GENERAL SANTOS CRUZ DECLARA GUERRA A BOLSONARO
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Santos Cruz declara guerra a Bolsonaro e diz que este não é o "seu exército"
Exército retoma o 'PADRÃO RIOCENTRO' de apreço pela verdade
Corpo dá sinais quando há EXCESSO de carboidrato; veja 7 deles
Trocar o macarrão BRANCO pelo INTEGRAL não é negócio "tão melhor": entenda
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“O Brasil corre o risco de AFUNDAR de maneira IRRECUPERÁVEL ”, diz Celso Amorim
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Corpo dá sinais quando há excesso de carboidrato; veja 7 deles

Sarah Alves
Colaboração para o VivaBem
04/06/2021 04h00
O corpo humano costuma enviar alguns sinais quando se consome algo em excesso. No caso dos carboidratos, além de problemas a longo prazo, há sintomas muitas vezes ignorados no dia a dia que podem ser consequências deles.
Apesar de principais fornecedores de energia, os carboidratos costumam ser considerados os "vilões" das dietas. Segundo especialistas, o segredo é dosar a quantidade nas refeições e escolher fontes saudáveis. A recomendação é optar por frutas, vegetais, tubérculos e raízes, conhecidos como carboidratos complexos —ricos em fibras, vitaminas, antioxidantes e mais nutrientes. Por outro lado, os farináceos (tudo o que leva farinha branca na receita) e os açúcares são os alimentos com pior efeito à saúde, pela baixa qualidade nutricional e também os principais responsáveis pelos sinais de excesso no corpo humano.
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"Carboidratos naturais são excelentes fontes de energia. Podemos consumir tranquilamente. Já açúcares, pães, massas, produtos altamente industrializados e coisas prontas trazem excesso de carboidrato, energia e calorias, e é aí onde mora o problema", comenta Cristiane Lauretti, endocrinologista da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Conheça abaixo sete sinais de problemas causados pelo excesso de carboidratos.

1. Produção de gordura e aumento de peso
O sinal mais comum é o aumento de peso. Isso acontece porque se consome mais carboidratos do que a dose necessária e, assim, mais energia que se gasta. A maior quantidade de insulina, hormônio produzido no pâncreas, ainda faz com que as células adiposas formem mais gordura na região abdominal.
Carboidratos simples ou processados (farináceos e açúcares) também levam mais tempo para serem digeridos. Isso faz com que a sensação de saciedade demore a chegar e influencie para que as pessoas comam mais.

2. Noites mal dormidas
Você está demorando a pegar no sono à noite? Se sim, é importante observar também a alimentação. Pelo maior tempo de digestão dos processados, optar por refeições ricas nesses carboidratos não é a melhor escolha. A justificativa é simples: alimentos que conferem mais energia prolongam o processo digestivo e podem atrapalhar o sono.
"O ideal é que se faça uma refeição mais leve, e não em cima da hora de dormir, para que o corpo tenha tempo de processar essa digestão. Assim, ele vai repousar e não ficar 'brigando' para fazer uma digestão adequada", explica a nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

3. Mais estrias
Se você observou mais estrias no corpo, saiba que um dos motivos pode ser a sua alimentação. Uma dieta rica em alimentos refinados está relacionada ao surgimento dessas lesões na pele, principalmente por sua relação com o efeito sanfona —a pele sofre estiramento rápido e não consegue adaptar-se à nova forma, o que provoca a ruptura de algumas fibras e, consequentemente, a formação de cicatrizes.

4. Cansaço excessivo
O estímulo à produção de gordura corporal causado pelo grande consumo de carboidratos também está associado ao cansaço. "Carboidratos na dose certa são combustíveis, mas em excesso geram cansaço no corpo", afirma o nutricionista Rafael Longhi, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Mais uma vez, a recomendação é optar por fontes complexas de carboidrato, já que, diferente dos processados, farão o corpo usar a energia mais lentamente e evitarão a constante sensação de esgotamento.

5. Problemas na boca
Cáries, inflamação da gengiva e mau hálito também podem ser resultado de uma alimentação em desequilíbrio de carboidratos. No primeiro caso, bactérias presentes na boca metabolizam o açúcar nos alimentos e tornam o pH da região ácido. Isso influencia em um processo de desmineralização do esmalte dos dentes e no consequente surgimento das cáries.
O açúcar ainda favorece o acúmulo de placa bacteriana que, caso não seja removida, pode causar mau hálito e gengivite (inflações na gengiva acompanhadas de inchaço e sangramentos).

