VARIANTE INDIANA

Ao vivo: __________________________________________ RENAN diz que Pazuello MENTIU à CPI da Covid 'em 14 oportunidades'; ex-ministro NEGA falhas com VACINAS e na falta de OXIGÊNIO em Manaus

Bolsonaro expõe e tritura generais com cargos, afagos e humilhações

CPI corrige erros e acerta tom político e técnico no 2º dia com Pazuello

Eduardo Bolsonaro BANANINHA contraria o próprio pai e admite que "NÃO tem como comprovar que houve fraude" na eleição

Entenda: _______________________________ o que se sabe sobre a VARIANTE_INDIANA do coronavírus identificada no Maranhão

Maranhão confirma primeiros casos de covid-19 por CEPA INDIANA no país

Por que a VARIANTE do coronavírus descoberta na ÍNDIA preocupa o Brasil e o mundo?

'Foi um fracasso', diz infectologista sobre vacinação no 1º semestre

Diabetes, câncer e mais: Brasil vive apagão de dados sobre doenças crônicas

Com atrasos, Brasil vê ritmo de vacinação cair 17% em maio e deve piorar

Citado na CPI, MALAFAIA diz falar 'quase que diariamente' com Bolsonaro e que iria à comissão: 'Digo tudo'

Melhor hotel do mundo, em Gramado, tem até 300 reservas por dia após prêmio

Melhor hotel do mundo fica no Brasil: conheça o eleito pelos viajantes

Destinos iguais a cenários dos filmes de Wes Anderson fazem sucesso na web

A MÁSCARA da "DEMOCRACIA LIBERAL" cai com um ESTRONDO - Pepe Escobar

Mentira e covardia são marcas registradas do bolsonarismo

Bolsonaro, o RETRATO de uma SOCIEDADE_ADOECIDA

O cara que ia invadir o Senado e dar uma facada em Pazuello faltou e a saída foi improvisar

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Entenda: o que se sabe sobre a variante indiana do coronavírus identificada no Maranhão

Seis tripulantes de navio ancorado no estado apresentaram resultado positivo para a B.1.617.2, primeiros registros da cepa no Brasil
Raphaela Ramos
20/05/2021 - 14:04 / Atualizado em 20/05/2021 - 14:20
Trabalhador de saúde coleta uma amostra de esfregaço nasal de um homem para um teste de Covid-19 no distrito de Budgam, no centro da Caxemira, em maio de 2021 Foto: DANISH ISMAIL / REUTERS
Trabalhador de saúde coleta uma amostra de esfregaço nasal de um homem para um teste de Covid-19 no distrito de Budgam, no centro da Caxemira, em maio de 2021 Foto: DANISH ISMAIL / REUTERS

RIO  — Os primeiros casos no Brasil de Covid-19 provocados pela variante do coronavírus que emergiu na Índia foram confirmados pelo governo do Maranhão nesta quinta-feira. A B.1.617.2 foi identificada em seis tripulantes do navio Mv Shangon Da Zhi, ancorado no estado, que viajou da África do Sul até São Luís.

Entenda o que se sabe até agora sobre a variante do coronavírus:

Por que a variante indiana preocupa?

Em coletiva nesta quinta-feira, o diretor-geral do Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão (Lacen-MA), Lídio Gonçalves, explicou que a variante indiana detectada no Maranhão é a B.1.617.2, uma das variações da cepa identificada pela primeira vez em dezembro na Índia. Ele destaca que recentemente a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou como uma variante "de atenção", o que significa que está relacionada com maior capacidade de transmissão. Mas ele ressalta que todos os tripulantes do navio ancorado em São Luís estão isolados e não foi identificada transmissão local. 

A variante indiana B.1.617 foi classificada pela OMS como uma "preocupação global" na semana passada. "O que há disponível de informação indica uma transmissibilidade acentuada", disse Maria Van Kerkhove, uma das principais autoridades técnicas da OMS em Covid-19, em coletiva no dia 10.

Vacinas funcionam contra a variante?

Segundo Gonçalves, os estudos preliminares mostram que as vacinas funcionam contra essa variante, mas ainda são necessários mais dados para se ter uma posição definitiva sobre a eficácia dos imunizantes contra a cepa indiana.

Quais cuidados devemos tomar?

O diretor do Lacen-MA explica que a variante indiana segue "basicamente" o padrão das outras variantes de preocupação que existem, como a P1, que circula largamente no Brasil. As medidas centrais de proteção continuam sendo as mesmas.

O superintendente de Vigilância Sanitária do Maranhão, Edmilson Diniz, destacou a importância de se manter o uso de máscara, higienização das mãos, etiqueta respiratória, higienização de superfícies, distanciamento social e evitar aglomerações.

E o que as autoridades sanitárias devem fazer?

O secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, afirmou que cerca de 100 pessoas tiveram contato com os tripulantes do navio contaminados com a variante indiana estão sendo rastreadas e serão isoladas e testadas. Segundo a Secretaria de Saúde do estado, a Vigilância Sanitária Estadual também notificou a empresa responsável quanto a proibição do navio atracar na área portuária em São Luís.

Carlos Lula defendeu, nesta quinta-feira, cuidados mais rígidos nas fronteiras do país e criticou a resposta "ainda muito lenta" do Ministério da Saúde para esse tipo de problema.

O governo brasileito suspendeu voos da Índia na última sexta-feira, dez dias após recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Na Argentina, qualquer pessoa que desembarca de voo internacional faz exame, e se der positivo, é isolado, por exemplo. Isso talvez fosse uma medida necessária para o Ministério pensar nos portos, aeroportos e fronteiras. Essas medidas cabem ao próprio Ministério da Saúde. Fiz pedido nesse sentido ao ministro essa manhã", afirmou o secretário.

O GLOBO pediu resposta ao Ministério da Saúde, mas ainda não teve retorno.

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Ao vivo: Renan diz que Pazuello mentiu à CPI da Covid 'em 14 oportunidades'; ex-ministro nega falhas com vacinas e na falta de oxigênio em Manaus

Senadores cobram explicações sobre colapso no Amazonas, uso de cloroquina e declarações de Bolsonaro; relator formaliza pedido para que comissão tenha agência de checagem
André de Souza, Julia Lindner e Leandro Prazeres
20/05/2021 - 09:23 / Atualizado em 20/05/2021 - 14:51
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante segundo dia de depoimento na CPI da Covid, no Senado Foto: PABLO JACOB / Agência O Globo
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante segundo dia de depoimento na CPI da Covid, no Senado Foto: PABLO JACOB / Agência O Globo

RIO — Na retomada do depoimento de Eduardo Pazuello na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta quinta-feira, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, acusou o ex-ministro da Saúde de já ter mentido em 14 oportunidades e pediu formalmente a contratação de uma agência de checagem para verificar possíveis inverdades ditas pelos depoentes.

Nesta quinta, Pazuello alegou que decisões sobre compra de vacinas não eram "só de uma pessoa" e também culpou o governo do Amazonas e a empresa fornecedora White Martins pela falta de oxigênio em Manaus no colapso hospitalar em janeiro. Pazuello alegou ainda que teria ocorrido um "roubo" que levou à divulgação indevida do aplicativo TrateCov, que receitava cloroquina até para bebês, embora a plataforma tenha sido divulgada por canais oficias do governo.

— É fundamental essa comissão contratar o serviço para fazer uma procura online da verdade, uma varredura das mentiras que estão sendo pronunciadas aqui. Tivemos uma primeira amostragem dessas contradições, inverdades e omissões. O depoente em 14 oportunidades mentiu flagrantemente e ousou negar suas declarações — disse Renan, que ironizou: — É a negação do negacionismo. Deve ser uma nova cepa. Negar tudo o que está posto, que a sociedade conhece, acompanha e se indigna, é tripudiar da CPI, imaginar que palavras são jogadas ao vento. Precisamos que se respeite essa comissão.

ASSISTA À SESSÃO DA CPI AO VIVO:

A declaração de Pazuello sobre compra de vacinas ocorreu ao ser questionado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) sobre a adesão ao consórcio Covax Facility. Inicialmente, o ex-ministro disse que a decisão se deu "no âmbito da Casa Civil", então chefiada pelo também general Walter Braga Netto. Pazuello admitiu que foi sua a decisão de compra da cobertura mínima, com 10% das doses, mas em seguida disse que as decisões sobre vacinas eram tomadas em grupo.

—  A decisão não é só de uma pessoa, é do grupo que está trabalhando, é um colegiado — disse Pazuello.

Pazuello também reiterou, durante os questionamentos de Alessandro Vieira, que não protelou a assinatura do contrato com a farmacêutica Pfizer e alegou ter formalizado o memorando de entendimento (MOU) com a empresa "independente (da anuência) da assessoria jurídica" do governo, citando supostas resistências da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU) ao negócio.

Pazuello também foi instado a se explicar novamente sobre o recuo na intenção de compra da vacina Coronavac, após ser desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro, e respondeu a um questionamento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) dizendo que não mandou retirar do Twitter do Ministério da Saúde qualquer postagem anunciando a compra. Na pergunta, Randolfe citou um tuíte deletado após a fala de Bolsonaro.

— Algum servidor pode ter tirado. Eu não mandei tirar nada de Twitter — disse Pazuello.

Colapso em Manaus

Indagado no início da sessão pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) de quem seria a responsabilidade pela falta de oxigênio em Manaus, Pazuello procurou eximir o Ministério da Saúde e alegou que a pasta é abastecida com informações repassadas pelas secretarias estaduais e municipais.

No segundo dia de depoimento à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello relatou que o presidente Jair Bolsonaro participou da reunião em que o governo decidiu que não haveria intervenção federal na saúde do Amazonas, no início do ano, durante a crise do oxigênio
No segundo dia de depoimento à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello relatou que o presidente Jair Bolsonaro participou da reunião em que o governo decidiu que não haveria intervenção federal na saúde do Amazonas, no início do ano, durante a crise do oxigênio

— Fica claro para mim que a preocupação com o acompanhamento do oxigênio não era um foco da Secretaria de Saúde do Amazonas, porque não faltou oxigênio e ficou focado em outras coisas, isso lá em dezembro ainda. No plano apresentado pela secretaria para nós não foi apresentada nenhuma medida sobre oxigênio — disse Pazuello, acrescentando:

— A empresa White Martins já vinha consumindo sua reserva estratégica e não fez isso de forma clara. Essa é a primeira responsabilidade. Se a Secretaria de Saúde tivesse acompanhado de perto, teria descoberto que estaria consumindo a reserva estratégica. Vejo aí duas responsabilidades muito clara. Começa na empresa. E a outra da Secretaria e Saúde. Da nossa parte fomos muito proativos a partir do momento em que tomamos conhecimento.

Braga relembrou que escreveu uma carta ao presidente Jair Bolsonaro para pedir intervenção federal na área da saúde do Amazonas, em janeiro. Ele questionou Pazuello por que o pedido não foi aceito. O ex-ministro afirmou que o assunto foi tratado numa reunião com a presença de Bolsonaro.

— Essa decisão não era minha, foi levada à reunião de ministros, com o presidente presente, e o governador (do Amazonas) se explicou, então foi decidido pela não intervenção — alegou Pazuello.

Questionado em outro momento sobre qual foi o argumento apresentado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), para evitar a intervenção federal, Pazuello respondeu que não lembra dos detalhes.

— Tenho lembrança, mas não tenho dado real. Mas a argumentação, em tese, era de que o estado tinha condição de continuar fazendo a resposta dele. Em tese. Os detalhes eu não tenho exatamente aqui. O resumo da argumentação é que ele teria condições de continuar — disse Pazuello.

Pazuello se retratou ainda de uma declaração no primeiro dia de depoimento, quando disse que deixou o Ministério da Saúde porque estava com a "missão cumprida".

— A compreensão de missão é muito militar. Por isso talvez as pessoas não tenham compreendido quando eu disse com missão cumprida, da minha fatia da missão, daquele pedaço, não a missão completa e ampla de combater a pandemia no país e entregar o país pronto e limpo, isso é muito maior. O tempo que foi me dado da missão é uma parte diferente do todo — disse Pazuello.

O ex-ministro disse que aproveitou para fazer a ponderação porque a pergunta veio de Angelo Coronel (PSD-BA), que supostamente entenderia do assunto. O senador, no entanto, esclareceu que não é militar e que Coronel é apenas o seu sobrenome.

Pazuello também afirmou, durante as perguntas, que sofreu com a crise em Manaus, especialmente por ter familiares e amigos lá.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse que o governo brasileiro errou ao não agradecer a Venezuela por ter mandado oxigênio para o Amazonas.

— Gratidão precisa ter, precisa ser demonstrada — disse Girão.

Depois, em contraponto, perguntou se o governo venezuelano agradeceu o Brasil pela operação de acolhida de imigrantes venezuelanos, que foi coordenada por Pazuello antes de ele virar ministro da Saúde. Pazuello disse que não.

— Errou também. Deveria — disse Girão.

Aplicativo TrateCov

Ao ser confrontando sobre imagens em que aparece divulgando o aplicativo TrateCov, Pazuello admitiu que a plataforma foi apresentada, mas disse que não chegou a ser utilizada porque foi retirada do ar e descontinuada pela pasta.

Inicialmente, ele voltou a afirmar que o sistema do TrateCov foi "hackeado" e usado indevidamente antes da hora. Ele prometeu apresentar ao colegiado um boletim de ocorrência que foi feito após o episódio.

— Esse programa que o ex-ministro disse que foi hackeado, ele foi hackeado e colocado na TV Brasil. O hacker é tão bom que conseguiu colocar numa matéria extensa na TV Brasil — ironizou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre a divulgação que foi feita sobre a plataforma.

O ex-ministro também repetiu nesta quinta-feira que a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro teve a ideia da plataforma como "uma calculadora que facilitasse o diagnóstico" dos médicos em momento crítico de Manaus.

Vídeos de governadores

A sessão registrou um bate-boca entre senadores governistas e oposicionistas, ainda pela manhã, depois que o senador Marcos Rogério (DEM-RO), aliado do governo Bolsonaro, exibiu um vídeo na tentativa de atribuir a governadores a recomendação pelo uso de cloroquina.

Rogério exibiiu declarações dos governadores João Doria (PSDB-SP), Wellington Dias (PT-PI), Flávio Dino (PCdoB-MA), Renan Filho (MDB-AL) e Helder Barbalho (MDB-PA), além do secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, no começo da pandemia sobre a distribuição de cloroquina contra a Covid-19. Todos os vídeos são de abril de 2020, antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhar o uso de cloroquina.

