____________________ * A variante DELTA - mais transmissível, TAMBÉM está provocando um AUMENTO de casos na África do Sul, em São Petesburgo, na Rússia, e até em SYDNEY, na AUSTRÁLIA, ONDE a PANDEMIA está CONTROLADA há MESES.
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____________________ * Variante Delta se espalha e ameaça temporada turística em Portugal
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LISBOA, JOHANESBURGO e SYDNEY — Mais de 70% dos casos de coronavírus na área de Lisboa são da variante Delta que está se espalhando rapidamente para outras partes do país, e começa a ameaçar a temporada turística no país. A cepa — mais transmissível que as demais — também está provocando um aumento de casos na África do Sul, em São Petesburgo, na Rússia, e até em Sydney, na Austrália, ONDE a PANDEMIA está CONTROLADA há MESES.
Segundo um relatório do Instituto Nacional de Saúde português, a variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia, representou 51% dos casos em Portugal continental, mostrando que a variante está se "espalhando rapidamente" como aconteceu no Reino Unido.
Os novos casos aumentaram em 1.604 na sexta-feira, o maior salto desde 19 de fevereiro, quando o país de pouco mais de 10 milhões de habitantes ainda estava sob bloqueio. No total, Portugal registou 871.483 casos e 17.081 mortes desde o início da pandemia.
Na semana passada, o governo português impôs restrições de viagem aos residentes de Lisboa durante os fins de semana. Embora a maioria das infecções ainda se concentrem na populosa região de Lisboa, a região sul do Algarve, famosa pelas suas praias e campos de golfe, tem o maior taxa de transmissibilidade, segundo o relatório. O salto ocorre depois que o país, dependente do turismo, abriu as fronteiras para visitantes da União Europeia e do Reino Unido, em meados de maio. A maioria das empresas reabriu e, com o início da temporada de verão, as praias estão lotadas.
Na Espanha, autoridades de Maiorca estão investigando um surto de coronavírus envolvendo mais de 600 estudantes que comemoraram o fim do ano letivo na ilha espanhola. Os jovens, vindos do continente espanhol, foram a um show em uma praça de touros na capital da ilha, Palma, e participaram de festas em barcos e hotéis. O surto ocorre em um momento em que as Ilhas Baleares se preparam para receber um fluxo de turistas britânicos depois que o governo colocou as ilhas em sua "lista de viagens liberadas" a partir de 30 de junho.
Na Rússia, a cidade de São Petersburgo registrou o maior balanço diário de mortes desde início da pandemia. A segunda maior cidade da Rússia e uma das sedes da Eurocopa, registrou neste sábado 107 óbitos nas últimas 24 horas, um número que, segundo a imprensa russa, não havia sido registrado em nenhuma outra localidade desde o primeiro caso de Covid-19 no país.
A cidade recebeu seis partidas da fase de grupos da Eurocopa de futebol e na próxima sexta-feira sediará o confronto das quartas de final do torneio. Os jogos acontecem com 50% da capacidade do estádio, o que representa mais de 26 mil torcedores. Dezenas de finlandeses contraíram o vírus depois que viajaram à cidade para assistir o jogo entre a seleção de seu país e a Bélgica no início da semana.
Medidas mais rígidas
O aumento das infecções e mortes acontece no momento em que as autoridades tentam convencer os céticos a aceitar a vacina.
— Para frear a pandemia, precisamos de uma coisa: vacinação rápida e em larga escala. Ninguém inventou outra solução — declarou o prefeito de Moscou, Serguei Sobianin.
Em Sydney, na Austrália, foram registrados mais de 80 casos de Covid-19 esta semana, ligados a um motorista de táxi que levava passageiros do aeroporto para um hotel de quarentena. O fechamento de toda a metrópole entrou em vigor nas primeiras horas deste sábado. O país é um dos mais bem-sucedidos na contenção do coronavírus, com apenas 30 mil casos e 910 mortes, em uma população de 25 milhões de habitantes.
Na África do Sul, o aumento levou autoridades a cogitar adotar medidas mais rígidas. O país mais afetado do continente africano registrou 18.762 novos casos neste sábado, maior balanço diário desde janeiro, o que eleva o total de contágios oficialmente diagnosticados a quase 1,9 milhão. Até agora, foram registradas 59.621 mortes provocadas pela Covid-19.
— Estamos em uma fase de crescimento exponencial da pandemia com os números subindo extremamente rápido. E devem continuar subindo nas próximas semanas — disse Tulio de Oliveira, da rede de vigilância genômica da África do Sul.
Na França, dois pacientes morreram vítimas da variante na região de Gers (sudoeste do país), os dois primeiros casos de contaminação por esta cepa no departamento, informaram as autoridades locais, que anunciaram um plano de ação para evitar um surto epidêmico.
Com o aumento de casos, a Alemanha declarou Portugal e Rússia como "zonas de variantes do vírus", uma medida que deve desencadear severas restrições às viagens de e para os dois países. O anúncio foi feito na sexta-feira pela agência de saúde pública da Alemanha, o Instituto Robert Koch.
____________________ * NOVOS TESTES com ivermectina evidenciam um MODISMO, e não MÉRITO CIENTÍFICO - Natalia Pasternak

A notícia de que a Universidade Oxford, dentro do programa Principle, irá testar a ivermectina para Covid-19 reverberou na mídia global. O fato foi celebrado como vitória pelos defensores do medicamento, que compõe o infame “kit Covid” no Brasil, e foi adotado — sem sucesso evidente — em outros países.
A euforia, no entanto, não se justifica. Investigação não é, nem de longe, endosso de eficácia. No caso dos chamados fármacos de repropósito, a história nos mostra que a maior parte falha.
Isso não deveria ser surpresa. Desenvolver antivirais já é difícil mesmo quando são planejados especificamente para atacar a doença de interesse. Reposicionar um medicamento de finalidade diversa, na esperança de que talvez também seja um antiviral, é um jogo de loteria. Essa consideração deveria pesar mais do que o apelo popular dessa ou daquela ideia. A partir do momento em que se anuncia que o remédio é um candidato, a notícia vem com o potencial de alterar condutas e comportamentos, ampliando riscos.
A avaliação de um candidato a medicamento deveria respeitar etapas bem definidas, começando por ensaios em cultura de células, o que chamamos de fase “in vitro”. Essa fase, quando bem-sucedida, é seguida de ensaios pré-clínicos, em animais. Se der certo em animais passamos para os testes de segurança e eficácia em humanos. No caso das drogas de repropósito, a vantagem é que já existem informações prévias sobre segurança no organismo humano. Mas isso não é desculpa para sair testando qualquer coisa.
No caso da ivermectina, ensaios “in vitro” demonstraram que o medicamento poderia ter ação antiviral, mas as doses utilizadas seriam tóxicas, altas demais para humanos. O correto, então, seria testar em animais, para investigar se poderia haver uma dose segura e eficaz e, ao mesmo tempo, já testar se funciona em um organismo vivo, que é bem diferente de um tubo de ensaio. Mas não temos ensaios completos em animais para ivermectina contra Covid-19.
No meio de 2020, argumentou-se que não havia tempo, pessoas estavam morrendo, e isso justificava pular etapas enquanto aguardávamos as vacinas. Etapas foram puladas, as vacinas chegaram, e ainda inexiste um único estudo animal completo, ou um bom estudo clínico controlado, como tantos que foram feitos para a hidroxicloroquina. E que demonstraram que ela não funciona para Covid-19.
Agora chegou a vez da ivermectina. Mais um medicamento sendo testado por modismo, não por mérito científico. Existe chance de funcionar? Talvez com um efeito discreto, porque, se o benefício fosse evidente, já teríamos visto resultados, por exemplo, nas estatísticas de cidades brasileiras que distribuíram o antiparasitário como se fosse balinha de goma — e que, a despeito disso, amargam recordes de mortalidade.
Se o benefício é duvidoso, o estrago é evidente. Membros do público leem a notícia de que um grupo de pesquisa renomado está “levando a sério” o remédio da moda e isso tem impactos. É preciso responsabilidade ao noticiar estudos clínicos. Ainda mais durante a maior crise sanitária do século.
____________________ * Bolsonaro e Barros: o antes e o depois do encontro do presidente com Luís Miranda _______ "Isso é coisa do Bolsonaro".

