INTERNACIONAL

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O Bravo Mundo Novo da Cultura do Cancelamento
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O percurso estrutural do mundo das finanças em direção à digitalização
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O veredicto de Chauvin
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Por que os RICOS e a CLASSE MÉDIA ODEIAM tanto o presidente LULA?
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Em solidariedade a Diogo Mainardi, que mandou Kakay tomar no c*, Pedro Andrade anuncia saída do “Manhattan Connection”
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Em mais uma noite de repressão na Colômbia, forças de segurança atacam manifestantes, deixando mortos e feridos

247 - A Colômbia viveu mais uma noite em que as forças repressivas do governo de extrema direita massacraram manifestantes. Organizações de direitos humanos denunciam que na localidade de Pereira, a polícia atirou contra manifestantes, provocando mortes e ferimentos.

De acordo com essas organizações, de 28 de abril a 5 de maio ocorreram 1.708 casos de violência policial na Colômbia.

Durante a noite desta quarta-feira (5), pelo menos dois jovens morreram e vários ficaram feridos na na cidade de Pereira como resultado da repressão policial, que disparou contra uma concentração de jovens que se manifestavam contra o governo de Iván Duque.

Diante desta situação de violência, os manifestantes solicitaram a presença de organizações internacionais de direitos humanos para demonstrar as violações de civis por parte das forças do Estado.

O Ministério Público colombiano anunciou na quarta-feira que vai acusar policiais pelos homicídios de três civis durante as manifestações e que, de acordo com a organização, eles deixaram pelo menos 11 mortos, embora ONGs como a Temblores aumentem esse número para 37, informa a Telesul.

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G7, grupo de países capitalistas mais ricos, acusa China e Rússia de ameaças econômicas e abusos de direitos humanos

247 - O G7,  grupo que reúne os países capitalistas mais ricos do mundo, repreendeu os governos da China e da Rússia nesta quarta-feira (5), classificando o Kremlin como "maligno" e o governo de Pequim como "ameaçador". 

Fundado em 1975 como um fórum dos países mais ricos do Ocidente para discutir crises como o embargo de petróleo da Opep, nesta semana o G7 abordou o que considera as atuais maiores ameaças: China, Rússia e a pandemia de coronavírus, informa o UOL.

Os ministros de Relações Exteriores do G7, em um longo comunicado, expressaram que a Rússia está tentando prejudicar as democracias e ameaçando a Ucrânia, enquanto a China seria culpada de abusos de direitos humanos e de utilizar sua influência econômica para ameaçar outros governos.

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Em viagem estratégica, secretário de Estado dos EUA chega a Kiev para apoiar a Ucrânia contra a Rússia

Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA

247 - O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, chegou à Ucrânia na noite desta quarta-feira (5) para apoiar o país contra a Rússia após semanas de tensão. Segundo o Departamento de Estado, Blinken também vai fazer pressões sobre o governo local na luta contra a corrupção.

Blinken é a primeira autoridade estadunidense a visitar a Ucrânia desde que Joe Biden assumiu a presidência.Ele  se encontrará com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e outros altos funcionários nesta quinta-feira, informa o UOL.

Blinken "reafirmará o apoio inabalável dos Estados Unidos à soberania e integridade territorial da Ucrânia em face da agressão russa", revelou seu conselheiro para a Europa, Philip Reeker, na última sexta-feira.

A visita ocorre menos de duas semanas após uma nova escalada de tensões entre a Rússia e a Ucrânia. 

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Argentina registra o maior número de mortes por coronavírus e presidente Fernández prorroga restrições

Alberto Fernández

247 - O número de 633 óbitos na Argentina superou em muito nesta quarta-feira (5), o recorde anterior de 561, registrado em 29 de abril. É o maior número de mortes por Covid-19 em 24 horas no país sul-americano desde o início da pandemia.

O número total de óbitos por coronavírus na Argentina é de 65.865 .

Em relação ao número de infecções, o ministério da saúde argentino apontou que foram notificados 24.079 casos confirmados, acumulando mais de três milhões de infectados.

A região metropolitana da capital tem detectado o maior índice de infecções nas últimas semanas, levando à ocupação máxima os leitos de UTI de hospitais públicos e privados.

A Argentina vive há um mês o aumento dos casos de Covid-19, com um nível crescente de ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva, informa a Telesul.

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O Bravo Mundo Novo da Cultura do Cancelamento - Pepe Escobar

Por Pepe Escobar

Coliseu, Roma, Itália

Por Pepe Escobar, para o Asia Times

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

Em 2020, assistimos à sacralização do tecnofeudalismo – um dos grandes temas de meu livro mais recente, Raging Twenties

A velocidade ultrassônica, o vírus do tecnofeudalismo vem sofrendo mutações e gerando a variante ainda mais letal de uma selva de espelhos, na qual a cultura do cancelamento é aplicada à força pela Big Tech em toda a amplitude do espectro, a ciência é rotineiramente rebaixada e tachada de fake news nas mídias sociais, e o cidadão médio se vê desconcertado ao ponto da lobotomia.  

Giorgio Agamben definiu essa situação como um novo totalitarismo.

Alastair Crooke, analista político de primeira linha, tentou  uma discriminação minuciosa da configuração mais ampla.

Em termos geopolíticos, o Hegêmona recorreria até a uma guerra 5G para manter sua primazia, buscando, simultaneamente, legitimação moral por meio da revolução woke, devidamente exportada para suas satrapias ocidentais.

A revolução woke é uma guerra cultural - em simbiose com a Big Tech e a Big Business – que destroçou aquilo que realmente importa: a luta de classes. As classes trabalhadoras atomizadas, lutando para apenas sobreviver, foram abandonadas e hoje chafurdam na anomia.

A grande panaceia, de fato a "oportunidade" suprema oferecida pela Covid-19, é o Great Reset, a Grande Reinicialização proposta pelo Herr Schwab de Davos: essencialmente a substituição de uma decadente base de indústria manufatureira pela automação, simultânea a uma reordenação do sistema financeiro.

Concomitantemente, há o ilusório sonho dourado de uma economia mundial que irá "se aproximar de um modelo capitalista mais limpo". Um dos elementos desse modelo é um deliciosamente benigno Conselho para um Capitalismo Inclusivo, em parceria com a Igreja Católica.

Como a pandemia - a "oportunidade" para o Reset - foi de certo modo ensaiada no Evento 201, realizado em outubro de 2019, novas iniciativas já vêm sendo montadas  para planejar os próximos passos, tais como o Cyber Polygon, que adverte contra os "principais perigos da digitalização". Não percam seu "exercício técnico" de 9 de julho, quando "os participantes terão a oportunidade de afiar suas habilidades técnicas de mitigar um ataque dirigido às cadeias de fornecimento em um ecossistema corporativo em tempo real".

Um Novo Concerto de Potências? 

A soberania é uma ameaça mortal à revolução cultural atualmente em curso. Temos aqui as instituições da União Europeia - em especial a Comissão Europeia - lançando-se a um vale-tudo cujo objetivo é dissolver os interesses nacionais dos estados-nação. E isso, em grande medida, explica o uso, em graus variados, da russofobia, da sinofobia e da iranofobia como armas de ataque. 

O ensaio-âncora de meu Raging Twenties analisa o que está em jogo na Eurásia em termos do Hegêmona se opondo aos Três Soberanos - que são Rússia, China e Irã.

