FUDIDOS de VERDE e AMARELO - Hildegard Angel
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Documento torna mais ENROLADA e PERIGOSA ação TRUCULENTA da PM
Bacia do PARANÁ já sente EFEITOS da SECA sobre AGRONEGÓCIO e geração de ENERGIA
RANDOLFE Rodrigues: "NEGATIVA da vacina foi motivada por DINHEIRO, por CORRUPÇÃO"
Fudidos de verde e amarelo - Hildegard Angel
GABEIRA: Do verde ao amarelo. __________________ O Exército AMARELOU
Zé Bozo e Zé Ninguém
Governo Bolsonaro usa Secom para SE DEFENDER de artigo
Em resposta à Economist, Secom mente e diz que governo Bolsonaro "preservou milhões de vidas"
'É um DESASTRE quando cientistas NÃO são ouvidos', diz física Angela Olinto
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Análise: Reinaldo Azevedo - Pernambuco: documento torna mais enrolada e perigosa ação truculenta da PM

Reinaldo Azevedo
Colunista do UOL
07/06/2021 04h30
Reconheça-se que há uma mudança importante de status no caso do ataque covarde de um destacamento de choque da Polícia Militar de Pernambuco a manifestantes pacíficos. Vanildo Maranhão, comandante da PM, foi substituído, e o então secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, pediu demissão na sexta-feira. O governo acompanha o atendimento a dois feridos graves por bala de borracha — um deles teve um dos olhos extraído, e outro passou por cirurgia também ocular. Documento interno da corporação informa que a ordem partiu de Maranhão. Mas o imbróglio permanece, e ainda não se sabe exatamente o que aconteceu na cúpula da Segurança Pública do Estado no dia 29. Vamos ver.
Um documento oficial de comunicação interna acabou vazando. Atribui a decisão criminosa ao então comandante da PM; informa ainda, querendo ou não, que se usou de um procedimento ardiloso com o propósito, tudo indica, de atacar os manifestantes. E também conta uma mentira descarada, fartamente desmentida por vídeos que circulam em toda parte. Como ao menos uma das informações é falsa, é preciso que se pense na qualidade das outras.
O EX-COMANDANTE-GERAL
Comecemos por Maranhão. Segundo o tal documento, "por determinação do comandante-geral da PMPE", a Tropa de Choque deveria dispersar os manifestantes recorrendo aos "meios dispostos" -- isto é, "à disposição". E tais meios incluíam balas de borracha. Duas ordens teriam chegado a quem estava em campo, ambas oriundas de Maranhão: às 10h20 e às 11h30. A ordem era a mesma: dispersão.
Há algo bastante relevante no tal documento, de impressionante perversidade se verdadeiro: deram a ordem para que Batalhão de Choque se dirigisse para a Praça da Independência, conhecida como "Praça do Diário", local marcado para o término da manifestação. Vale dizer: a PM resolveu atacar os que protestavam quando o ato já estava chegando ao fim. Teria sido uma arapuca.
E agora a mentira. Esse comunicado interno afirma que os policiais reagiram a agressões. Teriam sido atacados com paus e pedras. Não há um só registro desse tipo de comportamento. O que todos os vídeos revelam até agora são os policiais fazendo uma barreira de contenção para impedir a passagem. Entre os dois grupos, havia uma distância considerável. Não se veem objetos sendo lançados — até porque seria impossível.
De repente, do nada, os policiais avançam disparando balas de borracha e bombas de efeito moral. Vídeos mostram policiais atirando até contra prédios, de cujas janelas moradores assistiam à barbárie.
SALA DE MONITORAMENTO
Pádua, que deixou a Defesa Social, acompanhava o protesto de uma sala de monitoramento e, supõe-se, tomou conhecimento da ação da PM. Muito bem: digamos que a ordem tenha partido do coronel Maranhão, demitido do comando geral. Questão óbvia e básica: quem decide se a polícia reprime ou não uma manifestação é o secretário de Segurança -- que, em Pernambuco, tem o pomposo nome de "Defesa Social" -- ou, acima deste, o governador.
Será que, em Pernambuco, é o comandante-geral da PM que dá ordem para reprimir manifestantes? A ser assim, então o governador não tem o controle da corporação. E Pádua diz, com todas as letras, que não foi ele. Ao se demitir, emitiu a seguinte nota:
"Os fatos ocorridos no último sábado foram graves e precisam ser investigados de forma ampla e irrestrita. Minha formação profissional e humanística repudia, de forma veemente, a maneira como aquela ação foi executada. Seis dias depois do episódio, com um novo comandante à frente da PM, com todos os procedimentos investigatórios instaurados e após prestar contas à Assembleia Legislativa, à OAB e ao Ministério Público, entreguei meu cargo ao governador Paulo Câmara, com a certeza do dever cumprido e mantendo nosso compromisso com a transparência e o devido processo legal".
CONCLUINDO
1: documento diz que ordem partiu do então comandante-geral. Se partiu, agiu à revelia do governador e do secretário?;
2: em Pernambuco, quem decide quando a PM reprime ou não protestos dessa natureza: o comandante-geral, o que seria uma absurdo!, ou o secretário, a mando do governador?;
3: se Maranhão agiu por conta própria, não pode ser apenas afastado; tem de sofrer também uma punição disciplinar severa;
4: documento mente sobre agressão de manifestantes a policiais;
5: é possível que tanto o comandante-geral como o secretário tenham recebido informações falsas, induzindo-os a erro?
Essa última indagação não livra a cara da PM, não. Muito pelo contrário! Podemos estar aqui a falar de uma corporação infiltrada por proselitismo de extrema direita, que faz da indisciplina uma forma de intervenção política.
O tal documento, aliás, chama os manifestantes de "militantes". Não é linguagem adequada. Temos só de pensar como poderia chamar os bolsonaristas — talvez "patriotas"...
Sim, o comandante-geral e um secretário caíram. Mas estamos longe de saber o que aconteceu naquele diz 29. O cheiro que emana do imbróglio é o pior possível.
Sarah fala sobre pedido de desculpa à Juliette: 'É besteira deixar mágoa'
Colaboração para o UOL, em São Paulo
06/06/2021 11h24
Oitava eliminada do "BBB 21", Sarah Andrade curte a nova vida de famosa após a grande exposição no reality show da Rede Globo. Ela conta que conseguiu se acertar com todas os ex-brothers que teve atrito e sonha com o fim da pandemia da covid-19 para conhecer seu grupo de fãs.
