos depois. Quando quiser fazer mudanças, aconselho levar para um especialista que saberá manipular os equipamentos adequadamente", sugere.
O professor lembra ainda que cuidados básicos, como não deixar o notebook carregando continuamente, desligar a tela completamente após o uso e a atenção ao colocá-lo em mochilas e bolsas, são essenciais para a boa preservação e uma vida útil mais longa dos aparelhos.
Opinião: Econoweek - Yolanda Fordelone - Conheça os 3 tipos de renda extra e veja qual é o melhor para você
Yolanda Fordelone
04/05/2021 04h00
Às vezes, cortamos gastos, mas ainda assim não conseguimos economizar. Nessa hora, percebemos que não é um problema de gastos, mas de renda: ganhamos pouco.
Além de buscar promoções e aumento de salário, uma opção é procurar fazer renda extra.
O vídeo abaixo explica quais são os três tipos de renda extra e para qual situação cada uma delas é mais adequada.
A renda extra pontual é aquela de que precisamos para dar conta de algo específico, como pagar uma viagem ou quitar uma dívida.
Pode ser feita com a simples venda de algo parado, como um carro, livros, celulares e outros itens.
Serve para quem consegue resolver a conta com uma simples venda e para quem não tem tempo para se dedicar a outra atividade.
Regular
Já a renda extra regular é feita de maneira recorrente. Entram neste grupo as consultorias, um segundo emprego de fim de semana e freelas diversos.
É adequada para quem quer juntar quantias maiores ou mesmo para quem não está conseguindo dar conta das despesas apenas com o salário. De fato, serve como um complemento de renda mensal.
Sazonal ou de teste
Há épocas do ano em que surgem demandas específicas. Na Páscoa, todos compram ovos de chocolate, assim como no Dia das Crianças as vendas de brinquedos aumentam.
A renda exta pontual é feita justamente nesses períodos. Mas ela também leva o nome de "teste", porque no fim pode dar tão certo que você pode seguir fazendo a atividade ao longo do ano.
Conheci dois desses casos: uma pessoa que abriu uma loja de chocolate depois do teste durante a Páscoa (afinal consumimos o produto no ano todo) e outra que começou vendendo brinquedos no Dia das Crianças e hoje tem uma loja virtual, além do emprego CLT.
Conto as duas histórias no vídeo acima. Além disso, levanto três perguntas que você deve se fazer para decidir como irá fazer renda extra.
Você costuma fazer renda extra? Responda abaixo ou no meu Instagram ou YouTube.
Bancos fecham 400 agências, 726 caixas eletrônicos e demitem 3.000 no primeiro trimestre - 6 Minutos
- 4 min
Em um cenário de pandemia, avanço da digitalização e pressão para redução de custos, os bancos encerraram as atividades de 399 agências e tiraram 726 caixas eletrônicos de operação no primeiro trimestre deste ano, dando continuidade a um movimento de enxugamento de estrutura física que vem se intensificando do ano passado para cá. No mesmo período, foram demitidos 2.900 funcionários, com destaque para escriturários e gerentes.
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Dados do Banco Central mostram que, de dezembro de 2016 para cá, as instituições financeiras já fecharam as portas de mais de 4.000 agências bancárias, o equivalente a quase 20% do total que possuíam há cinco anos.
Somente de janeiro de 2020 para cá, 13,2 mil bancários foram desligados, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) –o cadastro mudou a metodologia a partir de 2020 e não permite comparação com períodos anteriores.
Qual banco mais fechou agências neste início de ano? Quem mais reduziu sua estrutura entre janeiro e março foi o Banco do Brasil, que entrou na mira do presidente Jair Bolsonaro exatamente após anúncio de um plano de demissões e fechamento de agências. Em março, o presidente-executivo do BB, André Brandão, renunciou ao cargo após pressões do governo para sua saída.
Os dados mostram que pelo menos parte desse plano realmente foi implementado. Diferentemente da Caixa, que manteve o mesmo número de pontos físicos de atendimento, o Banco do Brasil fechou as portas de 207 agências.
