KATHLEN é 15ª GRÁVIDA baleada no Rio em 4 anos; TODAS estavam na PERIFERIA

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Bairros em QUARENTENA, milhões de TESTES: como a CHINA está COMBATENDO um NOVO SURTO da Covid

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Kathlen é 15ª grávida baleada no Rio em 4 anos; todas estavam na periferia

Kathlen Romeu, 24, morta com bala perdida pela polícia do Rio, estava grávida de quatro meses - Reprodução/Instagram_rogeriojorgeph
Kathlen Romeu, 24, morta com bala perdida pela polícia do Rio, estava grávida de quatro meses Imagem: Reprodução/Instagram_rogeriojorgeph

Saulo Pereira Guimarães

Colaboração para o UOL, no Rio

11/06/2021 04h00

Quinze grávidas foram baleadas na região metropolitana do Rio entre 1º de junho de 2017 e esta terça-feira (8). Destas, oito morreram e sete ficaram feridas. Os dados foram compilados pelo Instituto Fogo Cruzado, laboratório focado em registros sobre violência armada.

Aos 24 anos e grávida de 14 semanas, a designer de interiores Kathlen Romeu morreu ao ser atingida por um tiro de fuzil no Complexo do Lins, zona norte. Na versão da polícia, os disparos aconteceram em resposta a tiros de criminosos.

Morte de Kathlen: PM diz que disparou 7 tiros de fuzil no Complexo do Lins

Para piorar esta estatística, que já é triste, dez bebês também foram baleados neste mesmo período. Só um deles sobreviveu. Nós, como sociedade, precisamos cobrar das autoridades uma política de segurança pública que seja baseada na preservação da vida.
Cecília Olliveira, diretora-executiva do Instituto Fogo Cruzado

Todos os casos registrados no levantamento ocorreram em áreas periféricas da região metropolitana (Baixada Fluminense, São Gonçalo e zonas norte e oeste da capital).

Há ainda o registro de um homicídio e um caso de tortura, além de um episódio em que a razão do ferimento por arma de fogo não foi identificada. Em três dos 15 episódios descritos, as gestantes foram vítimas de disparos durante assaltos e tentativas de roubo. Três delas foram executadas.

Seis dos episódios são classificados pela plataforma como "balas perdidas". Ou seja, situações em que a vítima foi atingida durante trocas de tiros, de acordo com o relato de reportagens (que são a base do levantamento). Este foi o caso de Kathlen.

Morta onde cresceu

Ela trabalhava como vendedora da loja da Farm de Ipanema havia seis anos e planejava batizar a criança que esperava de Zayo ou Maya. Os nomes significam na simbologia hebraica, respectivamente, terra prometida e pureza da água ou amor materno. Nascida e criada no Complexo do Lins, ela já não morava na comunidade havia um mês e meio. Mudou-se após descobrir a gestação para viver em um local mais seguro.

Na tarde da última terça, Kathlen foi à favela visitar a família. Ela caminhava com a avó quando foi baleada.

Quando começou o barulho do tiro, minha neta caiu no chão. Achei que ela tinha se jogado, me joguei em cima dela, e vi um buraco [no corpo dela]. Não sei como não estou baleada. Levantei e falei: 'Gente, para de dar tiro, socorre minha neta'.
Sayonara Fátima Queiroz de Oliveira, avó da jovem

Ela afirma ainda que os agentes não prestaram o devido socorro à vítima. "Eles socorreram, porque eu gritei. Não queriam nem que eu fosse no carro com ela. Disse: 'Me leva, nem que seja na caçamba'."

Jaqueline de Oliveira Lopes, mãe de Kathlen, questiona a versão policial de que houve troca de tiros. "A polícia estava dentro de uma casa, viu os bandidos e atirou", diz.

Segundo ela, a bala que matou sua filha foi disparada por um policial militar. "Se a minha filha fosse morta por bandido, eu não falaria nada com vocês, porque eu moro em um lugar que eu não poderia falar. Ficaria na minha. Mas não foi. A polícia matou a minha filha", afirmou ela na entrevista.

Em nota enviada ao UOL, a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) informa que não realizava operações na comunidade "no momento do incidente", mas que agentes da Unidade de Polícia Pacificadora do Lins "foram atacados a tiros por criminosos na localidade conhecida como 'Beco da 14'".

"Após cessarem os disparos, os militares encontraram uma mulher ferida e a socorreram ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, onde —infelizmente— a vítima não resistiu", informa o texto. A família não crê na versão.

A PMERJ informou que "a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) instaurou um procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias do fato", que também é objeto de uma investigação por parte da Delegacia de Homicídios da capital.

"A morte da Kathlen, aos 24 anos, grávida de seu primeiro ou sua primeira filha nos mostra que a política de segurança pública vigente no Rio de Janeiro é ineficaz e desastrosa. Quando foi que a gente naturalizou este tipo de coisa? O caso da Kathlen não foi isolado", afirma Cecília.

Uma história que se repete

Características do caso de Kathlen se repetem em outros episódios de grávidas baleadas. Um exemplo é a situação envolvendo Karolayne Nunes de Almeida Alves, 19, que também foi atingida durante uma troca de tiros em uma comunidade, em 2 de dezembro de 2017.

Karolayne passava de carro com o marido pela Birosca na Fazendinha, uma das favelas que compõem o Complexo do Alemão. Um homem armado passou de moto pelo veículo do casal e atirou para o alto. Em seguida, PMs que estavam na região fizeram disparos na direção do motociclista e terminaram atingindo a jovem, que estava grávida de cinco meses.

Levada para o Hospital Miguel Couto, Karolayne perdeu o bebê logo após ser baleada e ficou mais de um mês internada em estado grave até morrer, em 9 de janeiro de 2018.

Outro caso do tipo envolveu Verônica Sabrina Sousa Silva, 27. Repositora de supermercado, ela voltava de carro com o companheiro, José Carlos da Rocha, da casa da mãe, que morava no bairro Parque Duque, em Duque de Caxias, quando foi vítima de uma tentativa de assalto na avenida Pelotas, no bairro Sarapuí, por volta das 19h30 do dia 30 de dezembro de 2018.

Rocha era agente penitenciário, reagiu à abordagem e levou cinco tiros no peito. Verônica estava grávida de seis meses de Davi, que seria seu primeiro filho, e foi atingida na cabeça. O casal planejava passar o Réveillon em Copacabana e morava a menos de 15 minutos do local do crime, em Campos Elíseos, também em Caxias.

Verônica e Rocha foram levados para o Hospital Adão Pereira Nunes. Ela morreu logo após o parto de emergência. Ele também não resistiu aos disparos. Após quatro dias internado em estado grave, o bebê faleceu em 3 de janeiro de 2019.

"De quem está à margem da lei, a gente já não espera absolutamente nada. Mas a gente espera e precisa de respostas dos responsáveis pela condução da política de segurança pública vigente no Rio de Janeiro", afirma Cecília.

"A gente precisa que o sistema de Justiça funcione para as vítimas da violência armada no Rio de Janeiro. Precisamos de mais respostas e as que estão sobre a mesa neste momento não respondem à dor das famílias vítimas da violência armada no Rio de Janeiro", diz ela.

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Níveis das represas da Grande SP estão inferiores aos de 2013

Volume de água disponível é 5% menor; situação só será preocupante se chuvas de início de 2022 ficarem abaixo da média

São Paulo

A quantidade de água disponível nos sete reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo é 5% inferior ao registrado em junho de 2013, meses antes da pior crise hídrica da história do estado, de 2014 a 2015.

Apesar do volume útil garantir de forma tranquila o abastecimento nos próximos meses, alguns especialistas se dizem preocupados porque há meses as médias de chuvas têm ficado abaixo do esperado.

