Onde está meu coração': GEORGE MOURA e SÉRGIO GOLDENBERG

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Uma reflexão sobre RACISMO ESTRUTURAL e relações AFETIVAS inter-raciais

CENSO CANCELADO - Um país na ESCURIDÃO

Plano de desmonte: a boiada de Salles e a captura da PF

'Onde está meu coração': série para ver sem piscar. - Mais uma vez, GEORGE MOURA e SÉRGIO GOLDENBERG mostram que são capazes de ir longe.

Coreia do Norte diz que EUA praticam diplomacia “ESPÚRIA” para ENCOBRIR seus "ATOS HOSTIS"

Ato pró-Bolsonaro deve piorar números da covid em SP, diz chefe de comitê

O que explica mais infecções e mortes entre os jovens no Brasil?

Instituto vê chance de 3ª onda no Brasil e prevê 575 mil mortes até agosto

Morre, aos 87 anos, o jornalista Carlos Garcia (Primeiros Passos)

LINOLFO KOSMASKI, ativista LGBT ligado ao PT é achado CARBONIZADO; polícia apura HOMOFOBIA

3 aplicativos para aprender idiomas: Busuu, Memrise e Rosetta Stone

Estudo avalia FILTRAGEM de 227 tipos de MÁSCARA vendidos no Brasil

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Uma reflexão sobre racismo estrutural e relações afetivas inter-raciais - Ricardo Nêggo Tom

Por Ricardo Nêggo Tom

“Pela proibição do casamento inter-racial e pela criminalização da miscigenação, pedimos ao legislativo que atenda ao pedido de uma grande parte da população brasileira, que se sente num limbo étnico e vê-se perder a identidade cultural.” Para surpresa do leitor, o texto que dá início a este artigo não data do século 18. Ele é de 2014, mas só agora ganhou repercussão nas redes sociais, mobilizando a justiça brasileira a tomar providências quanto à eugênica petição contra o casamento entre brancos e negros.  

Antes de tentar analisar essa solicitação feita por uma empresa de Curitiba, e que estava hospedada no site peticaopublica.com.br, eu gostaria de supor, apesar de já ter a convicção, de que bolsonaristas estejam por trás dessa petição. Mais uma prova de que Bolsonaro não é pior do que os seus apoiadores. Ele apenas legitimou, a conduta racista e excludente de outros milhares de brasileiros que viviam sufocados dentro de um armário social, contendo a fúria do seu preconceito. Não existiria presidente genocida, se não existissem ideias genocidas entre os seus eleitores.

Voltando ao tema, entendo que as relações inter-raciais precisam ser analisadas observando a lógica do racismo estrutural, que vigora nos países colonizados e desenvolvidos a partir da escravidão dos povos africanos. Os europeus subjugaram e desumanizaram a africanidade ao primeiro contato que tiveram com ela. Consideraram um horror o que viam, desde as nossas características étnicas, até os nossos costumes e cultura. Tal conceito, aliado às políticas excludentes de manutenção do privilégio branco, ainda é transmitido através das gerações, o que colabora com a perpetuação do racismo na sociedade.

Com isso, os descendentes de africanos continuam a ser apresentados como referências negativas, o que resulta na suspeição e na depreciação de suas capacidades de produzir educação, conhecimento, cultura, e, principalmente, estabilidade financeira, o que sustenta, em tese, algumas relações inter-raciais. Inseridos forçosamente num sistema racista e carregando a marca que o colonizador lhes deixou na testa, os pretos ficaram com a eterna incumbência de provar que merecem respeito. Algo que, na maioria das vezes, é chancelado por um branco.

Partindo deste ponto, uma das formas encontradas para viabilizar essa aceitação foi o casamento inter-racial. Calma! Eu não estou definindo todas as relações inter-raciais como uma espécie de Green Card social. O que estou tentando explicar, é como ter “acesso” a branquitude pode fazer com que o negros ganhem mais notoriedade. Evocando a memória afetiva de pessoas negras acima dos 30 anos de idade, só encontraremos eternizados em suas retinas, a imagem de pessoas brancas como exemplo de beleza, credibilidade, honestidade, respeitabilidade, inteligência e sucesso profissional e financeiro. Consequência de um trabalho desempenhado com muito sucesso, pelas mídias televisivas e pelo marketing publicitário.

Levando-se em conta que as referências da infância e adolescência, costumam moldar o nosso pensamento e a nossa conduta para a vida adulta, é normal (no sentido alienante da palavra) encontrarmos esses mesmos negros, agora bem sucedidos profissional e financeiramente, buscando se relacionar com parceiros que sempre representaram a sua atual condição. A colonialidade não acaba com o fim da colonização. E, infelizmente, ainda levaremos um tempo para que os negros estejam tão bem representados na sociedade, ao ponto de despertarem o interesse de todos os outros negros.

O grande cantor Agnaldo Timóteo, falecido recentemente, costumava criticar as relações inter-raciais, que, segundo ele, era uma forma de os negros bem sucedidos atenuarem a cor da pele. Embora fosse um poço de contradições, a ponto de declarar que nunca havia sido discriminado por ser negro, o que é algo inimaginável em se tratando de Brasil, um dos países mais racistas do mundo, ele provocava, mesmo que de maneira incorreta e instintiva, um debate e uma reflexão acerca dos motivos que levam, por exemplo, a maioria dos negros famosos, a se relacionarem apenas com mulheres loiras. O que algumas ativistas negras costumam chamar de “palmitagem”

Não que as mulheres negras famosas e bem sucedidas, incluindo algumas ativistas, não “palmitem” igualmente. Afinal, elas também estão submetidas ao mesmo padrão sistêmico de racialização, que sempre apresentou os homens negros como menos interessantes e promissores do que os brancos. A questão é complexa, porque envolve estruturação social, estereotipização racial e assimilação cultural. O que torna mais necessário, pelo menos a meu ver, promover as relações étnico afetivas, do que lutar pelo “direito” a sua interracialização. Isto, porque cada um já possui o direito de se relacionar com quem bem quiser, mas nem todos, principalmente os negros, estão inseridos nos padrões estabelecidos de aceitabilidade social.

É justamente o que a petição reivindica. Só que com base no racismo e na eugenia. A defesa da identidade. Para além da ideia de que “somos todos humanos”, que coloca negros e brancos em igualdade e na mesma vitrine, é preciso pensar e defender a nossa existência real. Uma vez que não estamos convivendo apenas com seres espiritualizados, cuja consciência social e humana já lhes permitem enxergar o outro como igual, independentemente de sua raça, credo, gênero, origem social e situação financeira. Precisamos também alinhar cada vez mais o nosso discurso com a nossa prática. Uma coerência que cobramos daqueles que se dizem não racistas.

