CORONAVAC tem MENOR efetividade entre IDOSOS de mais de 80_(OITENTA )_anos do que mostrou estudo clínico do BUTANTAN, diz pesquisa
CORONAVAC tem MENOR efetividade entre IDOSOS de mais de 80_(OITENTA)_anos do que mostrou estudo clínico do BUTANTAN, diz pesquisa
SEM insumos, Fiocruz SUSPENDE produção da OXFORD nesta_quinta_(2021-05-20) ____________ e quanto a (2021-07-14?)
Mesmo VACINADOS, alguns americanos pretendem usar MÁSCARAS ainda por um LONGO_PERÍODO
Lula atrai centrão, elogia FHC e diz que Ciro não quer ser seu amigo
ESCÂNDALOS do Serviço Secreto comprometem a SEGURANÇA na Casa Branca. ________________________________ Que os CÉUS protejam a primeira mulher NEGRA vice-presidente dos EUA.
GOVERNO DESFUNCIONAL _______________________ NÃO HÁ CHANCE de dar certo
Somos todos idiotas
Para escapar da CPI, Pazuello INVENTA a 'COISA_de_INTERNET
De facilitação para CONTRABANDO de madeira até CORRUPÇÃO, entenda as SUSPEITAS que recaem sobre RICARDO SALLES
Com avanço do E-COMMERCE, setor de ENTREGAS e LOGÍSTICA criou quase 90 mil empregos. Veja o PERFIL das vagas
Nota : _____________________________________________ Mônica Bergamo: Homero Olivetto dirigirá filme baseado em último roteiro de FERNANDA YOUNG com o marido
Eva Wilma ________________________________________ Botox 'DEFORMA' e pedir VOLTA de MILITARES 'é coisa de gente RUIM da CABEÇA', disse Eva Wilma em entrevista à Folha
ELA transformou CROCHÊ em NEGÓCIO e EXPORTA as peças até para a EUROPA
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Mônica Bergamo: CORONAVAC tem MENOR EFETIVIDADE entre IDOSOS de mais de 80 ANOS do que mostrou estudo clínico do BUTANTAN, diz pesquisa
Cientistas se debruçaram sobre testes feitos em idosos para detectar a infecção
Um estudo feito pelo Vebra Covid-19, que reúne cientistas de instituições nacionais e internacionais, está pesquisando a efetividade da Coronavac entre idosos de mais de 70 anos depois que a vacina foi aplicada massivamente no Brasil.
VIDA REAL
Os dados iniciais mostram que a efetividade entre os que têm mais de 80 anos foi menor que a eficácia global encontrada nos estudos clínicos realizados pelo Instituto Butantan no Brasil, de 50,7%.
VIDA REAL 2
Já nas faixas mais próximas dos 70 anos, a efetividade bateu com a do estudo feito pelo Butantan. A pesquisa está sendo finalizada e deve ser divulgada na próxima semana.
VIDA REAL 3
Para chegar aos resultados e verificar o impacto real da vacinação na redução de casos (ou seja, a efetividade do imunizante), os cientistas pesquisaram os resultados de testes para a Covid-19 de todos os bancos de dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
VIDA REAL 4
Os exames foram feitos em pessoas com sintomas da doença e que buscaram as unidades para fazer o teste e confirmar se estavam ou não infectadas.
VIDA REAL 5
A pesquisa não revela o que aconteceu depois que a pessoa fez o teste —se seguiu com sintomas leves ou se a doença agravou.
VIDA REAL 6
Um dos objetivos das vacinas, além de tentar evitar a infecção, é prevenir o agravamento e os óbitos causados pelo novo coronavírus.
NO BRASIL
A proporção de mortos por Covid-19 entre os maiores de 80 anos, faixa etária com a vacinação contra a doença em etapa avançada, caiu quase 60% entre janeiro e abril no Brasil. Os dados são de levantamento feito pela Folha no Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.
LISTA
O Vebra Covid-19 é formado por pesquisadores da Fiocruz, das universidades norte-americanas de Stanford, Yale e Flórida, da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto de Saúde Global de Barcelona e da Secretaria de Saúde de SP.
Sem insumos, Fiocruz suspende produção da Oxford nesta quinta
A previsão é que cheguem no sábado (22) dois lotes de IFA para a retomada da produção de 12 milhões de doses

247 - A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vai interromper a produção da vacina Oxford/AstraZeneca a partir desta quinta-feira (20) por falta de insumos importados da China. A previsão é que cheguem no sábado (22) dois lotes de IFA (ingrediente farmacêutico ativo) para a retomada da produção de 12 milhões de doses. A reportagem é do portal R7.
Um dos lotes que estava previsto para o dia 29 de maio foi antecipado. "Com as novas remessas, as entregas de vacinas estão asseguradas até a terceira semana de junho", afirmou a fundação em nota. Segundo a Fiocruz, com o rápido escalonamento que a produção de vacinas atingiu, as remessas de IFA vêm sendo consumidas antes do tempo previsto inicialmente.
"O cronograma de entregas permanece semanal, sempre às sextas-feiras, conforme pactuado com o Ministério da Saúde, seguindo a logística de distribuição definida pela pasta", informou a fundação. Por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), a fundação já entregou 34,9 milhões de vacinas ao PNI (Programa Nacional de Imunização), do Ministério da Saúde.
Entenda por que, mesmo vacinados, alguns americanos pretendem usar máscaras ainda por um longo período
Para alguns estadunidenses, que listam uma combinação de ansiedade, novas variantes do vírus ou mutações resistentes a vacinas, a vida sem máscara está em suspenso

247- Sempre que Joe Glickman sai para fazer compras, ele coloca uma máscara N95 e outra de pano por cima. Depois veste óculos de proteção. O americano tem adotado esse protocolo de segurança nos últimos 14 meses. Não mudou depois que ele contraiu o coronavírus em novembro passado. Nem passou a ser diferente quando, no início deste mês, já estava totalmente vacinado.
Mesmo após o presidente Joe Biden dizer na semana passada que as pessoas totalmente vacinadas não precisam mais usar máscara, Glickman disse que planeja manter seu protocolo por, pelo menos, os próximos cinco anos. A reportagem é do jornal O Globo.
No Brasil, onde a cobertura vacinal é muito inferior, e casos e mortes por Covid-19 seguem em patamares altíssimos, a recomendação é continuar usando máscaras e praticando o distanciamento social por, pelo menos, os próximos meses.
A reportagem ainda diz que, nos EUA, sob outras recomendações de saúde pública, muitos americanos estão dispensando o acessório. Glickman, porém, está entre aqueles que dizem que planejam manter seus rostos cobertos em público indefinidamente.
Para essas pessoas, que listam uma combinação de ansiedade, novas variantes do vírus ou mutações resistentes a vacinas, a vida sem máscara está em suspenso — talvez para sempre.
“Não tenho problemas em ser uma das únicas pessoas (a usar máscara)”, disse Glickman, fotógrafo profissional e músico de Albany, NY. “Mas não acho que serei o único”.
Dados de saúde pública mostram que o uso de máscaras e o distanciamento social tiveram impacto positivo sobre outros problemas de saúde, além de desacelerar a disseminação da Covid-19.
Enquanto mais de 34 mil adultos americanos morreram de gripe na temporada de 2018-19, este ano as mortes devem permanecer na casa das centenas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Usuários de máscaras dizem que seus sintomas de alergia sazonal, por exemplo, parecem ter diminuído.
Lula atrai centrão, elogia FHC e diz que Ciro não quer ser seu amigo