Foi nesse quadro, por exemplo, que um volumoso projeto de lei de mais de 270  páginas, a Lei da Competição Estratégica, foi recentemente aprovado no Senado dos Estados Unidos. Essa legislação vai muito além da competição geopolítica, traçando um mapa de percurso para enfrentar a China ao longo de todo o espectro. O projeto fatalmente acabará por ser convertido em lei, uma vez que a sinofobia é um esporte bipartidário no Distrito de Colúmbia.

Os oráculos do Hegêmona, como o perene Henry Kissinger, vêm dando uma trégua em suas estripulias de costume de Dividir para Dominar, para advertir que uma escalada de competição "infindável" pode descambar para uma guerra quente - levando em conta, em especial, a IA e as gerações mais recentes de armamentos inteligentes.

No incandescente front Estados Unidos-Rússia, onde o Chanceler Sergey Lavrov vê uma falta de confiança mútua, para não mencionar uma falta de respeito muito pior que a que havia durante a Guerra Fria, o analista Glenn Diesen observa que o Hegêmona "se esforça ao máximo para converter a dependência europeia na área de segurança em lealdade geoeconômica".

É isso que está no cerne da saga do tudo-ou-nada: o Nord Stream 2. O Hegêmona faz uso de todas as armas - inclusive a da guerra cultural, onde Navalny, o escroque condenado na justiça, é um dos principais peões - para tirar dos trilhos um acordo energético de importância essencial para os interesses industriais da Alemanha. Simultaneamente, as pressões aumentam contra a compra pela Europa de tecnologia chinesa. 

Enquanto isso, a OTAN – que reina soberana sobre a União Europeia - continua a ser construída como um Robocop global, por meio do projeto OTAN 2030– mesmo depois de ter transformado a Líbia em uma terra arrasada infestada de milícias e de ter sofrido humilhantes palmadas em seu traseiro coletivo no Afeganistão.

Apesar de todo o som e a fúria da histeria sancionadora e das declinações de guerra cultural, o establishment hegemônico não é exatamente cego para o fato de que o Ocidente "vem perdendo não apenas sua supremacia econômica, mas também sua influência ideológica". 

Por isso, o Conselho de Relações Exteriores - em uma espécie de ressaca bismarckiana - propõe agora um Novo Concerto de Potências para lidar com o "populismo irado" e as "tentações iliberais", conduzidas, é claro, por esses atores malignos, tais como a  "belicosa Rússia", que ousam desafiar a autoridade do Ocidente".

Por mais que essa proposta geopolítica venha acolchoada em retórica benigna, a jogada final continua a mesma: "restaurar a liderança dos Estados Unidos" nos termos ditados pelos Estados Unidos. Que se danem a Rússia, a China e o Irã iliberais. 

Crooke evoca exatamente um exemplo russo e outro chinês para ilustrar até que ponto a revolução cultural woke pode nos levar.

No caso da revolução cultural chinesa, o resultado final foi o caos fomentado pela Guarda Vermelha, que começou a criar sua própria devastação independentemente da liderança do Partido Comunista.

E temos então Os Possuídos, de Dostoievsky, que mostra como os liberais seculares da Rússia da década de 1840 criaram as condições para o surgimento da geração de 1860: radicais ideológicos dispostos a atear fogo na casa.

Não há a menor dúvida: as "revoluções" sempre devoram suas crias. Geralmente, tudo começa com a elite dominante impondo sobre os demais suas recém-descobertas Formas Platônicas. Lembrem-se de Robespierre. Ele formulou suas políticas de maneira muito platônica - "o gozo pacífico da liberdade e da igualdade, o reino da justiça eterna", com leis "gravadas no coração de todos os homens". 

Bem, outros discordaram da visão de Robespierre e todos sabemos o que aconteceu: o Terror. Exatamente como Platão recomendou em As Leis. Portanto, é justo esperar que os filhos da revolução woke um dia venham a ser comidos vivos por seu próprio zelo.

O cancelamento da liberdade de expressão

Nas atuais circunstâncias, é justo nos perguntarmos em que momento o "Ocidente" começou a dar seriamente errado, no sentido da cultura do cancelamento. Permitam-me oferecer o ponto de vista cínico-estóico de um nômade global do século XXI. 

Se precisarmos de uma data, comecemos com Roma - o epítome do Ocidente - em inícios do século V. Sigam o dinheiro. Foi nesse tempo que a renda das propriedades pertencentes aos templos foi transferida para a Igreja Católica - aumentando assim seu poderio econômico. No final daquele século, até mesmo presentes dados aos templos foram proibidos. 

Paralelamente, uma destruição acelerada estava em curso - alimentada pela iconoclastia cristã, que ia desde esculpir cruzes em estátuas pagãs até converter casas de banho em igrejas. Banhar-se nu? Quelle horreur!

A devastação foi inacreditável. Um dos poucos sobreviventes foi a fabulosa estátua equestre de bronze de Marco Aurélio, no Campidoglio/Monte Capitólio (hoje exposta no museu). A estátua só sobreviveu porque as massas devotas pensavam que o  imperador retratado era Constantino.

A própria trama da vida urbana de Roma foi destruída: rituais, o senso de comunidade, cantos e danças. Temos que nos lembrar que as pessoas ainda abaixam a voz ao entrar em igrejas. 

Durante séculos não se ouviram as vozes dos despossuídos. Uma exceção gritante pode ser encontrada em um texto de inícios do século VI, de autoria de um filósofo ateniense citado por Ramsay MacMullen em Christianity and Paganism in the Fourth to Eighth Centuries.

O filósofo grego escreveu que os cristãos são "uma raça dissoluta em paixões, destruída por auto-indulgência controlada, servis e efeminados em seu pensamento, próximos à covardia, chafurdando em imundície, degradados, conformados e submissos em troca de segurança".

Se isso soa como uma proto-definição da cultura de cancelamento do século XXI é porque é mesmo. 

As coisas também estavam bem ruins em Alexandria. Uma turba de cristãos matou e esquartejou a deslumbrante Hipátia, matemática e filósofa. Esse episódio de fato pôs fim à era da grande Matemática grega. Não é de admirar que Gibbon descreveu o assassinato de Hipátia com uma notável frase de efeito em Declínio e Queda do Império Romano ("No auge de sua beleza, na maturidade de sua sabedoria, a modesta donzela recusava amantes e instruía discípulos; as pessoas mais ilustres por posição ou por mérito esperavam impacientes por uma visita à filósofa mulher"). 

Sob Justiniano - imperador de 527 a 565 - a cultura do cancelamento perseguiu o paganismo com violência sem limites. Uma das leis promulgadas por ele acabou com a tolerância religiosa universal, que vigorava no Império desde Constantino, em 313. 

Se você fosse pagão, era melhor ir se preparando para a pena de morte. Mestres pagãos - em especial os filósofos - foram banidos. Eles perderam a parrhesia: sua autorização para lecionar (aqui vai a brilhante análise de Foucault).

parrhesia - frouxamente traduzida como "crítica franca" - é uma questão tremendamente séria: por nada menos que um milênio, foi essa a definição de liberdade de expressão (itálicos meus).

É isso: primeira metade do século VI. Foi então que a liberdade de expressão foi cancelada no Ocidente. 

O último templo egípcio - dedicado a Ísis, em uma ilha ao sul do Egito, foi fechado em 526. A lendária Academia de Platão, com um currículo de nada menos que 800 anos de ensino -  foi fechada em Atenas em 529. 