Quando perguntamos a um branco quantos amigos pretos ele tem, para nos certificarmos do seu antirracismo, precisamos responder com que “tipo” de preto nós estamos buscando nos relacionar, para que ele se certifique de que a nossa conduta também não é seletiva e prestigia apenas os pretos colocados em evidência, por estes se encaixarem no perfil de boa descrição social preconizado pelo colonizador. O do tal do “É preto, mas é bem sucedido”, que dá para tolerar. Atitudes podem convencer mais do que palavras. Estejamos atentos a elas. Os ideais que eu defendo, precisam estar presentes na minha vida.

Não estou propondo um tratado afetivo com base na cor da pele ou no tronco étnico. Estou chamando a atenção para as contradições existentes em alguns discursos da negritude ativista. Se um homem preto levanta uma discussão sobre a solidão da mulher preta, mas busca se relacionar apenas com mulheres brancas, ele não está sendo plenamente coerente com seu discurso. O mesmo ocorre quando uma mulher preta engajada em combater a desconfiança que paira sobre a capacidade e a confiabilidade dos homens pretos, escolhe apenas homens brancos para se relacionar e “justificar” o seu discurso. Melhor que não levantemos bandeiras sobre tais temas...

Em síntese, a petição é pura e simplesmente racista. Em tese, somos todos iguais. Até entre nós pretos.

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Coreia do Norte diz que EUA praticam diplomacia “espúria”

A Coreia do Norte classificou a diplomacia dos Estados Unidos como "espúria" neste domingo (2), rejeitando a ideia de negociações com Washington

Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un (Foto: KCNA/via REUTERS)

Sputnik - A Coreia do Norte anunciou neste domingo (2), que não pretende negociar com os Estados Unidos. A declaração acontece um dia depois que o governo Biden declarou estar aberto a negociações diplomáticas com o país asiático sobre desnuclearização.

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A diplomacia é uma "tabuleta espúria" para os Estados Unidos "encobrir seus atos hostis", disse o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte em um comunicado divulgado pela agência de notícias norte-coreana KCNA.

Também advertiu o presidente Joe Biden de que ele havia cometido um "grande erro" com sua postura "desatualizada" em relação ao país.

Em outra declaração, o Ministério das Relações Exteriores acusou Biden de insultar Kim Jong-un e acrescentou: "Advertimos os EUA o suficiente para entender que eles se machucarão se nos provocarem", informou a AFP.

Biden disse em seu primeiro discurso como presidente ao Congresso na última quarta-feira (28) que usaria "diplomacia e também severa dissuasão" para conter as ambições nucleares da Coréia do Norte.

A Casa Branca disse na sexta-feira (30) que o objetivo do país continua sendo "a desnuclearização completa da península coreana".

Segundo a secretária de imprensa de Biden, Jen Psaki, a política dos EUA "explorará a diplomacia" com a Coreia do Norte. Psaki não deu maiores pistas sobre qual será a política adotada na relação com o país asiático, mas disse que Washington não vai "se concentrar em fazer um grande negócio", se referindo ao tipo de abordagem utilizada por Donald Trump, nem vai seguir a "paciência estratégica", adotada por Barack Obama.

Em abril, o presidente sul-coreano Moon Jae-in – que deve visitar a Casa Branca em 21 de maio – pediu que Biden se envolva diretamente com Kim na desnuclearização. Moon já disse ser a favor de uma "diplomacia de cima para baixo", mais autoritária.

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'Onde está meu coração': série para ver sem piscar - Patrícia Kogut, O Globo

Patrícia Kogut

Leticia Colin em 'Onde está meu coração' (Foto: Fábio Rocha/Globo)
Leticia Colin em 'Onde está meu coração' (Foto: Fábio Rocha/Globo)

A cena de abertura de “Onde está meu coração” tem muitos minutos. Leticia Colin (Amanda) e Daniel de Oliveira (Miguel) estão na cama. Logo, a moça vai para o chuveiro, e ouve-se a longa “Wild is the wind”, de David Bowie. Ela parece alterada e ele, preocupado. A beleza da canção e a entrega dos atores nessa sequência consegue dar pistas da profundidade do drama que acomete o casal, mesmo sem tantos diálogos. A sequência resume o que mais impressiona na produção: embora dona de grande ambição artística, ela nunca deixa de lado a importância do que está narrando. Assim se desenrola a trama de todo o primeiro capítulo da série da consagrada dupla George Moura e Sergio Goldenberg que chega nesta terça-feira, 4, ao Globoplay.

Leticia, uma das melhores atrizes de televisão da sua geração, vive uma médica que atende na emergência de um grande hospital e enfrenta casos difíceis. Seus pais descobrem que ela está usando crack, o que faz disparar o conflito que puxa a história. A mãe, Sofia (Mariana Lima), e o pai, David (Fabio Assunção), procuram a filha para uma conversa. Eles vivem em Santos, mas vão a São Paulo, preocupados. Ela falta ao encontro. Frustrados, os dois discutem. Velhas mágoas vêm à tona. Um culpa o outro pela doença de Amanda. Finalmente, se decidem pela internação. Entendemos que David já viveu algo parecido e ainda convive com algum vício; que ele também é médico e bem-sucedido; que eles perderam um filho no passado. A tensão vai subindo progressivamente. Quando o capítulo termina, estamos familiarizados com a tristeza que domina a família.

É uma superprodução — na fotografia, nos cenários e figurinos lindos e nos planos dramáticos. Mas nada parece excessivo. A direção da talentosa Luísa Lima (com supervisão artística de José Luiz Villamarim) dá uma rasteira na tentação do exibicionismo gratuito. Essa precisão na dosagem de técnica e emoção e a sensibilidade impressionam.

Há um ponto de curiosa sincronia com o momento que estamos vivendo. Ainda no primeiro bloco, Amanda atende uma moça que parece estar sufocando. Ela se dirige à mãe da paciente dizendo, com firmeza: “Ela precisa ser intubada. É um procedimento simples, ela vai ficar ótima” (e isso não acontece). Como se sabe, a série é anterior à pandemia, quando a maior parte do público não tinha sequer intimidade com a palavra “intubação”. Mas a coincidência só reforça a ideia de que “Onde está meu coração” consegue construir um universo próprio e carregar o espectador para ele. Mais uma vez, George Moura e Sergio Goldenberg mostram que são capazes de ir longe.

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Uma biografia definitiva para narrar a conturbada vida de Guignard

Por Lauro Jardim

Alberto da Veiga Guignard

Sai no fim do mês pela Companhia das Letras, "Guignard, anjo mutilado", de Marcelo Bortolotti, a biografia definitiva do pintor que até meses atrás tinha um de seus trabalhos como o mais caro já vendido no Brasil.

Com uma pesquisa de acuidade impressionante (o autor foi a doze cidades onde Guignard viveu na Europa) e um texto primoroso, Bortolotti narra a aventura da vida do artista triste e genial nascido em Friburgo.

Tinha sete anos quando seu pai, atolado em dívidas, investiu suas últimas economias contratando para si um vultuoso seguro de vida. Menos de cinco meses depois, morreu num acidente com arma de fogo — em condições extremamente suspeitas — fazendo da viúva a herdeira do maior valor já pago por uma seguradora no Brasil até então.

