PAULO GUSTAVO Homenagens * FERNANDA YOUNG também se foi
Paulo Gustavo é descrito como um marco da comédia nacional por colegas de profissão, que apontam seu legado

Depois de conquistar o Brasil inteiro com seus múltiplos personagens em peças de teatro, filmes e programas de TV, foi um Paulo Gustavo de cara limpa que cativou um público bem específico nos últimos tempos: os médicos e enfermeiros do hospital em Copacabana, ele ficou internado lutando contra a Covid-19 por quase dois meses, até a última terça-feira, quando o ator morreu. Durante todo o tempo em que esteve consciente, o comediante surpreendia os funcionários com seu humor inabalável. Fazia tudo para animar aquele ambiente.
Tatá Werneck conta que nas duas ligações por Facetime que recebeu do amigo da cama do hospital, ele contou que era justamente o humor que o estava salvando naqueles momentos duros. E ela entendeu tudo, já que sabe bem o que era conviver com ele (“não tive um dia mais ou menos com o Paulo, parecia que ensaiava antes para tudo ser tão especial”, conta).
Ao telefone, o ator se mostrou emocionado com algo que os enfermeiros repetiam: que não haveria corredor suficiente no hospital para abrigar tanta gente que o aplaudiria quando se recuperasse. Infelizmente, isso não aconteceu, mas os aplausos vieram. Quando recebeu a notícia de que o quadro do humorista era irreversível, Tatá começou a aplaudi-lo, enquanto gritava “bravo!” pela janela de casa. Ligou para Ingrid Guimarães e Heloísa Périssé, e as duas engrossaram o coro.
Craque em fazer graça das situações cotidianas, Paulo alcançou sucesso estrondoso com seu humor acessível, incrível domínio de cena e a capacidade de se desdobrar em vários personagens ("era um one man show", definiu a crítica de TV do GLOBO, Patrícia Kogut). Fez uma revolução na comédia brasileira com seu estilo original, ressalta Bruno Mazzeo.
Oscarito, Mazaroppi...
— Nenhum comediante dessa geração arrastou uma legião de fãs tão grande quanto Paulo. Eu podia, nesse sentido, compará-lo a Oscarito, Zé Trindade, Mazaroppi... Mas humoristas são insubstituíveis. Paulo é único. Nunca mais haverá outro. E seus personagens são eternos. Cumpriu com perfeição essa missão tão bonita, que é fazer rir — afirma Bruno.
Tatá fica orgulhosa de ver como ele influenciou novas gerações. Enxerga referências a Paulo no trabalho de vários comediantes da atualidade.
— Ele criou uma embocadura, uma entonação, uma maneira de falar coisas absurdas com uma licença poética que o permitia criticar o que ninguém consegue criticar. Hoje, a gente vê várias pessoas falando e agindo como ele. Está deixando um legado de filmes incrível, histórias de emoção e personagens lendários. É perfeccionista, pensa em cada detalhe, não aceita nada mal feito — diz ela, que não consegue falar do amigo no passado "porque o Paulo é vida".
A capacidade de transitar por diversos meios artísticos, usando o palco como trampolim para as telas, é destacada por Fernanda Torres.
— Ele explodiu no teatro e expandiu sua influência para a televisão e o cinema. Foi um catalisador para a cultura brasileira. Na hora de crise, de mudança nos hábitos do espectador, de ataque às artes, ele surgiu remando pela raia sete e virou fenômeno — define a atriz. — Paulo tinha uma independência impressionante, assumia risco produzindo suas próprias peças e filmes. É uma perda muito grande porque ele sozinho, com uma linguagem direta, popular, garantiu uma fatia muito relevante do público e do mercado.
Paulo não só gerou empregos e levou alegria ao público brasileiro, como uniu as mais diferentes classes sociais, credos e ideologias em torno de seus personagens.
'Combateu a brutalidade sem ódio'
— Numa hora tacanha e preconceituosa como essa, ele encarnou mulheres, homens, gays e uma mãe que compreendia que o mundo é diverso doido e amoroso. O Paulo se casou com o Thales, teve filhos e combateu essa brutalidade macha, bronca, sem rancor ou ódio — continua Fernanda. — Era a última pessoa que eu pensaria que poderia partir agora. Caetano (Veloso) falou muito bem quando disse que o Paulo é o nosso "sim". Passei o dia vendo a CPI da Covid e, de noite, veio a notícia da morte dele. Foi muito chocante e significativo. Espero que o Brasil honre o Paulo e diga não ao não.
A forma de falar sobre sexualidade sem ofender ninguém foi um dos atos mais revolucionários de Paulo, segundo o humorista Rafael Infante.
— Ele falava de sexualidade sem estar no lugar de apontamento ou de bullying. Isso é completamente revolucionário, assim como fazer todos gargalharem fazendo um humor que não escolhia classe social ou tipo de pensamento. Fora o timing e o fato de ter sido o primeiro a fazer de forma grandiosa essa passagem por todas as mídias.
Produtora da trilogia “Minha mãe é uma peça”, Iafa Britz lembra que este ano o projeto viraria série na TV Globo, no Globoplay e no Multishow.
— Quando terminou o “Minha mãe é uma peça 3”, já sabíamos da série. Uma das últimas vezes em que conversamos, um mês antes da internação, ele disse: “Vamos falar com o Fil (Braz, roteirista) para começar a pensar no 4?” — diz Iafa, para quem Paulo foi responsável por uma mudança de paradigma no cinema de humor. — Ele tinha um jeito de falar diferente e mais acelerado e os filmes com estruturas dramatúrgicas distintas do que era feito até então. Veio com um humor crítico, que falava das nossas questões e disfuncionalidades de forma leve. E abordava coisas sérias pra todo mundo. Com ele, iniciou-se uma nova comédia no cinema e uma nova geração de profissionais.
Ingrid Guimarães endossa.
— Ele representou uma era onde nós comediantes viramos protagonistas de cinema. Paulo provou que rir de si mesmo é uma maneira de se aceitar. Elevou o nível da comédia no Brasil. Paulo curou preconceito, depressão e tristeza através do riso. Era bom amigo, bom marido e bom filho. A vida sem ele vai ficar bem mais sem graça - lamenta Ingrid.
Amigo e parceiro de profissão que montou o primeiro espetáculo com Paulo Gustavo, Fábio Porchat exalta reforça o legado do ator.
— O mundo perde um comediante gigante. A pessoa mais engraçada que eu já vi é o Paulo. Digo “é” porque seu legado e sua memória ficam.
Até Renato Aragão, o eterno Didi Mocó, faz sua reverência.
— O humor brasileiro certamente foi enriquecido pelo talento do Paulo Gustavo. Sua alegria, sagacidade, seu profissionalismo jamais serão apagados da nossa história.
* Colaborou Talita Duvanel
'Um vazio imenso': leitores do GLOBO se despedem de Paulo Gustavo