No último domingo, O GLOBO mostrou que o governo Bolsonaro seguiu incentivando a distribuição do medicamento depois disso, e apesar de estados terem devolvido comprimidos enviados pelo Ministério da Saúde. São Paulo, Maranhão e Alagoas devolveram cerca de 1 milhão de comprimidos.

— Isso aí foi em março de 2020. Se eu tivesse Covid, também teria tomado cloroquina. A ciência evolui. De lá para cá, esses governadores, o especialista David Uip (do governo de São Paulo)... Pergunte para ele hoje agora (se recomenda cloroquina) — rebateu Aziz.

Rogério insistiu:

— Nesses estados, ainda há protocolo (de cloroquina). Não estou dizendo que há distribuição pelos governadores. Mas os médicos têm liberdade para prescrever.

Posteriormente, Pazuello afirmou que não determinou a compra de hidroxicloroquina em sua gestão, mas não se referiu à distribuição do medicamento que estava estocado pelo Ministério da Saúde.

— Eu não comprei nenhum comprimido de hidroxicloroquina — disse o ex-ministro.

Em meio ao bate-boca gerado pela exibição do vídeo, o senador Marcos Rogério reclamou ainda do foco da CPI:

— Até hoje só acusaram o presidente Bolsonaro —  alegou.

— Não é verdade, ninguém acusou o presidente Bolsonaro. Pelo contrário, o ministro Pazuello, tudo o que ele falou aqui ficou claro que não comprou vacina porque ele não quis — rebateu Aziz.

— Não é verdade — disse Rogério.

— Disse sim — insistiu Aziz.

Ainda durante a confusão, que levou o presidente da CPI a fazer um recesso de dez minutos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do irmão, o vereador Carlos Bolsonaro. Ele foi citado pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que destacou tê-lo visto em reuniões no Planalto.

— Parece que é o maior absurdo um filho falar com o pai. Chama o pastor Silas Malafaia aqui. Ele fala diariamente com o presidente e o influencia. Quero ver se vai ter coragem — disse Flávio.

Senador Flávio Bolsonaro participa da CPI da Covid, no Senado Foto: PABLO JACOB / Agência O Globo
Senador Flávio Bolsonaro participa da CPI da Covid, no Senado Foto: PABLO JACOB / Agência O Globo

Máscara e nova advertência

Ao iniciar sua tomada de depoimento, o senador Otto Alencar (PSD-BA) perguntou se Pazuello tinha feito algum curso sobre doenças infecto-contagiosas e coronavírus e, diante da resposta negativa do ex-ministro, relembrou que o militar havia dito na quarta-feira que queria perguntas mais profundas dos senadores.

— O senhor não sabe nem o que é a doença. Não deveria ser ministro — criticou Alencar, que citou ainda a recusa de Bolsonaro em usar máscaras.

Antes, logo no início da sessão, o senador Eduardo Braga havia questionado se o ex-ministro concorda com o uso de máscaras. Pazuello disse que sim e que foi divulgador na medida. Questionado em seguida sobre o episódio em que foi flagrado sem máscara em um shopping de Manaus, ele reconheceu o erro.

— Fui com máscara ao shopping. Quando cheguei, pisada, ela ficou inutilizada. Perguntei estou sem máscara, existe como comprar? Ela disse: no quiosque em frente. Oito metros até o quiosque, e eu fui fotografado. Daquele momento dali, eu fui passei a usar máscara — contou o ex-ministro.

Antes de iniciar esta resposta, Pazuello pediu que os senadores lembrem que ele é oficial general e que o seu compromisso de dizer a verdade vai além da CPI.

— Eu reitero minha posição de responder a todas as perguntas da forma mais clara, mais direta, e procurando passar toda a verdade. Gostaria de fazer uma observação sobre esse assunto, sobre verdade. Solicito que a versão das pessoas que estão perguntando, a pessoa pode não concordar com o que eu estou falando, e isso pode ser dito de várias formas, como 'olha, isso não está de acordo com o documento que eu tenho aqui'. Solicitaria de forma humilde que a gente lembrasse que o compromisso de dizer a verdade está muito além da CPI. Eu sou um oficial general — destacou.

Braga reclamou que Pazuello usou o tempo de resposta para fazer "um discurso e uma introdução".

— Uma coisa que não tem no Exército é enrolação, ou é ou não é — frisou o presidente da CPI, senador Omar Aziz, ao advertir Pazuello.

Pazuello voltou a ser questionado sobre a adoção de medidas sanitárias à tarde, pelo senador Alessandro Vieira, que perguntou ao ex-ministro se ele confirma declarações, dadas em uma "live" com o presidente Jair Bolsonaro em 14 de janeiro, de que a ciência não provou ainda a eficácia de máscara e isolamento.

— Se foi feita dessa forma e é uma live, tem que ser confirmado. Só temos que ter a construção da frase. As medidas de isolamento não são, como outras ações, cientificamente comprovadas. Elas podem funcionar para uns, e não funcionar para outros. Em relação ao uso de máscaras, tivemos um vaivém do uso de máscaras o ano todo, da própria OMS (Organização Mundial da Saúde) — respondeu Pazuello.

Na live de janeiro com Bolsonaro, o então ministro disse que o mais importante é ter a imunidade preservada, citando como fatores para isso alimentação, sono, trabalho, felicidade e "estar de bem com a vida". Já os fatores para a imunidade cair seriam estar deprimido, mal alimentado, com sono, estressado, sem preparo físico, sem caminhar, sem pegar sol, e não fazer esportes ou deixar de se divertir.

— O uso da máscara, o afastamento social, as medidas  de isolamento, as medidas restritivas ou não, isso tudo nós temos muita dificuldade de encontrar o que deu certo e o que deu errado. Depende de cada lugar. (...) Vamos conviver com esse vírus, vamos ter que desenvolver hábitos novos. Esses hábitos novos incluem nosso cuidado, as mediadas preventivas sempre, inclui um grau de afastamento social, para que a gente não tenha aglomerações desnecessárias. Isso sim é o que é conhecido. Os outros fatores teremos uma história pela frente para olhar para trás e avaliar como funciona — afirmou Pazuello na live em questão.

Relatório preliminar

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, deve elaborar um relatório preliminar após os primeiros 30 dias de funcionamento da CPI. O pedido foi feito e anunciado pelo presidente do colegiado, Omar Aziz, no início da tarde. Segundo Aziz, o intuito é fazer um "apanhado" de tudo o que ocorreu até o momento para que a população veja o que já foi apurado. De acordo com o presidente, "se (o parecer preliminar) for aprovado ou não, não tem problema".

Mais cedo, antes da retomada do depoimento de Pazuello, Renan disse que irá pedir ao presidente da comissão, Omar Aziz, para encaminhar uma relação de todas as supostas mentiras contadas por Pazuello em seu depoimento na quarta-feira ao Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal. A ideia é que os procuradores da República avaliem se Pazuello violou o dever de falar apenas a verdade e praticou falso testemunho.

— Vou propor ao presidente, senador Omar Aziz, que ele faça o mesmo que fez com Fabio Wajngarten e que pegue as comprovações de mentiras e mande pro MPF do DF — disse Renan Calheiros se referindo ao depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten.

Na chegada à comissão nesta quinta-feira, Renan disse que nenhum depoente da CPI da Covid mentiu tanto quanto Pazuello.

— Foram tantas mentiras... Muita gente já mentiu, mas ninguém mais que o Pazuello — afirmou o relator.

Renan Calheiros disse que, na sua avaliação, Pazuello mentiu para proteger o presidente Jair Bolsonaro. Ele classificou essa estratégia como uma “burrice inominável”.

Na tentativa de preservar o presidente Jair Bolsonaro sobre as ações e possíveis omissões do governo federal no combate à Covid-19, o ex-ministro apresentou uma versão diferente sobre as negociações com a farmacêutica americana Pfizer, que afirmou ter sido ignorada diversas vezes.

'Capitã cloroquina' fala na próxima semana

Ao abrir a sessão da CPI, por volta das 9h45, Omar Aziz informou que o depoimento com a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como "Capitã cloroquina", que seria realizado nesta quinta, foi adiado para a próxima terça-feira. No dia seguinte, os senadores vão apreciar requerimentos de informação e convocação, além de definir as próximas testemunhas a serem ouvidas.

Pazuello passou mal na quarta-feira, quando a sessão estava suspensa por conta do início da ordem do dia no plenário do Senado, e o presidente da CPI, Omar Aziz, remarcou para esta quinta o restante do depoimento e das perguntas de 23 senadores inscritos

Antes da retomada do depoimento de Pazuello, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) reclamou que houve vazamento de documentos sigilosos da CPI, já tendo sido inclusive identificada uma assessora parlamentar responsável por isso. Ele também solicitou que Aziz acione a Polícia Federal (PF) para apurar o caso.

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Eduardo Bolsonaro contraria o próprio pai e admite que "não tem como comprovar que houve fraude" na eleição

O presidente, que teme derrota em 2022 e tenta tumultuar o pleito ao defender o voto impresso, já chegou a afirmar que possui provas sobre suposta fraude na eleição pela qual ele mesmo se elegeu, mas nunca as apresentou

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) contrariou seu próprio pai, o presidente Jair Bolsonaro, e afirmou durante sessão da comissão que discute a proposta do voto impresso, na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (17), que não há como provar que houve fraude na eleição de 2018.

Por mais de uma vez, Bolsonaro afirmou que o pleito pelo qual se elegeu teria sido fraudado e que ele, na realidade, teria vencido já no primeiro turno, declarando ainda ter provas sobre a suposta fraude. “Eu acredito que, pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu tinha sido, eu fui eleito no primeiro turno, mas no meu entender houve fraude. E nós temos não apenas palavra, nós temos comprovado, brevemente eu quero mostrar”, disse, por exemplo, em março de 2020. Essas provas, no entanto, até agora não foram mostradas.

Na sessão da Câmara, o discurso de Eduardo Bolsonaro, apesar de também ser no sentido de defender o voto impresso, foi no caminho contrário ao de seu pai. “O que a gente fica infeliz, insatisfeito, é porque que… como que até hoje a gente não tem uma maneira de auditar as nossas urnas? Porque da mesma maneira que nós não temos como comprovar que houve fraude, o outro lado também não tem como comprovar que não houve fraude. E é isso que a gente quer colocar um ponto final aqui”, declarou o parlamentar.

A urna eletrônica no Brasil, no entanto, diferente do que diz Bolsonaro e seu filho, é considerada extremamente segura e o processo eleitoral já é auditado com inúmeras ferramentas, como o registro digital do voto, log da urna eletrônica, auditorias pré e pós-eleição, auditoria dos códigos-fonte, lacração dos sistemas, tabela de correspondência, lacre físico das urnas, identificação biométrica do eleitor, auditoria da votação e oficialização dos sistemas.

Medo de perder

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro, deputados governistas e bolsonaristas como um todo retomaram com força a pauta do voto impresso. O titular do Planalto, que já aventou a possibilidade de fraude na eleição pela qual ele mesmo se elegeu, voltou a falar mais do assunto principalmente depois que o ex-presidente Lula retomou seus direitos políticos e passou a aparecer na liderança em pesquisas de intenção de voto para a presidência em 2022.

Temendo uma derrota, Bolsonaro insiste em querer voltar no tempo e instituir o voto impresso no país. Especula-se que o presidente, caso perca a eleição, tente tumultuar a posse de seu possível sucessor, assim como fez Donald Trump nos Estados Unidos, usando o argumento de que o pleito foi fraudado e que os votos deveriam ter sido “auditados”.

Na última quinta-feira (13), lado do senador Fernando Collor (Pros-AL) em Alagoas, Bolsonaro voltou a defender o voto impresso, afirmando que a deputada Bia Kicis (PSL-DF) é a “mãe” da proposta e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também estava no ato, é o “pai”. Logo na sequência, fez o apelo “divino” para que consiga se manter no cargo até a próxima eleição – mostrando todo o seu temor de um revés eleitoral.

“Ninguém ousará mudar a cor da nossa bandeira, nem tolher a nossa liberdade (…) Só peço a Deus que nos dê força, sabedoria e coragem para enfrentar os desafios e concluir o nosso mandato, de modo que possamos dizer lá na frente que fizemos o melhor”, disparou.

PSDB rebate Bolsonaro sobre fraude

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, no início do mês, que seu partido reconhece o resultado eleitoral que deu vitória à Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial de 2014.

A fala se trata de uma resposta a Jair Bolsonaro, que recentemente, a interlocutores, afirmou ter “provas” de que Aécio Neves (PSDB) teria vencido a petista no pleito.

“Reconhecemos todos os resultados eleitorais e a segurança das urnas eletrônicas”, declarou o tucano.

Após a eleição de 2014, o PSDB chegou a pedir auditoria das urnas, que confirmou a vitória de Dilma. A legenda, agora, procura contrapor as teses de fraude encampadas por Bolsonaro.

“Ela [a auditoria] foi feita. E o resultado foi reconhecido. Não há a menor contestação. Participamos da sessão do Congresso Nacional que deu posse a ela sem qualquer protesto”, completou Araújo.

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CPI corrige erros e acerta tom político e técnico no 2º dia com Pazuello

Kennedy Alencar

Colunista do UOL

20/05/2021 13h18

No segundo dia do depoimento de Eduardo Pazuello, a CPI da Pandemia corrigiu os erros da véspera e acertou no tom técnico e político da inquirição ao ex-ministro da Saúde.

Foi boa a estratégia dos senadores responsáveis da CPI de intercalar intervenções mais políticas, como a aula de ciência dada a Pazuello pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), e outras mais técnicas, como as de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Eduardo Braga (MDB-AM) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que pegaram detalhes factuais para responsabilizar Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro.

Até as 13h50, o depoimento de hoje se mostrava mais eficiente para produzir provas das ações e omissões de Pazuello e Bolsonaro. Ontem, quarta-feira, Pazuello conseguiu, com respostas prolixas, tornar menos produtivo o trabalho da CPI e do relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que deveria ter se preparado melhor para a inquirição. Pazuello também se beneficiou da obtenção de um habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal, que impediu a possibilidade de prisão e lhe garantiu o direito constitucional de não se incriminar.

