Somente 62% acham que Bolsonaro errou. Depois de TUDO? O Brasil tá realmente CONDENADO. Karol com K chegou aos 99%

O show inútil do general kamikaze

ESTRATÉGIA do partido dos GENERAIS para se SAFAR na CPI está sendo EXITOSA

Otto Alencar explicou DERROCADA MORAL de Pazuello

Para 62%, Bolsonaro ERROU ao combater isolamento social e seu governo AGIU MAL na pandemia. ________________________________________ Só 62%? AINDA nos 38%? Put4kiusp4riu...!

Vox: 72% estão insatisfeitos e 46% dizem que Bolsonaro é o pior presidente da história. _________ 54% ainda NÃO consideram o Bolsonazóide o PIOR da História?

Após encontro de Lula com FHC, Aécio diz que o petista 'não será opção no PSDB' __________________ Depois de TUDO o que ele FEZ ainda tem a coragem de tomar ESSA posição? Filh4d4put4...!

Darby Daniel ______________________________________ Festa de 80 anos do 'avô dos boy de programa' reúne 70 em sauna gay


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O show inútil do general kamikaze - Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel

No depoimento à CPI da Covid, o general Pazuello candidatou-se a ser chamado de tudo, menos de não ser caninamente leal a Jair Bolsonaro. Para blindar o chefe, assumindo o papel de bode expiatório que lhe foi reservado, mentiu, tergiversou, distorceu fatos e manipulou a história em curso do morticínio por Covid19.

 A história que ele contou não bate com a que foi vivida e sofrida pelos brasileiros. Jurou que fez tudo certo, tudo por conta própria e nunca recebeu ordens de Bolsonaro, embora tenha dito “um manda e o outro obedece”.

Inútil, porque as digitais de Bolsonaro estão bem gravadas.  Ele mesmo registrou, por todos os meios, sua pregação contra as medidas de isolamento e proteção, como o uso da máscara, contra a compra de vacinas e a favor da cloroquina e de outros emplastos inúteis, dando uma ilusão de segurança aos seguidores de seu apelo para levarem uma “vida normal”, ao encontro da doença e da morte.  

Para blindar Bolsonaro, agindo como um soldado kamikaze,  chegou ao ponto de dizer que o chefe é um nas redes sociais, postagens e aglomerações, e outro na vida real do governo.  Seu nervo vago não reagiu quando foi confrontado com vídeos em que Bolsonaro vociferava contra vacinas e negava a realidade da pandemia.  

Dizendo-se defensor do isolamento, calou-se quando surgiu o vídeo em que ele diz que não adiantava ficarem todos em casa. Isso lá em Manaus, com o vírus galopando. Que o importante era irem ao posto de saúde e pegar os remédios se sentissem algo. 

Sim, os remédios recomendados pelo Tratecov, o aplicativo que ele jura nunca ter sido postado. Um hacker é que o colocou no ar, e como disse um senador,  hacker tão competente que conseguiu veicular uma matéria na TV Brasil, nossa antiga TV pública, hoje TV do Bolsonaro, exaltando a utilidade do aplicativo. 

Não vou ficar enumerando mentiras. Foram muito mais que as 14 do primeiro dia,  contadas pelo relator Renan Calheiros. O Brasil inteiro viu, e mesmo o bolsonarista mais renitente deve ter sentido vergonha alheia por ver um general do Exército mentir tanto.  

Quando mentia, era inteligente. Quando não mentia, fingia-se de burro. Foi o que fez quando o senador Randolfe tocou num dos pontos mais graves, e este vale repetir aqui.

A compra das vacinas Pfizer continuava empacada no final do ano, por conta da inexistência de uma lei que autorizasse o governo a assinar um contrato isentando o fabricante de responsabilidade por efeitos colaterais. A minuta de uma medida provisória continha artigo neste sentido. E Randolfe teve acesso a ela na época.

Mas quando o texto chegou ao Congresso com a assinatura de Bolsonaro, o artigo não constava do texto. O senador fez uma emenda reiterando a autorização, que foi aprovada, mas o trecho foi vetado por Bolsonaro. Ele não queria a compra da vacina. E só com isso, ele atrasou em muito o contrato.

O assunto acabou sendo resolvido pelo Congresso, num projeto assinado pelo presidente do Senado, para não irritar o Planalto com a autoria do senador da oposição. E finalmente foi sancionado, porque naquela altura Bolsonaro e filhos já haviam se rendido à vacina, ante a pressão crescente por uma solução para a mortandade.

O esforço de Pazuello serviu para complicar mais sua situação, para caracterizar melhor suas responsabilidades, mas não servirá para isentar Bolsonaro de todo o mal que fez ao povo brasileiro, empurrando milhares para a morte, seja com as pregações que levaram a descuidos, seja com a sabotagem da vacina ou a empurroterapia da cloroquina. O relatório não será feito em cima de depoimentos, mas do conjunto de elementos probatórios. E Bolsonaro os forneceu e continua fornecendo com fartura.