Represa Atibainha, no município de Nazaré Paulista, integrante do sistema Cantareira - Zanone Fraissat/Folhapress

A tempestade perfeita dessa equação pode se formar se as chuvas previstas para janeiro e fevereiro de 2022 não vierem, levando a novo ciclo de estiagem e provocando uma queda rápida na água disponível, tal qual ocorreu a partir de junho de 2013 até maio de 2014, quando até o volume morto –água que fica abaixo do nível de captação– do Cantareira precisou ser usada.

“As perspectivas não são de chuvas abundantes na primavera [2021] e no verão [2022]. Todos falam da crise de 2014 mas ela não começou em janeiro de 2014, ela começou em maio de 2013, quando os níveis de chuva ficaram muito abaixo do esperado. Quando as pessoas perceberam que havia falta de água, aí já era tarde”, afirma Pedro Luis Côrtes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do IEE (Instituto de Energia e Ambiente) da USP.

Dados de 10 de junho de 2013 indicam que os seis reservatórios existentes até então contavam com 64,8% do total de sua capacidade, cifra que atualmente é de 54,5%.

Outro dado que chama a atenção é que a quantidade de água no Cantareira, o maior e mais importante reservatório do sistema de abastecimento da Grande São Paulo, que está com 20% menos água armazenada agora que há oito anos. Esse déficit ocorre mesmo com uma de suas represas, a Atibainha, sendo abastecida pela transposição de águas do rio Paraíba do Sul, situação que não existia em 2013.

É impossível dizer se de fato ocorrerá neste ano e no começo de 2022 o mesmo que ocorreu entre 2013 e 2014. Tudo vai depender se o La Niña, previsto para o final deste ano, de fato se confirmar, tal como prevê alguns especialistas.

“Se realmente for confirmada a La Niña, então significa que a expectativa é que venha abaixo de uma média. Então depende de sua intensidade. Ela pode vir um pouquinho abaixo da média, pouco abaixo da média, ou como foi nesse último verão, que caiu bem a precipitação”, afirma Antônio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O La Niña é um fenômeno natural que reduz as temperaturas da superfície do oceano Pacífico Tropical Central e Oriental com frequência tem como efeito a redução dos índices pluviométricos na região Sul e, em alguma medida, também no Sudeste e Centro-Oeste.

Por se tratar de algo imponderável —é impossível determinar com tanta antecedência o volume de chuvas que atinjirão os reservatórios da Grande São Paulo daqui a seis meses—, Antônio Eduardo Giansante, professor de recursos hídricos e saneamento do Mackenzie, defende que as medidas de uso racional da água devem ser constantes.

“A gente tem uma incerteza grande. A gente não tem controle sobre a chuva. Os modelos matemáticos têm as suas limitações. Então, eu tenho restrições em dizer, com certeza, se vai chover menos ou não. Temos de atuar onde a gente tem controle, que é aqui embaixo, fazendo uso eficiente da água, programa de combate às perdas e campanhas permanentes para as pessoas economizarem água”, afirma.

Zuffo, por sua vez, diz não haver motivo algum para alarde. Ao menos por enquanto.

Já Côrtes defende que a Sabesp deve, desde já, implantar programas de incentivo tais como bônus para quem economizar água, assim como foi feito durante a crise hídrica.

Resposta

O diretor-presidente da Sabesp, Benedito Braga, afirmou que a empresa está tranquila neste momento. Segundo ele, as várias obras realizadas aliada a redução do consumo por parte dos consumidores faz com que a atual situação em nada possa ser comparada com a vivida em 2013.

“Temos mais resiliência hoje do que tínhamos naquela época”, afirma o executivo.

Braga diz não ser necessário adotar nenhuma medida adicional além daquelas que estão em curso. Entre elas ele cita as campanhas de conscientização junto à população, alertando para o uso racional da água.

Ele diz que os especialistas apenas focam suas atenções na oferta —no caso a quantidade de água disponível— sem observar a demanda. Segundo ele, no primeiro trimestre de 2013, a produção era de 72 mil litros de água por segundo, cifra que foi de 63 mil litros de água por segundo no primeiro trimestre de 2013. “Essa é uma redução muito importante”, diz.

O executivo confirma que as chuvas dos próximos meses devem ficar abaixo da média. “Suponha que janeiro e fevereiro não venham as chuvas que normalmente são as mais expressivas do verão. Bom, então lá nós vamos ter um outro problema, certo? E não é motivo de espalhar uma preocupação que não é devida nesse momento”, afirmou.

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Lojistas de Niterói querem retirar homenagem a Paulo Gustavo de nome de rua

Placa da rua Ator Paulo Gustavo, que fica no bairro de Icaraí, em Niterói (RJ) - ANDRÉ CYRIACO/ESTADÃO CONTEÚDO
Placa da rua Ator Paulo Gustavo, que fica no bairro de Icaraí, em Niterói (RJ) Imagem: ANDRÉ CYRIACO/ESTADÃO CONTEÚDO

Marina Marini e Luiza Missi

Do UOL, em São Paulo

10/06/2021 18h42

Atualizada em 11/06/2021 10h45

O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Niterói (Sindilojas Niterói) pede ao prefeito da cidade, Axel Grael (PDT), que reverta a alteração do nome da Rua Coronel Moreira César, que foi rebatizada para Rua Paulo Gustavo após a morte do ator.

O presidente da entidade, Charbel Tauil, afirma ao UOL que a mudança prejudica os comerciantes da região. Ele argumenta que os lojistas precisarão arcar com os custos de alterar o endereço em materiais de marketing, e também nos documentos de suas empresas, já que fornecedores não fecham contratos caso o nome da rua esteja diferente no endereço de entrega e no CNPJ.

Fábio Porchat visita rua Paulo Gustavo e faz homenagem: 'Eu te amo'

Questionado se o sindicato já recebeu reclamações sobre problemas do tipo desde a mudança, que aconteceu no dia 19 de maio, Tauil respondeu que não, porque a instituição não tem esse tipo de alcance com os filiados.

Em ofício enviado à Prefeitura no dia 10 de maio, antes da aprovação da mudança, o sindicato afirma que vê como "justíssima" a homenagem, mas questiona a consulta pública que a originou: "A pergunta da consulta ('Você concorda com a substituição do nome da Rua Coronel Moreira César, em Icaraí, para Rua Ator Paulo Gustavo?') não deixava margem para nenhuma outra sugestão, praticamente direcionando o votante".

Tauil também questiona a "temporalidade" da pergunta. "A consulta foi feita no mesmo dia da morte. Na emoção, obviamente 100% da população vai dizer 'sim'".

Desde a mudança, celebridades como Fábio PorchatTatá Werneck e Regina Casé comemoraram o novo nome da rua. Questionado pelo UOL se a homenagem poderia beneficiar os comércios aumentando a circulação na região, Tauil respondeu:

É bonito? É bonito, mas imagina mudar o seu nome? É a sua história. Charbel Tauil, presidente do Sindilojas Niterói

No ofício, a entidade argumenta: "Guardadas as devidas proporções, imagine o Rio de Janeiro trocar o nome da Avenida Rio Branco, ou São Paulo rebatizar a Avenida Paulista. Pois é o que, numa escala obviamente muitíssimo menor, a Moreira César representa para Niterói".

Além da reclamação do Sindilojas, o Conselho Comunitário Da Orla da Baía De Niterói (CCOB) fez uma representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro alegando uma suposta irregularidade na mudança de nome da rua.

Também procurado pela reportagem, o MP informou que a representação foi indeferida. Em documento, mencionando outras mudanças de
nome de importantes vias da cidade, a promotora Renata Scarpa afirmou:

Entendo inexistir fundamento para a instauração de procedimento no âmbito desta Promotoria de Justiça, uma vez que não foram identificados indícios de violação aos direitos tutelados pelo Ministério Público.