O elevado número de escriturários demitidos no período (2,1 mil) também apontam para uma aceleração no enxugamento de pessoal –essa ocupação é considerada como uma espécie de porta de entrada no banco.
| BANCO | NÚMERO DE AGÊNCIAS EM MARÇO DE 2021 | NÚMERO DE AGÊNCIAS FECHADAS NO ANO |
|---|---|---|
| BANCO DO BRASIL | 4161 | 207 |
| CAIXA | 3372 | 0 |
| BRADESCO | 3309 | 82 |
| ITAÚ UNIBANCO | 2800 | 41 |
| SANTANDER | 2694 | 64 |
| Fonte: Banco Central |
Por que os bancos vêm fechando as portas das agências? O ambiente dos últimos anos já era propício para esse encolhimento de estrutura por causa de três motivos: avanço da tecnologia, mais competição das fintechs e bancos digitais e a necessidade de redução de despesas administrativas.
A chegada do coronavírus ao Brasil, entretanto, foi a senha para as grandes instituições financeiras privadas do país apertarem o botão de fast foward nesse processo.
“Há uns cinco anos, já havia metas de fechamento de agências, pois os bancos operavam com uma estruturada inchada. Mas esse processo se acelerou com o avanço tecnológico: ficou fácil ter um celular, as pessoas entram no mundo online com mais facilidade de navegação”, afirma o economista e consultor especializado no setor financeiro João Augusto Frota, da Senso Corretora. “E isso ganhou um bom empurrão com a pandemia”.
Ele explica que esse movimento, além de ser inevitável, é estimulado pelos bancos, até porque os custos de funcionamento de uma agência bancária são bastante altos: aluguel, segurança, funcionários, luz, mobiliário e decoração, entre outros.
“Os bancos estimulam que os consumidores passem a usar serviços financeiros de forma online. Depois que os clientes acostumam, esse é um processo irreversível, com exceção de quem tem 70, 80 anos, para quem é mais difícil aderir à digitalização”, avalia Frota.
Por que o número de caixas eletrônicos também está diminuindo? Há duas razões principais para isso. Em primeiro lugar, muitos caixas ficam localizados dentro das agências bancárias –se estas são fechadas, esses terminais automaticamente também deixam de funcionar.
Além disso, os bancões vêm apostando no uso da rede compartilhada do Banco24 Horas, o que permite dividir despesas, já que os custos de transporte do dinheiro, com toda a segurança e logística envolvidos no processo, são elevados.
Há um limite para esse processo de fechamento de agências? Na avaliação de especialistas, sim, embora seja difícil avaliar qual o ponto de equilíbrio. Para a população de menor renda, menor escolaridade ou os mais idosos, por exemplo, são inúmeras as barreiras para um uso maior da tecnologia em substituição ao contato com atendentes e gerentes.
“Os bancos ainda não encontraram o ponto ótimo nessa curva, qual o limite de encolhimento no número de agências e funcionários”, avalia Frota, da Senso.
Governo quer calar a imprensa para esconder que o rei Bolsonaro está nu

Olga Curado
Colunista do UOL
04/05/2021 12h05
Atualizada em 04/05/2021 12h11
Há uma expressão segundo a qual a tentativa de se esconder alguma coisa evidente é "tampar o sol com a peneira". Usar as palavras, a retórica e a tentativa de intimidação são recursos daqueles que estão acuados pelo medo. São os mortos - hoje, no Brasil, vítimas da covid-19 somam quase 410 mil pessoas, que se levantam para assistir ao espetáculo em que bolsonaristas tentarão distrair o povo brasileiro, na CPI da Pandemia.
Serão palavras ensaiadas pelos próceres para livrar o governo federal, na figura do seu capitão reformado e do general da ativa, de crimes por omissão e pela negligência, incapacidade e ausência de empatia para lidar com a pandemia ao longo de mais de um ano de tragédia.