Rica e com dois filhos pequenos, a mãe de Guignard não esperou um ano para se casar novamente, com um imigrante alemão doze anos mais jovem, que levou toda a família para a Europa, onde torrariam a fortuna.

Mas esse é só o início da trajetória conturbada do pintor, que morreu em 1962, em Belo Horizonte.

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CENSO CANCELADO - Um país na ESCURIDÃO 

CENSO CANCELADO

Um país na escuridão

Bolsonaro se atrapalha com máscara em entrevista sobre o coronavírus

O governo alegou falta de verbas e cancelou o Censo de 2021. A pesquisa estava programada para 2020, mas foi adiada por causa da pandemia. Agora arrisca não acontecer nem em 2022, devido a cortes sucessivos no orçamento do IBGE.

A decisão condena o Brasil a um apagão estatístico. Não chega a ser uma surpresa. Os burocratas do bolsonarismo sempre desprezaram fatos e dados confiáveis. Preferem acreditar nas suas próprias versões.

No segundo mês de governo, o ministro Paulo Guedes reclamou que o questionário do Censo seria muito longo. “Se perguntar demais, você vai acabar descobrindo coisas que nem queria saber”, declarou. A frase espantou técnicos que o ouviam pela primeira vez. Era só um sinal do que estava por vir.

A pretexto de economizar, Guedes ordenou a redução do levantamento previsto para o ano seguinte. Ao justificar o corte, disse que o Censo fazia 360 perguntas. Na verdade, a última pesquisa básica fez 49. O ministro insistiu na tese. “Custa muito caro e tem muita coisa que não é tão importante”, decretou.

A ordem para mutilar o questionário abriu uma crise no IBGE. Técnicos avisaram que a medida comprometeria a qualidade do Censo. A presidente Susana Cordeiro Guerra não quis saber. Acatou a ordem do chefe e demitiu dois diretores que contestavam o corte.

No mês passado, foi a vez de Susana pedir o boné. Estava contrariada com a aprovação do Orçamento sem as verbas necessárias para organizar o Censo. Ela sabia que a pesquisa seria cancelada, mas não quis reconhecer o fiasco. Preferiu atribuir a saída a “motivos pessoais”.

Os ataques ao IBGE começaram logo após a eleição de Jair Bolsonaro. Em novembro de 2018, o capitão afirmou que os dados sobre o desemprego eram “uma farsa”. Cinco meses depois, disse que o índice só servia para “enganar a população”.

O negacionismo também atingiu outros órgãos federais. Quando o desmatamento da Amazônia começou a disparar, o presidente acusou o Inpe de divulgar “números mentirosos”. Seu diretor, o cientista Ricardo Galvão, foi demitido e chamado de “mau brasileiro”.

Na pandemia, o Ministério da Saúde comandou uma operação para maquiar os dados de mortos pela Covid. Os veículos de comunicação tiveram que montar um consórcio para apurar a real dimensão da tragédia.

Como alertaram oito ex-presidentes do IBGE, o cancelamento do Censo põe o Brasil num pequeno clube de países há mais de 11 anos sem uma pesquisa nacional. Nos casos de Líbia, Afeganistão e Haiti, o problema é consequência de guerras e terremotos. No Brasil, a causa é o desgoverno.

O apagão estatístico vai comprometer a formulação e a execução de políticas públicas. Causará prejuízos à saúde, à educação, ao transporte e à moradia. Deixará o país sem informações essenciais para planejar sua reconstrução pós-pandemia.

Para Bolsonaro, o cancelamento da pesquisa pode ter uma utilidade. Os dados jogariam luz sobre o tamanho da destruição promovida nos últimos anos. Sem conhecê-los, o eleitor terá que ir às urnas na escuridão.

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Plano de desmonte: a boiada de Salles e a captura da PF | Bernardo Mello Franco - O Globo

O ministro Ricardo Salles posa diante de madeira apreendida pelo Ibama

No início da pandemia, Ricardo Salles expôs um plano para desmontar o sistema de proteção ao meio ambiente. Segundo ele, era preciso aproveitar as atenções voltadas para o coronavírus e “ir passando a boiada”. O ministro pode ser acusado de muita coisa, menos de não fazer o que prometeu.

Desde a célebre reunião de abril de 2020, Salles revogou normas de licenciamento, perseguiu servidores e se aliou abertamente aos devastadores da Amazônia. O resultado foi o maior desmatamento da floresta em dez anos, de acordo com os dados do Imazon.

Encorajado pelo chefe, o ministro continuou a tabelar com os algozes da floresta. Em março, ele se solidarizou com os alvos da maior apreensão de madeira da história do Brasil. A atitude revoltou os investigadores que comandaram a operação. “Na Polícia Federal não vai passar boiada”, reagiu o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva.

O delegado não se limitou a protestar. Apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime contra Salles e o senador Telmário Mota. O documento acusa a dupla de advocacia administrativa, participação em organização criminosa e infração contra a lei de crimes ambientais.

Para Saraiva, o chefe do Ministério do Meio Ambiente atacou a PF “de forma parcial e tendenciosa, comportando-se como verdadeiro advogado da causa madeireira”. A descrição também serve para ilustrar as relações do ministro com grileiros de terra e garimpeiros ilegais.

A ousadia de Salles mostra que ele não age sozinho: cumpre tarefas combinadas com Jair Bolsonaro. Ontem o presidente deu mais um sinal de apoio à devastação. Em vez de demitir o ministro, mandou afastar o superintendente da PF que o acusou.

Saraiva fez o que o procurador Augusto Aras se recusa a fazer: denunciou o desmonte ambiental e tentou laçar a boiada de Salles. O Congresso também tem sido cúmplice do ataque à Amazônia. Agora, o Supremo tem uma chance de frear as motosserras.

A Corte ainda ganhou novos elementos para o inquérito que apura a interferência do presidente na PF. A investigação completa um ano no próximo dia 28. Ao derrubar o superintendente, Bolsonaro escancarou, mais uma vez, o plano de capturar a polícia para defender seu grupo político.

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Ato pró-Bolsonaro deve piorar números da covid em SP, diz chefe de comitê

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Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

02/05/2021 11h45

As manifestações em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e contra medidas de restrição, que juntaram milhares de pessoas em diferentes cidades do Brasil ontem, devem aumentar os índices de contaminação por covid-19 e piorar o cenário da pandemia. Essa é a análise do coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, Paulo Menezes.

O médico e pesquisador da Universidade de São Paulo viu com receio as aglomerações registradas ontem na avenida Paulista, onde apoiadores de Bolsonaro se juntaram em trios elétricos para defender o capitão reformado e pedir intervenção militar. Para ele, os atos podem impactar os índices de todo país.

Brasil não aguenta se completar vacinação em dezembro, diz governador do PI

"A situação em São Paulo vem melhorando, mas, nas últimas semanas tivemos uma retomada de atividades não essenciais, principalmente comércio e serviços, com um aumento de circulação de pessoas. Isso foi planejado, mas já é motivo de acompanhamento próximo pela possibilidade de interrupção da melhora dos índices", explicou ao UOL.