6. Problemas genitais
Problemas genitais podem ser causados pela incidência de carboidratos no corpo. Novamente, é preciso observar todo o quadro de saúde ao avaliar quais as origens da condição. Mas, por exemplo, a candidíase registra um pH vaginal mais ácido, que tem relação com o excesso de glicose. Nessas situações, o consumo excessivo de alimentos processados pode impactar em mais corrimento e no avanço da infecção.
7. No rosto: mais acnes
O aumento de acne está associado à alimentação rica em carboidratos processados. Isso acontece porque produtos com farinha branca proporcionam maior produção de insulina, estimulando a pele a secretar mais óleo.
Quanto comer de carboidrato?
Além de fornecer energia, os carboidratos são importantes para preservar a massa magra, ajudar na imunidade e saúde da flora intestinal. Eles também são a principal fonte de antioxidantes, que protegem contra doenças crônicas. Por isso, seu consumo é importante para uma vida saudável.
Mas, qual o percentual ideal para cada um? O nutricionista Rafael Longhi explica que isso pode variar, porque depende da individualidade metabólica de cada pessoa --que engloba índice de gordura no corpo, peso e altura, além dos objetivos a serem alcançados.
"A diferença entre veneno e antídoto é a dose. Há cálculos para se determinar a quantidade correta de carboidratos para um indivíduo, que devem ser feitos com auxílio de nutricionista. Cada um tem a sua dose ideal, segundo suas características corporais e objetivos", reforça o professor da UFMG.
No entanto, como recomendação geral, os carboidratos devem representar de 50% a 65% do valor calórico total do dia, as gorduras em torno de 20 a 30% e as proteínas, de 15% a 20%. Na prática, na hora de montar seu prato, divida-o em quatro partes iguais: em uma delas coloque os carboidratos (arroz, batata, batata-doce, mandioca, mandioquinha); em outra, as proteínas (carne, peixe, ovo, frango); e nas outras duas partes que sobraram devem ir verduras e legumes pobres em carboidrato (brócolis, couve-flor, abobrinha).
Fontes: Cristiane Lauretti, endocrinologista da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo; Marcella Garcez, nutróloga, professora e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia); Rafael Longhi, nutricionista e professor de nutrição esportiva da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
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Úrsula Neves
Colaboração para o VivaBem
25/01/2020 04h00
Geralmente, as massas estão associadas aos divertidos almoços de domingo, com muita fartura e muito carboidrato. E aí as versões integrais, que apresentam mais fibras, aparecem como a solução para ter uma alimentação saudável e até mesmo reduzir o ganho de peso.
Mas será que apenas a troca da massa de farinha branca tradicional pela integral vai interferir tanto assim na quantidade de fibras que ingerimos diariamente?
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Nem tanto, como esclarece a nutricionista Clarissa Fujiwara. Para ela, é sempre importante avaliar o contexto, ou seja, tudo que a pessoa consome durante o dia. Por exemplo, supondo que o objetivo seja atingir a quantidade de 30 g de fibra alimentar diária, não é muito significativo o aumento de cerca de 2 g de fibra que traz a troca do macarrão branco (1,9 g de fibras) pelo integral (3,9 g de fibras) —ambos em uma porção de 100 g. "A substituição garantiria apenas 6% da necessidade diária de fibras, o que pode não representar um valor importante individualmente se a pessoa não tiver uma boa ingestão de legumes, verduras e frutas."
Segundo a nutróloga Karen Gusmão, especialista do Hospital Samaritano e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, quando a pessoa tem uma alimentação balanceada, com fibras, vitaminas e minerais, a troca do tipo de farinha não é tão necessária no dia a dia.
"Os acompanhamentos da massa são os fatores que irão influenciar a quantidade de fibras da refeição que favorecerá a melhoria do trato intestinal e, em contrapartida, na saúde de todo o organismo", explica.
E o integral ajuda quem quer emagrecer?
O ponto-chave desta questão é o índice glicêmico (IG), que no macarrão integral não é muito diferente do IG do macarrão de massa branca.
Segundo o endocrinologista Mario Kehdi Carra, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade), esse tipo de massa não traz tanta ajuda à perda de peso também. "O que é mais importante dentro do processo de emagrecimento é a quantidade de calorias dentro da alimentação diária da pessoa", explica o especialista.
Ainda de acordo com o especialista, o que vai pesar mais na balança em relação à massa integral ou à massa branca será o molho e os seus acompanhamentos, que podem ter mais gordura do que carboidratos.
Então como fazer um macarrão saudável e menos calórico?
O molho é o ponto de maior atenção ao preparar seu macarrão. É recomendável, por exemplo, evitar molhos mais gordurosos, como o branco, quatro queijos, carbonara e ainda os industrializados prontos.
Mesmo o molho de tomate tradicional pede cuidados, já que muitas pessoas costumam adicionar açúcar ou leite para reduzir a acidez do molho, o que pode somar calorias e gorduras desnecessárias à receita. "Uma solução é colocar cenoura ralada, que vai ajustar a acidez do molho e não tira as características sensoriais da receita", ensina a endocrinologista Maria Fernanda Barca.
Quanto consumir de macarrão?
O macarrão é um carboidrato como o arroz, a batata-doce e o pão. Todos eles devem representar cerca de 1/4 do prato, acompanhados por salada (em metade do prato), carnes magras (outro quarto do prato). Se ele for acompanhado de molhos com poucas gorduras, é possível então tê-lo como opção de carboidrato da refeição quantas vezes você quiser na semana.
Mas se for um prato cheio de macarrão com molhos gordurosos (branco, pesto, alguns de tomate, etc.), deverá ser consumido apenas uma vez na semana, considerando que as demais refeições serão saudáveis. O malefício está no consumo excessivo, seja do comum ou integral.
Confira as tabelas nutricionais dos dois tipos de macarrões:
Macarrão branco cozido
- Porção: 100 g
- Calorias: 149 kcal
- Proteínas: 7,5 g
- Gorduras: 0,8 g
- Fibras: 3,9 g
- Ferro: 1,7 mg
- Magnésio: 54 mg
- Zinco: 1,3 mg
- Vitamina B3: 3,1 mg
- Vitamina B6: 0,1 mg
- Índice glicêmico: 42
Fontes: Clarissa Hiwatashi Fujiwara, nutricionista, coordenadora de Nutrição da Liga de Obesidade Infantil do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e nutricionista do Departamento de Nutrição da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica); Daniel Barreto de Melo, nutricionista; Karen Gusmão, nutróloga do Hospital Samaritano e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia; Maria Fernanda Barca, endocrinologista, e Mario Kehdi Carra, endocrinologista e presidente da Abeso.
Fontes das tabelas: Harvard Medical School e USDA National Nutrition Database
Novo álbum de Iza terá mix de sons e participação de Rael e Luccas Carlos
Guilherme Lucio da Rocha
De Splash, em São Paulo
04/06/2021 04h00
Iza é espelho de realização e "Gueto", seu novo single apresentado hoje (4), é o reflexo da sua história.
No seu mais novo trabalho, a cantora fala sobre suas origens, a relação com Olaria, bairro do subúrbio carioca, onde nasceu, e como conseguiu ocupar espaços com sua música.
A cantora conversou com Splash sobre o lançamento e disse que esse é o seu som mais intimista. Por isso, se você quer conhecer um pouco mais sobre Iza, ouvir "Gueto" é a melhor dica que podemos te dar.

