COVID-19 será ENDÊMICA

Maranhão NÃO deve ser ÚNICA porta de entrada de CEPA INDIANA, diz Nicolelis

Nicolelis: Brasil NÃO tem CONDIÇÕES de enfrentar TERCEIRA ONDA da pandemia

Abre e fecha' faz sociedade perder a confiança nas medidas, diz Nicolelis

Saúde DEMOROU para EVITAR chegada da CEPA_INDIANA, diz secretário do MA

Calcular o número de mortos pela covid-19: uma tarefa quase impossível

Marcelo Ramos: Bolsonaro teme CPI e não tem compromisso com Amazonas

PAZUELLO diz que comprar doses da Pfizer só em 2021 foi 'ÓTIMA EVOLUÇÃO

'MORTE no Brasil É PLANEJADA, dizem oposicionistas sobre recusa de vacinas

OMS: Covid-19 matou até 3 vezes o que governos registraram e será endêmica

Argentina retoma lockdown após se tornar o PAÍS com mais MORTES DIÁRIAS por MILHÃO de habitantes da Covid-19

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Maranhão não deve ser única porta de entrada de cepa indiana, diz Nicolelis

Ana Carla Bermúdez, Andréia Martins e Felipe Oliveira

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

21/05/2021 10h30

Atualizada em 21/05/2021 11h55

O médico e neurocientista Miguel Nicolelis disse hoje, durante participação no UOL Entrevista, que o Brasil deveria ter feito um controle mais rígido de entrada nos aeroportos internacionais e que o Maranhão "não deve ser a única porta de entrada" no país da cepa indiana (B.1.617.2) do novo coronavírus. O estado confirmou ontem os seis primeiros casos no país.

"A grande preocupação era evitar que essa variante chegasse ao Brasil porque tem causado um estrago tremendo na Índia. A identificação desses primeiros casos no Maranhão sugere que, primeiro: não deve ser a única porta de entrada; imagino outros relatos nos próximos dias, mas gera uma preocupação muito grande porque é uma variação de interesse", afirmou Nicolelis durante a entrevista conduzida pelas jornalistas Fabíola Cidral e Lúcia Helena. "No Reino Unido está causando problemas sérios e não temos todas as informações das consequências que ela pode causar se se espalhar por aqui."

Com vacinação liberada, idosos não conseguem se imunizar no litoral de SP

Segundo o governo do Maranhão, os contaminados foram seis tripulantes do navio Shandong da Zhi, que veio da África do Sul e foi fretado pela Vale para entregar minério de ferro em São Luís.

"Meu medo é que a gente menospreze o que aconteceu na Índia, o vírus venha com variantes embutidas, e o sistema brasileiro já colapsado não dê conta", disse.

Falta de rastreamento

Nicolelis criticou a falta de um rastreamento de contatos pelo Brasil, o que, segundo ele, aumenta o risco de novos casos da variante se espalharem mais rapidamente.

"Eu não sei se esse navio parou em outros portos antes do Maranhão, não temos notícia. Não temos notícias se outros tripulantes desceram desse navio. Como o Brasil renunciou a fazer rastreamento de casos, uma das medidas que os países que lidaram bem com a pandemia mostraram ser vital, nós não sabemos. Não tenho ideia se essas 100 pessoas contataram outras 100 pessoas", disse.

Se você tem uma porta de entrada, um porto, um aeroporto conectado a um hub rodoviário, é uma questão de dias para você espalhar uma nova variante.

Nicolelis relembrou que a variante que surgiu na Califórnia, nos Estados Unidos, chegou antes em Minas Gerais do que na Costa Leste norte-americana porque os aeroportos do Brasil continuaram abertos.

O médico citou que, no início da pandemia, participou de um estudo que mostrou que o não fechamento dos aeroportos internacionais brasileiros, em março do ano passado, foi decisivo para espalhar o vírus pelo Brasil.

"A cidade de São Paulo, próxima ao aeroporto de Guarulhos, o maior do Brasil, que detém o maior hub rodoviário do país, nas primeiras três semanas contribuiu com 85% do espalhamento de casos. A gente está ignorando lições que vêm de 1918, da pandemia de influenza. O Brasil recebeu o vírus da influenza por um navio mercante que chegou em Pernambuco, daí explodiu no país. Nunca fechamos o espaço aéreo da maneira correta", afirmou.

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Saúde demorou para evitar chegada da cepa indiana, diz secretário do MA

Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente do CONASS - Karlos Geromy/Governo do Maranhão
Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente do CONASS Imagem: Karlos Geromy/Governo do Maranhão

Do UOL, em São Paulo

21/05/2021 11h22

Atualizada em 21/05/2021 12h07

O secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Carlos Lula, disse que há semanas o Ministério da Saúde tem sido requisitado para ampliar o controle sanitário nas fronteiras para evitar que a cepa indiana da covid-19 fosse registrada no Brasil. No entanto, segundo o secretário, a pasta "demorou muito" para agir. Os primeiros casos da variante foram registrados esta semana, no Maranhão.

Há semanas a gente tinha pedido maior controle nas fronteiras em razão da disseminação dessa nova cepa, e infelizmente o ministério demorou muito. Não importa só tomar a medida correta, precisa tomar a medida correta no momento adequado. A gente sempre tem pressaCarlos Lula, presidente do Conass

Maranhão confirma primeiros casos de covid-19 por cepa indiana no país

As declarações foram dadas em uma entrevista à CNN na manhã de hoje. O secretário também afirmou que é necessário manter uma vigilância permanente e ampliar a testagem no país. Lula usou como exemplo a tripulação que estava embarcada no navio onde a variante foi identificada. Dos 24 embarcados, 15 testaram positivos, sendo 12 deles assintomáticos.

Pra gente ter ideia de como é importante a continuar com a testagem em massa da população, mesmo em assintomáticos, estava havendo a transmissão da doença. A gente fez o estudo genômico de todos. Como em alguns casos o nível de vírus era muito baixo, não foi possível fazer o sequenciamento genético, mas de seis conseguimos fazer. Em todos os seis, a variante B.1.617, que é a que chamamos de variante indiana Carlos Lula, presidente do Conass

A mutação foi identificada em um indiano de 54 anos que deu entrada em um hospital da rede privada em São Luís na sexta-feira (14). Ele era um tripulante do navio MV Shandong da ZHI, embarcação que veio da Índia.