Juntar centenas de pessoas sem máscara de diferentes regiões, mesmo em ambiente aberto, vai contra todas orientações das entidades de saúde. "Agora, com a manifestação, que certamente recebeu pessoas de várias regiões do estado, de outras cidades, é alto potencial de ter impacto negativo nos dados de contaminações, internações e mortes", concluiu Menezes.

Os números de novos casos diários, novas mortes e internações estão caindo no estado, apesar de algumas regiões ainda estarem em situação alarmante.

Com mais de 78% de ocupação dos leitos de UTI no estado, o governo de São Paulo anunciou uma "fase de transição" de reabertura gradual do comércio.

São milhares de pessoas aglomeradas, muitas delas sem máscara, e são em grande maioria pessoas que não acreditam nas medidas de distanciamento social, não acreditam na gravidade da doença e acreditam em tratamentos ineficazes. É uma combinação extremamente perigosa. É possível ter um efeito negativo Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo

Apesar da melhora nos dados, Menezes chama a atenção para a gravidade do quadro atual. "É mais um fator para aumentar a transmissão do vírus. Ainda temos um grau de transmissão alto, com número de casos ainda alto. Mais de 20 mil pessoas internadas no estado de São Paulo. Essas aglomerações vistas ontem aumentam a possibilidade da transmissão crescer".

Atos foram marcados por pedido de intervenção militar

Os apoiadores do presidente foram às ruas em ao menos 11 estados e no Distrito Federal, onde o próprio presidente acompanhou de helicóptero. Entre as pautas defendidas estavam ofensas a governadores e a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), pedidos e "autorizações" de medidas antidemocráticas e alguns dos pontos mais defendidos pelo governo, como crítica às medidas de isolamento social para conter a pandemia, como recomendam autoridades de saúde.

Com o chamado "Eu Autorizo Presidente", bolsonaristas organizaram atos em diferentes pontos do Brasil em suporte ao governo, que enfrenta críticas pela condução na pandemia do novo coronavírus.

O nome das manifestações foi uma resposta ao chefe do Executivo, que disse que aguardava "uma sinalização" dos brasileiros para "tomar providências" contra medidas de restrição de circulação decretadas por governadores e prefeitos contra a covid-19.

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Covid-19: o que explica mais infecções e mortes entre os jovens no Brasil

Especialistas apontam para "rejuvenescimento" da pandemia no Brasil; média de idade para casos novos e óbitos caiu de janeiro para março - Getty Images
Especialistas apontam para 'rejuvenescimento' da pandemia no Brasil; média de idade para casos novos e óbitos caiu de janeiro para março Imagem: Getty Images

Luis Barrucho - @luisbarrucho - Da BBC News Brasil em Londres

02/05/2021 16h33

Especialistas apontam para 'rejuvenescimento' da pandemia no Brasil; média de idade para casos novos e óbitos caiu de janeiro para março, enquanto mortes aumentaram exponencialmente.

O mês de março teve registradas quatro vezes mais mortes por covid-19 entre pessoas de 30 a 39 anos em relação ao mês de janeiro: foram 3.449 pessoas dessa faixa etária que perderam a vida para a doença, contra 858. Também em março, o registro do número de mortes entre 20 e 29 anos pulou de 245 para 887, um aumento de 260%, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, que reúne dados dos cartórios por todo o país.

Embora possa haver eventuais diferenças, em parte dos casos, entre quando as mortes ocorreram e de fato foram registradas, epidemiologistas não têm dúvidas de que há um aumento na mortalidade entre pessoas não idosas por covid-19 no Brasil, refletindo uma triste realidade: o novo coronavírus mata, proporcionalmente, muito mais jovens aqui do que no restante do mundo.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, foram registrados cerca de 20 mil óbitos por covid abaixo de 39 anos no Brasil, ou 5% do total de 400 mil, marca atingida na quinta-feira (29/4).

Essa taxa é mais de três vezes maior do que nos Estados Unidos (1,5%). No Reino Unido, ela é de apenas 0,64%.

Mais de um terço das mortes por covid-19 no Brasil é de menores de 59 anos. À medida que os mais velhos estão sendo vacinados, os óbitos nessa faixa etária têm caído pela metade.

Por que, então, os jovens estão morrendo mais no Brasil?

A BBC News Brasil conversou com especialistas para entender os motivos. Estas são algumas das causas elencadas por eles:

Comportamento mais arriscado

Desde o início da pandemia de covid, sabe-se que os mais jovens são menos susceptíveis a desenvolver os sintomas mais graves da doença e morrer por complicações dela.

De maneira geral, por causa da idade, eles têm a seu favor um sistema imunológico mais forte, o que facilita o combate ao vírus. A exceção são aqueles que têm algum tipo de comorbidade (doença associada), como obesidade ou asma, por exemplo.

Mas isso não quer dizer que os jovens estejam imunes à doença - e essa falsa percepção acaba encorajando uma maior exposição ao risco.

Em outras palavras: aglomeram-se com mais frequência e ignoram medidas importantes de prevenção, como uso de máscaras e distanciamento social.

Por todo o Brasil, imagens de festas clandestinas interrompidas pela polícia foram compartilhadas nas redes sociais e ganharam o noticiário.

bbc 2 - Altemar Alcantara/Secom - Altemar Alcantara/Secom
Mais pobres não tiveram opção além de seguir a vida como era possível, apesar da pandemia Imagem: Altemar Alcantara/Secom

Volta ao trabalho

Os mais jovens compõem a maior parte da população economicamente ativa.

Isso quer dizer que são o grosso dos que trabalham - ou que estão procurando emprego.

Se de um lado o auxílio emergencial pago pelo governo ajudou a complementar a renda das famílias brasileiras, a redução do valor do benefício obrigou muitos desses jovens a voltarem às ruas.

Na última quinta-feira (29/4), o governo concluiu o pagamento do auxílio emergencial 2021 aos trabalhadores inscritos por meio do aplicativo e site do programa, além daqueles que fazem parte do Cadastro Único.

O impacto maior acaba sendo nas classes socialmente menos privilegiadas e, mais particularmente, nos negros, aponta um estudo realizado pela consultoria global de saúde Vital Strategies em parceria com o Afro-CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), instituto de pesquisa em questões raciais sediado em São Paulo.

A pesquisa mostrou que o excesso de mortalidade no Brasil em 2020 foi de 28% entre pretos e pardos em comparação com 18% entre pessoas de cor branca. O excesso de mortalidade significa o número de pessoas que morreram acima do esperado.

Na faixa etária até 29 anos, essa taxa foi de 32,9% entre os negros e 22,6% entre os brancos. Já entre 30 e 59 anos, foi de 37% entre os negros e 32% entre os brancos.

No ano passado, foram 270 mil 'mortes em excesso' (22%), em grande parte relacionadas à pandemia de covid-19.

