RECORDAR É VIVER
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2019-07-27 _______________________________________ Tá TUDO dominado: _______________________________ Globo, Record e SBT formam a REDE_DE_PROTEÇÃO de Moro e Bolsonaro
"Ninguém faz NADA nessa desgraça desse país MALDITO. Um RETARDADO que nem esse Bolsonaro faz o que quer, que esse povo NINGUÉM faz NADA" (José Roberto Feltrin)
Eu estou mal para caramba. A CULPA é desse capitão BUNDA SUJA (sic) que não comprou vacina para nós"
"Já era para ter vacina para nós, para pessoas da minha idade e não tem"
A MANSÃO em questão é o INSTITUTO_MOREIRA_SALES que fica na GÁVEA
Fome provocada pela pandemia atinge 19 mi de brasileiros, diz levantamento
EUA: PAI de CINCO morre de covid após decidir NÃO se vacinar
Sede da Abril, no Tietê, é leiloada por R$ 118 milhões. A gráfica foi vendida em janeiro de 2021. Em recuperação judicial desde 2018, dívidas somam R$ 1,6 bilhão.
Discurso BURRO da CORRUPÇÃO colocou MARGINAIS no poder
Como DIALOGAR com as CAPITÃS CLOROQUINAS
Como Bruna Marquezine: por que desconfiamos de relacionamento SEM SOFRÊNCIA
Prepare-se para 3ª onda de Covid e 500 mil mortos até julho. A REPETIÇÃO do COLAPSO hospitalar é tão PREVISÍVEL quanto as marés, nesse paciente INTRATÁVEL chamado Brasil
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Em gravação ANTES da MORTE por Covid, assessor culpa deputado e Bolsonaro
O deputado José Medeiros (Podemos-MT) atribui à "vingança de um ex-assessor que demiti" a gravação que circula na internet em que outro ex-assessor, o advogado José Roberto Feltrin, o teria responsabilizado e ao presidente Jair Bolsonaro por não ter sido vacinado contra a Covid-19.
Feltrin atuava como assessor parlamentar no gabinete do deputado. Morreu na última terça,18, aos 55 anos, vítima de complicações decorrentes do coronavírus.
"Eu estou mal para caramba. A culpa é desse capitão bunda suja (sic) que não comprou vacina para nós", diz o advogado na gravação, referindo-se a Bolsonaro. "Esse tal Medeiros também é responsável por tudo que está acontecendo com o povo brasileiro (...). Esse cara vem apoiando esse governo genocida, que vem sabotando a vacina desde o início. Já era para ter vacina para nós, para pessoas da minha idade e não tem", acusou.
A mansão em questão é o Instituto Moreira Sales que fica na Gávea
Tudo dominado: _____________ Globo, Record e SBT formam a rede de proteção de Moro e Bolsonaro

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para os Jornalistas pela Democracia
Sábado, 27 de julho de 2019.
O sujeito liga para um Disque-Denúncia qualquer e avisa que um carro está sendo roubado na esquina da casa dele.
Em vez de mandar uma patrulha atrás do ladrão, a polícia resolve investigar o autor da denúncia.
É isso que está acontecendo no Brasil bolsonariano, com essa história rocambolesca dos hackers fajutos de Araraquara, para esconder o que já foi apurado e denunciado pelo The Intercept e outros veículos sobre o modus-operandi do ex-juiz Sergio Moro e seus procuradores amestrados.
Mas essa blindagem só é possível porque as três grandes redes de TV do país formaram uma rede de proteção, que esconde o mais importante _ o conteúdo tóxico dos diálogos de Moro com os procuradores da Lava Jato _ para noticiar à exaustão o modus-operandi dos hackers tabajaras.
Globo, Record e SBT deixaram o jornalismo de lado para formar uma rede nacional com noticiário único, pautado somente por seus interesses comerciais e políticos, assim como fizeram durante a última campanha presidencial.
(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)
Varia apenas a forma de manipular as notícias, com as características de cada emissora, mas o resultado é o mesmo.
Record e SBT são mais escrachados. Fazem questão de assumir o papel de porta-vozes do governo e se vangloriam disso.
Já a Globo, como de costume, é mais sofisticada, mais sinuosa, dá um ar de seriedade olímpica aos Bonners do JN, e não perde a chance de publicar editoriais sobre a sua “isenção e imparcialidade”, como se todo mundo fosse idiota.
Daqui a 50 anos, quem sabe, se ainda existir, a Globo vai pedir desculpas ao país, como fez por ter apoiado o golpe de 1964 e a ditadura militar, e escondido a campanha das Diretas Já, em 1964, pela redemocratização do país.
Até lá, muitos de nós já terão morrido e os mais jovens nem se lembrarão do que eles fizeram em 2019, para avacalhar e colocar em risco a jovem democracia brasileira, ameaçada pela ditadura da Lava Jato, de braços dados com o boçalnarismo em marcha.