Quando a imprensa noticia a abertura de valas comuns para enterrar as vítimas; quando a imprensa publica o número de contaminados e de mortos; quando a imprensa pergunta por que o capitão não usa máscara, se é recomendação expressa das autoridades sanitárias para redução do contágio do coronavírus; quando a imprensa quer saber por que o capitão reformado insiste em prescrever a cloroquina, quando a ciência e o fabricante do medicamento dizem que é inócuo o seu uso, e até pernicioso para combater a doença; quando a imprensa pergunta onde estão as vacinas para a aplicação da segunda dose; quando a imprensa pergunta por que o governo recusou a oferta da Pfizer para a compra de 70 milhões de vacinas que poderiam imunizar parte da população brasileira desde janeiro; quando a imprensa pergunta sobre o cronograma de vacinação e por que esse calendário não é cumprido; quando a imprensa pergunta por que médicos financiados pelo Ministério da Saúde foram para Manaus divulgar e recomendar o uso de kit cloroquina, quando os hospitais viviam a véspera da crise de desabastecimento de oxigênio, cuja falta matou por asfixia os doentes de covid-19...
Quando a imprensa pergunta e divulga o que o capitão reformado não quer ver, a culpa é da imprensa, pelo que mostra.
Quando a imprensa pergunta, é culpa da imprensa que os fatos existam, na lógica imperturbável de um projeto de destruição da credibilidade das instituições, da determinação em envergonhar uma nação, praticada pelo governo liderado por um ex-deputado federal que durante 27 anos viveu de salário pago pelo povo, sem oferecer nada em troca. Mas, agora com os holofotes da imprensa na CPI, afia o discurso do negacionismo contra tudo o que lhe contraria a vocação pela tirania.
Os filhos numerados têm o treinamento para a retórica antidemocrática. E agora um novo ministro da Saúde vai aos poucos revelando, na fala mansa e tíbia, idêntica vocação, por escamotear a verdade. Queiroga faz coro com os filhos do capitão e com o próprio capitão reformado, em atribuir culpa pelos fatos à imprensa. É a conhecida máxima segundo a qual o mensageiro é o responsável pela mensagem, não quem a escreveu. Mate-se o mensageiro!
Em encontro com empresários, dentro de uma rotina que agora parece ser a nova moda de convencimento do governo, segundo a qual a culpa é da imprensa, faz a cantilena dos aprendizes de absolutismo. Se não for notícia, se não se falar a respeito, não há tragédia. Portador da síndrome da avestruz, que também deseja impingir ao país o silêncio sobre a incúria de que é cúmplice, confessa a mágoa pelo direito democrático à informação.
O capitão reformado já agrediu verbalmente jornalistas, para quem repórter é "idiota" porque pergunta. Levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) revela que os ataques à imprensa no governo do capitão reformado aumentaram mais de 100% no ano passado, em relação ao ano anterior.
Agora, o tal quase ministro da Saúde prescreve o remédio para o incômodo provocado pela exposição dos fatos. Pede a empresários que deixem de anunciar nos veículos de imprensa. Que a mídia seja calada pelo estrangulamento econômico. É a receita do doutor.
O alvoroço para com o que será dito e o que será publicado a partir de hoje na CPI da Pandemia leva ao esforço descomunal pela pregação do silêncio. A tentativa de que não se mostre à nação brasileira, sem a perturbação da retórica inflamada e paranoica dos filhos e filhotes do capitão, a construção da trágica mortandade no país.
Não, Queiroga, não capitão, não vassalos assessores e o descabido presidente da Câmara, com sua fala de oportunidade, que é mesmo de oportunismo eleitoral - não, senhores e senhoras, por mais que tentem calar a imprensa, "o rei está nu".
Nada mais patético do que ato pró-Bolsonaro, a favor de golpe para ter direitos
Não há liberdade individual sem Estado democrático, sem freios e contrapesos
Sou bem ruinzinho em coisas de internet, mas aos poucos vou aprendendo. Por exemplo: toda vez que ligo o computador, aparece uma paisagem linda. “Você não vai acreditar em que país fica esta floresta tropical” ou “James Bond já mergulhou nestas águas cristalinas”.
Sem ser nenhum 007, sei que não devo entrar nessa cumbuca. Você clica e por algum mistério o seu sistema de busca padrão na internet passa a ser automaticamente o Bing.
Dá trabalho voltar para o velho e bom Google. Mas... ah-ha, eu tenho meus segredinhos.
Meu navegador preferido é o Chrome —sigo a maioria, sem dúvida—, mas digo para o computador que meu navegador-padrão é o Microsoft Edge.

Desse modo (espero), todas chatices e padronizações involuntárias são canalizadas para o Edge, que nunca uso.