A morte prematura de Paulo Gustavo, aos 42 anos, vítima da Covid-19, comoveu o país. Isso ficou claro, por exemplo, nas manifestações de carinho registradas através de aplausos nas janelas, na noite de quarta-feira. E a despedida do ídolo inspirou também os leitores do GLOBO.
A redação recebeu uma enxurrada de mensagens de leitores que gostariam de prestar uma homenagem ao ídolo, reverenciar o talento daquele que tanto faz o Brasil rir — nos palcos, salas de cinema e no sofá da casa de cada fã.
Abaixo, uma seleção com algumas das cartas enviadas pelos leitores*.
Nila Maria do Carmo Siqueira, do Rio
Paulo Gustavo não está mais entre nós. Esse talentoso jovem artista e humorista, de apenas 42 anos, deixa um vazio imenso. Pautou sua vida na fé, na esperança e na caridade. Sua alegria era contagiante. O seu vídeo gravado para comemorar a chegada de 2021 nos deu esperança para enfrentar a pandemia, que estupidamente nos privou de seu convívio. Sentiremos muita saudade da sua alegria e de suas risadas. A vida pra ele não era pra ser vivida pela metade. Viveu exageradamente, amou exageradamente.
Como dizia Cazuza: “E por você eu largo tudo/ Carreira, dinheiro, canudo. Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais”.
Até breve, Paulo Gustavo!
Antonio Mayrinck, de Niterói
Niterói está chorando e lamentando a morte precoce do grande ator,nascido e criado nesta cidade que ele tanto amava. Sugiro que a Rua Coronel Moreira César, cujo nome a prefeitura quer trocar há muito tempo, seja rebatizada agora Rua Paulo Gustavo. A via tem tudo a ver com o ator, onde passeava e se encontrava com os amigos! Além disso, o coronel Moreira César tem uma biografia de violência e sangue!
Fernanda Rosa B. de Holanda, do Rio
“Rir é um ato de resistência”, disse ele. Sim, Paulo Gustavo, continuaremos resistindo, principalmente, com a força do seu legado. Esse fica eternamente. Obrigada, por todas as risadas que pude dar com você! Hoje, a nossa resistência será com risos e lágrimas, mais forte, portanto!
Edgardo Joaquim D. do Prado, do Rio
As personagens de todas as peças de teatro e filmes brasileiros cumprem o doloroso dever de comunicar a morte de Dona Hermínia. Os palcos ficarão mais vazios sem o seu jeito escrachado, sem a sua alegria contagiante. Sua voz e sua risada continuarão ecoando em nossos ouvidos e corações.
Deborah Fisch Nigri, do Rio
A morte de Paulo Gustavo é uma tragédia e deixa uma imensa lacuna na vida de seus familiares e dos brasileiros, assim como a morte de cada um dos mais de 410 mil conterrâneos que tiveram suas vidas abreviadas pelo vírus. Paulo Gustavo era de casa, membro da família que se fazia presente para alegrar e contagiar, fazendo-nos gargalhar a cada cena, a cada peça, a cada filme e a cada entrevista. Era um talento nato e jamais será esquecido, foi o nosso Senna das artes. Todas essas perdas poderiam ter sido evitadas se não fossem as atitudes virulentas do maior dos vírus, que governa nosso país. Fizemos muito pouco, muito tarde. Uma lástima!
Evandro Vieira, do Rio
Nosso presidente é uma peça, mas não uma comédia leve como as do nosso saudoso e amado Paulo Gustavo. Nosso presidente é uma peça trágica, negacionista, antissocial.
Seria bom se todos seus seguidores parassem um minuto em silêncio para refletir sobre as consequências da não compra de vacinas, pela negação do distanciamento social, pelo negacionismo da ciência.
Infelizmente essa reflexão será tardia para 410 mil vítimas dessa evitável crise sanitária que vivemos.
Liane Gouvêa, do Rio
Triste perda para todos nós que curtimos muito os personagens do grande Paulo Gustavo. Não por acaso, seu trabalho bateu recordes de bilheteria. Quantas risadas nos proporcionou. Ele nos ajudou a ficar mais alegres e otimistas. Você nos fez mais felizes, Paulo Gustavo. Dona Hermínia vai sempre brilhar na lembrança de todos nós que agradecemos pela sua genialidade.
Roberto Solano, do Rio
A morte do ator Paulo Gustavo vai ser explorada politicamente e temos que ter muito cuidado com as distorções. O fato é triste como outras inúmeras tragédias advindas da pandemia. O momento é de respeito e reflexão, a doença também mata jovens e ricos, não tem preferência, é preciso união e credo na ciência, não nos políticos, infelizmente.
'Minha mãe é uma peça'

Sucesso estrondoso no teatro, a atração estrelada por Dona Hermínia fez ainda mais no cinema. Foram três filmes, recordes de bilheteria e muitas gargalhadas para os brasileiros. Os filmes estão disponíveis no Telecineplay, YouTube Play e Google Play.
'220 volts'

O programa que estreou em 2011 é um dos trabalhos mais marcantes da carreira televisiva de Paulo Gustavo, que atuava como apresentador dos esquetes cômicos baseados no cotidiano e nos personagens criados por ele. Está no Globoplay.
'Vai que cola', a série

No programa, que também bateu recordes de audiência na TV fechada, Paulo interpreta Valdomiro Lacerda, um malandro que abandona sua vida de luxo no Leblon e vai morar em uma pensão, no Méier. A série já teve oito temporadas e algumas foram reexibidas na TV Globo.
'Divã'

Paulo Gustavo também fez sucesso como o aloprado cabelereiro Renée em 'Divã'. O filme está disponível na Netflix.
'Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou'

O comediante contracena com a amiga Mônica Martelli em mais uma adaptação de sucesso do teatro para o cinema. Disponível no Telecineplay e Globoplay.
'Minha vida em Marte'

Em 2018, a continuação da parceria levou mais de 5 milhões de pessoas para o cinema. Também disponível no Telecineplay e Globoplay.
'Vai que cola', o filme

O sucesso da série do Multishow motivou o lançamento do filme homônimo, que estreou em 2015. A bilheteria aproximada foi de R$ 42 milhões, e o longa está disponível no Globoplay.
'Além da ilha'

Paulo Gustavo é Beto nessa produção lançada com exclusividade no Globoplay, em 2018. Um grupo de amigos milionários acabam numa ilha secreta cheia de mistérios.
'A vila'

Em mais uma sitcom, agora no Multishow, Paulo Gustavo é o ex-palhaço Rique. Disponível no Globoplay.
Orlando Kremer Machado, do Rio
Paulo Gustavo nos deixou. Ele, assim como milhares de brasileiros, perdeu a batalha contra a Covid-19. É muito triste quando um artista morre, pois o artista versátil tem a capacidade de interpretar diferentes papéis e levar ao público uma dose importante de emoção. O comediante tem o papel de fazer o público rir, tarefa que parece fácil, mas não é. É mais fácil levar a raiva e a tristeza, sentimentos muito comuns no mundo em que vivemos, é só ler as outras notícias publicadas como a chacina na cidade catarinense de Saudades. Nós vamos ter saudades do Paulo Gustavo, não só das suas piadas e atitudes engraçadas, mas também do importante legado que nos deixou sobre igualdade, amor, preconceito e muito mais. Para alguns, a cortina do seu palco se fecha, mas sua obra sempre ficará na memória e nos corações dos seus fãs.
Solange Lopes de S. Carvalho, do Rio
Em sua mensagem tão linda que circulou pelas redes sociais, Paulo Gustavo não sabia, mas estava se despedindo da gente. Era mesmo uma pessoa especial. Agradeço a ele por muitos momentos de alegria que tive, de diversão, relax, por tantas gargalhadas que dei. Um remédio que não tem preço, principalmente no momento em que vivemos. Fará muita falta, muita saudade terei.
Marcelo Mattos, de Santos (SP)
No mesmo dia em que um louco invade uma creche para matar a golpe de facão crianças e mulheres em Saudades (SC), o país perde o magnífico ator Paulo Gustavo, mais uma vítima do morticínio, da barbárie institucional e da desumanização da dor: uma morte cerzida por dentro da gente.
As perdas de vidas pelo ódio incontido, desmesurado pelo preconceito, pelas diversas formas de racismo, pelo negacionismo religioso e ideológico. A não implementação de políticas públicas de saúde e vacinação expõe o flagelo de um modelo de governo de ocupação militar que fomenta e projeta mais de 500 mil mortes de brasileiros, pela omissão negligente e pela exasperação ou simplesmente pelo ardil do prazer mortuário.
Paulo Gustavo, que era todo luz, púrpura e alegria, permanecerá sempre em nós.
Ronaldo Cherman, do Rio
O número de mais de 410 mil mortos pela Covid já é de todo inaceitável, mas, quando se coloca uma lente de aumento sobre cada caso, fica evidente o quanto a criminosa falta de vacinas sai caro em todos os sentidos. O ator Paulo Gustavo, que acaba de ser tragado pela Covid, apesar de ter tido o melhor da medicina e sem economia de recursos financeiros, estaria vivo se tivesse tomado uma simples vacina de R$ 20, que, entretanto, não estava disponível nem para ele nem para os outros 410 mil.

Luiz Thadeu Nunes e Silva, de São Luís (MA)
No mesmo dia em que o talento de Paulo Gustavo sai de cena, aos 42 anos, ceifado pela Covid-19, é instaurada uma CPI no Senado Federal, para esclarecer como chegamos aos estratosféricos 411 mil mortos; na tentativa de mostrar o somatório de erros, imperícia, incompetência, malversação do dinheiro público, omissão de autoridades. A pergunta que se faz é: quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas? Que se mostrem os culpados, e que sejam exemplarmente punidos. O descaso com as vidas dos brasileiros nesta pandemia extrapolou todas as fronteiras do aceitável. A conduta de um presidente da República negacionista é de irresponsabilidade e crueldade sem limites. Oxalá essa CPI não se transforme em mais um picadeiro, como tantos outros a que já assistimos antes, que não deram em nada.
Carlos Eduardo Martins, do Rio
Acredito que, neste momento tão difícil que vivemos, a morte precoce de alguém tão alegre e querido como Paulo Gustavo é como uma pancada no nosso coração já tão ferido e frágil, causando uma dor quase insuportável. Mas, assim como a alegria de um dia assistindo a “Minha mãe é uma peça” pode ser ofuscada por uma discussão tola em família, devemos acreditar também que a perda do Paulo amanhã poderá ser compensada, mesmo que em parte, por algum humorista que, inspirado por seu legado maravilhoso, venha a trazer novas piadas e sentimentos positivos para as pessoas. Sua obra é eterna, e sua semente trará muitos frutos positivos para a arte e a comédia no Brasil e, por que não?, para o mundo. Viva Paulo Gustavo! Muito obrigado!
Márcio dos Santos Barbosa, do Rio
A morte prematura do grande Paulo Gustavo é mais uma mostra do que o governo Bolsonaro está produzindo. Perdas em série de talentos famosos ou anônimos pela omissão deliberada dos semeadores do caos. Que a classe artística bote a cara de fora (sem esquecer as máscaras, é claro) para mostrar o simbolismo dessa perda.
* As cartas, contendo telefone e endereço do autor, devem ser dirigidas à seção Leitores. O GLOBO, Rua Marquês de Pombal 25, CEP 20.230-240. Pelo fax, 2534-5535 ou pelo e-mail cartas@oglobo.com.br
'Durou pouco, mas foi tão intenso, fez-se eterno', diz marido de Paulo Gustavo