A notícia foi dada pela Secretaria de Comunicação (Secom) após coletiva de imprensa realizada nesta manhã com o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula. Mais informações sobre medidas preventivas e de contenção ainda serão divulgadas pela pasta.

Navio não pode atracar

O navio em que os casos foram identificados permanece em quarentena e não está autorizado a atracar no Maranhão. Segundo Carlos Lula, a autorização só acontecerá quando houver certeza de que nenhum dos embarcados é um vetor de transmissão da covid-19.

"A gente vai continuar a vigilância, com esse rastreio e cuidado, sem permitir que o navio atraque até garantir que ninguém da tripulação esteja infectado", disse à CNN.

O secretário reforçou que a vigilância das fronteiras do Brasil ainda é "muito ruim" e que o auxílio aos infectados com a variante indiana está sendo prestado pela Secretaria de Saúde do Maranhão, apesar de a competência ser da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"A gente ta auxiliando um órgão do governo federal, tanto que o ministro entrou em contato comigo ontem, preocupado. Estamos dando suporte a uma entidade federal".

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Calcular o número de mortos pela covid-19: uma tarefa quase impossível

Vista aérea de um cemitério em São Paulo com covas abertas para mortos pela covid-19 - Jose Antonio/Anadolu Agency via Getty Images
Vista aérea de um cemitério em São Paulo com covas abertas para mortos pela covid-19 Imagem: Jose Antonio/Anadolu Agency via Getty Images

Em Paris (França)

21/05/2021 12h37

Embora o número oficial de 3,4 milhões de mortes por covid-19 no mundo seja, sem dúvida, subestimado, os especialistas consideram que vai demorar até que se consiga estabelecer uma avaliação mais precisa e é até possível que nunca seja alcançada.

A equação é complexa, pois inclui muitos fatores, entre eles, as mortes mal contadas, ocultas e indiretas devido à saturação dos hospitais.

Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) apresentadas hoje, a pandemia já causou "entre seis e oito milhões" de mortes diretas e indiretas.

"Isso corresponde às estimativas que preveem que o número total de mortes é no mínimo o dobro, ou o triplo", do saldo oficial de 3,4 milhões, disse a vice-diretora-geral responsável por dados da OMS, Dra. Samira Asma.

Alguns vão além, como o IHME (Institute for Health Metrics and Evaluation), de Seattle (Estados Unidos), que calcula que apenas o número de mortes diretas é de 6,9 milhões desde março de 2020.

De acordo com seu estudo publicado este mês, os Estados Unidos teriam o pior saldo, com mais de 912 mil mortes (em comparação com as 578 mil registradas oficialmente), seguido por Índia (736 mil mortes, em comparação com as 248 mil oficiais), México (621 mil contra 219 mil) e Brasil (616 mil contra 444 mil, segundo dados compilados pelo consórcio do qual o UOL faz parte).

A diferença na Rússia seria "espetacular", com cerca de 600 mil mortes contra as 111 mil oficiais.

"Em alguns países, essa subestimação se deve principalmente a uma distribuição reduzida de testes, como no México e na Índia", explica o diretor do IHME, Chris Murray, à AFP.

Em outros, porém, "pode ser uma política oficial de restringir a definição de morte por covid", observa.

Correções cruciais

Independentemente das razões, "essas correções nos números oficiais são cruciais para entender onde a pandemia teve maior impacto" e "determinar se as políticas governamentais limitaram esse impacto", segundo o pesquisador.

Alguns países se defendem de críticas.

"Alguns casos podem ter sido esquecidos, devido a questões locais, mas não há subestimação na Índia", afirmou R.P. Singh, porta-voz do partido no poder, o Partido do Povo Indiano.

Extraídas de um modelo de cálculo baseado em dados parciais, as conclusões do IHME também foram questionadas por alguns cientistas.

Esse modelo se baseia "em uma série de suposições que podem ser corretas em todo mundo, mas não podem ser aplicadas a países individuais", estima Steven Woolf, da Commonwealth University da Virgínia, questionando, em particular, os resultados dos Estados Unidos.

"Um excesso de mortalidade de 900 mil é um número razoável, mas não é que todas essas mortes sejam diretamente atribuíveis ao vírus", alega.

Falta de dados

Para avaliar o "verdadeiro" balanço da pandemia, os cientistas analisam primeiro o excesso de mortalidade, ou seja, as mortes adicionais registradas em relação ao número de mortes nos últimos anos.

"Para começar, esse cálculo não é fácil. Mas, além disso, os efeitos diretos e indiretos da covid devem ser separados", explicou à AFP o demógrafo Stéphane Helleringer, da Universidade de Nova York (EUA).

Estes efeitos indiretos podem ser mortes relacionadas à saturação dos sistemas de saúde e, ao mesmo tempo, mortes evitadas, devido ao menor número de acidentes rodoviários, ou relacionadas à poluição do ar.

"Em nível global, é extremamente complicado", acrescenta o pesquisador, integrante de um grupo de especialistas que assessora a OMS no assunto.

Em primeiro lugar, devido à falta de dados nos países pobres. Mesmo antes da pandemia, o Malauí registrava, por exemplo, apenas entre 10% e 15% das mortes em seu território, de acordo com Helleringer.

Nesses países, "não podemos calcular o excesso de mortalidade em tempo real", o que seria fundamental para uma correta distribuição dos recursos, principalmente vacinas, afirma o pesquisador.

"Muitos anos"

Já um estudo publicado na última quarta-feira (19) na revista médica BMJ estimou o excesso de mortalidade em 29 países ricos em 2020 em cerca de um milhão de mortes, ou seja, 31% a mais que os números oficiais no mundo.

Isso não permite, contudo, que o número seja "extrapolado" para outras regiões do mundo, disse à AFP um de seus autores, Nazrul Islam, da Universidade de Oxford (Reino Unido)

Então, é possível que um dia o real impacto da covid no mundo possa ser estimado? "A resposta é: certamente não", diz Islam.