Claro que, no fundo, essas supostas espertezas são tão risíveis quanto a atitude de um aborígene enfrentando com arco e flecha uma ogiva nuclear.
Em matéria de conflito real, leio que a Apple entrou em guerra com o Facebook, lançando um sistema que teoricamente protege a privacidade dos usuários. Para cada aplicativo que você baixa no celular, há um modo de impedir que rastreiem seus dados pessoais.
Não acredito muito no sucesso da iniciativa. É possível que, para a maioria das pessoas (eu, pelo menos), essa questão de privacidade não seja tão sacrossanta assim.
Gosto quando se baseiam nas minhas escolhas quando me indicam livros e filmes na Amazon ou na Netflix.
E me divirto quando, sabendo da minha idade, a internet me oferece as melhores ofertas para aparelhos de surdez e higienização de dentaduras.
Já a manipulação política é um caso bem mais sério; linchamentos virtuais também.
Acredito que reprimir esse tipo de coisa é uma tarefa urgente, que passa por cima das desculpas habituais em defesa da liberdade de expressão ou da velha e boa privacidade dos usuários.
Depois de Trump, da Covid e de violências de todos os tipos contra figuras públicas, vai ficando consensual o sentimento de que a liberdade de expressão tem de ter limites na internet. Como sempre teve, aliás, em qualquer meio de comunicação pública.
Não se trata do fascistinha comum ou do comediante vulgar. Um estudo do governo britânico chegou à conclusão, nestes dias, que Vladimir Putin dispõe de uma rede de trolagem destinada a inibir as críticas da imprensa internacional ao regime.
As páginas de comentário online de vários jornais, em 15 países do mundo, são invadidas por mensagens a favor das atitudes da Rússia em questões estratégicas.
O governo de Putin depois republica tudo na mídia local, para mostrar que conta com apoio no estrangeiro.
Não acho que isso seja teoria da conspiração; o papel dos russos na eleição de Trump é conhecido. O fato de muitos malucos acreditarem em todo tipo de conspiração não impede que conspirações existam de fato —ainda mais quando os malucos assumem o poder.
O faroeste neoliberal da economia foi transposto para a internet, outra terra sem lei.
A vantagem cresce, sempre, para quem concentra mais poder: tanto os grandes conglomerados econômicos, quanto os ditadores. É o Estado, o Estado democrático de Direito, que serve para proteger as vítimas dessa situação.
A direita, ao mesmo tempo que faz vista grossa para o autoritarismo político, adora ver em todo Estado o carrasco das liberdades individuais.
É uma lorota; não há liberdade individual sem Estado democrático, sem os freios e contrapesos estabelecidos na lei e na Constituição.
Nada mais patético do que os manifestantes pró-Bolsonaro, querendo um golpe para garantir os “direitos constitucionais” de não usar máscara, lotar hospitais e contaminar o resto da população.
Nesse modo de ver o mundo, o poder absoluto de Bolsonaro se transfere a cada um de seus apoiadores.
Cada um se imagina um bolsonarozinho, de arma em punho, podendo xingar negros e homossexuais à vontade, sem nenhuma limitação legal.
O chamado “cidadão de bem” adere, desse modo, à utopia do bandido, do traficante que ele tanto detesta. Com uma pistola na cintura, fará o que bem entender.
Aplaudiram Roberto Jefferson na manifestação pró-Bolsonaro em São Paulo.
Para quem era entusiasta de Sergio Moro, isso é que é tirar a máscara de uma vez por todas.
'Trama de Meninos' é conjunto emocionante, trágico e impactante
Obra de João Carrascoza tem texto amarrado e imponente
Um pai que está “grávido da esperança” de rever o jovem filho. Uma mãe que sofreria uma espécie de “parto às avessas” ao perder o seu menino em um acidente. Um tio que vislumbra no sobrinho um potencial escritor: “ele quer mais dessa comida, sinal de que esse mundo não lhe basta”.
Uma irmã que, ao cruzar a sala, não arrancava sequer um “gemido do assoalho”. Um garoto que observa os pais brigarem sem saber qual deles atirou a primeira “palavra- fósforo”. Um filho que nota as roupas da mãe recém- divorciada em uma sacola de feira (em vez de uma mala) para “disfarçar o nosso êxodo”.