RIO - "Eu tive a sorte de viver com o cara mais especial DO MUNDO! Durou pouco, mas foi tão intenso, fez-se eterno". A frase foi dita pelo marido e pai dos dois filhos de Paulo Gustavo, o dermatologista Thales Bretas, no seu perfil do Instagram, um dia depois da morte do humorista. Ao lado de Paulo Gustavo há sete anos, Bretas diz estar "ansioso" para o "aplausaço" ao ator e as vítimas da Covid-19 marcada para esta quarta-feira às 20h.
Nas publicações, o dermatologista agradece pelas manifestações de carinho e amor e às mensagens que foram enviadas. Ele também lamenta o fato de a Beyonce, grande ídola do comediante, não ter tido a "honra de conhecer esse brilho em vida [Paulo Gustavo]". Thales ilustrou sua mensagem com uma foto do site oficial da cantora, que publicou um tributo ao humorista: "Paulo Gustavo, descanse em paz".

Ainda na madrugada desta terça-feira, dia da morte do ator, Bretas já havia feito uma publicação em homenagem ao marido. Em uma emocionante despedida, o médico confessa que ainda não conseguiu processar tudo o que houve. "Não consigo escrever um centésimo do quanto você foi e é importante pra mim e pro mundo. E continuará sendo, eternamente...", escreveu, num trecho da postagem.
"Ainda é muito difícil processar tudo o que aconteceu nos últimos dias... Nossa caminhada tinha tudo pra ser longa! Linda como vinha sendo... tão feliz! E foi muito! Como fui feliz nesses últimos 7 anos que tive o privilégio de conviver com você! Como eu aprendi, cresci! Espero poder passar um pouco do seu legado de generosidade, afeto, alegria e amor. Você é um furacão! Uma estrela que brilhou muito aqui na Terra, e vai brilhar ainda mais no céu, olhando pela nossa família sempre!!! Eu te amo tanto... e sempre te amarei, pro resto da minha vida! Não consigo escrever um centésimo do quanto você foi e é importante pra mim e pro mundo. E continuará sendo, eternamente... Peço desculpas aos amigos e aos fãs por não conseguir elaborar tudo como gostaria e responder a todos. Estou vivendo um turbilhão de sensações. Obrigado pelas energias positivas e orações. Muito amor tenho recebido, espero num momento mais oportuno conseguir retribuir! Bjs saudosos...", escreveu.
Fernanda Torres: 'Espero que o Brasil honre Paulo Gustavo'

Fernanda Torres diz que Paulo Gustavo foi o "cara mais adorável e feliz" que já conheceu. Consternada com a morte do humorista, ela explica, em depoimento exclusivo ao Globo, por que o comediante "era a última pessoa que podia partir agora".
"O Paulo Gustavo, além de ser o cara mais adorável e feliz que eu já conheci, foi um catalizador para a cultura brasileira. Numa hora de crise, de mudança nos hábitos do espectador, de ataque às artes, ele surgiu remando pela raia sete e virou fenômeno. Ele explodiu no teatro e expandiu sua influência para a televisão e o cinema. Poucos artista conseguiram o feito de atuar em todas as pontas, usando o palco de trampolim para as telas. O Paulo tinha uma independência impressionante, ele assumia riscos, produzindo suas próprias peças e filmes.
Me lembro dele me dizer que havia colocado 11.000 pessoas no teatro, num fim de semana de tourné, numa só cidade do nordeste. Depois, dele me contar dos cheques que assinou para viabilizar seus filmes, garantindo a propriedade da obra. É um caso único. É uma perda muito grande, muito, porque ele, sozinho, com uma linguagem direta, popular, garantiu uma fatia muito relevante do público e do mercado.
O Paulo não só gerou emprego, não só trouxe alegria, como uniu as mais diferentes classes sociais, credos e ideologias em torno dos seus personagens. Numa hora tacanha e preconceituosa como essa, ele encarnou mulheres, homens, gays e uma mãe que compreendia que o mundo é diverso, doido e amoroso. O Paulo se casou com o Thales, teve filhos e combateu essa brutalidade macha, bronca, sem rancor ou ódio.
É uma morte muito injusta, muito revoltante. Ele estava no auge da potência, da maturidade e da felicidade. O Paulo era a última que eu pensaria que poderia partir agora. Eu estou arrasada. O Brasil perdeu muito. O Caetano falou muito bem, quando disse que o Paulo é o nosso SIM. Eu passei o dia vendo a CPI da COVID e, de noite, veio a notícia da morte dele, foi muito chocante, muito significativo. Eu espero que o Brasil honre o Paulo e que diga não ao não".
Tatá Werneck narra ligações por videochamada com Paulo Gustavo no hospital e conta que humorista animava enfermeiros

Assim que soube do quadro irreversível de Paulo Gustavo, Tatá Werneck, uma das mais ativas na corrente de oração pela saúde do amigo, não quis acreditar que era o fim. Não que negasse a realidade, mas é que, como ela mesma define, "nada era irreversível para o Paulo" ("ele estaria dizendo 'como assim? me deixa'"). Tomada pela emoção, tratou de dar ao humorista aquilo que é mais caro na vida dos artistas: aplausos. Foi para a janela de casa e bateu palmas em homenagem ao amigo enquanto gritava "bravo!". Ligou para Ingrid Guimarães e Heloísa Périssé, que encorparam o coro. Em depoimento exclusivo do GLOBO, a humorista fala com carinho do amigo que perdeu na última terça-feira (4). Em meio às memórias, ela conta que Paulo animou o ambiente do hospital enquanto esteve consciente.
"O Paulo brincava muito com os enfermeiros, contava piadas, fazia de tudo para animar aquele lugar. Nas duas vezes em que me ligou por Facetime disse que o humor o estava salvando. Os enfermeiros diziam que não ia ter corredor suficiente no hospital de tanta gente que o aplaudiria quando se recuperasse.
Tudo no Paulo é majestoso, grandioso. Ele ia para o teatro e era um fenômeno. Para o cinema, e fazia a maior bilheteria. Do mesmo tamanho era o seu nível de generosidade. Qualquer pessoa que ele soubesse que tinha um grande talento, ele fazia o que podia para que tivesse sucesso. Com a Iza foi assim.
Paulo é tão intenso que sempre que o encontrava parecia que ele havia ficado dias ensaiando para aquele momento ser tão especial. Nunca passei um dia mais ou menos com ele.
Impossível falar dele no passado, porque o Paulo é vida.
O Paulo tem um jeito único de fazer humor. Você vê hoje em dia várias pessoas falando com o Paulo Gustavo, agindo como ele. Está deixando um legado de filmes incríveis, histórias de emoção, personagens lendários. Criou uma embocadura, uma entonação, uma maneira de falar as coisas com licença poética que lhe permitia criticar o que ninguém consegue. É perfeccionista, pensa em cada detalhe, não aceita nada mal feito.
É desesperador o que está acontecendo.
Sempre tive muito medo da morte, mas não tem como esse lugar não ser bom, porque o Paulo anima qualquer lugar.
O Paulo é essa pessoa que está dilacerando a gente de saudade, mas pensar que em cada vida perdida para a Covid-19, nas famílias que estão sofrendo. As pessoas precisam entender que não é brincadeira. Pensar que através do seu trabalho honesto conseguir ter recursos para ter a melhor estrutura, mas mesmo assim não foi suficiente..."
Último post de Paulo Gustavo foi cheio de amor e dedicado ao marido, Thales Bretas | Ancelmo - O Globo

O último post de Paulo Gustavo no Instagram foi dedicado ao marido, Thales Bretas.
Ele disse:
"Hoje é o aniversário dele, do amoooor da minha vida!
Qualquer coisa que eu colocar aqui não será fiel ao que eu quero exatamente dizer para ele!
Então eu vou dizer ao vivo e aqui fica sendo apenas um post pra dizer pro Brasil inteiro que eu sou loucamente apaixonado por vc!
Te amo @thalesbretas. Feliz aniversário".
Como diz a juíza Andrea Pachá, responsável pela cerimônia dos dois, "a vida é injusta".
Em entrevista, Paulo Gustavo falou sobre cumplicidade com a mãe, Déa Lúcia