Primeiro a falar nesta quinta-feira, o senador Eduardo Braga indagou Pazuello sobre a decisão de não acatar um pedido de intervenção federal no Amazonas no auge da crise de saúde. Pazuello jogou a decisão para uma reunião de ministros, que teriam ficado satisfeitos com as explicações do governador do Amazonas, Wilson Miranda Lima (PSC).

Na sua vez, Randolfe Rodrigues perguntou se Bolsonaro estava na reunião. Pazuello confirmou a presença do presidente e disse que não intervir foi uma decisão de governo. Ou seja, ato do presidente em última instância com coautoria de ministros de Estado.

Foi um bom gol técnico. Mas Otto Alencar fez um gol político mais belo.

O senador do PSD da Bahia tem feito intervenções esclarecedoras na CPI da Pandemia. Rebate os argumentos dos negacionistas com uma fala científica calma e firme, reforçada por sua condição de médico. Otto Alencar fez perguntas básicas sobre a covid-19 que um ex-ministro da Saúde, ainda que leigo, teria condição de responder depois de comandar a pasta durante 11 meses em plena pandemia. Mas Pazuello se enrolou.

"O sr. não conhece nada sobre a doença. Não serve para ser ministro da Saúde. O senhor sabe ao menos a que grupo o vírus pertence? Não. (...) Eu, no seu lugar, não aceitaria o cargo de ministro da Saúde", declarou Otto Alencar.

Nesse ponto, foi exibido ao público o despreparo de Pazuello para ministro da Saúde. Bolsonaro se revelou irresponsavelmente criminoso ao deixar a pasta aos cuidados de alguém que não aprendeu nada sobre a doença quando ministro. Um gestor medíocre teria feito a lição de casa.

O senador do PSD fez a dele. Mostrou à opinião pública nas mãos de quem Bolsonaro deixou o país na crise sanitária global mais grave em um século. Mais gente morreu, adoeceu e ficou com sequelas por causa das ações e omissões de Bolsonaro e Pazuello, como notaria Rogério Carvalho (PT-SE).

Carvalho apontou claramente a responsabilidade de Pazuello por não orientar corretamente Bolsonaro e ser sócio do negacionismo que fez o presidente desprezar a vacina, desinformar sobre a máscara, receitar cloroquina e sabotar o trabalho de prefeitos e governadores. Carvalho tem feito boas intervenções técnicas e políticas.

O senador por Sergipe pediu que o depoimento fosse encaminhado ao Ministério Público para analisar se Pazuello cometera crime de falso testemunho previsto no artigo 342 do Código Penal, a exemplo de medida tomada em relação ao ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten.

Pouca inteligência

Da parte de senadores governistas, houve a repetição de cenas constrangedoras pelo negacionismo e pela pouca inteligência política.

Quando o senador Marcos Rogério (DEM-RO) achou mais uma vez que havia descoberto a pólvora, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) fez uma intervenção que mostrou a tentativa de manipular fatos.

Ao exibir um vídeo de abril do ano passado, Marcos Rogério (DEM-RO) tentou jogar para governadores a responsabilidade pela recomendação de cloroquina à população. No início da pandemia, governadores sugeriram uso por ordem médica e em ambiente hospitalar, como lembrou a senadora maranhense. Bolsonaro ofereceu cloroquina a emas e receitou para a população, fatos notórios e repetidos ao longo da pandemia até hoje.

A exemplo do que fez no depoimento do ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo, Marcos Rogério conseguiu produzir prova da irresponsabilidade de Bolsonaro. Fez isso na CPI com o vídeo dos governadores sobre cloroquina, uma peça do começo da pandemia.

As mancadas do senador não foram perdoadas nem pelo seu partido. A direção do DEM divulgou nota: "As posições do senador Marcos Rogério na CPI refletem seu pensamento como parlamentar, e não como partido. Desde o início da pandemia, o compromisso do Democratas com a ciência e a preservação da vida se faz evidente em nossas gestões pelo Brasil".

A bancada do Podemos também tem sido uma forte aliada do obscurantismo. Os senadores Eduardo Girão (CE) e Marcos do Val (ES) voltaram a fazer intervenções negacionistas, promovendo irresponsavelmente o uso da cloroquina, o que coloca em risco a vida da população. De modo geral, a bancada governista na CPI presta um desserviço à saúde pública com o Brasil rumando celeremente para 500 mil mortes.

Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi pelo segundo dia consecutivo à CPI. Tentou responder por Pazuello e foi advertido por Alessandro Vieira de que o depoente não poderia ter intérprete nem falar o que quisesse, mas responder às questões. A sessão foi interrompida.

Pouco antes das 13h, Pazuello fez um desabafo. Numa queixa de que seria acusado de não se importar com a população do Amazonas, Pazuello disse que se preocupa com Manaus, onde vive a sua família. O desabafo confirmou que incompetência e submissão a Bolsonaro foram as razões para Pazuello ter fracassado na missão que disse ontem ter sido "cumprida".

Se mentisse menos, talvez o ex-ministro tivesse tido um melhor tratamento na CPI. Mas, como notou a jornalista Eliane Cantanhêde no Twitter logo no início do depoimento, Pazuello "já começou com uma mentira" ao dizer: "Eu sou um oficial general e não minto". Mentiu muito, como dissera ontem Eliziane Gama.

Comparando a gestão de Pazuello aos nazistas que diziam apenas obedecer ordens para justificar suas ações, Alessandro Vieira afirmou que Pazuello falhou devido ao "conjunto da obra" e por servir cegamente a Bolsonaro. O líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) pediu a Vieira que retirasse a comparação, mas ele a manteve. O paralelo é pertinente.

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Bolsonaro expõe e tritura generais com cargos, afagos e humilhações

Tales Faria

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

20/05/2021 10h48

Ninguém na história do Brasil foi tão danoso para a imagem dos militares como o presidente Jair Bolsonaro. O vexame pelo qual o general da ativa Eduardo Pazuello está passando na CPI da Covid não é a única mazela a que o presidente Jair Bolsonaro submeteu seus antigos colegas da caserna.

Aliás, não é a única humilhação pública que o capitão impôs ao general. Tem aquela cena histórica em que mandou desfazer o protocolo de intenções que Pazuello disse ter assinado para compra da Coronavac.

"Mandei cancelar, o presidente sou eu, não abro mão de minha autoridade", disse Bolsonaro.

O subordinado ministro acatou publicamente: "Um manda e outro obedece". Para depois humilhar-se novamente, a fim de proteger o chefe, dizendo na CPI que não recebeu ordem alguma. E seguiu seu calvário na comissão até quase desmaiar numa possível crise vasovagal.

O capitão já demitiu praticamente todo o comando militar: o então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, Almirante Ilques Barboza, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez. Sem maiores explicações.

A Fernando Azevedo e Silva, já tinha imposto, em julho do ano passado, um vergonhoso passeio de helicóptero por cima de uma manifestação bolsonarista contra a democracia.

Antes, em março, também impôs ao almirante e médico Antônio Barra Torres, a participação, sem usar máscara, em outra manifestação de bolsonaristas. Em depoimento à CPI da Covid, O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) agora diz que se arrepende do ato.

Quer mais?

Seguindo seu protocolo de desrespeito e humilhação, Bolsonaro também demitiu sem maiores explicações seu antigo porta-voz, o general Otávio do Rego Barros. E ainda, na mesma toada, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, em meio a fofocas da ala radical do bolsonarismo no governo — comandada por seus filhos.

É a maior diversão do capitão. Demonstrar publicamente sua autoridade sobre os generais. E a submissão dos antigos companheiros de caserna, alguns até de sua geração e que assistiram sua saída para o corpo de reserva do Exército em meio a críticas do comando de que era um "mau militar", como disse Ernesto Geisel.

E tem até o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, com quem Bolsonaro se recusa até a se reunir. O próprio Mourão já admitiu que o presidente não o quer como vice na chapa de 2022.

Mas os generais têm se submetido. Afinal, Bolsonaro distribuiu milhares de cargos comissionados aos militares, o que significa um acréscimo razoável ao soldo de cada um dos premiados. Afagos polpudos que servem como bálsamos contra humilhações.

E assim, entre tapas e beijos, segue o pior momento dos militares após o golpe de 1964.

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Maranhão confirma primeiros casos de covid-19 por cepa indiana no país

Rafael Souza

Colaboração para o UOL, em São Luís

20/05/2021 10h44

Atualizada em 20/05/2021 14h07

A Secretaria de Saúde do Maranhão confirmou hoje os primeiros casos oficiais da cepa indiana (B.1.617.2) do novo coronavírus no Brasil. Os contaminados foram seis tripulantes do navio Shandong da Zhi, que veio da África do Sul e foi fretado pela Vale para entregar minério de ferro em São Luís.

A confirmação veio em entrevista coletiva concedida pelo secretário de saúde Carlos Lula, que também é presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). Segundo ele, seis dos 24 tripulantes fizeram o teste genômico pelo Instituto Evandro Chagas e todos testaram positivo.

De olho em cepa indiana, SP estuda circulação de variantes de coronavírus

Um dos tripulantes segue internado em um hospital particular de São Luís. O quadro de saúde dele é estável, segundo o último boletim médico. De acordo com a SES, dentro do navio continuam 14 tripulantes com covid-19: Dois com sintomas leves e 12 assintomáticos. Outros nove não foram diagnosticados com a doença.

É uma variante classificada como variante de atenção. Eu tive contato com o secretário de Segurança Sanitária do Ministério da Saúde e o ministro Marcelo Queiroga, logo pela manhã. O Ministério está enviando uma equipe e a gente tem atuado em conjunto com a Anvisa. Eu queria afirmar que todas as medidas estão sendo tomadas, a tripulação está toda isolada e o navio não tem permissão para atracar.Carlos Lula

O secretário informou ainda que cerca de cem pessoas tiveram contato com os tripulantes que testaram positivo. Elas devem ser testadas, acompanhadas e, se necessário, serão isoladas.

O navio Shandong da Zhi segue ancorado na costa de São Luís e todos os tripulantes estão isolados e acompanhados por profissionais de saúde, segundo a secretaria.

Homem foi internado no último sábado

A preocupação com a cepa indiana no país começou quando a Secretaria de Saúde informou, no último sábado (15), que um homem de nacionalidade indiana, de 54 anos, havia sido internado em um hospital de São Luís com sintomas do novo coronavírus.

O homem começou a sentir os sintomas da doença em 4 de maio e teve febre, segundo a SES. Logo depois, ele foi encaminhado em um helicóptero para um hospital da rede privada.

Na segunda (17), outros dois tripulantes do navio apresentaram sintomas da doença e foram encaminhados para o mesmo hospital, mas já tiveram alta e retornaram à embarcação, que segue em alto mar, em uma área de fundeio, e sem permissão para atracar em São Luís.

20.mai.2021 - Coletiva de imprensa da Secretaria de Saúde do Maranhão  - Divulgação/Secretaria de Estado da Saúde - Divulgação/Secretaria de Estado da Saúde
Secretaria de Saúde do Maranhão em coletiva de imprensa hoje Imagem: Divulgação/Secretaria de Estado da Saúde

Variante preocupa

Segundo o Instituto Evandro Chagas, a linhagem B.1.617 foi reclassificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como sendo uma "variante de preocupação". Dessa linhagem provém outras três sub-linhagens: B.1.617.1, B.1.617.2 e B.1.617.3.

É a sub-linhagem B.1.617.2 que foi identificada nos tripulantes do navio e preocupa as autoridades de saúde, porque é a variante que tem se dispersado com mais eficácia atualmente. Um relatório da OMS informou que essa variante está já está presente em 44 países além, agora, do Brasil. No Reino Unido, houve aumento de casos de covid-19 por essa variante, inclusive com transmissão comunitária em escolas secundárias, lares de idosos e reuniões religiosas.

Em entrevista de imprensa na semana passada, a líder técnica da resposta à pandemia de covid-19 da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que dados preliminares indicam que a variante originada na Índia tem capacidade de transmissão maior do que a cepa original do vírus.

Hoje, a OMS afirmou que as vacinas atualmente disponíveis e aprovadas são, até o momento, eficazes contra "todas as variantes do coronavírus".

Com quase 4 mil mortes por dia na Índia, corpos flutuam no rio Ganges

Pessoas colocam o corpo de um homem que morreu de covid-19 em uma pira, antes de sua cremação - Danish Siddiqui/Reuters

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Por que a variante do coronavírus descoberta na Índia preocupa o Brasil e o mundo?

Variante encontrada na Índia pode levar a um recrudescimento da pandemia em vários lugares do mundo, apontam projeções - Getty Images
Variante encontrada na Índia pode levar a um recrudescimento da pandemia em vários lugares do mundo, apontam projeções Imagem: Getty Images

André Biernath

Da BBC News Brasil, em São Paulo

18/05/2021 07h23

Atualizada em 20/05/2021 13h47

O governo do estado do Maranhão confirmou, nesta quinta-feira (20/05), os primeiros casos de covid-19 provocados pela variante B.1.617, detectada originalmente na Índia.

A informação foi confirmada por Carlos Lula, secretário de Saúde do estado, numa entrevista coletiva pela manhã.

Atestado falso para 'fura-fila' de vacina para covid pode gerar cassação de médico

O caso vem sendo acompanhado desde o último sábado (15/05), quando um paciente indiano deu entrada num hospital particular na capital São Luís com sintomas sugestivos da covid-19.

O indivíduo era tripulante do navio MV Shandong da Zhi, que chegou ao litoral maranhense e está em quarentena desde então.

Segundo Lula, que também é presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários da Saúde), amostras de seis dos 24 tripulantes passaram por análises genômicas.

O resultado mostrou que todos os seis estavam infectados com a linhagem B.1.617.

De acordo com as últimas informações, o primeiro paciente continua internado, com quadro estável.

Há outras 14 pessoas com covid-19 dentro do navio: 12 assintomáticos e dois com sintomas leves.

Os outros nove passageiros parecem não estar com a doença.

Lula também destacou que outras 100 pessoas tiveram contato com esses indivíduos. Elas vão ser observadas e acompanhadas de perto pelos próximos dias.

"O Ministério [da Saúde] está enviando uma equipe e a gente tem atuado em conjunto com a Anvisa. Eu queria afirmar que todas as medidas estão sendo tomadas, a tripulação está toda isolada e o navio não tem permissão para atracar", disse Lula.

Por que a variante descoberta na Índia preocupa o Brasil e o mundo?

A descoberta da variante B.1.617 não é exatamente uma novidade: os primeiros relatos dessa nova versão do coronavírus foram publicados ainda em outubro de 2020.

