MÁSCARAS: as LIÇÕES de estudo da USP sobre as que mais PROTEGEM da covid-19

MÁSCARAS: as lições de estudo da USP sobre as que MAIS PROTEGEM da covid-1

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MÁSCARAS: as LIÇÕES de estudo da USP sobre as que MAIS PROTEGEM da covid-19

Máscaras PFF2 (ou N95) e cirúrgicas filtram bem mais que as de pano; vedação do rosto é fator crucial a ser levado em conta - Getty Images/BBC News Brasil
Máscaras PFF2 (ou N95) e cirúrgicas filtram bem mais que as de pano; vedação do rosto é fator crucial a ser levado em conta Imagem: Getty Images/BBC News Brasil

Paula Adamo Idoeta - Da BBC News Brasil em São Paulo

22/05/2021 16h09

Trabalho do laboratório de Física da universidade mostra que algumas filtram até 98% das partículas que podem conter o coronavírus, enquanto outras, só 15%; veja dicas de como se proteger melhor.

As máscaras que usamos no dia a dia oferecem níveis de proteção contra a covid-19 bastante diferentes entre si: enquanto algumas chegam a filtrar quase 100% de partículas que podem conter o coronavírus, outras barram só 15%.

As conclusões são de um estudo do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) publicado recentemente no periódico Aerosol Science and Technology, testando a eficiência de 227 modelos encontrados em lojas e farmácias do Brasil - desde a PFF2, a mais segura, até as de tecido comum, cuja capacidade de proteção varia muito.

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Os pesquisadores produziram, a partir de uma solução de cloreto de sódio (sal), partículas de aerossol de tamanho semelhante às que carregam o coronavírus no ar (60 a 120 nanômetros) e testaram a capacidade das máscaras em reter, ou deixar passar, essas micropartículas.

"Queremos deixar muito claro que, embora algumas máscaras sejam mais eficientes do que outras, o uso de máscaras é essencial, qualquer que seja", diz o físico Fernando Morais, principal autor do estudo, à BBC News Brasil.

Dito isso, esse e outros estudos trazem lições importantes sobre como cada um de nós pode melhorar a proteção individual, essencial num momento de redução no isolamento social e de circulação de novas variantes mais contagiosas (e potencialmente mais graves) do coronavírus.

Veja a seguir quais são elas e quais foram as principais constatações do estudo da USP:

A proteção das principais máscaras

estudo usp - USP/BBC News Brasil - USP/BBC News Brasil
Imagem: USP/BBC News Brasil

Não é surpresa que a maior proteção venha da máscara PFF2 (equivalente à N95), modelo profissional que já está se tornando mais popular no país e retém em torno de 98% de partículas que caem sobre ela, segundo a medição do Instituto de Física da USP.

Por isso, crescem os esforços para popularizar o uso dessa máscara e para ensinar o público a reutiliza-la com segurança, sem a necessidade de descarte imediato (leia mais ao fim da reportagem).

Em segundo lugar, diz o estudo, ficaram as máscaras cirúrgicas, que filtraram 89% das partículas. Além de ter boa filtragem, a máscara cirúrgica é elogiada por Fernando Morais por não dificultar a respiração e por ter aquele arame em cima do nariz - o clipe nasal - que permite um ajuste melhor ao rosto.

Isso nos leva a um fator crucial para essa ou qualquer outra máscara: ela precisa de fato estar bem ajustada ao rosto, tanto na área do nariz quanto nas laterais, ou não vai ser capaz de impedir a entrada do ar não filtrado.

"O grande problema das máscaras cirúrgicas é o ajuste no rosto, que deixa algumas brechas", disse à BBC News Brasil, no início do mês, o físico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, e integrante do Observatório Covid-19 BR.

Por isso, disse Mori, máscaras cirúrgicas são mais indicadas para ambientes abertos e bem arejados - e, é bom lembrar, precisam ser trocadas a cada quatro horas.

Máscaras de TNT (feitas de polipropileno, um tipo de plástico) também oferecem, segundo o estudo da USP, uma boa proteção geral (entre 78% e 87%), mas é preciso tomar cuidado com "pegadinhas", alerta Morais.

"Fica o alerta de que alguns tecidos de TNT não são muito uniformes: têm partes mais escuras e mais clarinhas, o que significa que há menos material ali (e pode haver brechas para partículas de vírus passarem). Você pode observar isso se olhar as máscaras contra a luz", explica o físico.

"Essas (mais irregulares) não são tão indicadas. O melhor é um TNT mais uniforme, como o de três camadas chamado SMS."

Por fim temos as máscaras de tecido, as mais comuns e mais facilmente fabricadas. Se essa alta disponibilidade é uma vantagem, o ponto fraco principal é que muitas delas são bem pouco eficientes em reter o vírus.

No experimento, a filtragem média das máscaras de algodão foi de 40%, o que significa que elas deixaram passar, em média, 60% das partículas que caíram sobre elas.

E essa média esconde uma grande disparidade: algumas chegaram a filtrar 70% e outras, apenas 15%.

Máscaras de tecido: o que evitar

Dois fatores-chave que aumentam ou diminuem a capacidade de proteção das máscaras de pano são as camadas e o tipo de costura:

- Máscaras com duas ou três camadas de algodão protegem bem mais do que máscaras de camada única;

- Máscaras com costura no meio são menos eficientes, uma vez que a máquina de costura faz furos no tecido que permitem a passagem de partículas minúsculas de vírus.

Na prática, explica Morais, "é uma máscara furada". "Máscaras que tenham costuras industriais feitas com soldagem são OK. Mas a máscara caseira de costura central não é recomendada."

Também com as máscaras de pano é preciso prestar atenção ao ajuste à face: quanto mais vedado o rosto ficar, mais a máscara vai proteger. Por isso, se ela tiver um clipe nasal, ponto positivo para ela.

A grosso modo, diz Morais, é bom olhar as máscaras contra a luz e ver o quão homogêneas elas são e se elas deixam passar muita claridade. "E não ache que o tecido mais grosso é o melhor, porque as linhas que fazem o tecido são mais grossas, e os buracos (minúsculos entre as tramas) serão maiores".

Preste atenção também a tecidos que se vendem como ultraprotetores ou antivirais.

"Máscaras de neoprene, por exemplo, de fato têm uma eficiência de filtragem boa. Mas é o tecido que surfistas usam para não se molhar. Então você dificilmente vai conseguir respirar bem e usar uma máscara dessas por mais de 15 minutos. Vai esquentar demais o rosto e vai ser muito difícil fazer o ar passar pela máscara", aponta Morais.

Ou seja: ou você vai acabar tirando a máscara para conseguir respirar e falar, ou vai acabar respirando apenas o ar não filtrado que entrar pelos vãos da máscara.

Existem também as máscaras com propriedades antivirais, capazes de inativar o vírus. Mas não confunda isso com a capacidade de filtragem, que de fato é o mais importante em uma máscara.

"Muita gente acaba comprando máscara antiviral para se proteger melhor, mas algumas são de tecido elástico, (pela qual) é mais fácil passar o ar com vírus", diz à BBC News Brasil Ralph Holzmann, do projeto Quero Máscara, que tem pleiteado o uso difundido de máscaras melhores contra o coronavírus.

Máscara de tecido sobre a cirúrgica aumenta a proteção, diz estudo americano

Se você quer aumentar a eficiência da sua máscara de tecido, vale ter em mente um estudo apresentado em fevereiro pelos Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDCs), apontando que o uso de uma máscara de tecido por cima de uma cirúrgica conseguiu bloquear mais de 90% das partículas emitidas em uma tosse simulada.

cdc - Reprodução CDC/BBC News - Reprodução CDC/BBC News
Imagem: Reprodução CDC/BBC News

Embora os pesquisadores não possam garantir esse percentual de proteção em qualquer situação, essa dupla de máscaras se complementa entre si: enquanto a cirúrgica é melhor na filtragem de micropartículas, a de pano veda melhor o rosto e consegue fechar algumas das brechas eventualmente deixadas pela cirúrgica, por onde passaria ar não filtrado.

Além de filtrar, a máscara precisa te deixar respirar

De volta ao estudo da USP, os pesquisadores observaram também a importância da respirabilidade de máscaras, ou seja, o quanto elas permitem o conforto respiratório do usuário. O risco é que máscaras, mesmo as boas, acabem indo parar no queixo, por serem excessivamente incômodas.

Por isso, máscaras de quatro ou cinco camadas, por exemplo, ou as de neoprene, citadas acima, não são as mais recomendadas, apesar da capacidade de filtragem.

"Se você tem uma máscara muito eficiente, mas ela é irrespirável, você vai usar ela por 30 minutos no máximo. Logo vai colocar a mão no rosto, o que pode trazer o vírus mais próximo de você, por causa do desconforto", explica Morais.

Para ele, "a máscara ideal é aquela que você vê inflando e desinflando, o que significa que o ar de fato está passando pelo tecido. Se a máscara não tá fazendo isso, significa que o ar está vazando por cima, por baixo ou pelas laterais. E daí é quase a mesma coisa que não estar usando uma máscara", uma vez que você vai acabar inalando ar não filtrado.

Quanto maior a exposição ao vírus, melhor tem que ser a máscara

À esta altura da pandemia, já se sabe que as chances de contágio do coronavírus são muito maiores em ambientes internos e fechados, pouco ventilados, onde aerossóis potencialmente contaminados ficam mais tempo no ar. Então é nesses ambientes de maior exposição à covid-19 que mais precisamos de máscaras melhores.

Isso pode nos ajudar a elaborar estratégias individuais mais eficientes de uso de máscara. "No dia que você tem que ir ao médico, lugar altamente exposto, você usa sua melhor máscara", de preferência uma PFF2, explica Morais. No dia em que você vai só fazer uma caminhada na rua, ao ar livre, em tese pode se proteger com uma cirúrgica ou uma boa máscara de pano.

Mas, diante de níveis tão diferentes de eficiência das máscaras de pano, muitos especialistas têm argumentado que, neste momento de reabertura da sociedade em meio a uma circulação ainda alta do vírus, precisamos pensar em formas coletivas de ampliar o uso de boas máscaras por toda a população.

Ao mesmo tempo, muitos países europeus têm aumentado as restrições contra máscaras de pano, justamente por não confiarem em sua capacidade de proteção.

Países como Áustria e Alemanha, por exemplo, desde o começo do ano passaram a exigir o uso de máscaras cirúrgicas ou PFF2 em estabelecimentos comerciais e transporte público, proibindo as máscaras caseiras nesses ambientes.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém a indicação de máscaras de tecido para a população em geral e de máscaras cirúrgicas ou PFF2 para profissionais de saúde.