O trabalho abre as portas para o próximo álbum da cantora, que ainda não está finalizado. Ela não deu detalhes sobre data de lançamento ou o mesmo nome, porém ganhamos dois spoilers:
Iza contará com as participações dos rappers Rael e Luccas Carlos.
A cantora, que diz ter dificuldades para definir seu gênero musical, diz ter experimentado bastantes sonoridades. Ela conta que a musicalidade presente em "Gueto" é uma pequena demonstração do que o público pode esperar para o próximo lançamento.
A referência num país racista
Iza está na lista das pessoas mais influentes da nova geração segundo a revista TIME. A publicitária de 30 anos é uma referência, principalmente para jovens negros e negras nascidas no Brasil.
Para a revista americana, Iza explicou que a responsabilidade é muito grande, ainda mais vivendo num país "onde pessoas morrem todos os dias por conta do racismo". Sobre integrar uma lista tão seleta, a cantora reforçou para Splash que a ficha ainda não caiu.
O Brasil vive uma discussão sobre o posicionamento —ou a falta dele— de artistas de grande expressão com relação à política e sociedade. Recentemente, a cantora Claudia Leitte se desculpou por sua falta de indignação ao responder uma pergunta no programa "Altas Horas", da TV Globo.
Quem acompanha Iza sabe que ela tem posições bem demarcadas, principalmente com relação a temas raciais e de gênero. Ela diz que seu trabalho é sobre ocupação —e não ostentação.
Artista não é obrigado a nada, mas é muito interessante colaborar com a sociedade para além da nossa música.
Opinião - Reinaldo Azevedo: Exército retoma o 'padrão Riocentro' de apreço pela verdade
Maus militares já mancharam a honra das Forças em outras circunstâncias
Numa nota vergonhosa, pusilânime, o Centro de Comunicação Social do Exército informa que o comandante da Força, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, “analisou e acolheu os argumentos apresentados por escrito e sustentados oralmente” por Eduardo Pazuello “acerca da participação em evento realizado na cidade no Rio de Janeiro no dia 23 de maio de 2021”. É incentivo à baderna.
E qual foi mesmo a desculpa de Pazuello para subir no palanque de Jair Bolsonaro? Segundo ele, não se tratava de um evento político-partidário porque o presidente ainda não está filiado a nenhum partido. Maus militares já mancharam a honra de suas respectivas Forças em muitas outras circunstâncias. Ocorre-me uma, em particular, em que nada sobrou além de desmoralização.
Na noite de 30 de abril de 1981, no Riocentro, uma bomba explodiu, por acidente, no Puma GT em que estavam o sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Dias Machado. O primeiro morreu. O segundo se feriu gravemente. Outra bomba explodiu na miniestação elétrica que fornecia energia ao local. O SNI culpou organizações de esquerda —as mesmas que, ora vejam!, promoviam no local um show de resistência em homenagem ao 1º de maio.
O inquérito policial-militar não chegou a lugar nenhum. Reaberto o caso em 1999, o Superior Tribunal Militar chegou à conclusão estupefaciente, no ano seguinte, de que o atentado terrorista praticado pelos dois militares, em associação com outros, estava coberto pela Lei da Anistia. E tudo foi arquivado. Não há espaço para entrar em minudências. Os argumentos eram tão sólidos como os de Pazuello.
Por que apelo a um caso extremo? Porque, mais uma vez, o Partido Militar é sócio do poder. Parcerias sempre carregam tensões. O capitão reformado que, na ativa, chegou a imaginar ataques terroristas a instalações militares em razão de insatisfação salarial, já demitiu nove generais da reserva —em alguns casos, tentando lhes impor a desonra.
E daí? O alinhamento ideológico e as vantagens objetivas dessa sociedade se sobrepõem, então, à própria noção de honra. Ainda que tenha havido descontentamento no Alto Comando —parte dele defendeu com ênfase a punição a Pazuello—, o fato é que todos concordaram em deixar a decisão nas mãos de Nogueira de Oliveira. E ele fez o que fez. Bolsonaro deixou claro que considerava uma afronta pessoal a punição a um auxiliar seu.
Não serão apenas os milhares de mortos desse período que acabarão por pesar nos ombros das Forças Armadas —do Exército em particular. Restará também o óbvio incentivo à indisciplina e à bagunça, de desdobramentos ainda incertos. Militares responsáveis, que estivessem, de fato, empenhados em garantir a lei e a ordem, já teriam mobilizado suas respectivas áreas de inteligência para combater a evidente politização dos quartéis e das PMs —que são, afinal, forças auxiliares do Exército por determinação constitucional.
É certo que não mais haverá golpe militar no Brasil com a plasticidade típica dos tempos em que a América Latina era comandada por gorilas. Mas esse não é o único caminho que leva à destruição da democracia. O ataque criminoso da PM de Pernambuco contra manifestantes pacíficos ainda resta sem explicação. E, no entanto, está plenamente explicado.
As ações subversivas de Bolsonaro estão em curso. A tese de que as instituições são sólidas e podem resistir a esses desaforos está começando a virar mera rotina burocrática. Se crimes contra as instituições e os direitos fundamentais vão se repetindo sem a devida punição, então o poder legal se transforma em mera fachada de cumplicidade.
O ato de que Pazuello participou, de fato, não era exatamente político-partidário. Bolsonaro comandou uma manifestação golpista ao lado do general. Afirmou então: “O meu Exército Brasileiro jamais irá à rua para manter vocês dentro de casa. O meu Exército Brasileiro, a nossa PM e a nossa PRF. É obrigação nossa lutar por liberdade, democracia. O nosso exército são vocês. Mais importante do que o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário é o povo brasileiro”.
Por enquanto, temos as urnas.
Santos Cruz declara guerra a Bolsonaro e diz que este não é o "seu exército"

