PROTEÇÃO VACINAL: ______________________________________ ALERTA : TESTES para diagnóstico de Covid-19 NÃO atestam PROTEÇÃO VACINAL _______________________________________ “Os testes disponíveis NÃO foram avaliados para VERIFICAR o NÍVEL de PROTEÇÃO contra o novo coronavírus”.
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* Conheça HOTÉIS e POUSADAS que apostam na produção de ORGÂNICOS como uma das ATRAÇÕES *
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Testes para diagnóstico de Covid-19 não atestam proteção vacinal
Congresso dos EUA aprova 19/06 NOVO FERIADO NACIONAL, em homenagem ao FIM da ESCRAVIDÃO com 415 votos a FAVOR e 14 CONTRA
Bolsonaro não se deterá diante de nada para manter-se no poder
O momento militar - Lincoln Secco
* MARCO FRENETTE, ex-editor de Caros Amigos é o homem BRANCO por trás da “QUEIMA” de livros na Fundação Palmares. ___________________________ * ELE foi uma das pessoas MAIS HUMANISTAS e EDUCADAS que conheci. __________________________ * É algo que supunha IMPOSSÍVEL quando tomávamos cerveja e outras bebidas e falávamos de CULTURA e POLÍTICA nos bares da Vila Madalena.
Irã DRIBLOU Trump e Netanyahu - Guga Chacra
A Bic de Bolsonaro e as escolhas iminentes para o STF, PGR e TSE
Falta de parafusos e soldas inacabas podem ter ocasionado acidente no metrô que matou 26 no México
Hong Kong usa Lei de Segurança Nacional para prender jornalistas e fazer batida em jornal pró-democracia
1970 - há 50 anos, Monstro do Morumbi: O serial killer que estrangulava mulheres em São Paulo * José Bezerra foi SOLTO em NOVEMBRO de 2001, aos 56 anos. * NÃO se sabe seu PARADEIRO atual. * Se estiver vivo, tem 75 anos.
Livro de ex-pastor que Universal tentou censurar nos anos 1990 é relançado * Mário Justino relata bastidores com 'sexo, dinheiro e drogas' misturados com 'orações e salmos de Davi'
O Brasil que tanto fez, agora tanto faz - Carol Proner
O Circo dos Horrores do Bolsonarismo - Cláudio Furtado
O Partido Comunista é o dirigente da construção do socialismo chinês - José Reinaldo Carvalho
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Congresso dos EUA aprova 19/06 NOVO FERIADO NACIONAL, em homenagem ao FIM da ESCRAVIDÃO com 415 votos a FAVOR e 14 CONTRA
O dia 19 de junho é o novo feriado nacional, iniciativa, ligada à abolição da escravidão

Sputnik - Nesta quarta-feira (16), o Congresso dos Estados Unidos decidiu declarar o dia 19 de junho novo feriado federal.
,A iniciativa, ligada à abolição da escravidão, foi aprovada com 415 votos a favor e 14 contra e será enviada ao presidente Joe Biden.
O dia 19 de junho comemora o dia em que os últimos escravos afro-americanos souberam que eram livres.
Nesse dia, em 1865, os soldados norte-americanos da União anunciaram a notícia da liberdade em Galveston, estado do Texas, EUA.
Será o primeiro novo feriado federal desde a criação do Dia de Martin Luther King em 1983.
A autora da iniciativa, Sheila Jackson Lee, explicou a proposta pelo desejo de comemorar o fim do sistema da escravidão nos EUA.
Testes para diagnóstico de Covid-19 não atestam proteção vacinal
O alerta é da Anvisa que divulgou nota técnica sobre o assunto

Agência Brasil - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que os testes para diagnóstico de covid-19 disponíveis no mercado não devem ser utilizados para atestar o nível de proteção contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) após a vacinação.
Isso porque estes testes NÃO têm essa FINALIDADE.
Segundo a Anvisa, é importante informar a população que os produtos atuais registrados no Brasil possibilitam apenas a identificação de pessoas que tenham se infectado pelo Sars-CoV-2.
“Os testes disponíveis NÃO foram avaliados para verificar o nível de proteção contra o novo coronavírus”.
A Agência ressalta também que, mesmo quando usados para a finalidade correta, os resultados fornecidos pelos testes só devem ser interpretados por profissionais de saúde.
A agência reforça, ainda, que NÃO HÁ embasamento CIENTÍFICO que CORRELACIONA a presença de ANTICORPOS contra o Sars-Cov-2 no organismo e a PROTEÇÃO à reinfecção.
Sendo assim, NENHUM resultado de teste de anticorpo (neutralizante, IgM, IgG, entre outros) deve ser interpretado como GARANTIA de IMUNIDADE e NEM mesmo indicar ALGUM nível de PROTEÇÃO ao novo coronavírus.
Irã driblou Trump e Netanyahu | Guga Chacra - O Globo

Ao longo de seus 12 anos no poder em Israel, Benjamin Netanyahu aproveitou quase todas as oportunidades em que teve um interlocutor ou uma audiência estrangeira para mencionar a suposta ameaça nuclear iraniana. Todos os anos, no palanque da Assembleia Geral das Nações Unidas, dizia que o Irã estava a poucos meses de uma bomba atômica se nada fosse feito. Chegou a levar um desenho em um de seus discursos para dar o seu show.
Até o último minuto de seu governo em Israel, insistiu na ameaça iraniana em discurso na Knesset (Parlamento de Israel). Disse que seria um erro o retorno dos EUA ao JCPOA, como é conhecido o acordo nuclear entre o Irã e as grandes potências. Agora na oposição, certamente continuará com essa sua “cruzada” contra os iranianos e o novo governo americano. Obviamente, também contra o novo governo israelense, embora este já tenha se posicionado contra o acordo nuclear.
O problema é que Netanyahu perdeu. Não apenas em Israel. Também na questão nuclear iraniana. Toda a sua estratégia foi focada em derrotar os democratas nas eleições de 2016 e provar que seria possível um acordo melhor do que o negociado por Obama, caso sanções ainda mais duras fossem aplicadas. Bibi, como é conhecido o premier israelense, atingiu seu objetivo com a chegada de Donald Trump ao poder e sua decisão de retirar os EUA do JCPOA, apesar de o Irã estar respeitando as regras segundo os serviços de inteligência dos EUA e dos outros signatários, além da própria Agência Internacional de Energia Atômico.
Parecia uma vitória do líder israelense, mas esse experimento dele e de Trump fracassou, como sabemos. O Irã não se rendeu, apesar de as sanções terem sufocado ainda mais a economia iraniana, afetando acima de tudo a população mais pobre. Ao contrário, o regime de Teerã passou a enriquecer e armazenar urânio bem acima dos patamares permitidos pelo JCPOA. Nos próximos meses, deve voltar a respeitar as regras com o provável retorno dos EUA, agora governados por Biden, ao acordo nuclear. Afinal, Netanyahu também perdeu em Washington, com a derrota de seu aliado republicano na tentativa de se reeleger.
Tampouco o Irã reduziu sua influência no Oriente Médio, ao contrário do que previam Netanyahu e Trump. Mesmo com a ação dos EUA para matar Qassem Soleimani, principal líder das Guardas Revolucionárias, os iranianos têm saído vitoriosos nos principais conflitos na região. Na Síria, Bashar al-Assad venceu a guerra com a ajuda do Irã e da Rússia. A oposição jihadista ligada à al-Qaeda controla apenas uma província. Os americanos também estão praticamente fora do Iraque, onde as milícias xiitas pró-Irã se fortaleceram. O Hezbollah mantém sua aliança com os cristãos libaneses da Frente Patriótica Nacional do presidente Michel Aoun no Líbano, além de possuírem um arsenal de dezenas de milhares de mísseis apontados contra Israel. O Hamas, no último conflito em Gaza, mostrou ser capaz de atingir Tel Aviv. Os houthis, por sua vez, seguem no poder no Iêmen.
Para completar, Netanyahu e Trump ajudaram indiretamente a linha dura iraniana. Desta vez, não há candidatos fortes reformistas, como o ex-presidente Mohammad Khatami, ou moderados, como o atual, Hassan Rouhani. A tendência é que seja eleito o conservador Ebrahim Raisi, chefe da Justiça iraniana e cotado para ser líder supremo no futuro no lugar do aiatolá Khamenei.
A Bic de Bolsonaro e as escolhas iminentes para o STF, PGR e TSE | Lauro Jardim - O Globo