Nos 14 contos de “Tramas de Meninos”, as relações podem parecer frágeis, “por um fio”, mas cada palavra escolhida pelo autor João Anzanello Carrascoza é imponente e bem amarrada, o que resulta em um conjunto emocionante, trágico e impactante.
São histórias de pais e filhos, irmãos, casais apaixonados, brigas e um certo exagero relacionado a mortes (aqui o livro chega a incomodar um pouco). A voz que sobressai nas narrativas, apesar da variedade de gêneros e idades, é a de um garoto abismado pelas finas tramas das relações humanas e que se diz “imaturo para a compaixão”.

Alguns contos são tão brilhantes que destoam de outros menos inspirados (que claramente servem de base para o entrelaçamento das histórias e talvez como fôlego para voos mais altos), mas apesar dessa irregularidade durante a leitura é possível colecionar frases-porrada como: “[...] quem espera jamais tomará o lugar de quem vai chegar”; “[...] um abraço ligeiro, os corpos a fugir um do outro, porque, quando estamos plenos de alguém, um simples abraço pode nos fazer transbordar, rompendo o equilíbrio alcançado, aflitivamente, graças aos vazios que a separação e os dias nos deixam”; “Boa noite, pai; Boa noite, filho; e era assim o reencontro, quase um nada, não fosse eu me sentar na poltrona da sala, no escuro, para ouvir o rumor de sua respiração —uma vida gerada por outra e que, então, em sentido inverso, também gerava a anterior”.
Em “Começo”, conto que abre o livro, um pai narrador já sente o vazio e a saudade do filho algumas horas antes de ele partir. Em “Últimas”, que encerra a obra, temos notícia, em terceira pessoa, de um outro pai (ou seria o mesmo? Ou seriam todos?), que é pego de surpresa quando o filho avisa que está indo vê-lo “agora”. Mas por que ele está demorando tanto? Todos os narradores, íntimos, pessoais, distantes, memorialistas, instantâneos, esperançosos ou sobreviventes, todos amam demais e por isso sofrem o tempo inteiro.
A sensação que fica após a leitura é que as coisas mais importantes da vida podem acabar na mesma velocidade que essas breves páginas.

Paul Krugman: Biden e o futuro da família
A oposição do Partido Republicano parece profundamente irritada pelas propostas de gastos em creches infantis e educação
Assim como muitos progressistas, eu gosto do plano do governo Biden de investimento em infraestrutura, mas realmente adoro seus planos de investir mais nas pessoas. Há um bom argumento para se melhorar os bens físicos como estradas, abastecimento de água e redes de banda larga. Há um argumento poderoso para se ajudar mais as famílias com crianças.
Para os políticos republicanos, porém, o oposto é verdade. A oposição do Partido Republicano aos planos de infraestrutura do presidente Joe Biden pareceu fraca, envolvendo principalmente jogos de palavras sobre o significado de infraestrutura e a cansada repetição de velhos slogans sobre o governo grande e de que aumentos de impostos matam empregos.
Os ataques ao plano familiar, porém, foram realmente venenosos. Os republicanos parecem profundamente irritados pelas propostas de se gastar mais em creches infantis e educação.O que não quer dizer que os argumentos que eles apresentam sejam honestos.

Como sabemos que deveríamos gastar mais com as famílias? Afinal, existem muitas evidências de que há grandes retornos ao se ajudar as crianças e seus pais —evidências mais fortes, verdade seja dita, do que as existentes sobre altos retornos à melhora da infraestrutura física.
Por exemplo, pesquisadores examinaram os efeitos em longo prazo do programa de cupons de alimentação, que foi estendido gradualmente a todo o país nas décadas de 1960 e 1970.
As crianças que desde o início tiveram acesso aos vales-alimentação, segundo concluiu o Centro para Crescimento Equitativo de Washington, "tornaram-se adultos mais instruídos e têm vidas mais saudáveis, longas e produtivas".
Os pesquisadores encontraram efeitos semelhantes nas crianças cujas famílias receberam crédito sobre o imposto de renda e assistência de saúde do Medicaid. Por isso, há bons motivos para se acreditar que dar mais ajuda às famílias com crianças, além de ajudar os americanos necessitados, fortaleceria nossa economia em longo prazo.