A promotora ainda reforçou que "a alteração do nome da rua trará ainda mais visibilidade ao logradouro e, consequentemente, ao comércio."

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Jorge de Souza - Lancha que sumiu de Noronha há 15 dias pode chegar sozinha à costa do Ceará

11/06/2021 04h00

Há 15 dias, uma bonita lancha de quase 20 metros de comprimento possivelmente vaga à deriva, sozinha, sem ninguém a bordo, em algum ponto da costa do Nordeste brasileiro.

E ninguém sabe onde ela está, se é que já não afundou ou está prestes a afundar.

"É uma sensação esquisita. Só sabemos que o mar levou a lancha embora e ninguém acha", diz o empresário Paulo Fatuch, dono do barco, batizado Maria Bonita VI, e sócio de três pousadas na Ilha de Fernando de Noronha, onde a lancha fazia passeios regulares com os turistas da ilha.

E o vento levou…

O sumiço da lancha, que estava ancorada no porto de Fernando de Noronha ao lado de outros tantos barcos, foi detectado na manhã do dia 27 do mês passado, quando o mestre responsável pela embarcação, Francisco Melo, mais conhecido como "Patico", chegou ao local e não encontrou a Maria Bonita na boia a qual ela estava amarrada desde que fizera seu último passeio, cinco dias antes.

"Ventou muito naquela noite e arrebentou o cabo da ancoragem, o que, às vezes, acontece", diz o encarregado da lancha. "Mas o que não é comum é que ela não tenha sido encontrada em seguida, perto da ilha".

Sem dormir direito

Naquele mesmo dia, a bordo de outro barco, Patico navegou cerca de 100 quilômetros a procura da lancha. Mas não a encontrou.

"O problema é que continuou ventando forte e isso deve ter empurrado a lancha para bem longe, se é que ela não virou e afundou", pondera o marinheiro, que tem especial carinho pelo barco no qual trabalha há mais de oito anos.

"Desde que ela sumiu, não estou nem conseguindo dormir direito. Fico toda hora olhando para o celular, na esperança de surja alguma notícia do barco", diz Patico, cuja habilitação náutica estava dentro da lancha, o que lhe dá a esperança de que, caso o barco seja encontrado, alguém faça contato.

Esperança é a correnteza

Mas a maior esperança, tanto do mestre quanto do dono da lancha, é que a Maria Bonita tenha sido levada por uma famosa corrente marinha que passa rente à ilha e vai dar no litoral do Ceará, a mais de 600 quilômetros de distância, o que já aconteceu antes com outros barcos.

Se isso aconteceu novamente, a expectativa é que a lancha esteja por chegar ao litoral cearense nos próximos dias, já que uma travessia desse tipo, à deriva, costuma levar cerca de 15 dias – mesmo período desde que a lancha desapareceu da ilha.

"Tomara que tenha sido isso, porque as outras duas hipóteses, roubo ou naufrágio, são bem piores", analisa o dono do barco, que já entrou em contato com todas as colônias de pescadores do litoral cearense, pedindo que eles fiquem atentos.

Não tem seguro

Segundo ele, a lancha, que tem capacidade para 28 pessoas, três cabines, duas salas e uma cozinha, e é velha conhecida em Fernando de Noronha, onde costuma ser disputada pelos turistas para passeios em torno da ilha, não tem seguro, porque, como já era um barco antigo, o custo era proibitivo.

"Mas ela não vale muito, porque já tem quase 20 anos de uso", consola-se o empresário.

Furto ou naufrágio?

O risco de a lancha ter afundado tem a ver com os fortes ventos que vêm soprando na região desde que ela desapareceu. Eles podem ter virado a lancha e a inundado.

Já a hipótese de furto tem a ver com a possibilidade de ela ter sido encontrada à deriva no mar e levada embora, porque, além de estar com bastante combustível no tanque, tinha até a chave no contato, como é hábito na ilha, onde os casos de furto de barcos são nulos.

"Se ela afundou ou foi roubada, fica praticamente impossível encontrá-la", diz o proprietário do barco.

"Mas, se foi apenas levada pela correnteza, deve aparecer em alguma praia do Ceará nos próximos dias, especialmente na região de Aracati, onde já foram dar alguns barcos que desgarraram da ilha", diz, esperançoso.

Risco de colisão

A Marinha, através da Capitania dos Portos de Pernambuco, foi acionada assim que ocorreu o desaparecimento do barco e emitiu um aviso aos navegantes da região, para que ajudem a encontrar a lancha, que também representa um perigo à navegação, já que supostamente está à deriva e pode ser atingida por outras embarcações durante à noite.

Dois casos curiosos

Barcos sem ninguém a bordo que são levados pelo mar e ficam à deriva é algo bem mais comum do que parece.

E, às vezes, levam meses ou anos para serem encontrados, quase sempre em locais bem distantes.

Como aconteceu com o velejador inglês Alex Thomson, que, em 2006, durante uma competição de volta ao mundo, precisou abandonar o seu barco no litoral da África, por conta de uma avaria mecânica, mas o reencontrou incríveis dez anos depois, encalhado na costa do Chile, a mais de 10 000 quilômetros de distância.

Outro caso ainda mais curioso foi o do japonês Ikio Yokohama, que durante o tsunami que atingiu a costa do Japão, em 2001, viu sua casa ser invadida pelo mar, que arrastou tudo o que encontrou pela frente – inclusive um container que ele usava como garagem para sua moto, no quintal.

Um ano depois, o tal container, ainda com a moto dentro, foi dar numa praia da costa do Canadá, do outro lado do Oceano Pacífico, em uma das mais singulares "viagens" que uma motocicleta já fez, sozinha e pelo mar – clique aqui para ler esta história, que rendeu até um lugar para a moto do japonês em um museu do Estados Unidos.

Já o marinheiro Patico sonha apenas em recuperar a sua lancha fujona.

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Internet está ruim? Chuva, vento e o calor podem afetar a sua conexão

Yanalya/ Freepik
Imagem: Yanalya/ Freepik

Nicole D'Almeida

Colaboração para Tilt

11/06/2021 11h38

Não há nada quase mais irritante do a internet parar de funcionar quando mais precisamos dela. E você sabia que a chuva, ventos fortes ou até um dia de forte calor podem causar problemas de conexão?

Alguns tipos de infraestruturas de rede de internet são mais vulneráveis ao clima do que outras. Essas mudanças podem gerar danos físicos, como entrada de água nas conexões elétricas, por exemplo, e interferir no sinal sem fio.

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Vejamos abaixo como os efeitos da natureza podem interferir na sua conexão.

Chuva

Uma conexão com a internet pode envolver cabeamento usado na rede telefônica antiga e conexões de fibra óptica mais modernas. Além de conexões sem fio, como Wi-Fi, micro-ondas e rádio via satélite.

Durante uma chuva forte ou tempestade com fortes ventos, o rompimento de cabos e fiações pode acontecer. Isso afeta diretamente a recepção de sinal de banda larga e da TV também. As infraestruturas que usam cabos subterrâneos podem ser afetadas por inundações. A umidade é grande inimiga quando isso acontece.

Neste caso, o reparo é feito diretamente nos postes: restaurando a energia elétrica e, em seguida, uma equipe da área de telecomunicações atua no local. O processo pode levar até quatro horas.

Há também os equipamentos que fazem uma reconfiguração da rede, caso uma falha seja notada e o religador não consiga resolver. Nesses casos, a região acaba ficando sem luz, mas esses equipamentos são capazes de diminuir o estrago identificando onde está o defeito, isolando essa falha e, assim, reenergizando todos os outros clientes por meio de uma reconfiguração dos postes que levam energia elétrica.

Como dito anteriormente, há também as conexões sem fios e, em dias chuvosos, problemas de conexão nos serviços via satélite podem ocorrer com uma certa frequência.