PFF2 para todos

"Vimos que existem alguns grupos vulneráveis que estão muito desamparados - por exemplo funcionários da educação que voltaram (às escolas) sem terem máscaras melhores, e também (profissionais) da saúde e segurança pública. Se vamos manter as pessoas em ônibus lotados, o mínimo que temos de fazer é entregar uma máscara (de alta proteção) para elas na entrada", diz Beatriz Klimeck, doutoranda em saúde pública e integrante, com Ralph Holzmann, da iniciativa Qual Máscara.

O projeto começou com um abaixo-assinado em favor da distribuição de PPF2 a todos os servidores do Rio de Janeiro e com postagens online a respeito do uso eficiente de máscaras. Hoje, a dupla está envolvida também no monitoramento e na elaboração de projetos de lei nacionais para difundir e distribuir o uso dessas máscaras.

"A PFF2 não é necessariamente inacessível financeiramente, no sentido de ser cara. O que não ficou acessível foi a informação sobre a importância dela", argumenta Holzmann.

"Precisaria haver uma recomendação clara de uso de máscaras melhores. A campanha do último ano foi 'use máscara'. As pessoas passaram a achar que qualquer máscara serviria, de que qualquer pedaço de pano no rosto é suficiente", agrega Klimeck.

"Sugerimos mudar o foco em geral, dizendo que tem que ser um tipo de máscara específico, tem que cobrir nariz e boca, que há tecidos melhores e piores."

Além disso, dizem eles, a máscara não pode ser reutilizada dia após dia, infinitamente. Idealmente precisa ser distribuída em kits e redistribuída para o mesmo público cerca de três meses depois, para substituir as máscaras velhas.

Como usar e reusar máscaras PFF2

Itens raros até pouco tempo atrás, máscaras do tipo PFF2 já estão mais facilmente disponíveis em lojas e farmácias, mas é bom prestar a atenção em alguns pontos para não comprar produtos ineficazes que se passam por máscaras boas.

As PFF2 têm em sua embalagem um número chamado CA (certificado de aprovação), explica a equipe do Qual Máscara. Sua embalagem sempre dirá que se trata de uma máscara descartável destinada à proteção contra poeira, névoas e fungos.

E sempre será soldada - se houver costura à linha, por exemplo, não é uma PFF2 e sua capacidade de proteção certamente será inferior, uma vez que micropartículas podem passar pela costura central.

O ideal é ter uma PFF2 para cada dia da semana, dizem Klimeck e Holzmann. Depois de usa-la, é importante não mexer na parte frontal da máscara (que pode estar contaminada) e manuseá-la apenas pelos elásticos. E nunca se deve passar álcool ou sabão na PFF2.

Você pode pendura-la em um gancho de uma área ventilada da casa e deixa-la repousar. Mais ou menos uma semana depois, ela poderá ser reutilizada com segurança.

Para Beatriz Klimeck, o uso de boas máscaras pode ter uma capacidade maior até do que a vacina de prevenir mortes no curto prazo, uma vez que o imunizante está disponível para uma parcela pequena da população brasileira.

Para Fernando Morais, da USP, vale sempre lembrar que devemos usar a máscara "não porque é obrigatório, mas porque queremos vencer a pandemia" e proteger uns aos outros.

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'É questão de tempo até que cepa indiana circule no Brasil',diz governador

Governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), defendeu a adoção de barreiras sanitárias nos aeroportos e portos do país - Divulgação
Governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), defendeu a adoção de barreiras sanitárias nos aeroportos e portos do país Imagem: Divulgação

Colaboração para o UOL

22/05/2021 15h56

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou hoje que, apesar de todas as medidas preventivas que estão sendo tomadas pelo estado, é questão de tempo até que a nova cepa indiana esteja circulando no Brasil.

"Não temos transmissão local identificada, mas o Brasil é grande e não tem controle sanitário em aeroportos e portos e, por isso, acredito que lamentavelmente é uma questão de tempo até que a cepa indiana também esteja circulando no Brasil", afirmou em entrevista à CNN.

Márcio França anuncia que foi diagnosticado com covid-19

Dino defendeu que a Anvisa autorize a adoção de barreiras sanitárias nos aeroportos e portos do país. "Como o governo federal é dominado por premissas negacionistas, nunca houve providências de barreiras em aeroportos e portos. Todos os estados estão prontos para colaborar com o governo federal se houver essa autorização."

Paciente está intubado

O paciente infectado com a cepa indiana do novo coronavírus internado no Maranhão apresentou uma piora em seu quadro de saúde e foi intubado. A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde do estado, Carlos Eduardo Lula, em entrevista à GloboNews.

Ainda de acordo com o secretário, os demais tripulantes do navio ancorado em São Luís que tiveram teste positivo para covid-19 permanecem assintomáticos ou com sintomas leves.

Ao todo, o navio Shandong da Zhi, que veio da África do Sul e foi fretado pela Vale para entregar minério de ferro em São Luís, tinha 24 tripulantes, sendo que até o momento apenas nove não foram diagnosticados com a doença.

"Os demais tripulantes devem ser testados hoje para mais uma vez se entender como está sendo a contaminação", disse Carlos Lula. Com exceção do paciente intubado em um hospital de São Luis, os demais tripulantes seguem no navio, sendo monitorados por uma equipe da secretaria.

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De acordo com a Anvisa, os dados enviados pelo Instituto Butantan em 30/04 precisam ser "complementados" Imagem: José_Aldenir/TheNews2/Estadão

21/05/2021 19h12

Atualizada em 21/05/2021 19h39

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou hoje que pediu ao Instituto Butantan mais dados sobre a imunogenicidade — isto é, a capacidade de gerar resposta imune (anticorpos) à covid-19 — da vacina CoronaVac, desenvolvida em parceria com a Sinovac Life Science.

Em contato com o UOL, o Butantan informou que "está trabalhando para enviar os dados complementares solicitados pelo órgão regulador" e salientou que "a reunião técnica em nada interfere na vacinação em curso".

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Em nota, a Anvisa explicou que os documentos enviados pelo Butantan em 30 de abril "necessitam ser complementados para fins da conclusão do estudo". A demanda vem após reunião entre representantes do instituto paulista e da Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa.

"As vacinas contra a covid-19 devem ser capazes de gerar anticorpos funcionais, especificamente os chamados anticorpos neutralizantes, que bloqueiam a entrada do vírus nas células hospedeiras alvo, prevenindo a infecção e o desenvolvimento da doença. Dados complementares deverão ser encaminhados pelo Instituto Butantan na próxima semana", anunciou a agência.

Paralelamente, ainda de acordo com a agência, o Butantan se comprometeu a realizar estudos complementares para indicar a duração da resposta imune da CoronaVac. A proposta será avaliada pela Anvisa "assim que for recebida".

"Até o momento, não há qualquer recomendação para alterar os protocolos de vacinação com a CoronaVac", reforçou a agência.

Leia, na íntegra, a nota divulgada pela Anvisa:

A Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED) da Anvisa realizou nesta sexta-feira (21/5) uma reunião com o Instituto Butantan para tratar da avaliação dos dados de imunogenicidade da vacina CoronaVac.

Após a análise dos dados apresentados no último dia 30 de abril, a área técnica considerou que os estudos enviados necessitam ser complementados para fins da conclusão do estudo.

As vacinas contra a Covid-19 devem ser capazes de gerar anticorpos funcionais, especificamente os chamados anticorpos neutralizantes, que bloqueiam a entrada do vírus nas células hospedeiras alvo, prevenindo a infecção e o desenvolvimento da doença. Dados complementares deverão ser encaminhados pelo Instituto Butantan na próxima semana. A Anvisa continuará ampliando a discussão técnica sobre o tema.

O Butantan também se propôs a realizar estudos complementares para indicar o tempo de duração da resposta imune da vacina CoronaVac. A proposta de estudos complementares ainda será avaliada pela Agência, assim que for recebida. Até o momento, não há qualquer recomendação para alterar os protocolos de vacinação com a CoronaVac.

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Márcio França anuncia que foi diagnosticado com covid-19 O ex-governador e a esposa receberam o diagnóstico positivo para a doença Imagem: RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Colaboração para o UOL 22/05/2021 14h52 O ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), anunciou, na tarde deste sábado (22), que ele e a esposa, Lúcia França, foram diagnosticados com covid-19. "No caso dela, é uma reinfecção. Nós estamos com alguns sintomas isolados e nos cuidando para que isso passe logo", escreveu em sua página oficial no Facebook. RELACIONADAS CPI decide na quarta sobre reconvocação de Pazuello, diz Aziz Até último momento acreditou na vida, diz Nunes na missa de 7º dia ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/05/22/marcio-franca-anuncia-que-foi-diagnosticado-com-covid-19.htm?cmpid=copiaecola
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Covid-19 criou condições para emergência de 'superfungo' Candida_auris no Brasil; entenda

Na imagem, microscopia de fluorescência com aspecto morfológico de C. auris - João Nóbrega Almeida Júnior/Unifesp
Na imagem, microscopia de fluorescência com aspecto morfológico de C. auris Imagem: João Nóbrega Almeida Júnior/Unifesp

Karina Toledo

Agência FAPESP

22/05/2021 12h58

Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) lotadas e equipes de saúde trabalhando no limite da exaustão física e mental. Esse contexto de caos hospitalar imposto pela pandemia do coronavírus criou no Brasil condições ideais para a emergência da Candida auris, microrganismo que ganhou a alcunha de "superfungo" pela rapidez com que desenvolve resistência aos principais medicamentos usados em seu combate.

Os dois primeiros casos confirmados em dezembro, em um hospital de Salvador (BA), foram recentemente descritos no Journal of Fungi por um grupo de pesquisadores liderado por Arnaldo Colombo, que coordena o Laboratório Especial de Micologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O trabalho conta com apoio da FAPESP.

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"Já foram identificados outros nove casos no mesmo hospital, entre colonizados [quando o fungo está no organismo sem causar danos] e infectados. Embora ainda não exista registro desse agente em outros centros no país, há motivos para preocupação: estamos monitorando as características evolutivas de isolados de C. auris de pacientes internados naquele hospital baiano e notamos que já há amostras exibindo menor sensibilidade ao fluconazol e às equinocandinas, estas últimas pertencentes à principal classe de fármacos usada no tratamento de candidíase invasiva", revela Colombo à Agência FAPESP

Como explica o pesquisador, os fungos do gênero Candida (com exceção da C. auris) fazem parte da microbiota intestinal humana e só costumam causar problemas quando há um desequilíbrio no organismo. O mais comum é o surgimento de infecções superficiais na mucosa da vagina (candidíase) ou da boca (sapinho), geralmente associadas à espécie C. albicans.