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Estratégia do partido dos generais para se safar na CPI está sendo exitosa - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola

O SR. RENAN CALHEIROS – Quem indicou o seu nome, Ministro, para o Presidente Bolsonaro?

O SR. EDUARDO PAZUELLO – Eu acredito que as indicações vieram dos oficiais generais ... Eu não sei qual deles, mas acredito que veio do grupo de oficiais que trabalhavam com o Presidente”.

Sessão da CPI da Pandemia no Senado, 19/5/2021.

A CPI da Pandemia está acertando nos alvos secundário e terciário, que são o presidente Jair Bolsonaro e o general Eduardo Pazuello. Mas, até aqui, na sua 3ª semana de funcionamento, a Comissão está tangenciando o alvo principal da cadeia de responsabilidades pelo genocídio de quase 500 mil brasileiros e brasileiras, que é o partido dos generais.

São eles que de fato controlam o governo militar e presidem as escolhas, as omissões, as negligências e os desatinos oficiais – não só no desastre pandêmico, como também na catástrofe humanitária, na devastação social, ambiental e econômica do país e na destruição da soberania nacional.

Ao ser perguntado pelo relator Renan Calheiros sobre quem o indicou para o cargo, o general Pazuello não poderia ter sido mais previsível a respeito de quem, de fato, está no comando: “Eu acredito que as indicações vieram dos oficiais generais …. acredito que veio do grupo de oficiais que trabalhavam com o Presidente”, ele declarou.

No momento inaugural do depoimento, em pronunciamento lido com suor no rosto, Pazuello já tinha mencionado que “entre os dias 14 e 16 de abril de 2020, recebi algumas ligações telefônicas dos oficiais-generais que estavam no Governo Federal, para discutir uma possível indicação para que eu pudesse auxiliar na transição do Ministro Mandeta para o ministro que seria nomeado”.

Numa frase meticulosamente construída para aparentar falsa desvinculação do Comando do Exército com sua alocação política no governo, Pazuello leu que “no dia 16 de abril à tarde, quando o Comandante Supremo das Forças Armadas, o nosso Presidente da República, me ligou e se posicionou de forma clara e direta para eu vir”.

E ele complementou, traindo-se em relação à real subordinação hierárquica, que na verdade é devida aos chefes do partido dos generais, e não a Bolsonaro: “A partir daquele momento, organizei a minha partida, peguei meus uniformesembarquei com meu assistente-secretáriopara vir cumprir a missão”.

Se se tratasse de um governo civil comandado por um presidente civil, o general da ativa não seria convocado para cumprir missão civil trazendo seu uniforme militar e assistente-secretário idem.

A geração atual no comando das Forças Armadas, especialmente os generais que comandam o Exército, acalentam um plano duradouro de poder. Trata-se da geração cultivada no “porão fétido do velho regime e fermentada numa cultura conspirativa e autoritária, que possui forte ambição política” e que nunca aceitou o fim da ditadura, em 1985.

O problema é que este ajuntamento partidário de militares fora da lei não contava que no meio do caminho do seu projeto de poder aparecesse a pandemia do coronavírus e que a farsa da gangue da Lava Jato contra Lula fosse descoberta.

Com a perda de popularidade dos militares e o aprofundamento da crise de legitimidade do regime, os militares rapidamente passaram a ajustar o posicionamento em relação a Bolsonaro, procurando marcar distância da aberração parida por eles mesmos.

A “demissão” do ministro da Defesa e dos comandantes das 3 Forças, em abril passado, como se tivessem sido demitidos por discordarem da escalada autoritária do Bolsonaro, é parte da pantomima para incutir a narrativa do falso papel “legalista, democrático e profissional” das Forças Armadas.

Na CPI, esta estratégia militar está sendo explorada com êxito. O partido dos generais está entregando Bolsonaro, Pazuello e quaisquer atores militares coadjuvantes, que são os anéis. Assim, preservam seus dedos, braços, corpo, cérebro …

A presença de Pazuello em traje civil ao invés da farda militar, como seria o esperável para um general da ativa em missão oficial, é parte do planejamento para desvinculá-lo da instituição militar. Jogaram-no aos leões, em certo sentido.

A CPI, por enquanto, não está conseguindo – ou não está querendo – chegar nos reais responsáveis pela barbárie que promove o morticínio evitável de centenas de milhares de brasileiras e brasileiros, e que faz do Brasil uma ameaça biológica, humanitária e civilizatória em escala planetária.

Esta realidade não caracteriza, evidentemente, um fracasso na prioridade fundamental de desgastar, sangrar e inviabilizar a continuidade do facínora que exerce o poder nominal como biombo do partido dos generais, mas é uma clara evidenciação do limite de alcance da CPI até aqui, que permite que os militares estejam se livrando de suas responsabilidades criminais e históricas.

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Otto Alencar explicou derrocada moral de Pazuello - Paulo Moreira Leite

Por Paulo Moreira Leite

Otto Alencar e Eduardo Pazuello

Por Paulo Moreira Leite

Se a pandemia produziu pelo menos um discurso definitivo, trata-se de um pronunciamento de hoje,  do senador Otto Alencar (PSD-BA). 