Brasília vive a expectativa de um anúncio triplo nas próximas semanas, todos chancelados pela Bic de Jair Bolsonaro:
*a indicação do substituto de Marco Aurélio Mello no STF. André Mendonça continua mais do que o favorito para ser o escolhido.
*a recondução de Augusto Aras para mais um mandato à frente da PGR.
*a escolha da nova juíza-substituta do TSE, cargo para o qual três advogadas concorrem. Apoiada pelo Centrão, pela Associação Brasileira de Juristas Evangélicos e pelas três ministras do governo (Damares Alves, Teresa Cristina e Flávia Arruda), a advogada Maria Claudia Bucchianeri é a favorita. Mas Bolsonaro que, tudo indicava, escolheria o nome nesta semana, deu sinais de que vai demorar mais um pouco para bater o martelo.
Falta de parafusos e soldas inacabas podem ter ocasionado acidente no metrô que matou 26 no México

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CIDADE DO MÉXICO — O primeiro relatório de uma das investigações sobre o desabamento de um viaduto do metrô na Cidade do México apontou que falhas na construção levaram a tragédia que matou 26 pessoas e deixou mais de 70 feridas. O acidente ocorreu por volta de 22h do dia 3 de maio, próximo à estação de Olivos, da Linha 12 do metrô.
A auditoria independente da empresa norueguesa DNV, contratada pela prefeitura, encontrou problemas como parafusos faltando em algumas vigas e até soldas inacabadas. Dois outros relatórios ainda serão divulgados nos meses de julho e agosto.
Veja a lista dos problemas:
- Porosidade e falta de fusão na junta parafuso-viga
- Falta de parafusos Nelson nas vigas que compõem o conjunto da ponte
- Uso de diferentes tipos de concreto
- Soldas não acabadas e / ou mal executadas
Os resultados preliminares foram divulgados em entrevista coletiva na quarta-feira. O Ministério Público mexicano também realiza uma investigação sobre o caso, mas ainda ainda não divulgou conclusões do trabalho. O Colégio de Engenheiros Civis do México também deve apresentar seu próprio relatório nesta quinta-feira.
— O documento nos permite apresentar, a título preliminar, que o incidente foi causado por uma falha estrutural — disse Jesus Esteva, chefe do departamento de obras públicas da Cidade do México, durante o encontro com jornalistas.
O Grupo Carso, responsável pela obra no trecho que desabou, informou em comunicado que não fará comentários até que o relatório final sobre o acidente seja publicado.
Atual ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, impulsionou a construção da Linha 12 quando foi prefeito da capital entre 2006 e 2012. Após os primeiro resultados da investigação, publicou um comunicado defendendo sua administração e afirmou que, além do relatório técnico final, uma investigação mais ampla deve ser realizada para revisar todo o "processo de tomada de decisão no design, layout, fiscalização e manutenção da obra ”.
Hong Kong usa Lei de Segurança Nacional para prender jornalistas e fazer batida em jornal pró-democracia

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HONG KONG — A polícia de Hong Kong realizou nesta quinta-feira uma maciça operação contra o jornal pró-democracia Apple Daily, usando pela primeira vez a draconiana Lei de Segurança Nacional para cercear a liberdade de imprensa no território semiautônomo. As contas da empresa foram congeladas, dois executivos e três editores foram presos e os leitores foram alertados para não compartilharem alguns de seus conteúdos on-line.
Ao menos 200 policiais participaram da batida na redação do jornal, um alvo antigo do endurecimento do controle chinês sobre a cidade. Seu dono, Jimmy Lai, está preso por participar de protestos ilegais e enfrenta acusações paralelas por ter violado a Lei de Segurança Nacional. No ano passado, os escritórios da Apple Daily também já haviam sido alvo de uma operação das forças de segurança.
Os policiais confiscaram 38 computadores, demandaram que os repórteres se identificassem e os proibiram de filmar ou irem até suas mesas, porque o local era uma “cena do crime”. Também foram realizadas buscas nas casas de diretores do Apple Daily e da Next Media, o conglomerado digital do qual faz parte. Ao todo, 500 policiais foram mobilizados por toda a cidade.
Segundo o superintendente do departamento de segurança nacional da polícia, Steve Li Kwai, o veículo agiu em conluio com países estrangeiros e elementos internacionais em uma “conspiração”, publicando mais de 30 reportagens que deram “munições” para sanções internacionais contra Hong Kong. A maior parte deles eram artigos de opinião ou comentários, alguns deles escritos pessoalmente por Lai.
— Há evidências muito fortes de que os artigos questionáveis tiveram um papel crucial na conspiração, que forneceu munição para países estrangeiros, instituições e organizações impuserem sanções contra Hong Kong e a China — afirmou, em uma referência às medidas impostas pelo governo americano que incluíram inclusive Carrie Lam, a chefe do Executivo da cidade.
Em uma carta para os leitores, o jornal disse enfrentar uma “repressão sem precedentes” do regime e alertou que a democracia em Hong Kong está “pendurada por um fio”:
“Embora estejamos enfrentando uma forte repressão, a equipe do Apple Daily se manterá fiel às suas obrigações e seguirá em frente até o fim para ver a chegada do amanhecer”.
Alerta
O veículo se envolveu em uma controvérsia no fim do ano passado, após Lai apoiar com entusiasmo a reeleição de Donald Trump. Em um editoral, ele disse que o republicano lhe passava "maior segurança" que Joe Biden, elogiando sua dura política de enfrentamento contra Pequim. A postura, apesar de inusitada diante da aproximação de Trump com outros líderes autocráticos, não é incomum no movimento pró-democracia — muitos viam a política externa do republicano como desafio maior ao Partido Comunista.
Pequim, por sua vez, deixou claro que a operação desta quinta deve ser entendida como um alerta pelos outros veículos de comunicação no território:
“Liberdade de imprensa não é um escudo para atividades ilegais”, disse o escritório do governo chinês na cidade. “Não importa qual status profissional ou o tipo de apoio que eles têm, qualquer um que viole a Lei de Segurança Nacional de Hong Kong e leis relevantes será severamente punido”.
A lei em questão foi anunciada em 2020 durante a sessão anual do Congresso Nacional do Povo e rapidamente promulgada pelo presidente Xi Jinping, sem o aval do Legislativo local do território de Hong Kong. Trata-se de uma resposta à grande onda de protestos pró-democracia e antigoverno que tomou a cidade durante todo o segundo semestre de 2019, que só perdeu força quando a pandemia de Covid-19 começou.
A medida torna atos de secessão, subversão e conluio com forças estrangeiras passíveis de prisão perpétua, o que para críticos representou o fim da autonomia política, judicial e administrativa que a Lei Básica, a miniconstituição da cidade, garante — modelo conhecido como “um país, dois sistemas”. Os termos fazem parte do acordo de devolução de Hong Kong à China pelos britânicos, em 1997, e deveriam valer por ao menos 50 anos.
Esta não é a primeira vez que a lei é usada contra críticos do governo — sendo Lai o mais proeminente deles —, mas nunca antes a medida havia sido usada para mirar a atividade jornalística. Os presos nesta quinta incluem Ryan Law, o editor-chefe do jornal, e Nick Cheung, um editor do site. Os executivos presos foram Cheung Kim-hung, chefe da Next Digital, Royston Chow, seu gerente-executivo, e Chan Pui-man, um editor associado.
— Eles querem cortar as cabeças do departamento editorial — disse à imprensa local Mark Simon, um conselheiro de Lai. — A polícia dizer que eles são diretores da empresa é uma tentativa descarada de não serem acusados de suprimirem a liberdade de expressão, mas eles estão atacando diretamente os jornalistas.
Diferentes de 'jornalistas normais'
A operação foi criticada pela União Europeia e pelo Reino Unido, na mesma semana em que os países do G-7 e a Otan endureceram sua retórica diante da China. Em um comunicado, a porta-voz de Bruxelas, Nabila Massrali, disse que a ação contra o Apple Daily "demonstra ainda mais como a Lei de Segurança Nacional vem sendo usada para atacar a liberdade de imprensa e de expressão em Hong Kong", demandando que elas sejam respeitadas.
— A liberdade de de imprensa é um dos direitos que a China prometeu proteger na Declaração Sino-Britânica (tratado que estipulou a devolução de Hong Kong para Pequim) e deve ser respeitada — disse o chanceler do Reino Unido, Dominic Raab.
Justificando as ações, o secretário de Segurança de Hong Kong, John Lee, disse que o objetivo não é limitar a liberdade de expressão, mas sim punir atos de conluio e violações da lei:
— Isso não é relacionado ao trabalho jornalístico normal — disse ele. — A ação mira o uso do trabalho jornalístico como ferramenta para ameaçar a segurança nacional. Jornalistas normais são diferentes dessas pessoas. Por favor, mantenham-se distantes deles.
Anteriormente, o chefe da polícia de Hong Kong, Chris Tang, já havia defendido leis contra notícias falsas que jornalistas temem que empoderem ainda mais as autoridades em sua cruzada para calar vozes críticas. Ele já havia apontado o Apple Daily como um alvo possível e, ao Financial Times, jornalistas do veículo afirmaram que já estavam “mentalmente preparados” para que seus editores fossem presos.
— Isso viola completamente a liberdade de expressão — um deles disse ao jornal britânico, afirmando ter ficado surpreso com o tamanho da batida. — Eu fico muito preocupado pelo povo de Hong Kong se o Apple Daily for perdido (...). Outros jornais ficarão amedrontados de falar sobre assuntos sensíveis.
1970 - há 50 anos, Monstro do Morumbi: O serial killer que estrangulava mulheres em São Paulo * José Bezerra foi SOLTO em NOVEMBRO de 2001, aos 56 anos. * NÃO se sabe seu PARADEIRO atual. * Se estiver vivo, tem 75 anos.
Por William Helal Filho