Os sinais de satélite são transmitidos por ondas de rádio, que viajam ao ar livre, mas podem ser desviados ou dispersos quando passam pela água, edifícios e folhagem densa. Por isso, a conexão sem fio enfraquece durante o tempo ruim, uma vez que as partículas de água no ar desviam e quebram o sinal de rádio, resultando em um sinal irregular ou fraco.

Calor excessivo

Os eletrônicos também sofrem com o calor excessivo. Os aparelhos tendem a funcionar mais lentamente quando expostos ao calor extremo. Até mesmo os cabos podem sofrer danos físicos capazes de afetar a conexão.

A alta temperatura pode diminuir o tempo de vida útil dos semicondutores (os chips) e fazer com que as baterias se degradem, deixando os ciclos de carga mais curtos. Deixar os aparelhos dentro de locais quentes, como o carro, ou diretamente sob o sol causa danos nos componentes internos, chegando até parar de funcionar, em alguns casos.

Em dispositivos superaquecidos, a fonte de alimentação provavelmente acaba tendo dificuldades e esse problema pode afetar o equipamento de rede que controla nossa conexão com a internet.

O comportamento humano

Mas não dá para culpar somente o clima por falhas de funcionamento da internet. O comportamento humano também é um grande aliado.

Muitas vezes, a lentidão da conexão de rede em dias de chuvas mais fortes é causada por um tráfego de internet maior do que o normal, afinal, as pessoas costumam ficar mais em casa nesses momentos.

Quando o uso da internet ao mesmo tempo aumenta de forma significativa, a largura de banda limitada disponível é rapidamente consumida, o que pode resultar em lentidão. Porém, saiba que não é somente na sua casa que a conexão está lenta, outras casas estão passando pelo mesmo problema que você.

Na dúvida, verifique com a empresa responsável pela internet da sua casa (e do celular, se for preciso) se existe alguma falha técnica na sua região. Em geral, elas avisam o tempo previsto para a correção dos problemas.

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Apesar da vacinação acelerada, Chile não consegue evitar aumento dos contágios

Causas são múltiplas, mas passam pela menor eficácia da CoronaVac no controle da transmissão, ainda que a vacina evite mortes e internações; novas variantes, incluindo a encontrada primeiro no Brasil, também impulsionam infecções
A enfermeira Ximena Ampuero vacina um idoso na ilha de Chiloé,1.230 quilômetros ao sul de Santiago; vacinação reduziu mortes entre idosos Foto: ALVARO VIDAL / AFP
A enfermeira Ximena Ampuero vacina um idoso na ilha de Chiloé,1.230 quilômetros ao sul de Santiago; vacinação reduziu mortes entre idosos Foto: ALVARO VIDAL / AFP

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Se nos Estados Unidos e em Israel a vacinação acelerada tem impulsionado uma drástica redução dos casos de Covid-19, este não é o caso do Chile. O país onde acontece a campanha de imunização mais veloz da América Latina — 59,2% da população recebeu ao menos uma injeção anti-Covid — vê hoje uma média de quase 7,3 mil casos diários, 38% a mais que há um mês.  

Para especialistas ouvidas pelo GLOBO, são múltiplos os fatores que contribuem para a piora da crise sanitária em território chileno: passam pelo aumento da circulação, pelas novas variantes e pela fadiga com os 15 meses de restrições. A piora deve-se também, no entanto, ao portfólio de vacinas adotado pelo governo chileno e a sua dependência do imunizante da SinoVac, conhecido no Brasil como CoronaVac.

Quase 80% das 19,6 milhões de doses já aplicadas no país são da fabricante chinesa — bastante eficiente para evitar casos graves da Covid-19, mas não tanto para barrar a transmissão. Segundo um estudo feito pelo governo do Chile, as duas doses conseguem impedir internações e mortes em, respectivamente, 85% e 80% dos casos. Sua capacidade de conter o contágio, no entanto, ficaria na casa dos 67%. 

Notícias em imagens nesta sexta-feira pelo mundo

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Ativistas fantasiados dos líderes do G7 performam brigam por uma seringa de vacina COVID-19 na praia de Swanpool em Falmouth, Cornwall, à margem da cúpula do G7 Foto: ADRIAN DENNIS / AFP
Ativistas fantasiados dos líderes do G7 performam brigam por uma seringa de vacina COVID-19 na praia de Swanpool em Falmouth, Cornwall, à margem da cúpula do G7 Foto: ADRIAN DENNIS / AFP
Robô chinês Zhurong Mars é fotografado a superfície de Marte Foto: HANDOUT / AFP
Robô chinês Zhurong Mars é fotografado a superfície de Marte Foto: HANDOUT / AFP
Curdos sírios protestam, na cidade de Qamishli, no nordeste da Síria, contra a ofensiva turca nas áreas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no norte do Iraque Foto: DELIL SOULEIMAN / AFP
Curdos sírios protestam, na cidade de Qamishli, no nordeste da Síria, contra a ofensiva turca nas áreas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no norte do Iraque Foto: DELIL SOULEIMAN / AFP
Amigos, parentes e ativistas se despedem de Angelvis Gregorio Bello, manifestante que foi encontrado morto na estrada entre Cali e Palmira há três semanas. A cidade de Cali é o epicentro dos protestos contra o governo do presidente colombiano Iván Duque, que começaram no dia 28 de abril e deixaram cerca de 61 mortos, segundo autoridades Foto: LUIS ROBAYO / AFP
Amigos, parentes e ativistas se despedem de Angelvis Gregorio Bello, manifestante que foi encontrado morto na estrada entre Cali e Palmira há três semanas. A cidade de Cali é o epicentro dos protestos contra o governo do presidente colombiano Iván Duque, que começaram no dia 28 de abril e deixaram cerca de 61 mortos, segundo autoridades Foto: LUIS ROBAYO / AFP
Mulher posa para fotos ao lado de uma reprodução da Mona Lisa. O retrato de Lisa Gherardini, esposa de Francesco del Giocondo, conhecida também como La Gioconda está exposto na DaVinci Experience na Cidade do México Foto: PEDRO PARDO / AFP
Mulher posa para fotos ao lado de uma reprodução da Mona Lisa. O retrato de Lisa Gherardini, esposa de Francesco del Giocondo, conhecida também como La Gioconda está exposto na DaVinci Experience na Cidade do México Foto: PEDRO PARDO / AFP

Outras pesquisas apontam que a taxa poderia ser ainda menor. Em seu aval para o uso emergencial da CoronaVac, concedido no mês passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a vacina preveniu casos sintomáticos em 51% dos adultos inoculados. A Anvisa, em janeiro, autorizou seu uso no Brasil, onde é produzida em parceria com o Instituto Butantan, com uma eficácia global de 50,4%.

Isso se reflete no resultado da vacinação chilena como um todo. De acordo com um levantamento feito pela Universidade do Chile em abril, a campanha tem uma efetividade de 56,5% na prevenção do contágio entre quem recebeu as duas doses (hoje, cerca de 45% da população do país). Entre aqueles que tomaram apenas uma injeção, a taxa cai para apenas 3% — constatação que fez Santiago acelerar a aplicação da dose final.

— Nós reduzimos a probabilidade de contágio e protegemos as pessoas, porém ainda não em um nível suficiente para poder chegar à imunidade de rebanho ou conter a transmissão — disse ao GLOBO María Soledad Martínez, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade do Chile. 

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Contágio entre os jovens

Apesar das limitações, o impacto da vacinação já é sentido, principalmente entre aqueles com mais de 70 anos, os primeiros a serem imunizados. Se no início de janeiro 66% das mortes no país ocorriam nesta faixa etária, no fim de maio o percentual havia caído para 52% — 14 pontos percentuais a menos, apesar da média móvel de casos diários ter mais que dobrado desde janeiro.