Sputnik - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em série de publicações no Twitter, disse que conversaria com políticos do centrão, elogiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e criticou Ciro Gomes.
Lula afirmou que o centrão, bloco de partidos da Câmara dos Deputados que não possui uma orientação ideológica especifica, não "está todo" com o presidente Jair Bolsonaro. O petista disse que "cada partido tem interesse no seu estado" e conversaria com todos individualmente.
O ex-presidente disse ainda que falou com "mais de 60 políticos" de "vários partidos" na semana passada.
"Semana que vem vou conversar com os movimentos sociais, intelectuais e com o movimento sindical. Quero conversar muito. Quem faz política conversa. Dono da verdade, carrancudo, não serve pra política", adiantou.
Lula afirmou ainda que gostou de entrevista recente na qual Fernando Henrique Cardoso disse que votaria em no petista em um eventual segundo turno entre ele e Bolsonaro em 2022. "Faria o mesmo se fosse o contrário", garantiu Lula.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso revelou recentemente que sentia "mal-estar" por ter votado nulo no segundo turno do pleito de 2018, quando Bolsonaro enfrentou o petista Fernando Haddad.
Também por meio do Twitter, Lula afirmou que "adoraria dizer que o Ciro é um amigo", mas, "infelizmente, ele não quer". O ex-governador do Ceará e ex-ministro vem criticando duramente Lula e O PT. Na segunda-feira, Ciro disse que Lula "era o maior corruptor da história brasileira".
Ciro diz que não quer tratar Lula como amigo, mas como oponente

247 - O ex-ministro e pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, reagiu no Twitter à entrevista “paz e amor” do ex-presidente Lula desta quarta-feira (19) e reafirmou mais uma vez sua oposição ao petista.
“Lula, não é que você não queira brigar. É que para isso você usa bajuladores e seu gabinete do ódio. O que você não quer é debater o país, os projetos, as coisas que o PT fez no poder. Então você reduz a política a uma briga de amigos, a afetos. O povo brasileiro não merece isso”, postou Ciro.
A frase foi em resposta à declaração feita por Lula na entrevista à Folha de Pernambuco, em que o ex-presidente disse não querer brigar com Ciro, nem fazer “jogo rasteiro”. “Ciro, eu não vou brigar contigo, não quero jogo rasteiro. Quando um não quer, dois não brigam”, afirmou o ex-presidente.
Nota _________________________ Mônica Bergamo: Homero Olivetto dirigirá filme baseado em último roteiro de Fernanda Young com o marido
Eva Wilma ___________________ Mônica Bergamo: Botox 'DEFORMA' e pedir volta de militares 'é coisa de gente RUIM da CABEÇA, disse Eva Wilma em entrevista à Folha
Atriz, que morreu no sábado (15), passou uma tarde com a coluna em dezembro de 2015
Morta no último sábado (15) em decorrência de um câncer de ovário, Eva Wilma, 87, passou a tarde de 8 de dezembro de 2015 na companhia desta coluna. Naquela terça-feira, a atriz, então aos 81 anos de idade, se preparava para ir ao lançamento de um livro da também atriz Bruna Lombardi, em São Paulo.
Eva falou sobre aceitar suas rugas, disse que aprendeu a viver com a ausência de seu companheiro, o ator Carlos Zara, morto em 2002, e afirmou que "não existem pequenos papéis, mas pequenas interpretações".
Artista que combateu a ditadura, ela ainda disse que pedir a volta dos militares "é coisa de gente ruim da cabeça, sem consciência política". "Mas ao mesmo tempo é tão difícil encontrar integridade, vencer essa corrupção. No momento tô desesperada", ponderou.
Leia, abaixo, o texto com a entrevista de Eva:
Eva Wilma, 81, está "tentando superar o sábado". Após o susto de acordar no último dia 5 com a notícia da morte da também atriz Marília Pêra, 72, ela passou a manhã dando entrevistas sobre a colega de profissão. "Quando consegui parar era uma hora. Eu sentei e chorei."
"Mas nós estamos vivos", afirma ela, encerrando o assunto na conversa com o repórter Joelmir Tavares, na tarde de terça (8). Eva está de férias, mas não para quieta. Frequenta o teatro para ver a atuação de amigos como Tarcísio Meira, vai às estreias no cinema e tem compromisso dali a pouco: sair de casa, no Itaim Bibi (zona oeste de SP), para ir ao lançamento do novo livro da atriz Bruna Lombardi, na avenida Paulista.
No jardim do prédio onde mora há 35 anos, conta que tem "dois passarinhos voando" –são peças que pretende fazer. Sente-se na flor da idade. "Passou" email para a família chamando para sua festa de aniversário, neste domingo (13). Primeiro "aperitivinhos em casa", depois "pizza com um bom vinho no anexo", um restaurante ao lado do qual é cliente assídua.
Com pouca intimidade com o computador e avessa a redes sociais, ela descobriu há alguns meses o WhatsApp. "É uma mão na roda." Já na sala do apartamento, onde um relógio de parede soa a cada hora, abre o aplicativo de mensagens no iPhone e chama Pedro Carlão, 44, o taxista de confiança que já virou quase motorista particular. "Se a gente chegar muito cedo não tem problema. Curtimos um pouco a livraria."
Eva, que ama livros e não abre mão de ler jornais diariamente, anda "estarrecida" com o noticiário. "É uma briga de foice entre PT e PMDB. Só isso. E não sei qual dos dois é pior", afirma ela, que se diz apartidária. "Mas não acho legal um partido se perpetuar no poder. Começa a desaparecer a democracia, né?"
Artista que combateu a ditadura, ela acredita que pedir a volta dos militares "é coisa de gente ruim da cabeça, sem consciência política". "Mas ao mesmo tempo é tão difícil encontrar integridade, vencer essa corrupção. No momento tô desesperada."
Para seguir o papo, a atriz –que para os amigos é a Vivinha– toma um gole da água servida por sua acompanhante, Diana da Silva, 41. A pernambucana há dois anos segue a artista para lá e para cá. E se espantou ao ir com ela às gravações de "Verdades Secretas", novela da Globo encerrada em setembro: "Os atores repetem a mesma coisa várias vezes. Tem que gostar muito do que faz", diz Diana.
Eva gosta. "Sou apaixonada! Quando você tem paixão, é muito prazeroso fazer o trabalho. Não penso em parar."
Mas paixão às vezes esbarra em empecilhos. Ela quase desistiu de "Verdades" no início porque fraturou uma vértebra da coluna após tropeçar no degrau do elevador de um teatro e cair. Achou que fosse "enlouquecer" de dor. "Na primeira semana de gravação, pensei: vou sair. Mas baixou a Mulher Maravilha [risos] e eu disse: não saio." Curou-se em dois meses.
A veterana, que acredita que "não existem pequenos papéis, mas pequenas interpretações", foi elogiada por sua participação. "A coitada da Fábia", como descreve a alcoólatra solitária, era uma personagem secundária na história. Na Globo, Eva é "da turminha que tem contrato a longo prazo". Nos palcos, sua peça mais recente, "Azul Resplendor", encerrou em janeiro temporada de dois anos.
Viúva desde 2002 do também ator Carlos Zara, ela diz que aprendeu a conviver com os percalços e as perdas. Mesmo no caso de uma ausência "incomensurável e dolorosa como a de um companheiro de vida por 25 anos equivalentes a 60, porque era uma relação muito intensa".
Postura que, diz, tem a ver com sabedoria e maturidade. E faz cena: "Dependendo da cabeça, a pessoa pode ficar a vida inteira: 'Ai, meu Deus', 'Ai, me dói tanto aqui'", dramatiza, fraquejando a voz e colocando as mãos nas costas. "Tem que ter cabeça boa. E pra isso tem que ter paixão pelo trabalho."
Alimenta o espírito também de pequenas coisas —ouvir o hino nacional cantado pelos alunos da escola em frente de sua casa, andar pelo bairro para ir à musculação na academia, curtir os dois filhos e os netos (cinco, de idades entre nove e 29 anos).
Tão natural quanto aceitar as rugas. "Não tenho vontade dessa história de botox, acho que deforma o rosto." Diz que fez apenas uma correção no nariz muitos anos atrás e um pequeno lifting há uns 20 anos. Vai desfiando histórias da carreira de 61 anos, até que o celular apita. É o taxista avisando que chegou.
Eva chama Diana, pega a bolsa e sai andando com passos lentos, mas determinados. No hall do elevador, mostra o prêmio de melhor atriz que ganhou da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em 1973, pelos papéis das gêmeas Ruth e Raquel na novela "Mulheres de Areia".
"Ô Pedro, não vai levar meu amarelinho!", brinca ao avistar o taxista na garagem. O "amarelinho" é o carro dela, que a atriz dirige principalmente aos fins de semana.
Já no caminho, o táxi topa com um congestionamento. O motorista relembra as manifestações do dia anterior, dos estudantes que ocupam as escolas contra a reorganização proposta pelo governo do estado. Eles fecharam o trânsito em vias da capital para protestar. Eva quer compreender por que os alunos continuam acampados.
"Entendi a luta deles, mas vão ficar até o ano que vem? Chega uma hora que vira ato de heroísmo só. Agora tem que esperar conversar sobre o assunto, dialogar bem", diz ela, olhando através do vidro.
A atriz salta do táxi no Conjunto Nacional e toma o mesmo elevador em que um empregado da Livraria Cultura transporta um carrinho com livros infantis. "Oba! Vamos escolher um", brinca ela.
No burburinho do lançamento, outro funcionário ajuda a abrir o caminho entre as pessoas. Uma mulher chega para pedir uma foto. Eva, que detesta selfies ("A gente sai torto, sem luz, às vezes com um baita narigão"), sugere que seja dali a pouco. As pessoas na fila olham para a atriz e cochicham. Um moço lhe fala: "Sua maravilhosa".
Bruna Lombardi se empolga ao vê-la: "Vivinha, meu amor!". Eva pega o autógrafo e posa para as câmeras. Na direção da saída, pede calma a um rapaz que se enfia na frente e quase empurra outro que posa ao lado dela. Antes de entrar no carro, deixa uma dedicatória ao repórter no livro de Bruna, desenha ao lado o esboço de um bonequinho sorridente e se despede. É Vivinha que segue.
Análise: Billie Eilish vai de gênio do pop a clichê por usar lingerie na capa da Vogue
Mulheres se escondem porque seus corpos são espaço tutelado por homens e termômetro de suas capacidades
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Billie Eilish quebrou a internet na semana passada ao aparecer em ensaio da Vogue britânica como nunca tinha sido vista –com o corpo quase todo descoberto. A foto que ela postou da capa da revista, em que está loira e veste um apertado corpete rosa e saia e luvas bege, foi a imagem a atingir mais rapidamente 1 milhão de curtidas no Instagram —questão de seis minutos.
Mas a reação às fotos em que a cantora de 19 anos usa lingerie e corpetes Gucci, Burberry, Alexander McQueen, Dolce & Gabbana e outras grifes glamorosas não foi de todo elogiosa, ou, digamos, de bom tom. Entre comentários que se referiam a ela como loira furacão, símbolo sexual e termos que gravitam em torno do “gostosa” há os que apontam seu amadurecimento ou uma traição de sua essência.
Já sabemos, é claro, que a internet nunca está satisfeita com nada. Mas o corpo das mulheres sempre foi objeto de controle e, com as redes sociais, qualquer um acha que tem o direito de opinar e até mesmo dar ordens em relação à imagem de mulheres. Cobertas ou nuas, as mulheres sempre são alvo de ataques e questionamentos.
Quando a vencedora de sete prêmios Grammy se vestia como uma frequentadora do subsolo da paulistana Galeria do Rock, com camisas largas, bermudas, gorros e botinas, em estilo hip-hop com etiquetas e logos de marcas como Louis Vuitton e Gucci, muitos torciam o nariz, diziam que era feio, não feminino, que ela parecia um menino. Outros, que ela era diferente do convencional, e desprezavam as demais cantoras jovens, que se valiam, dizem, de sua beleza física para fazer sucesso.
Ela acabou por se tornar um ícone do chamado “body positivity”, uma bandeira de aceitação do corpo que ela nunca empunhou. Seu corpo estava sempre escondido. Também usam sua imagem para falar dos estereótipos de gêneros, já que ela não se veste de acordo com o que se esperava de uma cantora pop americana adolescente.
Na entrevista que acompanha o ensaio da Vogue, Eilish diz que seu corpo foi “a razão inicial” de sua depressão quando mais jovem e que é sua insegurança mais profunda. A cantora, antes de ser famosa, sofreu uma lesão no quadril dançando e até hoje anda às turras com a recuperação, como é mostrado no documentário “Billie Eilish: The World’s a Little Blurry”, disponível na Apple TV+. Ali também a vemos falar abertamente sobre como costumava se cortar às escondidas. Ela também diz à Vogue que escolheu corpetes para as fotos porque odeia sua barriga.