E não posso deixar de comparar a sólida evidência dos benefícios econômicos de ajudar as crianças com a total falta de evidências sobre compensação econômica dos cortes de impostos, que há muito tempo são a resposta da direita para qualquer problema.
Mas o Grande e Velho Partido se opõe de forma estridente a uma ajuda maior às famílias. Os republicanos na Comissão de Impostos e Orçamento da Câmara publicaram uma declaração denunciando a "agenda completamente socialista dos democratas".
Durante o discurso de Biden ao Congresso, na semana passada, a senadora Marsha Blackburn tuitou: "Vocês sabem quem gostava muito da assistência universal às crianças", com um link para uma reportagem do Times de décadas atrás sobre as creches na União Soviética. (Vocês sabem quem tem creches universalmente disponíveis hoje? Aquele inferno socialista, a Dinamarca.)
O que há de tão terrível nas creches infantis? De modo interessante, os republicanos estão tentando fazer que a coisa seja menos sobre economia do que sobre a guerra cultural, denunciando os planos de Biden como "engenharia social esquerdista".
J.D. Vance, autor de "Hillbilly Elegy" (Elegia dos caipiras, em tradução livre), declarou que as creches universais são "uma guerra de classes contra as pessoas normais", porque "os americanos normais se importam mais com suas famílias do que com seus empregos".
Então essa é uma declaração verdadeira sobre os "americanos normais"? E pessoas como Vance estão argumentando de boa fé?
Bem, neste momento não parece haver muitas pessoas normais pelos critérios de Vance. Apenas 14% das crianças estão crescendo em famílias de seriado de TV dos anos 1950, com um pai que trabalha e a mãe dona de casa, em seu primeiro casamento. (Só a metade das crianças tinha famílias como essas mesmo naquela época.)
É verdade que as mulheres sem diploma superior são menos propensas que as mais instruídas a ter empregos —mas isso também vale para os homens, sugerindo que o baixo nível de emprego tem mais a ver com a falta de oportunidades e, é claro, o custo das creches do que com valores tradicionais.
Também, se os republicanos estivessem realmente preocupados em impor valores de elite, eles pediriam que dessem às famílias o suficiente para viver sem que as mães tivessem que trabalhar. Na realidade, essa declaração da Câmara denunciando os planos de Biden condenou especificamente a proposta de créditos fiscais para famílias com crianças por oferecer "assistência social sem trabalho".
A lógica parece ser que oferecer creches às crianças é ruim porque é um complô liberal para forçar as mães a deixarem o lar e se empregarem, mas dar às famílias ajuda incondicional também é ruim porque permitiria que as mães ficassem em casa, em vez de conseguir empregos.
Agora, há uma verdadeira questão sobre a forma que a ajuda às famílias deve adotar. Por que pagar por creches? Por que não dar simplesmente o dinheiro às famílias e deixá-las escolher se vão usá-lo para creches ou para ficar em casa?
Uma resposta rápida é que o governo Biden já está dando às famílias uma ajuda financeira não ligada às creches; na verdade, seus planos, provavelmente, cortarão a pobreza infantil pela metade. A ajuda às crianças seria um complemento.
Outra resposta rápida é que o mercado de creches possivelmente funciona tão mal quanto o mercado de seguro-saúde, por muitos dos mesmos motivos: falta de informação, falta de confiança e outros. Simplesmente dar dinheiro às pessoas para comprar seguro-saúde funciona mal, como se sabe; simplesmente dar às pessoas dinheiro para pagar por creches provavelmente também funcionaria muito mal.
De todo modo, poderíamos e possivelmente deveríamos ter uma discussão sobre se os pais que escolhem não colocar seus filhos em creches deveriam receber dinheiro. Mas esse é o modo certo de pensar nisso. E eu garanto que os republicanos não vão entrar nessa discussão; eles vêm para enterrar a ajuda às famílias, não para melhorá-la.
Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves
Guedes: PT ganhou quatro eleições 'merecidamente' após criar o Bolsa Família

247 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o PT “mereceu” ganhar quatro eleições presidenciais pela criação do programa Bolsa Família.