Em entrevista à revista "Marie Claire", a consultora de marketing digital diz que fez um balanço positivo da passagem pelo "Big Brother Brasil 21" e que entende que os erros no convívio serviram para o seu crescimento pessoal.
Sarah, do 'BBB 21', se declara contra Lula e Bolsonaro: 'Merecemos mais'
Eu acho que, no geral, gostei da minha participação. Fui bem eu mesmo. Quando estava lá dentro era a minha personalidade, o jeito que eu pensava naquele momento, é como eu sentia. Então, gostei, foi ok. Eu fui protagonista quando tive que ser, virei coadjuvante quando tinha que ser.
Sarah, inclusive, conta ter contado diário com alguns ex-participantes e se diz tranquila por ter resolvido toda as desavenças no jogo com Juliette Freire. Afinal, ela entende que não vale a pena guardar mágoa de ninguém.
Eu converso todos os dias com o Gil, falo com o Rodolffo e também com outros participantes... Sim, tenho muita vontade, e sinto que uma hora vamos conversar. Realmente, a agenda tá muito corrida, tanto pra mim como pra ela. Pra você ter noção, não vi praticamente ninguém depois do dia 101, mas eu já me acertei com todas as pessoas que eu tive um desentendimento lá dentro. É besteira deixar mágoa em relação a isso no coração.
Sarolffo incomoda?
O ship criado pelos fãs do "BBB 21" para Sarah engatar romance com o cantor Rodolffo não incomodam a ex-sister. Ela garante que leva na brincadeira a empolgação da torcida pela formação do casal.
Nós somos só amigos e, por isso, não me incomoda de forma alguma. Às vezes eu até acho a situação engraçada, mas é só amizade. Nunca levamos essa brincadeira pro lado pessoal.
Grande desejo?
É pelo fim da pandemia da covid-19. A consulta de marketing digital não vê a hora de todos estarem vacinados para poder sentir o calor da legião de faz conquistados no "Big Brother Brasil 21".
Ter um contato maior com os meus fãs, sem dúvidas, porque acho que eles gostam disso e me faz falta. Com a pandemia, sinto saudade do calor humano. Sinceramente, não sei ainda como fazer isso, se pode ser um encontro com quem interage mais, com os fã-clubes, mas até o final da pandemia vou estudar bastante essa hipótese para planejar algo legal.
Governo Bolsonaro usa Secom para se defender de artigo
Ana Paula Bimbati
Do UOL, em São Paulo
06/06/2021 22h21
A Secretaria de Comunicação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) usou as redes sociais para defender o presidente sobre o artigo publicado pela revista britânica, The Economist. A pasta afirmou que o texto "busca desmerecer todo o incontestável trabalho" do governo e que a publicação fala em "apologia ao homicídio".
O relatório especial, publicado nesta semana, trazia na sua capa o Cristo Redentor com máscara de oxigênio e dizia que o Brasil vive sua "maior crise desde o retorno à democracia em 1985". A revista aponta ainda que o futuro do país depende das próximas eleições, em 2022, e que a prioridade é "votar para tirá-lo do poder".
Amoêdo defende impeachment de Bolsonaro: 'trabalhou para agravar pandemia'
Em 23 tuítes, a Secom critica o texto e afirma que a publicação "enterra a ética jornalística e extrapola todos os limites do debate público".
"A boa notícia é que nem os brasileiros, nem o mercado, nem o mundo caíram no pranto ideológico e raivoso da Economist. Se a matéria tivesse alguma credibilidade, provavelmente a Bolsa de Valores sofreria alguma alteração significativa, por exemplo. Não foi o que aconteceu", aponta a secretaria.
A pasta da Comunicação questiona frases publicadas pela revista e questiona se o desejo da publicação, por exemplo, é "mudar o curso do país cujo o governo instituiu o auxílio emergencial". O governo diz ainda que o texto aponta "contradições", quando cita que Bolsonaro não conseguiu fechar contratos de vacinas, mas afirma que o avanço da vacinação pode reelegê-lo.
Por fim, a Secom agradece ao "reconhecimento" e pela revista "admitir" que o país está avançando. "Talvez justamente por reconhecer nossos avanços, a Economist esteja tentando interferir em nossas questões domésticas e, segundo o texto, defenda a eliminação do presidente que está livrando Brasil da corrupção e da sujeição às oligarquias que a revista parece representar".
'É um desastre quando cientistas não são ouvidos', diz física Angela Olinto
Brasileira eleita para a Academia Americana de Artes e Ciências é referência internacional na astrofísica de partículas
A física Angela Olinto está dedicada a decifrar a energia que vem do espaço. Com o auxílio de experimentos que envolvem radiotelescópios e balões gigantescos, a cientista testa teorias sobre a astrofísica das partículas subatômicas —porções de energia que viajam pelo cosmos e podem ajudar a contar a história do universo.
Brasileira, Olinto nasceu em Boston (EUA), filha de pais brasileiros, e se mudou para o Rio ainda na infância. Formou-se em física na PUC-Rio e voltou para os Estados Unidos aos 21 anos de idade para fazer um doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), meca das ciências exatas e onde seu pai já havia estudado.
Reitora da Divisão de Ciências Físicas da Universidade de Chicago (EUA), Olinto foi eleita membro da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos neste ano —amostra de seu reconhecimento entre os físicos daquele país e do resto do mundo.

A física Angela Olinto está dedicada a decifrar a energia que vem do espaço. Com o auxílio de experimentos que envolvem radiotelescópios e balões gigantescos, a cientista testa teorias sobre a astrofísica das partículas subatômicas —porções de energia que viajam pelo cosmos e podem ajudar a contar a história do universo.
Brasileira, Olinto nasceu em Boston (EUA), filha de pais brasileiros, e se mudou para o Rio ainda na infância. Formou-se em física na PUC-Rio e voltou para os Estados Unidos aos 21 anos de idade para fazer um doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), meca das ciências exatas e onde seu pai já havia estudado.