Não é de hoje que adolescentes escondem o corpo e têm vergonha dele. As garotas se encolhem, se curvam em corcundas para esconder os seios, usam meias grossas para esconder suas pernas. Eilish é uma mulher de seios grandes, que as camisas largas ajudam a esconder. Muitas garotas optam por roupas folgadas menos pelo conforto e mais porque não conseguem lidar de maneira confortável com suas curvas.
Elas são olhadas, os homens falam coisas obscenas para elas nas ruas e os garotos fazem piadas nas escolas. Como Rebecca Solnit nos lembra em suas memórias, “Recordações da Minha Inexistência”, nós mulheres somos ensinadas desde cedo a termos medo e a desaparecer. Não podemos nos fazer notar, temos de ser invisíveis. Ser visível significa que se está sob ameaça de aniquilação, seja pelo estupro, seja pela violência física ou verbal, seja pelo assassinato.
Além disso, se queremos ser levadas a sério, é preciso nos masculinizarmos. Não nos é dada credibilidade. Não somos levadas a sério pelo que dizemos, pelo nosso trabalho. Quando uma mulher faz sucesso em qualquer área, o comentário é frequente –ou ela teve êxito porque é bonita ou porque fez sexo com alguém. É fácil notar casos no mundo da política em que elas passam a se vestir de maneira chapada, como cubos com pernas, para não revelarem seu corpo de mulher.
Aqueles que acreditavam que Eilish era melhor que suas contemporâneas porque não usava uma certa feminilidade em seu favor corroboram a ideia de que as demais só chegaram aonde estão por usarem o corpo como barganha. Não veem, primeiro, que Eilish também usa sua imagem a seu favor, como menina branca de olho azul rebelde com roupas hip-hop, e serve sim à indústria da moda, e, segundo, que celebrar a aniquilação do que é ligado ao feminino não colabora com as bandeiras da autoaceitação e do autocuidado, essas sim empunhadas pela cantora.
Aqueles que enxergam um amadurecimento de Eilish ou uma espécie de saída do casulo de uma ex-larva no ensaio da Vogue e na foto usada para promover seu mais novo single, “Your Power”, em que aparece como uma Marilyn Monroe chorosa, se esquecem de que, para ser uma mulher adulta, não é preciso ser um estereótipo sensual da Hollywood dos anos 1950. Até mesmo Eilish parece esquecer que ser mulher pode querer dizer muito mais coisas do que o patriarcado quer nos fazer crer quando, à Vogue, diz que, loira, se sentiu mais mulher.
Os que a acusam de se vender ao sistema e entrar na roda da exploração da sexualidade da mulher jovem se esquecem de que estavam, há alguns meses apenas, celebrando o fato de que ela ganhou prêmios e compôs para um filme do James Bond estando totalmente fora do sistema e fazendo as coisas do jeito dela, porque compunha no quarto do irmão na casa dos pais. Acreditavam piamente na independência de escolha de Billie Eilish até então, mas, só porque ela aparece de espartilho numa revista, ela se tornou, do dia para a noite, uma idiota influenciável.
No New York Times, a jornalista Ruth La Ferla escreveu que o risco da reinvenção de Eilish é que ela se torne “mais um clichê”. A julgar pelo single já divulgado de seu próximo disco, que será lançado em julho, a música de Eilish não mudará. Mais uma canção pop-folk sussurrada com tema grave. Desta vez, sobre abuso de menores.
Eilish movimenta rios de dinheiro com sua música e seus shows, e ela é, não há como negar, um produto. E produtos culturais, sobretudo aqueles voltados aos jovens, têm uma espécie de obsolescência programada, como as de celulares ou computadores. Eles precisam se reinventar de tempos em tempos.
O ensaio da Vogue e as imagens que ela divulgou relacionadas ao seu novo álbum, em que ela está loiríssima sobre tons pastel, apontam para uma mudança de visual, indo para algo bastante distante de suas roupas de antes, de seu cabelo meio preto meio verde vibrante, dos tons escuros de seus shows e de seus vídeos anteriores, e do clima de lágrimas de tinta azul. Mas não há razão para a atacar como mulher por causa disso, como se seu valor diminuísse à medida que sua pele aparece.
“De repente você é uma hipócrita se quer mostrar sua pele, e você é fácil e uma vadia”, diz Eilish à Vogue, já prevendo os ataques que sofreria. “Mostrar seu corpo e mostrar sua pele —ou não— não deveria ser motivo para não ser respeitada.”
Lúcia Guimarães: Escândalos do Serviço Secreto comprometem a segurança na Casa Branca
Trumpificação dos agentes preocuparam a ponto de a maioria da equipe encarregada de proteger a família Biden ter sido trocada antes da posse
Semanas antes da posse de Joe Biden, a equipe de transição do democrata ficou alarmada com uma descoberta, entre outras, sobre os desmandos de Donald Trump no governo federal.
Agentes do Serviço Secreto familiarizados com o presidente eleito, do período em que Biden tinha proteção como vice de Barack Obama, explicaram que havia uma perigosa trumpificação em curso dentro da agência de elite, cuja missão é definida por necessidade como apolítica. Com a eleição de Obama, em 2008, o número de ameaças a um político, antes da posse, foi multiplicado por quatro.