"Enquanto os mais privilegiados - de maioria branca - dispõem de recursos que lhes possibilitam cumprir o isolamento social trabalhando em casa, os profissionais informais e precários - majoritariamente negros - continuam cada vez mais expostos", diz à BBC News Brasil Márcia Lima, coordenadora e pesquisadora do Afro-CEBRAP.

A epidemiologista Fátima Marinho, da Vital Strategies, que também participou da pesquisa, reforça: "O resultado do nosso estudo mostrou que as desigualdades raciais e sociais pré-existentes foram intensificadas pela pandemia de covid-19, levando a um número maior de mortes entre a população negra do Brasil".

As duas especialistas advogam, portanto, que esse grupo seja considerado "prioritário" para a vacinação.

bbc 3 - Alex Pazuello/ Secom - Alex Pazuello/ Secom
Variante P1 foi inicialmente detectada em Manaus Imagem: Alex Pazuello/ Secom

Variante P1

Desde que foi descoberta em Manaus, em janeiro deste ano, a variante P1 logo se alastrou pelo Brasil.

Hoje, responde por 90% das amostras analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz no Estado de São Paulo, segundo informado na última quarta-feira (28).

Ela é até 2,4 vezes mais transmissível do que outras linhagens do coronavírus e, segundo estudos recentes, pode 'driblar' o sistema imunológico, infectando novamente quem já teve a doença e levando a quadros mais graves.

Evidências associam essa nova variante ao maior número de hospitalizações e mortes, especialmente jovens.

Pandemia 'mais rejuvesnecida'

Um boletim recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado no fim de março, alerta para o 'rejuvenescimento' da pandemia no Brasil.

"O número de casos, hospitalizações e mortes entre pessoas com menos de 60 anos cresce mais rápido do que em idosos. O risco, portanto, para incidência e mortalidade vem aumentando gradativamente para quem não é idoso e é, via de regra, saudável", dizem os pesquisadores.

"Este deslocamento de casos e óbitos sugere que a pandemia ganha um novo contorno no Brasil, ficando mais rejuvenescida", acrescentam.

Segundo a Fiocruz, "por se tratar de população com menos comorbidades - e, portanto, com evolução mais lenta dos casos graves e fatais, frequentemente há um maior tempo de permanência na internação em terapia intensiva".

Como os jovens têm um sistema imunológico mais forte, combatem melhor a doença e demoram muitos mais para se salvar ou, eventualmente, morrer. Por isso, acabam ficando mais tempo na UTI.

Fato é que a média da idade de pacientes internados vem caindo. Enquanto a média da idade dos casos novos no início de janeiro era de 62 anos e de óbitos, de 71 anos, em meados de março, passou para 58 e 66 anos, respectivamente.

Segundo os pesquisadores, essa maior incidência da covid-19 entre os mais jovens bem como a manutenção da mortalidade entre os idosos "contribui para o cenário crítico da ocupação dos leitos hospitalares".

Eles também destacaram que essas diferenças de incidência entre as faixas etárias "implicam num compromisso intergeracional".

"Sendo a infecção mais comum entre os jovens e os óbitos mais frequentes em mais idosos e pessoas com doenças crônicas, uma geração deve procurar proteger a outra, evitando o contágio de membros da família, vizinhos, companheiros de trabalho e amigos", afirmam.

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Morre, aos 87 anos, o jornalista Carlos Garcia

O jornalista Carlos Garcia - Reprodução
O jornalista Carlos Garcia Imagem: Reprodução

Edmundo Leite

São Paulo

02/05/2021 07h55

Gerações de estudantes brasileiros de todos os níveis têm nos livros da coleção "Primeiros Passos" um porto seguro para a introdução ao conhecimento de assuntos complexos. Numa iniciativa mercadológica de sucesso, a editora Brasiliense, desde os anos 1980, contrata especialistas para apresentar de forma clara e didática temas que são detalhados em livros em formato de bolso com o prefixo "O que é" no título. Para O que é Nordeste Brasileiro, lançado em 1984, o nome escolhido foi o do jornalista Carlos Garcia, então chefe da sucursal do Estadão no Recife.

Com a experiência acumulada em décadas de profissão, Garcia declarou na época do lançamento que acreditava ter cumprido com o livro uma tarefa de grande importância: não só fornecer um conjunto de informações básicas sobre a região, como desfazer equívocos sobre a realidade nordestina. E para isso, disse ao jornal, não foi necessário grande esforço, pois o conteúdo do livro era uma síntese das reportagens que fez percorrendo a região de ponta a ponta desde que começou no jornalismo, na década de 1950.

Bolsonaro é alvo de Lula, Ciro e Dilma em ato sindical: "Governo do ódio"

Diagnosticado com Mal de Parkinson desde 2008, Garcia foi diagnosticado com covid-19 no dia 10 de abril. Internado no Real Hospital Português de Recife, o jornalista morreu na terça-feira passada, aos 87 anos. Deixou a mulher, Vanize Maria Cabral de Vasconcelos, os filhos Rodrigo e Roberta, do primeiro casamento com Maria Ângela, de quem ficou viúvo em 1991, as enteadas Katarina, Ana Carolina e Rafaela e os netos Gabriel, Marina e Maria Cecília. Gerações de jornalistas prestaram homenagens ao mestre e amigo. "Era superinformado sobre tudo", disse o filho após a morte do pai. A missa de sétimo dia será amanhã, na Igreja Nossa Senhor de Fátima, em Boa Viagem.

'Valioso'

O reconhecimento ao trabalho de Garcia sobre o Nordeste pode ser medido com uma das resenhas sobre seu livro O que é, assinada por Gilberto Freyre, um dos maiores intelectuais brasileiros. "O livro de Carlos Garcia é valioso pelo que informa. É válido como vibrante denúncia do que vem sendo discriminação, da parte de Brasília, contra um Nordeste considerado quase sub-brasileiro", escreveu o autor de Casa-Grande & Senzala.

Desfazer a imagem de que a região era apenas seca e miséria foi uma constante no trabalho do jornalista. No Estadão, suas abordagens sobre a falta d'água iam muito além dos efeitos econômicos, mostrando os aspectos sociais, comportamentais e culturais que a estiagem provocava na população da região.

Apontando esses problemas em suas reportagens, atravessou a ditadura tendo de se esquivar do regime. Numa entrevista a Evaldo Costa, Homero Fonseca e Mário Hélio em 2004, Garcia relatou 13 convocações para depor, "quase todas do tempo do Estadão, onde eu podia tratar de certos assuntos".

Em março de 1974, uma dessas convocações não ficaria restrita apenas a um depoimento. Garcia foi levado algemado da sucursal do jornal no centro do Recife para falar com um coronel do Exército. "Ficaram rodando comigo uns 20 minutos, fazendo ameaças. Diziam coisas do tipo: 'A gente nunca mais tinha jogado ninguém da ponte...' Mas fui levado ao DOI-Codi. Me colocaram no pau de arara, e deram choques." Apesar da violência sofrida, Garcia não deixou de publicar conteúdos que desagradassem ao regime.