Reitora da Divisão de Ciências Físicas da Universidade de Chicago (EUA), Olinto foi eleita membro da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos neste ano —amostra de seu reconhecimento entre os físicos daquele país e do resto do mundo.
O que levou a sra. a escolher uma graduação em física e uma carreira como cientista? Quando eu fui para a PUC, no Rio, para fazer faculdade, eu estava com 16 anos. Eu tinha e ainda tenho muitos interesses, não só na ciência. A primeira coisa que eu pensei em fazer, bem mais cedo, era ir para o lado da arquitetura. Acabei fazendo vários vestibulares, mas quando consegui passar para fazer física, que era um dos vestibulares mais difíceis, fiquei animada. Pensei: 'então eu tenho uma chance!'
Vamos recebendo respostas da vida para nossas paixões que indicam os caminhos. A minha habilidade para tocar violão, por exemplo, não foi muito longe, mas a de fazer física foi. Acho que os primeiros professores que encontramos sempre são muito importantes, e eu tive professores maravilhosos na graduação e em várias áreas no segundo grau. Foi também uma sensação de poder fazer uma coisa relativamente bem, o que nos ajuda a querer fazer mais.
Estudar física é tão difícil quanto parece? Difícil, na realidade, para qualquer área, é trilhar um caminho novo. Você não acorda e grita: Eureka! Você descobre um caminho novo tentando vários caminhos que não vão a lugar nenhum. Então, a paciência tem que ser grande.
Várias perguntas na ciência ainda continuam em aberto, e por isso ficamos animados. São perguntas sobre matéria escura, energia escura, e as ondas gravitacionais do início do universo —esta última terá uma grande medição, que eu espero que na próxima década a gente já consiga fazer.
Neste ano, a sra. foi escolhida para se tornar membro da Academia Americana de Artes e Ciências, e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Qual a importância de termos representantes mulheres e sul-americanas nessas instituições? Foi uma grande surpresa e uma honra. Para mim, pessoalmente, é o ápice de reconhecimento da minha carreira.
Tem um lado de ser mulher, que é muito difícil, independentemente de ser brasileira. Na graduação, na PUC-Rio, eu tinha professoras, colegas mulheres. Não era a maioria, mas tinha o suficiente para eu não me sentir estranha. Quando eu cheguei nos Estados Unidos, foi um choque: nenhuma professora no doutorado em física no MIT e pouquíssimas alunas.
Anos depois, fui a primeira mulher a ganhar o tenure track [processo de promoção acadêmica de professores em universidades americanas] no meu departamento de física e astronomia na Universidade de Chicago; um departamento com uma tradição muito grande [foi o departamento do astrônomo americano Edwin Hubble], mas todos homens.
Ainda hoje não é muito confortável. Dirigi o departamento por cerca de oito anos no total e fazia questão de contratar a melhor mulher para as áreas que precisávamos. Mas não é fácil, as pessoas acham que você é burra porque é mulher, ou que só ganhou a posição por ser mulher. Se você não ganhou a posição, não merecia, e se você chegou à posição, não merecia também. Então não tem como ganhar com essas pessoas.
Temos de quebrar essas barreiras e mostrar que dá para ser mulher, ter marido, ter filhos e ter uma vida interessante.
Para o Brasil, [a eleição para as academias] mostra que qualquer pessoa em qualquer lugar é capaz de fazer ciência de alto nível. Tive colegas brilhantes na graduação e sempre que vou ao Brasil para visitar a família tento me conectar com as pessoas, temos projetos juntos. Os profissionais são de altíssimo nível.
Como ampliar a diversidade na ciência? Deve haver a diversidade de raça, de gênero, de pensamento, de habilidade e de histórico. Eu tive um pai na universidade, então cheguei sabendo como era. Quando a pessoa não tem ninguém dentro da universidade, e é a primeira de sua família a chegar ali, vai ter que descobrir tudo, e vai chegar com ideias diferentes.
Na ciência como um todo tem uma ideia de que o mérito é linear. Para mim, a realidade da ciência é multidimensional. Você tem que ser capaz de entender matemática e ir bem nas provas, mas também tem que ter criatividade, paciência e saber colaborar. Tem um monte de características para o sucesso no tempo mais longo que não são ensinadas e as pessoas não são treinadas para fazer.
Acho que o esforço deve estar em manter a meritocracia, em termos de tentar fazer a melhor ciência possível, mas abrindo para outras possibilidades.
Como a pandemia influenciou a sua produção e a de seus colegas? Ano passado eu já tinha uma responsabilidade muito grande, com mais de 2.000 pessoas na universidade. Pedi para a equipe escanear tudo e mudar para o online logo no início. Alguns acharam que eu estava exagerando, mas quando fechou tudo, já estávamos preparados. A primeira coisa foi tentar fazer com que a universidade continuasse funcionando.
Os profissionais mais teóricos conseguiram trabalhar em casa, mas os mais experimentais, dependem de laboratórios, que ficaram um mês totalmente fechados. Os primeiros laboratórios que voltaram a funcionar foram os que tinham pesquisas ligadas à Covid-19. A minha pesquisa, em colaboração com cientistas de outros países, está mais de seis meses atrasada, mas todos estão bem e vivos, o que considero um grande sucesso.
Foi impressionante a rapidez com que as vacinas foram feitas, e muitas pessoas trabalharam sem parar para que conseguíssemos chegar onde estamos agora; está tudo mais tranquilo por aqui. Espero que as pessoas fiquem orgulhosas dos cientistas.
Durante a pandemia, expressões que eram muito próprias do meio científico se popularizaram. Queremos saber a eficácia das vacinas, a probabilidade de se infectar com o vírus em determinadas situações e por aí vai… A ciência ficou pop? Infelizmente, estamos em uma época muito polarizada. As pessoas que estão muito orgulhosas dos cientistas, já gostavam de ciência antes, essa é a minha impressão. Mas ainda tem gente que nega a ciência, nega as vacinas, por exemplo. Acredito que alguns mais neutros tenham se convertido para o lado da ciência.
A ciência é uma das coisas mais democráticas. Não adianta ter dinheiro infinito, não se muda a lei da gravidade. Ela é o que é.
Espero que a geração mais jovem consiga se animar e ver o poder de salvar vidas que a ciência tem, ou que veja que é um desastre quando os cientistas não são ouvidos. É o que acontece no Brasil e também na Índia mais recentemente.
