GRAFENO

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CPI da Covid:
o que ESPECIALISTAS dizem sobre as MÁSCARAS usadas pelos senadores
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8 medidas CRUCIAIS CONTRA o CORONAVÍRUS (que está mais presente no AR do que nas SUPERFÍCIES)
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Protestos na COLÔMBIA: o que cenário SEM PRECEDENTE indica sobre FUTURO do país - BBC News Brasil
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As vovós que lutam pela democracia na Polônia
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Brasileiros descobrem que água sanitária deixa materiais menos tóxicos

Grafeno - Seagul/ Pixabay
Grafeno Imagem: Seagul/ Pixabay

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

06/05/2021 15h41

Descartar nanomateriais com segurança e com pouco impacto ao meio ambiente é um dos desafios da nossa indústria. Pesquisadores brasileiros descobriram que um tratamento com água sanitária pode reduzir a toxicidade do óxido de grafeno, substância amplamente usada em processos produtivos.

O óxido de grafeno é um nanomaterial à base de carbono, utilizado em diversas indústrias e produtos, como tintas, filtros, embalagens, catalisadores, dispositivos eletrônicos, insumos biomédicos, remédios, cosméticos, itens para construção civil, e muito mais. Minúsculo, ele é capaz de conferir novas funcionalidades e alterar propriedades, como viscosidade, resistência mecânica e condutividade elétrica, entre outras. E isso pode ser nocivo quando está fora do lugar.

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No Brasil, o CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP), investiga maneiras de prevenir impactos da substância sobre a saúde humana e ambiental. "Diferentemente de outras fases do desenvolvimento tecnológico e industrial, a era da nanotecnologia chega com a consciência global e de que a incorporação de novos materiais deve vir acompanhada de maiores cuidados com a gestão de resíduos, considerando o ciclo de vida completo do produto", declarou o Centro em um comunicado.

Recentemente, os cientistas desenvolveram um método simples, barato e promissor para degradar o óxido de grafeno, reduzindo sua toxicidade: com hipoclorito de sódio (água sanitária). O estudo foi publicado na revista Chemosphere.

A pesquisa

De acordo com o CNPEM, ligado ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), o óxido de grafeno se degrada e se torna muito mais solúvel e menos tóxico após ser incubado em água sanitária por uma semana.

"As partículas de óxido de grafeno degradadas ficam com tamanho menores que 30 nanômetros de diâmetro. Enquanto as sem modificação ou não degradadas, estão em torno de 150 nanômetros de diâmetro", informa o pesquisador Diego Martinez em comunicado.

A redução de tamanho das partículas, porém, poderia aumentar os riscos toxicológicos do grafeno e torná-lo mais perigoso. Para investigar a toxicidade, os cientistas fizeram testes com milimétricos vermes nematoides da espécie Caenorhabditis elegans.

Experimento com água sanitária no óxido de grafeno - Reprodução - Reprodução
Imagens de microscopia hiperespectral de campo escuro (EDHM) do nematoide modelo C. elegans: a) controle; b) expostos ao oxido de grafeno e c) expostos ao óxido de grafeno degradado. Os pontos vermelhos indicam os materiais de grafeno aderidos na cutícula e intestino do organismo após 24 horas de exposição Imagem: Reprodução

Organismos em contato com óxido de grafeno bruto tiveram sobrevivência, crescimento e reprodução afetados. Já os submetidos ao material degradado com hipoclorito de sódio não sofreram efeitos nocivos.

Para confirmar a interação e absorção oral da substância, foi utilizada uma avançada técnica de microscopia hiperespectral, que permite rastrear nanopartículas dentro de tecidos biológicos com alta resolução.

"Após a degradação do óxido de grafeno, nós verificamos uma redução da toxicidade aguda em aproximadamente 100%; além de ausência de efeitos sobre a fertilidade e reprodução dos organismos. Então imaginamos que esse pode ser um método útil para mitigar riscos e descartar resíduos materiais à base de grafeno com segurança", explica Martinez.

Estudos complementares ainda são necessários para a exploração tecnológica do método, que tem o potencial de aprimorar os métodos de gestão de resíduos gerados por este tipo de material durante seu ciclo e levar mais sustentabilidade aos processos industriais.

Os próximos passos da pesquisa incluem testar o grafeno degradado em outros organismos, como bactérias, algas, peixes e células de humanos, e analisar as interações com outros materiais presentes em efluentes (rejeitos industriais que eventualmente vão parar em rios e mares). Assim, poderemos ter um entendimento global de seu impacto sobre os seres vivos e o meio ambiente.

O CNPEM é um dos mais avançados laboratórios do mundo, berço do mais complexo projeto da ciência brasileira: o acelerador de partículas Sirius.

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Como a 'segura' Suécia enfrenta onda de assassinatos de mulheres - BBC News Brasil

  • Maddy Savage
  • Da BBC News na Suécia
Mulher na Suécia
Legenda da foto, Seis mulheres foram mortas em apenas cinco semanas na Suécia, país elogiado por sua igualdade de gênero; algumas mulheres ouvidas pela BBC dizem que não se sentem seguras nas ruas

Seis mulheres foram mortas em apenas cinco semanas na Suécia, reacendendo debates sobre violência doméstica em um país geralmente elogiado por sua igualdade de gênero.

As mortes aconteceram em três regiões diferentes e abrangeram três gerações, mas em quase todos os casos houve um traço comum: a prisão de um homem com quem elas tinham um relacionamento próximo.

Dois dos assassinatos ocorreram em plena luz do dia: um no centro de uma cidade rural no sul do país e outro numa estação ferroviária e rodoviária em Linkoping, uma cidade universitária ao sul da capital sueca, Estocolmo.

Em Flemingsberg, um subúrbio de Estocolmo de baixa renda repleto de blocos de prédios coloridos, uma mulher foi esfaqueada no apartamento que dividia com quatro filhos pequenos. O homem preso sob suspeita de seu assassinato é alguém que ela conhecia bem.

'Não me sinto tão segura'

"Eu acho que essa violência contra as mulheres tem que ser trazida mais à tona porque não está tudo bem", diz Kristian Jansson, 51, enquanto faz compras em Flemingsberg com sua filha Emma-Louise, de 18 anos.

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A adolescente diz que os recentes assassinatos aumentaram as preocupações mais amplas sobre a segurança das mulheres na região, onde ela raramente sai sozinha. "Não me sinto tão segura ... Porque tem muita gente que mata por aqui."

Legenda da foto,

Houve aumento de 15,4% de casos de violência doméstica contra mulheres no período de um ano

A recente onda de assassinatos ocorre em meio a preocupações crescentes sobre a violência contra as mulheres na Suécia, que há muito tempo mantém a reputação de um dos países mais seguros e com maior igualdade de gênero.

Em 2020, 16.461 casos de violência doméstica contra mulheres foram reportados na Suécia. Isso representa um aumento de 15,4% em relação ao número de 14.261 de 2019, registrado pelo Conselho Nacional Sueco para a Prevenção do Crime.

