_______________ * E, INDEPENDENTEMENTE de ser CULPADO, _______________ * o SIMPLES fato de Bolsonaro TER SE colocado na POSIÇÃO de SUSPEIÇÃO em que está, _______________ * CONFIGURA CRIME de responsabilidade, PASSÍVEL de IMPEACHMENT pelo Congresso Nacional.
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____________________ * Os possíveis CRIMES de Bolsonaro | Ricardo Rangel _____________________ SE o Brasil FOSSE um país CIVILIZADO, a QUEDA do BOLSTANAZILDO seria INEXORÁVEL
____________________ * INDÍGENAS FERIDOS em protesto na frente da Câmara apontam TRUCULÊNCIA da PM
____________________ * O presidente ganhou um escândalo bilionário para chamar de seu * O covidão sobe a rampa do Planalto | Bernardo Mello Franco
____________________ * A CPI hoje é 'uma FINAL de COPA do MUNDO com depoimento de SERVIDOR que alertou sobre COVAXIN
____________________ * McAfee, o gênio perturbado, fundamental na história do mundo digital
____________________ * Lula aparece à frente de Bolsonaro em pesquisa para eleição presidencial; veja os números
____________________ * TCU vê respostas sobre Covaxin como ‘insuficientes’ e avalia fazer inspeção na pasta da Saúde
____________________ * CPI espera ter 'dia de Duda Mendonça', o ex-marqueteiro de Lula, com depoimento de irmãos. ___________________________ Só SENSO de DEVER para com o IRMÃO de um deputado bastante ENROLADO em DENÚNCIAS antigas NÃO parece DAR CONTA da história por COMPLETO. ____________________ Vera Magalhães
____________________ * Pai de jornalista da Band, brasileiro sobreviveu a desabamento em Miami: 'O prédio deixou de existir a dois passos da minha porta'
____________________ * SEM vacinas, ÁFRICA enfrenta TERCEIRA ONDA 'extremamente BRUTAL da Covid
____________________ * Policial civil e sua mulher são encontrados mortos em apartamento no Recreio
____________________ * No hemisfério NORTE, eles estão REAPRENDENDO a viver em LIBERDADE, que NUNCA imaginaram ser TÃO PRECIOSA
____________________ * O DESGOVERNO de Jair Messias Bolsonaro nos guiou para o ABISMO de uma TRAGÉDIA evitável * Flávia Oliveira
____________________ * DESAPROVAÇÃO de Bolsonaro apontada em pesquisa PODE se APROFUNDAR
____________________ * Por que a IVERMECTINA VOLTOU a ser TESTADA em pesquisa sobre a Covid-19
____________________ * Com Anitta no Nubank, Honório Gurgel chega à Faria Lima
____________________ * Caso da Covaxin TIRA de Bolsonaro DISCURSO para JUSTIFICAR ATRASO com a PFIZER
____________________ * KOMÉKIÉ, KIMBERLY ?!? SEM Salles e Araújo, governo Bolsonaro GANHA mais CHANCES no EXTERIOR
____________________ * Arquibancadas expõem como Brasil ficou para trás da Europa no combate à Covid
____________________ * LULA vence TODOS e é o ÚNICO que DERROTA Bolsonaro em pesquisa Ideia
____________________ * Descontrolado, Bolsonaro agride outra mulher jornalista ao ser questionado sobre corrupção em seu governo (vídeo)
____________________ * Pesquisa EXPLICA porque Bolsonaro está cada vez mais NERVOSO e RADICAL
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____________________ * Os possíveis crimes de Bolsonaro | Ricardo Rangel SE o Brasil fosse um país CIVILIZADO, a QUEDA do BOSTANAZILDO seria INEXORÁVEL
Com seu telefonema ao premier da Índia, Bolsonaro deixou claro que estava envolvido pessoalmente em dar celeridade no processo de aprovação da vacina Covaxin. Se, como tudo indica, a compra não era de interesse público, somente de interesse de terceiros, é crime de advocacia administrativa, mais conhecido por tráfico de influência.
Se, como tudo indica, Bolsonaro foi comunicado de que havia grave suspeita de ilegalidade na compra da vacina, mas não comunicou o fato à Polícia Federal, descumpriu sua obrigação de tomar uma providência. É crime de prevaricação.
Se, como tudo indica, em vez de comunicar à polícia, Bolsonaro comunicou a terceiros, é crime de vazamento de informação sigilosa e há base para se enxergar crime de organização criminosa.
Ao ameaçar testemunhas, Onyx Lorenzoni cometeu crime de intimidação e obstrução de justiça, com direito a prisão preventiva em flagrante sem data para ser solto. Como fez isso em nome do presidente sem ser desautorizado nem demitido, Bolsonaro é cúmplice no crime.
Por fim, se Bolsonaro recebeu ou receberia qualquer tipo de compensação por ajudar na compra da vacina, no pagamento antecipado ou por avisar à quadrilha de que foi comunicado do esquema, é crime de corrupção passiva (no último caso, é também crime de organização criminosa).
Todos os crimes arrolados acima são crimes comuns, passíveis de denúncia pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.
E, independentemente de ser culpado, o simples fato de Bolsonaro ter se colocado na posição de suspeição em que está, configura crime de responsabilidade, passível de impeachment pelo Congresso Nacional.
Se o Brasil fosse um país civilizado, a queda de Jair Bolsonaro seria inexorável.
____________________ * INDÍGENAS FERIDOS em protesto na frente da Câmara apontam TRUCULÊNCIA da PM

Rubens Valente
Colunista do UOL
24/06/2021 18h38
Indígenas feridos por balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta disparados pela Polícia Militar na frente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22) relataram ações truculentas da PM, como impedir que indígenas socorressem vítimas que estavam desmaiadas no asfalto e agredir um estudante indígena que apenas fazia imagens do protesto.
A coluna entrevistou 12 indígenas com sinais de ferimentos pelo corpo e relatos de dores, tonturas e dificuldades respiratórias. "Tivemos 13 indígenas feridos, três em situação mais grave, felizmente estamos todos bem. Mas é um absurdo, é uma truculência muito grande contra quem está aqui apenas para defender um direito constitucional", disse Sônia Guajajara, da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).
Presidente da Funai acionou Abin para "monitoramento" de campanha indígena
A PM afirmou que dois policiais legislativos e um policial militar foram feridos com flechadas - eles foram socorridos e liberados.
"Fizeram uma repercussão grande do policial que levou uma flechada, mas foram vários parentes que ficaram no chão, que desmaiaram, tiveram problema, levaram tiros [de borracha], aí sempre tentam nos colocar como seres brutos, como animais, na verdade não é isso. Montamos acampamento, passando frio, às vezes tendo que regrar comida, estamos aqui resistindo. E agora vem essa brutalidade toda, essa violência", disse Raiana Xipaya, do Médio Xingu, em Altamira (PA), que disse ter desmaiado após inalar gás lacrimogêneo das bombas lançadas pela PM em sua direção quando tentava socorrer outro indígena.
Os indígenas protestavam contra a aprovação do projeto de lei nº 490 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, presidida pela bolsonarista Bia Kicis (PSL-RJ), que altera a política indigenista do país. A proposta acabou aprovada pela CCJ na quarta-feira (23) por 40 votos a 21. Entre os deputados favoráveis ao projeto estão integrantes do DEM, do PSDB, do Novo e dos partidos da base governista, como o PSL. A lista completa da votação pode ser conferida no site da Câmara na internet.
Segundo as organizações indígenas e indigenistas, o projeto é inconstitucional e afronta a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da qual o país é signatário, que prevê a consulta livre, prévia e informada dos indígenas sobre todas as iniciativas do Estado brasileiro que atinjam seus direitos.
O conflito da terça-feira começou justamente porque a Câmara, comandada pelo deputado da base bolsonarista Arthur Lira (PP-AL), se recusou a permitir a entrada dos indígenas que queriam acompanhar a votação na sala da CCJ e instalou grades na frente do Anexo II.
De acordo com Dorivan Munduruku, de Jacareacanga (PA), que integra uma delegação de mais de 80 mundurukus que vieram a Brasília, o conflito começou depois que os policiais militares começaram a "fazer provocações" e impedir a presença dos indígenas perto das grades. "A gente veio para fazer a manifestação pacífica. Os parentes tentaram entrar, eles não queriam deixar, os próprios policiais começaram a fazer provocação, que 'aqui não podia, com gestos', mandando a gente embora", disse Dorivan.
Alguns indígenas retiraram ou derrubaram as grades, o que deu início ao conflito. A PM argumentou, em nota, que grades foram jogadas contra os policiais, mas não foram divulgadas imagens que confirmem essa alegação da polícia.
"Aí eles policiais começaram a jogar [bomba]. Jogaram bomba barulhenta e gás para todo lado. Eu disse 'calma, estamos sem nada, estamos aqui só para fazer manifestação'. Aí eu vi que tinha um parente desmaiado no chão. Fiquei do lado dele e eles [policiais] avançaram. A gente estava sem nada, sem arco, sem nada. Eles viram que a gente estaca socorrendo os parentes, mesmo assim atiraram, ficaram jogando as bombas", disse Dorivan.
"A gente não podia nem respirar mais, Me senti mal demais, mas fiquei pensando 'bora resistir, porque o gás passa, prejudica a saúde, mas a luta continua'."
A comitiva munduruku já havia sido impedida de sair em ônibus do Pará por um grupo de garimpeiros e indígenas cooptados pelo garimpo que queriam impedir que eles denunciassem, em Brasília, a destruição provocada pelo garimpo ilegal nas terras mundurukus. Um ônibus foi depredado. Só conseguiram chegar a Brasília sob escolta.
"Infelizmente é essa a situação nossa. A gente veio para manifestar, exigir nosso direito. Lá [no Pará], era problema, que não deixaram os caciques vir. Chegando aqui, outro problema. A gente fica sem saída. Mas a gente vai continuar resistindo, lutando por nossas crianças e pela nossa terra."
Líder indígena bateu a cabeça, desmaiou, levou balas de borracha e foi internado
O indígena sapará Alcebias Mota Constantino, liderança da terra indígena Raposa/Serra do Sol e representante do CIR (Conselho Indígena de Roraima), que agrega mais de 55 mil indígenas, foi uma das vítimas mais sérias na frente do Anexo II. Ele disse que o conflito começou porque a PM se recusou a permitir a passagem dos indígenas. Alcebias disse que estava apenas com uma garrafa d'água na mão e não tentou agredir os policiais.