"O PT teve realmente a belíssima iniciativa de fazer um programa de transferência de renda importante. Ganhou quatro eleições seguidas merecidamente porque fez a transferência de renda para os mais frágeis. Um bom programa, que envolvia poucos recursos e que tinha altíssimo impacto social, e que foi até inspiração para fazermos o dinheiro chegar na base", afirmou.
O ministro ressaltou, porém, que o valor do Bolsa Família não foi de R$ 600, como o auxílio emergencial no ano passado, porque não havia recursos disponíveis. Ele usou o argumento para justificar o atual auxílio emergencial de R$ 150 - que ocorre em meio a uma pandemia em um cenário de inflação, carestia, fome e desemprego.
"Na democracia, você dá mérito ao que for bem feito, mas explica porque não foi feito antes. O auxílio de R$ 600 não foi feito antes porque exige bases de financiamento sustentáveis no longo prazo. O próprio PT, que esteve no governo por tanto tempo, não botou o Bolsa Família de R$ 600. Era R$ 170 porque o dinheiro tem que ser apanhado em outro lugar", completou.
Mandetta diz que Guedes é 'desonesto intelectualmente' e pequeno para o cargo

A crítica mais dura feita pelo ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta até agora na CPI da Covid foi direcionada ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo Mandetta, ele é uma pessoa "desonesta intelectualmente" e não está à altura do cargo.
- Esse ministro Guedes, da Economia, é desonesto intelectualmente, uma coisa pequena, homem pequeno para estar onde está. Quando esteve na Câmara, ele falou que (o ministro da saúde) saiu com R$ 5 bilhões e não comprou vacina. Esse ministro não soube nem olhar o calendário para olhar que enquanto estive lá não havia nem vacina sendo comercializada no mundo. Só posso lamentar.
Na sequência, Mandetta elogiou o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e disse que Guedes deve ter sido uma das vozes que influenciou o presidente Jair Bolsonaro.
- Diferente do presidente do Banco Central, que ligava, perguntava, mandava informações que captava no mercado, extremamente atencioso com coisas de economia e de impacto nas coisas públicas. Ajudou muito. O da Economia não ajudou nada. Pelo contrário, falava que já tinha mandado o dinheiro e que se virem. Vamos tocar a economia. Talvez tenha sido uma das vozes que tenha influenciado o presidente - afirmou Mandetta.
Aposta na morte | Bernardo Mello Franco - O Globo

No primeiro depoimento à CPI, Luiz Henrique Mandetta resumiu a atitude de Jair Bolsonaro na pandemia. Em vez de se guiar pela ciência, o presidente escolheu o caminho do negacionismo. Sabotou as medidas de distanciamento, receitou remédios milagrosos e tapou os ouvidos para as más notícias.
Mandetta evitou o embate direto, mas reforçou a principal suspeita da oposição. No lugar de combater o vírus, o capitão apostou na tese da imunidade de rebanho. Distribuiu cloroquina e mandou a população voltar às ruas antes da chegada da vacina. Foi uma aposta na morte, que ajuda a explicar as mais de 410 mil vidas perdidas até aqui.
O ex-ministro contou que o chefe tinha um “assessoramento paralelo”. Um dos conselheiros era o vereador Carlos Bolsonaro, suspeito de comandar a máquina de fake news do governo. Ontem o Zero Dois tuitou que o depoente deveria sair preso do Congresso. Se a CPI avançar sobre as milícias digitais, a maldição ainda pode se voltar contra ele.
Mandetta economizou nos adjetivos para Bolsonaro, mas soltou a língua ao criticar Paulo Guedes. Definiu o ex-colega como um personagem “desonesto intelectualmente” e “pequeno para estar onde está”. O ataque amplia o desgaste do ministro da Economia, que vem perdendo sustentação política e agora deverá ser convocado à CPI.
A sessão de ontem também serviu para mostrar o despreparo da tropa governista. Na véspera do depoimento, o ministro Fábio Faria enviou a Mandetta, por engano, uma das perguntas que seriam feitas pelo senador Ciro Nogueira. Ao revelar a gafe, o ex-ministro expôs mais uma trapalhada do Planalto.