(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)
A grande farsa só será desmascarada, se nas próximas revelações da Vaza Jato aparecerem os diálogos de Moro e os dallagnois com seus chefes e jornalistas, em que eram acertadas de comum acordo as pautas e as edições.
É esse o grande medo dos empresários da mídia e dos seus profissionais, que para garantir seus empregos foram assessores de imprensa da República de Curitiba, não repórteres.
Sem se importar com nada disso, Silvio Santos acha graça da grande pantomina e até se sente horado por sua rede ser chamada de SBT – Sistema Bolsonariano de Televisão.
A Record do bispo Edir Macedo e sua igreja, apoiadores de primeira hora, só quer saber das verbas oficiais de publicidade do governo, que ajudou a eleger, para investir em novos templos e fiéis, a serviço do seu próprio projeto de poder.
Posso estar enganado, e geralmente estou, mas diante de tanta hipocrisia, omissão e mentira, acho que até os Bonners já estão um pouco incomodados com a desfaçatez do noticiário que são obrigados a ler todas as noites.
(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)
Por mais que se disseminem as redes sociais, a maior parte do eleitorado, que não lê jornais nem tem acesso fácil à internet, ainda se informa pelo Jornal Nacional e suas contrafações mambembes da Record e SBT.
É a desinformação que garante ainda o apoio de um terço da população ao mito Bolsonaro e ao herói Moro, os protagonistas da grande tragédia bufa.
Tenho certeza que milhões de pessoas pelo Brasil afora já não conseguem entender como a polícia está investigando o denunciante do carro roubado e nada informa sobre o ladrão _ no caso, os muitos criminosos que, em nome do combate à corrupção, destruíram empresas e empregos, e faturaram alto com a fama de heróis.
Com a grande mídia (e suas raras exceções), o Judiciário e o Legislativo irmanados na defesa do governo e da Lava Jato, e a oposição batendo cabeça, sem achar o rumo, está tudo dominado.
Por isso, eles têm um grande objetivo em comum: não deixar Lula sair da cadeia tão cedo.
Esse é o grande pavor dos que deram o golpe de 2016 e levaram o país para o fundo do buraco, primeiro com Temer, e agora com o inacreditável capitão Bolsonaro.
Para garantir esse domínio absoluto, danem-se as leis, o Estado de Direito e a Constituição. Vale tudo.
E vida que segue.
Fome provocada pela pandemia atinge 19 mi de brasileiros, diz levantamento

Agência Câmara de Notícias
22/05/2021 17h09
Atualizada em 22/05/2021 17h09
Entidades da sociedade civil organizada voltadas para a segurança alimentar alertaram para o crescimento da pobreza e da fome neste período de pandemia do coronavírus. Em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (21), foi apresentado um levantamento com números do final de 2020 mostrando que 19 milhões de brasileiros estão em situação grave em relação ao acesso à alimentação.
Os dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid revelam que 55,2% da população brasileira sofrem alguma ameaça ao direito aos alimentos. A situação mais severa atinge a mesma parcela vítima da extrema pobreza, principalmente mulheres chefes de família, pretas ou pardas, com baixa escolaridade e trabalho informal.
Autoridades discutem circulação de cepa indiana; Pazuello deve voltar à CPI
O estudo aponta que a pandemia provocou o agravamento de um problema que já vinha acontecendo há algum tempo. O panorama é pior na área rural e nas regiões Norte e Nordeste, mas, como atesta a representante da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan), Ana Maria Segall, a crise sanitária espalhou a fome por todo o país.
"Mesmo Sul e Sudeste, que são regiões um pouco mais protegidas dessa situação, ainda tinham em torno de 50% de suas famílias também em situação de insegurança alimentar. Apenas 53% delas tinham garantia de acesso pleno aos alimentos e uma insegurança alimentar grave em torno de 6%, chegando a mais de 10% moderada e grave", alertou.
Os debatedores ressaltaram que, além do acesso, é preciso garantir alimentação de qualidade, que eles chamaram de "comida de verdade". Janine Giuberti, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), salientou o crescimento de consumo de alimentos ultraprocessados durante a pandemia na faixa etária entre 45 e 55 anos, o que aumenta o risco de depressão, câncer e morte prematura.
Fim do Consea
Os participantes da audiência pública fizeram várias críticas a ações do governo federal, como a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea). O deputado Padre João (PT-MG), que sugeriu o debate, também lamentou o fim do Consea, mas comemorou a existência de conselhos estaduais e municipais sobre o tema.
"Não desarticulou o povo, não desarticulou as entidades e não levou ao desencantamento pela luta pela segurança alimentar", disse.
Também foram evidenciados a redução dos estoques dos alimentos básicos e o aumento nos preços. O representante da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), João Dornellas, destacou os esforços para evitar o desabastecimento durante a pandemia. Ele culpou os reajustes no valor das matérias-primas e a alta do dólar pelos aumentos.