"Quando a gente encostou mais na grade, aí que começou. Aí a gente avançou também. A gente não esperava aquela reação toda. Começou o tumulto todo e fui tentar me proteger. Quando eu virei as costas fui atingido, primeiro no braço e em seguida explodiu uma bomba bem próximo de mim. Essa explosão me jogou no chão, bati a cabeça no concreto. Já estava meio desorientado, alguns parentes conseguiram me arrastar. A partir desse momento ficamos no fogo cruzado. Eu no chão e os policiais continuaram atirando, mesmo comigo no chão e os parentes me socorrendo", relatou Alcebias.
Diversos indígenas confirmaram que a PM continuou disparando balas de borracha e bombas mesmo quando tentavam socorrer Alcebias no chão. Ele inalou grande quantidade de gás lacrimogêneo e corria risco de morte porque não estava conseguindo respirar, de acordo com Leandro Tupinikim, estudante de medicina em Brasília, que integra a rede nacional de apoio de médicas e médicos populares e estava no protesto na terça-feira. Ele também tentou socorrer Alcebias, sem conseguir porque a polícia continuou jogando bombas e disparando balas de borracha na direção dos indígenas.
"O gás causa irritação nas vidas aéreas e dificuldade de respirar. Tem que lavar rápido, tirar todo o gás, lavando com soro fisiológico e e leite de magnésia para evitar queimaduras e ardência. Com certeza pode matar, essa era a nossa preocupação com o Alcebias", disse Leandro.
"Tentei atender num primeiro momento mas não consegui devido a uma bomba que estourou perto de mim. Não consegui chegar onde o paciente estava. Ele foi atendido pelos bombeiros e levado pelo SAMU ao Hospital de Base", disse o estudante de medicina.
Tupinikim disse que a rede de apoio atendeu naquele dia "mais de 20 indígenas passando mal, com dificuldades de respirar, devido à ação truculenta da polícia. Fizeram uma verdadeira arapuca, tinha policial atirando de cima [do prédio] e outros atirando de lado. Era muito gás, spray, muita bomba", disse o estudante.
Juma Xipaya, de Altamira (PA), também é estudante de medicina, calcula que o socorro a Alcebias demorou mais de 20 minutos e confirmou que foi impedido pela ação da PM. "Resolvi correr para ajudar, verificar a pulsação, a respiração, nesse momento eles [policiais] começaram a atirar. Pegamos o parente e levamos para o outro lado da rua e mesmo assim eles continuaram atirando. O Corpo de Bombeiros estava ao lado, e nós estávamos pedindo socorro. Eu gritei, vários parentes gritaram pedindo socorro e eles não atenderam nesse momento porque os policiais estavam atirando."

Juma disse que e outros indígenas estavam lavando o rosto de Alcebias, no chão, quando a polícia "atirou novamente". "Eu contei umas quatro bombas de gás e tiros de borracha, uma bala bateu no cocar, uma de gás explodiu e cortou minha mão. Fiquei pedindo socorro até que outros vieram e carregaram. Eu tive um pequeno desmaio. Quando retornei [à lucidez], procurei por ele, a polícia continuava atirando. Inclusive a polícia atirou mesmo com o pessoal dos bombeiros socorrendo. E não foi só cápsulas [de bomba], mas balas contra os próprios bombeiros."
Como estudante de medicina, ela disse que "é gravíssimo, é um crime, é um atentado contra nossas vidas", impedir o socorro a um ferido, "porque ele estava agonizando, mal conseguindo respirar".
Ainda se recuperando do que passou, Alcebis disse que seu "sentimento é de indignação". "A gente está enfrentando a pandemia, já perdemos muitas lideranças - há dois dias perdemos a cacica Rosimeire - e o governo vem com isso [projeto de lei], sem pensar nas comunidades, e vem aumentando mais esse ódio, principalmente por parte de quem não conhece nossa realidade. Essa fala deles que vem invadir os territórios, atacar os parentes sem dó mesmo. Para mim não é novidade. Essa luta nunca foi fácil, porém intensificou mais nesse governo, não se importa com os povos originários e a todo custo quer passar por cima. Nossa batalha nunca foi fácil e não é", disse Alcebias.
O xokleng Fernando Almeida, estudante de jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), relatou que no momento do conflito foi agredido com uma pancada na cabeça por trás, por um PM, sem qualquer explicação.
"Eu estava na frente para tirar a foto do meu povo, devidamente identificado [com um crachá], sou da comunicação do 'Levante'. Estava de costas para o policial, tirando a foto, quando escutei um barulho e bateu uma coisa no meu rosto. Fiquei assustado, corri. Está doendo, ainda esta um pouco inchado. Continuei tirando fotos. O gás começou a me fazer mal. Quando voltei para o acampamento meu nariz começou a sangrar, fui ao atendimento, me deram remédio para dor de cabeça, minha cabeça começou a doer muito", disse Almeida.
"Eu fiquei muito triste porque estava devidamente identificado, com uma câmera na mão, e fui o primeiro a levar uma paulada no rosto, covardemente, atrás de mim, sem aviso sem nada. Eu estava ali trabalhando."
Antônio Eduardo Oliveira, secretário-geral do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), disse que os indígenas "foram reprimidos no direito legitimo de se manifestar, de estar lutando pelos seus direitos".
"Foi um momento de repressão, de violência, com a qual os povos indígenas não estavam contando. Eles vieram para se manifestar de forma pacífica contra um projeto de lei que fere seus direitos. [A ação da PM] foi totalmente descabida e merece a devida apuração e a condenação nossa e de todas as instituições."
PM diz que "foi necessário uso progressivo da força"
Em nota à coluna, a Polícia Militar do DF disse que "montou um esquema de segurança na Câmara dos Deputados durante a votação, nesta terça-feira (22), do projeto de lei que altera a demarcação de terras indígenas. A corporação manteve grande efetivo policial para garantir a segurança dos manifestantes".
"A situação estava tranquila até por volta de meio-dia e meia, quando um grupo de indígenas tentou invadir o Anexo II da Câmara. De início, eles derrubaram os gradis da entrada do edifício e os arremessaram contra os policiais legislativos. Após isso, cerca de 500 índios arremessaram pedras, flechas e tacapes nos policiais. Um policial militar foi atingido por uma flechada no pé. Dois policiais legislativos também foram vítimas das flechadas. Um foi atingido na perna e o outro no tórax. Os três foram socorridos pelo serviço médico do Congresso. Diante do exposto, foi necessário o uso progressivo da força", diz a nota da PM.
Indagada sobre os PMs teriam impossibilitado o socorro a feridos com bombas e balas de borracha, a PM não se manifestou sobre esse ponto.
____________________ * O presidente ganhou um escândalo bilionário para chamar de seu * O covidão sobe a rampa do Planalto | Bernardo Mello Franco