As pessoas falam o que querem e não sabem a diferença entre uma ideia com a qual os cientistas concordariam e algo que alguém simplesmente inventou.
Temos visto diversos jovens cientistas brasileiros desistirem do país para fazer sua carreira no exterior. Como podemos reverter essa situação? Um dos problemas é a instabilidade. Teve épocas em que os cientistas no Brasil ganhavam mais do que os daqui, e muitos que estavam nos EUA voltaram para o Brasil. Mas parece uma onda que sobe e desce. É a falta de estabilidade, de uma estrutura que não vai desaparecer só porque mudou o presidente. Nos Estados Unidos e na Europa existe menos essa sensação.
Outro fator, este muito presente nos Estados Unidos, é a inovação, o incentivo às novas tecnologias para desenvolver novos produtos. Muitos pesquisadores e professores não querem apenas desenvolver a tecnologia, querem construir a empresa que desenvolve os produtos também. Assim, se você consegue fazer tudo andar, tem mais estabilidade e independência. Não é algo fácil, e no Brasil, com a instabilidade, fica ainda mais difícil. Não é impossível, mas falta investimento.
O Brasil tem uma capacidade intelectual e de área do globo que dá visibilidade, não somos uma ilha pequena para a qual ninguém dá atenção, temos capital intelectual e natural.
Algo que poderia ajudar é uma priorização das academias de ciências que fazemos aqui, com um planejamento do que pode ser feito [projetos de pesquisa] no período de uma década. Assim, com orçamento realista, é possível prever como a ciência do país vai estar no futuro. Isso ajuda os próprios alunos, que sabem quais oportunidades terão.
Na minha visão governo e empresas devem atuar juntos, como acontece aqui. O Brasil tem alguma infraestrutura de pesquisa, mas ainda há muito para se construir.
RAIO-X
Angela Villela Olinto, reitora da Divisão de Ciências Físicas da Universidade de Chicago (EUA)
É física de astropartículas, com graduação em física pela PUC-Rio e doutorado em física teórica de partículas pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Em 2021, foi eleita para fazer parte da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos
Bacia do Paraná já sente efeitos da seca sobre agronegócio e geração de energia
Disputa com setor elétrico pode parar hidrovia e acentuar conflitos com usuários da água para produção de alimentos
De pé sobre a terra avermelhada que um dia foi o lago da hidrelétrica Água Vermelha, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, o aposentado José Carlos Jesus, 57, dá a dimensão da crise: “Aqui onde nós estamos nem dá pé quando o reservatório está cheio”.
Cerca de cem metros o separam de seu rancho, onde ele vive hoje “escondido da pandemia”. A casa simples foi construída à beira da represa, mas o lago agora começa bem mais abaixo, o que o obrigou a esticar uma mangueira de 250 metros para captar água.
Com apenas 7,7% de sua capacidade de armazenamento de energia, o reservatório da usina de Água Vermelha é um retrato da crise hídrica que assusta o país e vem levando o governo a anunciar medidas emergenciais para tentar evitar o racionamento de energia.
Em um de seus braços, o ribeirão Pádua Diniz, em Indiaporã (SP), a água desceu tanto que deixou à mostra a velha estrada de terra alagada há mais de 40 anos, quando o reservatório foi criado. Resta apenas uma pequena lagoa, formada pelas poucas chuvas do verão, embaixo da ponte da estrada nova.
"Já vim aqui de barco e, só ali embaixo da ponte, pegamos mais de 100 corvinas", relembra a funcionária pública Aparecida Batista dos Reis, 53, enquanto tentava pescar no que restou do ribeirão na tarde de quarta (2).
A situação é mais preocupante pela manutenção dos baixos níveis mesmo após o fim do chamado período chuvoso, quando os reservatórios deveriam estar cheios de água para garantir a travessia do inverno mais seco.
E traz de volta o fantasma de 2015, quando a seca foi tão severa que o tráfego na hidrovia Tietê-Paraná teve que ser interrompido por falta de calado para a passagem dos comboios que levam grãos do Centro-Oeste para São Paulo.
“Nem em 2015 o rio esteve assim”, reclama o empresário Jonzelito Luiz Pereira, 59, dono de uma fazenda e de uma pousada ao lado da barragem, em Iturama (MG). “Os poços [de água subterrânea] já estão secando. Era para começar a secar em outubro.”
Água Vermelha é a última das 12 hidrelétricas do rio Grande, que nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e forma o rio Paraná após se juntar com o rio Paranaíba, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Juntos, os três rios são responsáveis por dois terços da capacidade de armazenamento de energia do subsistema energético Sudeste/Centro-Oeste, considerado a principal caixa-d’água do setor elétrico brasileiro por concentrar represas de usinas importantes.
Assim, a região está no foco do esforço do governo para tentar evitar o racionamento. Na semana passada, a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento) declarou emergência hídrica na bacia, abrindo a porta para medidas mais drásticas, como limitar a captação de água nos rios.
A abundância de água faz da região um importante polo do agronegócio, com fazendas de gado e cana-de-açúcar se estendendo até onde a vista alcança, e uma forte produção piscicultora, apontada como segunda maior criadoura de tilápias do Brasil.
A seca já vem produzindo estragos na atividade local, com o atraso na colheita de cana e a piora nas condições dos pastos. Os produtores temem que a disputa com o setor elétrico inviabilize os negócios, o que deve acirrar conflitos pelo uso da água nos próximos meses.
“Se eu tiver que parar de irrigar, perco toda a produção”, diz Edvaldo Costa Mello, proprietário da Fazenda Costa Mello, produtora de cítricos que tem uma área de plantio de limões logo abaixo da barragem de Água Vermelha.
A sua propriedade fica às margens do rio Grande, mas já no reservatório da hidrelétrica Ilha Solteira, no rio Paraná. É a maior hidrelétrica da caixa-d'água, com capacidade para produzir 3.444 MW, e seu lago se estende para os dois rios que formam o Paraná.
O reservatório é usado pela hidrovia Tietê-Paraná. Por isso, há um esforço contínuo para manter um volume de água suficiente para permitir a passagem dos comboios, que dependem de uma cota mínima de 325 metros acima do nível do mar, volume observado hoje.