247 - Em veemente protesto pelas redes sociais, o general Santos Cruz sugere que militares devem se unir contra tentativa de desmoralização do Exército por jair Bolsonaro. Leia a íntegra:
"Ontem, 3 de junho de 2021, fui surpreendido com telefonemas e mensagens de dezenas de jornalistas sobre o encerramento do caso Pazuello. Em atenção ao trabalho que fazem, sempre respondo, mesmo que seja para informar que nada tenho a dizer. Mas ontem eu não disse nada. Por vergonha.
Por formação, me nego a fazer qualquer consideração sobre a decisão.
Sobre o conjunto dos fatos, é uma desmoralização para todos nós.
Houve um ataque frontal à disciplina e à hierarquia, princípios fundamentais à profissão militar. Mais um movimento coerente com a conduta do Presidente da República e com seu projeto pessoal de poder. A cada dia ele avança mais um passo na erosão das instituições.
Falta de respeito pessoal, funcional e institucional. Desrespeito ao Exército, ao povo e ao Brasil. Frequentemente, com sua conduta pessoal, ele procura desrespeitar, desmoralizar pessoas e enfraquecer instituições.
Não se pode aceitar a SUBVERSÃO da ordem, da hierarquia e da disciplina no Exército, instituição que construiu seu prestígio ao longo da história com trabalho e dedicação de muitos.
Péssimo exemplo para todos. Péssimo para o Brasil.
À irresponsabilidade e à demagogia de dizer que esse é o "meu exército", eu só posso dizer que o "seu exército" NÃO É O EXÉRCITO BRASILEIRO. Este é de todos os brasileiros. É da nação brasileira.
A politização das Forças Armadas para interesses pessoais e de grupos precisa ser combatida. É um mal que precisa ser cortado pela raiz.
Independente de qualquer consideração, a UNIÃO de todos os militares com seus comandantes continua sendo a grande arma para não deixar a política partidária, a politicagem e o populismo entrarem nos quartéis.
Reportagem: Danilo Lavieri - Discurso de Caboclo no vestiário causa vergonha em atletas e comissão
Danilo Lavieri
Colunista do UOL
05/06/2021 12h43
Atualizada em 05/06/2021 19h39
O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, segue se complicando na crise que começou com componentes políticos e se estendeu até o vestiário da seleção brasileira. Ontem (4), foi a vez de o dirigente causar constrangimento na delegação momentos antes de a bola rolar contra o Equador.
Aparentemente alcoolizado, ele tentou fazer um discurso para incentivar os atletas e não conseguiu nenhuma palavra em troca. De acordo com o que ouviu o blog, todos os envolvidos olhavam para o chão para evitar contato visual com o cartola. Ele chegou a forçar contato com apertos de mão e abraços e foi retribuído quase que por educação, inclusive horas antes do jogo no gramado do Beira-Rio, quando câmeras puderam captar alguns momentos.
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Como mostrou mais cedo o site "ge", o cartola participou da preleção, mas nem foi ao hotel em que o time estava concentrado por conta da denúncia de assédio sexual e moral que foi protocolada na Comissão de Ética da CBF por uma funcionária. O que mais incomodou é que ele fez todo o seu discurso como se nada disso estivesse acontecendo, tentando passar uma tranquilidade impossível de existir em uma situação como essa.
Além dos atletas e membros da comissão técnica, estavam no vestiário Clodoaldo, que foi tri na Copa de 1970 e é o chefe de delegação, Cafu, capitão do penta, além de Taffarel e Juninho, que também foram campeões do mundo e hoje são contratados da CBF. Gilberto Silva esteve no estádio, assistiu ao jogo de um camarote, mas não foi ao vestiário.
"Ele conseguiu piorar o que a gente achava que não ia piorar", foi o relato de uma das pessoas que estavam no discurso. "Já tínhamos ouvido falar sobre ele aparecer frequentemente alcoolizado, especialmente na sede da CBF, mas nunca tinha presenciado algo tão evidente no vestiário", completou outro ouvido pelo blog.
A reportagem tentou contato com Rogério Caboclo, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O cartola afirmou por meio de seus advogados que vai provar a inocência no caso da denúncia de assédio, mas ainda tem outros problemas para enfrentar.
Ele perdeu a sustentação política na entidade e agora ainda enfrenta um eventual boicote do grupo de jogadores à Copa América, competição que ele trouxe para o Brasil com apoio do Governo Federal. Há uma promessa de manifestação coletiva de todo o grupo sobre o tema após a partida de terça-feira, contra o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa.
Reportagem: Lei em Campo - Conselho de Ética da CBF convoca reunião extraordinária sobre Caboclo