O bolsonarismo queria usar a CPI da Covid para investigar governadores e prefeitos de oposição. Agora o presidente ganhou um escândalo bilionário para chamar de seu.
O rolo da Covaxin já exibia potencial para comprometer o Ministério da Saúde. Sob gestão militar, a pasta contratou a vacina indiana em tempo recorde. Aceitou pagar R$ 80 por dose, valor mais alto entre todos os imunizantes comprados pelo país.
A negociação ainda envolveu um atravessador sob suspeita, a Precisa Medicamentos. Em 2018, sócios da empresa aplicaram um calote no ministério. Venderam por R$ 20 milhões remédios que nunca foram entregues.
Na época do trambique, a pasta era chefiada por Ricardo Barros, atual líder do governo na Câmara. Numa curiosa coincidência, o deputado apresentou a emenda que permitiu a importação da Covaxin e ameaçou “enquadrar” a Anvisa para acelerar a liberação da vacina.
Até quarta-feira, o caso era tratado como um incômodo para o governo. Com a aparição do deputado Luis Miranda, tornou-se um problema sério para Jair Bolsonaro.
O dublê de parlamentar e youtuber diz ter avisado o presidente de irregularidades no negócio de R$ 1,6 bilhão. Ele é irmão de um servidor de carreira que relatou “pressões atípicas” para agilizar o repasse à Precisa.
Segundo o deputado, Bolsonaro prometeu acionar a Polícia Federal, mas “não fez nada”. Na hipótese mais suave, isso pode levar o presidente a responder por prevaricação.
Miranda é do ramo: já foi acusado de estelionato e crime eleitoral. Mas seu histórico nunca pareceu problema para o presidente. Ele era convidado para passeios de moto e frequentava o Alvorada nos fins de semana.
O destempero do governo mostra a preocupação com o caso. O ministro Marcelo Queiroga abandonou uma entrevista ao ser questionado sobre a Covaxin. O ministro Onyx Lorenzoni fez ameaças explícitas ao denunciante, ao melhor estilo miliciano.
Bolsonaro está tentando de tudo para abafar o assunto. Na quarta, surpreendeu ao demitir o antiministro Ricardo Salles. Ontem provocou outra aglomeração e arrancou a máscara de uma criança de colo. A ver o que ele aprontará hoje, quando os irmãos Miranda prometem abrir o bico na CPI.
____________________ * A CPI hoje é 'uma FINAL de COPA do MUNDO com depoimento de SERVIDOR que alertou sobre COVAXIN
Por Lauro Jardim

O depoimento de hoje dos irmãos Luis Miranda na CPI da Covid foi definido por um importante integrante da bancada da oposição na comissão como "uma final de Copa do Mundo".
A expectativa é essa mesma. E que o placar não seja novamente um 7 x 1 contra o Brasil.
Um dos gols que a CPI poderá marcar para avançar a investigação é tentar mais detalhes sobre a Madison Biontech, empresa que seria usada para receber antecipadamente os US$ 45 milhões pela compra da vacina indiana. A CPI tem indícios de que a Madison seja uma firma de fachada.
O senador Randolfe Rodrigues já disse que a CPI quer levantar quem são os sócios dessa empresa. Mas é preciso ir além. É preciso saber também quem são os beneficiários, caso ela seja um trust ou fundação.
Entre as revelações que o deputado Luis Miranda fará hoje estão detalhes das conversas dele com Jair Bolsonaro e o nome do ajudante de ordens do presidente com quem ele trocou mensagens de WhatsApp entre os dias 20 e 23 de março. No Palácio do Planalto, são três os ajudantes de ordens de Bolsonaro — um oriundo do Exército, um da Marinha e um terceiro da Aeronáutica. O trio está subordinado ao tenente-coronel Mauro Cid. Até agora, Miranda fez questão de omitir o nome do auxiliar do presidente.
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____________________ * McAfee, o gênio perturbado, fundamental na história do mundo digital
John McAfee, que cometeu suicídio nesta quarta-feira aos 75 anos, é uma figura fundamental na história do mundo digital. Ele inventou softwares antivírus e, com eles, todo um modelo de negócios. De certa forma, é o pai da ideia do freemium — ofereça algo gratuitamente para vender ali na frente. Era também um homem profundamente desequilibrado, cujas características pessoais fizeram sua fortuna e o levaram à morte. Virou pária, suspeito de assassinato e tráfico de drogas, um fugitivo pelo planeta, milionário com passagens por bem mais do que uma prisão do mundo, um gênio matemático obcecado por armas, casado com uma garota de programa décadas mais jovem. Nos últimos anos, vivia num iate, em águas internacionais, com a mulher mais tripulação. No fim, desistiu de correr.
McAfee abandonara um doutorado em matemática pura, em 1968, e por anos se sustentara vendendo assinaturas de revistas de porta em porta. O discurso era sempre o mesmo: as pessoas haviam ganhado uma assinatura gratuita. Precisavam só pagar um valor módico para os custos de correio. Funcionava — vendia particularmente bem. Aí, com já mais de uma passagem pela polícia por uso de drogas, falsificou o currículo e convenceu a estrada de ferro do Missouri a contratá-lo. A empresa tinha um computador IBM que deveria produzir escalas de trem — mas ninguém conseguia fazer com que funcionasse. McAfee, currículo falso e tudo, fez a coisa rodar. Era, ainda, o tempo dos cartões perfurados, computadores sem monitor que ocupavam pequenas salas. Foi bem até o dia em que se perdeu numa viagem de alucinógenos e não soube explicar por que programara trens para a Lua.
Os anos 1970 e 80 foram todos assim — LSD, cocaína e muito álcool, empregos interrompidos porque não conseguia se manter minimamente organizado. Mas com aquele brilho lá, e ao mesmo tempo a sombra constante do pai. Ele também alcoólatra, que batia no menino e na mulher, até cometer suicídio quando John tinha 15 anos. E, no entanto, McAfee tinha estes dois talentos inatos: a matemática voltada para computadores e uma incrível habilidade de vendas. Que o salvavam.
Em 1986, começou a circular o primeiro vírus escrito para computadores pessoais que rodavam MS-DOS da Microsoft. Sozinho em casa e perdido no mundo de sua cabeça, com a paranoia exacerbando-se, McAfee escreveu o primeiro software antivírus. E o distribuiu gratuitamente em grupos de usuários de computador, com a intuição de que o levariam para suas empresas. As pessoas físicas usariam de graça, as empresas pagariam. Ficou milionário dois anos depois. E o discurso de venda paranoico, alertando para um altíssimo risco que os vírus daquele tempo quase nunca tinham, lubrificava o modelo. Em 1995, repassou o comando da empresa, manteve as ações e se aposentou.
Até a virada do século, a irregularidade de sua vida era pouco conhecida, e ele parecia um dos muitos fundadores de startup do Vale do Silício, homem sábio que outros procuravam para se aconselhar. Aí os inimigos internos voltaram. Primeiro, por esportes radicais que flertavam com o fim da vida — até que um sobrinho morreu num acidente de ultraleve.
Mudou-se em 2010 para Belize, onde se isolou numa mansão tropical, colecionou armas pesadas, se fez circundar por mulheres jovens, e as drogas voltaram com tudo. Foi acusado de estuprar uma sócia, de assassinar o vizinho, de contratar como capangas criminosos procurados. Fugiu para a Guatemala, celebrou seu último casamento. Foi preso por períodos breves e por suspeitas diversas em inúmeros países. Estava preso na Espanha desde outubro, quando a Justiça local definiu que seria extraditado para os EUA. Aí, não quis mais e seguiu o exemplo do pai.