Mesmo assim, o gigantesco lago de 1.200 quilômetros quadrados (quase o tamanho da cidade de São Paulo) está agora com menos da metade de sua capacidade de armazenamento. Já é possível encontrar grandes áreas secas em alguns de seus braços, como o córrego do Cigano, em Três Fronteiras (SP).
O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paranaíba, Breno Esteves Lasmar, defende que a importância da região para a economia e a possibilidade de paralisação da hidrovia devem ser consideradas na gestão dos reservatórios. “[A redução do nível] vai ter impacto muito grande sobre toda a economia nacional.”
O impacto local sobre a geração de emprego e renda também pode ser considerável, diz Fernando Carmo, assistente agropecuário da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável da Secretaria de Agricultura de São Paulo.
O governo estadual calcula que a piscicultura no entorno do lago de Ilha Solteira gere cerca de 5.000 empregos diretos e indiretos. A hidrovia seria responsável por outros três mil empregos, que ficaram suspensos durante a paralisação de 2015.
A crise hídrica pega os produtores locais já enfrentando aumento de custos pela escalada nas cotações internacionais das commodities, já que rações são baseadas em soja e milho. Pereira, de Iturama, decidiu vender metade das 120 cabeças de gado que tinha para economizar na ração.
“Há um complicador na manutenção dos pastos para o gado”, diz o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Aparecida do Taboado (MS), Eduardo Sanchez. “A planta sofre estresse hídrico, tem que fazer um trabalho mais custoso, de tratar o gado no coxo.”
Na piscicultura, que chegou a fechar 40% das unidades na crise de 2015, os custos elevados podem inviabilizar investimentos para adaptação a níveis mais baixos do lago, diz Carmo. “O custo da ração está altíssimo, e muita gente pode parar de produzir por não ter como investir para deslocar os tanques.”
“Se baixar mais, vai dar problema”, confirma Akemi More, da Piscicultura More, uma pequena empresa familiar que produz em espelho-d’água cedido pela União no rio Paranaíba. “O rio já está como se fosse na seca”, reforça seu irmão e sócio Sandro More. Com a crise, venderam na semana passada 15 dos 93 tanques que tinham.
Os produtores locais confiam na manutenção da cota mínima para garantir o tráfego na hidrovia, mas na semana passada o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) divulgou relatório considerando a flexibilização para 319 metros em junho para reforçar a recuperação dos reservatórios.
O operador quer reduzir as vazões obrigatórias nas hidrelétricas das partes altas dos rios Grande e Paranaíba para segurar água nos reservatórios de cabeceira. A energia gerada pelas vazões mínimas pode ser substituída agora por usinas eólicas no Nordeste, que está em plena estação de ventos.
Em 2014, a redução da cota do reservatório de Ilha Solteira se transformou em uma guerra judicial, que culminou com a suspensão da geração de energia na hidrelétrica após liminar concedida a associações de piscicultores da região.
Hoje, os produtores confiam que a proximidade do setor com o governo federal pode ajudar a evitar maiores impactos, diz Assis Henrique, diretor administrativo da Global Peixes, que produz tilápias e tem uma unidade de reprodução em tanques em diferentes pontos do lago.
Especialistas no setor elétrico dizem entender a preocupação com a economia local, mas afirmam que os bilionários custos da crise energética que encarecem a conta de todos os brasileiros são relevantes no debate sobre a gestão das águas.
A expectativa é que o brasileiro passe 2021 pagando taxa extra para bancar as usinas térmicas, que pressionarão também os reajustes das tarifas das distribuidoras ao longo dos próximos anos. Um racionamento de energia, no momento, é considerado improvável.
É consenso entre os especialistas que a crise é estrutural e precisa de soluções de longo prazo. “São questões como mudança da ocupação do solo, mudança climática, aspectos de desenvolvimento econômico que levam à supressão de vegetação”, diz Lasmar. “Onde não há floresta, não há água.”
Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a bacia do rio Paraná vem enfrentando chuvas abaixo da média há 22 anos e a situação se agravou a partir de fevereiro de 2019, quando recebeu os piores volumes desde o início dos anos 1980.
“Em termos de vazão, pode-se concluir que a porção alta da bacia do rio Paraná enfrenta uma situação que pode ser classificada como severa e excepcional desde 2014” diz.
Roberto Kishinami, coordenador sênior do Instituto Clima e Sociedade, defende que o agronegócio da região deve buscar tecnologias mais eficientes de irrigação, como o gotejamento usado no Centro-Oeste. “Aqui [em São Paulo] se usa muito pivô central, que é como jogar água de mangueira.”
No Brasil, em média, 50% da água captada nos rios brasileiros é usada para irrigação, diz a ANA. Um aumento na tarifa de captação de água, que é regulada pelos estados, poderia levar à busca por maior eficiência, considera Kishinami.
O ex-presidente do ONS Luiz Eduardo Barata lembra que, a cada crise hídrica, autoridades falam em recuperação de mananciais e matas ciliares, as florestas às margens dos rios, mas as propostas raramente vão adiante.
Ele defende mudanças no modelo do setor elétrico para permitir a contratação de mais energias renováveis, como solar e eólica, para garantir a recuperação dos reservatórios a seus níveis máximos, o que não ocorre há muito tempo —a última vez em que eles superaram os 80% de capacidade foi em abril de 2011.
“Hoje, estamos enchendo o tanque até a metade e rodando até cair na reserva”, compara. “Mas seria melhor andar de tanque cheio e abastecer quando chega na metade. O custo é o mesmo e o risco, menor.”
Carreta tomba sobre ciclistas, espalha carga e deixa quatro mortos em SC
Pietra Carvalho
Do UOL, em São Paulo
06/06/2021 14h31
Atualizada em 06/06/2021 15h42
Um acidente na BR-101 deixou quatro mortos na altura de Balneário Camboriú, Santa Catarina. Segundo informações da PRF (Polícia Rodoviária Federal), uma carreta tombou ao tentar fazer uma curva derrubando a carga que levava, um carregamento de madeira, sobre três veículos: duas bicicletas e um carro de passeio.
A PRF e o Corpo de Bombeiros Militar (CRM) de Santa Catarina atenderam a ocorrência por volta das 6h40.
