“Apóstolos do Genocídio”

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Biden barra sucesso diplomático Lula-Putin pela Sputnik
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“Apóstolos do Genocídio”: projeções e lambe-lambes expõem empresários que apoiam Bolsonaro
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O que muda nos EUA nos 100 dias do governo Biden?
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Esquerda toma a frente na Alemanha e pode reconfigurar o cenário político europeu
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NÃO HÁ a MENOR chance de o PDT apoiar essa DIREITA que se diz CENTRO, diz Carlos Lupi
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Generais querem fazer política, atacar a esquerda, mas não aceitam a democracia e o Estado de Direito
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REPRESSÃO policial na COLÔMBIA ASSASSINOU 27 pessoas durante PROTESTOS contra reforma tributária
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Número de BILIONÁRIOS no Brasil SALTA de *31* em 2016 para *65* em 2021, enquanto o DESEMPREGO, a MISÉRIA e a FOME se alastram
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LIBERDADE de IMPRENSA vira REFÉM do jornalismo populista.
Está em cartaz a maior CAMPANHA CONTRA a LIBERDADE de expressão já vista no país
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Após FUGIR da CPI, Pazuello é chamado de CAGÃO nas redes.
Temendo a CPI, Alexandre Garcia apaga vídeos NEGACIONISTAS em seu canal.
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Zambelli pergunta a deputada do PSOL se ela usa maconha e leva invertida: "deve estar sem trabalho"

Vivi Reis

247 - A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada de primeira hora de Jair Bolsonaro, protagonizou nesta segunda-feira (3) um bate boca pelo Twitter com a também deputada Vivi Reis (PSOL-PA).

Vivi havia utilizado a rede social para denunciar ataques que sofreu por parte do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) durante a Comissão do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, que nesta segunda-feira recebeu o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

"Éder Mauro grita tentando me silenciar, Eduardo Bolsonaro insinua que eu estou sob efeito de drogas ilícitas. Eles não querem que denunciemos o projeto de devastação e violência da Amazônia por isso tentaram nos censurar na Comissão de Meio Ambiente, mas não nos calaremos!", escreveu a deputada.

Zambelli, que preside a Comissão do Meio Ambiente, arrumou tempo parra responder de forma esdrúxula a deputada psolista. "Estou curiosa. Você não usa maconha? Porque o PSOL defende a liberação e parece que você se ofendeu por algo que defendem, fiquei confusa".

Vivi então tratou de dar uma invertida em Zambelli: "a deputada Carla Zambelli deve estar sem trabalho na Comissão de Meio Ambiente a qual preside. Está fiscalizando o Twitter, buscando desviar o foco das denúncias ambientais gravíssimas que comprometem a sua tropa bolsonarista. Trabalhe mais, deputada!".

"Curioso é que os bolsonaristas chamem a única mulher preta que os questionou hoje de 'maconheira'. A nossa defesa da legalização é por essa ser uma questão de saúde pública e isso não nos define enquanto usuários, mas sim como defensores da vida, contra a guerra aos pobres e pretos", acrescentou.

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Esquerda toma a frente na Alemanha e pode reconfigurar o cenário político europeu - Jean Goldenbaum

Por Jean Goldenbaum

Annalena Baerbock

por Jean Goldenbaum 

Desde a Segunda Guerra Mundial – mais especificamente a partir de 1949 –, a Alemanha Ocidental (1949-1990) e depois a Alemanha unificada passaram por 19 governos. Destes, 13 e meio foram  liderados pela centro-direita e cinco e meio pela centro-esquerda (este “meio” se deu porque o  nono governo, de 1980 a 1983, se iniciou com a esquerda e terminou com a direita, graças a um  colapso da coalizão). E somente dois partidos até hoje governaram o país: pela direita a União  Cristã, a aliança formada entre a CDU (União Democrática Cristã da Alemanha) e a CSU (União  Social Cristã da Baviera); e pela esquerda o SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha). 

Bem, os números que cito acima evidenciam a disparidade. Os conservadores dominaram a maior  parte da história recente desta que é uma das mais influentes e ricas nações do planeta. E  sobretudo desde 2005 até os dias de hoje, em que vivemos a “Era Angela Merkel”, parecia que a  hegemonia da União permaneceria intacta ao menos no futuro próximo. A firmeza e a consistência com as quais a “Muƫ” (a “mamãezinha”, como ela é conhecida por aqui) liderou o país nos  últimos 15 anos concederam a ela índices de aprovação alơssimos. Na última pesquisa, realizada  no mês passado (instituto ‘ZDF Politbarometer’), 76% do povo da Alemanha expressou considerar  seu trabalho positivo, enquanto somente 21% considerou negativo e 3% não opinou. 

Porém, desde outubro de 2018, quando ela anunciou ao mundo sua aposentadoria, criou-se  imediatamente um cenário de incerteza acerca de quem seria seu sucessor ou sua sucessora.  Passados aproximadamente dois anos e meio desse anúncio, nos encontramos a pouco mais de  quatro meses das eleições que definirão quem assumirá o país enquanto chanceler, em 26 de  setembro. E felizmente nos encontramos também diante de um momento que indica uma grande  possibilidade de transição do poder novamente para um partido do espectro esquerdista. Mas os  tempos são outros e dessa vez o representante liberal não é o SPD, mas sim a Bündnis 90/Die  Grünen (Aliança90/Os verdes), a fusão do Partido Verde da Alemanha Ocidental e da Aliança 90 da  Alemanha Oriental. Em 1993, após a reunificação, esses partidos se fundiram criando um único  que representaria a ideologia política verde, também denominada ecopolítica. 

Pois bem, a história dos Verdes é impressionante, porque estes nunca escreveram sequer próximos  do primeiro escalão no cenário político alemão. Em toda a sua história, uma única vez  ultrapassaram os 10% de votos em eleições nacionais (em 2009 obtiveram 10,7%), e nas eleições  passadas, em 2017, amargaram o último lugar entre os seis partidos considerados grandes no país, com somente 8,9% dos votos. Hoje, menos de quatro anos após tais eleições, as pesquisas (quase  diárias) indicam que os Verdes praticamente triplicaram seu número de eleitores, e já são os  favoritos a vencerem a próxima disputa nacional. Na verdade, essa explosiva ascensão à liderança  se deu sobretudo nos últimos meses. E a explicação para isto é a seguinte: após muita briga e  disrupção interna, a União escolheu seu candidato e isto causou uma imensa insatisfação e divisão  em meio aos eleitores do partido. Armin Laschet é o nome do político em questão, um homem de  60 anos que “consegue” desagradar tanto os mais conservadores quanto os mais liberais. Assim,  averigua-se que uma considerável parcela dos eleitores da União – estudos falam de até 25%  destes – ou pretende migrar aos Verdes ou simplesmente se planeja se abster do voto. 

Por outro lado, os Verdes competirão com a candidata Annalena Baerbock, de 40 anos de idade,  que se comunica de maneira muito mais efetiva não somente com o público jovem e progressista, mas com o cidadão de perfil médio, que não necessariamente se identifica enquanto direitista ou  esquerdista, mas é liberal em sua essência e concepções. E o fato de ser mulher, o que daria  continuidade ao símbolo feminino de liderança no país, conta também e muito. A sociedade alemã possui muitos problemas, como qualquer outra, mas machismo não figura entre os maiores deles  – principalmente se compararmos com sociedades como a brasileira ou a estadunidense. Desta  forma, no cenário político, tal questão se faz bastante presente e não à toa os Verdes escolheram  Baerbock como candidata, ao invés de Robert Habeck o co-líder do partido ao lado dela. 

Cabe ainda mencionar outro fator que também atuou a favor da extraordinária escalada verde: o  SPD igualmente “perdeu” muitos eleitores a esse partido. Falha em se comunicar com as novas  gerações; erros estratégicos; pouca renovação, são alguns dos fatores que contribuíram para que  os social-democratas vissem considerável parte do seu eleitorado se esvair e migrar a um partido  com um apelo mais atual, atraente e promissor. 

Enfim, segundo as pesquisas a diferença numérica dos Verdes em relação ao segundo lugar,  ocupado pela União Cristã, é pequena, mas muitos analistas creem no crescimento desta  discrepância, ainda que a grande maioria assuma que a disputa pelo primeiro lugar será acirrada  até o final. 

E se os Verdes realmente escancararem um inédito capítulo na história da Alemanha e assumirem  a liderança do país, o que isto representa à Europa e consequentemente ao mundo? Bem,  representa muita coisa. Primeiramente não se pode esquecer que a Alemanha é o quarto país com maior patrimônio líquido nacional e a quarta maior economia do mundo, ficando somente atrás de EUA, China e Japão (fontes: Global wealth report/International Monetary Fund/World Bank). É  também a nação que encabeça a União Europeia e isso traz uma influência imensa sobre as  principais potências da Terra. Uma “troca de guardas” da centro-direita à centro-esquerda  representaria uma ampla presença progressista não somente no bloco europeu, mas em todo o  mundo. Grande avanço de políticas econômicas ecológicas e sustentáveis; fortalecimento do bloco  europeu em movimentação contrária a tendências reacionárias que caminham em direção ao  isolacionismo, como o caso do Brexit; desaceleração do neoliberalismo e de formas do capitalismo  que cultuam o lucro acima do meio ambiente; pressão para a desativação de usinas nucleares em  toda a Europa; facilitação de medidas sociais progressistas (recebimento de refugiados, iniciativas  de integração comunitária, descriminalização da maconha, por exemplo); combate mais acentuado a ameaças de ascensão da extrema-direita, são alguns dos atributos que os Verdes muito  provavelmente trarão à mesa se estiverem sentados à cabeceira dela. 

Por fim, já que estamos conjecturando, cabe ainda especularmos sobre as possíveis coalizões,  afinal em um sistema parlamentarista não se governa sem elas. Se o cenário se mantiver  semelhante ao que as pesquisas hoje mostram, os verdes teriam basicamente duas opções para  formar o parlamento. A primeira seria uma coalizão inteiramente dentro do espectro da esquerda,  contando com o SPD e o Die Linke (“A Esquerda”, o partido mais progressista entre os seis grandes,  mas também o menor no momento), o que seria a opção dos sonhos para a esquerda. A segunda  seria fazer a coalizão com a própria União, em um esforço de realizar o que os estadunidenses  chamam de “compromise” (algo que Biden muito preza), ou seja, buscar uma solução que de certa  forma satisfaça ambos os lados da cena política, para evitar conflitos muito agudos. Neste caso o  governo perderia logicamente em voz plenamente progressista, mas de qualquer maneira ainda  seria chefiado pela centro-esquerda.

Em suma, obviamente ainda é cedo para chegarmos a quaisquer conclusões definitivas, mas  enquanto muitas nações – e provavelmente nenhuma tanto quanto o Brasil – se afundam na areia  movediça da extrema-direita, com seu irracional nacionalismo e seu desvairado neoliberalismo, a  Alemanha parece caminhar em direção contrária. Inclusive, o partido de extrema-direita AfD  (“Alternativa para a Alemanha”, que nada mais é do que o partido neonazista fantasiado com uma  roupagem contemporânea) também decaiu de 2017 até hoje – e cerca de 15%. Assim, estamos  diante de um cenário que no mínimo nos oferece a possibilidade legítima de termos esperanças no mundo. E nas atuais circunstâncias em que o planeta se encontra, tal possibilidade já é uma  verdadeira benção.

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O que muda nos EUA nos 100 dias do governo Biden? - Lejeune Mirhan

Por Lejeune Mirhan

Joe Biden

A ação política adotada por um presidente dos EUA afetam o mundo inteiro. Apesar de o mundo não ser  mais unipolar, a força do imperialismo estadunidense segue muito grande. Eles têm sido uma potência econômica e militar, a maior do mundo em toda a história. Nenhuma outra potência chegou perto desse poderio. E não estou falando de tecnologia. A Inglaterra foi uma grande potência militar, desde os séculos XVI e XVII, ela dominava quase todos os mares e oceanos. Atualmente, os EUA, com as suas sete frotas navais, estão presentes nos três Oceanos e nos chamados Sete Mares.