Por Pedro Doria
____________________ * Lula aparece à frente de Bolsonaro em pesquisa para eleição presidencial; veja os números

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RIO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida para a sucessão presidencial do ano que vem, com 49% das intenções de voto, 26 pontos percentuais à frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem 23%, na primeira pesquisa Ipec. O petista tem 11 pontos percentuais a mais do que a soma de seus possíveis adversários, e venceria o pleito em primeiro turno, caso as eleições fossem hoje.
O pedetista Ciro Gomes (PDT), que deve disputar a quarta eleição presidencial, tem 7%, empatado tecnicamente com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem 5%. O ex-ministro da Saúde na gestão Bolsonaro Luiz Henrique Mandetta (DEM) aparece com 3% das citações, enquanto brancos e nulos somam 10%, e eleitores que não sabem ou não respondem, 3%. A margem de erro é de dois pontos.
A intenção de voto no ex-presidente Lula é mais expressiva entre os entrevistados que moram no Nordeste (63%), região em que Bolsonaro aparece com apenas 15% das menções — o menor índice entre todas as regiões do país. Lula aparece ainda à frente do presidente entre os mais jovens (53% a 17%); entre os que têm ensino fundamental II (59% a 19%); entre os que se autodeclaram pretos ou pardos (54% a 21%) e entre os que são de outras religiões que não a católica e a evangélica (54% a 19%).
Já Bolsonaro mantém a maior intenção de voto no eleitorado que integra a base de sustentação de sua popularidade. O presidente tem os maiores índices de ótimo e bom nas regiões Sul (29%), Norte e Centro-Oeste (28%); entre os homens (28%); entre os evangélicos (32%) e entre quem se autodeclara branco (29%).
A professora de Ciência Política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), explica que o índice de intenção de voto do ex-presidente Lula é resultado de uma maior exposição do petista no cenário político e do início das articulações com vistas à 2022.
— Ele entrou mais no debate nos últimos meses, após o restabelecimento de seus direitos políticos, e vive uma maré positiva de notícias sobre processos a que responde, além de contar ainda com o queda na aprovação do governo do atual presidente. Outro ponto que devemos levar em consideração é o cenário de candidatos ainda incerto. Por enquanto, o centro ainda não tem nomes competitivos e não chegou a um acordo sobre alianças. Isso acaba levando as pessoas a aderirem aos polos, seja com Lula ou Bolsonaro — explica.
Enquanto Ciro busca apoio de setores da centro-direita em conversas com DEM, PSD, e com a centro-esquerda, com PSB e Rede, o PSDB vai definir um candidato somente após prévias no partido. Com isso, segundo Maria do Socorro, os eleitores tendem a buscar os nomes com maior estabilidade: Lula e Bolsonaro.
Avaliação do governo
Com o avanço das investigações e depoimentos na CPI da Covid no Senado, a reprovação do presidente Bolsonaro subiu 10 pontos , de 39% para 49%, segundo pesquisa do Ipec. Já a aprovação do mandatário caiu de 28% para 24% — quatro pontos a menos em relação a fevereiro, antes do início dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito.
A pesquisa mostra que entre os entrevistados, 26% avaliam o presidente como regular — uma queda de cinco pontos em comparação com a pesquisa anterior, produzida em meio a recordes diários de mortes e casos confirmados de Covid-19. Com a instalação da CPI para apurar ações e omissões do governo Bolsonaro no enfrentamento ao vírus e a destinação dos estados e municípios dos repasses federais, a reprovação do presidente disparou.
A CEO do Ipec, Márcia Cavallari, afirma que os resultados da pesquisa de avaliação do governo refletem a percepção da população sobre o que está acontecendo no país. O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios entre os dias 17 e 21 de junho. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
— Os entrevistados levam em conta todas as informações sobre a atualidade. A pesquisa foi feita em uma conjuntura de divulgação dos 500 mil mortos por Covid-19, as manifestações contrárias ao governo e as apurações da CPI. Todo esse contexto se reflete na pesquisa. Há uma piora rápida na avaliação do governo, se compararmos com a pesquisa de quatro meses atrás — explicou Márcia.
Cerca de dois terços dos entrevistados pelo Ipec afirmaram que não concordam com a maneira do presidente governar (66%) e não confiam nele (68%). Os que aprovam a forma de gestão são 33% e os que confiam em Bolsonaro, 30%.
IPEC: sucessor do ibope
Entre o eleitorado evangélico, principal base de apoio de Bolsonaro, a queda na avaliação positiva foi ainda maior que a média geral. Aqueles que consideravam o governo bom ou ótimo eram 38% há quatro meses. No levantamento atual, o índice caiu nove pontos percentuais e chegou a 29%.
Para manter o núcleo duro de apoio coeso, Bolsonaro investe em acenos aos evangélicos. Recentemente, participou de uma “motociata”, em São Paulo, batizada de “Acelera para Cristo com Bolsonaro” e se aproximou de líderes neopentecostais, que ganharam força no governo. Apesar da queda nos índices de aprovação no segmento, os evangélicos ainda são os que mantêm o maior apoio ao governo (29%).
— O presidente mantém, desde a campanha de 2018, um apoio sólido entre evangélicos, homens e as pessoas com uma renda maior. A situação econômica e sanitária, com 500 mil mortes por Covid, parece começar a mudar como parte desse grupo vê o presidente, como vemos na queda do número de ótimo e bom do governo por parte dos evangélicos — afirma Maria do Socorro.
O Ipec foi fundado neste ano por ex-executivos do Ibope Inteligência, que encerrou as atividades.
____________________ * TCU vê respostas sobre Covaxin como ‘insuficientes’ e avalia fazer inspeção na pasta da Saúde | Bela Megale - O Globo

Relator do processo que apura se houve irregularidades na compra da vacina Covaxin no Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Benjamin Zymler pedirá novas diligências junto ao Ministério da Saúde. Zymler também avalia fazer uma inspeção na pasta. Para isso é necessário uma solicitação da área técnica que deve chegar em breve para o magistrado. O assunto é prioridade no tribunal.
Em 14 de maio, o Ministério da Saúde respondeu a uma série de questionamentos do TCU sobre a vacina indiana, mas os auditores do TCU consideraram as informações insuficientes. Por isso, novas diligências serão realizadas após a Secretaria de Controle Externo de Saúde da Corte finalizar a análise da documentação.
No dia 31 de março, o TCU perguntou à pasta da Saúde se foi realizado algum gerenciamento dos riscos associados ao contrato da Covaxin, se as investigações contra as empresas responsáveis pelo fornecimento da vacina, a Precisa Medicamentos, chegaram ao conhecimento do ministério, se foi feita alguma negociação do preço para compra da vacina, se o ministério realizou manifestações que justifiquem a dispensa da pesquisa de preço e se foi feito algum comparativo com o preço contratado da mesma vacina em outros países.
As respostas foram enviadas antes das denúncias do deputado Luís Miranda e de seu irmão, o servidor da pasta da Saúde Luís Ricardo Miranda, sobre pressões e supostas irregularidades envolvendo a importação do imunizante para o Brasil. Ambos relataram ter levado todas as informações ao presidente Bolsonaro. Hoje eles depõem na CPI da Covid.
____________________ * CPI espera ter 'dia de Duda Mendonça', o ex-marqueteiro de Lula, com depoimento de irmãos | Vera Magalhães - O Globo