Entre a população geral, as mortes aumentaram, mas não na mesma proporção dos casos: há um mês, o país registrava uma média de 94,1 óbitos diários e hoje, cerca de 108, um aumento de 14,8%. A explicação para isso passa pela vacinação, mas também pelos avanços no tratamento da doença e pela menor faixa etária dos infectados.

Hoje, a campanha de imunização no país está aberta para todos com mais de 22 anos, mas a participação está aquém do esperado entre os adultos: segundo as autoridades, cerca de 900 mil pessoas entre 23 e 49 anos ainda não foram se vacinar, mesma faixa etária na qual se concentram os novos casos.

Na terça, pela primeira vez desde o início da pandemia, a maior parte dos pacientes que ingressou em leitos de terapia intensiva tinha menos de 39 anos, muitos deles ainda esperando para se vacinar ou para receber a segunda dose. Entre todos os internados na UTI, disse o governo nesta semana, 86% não completaram o ciclo de vacinação.

Para Martínez, o Chile deve levar entre três e quatro meses para aplicar as vacinas em todos que estão aptos para recebê-las. A partir daí, a expectativa é que os casos diminuam, mas isso não significará o fim da circulação do vírus: seja pelo fato de as doses não garantirem cobertura completa ou pelo fato do uso infantil ainda não ter sido amplamente autorizado. Sem que as crianças sejam vacinadas, será difícil chegar à imunidade de rebanho.

As limitações da CoronaVac explicam em parte porque os EUA e Israel, onde a vacinação também está avançada, viram os novos casos caírem respectivamente 36% e 64% nas últimas duas semanas. O Chile, enquanto isso ultrapassou um total de 30 mil mortes na segunda-feira e anunciou que manterá suas fronteiras fechadas até ao menos o fim do mês.

Outros fatores

Americanos e israelenses usam maciçamente as vacinas da Pfizer e, no caso dos EUA, da Moderna, que têm uma eficácia de 91% na prevenção de novas infecções, segundo um estudo publicado neste mês pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano. Diante da escassez planetária de doses e da dificuldades de comprá-las, no entanto, a melhor vacina é aquela que cada um tem ao seu alcance:

— Há sim vacinas melhores no que diz respeito à prevenção da transmissão, mas essa é a que temos à nossa disposição — disse Claudia Cortés, infectologista da Universidade do Chile.

As vacinas por si só, no entanto, não explicam o agravamento epidemiológico no Chile. A situação do país é hoje similar à britânica: ambos já imunizaram mais de 40% de sua população com as duas doses, mas lutam contra novas variantes mais contagiosas.

No Reino Unido, onde os casos aumentaram 131% nas últimas duas semanas, a culpa recai sobre a Delta, variante originária da Índia. No Chile, circulam uma cepa andina e a variante Gama, mais contagiosa, descoberta no fim de 2020 em Manaus. Segundo um estudo divulgado no fim de maio pelo Instituto Butantan, a CoronaVac é eficiente contra a mutação amazônica. Ainda não há muitas informações sobre a cepa dos Andes, mas tudo indica que ela também responde à vacina.

E se o vírus se dissemina hoje com maior facilidade, isso deve-se também ao aumento da circulação de pessoas. Para Cortés, isso é indissociável de um tropeço de comunicação do governo de Sebastián Piñera. Se a gestão teve sucesso em comprar as doses velozmente, ao contrário de muitos países da região, errou ao declarar uma vitória prematura:

— Eles deram a entender que se você se vacinava, pronto, o problema acabou. Houve um relaxamento muito grande — disse ela.

Vacinação maciça

O país atravessou uma segunda onda em março, quando chegou a pôr 85% de sua população em quarentena, o que de fato ajudou a reduzir os casos, o durou até o início de maio. O contágio, ainda assim, permaneceu alto, sinal de uma baixa adesão às restrições, da fadiga natural da população e de uma economia em que, no último trimestre de 2020, quase 27% da população trabalhava informalmente.

Neste momento, o Palácio de La Moneda recorre a medidas restritivas como toques de recolher e seu plano Passo a Passo, que impõe restrições mais ou menos duras a depender do nível de contágio em uma região. Em seu nível máximo, há uma quarentena que permite apenas serviços essenciais — ontem, o governo anunciou que a medida vai vigorar a partir de sábado em toda a região metropolitana de Santiago, atingindo 7 milhões de pessoas.

Em sua nível mais branda, ficam permitidas reuniões com até 40 pessoas e o funcionamento de restaurantes a céu aberto, por exemplo. O plano, evidentemente, não vem sendo suficiente para conter o contágio. No fim de maio, o governo se viu diante de uma nova polêmica ao implementar um passe de mobilidade para facilitar o deslocamento dos já vacinados. As críticas foram tantas que as autoridades reviram alguns de seus termos, mas não chegaram a aboli-lo.

Diante da falta de efeito das restrições, diz Cortés, o caminho para evitar uma piora do surto atual é a imunização maciça no país, onde já há uma estrutura de saúde primária bem consolidada e uma forte cultura de vacinação. Além da CoronaVac, o país usa as doses da Oxford-AstraZeneca, da Pfizer — cujo uso foi recentemente autorizado nos jovens entre 12 e 16 anos — e da CanSino, de dose única, aplicada principalmente nas áreas mais remotas do território.

— É preciso buscar os pacientes que ficaram para trás, que não tomaram as vacinas porque decidiram não fazê-lo ou porque, por exemplo, não conseguiram sair do trabalho — disse ela, afirmando que são necessárias maiores flexibilidades por parte dos empregadores para que seus funcionários consigam sair para se vacinar.

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Bolsonaro aparece de surpresa em avião comercial e é recebido com elogios e críticas

De máscara, presidente tirou fotos e conversou com passageiros e tripulação de voo em Vitória
O presidente Jair Bolsonaro tira foto com apoiadores em avião Foto: Reprodução/Youtube
O presidente Jair Bolsonaro tira foto com apoiadores em avião Foto: Reprodução/Youtube

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BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro entrou de surpresa em um avião comercial no aeroporto de Vitória na manhã de sexta-feira. 

Bolsonaro cumprimentou e tirou foto com parte dos passageiros e da tripulação, e ouviu palavras de apoio e de crítica. 

O presidente estava usando máscara na maior parte do tempo.

O vídeo do episódio foi publicado pelo canal do Youtube Foco do Brasil. 

Na parte da frente do avião, Bolsonaro acenou para os passageiros e tirou algumas fotos. 

Diversos dos presentes gritaram palavras de apoio. 

Um outro vídeo, publicado em rede social e filmado do meio do avião, mostra parte dos passageiros criticando o presidente, com gritos de "fora" e genocida".

Aos que o criticaram, o presidente disse que deveriam utilizar um jegue como meio de transporte. 

A interação durou menos de dois minutos.

— Quem fala "Fora Bolsonaro" deveria estar de jegue viajando. (Quem fala) "Fora Bolsonaro" devia estar viajando de jegue, não de avião. Para ser solidário com o candidato deles — disse.

Bolsonaro foi ao Espírito Santo para realizar entrega de um conjunto habitacional em São Mateus. 

No lado de fora do aeroporto de Vitória, o presidente causou aglomeração e interagiu com apoiadores, dessa vez sem máscara.

Como o GLOBO mostrou, o presidente já participou de pelo menos 84 aglomerações desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da Covid-19 em 11 de março do ano passado. 

Em média, o chefe do Executivo brasileiro esteve presente em uma concentração de pessoas a cada 5,3 dias, algumas delas registradas na mesma data.