Até hoje, "continuamos a debater o balanço da gripe espanhola" de um século atrás, lembra Helleringer, que insiste nos impactos de longo prazo das pandemias.

"Isso ocupará os demógrafos e epidemiologistas por muitos anos", prevê.

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Nicolelis: Brasil não tem condições de enfrentar terceira onda da pandemia

Ana Carla Bermúdez, Andréia Martins e Felipe Oliveira

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

21/05/2021 11h56

O médico e neurocientista Miguel Nicolelis disse hoje, durante participação no UOL Entrevista, que o Brasil já começa a entrar em uma terceira onda da pandemia da covid-19 e, segundo ele, o país não terá condições de lidar com o potencial aumento nos números de contágios e mortos pela doença.

Temos um sistema de saúde que tomou dois tsunamis na testa, mal sobreviveu, e está em uma situação de que, se vier um terceiro [tsunami], nós não temos medicamentos, não temos leitos, não temos equipes de UTI. Não temos condição de dar conta de uma terceira explosão. E não temos vacina.

CE monitora suspeito de ter se infectado com a variante descoberta na Índia

Na entrevista, conduzida pelas jornalistas Fabíola Cidral e Lúcia Helena, Nicolelis pontuou ainda que, no Brasil, as ondas da pandemia acontecem em um formato de "escada", com a estabilização dos números de mortos e doentes em valores ainda muito altos.

"Tem a primeira onda, chega a um platô, desce um pouquinho do platô e boom, explode a segunda rampa, passando para o próximo degrau. Aí você fica no platô de novo, desce um pouquinho e tudo leva a crer que vamos começar a ter um terceiro platô", explicou.

"O meu medo", afirmou o médico, "é que a gente esteja menosprezando o que houve na Índia e os riscos de uma terceira onda no Brasil".

'Sopa de mutações'

Na Índia, a falta de controle sobre o vírus levou a um colapso sanitário e funerário em todo o país. Nicolelis ressaltou que a explosão de contágios leva invariavelmente a uma "sopa de mutações". "Se uma mutação favorece a transmissibilidade do vírus, ela começa a ganhar a corrida", disse.

Assim como foi identificada uma variante do coronavírus na região de Manaus, outras mutações já foram encontradas na Índia. Uma delas, a cepa indiana B.1.617.2, já foi identificada no Brasil, no estado do Maranhão. O governo do estado confirmou, ontem, os seis primeiros casos no país. Mas, para Nicolelis, o Maranhão não deve ser a única "porta de entrada" no país para a variante indiana.

"A grande preocupação era evitar que essa variante chegasse ao Brasil porque tem causado um estrago tremendo na Índia. A identificação desses primeiros casos no Maranhão sugere que, primeiro: não deve ser a única porta de entrada; imagino outros relatos nos próximos dias, mas gera uma preocupação muito grande porque é uma variação de interesse", afirmou.

O neurocientista declarou que, como o Brasil renunciou fazer o monitoramento e rastreamento de casos por testagem, não é possível saber se já há outros casos de contaminação pela cepa indiana no país.

"Se você tem uma porta de entrada, um porto, aeroporto conectado a um hub rodoviário, é uma questão de dias para se espalhar uma nova variante", disse. "Foi o que aconteceu: a variante que aparece na Califórnia apareceu em Minas Gerais antes de chegar na costa leste americana".

Nicolelis também disse acreditar que a cepa indiana não será a última a ser descoberta nesta pandemia. "Ela é a pauta do momento. Vamos ouvir ainda falar de outras variantes vindas da Índia e do Brasil".

Variantes, vacinas e medidas

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou ontem, por meio de um comunicado, que as vacinas já desenvolvidas contra o coronavírus são eficazes contra todas as novas variantes do vírus. Apesar de dizer que esta é uma "boa notícia", Nicolelis declarou não ser difícil que uma destas novas cepas desenvolva novas mutações e escape da cobertura das vacinas.

Ele explicou que a linhagem da variante indiana, identificada pelo prefixo B.1.617, já tem três versões diferentes: a B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3. As mutações acontecem principalmente na proteína responsável pela ligação do vírus com a célula humana.

"Para que ela [a cepa] possa gerar algo que possa escapar da cobertura das vacinas, não é algo difícil. Existe uma probabilidade e existe essa preocupação. Quanto mais variantes com alta transmissibilidade existem em um caldo de cultura, que o Brasil e a Índia se transformaram, maior a chance de gerar uma variante que escape da cobertura", disse.

A OMS fez um alerta para o Brasil, quer saber o que o país está fazendo. Nós não vamos sair dessa crise sozinhos, nenhum país vai sair da crise sozinho. Ou nós saímos todos juntos, ou não saímos.

O médico ainda criticou uma medida anunciada pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção) dos Estados Unidos, que liberou pessoas que estiverem completamente vacinadas de usarem máscaras em ambientes externos no país. "É muito cedo", afirmou Nicolelis, que classificou o parecer como "completamente estranho". "Não sabemos o que vai acontecer".

Consumismo e instinto de sobrevivência

O neurocientista relacionou a dificuldade de as pessoas cumprirem com as medidas de isolamento ao modelo de vida que, principalmente no mundo ocidental, prioriza o prazer e o consumismo.

No mundo ocidental, é como se o hedonismo e o consumismo tivessem se transformado em algo mais relevante para a espécie humana que o instinto de sobrevivência.

Para ele, nós "criamos uma sociedade em que certos comportamentos são tão poderosos em sincronizar a mente das pessoas que, mesmo confrontados com o risco mortal, elas não conseguem sair do que chamo dessa 'brain net', essa rede de cérebros que se sincroniza em uma visão de mundo do que é a vida".

"E os riscos de um vírus que está matando milhões mundo afora não são equiparados, na mente dessas pessoas, com o prazer, com o comportamento que traz felicidade, excitação, seja o que for", afirmou.