Garcia iniciou sua carreira no Recife, no Jornal Pequeno, passando por Última Hora Nordeste, Diário da Noite e Jornal do Commércio. Bom de conversa, assumiria uma coluna de notas políticas na Folha de Pernambuco. Também tornaria-se sócio de uma pequena editora e gráfica, além de ser secretário estadual de Cultura no governo de Jarbas Vasconcelos (PMDB). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Ativista LGBT ligado ao PT é achado carbonizado; polícia apura homofobia

Lindolfo Kosmaski, de 25 anos, levou dois tiros e teve o corpo carbonizado dentro do próprio carro - Rafael Stedile /Divulgação
Lindolfo Kosmaski, de 25 anos, levou dois tiros e teve o corpo carbonizado dentro do próprio carro Imagem: Rafael Stedile /Divulgação

Lorena Pelanda

Colaboração para o UOL, em Curitiba

03/05/2021 10h43

O corpo de um ativista LGBT que atuava no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e no Partido dos Trabalhadores foi encontrado carbonizado no município de São João do Triunfo, na região dos Campos Gerais, (PR), no sábado (1). Lindolfo Kosmaski, de 25 anos, levou dois tiros e teve o corpo carbonizado dentro do próprio carro. O veículo foi encontrado perto da rodovia PR-151, na localidade de Coxilhão.

O ativista era professor da rede estadual e cursava mestrado na Universidade Federal do Paraná, no programa Educação em Ciências e em Matemática. Ele também foi candidato a vereador do munícipio em 2020.

O primo da vítima, Benedito Camargo, afirma que, antes do crime, ele esteve em um bar. "Ele era bem conhecido na região. Antes de morrer, ele pagou cerveja para todo mundo e depois sumiu. O celular dele ficou no estabelecimento. Uma amiga falou que Lindolfo teria recebido ameaça de morte dias antes de ser assassinado", conta.

A Polícia Civil do Paraná foi procurada e diz que, por enquanto, o autor do assassinato ainda não foi identificado. A suspeita é de que o crime esteja relacionado a homofobia.

Em nota, o Partido dos Trabalhadores afirma que Lindolfo tinha uma trajetória inspiradora de luta e coragem. "Neste momento de dor, prestamos toda a solidariedade à família, amigos e esperamos que os órgãos competentes possam acelerar as investigações e encontrar os responsáveis por esse crime hediondo. LGBTfobia é crime e interrompe trajetórias como a de Lindolfo, em uma sociedade democrática e de direito não há espaço para barbárie, ódio e intolerância", diz a nota.

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3 aplicativos para aprender idiomas: Busuu, Memrise e Rosetta Stone - Gizmodo Brasil

por
Mapa com um lápis, um caderno, uma câmera, uma bolsa e guias de viagem sobre ele.
Foto: Annie Spratt/Unsplash

Se você quer aproveitar o tempo livre para aprender um novo idioma ou melhorar suas habilidades em um que já conhece, há vários aplicativos para te ajudar. O mais famoso deles deve ser o Duolingo, mas vamos dar uma folga para a corujinha hoje e falar de outros três: Busuu, Memrise e Rosetta Stone. Eles são bem diferentes entre si, então você terá várias opções para se adaptar.

Busuu

Busuu deve ser o aplicativo dessa lista mais próximo de um curso tradicional. Há exemplos em texto e em som, para entender direitinho a pronúncia, e exercícios como completar lacunas de frases e identificar o que foi dito para fixar o que foi aprendido nas lições. Um recurso bacana é o treino de palavras fracas: o app identifica automaticamente as palavras do novo idioma que você mais erra e sugere exercícios apenas com elas, para melhorar suas fraquezas.

O Busuu pode ser usado gratuitamente, mas também conta com um plano premium com download de lições, ajuda de falantes nativos e lições de gramática. Dá para assinar de pacotes mensais (R$ 34,99) a bienais (R$ 239,99).

Memrise

Memrise é um app bem ágil. As lições e os exercícios são bem diretos, e há vídeos com diferentes pessoas falando o idioma que você está aprendendo para você se habituar à pronúncia.

Infelizmente, apenas o primeiro módulo de cada curso é gratuito. Para continuar aprendendo, você precisa assinar o app. O plano mensal custa R$ 34,99 por mês, e há opções de assinatura anual e vitalícia. Todas elas dão acesso a todos os cursos do app.

Rosetta Stone

Rosetta Stone tem uma estrutura bastante tradicional de cursos de línguas, com diferentes níveis e módulos. O foco maior é na pronunciação: o app conta inclusive com uma tecnologia de reconhecimento de voz para analisar a fala do estudante.

Infelizmente, assim como o Memrise, apenas os módulos básicos são gratuitos. O plano mais barato é o de três meses, que custa R$ 120 e dá acesso a apenas um idioma. Já no plano anual (R$ 300) e na assinatura vitalícia (R$ 500), o estudante pode cursar todos os idiomas oferecidos pela plataforma

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Ex-BBB, Juliana Goes fala sobre vida pós-reality: "Tive feridas emocionais"

Ex-BBB Juliana Goes voltou a falar sobre o reality mais de dez anos depois da participação - Divulgação
Ex-BBB Juliana Goes voltou a falar sobre o reality mais de dez anos depois da participação Imagem: Divulgação

Juliana Goes em depoimento a Nathália Geraldo

De Universa

03/05/2021 04h00

"Participei do BBB 8 e só há três anos revi minha história no reality. Precisei de um tempo porque tinha algumas feridas emocionais para curar, expectativas que criei e que não foram correspondidas. Não tinha vergonha, nem me arrependi do programa, mas fiquei bem desiludida e com questões mal resolvidas depois da minha participação.

Ao sair da casa, tinha certeza de que algumas portas iriam se abrir para minha vida profissional. Mas não se abriram. Já era formada em Jornalismo e achava que seria descoberta, para trabalhar como apresentadora, repórter. Queria ter meu espaço na TV, aliás, meu sonho da vida é ter um programa na televisão. Mas o que aparecia para mim eram coisas efêmeras, ser embaixadora de marcas, trabalhar como modelo, o que já tinha feito e estava saturada.

Tutoriais da Juliette no TikTok: delineado e mais dicas de make de inspirar

No ano passado, fiz um vídeo no meu canal do Youtube falando pela primeira vez sobre BBB e quem me acompanhava na internet esperava algumas respostas, tinham curiosidade, porque eu não falava nada. Foi depois dele que consegui contar de peito aberto, sem ter gatilhos. Foi bom ter dado tempo ao tempo. O fato de me expor, falar das minhas vulnerabilidades, me deu maturidade e mudou tudo dentro de mim.