Internado desde o dia 13 de março, o ator Paulo Gustavo morreu, na noite dessa terça-feira, aos 42 anos, por complicações da Covid-19. Para homenagear a estrela de grandes sucessos do cinema nacional, relembramos a entrevista que o comediante e sua mãe, Déa Lucia, concederam à ELA, em março de 2019.
Entre os inúmeros assuntos, Déa e Paulo falaram do espetáculo que protagonizaram juntos, "Filho da mãe", que estreou nos palcos em abril de 2019. "Esse musical é uma grande homenagem à minha mãe e a todas as mulheres guerreiras, que se viram e a todas as mulheres guerreiras, que se viram nos trinta para manter a família. Quando a gente era criança, a vida da minha mãe foi luta atrás de luta. Além do trabalho como professora, ela fez quentinha, que eu entregava em Niterói, criou painel para festa infantil, foi corretora de imóveis, porteira do prédio em que morávamos e cantou na noite. Vamos fazer esse show para nos divertir, brincar com uma coisa que foi séria, porque, antigamente, ela cantava para angariar um dinheiro extra. E não é fácil cantar na noite, ninguém olha na cara, às vezes, nem aplaude — analisou o ator.
Sobre as inúmeras funções que a mãe exerceu no passado, algumas, é claro, dão muito pano para manga. "Ele era adolescente e tinha ódio e vergonha de eu ser a porteira do prédio. Já na época das quentinhas, virou-se para mim e disse: 'Vou entregá-las sim, mas de patins'. No que eu o agarrei e respondi:'“Se você cair com uma quentinha, vou esfregar sua cara no fogão do mesmo jeito que esfrego o meu umbigo desde as seis da manhã'. Lá em casa não tinha psicologia não, era 'porradaterapia'. Briguei muito com eles e por eles", relembrou Déa.
O comediante falou ainda sobre a abordagem materna em relação à sua orientação sexual, durante a adolescência.
"Com a minha mãe foi tudo muito natural.
Eu estava indo do quarto para a cozinha quando ela me perguntou:
'Paulo Gustavo, você é viado?'.
Foi assim, indo comprar pão. Eu respondi: 'Sou, tem algum problema?'.
Ela soltou um palavrão e completou:
'Está tudo certo, só tenho medo de você ser maltratado na rua.
Em casa, você pode ser o que quiser porque eu vou te amar do mesmo jeito.
Estamos fechados e vamos juntos'.
Minha mãe ligou zero para o fato de eu ser viado", contou.
Déa sempre esteve atenta ao filho e se preocupou em dar a ele recomendações:
"Tem uma foto do Paulo Gustavo aos 5 anos que eu lembro de ter pensado com os meus botões:
'Gente, esse garoto não tem jeito não'.
Com o tempo, mostrei a importância de ele ser um homem em pé, ético, educado e responsável.
Deitado, não era problema de ninguém.
Para ele ser respeitado, tinha que respeitar os outros.
O filme 'Minha mãe é uma peça' fez muito pela causa gay, foi um alerta e um alento para as mães que não conseguiam entrar nesse assunto com os seus filhos."
Bolsonaro é criticado após postagem sobre Paulo Gustavo: ‘hipócrita’

Rio — O presidente Jair Bolsonaro foi alvo de duras críticas após fazer uma homenagem ao ator e humorista Paulo Gustavo, morto na noite de terça-feira por complicações da Covid-19. Pelo Twitter, Bolsonaro desejou suas condolências à família do artista e de demais vítimas da pandemia do novo coronavírus. No entanto, logo após a publicação, usuários das redes sociais lembraram momentos em que o presidente menosprezou o vírus e a demora para firmar acordos para a compra da vacina.
"Meus votos de pesar pelo passamento do ator e diretor Paulo Gustavo, que com seu talento e carisma conquistou o carinho de todo Brasil. Que Deus o receba com alegria e conforte o coração de seus familiares e amigos, bem como de todos aqueles vitimados nessa luta contra a Covid", escreveu o presidente.
Bolsonaro foi chamado de “hipócrita”, “verme”, “canalha”, “maldito” e “desgraçado” por usuários famosos, anônimos e políticos da oposição. Esses termos chegaram a ficar nos Trending Topics brasileiros.
Sem citar nomes, o escritor Paulo Coelho fez uma lista de declarações falsas feitas pelo presidente e por seus apoiadores a respeito da pandemia. O imortal da Academia Brasileira de Letras escreveu que quem dizia isso são os “assassinos de Paulo Gustavo”.
O influenciador digital e youtuber Felipe Neto também se manifestou nas redes, criticando Bolsonaro por ter recusado 11 vezes a oferta da compra de vacinas:
“De março pra abril houve uma redução de 71% de enfermeiros mortos por Covid no Brasil. Motivo? Vacina. Jair Bolsonaro recusou ONZE ofertas de compras de vacinas. Milhões e milhões de doses. O lugar desse maldito é na CADEIA!”, escreveu no Twitter.
Em outra publicação, o influenciador digital foi ainda mais duro e, sem citar diretamente o presidente, o chamou de “genocida” e “assassino”.
Um dos comentários feitos nas redes é que Paulo Gustavo, com 42 anos, poderia ter sido vacinado caso a campanha de imunização tivesse sido implementada de forma mais célere. Uma comparação feita foi que nos Estados Unidos pessoas com a idade do humorista já foram imunizadas.
A atriz Kéfera também usou o termo “genocida” para atacar o presidente e o marcou nas redes sociais. “A pior desgraça que poderia ter acontecido no nosso país foi você”, enfatizou.
Já o cantor Tico Santa Cruz compartilhou a publicação de Bolsonaro, chamando-o de canalha e afirmando que a morte de Paulo Gustavo poderia ter sido evitada não fosse a “incompetência” e “negacionismo” do presidente.
O deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ), líder da minoria na Câmara, respondeu a publicação do presidente. “Você vai pagar pelos seus crimes, seu monstro. Cínico”, escreveu.
O também humorista Paulo Vieira lembrou as recusas anteriores das ofertas de vacina pelo governo federal e destacou: "Que a #CPIdaCovid arranque as respostas que esse governo nunca nos deu".
O estilista Ronaldo Fraga postou uma imagem com a foto do ator e humorista com os dizeres: "mais um brasileiro assasinado pelo governo Bolsonaro". No texto do post, o estilista complementou: "Já existia a vacina.Não esqueçamos jamais".
Na quarentena, Paulo Gustavo falou sobre preocupação com Covid-19

Em maio de 2020, durante os primeiros meses de quarentena, Ingrid Guimãraes recebeu Paulo Gustavo, morto na noite desta terça-feira, na sétima temporada do programa "Além da conta" para um conversa remota sobre confinamento e pandemia. Num dos momentos do papo, ele falou sobre a preocupação com o contágio da Covid-19.
"Eu tenho problema respiratório. Eu tenho muito medo porque vejo essas matérias das pessoas dizendo...A medicina não sabe ainda como esse vírus reage dentro de cada pessoa", desabafou ele. "Cada hora, você vê uma notícia nova. Tenho medo de pegar isso".
Isolado na época, ele falou sobre a importância da quarentena.
"Às vezes, você pode ser uma pessoa assintomática, que não tem sintoma, e você pode passar pruma pessoa que está do seu lado. De todos os lados, eu prefiro ficar na quarentena, já que eu posso".
O riso cura
No papo, Ingrid e Paulo também discutiram a função do humor em tempos de dificéis.
"Cada um tem uma função na Terra, cada um tem uma história aqui. Eu sou uma cara que eu sou comediante, que tenho facilidade de fazer as pessoas rirem e eu acho que as pessoas estão precisando disso", disse ele. "Quando eu faço meus posts engraçados, as pessoas: 'Só você, o primeiro riso do meu dia. A gente cura as pessoas. A gente transforma as pessoas. A gente usa o humor para isso".
'Você disse que queria transformar todo aquele seu sofrimento em arte', diz amiga do ator em homenagem