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Abre e fecha' faz sociedade perder a confiança nas medidas, diz Nicolelis

Ana Carla Bermúdez, Andréia Martins e Felipe Oliveira

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

21/05/2021 11h08

O médico e neurocientista Miguel Nicolelis criticou hoje, durante participação no UOL Entrevista, o afrouxamento sem critérios científicos das medidas restritivas para conter a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Para ele, o abre e fecha de estabelecimentos por "uma ou duas semanas" e sem um lockdown eficiente, como foi feito pelo Reino Unido, "destrói a confiança" da população. Ainda segundo o médico, o brasileiro foi confrontado com a opção de "morrer de fome ou morrer do vírus".

"Você abre para o dia das mães, feriadão. O que acontece? O que estamos vendo agora, a reversão daquela tendência de queda, temporária. Então você tem a sanfona", disse ele na entrevista conduzida pelas jornalistas Fabíola Cidral e Lúcia Helena. "Abre a sanfona, fecha, o que isso faz? Primeiro destrói a confiança da sociedade de que realmente alguma coisa está sendo feita para acabar a pandemia, porque você nem entende mais as cores, o que é roxo, amarelo, laranja", afirmou.

Com vacinação liberada, idosos não conseguem se imunizar no litoral de SP

As pessoas passam a desacreditar dessas medidas [restritivas], e não é desprezível esse efeito. É o efeito psicológico que literalmente destrói a capacidade de você falar: 'Temos que fazer lockdown de um mês'.

Ainda segundo o cientista, a estratégia brasileira de enfrentamento do novo coronavírus erra ao priorizar critérios administrativos, em vez de epidemiológicos.

"O problema é que nossa estratégia predominante no Brasil, eu apelidei de estratégia sanfona, porque quando a coisa chega muito grave, e aqui muito grave é 95% de ocupação de UTI, o único critério que maioria dos gestores olha, e isso não é um critério epidemiológico, é administrativo. Você tem que olhar o número de casos, de óbitos, ver a taxa de transmissão, ver a dinâmica geográfica, o fluxo de pessoas. Mas quando se chega a um número absurdo, se fecha ou faz alguma coisa paliativa que dura uma semana ou duas", disse ele.

"Já ouvi em alguns lugares pessoas dizendo: 'Só está 90% de ocupação, melhorou'. Então pode abrir shopping, escola, relaxar as poucas medidas paliativas, porque, com raríssimas exceções, na primeira onda, nunca fizemos lockdown correto, como o Reino Unido fez", completou.

Ao citar o lockdown realizado no Reino Unido, Nicolelis lembrou que o governo britânico ofereceu auxílio financeiro para que os ingleses ficassem em casa e que o governo dos Estados Unidos também enviou cheques para parte da população. O Brasil falhou nesse quesito, na opinião do especialista.

O brasileiro foi confrontado com a opção que nunca deveria ter existido, porque é desumana, criminosa. Ele foi confrontado com a opção de ou morrer de fome ou de vírus. Aqui as pessoas tiveram na primeira onda um auxílio que realmente ninguém consegue sobreviver com aquilo, e agora o auxílio é menor e mais restritivo.

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Marcelo Ramos: Bolsonaro teme CPI e não tem compromisso com Amazonas

21.mai.2021 - Deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM - Reprodução / Facebook
21.mai.2021 - Deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM Imagem: Reprodução / Facebook

Do UOL, em São Paulo

21/05/2021 10h57

Atualizada em 21/05/2021 11h02

Após Jair Bolsonaro (sem partido) citar, em sua live semanal, a possibilidade de Manaus deixar de contar com sua Zona Franca, o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) declarou que o presidente não tem compromisso com o Amazonas e que teme as investigações da CPI da Covid no Senado.

Zona Franca da Manaus, imagine Manaus sem a Zona Franca. Hein, ô senador Aziz, você que fala tanto aí na CPI. Senador Eduardo Braga, imagine aí o estado sem a Zona FrancaJair Bolsonaro (sem partido)

Pazuello volta a negar que Bolsonaro mandou cancelar compra de vacina

Na perspectiva de Ramos, Bolsonaro ameaçou não só os senadores, como o emprego de milhares de amazonenses, os negócios que investem em Manaus, como também a receita de impostos estaduais que pagam a saúde e a educação. Em uma postagem compartilhada no Facebook, Ramos fez comentários sobre as declarações do chefe do Executivo.

O presidente usou uma ameaça a Zona Franca de Manaus para atingir o senador Eduardo Braga e o senador Omar, incomodado com a postura de ambos na CPI que investiga a atuação do governo federal no enfrentamento da pandemia. Essa conduta do presidente demonstra duas coisas: primeiro, que ele está apavorado, segundo que ele não tem compromisso com interesses maiores do povo do AmazonasMarcelo Ramos (PL-AM)

No Twitter, Ramos também declarou que prefere imaginar a região econômica de Manaus sem o ministro Paulo Guedes.

CPI da Covid investiga combate à pandemia

A Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada no Senado, tem colhido depoimentos de peças importantes da gestão da Saúde no Brasil. Até o momento, foram ouvidos os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teiche e Eduardo Pazuello, além do atual gestor da pasta, Marcelo Queiroga.

O colegiado também recebeu o CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, o ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro Fabio Wajngarten e o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.

A crise sanitária que ocorreu em Manaus, capital do Amazonas, em janeiro deste ano, é um dos focos de investigação dos senadores. Ontem, Eduardo Pazuello foi questionado sobre a falta de oxigênio na região e declarou que a responsabilidade era da Secretaria de Saúde do Estado em chegar o estoque de oxigênio e não do Ministério da Saúde.

A crise sanitária que ocorreu em Manaus, capital do Amazonas, em janeiro deste ano, é um dos focos de investigação dos senadores. Ontem, Eduardo Pazuello foi questionado sobre a falta de oxigênio na região e declarou que a responsabilidade era da Secretaria de Saúde do Estado em chegar o estoque de oxigênio e não do Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, o general do Exército disse que "sofreu muito" pelo que ocorreu em Manaus, alegando que sua família mora na cidade e que chegou a perder parentes e amigos por conta da covid-19.