Auxílio emergencial
Muitos debatedores reclamaram da diminuição do valor do auxílio emergencial repassado à população mais vulnerável, o que também dificulta o acesso à alimentação. Claudeilton Luz, do Movimento dos Pequenos Agricultores, foi um dos que expressaram essa posição.
"Alimento como direito social, à vida e à dignidade da pessoa humana como centralidade do nosso Estado Democrático. E isso passa pela aprovação e pela elevação do auxílio emergencial, no mínimo de R$ 600, que a gente já sabe que ainda é insuficiente, imagina R$ 150, R$ 370", observou.
Durante a discussão, os representantes da sociedade civil lembraram a importância do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para diminuir a fome no país e relataram que alguns projetos em tramitação no Congresso ameaçam a estrutura do programa.
EUA: pai de cinco morre de covid após decidir não se vacinar

Do UOL, em São Paulo
22/05/2021 15h15
Um homem pai de cinco filhos morreu de covid-19 na cidade de Lincoln Park, no Michigan (EUA), após decidir não tomar a vacina contra a doença. A esposa de Antwone Rivers, Hollie, contou o caso à rede de TV FOX, dizendo que se arrepende da decisão de ambos de recusar a imunização. Ela afirmou que, se pudesse voltar no tempo, os dois tomariam a vacina.
Duas semanas antes da morte dele nós estávamos conversando e pensando que talvez devêssemos tomar a vacina. Agora estamos com essa grande perda para todos.
Hollie Rivers
Sem Brasil, 62 países fazem nova proposta de suspensão de patente de vacina
O homem tinha 39 anos e não apresentava problemas de saúde. A família tomava precauções contra a covid-19, usando máscara e mantendo o distanciamento social, mas estava receosa quanto à imunização.
Antwone e a esposa testaram positivo para a covid-19 na mesma semana, mas a esposa se recuperou. Ele teve de ser levado ao hospital e ser intubado.
Está sendo difícil principalmente para os nossos filhos. Nossa filha mais velha, de 13 anos, está muito triste pelos mais novos, que têm apenas 3 anos e 1 ano de idade. Ela está triste porque os menores não vão ter memórias com o pai.
Hollie Rivers
Vaquinha para ajudar esposa
Colegas de trabalho de Antwone estão levantando doações na internet para ajudar Hollie Rivers após a morte do marido. Neste sábado (22), a arrecadação já tinha mais de US$ 25 mil.
Sede da Abril, no Tietê, é leiloada por R$ 118 milhões

247 - O antigo prédio da Editoral Abril, na marginal Tietê, em São Paulo, foi vendido nesta sexta-feira, 21, em leilão virtual por R$ 118.783.000. A sede foi comprada pela Marabraz, varejista de móveis, construção e utilidades domésticas, e será transformada em galpões logísticos.
A empresa ainda terá de desembolsar mais R$ 1 milhão para pagar o processo de encerramento da Licença de Operação do imóvel, emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.
A gráfica da Abril já havia sido vendida, em janeiro de 2021. A editora está em recuperação judicial desde 2018, diante de dívidas que somam cerca de R$ 1,6 bilhão.
Embaixador da China no Brasil rebate deselegância do Ministério da Saúde após liberação de insumos para vacinas

Sputnik – O Ministério da Saúde do Brasil comunicou neste sábado (22) a chegada de novos insumos para produção de vacinas contra a COVID-19. O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, "ironizou" a publicação.
Por meio de suas redes sociais, o ministério da Saúde celebrou a chegada de "insumos do exterior" para a produção de 12 milhões de vacinas AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Fiocruz.
Em outra publicação, a pasta afirma que "a previsão inicial era de que apenas um dos dois lotes chegaria hoje (22), mas a Fiocruz e o Ministério da Saúde conseguiram antecipar a vinda do outro carregamento, que chegaria no dia 29 de maio".
Momentos após a postagem, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, fez uma publicação ironizando o termo "insumos do exterior".
A China é uma das maiores fornecedoras de insumos para vacinas do Brasil. Apenas no mês de maio, o governo chinês enviou três mil litros de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), utilizado na produção da CoronaVac.
Importante lembrar que o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, anunciou na quinta-feira (20), a liberação de novos lotes do IFA. A confirmação do envio dos insumos foi feita durante reunião por videoconferência com o Fórum de Governadores, que reúne autoridades federais e estaduais.
Depois do encerramento da reunião, Wanming publicou uma foto com os governadores Wellington Dias (PT), do Piauí; João Doria (PSDB), de São Paulo; Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão; e Waldez Góes (PDT), do Amapá.
Carlos Latuff, o artista global da resistência palestina

247 - O cartunista Carlos Latuff, em entrevista à TV 247, comentou sua ascensão ao posto de um dos maiores, senão o maior, artista internacional da causa palestina. Com os recentes ataques de Israel contra os palestinos, desenhos de Latuff em defesa do povo da Palestina ganharam as ruas em protestos contra a truculência israelense.