Adivinhem qual país os filósofos gregos escolheram para o exílio: a Pérsia. 

Bons dias aqueles - em inícios do século II - quando o maior dos estóicos, Epicteto, um escravo frígio liberto, admirador tanto de Sócrates quanto de Diógenes, foi consultado pelo Imperador Adriano e se tornou modelo para um outro imperador, Marco Aurélio. 

A história nos conta que a tradição intelectual grega não desapareceu naturalmente no Ocidente. Ela foi alvo da cultura do cancelamento.

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O percurso estrutural do mundo das finanças em direção à digitalização - Roberto Moraes

Por Roberto Moraes

Por conta de minhas investigações mais recentes, eu tenho comentado com frequência sobre o avanço da tecnologia sobre as nossas vidas. Refletindo um pouco mais, penso que talvez, essa leitura deixe transparecer que esse frisson de técnicas informacionais é que tenham feito surgir a hegemonia financeira no capitalismo contemporâneo, mas não é assim. Tentarei explicar.

Antes, lembro que não se deve esquecer que sempre há um razoável tempo entre o surgimento da tecnologia e sua maturação para uso ampliado em vários setores. Entre exposição da nova tecnologia e o seu uso expandido, o rentismo também foi se ampliando de várias formas.

Assim como “trepadeiras” (plantas parasitas) que têm no caule da árvore a sua fonte de sobrevivência. Por equivalência, o rentismo é também derivado de algo que o sustenta em sua essência. As rendas derivadas da economia real: juros, aluguel, dividendos, comissões, marcas, etc.  

Há séculos há bancos, mercados de capitais e a ideia da partição e democratização da propriedade com a figura da sociedade anônima (SA). Há um século os fundos financeiros também já tinham surgidos, como forma similar à ideia da poupança e como instrumento individual de atualização monetária e juros para acumulação que já tinham a função de servir como meio coletivo, para produzir a expansão da riqueza, acumulação e investimentos. Se houver alguma dúvida sobre isso é só relembrar o período do entorno da crise de 29. De crise em crise, entre sobreprodução e sobreacumulação se tem muito a aprender.

Portanto, é um equívoco não apenas falar, mas também deixar transparecer qualquer ideia de que a expansão da tecnologia é que seja a gênese da financeirização. E é bom que se diga a sua forma de atuação não mudou muito neste tempo todo. O circuito do valor desde a base da pirâmide, a etapa da circulação e vendas das mercadorias até o andar das altas finanças continua o mesmo, como nos ensinou Giovanni Arrighi.

Assim, as novas tecnologias e suas formas organizacionais (TIC) aceleraram o tempo da produção e das trocas até o consumo, cada vez mais intermediado pelas infraestruturas de comunicação das plataformas digitais. Junto estamos vendo a ampliação do setor de serviços, as terceirizações, a precarização retomando a leitura da divisão do trabalho junto da reestruturação produtiva mundial. 

TIC e plataformas digitais como meio de produção e de comunicação

As plataformas digitais essencialmente como meio de produção (Appficação) e meio de comunicação (redes sociais), surgiram junto da desregulação e flexibilização e como sucessão ao Toyotismo. A internet móvel dos celulares expandiram e misturaram a produção e a comunicação instantânea, roubando os tempos mortos numa cronofagia ainda pouco percebida.

Os mercados globalizados deixaram de ser retórica, num mundo em que os produtos saem e chegam em qualquer lugar, desde que se garanta a fluidez do dinheiro lubrificado no trânsito pelas redes informacionais e os novos meios de pagamento.

Assim, chegamos à concentração de empresas com fusões e aquisições em processo de oligopolização e conformação de um circuito financeiro global. Desta forma, as Big Techs (EUA e China) se tornaram o maior oligopólio da história da humanidade com tentáculos sobre todos os demais setores da economia em diferentes espaços e nações.

Figura 1 (PESSANHA, 2020, p. 437). Capítulo 15 "Inovação financeirização e startups como instrumentos e etapas do capitalismo de plataformas". Livro: Geografia da Inovação: Território, Redes e Finança, GOMES, Maria Terezinha, TUNES, R. e OLIVEIRA, F. G. 

Essa compressão do espaço e do tempo vem servindo de forma extraordinária à ascensão do curto prazo, como objeto do desejo da acumulação ampliada de capitais. O andar de cima dos donos dos dinheiros passou a exercer maior controle sobre a sociedade e sobre a política.

Nesta toada vivemos no presente a dominação tecnológica que amplia a hegemonia financeira que define o capitalismo contemporâneo. Em seu percurso, o capitalismo que já foi hegemonicamente comercial e depois industrial, tem hoje o predomínio financeiro, capturando cada vez mais valor, em todas as frações do capital com suporte da tecnologia da informação e da comunicação (TIC).

Aquilo que antes já existia se ampliou. O avanço da tecnologia, muito para além da maquinaria inicial e mesmo da automação, com a intensificação da TIC, foi permitindo, de forma paulatina e crescente, a constituição de formas e condições para subtrair mais valor do trabalho, da sociedade e do Estado.

Subtração do que eram seus atributos indispensáveis: o monopólio da emissão de moedas e a regulação sobre todos os setores. Hoje, o mercado define a autorregulação e o financiamento como norma das atividades em boa parte do mundo, em especial, no lado ocidental.

Não por outro motivo, os volume dos fundos de investimentos, imbricados às outras formas de aplicação no mercado de capitais e enlaçados ao circuito financeiro global, são hoje quase três vezes maior ao PIB global. Não por outros motivos, a bolsa de valores no Brasil chegou a 3 milhões de investidores comprando e vendo ações e cotas nos fundos financeiros. 

Aprofundamento da digitalização das finanças, a falsa utopia da moeda digital e nova rodada do neoliberalismo

O amplo mercado de derivativos e os mercados futuros entre outros vão tecendo novos instrumentos com uso de tecnologias. Assim, surgem as moedas digitais, blockchain, tokenização, etc. No meio deste processo, para alguns utópicos e para outros distópicos, há quem imagine que a técnica consiga, algum dia, separar a economia da política. Ledo engano.

Assim, as finanças digitalizadas ampliaram a potência e as estratégias dos donos dos dinheiros, no processo de recolhimento de excedentes das diferentes frações do capital e em todos os territórios a nível global.

Desconfio que nessa captura de excedentes – numa espécie de vampirismo digital - caminhamos para o esgarçamento do sistema. Difícil crer em renovação de um “novo” New Deal (desculpe pela repetição), e novo Welfare-state em que se retoma as ideias keynesianas que deram certo há um século, no pós-29 e outros momentos pontuais.

As transformações neste momento parecem mais estruturais. Talvez até de padrões (in) civilizatórios. Wallerstein criador da ideia de sistema-mundo junto com Arrighi já citado falaram em caos sistêmico que desorganiza aquilo que parecia ajustado ao sistema do pós-guerra e do estado-de-bem-estar. Porém, o império se sente ameaçado e parece querer reafirmar sua hegemonia, em meio à desorganização que dá ares de mudar a hegemonia

O mundo vem se transformando. Neste momento, o andar de cima não cogita de um mundo do "estado de bem-estar-social". Talvez um “estar” de renda mínima espalhada para os sobrantes, para assim, tentar segurar a "patuleia" que fica fora da roda da vida. 