'Governo feminista'

A Ministra da Igualdade de Gênero da Suécia, Marta Stenevi, diz que está "chocada e chateada" com a violência mais recente, mas não surpresa. "Em muitos aspectos, avançamos bastante na igualdade de gênero na Suécia, mas ainda convivemos com as estruturas de uma sociedade que reprime as mulheres", diz ela.

Há duas semanas, ela organizou conversas entre partidos sobre o assunto, depois que políticos de todo o espectro condenaram os últimos assassinatos e fizeram lobby por ações mais duras.

Legenda da foto,

Um dos assassinatos ocorreu em Flemingsberg, um subúrbio da capital Estocolmo

O autodenominado "governo feminista" da Suécia já estava na metade de uma estratégia nacional de 10 anos que inclui melhorar a educação e oferecer mais proteção e apoio às mulheres ameaçadas.

No final deste mês, uma nova comissão de crise apresentará uma atualização do plano, que deve incluir sentenças de prisão mais longas e um aumento no uso de monitoramento eletrônico e de medidas restritivas contra agressores.

É improvável que enfrente oposição no parlamento, embora não vá tão longe quanto alguns partidos esperavam.

A polícia saudou o foco renovado, e o chefe da polícia nacional, Anders Thornberg, descreveu a exposição das mulheres à violência doméstica como "um grande problema que requer mais ação". Ele diz que seus policiais já estão priorizando os ataques a mulheres e crianças, com um investimento recente em 350 funcionários extras empregados para lidar com esses tipos de crimes.

Mas Thornberg avalia que as punições criminais são apenas um "ponto de partida". Ele está pedindo uma melhor cooperação entre as autoridades suecas, como serviços sociais e de saúde, e que a sociedade em geral leve o assunto mais a sério.

'Mais palavras do que qualquer coisa'

Na sede da Organização Nacional para Abrigos de Mulheres da Suécia, em Estocolmo, a diretora Jenny Westerstrand concorda que há uma sensação de fadiga pública em torno dos ataques domésticos nos últimos anos que precisa ser tratada.

Legenda da foto,

Emma-Louise Jansson diz que dificilmente sai sozinha

"Muitas pessoas na Suécia estão quase cansadas de falar sobre violência … Já que está sempre na ordem do dia, mas nunca foi abordada de forma adequada", diz ela.

Ela diz, no entanto, ter esperança de que a reação política e pública aos últimos assassinatos venha a ser um ponto de virada. "Até agora, são mais palavras do que qualquer coisa, mas as palavras estão mais fortes, eu acho, do que antes."

'Valores importados'

Um ponto controverso é a hipótese de que a violência recente esteja conectada à recente onda de imigração da Suécia. A polícia sueca não registra suspeitos de crimes de acordo com sua etnia, mas os promotores dizem que vários dos homens que estão sendo julgados não são suecos, e isso tem sido usado como munição por grupos anti-imigração.

Legenda da foto,

Para diretora da Organização Nacional para Abrigos de Mulheres da Suécia, pandemia pode ser um fator

Em um debate televisionado na semana passada, o líder do partido dos nacionalistas democratas suecos Jimmie Akesson pediu uma repressão ao que ele descreveu como "valores importados" que sancionam a violência contra as mulheres.

A Ministra da Igualdade de Gênero da Suécia, Marta Stenevi, disse que a Suécia tem problemas com os chamados "crimes de honra", que têm como objetivo proteger ou defender a suposta reputação de uma família ou comunidade extensa.

Mas ela acredita que rotular a violência contra as mulheres como uma "questão de imigrantes" é "reduzir o problema", já que a violência contra mulheres está "profundamente enraizada" em toda a sociedade sueca, segundo ela.

A pandemia é um fator?

Jenny Westerstrand, da Roks, acredita que pelo menos parte da violência mais recente pode estar relacionada à pandemia. A Suécia pode ter evitado lockdowns formais, mas ela diz que a disseminação do coronavírus forçou mulheres de todas as origens a passar mais tempo em casa.

"Elas não procuram ajuda como fariam se a sociedade estivesse aberta. Portanto, achamos que elas podem continuar em relacionamentos, e as coisas estão piorando."

As opiniões estão fortemente divididas em Flemingsberg, onde florestas de pinheiros se cruzam com uma área comercial de concreto alta.

"As pessoas que moram aqui não querem aceitar as leis suecas", disse uma mulher de 25 anos que pediu para não ser identificada.

Legenda da foto,

'Uma mulher não está segura com um homem que está batendo nela, se ela é da África, da Suécia ou de qualquer outro lugar do mundo', diz Sandra Engzell

Mas outras, como Sandra Engzell, de 28 anos, acham que os imigrantes se tornaram bodes expiatórios para um problema muito mais amplo.

"Não acho que tenha a ver com o lugar de onde você vem. Uma mulher não está segura com um homem que está batendo nela, se ela é da África, da Suécia ou de qualquer outro lugar do mundo."

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Protestos na Colômbia: o que cenário sem precedente indica sobre futuro do país - BBC News Brasil

  • Daniel Pardo
  • Correspondente da BBC News Mundo na Colômbia
confronto entre polícia e manifestantes na Colômbia
Legenda da foto, Apesar da violência, a Colômbia é um país reconhecido pela estabilidade econômica e política. Mas isso parece estar mudando

Polícia e estações de transporte incendiadas. Estradas interrompidas por diversos dias. Escassez de produtos. Um número desconhecido de mortos e desaparecidos. Um estado de incerteza e nervosismo agudo.

A Colômbia viveu muitos momentos delicados ao longo de sua traumática história, mas agora parece estar trilhando um caminho desconhecido em pelo menos três áreas diferentes: o protesto social, a economia e a representação política.

Houve momentos importantes no passado que marcaram a história da Colômbia, como a onda de violência que antecedeu a assinatura da Constituição de 1991 ou os tumultos de 1948 após o assassinato do candidato Jorge Eliécer Gaitán que deram origem a grupos de guerrilha no país.

O desfecho da crise atual é desconhecido e por isso é difícil fazer comparações sobre sua relevância histórica. Será que podemos estar assistindo a um divisor de águas semelhante?

O que parece claro, segundo especialistas consultados pela BBC News Mundo, é que a situação atual é inédita. E isso se explica muito porque o processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2016 abriu uma caixa de Pandora de demandas e problemas que antes eram estavam fora do alcance dos colombianos por causa da guerra.

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"Tenho 74 anos e digo que nunca vi uma elite política tão incapaz de encontrar soluções", diz o historiador Carlos Caballero Argáez.

O governo de Iván Duque lançou uma nova mesa de negociações para reduzir as tensões e buscar soluções consensuais. Foi o que fez em novembro de 2019, quando os protestos foram mais pacíficos e pontuais e a situação no país menos grave.