As revelações preocuparam a ponto de a maioria da equipe encarregada de proteger Joe, Jill e a família Biden ter sido trocada antes da posse. Um livro lançado na terça-feira (18) mais do que justifica as medidas da transição. Vale lembrar que parte do treinamento de um agente inclui jogar-se na frente do presidente e tomar o tiro, como fez o Tim McCarthy, salvando a vida de Ronald Reagan, em 1981.
Em "Zero Fail: The Rise and the Fall of the Secret Service" (falha zero: a ascensão e a queda do Serviço Secreto), a repórter Carol Leonnig, do Washington Post, conta uma história de fracassos de liderança, venalidade e uma cultura masculina de vestiário que nos leva a perguntar o quanto a sorte é fator na sobrevivência de presidentes, após o traumático assassinato de John F. Kennedy, em novembro de 1963.
Depois da morte de JFK, o Serviço Secreto foi de 300 agentes para uma equipe de 7.000, encarregada de proteger, além de presidentes, vices e suas famílias, ex-presidentes e eventos como a Assembleia Geral da ONU, o Super Bowl e visitas como a do Papa.
Duas vezes, em 2014 e 2017, doentes mentais entraram na Casa Branca sob as barbas de mais de cem agentes do Serviço Secreto. O escândalo maior, em Cartagena, em 2012, não foi o bastante para o Serviço se tornar mais transparente e implementar reformas. Depois de uma noite de bebedeira com prostitutas, 11 agentes encarregados da segurança de Barack Obama na Cúpula das Américas foram retirados da comitiva, quando a polícia colombiana foi chamada por uma prostituta que não conseguia ser remunerada pelo freguês.
A era Trump não inaugurou a tentativa de usar os agentes federais para fins políticos. Richard Nixon veio com a malandragem de “proteger” o então senador democrata Ted Kennedy, irmão caçula de sua nêmese JFK, antes de ele se declarar pré-candidato a presidente. Nixon queria recolher sujeira sobre o potencial rival e notório apreciador de uma esbórnia. Ted Kennedy percebeu e despachou os agentes.
Mas Trump, para surpresa de ninguém, foi mais longe. Ele se engraçou tanto por um dos agentes, Anthony Ornato, que o retirou temporariamente do Serviço Secreto e o colocou como vice-chefe de gabinete da Casa Branca. Na função, Ornato passou a trabalhar ativamente na campanha de reeleição e a organizar comícios com negligência criminosa que resultaram na contaminação e/ou subsequente quarentena de centenas de agentes.
Leonnig relata que membros do Serviço Secreto fizeram postagens na rede social apoiando a invasão do Capitólio e descreveram Trump como vítima de uma conspiração “liberal comunista” (sim, a ironia da contradição não penetrou os cérebros dos pneumáticos agentes).
O trumpista Ornato foi transferido de volta para o Serviço Secreto e hoje é encarregado de treinar novos agentes.
Que os céus protejam a primeira mulher negra vice-presidente dos EUA.
Ela transformou crochê em negócio e exporta as peças até para a Europa
Júlia Flores
De Universa
19/05/2021 04h00
Nas mãos de Edivanda da Silva, há sempre fios de crochê e uma agulha de ferro. Nascida e criada na região de Jeriocoacoara, no litoral do Ceará, a artesã produz peças que são vendidas na região, mas também exportadas para outros estados do Brasil e para países da Europa.
Durante a pandemia, a vila cearense em que vive sofreu severos impactos econômicos em razão das restrições turísticas, que deixaram o comércio local vazio. Com as praias fechadas, muitas das mulheres que trabalhavam com a venda de crochê na beira do mar ficaram sem renda por quase 6 meses. Presidente da "Associação Crochê e Arte", que olha por essas profissionais, Vanda se mobilizou para compensar a queda no faturamento, que bateu a casa dos 80% nos primeiros cinco meses de isolamento social.
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"Ficamos metade de 2020 sem vender nada. Foi um cenário muito triste. Só não foi pior, porque consegui, através da associação, reunir apoio de órgãos públicos e privados para ajudar famílias com cesta básica e doações. Agora estamos lutando para nos reconstruir", diz Vanda, na pausa entre um crochê e outro.
Enquanto mantém a produção e equilibra as doações da organização, sonha com o que ainda quer realizar no futuro. Mais do que vender e ganhar dinheiro, deseja transformar a herança cultural do crochê em uma arte valorizada dentro e fora do Brasil.
De brincadeira de criança à fonte de renda

Filha de pescador e de uma dona de casa, Vanda faz crochê desde os 7 anos de idade. "É uma tradição na família. Aprendi com minha mãe ainda criança, mas naquela época não era moda como agora. Só existia pano de prato, toalha de mesa... Ninguém pensava em criar uma peça de roupa", comenta a artesã. "Como a minha família era muito pobre, a gente dividia uma agulha de ferro entre as seis irmãs. Enquanto uma lavava a louça ou varria o chão, a outra crochetava", relembra.
Desde os 13 anos de idade, passou a trabalhar na beira da praia vendendo os produtos fabricados em casa. Aos 17, incluiu as peças de roupas. A sorte de Vanda mudou quando cruzou com a ex-modelo Luiza Brunet, que à época estava hospedada em um hotel de luxo da região. "Decidi transformar uma toalha de mesa em saia. Um dia, estava com meu trabalho exposto na frente ao estabelecimento que Luiza estava hospedada, ela viu a peça e adorou. Apostei no modelo e hoje é o que mais vendo", relata.
O negócio deslanchou depois desse dia. Desde então, segue na criação e desenvolvimento de peças autorais. "Eu não copio modelos! A maioria das ideias vêm da minha cabeça. Algumas inspirações vejo no Pinterest, mas eu sou dona do meu trabalho", afirma. Quando finalizados, os artigos vestem corpos para além das areias de Jericoacoara. "Você já assistiu ao clipe 'Talismã', da cantora Iza? Fui eu que fiz o short que ela usa", comemora.
Apesar de anos de ofício e da criatividade empregada na confecção, nem sempre o reconhecimento chega. "As clientes que usam minhas roupas lá fora não sabem nem que foi uma pessoa daqui do Nordeste que fez o trabalho. Como atendo lojas, estilistas e clientes que repassam as peças para muitas blogueiras, cantoras, e atrizes, a maioria delas nem imagina que eu existo. Mas nós existimos", diz.
Crochê ajudou famílias durante a pandemia