Mais recentemente, porém, o interesse e a preocupação relacionados a essa linhagem aumentaram consideravelmente.

Nas últimas semanas, a cepa também foi detectada em outros 44 países de todos os seis continentes.

Desde o final de abril, a Índia vive seus piores momentos desde que a pandemia começou, com recordes nos números de infectados e óbitos pela covid-19 - embora a variante não seja o único fator que explica esse agravamento da crise sanitária por lá.

No Reino Unido, a subida vertiginosa de pacientes infectados com a B.1.617 ameaça a reabertura: já existem dúvidas se as atividades sociais e econômicas serão 100% retomadas até junho, como planejado.

O que a ciência já sabe

Essa variante possui três versões, com pequenas diferenças: a B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3.

Todas elas foram descobertas na Índia, entre outubro e dezembro de 2020.

Nas últimas semanas, Índia vive seu pior momento desde que a pandemia começou - Getty Images - Getty Images
Nas últimas semanas, Índia vive seu pior momento desde que a pandemia começou Imagem: Getty Images

A análise genética revelou que o trio apresenta mutações importantes nos genes que codificam a espícula, a proteína que fica na superfície do vírus e é responsável por se conectar aos receptores das células humanas e dar início à infecção.

Entre as alterações, três delas chamam mais a atenção dos especialistas: a L452R, a E484Q e a P681R.

Vale reparar que a mutação L452R já havia sido observada em duas variantes detectadas em Nova York e na Califórnia, nos Estados Unidos.

A E484Q tem algumas similaridades com a E484K, que foi uma alteração encontrada em outras três linhagens que ganharam bastante destaque nos últimos meses: a B.1.1.7 (Reino Unido), a B.1.351 (África do Sul) e a P.1 (Brasil).

Já a mutação P681R parece ser exclusiva das versões flagradas na Índia e não se sabe muito bem o que ela pode significar na prática.

"Essas mutações virais estão surgindo em cidades em que há o relaxamento das medidas de proteção e onde se acreditava que a população já estava imunizada, seja pela infecção natural ou pela vacinação", diz o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

Em linhas gerais, tudo indica que esses "aprimoramentos" genéticos melhoram a capacidade de transmissão do vírus e permitem que ele consiga invadir nosso organismo com mais facilidade.

Antes, com as versões anteriores, era necessário ter contato com uma quantidade considerável de vírus para ficar doente.

Agora, com as novas variantes, essa carga viral necessária para desenvolver a covid-19 é um pouco mais baixa, o que certamente representa um perigo.

"É como se o vírus criasse caminhos para escapar do sistema imune e desenvolvesse maneiras de transmissão mais eficazes", completa Spilki, que também coordena a Rede Corona-Ômica, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

O que a ciência ainda não sabe

Por enquanto, ainda há muitas perguntas sem respostas sobre a B.1.617 e seu impacto no controle da pandemia.

Até o momento, os cientistas não conseguiram estabelecer a sua real velocidade de transmissão e o quanto as mudanças genéticas contidas nessa linhagem interferem na eficácia das vacinas já disponíveis.

Também não se sabe ao certo se a variante está relacionada a quadros de covid-19 mais graves, que exigem internação e intubação.

Com base nas poucas informações disponíveis, o Indie-Sage (Grupo Independente de Aconselhamento Científico para Emergências), do Reino Unido, montou projeções para entender como a cepa pode influenciar a pandemia por lá.

Se a B.1.617 for de 30% a 40% mais transmissível que a B.1.1.7 (que é a variante dominante até o momento no Reino Unido), é possível que a região volte a viver uma situação tão grave quanto a que ocorreu nas ondas anteriores, com aumento considerável no número de hospitalizações.

Variante B.1.617 pode colocar em xeque os avanços no enfrentamento da pandemia conquistados em países como o Reino Unido, indicam especialistas - Getty Images - Getty Images
Variante B.1.617 pode colocar em xeque os avanços no enfrentamento da pandemia conquistados em países como o Reino Unido, indicam especialistas Imagem: Getty Images

Se ficar provado que essa variante consegue "escapar" da proteção da vacina, é provável que a situação seja ainda pior, estimam os especialistas.

Vale lembrar que o Reino Unido é um dos países com o melhor sistema de vigilância genômica do mundo: todas as semanas, eles fazem o sequenciamento genético de dezenas de milhares de amostras.

E os resultados recentes indicam um aumento considerável na presença da B.1.617 em terras britânicas: em uma semana, o número de casos provocados por essa nova variante quase triplicou.

Em 12 de maio, 1.331 amostras analisadas apresentaram a linhagem descoberta originalmente na Índia. Na semana anterior, eram 520.

Nos últimos 30 dias, a participação relativa dela no total de casos que foram sequenciados geneticamente subiu de 1% para 9%.

Em algumas regiões inglesas, como Bolton, Blackburn, Bedford e Sefton, a B.1.617 já representa a maioria dos casos analisados e já se tornou dominante.

Para conter o problema, o Indie-Sage montou um plano emergencial, que envolve seis ações prioritárias, como a aceleração da vacinação no Reino Unido e no mundo, o controle de fronteiras, o aperfeiçoamento dos sistemas de diagnóstico locais e a continuidade da vigilância epidêmica e genômica.

E na Índia?

Enquanto o país asiático bate recorde atrás de recorde no número de casos e de mortes, muito se questiona sobre o papel da B.1.617 nesse cenário.

Não há dúvidas de que a variante tem influência no contexto indiano, mas as autoridades em saúde pública sabem que ela não é a única culpada por todo o caos.

Uma análise da OMS (Organização Mundial da Saúde) publicada no dia 9 de maio admite que a guinada e a aceleração da transmissão da covid-19 na Índia tem uma série de fatores, "incluindo a proporção de casos provocados por variantes com maior transmissibilidade".

Mas o relatório da entidade não ignora também outros ingredientes fundamentais para entender essa crise sanitária, "como aglomerações relacionadas a eventos religiosos e políticos e a redução da aderência às medidas preventivas de saúde pública e sociais", como o uso de máscaras e o distanciamento físico.

Na Índia, os crematórios têm recorrido a piras funerárias em massa à medida que o número de corpos de vítimas de covid continua aumentando - Reuters - Reuters
Na Índia, os crematórios têm recorrido a piras funerárias em massa à medida que o número de corpos de vítimas de covid continua aumentando Imagem: Reuters

Por outro lado, outras instituições, como o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos, ainda aguardam mais dados para fechar uma classificação.

Na visão desses órgãos, a B.1.617 segue como uma "variante de interesse", que precisa ser melhor estudada e acompanhada.

E o Brasil no meio disso tudo?

Mesmo antes da confirmação dos primeiros casos oficiais, alguns indícios já aumentavam a preocupação sobre a entrada da linhagem no país.

Primeiro, no dia 10 de maio, a Argentina anunciou a descoberta de dois casos de covid-19 causados pela B.1.617.

O vírus foi flagrado por lá em dois menores de idade, que voltavam de uma viagem a Paris, na França.

Como a Argentina faz fronteira com o Brasil e há um constante fluxo entre os dois países, o risco de a nova versão do vírus "pular" para cá aumenta consideravelmente.

A segunda notícia que deixou os especialistas apreensivos foi justamente a chegada do navio MV Shandong da ZHI em São Luís, capital do Maranhão, no último sábado (15/05).

Um passageiro indiano que estava na embarcação foi diagnosticado com covid-19 e permanece em observação num hospital privado da capital maranhense.

Independentemente desses dois fatos, que certamente ligam o sinal de alerta, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que nosso país não possui um sistema com capacidade de barrar a entrada de novas variantes.

"Precisamos de uma vigilância nas fronteiras, que consiga testar as pessoas que passam pelos portos e aeroportos", aponta o virologista Flávio da Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Há cerca de 15 dias, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sugeriu que o governo federal tomasse medidas mais contundentes, como a proibição da chegada de voos vindos da Índia.

Mas uma atitude sobre o tema só foi tomada dez dias depois: uma portaria que proíbe temporariamente a entrada de passageiros vindos não só da Índia, mas também de África do Sul, Reino Unido e Irlanda do Norte, foi publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (14/05).

Desde 14 de maio, Brasil restringiu a chegada de voos vindo da Índia e de outros três países - Getty Images - Getty Images
Desde 14 de maio, Brasil restringiu a chegada de voos vindo da Índia e de outros três países Imagem: Getty Images

Fonseca, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, entende que a introdução da variante no país é alarmante.

"Quando a segunda onda da covid-19 começa a dar sinais ainda tímidos de diminuição, me preocupa a possibilidade de uma nova linhagem chegar e piorar as coisas novamente", avalia.

Para evitar que isso aconteça, o país deveria não apenas cuidar melhor de suas fronteiras, mas também lançar mão de um sistema de vigilância genômica amplo e ágil.

Assim, os indivíduos infectados que entrassem por meio de navios e aviões poderiam ser identificados e isolados antes de transmitirem as novas versões do vírus dentro de nossas fronteiras, criando cadeias de transmissão internas.

"O clamor é o mesmo desde o início da pandemia: necessitamos de uma coordenação central e de medidas que possam servir de barreira às variantes, como os testes, a quarentena e a diminuição ou o corte de voos de países que estejam com a pandemia descontrolada", reforça Spilki.

Competição feroz

Com a confirmação dos primeiros casos provocados pela B.1.617 no Brasil, uma coisa que ninguém sabe é como ela vai se comportar e competir com as outras variantes que dominam a situação de momento, especialmente a P.1.

"A variante detectada na Índia pode chegar ao Brasil e não encontrar espaço para se desenvolver, pois aqui já temos uma linhagem mais adaptada e agressiva", especula Fonseca.

Foi isso, aliás, que parece ter acontecido com outras variantes de preocupação, como a B.1.1.7 (Reino Unido) e a B.1.351 (África do Sul): elas até foram detectadas por aqui, mas a participação delas na pandemia é pequena e não evoluiu, ao contrário do que ocorreu em outras nações.

Detectada pela primeira vez em Manaus, a P.1 se alastrou para o país inteiro e, em questão de semanas, se tornou a linhagem mais frequente das cadeias de transmissão.

"Eu diria que, no momento, a variante encontrada no Amazonas me preocupa muito mais, pois ela é tão ou ainda mais transmissível que a linhagem da Índia", avalia o virologista José Eduardo Levi, da rede de laboratórios de diagnóstico Dasa.

"Também fico apreensivo com os 'filhotes' da P.1, que são as variantes que surgiram ou podem surgir a partir dela", acrescenta o especialista, que também é pesquisador do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo.

Em meio a tantas incertezas e projeções, uma coisa é certa: do ponto de vista individual, as medidas de prevenção contra o coronavírus continuam as mesmas, não importa qual a variante de maior circulação.

Distanciamento físico, uso de máscaras, lavagem das mãos e cuidados com a circulação do ar pelos ambientes continuam imprescindíveis.

Também é essencial tomar a vacina quando chegar a sua vez.

"As novas variantes do coronavírus podem até se disseminar mais rápido e enganar uma resposta imune prévia, mas todas as estratégias não farmacológicas de proteção seguem válidas", reforça Fonseca.

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'Foi um fracasso', diz infectologista sobre vacinação no 1º semestre

Do UOL, em São Paulo

20/05/2021 09h20

Atualizada em 20/05/2021 10h04

O infectologista Renato Kfouri afirmou hoje que a vacinação no 1º trimestre "foi um fracasso" no Brasil. Ele diz que governantes não se programaram nem se comprometeram com compras de vacinas ao curto prazo e que espera uma melhora nos níveis de vacinação para o 2º trimestre. A declaração foi dada ao UOL News.

Em maio, o Brasil viu o ritmo da imunização desacelerar ainda mais com o "apagão das doses", resultado de atrasos envolvendo a chegada de insumos para produção de vacinas. Os dados foram levantados pelo UOL.

Diabetes, câncer e mais: Brasil vive apagão de dados sobre doenças crônicas

"Infelizmente, a gente vem recebendo doses de vacinas e insumos para produção a conta-gotas. Chega uma pequena quantidade, produzimos a pequena quantidade, distribuímos. Não tem constância no fornecimento dos insumos e das vacinas para que possamos chegar ao objetivo de vacinar toda a população de risco no 1º trimestre", disse Kfouri.

A vacinação manca, vai devagar, sofre interrupções e, nesse momento de grande circulação do vírus, a gente não consegue só com o distanciamento social e medidas restritivas baixar a taxa de casos."Renato Kfouri, infectologista

Até 18 de maio, em média, o país vacinou cerca de 681 mil pessoas por dia contra o novo coronavírus no mês. O número representa uma queda de 17% em relação a abril. No quarto mês do ano, a média foi de cerca de 822 mil pessoas recebendo a primeira ou a segunda dose por dia. O Brasil tem capacidade para vacinar cerca de 2,4 milhões de pessoas por dia, mas faltam imunizantes.

Ao UOL News, o infectologista também disse que o Brasil poderia estar numa situação melhor. "Nós planejamos nosso médio e longo prazo com acordos de transferência de tecnologia, produção 100% nacional com capacidade de sermos exportadores, mas para o futuro, no segundo semestre. No médio e curto prazo, não programamos, não nos comprometemos com nenhuma compra, aguardamos estudos, demoramos para aceitar as condições da Pfizer, demoramos a fechar contrato com a Sinovac [laboratório que produz a CoronaVac]".
Kfouri disse esperar que o Brasil receba as 100 milhões de doses da Pfizer acordadas para o segundo semestre, além de uma maior produção nacional da CoronaVac e da vacina de Oxford/AstraZeneca. "Mas no primeiro semestre foi um fracasso em termos de distribuição de doses da vacina, levando em conta a nossa população".
Vacinar nem 20% da população não melhora nossa questão de prevenção de formas graves da doença e a circulação do vírus."
Renato Kfouri, infectologista

Brasil ignorou propostas da Pfizer

Caso o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tivesse fechado acordo de compra de vacinas da empresa Pfizer ainda no ano passado, hoje, o Brasil teria quase 40% da população imunizada com pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19 —o que corresponderia a mais de 8 milhões de pessoas. A estimativa foi calculada pelo instituto Infrotracker, da Universidade de São Paulo, junto ao UOL.

Em depoimento à CPI da Covid, na semana passada, o CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, revelou que o laboratório teve três cartas com ofertas de vacinas ignoradas pela gestão Bolsonaro em agosto do ano passado. Depois, a empresa ainda procurou o governo brasileiro em setembro, em novembro e em fevereiro deste ano.