Lei em Campo Gabriel Coccetrone
Gabriel Coccetrone
05/06/2021 18h07
O Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) convocou uma reunião extraordinária para hoje (5) para discutir a denúncia de assédio moral e sexual contra o presidente Rogério Caboclo. Seguindo o estatuto da entidade brasileira, os membros do conselho podem recomendar o afastamento preventivo do dirigente e convocar uma assembleia extraordinária para os próximos dias para se votar pela aplicação da sanção.
Em casos como esse, teriam direito a voto as 27 federações de futebol do Brasil e os 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Diretores, vice-presidentes e outros funcionários da CBF ficariam de fora.
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Algumas pessoas do futebol entendem que para se determinar o afastamento de Rogério Caboclo do cargo é preciso uma decisão do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), conforme prevê o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
A denúncia contra Rogério Caboclo foi protocolada no início da tarde de ontem (3) na Comissão de Ética da CBF e a Diretoria de Governança e Conformidade. De acordo com matéria do "ge", a funcionária possui provas do que narrou e pede que o dirigente seja investigado e punido com o afastamento da entidade e, também, pela Justiça Estadual. O caso pode trazer consequências imediatas, uma vez que houve uma denúncia formal. Para saber o que pode acontecer, o Lei em Campo consultou especialistas.
"A denúncia será avaliada pelo Comitê de Ética da CBF com base no que estabelece o Código de Ética da entidade, assim, Rogério Caboclo pode sofrer uma medida cautelatória e ser afastado preventivamente de suas atividades até que o caso seja totalmente apurado", afirma Gustavo Lopes, advogado especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.
Fernanda Soares, advogada especializada em direito desportivo e colunista do Lei em Campo, afirma que além do afastamento pelo Comitê de Ética da CBF, também há possibilidade da suspensão pela Justiça Desportiva por até 30 dias.
"Esse é um procedimento desportivo. Nada impede (e é o que deve acontecer) a abertura de um inquérito para averiguar as alegações e, se for o caso, as punições devidas no âmbito penal. Provavelmente o Comitê de Ética irá afasta-lo de forma preventiva", avalia a advogada.
Gustavo Lopes explica que em casos de afastamento, como já aconteceu no passado recente da entidade, o estatuto da CBF prevê que quem assume o cargo provisoriamente é o vice-presidente mais antigo, no caso o Coronel Nunes.
"Se o Comitê de Ética declarar o afastamento for definitivo, são convocadas novas eleições para a definição de um substituto ao cargo", completa Gustavo.
Confira as punições previstas pelo Código de Ética e Conduta da CBF
"Art. 21 As violações a este Código pelas pessoas a ele submetidas ou as infrações de quaisquer outras regras e regulamentos da CBF, das Federações, das Ligas e dos Clubes são passíveis de punição, cumulativas ou não, das seguintes sanções:
I) Advertência, reservada ou pública;
II) Multa, de até R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais);
III) Prestação de trabalho comunitário;
IV) Demissão por justa causa;
V) Suspensão, por até 10 anos;
VI) Proibição de acesso aos estádios, por até 10 anos;
VII) Proibição de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol, por até 10 anos;
VIII) Banimento.
Art. 22 A Comissão de Ética poderá recomendar ao órgão apropriado da CBF que proceda notificação às autoridades policiais e judiciais competentes.
PARÁGRAFO ÚNICO A aplicação de sanções aos dirigentes eleitos ficará sujeita à confirmação das Assembleias Gerais Administrativas das respectivas entidades, exigindo-se aprovação de 3/4 (três quartos) da totalidade de seus membros.
Art. 35 Em conformidade com o disposto no Estatuto da CBF, a Comissão de Ética é definida como instância independente com poderes para aplicar as sanções por infrações éticas às pessoas submetidas a este Código.
Art. 36 Salvo disposição em contrário, as violações a este Código estarão sujeitas às sanções nele previstas, por conduta dolosa omissiva ou comissiva.
Art. 37 A Comissão de Ética será composta por um Presidente, uma Câmara de Investigação e uma Câmara de Julgamento. Art. 38. Cada uma das Câmaras será composta por 3 (três) membros, dentre eles o Presidente da Comissão de Ética, designados pela Diretoria da CBF, de acordo com a natureza das demandas"
A denúncia
Os abusos teriam ocorrido contra uma funcionária, autora da denúncia, a partir do mês de abril do ano passado. Segundo o que foi narrado por ela, houve casos de constrangimentos sofridos em viagens e reuniões com o presidente e na presença de diretores da CBF. Na denúncia, ela detalha uma série de comportamentos abusivos de Caboclo, em especial dois, quando ele perguntou se ela se "masturbava" e quando a forçou comer um biscoito de cachorro, chamando-a de "cadela".
A funcionária também afirma que o presidente da CBF expôs sua vida pessoal para outros funcionários, com narrativas falsas criadas pelo presidente acerca de supostos relacionamentos que teria tido no âmbito da confederação. A denúncia afirma que os abusos eram de conhecimento de outros diretores.
Apesar de a denúncia ter sido formalizada, o tema já era de conhecimento dos principais nomes da CBF há pelo menos um mês e meio, quando a funcionária relatou para colegas e superiores que vinha sendo assediada por Caboclo. Os problemas envolvendo o nome do presidente começaram a surgir no dia 12 de maio, quando a ESPN revelou áudios que mostravam a crise dentro da entidade brasileira e a interferência do ex-presidente Marco Polo Del Nero, banido pela Fifa de atividades relacionadas ao futebol, dentro do comando da confederação.
Na ocasião, o Lei em Campo explicou em que situações a entidade máxima do futebol poderia agir e interferir dentro da CBF. Como até então não havia denuncia formalizada, nada foi feito.
Para Fernando Monfardini, advogado especialista em Compliance, o caso traz inúmeros impactos negativos para a CBF e reforça necessidade de mudança de sua governança.
"A CBF esboçou uma reestruturação, mas como não foi feito algo profundo de fato, que alterasse a estrutura política, a entidade nunca conseguiu superar totalmente as desconfianças. Agora, com esse escândalo só reforça que a CBF precisa de uma mudança significa de sua governança. A acusação traz um impacto grande, porque além da mancha da corrupção recente a entidade fica marcada com um presidente acusado de assédio sexual, que é tão grave quanto. Além do próprio fato em si a mensagem que passa é que a CBF não consegue melhorar", avalia o especialista.
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Opinião: Leonardo Sakamoto - Tite chamado de 'comunista' é campanha padrão de linchamento bolsonarista
Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
05/06/2021 16h27
Tite, técnico de nossa seleção de futebol, vem sendo chamado de "comunista" por bolsonaristas nas redes sociais simplesmente porque externou a insatisfação de jogadores e comissão técnica com a realização da Copa América no Brasil, no momento em que a covid-19 volta a escalar. O fascinante é que parte dos fãs do presidente não faz ideia do que seja comunismo.
Antes de mais nada, deve ser muito difícil para quem abre mão de sua capacidade de reflexão imaginar que atletas tenham ficado insatisfeitos individualmente com a situação, percebido através do diálogo que a insatisfação era coletiva e buscado externá-la no grupo e à sociedade. Preferem acreditar que foi Tite quem fez a cabeça dos marmanjos, o que significa, na prática, chama-los de idiotas.
Isto não é um texto sobre os prós e contra do comunismo, mas uma tentativa de entender como uma groselha como "Tite comunista" se torna trending topic, para além da ação de robôs e redes de ódio.
Graças à sabedoria que circula nas redes sociais, descobrimos, desde as eleições de 2018, que a cantora Madonna, a revista Economist, as Nações Unidas, o jornal New York Times, a Rede Globo, o Facebook, o Twitter, o cantor Roger Waters, o filósofo e economista conservador Francis Fukuyama, a deputada de extrema-direita Marine Le Pen, banqueiros multibilionários e a multinacional Pfizer são comunistas. Além de Tite, claro.
Bolsonaristas chegaram a chamar a Embaixada da Alemanha de comunista por ela ter postado um vídeo explicando que o nazismo é um movimento de extrema-direita após o presidente afirmar que ele era de esquerda ao visitar o Memorial do Holocausto. Pior, nossos conterrâneos disseram aos alemães que eles não entendiam muito bem o que era o nazismo. Como na vez que tentarem explicar a Roger Waters, fundador do Pink Floyd, a intenção por trás de Another Brick in the Wall, sua própria música.
Como já escrevi aqui, é claro que muitos que "xingam" pessoas ou instituições de comunistas não compreendem o que isso, de fato, significa - o que nos leva a lamentar que falhamos na educação do país. Caso as pessoas soubessem História e estivessem atentas ao que se passa à sua volta, buscando saber as manifestações do comunismo no Brasil e no redor do mundo, poderiam criticá-lo de forma mais embasada. E, acredite, há muitas críticas a serem feitas.
O macarthismo tupiniquim inaugurado com o processo de impeachment de Dilma Rousseff fez com que pessoas fossem perseguidas por suas ideologias e até caçadas nas ruas só porque estavam vestidas de vermelho. Bolsonaro foi além e tem fomentado a ficção de que vivemos sob o risco de uma ditadura comunista. Visto como delírio por quem é bem informado, a ameaça de um fantasma é uma excelente forma de manter o seu público engajado.
Há um esvaziamento do sentido original da palavra. Não raro, muitos que chamam alguém de comunista, acham que estão usando um palavrão genérico.
Despida de seu significado, o termo também se tornou um elemento de identificação de grupo. Ou seja, uma postagem chamando a Pfizer ou o técnico da seleção de comunistas imediatamente passa uma mensagem compreendida pelos demais membros do grupo, gerando conexão. De que aquilo é ruim, de que não deve ser consumido, de que deve ser combatido.
E isso não é monopólio da loucura que cresce nas redes sociais ou aplicativos de mensagens. Tive a oportunidade de ouvir no Congresso Nacional que o combate ao trabalho escravo, ao trabalho infantil e ao tráfico de pessoas são coisa de "comunista". Ou seja, o combate ao trabalho escravo, que, em última instância, significa garantir que o contrato de compra e venda de força de trabalho, base do capitalismo, seja feito corretamente, é expressão do comunismo. Tudo para maquiar interesses de quem lucra com isso.
O próprio Gabinete do Ódio, que serve a Bolsonaro, não está interessado no posicionamento ideológico de Adenor Leonardo Bachi, conhecido por nós como Tite. Mas ele foi escolhido como o bode expiatório e apanha publicamente porque jogadores e comissão técnica resolveram demonstrar seu descontentamento frente a uma decisão da Conmebol, da CBF e do presidente da República.
Jair precisa garantir que essa insatisfação não se transforme em boicote à competição, pois seriam ídolos do futebol, que costumam não se envolver em política, deixando claro que ele mandou mal de fazer a Festa do Corona Sul-Americano ao trazer dez seleções e suas equipes e jornalistas para um dos covidários do mundo.
A palavra "comunismo" retirada de seu sentido original, de propriedade comum dos meios de produção e da ideologia por ela sustentada, se tornou no Brasil um simples comando para o linchamento digital, independentemente de quem esteja do outro lado. O objetivo é tirar a credibilidade e destruir, muitas vezes para servir de exemplo.
Isso, claro, não cola em boa parte da população, que percebe o quão bizarro é esse processo. Mas é o suficiente para vacinar com realidade paralela fãs e seguidores do presidente para que não percam a fé no capitão. Bem, pelo menos esse tipo de vacina ele nunca deixou faltar no país.
Como já disse aqui, hoje a palavra é "comunismo". Amanhã, quem sabe, será "democracia".
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
Na contramão de Pazuello, sargento da Marinha gay e de esquerda se vê perseguido após críticas a Bolsonaro
Michel Santos, candidato a vereador em 2020, foi alvo de três sindicâncias na Escola Naval
Na contramão do general da ativa Eduardo Pazuello, que se livrou de punição do Exército após participar de ato político com Jair Bolsonaro, um terceiro-sargento da Escola Naval da Marinha já foi alvo de três sindicâncias após se manifestar contra o presidente da República.
A defesa de Michel Santos, 30, que foi candidato a vereador pelo PSB nas últimas eleições, atribui as investigações a uma perseguição contra o militar, por ser homossexual e de esquerda. Os procedimentos foram noticiados pela coluna PerifaConnection e pelo UOL no ano passado.
Após publicar nas redes sociais conteúdos críticos a Bolsonaro, Santos respondeu à primeira sindicância na Marinha em agosto de 2020, denunciado por suposta ofensa ao presidente e seus familiares. Ao ser ouvido em setembro, o militar permaneceu em silêncio.