O sonho de alcançar reconhecimento e levar a arte do crochê cada dia mais longe fez Vanda se unir a outros 41 artesãos locais para criar a Associação Crochê e Arte, em 2018 — Jericoacoara tem outras duas organizações como esta, mas a de Vanda é a que reúne o maior número de trabalhadores; ao todo são mais de 70 credenciados.
A organização dá suporte aos profissionais autônomos, garantindo apoio de órgãos públicos e empresas privadas, além de viabilizar eventos e exposições. "A associação não tem fins lucrativos. É um grupo que se junta para captar recursos, debater ideias, realizar eventos e aulas", explica.
Durante a pandemia, as associações ajudaram várias famílias da região que, sem poder trabalhar, receberam amparo financeiro e alimentício de órgãos como Sebrae ou a própria CeArt (Central de Artesanato do Ceará). "Atualmente, vendemos cerca de 60% do que vendíamos antes da covid. No passado, o nosso faturamento mensal chegava a 15 mil, dependendo da temporada. Agora caiu bastante", conta.
O período crítico, porém, não impede que a cearense de 32 anos sonhe grande. "Eu fico com muito dó dessas mulheres que trabalham todo dia sob o sol, expõem o trabalho na areia, sujam as peças. Meu plano é criar uma sede para a associação e, quem sabe, transformá-la em uma feira para que todos possam vender de um jeito decente. Nosso trabalho é digno, é manual, é fonte de renda para muitas famílias. Quero que o pessoal de fora veja o crochê como uma arte", argumenta. Ela finaliza a conversa com uma expressão que já virou mantra: "Vai dar certo".
Além das mentiras já comprovadas do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que o noticiário em tempo real já explora desde ontem, e os jornais de hoje estão certamente aprofundando, os depoimentos à CPI da Covid até agora estão desvelando a maneira primitiva com que as decisões não são tomadas no governo Bolsonaro.
Juntando com a operação da Polícia Federal realizada ontem sobre a venda ilegal de madeira para os Estados Unidos, denunciada pelo próprio governo americano, temos a prova cabal de que não é apenas a questão ideológica que interfere na formação de um governo totalmente disfuncional.
O (ainda?) ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e diversos escalões do Ibama, inclusive seu presidente, foram apanhados por uma investigação sigilosa que incomodou Bolsonaro, que fez trocas no Ministério da Justiça e na Polícia Federal na tentativa de controlar as instituições do Estado brasileiro e viu-se surpreendido com a independência da PF.
Um exemplo típico, e fundamental, dessa disfuncionalidade é a crença de que as palavras de Bolsonaro nas redes sociais e nas lives fazem parte apenas do seu “etos político”, e não representam orientações do governo. Ao explicar a famosa frase “um manda, outro obedece”, Pazuello disse que era “uma frase de internet”, isto é, uma resposta para ajudar o político Bolsonaro, que estava sendo criticado por seus seguidores nas redes sociais porque o Ministério da Saúde havia anunciado a compra da CoronaVac, a “vacina chinesa” do Doria.
Seria uma releitura abrutalhada de Maquiavel, que separava a ética política da ética moral, ou então de Max Weber, uma referência para os que querem ser servidores públicos conjugando a “ética da convicção”, dos princípios morais aceitos em cada sociedade, e a “ética da responsabilidade”, que prevalece na atividade política.
Se houvesse um lado B de Bolsonaro, que para fora do governo enviasse uma mensagem, e agisse com bom senso, não teríamos tido a tragédia sanitária de que Pazuello é cúmplice. Basta assistir ao vídeo da famosa reunião ministerial que precipitou a saída do ex-ministro Sergio Moro para ver que o Bolsonaro das redes sociais é o mesmo nas entranhas do governo.
Ao mentir na CPI, tentando livrar a cara do presidente, o ex-ministro da Saúde comete um “crime continuado”, mesmo fora do governo. Os fatos o desmentem. O caso do avião oferecido pelos Estados Unidos para levar oxigênio para Manaus, na crise sanitária ocorrida dentro da pandemia no Brasil, é exemplar da incapacidade de trabalho em equipe deste governo.
O ex-chanceler Ernesto Araújo não falou com o governo da Venezuela, nem com o dos Estados Unidos, por questões ideológicas. E também não encaminhou, segundo Pazuello, um pedido formal com as características dos cilindros que seriam apanhados na Venezuela para levar a Manaus. Já havia feito isso quando recebeu a carta da Pfizer oferecendo vacinas. Não comunicou ao presidente Bolsonaro porque supôs “que o governo tinha recebido a carta”.
Pazuello soube que havia um avião dos Estados Unidos pronto para trazer oxigênio, mas não fez nada, pois não lhe perguntaram nada, só informaram. Ernesto Araújo disse que cabia ao Ministério da Saúde dar as informações técnicas para o voo. Os dois não se falaram, demonstrando que as autoridades do governo tiveram comportamentos burocráticos durante a crise humanitária em Manaus.
Pazuello reafirmou uma visão provinciana das negociações internacionais sobre as vacinas. Disse que mostrou ao representante da Pfizer o tamanho do Brasil num mapa, assim como o presidente Bolsonaro dissera anteriormente que o mercado brasileiro era tão grande que poderíamos negociar o preço das doses. Deu tudo errado, e, ao final, compramos a vacina da Pfizer pelo preço definido no início das negociações, perdendo tempo e prioridade na distribuição das doses.
É um governo completamente disfuncional.
Com esses depoimentos e declarações, não há a menor chance de dar certo.
Somos todos idiotas
Sendo uma das idiotas que não saem de casa, na gentil descrição do senhor Presidente da República, tenho tido muito tempo para pensar na vida; o que me leva, invariavelmente, a concluir que, num mundo de idiotas, o melhor a fazer é não pensar.
Todos nós, idiotas, estamos cansados. Do isolamento e das restrições da pandemia, da solidão e da monotonia, mas, sobretudo, das notícias que nos chegam a respeito dos outros idiotas, aqueles que se rebelam contra as máscaras, não respeitam distanciamento social e acham que vírus se combate no grito.
Eles não aprenderam que, além dos cientistas que desenvolvem vacinas, ninguém pode fazer nada de concreto contra uma pandemia.
Nós idiotas que ficamos em casa fazemos o possível para evitar que o vírus circule. É pouco, de fato, mas é o que podemos fazer. Ficar em casa quando se pode ficar em casa não é desdouro nem falta de coragem, é consciência social: quanto menos gente houver nas ruas menos o vírus estará em circulação e menos pessoas serão contaminadas.
Não parece difícil de explicar, mas, pelo visto, é impossível de entender. Há alguma mutação genética ou ausência de atividade cerebral que impede que os idiotas, aqueles, compreendam essa verdade basilar. Um dia eles ainda vão ser estudados pela Ciência.
A nossa idiotice de isolados é um sentimento tingido pela melancolia, intenso mas inofensivo. Passamos os dias trabalhando, lendo, cozinhando, lavando louça, participando de lives, cuidando de plantas e de bichos, refletindo e torcendo para que haja vacina logo para todo mundo.
Enquanto isso o idiota lá desdenha das máscaras, aglomera, voa de helicóptero, faz churrasco, anda de moto, cavalga pela Esplanada dos Ministérios e oferece ao mundo o espetáculo da sua estupidez relinchante e orgulhosa de si mesma.
Genocida.
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Desde os tempos em que trabalhei em Brasília, numa outra encarnação, eu já sabia que educação, caráter e hombridade não são requisitos básicos para assumir cargos importantes na administração pública. Mas eu ainda guardava uma ilusão solitária, e imaginava que era preciso ter um mínimo de inteligência e de sofisticação intelectual para ser Ministro das Relações Exteriores.
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A Mauritânia fica na costa africana, ao Norte, logo abaixo do Marrocos e colada à Argélia, em pleno Saara: sua capital Nouakchott, com cerca de um milhão de habitantes, é a maior cidade do deserto.
Eu não sabia disso, e não foi por falta de interesse na região, porque antes da chegada do Exército Islâmico ao Mali cheguei a fazer planos de viajar para o país, ali ao lado. Eu também não sabia que a Mauritânia só aboliu a escravidão oficialmente em 1981 e que conserva o antigo hábito berbere de engordar as mulheres: meninas com 8 ou 9 anos são obrigadas a beber leite de camelo aos litros e, aos 12, já são obesas de 30 anos.
Como idiota que sou, tenho fugido da vida real mergulhando em documentários, e foi no canal Tracks, no YouTube, que encontrei uma série holandesa sobre os países do Saara. Ela é apresentada por Bram Vermeulen, e está em inglês; há opção de legendas automáticas. O Tracks é um aglutinador de conteúdo que reúne documentários sobre o mundo todo realizados por emissoras de diversos países, e tem uma coleção extraordinária de vídeos.
Para escapar da CPI, Pazuello inventa a 'coisa de internet' | Malu Gaspar - O Globo