Homofobia: Vítima de estupro coletivo em Florianópolis está em estado grave
O condutor da carreta, um homem de 48 anos, teve apenas ferimentos leves.
Já os ocupantes das bicicletas, uma mulher de 36 anos e um homem de 40, não resistiram ao impacto da carga, assim como as pessoas que estavam no carro, que tinha placa de Balneário Camboriú: um homem e uma mulher que ainda não foram identificados.
De acordo com publicação no Twitter do CRM, a carga da carreta pegou fogo após o acidente, mas não foram fornecidas informações sobre o tamanho do incêndio.
Noiva morre durante cerimônia e noivo acaba se casando com irmã dela
DO UOL, em São Paulo
05/06/2021 11h43
Atualizada em 05/06/2021 12h45
Um casamento no estado indiano de Uttar Pradesh acabou tendo um final inesperado, depois de a noiva morrer durante a cerimônia, que seguia uma tradição hindu. Segundo o jornal The Times of India, o evento aconteceu há pouco mais de uma semana, na noite de 27 de maio.
A mulher, que não teve a identidade divulgada, tinha acabado de trocar guirlandas com o noivo, Mangesh Kumar, quando reclamou de um "mal-estar". Ainda no palco, em frente aos familiares, ela desmaiou e foi levada às pressas a um hospital, onde foi declarada morta, vítima de um ataque cardíaco. Mas de acordo com o site Newshub, apesar da tragédia, o casamento seguiu.
Esposa de médico preso no Egito diz que o perdoa: 'Voltará outro homem'
Pouco depois de os pais da noiva levarem seu corpo de volta à casa da família, onde seriam feitos os rituais antes da cremação, os familiares de Kumar os procuraram para pedir a mão da filha caçula do casal em casamento, que até pouco tempo antes seria a futura cunhada do rapaz.
"Nós não sabíamos o que fazer naquela situação", contou Saurabh, irmão das moças, em entrevista à mídia local. "As famílias se reuniram e alguém sugeriu que minha irmã mais nova, Nisha, deveria se casar com o noivo", concluiu.
Após o novo acordo, Kumar e Nisha se casaram imediatamente, com a cerimônia acontecendo antes mesmo dos ritos de cremação da primeira noiva, que estava em um dos cômodos da casa.
"Nós com certeza nunca testemunhamos emoções tão agridoces. Ainda não caiu a ficha do luto pela morte dela e da felicidade pelo casamento", afirmou um tio das mulheres, Ajab Singh, ao site britânico Mail Online.
Em resposta à Economist, Secom mente e diz que governo Bolsonaro "preservou milhões de vidas"

247 - A Secretaria de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro usou seu perfil no Twitter para responder à revista inglesa The Economist, que afirmou em edição nesta semana que o Brasil está diante da maior ameaça à democracia desde o fim da ditadura militar e cobrou ação do Congresso Nacional pelo impeachment de Jair Bolsonaro.
Em uma sequência de 23 tweets, a Secom adotou uma narrativa fantasiosa e disse que a publicação inglesa "busca desmerecer todo o incontestável trabalho" do governo e que a publicação fala em "apologia ao homicídio".
Em um dos posts, a Secom mentiu ao dizer que o governo Bolsonaro "preservou milhões de vidas", quando está demonstrado com provas na CPi da Covid que Bolsonaro defendeu a tese da imunidade de rebanho e promoveu o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da Covid, como a cloroquina.
"A boa notícia é que nem os brasileiros, nem o mercado, nem o mundo caíram no pranto ideológico e raivoso da Economist. Se a matéria tivesse alguma credibilidade, provavelmente a Bolsa de Valores sofreria alguma alteração significativa, por exemplo. Não foi o que aconteceu", aponta a secretaria.
Randolfe Rodrigues: "negativa da vacina foi motivada por dinheiro, por corrupção"

Rede Brasil Atual - Em entrevista ao programa Revista Brasil TVT desde domingo (6), o senador e vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou objetivamente que o interesse do governo Bolsonaro em promover o uso maciço da cloroquina no tratamento de pacientes de covid-19 foi motivado “por dinheiro”. “Esse negócio que a hidroxicloroquina era isso, era aquilo (sobre eficácia contra a covid), negativo! Era dinheiro (…) Vou ser mais claro: corrupção… passando a mão… esquema! (Foi utilizada) Advocacia administrativa. Nós temos provas disso na CPI.”, afirma, logo no início de sua participação.
Em cerca de 25 minutos, em que foi entrevistado pelos jornalistas Cosmo Silva e Maria Tereza Cruz, o parlamentar detalha os eixos da investigação da CPI da Covid. Além de esmiuçar a relação entre as negativas para a aquisição de vacinas para a população, Randolfe fala das evidências da atuação do chamado gabinete paralelo, e antecipa que o colegiado deverá convocar o deputado federal negacionista Osmar Terra e o médico virologista Paulo Zanoto.
O parlamentar discorre à Revista Brasil TVT – “pela primeira vez na imprensa” – sobre a existência de um “esquema de pessoas ligadas a Bolsonaro e vultosas quantias de dinheiro para a defesa da cloroquina. Ele também anuncia que a comissão vai pedir a quebra de sigilo bancário de algumas empresas ligadas ao governo na saga de Bolsonaro pela cloroquina. “A negativa da vacina foi motivada por dinheiro, por corrupção”, afirma.
Fudidos de verde e amarelo - Hildegard Angel
Por Hildegard Angel

Vendo o Brasil seguir ESCOANDO pelo BUEIRO.
Vai, Brasil, diluído em SANGUE, água SUJA, CHORUME e VÔMITOS dos doentes.
Sentada no meio fio da História, acompanho com os olhos e um nó no peito o caminho CÉLERE da Nação, DISSOLVIDA em óleo de CLOROQUINA, até o RALO dos INFERNOS.
Segue, altiva, e por vontade própria.
O Brasil se encaminha de PEITO INFLADO e cabeça ERGUIDA na direção do CADAFALSO.
Hipnotizado por INVERDADES, abduzido pelas FALSAS versões, lá vai ele, em inocente ignorância,
com o pescoço já AZEITADO para facilitar a LÂMINA da guilhotina.