O andar de cima - dos donos dos dinheiros - se tornou os donos da maioria dos ativos, como gostam de se referir a tudo que lhes dê retorno rápido, num mundo onde as pessoas, contabilmente, se transformaram em passivos e prejuízos, quando na realidade é quem ainda produz os excedentes, embora tenha suas rendas cada vez mais expropriados.

Vivemos uma nona rodada do neoliberalismo em que os grandes fundos financeiros a nível global (reunidos em Davos) falam no tal "Great Reset" e outras asneiras. Assim, customizam o discurso financeiro da sustentabilidade, usando o acrônimo ESG (Environmental, Social and Corporate Governance: governança social e ambiental), que na prática, nada mais é do que a retomada daquela ideia dos stakeholders, em que os investidores teriam preocupações com governança social e ambiental, quando na verdade se vê a ampliação da dominação.

Observando os movimentos contemporâneos do capital com o potente aporte da tecnologia, se identifica que a nova rodada - ainda mais radical do neoliberalismo - caminha para um ciclo de acumulação ainda mais perverso. Há um monstro a ser contido, que a despeito de tudo ganhou corpos e mentes nos últimos anos, como tratam os franceses, Dardot & Laval no livro “A nova razão do mundo”.

As reações à Super Liga do futebol, organizada pelo banco americano JP Morgan, reunindo os grandes clubes e potentes fundos financeiros globais, parecem mostrar, mesmo que apenas simbolicamente, que este mundo da "utopia tecnocrática e financeira" para poucos, em detrimento da maioria tem limites. A dominação tecnológica e hegemonia financeira precisam também ter limites.

Para fechar, sabemos que as questões aqui tratadas são estruturais e se situam no campo da economia política - para além das conjunturais -, que se somam à crise dos modelo de representação política de quase dois séculos no ocidente.

Foi neste percurso que chegamos a um estado capturado e sem capacidade de regular e financiar quase nada e a cada dia entrega mais porções ao mercado. Simultaneamente o mercado amplia o controle sobre a sociedade, a política e a economia, se portando ainda mais distante dos interesses da maioria.

Sim, mesmo percebendo que as questões centrais que decorrem destas transformações oriundas da relação entre finanças e tecnologia seriam mais de ordem estrutural e civilizatória, não há como enfrentá-las sem as intervenções dos estado-nações, para dentro e para fora - interna e externamente. Assim, talvez, seja possível compreender que ações passariam pela retomada do Estado, com a finalidade de atender a maioria da sociedade. Porém, não faria nenhum sentido fazê-lo, sem amplas e profundas reformas no sistema e, nesse linha não faz nenhum sentido querer apartar a economia da política.

O assunto merece ser aprofundado.

Referências:

ARRIGHI, G. O longo Século XX. São Paulo: Contraponto/Unesp, 1996.

ARRIGHI, G. A ilusão do desenvolvimento. Petrópolis, Editora Vozes, 1997.

CHESNAIS, F. O capital portador de juros: acumulação, internacionalização, efeitos econômicos e políticos. In: CHESNAIS, F. (org.). A finança mundializada: raízes sociais e políticas, configuração, consequências. São Paulo: Boitempo, 2005, p. 35-67.

DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova razão do mundo - Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: BoiTempo, 2017.

DOWBOR, L. O capitalismo se desloca: novas arquiteturas sociais. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2020.

HARVEY, D. Condição pós-moderna. São Paulo: BoiTempo, 2005.

HARVEY, D. A loucura da razão econômica. São Paulo: BoiTempo, 2018.

PESSANHA, Roberto Moraes. Inovação financeirização e startups como instrumentos e etapas do capitalismo de plataformas (P.433- 468) in: Geografia da Inovação: Território, Redes e Finança, GOMES, Maria Terezinha, TUNES, R. e OLIVEIRA, F. G. Rio de Janeiro. Consequência, 2020.

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O veredicto de Chauvin - August H. Nimtz Jr.

Por August H. Nimtz Jr.

Derek Chauvin, assassino de George Floyd

Por August Nimtz 

Tradução: Mario Soares Neto.

O fato mais instrutivo sobre o julgamento de Derek Chauvin – além do vídeo e do que a acusação e a defesa apresentaram – foi a composição do júri. Se não conhecemos os seus nomes, sabemos agora algo relevante sobre os doze membros que votaram na condenação: quatro mulheres brancas, dois homens brancos, três homens negros, uma mulher negra e duas mulheres “mestiças” ou birraciais. Praticamente todos eles pertencem à classe trabalhadora.

Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, um júri composto pela metade de pessoas que se identificam como brancas, condenou um policial branco em razão do assassinato em segundo grau de uma pessoa negra, a acusação mais grave realizada até o momento. [1] Se houver uma exceção, certamente não é tão visível quanto esta instância. Portanto, trata-se de um marco histórico – uma conquista a ser celebrada, uma vitória extremamente importante, pelo fato de que aponta o caminho a seguir.

Para aqueles que insistem que a realidade social trata apenas de narrativas e não de fatos – e que a narrativa dominante nos Estados Unidos é a triunfante supremacia racial branca – o voto dos doze jurados é um fato inconveniente. [2] Pena que, compreensivelmente, o público não teve a chance de ver o rosto do júri; não é exatamente a emblemática versão Hollywoodiana dos anos 1950 “Twelve Angry Man” [Doze Homens e uma Sentença] de um júri da classe trabalhadora nos Estados Unidos de hoje. Ignorar a diferença entre as duas eras é descartar, irresponsavelmente, as oportunidades que existem atualmente para construir sobre a vitória e fazer algo potencialmente de longo alcance.

Em 1992, um júri formado totalmente por pessoas brancas em Simi Valley, Califórnia, absolveu os quatro policiais brancos que torturaram e espancaram brutalmente Rodney King. [3] Eles se recusaram, ao contrário dos seis brancos no júri de Chauvin, “a ver com os seus próprios olhos” – brutalidade policial que também foi registrada em um vídeo. A diferença fala das profundas mudanças de atitude que ocorreram nos EUA antes e desde então com relação à questão racial. Os dois homens brancos no júri de Chauvin tinham entre 20 e 30 anos. Minha experiência como afro-americano dentro e fora de sala de aula em Minnesota por quase meio século é que os homens brancos nascidos depois de 1980 (Chauvin nasceu em 1976) são pessoas muito mais abertas para entender a realidade das pessoas negras e pardas. Ser um homem branco da classe trabalhadora na América do século XXI vem com vantagens decrescentes, menores do que estavam disponíveis apenas algumas décadas anteriores.

Em alguns meses, saberemos quanto tempo de prisão a condenação de Chauvin realmente alcançará. Esta decisão encontra-se totalmente nas mãos do sistema judicial sobre o qual os trabalhadores têm menos controle. Não é à toa que Chauvin optou por ter a opinião do juiz e não a do júri como determinante na decisão. Seja qual for o resultado, um júri de trabalhadores em vários tipos de cor de pele (skin colors) e sexos fez algo histórico, por conta própria e coletivamente. Os militantes engajados na luta contra a brutalidade policial devem absorver seu significado.

Em relação ao chamado sistema de justiça criminal, ou melhor, business as usual nos EUA, considerem o que o jornal New York Times escreveu alguns dias antes das deliberações do júri de Chauvin. “Desde que o depoimento começou em 29 de março, pelo menos 64 pessoas morreram nas mãos das autoridades policiais em todo o país, com negros e latinos representando mais da metade dos mortos. No sábado [17 de abril], a média era de mais de três assassinatos por dia” – incluindo agora o de Daunte Wright (2001-2021). Pouco depois que o júri deu seu veredicto em 20 de abril, de fato, outro assassinato ocorreu, o de Ma’Khia Bryant (2004-2021) em Columbus, Ohio. Andrew Brown Jr. (1979-2021) na Carolina do Norte, no momento em que este artigo está sendo escrito, é apenas o mais recente.