As doses foram negociadas por dezenas de países ainda em 2020, mas o governo brasileiro aceitou a oferta da Pfizer só em março de 2021.

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Diabetes, câncer e mais: Brasil vive apagão de dados sobre doenças crônicas

Diabetes é uma das doenças crônicas monitoradas pelo estudo da Vigitel - iStock
Diabetes é uma das doenças crônicas monitoradas pelo estudo da Vigitel Imagem: iStock

Luísa Souza

Do Joio e o Trigo*

20/05/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Além de não ter Censo em 2021, país não contará com estudo da Vigitel, importante raio-x da saúde da população
  • Situação é "tragédia", definem pesquisadores
  • Levantamento era feito anualmente desde 2006

O Brasil não ficará "só" sem o Censo neste ano. Também a pesquisa anual sobre doenças crônicas aumenta o apagão de dados no país.

O levantamento da Vigitel (Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) é conduzido pelo Ministério da Saúde desde 2006 e era feito —até agora— todos os anos.

Doenças consideradas de risco para covid-19 cresceram nos últimos 13 anos

A pesquisa integra o sistema de vigilância de fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), ao lado de dois outros inquéritos.

Realizada através de ligações para telefones residenciais das capitais de todos os estados, é uma importante base de dados para acompanhar a saúde da população e desenvolver políticas públicas na área.

Entre as enfermidades monitoradas estão diabetes, câncer, doenças respiratórias crônicas e doenças cardiovasculares, enquanto os fatores de risco incluem tabagismo, alimentação não saudável, inatividade física e consumo de bebidas alcoólicas.

"Se você vê, por exemplo, um aumento no número de fumantes, você aumenta as políticas públicas para combater o tabagismo; se você começa a ver um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, você sabe que é para esse lado que tem que direcionar", explica Renata Levy, pesquisadora científica do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (Nupens).

Mas o monitoramento está parado desde maio de 2020 e não será concluído neste ano. A razão é a não renovação do contrato do qual a pesquisa dependia, afirma Rafael Claro, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que tem prestado auxílio técnico ao estudo desde 2003.

"A pesquisa tem sido realizada em uma joint venture entre três partes: um grupo de técnicos do Ministério de Saúde, uma empresa contratada para a coleta de dados e um grupo de universitários que fornecem apoio técnico", explica.

Ele detalha que os contratos com a empresa são anuais e renováveis por um período médio de até cinco anos. Geralmente, por volta de outubro há uma reunião para definir os rumos do inquérito no ano seguinte.

Quanto essa reunião ocorreu em 2019, já se sabia que o contrato iria expirar em maio do ano seguinte. Foram então propostos dois planos. O primeiro era seguir com a operação normal e começar com a coleta nas capitais o quanto antes. O segundo era fazer uma nova licitação para expandir o sistema da Vigitel.

A gente ia começar a fazer uma operação ligando também para celulares e para telefones não apenas das capitais, tendo assim um sistema mais representativo dos estados.
Rafael Claro, professor da UFMG

Foi elaborado um termo de referência, mas, segundo conta Claro, houve "dificuldades" no ministério e o preço estabelecido para o contrato foi "baixíssimo", o que fez com que não fosse aceito.

Ausência, silêncio e ocultação de dados

Sem essa questão resolvida, a coleta começou em janeiro de 2020. Em março, veio a pandemia. A UFMG propôs, então, para a empresa um módulo para que a Vigitel também coletasse dados sobre a covid-19. A proposta aprovada foi um inquérito paralelo focado especificamente em coronavírus.

A investigação estava composta de quatro blocos. O primeiro, de perguntas sobre medidas de proteção: se o entrevistado lavava as mãos, se tinha higiene respiratória, se estava saindo de casa.

O segundo bloco focava em uma dessas medidas de proteção e procurava conseguir informações mais detalhadas sobre como, quando e com que frequência ela estava sendo adotada. A medida em foco poderia mudar de acordo com as necessidades e prioridades do momento.

Em seguida, vinha um bloco direcionado à comunicação. Ali se perguntava onde as pessoas estavam buscando informações sobre a covid e quais eram as principais fontes de informações (rádio, TV, internet etc.).

Por fim, foi feito um bloco com questões sobre doenças crônicas e fatores de vulnerabilidade, como acesso a serviços de saúde e posse de planos de saúde.

O Vigitel continuou com a pesquisa habitual e o inquérito sobre a pandemia até 5 de maio de 2020, quando acabou o contrato e a coleta de dados foi interrompida.

"O tempo foi passando, a pandemia foi piorando e isso foi deixado para trás", diz Claro. O ano chegou ao fim, nada foi acordado para 2021 e até o momento não há sinais de que isso vá acontecer.

Cigarro - Getty Images - Getty Images
Tabagismo é um dos problemas investigados em pesquisa telefônica Imagem: Getty Images

Mas, além dessa ausência de perspectivas para que a Vigitel seja retomada, o Ministério da Saúde ainda não liberou os dados coletados no ano passado. Em um processo normal, diz Claro, a coleta termina em 15 de dezembro e em janeiro o relatório está pronto.

"O ministério optou por não publicá-los", afirma Renata Levy. "Isso eu acho mais grave ainda, porque não é nem uma questão orçamentária. Já foi feita, ela já está pronta."

A pesquisadora também afirma que algumas instituições estão requisitando os dados através da Lei de Acesso à Informação para torná-los públicos, sem sucesso por enquanto.

Embora a coleta tenha sido incompleta e os dados só se refiram ao período até maio, eles são a única fonte de dados federal e oficial sobre doenças crônicas e fatores de risco.

Covid-19 e doenças crônicas

Ilustração sobre apagão de dados de doenças crônicas - O Joio e o Trigo - O Joio e o Trigo
Imagem: O Joio e o Trigo
A pandemia torna essas informações ainda mais urgentes. Diversas doenças crônicas aumentam o impacto da covid e o risco de morte por pessoas infectadas.

Uma pesquisa da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) em setembro de 2020 apontou que 42% dos brasileiros entrevistados aumentaram o consumo de álcool durante a pandemia.

Um mês antes, um estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou que 34% dos fumantes entrevistados declararam ter aumentado seu consumo de cigarros. Outros levantamentos também têm apontado crescimento no consumo de alimentos ultraprocessados.

Sem o monitoramento nacional, pondera Levy, é muito difícil avaliar a situação e ajustar políticas públicas.

O contexto é ainda mais preocupante com a ausência do Censo, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A ausência de Vigitel e Censo no momento mais crítico da história recente do país "é uma tragédia, vai prejudicar muito o Brasil", define Claro.

Para Claro e Levy, a ausência do levantamento nacional é um fator de desequilíbrio em cascata: "O IBGE faz a calibração de todos os inquéritos", diz Claro. "Então, ao não ter Censo, todos os inquéritos que continuam vão vir com algum grau de cansaço."

Essa ausência de dados afeta não apenas a área de saúde. Sem o levantamento nacional, os inquéritos irão trabalhar com projeções populacionais, explicam os pesquisadores. Mas, depois de mais de uma década sem o Censo, é questionável a precisão desses números.

Para Levy, a ausência de dados é uma nova realidade com a qual os pesquisadores não estão acostumados. "A gente tinha facilidade de acesso a dados nacionais, sejam produzidos pelo IBGE ou pelo próprio ministério. Qualquer pesquisador de qualquer universidade conseguia acessar os dados e trabalhar com eles."

De acordo com Claro, há tentativas de voltar a dar andamento ao Vigitel. Se a licitação for concluída até agosto, ele conta, a coleta poderia ser reiniciada, mas com início no final do ano, em vez de ser no começo dele.

Contatado pelo Joio, o Ministério da Saúde confirmou que um novo processo de licitação está em andamento e afirmou que "em breve" os dados da pesquisa de 2020 estarão disponíveis. Por enquanto, permanecemos no escuro.

* O Joio e o Trigo é um projeto de jornalismo investigativo sobre políticas alimentares e de saúde pública. Leia a reportagem completa em https://ojoioeotrigo.com.br/2021/05/brasil-vive-apagao-de-dados-sobre-doencas-cronicas/

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Com atrasos, Brasil vê ritmo de vacinação cair 17% em maio e deve piorar

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

20/05/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Brasil tem aplicado menos doses por dia neste mês em comparação com abril
  • Chegada de insumos e entrega de produção das vacinas registram atrasos

A vacinação contra a covid-19 no Brasil desacelerou em maio. De acordo com cálculo do UOL feito com base nos dados levantados pelo consórcio da imprensa, o país tem registrado menos aplicações de doses na média diária neste mês do que em abril. E, com o iminente "apagão de doses" por causa de atrasos envolvendo a chegada de insumos para produção dos imunizantes, a situação não deve melhorar.

Até 18 de maio, em média, o país vacinou cerca de 681 mil pessoas por dia contra o novo coronavírus no mês. O número representa uma queda de 17% em relação a abril. No quarto mês do ano, a média foi de cerca de 822 mil pessoas recebendo a primeira ou a segunda dose por dia. O Brasil tem capacidade para vacinar cerca de 2,4 milhões de pessoas por dia, mas faltam imunizantes.

Mais da metade dos estados devem ficar sem CoronaVac antes de nova remessa

Para o presidente do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), Carlos Lula, o dado gera preocupação em um cenário com atrasos na entrega do insumo para produção das vacinas e, consequentemente, na entrega das doses. "A gente vai ter uma diminuição nesses números para patamares ainda menores. Vamos ter entrega do ministério nesta semana e não sabemos quando vai ter a próxima", diz. "E era para a gente estar acelerando o processo de vacinação."

Atrasos e terceira onda

O receio em razão dos atrasos cresce por causa do aumento de casos em alguns estados, e o crescimento da lotação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), como tem se verificado em São Paulo.

Carlos teme os efeitos da soma entre a chegada de uma terceira onda da pandemia no país e o "apagão de vacinas". "E a gente tem que se preparar para isso nas próximas semanas. Infelizmente, isso vai acontecer."

O Brasil deverá ser afetado por problemas na produção de doses da CoronaVac e da vacina AstraZeneca. Segundo projeção feita para o UOL, cerca de metade dos estados deve ficar sem estoque da CoronaVac, imunizante que tem o menor intervalo entre a aplicação das duas doses na comparação com as outras duas vacinas usadas no país. São 28 dias contra três meses das vacinas AstraZeneca e da Pfizer.

Em um cenário de "apagão", estima-se que cerca de 5 milhões de brasileiros ainda não completaram o esquema vacinal com a aplicação da segunda dose. O Ministério da Saúde, porém, diz que "estados que reportaram falta de doses para completar o esquema vacinal foram atendidos nas últimas pautas de distribuição" de doses.

Sugestão de mudança

Cerca de 40 milhões de brasileiros já receberam ao menos uma dose de vacina contra a covid-19. Em maio, até a última terça (18), o Brasil aplicou cerca de 12,2 milhões de doses no mês. O ministério diz ter distribuído, no mesmo período, cerca de 26 milhões de doses.

De acordo com Carlos, é errado concluir que todas as doses distribuídas serão aplicadas imediatamente. "Parte dessas doses são de reserva técnica, que a gente já deixa separado para perdas, e parte está reservada para segunda dose. Não dá para aplicar tudo ao mesmo tempo."

Um outro problema levantado pelo presidente do Conass é a burocracia do PNI (Programa Nacional de Imunização). "A gente segmentou muito. E, agora, passamos por dificuldade em alguns municípios, sobretudo no interior do país, de encontrar pessoas para vacinar", diz Carlos. "Então talvez o público tenha sido superestimado e aí a gente não encontra mais ninguém."

Carlos também é secretário de Saúde do Maranhão. Ele diz que, em algumas cidades de seu estado, as pessoas com mais de 60 anos já foram imunizadas com ao menos uma dose. "Não pode baixar de 60 anos em razão de seguir os parâmetros do PNI."

Ontem, por exemplo, o governo de São Paulo anunciou que pretende começar a vacinar quem tem menos de 60 anos de idade em algum momento entre 1º e 20 de julho. "Esperamos que o Ministério da Saúde cumpra com seu calendário de vacinação e envie as doses para que a gente possa fazer isso", disse, em pronunciamento à imprensa, Regiane de Paula, responsável pela coordenação do programa de imunização no estado de São Paulo.

Múltiplas filas?

Junto ao Conass, Carlos pretende sugerir ao Ministério da Saúde uma proposta para que a fila de vacinação seja dividida em duas: uma para o público prioritário e outra para as faixas etárias. "Seria uma mudança no critério do PNI. A gente teria de 70% a 80% das doses para aplicação conforme faixa etária. E 20% ou 30% voltadas para o público segmentado."

O presidente do conselho diz acreditar que essa medida aceleraria a vacinação no país. "A gente teve uma disputa por segmentação", avalia. "Para que isso não aconteça, me parece que é mais simples a gente estabelecer uma vacinação com esse critério."

O infectologista Evaldo Stanislau, do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), discorda dessa ideia. "Criar a fila da fila ou rotinas paralelas não impacta o todo", diz. "Temos que resolver a crise de oferta para não termos mais esse tipo de discussão, inclusive constrangedora, sobre grupos prioritários."

O ideal é destravar o todo: acelerar a ButanVac [vacina desenvolvida pelo Butantan], resolver as pendências da [vacina russa] Sputnik, resolver e evitar rusgas com a China, e tentar aumentar a oferta da Pfizer e da Janssen. Se não ficou claro, tem que ficar. Sem vacina a crise não passa
Evaldo Stanislau, infectologista do HCFMUSP

Problema para programação

A gestão de Marcelo Queiroga frente ao ministério completa cerca de dois meses após a saída do general Eduardo Pazuello. Carlos diz que atuação da pasta a respeito das vacinas piorou com o novo comandante porque as projeções de entregas futuras de doses deixaram de existir de forma mais discriminada.

Quando Pazuello estava na pasta, era comum que as projeções de entregas não se cumprissem. "Como vinha muita frustração das informações que eram passadas [na gestão Pazuello], passaram a informação quando já estavam distribuindo. É pior ainda. Eu não tenho nem como me programar. Vai chegar esta semana, mas que dia?", lembra o presidente do Conass.

Ontem, por exemplo, a Pfizer anunciou a chegada de mais um lote de doses que os estados não tinham conhecimento de que receberiam nessa data.