"Eu sofri muito em Manaus, quero dizer para os senhores todos que eu vim de Manaus, perdi parentes e amigos em Manaus, Seria um absurdo dizer que isso não me afetou e não me afeta. Claro que existem limites do que a gente consegue fazer", disse Pazuello.

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Reportagem: Leonardo Sakamoto - Pazuello diz que comprar doses da Pfizer só em 2021 foi 'ótima evolução'

19.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante o depoimento à CPI da Covid, no Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado
19.mai.2021 - Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante o depoimento à CPI da Covid, no Senado Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado
Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

21/05/2021 10h24

Em depoimento na CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello avaliou, nesta quinta (21), como "ótima evolução" o Brasil não ter assinado um contrato com a Pfizer para a aquisição de 70 milhões de doses, conforme oferta da farmacêutica em agosto do ano passado, para fechar um de 100 milhões apenas em março deste ano.

Cálculo do epidemiologista Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do Epicovid-19, feito a pedido de Julia Chaib, da Folha de S.Paulo, aponta que se as doses tivessem chegado a partir de dezembro, conforme previa a oferta da Pfizer de agosto, pelo menos 5 mil mortes teriam sido evitadas.

Obediência cega de Pazuello gerou milhares de mortes, diz senador na CPI

Questionado na CPI sobre a demora na aquisição de vacinas da farmacêutica, Pazuello disse que o governo acabou comprando mais doses do que o originalmente ofertado: "Da proposta inicial, lá de 30 milhões que virou 70, em agosto, nós compramos 100 mais 100". A segunda aquisição ocorreu no dia 14 de maio deste ano.

O general foi rebatido pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE): "O senhor sabe que tem uma distância temporal entre uma coisa e outra?"

Ao que respondeu sobre o total das doses adquiridas, ignorando o impacto disso na saúde pública: "Pois é, foi uma ótima evolução. De 70 para 100".

Carlos Murillo, gerente da Pfizer para a América Latina, afirmou à CPI que se o Brasil tivesse aceitado a terceira proposta feita pela empresa em 26 de agosto de 2020, 1,5 milhão de doses teriam sido entregues até dezembro e mais 3 milhões até março.

Estimativa do Infrotracker, da Universidade de São Paulo, feita para reportagem de Leonardo Martins, do UOL, apontam que somando isso à projeção de quantidade entregue no terceiro trimestre pela Pfizer, o Brasil teria 8 milhões a mais de pessoas vacinadas até este momento.

E não faltou cobrança ao Ministério da Saúde. Documentos da CPI da Covid mostram que entre 14 agosto, data da primeira proposta da Pfizer, de 30 milhões de doses, até 12 de setembro, foram ao menos dez mensagens eletrônicas enviadas ao governo cobrando uma resposta.

Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, afirmou à CPI que outros órgãos do governo receberam uma carta com a proposta. Mas não houve resposta.

Em sua defesa, Eduardo Pazuello insistiu que não havia segurança jurídica para a aquisição das doses por conta das cláusulas propostas pela Pfizer, que deixam com o governo o risco de efeitos colaterais. E que, por isso, comprou somente após sanção de uma lei sobre isso.

As condições contratuais, segundo Murillo, foram as mesmas firmadas com mais de 100 países.

Os senadores de oposição e independentes rechaçaram a justificativa de falta de lei para garantir as condições impostas pela farmacêutica, usada por Pazuello para justificar o atraso. Afirmaram que, se quisesse, o governo poderia ter articulado isso com os parlamentares em poucos dias.

Citam que a questão veio a ser resolvida através do projeto de lei 534/2021, proposto pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que levou sete dias entre ser apresentado e aprovado pelo Congresso Nacional. Para o senadores, isso mostra que houve negligência e incompetência do governo Jair Bolsonaro.

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Como a pandemia de covid mudou nossas vidas sexuais

Pesquisas indicam um declínio na atividade sexual dos casais em decorrência do lockdown — será que é possível reverter essa tendência? - ALAMY
Pesquisas indicam um declínio na atividade sexual dos casais em decorrência do lockdown — será que é possível reverter essa tendência? Imagem: ALAMY

Jessica Klein

BBC Work Life

21/05/2021 10h03

Antes da pandemia, muitos casais viviam como "dois navios que se cruzavam durante a noite", diz a terapeuta sexual Emily Jamea de Houston, no Texas.

Antes sobrecarregados com compromissos fora de casa, alguns viram os lockdowns impostos pela pandemia de covid-19 como uma pausa um tanto quanto necessária.

Ficar confinado em casa permitia aos casais desacelerar e dedicar mais tempo a momentos íntimos juntos — pelo menos no início.

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"Inicialmente, a pandemia deu às pessoas a oportunidade de se reconectar de uma forma que antes talvez só conseguissem fazer nas férias", diz Jamea.

À medida que a pandemia avançava, no entanto, começou a afetar os relacionamentos íntimos.

"Para a maioria dos casais, o desejo sexual meio que despencou", revela.

Estudos realizados no mundo todo mostram uma história semelhante.

Pesquisas conduzidas na Turquia, Itália, Índia e Estados Unidos em 2020 indicam um declínio na atividade sexual dos casais, assim como em atos individuais, em decorrência do lockdown.

"Acho que grande parte da razão para isso é que muitas pessoas estavam estressadas demais", avalia Justin Lehmiller, psicólogo social e pesquisador do Instituto Kinsey, que conduziu o estudo nos Estados Unidos.

Para a maioria, os lockdowns impostos pela pandemia criaram uma atmosfera de incerteza e medo.

Muitos vivenciaram uma ansiedade sem precedentes relacionada à saúde, insegurança financeira e outras mudanças significativas na vida.

estresse causado por esses fatores — para não mencionar os problemas que surgem quando se passa muito tempo com outra pessoa em um espaço fechado e apertado — contribuiu para o declínio notável na vida sexual dos casais.

De certa forma, a covid-19 provou ser tóxica para a sexualidade — mas será que seremos capazes de voltar ao nosso "eu" sexual depois que o estresse pandêmico se dissipar? Ou nossos relacionamentos vão sofrer danos de longa duração?

Um declínio no desejo

Como Jamea observou, muitos casais desfrutaram de um pequeno impulso em suas vidas sexuais no início do lockdown.