Dois dias antes de Jair Bolsonaro ter dito "isso é coisa do Ricardo Barros" para Luis Miranda, de acordo com o relato do deputado à CPI, quando detalhou as irregularidades na negociação para a compra da vacina indiana, o presidente concedeu uma audiência ao seu líder na Câmara.
De acordo com um tuíte de Barros, do dia 18 de março, ele e Bolsonaro tiveram uma "boa conversa". A postagem foi ilustrada com uma foto de ambos no gabinete presidencial.
E, em 6 de maio, apesar de informado do rolo na negociação para a compra das vacinas indianas, Bolsonaro nomeou Maria Aparecida, mulher de Barros, para uma cadeira no conselho de administração de Itaipu — aliás, uma vaga disputada, uma vez que cada conselheiro recebe R$ 27 mil mensais para comparecer a reuniões que acontecem de dois em dois meses.
Alguém que olhasse essa sequência de fatos bem que poderia repetir o presidente e dizer: "Isso é coisa do Bolsonaro".
____________________ * Arco-íris: produtos que exaltam o símbolo da diversidade sexual

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RIO — No mês em que é celebrada a diversidade sexual, o que não faltam são produtos para mostrar de que lado você está na luta pelo respeito à comunidade LGBTQIAP+.
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Marcas nacionais, como a O Boticário e Havaianas; e internacionais, como L’Oréal, Neutrogena, Nivea e Disney, têm deixado bem claro o seu apoio.
— Retratar a diversidade, instigando um diálogo plural sobre a representatividade e inclusão, é um dos compromissos da marca e que permeia as ações de lançamento da coleção Orgulho. No momento que estamos vivendo, iniciativas que reverberem o amor e ajudam causas relevantes são essenciais para combater o preconceito — explica Cathyelle Schroeder, gerente sênior de Branding do Boticário.
Vale a pena lembrar a trajetória dessa luta, que é celebrada no mundo inteiro amanhã, dia 28 de junho. Foi nesta data, em 1969, no bar Stonewall Inn, em Greenwich Village, em Nova York, que o movimento começou a ganhar força, quando a comunidade gay resistiu às violentas investidas de policiais.

Os confrontos duraram cerca de cinco dias e entraram para a história, até chegarmos aos dias em que as pessoas têm, ou deveriam ter, o direito de ser quem são.
____________________ * Pai de Henry denuncia fake com 20 mil seguidores que pede doações e vende quadros do menino: 'Conduta criminosa'

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RIO — Leniel Borel de Almeida, pai do menino Henry Borel, de 4 anos, morto em março deste ano no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, vereador Dr. Jairinho, foi às redes sociais neste sábado denunciar um perfil fake no Instagram que usa o seu nome e a sua foto para pedir doações e vender quadros com a imagem do menino.
A página tem 20,9 mil seguidores, enquanto a original, do pai de Henry, tem mais de 490 mil.
"Lamentavelmente há um perfil fake cometendo condutas desrespeitosas e criminosas.
Sem nenhum envolvimento da minha parte, esse perfil está anunciando a venda de quadros com a imagem do Henry, além de pedir doações.
Por favor, não contribuam!!! Peço ajuda de todos para denunciar", escreveu Leniel esta tarde.

Impostor já fez até live, diz pai de Henry
Ao GLOBO, Leniel comentou sobre a triste surpresa ao descobrir o perfil falso com seu nome e foto que vinha usando a empatia das pessoas para tentar arrecadar dinheiro.
Ele disse que chegou a entrar em contato com o responsável pela página, para pedir que ele a desativasse ou mudasse de figura, mas não foi atendido.
— Eu fui surpreendido por esse perfil fake que estava se passando por mim, chamado Leniel Borel Oficial, do qual eu não tenho nenhum envolvimento.
Na hora eu entrei em contato com essa pessoa, pedi para ela bloquear, apagar esse perfil ou mudar, porque eu não compactuava com aquilo.
Ele disse que iria destivar, mudar o foco, mas não o fez.
E, desde então, ele faz ações que não tenho nenhuma participação:
já fez live, já fez postagens falando que eu estava próximo, mas em nenhum momento tive contato com essa pessoa, nem a conheço — disse.
— Ele está só aumentando a prática criminosa, começando pela identidade falsa, porque se passa por mim, ao ponto agora de estar pedindo dinheiro, fazendo vaquinha, como estelionatário, e dizendo que vai vender quadros com a imagem do meu filho, que seriam assinados por mim, pedindo doações falando em meu nome, pedindo dinheiro até a pessoas públicas.
Perfil excluído pelo Instagram da rede social
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Facebook, responsável pelo Instagram, para saber o motivo pelo qual o perfil falso, denunciado por Leniel, ainda não havia sido desativado.
No início da noite, a empresa respondeu, notificando a exclusão da página fake.
Em nota, o Instagram reforçou a importância de denunciar casos como esse.
“Fingir ser outra pessoa viola as Diretrizes da Comunidade do Instagram.
A conta não está mais ativa.
Encorajamos as pessoas a denunciarem quaisquer contas ou atividades suspeitas no Instagram por meio das nossas ferramentas de denúncia", disse em nota um porta-voz do Facebook.
Venda de quadros, vaquinha, foto, nome e descrição de Leniel
No perfil, o fraudador chega a se apresentar como "Pai do Henry Borel (In Memorian)".
Após o post feito por Leniel, ele não mudou as descrições — assim como o nome de Leniel e a foto dele com o filho —, mas fez um story definindo-se como "Perfil de apoio".
Em seguida, fechou o perfil apenas para seguidores.
"Quem quiser adquirir um quadro com a foto do Henry Borel, o quadro vai assinado por mim e chega por via Sedex, a procura está muito grande, obrigado a todos que estão comprando", escreveu num post feito nesta sexta-feira (25), que teve os comentários bloqueados.