RIO - Se algum sentimento pode resumir o relato de Susana Garcia sobre sua amizade com Paulo Gustavo e os últimos dias do ator é "comovente". "A sua gargalhada é a coisa mais gostosa da minha vida. Eu adoro que a gente se fala à noite e você diz que me ama", disse Susana, após a morte do ator. Na mesma homenagem, ela detalhou momentos com o comediante durante sua internação e trouxe ao público um lado filantrópico, o qual Paulo Gustavo preferiu manter longe dos holofotes. Segundo Susana, o humorista enviou R$ 500 mil para a compra de oxigênio em Manaus e doou mil reais por três meses para 120 colegas da produção de filmes que realizaram juntos. Ela ainda conta como o artista planejava transformar sua dor em risadas.
Diretora e roteirista de "Minha Vida em Marte" e "Minha Mãe é uma Peça 3", a irmã de Mônica Martelli, também amiga e parceira de cena do ator, lembra que um dia antes da intubação Paulo Gustavo se queixou da falta de ar, ainda que estava com cateter de oxigênio, e perdeu saturação ao escutar falar dos amigos - momento em que chorou. "Na hora mudei de assunto e comecei a falar de projetos". Ela contou que o vislumbre de criar conteúdo a partir da experiência na internação o empolgou, a ponto de imaginar uma "história linda" que se passava no hospital.
Para se certificar do bem-estar das 120 pessoas que ajudou, Paulo Gustavo mandou e-mail para todos das equipes perguntando quem precisava de auxílio. Ela diz que a maioria recebeu ajuda dele. Ficou evidente como a amizade dos dois significava para Susana: "Somos confidentes. Somos muito unidos. Nos admiramos muito. Vc entrou na minha vida de forma arrebatadora. A nossa união aconteceu no trabalho, na família, na vida. Na alegria e na dificuldade". No momento da morte, a amiga disse ter se voltado aos
Doação milionária para hospital do câncer
Outra pessoa que veio a público prestar homenagens e retratar o lado generoso de Paulo Gustavo foi o Padre Júlio Lancellotti, que revelou que o humorista doou R$ 1,5 milhão para a construção de um centro de tratamento de câncer, a Unidade Dona Dulce, em Salvador (BA). "Muita gente não sabe, mas o ator Paulo Gustavo era grande benemérito das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid)", diz o padre.
No site das Osid, há um relato de Paulo Gustavo compartilhando sua emoção ao visitar a obra da unidade de tratamento de câncer: "Estou super emocionado com tudo isso. Nunca tinha me envolvido em um projeto tão grandioso como as Obras de Irmã Dulce. Assisti ao filme Irmã Dulce três vezes e desde então fiquei muito tocado com a história dela de abdicar de tudo e dedicar a vida para ajudar aos pobres e pessoas que precisam tanto. Decidi então ajudar e estou muito feliz com essa oportunidade de poder contribuir com esse trabalho"
A pedido da família de Paulo Gustavo, não haverá velório no Theatro Municipal

O corpo do ator e humorista Paulo Gustavo não será velado no Theatro Municipal do Rio a pedido da família. Haverá apenas uma cerimônia de cremação restrita a poucos amigos e familiares, nesta quinta-feira (6). Segundo sua assessoria, o local não será divulgado para evitar aglomerações durante a pandemia. Paulo Gustavo morreu na noite de terça-feira, aos 42 anos, por complicações de Covid-19. Ele ficou 53 dias internado em um hospital da Zona Sul do Rio.
"O Theatro Municipal do Rio de Janeiro está à disposição da família e dos amigos do grande ator e humorista Paulo Gustavo para qualquer apoio e homenagem no momento que estes julgarem oportuno. Aguardaremos qualquer novo contato da família e dos amigos do humorista", informou a equipe de comunicação do Municipal.
O humorista, cujo corpo foi retirado do hospital Copa Star, em Copacabana, na tarde desta quarta-feira sob forte esquema de segurança, travou uma longa batalha contra a doença desde a sua internação, no dia 13 de marçoo. No dia 2 de abril, seu estado de saúde se agravou e a equipe médica decidiu iniciar terapia por ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), que funciona como um pulmão artificial.
Ele estava intubado desde o dia 21 de março e vinha apresentando melhoras discretas em seu quadro. Entre domingo e segunda-feira, porém, o ator teve sua situação agravada em decorrência de uma fístula bronquíolo-venosa, que permitiu a passagem de bolhas de ar na corrente sanguínea, causando uma embolia, incluindo o sistema nervoso central.
Nas últimas semanas, amigos, familiares e fãs do comediante se mobilizaram na torcida pela sua recuperação. O marido de Paulo Gustavo, o médico Thales Bretas, fez um desabafo em seu perfil no Instagram, afirmando que estava passando por "dias difíceis" e pedindo orações para o comediante. Nos comentários, ele recebeu muitas palavras de apoio de artistas como Larissa Manoela, Bruna Marquezine, Monique Alfradique, Giovanna Lancellotti e Ludmila Dayer.
A morte foi confirmada pela assessoria do ator, na noite de terça-feira (4). Paulo Gustavo deixa o marido, Thales Bretas, com quem era casado desde dezembro de 2015, e dois filhos, Romeu e Gael, de um ano e oito meses.
Homenagem em Niterói
Nascido e criado em Niterói (RJ), Paulo Gustavo pode ganhar uma homenagem da cidade, proposta pelo prefeito Axel Grael. Em uma publicação no Instagram, Grael diz ter decidido abrir uma consulta pública para ouvir a população sobre a troca do nome da Rua Coronel Moreira César, no bairro de Icaraí, para Rua Paulo Gustavo.
"A genialidade e o amor de Paulo Gustavo por Niterói marcaram sua trajetória. Nada mais justo do que a cidade retribuir demonstrando toda a admiração por seu trabalho e a dor que sentimos neste momento", diz Axel Grael.
Entenda como foi a luta de Paulo Gustavo contra a Covid-19

Foram quase dois meses entre uma hospitalização que pegou os fãs de surpresa e um desfecho que comoveu o Brasil, com a morte de Paulo Gustavo por complicações da Covid-19, nesta terça-feira. Ele tinha 42 anos e deixa o marido, Thales Bretas, e dois filhos.
Paulo Gustavo deu entrada no Copa Star, hospital da Zona Sul do Rio, no dia 13 de março, e precisou ser intubado oito dias depois. A partir daí, o ator e comediante travou uma árdua batalha contra o vírus que já matou mais de 400 mil brasileiros.
A trajetória teve muitos pedidos de orações da família e de amigos, mensagens de carinho dos fãs, nervosismo a cada boletim médico divulgado ou publicação no Instagram. Mas a gravidade da situação trouxe mais baixos do que altos para o estado de saúde do ator.
Relembre as etapas do tratamento
Internação
A hospitalização de Paulo Gustavo foi divulgada por sua assessoria de imprensa no dia 15 de março e pegou os fãs de surpresa. Dois dias antes, ele compartilhou uma mensagem de feliz aniversário para o marido nas redes sociais, sem mencionar qualquer problema de saúde. Seguindo orientação médica, ele procurou assistência para acompanhar a evolução de seu quadro clínico. Na ocasião, não foram divulgados mais detalhes sobre o estado do ator. Nas redes sociais, seu marido, Thales Bretas, afirmou que o ator melhorava a cada dia e agradeceu a artistas e fãs pelas mensagens de carinho.
Sinais de melhora
Quatro dias após ser intubado, no dia 25 de março, seu marido novamente se pronunciou sobre o estado de Paulo Gustavo, afirmando que o ator havia apresentado uma melhora. Na publicação, Thales conta que Paulo Gustavo estava respondendo bem ao respirador mecânico, e que a melhora era lenta, mas progressiva.
Em um boletim médico divulgado em 1 de abril, a equipe afirmou que Paulo Gustavo seguia "tendo evolução favorável no tratamento contra o coronavírus". Ainda de acordo com o boletim, o artista havia apresentado melhora evidente nas 48 horas anteriores, e a família agradeceu as mensagens de apoio:
''Nas últimas 48 horas, o paciente apresentou sinais mais evidentes de recuperação da função pulmonar, corroborados por uma tomografia computadorizada realizada hoje. A cada dia temos mais certeza da sua plena recuperação, cuja data ainda não é previsível".
Agravamento do quadro
Apenas um dia após a nota divulgada sobre uma melhora no estado de saúde do comediante, Thales Bretas anunciou que Paulo apresentou um agravamento do estado de saúde, foi submetido a uma terapia por ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea). De acordo com o boletim médico divulgado pela assessoria do ator, de 42 anos, ele ''chegou a apresentar sinais de melhora, mas devido ao agravamento do quadro clínico, teve que passar por reajustes terapêuticos". Em entrevista ao EXTRA, o médico intensivista Victor Cravo explicou o que é esse tratamento:
— O ECMO é uma terapia feita através de uma máquina, que substitui a função de troca de oxigênio que o pulmão faz. Com isso, você consegue descansar o pulmão até ele poder ser exigido novamente e conseguir fazer essa troca. O paciente tem um sangue passando por uma máquina, que tem uma membrana, e essa membrana oferta o oxigênio e leva o gás carbônico, exatamente o que o pulmão faria — explica Cravo.