Não foi a única do dia. O general Eduardo Pazuello virou piada após apresentar uma desculpa mambembe aos senadores. Ele pediu para adiar seu depoimento porque teve contato com pessoas infectadas pela Covid-19. Há poucos dias, foi flagrado sem máscara num shopping. Desprezou a ameaça do vírus, mas está morrendo de medo da CPI.
Depoimento superficial de Teich mostra limitações da CPI da Covid
Ex-ministro colocou um tijolo no edifício do caso contra Bolsonaro, mas não mais do que isso
Nelson Teich avisou desde o começo de seu depoimento à CPI da Covid: seria superficial, já que os temas relativos ao Ministério da Saúde são complexos.

Noves fora a impressão de que ele passou os 29 dias no cargo ignorando sua complexidade, o ex-ministro cumpriu a tabela prevista em sua fala, que serviu para explicitar os limites da comissão.
Para quem nunca "deu lide" exceto quando foi nomeado e quando pediu demissão, para usar o jargão jornalístico alusivo a uma notícia importante, Teich entregou logo o que se esperava dele e disse que deixou o ministério porque não concordava com a prioridade dada à cloroquina por Jair Bolsonaro.
Nada que não se soubesse, mas com todas as letras vira um tijolo no edifício que a relatoria de Renan Calheiros pretende erigir caracterizando a responsabilidade de resto óbvia do presidente no manejo da pandemia.
Não é pouco, evidentemente, mas com alcance muito frágil além da retórica: não houve, disse o ex-ministro, nenhuma orientação formal sobre a coloroquina. Até as emas da Alvoradas foram expostas à propaganda do remédio pelo presidente, como se sabe, mas o dado perde algo de sua contundência.
Afinal de contas, se o relato de Teich tem importância histórica, ele era suplantado pelas vociferações autoincriminatórias do próprio Bolsonaro ao longo do dia.
Das usuais ameaças a estados à suspeita de uma guerra biológica promovida pela China, passando por uma moeda de nióbio, a quarta (5) teve de tudo do outro lado da praça dos Três Poderes.
Nesse sentido, a carta apresentada no seu depoimento de terça (4) pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) tem mais eficácia. E coloca em evidência mais uma anomalia que sugere crime de responsabilidade de Bolsonaro na crise.
Se o tom vago e a falta de informações em tom de inquisição acadêmica de Teich soam bem para ponderações de um médico, elas parecem desastrosas na figura de um ministro da Saúde em plena pandemia.
Alguém pode argumentar que foi exatamente isso que Bolsonaro quis ao colocar o simpatizante light, se é que tal coisa existe, no cargo após a queda de Mandetta. E isso em si, assim com os inúmeros "eu não sabia" sobre a promoção da cloroquina, é prova de ingerência política na Saúde.
No mais, a superficialidade anunciada desnudou os limites técnicos da CPI, de lado a lado.
A exasperação de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em tentar arrancar alguma afirmação mais dura de Teich e a de Eduardo Girão (Podemos-CE) em fazê-lo validar tratamentos ineficazes mostra que a comissão tem um longo caminho para qualificar seus questionamentos.
Em favor dos senadores que querem incriminar Bolsonaro, CPIs encerram curvas de aprendizado. Todo o capítulo acerca de vacinas promete deixar a retórica em favor das minutas e comunicados ignorados pelo Planalto, por exemplo.
Até chegar a vez do general Eduardo Pazuello, no dia 19, dados poderão ser reunidos e contradições, compiladas. E sempre pode haver algum escorregão ou surpresa à la Duda Mendonça entregando o caixa dois de Lula em 2005.
Para os governistas, até aqui não funcionou a tentativa de trazer gastos estaduais na crise para o palco da CPI, por mais que haja casos em apuração.
Tentar inocentar a cloroquina e afins também não parece promissor: a assertividade de Luiz Carlos Heinze (PP-RS) lendo dados sobre tratamento precoce com a autoridade de um parente no WhatsApp, beira o folclórico.
O holofote todo está sobre Bolsonaro. Salvo uma novidade gritante, talvez com uma mãozinha da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, as alternativas são escassas.
O que Renan fará com o prédio que está construindo de forma paciente é objeto de especulação. Mas, tijolo a tijolo, ele está subindo.

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