A cozinheira Aparecida Silva Oliveira, de 37 anos, chorava durante o interrogatório no 15º Distrito Policial de São Paulo.
Seu companheiro, que era copeiro na mansão onde eles trabalhavam e moravam, na Vila Olimpia, havia sumido com uma fortuna em joias furtadas da patroa.
O inspetor Ivan Garcia queria saber onde estava o larápio, mas Aparecida não sabia dizer.
O que ela revelou, porém, deixou o agente sem fôlego:
"Ele é o estrangulador de mulheres", disse a cozinheira, jogando uma bomba.
Era uma quarta-feira em outubro de 1970.
Naquela época, há 50 anos, a capital paulista vinha sendo aterrorizada por uma série de crimes bárbaros.
Cinco mulheres haviam sido encontradas mortas em condições similares: despidas, amordaçadas, com mãos amarradas e sinais e violência sexual.
O assassino estrangulava as vítimas com meias de nylon ou pedaços de pano e violava seus corpos, que eram deixados em terrenos baldios, cheios hematomas.
A polícia já havia divulgado um retrato falado do "monstro do Morumbi", mas não tinha pistas de identidade ou paradeiro.
Até que o criminoso furtou as joias da mansão na Rua Ministro Jesuino Cardoso.

O inspetor pediu a Aparecida provas da acusação.
A cozinheira levou-o até o quarto do casal, onde havia pertences das vítimas guardados pelo companheiro, José Paz Bezerra, de 25 anos.
Um anel, um relógio e um casaco da telefonista Vilma Negri, de 35 anos, encontrada morta no Butantã.
Um par de brincos, um anel e um casaco da operária Cleonice Santos, de 23 anos, encontrada no Km 23 da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo.
Uma blusa branca de Ana Rosa dos Santos, encontrada no mesmo local.
Um casaco xadrez da estudante Nilza Cardoso, de 23 anos, encontrada no Real Parque, no Morumbi, onde também foi achada Wanda Pereira, de 27 anos.
Eram souvernis de uma série de crimes hediondos.
As cinco mulheres foram mortas entre julho e agosto de 1970.
Aparecida jurou que não sabia de nada até meados de agosto, quando Bezerra chegou em casa aflito com um jornal exibindo o retrato falado do "Monstro do Morumbi".
Ela contou que, muito desconfiada, armou uma cena para assustar o companheiro.
À noite, com os dois a sós, a cozinheira fingiu que estava invocando espíritos e apontou para Bezerra, falando que sabia de tudo.
"Não me mande para o inferno, eu sou o estrangulador", gritou o assassino, que era evangélico e se impressionava facilmente com histórias sobrenaturais.
Depois do episódio, segundo Aparecida, o criminoso ameaçou matar as duas filhas dela se fosse denunciado à polícia.

José Bezerra confessou a ela que assediava mulheres na rua, ganhava a confiança e depois as arrastava para lugares ermos onde, por fim, entrangulava as vítimas.
Ficava várias horas junto ao cadáver.
Num dos casos, permaneceu dois dias ao lado do corpo.
De acordo com Aparecida, ele tinha obsessão por vermelho.
Sempre usava alguma peça vermelha e "não resistia" a mulheres vestindo roupa dessa cor.
A polícia já suspeitava que o assassino, jovem e bonito, envolvia as vítimas.
Ao menos duas delas contaram a amigas sobre o "namorado novo", antes de serem mortas.
A foto e a identidade do criminoso foram divulgadas nas TVs e jornais em outubro.
José Bezerra fugiu para o Rio, onde vivia antes de ir para São Paulo.
No dia 16 daquele mês, O GLOBO publicou uma entrevista com Maria Paz do Nascimento, mãe do assassino.
"Quero que prendam meu filho", disse ela ao jornal, com medo de o criminoso voltar para casa.
A reportagem trouxe detalhes da vida do estrangulador.
Nascido em Alagoa Nova, na Paraíba, José Bezerra se mudou criança para o Estado do Rio, com a família, anos após a morte do pai, que sofria de hanseníase.
Radicado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o menino começou a cometer pequenos crimes aos 13 anos, quando furtou a bicicleta do filho do açougueiro.

Chegou a servir o Exército aos 18 anos, mas foi preso várias vezes por indisciplina e delitos leves, até que desertou.
Àquela altura, surgiam indícios de que o jovem havia matado mulheres nas redondezas de onde morava.
Em 1967, Manuel Teixeira do Nascimento, padrasto do delinquente, decidiu lavar as mãos, expulsando-o de casa.
Após jurar o aposentado de morte, José Bezerra teria se mudado para São Paulo.
Depois de revelada sua identidade como provável autor dos crimes que chocaram o país, ele passou a ser procurado no Rio e na capital paulistana.
O assassino, porém, tomou a estrada rumo ao Norte, pegando carona com caminhoneiros.
Em novembro de 1970, chegou a Belém, onde passou a usar um nome falso, Gilberto José de Oliveira, e retomou a sequência de crimes violentos.
A polícia do Pará viria a atribuir-lhe as mortes da professora Maria Teresa Marvão, de 44 anos, e de uma mulher não identificada.
Ambas executadas em dezembro de 1970.
Já o corpo da comerciária Anbalina Martins foi encontrado em setembro de 1971.
Seria outra vítima de Bezerra.
O medo começava a se espalhar entre as mulheres de Belém.

O paraibano só parou de matar quando foi preso, em novembro de 1971, pela polícia do Pará.
A notícia de sua captura mexeu com a cidade, houve tentativas de linchar o estrangulador, que também tentou se suicidar, atirando-se várias vezes contra as paredes da cadeia, batendo a própria cabeça, mas foi contido pelos policiais.
De acordo com a imprensa da época, ele chegou a confessar 24 assassinatos.
Durante entrevistas, José Bezerra se mostrava confuso, perturbado, dizia sempre que sua mãe era a culpada por ele ter desenvolvido o ímpeto de matar mulheres em meio ao ato sexual.
Afirmava que ela nunca cuidou dele, que "era mulher da vida" e que "gostava de apanhar" dos amantes.
Condenado a mais de cem anos de prisão pela morte de sete mulheres, o "Monstro do Morumbi" começou a cumprir sua pena numa penitenciária em Belém, até ser transferido para a Penitenciária do Estado de São Paulo, na capital paulistana, em 1979.
Em novembro de 2001, depois de 30 anos, que é o prazo máximo que uma pessoa pode passar na cadeia no Brasil, José Bezerra foi solto, aos 56 anos.
Em entrevista ao jornal "Agora", de São Paulo, após deixar a cadeia, ele garantiu que sua vida de seria killer havia ficado no passado, que o tempo na prisão serviu para que se regenerasse.
Não se sabe seu paradeiro atual.
Se estiver vivo, tem 75 anos.


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Conheça hotéis e pousadas que apostam na produção de orgânicos como uma das atrações

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RIO - Piscinas fotogênicas, restaurantes charmosos, chalés românticos... Estes são alguns pontos em que hotéis costumam apostar para conquistar hóspedes mais exigentes. Mas há uma parcela do público especialmente interessada em saber de onde vêm as frutas do suco que toma no café da manhã, ou os legumes e hortaliças servidos no jantar. Nestes casos, saem na frente hotéis que contam com sua própria produção de alimentos orgânicos. E que transformam suas hortas, plantações ou criações em atrações propriamente ditas.
No Brasil, há exemplos de hospedagem para “organic lovers” nos mais variados cenários. De pousadas à beira-mar no Nordeste a fazendas no interior do Estado do Rio, passando por hotéis em grandes capitais. Em comum, um crescente interesse dos hóspedes por um estilo de vida mais saudável.
— Com a pandemia, as pessoas têm olhado o mundo de uma forma diferente, principalmente para o contato com a natureza. Esse é o tipo de hóspede que sempre tivemos, mas a procura aumentou — relata Josefina Durini, proprietária da Fazenda Alliança Agroecológica, em Barra do Piraí, no Vale do Café fluminense.