____________________ * Os irmãos e os coronéis - Moisés Mendes
Por Moisés Mendes

Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia
Será longo e tenebroso o inverno dos irmãos Miranda. A dupla mexeu com Bolsonaro, com um dos chefes da facção do Centrão, com pelo menos quatro coronéis sob suspeita de envolvimento nos negócios da Covaxin, com a estrutura de poder do governo no Congresso e com as máfias das vacinas.
Os irmãos Luís Cláudio e Luís Ricardo Miranda conseguiram de Bolsonaro o que talvez o Ministério Público e a Justiça não conseguissem numa tentativa de delação.
Bolsonaro dedurou a duas figuras sem expressão o preposto político dos negócios da Covaxin, seu líder na Câmara, Ricardo Barros, porque ele, Bolsonaro, é a pessoa mais bem informada sobre os empreendedores do bolsonarismo.
O que Bolsonaro tem contra o poderoso deputado do PP do Paraná, para citar seu nome a dois irmãos impulsivos que ele se dispôs a receber num sábado no Alvorada?
O que Barros fez de errado para merecer a confidência-delação, se detém a tarefa de defender os desatinos de Bolsonaro e de Paulo Guedes na Câmara?
Mesmo que não se espere racionalidade de Bolsonaro, não deve ter sido ao acaso, no improviso de um dia de folga, que ele citou Ricardo Barros. Ao receber os irmãos, já sabia da agenda e detalhes das denúncias e queria apenas entender o tamanho e o alcance da descoberta da dupla, ou quem sabe acalmá-la.
Bolsonaro subestimou os danos da descoberta, não aquietou o coração dos Miranda, não levou a denúncia adiante, fez uma intriga e agora pode implodir a base, caríssima, que o Centrão lhe assegura por locação. Sem o Centrão ou parte dele, sobrarão os militares, também abalados pelos últimos episódios.
Só alguém que conheça as vísceras dessa relação saberá dizer o que aconteceu entre Bolsonaro e Ricardo Barros para que o parceiro fosse denunciado a duas figuras que até agora eram figurantes.
Com os depoimentos dos irmãos, a CPI revela, em alto estilo, que uma pizza só é servida em Brasília quando todos, os que estão na cozinha e os que estão nas mesas, misturados entre si e em permanente revezamento, concordam com a massa, o recheio e a altura do fogo.
Nessa CPI, está claro que, a pouco mais de um ano da eleição, ninguém poupa ninguém, porque não há convergências. O governo fica mal em todos os sentidos ao expor publicamente, ao vivo na TV, sua base precária.
A tropa de choque bolsonarista na CPI é atrapalhada, mesmo que tenha coronéis (fora de forma), e o desenlace se anuncia desastroso para Bolsonaro e para os militares.
Três oficiais estão só com a cabeça de fora no pântano das vacinas. Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, cloroquinista juramentado, foi quem determinou, ainda em janeiro, que ele cuidaria de todas as negociações de imunizantes, exatamente em meio às tratativas para a compra da Covaxin.
É Franco, hoje assessor especial da Casa Civil, para onde foi deslocado (ou protegido) depois de sair da Saúde, com a demissão de Pazuello, quem tenta desqualificar, ao lado de Onyx Lorenzoni, as denúncias do servidor Luís Ricardo Miranda sobre o contrato irregular de compra da Covaxin.
Mais dois coronéis foram apontados por Miranda como envolvidos em pressão atípica ou incomum para a compra da vacina. Marcelo Pires, ex-diretor de Programa do Ministério da Saúde, e Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística e Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde.
Há ainda o coronel Roberto Criscuoli, que teria se apresentado a um servidor da Saúde como representante de uma vacina. Esse servidor, identificado como Rodrigo de Lima, foi citado por Luís Ricardo Miranda na CPI.
Miranda disse que um colega se queixava da abordagem de alguém que oferecia vacinas em troca de propinas. O nome de Criscuoli foi revelado pelo próprio Rodrigo em entrevista à Folha. Lima nega que tenha sido assediado.
Começam a aparecer, com exemplos nada edificantes, os estragos que o bolsonarismo fará na imagem das Forças Armadas como instituição sustentada pela moralidade.
Há ainda os casos do general Eduardo Pazuello, com os rolos da cloroquina e do oxigênio de Manaus, e do coronel George Divério, ex-superintendente do Ministério da Saúde no Rio, envolvido em suspeitas da contratação de serviços superfaturados e sem licitação de R$ 28,9 milhões.
É o alto custo da cumplicidade com Bolsonaro que alguns líderes militares se dispuseram a pagar.
____________________ * "Rachadão" das vacinas pode ser a pá de cal no moribundo governo Bolsonaro

Ricardo Kotscho
Colunista do UOL
26/06/2021 16h38
Faltava pouco para as 11 da noite de sexta-feira. Ultimo orador inscrito, foi chamado para falar o senador Fabiano Contarato (Rede Sustentabilidade-ES).
"Está sacramentado que a permanência do presidente da República no Palácio do Planalto se torna insustentável. A Câmara dos Deputados tem de ter a hombridade, a responsabilidade de abrir um dos 130 pedidos de impeachment".
A esta altura, a barulhenta tropa de choque do governo já tinha abandonado o recinto. Os gritos histéricos cessaram, um grave silêncio tomou conta do auditório do Senado onde está instalada a CPI da Pandemia. Parecia que alguém havia morrido: o governo Bolsonaro.
Um servidor do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, tinha acabado de fazer a autopsia do maior escândalo de corrupção do governo Bolsonaro, que agoniza em praça pública e deixa um mal cheiro no ar.
Em plena pandemia, que já deixou mais de 500 mil mortos, um contrato de R$ 1,6 bilhão foi assinado pelo Ministério da Saúde em fevereiro para importar vacinas da Índia, que nunca chegariam ao Brasil.
Levado ao Palácio da Alvorada num sábado à tarde por seu irmão, o deputado Luís Miranda (DEM), da base aliada do governo, o servidor contou em detalhes ao presidente Jair Bolsonaro a maracutaia que estava sendo armada para um pagamento antecipado de R$ 220 milhões num paraíso fiscal de Cingapura, antes que a vacina fosse aprovada pela Anvisa e chegasse ao Brasil.
Luís Ricardo se queixou que estava sofrendo pressão de superiores para acelerar o negócio. Bolsonaro ouviu tudo, prometeu acionar a Polícia Federal para investigar o caso e, no meio da conversa, citou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, "que deve estar metido nesse rolo".
Ex-ministro da Saúde no governo de Michel Temer, Barros é um conhecido operador do Centrão, ligado ao laboratório Precisa, que fez a intermediação da compra na Índia. Foi ele o autor de uma emenda à medida provisória sobre a importação de vacinas para trazer logo a indiana Covaxin.
Quando era ministro, Barros já tinha feito um pagamento antecipado de R$ 20 milhões para a mesma Precisa pela compra de remédios para doenças raras que nunca foram entregues, alvo de um processo que se arrasta até hoje na Justiça.
A história toda da Covaxin é muito enrolada, mas o fato é que Bolsonaro não acionou a Polícia Federal e entregou o caso ao general Eduardo Pazuello, que estava de saída do Ministério da Saúde, e não encontrou nada de errado na negociação feita pelo coronel Elcio Franco, seu secretário-executivo e homem de confiança. Hoje, os dois trabalham com o presidente no quartel do Palácio do Planalto.
Graças à coragem de Luís Ricardo, o pagamento não foi feito, o negócio não foi para a frente, mas o dinheiro para comprar a Covaxin continua empenhado pelo governo. O valente ministro Onyx Lorenzoni, perdoado por Sergio Moro, agora quer investigar o servidor.
No mínimo, Bolsonaro pode ser denunciado pela CPI pelo crime de prevaricação, mas ele parece não estar preocupado com esse novo escândalo no seu governo, que ele nega, na mesma semana em que o ministro Ricardo Salles pediu demissão para não ser preso, por outros rolos, como contrabando de madeira da Amazônia.
Como se não tivesse nada a ver com isso, neste sábado Bolsonaro apareceu lépido e fagueiro em Chapecó (SC), para participar de mais uma motoceata e de reuniões com empresários e lideranças evangélicas, dando prosseguimento normal à agenda da sua campanha pela reeleição.
Sem nunca ter sido incomodado pelos negócios com as "rachadinhas" de Fabrício Queiroz nos gabinetes da família, depois de virar presidente improvável, agora Bolsonaro pode encontrar no "rachadão" das vacinas a pá de cal do seu governo, que está derretendo e só ele não vê.
Se antes faltava povo na rua para pedir o "Fora Bolsonaro" e um escândalo para chamar de seu, agora não falta mais nada. Nas redes sociais só se fala em impeachment _ contra ou a favor.
Partidos de oposição e movimentos sociais já estão pensando em antecipar as novas manifestações marcadas para 24 de julho e, na quarta-feira, a Câmara vai receber um "superpedido" de impeachment em nome da sociedade civil, com o conjunto da obra bolsonarista, incluindo agora o "rachadão".
Com a popularidade em queda e a CPI do Senado fechando o cerco para responsabilizá-lo pelo fracasso do combate à pandemia, que já levou a mais de 500 mil mortos e 18 milhões de contaminados, está se formando a tempestade perfeita para o governo do ex-capitão, eleito "contra tudo isso que está aí", prometendo uma "nova política" para "acabar com a corrupção".
Estamos vendo no que deu. O senador Fabiano Contarato tem toda razão. A permanência de Jair Bolsonaro no governo se tornou insustentável.
Mais dia, menos dia, esse pesadelo precisa ter um fim. Chega!
O país não aguenta mais tanto descaso desse desgoverno genocida e corrupto, que já desistiu de governar faz tempo. Se é que um dia começou.
Vida que segue.
____________________ * Andrea Barbosa, ex-esposa de Pazuello: “O terror e os abusos que sofri desse homem são da base do horror”