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Bairros em quarentena, milhões de testes: como a China está combatendo um novo surto da Covid

Apesar do avanço da vacinação, centenas de milhões de chineses ainda não foram vacinados, novas variantes surgiram e ainda não se sabe se os imunizantes são capazes de detê-las
Keith Bradsher, do New York Times
11/06/2021 - 05:00 / Atualizado em 11/06/2021 - 13:29
Centros móveis de testagem são vistos no ginásio municipal de Guangzhou, província de Guangdong, China Foto: STRINGER / VIA REUTERS/03-06-2021
Centros móveis de testagem são vistos no ginásio municipal de Guangzhou, província de Guangdong, China Foto: STRINGER / VIA REUTERS/03-06-2021

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PEQUIM — Bairros sob estrito bloqueio. Milhares de pessoas em quarentena. Milhões de testes realizados em poucos dias. Chegadas do exterior bloqueadas por semanas e às vezes meses. A China tem seguido variações dessa fórmula para lidar com a Covid-19 há mais de um ano — e um novo surto sugere que elas podem fazer parte da vida chinesa por mais algum tempo.

Apesar de o governo ter anunciado em agosto do ano passado que a pandemia estava controlada no país — e a vida, de fato, começou a voltar ao normal por lá —, a maioria da população de 1,4 bilhão de pessoas ainda não foi vacinada, surgiram novas variantes do coronavírus e ainda restam dúvidas sobre se as vacinas podem detê-las com a mesma eficácia.

Os casos mais recentes —  e ainda assim um total de pouco mais de 150 —  foram registrados em Guangzhou, ou Cantão, capital da província de Guangdong, a mais populosa do país e um centro industrial de quase 15 milhões de pessoas. As autoridades culparam a variante Delta, que causou perda generalizada de vidas na Índia, pelo novo pico de infecções.

A cidade, onde as instalações de teste estão operando 24 horas por dia com longas filas de espera, testou praticamente toda a sua população de 18,7 milhões entre domingo e terça-feira, algumas pessoas pela segunda vez. Também colocou bairros com mais de 180 mil  residentes em quarentena total, com praticamente ninguém autorizado a sair, exceto para exames médicos.

Os primeiros novos casos de Covid-19 na região parecem ter se espalhado entre frequentadores de vários restaurantes. Cada pessoa contaminada infectou mais pessoas do que em qualquer surto anterior que a China enfrentou, disse Zhang Zhoubin, vice-diretor do Centro de Controle de Doenças de Guangzhou, em entrevista coletiva.

— A epidemia enfrentada por Guangzhou desta vez é um oponente sem precedentes e requer medidas mais firmes e decisivas para lidar com ela — disse ele.

A abordagem da China evoluiu desde o surgimento do coronavírus, quando Pequim inicialmente impôs duras restrições a centenas de milhões de pessoas. Hoje, suas quarentenas concentram-se nos bairros, e não nas cidades ou províncias.

A China fez da vacinação a peça central de sua estratégia, mas sem abandonar princípios fundamentais para um país enorme e densamente povoado: testes em massa, restrições de deslocamento e intenso escrutínio de chegadas de outros países.

Muitas empresas esperam que a China mantenha restrições  rígidas a viagens até fevereiro, quando Pequim sediará as Olimpíadas de Inverno, e possivelmente até o outono do próximo ano, quando o Partido Comunista Chinês realizará seu congresso.

Muitos estrangeiros na China enfrentam uma escolha difícil: se eles saírem para visitar cônjuges, filhos e outros membros da família em outros lugares, podem não conseguir entrar novamente no país devido às restrições da pandemia.

— Há um cansaço cada vez maior para muitos dos estrangeiros que estão aqui — disse Jacob Gunter, gerente sênior de políticas e comunicações da Câmara de Comércio da União Europeia na China.

Em casa, os líderes da China estão pressionando seu povo a se vacinar. Já administraram cerca de 800 milhões de doses pelas contas do governo, em comparação com 300 milhões administradas nos Estados Unidos. Yin Weidong, o presidente e executivo-chefe da Sinovac, um dos principais fabricantes de vacinas da China, disse à televisão estatal na sexta-feira passada que os reguladores chineses aprovaram o uso emergencial de vacinas em crianças a partir dos 3 anos.

Mesmo assim, administrar 800 milhões de doses — quase todas as vacinas exigem duas doses — significa que a maioria dos 1,4 bilhão de pessoas da China ainda não foi totalmente imunizada. Algumas pessoas continuam hesitantes em receber as vacinas, e a mídia chinesa usou o surto de Guangzhou para encorajar os céticos a serem vacinados.

A disseminação do vírus levantou novas questões sobre a eficácia das vacinas da China para deter o contágio, particularmente contra as variantes. As ilhas Seychelles no mês passado e agora a Mongólia nas últimas três semanas tiveram um grande número de infecções, apesar das altas taxas de vacinação. Ambos usaram a vacina da Sinopharm, embora as Seychelles também dependessem parcialmente das vacinas da AstraZeneca.

A variante Delta que agora circula em Guangzhou também mostrou sua capacidade em outros países de infectar algumas pessoas que já haviam sido vacinadas, um fenômeno conhecido como escape da vacina. Pesquisas em outros lugares descobriram que esse é um problema específico para pessoas que receberam apenas a primeira dose da vacina e, em seguida, foram expostas à variante Delta.

Na terça-feira, a província de Guangdong tinha 157 pessoas hospitalizadas com coronavírus e anunciava cerca de 10 novos casos por dia. Mas ao contrário de muitos lugares ao redor do mundo, Guangzhou pelo menos não precisa se preocupar em ficar sem suprimentos pandêmicos: é coincidentemente um centro de manufatura e exportação.

Chen Jianhua, economista-chefe do Birô de Indústria e Tecnologia da Informação de Guangzhou, disse em entrevista coletiva na quarta-feira que a capacidade de produção diária da cidade é de 91 milhões de máscaras e sete milhões de kits de insumos químicos para detecção de coronavírus.

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Trump, Biden, Bolsonaro e o G7 | Guga Chacra - O Globo

Dá um alívio não ver Donald Trump na foto dos líderes do G7 no Reino Unido. Os EUA, ao menos temporariamente, estão livres de um mentiroso compulsivo e antidemocrático que tentou dar um golpe para permanecer no poder. Também pregava discurso de ódio, além de ser negacionista em temas como o meio-ambiente. Sem a sua figura bizarra, o grupo de economias avançadas pode se focar em questões internacionais importantes, como as mudanças climáticas, a pandemia de Covid-19 e o risco de mais ataques cibernéticos.

Donald Trump, no G7

Não que o mundo tenha voltado à normalidade. Dezenas de milhares de pessoas ainda morrem de Covid19 todos os dias pelo planeta. O cenário segue grave na Índia, Brasil e muitos países da América Latina, apesar de estar relativamente controlado nas principais nações ocidentais e no Japão, que integram o bloco do G7. Sabemos também que o encontro ocorre à sobra da China, cada vez mais dominante internacionalmente, e também da Rússia, que segue como uma potência geopolítica.

Em segundo lugar, o presidente americano busca mostrar que os EUA estão de volta, deixando para trás o isolacionismo dos anos Trump. Terceiro, restaurar o multilateralismo, em especial na aliança com os europeus. Por último, tentar ganhar pontos na disputa com a China.

Após o enorme sucesso na vacinação nos EUA, Joe Biden tentará agora ampliar os bons resultados para o resto do mundo e trabalhará em conjunto com outras grandes economias para doar centenas de milhões de vacinas às nações mais pobres. Esta sua atitude tem o objetivo, primeiro, de conter a Covid-19. Enquanto o mundo todo não estiver vacinado, haverá o risco de novas variantes mais resistentes.

Não sabemos se Biden alcançará todos estes objetivos. Mas o presidente americano tem sido fundamental neste momento. Imaginem o cenário se Trump estivesse no poder. Além disso, os líderes europeus, do Canadá e do Japão estão mais avaliados sem a presença do republicano. O diálogo é normal, não há escândalos ou declarações absurdas. Pode haver discordâncias, mas todos trabalham em busca dos mesmos objetivos.