A grande atração da fazenda é a produção de café especial orgânico, que visitantes e hóspedes podem visitar e ver todas as suas etapas, da colheita ao momento em que é servido. Mas é possível também caminhar pela horta e pelo pomar, conhecer as criações de carneiros e búfalos, para corte e leite, e até mesmo entender mais sobre as plantas alimentícias não convencionais, as PANCs. Tudo orgânico, e que pode ser provado pelos hóspedes da fazenda.
Quem viaja pelo Estado do Rio encontra outras opções de hospedagens com alimentação orgânica. Na também histórica Fazenda das Palmas, em Mendes, a grande atração é o sistema de agrofloresta, onde o café cresce em meio a outras culturas, de maneira sustentável. Visitantes e hóspedes podem visitar este espaço e aprender mais sobre o método de agricultura.
Em Teresópolis, a fazendinha do Le Canton fornece verduras orgânicas aos restaurantes do resort, ao mesmo tempo em que serve de grande atração para as crianças, ao lado dos animais.
Combinar agropecuária orgânica e turismo também é a receita seguida pelo casal franco-capixaba Isabelle Cicatelli e Joaquim Silva, proprietários da fazenda Domaine Ille de France, no distrito de Pedra Azul, em Domingos Martins, nas montanhas do Espírito Santo. Ali, cercado por um milhão de metros quadrados de área de Mata Atlântica e plantações sem agrotóxicos, funciona a pousada Chez Domaine.

Ela é focada em estadas longas, para quem quer isolamento em meio à natureza e à vida no campo. Seguindo um roteiro sinalizado com setas e placas, o hóspede é livre para caminhar entre as plantações e observar as criações de aves, suínos e bovinos. E ver de onde vem quase tudo o que comerá no café da manhã.
— Nossos maiores atrativos são o contato com a natureza e os alimentos saudáveis, que produzimos desde 1999 — resume Joaquim. — Nosso café da manhã é 100% orgânico. Tirando o trigo, que trazemos do Paraná, todo o resto, da fruta ao café, é feito com o que produzimos aqui.

A poucos mais de 1.700 quilômetros de distância dali, o israelense Tsachi Greenhut também se orgulha das hortas orgânicas de onde sai parte dos alimentos servidos aos hóspedes de sua Pousada da Amendoeira, na alagoana São Miguel dos Milagres.
— Fazemos questão de contar aos hóspedes que parte do que eles comem aqui é plantada pertinho dos bangalôs onde eles dormem. Que tiramos os limões e os cocos das árvores que cobrem o nosso terreno, e que todo o lixo orgânico produzido pela cozinha é reaproveitado nas hortas — diz, lembrando das limitações impostas pelo espaço das hortas e pela própria sazonalidade dos alimentos, algo que produções orgânicas costumam respeitar.
As hortas orgânicas surgem até mesmo de onde menos se espera, como no alto de um prédio em São Paulo ou Belo Horizonte. Segundo o Grupo Accor, 168 hotéis de bandeiras como Mercure, ibis e Novotel no Brasil contam com o programa Horta Urbana, em que verduras, frutas e temperos orgânicos são produzidos em jardins e canteiros no próprio hotel, e vão parar nos pratos dos clientes de seus restaurantes.
Bolsonaro tem 'dever cívico' de mostrar prova de fraude na eleição, diz Barroso

247 - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou em entrevista concedida ao portal CNN Brasil nesta quinta-feira (17) que Jair Bolsonaro (sem partido) tem o "dever cívico" de apresentar as provas que diz ter sobre a suposta fraude das eleições de 2018. Segundo Barroso, nunca houve fraude eleitoral documentada com a urna eletrônica no Brasil.
Por isso, segundo o ministro, a proposta de voto impresso para as eleições é uma "solução arriscada para um problema que não existe".
"Nunca houve fraude documentada. Jamais. Apenas o pedido de auditoria solicitado pelo então candidato Aécio Neves e que não se apurou impropriedade porque não há. Se o presidente da República ou qualquer pessoa tiver provas [de fraude] tem o dever cívico de entregá-la ao Tribunal e estou com as portas abertas. O resto é retórica política, são palavras que o vento leva", disse o ministro.
Povos indígenas entregam carta ao STF e Congresso denunciando ataques

Por Guilherme Amado, no portal Metrópoles - Cerca 700 indígenas, de 25 povos diferentes, assinaram juntos uma carta dirigida ao Judiciário e ao Legislativo em que pedem agilidade ao STF e a interrupção de projetos considerados anti-indígenas no Congresso. O grupo está acampado, em protesto, na Esplanada dos Ministérios.
As lideranças querem que o STF vote logo a demarcação de terras indígenas e que o Congresso tire de pauta projetos inconstitucionais. Um deles é o chamado PL (projeto de lei) da Grilagem, que concede anistia a grileiros e legaliza o roubo de terras indígenas, podendo gerar mais violência contra os povos nativos.
Pedem também a retirada definitiva da pauta de votação da Comissão de Constituição e Justiça, presidida pela deputada extremista Bia Kicis, do PL 490/2007, que ameaça anular as demarcações de terras indígenas.
O manifesto pontua também que os ataques a povos indígenas pioraram no governo Bolsonaro. “Foi com a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República, porém, que os ataques aos direitos indígenas, sobretudo territoriais, adquiriram proporções inadmissíveis e sem precedentes”, diz o texto.
Presidente do MDB-CE, Eunício Oliveira rejeita aliança com Ciro: 'é uma Maria Louca'

247 - O presidente do MDB no Ceará, Eunício Oliveira, afirmou que, se a aproximação do partido com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) for levada adiante, provocará uma crise no partido. Os relatos foram publicados pela coluna Radar.
"Quem imaginar que o partido de Ulysses Guimarães vá apoiar essa Maria Louca, está pensando equivocadamente. Se inventarem isso, vamos fazer o grupo dos autênticos no MDB", afirmou Eunício, lembrando o grupo de deputados que se destacou na resistência do Parlamento contra a ditadura militar de 1964.
"O centro imaginar que alguém como Ciro Gomes seja de centro? Ciro não é solução para ninguém. Ciro é de direita. Nasceu no PDS. Fora que, num dia, ele é capaz de defender a ditadura de manhã e, de noite, já estar abraçado ao PSOL. Se, nesse caminho, tiver entrevista, ele dá dois tabefes nos jornalistas e, se algum deles for negro, o Ciro ainda bota para fora da sala", complementou.
CPI não consegue parar Bolsonaro - Alex Solnik
Por Alex Solnik

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia
Os Estados Unidos romperam, ontem, a marca de 600 mil mortos por covid 19. Em 113 dias saltaram de 500 mil para 600 mil. De 400 mil para 500 mil levou apenas 35 dias. Continuam liderando o ranking mundial. Mas os números, permanecendo como estão, indicam que o Brasil deverá assumir a liderança em breve, provavelmente nos próximos três meses.
Ontem foram 2997 mortes no Brasil. Faltam 6307 para 500 mil. Nada indica perspectiva de queda. Bolsonaro continua liderando a campanha a favor do vírus. Continua indicando cloroquina. Continua em guerra com isolamento e com máscara.
A oferta de vacinas, segundo o ministro Queiroga, vai aumentar no segundo semestre. Ou seja, a vacinação continuará a andar a passos de cágado nos próximos meses. Sem vacina suficiente e sem campanhas oficiais contra aglomeração e a favor de máscaras e higiene, não há sinais de que haverá menos de 2000 mortes por dia. Sessenta mil por mês.
Daqui a dois meses, ainda que haja 1000 mortes por dia nos EUA, eles somarão 60 mil; no Brasil, 120 mil. 660 mil a 620 mil. Mais um mês e o Brasil vai ultrapassar os Estados Unidos.
Esses números vieram à minha cabeça enquanto eu pensava que a CPI, apesar de ter apresentado denúncias contundentes, não está conseguindo parar Bolsonaro, nem interromper a farra da cloroquina que continua enriquecendo laboratórios e empobrecendo o Brasil.
Livro de ex-pastor que Universal tentou censurar nos anos 1990 é relançado
Mário Justino relata bastidores com 'sexo, dinheiro e drogas' misturados com 'orações e salmos de Davi'
Mário Justino tinha 28 anos quando escreveu, em dois meses, uma autobiografia devastadora sobre sua passagem pela Igreja Universal do Reino de Deus –onde, segundo ele, “sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.
Justino tinha pressa. Achava que morreria logo.
Naquele ano, 1993, o mundo também passava por uma pandemia, a de Aids. Ele, um pastor da igreja, era soropositivo. “O mal que eu temia me sobreveio”, lembrou das palavras do bíblico Jó quando recebeu o diagnóstico.
Já consolidado como um dos maiores líderes evangélicos do Brasil, o bispo Edir Macedo teria lhe dito antes de expulsá-lo, conforme Justino reproduz: “Ora, não se faça de imbecil! Você sabe por que tem de ir. Mas vou refrescar sua mente. Você não pode mais ficar com a gente porque tem Aids!”.