A utilização das charges de Latuff em protestos, porém, não é um fato novo. O cartunista conta já ter visto suas obras em outras manifestações e, para ele, isto é motivo de alegria, porque mostra que suas charges ‘ganharam vida’. “Essa experiência das charges sendo usadas por manifestantes já aconteceu em outras ocasiões, em outros ataques israelenses a Gaza, que também suscitaram grandes protestos pelo mundo. As pessoas também se utilizaram das charges na Primavera Árabe, em protestos na Turquia, no Bahrein. Então, de certa maneira, não é incomum ter as charges utilizadas em protestos. Fico muito feliz de ver uma charge minha sendo utilizada em um protesto porque o papel da charge é um papel editorial. No momento em que um manifestante, em qualquer parte do mundo, se apropria dessa imagem, ela já transcendeu seu papel editorial, ela ganhou vida”.
Segundo Latuff, a disseminação de seus desenhos sobre a causa palestina se deve ao avanço da internet, que atualmente é “muito mais ágil, alcança muito mais, tem uma agilidade muito maior por conta dos dispositivos móveis, por conta das chamadas ‘redes sociais’”, e por causa da força do conteúdo dos desenhos.
“Agora posso me aposentar”
Após falar à TV 247, Latuff foi surpreendido com uma fotografia de um manifestante palestino vestindo uma camiseta com um de seus desenhos. Para ele, ver uma obra sua sendo utilizada como um instrumento de luta é a “consagração” de sua carreira. “Agora posso me aposentar”, brincou o cartunista.
“Quando um palestino que está lá na linha de frente, lá nos territórios ocupados, veste uma camisa com uma charge que eu fiz, é mais do que ele se apropriar da imagem, ele se identifica, ele literalmente veste a camisa. Eu não poderia ter, como ativista, como profissional, uma consagração maior do que essa foto. Essa foto, para mim, é a consagração da minha carreira. A charge acaba se tornando um instrumento de luta para o palestino, da mesma maneira que é a pedra, o estilingue. Isso é realmente… Eu me sinto contemplado com essa fotografia”.
Cláudio Couto: discurso burro da corrupção colocou marginais no poder

247 - O cientista político Cláudio Couto, em entrevista à TV 247, afirmou que o “discurso burro” de tratar a corrupção como a origem de todos os problemas do Brasil levou o país a colocar no Palácio do Planalto um “oportunista”, um “marginal” de extrema direita.
O “motor” do tal “discurso burro”, segundo Couto, foi a Operação Lava Jato, chefiada pelo procurador Deltan Dallagnol com a ajuda imprescindível do ex-juiz Sergio Moro, declarado suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com a onda da força-tarefa, diversos setores da sociedade embarcaram na narrativa distorcida contra a corrupção, como a imprensa e determinados partidos políticos.
“Tem aquele discurso emburrecedor, para não dizer ‘burro’ mesmo, da corrupção: ‘todos os problemas do Brasil se resumem a corrpução’. Esses dias na CPI um senador da base governista, tentando desqualificar o objeto de investigação da CPI, disse: ‘vejam só, se fosse em outro governo estaríamos aqui falando de corrupção. Aqui não estamos’. Vamos ver, né, mas não é nem isso o problema: mataram 400 e tantas mil pessoas e vamos chegar a meio milhão. Quer dizer, a corrupção começa a ser mais grave que o assassinato. É isso que eles estão dizendo. Esse emburrecimento do debate político que coloca a corrupção como o mal de todos os males, esse debate burro que resultou nessa antipolítica que teve na Lava Jato seu grande motor, mas não o único, e muita gente embarcou”, falou o especialista.
O suposto combate à corrupção aliado à criminalização da política, culminou, de acordo com Couto, na “dilaceração do sistema político” e na “descrença generalizada na política, que levou à eleição de um oportunista, de um aventureiro, de um marginal da política extremista”. “O erro foi tão grande que se insistia nessa ideia da simetria das coisas que não são simétricas. De uma esquerda democrática com uma extrema direita fascista. Evidente que essas coisas não poderiam ser postas no mesmo lugar, mas muitos colocaram”.
Como dialogar com as capitãs cloroquinas - Elika Takimoto
Por Elika Takimoto
Nesta semana, teremos a médica Mayra Pinheiro, a capitã cloroquina, depondo na CPI do genocídio. Ela ficou “famosa” em 2013 quando gritou nos ouvidos dos médicos cubanos, na ocasião da chegada deles ao Brasil pelo programa Mais Médicos, para que voltassem para a senzala.
Ganhou mais holofotes quando virou secretária da saúde no governo Bolsonaro e defendeu o uso de tratamento precoce que a comunidade científica já mostrou não ter eficácia comprovada.
Quero alertar que será uma médica que de burra não tem nada contra senadores e senadoras. Aposto que Mayra Pinheiro vai vir segurando papéis e falará sobre método científico e eficácia com a autoridade conferida aos profissionais da saúde. Será uma médica trazendo “dados” contra senadores. O debate será tenso e extremamente perigoso.