Depois de muito tentar se esquivar da CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello conseguiu no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus para ficar em silêncio e evitar se incriminar. Mas a ordem do ministro Ricardo Lewandowski foi expressa: Pazuello podia, sim, ficar quieto sobre as coisas em que se envolveu, mas não podia mentir quanto aos atos de outras pessoas.
Criou-se então um dilema para o general. Ficando em silêncio, ele estaria dando à CPI o roteiro de seus crimes. E, não podendo mentir para proteger terceiros, seria obrigado a apontar as responsabilidades de Jair Bolsonaro no fracasso do combate à pandemia. Pazuello tinha ainda a opção de ficar quieto o tempo todo. Não teria sido o primeiro a fazê-lo numa CPI. Mas investiu-se de brios de militar e decidiu que não passaria para a história como um covarde. E, assim, produziu uma inovação simbólica dos tempos que vivemos: a “coisa de internet”.
Cada vez que alguém o questionava a respeito de uma ordem de Bolsonaro contra a vacina ou pela adoção da cloroquina como instrumento de política pública, lá vinha Pazuello dizendo que aquilo era “coisa de internet”, “postura de internet” ou algo do gênero.
Foi como ele explicou a resposta de Bolsonaro a um seguidor no Facebook. Pazuello acabara de anunciar a compra de 46 milhões de doses de CoronaVac numa reunião com governadores, mas o bolsonarista apelou na rede social para que o presidente não comprasse a vacina chinesa. “O povo brasileiro não será cobaia de ninguém”, escreveu Bolsonaro. “Qualquer coisa publicada, sem qualquer comprovação, vira TRAIÇÃO”, arrematou.
Para Pazuello, não foi nada demais: “Aquilo foi apenas uma posição do agente político na internet”. O próprio general teria cometido apenas uma coisa de internet ao declarar o inesquecível “um manda, o outro obedece", no vídeo em que aparece prestando vassalagem ao capitão, logo depois de ter sido desautorizado via Facebook.
Segundo o que se depreende do discurso do ex-ministro-general, o que o presidente diz nas redes sociais ou em suas lives não tem caráter de ordem e não precisa nem ser verdade. São balelas que nem ele mesmo, Pazuello, levava a sério.
Teria sido melhor para o Brasil que fosse mesmo assim. Bolsonaro faria sua bravata virtual, os minions se agitariam e aplaudiriam, e no dia seguinte tudo voltaria ao normal.
Acontece que não é.
Se o que presidente da República fala nas redes ou aos microfones fosse apenas “coisa de internet”, o Butantan não teria feito três ofertas de vacinas ao Ministério da Saúde e ficado sem resposta. Pazuello não teria levado cinco meses para finalmente assinar o contrato com o Butantan e nem ignorado as ofertas da Pfizer por sete meses. O Exército brasileiro não teria iniciado a produção de 3 milhões de doses de cloroquina, mesmo sem demanda nem comprovação de eficácia em pacientes de Covid.
Se, no governo Bolsonaro, “coisa de internet” não fosse para valer, Paulo Guedes não teria sido obrigado a demitir um secretário da Receita que defendeu a volta da CPMF, o imposto do cheque. Tampouco teria recuado da tentativa de trocar o nome do Bolsa Família para Renda Brasil. E os fiscais do Ibama que, numa ação legal, inutilizaram o maquinário de comerciantes de madeira clandestina extraída da Amazônia, em 2019, não teriam enfrentado um procedimento administrativo por parte da chefia.
São apenas alguns exemplos entre muitos. Diga Pazuello o que quiser, nada mudará o fato de que Jair Messias Bolsonaro foi eleito fazendo “coisa de internet” e governa à base de “coisa de internet”. O compromisso do presidente com as “coisas de internet” é tão sério que suas lives de quinta-feira nunca falham, esteja ele onde estiver. É na internet que ele dá ordens, grita, desautoriza e constrange. É pela internet que ele convoca manifestações contra as mais diversas ameaças a seu sempre perseguido governo patriótico. E claro, é também via internet que se constata quais de suas “coisas de internet” são mesmo só bravatas que não devemos levar a sério.
Infelizmente para os brasileiros, as atitudes de Bolsonaro na condução da pandemia não estão entre as “coisas de internet” que devemos ignorar. Pazuello, pelo menos, não o fez. Preferiu dar uma desculpa esfarrapada a deixar transparecer, mesmo que de forma oblíqua, em que momentos o capitão mandou, e ele obedeceu, e em que outras ocasiões — se é que houve — ele foi apenas mais uma vítima do negacionismo presidencial. Com isso, o general afrontou a inteligência do distinto público, mas não decepcionou seu capitão. Provou na prática que, até hoje, o presidente manda e ele obedece. E isso, definitivamente, não é coisa de internet.
'A pandemia é um maremoto, e a maré continua alta', diz epidemiologista Maria Amélia Veras

SÃO PAULO — Com os números da Covid-19 em queda em alguns estados do país, mas apontando estagnação em outros, secretários de saúde debatem se o Brasil já está ou não entrando na "terceira onda da pandemia.
Mas Maria Amélia Veras, epidemiologista que tem tentado dar suporte a gestores de saúde, diz que planos de combate ao vírus pensando em 'ondas' e 'picos' não têm sido benéficos ao país.