A CPI da Covid tem tudo para viver nesta sexta-feira seu “dia de Duda Mendonça”.
Essa é a forma como jornalistas e políticos se referem a depoimentos altamente aguardados desde que, em 11 de agosto de 2005, o ex-marqueteiro de Lula incendiou a lona do circo ao contar, na CPI dos Correios, tudo a respeito dos pagamentos em caixa dois que recebera no exterior, com intermediação de Marcos Valério.
Depõem no Senado, num dia inusual de trabalho parlamentar, os irmãos e HOMÔNIMOS LUIS & LUIS Miranda, respectivamente servidor do Ministério da Saúde e deputado federal bolsonarista de quatro costados.
À diferença do depoimento de Duda, que parou o país pelo ineditismo das revelações e por ser inesperado, agora os irmãos Miranda já anteciparam para o Ministério Público e para a imprensa boa parte do conteúdo de suas revelações sobre a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, pelo preço de R$ 1,6 bilhão, com a INTERMEDIAÇÃO SUSPEITA de uma empresa brasileira, a PRECISA.
Mas as semelhanças são muitas:
tanto quanto o marqueteiro de Lula, os dois irmãos implicam diretamente o presidente da República.
Assim como Duda, Luis Miranda, o deputado, é um aliado insuspeito de Jair Bolsonaro.
Sua participação no caso, aliás, guarda paralelos com a de outro pivô do mensalão, o EX-COLLORIDO, EX-LULISTA e ATUAL BOLSONARISTA Roberto Jefferson, que IMPLODIU o esquema quando se viu PILHADO em seu esquema de CORRUPÇÃO nos CORREIOS.
No caso dele, as motivações estavam claras e nunca foram nobres.
Falta à CPI da Covid entender como um deputado bastante enrolado em denúncias antigas, até nos Estados Unidos, surge como alguém preocupado em alertar o governo sobre um contrato suspeito.
Só senso de dever para com o irmão não parece dar conta da história por completo.
A CPI não está disposta a servir de palco para que o parlamentar tente posar de paladino da ética.
Dele espera extrair apenas a cronologia e as provas das circunstâncias em que Bolsonaro foi avisado das potenciais irregularidades envolvendo um contrato bilionário, em que se envolveu diretamente e nada fez.
Mais auspicioso é considerado o depoimento do irmão.
Servidor concursado do Ministério da Saúde desde 2011, Luis tem acesso aos documentos que comprovam as inconsistências no contrato e guarda o acervo de mensagens de várias naturezas que atestam a pressão política a que foi submetido por seus superiores na pasta, emissários da empresa intermediária do contrato e sabe-se lá mais quem.
Bolsonaro será pessoalmente exposto na CPI como não foi até aqui.
O amadorismo com que ele e seu exército truculento do Planalto lidaram com uma situação de tamanho potencial explosivo é TÍPICO de governos SEM CONEXÃO com a REALIDADE e SEM SENSO de CONSEQUÊNCIA.
Onyx Lorenzoni, que hibernava em algum dos vários gabinetes onde Bolsonaro já o realojou desde o início do mandato, ressurgiu em tom grave e ameaçador, típico de vilão de filme B, para acusar um servidor público de falsificar um documento, algo que, se Luis comprovar perante a CPI que é mentira, porá o ministro no rol dos indiciados da comissão.
Além disso, a clara ameaça de Onyx ao servidor e ao irmão deputado, que, aliás, é de seu partido, pode fazer que a CPI determine medidas mais duras contra ele.
Elas eram discutidas nos bastidores nesta quinta-feira.
Tudo indica que o arremedo de explicação fornecido pela dupla Onyx e coronel Elcio Franco AGRAVARÁ muito a situação do governo na CPI.
O caso Covaxin em poucos dias desbancou a novela da Pfizer como eixo central do relatório final da comissão.
Assim como a investigação do mensalão foi dividida em antes de Duda e depois de Duda, o caso da vacina indiana veio para comprovar a máxima segundo a qual o DESFECHO de uma CPI é SEMPRE IMPREVISÍVEL.
____________________ * Pai de jornalista da Band, brasileiro sobreviveu a desabamento em Miami: 'O prédio deixou de existir a dois passos da minha porta'

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MIAMI, EUA — Morador há 20 anos do prédio que desabou parcialmente em Miami, nos Estados Unidos, na madrugada de quinta-feira, o brasileiro Bruno Treptow acredita ter "nascido de novo" após a tragédia.
Bruno é pai da jornalista Joana Treptow, apresentadora do Jornal da Band.
Ele foi entrevistado pela filha ao vivo e relatou os momentos de tensão e medo que viveu.
A polícia confirmou nesta sexta-feira a morte de quatro pessoas e acredita que mais de 100 podem estar desaparecidas.
— Aconteceu 1h30.
Eu estava dormindo e ouvi um estrondo que parecia vir do teto e acordei.
Minha mulher estava dormindo.
Ela acordou assustada e eu falei:
"o teto está caindo!" e ela respondeu: "não, não pode ser!".
Logo em seguida ouvimos outro estrondo.
Depois, soube que nessa hora foi quando as duas outras partes do prédio caíram.
Eu falei: 'Pronto. Vamos morrer. Acabou' — contou.
Bruno disse ainda que a nuvem de poeira que se instalou após o desabamento o impediu de dimensionar o que havia ocorrido.
— Quando o barulho parou, eu levantei.
Estava perdido, não sabia o que fazer.
Abri a janela para saber o que estava acontecendo mas tinha um névoa de poeira, não conseguia ver nada.
Fui pra porta da frente do apartamento e abri, mais uma vez não consegui ver nada.
Voltei, fechei a porta e falei para a minha mulher: "se apronta, vamos pegar alguns documentos e ver o que acontece".
Voltei a abrir a porta da frente.
Já tinha baixado um pouco a poeira, e foi aí que reparei que, dando dois passos pra frente da minha porta, o prédio deixou de existir.
Fui para a varanda e fiquei esperando instruções dos Bombeiros. Nesse meio tempo chegou uma escada magirus, começou a tirar pessoas mais abaixo e logo em seguida nos resgataram — lembrou.

Emocionado, Bruno contou que está vivendo uma "montanha russa de sentimentos".
Ele disse que sente gratidão por estar vivo, mas triste pelas vidas que podem ter se perdido no desastre.
Segundo ele, havia OITO apartamentos no MESMO CORREDOR onde vivia e SETE desabaram.
— O prédio dá de frente para praia e de frente pra rua.
Eu moro de frente para rua e quando eu abro a porta, agora eu estou vendo a praia.
Ou seja: os sete apartamentos, que estavam nesse corredor, já não existiam.
Eram quatro de um lado, e quatro do outro.
Toda essa ala caiu.
Por sorte, GRAÇAS A DEUS, nós nascemos outra vez — disse.
Vítimas
Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente atingiu 55 apartamentos.
Entre os desaparecidos, estão 18 latino-americanos:
três uruguaios, nove argentinos e seis paraguaios.
Neste último grupo, estão Sophía López Moreira, irmã da primeira-dama do Paraguai, Silvana López Moreira, seu marido e três filhos, e a empregada da família.
Ao todo, 35 pessoas que estavam presas na parte do prédio que resistiu foram resgatadas sem ferimentos.
Dez moradores ficaram feridos e foram tratados no local.
Outras duas pessoas precisaram ser transferidas para hospitais.
A polícia do condado de Miami-Dade, porém, disse que ainda não conseguiu contato de todos que poderiam estar no edifício.
Não há certeza sobre o total de moradores presentes porque o prédio era usado por muitos proprietários como casa de veraneio.
O prédio faz parte do condomínio Champlain Towers South, que terminou de ser construído em 1981, tem mais de 100 apartamentos e está localizado na Avenida Collins, na vila de Surfside.
Unidades de um a quatro quartos têm preços que variam de US$ 600 mil a US$ 700 mil, até R$ 3,5 milhões na cotação atual do câmbio.
____________________ * Sem vacinas, África enfrenta terceira onda 'extremamente brutal' da Covid