Hoje o presidente enfrenta desafios de todos os lados: em seu partido, nas ruas, nas Forças Armadas, em questões fiscais e na política.

Em exatamente um ano, a Colômbia realizará eleições gerais e presidenciais. E todos os desdobramentos deste momento têm uma relevância eleitoral.

A BBC News Mundo conversou com vários especialistas para tentar entender o que está acontecendo.

Uma greve ampla e sustentada

Um primeiro novo elemento desta crise é o tamanho do protesto social.

"A amplitude e a sustentabilidade [dos protestos] são inéditas", afirma Mauricio Archila, especialista em movimentos sociais.

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Legenda da foto,

Os protestos na Colômbia foram massivos e se espalharam por muitas cidades e vilas do país

Os protestos desta vez atingiram municípios de pequeno e médio porte. Foram convocados por jovens, mas contam com o apoio de idosos e de populações minoritárias. Eles paralisaram a produção, o abastecimento e o transporte em lugares inesperados.

"Esta greve atingiu lugares onde os protestos não aconteciam ​​antes e continuou por vários dias sem parar", acrescenta Archila.

E conclui: "Sou muito cético em relação às comparações, e não quero entrar no assunto Bogotazo (o protesto de 1948) ou da greve cívica de 1977, mas a verdade é que esta greve produziu uma aliança trabalhador-camponês-indígena que talvez nunca tivesse sido tão equilibrada."

A Greve Nacional é um movimento heterogêneo cheio de contradições e conflitos internos. Não existe uma liderança clara e há representações de quase todos os setores. O futuro do movimento depende de como essa diversidade vai trabalhar junta.

"Mas o que é evidente é que a força da greve surpreendeu toda a classe política", diz Daniel Hawkins, pesquisador da Escola Sindical Nacional.

"No meio da terceira e mais forte onda de contágio (da covid) e após a ordem do tribunal de Cundinamarca que proibiu multidões, os políticos não imaginavam que as pessoas iriam para as ruas de forma massiva", diz Hawkins.

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Getty Images

Legenda da foto,

Os protestos se intensificaram após os confrontos com as forças de segurança pública

Os protestos já tiveram dois efeitos inesperados em um país onde a mobilização social, que é esporádica e costuma ser rotulada de "subversiva", raramente teve consequências políticas: a retirada da reforma tributária da pauta e a queda do ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla.

O que é difícil prever é se esse movimento, que parece novo e original, terminará em uma situação que tem precedentes na Colômbia: a de uma violência avassaladora.

Uma economia desestabilizada

A economia colombiana é há décadas a mais estável da América Latina: a que teve menos recessões no século 20, a que não apresentou hiperinflação e a que não deixou de cumprir seus compromissos de dívida em 80 anos.

Mas agora a situação é diferente.

"Poucas vezes — para não dizer nunca — tinha visto o país em uma situação tão difícil como a que vivemos hoje", escreveu em sua coluna o prestigioso economista e ex-ministro Mauricio Cárdenas.

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EPA

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Duque disse que sua prioridade é conseguir uma reforma tributária

E Caballero Argáez acrescenta: "A última vez que a responsabilidade fiscal do país foi questionada foi durante a crise da dívida latino-americana (início dos anos 1980), mas naquela ocasião a Colômbia conseguiu refinanciar a dívida e um acordo de monitoramento com o FMI que nos permitiu ser o único país latino-americano que não entrou em recessão nem precisou reestruturar dívidas."

Hoje os títulos colombianos são classificados como "junk" ("lixo") nos mercados internacionais, o peso colombiano está atingindo recordes de desvalorização e, pela primeira vez em anos, a capacidade de pagamento e emissão da dívida do país é questionada.

"A Colômbia tem um problema de arrecadação (fiscal) toda vez que há uma crise, porque sua arrecadação em tempos normais sempre foi baixa", diz a cientista política Mónica Pachón.

"Mas eles sempre puderam resolver isso com reformas tributárias emergenciais e com impostos temporários que conseguiram nos tirar do problema."

"A diferença agora é que uma reforma nunca gerou tamanha oposição, mesmo sem chegar ao Congresso, e sua retirada nos deixou em uma situação incômoda", explica Pachón, que é a reitora de Ciência Política da Universidad del Rosario.

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O número de mortos e feridos nos protestos vem aumentando

Duque disse que sua prioridade é conseguir uma reforma o mais rápido possível para que seja aprovada no Congresso. Os economistas acreditam que se chegará a uma solução que provavelmente terá menor arrecadação de impostos, mas que pelo menos tirará o país da crise.

No entanto, o famoso modelo neoliberal e ortodoxo de estabilidade da Colômbia mostrou rachaduras pela primeira vez em sua história.

Uma política radicalizada

Além de economicamente estável, a Colômbia tem sido um país sem muitos altos e baixos políticos: exceto por um pequeno período na década de 1950, a democracia em seu sentido mais formal — eleições a cada quatro anos e transições de poder sem conflitos — se manteve intacta.

Embora a violência não tenha deixado de ser um problema desde a década de 1950, o bipartidarismo entre liberais e conservadores (que passaram a se alternar no poder por acordo) permitiu que se gerasse a ideia de que as instituições democráticas não corriam perigo.

A Colômbia sempre foi considerada, pelo menos no exterior, como uma democracia estável.

Mas, nesta crise, a classe política não tem conseguido chegar a soluções, apontam analistas. Duque convocou os militares para controlar a situação (embora vários prefeitos critiquem isso). Alguns até cogitam cenários de golpes de Estado e o líder nas pesquisas para as eleições de 2022 é Gustavo Petro, um candidato de esquerda que fez parte da guerrilha.

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Muitos colombianos denunciam que o Estado tem sido repressivo

"A violência dos protestos, que também é seguida em suas redes por pessoas que sequer entendem ou se aprofundam sobre o tema, torna a política mais polarizada e ideológica, com a consequência de que se chegar a soluções fica muito mais difícil", explica Pachón.

Um dos efeitos do processo de paz de 2016 foi o estatuto da oposição, um mecanismo que dá garantias aos críticos do Executivo, mas também aumenta sua capacidade de dificultar suas iniciativas.

"Você acrescenta a isso o fato de que Duque é um presidente fraco mesmo dentro de seu partido e você tem um terreno fértil para os problemas", diz Pachón.

Na Colômbia, como em toda a América Latina, sempre houve uma crise de representação política, mas talvez nunca antes a desconfiança da população em relação à classe política tenha sido tão evidente.

"O que estamos vendo é um descontentamento generalizado e talvez irremediável, é quase uma situação pré-revolucionária", diz Caballero.

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Os esquadrões de choque foram responsabilizados por várias mortes durante os protestos

As consequências podem ser muitas: desde a renúncia do presidente, sem precedentes na Colômbia desde os anos 1950, até a eleição de um candidato, seja de esquerda ou de direita, que rompa com as até então estáveis ​​instituições democráticas do país.