Já o Brasil fica cada vez mais distante destas nações do G7. Nosso país se tornou o “patinho feio” da política internacional com um presidente órfão de Trump e também negocianista. Absolutamente todos os líderes internacionais querem distância do brasileiro. Biden ainda não conversou com Bolsonaro, apesar de estar há quase 5 meses no poder. Governantes europeus não fazem convites ao presidente brasileiro para visitarem suas capitais. A China e a Rússia tampouco querem conversa com o latino-americano. Brasil virou pária pandêmico e também ambiental.

retorno do Brasil ao Conselho de Segurança da ONU após anos ausentes não alterará o cenário. Com Bolsonaro no poder, não desfrutará de respeita e será visto como uma ameaça. Hoje o temos maior nas capitais ocidentais em relação ao Brasil é o risco de uma ruptura da democracia.

Como bem escreveu Pedro Doria aqui no Globo, "Bolsonaro está seguindo o script de Trump. Não há, na história do Brasil, nada que nos garanta que o desfecho será como o americano. Aqui, vivemos o receio concreto de que os generais não tenham mais pleno controle de suas tropas. E sabemos que os governadores não controlam mais plenamente suas polícias."

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Natalia Pasternak debocha de Heinze sobre efeito da cloroquina: 'chazinho da vó e voltas no quarteirão também funcionam' (vídeo)

Natalia Pasternak e Luis Carlos Heinze

247 - Em depoimento à CPI da Covid nesta sexta-feira (11), a microbiologista Natalia Pasternak deu uma reposta cheia de ironia ao negacionismo do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que mais uma vez defendeu o suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19, mesmo diante de dois especialistas que atestaram a ineficácia de medicamentos como a hidroxicloroquina contra o coronavírus.

Heinze citou o número de brasileiros recuperados da Covid-19 afirmando, sem citar nenhuma fonte, que tais pacientes foram medicados com remédios ditos sem eficácia contra o coronavírus. "Essas 15.670.754 têm cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, annita, ivermectina e vitaminas. Hoje tem 16 ou 17 drogas reposicionadas que foram responsáveis por essas 15 milhões de vidas salvas".

Natalia, então, destacou que tomar medicamentos sem eficácia para o tratamento da Covid-19 têm o mesmo efeito de não tomar nada. "Essas 15 milhões de pessoas também tomaram chazinho da vó, deram três pulinhos e uma volta no quarteirão, senador".

Nas redes sociais, internautas comemoram a resposta da especialista.

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Natalia Pasternak critica cloroquina e diz que Brasil poderia ter evitado 375 mil mortes

247 - A microbiologista Natalia Pasternak afirmou à CPI da Covid que “três de cada quatro mortes teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média de controle mundial da pandemia”. “375 mil mortes teriam sido evitadas se tivéssemos melhor controle da pandemia”, destacou a pesquisadora, citando dados enviados pelo epidemiologista Pedro Hallal, professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do Epicovid-19, o maior estudo sobre coronavírus no País.

Ainda segundo ela, o governo Jair Bolsonaro seguiu estimulando o uso de medicamentos ineficazes, como a cloroquina, contra a Covid-19 apesar de pesquisas já mostrarem a ineficácia da droga desde meados de junho e julho do ano passado. “O conhecimento nacional e internacional de que cloroquina e ivermectina não funcionavam começou por volta de junho e julho de 2020”, disse ela em resposta a uma pergunta da senadora Kátia Abreu (PP-TO).

Ela também destacou que o “hype da cloroquina, um medicamento barato”, começou em março de 2020 com uma apresentação feita por um grupo da China que mostrava atividade in vitro da droga contra o coronavírus. Depois, novos estudos ressaltaram a ineficácia do medicamento.

Mais cedo, ela e o médico sanitarista e ex-diretor da Anvisa Cláudio Maierovitch já haviam criticado o uso da cloroquina contra a Covid-19 em função de pesquisas científicas apontarem que o medicamento era ineficaz contra o coronavírus e pelos riscos adversos decorrentes do uso da substância.

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Copa América: O passado racista da seleção brasileira e o presidente que vetou negros no time | Blog do Acervo - O Globo

Ofensas racistas contra a seleção brasileira no jornal argentino 'La crítica' em 1920


Foi a partida mais longa na história da Copa América. Em 29 de maio de 1919, Brasil e Uruguai se enfrentaram para decidir o Campeonato Sul-Americano de Football, no recém-inaugurado Estádio das Laranjeiras, no Rio. Depois do empate sem gols nos 90 minutos regulamentares, o jogo se estendeu numa prorrogação de meia hora, que também ficou no 0 a 0. Como não havia disputa de pênaltis, e mesmo com todos exaustos, concordou-se em mais 30 minutos de partida. Logo aos 3 minutos, Arthur Friedenreich fez o único gol do confronto e se tornou o primeiro herói brasileiro dos gramados. Aplaudido pelo estádio lotado, o craque não poderia imaginar que, num futuro bem próximo, seria excluído da seleção por ser negro.

Aquele foi o primeiro título do Brasil no futebol, considerado na época um esporte das elites econômicas e ainda pouco popular no país. O torneio impulsionou a modalidade no território nacional, mas, em 1920, uma crise entre as ligas do Rio e de São Paulo fez com que a seleção viajasse ao 4º Campeonato Sul-Americano de Football, no Chile, sem os jogadores dos clubes paulistanos. Depois de um péssimo desempenho na competição em Viña del Mar, com direito a derrota por 6 a 0 para o Uruguai, a equipe saiu do país andino de cabeça baixa. Antes de retornar ao Brasil, entretanto, a seleção aproveitou uma escala em Buenos Aires para participar de um amistoso contra a Argentina. Mas a recepção não poderia ter sido pior.

Arthur Friedenreich: O primeiro herói da seleção brasileira

Na data do jogo, dia 3 de outubro, o diário sensacionalista "La Critica" publicou uma charge abominável mostrando um time de macacos com a camisa da seleção, sob o título "Macacos em Buenos Aires" e o subtítulo "Uma saudação aos ilustres hóspedes". No texto repleto de ofensas racistas que acompanhava o desenho, o jornal dizia que a partida deveria terminar antes do anoitecer para que os brasileiros pudessem ser vistos. "Os brasileiros são pessoas de cor que se vestem como nós e pretendem se confundir à raça americana", publicou o "La critica".

Se o amistoso tivesse ocorrido no dia 3 de outubro, os jogadores da seleção talvez nem tivessem visto a charge. Mas, devido a uma chuva forte, a partida foi adiada para o dia 6, o que deu tempo para que o jornal chagesse às mãos do elenco. Revoltados, os atletas foram à sede do "La crítica" protestar contra o jornalista Antonio Palacio e o ilustrador Diógenes Taborda. Vários integrantes do time se negaram a participar do amistoso, mas a Confederação Brasileira de Desportos (anterior à CBD) não entrou no boicote e colocou até dirigente em campo, no estádio Sportivo Barracas. Ainda mais desfalcado, o Brasil perdeu por 3 a 1. Há quem diga que aquele foi o início da conhecida rivalidade entre as duas seleções.

Elenco da seleção brasileira no campeonato sul-americano de 1921

Como se não bastasse o constrangimento vivido em Buenos Aires, aquela charge ecoaria no Brasil de forma lamentável. Em 1921, o torneio que daria origem à Copa América aconteceria justamente na Argentina, no mês de outubro. Em setembro, o jornal "Correio da Manhã" publicou que a CBD queria evitar "animosidades" com os vizinhos e discutia internamente se deveria enviar jogadores negros ao torneio. O caso chegou a ser levado ao então presidente da República, Epitácio Pessoa, que decidiu que a seleção deveria excluir atletas com ascendência africana. Craques como Friendenreich, Neco e Luiz da Guia foram barrados por racismo puro. 