247 - Uma antiga foto de perfil já revela a clara posição política de Andrea Barbosa: “mulheres contra Bolsonaro”, diz a frase do filtro abaixo de sua imagem. Neste domingo (27), a ex-esposa de Eduardo Pazuello foi notícia na coluna de Lauro Jardim como alguém que teria procurado a CPI porque queria dar um depoimento. À noite, a informação foi desmentida pela jornalista Patrícia Lelis, que disse ter conversado com Andrea. E senadores confirmaram o recebimento do email, segundo eles enviado há um mês.
Desde que a notícia sobre Andrea e a CPI foi publicada, prints do perfil no Facebook de Andrea Barbosa - que não é público - começaram a circular e mostravam seu posicionamento anti-governo. Um deles compartilhava uma notícia do escândalo do oxigênio em Manaus durante a pandemia, que teve seu ex-marido, então ministro da Saúde, como pivô. Outro tirava sarro de Eduardo Bolsonaro.
Um terceiro, de conteúdo mais importante, trazia um longo texto mandando um recado direto a Pazuello, depois de relatar que a filha, de 13 anos, recebeu mensagens violentas no celular durante o caos no Amazonas. “Ministro, que eu não reconheço mais como a pessoa humana que estive ao lado durante tantos anos, faço um pedido delicado: por amor à filha que você diz ser o único e grande amor da sua vida, sai disso. Apenas sai disso”.
‘Terror e abusos’
Há um print do Instagram, porém, deste domingo, em que Andrea não só dá sua versão sobre o episódio da CPI como relata uma parte do que viveu na relação com Pazuello. “Sempre fui antigovernista. Na chegada da carnificina (pandemia) e por tudo que sei, resolvi me desvencilhar de vez. Aos que dizem que sou mal amada, amargurada, traída e mal educada, só erra no mal educada. O terror e os abusos que sofri desse homem são da ordem do horror. Mas eu não procurei a CPI, foi o contrário. Não colocaria a integridade física e moral da minha filha e da minha. Essa gente é perigosíssima”.
Ameaças e represálias
Em uma postagem no Facebook, a jornalista Patrícia Lelis diz que, desde que a notícia envolvendo o nome de Andrea e a CPI saiu na mídia, ela sofre ameaças e represálias. Confira o texto abaixo e as postagens de Andrea nas redes sociais:
____________________ * Luis Miranda pede prisão de quem impediu acesso de seu irmão ao sistema da Saúde: “estamos lidando com um grupo perigosíssimo”

247 - Depois de denunciar que seu irmão foi banido do sistema do Ministério da Saúde, após denunciar um esquema de corrupção na compra de vacina, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) cobrou a prisão dos responsáveis pelo bloqueio. Em um vídeo, exibido na CNN, ele pede que a Polícia Federal vá lá “descobrir quem deu a ordem, prender essas pessoas”.
“Nós não sabemos o que esse grupo fez por trás, para impedir seu acesso, o que estão fazendo lá dentro e por que impedir que ele tenha acesso a documentos tão importantes no meio de uma investigação como essa, onde ele é testemunha de uma denúncia gravíssima de possível corrupção dentro do Ministério da Saúde talvez ocultada pelo Palácio do Planalto”, diz o deputado.
“Estamos lidando com um grupo perigosíssimo. A Polícia Federal tem que ir lá para dentro agora. Pegar a área de TI da PF, de perícia, descobrir quem deu a ordem, prender essas pessoas…”, continuou.
Na última sexta-feira (25), Miranda revelou em depoimento na CPI da Covid que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi citado por Jair Bolsonaro como sendo o comandante do esquema.
Em outro vídeo, o deputado revela um áudio do irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, o autor original da denúncia. No áudio, o servidor demonstra receio sobre o que podem fazer com seus dados:
“Uai, se eles estão me tirando do sistema, estão mexendo nos meus dados, estão investigando minha vida inteira, sei lá do que esses caras são capazes né, de alterar um documento meu, assinado, dizendo que eu prevariquei. Que eu fiz qualquer outra coisa ilegal, entendeu. Esses caras estão tendo acesso aos meus dados pessoais”.
____________________ * Mais um escândalo: governo comprou R$ 5,2 bilhões de vacina CanSino, representada por empresa de amigo de Ricardo Barros