"Isso se resolve com um candidato que gere confiança entre as diferentes partes da população ao mesmo tempo, inclusive no establishment político", diz Pachón.

"Mas temo que, agora, estejamos mais longes disso do que nunca."

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8 medidas cruciais contra o coronavírus (que está mais presente no ar do que nas superfícies) - BBC News Brasil

  • María Cruz Minguillón
  • The Conversation*
Ilustração de um homem usando uma máscara cercada por sprays
Legenda da foto, Os aerossóis permanecem flutuando no ar por minutos ou horas e, nesse tempo, podem percorrer vários metros

Que a covid-19 é transmitida principalmente pelo ar é uma realidade indiscutível neste momento.

Ela consegue isso através dos agora famosos aerossóis, que nada mais são do que pequenas partículas de saliva ou fluido respiratório emitidas pelas pessoas quando respiram, falam, gritam ou tossem.

Embora esteja claro que os aerossóis emitidos por pessoas saudáveis ​​não são um problema, aqueles emitidos por pessoas infectadas podem conter vírus. O problema é que eles permanecem flutuando no ar por minutos ou horas e, nesse tempo, podem se mover vários metros.

Em ambientes internos mal ventilados, os aerossóis de uma pessoa infectada são distribuídos por todo o espaço, com o risco de outras pessoas serem infectadas ao inalá-los. O ar de uma sala fechada funciona como uma piscina: se houver uma fonte que coloca água com coloração (nosso vírus) na piscina, depois de um tempo toda a água da piscina (nosso ar) terá mudado de cor. Não importa se estou perto ou longe da fonte: a água estará colorida.

Como sabemos tudo isso? Além do conhecimento pré-pandêmico da dinâmica de fluidos e aerossóis, no último ano, vários estudos foram realizados. Alguns deles detectaram o vírus SARS-CoV-2 infeccioso no ar de ambientes internos. Experimentos com animais mostraram que o contágio existe mesmo sem contato algum.

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Uma máscara mal ajustada (com lacunas entre a borda da máscara e o rosto) pode ver sua eficácia cortada pela metade

Vários eventos de supercontágio — em que uma única pessoa infecta muitas — que só podem ser explicados pela transmissão de aerossol, também foram estudados.

Foi observado que ser infectado em ambientes fechados é 20 vezes mais provável do que ao ar livre, o que novamente só pode ser explicado pela transmissão de aerossol. A revista acadêmica de saúde The Lancet publicou recentemente um artigo que não deixa dúvidas quanto à importância da via de transmissão por aerossóis.

Sabe-se que as pessoas infectadas são principalmente contagiosas antes de apresentarem sintomas (pré-sintomáticos) ou quando sequer apresentam sintomas (assintomáticos). Assim, é impossível, na ausência de testes com diagnóstico imediato, confiáveis ​​e abundantes, saber quem é contagioso e quem não é. Portanto, é preciso agir como se todas as pessoas fossem. Temos que nos proteger continuamente.

A desinfecção de superfície faz sentido?

Por uma série de razões, as transmissões por superfície e por gotículas por muito tempo foram consideradas as principais formas de contágio, apesar da falta de evidências.

A transmissão por superfície ocorre quando uma pessoa toca uma superfície que contém vírus e, em seguida, toca seus olhos, nariz ou boca. As gotas são grandes partículas emitidas ao falar, tossir ou espirrar, que podem atingem os olhos, entrar no nariz ou na boca de outra pessoa. Por esse motivo, as medidas adotadas se concentraram principalmente na desinfecção de superfícies e na proteção contra gotas (distanciamento ou barreiras físicas).

Mas a realidade é que a principal transmissão é por aerossóis, também em curtas distâncias. Os Ministérios da Ciência e da Saúde da Espanha publicaram relatórios sobre a transmissão de aerossóis no final de 2020, embora as conclusões não tenham se refletido muito nas medidas aplicadas desde então.

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Atividades ao ar livre devem ser promovidas. Isso implica facilitar o uso de parques e jardins e ficar de olho em 'falsos ambientes externos', como terraços fechados

É preciso mudar a estratégia. A descoberta da transmissão via aerossol do SARS-CoV-2 não é uma má notícia. O SARS-CoV-2 foi transmitido dessa forma desde o início da pandemia.

Ignorar isso nos levou a direcionar esforços erroneamente. Saber qual é a principal forma de transmissão do covid-19 é nossa melhor ferramenta para evitá-lo.

Vários artigos científicos refletem isso. A própria revista Nature, em seu editorial de fevereiro de 2021, pediu mudanças: "O coronavírus está no ar: há muita ênfase nas superfícies".

Temos que fazer isso agora. Como? Mais de 100 cientistas espanhóis identificaram oito pontos-chave para acabar com a pandemia. É um consenso alcançado entre várias áreas do conhecimento como virologia, engenharia, ciências ambientais ou medicina. São explicados numa carta, promovida pelo grupo Aireamos, dirigida às autoridades competentes na Espanha, centrais e regionais.

Medidas prioritárias

1. As máscaras de uso geral precisam ser eficazes. É preciso identificar e retirar do mercado as que não o são e enfatizar a necessidade de um bom encaixe no rosto. Uma máscara mal ajustada (com lacunas entre a borda da máscara e o rosto) pode ter sua eficácia cortada pela metade. Em interiores compartilhados, incluindo, é claro, locais de trabalho, ela deve ser sempre usada, independentemente da distância entre as pessoas.

2. Atividades ao ar livre devem ser promovidas. Isso implica facilitar o uso de parques e jardins e ficar de olho em 'falsos ambientes externos', como terraços fechados.

3. Os espaços internos devem ser ventilados com ar externo contínua e suficientemente, usando ventilação natural ou mecânica. Na analogia da piscina, isso significa adicionar água limpa à nossa piscina de forma contínua, e gradualmente retirando a água colorida. Quanto? O suficiente para que a piscina nunca fique muito escura, apesar de a fonte com água colorida não parar.

Os critérios devem ser claramente definidos. Até a OMS publicou recomendações sobre ventilação, embora ainda não explique claramente como ocorrem as infecções.

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Os espaços internos devem ser ventilados com ar externo contínua e suficientemente, usando ventilação natural ou mecânica

4. O CO₂ interno deve ser medido para verificar a ventilação adequada. O CO₂ é emitido junto com os aerossóis quando respiramos, então é um bom indicador da quantidade de ar usado em um local. É a melhor solução atualmente disponível para indicar o risco de contágio.

5. É preciso que se informe sobre a eficácia e os riscos potenciais de várias tecnologias de purificação do ar. A filtragem (filtros conhecidos como HEPA) é a tecnologia preferida para remover aerossóis respiratórios com eficácia.

6. Atenção especial deve ser dada aos centros educacionais, como escolas e universidades. São espaços com características que propiciam eventos de super contágio: muitas pessoas, muitas horas por dia e às vezes pouca ventilação.