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NAIRÓBI — John Nkengasong, diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, alertou que o continente passa por uma terceira onda "brutal" da pandemia da Covid-19, no momento em que é deixado para trás na corrida mundial da vacinação. "Não interessa para mim se as vacinas são do Covax ou de qualquer outro lugar. Tudo o que precisamos é acesso rápido a vacinas", afirmou Nkengasong em entrevista na quinta-feira.
Á África não está conseguindo controlar a pandemia, disse o diretor do centro ligado à União Africana, que reúne 54 países. Apenas 2,5% da sua população recebeu pelo menos uma dose da vacina — 1% está totalmente imunizada — e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que apenas sete países africanos, a maioria deles pequenos, irão alcançar a meta de todas as nações vacinarem 10% de seus habitantes até setembro.
Enquanto a vacinação se mantém restrita, a África vê o número de infecções empinar. Em 23 de maio, a média móvel de casos por dia em todo o continente foi de 9.684. Um mês depois, o número quase triplicou: 25.352, segundo dados do site Our World in Data, da Universidade de Oxford.
— A terceira onda veio com uma gravidade para a qual a maioria dos países não estava preparada. Então, a terceira onda é extremamente brutal — disse Nkengasong, apontando que sua preocupação é conseguir vacinas a tempo, independentemente de onde elas venham. — Deixe-me ser franco: na África, não estamos ganhando essa batalha contra o vírus.
Nkengasong também informou que pelo menos 20 países estão no meio de uma terceira onda. Ele não citou todos, mas disse que Zâmbia, Uganda e República Democrática do Congo estão entre as nações com o sistema de saúde sobrecarregado. Dados do Our World in Data mostram que Libéria, África do Sul, Namíbia e Tunísia também enfrentam uma alta no número de casos de Covid.
No Quênia, onde as infecções também estão subindo, médicos temem que uma onda da pandemia como a que afetou a Índia possa estar se aproximando, segundo o New York Times. Recentemente, autoridades médicas do país africano aconselheram políticos a evitarem eventos presenciais.
No entanto, as lideranças, incluindo o presidente Uhuru Kenyatta, preferiram seguir o exemplo do premier indiano Narendra Modi: foram às ruas do condado de Kisumu, onde a variante Delta foi encontrada pela primeira vez, atraindo grandes multidões, com a maioria das pessoas sem máscara. Nas semanas seguintes, casos e mortes pela Covid avançaram. Na última, mais de 23% da população testada na região teve resultado positivo — mais que o dobro da média nacional.
Há duas semanas, o número de mortes em 36 dos 54 países africanos cresceu 15%, segundo a OMS. No entanto, pontuam especialistas, o verdadeiro impacto é muito maior, tendo em vista que o rastreamento e a testagem em diversas nações ainda são um grande desafio.
Em Ruanda, onde a média de casos diários explodiu, passando de 78 em 23 maio para 583 um mês depois, o país sediou a Liga Africana de Basquete e outros grandes eventos esportivos há algumas semanas. Com o novo avanço da pandemia, novas restrições foram adotadas na segunda-feira, como um toque de recolher às 19h e a proibição de locomoção entre as diferentes províncias.
Na República Democrática do Congo, mais de 5% dos parlamentares foram mortos pela Covid. Em Uganda, o presidente Yoweri Museveni impôs uma estrita quarentena de 42 dias para frear o vírus. A Tunísia já enfrenta uma quarta onda. Na África do Sul, o país africano mais afetado pela pandemia, a média de casos diários quase triplicou em duas semanas.
Em todo o continente, dos 5 milhões de casos registrados desde o início da pandemia, cerca de 1 milhão ocorreram apenas no último mês, mostram dados do Our World in Data.
Enquanto os casos avançam, vão por água abaixo as altas ambições iniciais do mecanismo Covax de coletar vacinas dos fabricantes nos países mais desenvolvidos, distribuindo-as rapidamente para as nações com necessidades mais urgentes. Globalmente, cerca de 2,7 bilhões de doses foram aplicadas — menos de 1,5% delas no continente africano, segundo a OMS.
As economias mais ricas do mundo, por outro lado, já garantiram entregas de doses suficientes para cobrir suas populações mais de quatro vezes e meia, mas as mais pobres só conseguiram o suficiente para 10%, segundo analistas do banco Barclays, citados pelo jornal Financial Times.
— O último aumento [de casos] ameaça ser o pior da África — disse a diretora regional da OMS na África, Matshidiso Moeti, em entrevista na quinta-feira, alertando para a necessidade de mais vacinas. — Precisamos de um sprint, não de uma caminhada, para proteger rapidamente aqueles que enfrentam os maiores riscos.
____________________ * Policial civil e sua mulher são encontrados mortos em apartamento no Recreio

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RIO — A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) está investigando o que causou a morte de um casal em apartamento do Recreio do Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, na noite dessa quinta-feira. Informações preliminares dão conta que o policial civil Ulysses Carlos Pourchet, de 45 anos, lotado na Delegacia do Aeroporto Internacional (Dairj), tenha matado a sua mulher, Janaína Castro Souza Pourchet, de 44. O caso é investigado como feminicídio seguido de suicídio.
Neste primeiro momento não se sabe o que motivou o crime. No entanto, o filho do casal, um menino de 11 anos, testemunhou o crime e chegou a pedir ajuda para o Corpo de Bombeiros para que Janaína fosse socorrida. Na última postagem em rede social, ela citou uma oração feita com o filho.
Os bombeiros foram acionados às 22h12m, mas Ulysses e Janaína já estavam mortos quando os socorristas chegaram. Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML), onde passarão por perícia na manhã desta sexta-feira.
Os agentes já ouviram duas testemunhas: o porteiro e um morador do prédio. Familiares do casal também devem prestar depoimento para os investigadores entenderem se o caso é um feminicídio seguido de suicídio.