Em alguns casos, porém, o fungo invade a corrente sanguínea e desencadeia um quadro de infecção sistêmica - conhecido como candidemia - semelhante ao da sepse bacteriana. A invasão da corrente sanguínea e a resposta exagerada do sistema imune ao patógeno podem causar lesões em diversos órgãos e até mesmo levar à morte. As evidências científicas apontam que, quando a candidemia ocorre em pacientes infectados pela C. auris, até 60% não sobrevivem.

"Essa espécie rapidamente se torna resistente a múltiplos fármacos, sendo pouco sensível a produtos desinfetantes utilizados em centros médicos. Dessa forma, consegue persistir no ambiente hospitalar, onde coloniza profissionais de saúde e, posteriormente, pacientes críticos que necessitam de internação prolongada, a exemplo dos portadores de formas graves da covid-19", diz Colombo.

Diversos fatores tornam os pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 alvos ideais para a C. auris, entre eles a internação prolongada, o uso de sondas vesicais e cateteres para acesso venoso central (uma porta de entrada para a corrente sanguínea), corticoides (que suprimem a resposta imune) e antibióticos (que desequilibram a microbiota intestinal).

"O próprio vírus pode causar lesões na mucosa do intestino de pacientes com formas graves da covid-19 [facilitando o acesso de patógenos à corrente sanguínea], predispondo o paciente à candidemia", afirma Colombo.

O pesquisador destaca que vários países estão relatando a emergência da C. auris no contexto da covid-19 e alerta para a necessidade de intensificar as ações para controle de infecção hospitalar em todo o país, bem como de promover o uso racional de medicamentos antimicrobianos em unidades de terapia intensiva. Desde o início da pandemia, antibióticos como a azitromicina têm sido amplamente prescritos - a grande maioria das vezes sem qualquer necessidade.

Monitoramento

A C. auris foi isolada pela primeira vez no Japão em 2009 e só despertou a atenção da comunidade científica alguns anos depois, quando surtos de candidemia causados por este agente começaram a aparecer em diversos países asiáticos e europeus. Em 2016, o grupo da Unifesp descreveu no Journal of Infection a chegada da espécie nas Américas, que se deu pela Venezuela. Na sequência, o superfungo foi identificado na Colômbia, no Panamá e no Chile.

"Em 2017, participamos de uma força-tarefa do Ministério da Saúde/Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e elaboramos uma norma técnica [o Comunicado de Risco Nº 01/2017] que alertava sobre os cuidados necessários para monitorar a possível chegada da C. auris ao Brasil, que se confirmou somente no fim do ano passado", diz Colombo.

Desde esse momento, a equipe do Laboratório Especial de Micologia da Unifesp vem monitorando a emergência de novos patógenos fúngicos em infecções de corrente sanguínea documentadas em diferentes centros médicos no país e, até então, a C. auris não havia sido detectada.

Já foram descritas cinco diferentes linhagens (clados) de C. auris no mundo. Segundo Colombo, a que foi isolada em Salvador é mais parecida com a original asiática do que com a encontrada na Venezuela e nos demais países sul-americanos - o que sugere ter havido uma segunda entrada independente do superfungo no continente.

"Ou talvez tenhamos uma fonte local ambiental para esse agente, visto que nenhum dos pacientes brasileiros apresenta histórico de viagem internacional ou contato familiar com tal histórico", diz o pesquisador.

Todos os meses, desde dezembro, os pesquisadores da Unifesp recebem amostras da cepa isolada no hospital baiano e testam in vitro sua sensibilidade a fármacos antifúngicos.

"Nesses ensaios, expomos o microrganismo cultivado a concentrações progressivas de antifúngicos, com o objetivo de determinar a menor dose do fármaco capaz de inativá-lo. No caso da C. auris presente em amostras recentemente isoladas em Salvador, por exemplo, é necessária uma concentração entre quatro e cinco vezes maior do que a usada para inativar o isolado cultivado em dezembro de 2020", conta Colombo.

Em parceria com pesquisadores dos Países Baixos, o grupo da Unifesp está sequenciando o gene que confere resistência à C. auris para avaliar se ele sofreu mutação nesse período.

"O mecanismo de resistência da espécie não é por degradação enzimática, como ocorre em muitos casos de bactérias resistentes a antibióticos. O fungo desenvolve modificações estruturais nas proteínas em que o fármaco se liga para inibir a síntese de parede celular [glucana sintase, no caso de equinocandinas], estrutura importante para a sua sobrevivência. E estamos vendo esse fenômeno acontecer aqui no Brasil", alerta Colombo.

Além de redobrar os cuidados com a higiene, Colombo defende ser necessário neste momento aumentar a vigilância sobre patógenos suspeitos. Confirmar a presença da C. auris em uma amostra não é algo trivial e requer equipamentos específicos. O mais usado é um espectrômetro de massas do tipo MALDI-TOF (sigla em inglês para tempo de voo por ionização e dessorção a laser assistida por matriz), bastante utilizado em análises de microbiologia, mas nem sempre presente nos hospitais do Brasil.

"Se a análise for feita por métodos automatizados convencionais, a C. auris pode ser confundida com outras espécies, como C. haemulonii, ou C. lusitaniae. Por isso o ideal é que qualquer cepa de Candida que apresente resistência a fármacos seja enviada para análise em laboratório de referência", afirma.

O artigo Emergence of Candida auris in Brazil in a COVID-19 Intensive Care Unit pode ser lido em www.mdpi.com/2309-608X/7/3/220.

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Aziz: Bolsonaro queria que eu prendesse Wajngarten para que a CPI acabasse

Presidente eleito da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) - Jefferson Rudy/Agência Senado
Presidente eleito da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

22/05/2021 15h56

Atualizada em 22/05/2021 17h52

O líder da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gostaria que o colegiado prendesse o ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten para que as investigações não tivessem continuidade.

Na perspectiva do parlamentar, Bolsonaro tem feito críticas contra ele e senadores do Amazonas após ser contrariado com o prosseguimento das atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito.

CPI decide na quarta sobre reconvocação de Pazuello, diz Aziz

Porque ele queria que prendesse o Wajngarten e a CPI acabasse naquele dia. Mas, eu não caí naquela piadinha. Então eu sei que ele está com raiva por causa disso. Eu sei que aquilo seria o momento épico dele: 'olha aí, estão querendo fazer política, agora querendo prender. Bando de bandido querendo prender um homem honesto e tal'. Seria o discurso para acabar com a CPI e a gente não continuasse com as investigaçõesOmar Aziz, presidente da CPI da Covid

As declarações de Aziz foram feitas hoje, em entrevista por vídeo à Revista Fórum. O senador acredita que a CPI não "mordeu a isca" em relação às ameaças de Bolsonaro, feitas durante uma live no Facebook na quinta-feira (20), sobre acabar com a Zona Franca de Manaus. O parlamentar disse que outras pessoas tentaram acabar com a região comercial, mas que a Constituição assegura a manutenção da área.

Ele [Bolsonaro] não ingenuamente, porque tudo que ele faz é premeditado, disse: 'Esse senador aí, Omar, fala muito, Eduardo Braga [senador do MDB-AM], imagine se Manaus não tivesse Zona Franca'Omar Aziz, presidente da CPI da Covid

Ameaçado por "robôs"

Ao ser questionado se havia se tornado alvo de ameaças após assumir a liderança da CPI da Covid, Omar Aziz declarou que tem sido atacado "por robôs". O senador minimizou a situação ao alegar que já enfrentou uma ditadura militar e que "não é um país em que estamos vivendo hoje em dia" que irá temer.

Os robôs atacam muito, mas isso não vai nem deixar eu perder meu equilíbrio, que é o que querem, e nem não permitir que eu cada dia mais eu descubra todo dia uma mentira nova que eles criamOmar Aziz, presidente da CPI da Covid

A respeito da nova convocação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para prestar um terceiro depoimento à Comissão, Aziz justificou que o general do Exército conduziu suas respostas de forma "hilária" diante de fatos concretos.

A presença do Pazuello é hilária porque ele consegue, diante de todos os fatos concretos, que todo Amazonas viu o presidente dizer que 'eu mando e não quero assinar pelas vacinas da Coronavac'. Um com covid, os dois sem máscara, 'um manda e outro obedece'. Por isso ele está sendo convocado novamente. Espero que o Supremo permita que a gente consiga tocar o nosso trabalho normalOmar Aziz, presidente da CPI da Covid

O pedido para que Pazuello seja ouvido mais uma vez foi apresentado ontem pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Segundo o parlamentar argumentou, as oitivas dos dias 19 e 20 de maio foram permeadas por "diversas contradições verificadas no cotejo, com documentos e informações disponibilizados à CPI".

O senador quer que o ex-ministro esclareça as dubiedades do depoimento e que para isso é necessário que Pazuello seja convocado mais uma vez para ser ouvido pelo colegiado

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Com pandemia, americanos enfrentam contas médicas que chegam a US$1 milhão

Estima-se que os Estados Unidos gastaram mais de US $ 30 bilhões em hospitalizações por coronavírus desde o início da pandemia - Mehmet Emin Menguarslan / Anadolu Agency
Estima-se que os Estados Unidos gastaram mais de US $ 30 bilhões em hospitalizações por coronavírus desde o início da pandemia Imagem: Mehmet Emin Menguarslan / Anadolu Agency

Colaboração para o UOL

22/05/2021 12h19

Muitos americanos viram suas vidas e finanças serem prejudicadas por causa da pandemia. Um homem cujo pai morreu de vírus no outono passado usa uma planilha do Excel para organizar as dívidas pendentes. Tem 457 linhas, uma para cada uma das contas de seu pai, totalizando mais de US$ 1 milhão.

Por 10 meses, o jornal americano The New York Times rastreou os altos custos do teste e tratamento do coronavírus por meio de um banco de dados crowdsourced que inclui mais de 800 contas médicas enviadas por leitores.

Ativistas bloqueiam 4 centros de distribuição do McDonald's no Reino Unido

Os hospitais não estão cumprindo a proibição de cobrança de saldo. Alguns estão codificando incorretamente as visitas, o que significa que as proteções especiais contra o coronavírus que as seguradoras implementam não são aplicadas. Outros estão perseguindo dívidas de pacientes que morreram com o vírus, buscando propriedades que, de outra forma, iriam para membros da família.