O assunto é muito delicado, profundo e controverso e alerto que Mayra Pinheiro pode deixar quem anda defendendo a ciência de uma forma ingênua no chão.
Sem querer fazer propaganda - mas já fazendo - é sobre isso (e mais outras coisas) que trato no meu novo livro Como dialogar com um negacionista publicado pela editora Livraria da Física.
A polarização "Eles negacionistas são burros" versus "Nós defensores da Ciência somos inteligentes" não se sustenta e, infelizmente, teremos mais um caso nesta semana mostrando os riscos de seguir por este caminho. Muitas vezes, estou sendo motivo de piada nos comentários de minhas postagens em redes sociais pelas pessoas que me seguem quando aponto a necessidade de refletirmos melhor sobre o assunto e sobre a necessidade do diálogo. Gostaria, sinceramente, de estar errada em insistir nisso. Porém, percebo todo santo dia que desprezá-lo é contribuir para o aumento do caos e do número de mortes.
Há como defender o uso e o não uso de um medicamento, como estamos vendo neste país. Porém, como o debate nunca se aprofunda, a população paga, muitas vezes com a própria vida, por ficar no meio desse tiroteio de argumentos.
Como uma pesquisadora, defensora da ciência e atenta ao mal em potencial que o capitalismo dissemina em qualquer esfera, sou uma das primeiras a duvidar e a defender a dúvida em relação às “verdades científicas”. Sei muito bem que há pesquisas financiadas por empresas e que um cientista não é um robô e sim uma pessoa, portanto, está sempre sendo atraído por coisas que despertem seus interesses e vão ao encontro de seus valores. Dito de outra forma, defendo a ciência sem perder a capacidade de prestar muita atenção ao modo de fazer científico e, sendo o caso, criticar e apontar eventuais erros. Isso é bom, honesto e saudável.
O ponto é que com o avanço da extrema direita, o que era bom, honesto e saudável virou arma na mão dessa gente mal intencionada. Uma coisa é fazer uma crítica construtiva, ser agente de uma mudança e lutar para que os benefícios da ciência sejam democratizados. Outra, bem diferente, e extremamente perigosa é promover a falsa simetria dos argumentos desqualificando como um todo o trabalho de especialistas baseado nas controvérsias internas e naturais que ocorrem no curso da ciência fazendo afirmações sem sentido e totalmente levianas, como por exemplo, que dentro das instituições de pesquisa só tem comunista ou que o tratamento precoce tem eficácia comprovada.
Por isso, insisti no meu novo livro sobre a importância de não sermos ingênuos quando entramos nessa discussão. Para quem acha que com um negacionista é burro e que a coisa se resolve com um taco de beisebol, como leio em inúmeros comentários todas as vezes que compartilho o lançamento do “Como dialogar com um negacionista”, penso que essa pessoa seria facilmente esmagada com as palavras e a articulação da capitã cloroquina.
Ainda que ela pague pelos crimes que cometeu e responda pelas mortes que poderiam ter sido evitadas, se deixá-la falar (e é necessário que ela fale numa CPI), as falas serão recortadas e transmitidas em grupos de whatsapp com manchetes sensacionalistas em capslock comemorando “a vitória da doutora contra Renan Calheiros”, algo nessa vibe: VEJA MAYRA PINHEIRO JANTANDO RENAN CALHEIROS. Aff.
O grande público que não terá tempo nem disposição para acompanhar toda a história e a CPI possuirá, mais uma vez na mão, um material tão fácil de ser transmitido como um vírus.
Tempos complicados eram aqueles que o povo ia para a rua “por 20 centavos”. Os tempos, hoje, estão complicadíssimos.
Bolsonaro quis ter o controle da Anvisa, do Inpe e do Ibama achando que concentrar em si a autoridade dessas instituições resolveria a questão da desconfiança - que volto a dizer, é saudável no meio acadêmico e científico porque nos deixa alertas quanto aos erros possíveis de serem cometidos. Estar atento ao jogo é importante, querer ganhar mudando as regras é ausência de caráter. Percebem a diferença?
Penso que estamos nesta lama - e temos ainda como nos enterrarmos mais - porque estamos fazendo uma defesa da ciência que não se sustenta. A capitã cloroquina tem capacidade de derrubar com menos de dez minutos de fala o discurso de quem começa a discussão defendendo a ciência pelo método científico que é um tema de extrema complexidade. Temos uma ampla bibliografia sobre os conceitos de verdade, de ciência e, portanto, do método científico. São necessárias leituras e disposição para esse diálogo.
Minimizar ou ridicularizar as afirmações de Bolsonaro e de seus pares é desconsiderar algo super importante: as narrativas mentirosas não são frutos de uma mente alucinada e sim de uma estratégia política que muitas pessoas, por reduzir o negacionismo a uma questão cognitiva, acaba mordendo a isca.