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Os centros educacionais são espaços com características que promovem eventos de super contágio

7. Devem ser desenvolvidos e aplicados critérios, procedimentos e regulamentos claros e eficazes para reduzir o risco de contágio. O primeiro pode ser um limite de 700-800 ppm de CO₂ em interiores compartilhados (até 1000 ppm se houver filtragem suficiente).

8. Informação de qualidade é a melhor defesa. São necessárias mensagens claras sobre como o vírus é transmitido e como nos proteger. É fundamental que a população entenda a lógica das regras para adotar o comportamento ideal em cada situação.

Não é difícil. Vamos fazer isso.

*Este artigo apareceu originalmente em The Conversation. Você pode ler a versão original e ver os links para estudos científicos aqui.

María Cruz Minguillón é cientista titular do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (IDAEA), do Conselho Superior de Pesquisa Científica da Espanha (CSIC).

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CPI da Covid: o que especialistas dizem sobre as máscaras usadas pelos senadores - BBC News Brasil

  • André Biernath
  • Da BBC News Brasil em São Paulo
CPI da Covid, com senadores discutindo
Legenda da foto, Máscaras cirúrgicas, de pano, KN95... Modelos utilizados por senadores durante a audiência variaram bastante

Nesta terça-feira (04/05), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as ações do governo no enfrentamento da pandemia de covid-19 começou a ouvir testemunhas — o primeiro convidado foi o médico Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde.

Um detalhe que chamou a atenção de cientistas e profissionais da saúde durante a sessão foi o uso de máscaras, algumas delas inadequadas, pelos parlamentares e assessores.

"Em primeiro lugar, é preciso enfatizar e parabenizar todos os presentes, que usaram máscara o tempo todo. Diante do que vemos em outros eventos governamentais, isso já é algo positivo a ser destacado", observa o físico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos.

Se a presença constante desse equipamento individual de proteção surpreendeu positivamente, a preocupação está na qualidade dos modelos usados pela maioria dos senadores.

Muitos vestiram máscaras cirúrgicas ou feitas de tecido, que não são as mais adequadas naquele contexto.

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"Eles permanecerão por longas horas num local fechado, ao lado de muita gente e conversando o tempo todo. Esse é um ambiente que apresenta um maior risco de infecção", analisa Mori, que também integra o Observatório Covid-19 BR.

"Para a própria proteção deles, seria interessante que todos estivessem utilizando máscaras do tipo PFF2, que têm uma melhor capacidade de filtração das partículas", sugere o especialista.

Saiba a seguir quais são as diferenças entre cada um dos modelos utilizados pelos parlamentares.

Máscara de tecido

Desde o início da pandemia, elas são as mais populares e foram adotadas em larga escala — essa, inclusive, foi a escolha do presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM).

A peça funciona como uma barreira, que bloqueia a entrada e a saída de partículas muito pequenas de saliva, que podem conter o coronavírus.

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Edilson Rodrigues/Agência Senado

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O senador Omar Aziz (PSD-AM) usou uma máscara de tecido durante a sessão com o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta

"É importante que ela tenha ao menos duas camadas de tecido e fique bem aderida ao rosto, cobrindo ao topo do nariz, a boca e o queixo", descreve a médica Raquel Stucchi, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Esse ponto da adesão à pele é essencial: de nada adianta usar uma máscara frouxa, que deixa espaços nas proximidades do nariz ou nas bochechas.

O vírus vai "aproveitar" justamente essas brechas para invadir o organismo e iniciar uma infecção.

Após o uso, ela deve ser lavada e pode ser reutilizada enquanto estiver sem rasgos ou outros danos.

"Não precisa usar água sanitária ou álcool. Basta lavar na máquina, junto com as outras roupas, e depois deixar secar no sol", indica Stucchi, que também é professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

As máscaras de tecido também devem ser substituídas se ficarem úmidas — como os senadores falarão muito ao longo das sessões, é desejável que eles tenham duas ou três peças da reserva para fazer substituições ao longo do dia se insistirem nesta opção.

Máscara cirúrgica

Esse modelo é um clássico e já aparecia em ambientes hospitalares e salas de operação muito antes de a covid-19 virar uma dor de cabeça mundial.

Durante a sessão, vários senadores apostaram nesse tipo de máscara. Um deles foi Ciro Nogueira (PP-PI), uma das vozes mais críticas sobre a instauração da CPI da Covid.

Crédito,

Marcos Oliveira/Agência Senado

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Máscaras cirúrgicas, como a usada pelo senador Ciro Nogueira, precisam ser trocadas a cada quatro horas

Apesar de ter uma boa taxa de filtração de partículas pequenas, esse não é o equipamento mais adequado para locais fechados e com pouca circulação de ar, como parece ser a situação da sala de audiências do Senado Federal.

"O grande problema das máscaras cirúrgicas é o ajuste no rosto, que deixa algumas brechas", aponta Mori.

A peça pode ser útil em ambientes abertos e bem arejados.

Elas também são indicadas para pessoas que estão isoladas com covid-19 e querem diminuir o risco de infecção dos demais moradores da mesma casa.

Por fim, o equipamento é usado em atendimentos ambulatoriais de pacientes que não apresentam sintomas sugestivos de uma infecção pelo coronavírus.

Importante: a máscara cirúrgica deve ser trocada (e descartada) após quatro horas de uso.

Os senadores que usam esse equipamento, portanto, devem se atentar ao tempo e ter um estoque de novas máscaras por perto, já que as sessões devem se alongar por longos períodos.

A BBC News Brasil procurou o senador Ciro Nogueira, que respondeu por meio de uma nota enviada por sua assessoria de imprensa:

"O senador Ciro Nogueira tem optado por usar preferencialmente a máscara cirúrgica ou a N95, por entender que elas são mais eficazes na prevenção da covid-19. Os protocolos de distanciamento e uso frequente de álcool gel também são hábitos adotados pelo senador, não somente nas reuniões de comissão como também no dia a dia".

Máscara de crochê ou tricô

Elas são contra-indicadas em qualquer situação porque não funcionam como uma barreira contra a entrada ou a saída de partículas virais do nariz e da boca.

Isso porque a lã é um material muito grosso e poroso, que permite a passagem de gotículas e aerossóis de saliva.

A mesma coisa não acontece quando a máscara é feita de algodão ou tricoline: a trama desses tecidos é mais ajustada e uniforme, o que impede esse vazamento indesejável.

Logo no início da sessão de hoje (04/05), a senadora Simone Tebet (MDB-MS) fez um breve discurso.

Na hora, ela usava duas máscaras: uma cirúrgica por baixo e outra de crochê por cima.

Crédito,

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Legenda da foto,

Senadora Simone Tebet (MDB-MS) usou duas máscaras, uma de tricô e outra cirúrgica. Estratégia pode funcionar, mas não é melhor que a PFF2

Para Mori, a estratégia da parlamentar não estava necessariamente errada. "A máscara cirúrgica faz a filtragem e a de tricô veda bem o rosto. Juntas, elas podem funcionar bem", analisa.