247 - O governo de Jair Bolsonaro pode estar envolvido em mais um esquema de corrupção na compra de vacinas, além da indiana Covaxin, cujo caso veio à tona na CPI da Covid na última sexta-feira (25). Tratam-se agora de suspeitas na compra da vacina Convidecia, do laboratório chinês CanSino.
Desta vez, a empresa intermediária é a BelCher Farmacêutica Brasil, com sede em Maringá, terra do líder do governo, Ricardo Barros, que teve o nome citado na sexta pelo deputado Luis Miranda como alguém que comandava o esquema na Covaxin, do qual Bolsonaro sabia e não fez nada. Um dos sócios da empresa é Daniel Moleirinho, cujo pai é parceiro político de Barros.
As revelações foram feitas pelo jornalista Hugo Souza, em seu Facebook. Em um outro texto, ele ainda resgatou uma relação mais antiga entre o líder do governo e a Precisa, representante no Brasil da fabricante da vacina indiana, Barath Biontech, desde quando a empresa fornecia preservativos femininos ao Ministério da Saúde.
"Há 15 dias, meados de junho, o Ministério da Saúde assinou intenção de compra de 60 milhões de doses de uma vacina contra a covid-19 chamada Convidecia, do laboratório chinês CanSino. O preço é de nada menos que 17 dólares a dose, mais cara que a Covaxin. A se confirmar o negócio, que está na dependência da Anvisa, será a vacina mais cara negociada pelo Brasil (É dose única, mas a Janssen também e custa US$ 10)", escreveu o jornalista.
Hugo Souza detalha a próxima relação de Ricardo Barros com o empresário Francisco Feio Ribeiro Filho, conhecido como Chiquinho Ribeiro, e lembra que a Belcher Farmacêutica do Brasil, há um ano, "foi alvo da Operação Falso Negativo, contra empresas que se lambuzaram em superfaturamentos aproveitando-se da dispensa de licitação para aquisição de testes rápidos de covid-19".
O contrato do Ministério da Saúde, lotado de políticos do “Centrão” em áreas estratégicas para aquisição de vacinas, tem intenção de compra de 60 milhões de doses da vacina CanSino.
Em coluna na Revista Fórum, o jornalista Renato Rovai informa que o governo federal iria pagar 17 dólares por dose - quer dizer, R$ 5,2 bilhões por 60 milhões de doses, conforme revelou a CNN em 23 de junho. Trata-se do valor mais alto de todas as vacinas compradas pelo governo, incluindo a superfaturada Covaxin, 15 dólares.
Rovai lembra que o paranaense Emanuel Catori, diretor presidente da Belcher Farmacêutica do Brasil, junto com os empresários bolsonaristas Luciano Hang, das lojas Havan, e Carlos Wizard, "liderou um movimento para que empresas privadas conseguissem permissão para comprar e distribuir imunizantes, criando o ‘camarote das vacinas’. Em março deste ano, ele esteve em Brasília para uma conversa com o governo federal acerca deste tema".
Leia abaixo o texto de Hugo Souza sobre o caso:
Sábado às 11:01
Atenção, CPI e colegas jornalistas:
O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, apontado ontem por Luis Miranda como o homem acobertado por Bolsonaro na fraude da Covaxin, é próximo do empresário Francisco Feio Ribeiro Filho.
Conhecido como Chiquinho Ribeiro, o dono da Pneumar foi presidente da Urbamar, empresa de urbanização de Maringá, quando Barros foi prefeito da cidade, lá no início da década de 90. Na declaração de Imposto de Renda de Barros para o exercício 2002 aparece o nome de Francisco Feio Ribeiro Filho na seção "pagamentos e doações efetuados", e o valor de R$ 16 mil, algo que hoje seria em torno de R$ 50 mil, pela correção IPCA.
Quando Chiquinho Ribeiro completou 70 primaveras, em 2016, o irmão de Ricardo, Silvio Barros - que também já foi prefeito da terra do Marreco -, publicou no Instagram uma foto sua e de sua consorte na comemoração: "festa linda, merecida e abençoada do nosso amigo Chiquinho Ribeiro".
Quando Cida Borghetti, esposa de Ricardo Barros, tornou-se governadora do Paraná, em 2018, Chiquinho foi parar na direção da Companhia de Saneamento do estado (Sanepar).
Há dois meses, Cida Borghetti foi nomeada por Bolsonaro para o Conselho de Administração de Itaipu Binacional, rendendo o indefectível Carlos Marun e com salário de R$ 27 mil para participar de umas reuniões.
Há 15 dias, meados de junho, o Ministério da Saúde assinou intenção de compra de 60 milhões de doses de uma vacina contra a covid-19 chamada Convidecia, do laboratório chinês CanSino. O preço é de nada menos que 17 dólares a dose, mais cara que a Covaxin. A se confirmar o negócio, que está na dependência da Anvisa, será a vacina mais cara negociada pelo Brasil (É dose única, mas a Janssen também e custa US$ 10).
Estamos falando de um negócio de mais de R$ 5 bilhões. Para quem não queria "vaChina", que coisa, hein?
A representante da CanSino no país é a Belcher Farmacêutica do Brasil, com sede em... Maringá. Há um ano, em julho do ano passado, a Belcher foi alvo da Operação Falso Negativo, contra empresas que se lambuzaram em superfaturamentos aproveitando-se da dispensa de licitação para aquisição de testes rápidos de covid-19.
Um dos sócios da Belcher é Daniel Moleirinho Feio Ribeiro, que é filho de... Chiquinho Ribeiro.
No dia 6 de janeiro de 2021, há poucos meses, portanto, foi aberta em Maringá a empresa Rcy Brasil & Belcher Spe Ltda, com atividade principal de "Comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso humano". No quadro de sócios e administradores da novíssima firma consta a Belcher e a Ribetech Participacoes Sociais LTDA, pessoa jurídica com capital social de mil reais representada pela pessoa física Francisco Feio Ribeiro Filho - Chiquinho Ribeiro, o velho conhecido de Ricardo Barros.
A Rcy Brasil & Belcher funciona no mesmo endereço da Belcher em Maringá, no número 21102 da rua Rodolfo Cremm, numa construção tipo galpão rodeada por terrenos baldios, segundo mostra o último registro feito pelo Google Street View, em 2020. A farmacêutica maringaense que é parte em um contrato de mais de R$ 5 bilhões com o Ministério da Saúde, para compra de vacinas, tem o número de identificação do seu imóvel-sede apenas e tão somente escrito à mão no poste de ligação de energia.
Cereja: informações da imprensa dão conta de que por trás do pedido de liberação da vacina Convidecia na Anvisa estão Luciano Hang, Carlos Wizard, além do outro sócio da Belcher, Emanuel Catori. Hang e Wizard são os dois grandes empresários brasileiros mais próximos do presidente da República. Um anda na garupa, o outro é do gabinete paralelo.
Pode ser apenas mais uma grande Convidecia, digo, coincidência, já que este é o país delas, vide a lista de condôminos do Vivendas da Barra.
Mas acho que convinha dar uma olhada no tocante a essa cuestão aí. Talquei?
____________________ * Morre o jornalista e escritor Artur Xexéo aos 69 anos

247 - O jornalista e escritor Artur Xexéo morreu neste domingo (27) aos 69 anos.
Ele havia sido diagnosticado há apenas duas semanas com um linfoma de não hodginks das células T. e estava internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio.
Xexéo fez a primeira sessão de quimioterapia na quinta-feira e passou mal à noite.
Na sexta, teve uma parada cardiorrespiratória, logo revertida.
Mas, em função dela, não resistiu e morreu na noite deste domingo, informou o site G1, da Globo.
Além de colunista do Globo e comentarista da GloboNews, Artur Xexéo também teve passagens por Veja e Jornal do Brasil.
Desde 2015, participava da transmissão do Oscar na Globo.
____________________ * “Conspiração internacional para derrubar o PT começou em 2012”, diz Guido Mantega

247 - O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em entrevista à TV 247, avaliou que a derrubada do PT do poder em 2016, através do golpe contra Dilma Rousseff, foi resultado das políticas dos governos petistas que levaram à redução das margens de lucro do grande capital, nacional e internacional.
“Em 2011, começamos a interferir na entrada de capital volátil. Taxamos o mercado de derivativos, que é onde a coisa pega, onde se tem um conjunto grande de investimentos. Então, os capitais que vinham aqui, com a vida fácil, ganhar todo esse lucro, passaram a não ter mais esse lucro. Compramos uma briga com cachorro grande, com os grandes fundos internacionais e o capital financeiro internacional”, disse Mantega.
A conspiração pela derrubada de Dilma, segundo o ex-ministro, teve início quando os bancos públicos passaram a ganhar competitividade em relação aos bancos privados, cujos lucros caíram. “Depois, em 2012-2013, começamos a atacar o spread dos bancos. Liberamos os bancos públicos para colocar mais crédito na economia com juros menores, fazendo concorrência. Os bancos privados baixaram o spread a contragosto. Fizemos inclusive uma campanha contra as tarifas dos bancos, que eram enormes no Brasil”, lembrou.
“Isso trouxe popularidade para Dilma. Ela estava melhor avaliada até que Lula, a não ser o primeiro período. Agora, isso nos custou uma luta política que nos desgastou. Começou a ter matérias na The Economist e no Financial Times criticando a nossa gestão, dizendo que estávamos intervindo. Eles estavam respondendo aos interesses do grande capital internacional. E os bancos locais também ficaram possessos com as nossas atividades, porque foi a primeira vez que o lucro deles começou a cair. Os bancos brasileiros tinham lucros maiores até que os bancos americanos, proporcionalmente”.
A conspiração foi bem-sucedida, de forma que em junho de 2013 campanhas antipetistas financiadas por grupos estrangeiros já começavam a se espalhar pela internet. “Então, essa festa meio que acabou. Derrubamos isso. É claro que os bancos são importantes. O financiamento é importantíssimo, sem ele a produção e o consumo não sobrevivem. Mas foi aí que começou o nosso desgaste. A partir de 2012, se inicia uma conspiração internacional para nos derrubar, porque estávamos pisando nos calos. Em 2013, já se tinha uma campanha na internet. Não percebemos o poder que a internet já tinha naquela época, com grupos americanos financiando aqui no Brasil os grupos de direita. Em junho de 2013, após as manifestações, a popularidade da Dilma caiu 30%”, completou Guido Mantega.
____________________ * Kassab já sinaliza pular do barco de Bolsonaro: "Caso Covaxin é muito grave" | Revista Fórum
Presidente do PSD, que tem 35 deputados federais e 11 senadores, fez críticas ao governo e deu sinais de um possível desembarque de seu partido da base de sustentação do Planalto no Congresso
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, disse ontem (26) ao jornal Valor Econômico que as denúncias de corrupção na compra de lotes da vacina Covaxin, que teriam sido ignoradas por Bolsonaro, acarretam em grande desgaste para o presidente, num sinal que foi interpretado como um possível desembarque de seu partido da coalizão que dá sustentação ao governo no Congresso.
“É um caso que precisa ser apurado. A denúncia é muito grave e a CPI não pode se omitir”, disse o ex-prefeito de São Paulo, que lidera uma bancada com 35 deputados na Câmara Federal e 11 senadores.
Dois senadores de peso do partido na CPI do Genocídio, Omar Aziz, presidente da comissão, e Otto Alencar, membro do colegiado, teriam adotado postura semelhante, colocando em xeque o alinhamento com o Planalto após as graves denúncias contra Jair Bolsonaro. “O governo teve na última semana um desgaste muito grande. Vai precisar se posicionar”, salientou Kassab.
O cacique político paulista retomou críticas à condução dada à pandemia pela gestão atual, embora oficialmente siga com o apoio da legenda às votações do governo no Congresso. Pelo menos foi o que garantiu Kassab, ao afirmar que para o ano que vem a intenção do partido é lançar candidatura própria. O escolhido seria Rodrigo Pacheco (DEM), atual presidente do Senado, que já recebeu uma proposta de filiação ao PSD para disputar o pleito de 2022.
“Tenho dito sempre que a postura das pessoas que estão no governo na pandemia é equivocada, por não defender medidas como o uso de máscara e toda a demora na questão das vacinas. O PSD continua com sua postura. Somos independentes. Teremos candidatura própria. No meu horizonte está a candidatura a presidente de Rodrigo Pacheco. Ele saberá a importância de disponibilizar seu nome e tem o perfil pacificador que o país precisará”, finalizou.
____________________ * Bolsonaro perdeu 53% dos eleitores e a maioria voltou para Lula