"As pessoas pensam que existe algum programa de alívio para contas médicas para pacientes com coronavírus", disse Jennifer Miller em entrevista ao The New York Times. Ela é uma psicóloga perto de Milwaukee que está trabalhando com um advogado para desafiar milhares de dívidas pendentes de duas visitas ao pronto-socorro no ano passado. "Simplesmente não existe."

"Há coisas que pesquisei e sabia que deveria fazer, mas tenho medo de ser pego de surpresa pelas contas", disse Lauren Lueder, uma professora de 33 anos que mora em Detroit. Até agora, ela gastou US $ 7.000 em economias para pagar o tratamento. "Você acaba com uma bateria de testes e cada coisa se soma. Não tenho renda disponível para pagar constantemente por isso. "

Pacientes com coronavírus enfrentam custos diretos significativos: o dinheiro retirado de contas de poupança e aposentadoria para pagar médicos e hospitais. Muitos também estão lutando com custos indiretos, como as horas gastas ligando para provedores e seguradoras para saber o que é realmente devido e a tensão mental de se preocupar com o pagamento.

Miller, como muitos outros pacientes, descreveu a tentativa de resolver suas complicadas acusações médicas - no caso dela em pastas codificadas por cores - enquanto também lutava contra a "névoa do cérebro" mental que afeta até metade dos pacientes de longa distância com coronavírus.

"Eu tenho um doutorado, mas isso está além das minhas habilidades", disse ela. "Eu nem comecei a olhar minhas contas de 2021 porque ainda estamos lidando com contas de 2020. Quando as contas vêm sem parar, você só pode lidar com um determinado montante. "

Estima-se que os Estados Unidos gastaram mais de US $ 30 bilhões em hospitalizações por coronavírus desde o início da pandemia, de acordo com Chris Sloan, diretor da empresa de pesquisa em saúde Avalere. O custo médio de cada internação hospitalar é de US $ 23.489. Poucas pesquisas foram publicadas sobre quanto desse custo é cobrado dos pacientes.

"O governo está focado em distribuir a vacina, mas não parece que haja alguém pensando mais sobre os impactos de longo prazo nas pessoas que enfrentam custos anormalmente altos do COVID", disse Nancy-Ann DeParle, ex- Conselheiro de políticas de saúde do governo Obama e co-presidente da Covid Patient Recovery Alliance, uma nova organização sem fins lucrativos que planeja estudar o assunto.

Alguns pacientes com coronavírus estão adiando cuidados médicos adicionais para efeitos colaterais de longo prazo até que possam resolver suas dívidas existentes. Eles estão descobrindo que o coronavírus de longa distância geralmente requer visitas a vários especialistas, mas eles se preocupam em acumular mais dívidas.

Irena Schulz, 61, uma bióloga aposentada que vive na Carolina do Sul, contraiu o coronavírus no verão passado. Ela tem vários efeitos colaterais persistentes, incluindo problemas de audição e rins. Ela recentemente recebeu uma conta de US $ 5.400 em aparelhos auditivos (para ajudar na perda auditiva relacionada ao coronavírus) que ela esperava que seu seguro de saúde cobrisse.

Ela evitou idas ao pronto-socorro quando se sentia mal, porque se preocupava com os custos. Ela está controlando sua dor relacionada aos rins sozinha, em casa.

"Continuo com o Tylenol e bebo muita água, e percebi que ajuda se eu beber muito suco de abacaxi", disse ela. "Se a dor ultrapassar um certo limite, vou consultar um médico. Estamos aposentados, temos uma renda fixa e há tantas coisas que você pode acumular no cartão de crédito".

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Opinião: Leonardo Sakamoto - Após causar aglomeração, Bolsonaro diz que ciência não respalda quarentena

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Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

22/05/2021 11h35

Jair Bolsonaro foi um passo além na sabotagem que vem realizando ao combate à covid-19. Nesta sexta (21), em um evento em Açailândia (MA), mentiu sem pudores ao dizer que medidas de isolamento social "não têm qualquer comprovação científica". Sim, no fundo do poço, há sempre um alçapão.

Ele se referia às decisões de restringir tanto a circulação de pessoas quanto o funcionamento do comércio adotados pelo governador Flávio Dino, chamado por Bolsonaro de "ditador". O Maranhão foi o primeiro a baixar um bloqueio total, o chamado lockdown, em maio do ano passado.

Considerando número atualizados até esta sexta, o Estado ostenta a menor taxa de mortes por covid por 100 mil habitantes (110,36), bem menos que a segunda colocada, a Bahia (135,83). O pior Estado nesse quesito, Rondônia, conta com 311,11 mortos/100 mil habitantes, com o Amazonas logo atrás (306,86).

Preocupado que uma economia deprimida possa prejudicar suas chances de reeleição, Bolsonaro vem atacando medidas de restrição social desde o início da pandemia. Em contrapartida, defende o contágio rápido da população como forma de fazer o vírus parar de circular. O efeito colateral da estratégia são mortes.

O Brasil nunca conseguiu controlar o coronavírus. Ao invés de ser parte da solução, o presidente vem sendo um do principais causadores do problema, estimulando o desrespeito às quarentenas, provocando aglomerações desnecessárias e se omitindo sob a justificativa mentirosa de que o Supremo Tribunal Federal mandou o governo ficar fora da articulação da política de combate à covid.

O resultado disso é que prolongamos desnecessariamente a pandemia, ficando em um constante abre e fecha da economia - o que é menos eficaz para salvar vidas e empregos do que os fechamentos duros e curtos adotados em países como a Nova Zelândia.

Bolsonaro percebeu que a conta está caindo em seu colo e resolveu fazer pré-campanha eleitoral em locais como Açailândia. E praticar um dos esportes que ele mais gosta, o Arremesso de Responsabilidade à Distância.

"Quero dizer a todos do Maranhão aqui que perderam seus empregos, não foi obra do governo federal. Quem fechou o comércio, obrigou vocês a ficar em casa e destruiu milhares de empregos foi o governador do seu estado", falou no evento.

Para ele, as medidas de restrição social são "apenas uma demonstração de força, de que ele [Flávio Dino] pode oprimir o povo, que ele pode escravizar o povo e depois dizer que estava defendendo sua vida".

Parte do caos social de origem econômica é de responsabilidade de Bolsonaro também por ter interrompido o pagamento do auxílio emergencial em 31 de dezembro do ano passado e começado a retomá-lo apenas em 6 de abril. E, ainda assim, em um valor insuficiente para a sobrevivência. As novas parcelas são de R$ 150, R$ 250 ou R$ 375 mensais.

No último trimestre do ano passado, quando o auxílio emergencial já havia sido reduzido de R$ 600/R$1.200 para R$ 300/R$ 600, a fome atingia 9% da população, a maior taxa desde 2004. De acordo com pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional foram 19,1 milhões que passaram fome em um universo de 116,8 milhões que conviveram que não tiveram acesso pleno e permanente à comida.

Imagine a situação com a pausa de 96 dias no pagamento.

Um dos momentos mais sinceros na sopa de mentiras servida pelo general Eduardo Pazuello na CPI da Covid, entre quarta e quinta, foi quando ele disse que o Brasil não segue necessariamente recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O Brasil é soberano para tomar suas decisões em qualquer área, inclusive saúde", afirmou o ex-ministro. Baseada em muita comprovação científica, a OMS recomenda o isolamento social e o uso de máscara para mitigar a covid, medidas que Bolsonaro ignora.

No dia 17 de abril, sem máscara, interagindo com fãs e mandando às favas qualquer cuidado sanitário, o presidente promoveu mais uma aglomeração, dessa vez em Goianópolis (GO). Levou a tiracolo um sorridente Pazuello.

Jair acabou multado nesta sexta por não usar máscara em local coletivo e por provocar aglomeração em Açailândia. O que deveria ser um fato óbvio e previsível, pois ninguém está acima da lei, tornou-se notícia em veículos de comunicação de todo o país. Afinal, até agora, ele faz o que quer. Inclusive pisar na saúde da população em busca de sua reeleição.

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Às vésperas de depoimento, Aziz diz que Capitã Cloroquina fez AM de cobaia

Mayra Pinheiro ("capitã cloroquina") tem o direito de ficar em silêncio durante seu depoimento à CPI da Covid - Júlio Nascimento/PR
Mayra Pinheiro ("capitã cloroquina") tem o direito de ficar em silêncio durante seu depoimento à CPI da Covid Imagem: Júlio Nascimento/PR

Colaboração para o UOL

22/05/2021 11h33

O presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM), criticou hoje a médica Mayra Pinheiro — apelidada de "capitã cloroquina" —, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, que vai depor na CPI, na próxima terça-feira (25), às 9h.

"Ela fez o meu estado (Amazonas) de cobaia e vai ter que responder sobre a medicação que ela propagou, tratamento precoce. Ela foi para dentro dos hospitais pedindo para médicos usarem isso", afirmou Aziz em entrevista à CNN.

Bolsonaro brincou com a sorte no Maranhão, diz presidente da CPI

O senador reforçou que mesmo com o direto de ficar em silêncio durante o depoimento, concedido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, ela terá que responder sobre o tratamento precoce e o aplicativo TrateCov . "Nós iremos fazer quantas perguntas forem necessárias. Ela não vai falar sobre a questão da falta de oxigênio, mas em relação ao aplicativo e tratamento precoce ela vai ter que falar."

Direito de ficar em silêncio

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu ontem a Mayra Pinheiro o direito de ficar em silêncio durante seu depoimento à CPI da Covid quanto aos fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021 — justamente quando o Amazonas vivia um colapso na saúde.

A decisão vem após pedido de reconsideração feito pela defesa de Mayra a Lewandowski. Assim como o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, a secretária tentou conseguir um habeas corpus preventivo para que pudesse ficar calada, se assim o quisesse, quando interrogada pelos senadores.

O HC e o pedido de reconsideração foram negados, mas agora Lewandowski abriu uma exceção para o período entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Isso porque Mayra, assim como Pazuello, é ré em uma ação que investiga se houve omissão de agentes públicos na crise sanitária no Amazonas.

Mayra não pode, porém, ficar em silêncio sobre outros aspectos de sua atuação na Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde, bem como sobre as demais questões que vierem a ser formuladas pelos parlamentares.

Explicações sobre TrateCov

Mayra Pinheiro também terá que dar explicações sobre um aplicativo desenvolvido pelo Ministério da Saúde, o TrateCov, recomendando o uso de cloroquina para tratar pacientes de covid-19, ainda que o remédio seja ineficaz. À CPI, Pazuello disse que a ideia partiu da secretária, mas o programa "nunca chegou a ser lançado oficialmente".