Antes de seguir na análise deste pequeno ensaio, quero deixar claro uma concepção que venho expressando já há algum tempo. Trata-se de afastar a visão – equivocada de meu ponto de vista – que tanto Trump quanto Biden são a mesma coisa. Nada mudará pois “são farinha do mesmo saco”. A mesma “porcaria” como já ouvi diversas vezes. Não estou de acordo com essa visão, profundamente antidialética. E nem estou de acordo com a visão de outros que, ainda que reconheçam alguma mudança, dizem que elas são insignificantes. Não são. E demonstrarei no texto a seguir.

As principais mudanças nos seus aspectos Internos

1. Biden é um presidente católico

Biden é o 46º presidente dos Estados Unidos. Entre todos esses, apenas dois deles foram católicos praticantes: John Fitzgerald Kennedy e Joseph Robinette Biden Jr. Todos os demais foram protestantes das várias correntes do protestantismo tradicional. O fato de ser católico nos EUA, que é uma minoria e, sob o papado de Francisco, não é pouca coisa. Isso é um aspecto que é preciso registrar. Sabemos as divergências históricas entre o catolicismo antes da reforma luterana e calvinista com os cristãos católicos. Havia questões que discutiam o lucro e os juros. Não por acaso, um dos nomes da Sociologia moderna – Max Weber – discutiu questões relacionadas com o capitalismo e o protestantismo no processo de construção dos Estados Unidos. 

2. Biden: centro ou centro-esquerda?

Para se viabilizar nas primárias, Joe Biden derrotou o candidato da ala mais à esquerda do Partido Democrata. E foi apresentado aos eleitores e ‘pintado’ pela imprensa, como um homem de centro. Da posse para cá, a imprensa tem revisto o seu conceito sobre a posição política do presidente. Ela começa a dizer, em função das suas primeiras medidas, que ele seria um pouco mais à “esquerda”, vamos usar o termo centro-esquerda, ainda que talvez não chegue a tanto.

Mas, confesso que estou profundamente surpreso com muitas decisões que ele tem tomado. Relembro aos que me acompanham, que tenho dito e publicado em vários dos meus livros de Geopolítica Mundial e quero registrar neste segundo aspecto. O presidente dos Estados Unidos tem uma dupla função: a primeira é de presidente de um país ou uma federação de países, portanto, tem que zelar pelas questões internas. Mas, também ocupa uma outra função: a de chefe de um império mundial, que pretende continuar a ser hegemônico no mundo, mas não consegue mais, em função da contestação do seu poder global, feito especialmente pela Rússia e pela China. Estou entre os analistas internacionais que reconhecem uma grande mudança na correlação de forças na geopolítica mundial atual.

Assim é a geopolítica mundial. O Brasil e a Índia também faziam esse enfrentamento, mas saíram do cenário e ficaram subordinados ao imperialismo estadunidense, não se retirando do bloco dos BRICS, mas afastando-se dele. O que restou ao imperialismo? Eles vão fazer de tudo para destruir a Rússia e a China, porque querem reinar sozinhos. É quase como se desejassem a volta de um mundo unipolar. Mas não vão conseguir, pois isto já não é mais possível.

Outra coisa que tenho falado muito, da forma mais clara possível. Em que mundo nós vivemos hoje? Vivemos numa transição do mundo unipolar (de dezembro de 1991, quando acabou a União Soviética), para o multipolar. Nem o mundo unipolar existe mais e nem o mundo multipolar já está consolidado. Por isto é uma transição. E, a história comprova que em todas as transições: de sistema, de governo, de modo de produção, a terra treme. Ocorrem muitas tensões no mundo, como a que estamos vivendo hoje.

Se o imperialismo estadunidense, em seu aspecto externo, avança e consegue impor restrições, embargos, sansões, fazer com que a Rússia e a China recuem para voltar ao velho imperialismo, como os dialéticos devem interpretar essa situação?

Do meu ponto de vista, isto é um mau sinal para o mundo. Cada vez que o imperialismo avança, é um sinal de que a luta dos povos pela sua independência e soberania nacional não está sendo suficiente para conter esse avanço. A sua função, como chefe de império, é fazer o avanço. Se puder destruir os dois “inimigos”, ele vai fazer. Portanto, se estiver conseguindo isto, é uma má notícia para os povos em luta do mundo inteiro.

E, exatamente ao contrário, se ele não faz essa ofensiva, por exemplo, deixar de aplicar sansões, não quer dizer que ele tenha um bom coração. Em sentido inverso, é a prova de que, o avanço da luta dos povos e o fortalecimento da China e Rússia, estão surtindo efeitos, a ponto de fazer o imperialismo recuar.

Tente imaginar o mundo sem as mil bases militares estadunidenses espalhadas pelos cinco continentes. Seria possível imaginar isso hoje? Eu não vou mais presenciar a retirada e o desmonte de todas essas bases, devido à minha idade já avançada. Será que minha filha ou meus netos presenciarão isto? Quantos anos duraram os impérios Romano, Inglês, Otomano, Árabe? Quantos anos durará o império estadunidense?

O imperialismo dos Estados Unidos se consolida exatamente quando? Foi depois da Conferência de Bretton Woods, em 1944, quando o dólar passa a ser a moeda única. O comércio internacional só se faz com o uso dessa moeda. Qual era a anterior? A Libra Esterlina, que entrou em decadência, pois a Inglaterra estava perdendo a hegemonia, entrando em declínio depois da 1ª Guerra.

Portanto, estamos falando de uma potência imperial que não tem cem anos. Portanto, para vermos este mundo consolidar a multipolaridade, temos que ver também o Brasil voltar ao BRICS, pois venceremos a eleição em 2022 com o presidente Lula. Também a Índia deverá derrotar o governo atual, voltando e fazendo com que os BRICS voltem a ser o que foi na época da Dilma. Aquele que enfrentava os Estados Unidos. Hoje, quem enfrenta mais frontalmente é apenas a Rússia e a China. Porque o “B” e o “I” saíram. Não acabou os BRICS, mas enfraqueceu. Esses dois países não saíram do bloco, mas não desempenham o mesmo papel.

Quero listar a seguir sete aspectos importantes que vejo como positivos do ponto de vista da política interna dos Estados Unidos. E, não me ocorreu nenhum aspecto profundamente negativo que devesse mencionar.

Saúde

Biden é um apoiador da ciência, colocou em uma sala contígua ao seu gabinete, na Casa Branca, o cientista Anthony Fauci, considerado um dos maiores sanitarista e virologista do mundo. Ele chefia a Comissão Nacional de Combate à Pandemia.

Ele havia prometido vacinar nos 100 primeiros dias, 100 milhões de pessoas. A vacinação nos EUA começou timidamente em dezembro, ainda na gestão Trump. Ele procedeu a uma revisão dos números e já vacinou 200 milhões, mais do que a metade da população. Este é um aspecto positivo importante que precisa ser registrado. E tem como meta, concluir a vacinação, ao menos a população adulta, nas próximas semanas. Isso não é pouca coisa. As infecções e as mortes diárias caíram drasticamente.

Biden fez com que os EUA voltassem à OMS. Logo nos primeiros dias de governo, Biden recolocou os Estados Unidos na Organização Mundial da Saúde – OMS, que tem um orçamento limitado: US$ 1 bilhão ao ano. Os países pagam uma cota-parte. O Brasil está devendo para esses órgãos multilaterais da ONU, dos quais somos membros, mais de R$ 10 bilhões, até para a própria ONU. 

Corremos o risco de termos suspensa a nossa participação nas votações, por inadimplência. Isto, porque somos “presididos” por uma pessoa que é contra o multilateralismo, assim como Trump também o era. O governo brasileiro não se retirou da OMS, mas parou de dar a sua contribuição. E, do orçamento total, a cota-parte dos Estados Unidos é de 1/4 (US$ 250 milhões). E isto se deu no meio de uma pandemia mundial, onde a necessidade de verbas era bem maior. Sabemos que Biden e os Democratas em geral são tradicionalmente multilateralistas.

“Ranking” dos presidentes dos EUA

Quero lhes apresentar aqui dentre os 46 presidentes dos EUA, de acordo com os meus critérios e análises, os quatro melhores. Eu estudo os presidentes dos EUA desde Roosevelt que venceu sua primeira eleição em 1932. Eu estabeleci uma ordem dos quatro melhores: 

1º] Abraham Lincoln (imbatível), que era dos Republicanos que, na época, era progressista, hoje é de extrema direita. Que eu saiba, é o único dos presidentes que leu Marx. Tanto que, quando foi reeleito em 1864, em meio à guerra civil feita contra a secessão, que o Sul, chamado de Confederados, porque eram contra a abolição da escravatura e ele era favor, aconteceu o primeiro Congresso da Associação Internacional de Trabalhadores (I Internacional), cuja estrela principal presença era ninguém menos que o velho e bom barbudo do século XIX, Karl Marx. Ele aprovou uma Moção de Apoio à Reeleição de Lincoln, que ele mesmo escreve e manda para o presidente. O grande historiador marxista, Leo Huberman, que escreveu A história da riqueza do homem, onde há uma nota de rodapé, mencionando que Lincoln leu Marx. Não foi um marxista, mas tem origem proletária, foi lenhador.
2º] Franklin Delano Roosevelt, era Democrata. Eleito em 1932, foi reeleito em 1936, 1940, 1944 e teria sido reeleito em 1948 se não tivesse morrido no final da guerra em 1945, sendo substituído por Harry Truman. Nunca é demais relembrar que ele foi eleito com apoio da central única sindical dos EUA, que é a AFL-CIO (American Federation Labor-Congress Industrial Organization), então dirigida por anarquistas e comunistas. Ele que foi o presidente mais popular da história dos Estados Unidos. Depois dele, acabaram com reeleições ilimitadas.

Conta-se que na primeira reunião que Roosevelt teve com a direção dessa central, antes de sua posse, em janeiro de 1933, ela teria entregue a ele um documento com todas as suas reivindicações. Ao que Roosevelt teria lido, concordado integralmente. Mas, devolveu o documento para a direção e disse-lhes: “estou de acordo com tudo isso... me façam executar essas reivindicações”, ou seja, ele pediu que fosse deliberadamente pressionado para que tivesse força para cumprir esse programa avançado. 

Nunca é demais relembrarmos nestes momentos que recapitulamos a história que, em nosso Brasil, os 12 anos que tivemos um governo popular e democrático, de Lula e Dilma (primeiro mandato), jamais organizamos o povo e jamais pressionamos o NOSSO governo para que atendesse as nossas justas reivindicações. Ao contrário. Dizia-se que não podemos pressionar o governo. Quantas das maiores e mais importantes lideranças populares e sindicais de nosso campo foram para o governo e preferiram o conforto dos gabinetes às agruras das lutas e do sol das planícies? 

3º] Woodrow Wilson está na minha terceira posição, cuja ranking, claro, é aleatório e tenho certeza que se isso fosse pedido para outros estudiosos, provavelmente outra teria sido a classificação. Wilson, dizia-se à época, era um visionário. Ele era do Partido Democrata, de formação religiosa presbiteriana. Formado em história e ciência política pelas Universidades de Princeton e John Hopkins, recebeu o Nobel da Paz em 1919 pela sua atuação na I Guerra. 