Quem não ouviu, deve procurar nas redes sociais. Quem já ouviu, deveria compartilhar com amigos. 

No prazo regulamentar de 15 minutos reservado a cada membro da CPI, Alencar deu uma lição preciosa sobre o papel que cada um assumiu numa das grandes tragédias de nossa história, em particular em posições de alta responsabilidade política. Seu alvo é Eduardo Pazuello.

Enquanto Pazuello jamais escondeu -- em tom até descontraído, como se fosse a coisa  mais natural do mundo --  seu conhecimento nulo sobre Medicina em geral e sobre a Covid-19 em particular, Alencar usou o discurso para defender uma ideia irrespondível. 

Mostrou que o papel de Eduardo Pazuello na tragédia, cujas responsabilidades serão apuradas e definidas pela CPI, não se explica apenas pelo comportamento submisso diante de Jair Bolsonaro, como já ficou  evidente em tantas ocasiões, no ministerio e depois.

 Também não envolve uma decisão errada aqui, uma omissão mais adiante.  

Na origem de uma gestão desastrosa de dez meses, ao longo da qual o número de óbitos pela Covid saltou de 15 000 para 295 000, o senador apontou  uma decisão anterior e definitiva -- o fato de Pazuelo ter  assumido a responsabilidade de tornar-se Ministro da Saúde, órgão estratégico em qualquer momento da história do país, ainda mais numa pandemia,  sem ter o menor conhecimento de uma área onde teria a missão seria zelar pela preservação da vida de 210 milhões brasileiras e brasileiros. 

Depois de colocar questões elementares para Panzuello -- como perguntar quando um coronavírus fora identificado pela primeira vez, coisa que o ex-ministro não sabia  -- Otto Alencar foi simples e direto: 

"O senhor não sabe nem o que é a doença, não sabe nada da doença, não podia ser Ministro da Saúde, pode ter certeza absoluta. Eu por exemplo, no seu lugar, não aceitaria", acrescentou, numa argumentação que passa longe de qualquer espírito corporativo. 

Formado em Medicina em Salvador em 1972, com especialização no Hospital das Clínicas em São Paulo, a crítia do  senador lembrra que o despreparo de Eduardo Pazuello foi um dos elementos-chave para transformar a pandemia numa tragédia. 

Sem minimizar, por um minuto, as responsabilidades de Jair Bolsonaro na pandemia, essa visão se apoia num raciocínio fácil de compreender. 

Após a entrada de Pazuello, o ministério da Saúde, primeiro posto na hierarquia sanitária do país,  ficou sob comando de uma autoridade que não tinha noção real dos riscos e ameaças a população, não podia avaliar a natureza de decisões tomadas a sua volta, nem medir suas consequências a médio e longo prazo. 

Como era fácil perceber, Bolsonaro não estava interessado num ministro de Estado, com idéias e opiniões -- mas num despachante disposto a encaminhar decisões recebidas sem discutir. 

Como o tempo se encarregou de mostrar, Pazuello não  podia resistir silenciosamente a determinações absurdas do presidente, como fez Nelson Teich em sua curta passagem pela pasta, ou de forma mais barulhenta, como Luiz Henrique Mandetta, capaz falar em voz alta que alguma coisa estava errada a sua volta -- ou acima de sua cabeça. 

Em sua condição, Pazuello entrou para a história da pandemia como a autoridade incapaz de compreender os argumentos médicos que apontavam a tragédia como resultado inevitável de decisões tomadas de cima para baixo -- boa parte com sua assinatura. 

"A falta de conhecimento médico" impediu Pazuello de compreender a importância da "falta de kit intubação", que tantas vidas poderia ter salvo nas UTIs do país inteiro, explicou Otto Alencar, antes de acrescentar: "isso só acontece no Brasil e neste governo".

Embora tenha feito o possível para ficar longe de decisões comprometedoras que alimentaram a tragédia, a pedra no caminho de Eduardo Pazuello consiste em encarar a responsabilidade por uma decisão irresponsável, assumindo uma tarefa que não tinha a menor condição de desempenhar. Bastava dizer não. 

Alguma dúvida?

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Bolsonaro sente o golpe e agride Lula e FHC

Jair Bolsonaro e os ex-presidentes Lula e FHC

247 - Jair Bolsonaro resolveu, nesta sexta-feira (21), atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva, depois que o petista informou ter almoçado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para discutir sobre o contexto político brasileiro atual.

"Para o ano que vem já tem uma chapa formada: um ladrão candidato a presidente e um vagabundo como vice", afirmou Bolsonaro durante a entrega de títulos de terra no Maranhão.

Ao comentar a almoço com FHC, Lula disse que "os ex-presidentes tiveram uma longa conversa sobre o Brasil, sobre nossa democracia, e o descaso do governo Bolsonaro no enfrentamento da pandemia".

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Para 62%, Bolsonaro errou ao combater isolamento social e seu governo agiu mal na pandemia

247 - Uma pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi, divulgada nesta sexta-feira (21), apontou que, para 62% dos brasileiros, Jair Bolsonaro agiu errado ao se manifestar contra o isolamento social; 34% acham que ele está certo e 4% não souberam ou não responderam. 