Todos nós deveríamos estar indignados com as mortes, mas não surpresos. A polícia existe, desde tempos imemoriais, para impor a desigualdade de classes. Enquanto vivermos sob um sistema sócio-econômico-político que se baseia, reproduz e aprofunda a desigualdade social – o capitalismo – a polícia será necessária “para servir e proteger” os interesses dos ricos governantes. Esses corpos armados e sem coração – imagine aquela imagem indelével de Chauvin e seu joelho no pescoço de George Floyd – são indispensáveis para mantê-los no poder. [4]

O ex-chefe de polícia de Minneapolis Tony Bouza quase admitiu isso há muitas décadas em seu livro Police Unbound: “o cerne do problema do crime e do abuso policial nos Estados Unidos é nossa estrutura de classe tacitamente aceita que separa os privilegiados dos pobres, é o racismo sistêmico que a sociedade como um todo ainda não está disposta a enfrentar”. [5] Ao contrário de seus antigos empregadores, que convenientemente ignoram as confissões pós-aposentadoria de Bouza, trabalhadores de todas as cores de pele podem se relacionar visceralmente com sua visão e estão “dispostos a enfrentar” todas as implicações – o que sugere o voto dos doze jurados.

Steve Schleicher, que apresentou os argumentos finais da acusação, enfatizou que o sistema que ele representava não estava em julgamento: “Este não é um processo anti-policial; este é um processo pró-polícia”.

Por essa razão, a classe dominante de Minnesota mobilizou enormes recursos, tanto pro bono quanto na folha de pagamento, para condenar Chauvin e convencer os trabalhadores de que “o sistema funciona”. Uma derrota teria sido um duro golpe político em sua credibilidade. Se pareceu um exagero para a promotoria, foi por esse motivo. A Polícia de Minnesota e a Associação de Policiais da Paz, que financiou a defesa de Chauvin, não foram páreo para seus esforços. A disputa bastante desigual revelou que, quando necessário, a classe dominante está preparada para colocar em seu lugar o chamado “sindicato da polícia”, para deixar claro quem está no poder de Estado.

Após o julgamento, o procurador-geral de Minnesota Keith Ellison, o promotor-chefe do caso, disse o seguinte: “Eu não chamaria o veredicto de hoje de “justiça”, no entanto, porque justiça implica verdadeira restauração. Mas é a responsabilidade, que é o primeiro passo em direção à justiça”.

Mas para que isso realmente aconteça, um novo sistema – ou melhor – um novo sistema operacional teria que ser instalado, não apenas o upload de aplicativos como programas de treinamento “consciente” (“woke”) para policiais, a versão mais recente do controle comunitário da polícia ou mesmo o “defunding the police” (“desfinanciar a polícia”). Todas são, basicamente, atualizações compatíveis com o sistema operacional ainda instalado que produziu o resultado George Floyd (1973-2020) em primeiro lugar.

Outro fato inconveniente, pelo menos para alguns: o fenômeno George Floyd não existe em Cuba. Ou seja, não há nada comparável lá à realidade que os dados preocupantes que o New York Times relatou sobre as mortes promovidas por policiais nos EUA. Mesmo os mais duros críticos de Cuba não fazem tal afirmação. Se, como alguns afirmam, o “pecado original” dos EUA é determinante, então como explicar por que os cubanos de ascendência africana não experimentam resultados semelhantes? Afinal, a escravidão racial existiu na ilha caribenha por mais tempo do que nos Estados Unidos. Se alguma vez houve um exemplo de sociedade que instalou um novo sistema operacional e mandou o antigo para o lixo, certamente deve ser a Cuba revolucionária (começando em 1º de janeiro de 1959). [6]

O voto dos doze jurados da classe trabalhadora no julgamento de Chauvin em toda a sua diversidade registra o potencial para fazer algo sem precedentes na história dos Estados Unidos. A decisão deles deve encorajar a todos nós em perceber o que os trabalhadores podem realizar agindo juntos, apesar de séculos de esforços da classe dominante para usar a cor da pele para nos dividir. [7]

Forjar um movimento de massas anti-brutalidade policial que seja genuinamente inclusivo e que trate cada participante como igual, independentemente da cor da pele ou qualquer outra identidade, é, novamente, uma possibilidade, diferente de antes. Esse tipo de movimento é exatamente o que será necessário para fazer algo verdadeiramente transformador, ouso dizer, algo realmente revolucionário.

Publicado originalmente na revista MR Online.

Notas

[1] O assassinato em segundo grau consiste em homicídio intencional não premeditado, porém, representando ação com intenção de causar danos corporais ou demonstrar ausência de preocupação com a vida da vítima. Trata-se de uma qualificação penal intermediária, visto que é menos grave do que o assassinato em primeiro grau e mais intensa do que o homicídio culposo. De acordo com a lei federal norte-americana, a condenação por assassinato em segundo grau pode culminar em prisão perpétua. No entanto, existem limitações estabelecidas por leis estaduais – como no estado de Minnesota cuja pena máxima é de 40 anos – e, geralmente, esse tipo de assassinato não permite a pena de morte. De acordo com o estatuto de Minnesota, o homicídio em segundo grau corresponde à conduta não intencional de quem, atuando com força, violência ou emprego de arma de fogo, causar a morte de um ser humano. (Nota da Tradução).

[2] Ver: NIMTZ JR, August H. O Momento Trump: Por que aconteceu, por que “nos esquivamos da bala” e o “Que Fazer?”. Tradução: Mario Soares Neto e Graciano D. S. Soares. Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/o-momento-trump/ (Nota da Tradução).

[3] Rodney Glen King (1965 – 2012). Foi um trabalhador da construção civil Afro-Americano que se tornou escritor e ativista depois de sobreviver a um ato de brutalidade policial. Em 3 de março de 1991, Rodney King foi espancado por policiais de Los Angeles. O espancamento foi filmado, sendo transmitido pela mídia em todo o mundo. Os quatro policiais foram julgados, acusados de violência policial, no entanto, foram absolvidos. Poucas horas depois da absolvição iniciaram fortes protestos em Los Angeles, em 1992. O Exército e as Forças Armadas dos Estados Unidos reprimiram brutalmente os protestos. Nesse processo, mais de 60 pessoas foram mortas, 2.283 ficaram feridas e mais de 12 mil pessoas foram presas. Posteriormente, apesar dos policiais terem sido absolvidos no julgamento estadual, o governo federal iniciou um processo contra os agentes de violação dos direitos humanos e dois dos envolvidos foram mandados para prisão. Ver: KING, Rodney; SPAGNOLA, Lawrence J. The Riot Within: My Journey from Rebellion to redemption. New York: HarperCollins Publishers Inc., 2012. Ver também: JACOBS, Ronald N. Race, Media, and the Crisis of Civil Society: From Watts to Rodney King. Cambridge: Cambridge University Press, 2004 (Nota da Tradução).