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Bolsonaro brincou com a sorte no Maranhão, diz presidente da CPI

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, durante depoimento de Ernesto Araújo, no dia 18 - Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, durante depoimento de Ernesto Araújo, no dia 18 Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Colaboração para o UOL

22/05/2021 11h00

"O presidente esteve ontem no Maranhão e se viu lá todo mundo sem máscara, brincando com a sorte e levando as pessoas a acreditar que nós estamos em uma normalidade que, infelizmente, não estamos", afirmou Aziz em entrevista à CNN, na manhã deste sábado (22).

Governo disse não a vacinas e estimulou aglomeração, diz Renan

O presidente da CPI defendeu o pedido de relatório parcial que fez ao relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), pois, segundo ele, já é possível ter algumas conclusões. "Não houve por parte do governo um empenho para o isolamento e para que as pessoas se protegessem. O que está claro hoje é que apostaram na cloroquina, na imunização de rebanho e em momento algum se quis comprar vacina", afirmou. "Não estou condenando ninguém, mas apurando fatos para que deixemos claro que a CPI não vai dar em pizza. Muita gente será responsabilizada pelo que aconteceu no Brasil".

Segundo ele, é necessário que a CPI faça um apelo ao presidente para que ele assuma a negociação das vacinas. "Bolsonaro, pegue o avião e vai lá onde tem vacina, é isso que nós estamos pedindo. O nosso líder da nação precisa negociar com outros líderes mundiais para trazer vacina ao Brasil, sem terceirizar a tarefa".

MA multa Bolsonaro por causar aglomeração

O governador Flávio Dino (PC do B) autuou Jair Bolsonaro (sem partido) por infração sanitária, nesta sexta (21), por descumprir decretos estaduais que obrigam cidadãos a usarem máscaras em espaços públicos, não promoverem aglomerações e não realizarem eventos - medidas sanitárias contra a covid-19. O presidente da República cometeu a infração em Açailândia, município a 560 quilômetros da capital São Luís.

De acordo com a assessoria do governo do Maranhão, o valor pode variar entre R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão. Ele tem 15 dias para apresentar sua defesa e, a partir daí, a Vigilância Sanitária, responsável pela autuação, definirá o valor.

Bolsonaro realizou ato para a entrega de 282 títulos de propriedade rural a assentados em Açailândia, promovendo aglomeração de fãs e curiosos nas ruas e na sede do Sindicato dos Produtores Rurais. Em diversos momentos, ele cumprimentou a multidão sem usar máscara.

Isso ocorre no momento em que a nova cepa indiana do coronavírus (B.1.617.2), com maior potencial de contágio, chegou ao Brasil através de um navio cargueiro vindo da África do Sul que está fundeado exatamente na costa do Maranhão. Os profissionais de saúde que tiveram contato com a tripulação estão sob observação.

De acordo com o auto de infração, as seguintes irregularidades foram constatadas: "Descumprimento da obrigação de uso de máscara de proteção como medida farmacológica destinada a contribuir para a contenção e prevenção da covid-19, em locais de uso coletivo, ainda que privados; promover, em evento da Presidência da República, aglomerações sem controle sanitário com mais de 100 pessoas, no endereço Rodovia BR-222, s/n, km 5, Sindicato dos Produtores Rurais, Bairro Parque das Nações, município Açailândia".

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Reportagem: Rubens Valente - Butantan pediu a Pazuello, mas não recebeu R$ 145 milhões para CoronaVac

19.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante o depoimento à CPI da Covid, no Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado
19.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante o depoimento à CPI da Covid, no Senado Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado
Rubens Valente

Colunista do UOL

22/05/2021 04h00

Um pedido de R$ 145 milhões feito em agosto passado pelo Instituto Butantan ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para cobrir gastos com estudos clínicos e instalação de uma nova fábrica da vacina Coronavac não foi atendido pelo ministério, segundo o instituto.

Os pedidos estão documentados em dois ofícios de 18 de agosto entregues pelo Butantan nesta quinta-feira (20) à CPI da Covid no Senado em resposta a um requerimento aprovado pela comissão. Os ofícios foram divulgados no ano passado pela imprensa, mas na época o governo federal disse que já colaborava ou iria colaborar com o Butantan.

Procurado nesta sexta-feira (20), o Butantan informou à coluna, por meio de sua assessoria de imprensa, que não veio ajuda do ministério relacionada aos dois pedidos: "Até o momento, o Instituto Butantan recebeu, por meio de sua fundação de apoio (Fundação Butantan) apenas recursos provenientes do fornecimento da vacina contra o novo coronavírus. A fábrica que produzirá a vacina em sua integralidade, incluindo o Ingrediente Farmacêutico Ativo, recebeu recursos exclusivos de doações da iniciativa privada, superiores a R$ 180 milhões. As obras devem ser concluídas em setembro".

Dimas Covas - Governo do Estado de São Paulo - Governo do Estado de São Paulo
Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan Imagem: Governo do Estado de São Paulo

Saúde não responde a questionamento

Procurado às 13h20 desta sexta-feira (21), o Ministério da Saúde não havia se manifestado até o fechamento deste texto. Durante os dois longos depoimentos prestados por Pazuello nos dias 19 e 20 à CPI, o ex-ministro não foi indagado pelos senadores sobre o assunto.

Em janeiro de 2021, quando começaram a ser aplicadas as primeiras doses da Coronavac no Brasil, Pazuello disse, numa entrevista coletiva em Brasília: "Você sabia que tudo que foi comprado pelo Butantan foi com recursos do SUS? Todas as vacinas, não foi com um centavo de São Paulo. Autorizado por mim. É difícil ficar ouvindo isso o tempo todo. Eu ouço calado o tempo todo a politização da vacina".

Minutos depois, em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) disse à imprensa que estava atônito com a declaração do ministro. "É inacreditável como um ministro de Estado da Saúde [...] ainda mente ao dizer isso. A vacina do Butantan só está em São Paulo e no Brasil porque foi investimento do governo do Estado de São Paulo. Não há um centavo, até agora, do governo federal, para a vacina — nem para o estudo, nem para a compra, nem para a pesquisa. Nada. Chega de mentiras, ministro."

Trecho de ofício de agosto/2020 pelo qual o Butantan pediu R$ 85 milhões para o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para custeio de testes clínicos da vacina Coronavac - Reprodução - Reprodução
Trecho de ofício de agosto/2020 pelo qual o Butantan pediu R$ 85 milhões para o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para custeio de testes clínicos da vacina Coronavac Imagem: Reprodução

Pedidos de recursos sem atendimento

Os dois ofícios de agosto foram assinados pelo diretor do Butantan, Dimas Covas. No primeiro, de número 78, Covas explicou a Pazuello que a Coronavac vinha "apresentando resultados que confirmam sua segurança e eficácia nas duas fases dos Estudos Clínicos já realizados". Explicou que a fase três dos estudos clínicos, bancada pelo Butantan, já havia começado e que o trabalho fora "devidamente aprovado pela Anvisa", a agência de vigilância em saúde do próprio governo federal.

Os estudos clínicos, segundo Covas, que eram essenciais para se chegar à vacina, estavam "orçados em R$ 130 milhões, parte deles, R$ 45 milhões, devidamente contemplados por doações". Assim, escreveu o diretor do Butantan, restava uma expressiva parcela sem financiamento, e por isso ele recorreu ao ministro da Saúde.

"Possível notar que ainda se encontra em aberto a quantia de R$ 85 milhões para completar o gasto com os referidos Estudos Clínicos, o que motiva-me solicitar o empenho do Ministério da Saúde, a fim de que seja concedida a verba retro mencionada, verba essa que poderá ser repassada à Fundação Butantan, fundação de apoio ao Instituto Butantan, a quem compete a realização dos referidos estudos clínicos", escreveu Dimas Covas.

"Certo da atenção que esta solicitação merecerá, receba meus protestos de elevada consideração", encerrou o diretor do Butantan.

No segundo ofício, do mesmo dia 18 de agosto e de nº 79, igualmente dirigido a Pazuello, Dimas Covas explicou que, "para viabilizar a produção da vacina em nosso país", o Butantan havia criado "um projeto conceitual e encontra-se em desenvolvimento um projeto executivo para a instalação de uma fábrica com capacidade produtiva de 100 milhões de vacinas anualmente".

"Para agilizarmos o processo de instalação da nova fábrica", descreveu o diretor do Butantan, "iremos utilizar um prédio já edificado, o qual necessita de readequações e pequenas reformas, mais os equipamentos necessários à produção da vacina".

O projeto todo, entre "readequação, reforma e aquisições", custaria R$ 156 milhões. Desse total, disse Covas, "já foram prometidos R$ 96 milhões em doações", ficando em aberto "R$ 60 milhões para completar o gasto para finalizar a fábrica".

"Dessarte, permito-me solicitar a especial análise de Vossa Excelência, a fim de que seja concedida a verba retro mencionada pelo Ministério da Saúde, com repasse à Fundação Butantan, fundação de apoio ao Instituto Butantan, a quem competirá realizar o projeto. Certo da atenção que esta solicitação merecerá, receba meus protestos de elevada consideração", escreveu Dimas Covas.

Em setembro, um mês depois dos ofícios, o governador João Doria chegou a dizer à imprensa que o Ministério da Saúde iria liberar R$ 80 milhões "para a fábrica de vacinas do Butantan". Contudo, a julgar pelas suas declarações de janeiro, os recursos não chegaram.

Numa entrevista coletiva em 26 de janeiro, Doria reafirmou que "todo investimento, desde maio até agora, foi suportado pelo governo de São Paulo e pelo Instituto Butantan. Até o presente momento, nós não recebemos um único centavo do Ministério da Saúde".

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Covid: por que Taiwan e Cingapura vivem alta de infecções, após serem vistos como exemplos de sucesso

Pessoas oram no Templo Lungshan, em Taiwan - Getty Images
Pessoas oram no Templo Lungshan, em Taiwan Imagem: Getty Images

Yvette Tan - Da BBC News em Cingapura

21/05/2021 22h11

Eles foram exaltados como histórias de sucesso contra o coronavírus, e registravam quase nenhum caso de covid-19 no começo de 2021

Mas neste mês, Cingapura e Taiwan passaram a enfrentar um aumento repentino e agressivo no número de infecções. O primeiro teve 248 novos casos na semana passada, e o segundo, 1.200.

Onde estão os milhões de dólares de corrupção na Venezuela apreendidos nos EUA

Para os padrões internacionais (o Brasil tem quase 80 mil por dia), esses números podem parecer irrisórios. Mas para esses países eles eram impensáveis meses atrás. O que deu errado, afinal?