A falsa simetria precisa ser escancarada nesse debate. A balança não está equilibrada de forma alguma, ou seja, não é somente “uma questão de opinião” ou de liberdade para profissionais de saúde prescreverem o que acham melhor para o paciente. Ou, como disse Bolsonaro na live de 16 de Julho “Se não tem alternativa, por que proibir? ‘Ah, não tem comprovação científica que seja eficaz.’ Mas também não tem comprovação científica que não tem comprovação eficaz. Nem que não tem, nem que tem.” Não se trata disso. Muitas vezes, o melhor é, em caso de dúvida, não fazer. O “tanto faz” é falso neste caso.
Debater argumentos científicos sobre eficácia da cloroquina na CPI é tenso. Acredito que seja possível somente se as instituições forem devidamente valorizadas.
Como eu acredito que as instituições andam juntas com a questão da saúde pública, há tempos recolho algumas informações sobre o tema. Faço uso delas para fazer um bom debate com quem vem falar sobre tratamento precoce. Divido com vocês parte da minha munição. Acho que vamos precisar, mais do que nunca, usá-las nesta semana.
1 - A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) não recomenda tratamento precoce para Covid-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais.
Fonte:
2 -Não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19. A orientação da SBI está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e a da Europa (ESCMID), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA).
Fontes:
https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/therapeutic-options.html
https://www.idsociety.org/covid-19-real-time-learning-network/therapeutics-and-interventions/hydroxychloroquine/
https://www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/noticias/noticias/208-fda-veta-uso-de-cloroquina-e-hidroxicloroquina-contra-a-covid-19-nos-estados-unidos
https://eacademy.escmid.org/escmid/2020/covid-19/293257/n.petrosillo.e.presterl.j.p.stahl.m.sanguin
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53370870
3- A agência regulatória norte-americana, o FDA, elenca uma lista de medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19. Entre eles: fosfato de cloroquina, sulfato de hidroxicloroquina e ivermectina.
Fonte:
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53058069
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/06/15/eua-suspendem-uso-emergencial-da-hidroxicloroquina-contra-covid-19
4- O kit-covid além de não ajudar, está causando problemas sérios e levando pacientes a óbito. “O médico intensivista Ederlon Rezende, coordenador da UTI do Hospital do Servidor Público do Estado, em São Paulo, destaca que entre 80% e 85% das pessoas não vão desenvolver forma grave de covid-19. Para esses pacientes, usar o "kit covid" não vai ajudar em nada. Também pode não prejudicar, SE a pessoa não tomar doses excessivas nem tiver doenças que possam se agravar com esses medicamentos.”
Fonte:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/03/paciente-entre-na-fila-do-transplante-de-figado-por-usar-drogas-do-tratamento-precoce-contra-covid.shtml
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56457562
https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2021/03/4913536-coronavirus-chefes-de-utis-ligam----kit-covid----a-maior-risco-de-morte-no-brasil.html
https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,apos-uso-de-kit-covid-pacientes-vao-para-fila-de-transplante-ao-menos-3-morrem,70003656961
5 - Segundo chefes de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais de referência no Brasil, isso tem contribuído de diferentes maneiras para aumentar as mortes no país, por exemplo, retardando a procura de atendimento pela população, absorvendo dinheiro público que poderia ir para a compra de medicamentos para intubação, e dominando a mensagem de combate à pandemia, enquanto protocolos nacionais de atendimento sequer foram adotados,como mostrou a BBC News Brasil.
Fonte:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56457562
https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-26/estudo-sugere-que-pessoas-em-tratamento-precoce-tiveram-taxas-mais-altas-de-infeccao-por-covid-19-em-manaus.html
6- Os números da pandemia em todo mundo mostram que a maior parte das pessoas que contrai covid-19 se recupera. Por isso, segundo especialistas, remédios apresentados como "cura" acabam "roubando o crédito" do que foi apenas uma melhora natural.
Fonte:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-53896553
7- Temos que tomar cuidado com as fakenews e apurar com detalhes as notícias verificando as fontes. As notícias que afirmaram que o tratamento precoce zerou internações por tratamento precoce são todas falsas.
https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-tratamento-precoce-zerou-internacoes-por-covid-19-em-15-cidades/
8- O uso da Ivermectina é desencorajado por entidades médicas e farmacêuticas, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela própria fabricante do medicamento. Já há casos de hepatite medicamentosa por conta do uso excessivo do medicamento.
De acordo com o NIH (National Institutes of Health ou Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos), ainda não há dados suficientes sobre a eficácia da ivermectina. No dia 5 de março, o FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora de medicamentos e alimentos dos EUA) publicou um alerta pedindo que a população dos Estados Unidos não tomasse o vermífugo para tratar a Covid-19.
Fonte:
https://www.medicina.ufmg.br/kit-covid-o-que-diz-a-ciencia/
https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-novo-estudo-comprova-eficacia-da-ivermectina-contra-covid-19/
https://www.covid19treatmentguidelines.nih.gov/antiviral-therapy/ivermectin/
https://www.fda.gov/consumers/consumer-updates/why-you-should-not-use-ivermectin-treat-or-prevent-covid-19
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O que fazer? Sigamos os que dizem os maiores especialistas. O Brasil, como estamos vendo, não é exemplo para nada na luta contra esse vírus.