Foi exatamente daí que vem o seu destaque internacional. Na Conferência de Versailles, convocada para impor sanções aos derrotados da I Guerra Mundial – Alemanha, Impérios Austro-Húngaro e Otomano, ele apresentou a famosa carta de 14 pontos, cuja essência era “Por uma paz sem vencedores”. Mas, as potências vencedoras – França e Inglaterra – acataram apenas quatro desses 14 pontos, o que fez com que os EUA não assinassem o acordo de “paz”, que levou a, 20 anos depois, à II Guerra Mundial, em 1939. Wilson era visto como um ‘idealista” e um “visionário” para a sua época. 

4º] James (Jimmy) Earl Carter. Tenente da Marinha dos EUA, do Partido Democrata e Nobel da Paz de 2002, Carter entrou para a história por ter conseguido a paz entre israelenses e egípcios, com relação à devolução da Península do Sinai por Israel para o Egito, território tomado na guerra dos Seis Dias de 1967. Carter foi um defensor dos palestinos e dos direitos humanos. 

Eu digo, sem medo de errar, que Joe Biden está disputando para entrar neste bloco dos quatro melhores. Provavelmente desalojando Wilson ou Carter. Atentem que gente do calibre de Clinton e Obama não figuram nessa seleta lista. E quando falo “melhores” presidentes, quero dizer – à exceção de Lincoln – menos ruins. 

Imposto sobre riqueza

Os números e índices ainda não estão totalmente divulgados, mas ele está aprovando um aumento de impostos para a parcela mais rica da população. Não se trata da classe média. Em seu discurso do dia 28 de abril, ele fala que os sindicatos criaram a classe média dos Estados Unidos. Ele apoia e incentiva a organização sindical. Isso é uma concepção interessante. E também vai aumentar o imposto das grandes empresas com o objetivo de criar lá, o que o Lula criou no Brasil, o Bolsa Família.

Imigração

Existem dez milhões de clandestinos no país, que eram chamados de estrangeiros. Veja como as coisas mudaram. Agora são tratados como “não-cidadãos, em busca da cidadania”. Biden está tomando medidas para legalizar todos. Isto não é pouca coisa. Trump os estava expulsando. O atual presidente suspendeu todas as deportações em andamento, assim como suspendeu a construção do famigerado muro que separa os Estados Unidos do México. 

Pacotes de ajuda econômica

Biden propôs três pacotes de ajuda financeira aos pobres, às empresas, às instituições desde que tomou posse em 20 de janeiro. Todos eles somados perfazem US$ 7 trilhões de dólares (mais ou menos 40 trilhões de Reais). Trata-se da maior ajuda econômica de um governo. Não se compara ao que Franklin Delano Roosevelt (FDR, que era a sigla do seu nome que ele usava), não se compara com o que ele fez entre 1933 e 1937, chamado de New Deal.

Biden já disputa hoje para ser o maior keynesiano depois de Roosevelt. Eu não tenho todos os elementos para comprovar o que vou dizer agora, mas com os poucos que tenho, posso afirmar que ele poderá ficar com esse título, de maior keynesiano da história do país.

Para termos uma ideia, a crise de 2008, quebrou o Lehman Brothers, o City Bank, quebrou a GM, o governo dos EUA teve que intervir e jogar muito dinheiro para salvar essas empresas e dar uma ajuda aos mais pobres. Dizia-se delas To big to fail (Muito grande para falir). O presidente à época era George Bush Filho, um grande neoliberal que teve que deixar cair a máscara.

Quando a crise chegou, o bom e velho Estado teve que socorrer os “necessitados”. Ele jogou na economia US$ 800 bi, comprando ações para evitar a falência dessas empresas gigantes. A GM era a maior empresa do mundo na época, chegando a ter um milhão de empregados. Hoje tem cerca de 200 mil. A maior do mundo hoje é a Amazon, que dizem ter mais de um milhão. 

À época o pacote não chegou a um trilhão. Mesmo corrigindo monetariamente, não chega perto dos sete trilhões de dólares que Biden aprovou em 100 dias e ninguém sabe o que será daqui para a frente. Lembrando que são eles que imprimem o dinheiro. A ajuda foi para todos. Todo cidadão recebeu em sua casa um cheque de US$ 1,400 (sete mil e quinhentos reais). E, em muitas casas, três ou mais pessoas receberam o cheque assinado por John Biden.

Aqui quero registrar uma questão, em função de artigos que tenho lido partindo de jornalistas econômicos e economistas (em especial Míriam Leitão e Aloísio Mercadante). Fala-se que Biden vai enterrar o neoliberalismo (capitalismo financeiro). Não estou entre os que pensam dessa forma. Injetar grandes recursos públicos na economia, não faz um país antineoliberal. De meu ponto de vista, para podermos afirmar que o neoliberalismo entrou em decadência e poderá vir a ser derrotado, temos que presenciar uma forte regulação dos capitais financeiros, voláteis e especulativos. O que ainda não vemos nos EUA.

Pauta ambiental

Biden colocou nos EUA a pauta ambiental na ordem do dia. Nenhum presidente anterior havia feito isto com tamanha intensidade e vigor. O país nunca teve um ministro do meio ambiente, que lá é chamado de Secretário. Agora tem um. Que é chamado o “Czar do Clima”, que é ninguém menos que John Kerry, que foi secretário de Estado do Obama, por oito anos, quando ele era vice-presidente. Ele estava ao lado do Biden na chamada Cúpula do Clima realizada nos dias 22 e 23 de abril.

Isto é positivo e ele promete, para o povo dos Estados Unidos – e está no seu programa de governo –, que vai mudar a matriz energética de energia suja (gerada a partir do hidrocarboneto e carvão) para a energia limpa, que são as energias eólica, nuclear, solar, marés etc. Ele afirma que até 2030, alcançará este projeto. Imagino que espera ser reeleito em 2024 e, em 2028, eleger a sua vice, Kamala Harris, a que poderá ser a primeira mulher e negra, presidente dos Estados Unidos. Por isso ele pode se dar ao luxo de fazer planos para mais nove anos. 

É secundário o presidente da maior potência dizer que vai ficar livre da dependência da indústria do petróleo? Não é. A indústria do petróleo é o que move o mundo hoje. O cartel da OPEP tem um poder muito grande. Eles ditam o preço. Se a Arábia Saudita fechar as torneiras, diminuindo a produção, o preço sobe. Se ela abre, o preço cai. O faturamento mundial desse setor é equivalente ao da indústria farmacêutica. 

Reforma carcerária

Biden está procedendo a uma grande reforma carcerária. Ele suspendeu todas as terceirizações dos presídios nos Estados Unidos. Ele, praticamente, estatizou todos os presídios, que voltaram a ser públicos e federais. Existem muitos, mas a maioria é terceirizada para empresas que ganham por preso que toma conta.

Salário mínimo

O último aspecto a ser registrado entre as bondades de Biden, pois mexe com os trabalhadores, é a questão do salário mínimo nacional. Hoje, o salário mínimo está fixo em US$7.25 a hora. Na campanha ele prometeu aumentar para 15 dólares, que é equivalente a 106% de aumento. Isso ele ainda não conseguiu, porque há resistências, claro, do empresariado, do Congresso. Apesar de ter maioria de Democratas, eles estão a serviço do capitalismo e não dos trabalhadores.

No dia 28 de abril ele assinou uma ordem executiva aumentando o salário mínimo dos trabalhadores terceirizados do governo federal dos atuais U$10.95 para os sonhados U$15.00. Lá tudo é pago por hora. Se você trabalhar 12 horas, vai ganhar o equivalente. Se quiser trabalhar de segunda a segunda, não quiser ter folga, ganha todas as horas que trabalhar. É completamente diferente do Brasil. Esses trabalhadores devem ser milhares ou talvez, milhões. Isso significou um aumento de 73%.

Desta forma, a promessa de campanha de US$15.00 para todos, ele ainda não conseguiu cumprir. Mas estes que ganharam esse aumento, se trabalharem somente oito horas por dia, 22 dias por semana, receberiam um salário mínimo de US$2,640.00. Pelo câmbio atual, equivale a R$14.500,00. Ou seja, 11 vezes o salário mínimo brasileiro.

Aspectos da Política Externa

Aqui residem os maiores problemas. Vou destacar três aspectos positivos, três pendências e dois problemas não solucionados. Pretendo discorrer da forma mais dialética possível, sem deixar de registrar os positivos e registrando tais aspectos, não me torna menos anti-imperialista do que sou.

Eu escrevi um longo ensaio publicado em 21 de novembro de 2020, quando Biden já havia sido proclamado presidente, onde analisei em detalhes o futuro de sua gestão. A maior parte das questões que levantei, vem se confirmando ao longo dos 100 dias.

Aspectos positivos

O clima

Se esse tema é importante internamente, ele o é também, externamente. A pauta ambiental voltou para a geopolítica mundial. Já se discute a questão ambiental em todos os países. Quando Al Gore era vice de Clinton, colocou-se a pauta ambiental na ordem do dia, mas logo ela saiu. A Cúpula do Clima convocada por Biden, realizada entre os dias 22 e 23 de abril, que não foi um evento oficial da ONU, foi muito importante. Biden escolheu 40 países a seu critério. Mas, ela foi importante ter acontecido. A Rússia e China confirmaram presença só na véspera, mas fizeram discursos importantes e contundentes, mandando recados diretos.

O objetivo dos Estados Unidos, na verdade, é fazer um movimento para emparedar a Rússia e a China e dizer que eles poluem mais do que os Estados Unidos. É, portanto, um movimento para pressionar. Não tem problema, não vai dar em nada. Eles saberão enfrentar isto. Mas, há aspectos muito interessantes e positivos. E Biden reafirmou em seu discurso na abertura da Conferência, que, os Estados Unidos vão buscar a matriz energética limpa até 2030. E também eles vão contribuir como puderem no aspecto internacional.

As petroleiras estão muito preocupadas. Porque, quanto mais diminui a dependência do petróleo, muito menos elas ganham. Mas, nunca vai chegar a zero, porque existem muitos produtos como isopor, nafta, querosene de aviação etc., que dependem do petróleo. 

Uma das primeiras medidas adotadas por Biden no início da gestão, foi colocar os Estados Unidos de volta no Acordo do Clima de Paris, do qual Trump também tinha saído. Temos que registrar a suspensão do oleoduto que vem do Canadá e era muito criticado por diversas nações indígenas por onde ele cruzava seus territórios e criticado também por ambientalistas. 

Retirada das tropas do Afeganistão e Iraque

O Afeganistão é a mais longa ocupação militar de uma potência a um outro país, na era moderna, feita pelos EUA. São 20 anos ocupando militarmente aquele pequenino país. Os Estados Unidos não têm tradição de ocupar para colonizar, como fizeram a Inglaterra, Portugal, Espanha em seus passados coloniais. 

Mas, por outro lado, eles promoveram mais de cem invasões e guerras contra dezenas de países, mas eles não ocuparam esses países. Mas, nem precisa, pois eles têm lá seus representantes no governo. Este aqui em nosso Brasil, que se apresenta como nosso presidente (sic) é representante dos Estados Unidos, mesmo o candidato dele tendo perdido as eleições. Somos hoje subordinados ao imperialismo.

O Afeganistão foi ocupado em outubro de 2001, logo depois do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro. Agora em outubro completará 20 anos. A partir de sábado, 1º de maio, as tropas começaram a ser retiradas. Eles já tiveram 120 mil soldados, hoje ficaram apenas oito mil que, até setembro, irão embora.

Yankees go home, “Ianques vão para casa”. É um apelo, tragam nossas tropas de volta, a qual Biden atendeu a este reclamo. Há uma associação nos Estados Unidos que se chama VFP, Veterans For Peace (Veteranos pela Paz). A grande reivindicação deles é para trazerem todos os soldados e desmontarem as mil bases. Eles não são saudosistas. Pegaram as medalhas que ganharam no Vietnã e jogaram na porta do Capitólio, da Casa Branca. Há grandes manifestações contra a guerra e pela paz, são muito combativos. Ele vai retirar as tropas também do Iraque, que tem um número menor, cinco mil soldados e cinco bases militares (a sexta foi inteiramente destruída por ataque iraniano em janeiro de 2020), como retaliação à morte do general Qaseem Suleimani.