O ex-pastor esteve a poucos metros de “estourar-lhe os miolos” quando o viu sair de uma limusine em Nova York, como conta no livro. Viciado em crack e heroína, movia-se por vingança. “Perdi uma boa chance de entrar para a história como o Lee Oswald [o assassino do presidente americano John F. Kennedy] da Igreja Universal.”
Negro, bissexual e pai de dois filhos, nascido em São Gonçalo (RJ) e hoje dono de um "green card" dos EUA, Justino não morreu nem matou.
Aos 56 anos, ele teve sua obra relançada pela Geração Editorial com um novo capítulo final: agora, o desfecho de “Nos Bastidores do Reino” é a íntegra da decisão judicial que derrubou uma liminar concedida à Universal em 1995 para retirar o livro de circulação 22 dias após ele chegar às livrarias.
Publisher da Geração, Luiz Fernando Emediato diz à Folha que Edir Macedo “tentou comprar os direitos do livro para engavetar”, primeiro de Justino (que recusou), depois dele (idem). “Me dariam um dinheiro, e eu enrolaria o autor até ele morrer de Aids, não tinha coquetel [para controlar o HIV] na época”, afirma.
Gilberto Nascimento lembra do caso em "O Reino - A História de Edir Macedo e uma Radiografia da Igreja Universal", publicado em 2019 pela Companhia das Letras.
Emediato disse ter sido procurado pelo lobista Gláucio Schmiegelow, que por sua vez acusou uma executiva da Universal de ser a principal articuladora da tentativa de compra dos direitos autorais do título maldito.
Com o “não” de autor e publisher, a igreja entrou com um pedido de liminar. A Justiça o acatou e mandou recolher o livro. "A mesma juíza demorou dois anos para julgar o mérito. Quando julgou, surpreendentemente liberou [o título] e nos deu ganho de causa”, diz Emediato. "Mas aí o interesse pelo livro havia desaparecido.”
Reapareceu depois de uma proposta feita em 2020 para levar a história de Justino ao cinema, com produção de Nilson Rodrigues, ex-diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema). A ideia é convidar José Eduardo Belmonte (“Carcereiros”) para dirigir o filme, diz o produtor.
Não surpreende que a Universal tenha desejado o sumiço das páginas preenchidas pelo ex-membro que diz ter tido com outro pastor da casa sua primeira relação homossexual.
É um retrato pouco lisonjeiro. Pior: foi lançado no mesmo ano em que um bispo da Universal desferiu pontapés numa estátua de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, que descreveu como "um bicho tão feio, tão horrível, tão desgraçado" —evangélicos não cultuam santos.
Conhecido como “chute na santa”, o episódio dominou o noticiário de um Brasil ainda predominantemente católico e chegou a motivar ataques a templos da Universal.
Um mês depois, o relato de Justino foi publicado. A certa altura, ele diz que atos de alguns colegas pastores o levaram a descobrir que a igreja “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos como qualquer outra na ciranda financeira”.
A única diferença, segundo o autor, “era o produto vendido: sal que tira vício, lencinhos molhados no ‘vinho curativo’ —o conhecido Ki-Suco—, água da Embasa, que dizíamos ter vindo do rio Jordão, azeite Gallo, que dávamos ao povo como legítimo óleo ungido proveniente de Jerusalém, e uma longa lista de outros produtos tão falsos quanto as gotas de leite extraídas dos seios da Virgem Maria, que eram vendidas na Europa nos primeiros séculos, aos otários em busca de milagre”.
Na nova edição, Justino afirma que seu depoimento “acabou por revelar ao público, a partir de um olhar de dentro, os primeiros 14 anos de existência de um dos grandes fenômenos do Brasil contemporâneo: o império religioso erguido por Edir Macedo, e sua posterior transformação em poder midiático e força política abrangente no país”.
Procurada pela Folha, a Universal, por meio de seu departamento de comunicação, disse que não se manifestará, "pois não teve acesso a esta nova edição da obra e tampouco recebeu qualquer notificação da decisão judicial que, supostamente, teria liberado sua publicação".
À reportagem Justino traça paralelos entre seus tempos pastorais e os atuais, sobretudo o embate entre pastores brasileiros e angolanos nos templos da Universal abertos no país africano. Autoridades locais denunciaram quatro integrantes da igreja por crimes como lavagem de dinheiro, todos negados pela cúpula brasileira.
Para o ex-pastor, as reclamações dos pastores angolanos assemelham-se a fatos que ele mencionou 27 anos atrás.
“No livro eu falo do grupo de pastores ‘notáveis’ que recebiam tratamento diferenciado como recompensa pela habilidade de arrecadar grandes somas de dinheiro. Eles ganhavam bons carros, bons salários, viagens para Israel, apresentavam os programas de televisão, e isso causava ressentimento nos pastores de periferia que não conseguiam levantar a mesma quantidade de ofertas para terem direito a essas benesses. Na minha época, os notáveis geralmente eram cariocas. Em Angola, eram os brasileiros.”
Um dos investigados na África é o bispo Honorilton Gonçalves, ex-representante máximo da Universal em Angola e ex-vice-presidente artístico da Record TV, emissora do bispo Macedo.
Ele já havia sido citado por Justino no livro. Ele “fora um grande amigo” para quem confidenciou, em carta, sobre sua suspeita de estar com a “doença incurável” (a Aids), diz. Segundo Justino, dois meses depois Macedo o chamou em seu escritório para ejetá-lo da igreja.
O ex-pastor está fora dela há três décadas. Olhando em retrospecto, não estranha a relação da Universal com o presidente Jair Bolsonaro, trincada após bispos criticarem o governo por não se empenhar mais na crise em Angola.
É vista como um aceno à igreja a indicação para a embaixada da África do Sul do ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo que terminou seu mandato numa prisão depois revertida.
“Não acredito que o apoio da instituição ao bolsonarismo seja irreversível, apesar de todos os benefícios que recebe do governo”, diz Justino. “[Fernando] Collor também foi bondoso com eles, concedendo a Record, e foi abandonado. Dilma [Rousseff] deu ministérios no seu governo [Crivella foi seu ministro da Pesca] e acabou traída por eles."
"A Universal não tem ideologia política, ela fica ao lado de quem tem o poder ou sinaliza que irá alcançá-lo. Se Bolsonaro demonstrar fraqueza para as próximas eleições, eles não terão o mínimo constrangimento de aliar-se ao Lula novamente ou a quem quer que seja.”
Nos Bastidores do Reino: A Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus
- Preço R$ 48 (208 págs.), R$ 34 (ebook)
- Autor Mário Justino
- Editora Geração Editorial
O Brasil que tanto fez, agora tanto faz - Carol Proner
Por Carol Proner