"Acho que o que tinha que haver é transparência em relação a isso. E mais do que isso: planejamento", diz Carlos. "Mas hoje não consigo fazer isso. Porque simplesmente o ministério se calou, se fechou. É uma reclamação de todos os secretários."

A Rede Sustentabilidade apresentou nesta semana um pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o ministério esclareça, mês a mês, as expectativas de entregas de doses. A gestão Queiroga apresentou um cronograma apresentando dados sobre os próximos dois trimestres, sem o detalhamento mensal.

A gente fazia uma previsão com base no que o ministério estava esperando. Agora a gente não sabe nem o que eles esperam. Porque, simplesmente, eles não falam
Carlos Lula, presidente do Conass

UOL pediu um posicionamento do Ministério da Saúde, mas não obteve um retorno até o fechamento do texto.

Para de Paula, é preciso ter ritmo de vacinação, "e isso se dá com a compra e a chegada de mais vacinas". Stanislau concorda.

"Parece que o Ministério não conseguiu avançar nesse campo. Seria muito importante uma atuação explícita e ativa junto aos órgãos de decisão, como a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e interministerial, como o Itamaraty, para mostrar interesse e resolver pendências", diz o infectologista da HCFMUSP ao analisar a gestão de Queiroga. "E, infelizmente, eu não vejo o ministério sendo proativo nisso", complementa Carlos, do Conass.

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Citado na CPI, Malafaia diz falar 'quase que diariamente' com Bolsonaro e que iria à comissão: 'Digo tudo'

Pastor foi citado pelo senador Flávio Bolsonaro como conselheiro do presidente da República

Rio de Janeiro

O pastor Silas Malafaia disse à Folha que "fala quase que diariamente" com Jair Bolsonaro, seu amigo. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo foi citado nesta quinta-feira (20) pelo primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), na CPI da Covid, como conselheiro do pai.

"Carlos Bolsonaro, a todo momento, o nome dele é trazido a esta CPI, como se houvesse um conjunto de pessoas que dão aconselhamento paralelo, algo obscuro, criminoso. Então, senador Marcos Rogério, eu quero dar um nome para o senhor aqui", afirmou Flávio na comissão.

"Agora, vocês querem ouvir uma pessoa que dá conselho ao presidente da República? Vou dar o nome: chama o pastor Silas Malafaia aqui. Esse fala quase que diariamente com o presidente e o influencia."

Uma das hipóteses levantadas por senadores da oposição, na CPI, é a existência de um gabinete paralelo que formula diretrizes para combater a crise sanitária. "Nunca vi argumento tão medíocre quanto esse, e vou dizer lá", diz Malafaia, que é formado em psicologia.

O senador Flávio Bolsonaro sugeriu que os senadores o convoquem para a CPI e que o sr. é um dos principais conselheiros do pai. Iria? Não tenho medo e digo tudo lá que eu falo com o presidente. Vou lá e digo. Se for convocado, vou lá e digo as conversas que eu tenho com o presidente. Sobre pandemia, lockdown, sobre, é... Cloroquina, azitromicina. Vou lá e falo. Eu digo lá.

Será que eles vão ter coragem de me convocar? Será? Eu digo. Sem nenhum problema. Aprendi uma coisa, a verdade é soberana. Não precisa ter medo da verdade. Vou lá e digo minhas conversas sobre estes assuntos todos: sobre vacina, Coronavac, Pfizer. Vou lá e digo tudo, pode botar aí no jornal.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, em abril, Silas Malafaia em seu gabinete - Anna Virginia Balloussier/Folhapress

O sr. e o presidente se falam com que frequência? Pode colocar aí: o pastor Silas Malafaia fala quase que diariamente. Fui lá [no Palácio do Planalto] seis vezes, de março [de 2020] pra cá, em três dessas, mais de três horas [de reunião]. E por telefone de 'zap', eu falo muitas e muitas vezes com ele. Pode botar aí, que eu não tenho medo desses caras. Pode botar.

O que o sr. o aconselha sobre pandemia? Não vou dizer nada pra jornalista nenhum. Se me convocar, eu digo lá. O que conversei sobre Coronavac, Pfizer, quarentena, lockdown, certo? Pandemia... Eu digo lá. Não vou dizer pra ninguém, só lá. Porque aí cria um ambiente antecipado, porque a verdade, como eu disse pra você, é absoluta.

O sr. como conselheiro do presidente prova a existência do gabinete paralelo levantada pelos senadores de oposição? Tenho uma resposta que eu destroço essa conversa de gabinete paralelo. Digo lá. Esse é o argumento mais frágil, mais idiota, mais imbecil que podem usar. Nunca vi argumento tão medíocre quanto esse, e vou dizer lá.

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Melhor hotel do mundo, em Gramado, tem até 300 reservas por dia após prêmio

Hotel Colline De France, em Gramado, é inspirado no estilo francês - Divulgação
Hotel Colline De France, em Gramado, é inspirado no estilo francês Imagem: Divulgação

Hygino Vasconcellos

Colaboração para Nossa

20/05/2021 10h58

A classificação como melhor hotel do mundo gerou um boom de reservas no Colline de France, localizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. O título saiu na quinta-feira passada (13) e provocou rebuliço entre interessados, inclusive do exterior.

"Em cinco dias tivemos o equivalente a oito meses de reserva. Só hoje recebemos 300 reservas e foi preciso colocar outro número de telefone à disposição no site. A procura foi espantosamente maravilhosa. O site já caiu cinco vezes e até telefone chegou a estragar de tanta ligação", conta Jonas Tomazi, dono do hotel, entre risos "de nervoso", segundo ele.

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Recepção do Hotel Colline de France conta inclusive com piano de cauda - Divulgação - Divulgação
Recepção do Hotel Colline de France conta inclusive com piano de cauda Imagem: Divulgação

Antes do prêmio, o hotel tinha baixa nas reservas entre segunda a quinta-feira. Porém, com a classificação, a situação mudou. "Agora a gente não tem dia tranquilo". Até as redes sociais do hotel registram fluxo anormal de interessados.

No Instagram a gente respondia tudo milimetricamente, mas hoje tenho 200 mensagens para responder e outras 200 aguardando aprovação — de pessoas que não nos seguem"

Reforço na equipe

O cenário forçou o hotel a contratar mais gente. Desde o anúncio do prêmio três pessoas já foram efetivadas — duas delas para atuar na recepção e outra no bistrô — e há processo de contratação aberto para pelo menos mais três. A maior parte dos novos funcionários vão atuar na recepção. Tamanha preocupação com essa área se explica por uma percepção de Tomazi: "80% do prêmio vem pelo atendimento do hotel".

Ana Clara Grings Tomazi e Jonas Caliari Tomazi são proprietários do melhor hotel do mundo - Divulgação - Divulgação
Ana Clara Grings Tomazi e Jonas Caliari Tomazi são proprietários do melhor hotel do mundo Imagem: Divulgação

Até o anúncio do prêmio, o Colline de France tinha 38 funcionários, mais de um por quarto — ao todo são 34 acomodações, divididas em cinco categorias. Agora, vai dispor de 44 trabalhadores. "É para entrar aqui e não fazer o mínimo esforço." Outros hotéis do mesmo tamanho, segundo o proprietário, têm, normalmente, 12 funcionários.

Apesar do rebuliço desde o prêmio, a classificação não é novidade. Inaugurado no final de 2018, o hotel ocupava a liderança no ranking nacional, entre os hotéis vips, desde 26 de janeiro de 2019. "A gente nunca entrou no ranking internacional porque parece que precisar estar há dois anos na classificação nacional", explica Tomazi.

Reservas quase esgotadas

A alta demanda fez esgotar as reservas no hotel para os próximos dias. Só há um quarto disponível para 1º de junho, com check-out para o dia seguinte. E a um custo de R$ 2.880.

O quarto disponível é o Imperial-Suite master. Com 42 metros quadrados, o espaço possui banheira de hidromassagem e cromoterapia, cama king size, toalhas e lençóis 300 fios e uma máquina Nespresso. Além do piso aquecido, o local possui sistema de calefação.

Quarto imperial possui banheiro de hidromassagem - Divulgação - Divulgação
Quarto imperial possui banheiro de hidromassagem Imagem: Divulgação

Há outros quatro tipos de quartos com preços mais acessíveis no hotel, mas sem lugar disponível para check-in em 1º de junho. Porém, no final de semana dos dias 6 e 7 de junho é ainda possível reservar três desses espaços.

Nesta época, a Imperial-Suite master aumenta de preço e vai para R$ 3.120 por noite. Já o Majestic-Suite deluxe fica por R$ 2.640 e o Petit Colline - suíte standard custa R$ 1.440 a noite. Já os quartos Grand Colline e Colline estão indisponíveis para a época.

Reprodução Instagram - Hotel Colline De France
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Hotel Colline De France
Reprodução Instagram - Hotel Colline De France

Inspiração francesa

O estabelecimento tem a França como inspiração e pretende ser "um pedacinho da Europa no Brasil". São nada menos que 300 lustres espalhados pelo local. Croissant e outros quitutes franceses estão garantidos no café da manhã.

Outras atrações, cobradas à parte, são o centro de bem-estar com tratamentos terapêuticos e massagens e o restaurante Bistrot, com pratos franceses como boeuf bourguignon.

Os quartos se diferenciam pelo tamanho, capacidade, mobília e tipo de decoração. Entre as mobílias, estão móveis esculpidos a mão em estilo imperial, como um sofá de veludo inspirado em Luís XV. Todos os banheiros possuem acabamento de mármore, espelho retrátil e amenidades da L'occitane au Bresil.

Como é a classificação da TripAdvisor

O ranking da Tripadvisor é feito com base nas notas que os hóspedes dão aos estabelecimentos, classificando-os em quesitos como localização, limpeza, atendimento e custo-benefício. O hotel da Serra Gaúcha abocanhou o título com a nota máxima (5) em 1.577 avaliações de viajantes, classificando-o como "excelente" — apenas cinco pessoas optaram pelo "muito bom", a categoria logo abaixo, e nenhuma avaliou negativamente a hospedagem.

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Melhor hotel do mundo fica no Brasil: conheça o eleito pelos viajantes

Hotel Colline De France, em Gramado - Reprodução Instagram
Hotel Colline De France, em Gramado Imagem: Reprodução Instagram

De Nossa

13/05/2021 10h55

Atualizada em 14/05/2021 13h04

A premiação Tripadvisor Travellers' Choice Awards deste ano traz uma boa surpresa para os brasileiros. Os viajantes da plataforma colocaram no topo da lista geral de melhores hotéis do mundo o Hotel Colline De France, em Gramado, no Rio Grande do Sul.

O ranking da Tripadvisor é feito com base nas notas que os hóspedes dão aos estabelecimentos, classificando-os em quesitos como localização, limpeza, atendimento e custo-benefício. O hotel da Serra Gaúcha abocanhou o título com a nota máxima (5) em 1.565 avaliações de viajantes, classificando-o como "excelente" — apenas cinco pessoas optaram pelo "muito bom", a categoria logo abaixo, e nenhuma avaliou negativamente a hospedagem.

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Por dentro do hotel

O estabelecimento tem a França como inspiração e pretende ser "um pedacinho da Europa no Brasil". A homenagem se traduz na arquitetura e no design de interiores rebuscado, que esbanja detalhes dourados, além de estampas e móveis de estilo rococó.

O hotel tem 34 suítes, que se diferem em tamanho e na decoração. Todos os banheiros possuem acabamento de mármore, espelho retrátil e amenidades da L'occitane au Bresil. Alguns, ostentam banheiras de hidromassagem com cromoterapia e piso aquecido.

Banheira de hidromassegem presente em algumas suítes - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Banheira de hidromassegem presente em algumas suítes Imagem: Reprodução Instagram

Nos quartos, há móveis esculpidos a mão em estilo imperial, como um sofá de veludo inspirado em Luís XV. Quem se deita sobre a cama arrumada com lençóis de algodão egípcio de 300 fios olha para o teto e vê lustres nada básicos.

Croissant e outros quitutes franceses estão garantidos no café da manhã. Outras atrações, cobradas à parte, são o centro de bem-estar com tratamentos terapêuticos e massagens e o restaurante Bistrot, com pratos franceses como boeuf bourguignon.

As diárias vão de R$ 870 a R$ 2.520. Veja fotos do lugar:

Reprodução Instagram - Hotel Colline De France
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Hotel Colline De France
Reprodução Instagram - Hotel Colline De France

Mais destaques nacionais

O Hotel Colline De France não foi o único a figurar nas preferências dos viajantes da plataforma de hospedagem. Em quinto lugar no ranking de melhores bed&breakfast está a Pousada Gaia Viva, em Igaratá, no interior de São Paulo. A Pousada Quarto Crescente, em Trancoso (Bahia), aparece em 13º lugar.

Em 20º e 23º estão, respectivamente, a Casa Ilha do Mel, pousada de charme na ilha do Paraná, e a Pousada Recanto do Arraial, instalada no centro de Arraial d'Ajuda, distrito de Porto Seguro (Bahia).

Anttunina, em Maragogi: entre os novos hotéis de destaque internacional - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Anttunina, em Maragogi: entre os novos hotéis de destaque internacional Imagem: Reprodução Instagram
Serrambi Resort, em Pernambuco: lugar garante vistas e fotos perfeitas - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Serrambi Resort, em Pernambuco: lugar garante vistas e fotos perfeitas Imagem: Reprodução Instagram

Surge em 20º lugar na categoria de hotéis românticos o Valle D'incanto Midscale Hotel, também em Gramado. Entre as hospedagens que oferecem tudo incluso, destaca-se o hotel fazenda VilaVip, em Serra Negra (São Paulo).

Aqueles que procuram a foto perfeita podem ir ao Serrambi Resort. Localizado em Ipojuca, Pernambuco, ocupou a 19ª posição da lista. Entre os hotéis novos mais atraentes do mundo está a Anttunina Pousada Spa, em Maragogi, Alagoas, no terceiro lugar do pódio.

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Destinos iguais a cenários dos filmes de Wes Anderson fazem sucesso na web

Metrô de Kiev, na Ucrânia, uma das paisagens com um jeitinho de Wes Anderson - ALINA RUDYA/accidentallywesanderson.com
Metrô de Kiev, na Ucrânia, uma das paisagens com um jeitinho de Wes Anderson Imagem: ALINA RUDYA/accidentallywesanderson.com

Fernanda Ezabella

Colaboração para Nossa de Los Angeles

18/03/2021 04h00

O que um edifício dos correios no Alasca, um quarto de hotel na Coreia do Norte e uma igreja em Florianópolis têm em comum? Além da cor suave amarela, todos poderiam ser cenários de um filme de Wes Anderson, na opinião do americano Wally Koval e suas centenas de colaboradores.