A pesquisa também mostrou que 62% dos brasileiros disseram ver como negativa a condução da pandemia pelo governo, um aumento de 13 pontos percentuais na comparação com junho de 2020 (49%).

De acordo com os números, 15% afirmaram enxergar como positiva (eram 24%) e 22% como regular (também eram 24%). Ao todo, 1% dos entrevistados não souberam ou não responderam. 

As estatísticas mostraram que, para 20% dos entrevistados, Bolsonaro é totalmente responsável pelas mortes causadas pela pandemia, um aumento de quatro pontos percentuais na comparação com junho de 2020. 

Segundo a pesquisa, 34% acharam que ele tem a maior parte da responsabilidade, alta de dois pontos percentuais. Para 20%, Bolsonaro tem a menor parcela de culpa, queda de dois pontos percentuais, e 23% avaliaram que ele não tem responsabilidade alguma, três pontos percentuais a menos na comparação o último levantamento. Ao todo, 3% não souberam 

Os números apontaram que, para 79%, o governo errou em pagar um auxílio emergencial com valores menores do que os R$ 600; 17% disseram a ver a medida como correta e 4% não souberam ou não responderam. 

Conforme a pesquisa, 55% avaliaram que o Brasil precisa usar todos os recursos (dinheiro), inclusive aumentar a dívida, para superar as crises econômica e sanitária; 36% discordam da medida e 9% não souberam ou não responderam. 

Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 119 cidades brasileiras, de 12 a 16 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e um intervalo de confiança de 95%.

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Vox: 72% estão insatisfeitos e 46% dizem que Bolsonaro é o pior presidente da história

247 - Um levantamento feito pelo Instituto Vox Populi, divulgado nesta sexta-feira (21), apontou que 72% dos brasileiros estão insatisfeitos com o governo Jair Bolsonaro, um aumento de dois pontos percentuais a comparação com a pesquisa anterior, de abril de 2019. Os satisfeitos somaram 27%, queda de dois pontos percentuais. Os que não responderam ou não souberam somaram 1% (eram 2% nas estatísticas anteriores).

De acordo com a pesquisa, 46% dos entrevistados disseram que Bolsonaro já pode ser considerado o pior presidente da história do Brasil, um aumento de 16 pontos percentuais em relação a este quesito ("Qual é o pior presidente que o Brasil já teve?"), abordado pelo instituto em dezembro de 2019 - a pergunta foi feita de forma espontânea, quando não são apresentados os nomes dos políticos. 

A pesquisa mostrou que, na avaliação de 46% dos brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva foi o melhor presidente da história do Brasil; 17% afirmaram que é Bolsonaro e 8% citaram outros nomes. Para 12% nenhum dos que ocuparam o Planalto pode ser considerado o melhor e 10% não souberam ou responderam. 

Segundo os números, 50% dos entrevistados afirmaram que gostam do petista; 25% disseram gostar dele; 24% não gostar nem desgostam e 2% não souberam ou não responderam. 

Em relação a Bolsonaro, 27% disseram que gostam e 50% afirmaram não gostar dele; 22% não gostam nem desgostam, e 2% não souberam ou não responderam. 

Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 119 cidades brasileiras, de 12 a 16 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e um intervalo de confiança de 95%.

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Após encontro de Lula com FHC, Aécio diz que o petista 'não será opção no PSDB'

Ex-presidentes FHC e Lula, e o deputado Aécio Neves (PSDB)

247 - O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) criticou o encontro entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e afirmou que o petista nunca será opção dentro da sigla tucana. Os dois ex-chefes do Planalto almoçaram juntos para discutir sobre o contexto político atual.

"O PSDB deve continuar a busca de uma candidatura ao centro, e há sinais claros de que além dos nomes colocados até aqui, o senador Tasso (Jereissati) começa a considerar realmente uma candidatura. Lula nunca foi, e não acredito que será uma opção para o PSDB", disse o parlamentar em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

"O presidente Fernando Henrique, aos 90 anos, tem o direito de almoçar, jantar e tomar seu vinhozinho com quem ele escolher. E é uma felicidade pros seus amigos ver que ele faz isso com frequência e invejável disposição", acrescentou. 

Aécio foi candidato à presidência da República pelo PSDB e perdeu para a então presidente Dilma Rousseff até no próprio reduto eleitoral do tucano, Minas Gerais, tanto no primeiro como no segundo turno. 

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Com ajuda dos EUA, Polícia Civil evita massacre em escola de Brasília

Carlos Carone, Milena Carvalho, Metrópoles - Policiais Civis da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, em parceria com a Adidância da Polícia de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, deflagraram a Operação Shield e, nesta sexta-feira (21/5), ouviram uma pessoa suspeita de planejar um massacre em escola do Recanto das Emas, no Distrito Federal.