O mundo acompanha os preparativos para o encontro entre Joe Biden e Vladimir Putin que acontecerá nesta quarta, dia 16 de junho, em Genebra com o objetivo fundamental de baixar as tensões entre as duas potências.
O mundo da política internacional já não é o mesmo desde o fim do século XX quando China e Rússia, frequentemente atuando em aliança, demonstraram que uma nova ordem mundial dependerá grandemente de suas escolhas políticas, econômicas e militares.
Essa realidade inevitável obrigou os Estados Unidos a adotarem novas estratégias. Do America First, de Trump ao America is Back, de Biden, a política externa se transformou substancialmente em poucos meses. Mas algumas pautas não mudaram tanto assim e Rússia e China seguem consideradas ameaças de primeira grandeza.
Os recentes esforços de aproximação e abertura ao diálogo com a Rússia vêm precedidos de atos bem agressivos. Já sob administração Biden foram 2 pacotes de sanções aplicados contra a Rússia (em março e em abril) além de enfrentamentos retóricos graves, como quando o Presidente norte-americano chamou Putin de assassino. Por parte da Rússia, lembremos da recente decisão de eliminar 119 bilhões de dólares em ativos líquidos trocando-os por euros, yuans e ouro, uma decisão marcante no sentido de ruptura com o hegemonismo monetário-financeiro.
Portanto, o encontro entre os dois adversários ocorre no momento em que as hostilidades são graves e crescentes e é precedido por outro, de Biden com os líderes europeus, o que também parece ser uma estratégia para manter seguras as zonas de influência dos americanos.
Fato é que os Estados Unidos fazem política de pressão todo o tempo e possuem muitas formas de influenciar a decisão de outros atores, sendo uma das mais eficazes o uso da OTAN. Em recente reunião, a Aliança Atlântica qualificou, pela primeira vez, a China como “um desafio para a sua estabilidade” e instou os países membros a “unirem esforços para fazer frente a isso”.
Não obstante, a Europa, que já estava molesta com os efeitos da guerra comercial transoceânica desencadeada na gestão Trump, agora se aborrece com a repentina aproximação dos Estados Unidos e da Rússia, até certo ponto uma surpresa. Alguns líderes se queixam da falta de transparência das agendas e interesses da potência aliada, deixando-os sobrantes e desinformados.
E a resposta chinesa ante a declaração da OTAN pode intensificar ainda mais o desconforto que contamina as relações diplomáticas com as autoridades europeias. Segundo a China, a OTAN busca criar uma confrontação geopolítica e usa o legítimo direito ao desenvolvimento como desculpa para manipular a política de aliança.
Tudo isso é muito interessante de acompanhar, fascinante até, já que afetará os rumos não apenas das potências diretamente envolvidas, mas de todo o planeta. E ainda que o encontro não alcance resultados em questões pendentes, como agendas comuns da ONU sobre a pandemia ou questões climáticas, o tema do desarmamento em matéria nuclear ou mesmo o sensível tema das sanções coercitivas unilaterais, fato é que a diplomacia está de volta.
Enquanto isso, no BRASIL, e de forma deprimente, observamos que a prioridade de nossa política externa é, no momento, a nomeação do ex-prefeito Marcelo Crivella ao cargo de embaixador do Brasil na África do Sul. Para vexame absoluto do Brasil, tudo indica que não será tarefa fácil emplacar o nome do ex-prefeito do Rio de Janeiro, acusado de envolvimento em graves casos de corrupção, e que podemos enfrentar uma espécie de veto tácito por parte do país sul-africano.
Um país que tanto fez, agora tanto faz... Nunca fomos tão irrelevantes. Ainda bem que o mundo dá voltas.
Bolsonaro não se deterá diante de nada para manter-se no poder - Ribamar Fonseca
Por Ribamar Fonseca

Por Ribamar Fonseca
Enquanto cerca de meio milhão de brasileiros morrem de Covid em todo o país, o Presidente da República, sorridente e sem máscara, passeia de moto, indiferente à dor dos familiares e amigos das vítimas. E sem importar-se com o colapso no sistema de saúde em vários Estados, com os hospitais lotados, ele ainda manifesta a disposição de abolir o uso de máscaras, um dos principais acessórios recomendado pela ciência para evitar-se o contágio dessa terrível doença. Ao contrário dos governantes de todo o mundo, quanto ao combate da pandemia, Bolsonaro parece mesmo disposto a disseminar o contágio do vírus para obter a chamada imunidade de rebanho, tese já descartada pelos cientistas, ao mesmo tempo em que insiste no uso da cloroquina para tratamento precoce, apesar da ciência já ter comprovado a sua ineficácia. Por conta desse comportamento criminoso, o capitão levou o Senado a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar suas ações e omissões no combate ao Coronavirus.
Paralelamente, desde o lançamento da candidatura de Lula às eleições presidenciais de 2022, Bolsonaro está empenhado numa campanha aberta com vistas à sua reeleição, promovendo manifestações dos seus apoiadores e comparecendo em qualquer evento onde possa receber aplausos. Já chegou até a inaugurar uma ponte de madeira de 18 metros no interior da Amazônia e a entrar num avião estacionado no aeroporto de Vitória, em busca de aplausos dos seus passageiros. Ganhou aplausos mas, também, xingamentos. Ele já deixou bem claro que não se deterá diante de nada para permanecer no Palácio do Planalto, não estando descartada nem mesmo a possibilidade de fraude, a julgar pela sua insistência no retorno do voto impresso, e até de um golpe, com o apoio das Forças Armadas e das polícias militares. Não por acaso as manifestações de apoio a ele recebem a proteção da polícia, enquanto as manifestações contrárias são violentamente reprimidas, como aconteceu em Pernambuco.
Bolsonaro, na verdade, com a sua política de intimidação vem conseguindo o controle de quase tudo. O episódio Pazuello mostrou que ele tem o controle do Exército, cujo comandante não teve coragem de punir o general que violou o regulamento militar ao comparecer a um ato político. Acreditava-se que a Marinha e a Aeronáutica não haviam se curvado aos seus caprichos, mas o comandante da Marinha, em recente declaração, disse que as Forças Armadas estavam unidas em torno do ministro da Defesa, a quem obedeciam. Acontece que o ministro da Defesa, general Braga Neto, é homem de confiança de Bolsonaro que, através dele, tem o controle de todas as forças, e não apenas do Exército. E agora, depois de um discurso em que disse estar ao lado da Polícia Militar, “aconteça o que acontecer”, ele certamente também terá o controle dos policiais, sobretudo depois de anunciar um plano de financiamento da casa própria para eles.
Bolsonaro também tem o controle da Procuradoria Geral da República, cujo titular, Augusto Aras, já demonstrou em várias oportunidades a sua lealdade a ele, parecendo mais um Advogado Geral do Presidente e Auxiliares, ao contrário dos PGRs indicados por Lula e Dilma. Ele também já colocou um pé no Supremo Tribunal Federal, através do ministro Nunes Marques, e deverá colocar outro pé com a indicação de André Mendonça para a cadeira vaga com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Além de contar com a simpatia de outros ministros, ele costuma fazer uma visita surpresa à Corte todas as vezes em que tem interesse em algum julgamento, uma estratégia de intimidação que parece funcionar. Espertamente, ele também conseguiu o controle do Congresso Nacional, onde, com o “argumento” do bolsolão, conquistou a maioria com o chamado Centrão e garante a aprovação das matérias do seu interesse, além de impedir, com Arthur Lyra, a votação do seu impeachment.
Depois de 28 anos de mandato como deputado federal, sem nenhum projeto de relevo, Jair Messias Bolsonaro, sem qualquer experiência executiva e como num passe de mágica, deu um salto da Câmara para a Presidência da República, o que explica o seu despreparo para governar uma nação continental como o Brasil. Os principais responsáveis por isso foram a parceria Globo-Lava-Jato, que envenenou a população com uma sistemática campanha antipetista que culminou com a prisão e afastamento de Lula da sucessão presidencial, e a massificação das fake news nas redes sociais. Fascista por natureza, antes mesmo de assumir o cargo o capitão já montava o seu plano para perpetuar-se no poder como ditador, estimulando o fechamento do STF e cercando-se de militares no governo, nomeando-os para cargos civis em todos os escalões. E eles gostaram tanto do poder, tal como o chefe, que nenhum deles parece disposto a largá-los.
Resultado: além do problema da pandemia, que vem ceifando milhares de vidas, o Brasil mergulhou num caos, com inflação alta, custo de vida subindo todos os dias, desemprego em massa, com indústrias pesadas fechando as portas, e o povo pobre passando fome. O combustível e o gás de cozinha subindo de preço quase todos os dias, obrigando a população pobre a voltar ao fogão a lenha. A floresta amazônica sendo destruída e os povos indígenas dizimados pela ambição de madeireiros e garimpeiro, com a complacência do governo. Para completar, o país se tornou um pária internacional, praticamente ignorado pelas demais nações e perdendo o protagonismo que havia conquistado no governo de Lula. Apesar de tudo, surpreendentemente o capitão ainda tem fanáticos seguidores que, pelo visto, ainda não sentiram os efeitos desastrosos do seu governo. Ou são masoquistas. O capitão sabe, porém, que eles não são suficientes para reelegê-lo e, por isso, não hesitará em dar um golpe para manter-se no poder. Urge, portanto, apeá-lo do Planalto antes que seja tarde demais.
O Partido Comunista é o dirigente da construção do socialismo chinês - José Reinaldo Carvalho
Por José Reinaldo Carvalho