[4] Ver: NIMTZ JR., August H. Justiça por Georg Floyd: reação foi gigantesca e multirracial. Tradução: Mario Soares Neto. Jornal Brasil de Fato, 31 mai. 2020. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/05/31/artigo-foi-muito-importante-que-a-reacao-tenha-sido-gigantesca-e-multirracial. Acesso em 3 de maio de 2021 (Nota da Tradução).

[5] BOUZA, Anthony V. Police Unbound: Corruption, Abuse and Heroism by The Boys in Blue. New York: Prometheus Books, 2001 (Nota da Tradução).

[6] Ver: NIMTZ JR., August H. Por que não há George Floyds em Cuba? Tradução: Mario Soares Neto e Graciano Soares. Jornal Brasil de Fato, 20 jun. 2020. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/06/20/artigo-por-que-nao-ha-george-floyds-em-cuba Acesso em 3 de maio de 2021 (Nota da Tradução).

[7] Ver: NIMTZ JR, August H. Marxismo, antirracismo e projeto revolucionário [Entrevista concedida a] Mario Soares Neto. Santa Catarina: Repositório institucional da UFSC, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/221550. O presente artigo também foi publicado no site do jornal Brasil247. Disponível em: https://www.brasil247.com/ideias/marxismo-antirracismo-e-projeto-revolucionario-entrevista-com-o-professor-august-h-nimtz-jr Acessos em 28.04.2021 (Nota da Tradução).

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Por que os ricos e a classe média odeiam tanto o presidente Lula? - Cláudio Furtado

Por Cláudio Furtado

Os ricos e a classe média odeiam o presidente Lula. Esta é uma afirmação que é verdadeira e evidente para todos. Mas a questão não é esta. A questão é:

Qual o motivo que faz com que essas pessoas odeiem tanto o presidente Lula?

Isso é bem fácil de explicar.

O cara é um nordestino pernambucano de Caetés. Nasceu em uma família pobre. Passou por todas as dificuldades que passam os cidadãos submetidos a pobreza. Lula conheceu a face horrenda e cruel da fome como tantos outros em nosso país e no mundo.

Foi para o estado de São Paulo ainda jovem, como tantos outros originários do nordeste brasileiro. Trabalhou como metalúrgico no ABC Paulista. Posteriormente transformou-se no maior líder sindical destes trabalhadores. Em 1975 foi eleito presidente de seu sindicato em São Bernardo do Campo. Em 1978 foi reeleito para o cargo de presidente.

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e se tornou o seu primeiro presidente em 1980. Em 1990 foi reeleito.

Foi eleito Deputado federal em 1986 e Presidente da República Federativa do Brasil em 2002. Foi reeleito em 2006. Tendo assim exercido dois mandatos presidenciais.

Muitos diriam: “Lula venceu na vida!”; esta é a forma costumeira de se falar sobre alguém que obteve destaque de alguma forma na sociedade em que vive.

Caso Lula tivesse se tornado uma daquelas pessoas, que ao alcançar o sucesso, tivesse adotado discursos alinhados com a meritocracia e então lança-se livros dizendo coisas do tipo: “Venci na vida! Sou Foda!”; esses livros que estão na moda, que são lançados para sustentar a ideologia neoliberal e que criam falsos heróis. Heróis míticos, os quais depois de todo sofrimento que passaram, “venceram na vida”. Caso Lula tivesse abraçado este tipo de discurso ideológico, hoje ele estaria repleto de medalhas, filmes em Hollywood e amplamente aclamado pela mídia hegemônica.

Essa romantização do sofrimento só serve aos interesses da Classe Opressora Dominante. Iludem o povo com estórias que vemos em livros e filmes. Usam casos que são meras exceções. Os colocam como regra e assim vendem ao público incauto estes exemplos de falsa autossuperação. Buscam assim mostrar que depende somente do esforço pessoal para o sujeito “vencer na vida” e que se você não conseguiu “ser alguém” é por que não se esforçou o bastante. Ou seja, a culpa do seu fracasso é sempre sua e somente sua. Não mostram assim a realidade dos fatos para o povo. Para que uma pessoa tenha uma boa formação e um emprego digno é necessário que haja toda uma estrutura que permita a ela trilhar o seu caminho de forma adequada. É necessário que se tenha qualidade na educação e no atendimento do sistema de saúde, salário digno, direitos trabalhistas e previdenciários que amparem o trabalhador, transportes que possibilitem um rápido e seguro deslocamento pelas cidades e por aí vai. Toda esta estrutura necessária ao desenvolvimento da sociedade é cerceada ao povo propositalmente, pois o objetivo é concentrar cada vez mais renda e riqueza nas mãos dos 0,1 % mais ricos, o que consequentemente promove o aumento da desigualdade social.

Mas não! Lula não adotou este discurso dos mais ricos. Lula sempre lutou para combater a desigualdade social. Lula não entrou nesse engodo que é o discurso neoliberal. Pelo contrário, reconhecendo todas as dificuldades que passou em sua vida, buscou sempre trabalhar para que ninguém tivesse que passar por estas terríveis amarguras.

Lula sempre esteve ao lado do povo. Seu incansável trabalho tirou 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza. Foi assim que a ONU tirou o Brasil do Mapa da Fome. E além disso seu incansável trabalho e dedicação permitiu que a classe trabalhadora pudesse se profissionalizar com cursos técnicos e com formação universitária. Promovendo assim uma imensa inclusão social, como nunca antes foi vista na história deste país.

Isso tudo causou um grande incomodo na Classe Rica e desta forma eles atiçaram seus cães de guarda, a Classe Média, para combater esse “absurdo” que estava sendo feito pelo PT. “Onde já se viu que é normal o filho da empregada, do porteiro, do pedreiro, cursar uma universidade”. “Onde já se viu que é normal toda essa gente pobre no aeroporto indo para a Disney”. Esses são exemplos de discursos que ouvimos na mídia, os quais denunciam como a Classe Rica e a Classe Média tem seu ódio de classe tão amplo e profundo.

Podem acreditar, esse combate que o Lula travou para reduzir a pobreza no país incomodou muita gente. Mas muita gente mesmo! Principalmente essa gente que sonha em ser rica, mas que está mais perto de se tornar um sem teto do que se tornar um grande investidor de Wall Street. Foram esses que apoiaram o golpe de 2016 e levaram o nazifascismo ao poder. São esses os cães ferozes que os ricos atiçam contra os trabalhadores quando precisam. Essa é a Classe Média brasileira.

Como havia dito, é muito fácil entender todo esse ódio que eles têm do Lula.

Lula representa para os trabalhadores Brasileiros a redução das desigualdades através da distribuição de renda e riqueza, coisa que a falácia da meritocracia não pode suportar.

Lula representa o povo vivendo com dignidade, tendo direito a saúde, escola, trabalho e diversão de qualidade, o que não é admitido por essa gente que tem tanto ódio de classe.

Lula representa um Brasil soberano. E um Brasil soberano não interessa para os apátridas da Classe Dominante, pois eles enriquecem mantendo o país como colônia estadunidense.

Viram como é fácil entender o motivo de todo este ódio dirigido ao presidente Lula pelos ricos e pela Classe Média? É uma coisa que está na cara. É evidente e fácil de perceber.

Ainda bem que Lula está e sempre esteve ao nosso lado. Ao lado dos trabalhadores brasileiros.