Rhonda Balzarini, psicóloga social e professora assistente da Texas State University, nos Estados Unidos, descreve esse pico inicial no desejo sexual como uma fase de "lua de mel", quando as pessoas reagem de forma mais construtiva ao estresse.

"Nessa fase, as pessoas tendem a cooperar. É como quando você vai até a porta da casa do seu vizinho e dá ele papel higiênico se ele estiver em falta", diz Balzarini.

"Mas, com o tempo, à medida que os recursos se tornam mais escassos, as pessoas ficam mais estressadas, a energia se esvai, e a desilusão e a depressão tendem a se instalar. Quando isso começa a acontecer, podemos começar a ver casais em apuros."

Balzarini observou esse padrão em participantes — com 18 anos ou mais, provenientes de 57 países — de um estudo que ela e os colegas conduziram durante a pandemia.

No início, eles observaram fatores, como a preocupação financeira, associados a um maior desejo sexual entre os casais.

No entanto, ao longo do tempo, conforme as pessoas relatavam o aumento de fatores de tensão e depressão relacionados à pandemia, incluindo solidão, estresse em geral e preocupações específicas com a covid-19, elas também relatavam a diminuição do desejo sexual pelos parceiros.

A grande conclusão deste estudo, de acordo com Balzarini, é a relação entre estresse, depressão e desejo sexual.

No início da pandemia, os fatores de estresse podiam não estar "desencadeando a depressão" ainda. Mas quando esses fatores de estresse se tornaram prolongados, as pessoas ficaram exaustas.

O estresse está correlacionado com a depressão, e "a depressão afeta negativamente o desejo sexual", diz ela.

Além dos fatores de estresse diários causados pela pandemia, a ameaça maior do vírus despontava, à medida que as taxas de mortalidade e hospitalização aumentavam no mundo todo.

Esse perigo constante certamente ajudou a acabar com o clima entre os casais.

"Você vai ouvir terapeutas sexuais dizerem algo como: 'Duas zebras não acasalam na frente de um leão'", diz Jamea.

"Se houver uma ameaça enorme bem ali, isso enviará um sinal para nossos corpos de que agora provavelmente não é um bom momento para fazer sexo."

Por esse motivo, "o estresse acentuado leva ao baixo desejo ou dificuldade de excitação", acrescenta.

Excesso de convivência

Embora Balzarini tenha ouvido falar de casais tomando banho ou nadando juntos no meio da tarde no início da pandemia, essas experiências mais sensuais do que o normal acabaram "perdendo seu encanto", diz ela.

E deram lugar às crescentes demandas diárias, como casas mais bagunçadas, e os casais começaram a se criticar.

Lehmiller descreve isso como "efeito da superexposição", que oferece a oportunidade para "pequenos hábitos do parceiro começarem a te irritar".

Balzarini se lembra de alguém contar a ela que nunca havia percebido quanto barulho seu parceiro fazia ao mastigar até que começaram a fazer todas as refeições juntos durante o lockdown.

Esse tempo maior juntos também pode diminuir seriamente o apetite sexual.

"Um dos segredos para manter o desejo em um relacionamento no longo prazo é ter algum senso de mistério em relação ao parceiro e alguma distância", diz Lehmiller.

"Quando vocês se veem o tempo todo... a sensação de mistério vai embora."

Afastadas de suas vidas sociais e profissionais pré-pandemia, as pessoas também podem começar a perder o senso de identidade, o que pode afetar a confiança e o desempenho sexual.

As mulheres, sobretudo, tiveram que deixar suas carreiras em segundo plano durante a pandemia, uma vez que as tarefas domésticas, a criação dos filhos e as demandas do ensino remoto recaíram desproporcionalmente sobre elas.

"Isso foi muito, muito difícil para muitas mulheres", afirma Jamea.

"(As carreiras) são uma grande parte da identidade, e levamos tudo o que somos para o quarto. Se não sabemos quem somos, de repente, pode parecer que não há nada para levar."

Há salvação?

Mas o sexo não está necessariamente condenado. Pesquisadores do Instituto Kinsey sugerem um comportamento específico para melhorar a vida sexual dos casais: sacudir as coisas.

Um em cada cinco participantes do estudo experimentou algo novo na cama e isso ajudou a reacender o desejo e a intimidade.

"Pessoas que tentaram coisas novas eram muito mais propensas a relatar melhorias", diz Lehmiller.

Entre as atividades que ajudaram a melhorar a vida sexual dos casais, estavam "experimentar novas posições, realizar fantasias, praticar BDSM (sigla em inglês para bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo) e fazer massagem", de acordo com o estudo.

Mas para aqueles em relacionamentos em que a atividade sexual diminuiu durante o ano passado e não foi retomada, haverá danos duradouros? Depende, dizem os especialistas.

Alguns podem não se recuperar "porque tiveram uma falta de conexão tão prolongada", avalia Lehmiller.

A pesquisa dele também mostrou que algumas pessoas traíram seus parceiros pela primeira vez durante a pandemia — uma indiscrição da qual os parceiros podem ter dificuldade de se recuperar.

Outros continuarão a sofrer com as perdas de emprego relacionadas à pandemia, assim como com fatores de estresse financeiro que pairam sobre os relacionamentos e podem causar atritos.

Mas, para muitos, há esperança. Com cada vez mais pessoas sendo vacinadas, as empresas estão reabrindo, e alguns profissionais estão voltando ao escritório.

"As pessoas estão começando a voltar à sua velha rotina", diz Jamea.

Ela está vendo os efeitos positivos disso nos casais que frequentam sua clínica.

Qualquer tipo de retorno à "normalidade" é um bom indicador para parceiros cujas dificuldades começaram durante a pandemia.

"É possível que alguns desses casais, assim que a pandemia estiver sob controle... voltem a ser como eram antes", diz Lehmiller.

"Quando esse fator de estresse for removido, sua vida sexual vai melhorar."