A recomendação é: usar máscaras boas como PFF2 e N95 (as de pano já não estão dando conta mais) e manter o distanciamento social enquanto a vacina não chega.
Fonte:
https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2021/03/30/interna_gerais,1252267/conselho-de-saude-culpa-aglomeracoes-e-falta-do-uso-da-mascara-por-colapso.shtml
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Enfim, torço para que os senadores e as senadoras preparem-se muito bem e que as pessoas responsáveis pelas mortes que poderiam ter sido evitadas paguem por cada uma delas. Creio que Mayra Pinheiro terá o que merece em um breve fututo. Temo, porém, que, antes, ela faça mais estragos.
Sigo na esperança de que diálogos aconteçam. Mas, para tanto, é necessário descer do salto alto e parar de subestimar a capacidade intelectual do adversário político. Somente assim, conseguimos nos preparar corretamente para eles sem nos igualarmos, em atitude, ao nosso inimigo.
Como Bruna Marquezine: por que desconfiamos de relacionamento sem sofrência
Nathália Geraldo
De Universa
23/05/2021 04h00
Por mais que o "felizes para sempre" esteja presente no nosso imaginário, para algumas pessoas viver um "amor tranquilo", sem sobressaltos ou conflitos, é sinônimo de tédio. Em entrevista para a revista "Elle", Bruna Marquezine, 25, que está namorado o empresário Enzo Celulari, 24, filho de Cláudia Raia e Edson Celulari, revelou que tinha essa percepção nos relacionamentos amorosos — e que precisou se empenhar, fazendo terapia, para enfrentá-la.
"Foram muitas sessões de terapia para me acostumar com a paz de ter um relacionamento tranquilo. Às vezes, eu confundia isso com quase um tédio. Ficava em um estado de alerta. E aí? O que tá por vir? Não tem alguma coisa errada? Não está faltando um sentimento?", disse a atriz para a publicação.
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O sentimento de que "alguma coisa negativa vai acontecer", dizem as psicólogas especialistas em relacionamento e casais ouvidas por Universa, e a dificuldade de se ter uma parceria pacífica podem estar associados a emoções mais profundas. Insegurança, dificuldade de confiar no outro e até a percepção de que não merece ter um relacionamento saudável podem fazer parte desse pacote.
Por que, então, é tão difícil superar esses obstáculos e quais são as ciladas que impedem a construção de um "amor tranquilo"?
Como identificar um relacionamento "tranquilo"
Para a "Elle", Bruna Marquezine comentou que sempre gostou de viver com "intensidade" os relacionamentos amorosos. Um deles, com o jogador de futebol Neymar Jr., se tornou bastante público: ao longo dos anos, os famosos ficaram conhecidos pelo namoro "iô-iô".
Agora ao lado de Enzo Celulari, a atriz afirmou que tem um amor que "desconstrói a ideia de que tem que ser pelo conflito". "É muito potente viver dentro de um relacionamento de respeito, de admiração, de tranquilidade. Sua declaração gerou identificação em algumas mulheres no Twitter:
Para a psicóloga e terapeuta sexual Arlete Girello Gavranic, o receio de se entregar a uma relação tranquila — que Marquezine classifica como de respeito e admiração — não vem do nada. Ele pode estar ligado a relacionamentos passados em que as experiências se baseavam em incertezas.
A pessoa desenvolve, então, um padrão de comportamento. Se era ligado ao ciúme, fica se perguntando se o outro está traindo, quer saber por que não ligou ou respondeu à mensagem. Vejo que mulheres e homens têm essa reação principalmente se já foram traídos ou viveram perto de pessoas que sofreram com traição.
O desgaste, inclusive com términos frequentes, desperta a dificuldade de confiar em um parceiro seguinte. É nesse momento que, de acordo com a especialista, cabe avaliar o quão tóxicas, violentas ou manipuladoras foram as relações anteriores a ponto de minar a autoconfiança de se abrir para um novo amor saudável.
"De fato, algumas pessoas gostam da briga, inclusive porque se acostumaram com o prazer de fazer as pazes. Então, tudo vira um drama, uma novela mexicana", pontua. "Mas, é só vermos mais de perto para entender o sofrimento da pessoa, que só consegue ver as questões negativas no outro relacionamento. Por isso é tão importante o equilíbrio emocional."

"É preciso repensar a lógica de que amar é sofrer"
A psicóloga especialista em estratégias da família Elisangela Pereira de Lacerda, que também atende casais no consultório, analisa que, assim como Bruna Marquezine foi à terapia para entender a conduta que tomava ao se relacionar amorosamente, é preciso que as pessoas que "não conseguem ter um amor tranquilo" reflitam sobre o que é saudável para si.