Na residência do casal existem câmeras de segurança. As imagens deverão ajudar nas investigações. Ulisses ocupava o cargo de comissário (chefe de investigações de uma delegacia).
Segundo informações dos PMs, a criança teria relatado que os pais haviam brigado minutos antes do crime. Após ouvir os primeiros disparos, o menino correu até um vizinho, pediu ajuda e logo em seguida teria alertado os bombeiros da morte.
Janaína e Ulysses se casaram em 2006 e tinham apenas um filho. Em maio, o pai do agente morreu vítima de câncer.
A advogada Letícia Souza, de 39 anos, cunhada de Janaína, disse que toda a família foi pega de surpresa com o crime. Casada com um dos irmãos de Janaína, ela afirmou que o relacionamento tinha brigas. Mas "eles eram felizes".
— A gente sabia das brigas. Era um casamento de altos e baixos, mas nunca houve relato de agressão. (Ela) era uma mulher feliz, alegre, de Deus, boa mãe, boa esposa, (uma pessoa) de luz. (O que aconteceu pegou todo mundo) no susto — disse Letícia. — Era um casamento instável como todo casamento. Tinha altos e baixos, mas era um casamento feliz — completou.
O irmão de Janaína mora em Porto Alegre e veio às pressas para o Rio.
Ameaçou vizinhos com arma
Em outubro do ano passado, de acordo com a investigação, Ulysses se envolveu em uma confusão no Condomínio Concetto, onde morava com a família. O policial foi tirar satisfações com outros moradores por conta de um brinquedo que, segundo ele, estava atrapalhando o filho a jogar futebol. Para intimidar os condôminos, ele sacou uma arma. Ulysses foi investigado e denunciado à Justiça pelo Ministério Público estadual. O comissário respondia o processo por ameaça.
Em 2017, o Terceiro Comando de Policiamento de Área (3º CPA) chegou a homenagear Ulysses — que à época era lotado na 58ª DP (Posse). Naquele ano, a comandante Claúdia de Melo Lovain, da Polícia Militar e o delegado Cley Biagio Catão afirmaram que o agente "se destacou por seus resultados, colaborando com a segurança da sociedade em sua circunscrição, na Baixada Fluminense".
Em maio de 2015, o Wallace Carlos Pourchet, de 37 anos, que era lotado no 16º BPM (Olaria), irmão de Ulysses, suicidou-se na Linha Amarela, na altura de Bonsucesso. Num primeiro momento, os investigadores acreditavam que o militar havia sofrido uma tentativa de roubo e houve reação. Entretanto a conclusão do inquérito apurou que Wallace Carlos se matou. Durante a perícia, foram encontrados dentro do carro, um Fiat Uno, próximo à Saída 8, marcas de pelo menos 20 tiros e sinais de disparos também vindos de dentro, o que, de acordo com a polícia, num primeiro momento, parecia tentativa de assalto.
____________________ * No hemisfério norte, eles estão reaprendendo a viver em liberdade, que nunca imaginaram ser tão preciosa
Dizem a história e a lenda que depois de guerras e pandemias sempre vem um tempo de grande progresso, prosperidade e modernização, com uma revisão geral de valores, relações e comportamentos. É como se desse um reset no mundo, na economia, na política, na educação. Nada será como antes, com certeza será diferente, e melhor, como mostram os fantásticos progressos da ciência e da tecnologia nas últimas décadas, abrindo horizontes nunca imaginados, aproximando as pessoas, salvando vidas, encurtando distâncias e conquistando o espaço. Apesar de todas as guerras e selvagerias, dos líderes corruptos e de ditaduras sangrentas, da fome e da miséria, do fanatismo religioso, das ondas de ódio, só nostálgicos patológicos podem negar que a civilização avançou muito nas últimas décadas. E continuará avançando, porque a opção é a barbárie.
As guerras e pandemias, os crashes econômicos, como os de 1929 e de 2008, matam e destroem mas também ensinam a não repetir os erros e a buscar novas soluções. Derrotados e destruídos na II Guerra, Alemanha, Itália e Japão floresceram no pós-guerra, e, mais ainda, Estados Unidos e aliados vencedores.
Dá inveja ver o verão chegando no hemisfério norte e os estádios cheios, e seguros, nos jogos da Eurocopa, os Estados Unidos com bares, calçadas e cinemas lotados, a Broadway voltando em setembro, Nova York queimando fogos para celebrar a chegada do futuro. Eles estão reaprendendo a viver em liberdade, que nunca imaginaram ser tão preciosa. Enquanto isso, no inverno do hemisfério sul, uma das imagens mais tristes da pandemia é o Maracanã vazio e os maiores clássicos jogados com torcida pré-gravada.
Muitos já morreram, muitos ainda morrerão, mas a esperança que veio com as vacinas permite algum otimismo, ou menos pessimismo. Não há nada que console as perdas, nem o que diminua o numero de vítimas, além da vacina, de máscara e distanciamento, mas a pandemia também trouxe ganhos ao obrigar uma nova configuração nos relacionamentos interpessoais e profissionais, na reconstrução das economias devastadas pelo vírus, em novas formas de comércio e serviços num mundo digital sem fronteiras.
Os sobreviventes viverão em um mundo diferente, em muitos aspectos melhor do que antes, ao qual o Brasil, como sempre, chegará atrasado, vitimado pelo negacionismo tosco, pela sabotagem da vacina e pela crença irresponsável em uma inatingível “imunidade de rebanho”, desmentida pela ciência, mas confirmando a visão de homens e mulheres como gado. O Brasil é o segundo na lista macabra de mortes, só atrás dos Estados Unidos, que têm população muito maior e já estão com vacinação adiantada e em recuperação econômica.
Não se sabe se amanhã será melhor ou só um novo dia, mas alguns pontos de luz aparecem na escuridão, como a canção “Calma”, de Marisa Monte e Chico Brown, que logo se popularizou em rádios e streamings: “Calma / que eu já tou pensando no futuro/ que eu não tenho medo do escuro/ sei que logo vem a alvorada/ deixa a luz do sol bater na estrada.”
____________________ * O governo de Jair Messias Bolsonaro nos guiou para o ABISMO de uma TRAGÉDIA evitável * Flávia Oliveira
Enquanto avança numa inesperada linha de investigação de favorecimento a agente privado — quiçá corrupção — na compra da vacina indiana Covaxin, a CPI da Covid deu importante contribuição à sociedade brasileira em esmiuçar a dimensão da crise que já ceifou a vida de mais de meio milhão de habitantes. Na sessão de ontem, Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional Brasil e representante do Grupo Alerta, e Pedro Hallal, epidemiologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas, deixaram claro que o país não precisava ser campo de doença e morte. Havia conhecimento, alternativa e gente capaz de nos desviar da tragédia. O governo de Jair Messias Bolsonaro nos guiou para o abismo.
O estudo sobre mortes evitáveis, produzido por pesquisadores de UFRJ, Uerj e USP para as organizações sociais que formam o Alerta, mostrou que medidas de distanciamento social e controle — incluindo testagem e rastreamento nunca implementados — reduziriam em 40% o potencial de transmissão da doença. Mesmo sem vacina ou medicação específica, 120 mil brasileiros teriam sobrevivido ao primeiro ano da pandemia, houvesse uma adequada política de enfrentamento, informou Jurema.
Pedro Hallal lembrou que o Brasil abriga 2,7% da população global, mas até aqui contabilizou 12,9% dos óbitos por Covid-19. Se acompanhássemos a média mundial de mortes pela doença, quatro de cinco vítimas teriam se salvado. A demora na compra e aplicação de vacinas, CoronaVac e Pfizer em particular, levou entre 95 mil e 145 mil brasileiros a óbito, continuou. Março e abril de 2021 foram os meses mais letais da pandemia. Hoje o país não chegou a 12% de adultos imunizados com duas doses e acomodou-se num patamar superior a 2 mil mortes por dia.
Não há quem no Brasil tenha passado ileso pela crise sanitária. Todo mundo integra ou conhece uma família enlutada pela pandemia. Em 2020, só 49 municípios brasileiros tinham mais de 500 mil habitantes, total de mortes que a Covid-19 alcançou no último sábado — e que só mereceu lamento protocolar do presidente da República, dois dias depois. No domingo, numa rede social, o deputado Osmar Terra, apontado pela CPI como líder do grupo que orientou a política pública de imunidade coletiva por contágio, se referiu à tragédia como “fragilidade diante das forças da natureza”. Não foi.
Os resultados nefastos da pandemia são decorrentes de o governo “não cumprir as políticas de saúde”, resumiu a médica e ativista Jurema. Numa sociedade desigual como a brasileira, doença e morte se abateram mais gravemente sobre os grupos mais vulneráveis: negros, indígenas, pessoas de baixa renda e escolaridade. Hallal revelou à CPI que um gráfico com informações étnico-raciais foi censurado em apresentação no Palácio do Planalto no ano passado: “(O slide) mostrou que as populações indígenas tinham cinco vezes, em média, maior risco de contaminação do que as populações brancas. Que as populações negras, sejam pretas ou pardas, tinham o dobro do risco de infecção”.
Na quarta-feira, o IBGE tornou público um conjunto de indicadores de moradia pré-pandemia. Quase quatro em dez domicílios não tinham rede geral ou abastecimento regular de água quando a Covid-19 começou a se espalhar no Brasil; 9,8% da população vivia com seis ou mais moradores na mesma residência; 8% dos pobres não tinham banheiro em casa. São situações que dificultam, mas não impedem, o combate a um mal que depende de mãos higienizadas, ambientes arejados e isolamento residencial.
No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, o programa Conexão Saúde — parceria entre Fiocruz, Redes da Maré e outras organizações — conseguiu mapear casos, impor isolamento e quarentena e, assim, reduzir óbitos por Covid-19. Em 15 semanas, o total de notificações da doença (testagem) saltou 140% (de 1.150 para 2.764), e o de mortes caiu 61% (de 192 para 74). Pacientes e familiares receberam assistência médica e psicológica, orientações sobre isolamento, kits de alimentação, higiene e limpeza para 14 dias de distanciamento.
São medidas que os níveis de governo, desarticulados, não foram capazes de pôr de pé em quase um ano e meio de pandemia. Mas ainda podem, porque a tragédia não chegou ao fim. Pedro Hallal apelou aos senadores pela necessidade de o Brasil vacinar em média 1,5 milhão de pessoas por dia e, para derrubar curvas de incidência e óbitos, impor três semanas de rigoroso isolamento social. Jurema levou à CPI uma lista de recomendações, incluindo a criação de um memorial pelas vidas perdidas; plano de responsabilização e reparação às famílias e à sociedade; formação de uma Frente Ampla de Enfrentamento à Covid-19; aplicação de medidas para reduzir a transmissão; e investimentos no Sistema Único de Saúde. Há tempo. Tem de haver.

Por Flávia Oliveira
____________________ * DESAPROVAÇÃO de Bolsonaro apontada em pesquisa PODE se APROFUNDAR

A pesquisa realizada pelo Ipec é importantíssima para consolidar uma compreensão do quadro nacional. Não é a única, nos últimos tempos, que mostra a aprovação do presidente Jair Bolsonaro na casa dos 23% ou sua reprovação já atingindo metade dos brasileiros. Mas o Ipec é formado pela turma que fazia o Ibope, sua pesquisa é pessoal, feita cara a cara com os entrevistados, por uma metodologia conhecida, testada e amplamente dominada por esta equipe com uma tradição que passa do meio século. Ou seja: é sólida. Este é um retrato do Brasil.
A esta altura do primeiro mandato, só Fernando Collor chegou a um ponto mais baixo do que Bolsonaro dentre os presidentes eleitos. O que ninguém realmente sabe é qual seu piso — a estimativa mais frequente, entre estatísticos, é que esteja nos arredores dos 15%. Estes seriam bolsonaristas raiz, gente que divide a tal ponto seus valores que não vai abandoná-lo.
Nos próximos dias, a partir do depoimento do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) na CPI da Covid sobre suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin, pode ser que enfim cole no presidente também a pecha de corrupto. Dentre os seus seguidores mais leais, até agora todo o envolvimento familiar com compra de dezenas de imóveis e rachadinhas passou por intriga da oposição ou da imprensa. Com um deputado bolsonarista depondo em CPI, e com documentos, pode ser diferente.
Tampouco foi à toa que o governo demitiu esta semana o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Novas informações podem estar saindo via Supremo e Polícia Federal sobre envolvimento de Salles em ilícitos, e neste momento, pela primeira vez, o Planalto evidentemente sentiu que o peso era grande demais carregar. O governo está sangrando.