Reconhecimento do genocídio armênio

É o terceiro e último grande aspecto positivo que não tenho como deixar de reconhecer, que é o reconhecimento por parte do governo dos Estados Unidos, do que ficou conhecido como Genocídio Armênio. Ele tem uma data simbólica: 24 de abril de 1915. Portanto, completou 106 anos.

Eu e vários autores, preferimos chamar esse evento de Genocídio Cristão, porque mataram cristãos armênios, assírios e gregos ortodoxos. Assírio é uma etnia, não existe mais o Estado assírio, mas existe o povo assírio. Três milhões de pessoas foram assassinadas pelo Império Otomano, que é a Turquia hoje. Pelos turcos, que perseguiam cristãos.

Biden fez questão de anunciar, no sábado, dia 24, depois de 106 anos, o reconhecimento desse genocídio. Apenas 30 países reconhecem o genocídio na atualidade (1). A Turquia faz de tudo, pressiona governos para que não reconheçam. Com o reconhecimento pelos Estados Unidos, eu indago: quantos países poderão acompanhar esse posicionamento? Isso irritou profundamente a Turquia e seu presidente Recep Tayip Erdogan. 

Eles se diziam muçulmanos mas, no Islamismo, não se aceita a perseguição dos cristãos, ao contrário, o verdadeiro muçulmano tem o dever primordial de proteger os cristãos e os judeus, que o Alcorão chama de os povos do livro (a Bíblia, a Torah e Velho Testamento) que o Islamismo recepcionou. Proteger sinagogas e igrejas é dever básico dos muçulmanos. Os turcos que fizeram essa barbaridade, não estavam sendo muçulmanos naquele momento.

Eu, particularmente, tenho uma relação especial com esta causa. Sou neto de refugiados, cristãos ortodoxos da Igreja Syrian Ortodoxa de Antioquia. A minha avó tinha a mãe armênia e o pai assírio. Nasceu na cidade de Diyarbakir, hoje situada na Armênia. O meu avô, era de pais assírios. Ele tinha quatro anos de idade, quando saiu com seus sete irmãos, fugindo da Grande Síria, da cidade de Mardin, em 1900. Se não fizessem isso, eles morreriam. 

O massacre não foi só em 1915. Ele começou em 1895. Meu avô nasceu em 1896. As matanças estenderam-se até 1923, quando se cria a Turquia formalmente, que é reconhecida pelo mundo pelo tratado de Lausane. Seu líder era Mustafa Kemal, apelido era Ataturk que na linguagem turca significa “o pai dos turcos”. Ele é mais conhecido pelo apelido do que pelo nome. A Turquia aceitou conviver com os cristãos.

A minha avó, com sete anos de idade (em 1914), teve seus pais assassinados pelos Otomanos. Ela fugiu com seus tios para a cidade de Alepo, na Síria ficou em orfanato até os seus 14 anos, quando veio para o Brasil, conheceu meu avô e se casaram. Ela quase não lembrava e falava dos seus pais. Os imigrantes foram para Estados Unidos, Índia, Argentina, vieram para o Brasil. Houve a diáspora assíria no mundo. Eles não contavam muito essas histórias para os seus filhos e netos. (2)

As três grandes pendências

Sei que podem existir muito mais, mas as mais importantes dizem respeito ao posicionamento dos EUA sobre as relações com Cuba, o acordo nuclear com o Irã e a questão da paz na Palestina. Não inclui aqui a Venezuela porque ele suspendeu todas as sansões, exceto a que proíbe a venda de petróleo. 

Cuba

Biden foi vice-presidente de Barak Obama que, em 2016 restabeleceu as relações diplomáticas com Cuba e reabriu a Embaixada em Havana. Ainda que ela nunca tenha sido formalmente fechada, mas funcionava apenas como um pequeno escritório de representação. Em 20 de março de 2016, Obama desembarca no Aeroporto Internacional de Havana Jose Martí. É lá que está a frase na parede: “Hoje milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo inteiro, nenhuma delas é cubana”.

O ex-presidente passou três dias na capital, hospedou-se no hotel que foi o QG da Revolução de 1º de janeiro de 1959, quando Fidel, Raul, Camilo e Che Guevara, dos quais só Raul Castro ainda está vivo, chegaram em Havana e estabeleceram um governo que ainda não era socialista. Obama ficou lá e apertou a mão de Raul Castro, mas não suspendeu as sansões.

A pior de todas as sanções é aquela decorrente de uma lei aprovada no Congresso dos Estados Unidos, de 1996, sancionada por Clinton, mas não é de sua autoria, mas de dois deputados republicanos de extrema-direita, Helms e Burton, que é o nome da lei (Helms-Burton). É uma lei draconiana que pune todos os donos de navios que aportarem em um porto cubano, para carregar ou descarregar mercadorias, estão proibidos de aportar nos Estados Unidos. Uma lei ilegal que fere a territorialidade. Mas, eles se acham donos do mundo e se julgam no direito de impor uma lei como esta.

Biden só poderá revogar essa lei enviando um projeto de lei ao Congresso que a revogue. Obama não fez e não sei se Biden fará. Mas, pelo menos Obama restabeleceu relações, aumentou o número de vistos, autorizou os voos fretados. Voos regulares Obama não chegou a autorizar. Então, adotou uma série de medidas positivas, mas ainda pesam algumas sansões impostas a partir da crise dos mísseis, em 1962. Portanto, há 59 anos Cuba vive sob o cerco da maior potência econômica do mundo.

O que fez Trump em 20 de janeiro de 2017 quando tomou posse? Ele não rompeu relações, nem fechou a embaixada. Mas, só isto. Todos os outros benefícios e avanços ele revogou. Voltou muitos passos atrás.

Existe a expectativa que Biden retorne ao patamar em que Obama deixou. Nem se discute se ele vai revogar a lei Helms-Burton, mas se voltar ao que era no final do governo Obama, já terá sido muito positivo. Esta é a primeira pendência. No meu ensaio de 21 de novembro eu digo que ele deve voltar a esse patamar (3).

Irã

A segunda grande pendência é sobre o Acordo Nuclear assinado pelo Irã com as cinco nações que compõem o Conselho de Segurança da ONU: EUA, França, Inglaterra, China e Rússia, mais a Alemanha, portanto, é um acordo assinado que tinha sete assinaturas. Um acordo muito positivo, assinado em 2015, na gestão Obama. Em janeiro de 2017, quando Trump toma posse, os EUA se retiram desse acordo. No entanto, ele continuou em andamento. Há agora uma expectativa de que os Estados Unidos voltem ao acordo nuclear. Não o fez ainda.

Naquele mesmo ensaio eu digo que há uma grande tendência de que ele volte. Mas, é uma pendência. É um assunto ainda não resolvido. Eles (EUA) fazem uma onda dizendo que tem que rediscutir o acordo. Mas, eles têm que voltar de forma unilateral e, sendo membro do acordo, pode discutir o que quiser.

Aliás, no final de abril houve uma conferência na Áustria, dos seis membros desse acordo. Debateram aplicação e outros assuntos. O Irã mudou o enriquecimento. Quando Trump saiu do acordo, eles aumentaram o enriquecimento do urânio de 3,96, que é o estabelecido no acordo, para 20%. Não tem nada demais, ninguém faz bomba com este índice. Seria preciso 90%. O Irã não tem tecnologia para isto e também não quer fazer a bomba. Apesar de toda a imprensa afirmar o contrário.

Israel tem de 100 a 300 ogivas, ninguém sabe ao certo, porque é clandestino e ninguém fala nada sobre isso. Israel está pressionando para que os Estados Unidos não voltarem. Questiona-se se os Estados Unidos mandam na política externa de Israel ou vice-versa. Tenho livros em inglês que tratam sobre isto. A conclusão é de que Israel manda na política dos EUA. Porque o sionismo lá é muito forte (4). A minha opinião é de que o Biden vai voltar.

Aconteceu um incidente no dia 12 de abril, em que a usina nuclear iraniana de Natanz, a maior do país, sofreu um ataque cibernético de hackers que desligou a central elétrica que fornece energia para a usina. Não apagou o reator, mas apagou a usina, por algumas horas. O Irã acusou que foram hackers israelenses a serviço da Polícia Secreta de Israel, o Mossad.

O Irã sabe o que fala. Nos últimos 10 anos, o país teve cinco cientistas nucleares importantes assassinados por agentes do Mossad. Isto está bem documentado. No dia do ataque, o Irã decidiu elevar o enriquecimento a 60%, que ainda está muito longe dos 90%. Mas, isto é um sinal, dizendo que estão propositalmente, rompendo a cláusula mais importante do acordo, porque os Estados Unidos, unilateralmente, saíram e ainda não voltaram.

Palestina

A terceira e última pendência é a questão palestina. Eu acho que, por exemplo, nas últimas eleições Netanyahu conseguiu eleger só 30 dos 120 deputados, e precisa arrumar mais 31 para formar governo. Acho que não formará. Se ele não conseguir, o direito de formar um novo governo passa para o segundo colocado, que elegeu apenas 17, mas tem muito mais capacidade de chegar aos 61 do que o primeiro.

Biden não vai dizer que tem essa ou aquela preferência. Ele não é tosco como o que se apresenta como nosso presidente, que fez campanha para Donald Trump. O filho ia para os Estados Unidos com boné e camiseta do Trump. Depois das eleições ele chegou a afirmar que houve fraude. Portanto, não reconheceu a vitória do Biden.

Ninguém faz isso. A Merkel, o Makron, jamais dariam uma declaração de apoio explícita. E o Biden não vai fazer isso. Mas, eu tenho convicção de que ele torcerá contra o Netanyahu, que é um sionista, com o qual os católicos têm profundas divergências, mas ele não vai dizer isto. Agora, em política vale a prática ou, usando a famosa frase de Mao Tse-tung: “a prática é o critério da verdade”. Ele, na prática, podia tomar já uma decisão, nos 100 primeiros dias, de iniciativas que ajudassem no processos de paz, que, nos 12 anos de gestão Netanyahu, a palavra processo de paz não foi pronunciada.

A mesa de negociação, que sempre houve, apesar dos conflitos, não existiu nessa gestão. Talvez, o Biden esteja sendo cauteloso e aguardando o resultado do novo governo para tomar uma medida. Esta é uma pendência triste, porque a causa mais justa da humanidade hoje é a do povo palestino. É a mais longa ocupação de um país sobre outro povo, que chamava Palestina, não chama mais. Ela não existe no mapa, só existe Israel. 

E é uma causa justa. E, quem diz isto não sou eu que sou militante da causa palestina há 39 anos, desde 1982. Quem diz isto é o Xi Jinping, presidente de um país de 1,5 bilhão de habitantes, falando para um povo de 15 milhões de pessoas. “A causa mais importante hoje para a humanidade é a causa palestina” disse Xi.

Os graves problemas

Finalizo registrando os dois problemas mais graves na política externa dos Estados Unidos, sob meu ponto de vista, claro, que ofuscam todas as eventuais medidas positivas adotadas por Biden nesses seus primeiros cem dias de governo, porque são questões centrais da política externa.

A governança por sanções

Todas as sanções adotadas pelos EUA nos últimos tempos, desde Bush, são ilegais, unilaterais, não se apoiam no direito internacional, porque não foram aprovadas nos fóruns oficiais das Nações Unidas. Eles usam as sanções por meio de seu poderio econômico o contra o Irã, Cuba, China, Venezuela, Síria e tantos outros países. E não sancionam apenas países. Sancionam empresas, instituições, personalidades, autoridades governamentais dos países sancionados. Bloqueiam contas de pessoas físicas, mas também de bancos desses países. Um verdadeiro absurdo.