— A imagem da curva e da onda é ruim porque contribui para materializar no senso comum e na população a ideia de que dá para relaxar — diz a cientista, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. — Não nos ajuda ficar pensando e prevendo terceira ou quarta ondas. Eu diria que houve um maremoto antes, mas a maré continua muito alta.
Uma das coordenadoras do grupo de pesquisa Observatório Covid-19 BR, a médica concedeu entrevista ao GLOBO sobre sua leitura da situação atual da pandemia.
O Brasil está entrando numa terceira onda da Covid-19?
Nós temos discutido essa questão de chamar de segunda onda ou terceira onda. Me parece ser um equívoco, porque a ideia que a gente tem de uma curva epidêmica é que ela tem um pico depois cai. Isso é um certo modelo de como se comportam algumas doenças transmissíveis. Mas, se você olhar o que aconteceu ao longo do tempo da pandemia no Brasil, a gente não tem essa queda até números muito baixos. Em muitos casos, a descida se estaciona num patamar mais alto do que o pico anterior. A gente chegou a 4.000 óbitos num dia, e quando descemos para 2.000, afrouxamos todos os conjuntos de medidas.
Uma semana atrás estávamos em 1.700 óbitos por dia, a gente não se apercebeu que em uma semana já aumentaram mais 300 óbitos por dia. Lembra quando a gente ficou assustado de chegar a mil óbitos por dia? Não faz tanto tempo.
A imagem da curva e da onda é ruim porque contribui para materializar no senso comum e na população a ideia de que dá para relaxar. Então, não nos ajuda ficar pensando e prevendo terceira ou quarta onda. Eu diria que houve um maremoto antes, mas a maré continua muito alta. A gente não voltou para "águas tranquilas" ainda. As quedas precisam ser substanciais e sustentáveis, e não foram.
Há estados onde a situação é melhor?
Muitos estados do Brasil estão em queda, mas existe um vai e vem. É muito heterogêneo ainda o que está acontecendo no Brasil, assim como é heterogêneo o que acontece no estado de São Paulo. Essa ideia de uma curva nacional ou estadual esconde realidades totalmente diferentes. O ideal é olhar com uma lupa menor, enxergando os municípios, para enxergar se o momento é tranquilo o suficiente para fazer aberturas e flexibilizações. São Paulo está estacionado num platô alto. Santa Catarina está há 30 dias sem conseguir diminuir o número de casos. É óbvio que quando aumenta a circulação da população e se flexibiliza o controle de várias atividades, aquele esforço que estava sendo feito na queda acaba estacionando.
O que se pode esperar em termos de números de casos e mortes para as próximas semanas?
Fazer modelos preditivos para antecipar exatamente quantos casos teremos no dia X, Y ou Z é complicado. Os modelos dessa natureza trabalham como se a realidade fosse imutável, mantendo as mesmas condições que existiam quando o modelo foi desenhado. Mas nós sabemos que o comportamento da doença não depende apenas da característica do vírus, da transmissibilidade e da suscetibilidade. Ele depende do comportamento da população e de seus contatos. E agora depende também da velocidade em que se vacina e da resposta imune a essa vacina.
São muitos fatores intervenientes e tentar construir um modelo que considere todos os possíveis cenários é praticamente irrealizável, porque fica muito complexo. Então a tendência é simplificar.
Mas se você simplificar e cravar números — "em tal dia teremos tantas mortes" — corre muito o risco de errar. É importante estimular a consciência de que essa curva depende de como a gente se comporta, depende da velocidade da vacinação, depende da entrada de outras variantes.
Os municípios e estados estão conseguindo compensar a ausência de uma política federal para a pandemia? O que precisa mudar?
Do ponto de vista da gestão, a gente o tempo inteiro padeceu mesmo da ausência de um posicionamento e de um direcionamento claro de nível federal com orientações corretas e técnicas. A gente padeceu da falta de que aqueles preceitos do SUS correspondentes aos diversos níveis do sistema fossem executados. A vigilância epidemiológica, por exemplo, tem execução atribuída ao município, mas depende de normas e orientações que emanam do estado e do nível federal.
Insumos para conter doenças transmissíveis, quando o número de casos sai de algo que estava no planejamento, dependem de verba do governo federal. Os municípios não têm margem para fazer previsões e guardar para eventuais emergências de saúde pública.
A compra de seringas, por exemplo, é atribuição do município como rotina, mas quando chega uma grande epidemia, sabe-se que tem de vir um recurso extra para suprir essa compra.
Para saber se devemos reabrir ou relaxar medidas de segurança a gente teria que ter normas vigentes para evitar essa subida, mas a gente não tem salvaguardas. A gente define abertura de escolas sem planos desenhados com as melhores evidências, não tem testagem e não foram feitas mudanças da estrutura de ventilação. Tudo errado.
Acho que há uma parcela significativa de gestores municipais procurando ajuda e solução. Então a gente vê alguns movimentos de prefeitos, com consórcios para compra de vacinas. No desespero da ausência da política nacional, o nível municipal que está ali enfrentando diretamente vai procurar fazer alguma coisa. Mas uma grande parte dos municípios são pequenos, sem equipes técnicas e dependem completamente de diretrizes que vêm de outras esferas de governo.
Some-se aí um estado de cansaço de todo mundo com o estado das coisas: crise econômica, pressão política... É muito mais difícil falar com a população sobre medidas de distanciamento hoje do que foi um ano atrás. Nós temos ainda uma cobertura vacinal baixa na população, uma velocidade de vacinação muito aquém do que seria necessário, temos patamares mais elevados do que os que foram no pico do ano anterior, e o relaxamento das medidas está sendo feito como se a gente já tivesse se livrado da Covid-19.
Ainda corremos o risco de ver falta de leitos e de medicamentos, como ocorreu em outros momentos?
A atenção a assistência hospitalar foi sempre o elemento priorizado pelo conjunto de quem estava se preocupando: estados e municípios. A gente viu que ela não é suficiente. É necessária, claro, mas não podemos concentrar todos os esforços aí, considerando que a transmissão do vírus se deu também entre aqueles que eram assintomáticos. Sabendo isso, poderia ter sido feito um investimento pesado no diagnóstico de casos assintomáticos daqueles que estivessem circulando e que estavam transmitindo. Isso poderia ser feito pela rede de atenção primária, mas a gente nunca conseguiu estabelecer um programa amplo de testagem populacional, com exceção de alguns municípios.
Outro problema é orçamentário. Muitas prefeituras transferiram orçamento de várias outras secretarias para a saúde para dar conta da Covid-19. Com o passar do tempo, não tem mais o que transferir.
A vacinação vai funcionar? Podemos confiar que o Brasil vai ter queda grande no número de casos quando a vacinação se ampliar?
Eu não tenho dúvida disso. Não tem nenhuma outra solução sustentável à vista senão atingir um percentual alto de população vacinada. Mas é preciso cuidado. O Reino Unido, por exemplo, vacinou uma proporção alta dos seus habitantes e está voltando à normalidade com muita vigilância. Está atento para a entrada das novas variantes, monitorando a entrada de uma variante preocupante indiana. Eles reveem a região em que a variante indiana está presente para decidir se vão flexibilizar menos ali ou não flexibilizar certas medidas. Teria de ser assim. Aqui nós não conseguimos ainda estruturar uma vigilância genômica que dê conta de o que está acontecendo em todo o território.
Existe preocupação real de que as variantes possam sabotar as vacinas?
Sim, sem dúvida nenhuma, sobretudo se você não estiver analisando quais são as variantes circulantes no país e como elas se comportamento em relação às vacinas disponíveis e se elas escapam. A gente precisa monitorar o tempo inteiro isso. Nós melhoramos em algum nível. Alguns estados estão iniciando vigilância genômica e agora a iniciativa privada está iniciando. Fazemos agora um pouco mais do que fizemos do ano passado, mas ainda estamos muito aquém do necessário, sem nenhum processo de amostragem clara que nos diga que estamos conseguindo cobrir o país como um todo. Isso seria fundamental.
De facilitação para contrabando de madeira até corrupção, entenda as suspeitas que recaem sobre Ricardo Salles