Koval é o criador do projeto "Accidentally Wes Anderson", uma comunidade online que reúne imagens de lugares pelo mundo que parecem saídos do universo do diretor de "Os Excêntricos Tenenbaums", "A Vida Marinha com Steve Zissou" e "O Grande Hotel Budapeste".

Curiosidades pelo mundo

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A conta no Instagram (@accidentallywesanderson) tem mais de 1.300 fotos e 1,4 milhão de seguidores. É possível procurar imagens por busca de países no site oficial ou comprar o livro lançado no final do ano passado, que chegou na lista dos mais vendidos do "The New York Times".

Hotel Belvédère, em Grindewald, Suíça - CARLO KUETTEL/accidentallywesanderson.com - CARLO KUETTEL/accidentallywesanderson.com
Hotel Belvédère, em Grindewald, Suíça Imagem: CARLO KUETTEL/accidentallywesanderson.com

A publicação com 200 fotografias, tiradas em 50 países com ajuda de 180 fotógrafos, teve a benção do próprio Wes Anderson, que assina o préfacio. Anderson, famoso por criar personagens peculiares, descreve o livro como um "atraente guia de viagens que deve me manter ocupado por várias décadas".

"Agora entendo o que significa ser eu mesmo acidentalmente. Obrigado", ele continua. "Ainda estou confuso sobre o que significa ser deliberadamente eu, se é mesmo o que sou, mas isso não é importante. Mando meus melhores votos e muita gratidão a este grupo por descobrir e compartilhar todas essas vistas peculiares e fascinantes."

Accidentally Wes Anderson pelo mundo

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Trem em Tóquio, no Japão

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Correios do Alasca - ROBIN PETRAVIC & CATHERINE BAILEY/accidentallywesanderson.com

Correios do Alasca

ROBIN PETRAVIC & CATHERINE BAILEY/accidentallywesanderson.com

A foto da capa do livro é do Hotel Belvédère, no meio de uma curva de estrada pelas montanhas nevadas de Grindewald, na Suíça, primeira imagem com a qual Koval começou a conta no Instagram em 2017.

Museu Ny Carlsberg Glyptotek, em Copenhagen (Dinamarca) - PETE MCRAE/accidentallywesanderson.com - PETE MCRAE/accidentallywesanderson.com
Museu Ny Carlsberg Glyptotek, em Copenhagen (Dinamarca) Imagem: PETE MCRAE/accidentallywesanderson.com

A ideia era criar uma lista dos sonhos de lugares que ele gostaria de ir com a mulher, Amanda, mas com o tempo foi atraindo mais gente em busca de lugares pitorescos e recebendo mais sugestões de imagens com a tag #AccidentallyWesAnderson.

"Você sabe quando bate o olho", escreve Koval no livro. "Sejam as linhas simétricas, os tons pastéis, a composição imaculada ou algo excêntrico e lindo que você pode ou não descrever de uma vez, Wes Anderson tem um estilo em seus filmes que você identifica imediatamente.

Não é então fantástico descobrir lugares ao redor do mundo que parecem capturas acidentais de um de seus filmes?"

O diretor tem um novo filme pronto, a comédia "The French Dispatch", que teve sua estreia cancelada por conta da pandemia em 2020 e segue sem data de lançamento. O longa é ambientado na sucursal de um jornal americano numa cidade francesa fictícia do século 20. No elenco estão Tilda Swinton, Frances McDormand, Bill Murray, Owen Wilson e outros.

Pelo Brasil

Theatro Municipal de São Paulo - YURI SERÓDIO/accidentallywesanderson.com - YURI SERÓDIO/accidentallywesanderson.com
Theatro Municipal de São Paulo Imagem: YURI SERÓDIO/accidentallywesanderson.com

O Brasil aparece em nove imagens no site, que não conta com nenhuma foto de cenário real dos filmes do diretor. Estão lá a igreja Paróquia Nossa Senhora da Lapa, em Ribeirão da Ilha, Florianópolis, além do Teatro Municipal de São Paulo, o estádio do Pacaembu e o Cine São Luiz, em Recife.

Mas não há nada de Brasil no livro, apesar de ter uma seção dedicada à América Latina. "Há muitos lugares incríveis no Brasil. Precisamos que nossos colaboradores brasileiros compartilhem suas imagens para que possamos apresentar mais de seu incrível país em nosso site e, com sorte, em nosso próximo livro", diz Koval a Nossa.

Ele contou que o projeto recebe mais de 2.500 imagens por mês e que revisa cada uma delas com ajuda da sua mulher. "Mas não recebemos tantas quanto gostaríamos do Brasil. A comunidade de colaboradores é a parte mais importante deste projeto. Sem eles, nada disto existiria", continuou.

Accidentally Wes Anderson no Brasil

Apcef Bahia - RAFAEL KENT/accidentallywesanderson.com
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Estádio do Pacaembu, em São Paulo

PAULO VICELLI/accidentallywesanderson.com

Buenos Aires aparece ao menos três vezes na publicação: o farol na praia de Claromeco, a entrada da Casa Mínima, a mais estreita da capital, e a fachada azul do hospital Naval, de arquitetura brutalista.

Da região, há ainda o Hotel Sevilla, em Havana, uma sala de aula da Universidade de los Andes, em Cartagena, e os edifícios no piér do lago Llanquihue, em Frutillar (Chile). Cada fotografia traz também uma breve descrição do lugar.

Palacio Barolo, em Buenos Aires (Argentina) - VANESSA BELL/accidentallywesanderson.com - VANESSA BELL/accidentallywesanderson.com
Palacio Barolo, em Buenos Aires (Argentina) Imagem: VANESSA BELL/accidentallywesanderson.com

Koval, que mora no Brooklyn (Nova York), diz que o livro não é apenas uma inspiração para sua próxima viagem, mas também um estímulo para olhar à sua volta com uma nova perspectiva, como ele mesmo fez ao voltar a Delaware, onde cresceu.

"Já havia visitado a Casa de Ópera várias vezes, em excursões escolares e para apresentações, mas não sabia da sua intrigante história até esse projeto me levar a descobri-la", disse. "Certamente há algo fascinante a descobrir ao seu redor assim que você começar a procurar."

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A máscara da "democracia liberal" cai com um estrondo - Pepe Escobar

Por Pepe Escobar

Torre de al-Jalaa, Gaza

Por Pepe Escobar, para o The Saker

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

Nakba, 15 de maio, 2021. Os historiadores do futuro irão assinalar o dia em que a "democracia liberal" do Ocidente fez uma proclamação explícita: nós bombardeamos sedes de veículos de mídia e destruímos a "liberdade de imprensa" em um campo de concentração a céu aberto e, ao mesmo tempo, proibimos manifestações pacíficas sob estado de sítio no coração da Europa.

E, caso vocês se revoltem, nós os cancelaremos.

Gaza se encontra com Paris. O bombardeio da torre de al-Jalaa - um edifício preponderantemente residencial, que também abrigava os escritórios da al-Jazeera e da AP, entre outras - pela "única democracia do Oriente Médio", está diretamente conectado à ordem verboten executada pelo Ministério do Interior de Macron.

Para todos os fins práticos, Paris endossou as provocações da potência ocupadora em Jerusalém Oriental; a invasão da mesquita al-Aqsa com gás lacrimogêneo e granadas atordoantes; gangues de sionistas racistas bradando insultos de "morte aos árabes"; colonos armados agredindo famílias palestinas ameaçadas de serem expulsas de suas casas em Sheikh Jarrah e Silwan; uma campanha de bombardeios de saturação onde 30% das vítimas fatais - em média - são crianças.

As multidões de Paris não se intimidaram. De Barbes à Republique, eles marcharam pelas ruas com o grito de guerra Israel assassin, Macron complice. Eles instintivamente entenderam que Le Petit Roi – um mísero empregado dos Rothschild – acabava de bombardear o legado histórico da nação que cunhou a Déclaration Universelle des Droits de L’Homme.

A máscara da "democracia liberal" caía vez após outra, com a Big Tech imperial cancelando em massa, como lhes era ordenado, as vozes dos palestinos e dos defensores dos palestinos, em sincronia com um kabuki diplomático que só engana os que já sofreram morte cerebral.Em 16 de maio, o Chanceler chinês Wang Yi presidiu um debate online do Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSC), que vinha sendo incessantemente protelado por Washington já há uma semana. A China ocupa a presidência do UNSC por todo o mês de maio.

O Conselho de Segurança da ONU não conseguiu chegar a um acordo sequer quanto a uma simples declaração conjunta. Mais uma vez, o Conselho foi bloqueado - e covardemente - pelo Império do Caos.

Coube a Hua Liming, ex-embaixador da China no Irã, dissecar a situação em uma única frase:

"Os Estados Unidos não querem dar à China o crédito de ter mediado o conflito Israel-Palestina, principalmente no momento em que a China preside o Conselho de Segurança da ONU".

O procedimento imperial de costume é "conversar": aquela conversa mafiosa de "faça uma oferta impossível de recusar" a ambos os lados, por baixo da mesa - como o combo por trás do Boneco de Teste de Colisão, um sionista confesso, já havia admitido em um pavoroso tuíte da Casa Branca "reafirmando" seu "forte apoio ao direito de Israel de se defender".

Liming, corretamente, enfatizou que "essa é a principal razão pela qual qualquer solução ou qualquer cessar-fogo entre Israel e Gaza ou outras forças da região seria temporário".

Todo o Sul Global é permanentemente bombardeado pela retórica imperial dos "direitos humanos" - desde o escroque condenado na justiça Navalny até relatos falsos sobre Xinjiang. Mas quando há uma real catástrofe de direitos humanos, desencadeada pelo bombardeio de saturação perpetrado pelos colonos invasores aliados do império, "a hipocrisia e os padrões duplos dos Estados Unidos ficam novamente expostos", como observa Liming.

Um único telefonema pode por fim a tudo isso.

Amos Yadlin já chefiou a Diretoria de Inteligência Militar das Forças de Defesa de Israel, tendo sido também adido militar de Israel nos Estados Unidos.

Em um encontro com sionistas sul-africanos, ele admitiu o óbvio: a carnificina sionista contra Gaza pode perfeitamente ser interrompida pelo Boneco de Teste de Colisão - que por acaso é, adivinhem o quê, um fantoche de Israel.

Yadlin afirma que o governo do Boneco de Teste de Colisão, mais que o combo que age por trás dele, estava ficando "impaciente", e que ele "não se surpreenderia se tudo terminasse em 48 horas". E, mais uma vez, ele teve que ressaltar o óbvio: "Quando os egípcios pedem a Israel para parar, Israel não aceita parar. Mas se os americanos pedirem a Israel para parar, Israel terá que ouvir".

O Império pratica sua marca registrada de linguagem ambígua quando se refere à "comunidade internacional" - que, em tese, se reúne nas Nações Unidas. O concomitante fogo cerrado de propaganda 24/7 aplica-se apenas a seus vários parceiros no crime, minions, lacaios, poodles e vassalos, ignorando imperialmente e/ou mijando na cabeça de 80% do planeta. Frente à realidade do Afeganistão, do Iraque, da Líbia, da Síria, do Iêmen, da Ucrânia e outros, a "ordem internacional baseada em regras" não se qualifica sequer como uma piada para retardados.

Então, da próxima vez que você vir um espécime sub-zoológico usando o argumento de Estupidez Máxima "Israel tem o direito de se defender", a única resposta possível é disparar fatos como mísseis.

Todos os seres sencientes dotados de consciência sabem que a Palestina enfrenta um projeto de colonialismo invasor racista que exibe forças armadas até os dentes e diversas bombas nucleares, e que se especializa na prática do terrorismo de estado.

Gaza, entretanto, é um caso horripilantemente especial. População: quase 2 milhões de pessoas. Uma das regiões mais populosas do planeta. Um verdadeiro campo de concentração a céu aberto, onde nada menos que 50% da população são crianças, uma em cada dez delas com déficit de crescimento, em grande medida devido à escassez de alimentos causada pelo bloqueio israelense. O plano oficial das forças armadas israelenses é permitir a entrada apenas de alimentos minimamente suficientes para que a população sobreviva no limite. A metade da população depende de ajuda alimentar.

Nada menos que 70% das famílias são refugiadas expulsas por operações de limpeza étnica daquilo que é agora o sul de Israel: há cerca de 1,46 milhão de refugiados em uma população de 1,9 milhão.

Gaza tem oito campos de refugiados – alguns deles sofrendo bombardeios neste exato momento. Nunca esqueçamos que Israel governou Gaza de forma direta entre 1967 e 2005, e fez menos que zero para melhorar as horríveis condições em que vive a população.

Há apenas 22 centros de saúde, 16 agências de assistência social e 11 centros de distribuição de alimentos, atendendo a cerca de um milhão de pessoas. Não há aeroporto nem porto, ambos destruídos por Israel. A taxa de desemprego é de 50% – a mais alta do planeta. Apenas 5% da população têm acesso a água limpa.

Mas então há a Resistência. Elijah Magnier mostrou que ela já conseguiu furar a aura pré-fabricada de invulnerabilidade e "prestígio" ostentada por Israel - e que só há um caminho a tomar, uma vez que a velocidade, a precisão, o alcance e a potência dos foguetes e mísseis só tende a aumentar.

Em paralelo, em uma sábia jogada estratégica, o Hamas e o Jihad Islâmico deixaram muito claro que preferem que o Hezbolá não se envolva diretamente - por enquanto - para que todo o Sul Global permaneça focado na carnificina perpetrada contra Gaza.

"Uma paisagem de ferro e desolação".

Sociologie de Jerusalém, de autoria de Sylvaine Bulle, é um livro curto mas bastante esclarecedor, que mostra que a batalha por Jerusalém Oriental é tão imperativa para o futuro da Palestina quanto a tragédia de Gaza.

Bulle concentra-se no "racismo interno" de Israel, diretamente ligado à hegemonia das "elites"sionistas de extrema-direita. Uma consequência importante foi a "periferiferização" e a marginalização  de Jerusalém Oriental, jogada em uma situação de "dependência forçada" da Jerusalém Ocidental ocidentalizada.

Bulle mostra que Jerusalém Oriental só existe como "uma paisagem de ferro e desolação" com a justaposição de zonas ultradensas e outras totalmente abandonadas. Os palestinos que vivem nessas áreas não são reconhecidos nem respeitados como cidadãos.