Os Estados Unidos compram da China, por ano, 500 bilhões de dólares e só vendem 100 bi. Um déficit enorme, mas eles sancionam. Como diz meu amigo do Canal 247, é como se você tivesse um restaurante e seus maiores clientes fossem os chineses e você os trata mal. Eu não conheço empresário que faça isto.

Aliás, no dia 27 de abril, Paulo Guedes conseguiu em uma frase curta, proferir as duas das maiores ofensas que já foram feitas em dois anos e quatro meses deste desgoverno, tanto pelo próprio que se apresenta como presidente, quanto pelos seus filhos que atacaram a China várias vezes. Mas, Guedes conseguiu ser pior. Ele disse que o vírus foi criado pela China em laboratório e que a Coronavac que 80% dos brasileiros tomam, que o mundo inteiro está usando, não tem nenhuma eficácia. É uma barbaridade.

Emparedamento da Rússia e da China

A segunda questão é a tentativa de Biden de emparedar Rússia e China, elevando ainda mais as tensões que já estão insuportáveis. A pergunta é: será que Biden quer a volta do mundo unipolar? Se quer, não vai conseguir. E, se quiser, será muito ruim. Espero que não o queira. Acompanharemos os desdobramentos de suas atitudes e represálias. As sanções impostas particularmente à Rússia vão dificultar a instalação de um diálogo proposto pelo próprio Biden ao presidente Vladimir Putin. 

Conclusões

Não sabemos para onde pode evoluir as tensões geopolíticas que presenciamos diariamente na mídia. Não sabemos se, em algum momento desse tensionamento, poderá haver diretamente uma guerra, um conflito armado de grandes proporções, em especial entre os EUA e do outro a China, Rússia e seus aliados. Esperamos que não.

O conceituado professor de ciência política de Harvard, Graham Alisson aposta que sim. Em longo estudo que ele produziu, analisando as 12 situações principais existentes desde o século XIV, onde uma nação em desenvolvimento crescia de tal maneira que afrontava a nação hegemônica, em oito deles houve guerras as mais sangrentas e duradouras possíveis. Apenas quatro ficaram sem guerra direta, mas chegaram perto disso (1).

De minha parte, arrisco dizer que caminharemos para um mundo multipolar, ainda cheio de tensões, mas sem um conflito mundial armado nos moldes do que foram as duas grandes guerras. Arrisco uma aposta na consolidação de um mundo com vários polos de poder regional e sem guerras, com ampla liberdade de comércio. Para isso, os EUA teriam que recuar em suas pretensões hegemônicas. Teriam que desmontar todas as suas bases militares. Poderá demorar muito? Sim, mas chegaremos lá. 

Nota

1. Recomendo a leitura necessária a quem estuda geopolítica mundial do excelente livro Destined for war: can America and China escape Thucydides’s trap? Editado pela Marines Book, Houghton Mifflin Harcourt de Boston, New York, com 364 páginas.
* Sociólogo, professor universitário (aposentado) de Sociologia e Ciência Política, escritor e autor de 14 livros, é também pesquisador e ensaísta. Atualmente exerce a função de analista internacional, sendo comentarista da TV dos Trabalhadores, da TV 247, da TV DCM, dos canais Outro lado da notícia, Iaras & Pagus, Rogério Matuck, Contraponto, Democracia no ar, Conexões, todos por streaming no YouTube. Publica artigos e ensaios nos portais Vermelho, Grabois, Brasil 247, DCM, Outro lado da notícia, Vozes Livres, Oriente Mídia e Vai Ali. Agradeço à Ademir Munhóz pelo trabalho de transcrição de meus programas internacionais (ademir@piracaihoje.com.br). Todos os meus livros podem ser adquiridos na Editora Apparte no endereço: www.apparteditora.com.br e as compras podem ser parceladas em até seis vezes sem juros. O meu site pessoal é www.lejeune.com.br, onde estão todos os meus artigos, a maioria de política internacional e também política nacional e Sociologia brasileira. Recebo e-mails no endereço: lejeunemgxc@uol.com.br. Meu Zap é +5519981693145. Meus endereços nas redes sociais são: Facebook: www.facebook.com/lejeune.mirhan; Instagram: @lejeunemirhan; Twitter: @lejeunemirhan; Youtube: lejeunemirhan; VK: Lejeune Mirhan (vk.com).

Notas:

1. O presidente Emmanuel Macron instituiu o dia 24 de abril como “Dia da Evocação do Genocídio Armênio”, em 2019, irritando a Turquia.

2. Estou pesquisando a migração assíria, para um livro que já está bem adiantado: A imigração assíria para o Brasil, especialmente para Corumbá, minha terra. Foram em torno de 100 imigrantes, que tiveram 155 filhos nascidos em Corumbá, que geraram 350 netos. Só em torno de 50 continuam vivos e eu entrevistei 30 deles, mas pouco sabem dessa história de seus pais. A maioria dos netos também não sabe. Alguns se dizem árabes. Nós fomos arabizados. Somos uma etnia dentro da Síria, que o governo reconhece. Falamos o árabe porque nossa língua original era o aramaico que não é mais uma língua corrente;

3. Este meu texto pode ser lido neste endereço: <https://bit.ly/35XT1jS>.

4. Me refiro ao livro  intitulado The Israel Lobby, escrito por John J. Mearsheimer & Stephen M. Walt, editado pela Farrar, Straus and Giroux de New York em 2006, com 484 páginas.

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Sem conexão com Manhattan - Jeová Silva Santana

Por Jeová Silva Santana

Já fui, um dia, assinante da Veja. Ó leitor, meu semelhante, meu igual, dá-me o desconto dos vinte e poucos anos. Havia um professor na minha cidade que considerava a revista o suprassumo da arte de escrever e recomendava seus textos para os alunos nas aulas de redação. Destacava, sobretudo, a página final com o ensaio de Roberto Pompeu de Toledo.

Meu namoro acabou depois da famigerada capa “Cazuza uma vítima da Aids agoniza em praça pública” (1989).  Cheio de brios juvenis, mandei uma carta furibunda à redação. Minha veemência ganhou a lata de lixo. Não a da história, mas a da sala de algum editor. A assinatura foi-se. Ainda guardo alguns exemplares. Afinal, o papel, mesmo velho, é lindo. Ainda mais com Chico Buarque, nas páginas amarelas, onde ficavam as entrevistas, a dizer que “música com política aborrece”.

Diogo Mainardi fazia parte da equipe. Dele ficaram-me apenas dois textos. O primeiro, uma crítica ao romance Benjamin, de Chico Buarque (1995), que ele considerou, contrariando a ressonância da maioria dos críticos, uma “roleta-russa com balas de festim”. O segundo, uma crítica à mania que nós, brasileiros, temos de exaltar a palavra saudade, proclamando que ela só existe em língua portuguesa; a representante única, entre todos os países, para o sentimento causado pela distância. Ele escreveu que havia palavras mais interessantes, como “peteleco”. Não me lembro se incluiu “pereba” em sua lista.

A vida seguiu, a revista saiu das minhas prioridades de leitura. Muitos anos depois, quando ouvi falar em Diogo Mainardi, sua condição era outra:  morador em Veneza e integrante do programa Manhattan Connection, que teve em Paulo Francis sua maior referência, na fase em que ele se tornara personagem de si mesmo. 

Sempre achei estranho aquele grupo álacre e fagueiro, tão longe, de nós distante, sempre receptivo à realidade americana e falando dos males do Brasil. Não nos esqueçamos que Paulo Francis assinava para a Folha de São Paulo uma coluna intitulada “Diário da corte”. Lembro-me que usava a palavra Jeca como definição preferida para José Sarney e seu governo.

Recentemente, como atestado da indigência por que passa o Brasil, Diogo Mainardi virou notícia pela forma com que tratou Fernando Haddad e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, no programa que já esteve na grade da GNT e da Globo News e, este ano, integra a da TV Cultura. Não vou entrar em detalhes sobre os dois episódios amplamente divulgados. O segundo, no entanto, teve uma ressonância bem maior, pois nele aconteceu uma cena “nunca dantes vista na história desse país” no tocante à   postura de um entrevistador na TV. Agindo como um moleque no recreio ou um tresloucado torcedor de futebol, Diogo foi capaz de superar Orestes Quércia, quando proporcionou, em 1994, na condição de entrevistado, a famosa treta com o jornalista Rui Xavier, no programa Roda Viva, por conta de ser um dos candidatos  nas eleições presidenciais daquele ano.

 O ex-mandatário de São Paulo, incomodado com a pergunta sobre seu enriquecimento ilícito, perdeu as estribeiras e atacou o jornalista, nos sete minutos da resposta, até onde pude contar, com essa sequência: mentiroso (13 vezes); caluniador (15); safado (16), canalha (13), malandro (5) e mistificador (1). Ainda temperou tudo com dois “cala a boca! ”.  O desespero do âncora, Heródoto Barbeiro, para conter a tempestade verbal do “doutor Quércia” também merece constar na ata dessas frias memórias.

Não sei se haverá alguma providência por parte da direção da emissora que um dia foi Cultura, contra o “vá tomar no c*”, retirado, como disse o boquirroto Mainardi, da etiqueta de Olavo de Carvalho, o maluco sem beleza. Uma emissora que, em tempos idos, deu uma contribuição substancial na perspectiva de negar que, em nome do Ibope, tudo deva ser regido pela apologia à imbecilidade, tem a oportunidade de se acertar.  

Diogo Mainardi engordou o discurso que ajudou o Brasil a chegar onde se encontra. Agora quer se desvencilhar dele. É tarde. Sua grosseria está em conexão com tudo de ruim que nos apavora nos dias que correm. Não precisamos, como Drummond, “dinamitar a ilha de Manhattan”, mas podemos, em relação ao programa, não lhe dar Ibope enquanto tal indivíduo figurar nele com sua baba raivosa. Ali tudo vai bem, desde que o convidado não resolva tirar do pedestal o que restou do ex-juiz fã de “Edith Piá”, um dos artificies para a balbúrdia que ora reina no país da gripezinha. Essa opção jornalística, convenhamos, não tem o valor de uma pipoca. 

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Generais querem fazer política, atacar a esquerda, mas não aceitam a democracia e o Estado de Direito - Davis Sena Filho

Por Davis Sena Filho

Por Davis Sena Filho

Aventureiros que são e com tradição histórica de intervir no processo eleitoral e político-partidário do País eternamente escravocrata, os militares brasileiros jamais aceitaram cumprir "apenas" com o que determina a Constituição de 1988, no que concerne às obrigações e responsabilidades dos militares, notadamente os oficiais de alto escalão, que compõem as forças armadas mais elitistas, preconceituosas, sectárias e politicamente arrivistas do mundo ocidental.

A verdade é que os oficiais que governam as corporações militares  se comportam como se estivessem sempre em modo "golpista" mesmo em tempos democráticos, de maneira a só aceitar no poder central presidentes de direita e agora de extrema direita, cuja geração de generais, a pior e a mais incompetente de todos os tempos, tomou conta do poder central, de forma oportunista, quando percebeu que o tenente Jair Bolsonaro, aposentado como capitão, além de ser um dos piores oficiais em todos os sentidos da história do Exército, teria chance de ser eleito presidente da República.

Realidade esta somente possível com a prisão de seu principal concorrente, Luiz Inácio Lula da Silva, por intermédio de um juizeco capcioso, sem-vergonha e autor de incontáveis crimes para que Lula não pudesse vencer as eleições de 2018.  Os militares sabem disso? Claro que sabem, pois não são idiotas e sim espertos. Eles são apenas de direita e odiaram, como toda a classe média branca e os ricos deste País azarado, infeliz e fracassado, ver a pequena ascensão dos pobres e a influência diplomática do Brasil em termos mundiais.