Metrópoles apurou que, apesar do envolvimento da polícia norte-americana na investigação, o ataque não ocorreria em colégios internacionais, como a Escola das Nações e a Escola Americana, mas em um colégio público do DF. O massacre aconteceria quando as aulas presenciais fossem retomadas, uma vez que, devido à pandemia do novo coronavírus, os alunos estão tendo lições remotas.

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O brasileiro é fascista - Mauro Nadvorny

Por Mauro Nadvorny

O Brasil teve um governo progressista por 8 anos com o Presidente Lula. Não se pode dizer que o sistema tenha sido socialista, mas pode-se afirmar sem medo de errar, que não foi nada próximo do neoliberalismo. A ele se seguiu o governo de Dilma Rousseff que foi retirada do poder em um golpe branco dado por ex-aliados.

O golpe não só tirou o Partido dos Trabalhadores do poder, como foi responsável pela ascensão e fortalecimento da operação Lava Jato que culminou na prisão de Lula e na vitória de Jair Bolsonaro nas eleições que se seguiram.

Tanto o golpe, como as ações da Lava Jato tiveram o apoio incondicional da mídia brasileira. Mesmo baseado em fatos de duvidosa comprovação, a Presidente Dilma foi deposta com a ovação das ruas. A Lava Jato foi elevada ao patamar da Operação Mãos Limpas na Itália, seus membros aclamados como heróis e o Juiz Sergio Moro proclamado como o Super-Homem no combate a corrupção e endeusado quando da prisão de Lula, sob os aplausos da população. Não foi necessária provar nada, bastaram convicções. 

A seguir vocês elegeram Jair Bolsonaro como novo presidente e abraçaram o fascismo como sua bandeira. Ninguém poderia dizer que desconhecia as intenções de Bolsonaro. Elas eram todas conhecidas desde há muito. Sua expulsão do exército e sua carreira como parlamentar inepto eram de conhecimento público, assim como o que pensava sobre os negros, mulheres e LGBTs. Todos sabiam que ele é um apoiador da tortura.

Ainda assim, vocês optaram por colocar no poder uma família miliciana e se orgulham de tê-lo feito. Bolsonaro não existe como presidente, faz o que quer, descumpre as leis, incentiva o uso de medicações perigosas e sem nenhum efeito prático para combater a pandemia, ri dos mais de 400 mil mortos, ataca o poder judiciário e ainda assim vocês o adoram.

Em outros países, políticos eleitos que tiveram atitudes parecidas foram derrubados do poder. Mesmo em meio a pandemia, multidões lutam por seus direitos, mas não no Brasil. Aí as ruas são ocupadas por vocês para apoiar Bolsonaro. O presidente pede, e vocês saem para pedir um golpe militar com ele presidente.

Em todas eleições os mesmo políticos conhecidamente corruptos voltam a ser eleitos. É patético como vocês aceitam com placidez aquela frase de políticos de Repúblicas das Bananas: "Eu roubo, mas faço". Mesmo aqueles que nada fizeram além de roubar os cofres públicos, são reeleitos.

Por incrível que pareça os abusos policiais são apoiados por vocês. Ações policiais como a do Jacarezinho são admitidas como legítimas. Todo pobre e favelado já foi, é ou será um ladrão. Sendo assim, ladrão bom é ladrão morto. Ninguém se importa com isso e não se vê nenhuma manifestação nas ruas exigindo que os responsáveis sejam punidos.

O Brasil é fascista. O mundo hoje trata o país com desdenho e por conta do descontrole sobre a pandemia, como um pária internacional. Nenhuma nação quer receber vocês. O seu passaporte se tornou um sinônimo de vergonha.

Aquele país do samba, futebol e carnaval não existe mais. Multinacionais com anos de investimentos no Brasil estão indo embora, e com razão. Elas planejam seu futuro com antecedência e o Brasil não tem nenhum. Hoje todos querem distância de vocês.

Um país que ataca seu principal parceiro comercial e fornecedor de insumos para produção das vacinas contra a Covid-19, não se dá o respeito. Mesmo com a perda de seu principal mentor, Donald Trump, Bolsonaro continua se "pavoneando" como se tivesse alguma relevância no trato diplomático internacional.

O brasileiro é fascista. Um povo que elege e mantém no poder um Jair Bolsonaro, não tem outra denominação que não esta. Vocês o elegeram, vocês o veneram, vocês são o suporte para todos seus devaneios. Ele não teria saído do esgoto de onde veio não fosse com o seu apoio.

O mundo não vai perdoar vocês. Não vai perdoar o que vocês estão fazendo com a Amazônia, não vai perdoar com o que vocês estão fazendo com os povos indígenas, não vai perdoar vocês por assassinarem os que defendem os Direitos Humanos. 

Em breve vamos assistir ao surgimento de movimentos que inicialmente vão iniciar o boicote aos produtos brasileiros para logo boicotarem as universidades, os artistas, os times de futebol e tudo mais que tenha relação com o Brasil. O mundo livre não suporta fascistas. 

Não concorda?

Se você, leitor de esquerda chegou até aqui, se acalme. Sei que a esta altura deva estar indignado, afinal de contas você não votou nele, não coaduna com suas ações e muito provavelmente participa de ações contra o seu governo. 