Em audiência disciplinar em janeiro de 2021, sua defesa alegou que as provas apresentadas, prints de um celular, eram duvidosas. Afirmou que Santos não se recordava se havia sido ele ou sua assessoria de campanha o autor das publicações.
Em uma delas, em agosto, o militar pergunta: "Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?".
Segundo o regulamento da Marinha, são contravenções disciplinares "atingir física ou moralmente qualquer pessoa, procurar desacreditá-la ou concorrer para isso", "desrespeitar ou desconsiderar autoridade civil" e "manifestar-se publicamente a respeito de assuntos políticos ou tomar parte fardado em manifestações de caráter político-partidário".
A advogada de Santos, Bianca Figueira, mostrou na audiência que o próprio oficial que denunciou Santos havia publicado diversos conteúdos favoráveis a Bolsonaro, incluindo uma foto com o presidente, nas redes sociais.
A Marinha, então, decidiu abrir nova sindicância, na qual Santos não foi ouvido. Nesse novo procedimento, foi considerado que o militar transgrediu o regulamento disciplinar da instituição porque teria faltado com a verdade em sua primeira audiência ao colocar em dúvida os elementos trazidos na denúncia. Assim, ficou determinado que ele deveria cumprir dois dias de prisão.
“É nítido e notório que ele [Santos] está sendo perseguido porque é um militar de esquerda e homossexual”, afirma Figueira à Folha.
Procurada para comentar as declarações da advogada, a Marinha não respondeu até a publicação desta reportagem.
Enquanto Santos cumpria o primeiro dia de prisão, em março deste ano, sua advogada entrava com um pedido de habeas corpus na Justiça Federal do Rio de Janeiro.
Na peça, Figueira narrou que o terceiro-sargento começou a perceber um comportamento “incisivo e persecutório, imotivado e descabido” por parte de seus superiores e mesmo daqueles que não estavam na sua linha hierárquica, por ter se filiado a um partido de esquerda.
“Sua vida na caserna começava a piorar de forma assustadora e, embora tentasse realizar suas atividades profissionais de forma límpida e proficiente, não conseguia agradar alguns de seus superiores hierárquicos que buscavam encontrar alguma falha, qualquer que seja, para que pudesse lhe chamar à atenção, direcioná-lo a alguma atividade extra ou mesmo puni-lo”, dizia o pedido.
A liminar foi concedida pela 7ª Vara Federal Criminal, com manifestação favorável do Ministério Público Federal, e o militar foi solto no mesmo dia. Em maio, a juíza Caroline Figueiredo confirmou sua decisão anterior.
A magistrada entendeu que houve infringência da norma constitucional e violação da ampla defesa ao condenar Santos sem que ele tivesse sido ouvido na sindicância.
“Em situações como a dos autos nas quais a autoridade competente constata a eventual prática de ato que possibilite privação de um direito tão precioso quanto a liberdade, deve garantir o pleno e efetivo exercício do direito de defesa ao imputado”, escreveu a juíza.
Quando o problema parecia ter sido resolvido, porém, Santos foi alvo de nova denúncia no Ministério Público Militar, que pediu esclarecimentos para a Escola Naval.
Nova sindicância foi aberta há cerca de duas semanas para apurar se o terceiro-sargento recebeu remunerações para além da Marinha. O militar ativo não pode exercer qualquer outra atividade formal.
Figueira afirma que no ano passado Santos participou como roteirista de uma transmissão ao vivo nas redes sociais e que recebeu uma remuneração pontual por esse trabalho.
A defesa irá sustentar que o evento foi isolado e que não pode ser considerado como uma atividade remunerada. A advogada diz que a denúncia foi anônima. “Querem pegar o Michel", afirma.
Homofobia: Vítima de estupro coletivo em Florianópolis está em estado grave