Tudo piorou muito depois de 2004 e da construção do Muro - que impossibilitava a mobilidade cotidiana dos palestinos que viviam nos territórios ocupados e dos palestinos de Jerusalém. Ocorreu aí uma outra fratura que isolou partes da Jerusalém Oriental do lado oposto do muro, e um grande número de pessoas agora vive em uma verdadeira terra de ninguém. No Ocidente "democrático liberal" são muito poucos os que fazem ideia de como isso é na prática.

Os palestinos de Jerusalém Oriental não têm nacionalidade israelense. A maioria tem passaportes jordanianos. Mas agora, até mesmo os palestinos de nacionalidade israelense vêm-se rebelando - na maioria dos casos em cidades muito pobres da zona central do país. As gerações mais jovens não têm a menor razão para acreditar que elas pertençam a Israel.

Quanto aos israelenses seculares esquerdistas, eles foram "neutralizados" não tendo mais qualquer peso político, por não terem conseguido incorporar as massas trabalhadoras, que por sua vez foram totalmente capturadas pelos religiosos extremistas de linha-dura.

A conclusão de Bulle, expressa com um excesso de diplomacia (estamos na França, afinal) é inevitável: o estado de Israel é cada vez mais judeu e cada vez menos democrático, um regime sionista de fato. Ela crê que talvez seja possível reconstruir o elo entre identidade nacional judaica e democracia, incluindo os direitos das minorias palestinas.

Sinto muito, mas isso não vai acontecer, como demonstrado explicitamente pela atual tragédia, que começou em Jerusalém Oriental.

A Via Dolorosa continua – e nós todos assistimos horrorizados. Imaginem os níveis galácticos de histeria ocidental caso a Rússia e a China estivessem bombardeando, disparando granadas e mísseis e matando crianças em áreas residenciais. Não é de admirar que o Império do Caos - e das Mentiras - posando de "democracia liberal" e ao mesmo tempo possibilitando o projeto assassino sionista, esteja flertando seriamente com a lata de lixo da História.

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Mentira e covardia são marcas registradas do bolsonarismo - Bepe Damasco

Por Bepe Damasco

Eduardo Pazuello

Diante do festival de mentiras grosseiras protagonizado por pessoas que até pouco tempo ocupavam altos cargos na administração pública federal, me veio à cabeça uma analogia anedótica, mas que faz sentido. Imaginei o ex-presidente Fernando Collor de Mello no banco de uma CPI :

Senador 1 – O senhor apareceu na cena política nacional com o epíteto de “caçador de marajás”...

Collor – Desculpe interromper Vossa Excelência, mas eu nunca fui chamado de caçador de marajás.

Senador 2 – O que Vossa Excelência tem a dizer sobre a relação fora das regras republicanas que mantinha com o empresário Paulo Cesar Farias, o PC?

Collor – Deve haver algum engano, pois eu jamais ouvi falar deste tal de Paulo Cesar Farias que o senhor mencionou.

Senador 3 – Aproveito a oportunidade para tentar entender as razões que  levaram o governo chefiado pelo senhor a confiscar a poupança de milhões de brasileiros, em um caso típico de apropriação indébita.

Collor – O meu governo  nunca confiscou poupança de quem quer que seja, porque a economia popular é sagrada. Esse tipo de coisa jamais passou pela nossa cabeça.

Pois é este nível estarrecedor de mentira, desfaçatez e cinismo que vem chocando o país nos depoimentos de Wanjgarten, Ernesto Araújo e Pazuello. Verdadeiras agressões à inteligência alheia, essa tentativa de construção de uma realidade paralela teve origem no episódio da não prisão de Wajngarten defendida pelo senador Renan, relator da CPI, mas rechaçada pelo presidente Omar Aziz.

Claro que não defendo prisões à la Lava Jato e prezo princípios caros ao estado democrático como a presunção de inocência e o direito a mais ampla defesa e ao contraditório.

Contudo, feita dentro da lei, a voz de prisão para Wajngarten teria um efeito didático que em muito contribuiria para impedir a desmoralização da CPI. Aqui vale rememorar o caso envolvendo o ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, em 1999.  

Convocado para depor na CPI dos Bancos, que apurava irregularidades no sistema financeiro, especialmente a compra de dólares por preços favorecidos  pelos bancos Marka e FonteCindam, Chico Lopes, ao se negar a assinar o termo de compromisso de falar a verdade, recebeu ordem de prisão do presidente da comissão, senador Bello Parga.

Algumas horas depois, os advogados de Chico Lopes pagaram fiança e ele foi libertado, respondendo ao processo em liberdade, uma prerrogativa da legislação. Mas o episódio reforçou a autoridade da CPI e inibiu performances mentirosas, debochadas e desafiadoras por parte dos próximos depoentes.

Voltando à CPI do Genocídio, não há dúvida de que a impunidade de Wajngarten significou uma espécie de salvo conduto para que Ernesto Araújo e Pazuello mentissem em profusão.

Termino, transcrevendo aqui um pequeno texto sobre o assunto que postei no meu perfil do facebook:

Cambada de frouxos – Os depoimentos à CPI de Ernesto Araújo e Fábio Wajngarten (e agora de Pazuello) são um retrato sem retoques do caráter dos bolsonaristas. Além de esbanjarem cinismo e mentirem compulsivamente, são frouxos e covardes.

Exibem garras de feras indomáveis quando, nos seus cargos, deitam falação negacionista, xenófoba e fascista. Tudo devidamente registrado em vídeos, artigos, declarações à imprensa e nas redes sociais. Contudo, na hora que sentam seus traseiros no banco da CPI se acovardam vergonhosamente e negam tudo.

É impressionante a superioridade moral dos democratas, socialistas e comunistas em relação a essa escória da extrema direita. Incontáveis militantes da esquerda ao longo da história perderam a vida na tortura, ou penaram nos cárceres, mas não abandonaram suas convicções.

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Bolsonaro, o retrato de uma sociedade adoecida - Cláudio Furtado

Por Cláudio Furtado

Sim, ele é um sintoma que mostra como a humanidade está degradada. Vemos este sintoma não só aqui no Brasil. Vemos isto ocorrendo em várias partes do mundo e afetando o planeta como um todo. Um retrocesso da humanidade. É isso que representa Bolsonaro.

Afim de exemplificar este retrocesso global, podemos citar alguns líderes políticos da atualidade, como o derrotado Trump nos EUA com o seu racismo exibido explicitamente através de seu apoio aos supremacistas brancos e a sua guerra xenofóbica contra os imigrantes latinos. Em Israel vemos Netanyahu promovendo o extermínio dos palestinos. Um terrível etnocídio do povo palestino é o que está acontecendo neste momento na Faixa de Gaza. Estes são alguns dos que representam a chamada Extrema Direita mundial. Seus princípios sempre se baseiam em algum tipo de preconceito. Sempre atacam em seus discursos ilusórios inimigos, os quais estariam pondo em risco os seus ideais conservadores. Hora são os comunistas, o suposto inimigo que a propaganda estadunidense conseguiu incutir no inconsciente dos ocidentais através das suas bilionárias produções cinematográficas hollywoodianas. Hora são os imigrantes que estão tirando o emprego do povo, levando a população a pobreza, assim a xenofobia é usada por estes lideres tirânicos. E assim vai, sempre inventam alguns inimigos ilusórios para serem vítimas de seus preconceitos.

Eles sempre apontam um ou mais inimigos a serem combatidos. Eles vivem em um estado de guerra sem fim. Mantem seus eleitores sempre com medo de alguma ameaça, o que os estimula a reagir com ódio contra os inimigos criados. Os convencem que sua sobrevivência está em risco, despertando assim uma reação agressiva neles, pois creem que estão lutando por suas próprias vidas. É uma propaganda poderosa que dominam as mentes através das emoções de medo e ódio criadas nos corações de seus fanáticos apoiadores.

As redes sociais são poderosas ferramentas na divulgação em massa de todo este medo e ódio. O Neuromarketing e o Buzz Marketing funcionam a pleno vapor para criar verdadeiras fortalezas de ódio nas redes, as conhecidas bolhas bolsonaristas. Através de toda esta manipulação midiática, a extrema-direita ganhou eleições ao redor do mundo e inclusive teve sucesso na realização do “Brexit”, como pudemos ver no documentário “Privacidade Hakeada”. As redes sociais se mostraram eficientes ferramentas usadas nas denominadas Guerras Hibridas (Revoluções Coloridas e Guerras não Convencionais) para derrubar governos ao redor do planeta. Lembrando que as chamadas Jornadas de Junho de 2013 foram um exemplo de uma Revolução Colorida deflagrada para derrubar o governo da presidente Dilma aqui no Brasil. O resultado disso todos nós conhecemos.

Em meio a todo este caos civilizatório provocado pela extrema direita mundial, surge Bolsonaro aqui no Brasil. Muitos viam como improvável a sua vitória na última eleição presidencial. Mas o improvável aconteceu. E diante de todo este contexto bizarro que vive o planeta, nada mais natural que a bizarrice também se manifestasse aqui, infelizmente, para o azar do povo brasileiro. Quem poderia imaginar que o cara que idolatra torturadores e ditadores, vocifera preconceitos os mais variados possíveis, pudesse se tornar presidente do país. Mas sendo coerente com este sombrio fenômeno planetário que vivemos, o quase expulso tenente do exército – ganhando a patente de capitão somente após a sua reforma - foi eleito presidente.

Tudo estava funcionando para que Bolsonaro fosse eleito. O “lawfare” da Operação Criminosa chamada de Lava Jato, a criminalização da política feita seguidos anos pelos meios de comunicação hegemônico, o golpe parlamentar, midiático e judicial que foi armado contra a presidente Dilma Rousseff e a prisão e silenciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo isso favoreceu a vitória na eleição do falso “outsider” (pois estava a mais de 30 anos exercendo cargos políticos) do baixo clero. Todo este contexto e mais uma enxurrada de “Fake News” divulgadas nas redes sociais elegeram este que atualmente é comumente chamado de “Genocida” por seus opositores e de “Mito” por seus fanáticos apoiadores.

Tendo Bolsonaro na presidência do país, o resultado não podia ser outro a não ser o mais profundo caos social da história do Brasil. A propaganda da extrema direita vendeu Bolsonaro como sendo o salvador da pátria, aquele que iria livrar o país da corrupção e da dominação comunista, o que defendia a moral, a família, os bons costumes e que falava em nome de Deus. Mas a realidade que se apresentou não foi essa. O que vemos é mais de 435 mil mortos pelo descaso do “desgoverno” com a pandemia de Covid-19, corrupção de vento em popa de sua família, preconceitos exacerbados, destruição do meio ambiente e tudo de ruim que podíamos esperar de um tirano como Bolsonaro.

Agora está claro que aquela bela foto do “Mito” que foi vendida na última eleição presidencial, não tem nada de bela. Pelo contrário, ela é tão horrenda quanto o retrato de Dorian Gray (do aclamado romance de Oscar Wilde). Em verdade este retrato que vemos é mais horrendo ainda, pois é um retrato que mostra a nossa cruel realidade e que está afetando a vida de todo o nosso povo. Estamos sentindo na carne diariamente toda a desgraça do “desgoverno” Bolsonaro.

Os que tiveram dúvida estão vendo agora que não era uma escolha difícil. Em sã consciência a escolha era óbvia. Infelizmente elegeram o tirano ao invés do professor.

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O cara que ia invadir o Senado e dar uma facada em Pazuello faltou e a saída foi improvisar - Ricardo Nêggo Tom

Por Ricardo Nêggo Tom

O Exército Brasileiro é uma instituição que merece todo o meu respeito. Passei por lá, ainda que brevemente, para cumprir o serviço militar obrigatório, mas guardo boas lembranças. Poucas, na verdade. Porém, jamais imaginei que um dia veria um General da caserna, usar de um recurso tão infantil para fugir de uma batalha. Eu confesso que já recorri ao mesmo artifício, coincidentemente quando prestava serviço militar, para não participar de uma atividade conhecida como “Guerrilha Noturna”.

Curiosamente, eu também estava sendo perseguido. No meu caso, por um Sargento de nome Antero – que sujeito mais filho da pátria - que não ia muito com a minha cara, e havia prometido me pegar nessa atividade. Como eu não sou bobo, assim como o General Pazuello, eu passei mal e fiquei impossibilitado de participar daquela atividade que poderia me trazer algumas complicações. Eu fingi um mal estar, desfaleci, fiquei pálido, trêmulo, desidratado. Pazuello ficou como eu fiquei naquela noite no campo do Gericinó. Me senti até um General agora.

Tudo parecia estar tão bem no início de sua participação na CPI. Voz firme, de comando. Olhar compenetrado e emocional sob controle. Trocava farpas com o relator Renan Calheiros, tentou ensinar ao presidente da comissão como conduzir um interrogatório, usou de ironia e até de certo desacato. O locutor João Guilherme da Fox TV diria que Pazuello estava “um deboche”. Mas, de repente, o intestino começou a dar uma daquelas desandadas, que até a máscara no rosto começava a ficar borrada. Pazuello começou a enrolar nas respostas, à medida que os questionamentos iam ficando mais incisivos.

Renan não gostou e começou a apertar o “genera”, que escorregava mais do que sabonete. O Senador Flavio Bolsonaro tentou intervir em sua defesa, mas não tá com muita moral na casa não. A essa altura, Pazuello sentia uma gota de suor deslizando sobre a sua última vértebra, e indo se unir ao cagaço que ele bravamente mantinha preso. A impressão que dava, era de que ele aguardava alguém que fosse enviado por Deus para livrá-lo daquela situação. Entretanto, o cara que ia invadir o senado para lhe dar uma facada faltou - do mesmo jeito que Pazuello faltou para 210 milhões de brasileiros como Ministro da Saúde - e ele teve que improvisar uma fuga.

Passou mal, mas continua vivo. Graças a Deus! Não teve o mesmo fim que as mais de 439 mil pessoas que foram abatidas pelo vírus e por um governo que teve em Pazuello o responsável por cuidar da imunização da população brasileira. Na minha breve passagem pelo Exército aprendi que um soldado nunca deve fugir da batalha. Pazuello fugiu e desonrou o Exército com sua covardia. O saudoso Renato Russo tinha razão quando em “Faroeste Caboclo” cantou: “e não protejo General de 10 estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão.” Melhoras, General Pazuello!

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