No mesmo dia, o pai de Paulo Gustavo, Júlio Marcos, quebrou o silêncio falou sobre o estado de saúde do filho.
''Nesse momento em que todo o planeta está tão triste, precisamos alavancar e elevar nossa fé! Nosso amigo Paulo Gustavo, está enfrentando uma árdua e dolorosa luta! Por isso, nesse domingo de Páscoa, abençoado, vamos unir nossa fé, com muita força e energia, às 18 horas, um horário muito forte num dia muito especial! Cada um com sua fé, religião, crença, mas principalmente muita energia! '', escreveu Júlio no Instagram.
Já no dia 3 de abril, Thales Bretas postou uma foto 'idoso' com Paulo Gustavo, indicando que acreditava que os dois ainda irão envelhecer juntos.
"Eu falei que vamos ficar velhinhos juntos!!!", afirmou ele na postagem, feita na noite de sábado, dia 3. "E assim que vamos comemorar nossas bodas de ouro! Tenho certeza!!! Essa fase vai passar!!! E nós vamos ter mais essa história de superação pra contar, juntos! Só nos fortalece", disse Thales, que também fez um apelo aos fãs e pediu para que não acreditassem em fake news sobre uma suposta morte do marido.
Pleuroscopia e doação de sangue
No dia 3 de abril, Paulo Gustavo passou por uma pleuroscopia, procedimento que serve para a equipe médica ter uma melhor compreensão da situação dos pulmões do paciente. Nela, foi identificada uma fístula bronco-pleural, que impedia a adequada ventilação mecânica, tendo sido imediatamente corrigida.
Fístulas broncopleurais representam uma comunicação anormal entre os brônquios e a pleura, membrana que reveste os pulmões, o que ocasiona uma passagem de ar incorreta no organismo.
Em linguagem resumida, quando há a detecção de uma fístula bronco-pleural significa que foi identificado, no paciente, um vazamento de ar dos brônquios para a pleura, local no corpo onde não deve haver ar.

Nos dias 4 e 9 de abril, ele foi submetido à toracoscopia, procedimento para correção dos problemas apresentados. Neste intervalo de tempo, Paulo Gustavo precisou realizar transfusões de sangue e seu marido pediu aos fãs e amigos que ajudassem a abastecer os bancos de sangue com doações em nome do ator. Diversos famosos aderiram à campanha, como as atrizes Claudia Raia e Monique Alfradique.
Estado crítico
No domingo, dia 11, o boletim médico divulgado pela assessoria do ator apontou que o seu quadro havia piorado, indicando complicações pulmonares e hemorrágicas. Por meio das redes sociais, Thales Bretas afirmou que o caso de Paulo era muito difícil, mas que acredita na melhora do marido.
"O quadro clínico do meu amor está difícil, mas para ele nada é impossível, e nem pra Ele, nosso Deus, e essa dupla poderosa vai trazer ele de volta pra casa".
Diante da situação grave do ator, artistas e fãs se uniram em uma corrente de oração por sua melhora. Tatá Werneck postou uma foto com o humorista, pedindo por sua recuperação:
"Hoje é dia de Vitória! Hoje é dia de cura! Para o Paulo Gustavo. Para todos que precisam. Senhor, meu amor pelo senhor é tremendo! É inabalável! Paulo com os filhos no colo, em sua casa, com sua mãe, sua irmã, seu marido, sua amiga fiel e todos nós vibrando sua vitória e seu milagre! Esse é meu final de copa do mundo! Está chegando esse dia", compartilhou a atriz.
Além dela, outros artistas como Marcos Veras, Ingrid Guimarães, Maria Flor, Leandro Hassum e Débora Nascimento se manifestaram na postagem em prol da superação do ator.
Hemorragia controlada
Na quinta-feira, dia 15, a assessoria do ator divulgou novo boletim que informa sobre uma "normalização da coagulação" com o tratamento instituído, "sem sinais de hemorragias", após uma série de intervenções realizadas nos dias anteriores.
"Finalmente conseguimos sanar as fístulas bronco-pleurais identificadas. Nas últimas 48 horas também observamos a normalização da coagulação com o tratamento instituído e não mais detectamos sinais de hemorragias. A situação clínica do paciente, embora ainda crítica, traz à equipe profissional mais confiança em sua recuperação", diz o texto, assinado pelo corpo médico que vem cuidando de Paulo Gustavo.
Sinais de melhora
As vitórias alcançadas resultaram em uma melhora geral no quadro do ator. Segundo o boletim médico então divulgado pela assessoria do artista, os problemas mais urgentes do estado de saúde do ator foram contornados.
A diretora Susana Garcia, amiga de Paulo Gustavo, fez uma visita ao ator e contou que ele "mexeu duas vezes e tentou abrir a boca".
''Após várias intervenções como broncoscopias e alguns procedimentos cirúrgicos, os problemas mais urgentes foram contornados'', afirma o texto da nota.
Pneumonia bacteriana
O dermatologista Thales Bretas, marido de Paulo Gustavo, publicou uma mensagem positiva após um novo boletim médico com o estado de saúde do humorista ser divulgado. A equipe que trata o humorista disse que ele segue em estado grave e que vinha tratando uma nova pneumonia bacteriana. No post, o médico dizia estar muito ansioso, mas medicado para aguentar esperar o dia de levar o companheiro para casa.
"Estamos de braços dados, juntos nessa caminhada em direção à luz! O caminho tortuoso não vai importar quando estivermos vivendo novas alegrias e agradecendo a vitória! Estou muito ansioso, mas já medicado pra aguentar esperar o que precisar pra te carregar comigo pra casa! Que saudade da sua presença tão forte e alegre! Tenho muita fé que voce vai melhorar logo, e eu vou estar firme te esperando! Te amo!", declarou-se.
Internado desde 13 de março com um quadro de Covid-19, Paulo Gustavo trata uma pneumonia bacteriana. Apesar disso, o ator vinha apresentando melhora pulmonar, mas continuando em situação grave, usando ventilação mecânica e ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea).
“Há cerca de sete dias não surgem complicações relevantes, fato que aumenta a esperança na recuperação do paciente. Entretanto, como em outros casos graves, ocorrem oscilações no estado geral”, dizia o boletim médico, que acrescenta: “Em alguns momentos, o paciente mostra sinais discretos de interação com o meio, apesar do uso de sedativos”.
Fístula bronquíolo-venosa
O boletim médico publicado nesta segunda-feira (3), informava que o ator teve uma piora nas últimas 24 horas, em decorrência de uma fístula bronquíolo-venosa, permitindo a passagem de bolhas de ar para a corrente sanguínea, causando uma embolia, incluindo o sistema nervoso central. Segundo a equipe do hospital onde o ator está internado desde o dia 13 de março, a "a situação clínica atual é instável e de extrema gravidade".
A fístula bronquíolo-venosa é um rompimento do tecido do pulmão que permite a passagem de bolhas de ar para a corrente sanguínea, ocasionando quadro de embolia pela obstrução da passagem do sangue no interior de artérias e veias. O procedimento indicado para este tipo de emergência seria uma intervenção cirúrgica, que seria de alto risco no quadro apresentado por Paulo Gustavo, submetido a uma terapia por ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) desde o dia 25 de março.
— Nos casos de Covid-19, é muito comum se falar da tromboembolia, mas a formação de coágulos também pode ter origem gasosa. É uma complicação mais rara, as fístulas pulmonares são mais comuns em casos de enfermidades mais longas. Mas o quadro dele, com o uso de ECMO e acometido por pneumonia bacteriana, pode favorecer o enfraquecimento do tecido, infelizmente — observa Gilmar Alves Zonzin, ex-presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio.

Embolia gasosa
A embolia gasosa, que ocasionou o estado de saúde do ator, ocorre quando bolhas de ar entram no sistema circulatório, impedindo o fluxo de sangue para algumas partes do corpo.Com a obstrução da passagem do sangue, os tecidos do corpo deixam de receber oxigênio e acabam morrendo.
— No caso das bolhas formadas pelo rompimento do pulmão, o coração pode bombeá-las pela (artéria) aorta, e elas se espalharem para outras partes do corpo, o que aumenta a gravidade do quadro — acrescenta Zonzin.
Últimas horas
Horas antes da morte de Paulo Gustavo ser oficializada, às 21h12 de terça-feira, um último boletim médico já antecipava que a situação era irreversível.
"Após a constatação da embolia gasosa disseminada ocorrida no último domingo, em decorrência de fístula brônquio-venosa, o estado de saúde do paciente vem deteriorando de forma importante.
Apesar da irreversibilidade do quadro, o paciente ainda se encontra com sinais vitais presentes".
Paulo Gustavo era o 'parente' querido dos brasileiros