247 - Pesquisa inédita feita entre os dias 17 e 21 de junho com 2002 pessoas de todos os estados do país pelo Ipec, o sucessor do Ibope Inteligência, revela a forte erosão do apoio eleitoral de Jair Bolsonaro: 43% dos que votaram nele em 2018 declaram que não votam mais nele.
Esta mesma pesquisa revela que 26% dos eleitores que votaram em Bolsonaro declaram agora que votariam em Lula em 2022.
O perfil socioeconômico que declarou intenção de trocar Bolsonaro por Lula indica que é o eleitorado de Lula que está de volta. São pessoas com ensino fundamental, moradores do Nordeste, residentes no interior, com renda familiar de até um salário mínimo, em municípios de até 50 mil habitantes e as que se autodeclaram pretas e pardas. As informações são da coluna de Lauro Jardim, o Globo
Na sua primeira pesquisa eleitoral, divulgada na última sexta-feira (25), o Ipec cravou que se as eleições fossem agora, Lula ganharia no primeiro turno. O ex-presidente tem 49% das intenções de voto, contra 23% do atual ocupante do Palácio do Planalto.
____________________ * Magno Malta defende Daniel Silveira e desafia Alexandre de Moraes: “vem me prender” (vídeo)

247 - O ex-senador Magno Malta desafiou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a prendê-lo, em uma reação revoltada contra a decisão que mandou o deputado federal Daniel Silveira de volta à prisão na última semana.
Daniel Silveira foi preso novamente após descumprir o uso de tornozeleira eletrônica e ignorar fiança imposta pela Justiça. “Mais essa indignada, esse ato criminoso”, diz Magno Malta. O vídeo foi publicado em um site bolsonarista.
“Você põe uma toga nas costas e agora acha que manda no Brasil, que desmanda, que não tem Constituição para você? Você não respeita nada, Alexandre! Mandar Daniel para cadeia! Qual a periculosidade de Daniel?", pergunta o ex-senador.
"Não tem um senador aí para convocar esse indivíduo, que usa uma capa preta, para que possa explicar a decisão dele? Vejo um monte de gente indignada, mas encolhida, com medo de você mandar prender. Manda me prender, Alexandre, eu sou um perigo para o Brasil”, desafiou ainda.
____________________ * Covid-19: Grávida do Paraná é a primeira vítima da variante delta no Brasil

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Uma mulher grávida, de 42 anos, tornou-se a primeira paciente a morrer no Brasil com diagnóstico da variante delta do novo coronavírus, confirmou neste domingo (27) o Ministério da Saúde. A vítima tinha vindo do Japão para Apucarana, no norte do Paraná, onde morreu em 18 de abril.
Segundo o ministério, a gestante teve resultado negativo para covid-19 no teste de RT-PCR antes de embarcar para o Brasil. No entanto, a vítima começou a apresentar problemas respiratórios em 7 de abril, dois dias depois de chegar ao país. A paciente refez o teste, com resultado positivo.
Oito dias após a confirmação do diagnóstico, em 15 de abril, a gestante foi internada. Logo depois de passar por uma cesariana de emergência em 18 de abril, por causa do agravamento do estado de saúde, a mulher morreu. Nascido com 28 semanas de gestação, o bebê fez o teste para a doença, com resultado negativo.
A paciente morta está na origem do primeiro caso de transmissão comunitária no Paraná da variante delta, identificada na Índia. Uma idosa de 71 anos foi infectada pela filha, que era amiga da gestante e tinha ido visitá-la.
A idosa já teve alta. Como a filha, que teve contato com a gestante, só fez o teste de antígeno, não foi possível traçar o sequenciamento genético do vírus.
____________________ * Ombudsman diz que leitor vai esperar sentado apoio da Folha a impeachment de Bolsonaro | Revista Fórum
Em coluna deste domingo, o ombudsman da Folha José Henrique Mariante diz que o jornal costuma não se envolver em movimentos de deposição de presidentes
O ombudsman da Folha começa o seu texto deste domingo listando uma série de adjetivos e substantivos que a Folha já usou em seus editoriais para tratar do presidente Jair Bolsonaro apenas durante este mês de junho. Entre eles: Desastroso, dado à pirraça, ecocida, demagógico, inoperante, disfuncional, pré-ginasiano, negacionista, indefensável. Destrambelhado, pior presidente, adversário ideológico da Constituição.
Lembra de que isso não é pouca coisa, “em se tratando de conteúdo agregado no site sob o título ‘o que a Folha pensa”’, mas considera que isso talvez seja muito pouco, entretanto, “para quem já perdeu a paciência com o pior presidente da República desde a redemocratização”.
O ombudsman ainda lembra que segundo pesquisa Datafolha de janeiro deste ano, 80% dos assinantes defendem que o Congresso abra um processo de impeachment contra Bolsonaro, sendo que na população em geral, seriam 49%, de acordo com a última verificação do instituto sobre o assunto, em maio.
Mas aí o ombudsman pergunta “Está na hora, então, de a Folha começar a se mexer?” E ele mesmo responde: “A história recente mostra que é melhor esperar sentado.”
A Folha, segundo ele, teria publicado texto em 2016 onde afirmava sobre o impeachment: “Esse recurso extremo só deve ser usado quando houver não apenas conjunto robusto de provas a indicar que o governante de turno cometeu crime de responsabilidade, mas também amplo consenso político de que não tem condições de permanecer no cargo”.
E diz que o jornal se comportou dessa forma no impeachment de Dilma.
“Aplicada ao desastroso caso de Bolsonaro, a cláusula não escrita da Folha afasta o jornal, pelo menos neste momento, de uma defesa de seu afastamento”, sustenta.
____________________ * Vacinoduto
Por Ricardo Mezavila

As revelações dos irmãos Miranda na CPI, de que Bolsonaro sabia do contrato irregular e bilionário do Ministério da Saúde para a compra das vacinas, derrubam a falsa honestidade vendida pelo presidente.
O vacinoduto explica as recusas anteriores das aquisições das vacinas. O dinheiro estava empenhado para ser desviado na transação pela aquisição da Covaxin, esquema de corrupção consentido pelo presidente que supostamente envolve o seu filho 01.
Até onde o governo vai resistir é uma incógnita. O parlamento pode cassar o mandato de Bolsonaro e a terceira via pode vir de uma gestão com agendas positivas de Mourão.
O fato é que a ‘casa caiu' para o presidente corrupto, que deve tentar apertar os cintos das milícias militar e civil, numa aventura golpista e natimorta contra fantasmas ideológicos.
As ruas estão esquentando, as próximas manifestações de julho vão estar ainda mais quentes e mobilizadas.
O impeachment de Collor foi possível porque houve briga de interesses entre irmãos. Um suposto impeachment de Bolsonaro pode ser potencializado por uma união fraternal.
Para homenagear esse dia, uma música cantada pelos pretos jongueiros: "Quem nunca viu vai ver, um caldeirão sem fundo ferver".
____________________ * Leandra Leal cobra autocrítica geral: "como a gente deixou Bolsonaro ser presidente?"