"Carreguei o peso de 'não ter acontecido'"

Juliana - Divulgação - Divulgação
Juliana em montagem com momentos de sua vida no reality e após a participação da oitava edição do BBB Imagem: Divulgação

Na época, o que surgiu foi uma oportunidade de ser atriz e, mesmo com 22 anos na época, soube falar não, porque não era aquilo que eu queria. Fiquei seis meses no Rio, estando sob os holofotes, com paparazzi atrás de mim, mas isso não mudava nada em relação à vida que queria. Carregava o peso de não ter 'acontecido'. Então, decidi voltar para Santos, minha cidade, para recomeçar daqui. E, realmente, nunca faltou oportunidade para mim na TV; um colunista social, JB, abriu as portas para eu trabalhar e depois apresentei um programa no SBT.

Em 2009, resolvi começar a fazer vídeos de tutorial de maquiagem no YouTube, fui uma das primeiras no Brasil a fazer esse conteúdo. E meus amigos até faziam piada com isso: "Por que você fica se maquiando no espelho do banheiro?". A internet não era como hoje. Ali, as coisas foram acontecendo rápido, recebia patrocínios, proposta de clientes e fiquei seis anos falando de beleza, autoestima, com um público fiel. Em certo momento, me questionei por que não me sentia realizada. Sempre fui inquieta em relação às realizações pessoais.

E foi aí que percebi que nada adiantava falar sobre arrumar o cabelo, se não estava olhando para dentro de mim, o que não fazia justamente pelas feridas pós-BBB.

Em 2015, passei a fazer yoga, meditação, terapia. A me preocupar com inteligência emocional. É isso que me ajuda a identificar quando a síndrome da impostora e a autossabotagem vêm. Hoje, continuo falando sobre beleza, mas de forma totalmente diferente, sobre autocuidado, estilo de vida e equilíbrio e sobre você se acolher. Meu papel na internet é plantar a sementinha do autoconhecimento e dar meu exemplo, sendo transparente, algo que não me permitia fazer antes.

Casamento, maternidade e negócios

casamento - Divulgação - Divulgação
Juliana Goes e Christian Wolthers tiveram casamento na Dinamarca, em 2015 Imagem: Divulgação

O Crica [Christian Wolthers] apareceu na minha vida depois do reality, em 2010, um momento em que ainda estava me entendendo. Ele veio da Dinamarca, porque a família dele é de lá, e não sabia que eu era ex-BBB. Me senti mais segura, porque tinha medo que as pessoas se aproximassem de mim por interesse à época. E foi um encontro de muita sintonia: imagina, ele veio de outro continente e morava na minha rua! Nos casamos em 2015, e tive a ideia de fazer um aplicativo, o Zen, do qual somos cofundadores.

Também criamos a empresa Zen Wellness, uma plataforma com aulas online de yoga e meditação, somos investidores anjo de uma empresa de chocolates veganos, a Super Vegan, e investimos em um restaurante japonês vegano em Santos, que também terá unidade em São Paulo. Não é fácil trabalhar com o companheiro, mas ele é meu parceiro de vida, meu grande amigo.

Temos dois filhos: Anne Liv, de 3 anos e 4 meses, e Liam, de sete meses. Para mim, a maternidade é como o reality: escancara coisas da personalidade que você precisa melhorar, todo dia tem um desafio, uma prova de resistência. Mas sei que, se não me acolher, vou me colocar para baixo dia após dia por não ter dado conta das coisas.

juliana e filhos - Divulgação - Divulgação
A santista é casada desde 2015 e tem dois filhos: Anne Liv e Liam Imagem: Divulgação

Então, sei que não existe mãe heroína, que tem horas que vou perder a paciência, que vou odiar a forma com que falei com meus filhos. E faz parte. Estou dando meu melhor e aprendo com eles, mais do que ensino.

"Estar no BBB é ter uma lupa sobre quem você é"

Voltei a ver BBB só na edição do ano passado, por causa da Bia [Bianca Andrade, a Boca Rosa], que é minha amiga. Antes, entrava numa bad, apesar de sempre sentir saudade da casa. Brinco que queria ir um dia para participar de uma festa, visitar.

Neste ano, resolvi até assinar o pay per view para acompanhar, fiquei curtindo uma festa. Amo a Juliette, minha torcida é para ela, mas também gosto muito da Camilla de Lucas e sempre gostei de acompanhar o Fiuk. Acho que o programa se reinventou de um jeito épico, resgatou o brilho que tinha desde a edição de 2020.

Estar no BBB é ter contato com sua luz e sua sombra, é ter uma lupa sobre quem você é. Aí, surgem lados da personalidade que você não tinha se dado conta.

Quando entrei, ainda era muito imatura, não sentia segurança para colocar minha voz e deixei as pessoas passarem por cima de mim porque não queria contrariar ninguém. Fui criando minha presença ao longo dos anos. Hoje, procuro colocar minha voz quando é necessário."

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Reportagem: Leonardo Sakamoto - Instituto vê chance de 3ª onda no Brasil e prevê 575 mil mortes até agosto

Paciente em leito de UTI destinado para infectados pela covid-19                              - XAVIER GALIANA / AFP
Paciente em leito de UTI destinado para infectados pela covid-19 Imagem: XAVIER GALIANA / AFP
Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

03/05/2021 12h40

O Brasil pode chegar a 575,6 mil mortes no dia 1º de agosto no cenário mais provável projetado pelo Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. No pior cenário, o país atingirá 688,7 mil óbitos no mesmo período. O instituto também avalia que é possível a ocorrência de uma terceira onda a partir do final de maio.

As estimativas, atualizadas neste sábado, apontam uma melhora para o cenário mais provável (há quase um mês, o instituto previa 591,9 mil óbitos até 1º de agosto), situação em que as variantes conhecidas continuam a circular, mas o governo consegue aumentar a distribuição de vacinas em um prazo de 90 dias.

Luan inaugura o chute-desabafo

E uma piora no cenário mais duro (essa previsão de mortes era de 653,8 mil há um mês). Ele se refere a um quadro em que os vacinados deixam de usar máscaras e voltam a adotar o mesmo nível de deslocamento que antes da covid. Vale lembrar que o imunizante te protege de desenvolver a doença, não de transmitir o coronavírus. O país atingiu, neste domingo (2), o total de 407.775 óbitos.

"As projeções da Universidade de Washington estão bem precisas pois a série histórica é estável. Até mesmo nossas insuficiências nas testagens estão refletidas", afirmou à coluna o epidemiologista Wanderson Oliveira, secretário de Serviços Integrados de Saúde do Supremo Tribunal Federal e ex-secretário Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Ele lembra que a situação pode piorar se a população relaxar com os cuidados. E alerta para a possibilidade de já termos a circulação da variante da Índia no Brasil, que levou ao registro de mais de 400 mil casos em um único dia naquele país.

Os sistemáticos atrasos no cronograma de vacinação por parte do Ministério da Saúde, por falta de imunizantes podem alterar negativamente as projeções. Da mesma forma, quanto mais tempo o país vive uma situação de livre contágio, maior é a probabilidade de gerar variantes mais transmissíveis e mais violentas.