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'Morte no Brasil é planejada', dizem oposicionistas sobre recusa de vacinas

Oposicionistas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acreditam que recusa de propostas da Pfizer foi proposital - Pedro Ladeira/Folhapress
Oposicionistas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acreditam que recusa de propostas da Pfizer foi proposital Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

21/05/2021 09h49

Atualizada em 21/05/2021 09h57

Em um mês, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ignorou 10 e-mails da farmacêutica Pfizer, que propunha a negociação de doses da vacina contra a covid-19. Diante da revelação feita pela Folha de São Paulo com base em documentos da CPI da Covid, oposicionistas têm visto como proposital o avanço de mortes no Brasil pela doença.

Para Guilherme Boulos (PSOL), a morte por covid-19, no Brasil, "é planejada". A perspectiva do ex-candidato à Prefeitura de São Paulo foi compartilhada na manhã de hoje, no Twitter.

Pazuello volta a negar que Bolsonaro mandou cancelar compra de vacina

Governo ignorou 10 e-mails da Pfizer e estocou 1,5 milhão de comprimidos de cloroquina. A morte por Covid no Brasil é planejada!Guilherme Boulos (PSOL)

Já o senador Humberto Costa (PT-PE) usou as redes sociais para questionar quanto vale uma vida para a gestão de Bolsonaro.

Na mesma linha, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB) declarou como "inacreditável" o Brasil ter ignorado dez e-mails da Pfizer oferecendo vacinas em um mês. O parlamentar afirmou que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello são "os coveiros do Brasil".

Inacreditável!!! O Brasil ignorou dez e-mails da Pfizer oferecendo vacinas em um mês O governo deliberadamente não fez nada para salvar vidas. Bolsonaro e Pazuello são os coveiros do Brasil!Orlando Silva (PCdoB)

E-mails ignorados

A primeira proposta da Pfizer ao Brasil oferecia lotes com 30 milhões e 70 milhões de doses contra a covid-19. Essa proposta foi enviada em 14 de agosto de 2020, de acordo com documentos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, obtidos pela Folha. A proposta tinha validade até o dia 29 do mesmo mês.

A ausência de respostas conclusivas do Ministério da Saúde diante da farmacêutica na metade do ano passado atrasou o processo de negociação dos imunizantes e a aquisição de vacinas pelo Brasil.

Em depoimento à CPI da Covid, o CEO da Pfizer, Carlos Murillo, negou que cláusulas de venda dos imunizantes eram leoninas — abusivas — conforme o governo brasileiro apontava como fator para adiar a negociação.

Não concordo com esse posicionamento, não concordo com o qualificativo de cláusulas leoninas. Nesta pandemia a Pfizer correu riscos que requeria que todos colaborassem nesse processo. Por isso a Pfizer exigiu para todos os países as mesmas condições que exigiu para o Brasil. A referência a embaixadas não é correta, esta distorcida }CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo

A comissão instalada no Senado foi criada para investigar ações e omissões do presidente Jair Bolsonaro diante da crise gerada pela pandemia e os repasses federais aos estados e municípios.

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Reportagem: Jamil Chade - OMS: Covid-19 matou até 3 vezes o que governos registraram e será endêmica

iStock
Imagem: iStock
Jamil Chade

Colunista do UOL

Resumo da notícia

  • 6a maior causa de óbitos em 2020, covid-19 representou 3 milhões de mortes extras em comparação ao ano de 2019
  • Nas Américas, mortes em 2020 foram 60% superiores às taxas oficiais
  • Agência estima que entre 6 milhões e 8 milhões de pessoas podem ter morrido por conta da pandemia, de forma direta ou indireta

Os números reais das mortes causadas pela pandemia da covid-19 são até três vezes os registros oficiais feitos pelos países e poderiam somar entre 6 milhões e 8 milhões de óbitos em todo o mundo. A avaliação foi publicada nesta sexta-feira pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A diferença entre os números oficiais e as estimativas ocorre por vários motivos. A agência mundial da saúde aponta que a pandemia causou mortes indiretas por falta de acesso à saúde, aumento do suicídio e pela crise social. Além disso, existem amplas evidências de pessoas que morreram e que nunca foram testadas.

O resultado desse cenário, segundo a OMS, é que a real taxa de óbitos por conta da pandemia poderia ser entre duas e três vezes os dados oficiais de pessoas contabilizadas, que hoje é de 3,2 milhões. "Covid-19 é apenas uma fração da história", afirmou William Msemburi, que comanda o levantamento.

Samira Asma, representante da OMS, confirmou a conclusão do levantamento. "Estimamos que o número real de mortes seja de duas a três vezes maior que os dados oficiais", disse.

De acordo com a OMS, hoje os números oficiais apontam para 153 milhões de pessoas contaminadas além das 3,2 milhões de mortes. A covid-19 ainda entrou para a lista das principais responsáveis por óbitos no mundo, ocupando hoje a sexta posição. A liderança no ranking continua sendo de doenças cardíacas.

Mas a covid-19, mesmo contando apenas os números oficiais, já matou mais que diabete, câncer do pulmão e Alzheimer.

Em termos regionais, o continente que somou o maior número de mortes em excesso em 2020 foi o hemisfério americano, com 1,4 milhão de óbitos extras em comparação ao ano de 2019.

Mas os números oficiais apontam para apenas 860 mil casos de mortes oficialmente registrados. A taxa real, portanto, seria 60% superior.

Na Europa, os dados oficiais apontam para 590 mil mortes em 2020. Mas a OMS estima que a taxa chegue a 1,2 milhão. "O real impacto da pandemia na Europa é duas vezes maior", estima a agência.

Apenas sobre o ano de 2020, a OMS revela que, no total, o mundo somou 3 milhões de mortes extras por conta do novo coronavírus em comparação ao ano de 2019. Isso representa uma taxa superior ao total até agora oficialmente identificado de 1,8 milhão de mortes no ano passado pela doença. As estimativas apenas para o ano de 2020 apontam que pelo menos outras 1,2 milhão de mortes diretas ou indiretas não foram computadas.

Para 2021, essa tendência poderia ter sido aprofundada ainda mais diante do impacto da crise sanitária.