Alguma novidade sobre o comportamento dos fardados? Evidente que não! Afinal a guarda pretoriana da burguesia e do mercado de capitais quer, na verdade, o Brasil a reboque dos interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos, pois desejam que o País seja apenas simplório e eterno  fazendão continental, como também querem a mesma coisa os capitalistas de fancaria do Brasil.

A verdade é que os militares, com poucas exceções, jamais foram nacionalistas e desenvolvimentistas, a termos como provas reais e históricas o ódio que sentiram e sentem com todas as forças pelos políticos com tais perfis, a exemplo de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O que esses presidentes tinham em comum, apesar das diferenças entre eles? Eram populares, nacionalistas, trabalhistas ou de esquerda. Eram, sobretudo, lideranças nacionalistas, que defendiam a soberania do País e sua independência tecnológica, comercial, industrial e de interesses próprios, a exemplo da geopolítica, a terem como base também a formação de blocos econômicos e até militares.  

Todos os presidentes nacionalistas, trabalhistas ou de esquerda pagaram muito caro por causa de seus projetos de País e programas de governo, que incluíam o povo no orçamento da União. Tratam-se de valências que os militares e a burguesia nativa não tem e nunca tiveram, porque se negam, definitivamente, a pensar o Brasil.

Todos os mandatários progressistas foram depostos pelo status quo burguês no decorrer da história, com a exceção de Lula, que, antes de concorrer às eleições de 2018, foi injustamente preso por um juiz delinquente e seu bando de malfeitores da Lava Jato. Logo após a vitória eleitoral do fascista Bolsonaro, o Marreco de Maringá, vulgo Sérgio Moro, ocupou o cargo de ministro da Justiça. Um verdadeiro escândalo, assim como uma bofetada na cara daqueles que tem pelo menos dois neurônios para raciocinar e perceber o golpe do golpe, porque já se compreende que para eleger o candidato que tem o apelido de Bozo foram necessários dois golpes contra o PT e seus milhões de eleitores, que são brasileiros, a seguir: deposição de Dilma e cárcere de Lula.

Volto a repetir e relembrar. Todos os presidentes progressistas sofreram muito nas mãos do establishment, do qual fazem parte as forças armadas brasileiras e latino-americanas, que cometem intervenções criminosas na política e na democracia, e, com efeito, rasgam as constituições garantidoras de direitos e, por sua vez, tratam o Estado Democrático de Direito a pontapés. Nada deixa mais indignados os militares de almas reacionárias do que os movimentos sociais, sindicatos, associações de estudantes, ongs e minorias, dentre outras organizações da sociedade civil.

E é por causa de suas escolas e doutrinações que essa gente fardada trata a sociedade civil organizada e seus diversos segmentos e setores como inimigos internos, como fizeram nos idos da ditadura militar e o fazem agora em pleno governo militarista e de extrema direita liderado pelo extremista Jair Bolsonaro, que é tratado pela comunidade internacional como pária, além de algo bizarro e tosco.       

A verdade é que os militares tem lado, militam no campo da direita e da extrema direita e são, como asseverei, elitistas e sectários, assim como estão sempre dispostos a fazer campanhas insidiosas, a exemplo dos atuais generais entreguistas que militam, vergonhosamente, nas redes sociais, mesmo a serem da ativa, a se contraporem a seus regulamentos e estatutos, pois se sentem impunes tais quais ao grande empresariado, os policiais, juízes e procuradores quando incorrem em erros graves e ilegalidades. Afrontam seus regulamentos e fica tudo por isso mesmo no País da bagunça e brutalmente injusto e desigual. É na bagunça e na desorganização (deliberadas) que as "elites" ganham mais dinheiro... E é o que acontece por meio do desgoverno militarista de Bolsonaro.

Dessa forma e a simbolizá-los como um dos patrocinadores da volta ao poder dos militares após 30 anos da promulgação da Constituição Cidadã, aponta-se para o general radical de direita Eduardo Villas Bôas, que ameaçou até o STF e o TSE quando do julgamento de Lula quanto às eleições presidenciais e sua soltura da masmorra de Curitiba. Lula foi sequestrado pelo estado brasileiro, que um dia terá de dar satisfação e pagar a conta, porque a história já condenou a quadrilha da Lava Jato e todos aqueles que a circundavam.

Porém, a cúpula militar apostou antes no golpe praticado pelos golpistas do Congresso, vulgo Centrão, que derrubou do poder a presidente honesta Dilma Rousseff, assim como os militares perceberam, juntamente com o status quo civil, que a equação não fechava, quando passaram a apoiar imediatamente o encarceramento covarde e injusto de Lula. Afinal, golpear Dilma sem prender o Lula não seria possível dar continuidade ao governo do usurpador e traidor Michel Temer, aquele marginal que liderou um golpe de estado e deu início ao desmonte do Estado nacional.

E não ficou por aí, o sujeito Amigo da Onça praticamente extinguiu as leis trabalhistas, além de inúmeros outros direitos e garantia dos trabalhadores, a dar início também à extinção de quase todos os programas de inclusão social existentes no Brasil e garantidos pelo Estado. Não é à toa que, posteriormente, Jair Bolsonaro afirmou que iria tomar o Estado do povo brasileiro. O disse várias vezes, inclusive nos EUA para seu chefe imediato, o direitista e ultraliberal Donald Trump, que depois perdeu as eleições e tomou um inesquecível pontapé no traseiro por parte do povo norte-americano.

E Bolsonaro, com o apoio dos militares privatistas(?), está a caminhar em direção ao desmonte do Estado, em um País que tem dezenas de milhões de pobres e que retornou ao mapa da fome. O que mais me incomoda é a cumplicidade dos militares com esse estado de coisas, como se eles fossem filhos de berços ricos ou esplêndidos, quando a verdade é que são oriundos da classe média e muitos deles vieram das camadas sociais mais baixas.

Um verdadeiro acinte e desfaçatez terem essa visão preconceituosa e elitista do mundo, quando na verdade são de classe média, prestadores de concursos quando jovens e, com o tempo, até atingirem o generalato, tornam-se servidores públicos pagos regiamente pelo contribuinte, mas arrogantes, prepotentes e de pensamentos e condutas coloniais perante a população e a sociedade organizada. Chega a ser um deboche! É isto mesmo, cara pálida, o Brasil tem generais da ativa partidários e privatistas. É mole ou quer mais?

Comportam-se como se fossem a reserva moral do País, bem como querem passar a impressão que são sábios e inteligentes, porque muitos desses milicos que viveram a vida toda dentro de uma redoma de cristal, juntamente com seus exercícios de guerra para fazerem alguma coisa produtiva em suas vidas, reportam-se à sociedade civil em todas suas áreas e segmentos, desde as mais simples às mais complexas, como se fossem os verdadeiros suprassumos da humanidade. E estão longe disso.

É o fim da picada. E por quê? Porque a realidade é que os militares causam grande desconfiança de parte grande e diversificada à população e seus incontáveis segmentos, não somente porque deixaram o poder maior da República de maneira desmoralizada e a causar repulsa à sociedade pelos 21 anos de ditadura, sendo que agora estão a aparelhar o Estado nacional, como o fazem agora no desgoverno do presidente fascista, Jair Bolsonaro, com cerca de oito mil militares a ocuparem cargos civis no Governo Federal. Nem na ditadura se viu isso.

Entretanto, não será mais possível aos militares quando saírem do poder acusar com propósito de denúncia os mandatários progressistas quando assumirem o poder, afinal nunca os governos do PT e os governos anteriores colocaram tantos militares em milhares de cargos, em um verdadeiro e inquestionável aparelhamento do Estado nacional. Uma boquinha e tanto, sem, contudo, um único projeto de País para o povo brasileiro, mas sim para os ricos e os muitos ricos, porque, sem sombra de dúvida, os militares de Bolsonaro governam para os ricos. Basta ver o que o ministro da Economia Paulo Guedes faz. Ponto!

Alguém pode perguntar ao articulista: "Davis, os militares são tão partidários e ideológicos assim?" Respondo: Certamente. Sem dúvida. Tratam-se das forças armadas sem guerras há muito tempo. Então a diversão é encher o saco da sociedade civil e interferir em assuntos que não lhes dizem respeito, conforme a Constituição — a Lei!

Os militares querem mandar, pois devem considerar a vida militar enfadonha, um verdadeiro chá de tédio e monotonia, após anos de exercícios militares, muitas festas e concessões de medalhas e diplomas entre eles. Deve ser isso e, consequentemente, resolvem participar da vida política do País, mas de modo a intervir no processo democrático e até eleitoral, como ocorreu no ano de 2018, bem como ano do golpe contra Dilma Roussef em 2016, além de irem em peso aos "protestos" contra a corrupção ou seja lá o que for.  

Os militares são contra a corrupção, mas são integrantes, aos milhares, do governo Bolsonaro. É mole ou quer mais? São contra a corrupção, mas dependem do Centrão para terem aprovados as maldades em forma de projetos do governo mais ditatorial e antipovo dos últimos 35 anos. Apoiam, ipsis litteris, ações danosas contra o meio ambiente. Se não apoiam, amenizam, como o faz o vice-presidente Hamilton Mourão. O general Augusto Heleno nem cito, como, por exemplo, sua atuação lamentável e violenta no Haiti. Se dizem a favor da Constituição e da legalidade, mas o ministro da Defesa, Braga Netto, faz ameaças à democracia e ao STF nas casernas de Exército, Aeronáutica e Marinha.

Consideram-se os varões de Plutarco, mas são também responsáveis pelas mais de 400 mil mortes no País, em apoio a um desgoverno extremista que sabotou e ainda sabota o combate à pandemia do Novo Coronavírus — Covid-19 —, ao ponto de Bolsonaro e sua administração fracassada em todos os segmentos e setores de atividade humana serem personagens negativos dos jornais e mídias mais importantes do mundo, além de serem tratados como párias, realidades e fatos acontecidos nas inúmeras reuniões de cúpulas entre os países. O governo militarista realmente não é bem-vindo, assim como os péssimos índices sociais e econômicos, os piores dos últimos 30 anos. Trata-se do verdadeiro fracasso retumbante!    

Por que eu escrevi tudo isto até agora? Respondo: "É porque levantamento realizado em 115 contas de militares ligados ao general Villas Bôas, nas redes sociais, mostrou que foram realizados 3.427 tuítes com propósitos ideológicos e político-partidários. De acordo com a imprensa, tais postagens aconteceram entre abril de 2018 e abril de 2020, em explícito apoio ao governo Bolsonaro. As postagens, conforme o jornal O Estado de São Paulo, foram divulgadas por 82 militares das Forças Armadas, sendo que 22 são generais, sendo que 19 generais, dois brigadeiros e dois almirantes.

De acordo com o que eu afirmei acima, os militares da ativa são proibidos de fazer política. Aliás, fazer política e usar farda ou toga é o fim da picada, além de covardia, porque o servidor público faz uso do cargo e, com efeito, aproveita-se do poder de sua instituição ou corporação. É dessa forma que se dá o Lawfare, quando o agente público resolve inadvertidamente e ilegalmente fazer política, ou pior: intervir no processo democrático e eleitoral, como fizeram os delinquentes da Lava Jato.

Não sei o que é pior, se é o ativismo político dos militares ou dos juízes, procuradores e delegados. Se essa gente quer fazer política partidária para mandar no mundo civil e assumir o poder político que entre em um partido e concorra às eleições, ora bolas! O que acontece com esse País? Primeiro é o Partido da Imprensa, depois o Partido dos Juízes e Procuradores, e agora o Partido dos Militares.