Para ela, um dos pressupostos é que os envolvidos consigam entender as discordâncias com respeito, sem palavras agressivas ou rupturas impulsivas. "Se a pessoa não consegue perceber isso, é capaz que fique presa naquela vivência, inclusive achando que não merece ter momentos felizes".
Repensar a lógica do "amar é sofrer", diz a psicóloga, pode ajudar neste processo de reconstrução e descoberta das possibilidades de amar com leveza.
As novelas, as músicas de sofrência normalizam isso. Mas, nem tudo que é normal é saudável. Por isso, é importante que a pessoa se pergunte se está feliz vivendo sempre em uma trincheira de emoções. 'Será que estou conseguindo crescer, trabalhar, ter boas relações vivendo uma semana bem e três ruins com o parceiro? Por que não buscar a calmaria?'.
Terapia ajuda a mapear emoções
A psicóloga Arlete Girello Gavranic comenta que, por mais que a pessoa consiga fazer autoanálise sobre como lidar com a vida amorosa, psicólogos podem ajudar nesta descoberta.
"Ali, a pessoa pode elencar os pensamentos que tem, se é focado nesse medo da traição, se valoriza mais os outros do que a si mesma. Como tem algumas que deixam de acreditar que o amor pode ser uma coisa gostosa, de troca, parceria, pode afetar outras relações. Por isso, é importante deixar claro que o relacionamento afetivo deve vir para agregar prazer e envolver excitação, não tensão."
Opinião - Marcelo Leite: Prepare-se para 3ª onda de Covid e 500 mil mortos até julho
A repetição do colapso hospitalar é tão previsível quanto batimentos cardíacos, nesse paciente intratável chamado Brasil
Sístoles e diástoles: assim como o coração se contrai e relaxa para bombear sangue, a epidemia de Covid também segue um ritmo pulsante, ditado pelo grau de distanciamento social. Na ausência de vacinas suficientes para garantir imunidade coletiva, quer dizer.
No Brasil, a primeira dose de imunizantes mal chegou a um quinto da população, por culpa federal de você-sabe-quem. Nessas condições, unidades de saúde só veem escassear doentes prostrados pelo corona quando autoridades estaduais e municipais apertam restrições à mobilidade.
No pulso seguinte, com o enésimo relaxamento das medidas restritivas, unidades básicas, prontos-socorros e UTIs voltam a se encher. Leitos lotam, suprimentos para intubação rareiam, oxigênio passa a faltar, mais e mais mortes acontecem. Já vimos esse filme.
A repetição do colapso hospitalar é tão previsível quanto batimentos cardíacos, nesse paciente intratável chamado Brasil. A analogia para por aqui, porque sístoles e diástoles se sucedem em frações de segundos, ao passo que altos e baixos de casos e óbitos na epidemia avançam com defasagem de três a quatro semanas.
O intervalo que separa o aumento no número de infecções da subida na quantidade de mortos corresponde ao tempo de progressão da doença nos infectados sintomáticos. Entre mais pessoas entrarem em circulação, contraírem o vírus, desenvolverem sintomas, serem internadas e precisarem de cuidados intensivos, vários dias transcorrem; uma vez intubados na UTI, demora outro tanto até que 80% sucumbam.
Retomando a analogia: ao longo da vida, o coração se desgasta sob o esforço de bater 100 mil vezes a cada 24 horas, 36 milhões por ano, década após década, e um dia para; a fadiga social com idas e vindas da Covid, porém, se manifesta bem mais rápido.
“Lockdown” virou palavra maldita, pecado mortal, graças aos esforços genocidas de Jair Bolsonaro. Seus adversários políticos fogem da providência como a cruz que se aparta do demônio. Nunca fizemos nada parecido com o trancamento geral.
Após tanta negligência com providenciar vacinas, testes em massa e rastreamento com separação de infectados seriam a única medida capaz de derrubar as curvas funéreas de maneira sustentável.
Na falta de tudo, torna-se fácil antever novo repique de mortes em poucas semanas. Pode parecer irresponsável tal presságio, quando o número de óbitos está em queda, mas até crianças sabem que a água do mar recua antes de tudo submergir no tsunami.
Não deveria haver espaço para alívio quando quase 2.000 brasileiros morrem por dia. Ainda por cima, a quantidade de infectados parou de cair e volta a subir em vários lugares. A lotação de UTIs ultrapassa alarmantes 80% na maioria dos estados e capitais.
Fique aqui a previsão, coisa mais arriscada para um jornalista fazer: em poucas semanas chegará uma terceira e mortífera onda. O Brasil alcançará a cifra chocante de meio milhão de mortos em meados de junho, ou logo depois.
É para anotar e cobrar a coluna quando chegar a hora. Nada dará mais satisfação do que errar, nesse caso.
Aos que acreditam em Deus, contudo, recomenda-se muita oração. Dos humanos, com ou sem poder de decisão, já não cabe esperar quase nada.




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