As denúncias de irregularidades no contrato de compra da vacina indiana Covaxin não só põem o presidente Jair Bolsonaro como personagem diretamente envolvido no episódio, a partir do relato do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda. A forma como teria sido feita a negociação também derruba um discurso recorrente de Bolsonaro para se defender da acusação de que seu governo é responsável pelo atraso na vacinação da população brasileira contra a Covid-19: o de que demorou para fechar a aquisição de doses da Pfizer porque não tinha a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não estava satisfeito com o preço e cláusulas do contrato.
____________________ * Por que a ivermectina voltou a ser testada em pesquisa sobre a Covid-19

Seis drogas já passaram pelo crivo do estudo Principle, da Universidade de Oxford. Em linhas gerais, o estudo avalia se um remédio pode evitar que pessoas com sintomas de Covid-19 melhorem em casa e não precisem ir parar no hospital. Apenas uma droga, o esteroide inalável budesonida, um spray empregado contra asma e rinite, se mostrou eficiente.
As demais foram reprovadas, e o caso que mereceu maior repercussão foi o da azitromicina, uma integrante dos kits covid da vida, parceira da cloroquina e da hidroxicloroquina.
O Principle busca avaliar, com critérios considerados “padrão ouro”, se tratamentos baratos e facilmente disponíveis funcionam. Os estudos com a ivermectina até agora ou são pequenos demais para provar qualquer coisa ou simplesmente foram malfeitos, reprovados por falta de qualidade.
A ivermectina foi escolhida para análise porque tem ampla disponibilidade e matou vírus em culturas de células — experiência a anos-luz de distância de testar em humanos. Detergente, por exemplo, também mata vírus e nem por isso alguém (além do ex-presidente americano Donald Trump) cogitou tomá-lo contra o coronavírus.
A ivermectina também é considerada segura para seu uso original: matar vermes e piolhos. Mas, nesse caso, em doses muito mais baixas do que as usadas para matar o coronavírus em cultura de células.
Uma das hipóteses que os cientistas do Principle vão investigar é se a ivermectina dá a ilusão de funcionar para a Covid-19 porque, na verdade, as pessoas que a tomam muitas vezes estão infectadas por parasitas comuns no Brasil e na África do Sul, onde o remédio tem sido receitado por médicos anticiência.
Como a ivermectina resolve os parasitas, a pessoa melhora seu estado geral. Fica sem os vermes, mas continua com Covid-19.
Por ora, o chefe do estudo, Richard Hobbs, diz que a ivermectina não passa de especulação e continua a não ser recomendada.
____________________ * Com Anitta no Nubank, Honório Gurgel chega à Faria Lima

A entrada de Anitta no conselho de administração do Nubank vai muito além do impacto de marketing da instituição: é a prova de profundas transformações que agitam o setor financeiro brasileiro. Da mesma forma que em outros segmentos, como o varejo, os bancos estão deixando de mirar a massa para ter um olhar individualizado em grupos específicos, para de fato chegar a um público mais abrangente.
Os bancos brasileiros sempre buscaram a massa, com anúncios no futebol, cantores e atores emprestando sua credibilidade, financiando Carnaval e São João, presentes em eventos e ações sociais, oferecendo sonhos com sorteios e loterias. Mas, mesmo assim, uma imensa maioria da população segue desbancarizada.
O movimento do Nubank inova ao colocar a cantora na instância de decisão estratégica da empresa. Com toda sua tripla experiência — alguém jovem que cresceu na vida sozinha, empreende e tem uma origem muito diversa daqueles que povoam as casas de investimentos brasileiras — Anitta deve contribuir para que a fintech crie produtos e serviços direcionados a um público que nunca foi realmente ouvido.
O bordão “ouvir a dor do cliente” ganha nova dimensão com alguém que sabe retratar a realidade dos subúrbios, que em seu último hit fez a Garota de Ipanema ir para o Piscinão de Ramos. Alguém que dá voz a uma parcela da população que vive a dificuldade em ter cartão de crédito, conta bancária, investimento, seguro ou crédito. E, de quebra, que tem uma visão de negócios afiada e a própria carreira como portfólio.
Apesar de ser tão sintomático, este não é um movimento isolado. Quase todas as casas financeiras estão ampliando a aproximação dos clientes, de diversos públicos distintos. Movimento que foi turbinado com a pandemia que levou a economia para o mundo digital. Ouvir o diverso virou norma. Não por acaso, como conta Guilherme Zanin, estrategista da Avenue Securities, Mariana Ruy Barbosa foi além de garota-propaganda do Safra: deu consultoria para o marketing do banco, que mirava jovens mulheres para sua base.
— Os bancos estão em um momento que precisam ganhar market share (participação de mercado) e, para isso, é preciso ter estratégias especiais para o público desbancarizado, que representa mais de 50% da população de baixa renda. É preciso ser inovador em produtos e serviços, algo que é uma característica do Nubank, que ganha com a visão de Anitta — afirma Zanin. — Além disso, ela agrega valor à imagem do banco, em um público mais jovem. O Nubank sempre cresceu pelo boca a boca, agora terá muito mais chance de mídia.
Enfim, a Faria Lima entende que Honório Gurgel é tão importante quanto os Jardins.
____________________ * Caso da Covaxin tira de Bolsonaro discurso para justificar atraso com a Pfizer

As denúncias de irregularidades no contrato de compra da vacina indiana Covaxin não só põem o presidente Jair Bolsonaro como personagem diretamente envolvido no episódio, a partir do relato do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda. A forma como teria sido feita a negociação também derruba um discurso recorrente de Bolsonaro para se defender da acusação de que seu governo é responsável pelo atraso na vacinação da população brasileira contra a Covid-19: o de que demorou para fechar a aquisição de doses da Pfizer porque não tinha a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não estava satisfeito com o preço e cláusulas do contrato.
O período de negociação para o fechamento de contrato com a Covaxin demorou apenas 97 dias , e o processo para compra do imunizante da Pfizer, quase um ano. Foi o período mais longo de negociação das vacinas (a aquisição da AztraZeneca levou 123 dias; o da Sinovac durou 154 dias; e o da Janssen 184 dias, segundo nota informativa do Ministério da Saúde enviado à CPI). A Pfizer disparou 88 emails para concluir a venda com o governo brasileiro a R$ 58 por dose. O preço da dose do Covaxin foi de R$ 80.
Essa diferença deverá ser explorada na CPI da Covid-19, quando for ouvido na sexta-feira o servidor e seu irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), responsável por informar o presidente das pressões feitas dentro do ministério para o pagamento de US$ 45 milhões (R$ 222,6 milhões) para a compra de 300 mil doses de Covaxin da Precisa (quantidade depois corrigida para 3 milhões). Francisco Maximiano, sócio da Precisa, também foi convocado para depor na CPI.
Não será o único flanco aberto a ser explorado na defesa do governo, em uma compra que deixou um rastro de perguntas a serem respondidas, a começar pelo motivo da pressão que Luís Ricardo disse ter recebido de superiores para liberar a compra do produto indiano, na gestão de Eduardo Pazuello. São tantos detalhes que tornam a compreensão do caso ainda nebulosa para o público. Mas um ponto já ficou esclarecido: a maneira como o governo tentou ser célere com a Covaxin desmonta o excesso de cuidado com a Pfizer apregoado pelo presidente.
____________________ * KOMÉKIÉ.?!? SEM Salles e Araújo, governo Bolsonaro GANHA mais CHANCES no EXTERIOR







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