A partir do triunfo da revolução chinesa, foi possível estabelecer o sistema socialista básico e iniciar a construção do socialismo. A revolução abriu o caminho para iniciar a construção do socialismo com as características chinesas, lançando as bases fundamentais para o desenvolvimento da causa popular e nacional. Este foi o primeiro passo para introduzir a China na senda do progresso. É um grande mérito histórico e uma demonstração de originalidade e criatividade. Tal como não copiou modelos teóricos nem experiências de outras latitudes na prática revolucionária que o levou ao poder, o Partido Comunista da China formulou para a construção do socialismo uma política própria consoante sua realidade nacional.
Os primeiros anos após o triunfo da revolução constituíram um caminho complexo e desafiador na busca dos meios e modos mais adequados para construir a nova sociedade. Foi uma transição penosa que o novo poder popular percorreu para transformar o país, passar à etapa da construção do socialismo e fazer da China parte integrante indispensável do campo socialista mundial.
Sob a direção do Partido Comunista da China, o povo mergulhou profundamente na tarefa de construir o socialismo. Em pouco tempo, foi possível empreender profundas transformações, edificar um sistema econômico nacional independente nas condições específicas da China e soerguer as instituições do poder político popular e socialista.
Em momento histórico posterior, com a aplicação da política de Reforma e Abertura, no quadro da etapa primária do socialismo, a nação chinesa floresceu ainda mais e conheceu um período de impetuoso desenvolvimento, que prossegue até os dias de hoje.
Esta política começou há mais de 40 anos, desde a decisão histórica da 3ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido Comunista da China, em dezembro de 1978, quando ficou estabelecido que o centro de gravidade da atividade do Partido e do Estado são a construção econômica, o impulsionamento do desenvolvimento das forças produtivas, a serviço da realização de um projeto de fortalecimento da nação chinesa. Isto levou a China ao atual grau de desenvolvimento impetuoso, com importantes reflexos na elevação do nível de bem-estar da população e na transformação do país num ator de primeira ordem no cenário internacional.
Desenvolvimento, poder nacional, progresso social e socialismo aparecem, assim, como fatores entrelaçados, no processo de construção do socialismo com características chinesas. Como disse Deng Xiaoping em 1992: “Se nós desistirmos do socialismo, não aplicarmos a política de reforma e abertura, não desenvolvermos a economia, nem melhorarmos a vida do povo, estaremos num beco sem saída”. Este é outro aporte do Partido Comunista da China à teoria e à prática do socialismo científico que beneficiam enormemente o acervo do Movimento Comunista Internacional.
Contemporaneamente, a China vive, sob a direção do Partido Comunista da China, um extraordinário desenvolvimento das forças produtivas, um vertiginoso progresso econômico, uma veloz mobilidade social e a acelerada redução da pobreza. A China é hoje uma das principais economias do mundo e em todos os sentidos pode ser chamada de potência emergente, uma fase esplêndida de sua milenar história, em que dá gigantescos saltos em seu desenvolvimento econômico, consolidando o poderio nacional, fortalecendo sua independência e avançando irreversivelmente na unificação e integridade territorial. É notável o avanço rumo à realização do Sonho Chinês de construir um país socialista poderoso, próspero, socialmente avançado, civilizado e culto. São marcos do socialismo da nova era, proclamado pelo presidente Xi Jinping. Esta é outra importante demonstração da originalidade do Partido Comunista da China e um aporte que dá o Presidente Xi Jinping ao enriquecimento da teoria do Marxismo-Leninismo e à experiência do Movimento Comunista.
Se durante a revolução popular e no início da construção do socialismo com peculiaridades chinesas foi fundamental a contribuição teórica do líder Mao Tsetung na aplicação do marxismo-leninismo à realidade concreta da China, foi o gênio de Deng Xiaoping que vislumbrou o caminho original de seguir na construção do socialismo por meio da Reforma e Abertura.
No sistema teórico do Partido Comunista da China, o pensamento de Deng Xiaoping ocupa lugar destacado. Foi um dos dirigentes da revolução e da construção do socialismo que mais se empenhou no estudo, assimilação e aplicação da linha política e da ideologia do Partido em correspondência com as peculiaridades chinesas. Nesse sentido, Deng Xiaoping foi pioneiro na elaboração da linha vigente a partir de 1978, enfrentando de forma sistemática e frontal as espinhosas questões relacionadas com a construção e o desenvolvimento do socialismo na China, quando este ainda era um país atrasado sob todos os pontos de vista.
Agora, a construção do socialismo na China ingressa numa nova era: “Mediante os esforços feitos durante um longo período de tempo, o socialismo com características chinesas já entrou numa nova era, que confirma a nova posição histórica do desenvolvimento da China”, afirmou o Presidente Xi Jinping em seu Relatório ao 19º Congresso do Partido Comuista da China, em 2017.
A história provou que sem o Partido Comunista, sem a aplicação criadora do marxismo-leninismo à realidade peculiar da China, sem o pensamento de Mao Tsetung, sem a teoria e a prática da revolução chinesa, não teria sido possível a fundação da República Popular, iniciar a construção do socialismo e abrir o caminho histórico de construir uma nação próspera, independente e socialista, processo no qual o povo chinês e o Partido Comunista da China se fortaleceram e se tornaram uma força imbatível.
Igualmente, a história demonstrou a vitalidade do pensamento de Deng Xiaoping sobre a construção do socialismo com peculiaridades chinesas e a política de Reforma e Abertura.
Hoje, o Partido Comunista da China e o povo encontram-se imersos na batalha pela realização do Sonho Chinês, sob o pensamento guia do Presidente Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para a Nova Era, que é a atual orientação para o desenvolvimento e o progresso do Partido e do país.
Na trajetória da construção do socialismo com peculiaridades chinesas a desde a concepção da linha de reforma e abertura, a República Popular da China e o Partido Comunista da China se ativeram estritamente aos "quatro princípios fundamentais": persistir no caminho socialista, no poder popular, na direção do Partido Comunista da China como vanguarda do proletariado e do povo e na teoria do marxismo-leninismo e pensamento de Mao Tsetung. É sobre a base destes quatro princípios que se ergue, se desenvolve e consolida a fortaleza política e teórica do Partido Comunista da China e do Estado chinês.
O momento militar - Lincoln Secco