Um caso de complacência: Taiwan

Taiwan foi um dos primeiros lugares a proibir turistas estrangeiros assim que a China relatou o surgimento do vírus no fim de 2019, e essas duras restrições de fronteira permanecem em vigor até hoje.

No entanto, localmente, tanto a população quanto o governo começaram a se tornar condescendentes, complacentes.

Hospitais pararam de testar massivamente as pessoas para covid, mesmo aquelas com febre, um dos sintomas mais comuns do coronavírus

De acordo com o portal Our World in Data, da Universidade de Oxford, Taiwan realizava apenas 0,57 testes de vírus a cada 1.000 pessoas em meados de fevereiro. Em comparação, Cingapura realizava 6,21 e o Reino Unido, 8,68.

"Havia uma suposição geral, mesmo com pessoas apresentando sintomas, de que a probabilidade de ter o covid-19 era essencialmente zero", disse o professor associado Lin Hsien-ho da Universidade Nacional de Taiwan à BBC, acrescentando que derivava da crença de que o vírus não poderia atravessar as fortes barreiras levantadas por Taiwan.

"Os médicos não estavam levando isso a sério, os hospitais não estavam alertas, não faziam muitos rastreamentos de contatos. Definitivamente, havia uma certa sensação de complacência."

Isso se mostrou especialmente quando Taiwan relaxou suas exigências de quarentena para pilotos de companhias aéreas não vacinados de 14 para 5 dias. E depois para só 3 dias.

Pouco depois, surgiu uma série de casos conectada a um grupo de pilotos da China Airlines que estavam hospedados em um hotel perto do aeroporto de Taoyuan. Depois, descobri-use que muitos dos infectados ligados a essa série de casos tinham contraído a variante achada no Reino Unido, conhecida como B.1.1.7.

O vírus então se espalhou pela comunidade, chegando às "casas de chá" de Taiwan, que são locais de entretenimento para adultos.

"Você tinha pessoas cantando, bebendo, entrando em contato frequente em um ambiente interno não muito ventilado. Não era apenas uma casa de chá, mas muitas na mesma rua. Foi um evento super espalhador enorme", disse Lin, da Universidade Nacional de Taiwan.

O professor Chen Chien-jen, epidemiologista e ex-vice-presidente de Taiwan, diz que o fato de muitos daqueles que tiveram diagnóstico positivo não quererem declarar que visitaram esses locais de entretenimento para adultos tornou ainda mais difícil o rastreamento das pessoas com quem eles encontraram.

"Isso apenas nos lembra que mesmo quando uma proporção muito pequena da população quebra as regras, isso levará a escapes", disse o Dr. Chen.

Ele também acrescenta que Taiwan falhou em aprender com a indústria de entretenimento adulto do Japão, que também foi um foco de infecções em um dado momento.

"Não aprendemos a lição com o Japão e refletimos que Taiwan pode ter esses mesmos problemas", disse ele.

Segundo o professor Alex Cook, da Universidade Nacional de Cingapura (NUS), a situação de Taiwan é "um reflexo do risco constante de uma estratégia que enfatiza demais o controle de fronteiras e não o suficiente em medidas de prevenção à disseminação dentro do país".

Rachaduras no muro: Cingapura

Em Cingapura, no entanto, a história foi diferente.

As medidas no país sempre foram rigorosas, apesar dos poucos casos registrados ao longo da pandemia. Encontros públicos podem reunir até oito pessoas, os clubes noturnos não foram reabriram e ainda há um limite para reuniões coletivas, como casamentos.

Mas ainda havia lacunas em sua estratégia de vacinas e, no final de maio, o Aeroporto Changi de Cingapura, que também possui um popular shopping center, havia se transformado no maior centro de covid do país em 2021.

Tempos depois, as autoridades de Cingapura descobriram que vários funcionários infectados do aeroporto estavam trabalhando em uma zona que recebia viajantes de países de alto risco, incluindo os do sul da Ásia.

Alguns desses funcionários passaram a fazer suas refeições nas praças de alimentação do aeroporto, que são abertas ao público, espalhando ainda mais o vírus.

Como resultado, o país decidiu fechar seus terminais de passageiros para o público.

Mais tarde, descobriu-se que muitos dos infectados tinham uma variante altamente contagiosa que foi descoberta na Índia, conhecida como B.1.617.

Cingapura também anunciou que iria separar voos e passageiros de países e regiões de alto risco daqueles que chegam de lugares de menor risco. A equipe de funcionários também será segregada por zonas.

Muitos no país se perguntam por que tais medidas não foram tomadas antes, observando que essas brechas foram apontadas há semanas.

Mas especialistas dizem que era "inevitável" que uma nova variante chegasse ao país.

"Eu entendo porque as pessoas estão se sentindo frustradas porque a maioria dos cingapurenses tem sido extremamente complacente", disse o professor Teo Yik Ying, reitor da Escola de Saúde Pública (NUS).

"Mas não somos como a China, que consegue manter suas fronteiras completamente fechadas. Nossa reputação como país, nossa economia, está ligada à nossa posição de centro comercial. Além disso, se olharmos para os EUA no ano passado, seus piores casos de vírus não vieram da China, mas de viajantes da Europa. Então, para quantos países Cingapura pode fechar suas fronteiras?"

Mas Cook, da Universidade Nacional de Cingapura, diz que o país ainda está em uma "posição muito boa" para conter seu surto.

"Hesito em dizer que 'as coisas deram errado', já que Cingapura ainda está, apesar da intensificação das medidas, em uma posição muito boa", disse ele.

"Se compararmos com o Reino Unido, os casos diários típicos são cerca de 10% do nível do Reino Unido se considerarmos proporcionalmente o tamanho da população. Em outras palavras, Cingapura está endurecendo as medidas para prevenir chegar a um ponto em que o vírus possa se descontrolar."

Vacinação lenta

Há um problema que atingem por igual Cingapura e Taiwan: vacina.

Muitos em Taiwan não queriam tomar a vacina quando as coisas estavam indo bem, com temores em torno de eventuais efeitos colaterais da vacina AstraZeneca-Oxford, a principal disponível no país, o que ampliou ainda mais a hesitação vacinal.

O atual aumento de casos, entretanto, mudou isso, e as pessoas em Taiwan agora estão ose aglomerando para receber a vacina. Mas o problema é: não há doses para todos.

Até agora, Taiwan recebeu apenas 300 mil vacinas, ante sua população de 24 milhões.

"Tentamos nosso melhor comprando vacinas de empresas internacionais, mas não conseguimos muito. A única maneira de sustentar nosso fornecimento é fabricando nós mesmos, isso é muito importante para Taiwan", disse Chen, ex-vice-presidente de Taiwan.

Taiwan está trabalhando atualmente na produção de duas vacinas locais, que podem estar disponíveis no final de julho.

A história é um pouco diferente em Cingapura, mas sofre da mesma escassez.

Cerca de 30% da população recebeu pelo menos uma dose da vacina, de acordo com a Universidade de Oxford, e isso representa a maior taxa de vacinação do Sudeste Asiático. Mas o país está de mãos atadas com a oferta limitada de vacinas. De todo modo, o governo espere vacinar toda a sua população até o final do ano.

"Em última análise, somos limitados pelo fornecimento. Em países como o Reino Unido, EUA, China, eles têm a capacidade de produzir suas próprias vacinas", disse Teo, da Escola de Saúde Pública de Cingapura.

"Prevemos que a necessidade de vacinas será de longo prazo, por isso estamos caminhando para ter nossas próprias capacidades de fabricação. Então não seremos mais dependentes."

Teo acrescenta que o pico em ambos os lugares é uma lição para os países que agora podem estar vendo uma queda nos casos.

"Quando vemos países na Europa ou nos Estados Unidos começando a flexibilizar as medidas de restrição à circulação de pessoas, acho que eles deveriam ser muito cautelosos e olhar ao redor do mundo para ver o que está acontecendo", disse ele.

"O que aconteceu em Taiwan e Cingapura é um sinal de que não devemos baixar a guarda."

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Apenas 3% da América Latina está vacinada contra covid-19, lamenta Opas

Vacinação em Rivera, no Uruguai - Marcelo Pinto/APlateia
Vacinação em Rivera, no Uruguai Imagem: Marcelo Pinto/APlateia

21/05/2021 21h12

Só 3% da população da América Latina e Caribe está vacinada contra a covid-19, lamentou a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) hoje, dia em que a região ultrapassou um milhão de mortes pelo coronavírus.

"Esta pandemia está longe de terminar e está atingindo fortemente a América Latina, afetando nossa saúde, economias e sociedades inteiras. No entanto, apenas 3% de nossas populações foram vacinadas", disse a diretora da Opas, Carissa Etienne.

Pfizer pede à Anvisa para alterar condições de conservação da vacina

"A região é um epicentro do sofrimento pela covid-19. Deve ser também um epicentro da vacinação", frisou em um comunicado.

Segundo dados do escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, 1.001.781 pessoas morreram devido ao vírus SARS-CoV-2 na América Latina e no Caribe.

Cinco países concentram quase 89% dessas mortes: Brasil (44,3%), México (22,1%), Colômbia (8,3%), Argentina (7,3%) e Peru (6,7%). Cerca de 3% de todas as mortes ocorreram na América Central e 1% no Caribe.

No entanto, das mais de 153,5 milhões de pessoas vacinadas em todo o continente americano, apenas 21,6% estão na América Latina e no Caribe.

Etienne destacou a disposição de alguns países de doar dezenas de milhões de doses de vacinas sobressalentes para a região, incluindo os Estados Unidos e a Espanha, e pediu que outros sigam o exemplo.

"Urgimos aos países que têm doses extras que considerem a possibilidade de doar uma parte significativa delas para as Américas, onde essas doses que salvam vidas são desesperadamente necessárias e serão utilizadas prontamente", afirmou ela.

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Covid: Universidades pedem socorro a governos locais para bancar as pesquisas de vacina

UFRJ sofre dificuldades para a pesquisa de criação de uma vacina brasileira contra a covid-19 - Divulgação
UFRJ sofre dificuldades para a pesquisa de criação de uma vacina brasileira contra a covid-19 Imagem: Divulgação

Júlia Marques

Do Estadão Conteúdo, em São Paulo

21/05/2021 13h58

Atualizada em 21/05/2021 13h58

A escassez de recursos do governo federal tem levado universidades que desenvolvem pesquisas de vacinas contra a covid-19 a buscar verbas com governos locais, parlamentares, comércio e até dinheiro de acordo de indenização.

O objetivo é evitar que as pesquisas parem, em um cenário de restrições para a liberação de recursos e queda no orçamento para a ciência. O dinheiro obtido até agora pelas universidades garante só parte dos testes e a necessidade aumentará se estudos avançarem para a última fase.