Julia V. Kurtz
Colaboração para o UOL, de Passo Fundo (RS)
05/06/2021 19h45
Atualizada em 05/06/2021 21h43
Um jovem gay de 22 anos foi internado em estado grave no hospital após ser estuprado por três homens. O crime ocorreu em Florianópolis (SC), na segunda-feira (31), mas só foi divulgado pela polícia ontem.
O caso corre em segredo de justiça e a maior parte dos detalhes não foi revelado. Informações preliminares divulgadas pela polícia apontam que a vítima foi abordada pelos criminosos no centro da cidade. Durante o estupro, os suspeitos utilizaram objetos cortantes inseridos em seu ânus.
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Em um momento do ataque, a vítima foi obrigada a escrever palavras homofóbicas no corpo, como "veado", com os objetos cortantes para que deixassem cicatrizes. Após o crime, ele foi abandonado na rua em estado grave e levado ao hospital, onde permanece internado em estado grave.
O atendimento inicial do caso foi feito pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Florianópolis e, em seguida, repassada para a 5ª Delegacia de Polícia da Capital. A polícia informou, em nota, que já tomou as providências necessárias e não vai se manifestar sobre o caso no momento.
A suspeita principal é que a vítima tenha sido alvo de crime de ódio.
O caso está sendo acompanhado pela Comissões de Direito Homoafetivo e Gênero e do Direito da Vítima da OAB-SC, que divulgou uma nota repudiando o ocorrido. "As Comissões estão diligenciando esforços, junto às delegacias especializadas e entidades de proteção à comunidade LGBTQIA+, para obtenção de informações sobre a apuração da autoria do crime e no auxílio jurídico e atenção aos familiares da vítima, manifestando, desde já, toda a solidariedade", disse a entidade.
Segundo a presidente da Comissão de Direito Homoafetivo e Gênero da OAB-SC, Margareth Hernandes, se manifestou publicamente lamentado o crime. "Mais um dia de violência no país que mais mata homo e transexuais no mundo. (...) Discursos de ódio são aplaudidos e (...) pesoas morrem de forma cruel", afirma, em uma rede social.
Confira a íntegra da nota da OAB-SC:
"A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Santa Catarina, através das Comissões de Direito Homoafetivo e Gênero e do Direito da Vítima, vêm a público manifestar repúdio ao crime bárbaro cometido na cidade de Florianópolis, contra um jovem gay de 22 anos, que de forma cruel foi torturado, estuprado e tatuado sob coação, com dizeres homofóbicos, permanecendo em estado grave no hospital.
As Comissões informam estar diligenciando esforços, junto às delegacias especializadas e entidades de proteção à comunidade LGBTQI+, na obtenção de informações sobre a apuração da autoria deste horrível crime e no auxílio jurídico e atenção aos familiares da vítima, manifestando, desde já, toda a solidariedade.
É mister reforçar o papel institucional destas Comissões, no sentido de trabalhar com a prevenção dessas violências, amparar as vítimas e buscar a punibilidade dos responsáveis por essa e inúmeras situações similares, que compõem um verdadeiro genocídio da população LGBTQI+, assistido frequente e cotidianamente no Brasil atual."
Internado com covid-19, R.R. Soares anunciou água consagrada como cura
Do UOL, em São Paulo
05/06/2021 12h47
Internado com covid-19 no Rio de Janeiro, o pastor R.R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, prometeu curas milagrosas para a doença no início da pandemia, como uma água "consagrada" por ele em ritual.
Segundo apuração do UOL, o missionário chegou ontem ao Hospital Copa Star, em Copacabana, na capital fluminense. Ainda não foram divulgadas informações sobre seu estado de saúde.