Vai de verde e amarelo, dançando funk no tik tok, alegre, risonho, espalhafatoso, como é de sua ingênua natureza, bradando hinos e palavras de ordem.
“Fora STF”, “Fora Congresso”, “Pela intervenção militar”, “Queremos nosso Brasil de volta”.
Não bastou o Mensalão encarcerar os sobreviventes combativos de 68.
Não bastou o GOLPE interromper o mandato da presidenta HONESTA.
Não bastou a Lava Jato DESTRUIR nossa indústria da CONSTRUÇÃO, a indústria NAVAL, nosso projeto NUCLEAR, nossa indústria de ÓLEO e GÁS.
Não bastou a prisão ilegal de Lula.
Não bastou a RETIRADA dos DIREITOS do trabalhador brasileiro.
Não bastou o MASSACRE de nossas PENSÕES e APOSENTADORIAS.
Não bastou o ROLO COMPRESSOR no ensino BÁSICO.
Não bastou a PRECARIZAÇÃO máxima das UNIVERSIDADES públicas.
Não bastou o CORTE de nossos programas de BOLSAS de estudo e INCENTIVO à Ciência.
Não bastou a SATANIZAÇÃO da CULTURA, através do FALSEAMENTO da Lei Rouanet.
Não bastou o projeto de DESTRUIÇÃO do SUS, a redução DRÁSTICA dos leitos, os CORTES de verbas.
Não adiantou a DEVASTAÇÃO recorde de nossas FLORESTAS, a liberação de INVASÕES pelos grileiros do grande capital, o ASSASSINATO dos INDÍGENAS pelos bandidos do GARIMPO.
Não bastou o DESMONTE dos ÓRGÃOS de controle de tudo.
Não bastou a LIBERAÇÃO de ARMAMENTO pesado para BANDIDOS e MILICIANOS.
Não bastou o APARELHAMENTO da AGU, da PGR, da Polícia Federal, da Receita Federal, do Judiciário.
Não bastaram os TRÊS BILHÕES para o Centrão.
Não bastou a venda FATIADA da PETROBRÁS.
Não bastou a entrega de nossos AQUÍFEROS ao projeto da PRIVATIZAÇÃO.
Não bastou o SUFOCAMENTO dos programas SOCIAIS.
Não bastou a volta dos PRATOS VAZIOS, a epidemia da FOME.
Não bastaram as latas de LIXO revirando RESTOS, os ESQUÁLIDOS de mãos estendidas nas CALÇADAS, crianças CHORANDO nas ruas porque têm FOME.
Não bastou FALTAR LEITOS nos hospitais para os doentes e COVAS nos cemitérios para os MORTOS.
Não bastou MEIO MILHÃO de brasileiros EXTERMINADOS pelo DESCASO, a INÉPCIA, o PROJETO de morte de um GENOCIDA,
que se compraz com o SANGUE derramado, pois sua ESPECIALIDADE – declarou – “é MATAR ”.
Agora, a HORDA ensandecida, que CAPTUROU nossa Bandeira, quer uma DITADURA, grita por ela, IMPLORA, discursa.
Quer a REPRESSÃO dos DIFERENTES.
Quer o pensamento ENCLAUSURADO, bocas CALADAS, línguas ARRANCADAS.
E já nos FURAM os OLHOS à BALA.
Já nos PRENDEM por nos MANIFESTARMOS.
Já EXIGEM o PORTE de documentos.
Já nos INCRIMINAM se estamos em GRUPO.
Já CENSURAM a mídia INDEPENDENTE através de ações judiciais, com sentenças ESPÚRIAS e MULTAS, que ninguém pode pagar.
Jornalistas OPRIMIDOS já se reúnem em VAQUINHAS solidárias, para poder continuar a falar, a denunciar, a ser.
E continuam a achar pouco.
*Considerem a palavra chula uma licença poética de quem cresceu e viveu evitando dizer e escrever palavrões, mas meu copo, até aqui de mágoa, apreensão, tristeza, transbordou.
Do verde ao amarelo | Opinião - O Globo
A decisão do Exército de não punir o general Eduardo Pazuello é dessas notícias que anunciam uma época.
Já tinha escrito que saberíamos por ela se há luz no fim do túnel ou se nos espera uma longa escuridão. Infelizmente, o Exército brasileiro amarelou diante da pressão de Bolsonaro. No futuro, saberemos se amarelou por covardia ou se aderiu conscientemente a um projeto autoritário.
Isso já não importa tanto. Ele já tomou o seu lado. O que importa agora é uma leitura correta do fato e uma preparação adequada para as consequências.
Sempre me exponho à acusação de exagero, mas, com tantos golpes na trajetória, minha tendência é avisar: quanto mais preparados estivermos, melhores condições teremos de resistir.
A primeira consequência tem de ser o estreitamento de laços entre todas as forças democráticas. Como assim, se elas se preparam para disputar uma eleição com candidatos diferentes?
É preciso ser ingênuo para supor que o processo eleitoral não contenha uma armadilha. Bolsonaro já afirmou que não aceitará resultados de urnas eletrônicas. Ele é defensor de rebelião armada, chegou a falar dessa possibilidade contra as restrições sanitárias na pandemia.
Policiais militares aqui e ali já se manifestam. No Recife, cegando as pessoas; em Goiás, prendendo manifestantes; em Brasília, no discurso bolsonarista do comandante.
Com a capitulação do Exército, é necessário começar desde agora a organizar a resistência.
É preciso admitir que tanto os autoritários quanto os democratas estão numa situação delicada. É complexo articular uma resistência a um golpe, mas também é complexo aplicá-lo neste momento da história.
Biden governa os Estados Unidos, e as eleições na Alemanha abrem espaço para Annalena Baerbock , líder do PV, que pode substituir Angela Merkel. Europa e Estados Unidos se movem numa mesma direção democrática e sustentável.
Isso tem pouca importância para o grupo no poder e possivelmente também para o Exército, que continua vendo a preocupação ecológica como fruto da cobiça estrangeira.
Quem confia apenas na força das armas ignora sistematicamente essas variáveis. Entretanto o exemplo venezuelano mostra que apoio externo sem grandes movimentos internos não resolve sozinho.
Estrategicamente, será preciso articular os dois e compreender como é vulnerável uma oposição dividida.