"Essa ideia até faz sentido, mas ainda assim é melhor garantir uma proteção maior com a PFF2, que tem uma boa disponibilidade no Brasil", completa o físico.

Procurada pela reportagem da BBC News Brasil, Tebet elogiou os cuidados tomados durante a CPI, que definiu como "exemplares".

"Estamos seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, com pouca gente na sala, distanciamento físico, todo mundo com máscaras…", interpreta.

"Nos sentimos muito seguros e acredito que damos um bom exemplo para a população brasileira", avalia a senadora.

Máscara KN95

Esse foi o tipo escolhido por diversos senadores — inclusive pelo vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A máscara KN95 é a versão chinesa similar à N95 dos Estados Unidos e à PFF2 do Brasil.

Crédito,

Jefferson Rudy/Agência Senado

Legenda da foto,

Máscara KN95, usada pelo senador Randolfe Rodrigues, é a versão chinesa parecida com a N95 americana e com a PFF2 brasileira

A preocupação aqui está no controle de qualidade: há fabricantes que usam um material muito duvidoso e com pouca capacidade de filtração.

Levantamentos realizados ao redor do mundo avaliaram a eficácia da KN95 em bloquear as partículas virais e encontraram uma variação muito grande: enquanto algumas máscaras tinham uma eficácia de 95%, em outras, esse índice não chegava nem a 30%.

Mori destaca outra desvantagem: o elástico que mantém a peça rente no rosto.

"Ela costuma ficar presa na orelha, o que não dá uma boa vedação. Geralmente, a PFF2 tem um elástico que fica na nuca e na cabeça, o que traz mais segurança", compara o especialista.

O físico diz que a KN95 tem uma capacidade de filtragem melhor que as máscaras de pano, mas ela não é a alternativa mais indicada para locais de alto risco.

"E o Brasil tem uma boa disponibilidade de PFF2 por um preço baixo. Não há grande dificuldade de encontra-la", reforça.

Máscara PFF2 (ou N95) sem válvula

Esse é o modelo mais indicado por entidades de saúde pública nacionais e internacionais.

Durante a sessão da CPI desta terça-feira (05/04), ela só parece ter sido utilizada por alguns servidores e assessores do Senado Federal.

Esse equipamento conta com uma série de camadas que bloqueiam até as partículas mais diminutas, que costumam passar batidas pelos outros modelos.

Crédito,

Getty Images

Legenda da foto,

Máscaras do tipo PFF2 são consideradas mais eficazes

"Elas são indicadas principalmente para quando vamos ficar num ambiente fechado, sem ventilação natural, na presença de outras pessoas por muito tempo", explica Stucchi.

Durante boa parte de 2020, esse material estava em falta pela enorme demanda mundial.

Por isso, as autoridades pediram que a PFF2 ficasse restrita a profissionais de saúde e pacientes com covid-19 confirmada.

A partir do final de 2020 e início de 2021, a oferta dessas máscaras no mercado aumentou consideravelmente — hoje em dia, é possível encontrá-las por um preço baixo em muitos sites e lojas de equipamentos médicos e de construção.

Elas podem ser usadas com segurança durante um turno inteiro de trabalho (por oito a nove horas).

Para aqueles que sairão à rua rapidamente, a PFF2 pode ser reutilizada algumas vezes.

Basta deixá-la "descansando" no varal por três ou quatro dias num local com boa circulação do ar.

Importante: esse modelo não pode ser lavado com água e sabão, álcool ou outros produtos químicos.

"Vale sempre observar se o elástico ainda está firme e a máscara está vedando bem o rosto, especialmente o clipe metálico que prende o topo do nariz", sugere Mori.

Stucchi também acrescenta que é preciso ficar atento ao fabricante e aos selos que certificam a qualidade do material.

"Tem muita máscara falsificada sendo vendida por aí. É preciso buscar empresas idôneas e com as certificações exigidas", diz.

A BBC News Brasil entrou em contato com as assessorias de comunicação dos senadores Omar Aziz e Randolfe Rodrigues, que foram citados ao longo da reportagem, para que eles tivessem espaço para comentar sobre o uso das máscaras e as outras medidas de proteção que estão sendo tomadas durante a realização da CPI da Covid.

Até o fechamento deste texto, porém, eles não haviam enviado nenhuma resposta.

*

As vovós que lutam pela democracia na Polônia

Idosas polonesas organizam protestos regulares contra erosão da democracia no país, governado por partido ultraconservador. "Não sou capaz de ficar tranquila em casa, cada violação dos direitos me dói", diz aposentada.

Clima de fim de expediente em Varsóvia, confusão no sinal de trânsito entre o "Presente de Stalin" (o Palácio da Cultura) e a estação ferroviária. Transeuntes apressados, a maioria concentrada no monitor do celular, como se quisessem ficar ainda um pouco mais anônimos do que já são, em meio cinza-concreto da metrópole.

Justamente por isso, destaca-se em meio à massa um pequeno grupo colorido, a maioria de terceira idade e do sexo feminino. Eles portam faixas e agitam bandeiras do arco-íris e da União Europeia. Um alto-falante berra: "Vai ficar maravilhoso, vai ficar normal!".

Na verdade, essa canção de rock cult está associada na Polônia ao fim da ditadura comunista, em 1989, porém desde o começo da pandemia de covid-19 ela voltou a se transformar em símbolo musical de esperança.

05:04 min
CAMAROTE.21 | 18.03.2021

Polonesas gritam pelo direito ao aborto

Também essas manifestantes têm esperança: de que o país deixe de seguir o curso do partido do governo, o nacional conservador Direito e Justiça (PiS). Elas se denominam "Polskie Babcie" – Vovós Polonesas – e querem ser mais do que o clichê da velhinha que prepara pierogi, os tradicionais pastéis cozidos, tricota e dedica seu tempo aos netos.

Estas senhoras ativistas até fazem esse tipo de coisa, mas além disso vão às ruas; muitas já protestam regularmente há seis anos. Como símbolo, escolheram a bandeira do arco-íris, em geral associada à comunidade LGBT. A delas traz o enunciado: "Vovós Polonesas. A força dos impotentes".

"Raiva é necessária para se agir"

Nesse fim de tarde, as Babcie desfilam pelo centro de Varsóvia. Pedestres as olham céticos, alguns se viram, uma jovem faz sinal de aprovação com o polegar, outra pergunta se pode tirar uma foto junto com as manifestantes.

Em geral, são os mais jovens a mostrar aprovação pelo que as senhoras estão fazendo. "Os jovens costumam aplaudir", comenta à DW Krystyna Piotrowska, que dentro de alguns meses fará 70 anos. "Pouco tempo atrás, uma moça veio até mim e agradeceu por nossas atividades. Ela disse que, graças a nós, se sentia segura."