Entre todas as manifestações de fãs de Paulo Gustavo nas redes sociais nos últimos dias, havia uma menção à forma como o público se sentia próximo dele. O humorista, roteirista e ator era um parente querido de todos os brasileiros. Aquele que chegava a um evento de família levantando o astral mesmo num jantar sem graça e assunto. Não à toa, uma de suas mais conhecidas personagens foi a própria mãe, Déa Lúcia. Paulo Gustavo soube reunir na figura dela traços de todas as mães. Era impossível não se identificar com uma ou outra situação que ele criava. Fazia graça com eventos cotidianos, com questões domésticas, com situações íntimas, falava do próprio corpo e divertia demais sempre.
É fácil achar na internet fotos suas ao lado de quase todos os humoristas de sua geração. Era comum vê-lo abraçado a Fábio Porchat e aos colegas do Porta dos Fundos; a Tatá Werneck, com quem formava uma dupla adorada nos Prêmios Multishow; com Mônica Martelli, Heloísa Périssé, Ingrid Guimarães, Marcus Majella e tantos outros. Amigo de todos, sim. No entanto, sua carreira foi absolutamente independente. Talvez porque fosse capaz de se desdobrar em tantos personagens, era um one man show por excelência. Criou muitos tipos e fazia o público rir enquanto se multiplicava sozinho num palco, encarnando todas essas figuras.
'Minha mãe é uma peça'

Sucesso estrondoso no teatro, a atração estrelada por Dona Hermínia fez ainda mais no cinema. Foram três filmes, recordes de bilheteria e muitas gargalhadas para os brasileiros. Os filmes estão disponíveis no Telecineplay, YouTube Play e Google Play.
'220 volts'

O programa que estreou em 2011 é um dos trabalhos mais marcantes da carreira televisiva de Paulo Gustavo, que atuava como apresentador dos esquetes cômicos baseados no cotidiano e nos personagens criados por ele. Está no Globoplay.
'Vai que cola', a série

No programa, que também bateu recordes de audiência na TV fechada, Paulo interpreta Valdomiro Lacerda, um malandro que abandona sua vida de luxo no Leblon e vai morar em uma pensão, no Méier. A série já teve oito temporadas e algumas foram reexibidas na TV Globo.
'Divã'

Paulo Gustavo também fez sucesso como o aloprado cabelereiro Renée em 'Divã'. O filme está disponível na Netflix.
'Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou'

O comediante contracena com a amiga Mônica Martelli em mais uma adaptação de sucesso do teatro para o cinema. Disponível no Telecineplay e Globoplay.
Morte de Paulo Gustavo catalisa ódio contra Bolsonaro pelo genocídio durante a pandemia

247 - A morte de Paulo Gustavo catalisou a dor coletiva e o ódio dos brasileiros pela perda de quase meio milhão de brasileiros. “Hipócrita”, “verme”, “canalha”, “maldito”, “desgraçado”, “genocida”, “assassino” foram alguns dos termos usados para responder a Bolsonaro depois do presidente publicar nas redes sociais uma mensagem de suposta tristeza pela morte de Paulo Gustavo.
“Meus votos de pesar pelo passamento do ator e diretor Paulo Gustavo, que com seu talento e carisma conquistou o carinho de todo Brasil. Que Deus o receba com alegria e conforte o coração de seus familiares e amigos, bem como de todos aqueles vitimados nessa luta contra a covid”, escreveu Bolsonaro, no texto que levantou uma onda de indignação, como mostra reportagem do portal El País,
As críticas apontam que ao menos parte das mortes seriam evitáveis caso o Governo Federal, sob comando de Jair Bolsonaro, tivesse adotado as medidas necessárias na gestão da pandemia, como a compra em massa de vacinas já no ano passado, assim como a testagem em massa da população para mapear o vírus.
O humorista, que era sucesso de bilheteria com a triologia “Minha Mãe é uma Peça” e querido pelo público, faleceu no mesmo dia em que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta deu testemunho da política negacionista de Bolsonaro durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos em depoimento de estreia da CPI da covid-19.
A CPI já levantou que o Governo brasileiro recusou pelo menos 11 ofertas formais de fornecimento de vacinas contra essa doença —levando em conta os episódios em que há provas documentais da omissão governamental. Nesses casos, o Ministério da Saúde simplesmente ignorou as ofertas, sem dar resposta aos fornecedores. Nesse pacote estão, por exemplo, 70 milhões de doses do imunizante da Pfizer que poderiam ter sido compradas entre agosto e setembro do ano passado.
Outro ponto da CPI que gerou revolta foi a declaração do ex-ministro da Saúde Nelson Teich sobre a insistência de Bolsonaro na indicação de cloroquina, medicação que não possui eficácia alguma comprovada no combate ao vírus.
O ex-titular da saúde saiu da pasta ao constatar que não possuia autonomia alguma para ser ministro, tencdo em vista que Bolsonaro insistia em sua cruzada na distribuição do medicamento e também contra medidas de isolamento social.
Brasileiros culpam desgoverno Bolsonaro e falta de vacinas pela morte de Paulo Gustavo

247 - Em meio à comoção nacional provocada pela morte do ator e humorista Paulo Gustavo, os brasileiros estão associando a tragédia à falta de vacinas no país.
Segundo o levantamento da empresa de dados Ap Exata, em parceria com o Banco ModalMais, no Twitter, o sentimento de tristeza subiu 10 pontos porcentuais entre terça-feira (4) e quarta-feira (5), de 33% para 43%.
Ao mesmo tempo, as menções negativas a Jair Bolsonaro cresceram de 67% para 78%, com internautas culpando o governo federal pela morte do ator em razão da demora na distribuição das vacinas.
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o levantamento utiliza inteligência artificial para identificar as variações comportamentais na rede social em 145 cidades brasileiras, desde o início do governo Jair Bolsonaro. Segundo o estudo, internautas repetiram que o governo recusou imunizantes por 11 vezes diferentes e que Paulo Gustavo e outros brasileiros continuam morrendo diariamente de uma doença na qual já existe uma forma de conter o contágio.
O cantor Caetano Veloso, por exemplo, fez um post em homenagem a Paulo Gustavo, lamentando a vulnerabilidade do País durante a pandemia. “É significativo que a notícia de sua morte chegue no dia em que se abre a CPI da covid no Senado Federal”, escreveu.
Paulo Gustavo será o símbolo da crise - Jean Menezes de Aguiar
Por Jean Menezes de Aguiar