A verdade é que essa realidade tem de ter fim. Ou os generais assumam que são agentes políticos sendo da ativa ou deem um fim nisso, a ter como exemplo positivo e leal à Constituição o comandante militar norte-americano que deixou claro a Donald Trump que ele é a força que representa não se evolveriam com a política e muito menos com partidarismo.

Explico melhor. O general Mark Millei, o oficial mais alto na hierarquia das forças dos EUA, afirmou o seguinte quando Trump tentou envolvê-lo politicamente: “Fazemos juramento à Constituição. Cada soldado (…) vai defender esse documento, independentemente do preço que tenhamos que pagar”.

Não é um ótimo exemplo para os generais do Brasil, que tanto admiram os EUA quando se trata de cooperar com geopolítica e admirar suas guerras e odiar os políticos trabalhistas brasileiros? Não seria uma boa ter o general Mark Millei como exemplo ao invés de os generais de índoles golpistas e que militam politicamente e partidariamente nos quartéis contra o processo democrático e eleitoral, a atacar o Supremo, o Congresso e os movimentos dos trabalhadores em todos os âmbitos e setores?  

Porque não é possível que o Brasil tenha ainda em suas fileiras generais e coronéis que vivem em um mundo paralelo e que se recusam a sair da antiga guerra fria por causa de seus preconceitos políticos e ideológicos aprendidos nos quartéis e em suas escolas de ensinos mais do que anacrônicos, a transformá-los em verdadeiros dinossauros, além de lamentavelmente analfabetos políticos, pois se não o fossem não diriam tantas barbaridades em público acerca das questões brasileiras e suas realidades.

Os comandantes das forças armadas tinham que se profissionalizar e se submeter à Constituição e ao mandatário eleito pela Nação — pelo povo brasileiro. Fora disso é golpismo e golpe é crime, com punições que podem levar à cadeia e à expulsão das armas. Militar não tem autonomia, pois se trata do braço armado da Nação, que o fiscaliza e o pune se for necessário.

Se o militar não aceita se subordinar aos dogmas e estatutos, que deixe a força e vai fazer política para se eleger e, dessa maneira legal, mandar. Do contrário, a Lei está aí para lembrá-lo de sua responsabilidade e obediência devida aos poderes estabelecidos pela Constituição.

Há muito tempo digo que algo está errado nas escolas militares. Não é mais possível militar fazer política e agredir, até com palavras de baixo calão, as pessoas que eles consideram inimigas. É o fim da picada! Que dificuldade os militares brasileiros tem para cuidar de suas vidas profissionais, parar de se meter em política e intervir nos poderes constituídos. Se gostam tanto de americanos porque não imitam os militares dos EUA? Aí não, né...

Enquanto isso, o Ministério da Defesa informa que as forças armadas tem cartilhas e manuais que normatizam e orientam os militares sobre suas condutas e ações nas mídias sociais. Até agora só os praças foram punidos, mas os oficiais continuam em seus paraísos de impunidades, pois são tratados como intocáveis. Até parecem tucanos em relação à Justiça, uai!

A verdade é que os militares brasileiros não aprendem nem com o passado e nem com o presente, sendo que o futuro não importa, conforme se percebe por meio do desmonte do estado brasileiro. Os militares entraram equivocadamente na política e irão sair dela novamente pelas portas dos fundos e marcados por participarem do pior governo dos últimos 40 anos. Vejam o exemplo da pandemia. Militar no poder é sinal de autoritarismo, combate aos direitos dos trabalhadores e concentração de renda e riqueza.

É isso aí.

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Biden barra sucesso diplomático Lula-Putin pela Sputnik - César Fonseca

Por César Fonseca

Governadores reivindicam Sputnik

Embaixada americana, segundo fontes petistas, teria articulado com Planalto para frustrar encontro diplomático entre Lula e Alexey Labetskiy, embaixador russo, objetivando negociação pela vacina Sputnik; esta se transformou em alvo de ataque preferencial do presidente Biden, para favorecer vacinas americanas, no Brasil e na América Latina; ousadamente, o ex-presidente, já em campanha eleitoral, no contexto da guerra da vacina EUA-Rússia, impacta o ambiente político no momento em que CPI do Genocídio começa seus trabalhos, para investigar desastre sanitário produzido pelo governo Bolsonaro, com mais de 400 mil mortes, cujas consequências podem desembocar no impeachment bolsonarista.

Pressão na CPI

Nessa cruzada, Lula conta com apoio de governadores e prefeitos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, super-pressionados pela população, apavorada com escassez da oferta da Coronavac chinesa, que já leva governo cancelar segunda dose dela em diversas capitais brasileiras. Em pânico diante do ataque geopolítico americano, que consegue manter proibida a Sputnik e incerta a oferta da Coronavac, executivos estaduais e municipais vão para cima da CPI em busca de socorro; Lula buscou contraponto ao comportamento de Bolsonaro, rendido à geopolítica de Washington, cuja determinação, na pandemia, é boicotar as vacinas russa e chinesa, ameaças às concorrentes anglo-saxônicas no mercado global. Em seu movimento, politicamente, explosivo, em Brasília, nessa semana, Lula se transforma no centro da disputa geopolítica entre Biden-Putin na guerra da vacina.

Ressurreição dos Brics

A combinação de Lula com russos é, por sua vez, sinal claro de que se disputar e ganhar a presidência da República, em 2022, possivelmente, polarizando com Bolsonaro, reanimará a geopolítica dos Brics,  considerada inimiga pelos Estados Unidos; Biden atua, decisivamente, para inviabilizar relações Brasil e Rússia, com a qual os Estados Unidos travam briga de vida e morte, no plano geopolítico; política externa brasileira sob eventual novo governo Lula fortaleceria estratégia tocada em parceria entre Xi Jiping, China, e Wladimir  Putin, Rússia; o objetivo de ambos é conhecido: ampliar, por meio dos Brics, as fronteiras econômicas da Eurásia, ao longo do século 21; essa é grande preocupação de Tio Sam, temeroso em ver união Rússia-China a exercer profunda atração na União Europeia, levando-a descolar-se de Washington, empenhado em melar relações Moscou-Berlim, para construção do maior gasoduto do mundo entre Rússia e Alemanha, na junção dos mares Negro e  Báltico; nesse contexto, o fortalecimento dos Brics é alvo fundamental de Lula, enquanto Bolsonaro trabalha, com Washington, para inviabilizá-lo; aumenta o temor dos americanos na disputa internacional, especialmente, diante da aliança  Moscou-Pequim, disposta em atrair Brasil para sua geopolítica conjunta.

Centrão na expectativa do impeachment

O esforço de Biden, principalmente, na tarefa de conquistar a Amazônia, é impedir geopolítica latino-americana que leve à aproximação com China e Rússia. A reanimação dos Brics, cuja criação teve dedo decisivo da geopolítica de Lula, agora, projetando-a para um futuro incerto em meio à pandemia, cresce como estratégia da esquerda, PT e aliados; trata-se de enterrar o mais rapidamente possível o neoliberalismo imposto ao Brasil com o golpe de 2016; a paralisia que provoca no consumo e na produção, responsável pela expansão incontrolável do desemprego, fortalece candidatura Lula e joga para baixo a de Bolsonaro; se Lula ataca a jugular do governo bolsonarista, o desemprego, ao defender o auxílio emergencial de R$ 600, que caiu para R$ 150, sob Bolsonaro, e busca a vacina, aproximando-se de Putin, pode virar alvo do Centrão; os centristas estão de olho no desgaste produzido pela CPI sobre presidente negacionista; o líder deles, deputado Arthur Lira(PP-AL), resistente em colocar em pauta, na Câmara, o impeachment, já fala que este depende das circunstâncias; nesse contexto, a candidatura Bolsonaro vê abrir-se sob seus pés a cova na qual pode ser enterrada, se ele for impichado.

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“Apóstolos do Genocídio”: projeções e lambe-lambes expõem empresários que apoiam Bolsonaro

Fórum - Na noite deste domingo (2), moradores da região central da capital paulista puderam observar uma projeção gigante em um prédio com a frase “Apóstolos do genocídio”. Junto à frase, foram projetadas fotos e nomes de empresários que apoiam o governo de Jair Bolsonaro.

Recentemente, o presidente se reuniu com dois grupos de nomes do meio empresarial, um composto por homens e outro por mulheres. Alguns deles, inclusive, aparecem na ação que os classifica como “apóstolos do genocídio”.

Os 12 Apóstolos do Genocídio denunciados pelo grupo são André Esteves (BTG Pactual); Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein), Alberto Saraiva (Habib’s), Paulo Skaf (Fiesp), Edir Macedo (Universal do Reino de Deus), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Flavio Rocha (Riachuelo), Tutinha Carvalho (Joven Pan), David Safra (Safra), Carlos Sanches (EMS), Rubens Meni (CNN) e Silas Malafaia (Assembleia de Deus).

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Não há a menor chance de o PDT apoiar essa direita que se diz centro, diz Carlos Lupi | Revista Fórum

Presidente do PDT negou que Ciro Gomes participaria de unidade com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) nas próximas eleições

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, nesta segunda-feira (3), o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que não há possibilidade do partido se aliar a candidatos da direita nas próximas eleições. O comentário foi feito após ele ser questionado sobre fala do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que afirmou que poderia buscar unidade com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial.

“Não há essa hipótese. Há zero de chance. O PDT e Ciro Gomes jamais apoiará essa direita mais erudita, mais educada, mas que é direita”, disse Lupi. “Eu tenho o maior respeito pelo Tasso. A relação [dele com Ciro] é pessoal, fraternal, mas não passa isso. Nós teremos Ciro como candidato à presidência da República”, completou.

A declaração de Tasso ocorreu em conversa virtual no grupo chamado “Derrubando Muros”, na sexta-feira (30). Ele também admitiu em entrevista recente que pretende disputar prévias no PSDB para 2022. Porém, segundo o senador, seria inconcebível que o Ceará tivesse dois candidatos à sucessão do presidente Jair Bolsonaro.

O programa Fórum Onze e Meia iniciou uma série de entrevistas com presidentes de partidos progressistas. Depois da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e Carlos Lupi, o programa entrevista Carlos Siqueira, presidente do PSB, na terça-feira (4).

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Repressão policial na Colômbia assassinou 27 pessoas durante protestos contra reforma tributária

A repressão policial na Colômbia, governada pela extrema-direita, deixou 27 mortos durante os protestos dos últimos dias

(Foto: Luisa Gonzales/Reuters)

247 - A direção da greve e das manifestações populares na Colômbia em protesto contra a reforma tributária do governo de extrema direita denunciou que 27 pessoas foram assassinadas pela repressão policial.

Os dirigentes asseguraram que apesar da retirada do projeto de lei, os protestos continuarão, agora contra a militarização. 

O Comité Nacional da Greve da Colômbia denuncia que a repressão por parte das forças de segurança durante as manifestações contra a reforma tributária deixou um saldo provisório de 27 mortos e unos 124 feridos.

Em um balanço que inclui o período de 28 de abril a 2 de maio, a entidade informou que foram registrados 1.089 casos de violência policial e 27 manifestantes assassinados, 12 deles em Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, no sudoeste do país.

No entanto, esse saldo é provisório, pois a repressão continuou na noite de segunda-feira em vários setores de Cali, especialmente em Siloé, onde organizações humanitárias relataram a morte de pelo menos duas pessoas.

O Comitê Nacional de Desemprego acrescentou em seu relatório que, dos feridos, 13 sofreram lesões oculares. Também foram denunciados seis atos de violência sexual, 726 detenções arbitrárias e 45 defensores de direitos humanos limitados no exercício de suas funções.

Os dirigentes da greve asseguraram que, apesar de o presidente Iván Duque ter retirado o polêmico projeto de reforma tributária, as medidas de protesto continuarão contra a militarização das cidades.