Doença endêmica

Em um outro alerta, 26 dos maiores especialistas do mundo apontam que existem indicadores claros de que a covid-19 se transformará em uma doença endêmica no planeta, o que exigirá um controle permanente por meio de vacinas e outras medidas.

A constatação faz parte de um informe encomendado pelo G-20 que, nesta sexta-feira, promove uma cúpula para lidar com a crise, em Roma.

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Argentina retoma lockdown após se tornar o país com mais vítimas diárias da Covid-19

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires - O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou a volta ao lockdown por nove dias, até 30 de maio, e no primeiro fim-de-semana de junho. O objetivo é tentar controlar a segunda onda da Covid-19, que faz da Argentina o país com mais mortes diárias no mundo por milhão de habitantes.

O anúncio de uma volta à fase 1 de confinamento surpreendeu: nos últimos dias, havia rumores de que seria anunciado um lockdown rígido apenas nos finais de semana.

"A medida entrará em vigor a partir da zero hora de 22 de maio até 30 de maio, inclusive. Depois desses nove dias, serão retomadas as atividades como hoje estão vigentes [toque de recolher entre as 20h e 6h]. No fim de semana dos dias 5 e 6 de junho, voltarão as restrições", anunciou o Alberto Fernández, na residência presidencial, em mensagem por rede nacional de rádio e TV.

Durante o anúncio, o presidente evitou usar as palavras "confinamento" ou "quarentena", ciente do trauma na sociedade argentina que, durante 2020, viveu 233 dias naquele que foi considerado o lockdown mais prolongado do mundo.

"Sou consciente de que essas restrições geram dificuldades", admitiu Alberto Fernández, advertindo que "a Argentina está vivendo o pior momento desde que começou a pandemia." Ele lembrou que "o problema é gravíssimo. Batemos recorde de contágios e falecimentos. O problema não se limita a determinada parte do território. É muito grave e evidente em todo o país", alertou.

Líder mundial em mortes diárias

A Argentina se tornou o país com mais mortes diárias por milhão de habitantes, de acordo com os dados cruzados do portal "Our World In Data", da Universidade de Oxford. São 16,46 óbitos por milhão de habitantes. O Brasil, por exemplo, contabiliza 11,82 mortes por milhão de habitantes.

Na terça-feira (18), o país teve 745 mortes, proporcionalmente, apenas atrás da Índia, Brasil e Estados Unidos. No total acumulado no ranking geral, a Argentina é o quarto país com mais óbitos na América do Sul, atrás apenas de Brasil, Peru e Colômbia. Em número de contágios, mesmo sendo um dos países que menos testa, a Argentina ficou atrás apenas de Índia e Brasil. Nas últimas 24 horas, foram 35.884 novos casos: um aumento de 33% em relação à semana anterior. 

Risco de colapso

A partir de sábado (22), serão suspensas todas as atividades sociais, econômicas, educativas, religiosas e esportivas. Só funcionarão os comércios essenciais e os envios a domicílio.

"Este esforço coletivo vai nos ajudar a atravessar esses meses de frio, reduzindo os contágios e falecimentos", explicou Alberto Fernández, indicando o risco de colapso do sistema de saúde.

Na média nacional, 72,6% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados. Na região metropolitana de Buenos Aires, esse número sobe para 76,4%. Porém, em alguns distritos, o colapso nas UTIs já é uma realidade.

"Há cidades e províncias que hoje têm seu sistema de saúde no limite, com hospitais públicos e clínicas privadas incapazes de atender a demanda", admitiu o presidente, lançando um apelo para as pessoas cumprirem as medidas. "Vou insistir: as autoridades locais devem aplicar as normas com vigor. Não há espaço para especulações e  tempo para dúvidas. Quanto à população, peço que tomem consciência da gravidade do momento", pediu.

Trauma social

O apelo de Fernández tem uma lógica social.

Depois da quarentena de oito meses no ano passado, o cansaço coletivo é generalizado e o país enfrenta um colapso econômico. 

A Argentina encolheu 10%. 

A inflação acumulada nos primeiros quatro meses do ano está em 17,6%  e chega a 60% por ano. 

A pobreza registrada no último trimestre de 2020 foi de 45%, com tendência de aumento.

Diante desse quadro, na terça-feira (18), o presidente descartou voltar ao lockdown que, 48 horas depois, adotou. 

"Não vou voltar [ao confinamento]. As pessoas não aguentam. 

Essa é a verdade", dizia Alberto Fernández, antes de mudar de ideia. 

Com 45 milhões de habitantes, a Argentina acumula um total de 3.447 milhões de contaminados e 72.699 mortos por Covid-19.

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Em retaliação à CPI, Bolsonaro ameaça acabar com Zona Franca de Manaus e revolta presidente da comissão

Revista Fórum, - Com a omissão do governo federal no colapso da saúde em Manaus cada vez mais latente diante dos depoimentos na CPI do Genocídio no Senado, Jair Bolsonaro (Sem Partido) resolveu retaliar o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que também atua na investigação, ameaçando acabar com a Zona Franca de Manaus, um dos principais polos de empregos da capital amazonense.

“Imagine Manaus sem a Zona Franca? É… o senador Aziz, você que fala tanto ai, na CPI… Senador Eduardo Braga, imagine ai o estado, ou Manaus, sem a Zona Franca de Manaus”, ameaçou Bolsonaro na live desta quinta-feira (20).

O vídeo foi publicado pelo deputado federal Zé Ricardo (PT-AM), que disse que “Bolsonaro deixou o Amazonas sem oxigênio e agora quer tirar os empregos ao ameaçar a Zona Franca de Manaus, para tentar inibir a CPI da saúde”.

Pelas redes sociais, o presidente da CPI classificou as ameaças de Bolsonaro como falta de respeito ao povo do Amazonas.

“O Presidente pode ameaçar a mim, ao Eduardo, mas ao ameaçar a Zona Franca de Manaus o negócio é mais embaixo. É preciso respeitar os amazonenses, porque ele não pode ameaçar algo que é garantido por lei, que assegura o sustento e a vida de tantos amazonenses”, disse Aziz.

“A Zona Franca tem um importante papel na economia, não apenas do Estado do Amazonas, mas do Brasil”, completou.

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