Agora você deve fazer uma ideia de como é que nós, israelenses sionistas socialistas, que toda nossas vidas combatemos o fascismo nos sentimos quando você fala de Israel de maneira generalizada. Aqui também combatemos o governo fascista de Benjamin Netanyahu, somos a favor de um Estado Palestino e contra todo tipo de violência.

Quando você acha que Israel está fazendo algo errado, saiba que é muito provável que nós também achamos . Mas nós combatemos o governo, não o país que é composto de cidadãos de todo espectro político.

Assim como existem brasileiros de esquerda resistindo ao governo fascista de Bolsonaro, existem israelenses de esquerda resistindo ao governo de Bibi. Quando Israel é bombardeada, nós também sofremos com isso, somos parte da população. Compreendemos perfeitamente que do outro lado da fronteira o sofrimento é o mesmo.

Não seja mais um antissemita que usa seu discurso antissionista para verbalizar todo seu racismo e seu ódio aos judeus.  

Pense nisso na próxima vez que se manifestar contra o conflito. Precisamos de vozes que compreendam os dois lados, que sejam parceiros dos dois povos, que levem as lideranças dos dois povos a buscarem um acordo de paz com justiça. Todos nós deploramos a violência e temos direito a vida.

Finalmente temos um cessar fogo e torcemos para que ele seja permanente. Basta de mortes, basta de terror e destruição. Somos de esquerda, somos antifascistas. 

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Reportagem: Paulo Sampaio - Festa de 80 anos do 'avô dos boy de programa' reúne 70 em sauna gay

Darby Daniel, 80 anos: o show não terminou - Fernando Moraes/UOL
Darby Daniel, 80 anos: o show não terminou Imagem: Fernando Moraes/UOL
Paulo Sampaio

Colunista do TAB

22/05/2021 04h01

Em um dos movimentados domingos da "Jovem Guarda" na TV Record, em 1966, Darby Daniel deu pela falta da meia de náilon que usava para fazer uma touca no cabelo crespo do cantor Roberto Carlos. "A gente precisava dar uma amassada para baixar", explica. "Usei a meia da Wanderléa, foi o jeito."

Nenhuma sensação de pertencimento pode se comparar ao desfrute de chamar Roberto Carlos apenas de "Roberto" e ainda ter autonomia para alisar o cabelo do rei com a meia calça de Wanderlea."Ninguém entrava no camarim do Roberto. Só o Erasmo, a Wanderléa e eu", conta Darby, que comemorou 80 anos no dia 12 de maio na Espaço Lagoa, sauna gay frequentada por garotos de programa em São Paulo. "Ele é o 'avô' dos boy", disse um dos rapazes disponíveis ("Cobro R$ 200. Faço ativo, passivo e passo maquininha...").

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No camarim de Roberto Carlos, Darby Daniel estava cabeleireiro. Mas a função exercida por ele era o de menos, desde que tivesse oportunidade de travar contato com celebridades.

Wanderlea: "Eu me lembro bem do episódio da meia. Na época, a gente não dispunha da tecnologia de alisamento que existe hoje, e o Darby resolvia o cabelo de todo mundo. Ele é uma figura querida. Ao longo dos anos, a gente viveu muita história engraçada. Uma vez, ele me chamou para ir ao show do Michael Jackson no Morumbi, mas não me disse que não tinha convite. Quando a gente chegou lá, no meio daquele tumulto da entrada, ele gritava: 'Dá licença, dá licença, é a Wanderléa com a direção da CBS! [gravadora]', e assim a gente foi passando, de catraca em catraca, até chegar muito perto do palco. Assistimos ao show no gargarejo. Minhas filhas, que eram pequenas e foram junto, amaram. Até hoje, elas abrem um sorrisão quando eu falo do Darby."

Com Wanderlea e a filha dela, Jade - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Com Wanderlea e a filha dela, Jade Imagem: Arquivo Pessoal

Garçom na pornochanchada

Em 60 anos infiltrado em bastidores de teatro, cinema e TV, Darby Daniel fez "de um tudo". Lançou atores transformistas no programa de Silvio Santos; arregimentou garotos de programa para "muita gente do meio artístico"; fez figuração em filmes como "24 Horas de Sexo Ardente", de Zé do Caixão...

"O Darby prestou grande serviço à cinematografia brasileira", afirma o rei da pornochanchada David Cardoso, 78. "Pouca gente o conhecia, porque o trabalho dele era informal. De vez em quando indicava um ator, uma atriz, levava uma roupa para compor o figurino. E atuava também. Fez papel de garçom em 'Amadas e Violentadas', um dos meus filmes de maior sucesso. Ficou em cartaz no Cine Marabá por 8 semanas, o dobro do tempo de 'O Poderoso Chefão'."

São de Darby Daniel também iniciativas como a produção do primeiro show de strip-tease de rapazes sarados, com direito à ereção no final, e o pioneiro Miss Bumbum, que atraiu uma multidão de jovens para a matinê da boate Banana Power, frequentada pela elite paulistana. As moças se apresentavam encapuzadas, de forma que o rosto correspondente ao "bumbum" ficasse por conta da imaginação da audiência. Em ambos os casos, Darby diz que poderia ter sido preso.