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'Até o país mais capitalista do planeta apoia a quebra de patentes, e o Brasil não', diz Felipe Neto

O youtuber comentou a decisão dos Estados Unidos de apoiarem a quebra de patentes de vacinas contra Covid-19, anunciada nesta quarta-feira

Felipe Neto
Felipe Neto (Foto: Divulgação)

247 - O youtuber Felipe Neto comentou no Twitter nesta quarta-feira (5) o posicionamento dos Estados Unidos de passarem a apoiar a quebra de patentes de vacinas contra Covid-19.

O comunicador ainda destacou e criticou o Brasil por não estar também apoiando a iniciativa, que permitira uma ampla produção de vacinas por todo o mundo.

"Não dá para acreditar. Até o país mais capitalista do planeta, mais imperialista, burguês safado, que só visa o lucro... Até os Estados Unidos da América votaram pela quebra de patentes da vacina e o Brasil não! O Brasil não!", escreveu.

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RJ: Polícia faz operação no Jacarezinho; passageiros são baleados no metrô

Homens pulam entre casas durante operação no Jacarezinho, no Rio de Janeiro - Reprodução/Rede Globo
Homens pulam entre casas durante operação no Jacarezinho, no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Rede Globo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

06/05/2021 08h09

Atualizada em 06/05/2021 08h46

Dois passageiros foram baleados na manhã de hoje na estação de trem do metrô de Triagem, na zona norte do Rio. De acordo com a concessionária, um passageiro foi ferido no braço e outro foi atingido por estilhaços. Os passageiros foram atingidos durante uma operação da Polícia Civil na comunidade do Jacarezinho, próxima à linha férrea dos trens. Há confronto na região e o clima é de tensão no local.

As vítimas foram identificadas como Raphael Silva, 33, socorrido para o Hospital Salgado Filho, e Humberto Duarte, 20, levado para o Souza Aguiar. O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado às 06h08. Pelo menos um policial civil também ficou ferido.

Garis são baleados no Rio após policial militar reagir a roubo

A ação na comunidade é coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e foi deflagrada a partir de denúncias de que criminosos estão expulsando moradores de suas casas. O grupo seria responsável também pelo assassinato de moradores e pelo sumiço dos corpos. Segundo a Polícia Civil, as famílias não conseguem nem enterrar os parentes.

6.mai.2020 - Polícia faz operação no Jacarezinho e dois passageiros do metrô são baleados  - Reprodução/Redes sociais - Reprodução/Redes sociais
Passageiros no metrô foram feridos durante operação Imagem: Reprodução/Redes sociais

De acordo ainda com as denúncias, a organização criminosa atua ainda no sequestro de trens da Supervia, roubos a transeuntes e roubo de cargas. Vinte e um criminosos foram identificados como os "responsáveis por garantir o domínio territorial da região com utilização de armas de fogo", informou a Polícia Civil.

Durante a ação, o Globocop da TV Globo mostrou criminosos pulando de laje em laje e invadindo casas de moradores para tentar fugir da polícia.

Uma moradora da comunidade, que não terá o nome divulgado por motivo de segurança, disse que o clima ainda é tenso na comunidade:

São muito policiais entrando aqui no Jacarezinho. São muitos. É desesperador. São grupos com mais de dez espalhados. Tem blindado, tem helicóptero, teve tiro, teve bomba. Ninguém consegue sair para trabalhar. Dá muito medo.Moradora do Jacarezinho

A região do Jacarezinho é considerada um dos quartéis-generais do CV (Comando Vermelho). "Em razão da dificuldade de se operar no terreno, por conta das barricadas e das táticas de guerrilha realizadas pelos marginais, o local abriga uma quantidade relevante de armamentos, que seriam utilizados nas retomadas de territórios perdidos para facções rivais ou para se reforçar de possíveis investidas policiais", explicou a polícia.

Devido ao confronto na região, o metrô chegou a interromper a circulação do transporte na região. Às 7h40 as viagens estavam regularizadas. Já a SuperVia, concessionária responsável pelos trens, informou que suspendeu a circulação entre as estações Central do Brasil e Belford Roxo e também para Gramacho.8

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Milho atrasa e encarece ovo: Seca atrapalha milho, ameaça lucro de produtores e deixa carne, ovos e leite mais caros

Viviane Taguchi
Colaboração para o UOL, de São Paulo
Divulgação/CNA (Confederação Nacional da Agricultura)

O clima seco está interferindo no desenvolvimento das lavouras, principalmente na safra de inverno, que é quando os agricultores plantam e colhem a maior parte do milho produzido no ano. O resultado poderá ser sentido, já nas próximas semanas, na conta do supermercado. Isso porque, com menos milho disponível no mercado, os preços sobem e, consequentemente, também sobem os custos para produzir frangos, ovos, carne e leite (e tudo o que deriva desses ingredientes).

A agricultura segue um calendário que precisa ser cumprido à risca: no final do ano, inicia-se a safra de verão, com o plantio de soja e milho. Com as chuvas do período, as lavouras crescem rápido para serem colhidas entre meados de fevereiro e abril para, então, plantar a safra de inverno. Só que, no ano passado, a chuva não veio, os plantios de verão atrasaram, assim como a colheita, empurrando a safra de inverno (também chamada de safrinha ou segunda safra) para frente.

Resultado: houve queda na produtividade das lavouras de milho do verão, a janela de cultivo para o milho do inverno encurtou, o clima continuou seco, as pragas atacaram as lavouras e os preços estão em alta.

Por um lado, pode ser bom para o agricultor - se ele não perder todo o milho plantado e amargar um baita prejuízo, vai vender a commodity por preços mais valorizados no mercado internacional. Por outro, é ruim para o consumidor, que vai sentir no bolso mais uma alta no preço dos alimentos.

Divulgação/CNA (Confederação Nacional da Agricultura)

Sobe e desce do milho

As expectativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção de milho em 2021 começaram em alta. Em março, a empresa projetou que o país produziria 105 milhões de toneladas do cereal, 2,9% a mais do que no ano passado. Deste volume, 25 milhões de toneladas de milho seriam produzidos na safra verão, e 80 milhões de toneladas, na segunda safra (cultivados em 14,68 milhões de hectares, área 6,7% maior que a de 2020). Aí, veio a estiagem...

Os problemas no campo começaram no início da safra de verão, em setembro de 2020, com o fenômeno La Niña. Com os atrasos (o agricultor esperou muito por chuvas), agora é a safrinha, que começou a ser semeada mais tarde, que sofre. A seca persiste e já se estimam corte de 10 milhões de toneladas na produção.

Em nota, a Conab afirmou "que, enquanto a safrinha de milho não começar a ser colhida, vai faltar milho no Brasil no primeiro semestre". A empresa apontou que, só no mercado doméstico, o consumo do cereal é de 36 milhões de toneladas.

Com as 23,91 milhões de toneladas da safra de verão disponíveis, a diferença entre a demanda e a oferta agora é de 12 milhões de toneladas. Para resolver a situação, o governo vai usar 10 milhões de toneladas dos estoques e importar mais 1 milhão de toneladas de milho do Paraguai, Argentina, Estados Unidos ou Ucrânia.

Divulgação

50 dias sem chuvas

Felippe Reis, da Geosys Brasil, empresa que monitora o clima nas principais regiões agrícolas do país, alerta para uma situação dramática em regiões como o Paraná e Mato Grosso do Sul, onde não chove há mais de 50 dias. "O acúmulo de chuvas no solo é o mais baixo dos últimos 30 anos", afirmou. A expectativa é que chova nos próximos dias. As previsões, porém, só indicam chuvas regulares a partir do dia 10 de maio.