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No ano passado, sem provar a efetividade, o pastor anunciou métodos que ele afirmava que livrariam os fiéis do coronavírus, enquanto pedia doações para sua igreja.
Em abril, R.R. Soares ensinou uma oração-comando que "expulsaria" o vírus do corpo. "Corona, sai daquela pessoa no hospital agora, em nome de Jesus Cristo. Vai embora, acabou. A bênção chegou e todo o mal está desfeito. Em nome de Jesus Cristo. Aí você levanta os braços e diga: 'Obrigado, Jesus, eu creio", disse na ocasião, usando máscara.
Já em maio, ele anunciou que fiéis de sua igreja se curaram da covid-19 graças a uma "água consagrada". O colunista do UOL Ricardo Feltrin publicou que o pastor falava das propriedades "milagrosas" de uma oração feita por ele somada à ingestão de água consagrada, enquanto pedia doações aos fiéis em seus programas.
De acordo com os especialistas, as melhores formas de se proteger da covid-19 são com medidas de distanciamento social, uso de máscaras e vacinação.
R.R.Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus em 1980, após romper com o cunhado Edir Macedo. Ele é cofundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
Além de pastor, R.R. Soares é dono da RIT TV, uma emissora UHF, e da Nossa TV, uma operadora de TV paga. Ele também tem programas como Show da Fé, exibido em emissoras como a Band e a Rede TV!.
"Caiu a Al Qaeda bolsonarista", diz Fábio Pannunzio, sobre Allan dos Santos

247 – "A escória da internet está agitada com a revelação dos negócios do terrorista Allan dos Santos. Uma multidão de robôs e reses furiosas atacando todo mundo e espalhando fakes pelas redes. Conclusão óbvia: caiu a base estrutural da Al Qaeda bolsonarista", escreveu o jornalista Fábio Pannunzio, da TV Democracia, ao saber das notícias sobre o caso de Allan dos Santos e suas ligações com os ataques à democracia.
Decisão de não punir Pazuello sob pressão de Bolsonaro foi extremamente pensada, diz general Ramos

247 - Em entrevista ao Globo neste domingo (6), o general José Luiz Ramos, chefe da Casa Civil da Presidência da República, diz que a decisão do Exército de isentar o general Eduardo Pazuello de uma punição por ter participado de uma manifestação com Jair Bolsonaro foi “extremamente pensada”.
Segundo Ramos, o comandante do Exército, ao analisar a história de vida do Pazuello, considerou que aquele fato não constituiu transgressão. "O passado pesa na decisão do comandante. Não é só no caso do Pazuello. Em qualquer transgressão disciplinar, de soldado a general, são analisadas as condicionantes da transgressão e a pessoa do transgressor".
A decisão de não punir o general Pazuello foi tomada pelo comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira Oliveira, sob pressão direta de Jair Bolsonaro. Para Ramos, é preciso aceitar que Jair Bolsonaro “é o comandante supremo” das Forças Armadas.
Pazuello cometeu ato de indisciplina segundo o regulamento do Exército, ao participar, em 23 de maio, em um ato ao lado de Bolsonaro. Na ocasião, o ex-ministro da Saúde subiu em um carro de som com o ocupante do Palácio do Planalto e outros aliados depois de um passeio de moto no Rio de Janeiro (RJ).
Segundo Ramos, não se pode usar “pesos iguais com pessoas que têm comportamentos diferentes”. O ministro diz que Pazuello participou do ato como civil e que a decisão de comparecer em manifestações “é pessoal de cada um”.
O general Ramos descarta que o Brasil esteja vivendo uma crise institucional, porque, segundo sua visão, Bolsonaro não cometeu nenhum ato "próximo à quebra do estado democrático de direito ou de afronta à Constituição".
Ramos deixa implícita uma ameaça, ao dizer que Bolsonaro poderia editar um decreto que garanta a liberdade de ir e vir da população durante a pandemia da covid-19, contrariando medidas de restrições impostas por governadores e prefeitos. Ele ainda critica as autoridades locais e o STF, ao afirmar que faltou um debate sobre o isolamento social e que as decisões foram impostas "goela abaixo”.
O general Ramos critica também a CPI da Covid. Em sua opinião, está havendo um uso demasiado político da CPI para atingir o presidente Bolsonaro”.
O chefe da Casa Civil defende as alianças de Bolsonaro com o chamado centrão, agrupamento de direita liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira: O que há, em sua opinião é um “alinhamento de base para poder permitir votações”, acrescentando que isto não é "velha política", pois "quem está alinhado ao governo tem direito de ter espaço no governo".
“O Brasil corre o risco de afundar de maneira irrecuperável”, diz Celso Amorim

247 - O ex-chanceler dos governos Lula, Celso Amorim, analisou em entrevista à TV 247 as ações do governo Bolsonaro que levaram à devastação do Brasil. Para ele, as manifestações do 29M são fundamentais para “salvar” o país.
“A luta contra o bolsonarismo é uma luta fundamental do povo brasileiro. É isso que nós temos que derrotar no plano imediato. Eu até estou arrependido porque não fui nessa manifestação, mas agora que já tomei a segunda dose da vacina, se tiver outra manifestação, eu vou. Acho que é muito importante”, disse o chanceler.
“O que interessa uma vida no meio de tantas vidas do povo brasileiro? Temos que salvar o Brasil. O Brasil corre o risco de afundar de uma maneira irrecuperável, porque cada dia acontece uma coisa. Acontece a Eletrobras, acontece no plano cultural, dos direitos humanos, do clima, no banditismo”, listou.
Celso disse que se preocupa especialmente com a brutalidade das forças policiais, como ocorrido no ato em Recife no último sábado, dia dos atos, quando dois homens ficaram cegos de um olho após terem sido atingidos com balas de borracha pela Polícia Militar. O comandante da PM caiu na noite de terça-feira (1º).
“Salvar o Brasil já era difícil antes. Esquecemos que na época do Fernando Henrique, na época do Lula, que acreditávamos estar em governos normais, o [Marcelo] Freixo teve que pedir proteção da polícia. Então, imagina hoje. Hoje quem vai pedir proteção para a polícia não sabe nem que tipo de proteção que é”, refletiu o ex-ministro.
“As polícias são subordinadas aos governos estaduais. Nós vimos a polícia de Pernambuco sendo agressiva com os manifestantes. Então, o Brasil está muito ameaçado de afundar de uma maneira irrecuperável. Pensamos que isso não é possível, é possível sim. Claro que daqui a 100 anos, 50 anos é outra coisa, mas será irrecuperável para os meus filhos e netos. Então, temos que nos manifestar. A próxima manifestação que tiver dessa maneira, que tiver palanque para eu falar da área internacional, eu vou”, completou.


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