Já em um cenário mais otimista, em que 95% da população adota o uso de máscaras em público, o número de mortes seria de 525 mil, segundo o IHME, frente a 531,6 mil de quase um mês atrás. Nessa hipótese, a população adota cuidados sanitários, incluindo as medidas de isolamento social que são atacadas por Jair Bolsonaro.

Neste domingo (2), manifestações de fãs e seguidores do presidente em diversas cidades atacaram as medidas de restrição contra a covid, além de defender um golpe militar, a destituição dos ministros do STF e o fechamento do Congresso Nacional.

Terceira onda de mortes

De acordo com o instituto, o Brasil pode viver uma terceira onda da pandemia a partir do dia 21 de maio, o que vai depender de suas ações e omissões até lá. No pior cenário, caso as medidas sanitárias sejam abandonadas e a vacina não venha na velocidade prometida, as mortes escalam e ultrapassam 4,2 mil por dia em 1º de agosto.

No cenário mais provável, a taxa de mortes segue num platô alto, por volta das 2 mil por dia e depois começa a cair. E no cenário mais otimista, ele desaba a partir da terceira semana de maio, atingindo 586/dia em 1º de agosto.

"Acredito que a tendência natural é que o risco de apresentarmos uma nova 'onda' é factível. Considerando a velocidade de vacinação, o esgotamento social com as medidas não farmacológicas e a falta de comunicação do Ministério da Saúde é natural que tenhamos dias difíceis pela frente", afirma Wanderson Oliveira.

"Há possibilidade deste padrão não se concretizar? Sim, mas a probabilidade é pequena e não acho que vá ocorrer. Mesmo que tenhamos um "platô" como projetado pela Universidade de Washington, nosso limiar é muito, muito elevado e incompatível com o aceitável' se isso existir", avalia.

Para os Estados Unidos, a Universidade de Washington projeta 598,9 mil mortos em 1º de agosto, sendo 617,7 mil para o pior cenário e 593,9 mil para um cenário com uso universal de máscaras. Ou seja, podemos encostar ou ultrapassar o país campeão em mortes, se a crise na Índia não levá-la ao topo do pódio antes.

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Estudo avalia filtragem de 227 tipos de máscara vendidos no Brasil

Modelos mais eficazes no teste foram as máscaras cirúrgicas e as do tipo PFF2 - Getty Images/iStockphoto
Modelos mais eficazes no teste foram as máscaras cirúrgicas e as do tipo PFF2 Imagem: Getty Images/iStockphoto

Karina Toledo

Agência FAPESP

03/05/2021 15h11

A transmissão do novo coronavírus se dá principalmente pela inalação de gotículas de saliva e secreções respiratórias suspensas no ar e, por esse motivo, usar máscaras e manter o distanciamento social são as formas mais eficazes de prevenir a COVID-19 enquanto não há vacina para todos. Baratas, reutilizáveis e disponíveis em diversas cores e estampas, as máscaras de tecido estão entre as mais usadas pelos brasileiros. Contudo, sua capacidade de filtrar partículas de aerossol com tamanho equivalente ao do novo coronavírus pode variar entre 15% e 70%, como revela estudo conduzido no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP).

Coordenado pelo professor Paulo Artaxo e apoiado pela FAPESP, o trabalho integra a iniciativa (respire!, cujo objetivo foi garantir o acesso da comunidade uspiana a máscaras seguras. Os resultados foram divulgados na revista Aerosol Science and Technology.

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"Avaliamos a eficiência de filtração de 227 modelos vendidos no Brasil, seja em farmácia ou lojas de comércio popular. Nosso objetivo era saber em que medida a população está realmente protegida com essas diferentes máscaras", conta Artaxo à Agência FAPESP.

Para fazer o teste, os cientistas utilizaram um equipamento que produz, a partir de uma solução de cloreto de sódio, partículas de aerossol de tamanho controlado - no caso 100 nanômetros (o SARS-CoV-2 tem aproximadamente 120 nanômetros). Após o jato de aerossol ser lançado no ar, a concentração de partículas foi medida antes e depois da máscara.

Os modelos que se mostraram mais eficazes no teste, como esperado, foram as máscaras cirúrgicas e as do tipo PFF2/N95 - ambas de uso profissional e certificadas -, que conseguiram filtrar entre 90% e 98% das partículas de aerossol. Na sequência, estão as de TNT (feitas de polipropileno, um tipo de plástico) vendidas em farmácia, cuja eficiência variou de 80% a 90%. Por último vieram as de tecido - grupo que inclui modelos feitos com algodão e com materiais sintéticos, como lycra e microfibra. Nesse caso, a eficiência de filtração variou entre 15% e 70%, com média de 40%. E alguns fatores se revelaram críticos para aumentar ou diminuir o grau de proteção.

"De modo geral, máscaras com costura no meio protegem menos, pois a máquina faz furos no tecido que aumentam a passagem de ar. Já a presença de um clipe nasal, que ajuda a fixar a máscara no rosto, aumenta consideravelmente a filtração, pelo melhor ajuste no rosto. Algumas máscaras de tecido são feitas com fibras metálicas que inativam o vírus, como níquel ou cobre, e por isso protegem mais. E há ainda modelos de material eletricamente carregado, que aumenta a retenção das partículas. Em todos esses casos, porém, a eficiência diminui com a lavagem, pois há desgaste do material", comenta Fernando Morais, doutorando no IF-USP e no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), que é o primeiro autor do artigo.

Inspira e expira

Segundo Artaxo, as máscaras de algodão de duas camadas filtraram consideravelmente mais as partículas de aerossol que as feitas com apenas uma. Mas, a partir da terceira camada, a eficiência aumentou pouco, enquanto a respirabilidade diminuiu consideravelmente.

"Uma das novidades do estudo foi avaliar a respirabilidade das máscaras, ou seja, a resistência do material à passagem de ar. As de TNT e de algodão foram as melhores nesse quesito. Já as do tipo PFF2/N95 não se mostraram tão confortáveis. Mas a pior foi uma feita com papel. Esse é um aspecto importante, pois se a pessoa não aguenta ficar nem cinco minutos com a máscara, não adianta nada", afirma Artaxo.

Como destacam os autores no artigo, embora com eficiência variável, todas as máscaras ajudam a reduzir a propagação do novo coronavírus e seu uso - associado ao distanciamento social - é fundamental no controle da pandemia. Eles afirmam ainda que o ideal seria a produção em massa de máscaras do tipo PFF2/N95 para distribuir gratuitamente à população - algo que "deveria ser considerado em futuras pandemias", na avaliação de Vanderley John, coordenador da iniciativa (respire!, organizada pela Agência de Inovação da USP, e coautor do estudo.

"Hoje já está comprovado que a principal forma de contaminação é pelo ar e usar máscaras o tempo inteiro é uma das melhores estratégias de prevenção, assim manter janelas e portas abertas para ventilar os ambientes o máximo possível", recomenda Artaxo.

O artigo Filtration efficiency of a large set of COVID-19 face masks commonly used in Brazil pode ser lido em www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02786826.2021.1915466.

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