247 – A atriz Leandra Leal cobrou uma autocrítica de todos os setores da sociedade brasileira que contribuíram para a ascensão do fascismo de Jair Bolsonaro. Ela afirmou que jamais poderia ter sido considerado "uma escolha muito difícil" optar entre a social-democracia representada por Fernando Haddad e o extremismo de ultradireita de Jair Bolsonaro, que já tinha um discurso racista, misógino e preconceituoso. A tese da "escolha difícil" foi construída por setores que lideraram o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, como o PSDB, e abraçada pela mídia corporativa no Brasil. Confira a fala de Leandra Leal:
____________________ * Mourão diz que "não dá pra comprar um carro usado desse Luís Miranda"
Vice-presidente diz não estar convencido de que o episódio em torno da Covaxin vá prejudicar Jair Bolsonaro

247 – O vice-presidente Hamilton Mourão, que seria o beneficiário de um impeachment de Jair Bolsonaro, não está seguro de que o episódio Covaxin irá derrubá-lo. "Vamos aguardar, mas uma coisa eu posso dizer: não dá para comprar um carro usado desse Luis Miranda, embora denúncia não sai do convento, Não estou convencido de que esse episódio todo vá prejudicar o presidente", disse ele aos jornalistas Gabriel Mascarenhas e Dimitrius Dantas.
Recentemente, Mourão se queixou de Bolsonaro. "Eu não entendo por que o presidente me exclui das reuniões. Lembrando que eu, eventualmente, posso substituí-lo e ter de decidir sobre algum assunto desses, que eu não sei nada”, afirmou.
____________________ * FHC diz que Lula, que venceria no primeiro turno, não é alternativa a Bolsonaro
Ex-presidente tucano, que recentemente chegou a declarar voto no seu sucessor, agora diz que “precisamos de gente jovem, que tenha energia” e que “Lula é a repetição de uma fórmula que nós já conhecemos”

247 - Pouco depois de ter declarado voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno em 2022, e se encontrado presencialmente com o petista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma agora que Lula - que venceria no primeiro turno, segundo as pesquisas - não é alternativa a Bolsonaro.
“Ele é uma pessoa inteligente, intuitiva. Mas, para ser franco, nós precisamos de gente jovem, que tenha energia”, declarou o tucano, em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, que vai ao ar na noite deste domingo (27).
"Lula é a repetição de uma fórmula que nós já conhecemos: o estado mais forte com muito apoio à iniciativa privada. Pode ser um caminho de crescimento, mas não é disso que o país precisa. Se eu fosse o Lula, não entraria em uma terceira candidatura", disse ainda FHC.
Críticas a Bolsonaro
Fernando Henrique afirma que falta comando e sensibilidade em Jair Bolsonaro na gestão da pandemia do novo coronavírus.
“Já fui presidente e sou cuidadoso para não jogar a culpa no presidente. O caso do coronavírus, obviamente, é um vírus. Algumas pessoas pegariam de todo jeito. Mas a falta de cuidado parece ser grande. Ele fala e depois pensa. E isso é ruim porque a palavra do presidente tem um valor simbólico muito grande”, disse.
O ex-presidente caracteriza o atraso da vacinação contra a Covid-19 no Brasil como "trapalhada". "Vão acusá-lo de várias responsabilidades, e algumas ele tem. Mas não adianta tapar o sol com a peneira, tem que enfrentar. Sei que é difícil e, por isso, não jogo mais uma pá de cal em cima", complementa.
____________________ * “Fim do processo contra Assange”, diz Snowden após testemunha-chave confessar mentira
Uma testemunha-chave no processo do Departamento de Justiça dos EUA contra Julian Assange, Sigurdur Ingi Thordarson, confessou em uma entrevista que mentiu em suas declarações usadas pelo governo norte-americano para acusar o fundador do WikiLeaks

Sputnik - Sigurdur Ingi Thordarson, um ex-voluntário do WikiLeaks de cidadania islandesa, confessou que fabricou a alegação de que Assange o tinha instruído a cometer invasões em computadores ou a hackear na Islândia, conforme o jornal Stundin.
"De fato, Thordarson agora admite ao Stundin que Assange nunca lhe pediu para hackear ou acessar gravações telefônicas de parlamentares [da Islândia]", de acordo com mídia islandesa.
"Sua nova alegação é que ele, de fato, tinha recebido alguns arquivos de uma terceira parte que alegou ter gravado parlamentares e propôs compartilhá-los com Assange sem ter nenhuma ideia do que eles realmente continham", segundo o jornal. A testemunha afirmou que nunca verificou o conteúdo dos arquivos oferecidos.
Thordarson forneceu à mídia registros de chats de 2010 e 2011, o que indica sobre seus pedidos frequentes para que hackers atacassem ou roubassem informações de entidades e sítios islandeses. O jornal declarou que não encontrou provas de que Thordarson tivesse sido instruído para fazer esses pedidos por alguém dentro do WikiLeaks.
"Além disso, ele nunca explicou por que o WikiLeaks estaria interessado em atacar quaisquer interesses na Islândia, especialmente em um momento tão sensível, enquanto estavam publicando uma enorme quantidade de telegramas diplomáticos dos EUA como parte da parceria internacional de mídia", conforme refere o jornal.
O então ministro do Interior irlandês, Ogmundur Jonasson, disse que os Estados Unidos "estavam tentando usar as coisas aqui [na Islândia] e usar as pessoas em nosso país para tecer uma teia, uma teia de aranha que apanharia Julian Assange".
O ex-administrador de sistemas da Agência de Segurança Nacional dos EUA Edward Snowden reagiu ao artigo do Stundin, dizendo que "isto é o fim do processo contra Julian Assange".
Em janeiro, a Justiça britânica decidiu não extraditar Assange aos EUA, citando razões de saúde e risco de suicídio no sistema prisional norte-americano. Assange é acusado de espionagem e de fraude informática após o WikiLeaks ter publicado milhares de arquivos secretos e informações classificadas que lançam luz sobre possíveis crimes de guerra cometidos pelas tropas dos EUA no Iraque e Afeganistão. O fundador do WikiLeaks pode pegar até 175 anos em prisão de alta segurança caso seja condenado nos Estados Unidos.
____________________ * China lança Livro Branco sobre experiência do Partido Comunista no respeito e garantia dos direitos humanos
O Gabinete de Imprensa do Conselho de Estado da China publicou no dia 24 de junho o "Livro Branco sobre Grandes Práticas do Partido Comunista da China (PCCh) no Respeito e Garantia dos Direitos Humanos"