Por Jean Menezes de Aguiar
Cazuza representou o atraso involuntário da ciência com a Aids, em que a medicina não tinha muito como lutar, e todos acompanharam seu sofrimento definhante. Foi o marco inicial no país para mudanças sérias e humanistas no setor.
Paulo Gustavo representa a continuação de uma nova política, desumanizada e por isto mesmo parainconstitucional e criminosa, além de apoiada inacreditavelmente em crendices. Tem que ser o marco, não inicial, mas final, no país, para mudanças sérias e um retorno de um humanismo brasileiro que sempre otimizou as relações.
A malandra reinvenção da polarização política que vem separando famílias e amigos não é traço de sabedoria, mas de estupidez. Pessoas que em vez de suportar críticas precisam ofender em retorsão, não mostram, jamais, traços de educação e equilíbrio.
O imaginável sofrimento entubado de Paulo Gustavo, entre sobrevivência e morte, consciência e luta por uma nesga de possibilidade, com sua belíssima história pessoal é simplesmente revoltante, arrasador.
Paulo Gustavo representa os inúmeros e desconhecidos João, Fernando, Maria, Sérgio, Renata, Paulo, Igor etc. que sofreram identicamente e ninguém chegou a saber.
O número de 400 mil óbitos, em puro analfabetismo logístico estatal, retrata uma indecência, uma vergonha, uma canalhice do Poder Público. Retrata a necessidade de se rever verbas milionárias indecorosas e patifes para políticos e gestores; vinhos importados e lagostas para ministros; salários, subsídios e safadezas terminológicas administrativas para remunerar, mensalmente, uma coisa óbvia do ser humano que se chama ‘trabalho’. Até quando durará este provincianismo patrimonialista no Estado brasileiro?
O Brasil está dando provas de, sim, ser um lodo de terceiro-mundismo, ter uma sociedade piegas que chorará por não mais que 24 horas a morte de Paulo Gustavo e no dia seguinte estará frenetizada em BBBs, likes, seguidores e tantas outras futilidades de um momento vazio em que mortes não subvertem, não revoltam, não revolucionam, não indignam, nada.
Paulo Gustavo e todos os Joãos e Marias terão morrido em vão se as instâncias, os poderes, os gabinetes e as ‘autoridades’ não perderem, sim, filhos, netos, esposas, mães e só aí, parece, conseguirem saber o que a dor da Covid tem causado a centenas de milhares de famílias brasileiras.
Neste momento boçalmente paradoxal em que a estupidez de plantão de um ‘patriotismo’ – seja lá que traste conceitual isso possa ser-, é invocada, dir-se-á viva Samuel Johnson que já desde o final do século 18 cunhou que o ‘patriotismo é o último refúgio dos canalhas’.
Obrigado Paulo Gustavo, por me dar forças de escrever algo assim.
Triste Paulo Gustavo. Triste Brasil atrasado e ‘país de merda’.
As senhoras e os senhores dos absurdos que contribuíram para a morte de Paulo Gustavo - Ricardo Nêggo Tom
Por Ricardo Nêggo Tom
Na última terça-feira (04/05), o ator e humorista Paulo Gustavo se uniu aos mais de 410 mil brasileiros, que perderam suas vidas para a Covid 19. Lutando há mais de um mês contra complicações decorrentes da doença, o criador de personagens como a “Dona Hermínia” de “Minha mãe é uma peça” e “Senhora dos absurdos” do programa “220 volts”, uma ácida e bem humorada crítica à elite brasileira e seus tradicionais preconceitos, não resistiu e nos deixou um pouco mais carentes de pessoas que, de alguma forma, fazem parte de nossas vidas.
O riso fácil, o jeito alegre, o carisma, e, principalmente, o talento que conquistaram o público brasileiro, mesmo tendo construído sua carreira por caminhos mais alternativos do que os convencionais, é uma prova de que Paulo Gustavo pertencia a mais brasileira das espécies. Tanto, que dois de seus principais personagens aqui citados, retratam com perfeição a alma do brasileiro. A boa e a ruim. Se dona Hermínia era aquela típica mãezona protetora, que mesmo cometendo alguns excessos, não abria mão de demonstrar o seu amor por eles, ainda que às vezes de forma meio “rústica”, a “Senhora dos absurdos” mostrava o oposto de tais sentimentos. O que era atenuado pela capacidade do ator de interpretar um personagem tão escroto, de maneira leve e cômica.
E foi justamente alguma “senhora dos absurdos” que colaborou para que ele partisse mais depressa para outro plano. Senhoras e senhores dessas que em tempo de pandemia, sai às ruas sem máscara, protestando contra as medidas de isolamento, disseminando um vírus de poder letal, pedindo intervenção militar, invocando o apoio de Deus para a sua estupidez e apoiando a um governo que representa o maior dos absurdos já produzidos fora da ficção brasileira. Senhoras e senhores do absurdo do Leblon e de Alphaville, que desprezam a vida humana e defendem apenas o próprio direito de viver e morrer como bem quiserem. Ninguém melhor do que Paulo Gustavo e a sua fictícia senhora elitizada e ignorante, com o perdão do pleonasmo, representou tão bem essa gente.
A leitura precisa expressa na interpretação do personagem, com certeza veio da percepção de quem se encaixava em uma das minorias perseguidas e discriminadas pela sociedade. Homossexual, casado e pai de dois filhos adotivos, Paulo soube bem o que é sentir-se discriminado em sua existência. Obviamente, o fato de ser branco lhe garantiu alguns privilégios dentro do preconceito sofrido. Uma compensação que o fez raciocinar para além do seu lugar de fala e de sentimento. Como no episódio “Sociedade Hipócrita” (https://www.youtube.com/watch?v=GQ3bxnkurbk ) exibido em 2016 no Multishow, onde a digníssima senhora por ele interpretada sugeria uma reorganização da sociedade. Abaixo um trecho do texto da esquete
“A história do negro, é outra coisa que me irrita. O negro sai na rua e sofre discriminação, reclama. Mas é assim desde que o mundo é mundo. O país é assim. Não tem que sair na rua o negro, tem que ficar em casa. Ou então, se não está satisfeito, vai pra outro lugar. Se quiser, a gente pega e junta todos os negros do país e manda lá pra fora. Ou vende e depois doa o dinheiro para Europa. Entende? Se você vender Salvador inteira, você já salva uma Grécia. É assim. Só não manda (o dinheiro) pra Portugal. Portugal, eu tenho horror deles. Foram eles que começaram com isso e encalacrou a gente. Mandou tudo pra cá num navio.”
Assim como a maioria da nossa elite branca e capitalizada, a “senhora dos absurdos” costumava externar o seu cansaço por não ser escutada em suas ideias excludentes, extraídas de seus sinceros sentimentos. Uma sinceridade habitual que a nossa elite faz questão de deixar transparecer, quando o assunto é manutenção das desigualdades e perpetuação de preconceitos. Do alto de suas luxuosas coberturas, outras dezenas de “senhoras do absurdo” seguem manifestando toda a sua ojeriza pelas diferenças e pela igualdade. O cúmulo dos absurdos se manifesta quando elas descem de lá, e, envoltas na bandeira nacional, perdigotam pelas avenidas atlânticas e paulistas do país, todo esse discurso sincero disfarçado de liberdade e patriotismo.
Nesse trecho https://www.youtube.com/watch?v=vTje9kf-1M8) de um outro episódio exibido no programa “220 volts”, já durante a pandemia, Paulo Gustavo resumiu com precisão o sentimento de imortalidade da nossa elite privilegiada e o seu descaso para com a vida dos demais pobres mortais que coabitam com eles o mundo do qual se sentem donos. Dizendo que não se preocupava em contrair o vírus, porque o seu poder aquisitivo lhe permitiria ser tratada num hospital 5 estrelas, caso fosse infectada, a “senhora dos absurdos” explica porque os ricos estão presentes nas ruas do país, protestando em defesa do direito ao trabalho. Logicamente, o direito de seus empregados trabalharem para produzir a riqueza que eles desfrutam. Em síntese, uma trama macabra que configura um homicídio planejado e qualificado, do qual muitas vidas, entre as mais de 410 mil que perdemos para o vírus, estão entre suas vítimas.
Infelizmente, nem todos conseguiram perceber como deveriam, a crítica à naturalização da opressão social, racial e de gênero, que havia por trás de seu personagem. Mais do que isso, o genocídio que se desenhava diante de nossos olhos, tendo a nossa elite como a “senhora” patrocinadora de tamanho crime contra a humanidade, e que ele, através do humor, chamava a atenção para o fato. A morte de Paulo Gustavo, simboliza a morte da alegria que estamos perdendo, ao nos vermos impotentes nas mãos de um governo incompetente, cruel e assassino. Jair Bolsonaro e suas senhoras e senhores apoiadores do absurdo que ele representa, estão nos matando um pouco a cada dia. Seja de indignação, seja contribuindo para a morte de um de nós.
Espero que a dor que estamos sentindo nesse momento, não apenas pela perda um famoso, mas também pelas outras milhares de vidas igualmente valiosas que se foram, nos sirva de lição e não permita mais que elejamos o absurdo como política de governo. A morte não pode continuar a governar o país. Nossa alegria e esperança não pode continuar a ser roubada por uma corja de milicianos, capangas de uma elite acéfala e coautora de um plano genocida. Nossa existência não pode se resumir a obedecer à autoridade de um governante insano, vingativo e mau, cuja podridão da alma subjuga milhões de brasileiros ao seu projeto de extermínio da população mais pobre e mais vulnerável do país.
Bolsonaro perdeu o respeito e a autoridade do cargo que ocupa, ao optar pela morte do povo que o elegeu. Isso é covardia! É genocídio! Ao contrário de Paulo Gustavo, que descansa merecidamente a sua boa e alegre alma na eternidade, que Jair Bolsonaro não tenha descanso, enquanto não pagar pela destruição que vem causando. Nem aqui na terra, nem onde o Deus criador entender que ele deve pagar pelos cruéis atos de sua existência.
'Paulo Gustavo já devia ter sido vacinado num país que tivesse agindo decentemente', destaca Caetano Veloso

Uma das mais de 410 mil vítimas da Covid-19 no Brasil, Paulo Gustavo foi lembrado com destaque na edição desta quarta feira do “Jornal Nacional”. Entre os depoimentos de fãs e amigos, o cantor e compositor Caetano Veloso lamentou a perda do humorista. “Tem que vir uma resposta da alma brasileira à situação que estamos vivendo e da qual a morte de Paulo Gustavo é um símbolo de grande intensidade. Paulo Gustavo já devia ter sido vacinado num país que tivesse agindo decentemente”, afirmou o cantor, que citou a CPI da Covid e disse que espera que ela chegue a resultados justos.
Também no “JN”, a atriz Regina Casé falou do que a perda representa. “Paulo Gustavo simboliza a prosperidade pelo trabalho honesto, teatros lotados, cinemas abarrotados, a bondade, a generosidade. O melhor da gente foi arrancado. Isso é muito violento”, disse a atriz que falou de valores como a alegria, a honestidade, a generosidade de um povo bom.
A edição também mostrou os aplausos ouvidos em vários pontos do Brasil, quando pessoas se manifestaram às 20h desta quarta, numa mobilização promovida por correntes na internet, puxdas por fãs e grupos como o “342 Artes”. Em muitos locais, principalmente no Rio de Janeiro e em Niterói, cidade natal do ator, brados de agradecimento a Paulo Gustavo somaram-se a panelaços e gritos de “Fora Bolsonaro”. Desde a confirmação da morte de Paulo Gustavo, na noite de terça, artistas e influenciadores digitais lembraram as recusas anteriores de ofertas de vacinas de diferentes laboratórios pelo governo federal.
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