Num texto publicado na revista "Careta" em outubro de 1921, o célebre escritor negro Lima Barreto, autor de "Triste fim de Policarpo Quaresma", fez alusão ao veto de Epitácio Pessoa a atletas negros: "Foi sua resolução de que gente tão ordinária e comprometedora não devia figurar nas exportáveis turmas de jogadores, lá fora, acrescentou. Não se precisava saber que tínhamos no Brasil semelhante esterco humano (...) A providência, conquanto perspicazmente eugênica e científica, traz no seu bojo ofensa a uma fração muito importante, quase a metade, da
população do Brasil”. E continuou: “A nossa vingança é que os argentinos não distinguem, em nós, as cores: todos nós, para eles, somos macaquitos”.

O escritor Lima Barreto, autor de 'Triste fim de Policarpo Quaresma'

A recomendação de Pessoa era enviar à Argentina exemplares da elite futebolística da época, ou seja, moços de famílias brancas e cabelos lisos. O craque Arthur Friedenreich, que havia sido impedido de atuar no Chile porque jogava no Club Athletico Paulistano, acabou ficando fora de mais um campeonato sul-americano, desta vez por culpa do racismo da CBD e do presidente da República.

Nascido em 1892, o atleta era um jovem negro de pele clara e olhos verdes, filho de um comerciante de origem alemã, de nome Oscar, e de uma mulher negra chamada  Matilde, que nascera escravizada, na Bahia. Os dois se casaram em Santa Catarina, mas se mudaram para São Paulo, onde Friendenreich nasceu e se encantou pelo futebol ainda menino. O jogador era um atacante finalizador,  que cabeceava bem e tinha um chutava a bola com potência. Não fazia firulas.

Mais uma vez desfalcado de alguns de seus melhores atletas, o Brasil perdeu duas de três partidas que disputou no torneio de 1921, na Argentina. Foi derrotado pelos donos de casa e pelo Uruguai. Só venceu o fraco Paraguai, mesmo assim sem apresentar um bom futebol. Um ano mais tarde, porém, o torneio voltou a acontecer no Estádio das Laranjeiras, no Rio, agora sem a proibição racista na seleção brasileira, que, então, sagrou-se campeã do evento pela segunda vez.

Despenca popularidade de Bolsonaro entre evangélicos

Presidente registra maior taxa de "péssimo" ou "ruim" entre o grupo, em um ano

atualizado 11/06/2021 15:02

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Jair Bolsonaro registrou, neste mês, a menor popularidade entre o público evangélico em um ano, conforme mostra pesquisa da XP/Ipespe.

O governo do presidente é avaliado como “ruim” ou “péssimo” por 38% dentro do grupo – um aumento de 7% em relação ao mês passado, que teve taxa de 31%.

É o maior percentual desde junho de 2020, quando a gestão Bolsonaro foi reprovada por 41%.

De lá para cá, a rejeição do presidente havia variado entre 17% e 36%.

Já os que avaliam o governo como “ótimo” ou “bom” são 34%, o que representa uma queda de 10% em relação a maio.

A pesquisa deste mês ainda mostra que 27% dos evangélicos consideram o governo regular.

Foram feitas 1.000 entrevistas por telefone, de abrangência nacional, nos dias 7, 8, 9 e 10 de junho. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

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Mulher que filmou ataque policial contra George Floyd é citada no Pulitzer

George Floyd, de 46 anos, foi sufocado enquanto era imobilizado por um policial branco que colocou seu joelho no pescoço dele por quase nove minutos, em 25 de maio - REPRODUÇÃO
George Floyd, de 46 anos, foi sufocado enquanto era imobilizado por um policial branco que colocou seu joelho no pescoço dele por quase nove minutos, em 25 de maio Imagem: REPRODUÇÃO

11/06/2021 15h24

O Prêmio Pulitzer, o maior reconhecimento dado a jornalistas por seus trabalhos, realizado pela Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, homenageou Darnella Frazier, que filmou a morte de George Floyd no ano passado. 

Darnella não é jornalista profissional, mas foi citada por Aminda Marqués Gonzáles, co-presidente do Comitê do Pulitzer durante a cerimônia de hoje.

Em 2020, a maior parte do ramo de notícias foi dominado pela pandemia que mudou todos os aspectos da vida, incluindo as redações jornalísticas.

Aliados a isso, houve o acerto de contas sobre a injustiça racial e a eleição presidencial dos Estados Unidos que, formaram a tríade de coberturas mais homenageadas com os prêmios Pulitzer.

Após 58 anos, pai encontra filho sequestrado em estação de trem na China.

"A magnitude dessas histórias e o ritmo com que se desenrolaram levaram muitos no mundo das notícias aos limites da resistência", disse Marqués González durante uma transmissão ao vivo.

"Grande parte do excelente trabalho deste ano teve como pano de fundo uma perda insondável, enquanto nossos colegas e concidadãos lamentam a morte de mais de 600.000 pessoas pela." 

Os prêmios reconhecem reportagens em jornais, revistas e veículos de notícias digitais.

O anúncio deste ano estava originalmente agendado para 19 de abril. 

Mas foi adiado para junho para que os membros da diretoria pudessem se reunir pessoalmente para avaliar as inscrições, em vez de escolher os vencedores remotamente.

O New York Times ganhou o maior prêmio dos Pulitzers, a homenagem por serviço público.

"O prêmio é concedido ao New York Times pela cobertura corajosa, precisa e abrangente da pandemia do coronavírus que expôs as desigualdades raciais e econômicas, falhas do governo nos Estados Unidos e além, preencheu o vácuo de dados que ajudou os governos locais, provedores de saúde, empresas e os indivíduos estarão mais bem preparados e protegidos ", disse o Conselho.

O Atlantic ganhou seu primeiro Pulitzer, com o redator Ed Yong recebendo o prêmio para reportagem explicativa. (As revistas se tornaram elegíveis para vencer em todas as categorias com os Pulitzers de 2017). 

O BuzzFeed News também foi o primeiro vencedor, reconhecido por reportagens internacionais.

Aqui está a lista completa dos prêmios concedidos na sexta-feira

SERVIÇO PÚBLICO - O jornal New York Times

REPORTAGEM DE NOTÍCIAS - Equipe do Star Tribune, Minneapolis, Minn.

RELATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO - Matt Rocheleau, Vernal Coleman, Laura Crimaldi, Evan Allen e Brendan McCarthy do The Boston Globe

RELATÓRIO EXPLICATIVO - Ed Yong do The Atlantic e Andrew Chung, Lawrence Hurley, Andrea Januta, Jaimi Dowdell e Jackie Botts da Reuters

RELATÓRIOS LOCAIS - Kathleen McGrory e Neil Bedi, do Tampa Bay Times

RELATÓRIOS NACIONAIS - Funcionários do Projeto Marshall; AL.com, Birmingham; IndyStar, Indianapolis; e o Instituto Invisível, Chicago

RELATÓRIOS INTERNACIONAIS - Megha Rajagopalan, Alison Killing e Christo Buschek do BuzzFeed News, Nova York

RECURSO DE ESCRITA - Nadja Drost, colaboradora freelance, The California Sunday Magazine e Mitchell S. Jackson, colaborador freelance, Runner's World

COMENTÁRIO - Michael Paul Williams, do Richmond (Va.) Times-Dispatch

CRÍTICA - Wesley Morris do The New York Times

ESCRITA EDITORIAL - Robert Greene do Los Angeles Times

FOTOGRAFIA DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Equipe de fotografia da Associated Press

FOTOGRAFIA DE RECURSO - Emilio Morenatti da Associated Press

RELATÓRIOS DE ÁUDIO - Lisa Hagen, Chris Haxel, Graham Smith e Robert Little da National Public Radio

CITAÇÃO ESPECIAL Darnella Frazier

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