Bolsonaro jamais escondeu sua admiração pelo trabalho de Chávez. As Forças Armadas de lá tornaram-se cúmplices pelo mesmo caminho que as daqui. A diferença é que, lá, muitos cargos ocupados por militares abrem caminho para a corrupção.
Aqui, até o momento, são apenas vantagens materiais que ampliam legalmente os salários, além das benesses do poder.
Na Venezuela, há uma estrutura partidária no controle do governo. Aqui, alguns generais articulados entre si fazem a ligação entre governo e militares e entre governo e a parte fisiológica do Congresso.
Pazuello juntou-se ao grupo com o pomposo título de secretário de assuntos estratégicos. Mas é apenas mais um general do núcleo do Planalto que, na aparência, transmitiria sensatez a Bolsonaro. Na verdade, são o Estado-Maior desse regime em gestação.
Na Venezuela, tombaram militares, congressistas, juízes, e a imprensa foi detonada por Chávez e agora Maduro.
No Brasil, ainda estão de pé a imprensa, os juízes e uma parte do Congresso. Sem um grande apoio popular, não resistem sozinhos.
De uma certa forma, discutir outra coisa que não a resistência, em termos políticos, equivale à frase da doutora Luana Araújo para a crise sanitária: “É como se estivéssemos discutindo de qual borda da Terra plana vamos pular”.
Talvez tenhamos de esperar algum tempo para bloquear esse processo de cooptacão de nossas moralmente frágeis Forças Armadas. Certamente, o caminho será proibir por leis que militares da ativa participem de governo.

Por Fernando Gabeira
A ascensão de Bolsonaro destampou a garrafa onde dormia o espírito do Zé Ninguém
Zé Bozo e Zé Ninguém | Opinião - O Globo
Por Miguel de Almeida
O psicanalista Wilhelm Reich acabou expulso do Partido Comunista alemão depois de publicar seu “Psicologia de massas do fascismo”. Entre outros, o conteúdo desagradara aos soviéticos. O ano era 1933, Hitler chegara ao poder, e Mussolini já realizava suas “motociatas” por cidades italianas. Ambos estimulavam a violência como arma política — ganham o poder pelo incentivo ao ódio, disseminação do medo e construção de fake news. Como Lênin.
A tese de Reich: os fascistas (e nazistas) chegaram ao poder como sintoma da repressão sexual que, praticada desde a infância, leva os adultos a abraçar o autoritarismo. Castrados em seus desejos, reprimirão quem possui outro comportamento, mais libertário. O reprimido precisa da ordem unida para acalmar sua ansiedade, fruto de suas vontades abortadas. Daí clamarem sempre por uma ditadura e darem pouco valor à vida (com a camisa da CBF).
Os cristãos adjetivam aqueles que vivem diferentes de seus conceitos como “pecadores”. Os fascistas, como “comunistas” e “depravados”. Os comunistas classificam seus opostos como… “fascistas”. Não à toa, o pobre Reich foge das tropas nazistas para a Noruega e depois se estabelece nos Estados Unidos, onde é encarcerado por suas ideias (como as narradas acima). Em 1954, o juiz ordena que seus livros sejam destruídos. Em plena Guerra Fria, ele conseguiu desagradar a russos e americanos.
Pena que o Bozo (e o Heleno) vivam afastados dos livros. Saberiam que, décadas atrás, eles e seus seguidores foram catalogados por Wilhelm Reich noutro clássico: “Escuta, Zé Ninguém”. A obra também desagradou ao Malafaia da época (1948) e acabou censurada em muitos países. O Zé Ninguém é o sujeito médio, do bom senso, medianamente inculto; poderia ser o homem comum; é ainda o sujeito que, tudo bem, pode se privar da liberdade e até de ter opinião própria, desde que possa imprimir sua frustração sobre os demais. É também o cara nomeado com pequenos poderes. Frustrado fundamentalista, oprime os amigos e obedece aos inimigos. Se chegou ao poder para salvar o povo, massacrará esse povo. Porque não tem empatia — e daí?
Dá pouco valor à existência, porque afinal a vida terrena é um inferno e, como garantiu o Malafaia de sempre, depois da tempestade vem a bonança ou o paraíso. Com adiantamento de dízimos.
A ascensão do Bozo ajudou a destampar a garrafa onde adormecia o espírito do Zé Ninguém. Perseguido pelo medo da falência sexual, o Zé Ninguém busca apoio (conforto) no confronto, no preconceito ou na encrenca. Também nos meios capazes de escamotear seu medo, como armas, fardas (mesmo que seja a de zelador) e máquinas velozes.
Pipocam diariamente exemplos de pequenos ditadores, aqueles munidos de uma autoridade restrita, porém capaz de azucrinar os demais. Desde o policial que prende o motorista com o carro adesivado em protesto contra as atrocidades do Bozo a outro mané, que processa o cidadão por externar num outdoor sua indignação com a falta de vacina. Alguém aí mentiu? Temos também os senadores da CPI da Covid, machos-alfa diante das mulheres, mas soltando miados fininhos diante do general Pazuello. Covardia.
Ou ainda se esconde na farda de soldadinho para dar os tiros assassinos em Recife contra manifestantes desarmados e pacíficos. Que pediam vacina! Ah, comunistas! De novo: o Zé Ninguém, que é povo, odeia o povo. Tem ódio de seu espelho, em especial quando não reza pelo mesmo credo.
Os sinais emitidos diariamente pelo Zé Bozo servem de guia a seus seguidores. A violência, movida por ressentimentos e frustrações, ocorre imitando a história. Foi assim sob Stálin (gente que entregava o vizinho para roubar sua casa), foi assim sob Hitler (deduragem por inveja pequena).
É onde entra em cena um ogro no papel de diretor da Fundação Palmares. Qual soldado descerebrado, vomita todo o ódio emanado pela chefia contra negros, esquerdistas e pessoas de talento. Pinçado no RH das redes sociais, exerce seu pequeno poder contra quem já é história em vida, como Gilberto Gil ou Martinho da Vila. É um ignorante pago com dinheiro público para tentar destruir aquilo já consagrado pelo público. Mussolini tentou algo igual e acabou no poste. De ponta-cabeça em praça pública.

Por Miguel de Almeida




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