Agnaldo "conheci muito" Timóteo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Agnaldo "conheci muito" Timóteo Imagem: Arquivo Pessoal

Salvo pelo coronel, na ditadura

Durante o regime militar, a censura classificava espetáculos daquele tipo como subversivos. Acontece que a relação de Darby Daniel com a nudez não era "política". Em sua alienação de "bicha fechativa", cujo objetivo precípuo era "arrasar!", ele não media esforços para levar suas ideias a cabo.

"Chamei o coronel Erasmo Dias para participar do júri do concurso [Miss Bumbum]. Ele sempre me ajudava com a censura", lembra. Erasmo Dias foi secretário da Segurança Pública de São Paulo entre 1971 e 1979, e é lembrado como um dos nomes mais atuantes no período da repressão. Em outubro de 1975, após a morte do jornalista Vladimir Herzog no DOI-Codi de São Paulo, o coronel afirmou que "guerra é guerra": "Vamos almoçar essa gente antes que ela nos jante".

O nome de Erasmo Dias também foi evocado quando a polícia tentou impedir o avanço do Ford Galaxie com capota recortada que transportava Darby vestido de Bela Adormecida, dentro de um caixão de vidro, na festa "Uma Noite na Broadway". Produzida sempre em agosto pela boate Medieval, que funcionou nas décadas de 1970 e 1980 na rua Augusta, a festa parava o trânsito. "Os guardas não queriam nos deixar passar, eu levantei do caixão e gritei o nome do coronel. Disse que era sobrinho dele, e eles imediatamente abriram caminho."

No ano seguinte, quem parou o trânsito foi o elefante que transportava a atriz Wilza Carla, famosa pela obesidade. "Todo mundo ia ao Medieval: do Chiquinho Scarpa ao [presidente Fernando] Collor."

Darby Daniel: faz-tudo da noite, criador do Miss Bumbum, comemorou os 80 anos em uma sauna gay de São Paulo - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
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Darby Daniel, aos 80 anos - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Estreia de Claudia Raia

Nascido em Campinas, Darby Daniel é filho de uma costureira e um policial, tinha uma irmã mais velha e cursou até a antiga 4ª série do ensino fundamental. Era menor de idade quando foi assistir pela primeira vez ao concurso de Miss Brasil no Maracanã. "Sempre tive loucura por concursos. Um amigo coroinha que transava com o monsenhor da catedral conseguiu duas batinas. A gente embarcou vestido de padre, e ninguém pediu nossos documentos."

Anos mais tarde, já colaborador de Silvio Santos, Darby sugeriu a apresentação de uma bailarina de 7 anos, "filha da proprietária da maior academia de balé de Campinas, dona Odete Motta Raia". A ideia era colocar a menina dando aula para um grupo de senhoras da terceira idade. "Fui o primeiro a levar Claudia Raia para a TV", orgulha-se. "Ela não conta isso, diz que foi o Jô Soares. Tudo bem, eu respeito. Grande atriz!"

Procurada, a assessoria de Claudia Raia não se manifestou.

Em outro momento, atendendo ao pedido do diretor da gravadora Copacabana, Darby foi atrás de um transformista sósia de Roberta Miranda, para acompanhá-la no lançamento de um LP, também no SBT. "Darby é uma grande figura. Que saudade daquela época", diz Roberta, lembrando o ano de 1987. "O número com a minha sósia foi um sucesso." Roberta cantou a música "Vá com Deus!"

Angela Maria - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Angela Maria Imagem: Arquivo Pessoal

Troféu Charlie Chaplin

A dada altura, para atrair atores "nível Globo" para os shows que produzia, Darby Daniel instituiu o troféu Charlie Chaplin. Era entregue semanalmente na boate gay Nostromondo (1971-2014), tida como a mais antiga de São Paulo. Clássico trash, o lugar era pequeno, abafado e estava sempre abarrotado de gente. Em sua curadoria amalucada, Darby misturava da cantora Perla à atriz Glória Menezes, de Lady Zu a Eva Wilma. Todos iam.

Um dia, ele chamou para se apresentar antes do show de garotos pelados a dupla de palhaços Fuzarca e Torresmo. Os dois chegaram atrasados, e entraram direto em cena. "No meio da apresentação dos palhaços, surge no palco aquele bando de meninos nus, de pau duro. Imagina isso! Morri de vergonha. Empurrei todo mundo de volta para o camarim, enquanto os palhaços sorriam amarelo."

O assunto do "dote dos boys" reaparece a todo instante, como uma obsessão. Entre os famosos, ele afirma que os "maiores" que já viu foram o de Paulo César Grande (em filme) e Herson Capri (na peça "Lição de Aanatomia", encenada em 1975 e 1976). "Uma loucura", diz.