Partindo dos que estão na faixa etária das Vovós, tais reações são antes raras,. "É mais fácil virem uns xingamentos que você não ia gostar de ouvir, pode acreditar", conta Piotrowska. Situações desagradáveis são também frequentes, como quando alguém lhes arranca a flâmula das mãos, ou diz que deveriam estar portando uma bandeira polonesa alvirrubra, em vez da do arco-iris.

Porém isso não é motivo para se deixar intimidar: "O que me impulsiona é a raiva. Ela pode ter uma má fama, mas é necessária para se agir", explica a manifestante, que não só é avó, como também bisavô de três.

De início, as Babcie se reuniam para ocasiões concretas, como dar respaldo aos juízes críticos ao governo. Mas agora protestam todas as semanas, e cada uma se concentra numa causa. Para Anna Łabuś, de 77 anos, por exemplo, é a luta contra "o aniquilamento da Constituição polonesa", para outra, trata-se da "imprensa independente e livre", outra ainda está apreensiva com o futuro do sistema de educação.

ASSUNTOS RELACIONADOS

"Não sou capaz de ficar tranquila em casa, cada violação dos direitos me dói", prossegue Łabuś. "A UE deveria prestar mais atenção para que verbas estão fluindo para a Polônia e impor condições, a fim de que o nosso país volte a ser um Estado direito."

Algumas Vovós Polonesas se manifestam regularmente há seis anos

Democracia, um bem por que é preciso lutar

E quanto às concidadãs e concidadãos que pensam totalmente diferente? "Os 30% que votaram no PiS compensam os seus fracassos com as benefícios sociais que recebem do Estado", aponta Łabuś. "Nenhum deles pensa de onde esse dinheiro vem."

No entanto, além dos simpatizantes e dos opositores do partido nacionalista do governo, há ainda os que estão "no meio". "O pior de tudo são os indiferentes, e infelizmente no momento eles são a maioria", afirma Iwonna Kowalska, presidente das Polskie Babcie. "Eles ainda tem seu celular, seu passaporte, podem viajar. Não estão cientes do que estão tirando deles, passo a passo, e que em breve pode ser tarde demais para frear o processo. Nós tentamos lhes explicar."

A principal luta das Vovós é para que seus netos possam viver numa Polônia democrática. "Eu provavelmente não vou mais estar viva quando a minha neta estiver grande", comenta Kowalska, que conta 67 anos. "Mas para mim é importante ficar na memória dela como alguém que lutou pelos seus direitos." É impensável deixar para a neta um país "em que ela só possa fazer pierogi".

A presidente das Vovós cresceu durante a ditadura comunista polonesa (1945-89). Na época, muitos de sua idade lutaram contra o sistema e para viver num país democrático e livre. "Em 1989 a gente pensava; 'Agora temos a democracia, e ela vai ficar para sempre", recorda.

"Mas aí ficou constatado que a democracia é algo que se pode simplesmente dispersar com um sopro. Quando não se cuida o tempo todo dos valores fundamentais de uma sociedade, pelos quais todo mundo deveria se empenhar, pode acontecer que, de uma hora para a outra, a democracia deixe de existir."

"Nacionalistas também têm avó"

Atualmente as Polskie Babcie são apenas uma dezena. Antes do coronavírus, eram cerca de 30, conta Iwonna Kowalska. Em sua opinião, de um modo geral são muito poucos os que se manifestam na Polônia.

O PiS venceu pela segunda vez consecutiva as eleições parlamentares, em todas as faixas etárias. O partido de Jarosław Kaczyński alcançou em 2019 o auge de popularidade entre os maiores de 60 – a geração das Vovós Polonesas – com 55% dos votos.

Esses eleitores mais consequentes do Direito e Justiça parecem ser os mais difíceis de alcançar, também para as Vovós revoltosas. De fato, elas nunca conseguiram convencer um dos cidadãos mais maduros do outro lado da barricada, admite, Iwonna Kowalska. "Eles são empedernidos demais, e nada interessados no que fazemos. Alguns têm problemas de caminhar, mas mesmo assim vêm regularmente aos nossos encontros para nos xingar."

Em contrapartida, o objetivo das avós organizadas "na luta contra o fascismo crescente" não é só protestar, mas também debater. Confrontar olho no olho os nacionalistas em passeata por Varsóvia foi uma ideia que as Polskie Babcie concretizaram. Numa entrevista a um jornal, algumas das ativistas de terceira idade consideraram também convidá-los para um café com bolo: "Afinal, de contas, nacionalistas também têm avó."

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Operação policial mata 25 pessoas no Jacarezinho, em segunda maior chacina da história do Rio

Policiais civis carregam o corpo de uma pessoa morta durante operação na favela do Jacarezinho, nesta quinta-feira, 6 de maio, no Rio de Janeiro.
Policiais civis carregam o corpo de uma pessoa morta durante operação na favela do Jacarezinho, nesta quinta-feira, 6 de maio, no Rio de Janeiro.RICARDO MORAES / REUTERS

Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quinta-feira na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, já se tornou a segunda maior chacina da história do Estado. Um total de 25 pessoas morreram, entre elas o policial civil André Farias, baleado na cabeça, segundo autoridades. Os demais são considerados suspeitos pela Polícia. O Instituto Fogo Cruzado contabilizou um total de 29 pessoas baleadas ao longo de sete horas de operação —entre eles, três policiais civis e duas vítimas de bala perdida. De acordo com o relato de quem acompanha a operação no local, os agentes estão invadindo a casa de moradores para realizar revistas —que só podem ocorrer com mandado judicial— e estão colocando os corpos das pessoas mortas em veículos blindados da corporação. Em uma das imagens recebidas pelo EL PAÍS, três agentes carregam irregularmente um corpo dentro de um lençol branco, atrapalhando qualquer trabalho de perícia.

Em entrevista coletiva por volta de 17h, a Polícia Civil confirmou o número de mortes e afirmou que seis pessoas foram presas, sendo que três delas tinham mandado de prisão expedido. Além disso, a Operação Exceptis também apreendeu 16 pistolas, seis fuzis, uma submetralhadora, 12 granadas e uma escopeta calibre 12. A favela do Jacarezinho é considerada uma importante base do Comando Vermelho, a principal e mais poderosa facção do Rio de Janeiro, e os agentes investigavam o aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas. “As investigações continuam, outras operações virão, e a gente busca não permitir que essas crianças sejam aliciadas pelo tráfico”, afirmou o delegado Rodrigo Oliveira. As autoridades negaram os abusos relatados por moradores e afirmaram que os policiais agiram em legítima defesa. “A única execução que houve foi a do policial, infelizmente. As outras mortes que aconteceram foram de traficantes que atentaram contra a vida de policiais e foram neutralizados”.