Rádio Internacional da China - O documento sobre a prática do Partido Comunista da China (PCCh) no respeito e garantia de Direitos Humanos mostra que ao longo de sua história centenária o PCCh respeita e garante os direitos humanos, persistindo sempre no princípio de “o povo acima de tudo”. Na China, considera-se que o direito à subsistência e o direito ao desenvolvimento são os direitos humanos básicos primários, e a vida feliz é o maior direito humano. Por isso, o povo chinês tem um sentimento cada vez mais forte de ser beneficiado, feliz e seguro, aponta o documento.
O Livro Branco enfatiza que, até o final de 2020, a China erradicou completamente a pobreza absoluta, antecipando em 10 anos a meta de redução da pobreza dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. A taxa de contribuição da China para a redução da pobreza do mundo chegou a 70%.
Além disso, nos últimos cem anos, o PCCh vem insistindo no caminho de desenvolvimento pacífico, defendendo a paz mundial, promovendo o desenvolvimento global através de cooperações e oferecendo sabedoria e propostas para a causa dos direitos humanos no mundo.
Um comentário publicado no site da Rádio Internacional da China lança a pergunta: Por que o PCCh pode criar "milagres" no desenvolvimento dos direitos humanos?
"Desde a sua fundação, o PCCh tem aderido firmemente ao princípio de colocar o povo em primeiro lugar, seguindo o conceito de que a vida próspera da população é o maior direito humano. Mantendo isso em mente, um desenvolvimento integral das pessoas tem sido firmemente promovido, a fim de fortalecer continuamente a satisfação, a felicidade e a segurança das pessoas. O caminho do desenvolvimento dos direitos humanos do socialismo chinês foi aberto com sucesso".
O comentário assinala que na China, as palavras “direitos humanos” não são apenas um termo político abstrato, mas algo sentido por todos os chineses. "Do aumento constante do rendimento dos cidadãos até a ampla participação da população na vida política democrática do país; do desenvolvimento coordenado entre as regiões econômicas desenvolvidas e as regiões do interior até a prosperidade cada vez maior das áreas habitadas por minorias étnicas, uma 'lista de conquistas' abrangente com ricos conteúdos na causa dos direitos humanos do país pode ser vista claramente".
O comentário aponta a projeção internacional da ação do PCCh na questão dos direitos humanos: "Salienta-se no livro branco que a China manteve um amplo diálogo e intercâmbio sobre direitos humanos com outros países e organizações internacionais. As ações concretas do país deram um impulso positivo à governança global do setor, enriquecendo também a diversidade dos direitos humanos e das culturas".
O documento também refuta os "ataques e calúnias" feitos por algumas forças ocidentais antichinesas, assinalando que "as conquistas obtidas pela China no desenvolvimento dos direitos humanos são a resposta mais forte".
"Nos últimos 100 anos, o PCCh encontrou uma forma de desenvolver os direitos humanos que se adapta à realidade nacional. Isso mostra que os direitos humanos não devem ser definidos como monopólio do Ocidente. O respeito, a garantia e o desenvolvimento dos direitos humanos devem ser aplicados de maneiras correspondentes à própria realidade", finaliza o comentário.
____________________ * Livro explica como os meios de comunicação ecoaram a estratégia negacionista de Bolsonaro
O livro “Covid-19: versões da pandemia nas mídias” explica a fundo o papel das mídias e das redes sociais na pandemia, que muitas vezes acabou repercutindo desinformações sem problematizá-las

Por Paulo Henrique Arantes, para o 247 - A imprensa brasileira criticou e critica duramente o comportamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, na pandemia. Mas, talvez inadvertidamente, também serviu para disseminar teses negacionistas e bobagens como o uso da cloroquina e a imunidade de rebanho. Não se pode esquecer o quanto os absurdos de Osmar Terra e Nise Yamaguchi repercurtiram antes de ambos serem desmascarados. Neste momento, em que a CPI da Covid salta para o campo da corrupção, diante da nítida prevaricação presidencial no Covaxingate, a história recente de uma comunicação letal não deve ficar em segundo plano – sem uma não haveria outra.
O livro “Covid-19: versões da pandemia nas mídias”, lançado em maio no Portal de Livros Abertos da USP (AQUI), explica a fundo o papel das mídias na pandemia – não só os veículos tradicionais em papel, internet e televisão, mas os mais diversos suportes e conteúdos, em especial as redes sociais, nos quais convivem excesso de informação e desinformação. Nem decretos, portarias e boletins epidemiológicos foram esquecidos. O trabalho envolveu pesquisadores de 11 instituições acadêmico-científicas, reunidos em torno do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Práticas Discursivas no Cotidiano (Nuprad), coordenado pela professora Mary Jane Spink, da PUC de São Paulo.
Há vários aspectos analisados na obra. Por exemplo, o tratamento político dado ao distanciamento social. “Ao dar amplo espaço aos discursos presidenciais contrários às medidas não-farmacológicas e a favor de drogas sem eficácia, como a cloroquina, na maioria das vezes sem problematizá-los, as mídias contribuíram para a disseminação da tese completamente equivocada e antiética da imunidade natural de rebanho”, destaca Cláudia Malinverni, jornalista, pesquisadora do Instituto de Saúde de São Paulo e uma das autoras do livro.
Segundo Malinverni, “a politização das medidas de distanciamento social, observada a partir da análise de notícias sobre os posicionamentos do presidente da República, permitiu observar a naturalização do discurso bolsonarista negacionista, que redundou na fragilização das ações contra o espalhamento do vírus”.
Malinverni estará ao lado de outras cientistas no próximo dia 6 de julho, às 14 horas, na webinar “Impactos da cobertura midiática da COVID-19: reflexões sobre distanciamento social, boletins epidemiológicos municipais e cuidado ao trabalhador da saúde”, promovida pelo Instituto de Saúde do Estado de São Paulo em seu canal no YouTube, na qual parte dos temas apresentados no livro será debatida.
O livro envereda por um campo ainda não debatido tanto quanto deveria ao analisar os boletins institucionais como estratégia de cuidado de profissionais de saúde da linha de frente e a invisibilização pela mídia dos trabalhadores de resíduos sólidos. “É importante entender como as referências produzidas pelos órgãos públicos competentes estavam sendo utilizadas por gestoras e gestores e a população. Ou seja, essa experiência contribui para refletirmos e repensarmos as práticas de gestão em saúde pública no contexto de pandemia”, diz a professora Sandra Luzia Assis da Silva, do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Paulista.
“Covid-19: versões da pandemia nas mídias” também analisa – e a webinar tratará disso - a farta veiculação em redes sociais, especialmente o Instagram, de infográficos exibindo números oficiais da pandemia. “Mais do que retratar uma realidade, os números produzem efeitos. Como nos lembra Joel Best, nas políticas públicas, muitas vezes, eles servem para legitimar os argumentos empregados nas tomadas de decisão”, aponta a professora Jacqueline Machado Brigagão, da Escola de Artes, Ciências a Humanidades da USP.
Depreende-se da obra que um verdadeiro mosaico discursivo foi construído por todas as mídias e por vários componentes materiais: corpos, caixões, leitos de UTI, respiradores, luvas, álcool em gel, hospitais de campanha, máscaras, testes rápidos, medicamentos. O cotidiano das pessoas ganhou rotinas novas, como verificar as curvas de novos casos e óbitos, a evolução da pandemia no mundo, no Brasil, nas cidades, nos bairros. “Desse modo, uma gramática até então circunscrita às comunidades peritas transbordou para as conversas cotidianas: imunidade de rebanho, achatamento da curva, percentual de ocupação hospitalar, taxa de transmissão/contágio, taxa de letalidade, média móvel; as vacinas e seus complexos processos de produção”, conclui Malinverni.
Quando esse mosaico, em sua construção, está sujeito a visões e narrativas falsas, como as disseminadas pelo governo federal de modo reiterado, chega-se a mais de meio milhão de mortos e médicos que ainda prescrevem cloroquina em hospitais e postos de saúde.
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