BRASÍLIA — Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a operação Akuanduba, que investiga integrantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama — dentre os quais o ministro Ricardo Salles, que, além de ser alvo de mandados de busca e apreensão, teve os sigilos fiscal e bancário quebrados.
A ação tem como objetivo, segundo a Polícia Federal, apurar suspeitas de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.
Ao solicitar busca e apreensão contra Salles, a Polícia Federal descreveu a "existência de grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais" envolvendo Salles e servidores públicos do ministério e do Ibama.
As medidas foram autorizadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que determinou o afastamento do cargo de 10 servidores, incluindo o presidente do Ibama, Eduardo Bim.
O que tem na investigação
A Polícia Federal apura crimes contra a administração pública — corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando — praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro. A principal linha de investigação é que os funcionários do ministério e do Ibama atuaram favorecendo indevidamente empresas dentro da administração pública, o que pode caracterizar o crime de advocacia administrativa. Com essa operação, a PF busca provas do eventual pagamento de propina aos servidores.
Qual seria a atuação de Salles
A decisão de Moraes diz que "os depoimentos, os documentos e os dados coligidos sinalizam, em tese, para a existência de grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais, o qual teria o envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro nessa Suprema Corte, no caso, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles; além de servidores públicos e de pessoas jurídicas".
O que a decisão do STF atingiu
Além de determinar as quebras de sigilo bancário e fiscal do ministro Ricardo Salles e autorizar buscas e apreensões em seus endereços, Alexandre de Moraes determinou o afastamento de 10 servidores do cargo, incluindo o presidente do Ibama, Eduardo Bim. O ministro também suspendeu um despacho do Ibama, de fevereiro de 2020, que autorizava a exportação de produtos florestais sem emissão de uma autorização mais rigorosa.
Contrabando
A Polícia Federal, na representação, afirma que há um esquema criminoso de "caráter transnacional" envolvendo empresários do setor madeireiro e funcionários do ministério do Meio Ambiente, "através da legalização e de forma retroativa de milhares de carregamentos de produtos florestais exportados em dissonância com as normas ambientais vigentes entre os anos de 2019 e 2020", criando "sérios obstáculos à ação fiscalizatória do Poder Público no trato das questões ambientais com inegáveis prejuízos a toda a sociedade".
Movimentação financeira
A PF diz que um relatório financeiro elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou transações suspeitas envolvendo o escritório de advocacia de Ricardo Salles. Na decisão, Alexandre de Moraes escreveu que a movimentação financeira envolvendo o ministro do Meio Ambiente foi "extremamente atípica". Segundo o ministro, o escritório de advocacia de Ricardo Salles movimentou R$ 14 milhões entre janeiro de 2012 e junho de 2020, "situação que recomenda, por cautela, a necessidade de maiores aprofundamentos".
Embaraço das investigações
A Polícia Federal apontou a atuação de um agente da Agência Brasileira de Informação (Abin) para interferir na área de inteligência de fiscalização do Ibama. O agente da Abin André Heleno Azevedo Silveira, nomeado para a função de coordenador de Inteligência de Fiscalização em 20 de agosto de 2020, teria agido para "obstaculizar eventual investigação da Polícia Federal" com a remoção de um servidor que estaria em contato com os investigadores.
Com avanço do e-commerce, setor de entregas e logística criou quase 90 mil empregos. Veja o perfil das vagas

SÃO PAULO e RIO - Diante do crescimento das vendas on-line e da disputa acirrada entre as grandes varejistas para oferecer menor prazo de entrega e frete mais barato aos consumidores, o segmento de logística tem gerado vagas em grandes centros urbanos no país para os mais variados níveis.
Além do Mercado Livre, que anunciou segunda-feira a intenção de contratar 7.200 trabalhadores no país, Magazine Luiza, Via Varejo e Amazon devem intensificar a busca por profissionais. Em um ano, o segmento de serviços de entrega e logística criou mais de 88 mil postos de trabalho.
As vendas do e-commerce no Brasil bateram a marca dos R$ 87,4 bilhões em 2020, primeiro ano da pandemia, alta de 41% em relação a 2019 e um recorde para o segmento, segundo levantamento da Ebit Nielsen.
Para lidar com atrasos registrados nos primeiros meses de quarentena, grandes varejistas passaram a fazer investimentos pesados na área, especialmente em mais centros de distribuição, tecnologia e pessoal.
Profissionais com visão estratégica
No Magazine Luiza, o segmento de logística contratou mais de 2.800 funcionários e gerou mais 4 mil vagas indiretas em 2020. A participação do e-commerce em suas vendas passou de 53%, no primeiro trimestre de 2020, para 70% no mesmo período deste ano. Ao todo, as vendas saltaram 63%.
A varejista emprega hoje 47 mil pessoas, 6.800 só em sua área de logística, mas poderá dobrar o ritmo de contratações no segmento com a abertura de novos centros de distribuição e o aumento da demanda, segundo Wiliam Miguel, gerente de gestão de pessoas da logística da empresa:
— O perfil dos profissionais está cada vez mais diverso. Temos uma base de equipe que é operacional, com funções de conferência, assistentes, operadores de empilhadeira. Além desse perfil, precisamos cada vez mais de gente com perfil estratégico, visão analítica, como cientistas de dados, engenheiros, técnicos em automação.
Neste ano, o Magalu já contratou mais de 600 pessoas para a operação de dois novos centros de distribuição no Sul do país, em Gravataí (RS) e Araucária (PR). Funcionários de escritório trabalham só parte da semana presencialmente
Expansão deve se manter
A conferente de pacotes Ludmilla Siqueira, de 25 anos, foi contratada pelo Magazine Luiza em outubro, quando a empresa inaugurou um centro de distribuição em Duque de Caxias, no Rio.
— Sempre trabalhei em comércio, ultimamente vendendo autopeças, mas já fazia curso técnico de Logística — disse ela. — Gosto dessa rotina agitada. Aprendi a separar encomendas e fazer inspeção final, a fazer faturamento do pedido.
Dados do Caged reunidos por Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, mostram que o mercado de trabalho ligado ao setor logístico tem se mantido promissor: foram 88.445 vagas geradas no segmento em 12 meses até março deste ano, na contramão dos demais serviços de transporte, que fecharam 129 mil postos de trabalho.
— É um segmento muito ligado à indústria e ao comércio e, a partir do momento em que esses setores conseguiram reagir, impulsionados pelo auxílio emergencial e pela troca de consumo de serviços por bens, ele se fortaleceu — diz Tobler
Ele prevê que o aumento de empregos no segmento se mantenha neste ano:
— Possivelmente, a criação de vagas será num ritmo menor, mas a expectativa é que esse setor se consolide.

Na Via Varejo, dona das redes Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com, o e-commerce, que representava 23,9% das vendas em 2019, hoje responde por 56%. O faturamento da companhia em 2020 foi de R$ 38,8 bilhões, alta de 21%. As vendas digitais brutas saltaram 118,6% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com 2020.
Para lidar com a demanda on-line, a empresa aumentou os postos de trabalho nas várias áreas de logística. Foram mais de 2 mil contratações diretas no ano passado, 400 delas para lidar com o operacional. Entre o começo da pandemia e abril deste ano, foram contratadas 750 pessoas para todas as áreas de logística.
Oportunidades em TI
As contratações para o setor de logística saltaram 20% em 2020 na empresa. Quando comparado o primeiro trimestre deste ano com o do ano passado, o avanço foi de 35%. Para o diretor de logística da Via Varejo, Fernando Gasparini, há crescente procura para a área de TI, que dobrou no número de contratados — atualmente são 300.
— Houve maior contratação para vagas operacionais, mas para postos de liderança também. E tem ficado cada vez mais acirrado, pois todo o mercado de e-commerce está mudando de patamar.
A empresa precisou reabrir um centro de distribuição no Rio. Também há expansão do centro de Fortaleza e em bases de distribuição no Piauí e no Maranhão. Lojas que permaneceram fechadas também se transformaram em centros de distribuição. Para o segundo semestre, será aberto um novo centro em Extrema, Minas Gerais.
No Mercado Livre, os processos seletivos já começaram. São Paulo vai concentrar a geração de empregos, com 5 mil das 7.200 vagas.
“Com isso, a empresa busca ampliar a sua rede logística na região e fortalecer as áreas de TI, serviços financeiros e de produtos que geram soluções tecnológicas”, diz a empresa em nota.
A Amazon afirmou que tem 300 vagas abertas no país, mas não especificou quantas são para a área de logística.

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