Cortes afetam pesquisas de vacinas contra covid e funcionamento, diz UFRJ

Universidades como a Federal de Minas (UFMG), a do Rio (UFRJ) e a do Paraná (UFPR) são algumas das que estão na corrida pelo desenvolvimento de um imunizante brasileiro. Segundo o Ministério da Saúde, há 16 projetos brasileiros em andamento.

As vacinas não devem ficar prontas este ano, mas podem representar independência em relação a imunizantes estrangeiros a partir do ano que vem. Hoje, só aplicamos no Brasil vacinas desenvolvidas no exterior. O risco de que a covid-19 seja uma doença endêmica, como dengue e gripe, torna a iniciativa ainda mais importante.

Em abril, o Ministério da Ciência e Tecnologia pediu em um ofício ao Ministério da Economia a edição de uma medida provisória para a abertura de créditos extraordinários no valor de R$ 720 milhões para as vacinas nacionais.

No documento, o MCTI afirma que é preciso alavancar o desenvolvimento de imunizantes nacionais pelo risco de "mudanças imprevisíveis no rumo da pandemia" em função de mutações virais. O documento também cita a possibilidade de ter de vacinar novamente toda a população "em curto período de tempo".

Os R$ 720 milhões, segundo o MCTI, seriam destinados a quatro projetos brasileiros nas fases 1 e 2 dos estudos clínicos e para duas vacinas que avançarem para a fase 3. Os estudos clínicos são aqueles em que a vacina é aplicada em seres humanos. Nas fases 1 e 2, o grupo testado é menor e a estimativa de gasto é de R$ 30 milhões em cada projeto. Já na fase 3 o teste pode envolver até 40 mil voluntários e o custo da pesquisa sobe para R$ 300 milhões.

Em resposta no dia 7 de maio, um mês após a solicitação, o Ministério da Economia condicionou a liberação de parte da verba (R$ 415 milhões) a um projeto de lei com cancelamento de recursos do Ministério da Saúde.

Outros R$ 305 milhões dependeriam de uma portaria do secretário especial de Fazenda. Há ainda restrições para o uso de R$ 5 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o principal fundo de financiamento da ciência. Na prática, as exigências podem tornar o processo demorado e atrasar as pesquisas este ano, segundo entidades ligadas à ciência.

Na corrida contra o tempo e atrás de viabilizar a própria vacina, a UFMG conseguiu R$ 30 milhões com a prefeitura de Belo Horizonte. O recurso vai pagar as fases 1 e 2 dos estudos clínicos. Mas, para a fase 3, em que mais de 30 mil voluntários são convocados, será necessário mais dinheiro, da ordem de R$ 300 milhões.

"O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) tem sido um grande parceiro, mas vai poder financiar apenas uma das vacinas, a que chegar primeiro, e nós sabemos que precisaremos de todas", afirma Sandra Regina Goulart Almeida, reitora da UFMG. Segundo ela, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), ofereceu o dinheiro após assistir a uma entrevista em que Sandra manifestava temor pela paralisação da pesquisa.

Na UFPR, a falta de verbas mobilizou o reitor a acionar contatos locais para alavancar a pesquisa da vacina. "Estou correndo atrás do jeito que posso. Falei com vereadores, que agora querem falar com o município para passar dinheiro para nós", diz o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.

Até o Tribunal de Contas do Estado avalia entrar no projeto, aplicando dinheiro próprio. Na fase pré-clínica, quando a vacina é testada em animais, a universidade fechou um acordo com o governo do Paraná para repasse de R$ 995 mil. A vacina paranaense pode custar de R$ 5 a R$ 10 a dose.

Para o imunizante da UFRJ, a reitora Denise Pires de Carvalho negocia com deputados estaduais e há expectativa de conseguir R$ 5 milhões com a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A UFMG também conseguiu verbas de emendas parlamentares e vê a possibilidade de receber mais recursos provenientes de um acordo de indenização da Vale com o Estado de Minas Gerais pelos danos causados após o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019.

'Se vira nos 30'

"A reitora está se virando nos 30 para conseguir mais recursos", diz Fernando Peregrino, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), sobre a dirigente da UFRJ.

O Confies e outras entidades ameaçam ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela liberação dos R$ 5 bilhões do FNDCT. Em audiência na Câmara dos Deputados no dia 4 de maio, o ministro Paulo Guedes afirmou que seriam encaminhados R$ 5 bilhões para o MCTI, mas os recursos não chegaram.

Para "vender o peixe" da vacina, até mesmo os pesquisadores participam de reuniões externas. O virologista Flávio Guimarães da Fonseca, que coordena um centro de pesquisas da UFMG, alterna entre o cientista e o negociador na pandemia para conseguir levar adiante os estudos. Ele tem dialogado com parlamentares e até entidades ligadas ao comércio - um papel que não desempenhava antes da covid-19.

"É um interlocutor diferente, não técnico. Falar na mesma linguagem que ele não é simples. O cientista adorava falar em congresso." Embora veja essa interlocução como um ganho para os cientistas na pandemia, o risco é de que outras pesquisas com menos apelo político, mas também importantes, acabem ficando à míngua. Estudos sobre doenças como zika e chikungunya estão praticamente paralisados.

"Por que a vacina brasileira está saindo agora, um ano depois? Porque países que desenvolveram primeiro tinham pesquisas já em andamento. A gente praticamente teve de montar a estrutura do zero", diz Fonseca.

Os reitores são unânimes ao dizer que, se o governo federal tivesse investido em ciência antes, o Brasil já teria suas próprias vacinas em estágio mais adiantado.

Nos Estados Unidos, onde houve investimento bilionário para desenvolver imunizantes contra a covid-19, já foram aplicadas 276 milhões de doses e outras 80 milhões serão enviadas a outros países. Enquanto isso, o Brasil vacinou menos de 10% de sua população com as duas doses e depende de insumos de fora para não paralisar a produção local na Fiocruz e no Instituto Butantã.

Até mesmo a Versamune, propagandeada como "a vacina 100% brasileira" pelo governo federal, sofreu cortes no fim de abril — R$ 200 milhões foram vetados pelo presidente Jair Bolsonaro para o imunizante. O investimento inicial do governo federal foi de aproximadamente R$ 3,8 milhões na vacina desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.

Agora, para o ensaio clínico de fase 1 e 2, o consórcio da Versamune está "buscando recursos com o governo federal", informou Helena Faccioli, presidente e CEO da Farmacore, empresa de biotecnologia que desenvolveu o imunizante em parceria com a USP. Para essas duas etapas, o custo estimado é de R$ 30 milhões e a expectativa é começar em julho.

Na fase 3, o custo da Versamune deve ser de R$ 300 milhões. A Butanvac, outro imunizante brasileiro em estágio adiantado e desenvolvido pelo Instituto Butantan, recebe aporte do governo de São Paulo.

Sem dinheiro, o risco é de que as linhas de pesquisa acabem desmontadas. Segundo os pesquisadores das universidades brasileiras, caso os investimentos para as vacinas sejam interrompidos no meio, equipes já treinadas para essa empreitada podem acabar buscando trabalho fora.

E, nesse caso, seria preciso formar um novo time de pesquisadores, o que, de novo, atrasa os resultados brasileiros. "Ciência não é algo que você começa, interrompe e depois retoma. É um investimento que tem de ser contínuo e sustentável. Se você está fazendo uma pesquisa, falta recurso e tem de parar, depois tem de começar do zero", diz a reitora Sandra Goulart, da UFMG.

Governo

Procurado para comentar a distribuição dos investimentos nas vacinas desenvolvidas pelas universidades brasileiras, o MCTI não respondeu. Já o Ministério da Economia disse que, para a execução dos R$ 5 bilhões do FNDCT, "faz-se necessária a abertura de créditos adicionais".

Segundo a pasta, estão sendo encaminhados, por projeto de lei, créditos adicionais para o FNDCT no valor de R$ 1,8 bilhão para empréstimos reembolsáveis do fundo e de R$ 415 milhões para viabilizar despesas com os testes clínicos de vacinas nacionais contra a covid.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Saúde demorou para evitar chegada da cepa indiana, diz secretário do MA

Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente do CONASS - Karlos Geromy/Governo do Maranhão
Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente do CONASS Imagem: Karlos Geromy/Governo do Maranhão

Do UOL, em São Paulo

21/05/2021 11h22

Atualizada em 21/05/2021 12h07

O secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Carlos Lula, disse que há semanas o Ministério da Saúde tem sido requisitado para ampliar o controle sanitário nas fronteiras para evitar que a cepa indiana da covid-19 fosse registrada no Brasil. No entanto, segundo o secretário, a pasta "demorou muito" para agir. Os primeiros casos da variante foram registrados esta semana, no Maranhão.

Há semanas a gente tinha pedido maior controle nas fronteiras em razão da disseminação dessa nova cepa, e infelizmente o ministério demorou muito. Não importa só tomar a medida correta, precisa tomar a medida correta no momento adequado. A gente sempre tem pressaCarlos Lula, presidente do Conass

Maranhão confirma primeiros casos de covid-19 por cepa indiana no país

As declarações foram dadas em uma entrevista à CNN na manhã de hoje. O secretário também afirmou que é necessário manter uma vigilância permanente e ampliar a testagem no país. Lula usou como exemplo a tripulação que estava embarcada no navio onde a variante foi identificada. Dos 24 embarcados, 15 testaram positivos, sendo 12 deles assintomáticos.

Pra gente ter ideia de como é importante a continuar com a testagem em massa da população, mesmo em assintomáticos, estava havendo a transmissão da doença. A gente fez o estudo genômico de todos. Como em alguns casos o nível de vírus era muito baixo, não foi possível fazer o sequenciamento genético, mas de seis conseguimos fazer. Em todos os seis, a variante B.1.617, que é a que chamamos de variante indiana Carlos Lula, presidente do Conass

A mutação foi identificada em um indiano de 54 anos que deu entrada em um hospital da rede privada em São Luís na sexta-feira (14). Ele era um tripulante do navio MV Shandong da ZHI, embarcação que veio da Índia.

A notícia foi dada pela Secretaria de Comunicação (Secom) após coletiva de imprensa realizada nesta manhã com o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula. Mais informações sobre medidas preventivas e de contenção ainda serão divulgadas pela pasta.

Navio não pode atracar

O navio em que os casos foram identificados permanece em quarentena e não está autorizado a atracar no Maranhão. Segundo Carlos Lula, a autorização só acontecerá quando houver certeza de que nenhum dos embarcados é um vetor de transmissão da covid-19.