O consultor Paulo Molinari, da Agência Safras, explica que, agora na safrinha, os números da produção de milho foram todos revisados para baixo devido à seca nas regiões produtoras. "Foram registradas perdas significativas nas lavouras do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso", disse ele. A produtividade média da safrinha nessas regiões deve ficar em 4.915 quilos por hectare, abaixo dos 5.537 quilos por hectare colhidos na safrinha passada.

Em regiões como Norte e Nordeste, a situação está menos complicada. Por lá, o volume de milho estimado, em torno de 10,4 milhões de toneladas, deve se manter, e a produtividade deve ser até maior este ano.

Em Mato Grosso, importante área produtiva que deve colher 30,4 milhões de toneladas de milho na safrinha, choveu mais que nas outras regiões, mas de forma irregular. O Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea) informou que aguarda mais chuvas nas próximas duas semanas para salvar as lavouras que foram plantadas com atraso.

Se as secas continuarem, o prejuízo para os agricultores será muito impactante, talvez o maior dos últimos anos. "Tem produtores que vão perder mais de metade da lavoura de milho", lamenta o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), e produtor rural, Cesário Ramalho. "Pelo menos nos próximos dois ou três anos, enfrentaremos dificuldades para equilibrar a oferta e a demanda do mercado".

Segundo o Imea, os agricultores que plantaram o milho no período ideal estão em uma situação mais favorável, já que vão conseguir comercializar o cereal com vantagem. Na Bolsa de Chicago, o milho atingiu US$ 7/bushel (medida do grão), maior preço desde 2013.

Existe menos milho no mundo

O presidente da Abramilho, explicou que, por mais que existam tecnologias agregadas no milho, como as variedades mais resistentes à seca, o clima ainda é um fator predominante na cultura e tem sido um problema recorrente em todos os países produtores como Estados Unidos, China e Argentina, os maiores produtores, respectivamente.

No Hemisfério Norte, o problema é o excesso de chuvas e a neve, enquanto no Sul, a seca. "Temos menos milho no mundo, e o Brasil é o único grande produtor que tem a possibilidade de plantar duas safras", lembrou. "É uma riqueza brasileira, mas infelizmente, para o consumidor final, não há nenhuma vantagem. Os preços dos alimentos vão subir".

Ramalho lembra também que o problema não é só dos brasileiros. "Não é uma situação boa para nenhum consumidor porque, ao mesmo tempo em que a oferta cai, o consumo aumenta em todo o planeta, não há como formar estoques."

A oferta de milho diminuiu em todos os países produtores enquanto a demanda só aumentou no planeta todo, principalmente no período de isolamento social imposto pela pandemia, diz Ramalho. "Na pandemia, o consumo de carnes aumentou em todo o mundo, sobretudo na China, e, para produzir proteínas, nós precisamos de milho", afirmou.

A relação é clara: o milho é o principal ingrediente das rações formuladas para as criações na pecuária. Frangos de corte e de ovos, suínos, peixes, bois e vacas leiteiras dependem do milho para engordar e produzir. A ração é responsável por cerca de 70% do custo de criação na pecuária. "O [preço do] milho sobe, o custo de produção de carnes sobe e todos os produtos que vão para o consumidor final também."

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Socorro do governo

Para minimizar o prejuízo e estimular o plantio de milho na próxima safra, na semana passada o governo aprovou, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), ofertas de mais crédito e mecanismos de apoio à comercialização de milho.

"As medidas são uma resposta à forte demanda mundial por alimentos e à desvalorização do real, que impulsionaram as exportações de grãos e reduziram a disponibilidade local de insumos para ração animal", declarou o diretor de Crédito e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo.

O CMN aumentou o limite de financiamento para a produção de milho, a partir do dia 1º de julho, de R$ 3 milhões para R$ 4 milhões por produtor. A partir da mesma data, os médios agricultores terão acesso ao custeio para o plantio, no limite de R$ 1,75 milhão. Antes, o teto era de R$ 1,5 milhão.

Outra medida permite, excepcionalmente, usar o Financiamento para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP) para a aquisição de milho, limitado a R$ 65 milhões por beneficiário, admitindo o preço de mercado como referência ao invés do preço mínimo. "Todas essas medidas, porém, serão vistas a partir da próxima safra", lembra Ramalho.

Para efeitos imediatos, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao Ministério da Economia, anunciou mais uma a suspensão da alíquota do imposto de importação do milho até o fim do ano, como ocorreu com o arroz em 2020. A medida vale também para soja, óleo e farelo de soja, ingredientes que compõem as rações.

"Vale lembrar que está faltando milho no mercado e a suspensão do imposto vem para tentar esfriar os preços", destacou Ariovaldo Zani, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). A estratégia, segundo ele, pode até prejudicar o setor. "Quem tem milho acaba segurando o produto para esperar novas altas de preços e isso atrapalha a capacidade de compra do produtor, que está pagando para produzir."

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Ovos mais caros

A escassez no mercado é grande, e nem países do Mercosul como Paraguai e Argentina estão conseguindo suprir a demanda por milho. A indústria de rações anunciou que está tendo dificuldades para comprar o cereal e negociam com os Estados Unidos e a Ucrânia.

No carrinho do supermercado do brasileiro, o ovo veio ganhando espaço nos últimos anos. "Há 20 anos, cada brasileiro comia 94 unidades de ovo por ano. Dez anos atrás, o número saltou para 148 ovos por ano e hoje, são 251 unidades por ano", disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

A expectativa, é que neste ano, o consumo alcance 265 unidades por brasileiro. "Houve uma quebra dos tabus que envolviam o consumo de ovo e a ciência mostrou que é um alimento saudável."

O setor aponta que aumentaram os custos custos de produção. Em maio de 2020, a saca de milho era comprada pelos produtores de ovos por R$ 46, e hoje em dia, gira em torno de R$ 98 (uma alta de 113%).

Além disso, os insumos, como embalagens descartáveis, tiveram alta de 20% nos últimos meses e, portanto, não vai ter jeito: o ovo também vai ficar mais caro

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Em solidariedade a Diogo Mainardi, que mandou Kakay tomar no c*, Pedro Andrade anuncia saída do “Manhattan Connection”

247 - O jornalista Pedro Andrade anunciou sua saída do “Manhattan Connection”. Famoso pelo programa na GNT em que faz viagens luxuosas pelo mundo, Andrade tomou essa decisão em solidariedade a Diogo Mainardi, que pediu demissão do programa na última terça-feira, após ser rechaçado por mandar um convidado, o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, tomar no c* e ainda citar o “guru” Olavo de Carvalho durante sua agressão verbal.

Lucas Mendes e Caio Blinder, por razões contratuais, ainda estão à disposição do “Manhattan Connection”. N entando, após o mal estar, o programa corre o risco de ser encerrado na grade da TV Cultura. 

Em nota enviada ao colunista Maurício Stycer, do UOL, a TV Cultura disse não concordar com o caso e que “tomou providências junto à empresa produtora do programa”.

A atitude de Mainardi gerou indignação nas redes socias. Em nota, Kakay afirmou que  “em relação aos inúmeros pedidos para eu me manifestar a respeito da demissão do Sr. Mainardi, esclareço, em homenagem à boa e séria imprensa, que tanto respeito, que não pretendo comentar nada sobre a demissão.  E me reporto ao grande Mia Couto: ´O silêncio não é a ausência de fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra”.

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