Nostromondo: convite para entrevista com Ney Matogrosso feita por transformista sósia de Hebe Camargo - Reprodução - Reprodução
Nostromondo: convite para entrevista com Ney Matogrosso feita por transformista sósia de Hebe Camargo Imagem: Reprodução

Show, bingo e bolo de chocolate

Darby Daniel comemorou seus 80 anos como lhe convinha. Teve show da drag Stephanie de Bourbon, que dublou "I'll Always Love You" cantada por Whitney Houston, bingo, bolo de chocolate e parabéns. Alguém pergunta se vai ter salgadinho. O animador, Carlota, responde: "Veio para comer ou para dar?"

Aberta em 1992, a sauna sobreviveu à pandemia da Aids e, ao que tudo indica, enfrenta à de covid-19 com a cara (sem máscara) e a coragem. De acordo com informações obtidas no caixa, cerca de 70 pessoas passaram por ali naquele dia. Na hora do bingo, 40 homens se apinhavam no bar de cerca de 60 m² do primeiro andar.

Imunizado contra o coronavírus, Darby Daniel compareceu ao posto de saúde para tomar a vacina vestido de gueixa.

Com Stephanie de Bourbon, na hora do parabéns - Paulo Sampaio/UOL - Paulo Sampaio/UOL
Com Stephanie de Bourbon, na hora do parabéns Imagem: Paulo Sampaio/UOL

Simony de Papai Noel

No sortido portfolio de Darby Daniel, destacam-se as festas de Natal promovidas na Fragata, outra sauna na qual ele era useiro e vezeiro. "Eu vestia um famoso de Papai Noel, para as pessoas adivinharem quem era. No primeiro ano foi a Simony. Depois, a Maria Alcina, que ficou louca com os 'boy', e a Edith Veiga, que cantava maravilhosamente. O Emilio Santiago e o Cauby faziam show de graça, só pela amizade..."

Apesar dos alegados acessos aos "astros do showbiz", Darby Daniel diz que não ficou rico. "Tive oportunidade de ir com o [cantor norte-americano] Billy Paul para os Estados Unidos, mas fiquei com medo. Ele tinha um filho gay, me pediu para mostrar a cidade para o menino, e aí quis me levar para trabalhar na casa deles."

De gueixa, tomando a vacina contra a covid-19 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
De gueixa, tomando a vacina contra a covid-19 Imagem: Arquivo Pessoal

Nu com a mão no bolso

Depois do show de Stephanie de Bourbon, Darby aponta para um senhor enrolado em uma toalha e diz que, em 1987, aquele tinha sido o vencedor de um concurso que elegeu "a bunda mais bonita da noite". "Na época, a abertura da novela das 7 da Globo ["Brega & Chique"] mostrava o (modelo) Vinicius Manne nu [ao som da música 'Pelado', do grupo Ultraje a Rigor]. Só se falava naquilo. Aproveitei o gancho para promover o concurso."

O professor de matemática e feirante Eduardo Prata, 57, ganhador do troféu, lembra que participou do concurso no lugar de um candidato que não apareceu. "A gente só mostrava a bunda. O resto do corpo ficava coberto por uma cortina."

O repertório de histórias de Darby é inesgotável. Ele conta que era "muito amigo do Cauby [Peixoto]" e certa vez acompanhou o cantor a Porto Alegre, em um show para animar o concurso interclubes "Rainha das Piscinas". "Enquanto o Cauby cantava, arranjei mais de dez garotos, tudo gente de família, e levei para o quarto do hotel. Quando ele chegou, tava todo mundo já quase pelado."

Diz que não pagou nada pelo serviço. "Naquela época não tinha isso. Os meninos iam porque achavam divertido." Hahaha.

Nos anos 1990, cercado de "boys": "Conheci muitos, por causa dos shows" - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Nos anos 1990, cercado de "boys": "Conheci muitos, por causa dos shows" Imagem: Arquivo Pessoal

Bico fino com purpurina

Voz rouca, dicção hesitante, memória involuntária, Darby Daniel reclama do barulho na sauna e diz que prefere dar entrevista no dia seguinte. Mora em um apartamento atulhado de recuerdos — fantasias, fotos, dedicatórias e até flyers dos shows de strip-tease dos 'boy', que anunciam eventos como "Prazeres em Bagdá"; "Banho de Champanhe" e "Feira Espanhola".

Diante daquele cenário, ele acha melhor marcar na casa de um amigo no Edifício Copan, na região central de São Paulo. Leva para a sessão de fotos vários paletós antigos, bordados com paetês, e sapatos de bico fino guarnecidos com purpurina colorida.

Fim de ano: banho de champanhe na sauna - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Fim de ano: banho de champanhe na sauna Imagem: Arquivo Pessoal

Como os relatos se multiplicam em cascata, marco nova conversa com ele, e desta vez Darby Daniel me recebe no amplo saguão de uma agência do banco Bradesco, em Santa Cecília. Amigo de todos os gerentes, ele os saúda. Sem que ninguém pergunte nada, aponta para o repórter e anuncia. "Ele é jornalista do UOL! Eu estou dando uma entrevista!"

Roberto que se cuide.

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