Exigem também a retirada da reforma sanitária, o desmantelamento do Esquadrão Móvel Antimotim (Esmad) da Polícia Nacional, responsável por inúmeros abusos de poder, e a vacinação massiva contra a Covid-19, entre outras demandas.

Para esta quarta-feira, 5 de maio, foi convocado um novo dia nacional de protestos, no qual participarão diferentes plataformas sociais e centrais de trabalhadores. 

Na noite de segunda-feira, o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia denunciou em sua conta no Twitter que vários membros da comissão receberam ameaças e ataques na cidade de Cali, informa a Telesul.

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Pochmann: enquanto a fome se alastra, número de bilionários no Brasil salta de 31 em 2016 para 65 em 2021

Economista Marcio Pochmann ressalta que enquanto o Brasil mais que dobrou o número de pessoas com pelo menos US$ 1 bilhão em fortuna em apenas cinco anos, o PIB nacional regrediu do 9º para o 12º lugar no ranking das maiores economias do mundo e o país voltou a figurar no mapa da fome da ONU

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | ABr | Divulgação)

247 - O economista Marcio Pochmann observa que enquanto o Brasil mais que dobrou o número de pessoas com pelo menos US$ 1 bilhão em fortuna, passando de 31, em 2016, para 65, em 2021, o PIB nacional regrediu do 9o para o 12o lugar no ranking das maiores economias mundiais e o país voltou a figurar no mapa da fome da ONU. Para ele, “o Brasil assumiu a singularidade internacional de mesmo regredindo a geração de riqueza, conseguir aumentar o número de bilionários”.  

Leia a íntegra da análise de Marcio Pochmann (publicado originalmente no site Outras Palavras). 

O que acontece atualmente com o capitalismo brasileiro? Uma pergunta ausente de respostas da maioria dos analistas que se propõem a acompanhar a situação econômica, política e social do país. O impasse do capitalismo brasileiro pode ser encontrado na disjuntiva de criar riqueza nova ou de abraçar a riqueza velha na forma do dinheiro e títulos de propriedade financeira.

Segundo a Revista Forbes, que monitora a evolução dos ricos no mundo, o Brasil mais que dobrou o número de pessoas com pelo menos US$ 1 bilhão em fortuna, passando de 31, em 2016, para 65, em 2021 (110%). Com isso, a participação dos ricos do Brasil no total de bilionários do mundo saltou de 1,7% em 2016, para 2,4% em 2021.

Para o conjunto da economia brasileira, contudo, a trajetória no período recente tem sido justamente a inversa, regredindo do 9o para o 12o lugar no ranking dos maiores PIB do mundo. Se comparada com a evolução da riqueza global, a participação do Brasil regrediu 33,3%, pois deixou de representar 2,4% do PIB mundial (posição em 2016), para assumir, em 2020, apenas 1,6%.

Também se confirma o comportamento de queda no indicador do PIB por habitante. Na lista de 195 países, o Brasil se encontrava na 85a posição em 2020, ao passo que há seis anos estava na 76a posição, segundo as estatísticas do Fundo Monetário Internacional.

Tudo isso porque a soma anual de toda a riqueza dos brasileiros, contabilizada pelo Produto Interno Bruto (PIB), acumulou o decréscimo de 3,8% entre 2016 e 2020, segundo o IBGE. Para o mesmo período de tempo, o PIB per capita do Brasil acumulou decrescimento de 7,5%.

Também entre 2016 e 2020, a economia global que acumulou crescimento do PIB em 10,7%, registrou o aumento do número de bilionários em 52,2%. Já a China, com elevação do PIB em 31,3%, viu subir a quantidade de bilionários em 295%.

Em síntese, o Brasil assumiu a singularidade internacional de mesmo regredindo a geração de riqueza, conseguir aumentar o número de bilionários. Exemplo inequívoco da trajetória do capitalismo em declínio, cujo subdesenvolvimento acelerado se reproduz no abraço à riqueza velha, em vez da geração de riqueza nova.

O colapso na acumulação de capital no país tem resultado cada vez mais no avanço do conservadorismo das classes dominantes. O abandono do comportamento de espírito animal (animal spirits), conforme denominado por J. M. Keynes, no seu clássico livro de 1936 (A teoria geral do emprego, do juro e da moeda), parece se expressar melhor na desistência histórica praticada por capitalistas atualmente no país.

Sem a confiança futura na obtenção de lucros crescentes nas atividades produtivas, o protagonismo empreendedor em busca da inovação na produção e da quebra da rotina dos processos organizacionais desaparece. Em realidade, dá lugar ao amor preguiçoso do dinheiro fácil.

A perda do sentido pela eficiência marginal do capital tem sido perseguida pela preferência da liquidez. Ou seja, o dinheiro líquido que resulta da transmutação da propriedade imóvel (agropecuária e industrial) para a propriedade móvel (ativos financeiros).

A aplicação do receituário neoliberal constitui parte integrante fundamental da engrenagem, desviando o ímpeto progressista materializado pela geração de riqueza nova para a prática conservadora das juras de amor ao dinheiro consagrado pelo abraço dos capitalistas ao estoque da riqueza velha. O fiscalismo desvairado que se alia à lógica da financeirização, valorizando a riqueza pregressa de quem a tem, erigiu um enorme muro de contenção que impede o retorno do vigor econômico que demarca o capitalismo desde o seu nascimento no Brasil, ainda no final do século XIX.

A regressão no padrão de vida do conjunto dos brasileiros pode ser contrastada somente pela expansão do número de ricos associada ao curso de uma verdadeira economia da despossessão. O exercício da acumulação por despossessão da maior parte dos brasileiros tem sido uma prática imposta pelo golpe de 2016 que restabeleceu o poder de classe aos minoritários habitantes do andar de cima do transatlântico correspondente à dimensão econômica do Brasil no mundo.

O amor ao dinheiro fácil que desmobiliza a riqueza nova passou também a regredir o estoque da riqueza velha, conforme verificado mais recentemente. Nesse sentido, parece indicar o abraço dos afogados no mar do capitalismo em que navega o transatlântico brasileiro.

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Liberdade de imprensa vira refém do jornalismo populista

Está em cartaz a maior campanha contra a liberdade de expressão já vista no país

(Foto: Reprodução)

ConJur - Está em cartaz a maior campanha contra a liberdade de expressão já vista no país. Ela foi articulada por pretensos justiceiros que adotam a mentira como técnica jornalística. O velho truque de fazer o mal em nome do bem — papel de embrulho para açular as arquibancadas.

A pantomima, no seu último influxo ganhou o estranho apelido de "lava jato". Os alicerces dessa construção foram "notícias" fabricadas e que agora vê-se, pelo espelho retrovisor, que metade delas foram lorotas. A parte verdadeira foi romanceada.

Como se estruturou essa novela? Vejamos:

O mercado do conteúdo tem um público enorme para o entretenimento, empreendimentos religiosos, mas um público muito reduzido para a informação política, econômica e científica.

Para aproveitar o sucesso da emoção sobre a razão, a mídia passou a embalar a informação jurídica e judicial — em geral árida e enfadonha —  com sentimentos morais e maniqueísmo.

Essa metamorfose deu à luz o fetiche da corrupção. Criou-se a fantasia de que todo homem público ou empresário é corrupto. A campanha contra a liberdade de expressão começou por abolir a checagem das "informações" vendidas pelo lavajatismo. Qualquer rumor soprado pelos justiceiros passou a ter mais peso que documentos, provas e evidências que desmontasse. A começar pela falsa dimensão dada à prática da corrupção no país.

Na vida real, o maior problema dos brasileiros está nas relações de consumo. Isso representa cerca de 34% dos conflitos que chegam ao Judiciário. Em seguida, relações de trabalho: algo como 24% dos litígios. A criminalidade responde por pouco mais de 10%. Os crimes relacionados ao bloco da corrupção representam cerca de 0,03%.

Mas o charme de se derrubar um presidente, prender um deputado ou um empresário ricaço é insuperável, claro. Abusos de operadoras de telefonia, concessionárias, bancos ou planos de saúde não têm espaço nem interesse.

Até porque, pautas como a ineficiência do setor público (saúde, educação, segurança) ou do setor privado dão muito trabalho. É preciso pesquisar, estudar, fazer contas. É muito mais fácil sair gritando "pega ladrão". Não por outro motivo, os jornalistas mais famosos do momento (com exceções, claro) são verdadeiros linchadores.

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O que isso tem a ver com liberdade de expressão? Tudo. Porque se essa deformação não for corrigida, as garantias e prerrogativas do jornalismo perderão o sentido. Não se fortalece as salvaguardas da imprensa fazendo vistas grossas para o fato de que há no meio vigaristas usando o manto do jornalismo para fraudar notícias — seja por dinheiro, seja por sensacionalismo.

O que tem caracterizado o noticiário sobre a Justiça? Existem os setoristas, os repórteres que acompanham julgamentos, leem as decisões, entrevistam as partes e os juízes. E existem aqueles que brilham na primeira página ou no espaço nobre das emissoras. São os animadores de auditório da escola do Ratinho, do Datena e outros artistas populares.

Sem tirar deles a importância que têm na história contemporânea, claro. Foram eles que construíram a fantasia da lava jato, elegeram Bolsonaro, Witzel, Doria e um lote de capitães, majores e coronéis no Congresso e Assembleias Legislativas. O Brasil deve a eles não só o avanço político como a gestão da crise sanitária da epidemia.

Isso foi construído com manchetes terroristas (e mentirosas) como a de que a prisão depois do trânsito em julgado colocaria nas ruas 180 mil "bandidos". Que o reconhecimento da suspeição de Sergio Moro anularia centenas de processos ou a velha ladainha de que anular ilegalidades de Curitiba seria trabalhar para corruptos.

A Academia está devendo ao país estudos menos conservadores a respeito do fenômeno do lavajatismo. O que pode explicar que procuradores e juízes de primeira instância tenham se tornado mais poderosos que seus órgãos de cúpula? Fenômeno igual ao que se viu com delegados da Polícia Federal e auditores da Receita. Quem acreditará em dez anos que um dia um grupo que se apelidou "força tarefa" governou o país, acima da Presidência da República e do Congresso?

Para voltar ao poder, movimentam-se "poetas", "escritores", "filósofos" e jornalistas em fim de carreira e sem perspectivas, que fugiram do ostracismo com a onda populista. Depois de verem suas balelas desmentidas, tentam desfibrilar o cadáver da fantasiosa "lava jato". A manobra de ressuscitação da "operação" consiste em insuflar ataques ao STF para emparedar seus ministros. Querem fazer crer que um acusado não é absolvido por falta de culpa, mas porque o juiz está do lado da corrupção.

É o encontro do voluntarismo desinformado com a perversidade. Um gênero de idealismo que confunde ingenuidade com esperteza. Ou com interesses financeiros e comerciais mesmo, como bem mostram falsos constitucionalistas e professores como Joaquim Falcão e Modesto Carvalhosa.

Um exemplo da farra: o comercialista Carvalhosa — que se apresenta como "professor aposentado" da USP, sem ser — dá aula nesta segunda-feira (3/5) para um comitê bolsonarista da Câmara dos Deputados. O tema é uma pretensa "PEC da 2ª instância". Quem sabe o professor ensine, como qualquer estudante sabe, que é inadmissível proposta de emenda constitucional para alterar cláusulas pétreas. Quem sabe.

Parafraseando o poeta Pablo Neruda, "você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências". Ou então, Eça, na frase do Conselheiro Acácio: "As consequências vêm sempre depois". Mas em pelo menos um aspecto não é preciso esperar o futuro. A imprensa tradicional só tem encolhido. Isso pode estar relacionado com suas escolhas. Ou ao seu controle de qualidade.

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