A ação policial desta quinta-feira demonstra que, mesmo durante a pandemia de coronavírus, a política de segurança pública do governador Cláudio Castro (PSC) no Estado do Rio segue sendo pautada pelo confronto direto com traficantes de drogas em favelas e bairros periféricos, em desrespeito a uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Em junho do ano passado, o STF proibiu operações policiais desse tipo durante a crise sanitária, salvo em “hipóteses absolutamente excepcionais” e desde que devidamente justificadas ao Ministério Público do Rio —que, por sua vez, afirma ao EL PAÍS ter recebido a notificação da operação desta quinta às 9h, depois de seu início.

Um mês depois da decisão do Supremo, as operações policiais diminuíram 78%, as mortes em tiroteios caíram 70% e a quantidade de feridos, 50%. Ao mesmo tempo, 30 vidas teriam sido poupadas em julho, segundo uma pesquisa feito pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni), da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mas, mesmo com a ordem do STF, os números voltaram a crescer em novembro. Somente em 2021, o Instituto Fogo Cruzado já registrou 30 chacinas —casos em em que três ou mais pessoas foram mortas a tiros em uma mesma situação— na região metropolitana do Rio. “Ao todo, já são 139 mortos nessas circunstâncias”, afirma a plataforma, que monitora os tiroteios no Estado.

Nos dias 16 e 19 de abril deste ano, o ministro Edson Fachin realizou uma audiência pública com familiares de vítimas, organizações não-governamentais, especialistas e representantes das corporações policiais para debater estratégias de redução da letalidade policial. “É surreal que, duas semanas depois dessas audiências, a polícia continue com essa lógica do confronto, que coloca em risco nossa vida e que não respeita os nossos direitos, nossas casas e nossas vidas”, afirmou um morador do Jacarezinho em condição de anonimato.

A operação desta quinta começou por volta de 06h45, com helicópteros dando rasantes e policiais avançando pelos trilhos do trem e do metrô, que cortam a favela na superfície. “Eram muitos policiais entrando por todas as áreas do Jacarezinho. Muitos estão encapuzados. A gente recebeu a notícia que um deles foi baleado, e aí os tiros passaram a ser bem mais intensos”, afirmou o mesmo morador, que acredita que os agentes passaram a agir com revanchismo —como já aconteceu em outras ocasiões no Rio.

O tiroteio intenso também afetou a circulação do metrô e feriu dois passageiros dentro de um vagão. Uma Clínica da Família e outros dois postos de vacinação contra a covid-19 precisaram ser fechados. Os moradores tiveram que se trancar em casa para se proteger dos tiros, deixando as ruas praticamente desertas. Uma noiva estava de casamento marcado e uma mulher grávida havia agendado uma cesariana para o dia.

O chão e a cama de uma casa no Jacarezinho aparecem cobertos de sangue, após operação policial nesta quinta-feira.
O chão e a cama de uma casa no Jacarezinho aparecem cobertos de sangue, após operação policial nesta quinta-feira.SILVIA IZQUIERDO / AP

O EL PAÍS recebeu imagens de corpos caídos no chão e de pessoas ensanguentadas. Também circulam fotografias do interior de algumas casas. Nelas, paredes e pisos aparecem com marcas de bala e grandes manchas de sangue. “Tenho uns 10 relatos de pessoas contando que a polícia entrou em suas casas revistando e jogando tudo para cima. A favela inteira está tomada”, afirma o morador. Em um áudio recebido por este jornal, outra pessoa relata a seguinte cena: “Entramos numa casa aqui com pedaço de massa encefálica. Invadiram a casa de uma senhora e torturaram o cara aqui dentro, a casa está toda suja de sangue”. Outra também relatou que em uma residência havia quatro mortos em uma laje e que os agentes não deixavam ninguém entrar. Há também denúncias de que agentes confiscaram telefones de moradores, sob o argumento de que mandavam informações para traficantes, segundo o G1. “Estão pegando telefone e agredindo morador”, relatou uma pessoa ao programa RJ1, da TV Globo.

A ação resultou na segunda maior chacina do Rio de Janeiro. A maior até o momento ocorreu nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, na Baixada Fluminense, em 2005. Nesse dia, grupos de extermínio formado por policiais mataram 29 pessoas. A operação também supera as chacinas de Vigário Geral, que terminou com a morte de 21 pessoas em 1993; da Vila Vintém, onde uma disputa de traficantes deixou 19 mortos; e do Complexo do Alemão, onde uma operação policial também resultou na morte de 19 pessoas em 2007.

O que dizem as autoridades

A situação está sendo acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro e pela Defensoria Pública do Estado. O EL PAÍS entrou em contato com a Polícia Civil perguntando, entre outros pontos, os motivos da operação policial, se a corporação cumpriu os procedimentos determinados pelo Supremo e como justifica mais de duas dezenas de óbitos. Questionou, além disso, se os agentes agiram com o intuito de vingar a morte do colega, e se tinham mandado judicial para revistar a casa dos moradores. Por fim, buscou confirmar se os agentes estavam, conforme diziam os relatos, colocando os corpos de pessoas mortas nos veículos blindados. O jornal não recebeu nenhuma resposta até a publicação desta reportagem.

Porém, a Polícia Civil responsabilizou durante a coletiva de imprensa o “ativismo judicial” pela morte do policial André Farias, mas negou que estivesse se referindo ao STF. “O sangue desse policial que faleceu em prol da sociedade de alguma forma está nas mãos dessas pessoas e entidades”, afirmou o delegado Oliveira. “A gente não tem como nominar A, B, C ou D. São diversas organizações que buscam nesse discurso impedir o trabalho da polícia. Quem pensa assim está mal intencionado ou mal informado”, acrescentou. E prosseguiu: “Impedir que a polícia cumpra o seu papel não é estar do lado de bem da sociedade. O ativismo perpassa uma série de entidades e grupos ideológicos que jogam contra o que a Polícia Civil pensa. E a polícia está do lado da sociedade.”

Oliveira ainda falou que “é preciso acabar com discurso de pobre coitado e de vitimização desse criminoso”. Seu colega, o delegado Felipe Curi, foi na mesma direção ao falar sobre mortos: “Não tem nenhum suspeito aqui. A gente tem criminoso, homicida e traficante. O que causa muita dor na gente é a morte do nosso colega.”

Ao Ministério Público, o EL PAÍS perguntou se o organismo havia sido informado sobre operação, como determina o STF, e se pretende abrir inquérito para investigar a chacina. A instituição respondeu às 17h19, dizendo que “vem adotando todas as medidas para a verificação dos fundamentos e circunstâncias que envolvem a operação e mortes”, com o objetivo de abrir uma investigação independente. Também garante que a operação foi comunicada às 9h, depois de seu início, mas que a realização de operações policiais não requer prévia autorização ou anuência por parte do Ministério Público. “A Polícia Civil apontou a extrema violência imposta pela organização criminosa como elemento ensejador da urgência e excepcionalidade para realização da operação”, afirmou.

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