"A gente vai continuar a vigilância, com esse rastreio e cuidado, sem permitir que o navio atraque até garantir que ninguém da tripulação esteja infectado", disse à CNN.

O secretário reforçou que a vigilância das fronteiras do Brasil ainda é "muito ruim" e que o auxílio aos infectados com a variante indiana está sendo prestado pela Secretaria de Saúde do Maranhão, apesar de a competência ser da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"A gente ta auxiliando um órgão do governo federal, tanto que o ministro entrou em contato comigo ontem, preocupado. Estamos dando suporte a uma entidade federal".

* Com informações da Agência Estado

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Pequena ilha turística do Pacífico está livre da covid-19 e vacinada

Taboga a maior do pequeno arquipélago de Las Perlas, localizada no Golfo do Panamá - Getty Images
Taboga a maior do pequeno arquipélago de Las Perlas, localizada no Golfo do Panamá Imagem: Getty Images

22/05/2021 10h03

Taboga, uma pequena e exótica ilha do Panamá na costa do Pacífico, está livre da covid-19, e sua população com mais de 16 anos de idade completou a vacinação contra a doença nesta sexta-feira, o que abre uma janela para a recuperação do turismo, vital para a sua sobrevivência.

A ilha de 5,9 quilômetros quadrados e cerca de 1 mil habitantes é a maior do pequeno arquipélago de Las Perlas, localizada no Golfo do Panamá, como explica seu website.

Com passaporte da vacina, Malta pagará turistas que visitarem a ilha

"Neste momento temos 0 casos de covid-19 na ilha de Taboga", declarou a chefe de Saúde Pública da Região Metropolitana de Saúde do Ministério da Saúde (Minsa), Ana Lorena Chang, à Agência Efe.

Chang liderou nesta quinta em Tobaga uma jornada para administrar a segunda dose da vacina contra a Covid a toda a população com mais de 16 anos de vida nesta e nas outras ilhas habitadas do arquipélago.

"Por ser uma área de difícil acesso, foi decidido vacinar toda a população acima de 16 anos, mulheres grávidas, professores, e isso faz uma cobertura de cerca de 1,8 mil pessoas na ilha de Taboga, que inclui as ilhas de Otoque Leste e Otoque Oeste", destacou a funcionária do Minsa.

Taboga  - Getty Images - Getty Images
Taboga Imagem: Getty Images

Yarineth Martínez, uma jovem de 23 anos, é uma das habitantes do município que recebeu nesta sexta-feira a segunda injeção. Apesar da felicidade com a imunização, ela ressaltou que a população precisa continuar se cuidando.

"Não devemos baixar a guarda, temos que continuar cuidando de nós mesmos, mesmo que tenhamos recebido a vacina, porque isso (pandemia) vai durar um pouco mais", declarou Martínez à Efe.

Taboga está localizada a cerca de 12 milhas náuticas (22,2 quilômetros) da Cidade do Panamá. Ela praticamente se isolou com o surto da pandemia no país centro-americano, que acumula 372,8 mil casos confirmados e 6.314 mortes e atravessou duas fortes ondas de contágio.

"O maior número de casos neste lugar foi registrado em janeiro, com cerca de 16, mas agimos rapidamente. Isso fez com que a população daquela época até agora permanecesse em 0 casos e o mesmo acontece nas outras ilhas", explicou Chang.

As águas cristalinas das praias de Taboga, azuis e verdes, são sua principal atração, mas também a riqueza de sua flora, o que a leva a ser chamada de 'Ilha das Flores'.

"Graças ao cuidado rigoroso que tivemos com nossos residentes, conseguimos abrir com sucesso as praias, o que hoje está fazendo com que os negócios em Taboga se recuperem pouco a pouco", afirmou à Efe a prefeita da ilha, Magaly Ricord.

A política salientou a importância da vacinação, por proteger os residentes, em primeiro lugar, e também os turistas, que, segundo ela, são aguardados com muita receptividade.

"A mensagem para os turistas é que, por favor, quando você vier a Taboga, tome todas as medidas de biossegurança. Os tabagãos estão esperando por eles de braços abertos. Eles (residentes) têm se comportado muito bem, estão cumprindo todas as medidas de biossegurança, e também esperamos que os turistas nos apoiem", avisou.

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"Esconder" a bagunça do dia a dia é possível com truques de decoração

Profissionais de arquitetura e design de interiores trazem soluções criativas para camuflar itens muito utilizados no dia a dia e que ficam espalhados pela casa - Carlos Piratininga
Profissionais de arquitetura e design de interiores trazem soluções criativas para camuflar itens muito utilizados no dia a dia e que ficam espalhados pela casa Imagem: Carlos Piratininga

De Nossa

21/05/2021 10h22

Manter uma casa sempre alinhada na arrumação não é uma tarefa fácil. Mas a decoração de interiores e suas soluções práticas são aliadas para facilitar a organização e, até mesmo, camuflar a bagunça.

Segundo a arquiteta Cristiane Schiavoni, é preciso, antes de qualquer coisa, conhecer o perfil dos moradores. Este pode ser o bagunceiro assumido, que pode até contar com espaço de sobra para posicionar tudo, mas não tem paciência para manter tudo arrumado.

Dicas para decoração

Móveis espelhados: prós e contras dessa escolha na decoração

Já o segundo é retrato da pessoa que é naturalmente desorganizada e que não consegue vislumbrar facilmente um meio para manter o espaço arrumado.

Ao contrário dos tipos um e dois, o terceiro é alguém que ama uma arrumação, mas trava uma luta consigo para tudo ficar no seu devido lugar, já que esse processo não acontece naturalmente.

Neste projeto assinado pela arquiteta Cristiane Schiavoni, o cliente decidiu pelo seu home office próximo à sala de estar, já que gosta de exercer suas atividades profissionais enquanto assiste televisão. Assim, para esconder sua ?bagunça? de trabalho, as portas de correr fazem a divisão entre os ambientes - Carlos Piratininga - Carlos Piratininga
Neste projeto assinado pela arquiteta Cristiane Schiavoni, o cliente decidiu pelo seu home office próximo à sala de estar, já que gosta de exercer suas atividades profissionais enquanto assiste televisão. Assim, para esconder sua ?bagunça? de trabalho, as portas de correr fazem a divisão entre os ambientes Imagem: Carlos Piratininga

De acordo com a arquiteta Flávia Nobre, sócia da designer de interiores Roberta Saes no escritório Meet Arquitetura, a proposta inicial é aprender a camuflar a bagunça. Para isso, as profissionais separaram dicas e referências onde detalham as soluções que criaram para deixar tudo em seu devido lugar.

Decoração e marcenaria ao seu favor

Neste loft de 40m² projetado pelo Meet Arquitetura, mais um home office integrado com os demais ambientes. Para não prejudicar a atmosfera gostosa do apto, a parte interna da mesa de trabalho conta com nichos e gavetas para que a moradora possa guardar seus itens pessoais e deixá-los fora de vista quando o expediente acabar  - Henrique Ribeiro - Henrique Ribeiro
Neste loft de 40m² projetado pelo Meet Arquitetura, mais um home office integrado com os demais ambientes. Para não prejudicar a atmosfera gostosa do apto, a parte interna da mesa de trabalho conta com nichos e gavetas para que a moradora possa guardar seus itens pessoais e deixá-los fora de vista quando o expediente acabar Imagem: Henrique Ribeiro

Diversos truques ligados à marcenaria, bem como objetos de decoração, auxiliam no processo de organizar e, ao mesmo tempo, proporcionar uma estética harmoniosa para o ambiente. Baús, nichos, prateleiras, estantes, gavetões e caixas são clássicos que fazem a diferença.

Se os moradores apresentarem o perfil "bagunceiros", apostar em um móvel fechado pode ser o caminho, pois ajuda a esconder com eficácia.

"Ao invés de uma estante vazada e com nichos, pensar em uma opção com portas pode ser uma alternativa bastante interessante. Para um home teather, um rack fechado com o efeito ripado, por exemplo, abriga os equipamentos, tirando aquela sensação de amontado. E o painel é excelente para que os fios não fiquem aparecendo", indica a arquiteta Flávia Nobre.

Como um novo hábito adquirido pelos brasileiros em função da pandemia, Cristiane Schiavoni e as sócias da Meet Arquitetura salientam a relevância de outro acessório a ser posicionado logo na entrada das residências: um móvel para guardar os sapatos.

Na sala estar assinada por Cristiane Schiavoni, ao lado do painel com a peça de arte, à primeira vista as duas ?portinhas? podem passar desapercebidas. Mas, com um pequeno toque para abertura, os moradores têm acesso aos jogos de tabuleiros que estão guardados no espaço - Carlos Piratininga - Carlos Piratininga
Na sala estar assinada por Cristiane Schiavoni, ao lado do painel com a peça de arte, à primeira vista as duas ?portinhas? podem passar desapercebidas. Mas, com um pequeno toque para abertura, os moradores têm acesso aos jogos de tabuleiros que estão guardados no espaço Imagem: Carlos Piratininga

Praticidade

Próximo à sala de estar do apartamento, Cristiane Schiavoni criou um pequeno ambiente para abrigar os brinquedos dos pequenos. Prateleiras, caixas e cestos simplificam no processo de acondicionar novamente depois da diversão - Carlos Piratininga - Carlos Piratininga
Próximo à sala de estar do apartamento, Cristiane Schiavoni criou um pequeno ambiente para abrigar os brinquedos dos pequenos. Prateleiras, caixas e cestos simplificam no processo de acondicionar novamente depois da diversão Imagem: Carlos Piratininga

Um dos principais facilitadores para que tudo permaneça em seus devidos lugares é a praticidade. Quando tudo está claro e perto, a tendência é que o fluxo da organização se descomplique.

Em casas com crianças e brinquedos, caixotes com rodízios, cestos e prateleiras são muito convenientes e incentivam que sejam guardados logo após as brincadeiras. "Tudo precisa ser muito eficaz para que rapidamente a casa fique organizada", relata Cristiane Schiavoni.

Solução aliada à sofisticação

Optar por itens decorativos que, ao mesmo tempo, guardem as coisas de casa é uma solução que, além de otimizar, deixa o cômodo mais bonito e com personalidade.

Segundo a arquiteta Cristiane Schiavoni, uma cristaleira, por exemplo, pode ser um desses móveis que emprestam sofisticação e eficiência para guardar as taças que não são utilizadas com frequência. "Quando me dizem que a cristaleira não é útil, prontamente explico a sua aplicabilidade em casa. Além de decorar de maneira muito elegante, traz consigo essa ideia de funcionalidade", defende.

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