Por Lincoln Secco
Mais do que no período 1946-1964, a estabilidade eleitoral entre 1989 e 2014 proporcionou a ilusão de que estávamos num mero embate de valores diferentes, porém ancorados num consenso democrático.[i] Uma leitura unilateral de Gramsci e outros autores nos movimentos sociais e partidos fundamentava aquela avaliação.
Não é a toa que a extrema direita mimetizou e distorceu o “gramscianismo” como se a esquerda tivesse uma secreta estratégia cultural de penetração nas instituições para subvertê-las por dentro. Mas a esquerda eleitoral no mundo todo mais se adaptou do que mudou o Estado. A proposição de Gramsci de que devemos levar em conta a estrutura econômica, assim como os movimentos políticos e as forças militares, foi esquecida. Revisitar a História do Brasil demonstra que esse não foi um equívoco novo. A época pré-1964, com seus motins militares e a campanha ideológica preparatória do golpe, é um exemplo.
Anticomunismo
É depois do levante comunista de 1935 que os militares encontraram um espantalho para buscar sua unidade baseada no anticomunismo e na ideologia da hierarquia e disciplina, raramente seguida por eles. Sustentaram o Estado Novo (1937-1945) de Getúlio Vargas até derrubá-lo em 28 de outubro de 1945, pouco depois do dia da lealdade na Argentina.
A coincidência é importante porque Getúlio Vargas havia perdido o apoio dos setores da elite liberal e a tolerância dos militares. Em contrapartida, havia se aproximado de suas bases sindicais e de uma concepção trabalhista, e o exemplo de Juan Domingo Perón era manipulado por Goes Monteiro para levantar suspeitas sobre Vargas, a quem ele vinha traindo.[ii]
A solução de compromisso foi o governo Dutra, militar e anticomunista, mas que não atacou a estrutura corporativa sindical. O Partido Comunista do Brasil foi colocado na ilegalidade e as greves reprimidas. Mas diferentemente da Argentina, o PCB apoiou Vargas em 1945 e, apesar de recuos e oscilações, incorporou-se ao campo trabalhista gradualmente.
Getúlio Vargas voltou ao poder em 1950 “nos braços do povo”. Embora sua vitória fosse contestada por políticos do principal partido direitista, a União Democrática Nacional (UDN), pela imprensa conservadora e por oficiais militares, sua posse foi garantida por setores do exército ainda legalistas.
Da mesma forma, após o seu suicídio, diante da iminência de um golpe militar em agosto de 1954, poucos meses depois da queda de Jacobo Arbenz na Guatemala e um ano antes da deposição de Perón na Argentina, o novo governo do vice-presidente Café Filho não teve sustentação militar para inverter completamente o rumo estatizante e desenvolvimentista da Era Vargas. Em novembro de 1955, após as eleições que deram a vitória a Juscelino Kubitschek o Marechal Teixeira Lott liderou o contra-golpe militar que garantiu a posse do novo presidente.
O novo governo, tendo Lott como Ministro da Guerra, enfrentou duas sedições militares da Aeronáutica em regiões desoladas do país: Jacareacanga, na região amazônica, e Aragarças, em Goiás. Neste caso, os rebelados se refugiaram em Buenos Aires e na Bolívia, sendo depois anistiados. Também houve a trama de um sequestro do próprio presidente, mas que não foi colocada em prática.[iii] Outras intentonas militares se sucederam, umas mais conhecidas como a tentativa de impedir a posse de João Goulart, outras menos, como o atentado a bomba na Exposição Soviética de São Cristóvão, em 1962 no Rio de Janeiro.
No entanto, dois golpes de resultados distintos expressam em suas particularidades um processo geral pelo qual passava a sociedade brasileira e que parece não ter se interrompido ainda hoje: a massificação da política expunha a incompatibilidade entre democracia e burguesia.
Acontecimentos
O golpismo se efetuava em sucessivas ondas desde agosto de 1954, como revela a narrativa factual de Edgard Carone.[iv] Animavam os conspiradores ostensiva atitude de oficiais da Aeronáutica, da Igreja Católica e da maior parte da imprensa contra o “comunismo”; serviam-se ainda de organizações criadas depois da eleição de Vargas. Em 1952 surgiu a Cruzada Democrática, integrada por oficiais do Exército; no ano seguinte fundaram-se o Clube da Lanterna e a Cruzada Brasileira Anticomunista, ambas de natureza civil.
No primeiro de novembro de 1955, no enterro do presidente do Clube Militar, general Canrobert, o coronel Jurandir Mamede fez um discurso contra a “mentira democrática” e a “pseudolegalidade imoral e corrompida”. Mamede era conhecido agitador político nos quartéis e signatário do Memorial dos Coronéis de 1954.[v] Lott, então Ministro da Guerra, procurou obter de Café Filho a punição de Mamede, mas o presidente alegou problemas de saúde, licenciando-se. Assumiu o presidente da Câmara Carlos Luz, em 8 de novembro. Luz não aceitou a punição de Mamede e forçou Lott a se demitir.
O historiador Nelson Werneck Sodré, naquela altura major, escreveu que na noite de 10 para 11 de agosto de 1955 chefes militares com responsabilidade de comando reunidos em diversos locais decidiram apoiar a continuidade de Lott no Ministério da Guerra.[vi] Foi imperativo o respaldo do General Odylio Denys, comandante da Zona Militar Leste.[vii] Numa tarde literalmente tempestuosa,[viii] pois chovia a cântaros, líderes da direita civil e militar fugiram em desabalada carreira para o cruzador Tamandaré e o golpe foi debelado.
A importância do contra-golpe de 1955 foi mostrar uma séria divisão das Forças Armadas. Um movimento militar constitucionalista se estruturou com um comando central e comandos regionais. Estabeleceu contatos com imprensa, congresso e personalidades civis e se considerava preparado para responder a vários tipos de golpe que poderiam ser desencadeados.[ix] Porém, a posição do Congresso foi vital tanto em 1955 quanto em 1964, como veremos.
Embora o Movimento Militar Constitucionalista em seu boletim interno apontasse o bloco de partidos (Socialista,[x] Liberal, Democrata Cristão e UDN) ao lado do golpismo, no momento crucial tanto a Câmara, quanto o Senado destituíram Carlos Luz e, em seguida, o próprio Café Filho. Assim, deu posse ao Presidente do Senado Nereu Ramos, a única autoridade na linha sucessória que aceitava entregar o poder legalmente ao presidente eleito Juscelino Kubistchek. Já no dia 21 de outubro de 1955 os líderes dos principais partidos políticos tinham assinado um manifesto a favor da legalidade. Logo depois, todos os líderes partidários estavam na mesma posição anti-golpista, com a exceção da UDN.[xi]
Portanto, foi mediante uma combinação de ação militar com a hegemonia parlamentar que os partidários da legalidade conseguiram sustar o golpe. A intervenção dos militares na vida política jamais se fez sem o conluio com líderes da elite civil empresarial, política e da imprensa. No plano exclusivamente militar, o legalismo foi vitorioso porque os golpistas representavam uma grave ameaça à disciplina sem que houvesse a expectativa de uma “revolução” vitoriosa que empolgasse o conjunto das Forças Armadas.
Interpretações
O contragolpe não foi dirigido por uma esquerda militar. Lott atuou como totem do estabelecimento militar, na acepção de Oliveiros Ferreira[xii]. O estabelecimento militar não é neutro e depende de uma forma mentis fortemente marcada pelo anticomunismo. Por ser “anti” ele não define de antemão o “pró” e pode haver clivagens de interesses. Outra poderia ter sido a solução de 1955 se o supracitado Movimento Militar Constitucionalista tivesse dirigido o contra-golpe. O legalismo militar teria feito os expurgos e sanções necessários e os civis teriam feito o mesmo nos três poderes. Uma “revolução dentro da ordem”. Mas não foi assim.
Obviamente o legalismo de 1955 pode ser questionado devido à deposição de um presidente. Mas se formos além da superfície dos fatos, veremos que Café Filho conspirava contra a democracia, enquanto Lott a defendeu. Maria Vitória Benevides afirmou que o legalismo foi um mito porque tanto em agosto de 1954 quanto em novembro de 1955, o objetivo dos militares seria o mesmo: “a tomada em mãos da condução do processo político”. Diante da falta de unidade “o objetivo real do 11 de novembro teria sido adiar esse momento”.[xiii]
A trajetória posterior dos dois principais líderes do 11 de novembro foi diferente. O General Denys em 1961 tentou impedir a posse de João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros[xiv]; Lott defendeu a legalidade. Depois, manifestou-se contra mudanças na lei de remessas de lucros e o futuro projeto Radam (aerofotogrametria).[xv] A questão, logo se vê, não reside em divergências interna corporis, porque estas exprimem indecisões inerentes à própria sociedade civil. Um golpe sem os militares não teria eficácia. Mas um puramente militar também não. Só um golpe civil e militar poderia ser bem-sucedido.
Tanto civis quanto oficiais precisavam de um projeto comum. Oliveiros Ferreira afirmou que o movimento sedicioso vinha sendo derrotado porque a uma nação em desenvolvimento “não se pode oferecer apenas a moralização dos costumes administrativos como programa”.[xvi]
Em 1964 o partido militar se apoiou nos Estados Unidos e na elite empresarial, promoveu ampla propaganda ideológica prévia e formulou um programa liberal. Vitoriosa, a direita fez expurgos permanentes tanto no meio civil quanto no militar. Entre 1964 e 1970, foram punidos 1.487 militares, sendo: 53 oficiais generais e 274 oficiais superiores, 111 oficiais intermediários, 113 oficiais subalternos e 936 entre sargentos, suboficiais, cabos, marinheiros, soldados e taifeiros.[xvii]
O Brasil não estava isento da tutela que os EUA exerciam sobre a América Latina. O golpe foi mais um entre outros apoiados pelo imperialismo. Em 1962, Argentina e Peru; no ano seguinte Guatemala, Equador, República Dominicana e Honduras; e em 1964 Bolívia. Ainda assim, cada intervenção estadunidense se fez valer mediante causas internas dos países atingidos.
A disputa de hegemonia
No período 1945-1964, três grandes partidos consolidaram campos políticos estabelecidos. O PTB ocupou a área sindical e “popular de esquerda” com discurso voltado aos trabalhadores urbanos; o PSD ocupou o centro, sem ideologia definida e com base na oligarquia rural e nos proprietários rurais. A UDN voltou-se para as classes médias, iludidas com o “gigantismo” estatal e a corrupção e defensoras de uma moralidade seletiva.
A UDN manteve permanente contato conspiratório com uma fração estratégica dos setores médios: os oficiais militares, o que tingiu o seu liberalismo com tinturas de estatismo. Um liberalismo bastante ambíguo e pragmático. Somente quando se instalou uma crise de regime em 1964, a maioria do PSD aderiu ao golpismo da UDN e todo o terreno político fundado no consenso desenvolvimentista cedeu lugar à modernização conservadora.
O PSD foi o fator de estabilidade política porque sua maioria não dependia da sigla ou de um programa, mas do poder local. Assim como o MDB[xviii] mais tarde, ele exibia uma “unidade sem união”.[xix] Seu programa era meramente formal, embora tivesse na “ala moça” um grupo reformista: “o fato do PSD representar o poder torna secundária a questão da ideologia”,[xx] como escreveu Edgard Carone.
O PSD garantia o apoio dos coronéis,[xxi] embora o coronelismo fosse uma realidade em decadência diante da centralização do Estado após a Revolução de 1930. A expansão da sindicalização rural, das Ligas Camponesas em Pernambuco e conflitos agrários em São Paulo, Paraná e Goiás etc. levaram ao declínio do próprio PSD. Os políticos udenistas e pessedistas atuavam na estrutura governamental para bloquear a extensão da legislação trabalhista ao campo.[xxii]
A política brasileira, ancorada no avanço das forças materiais da produção, massificou-se e a sociedade civil se tornou mais complexa, embora desarticulada pelas desigualdades sociais, pelas assimetrias regionais de desenvolvimento, pelo imperialismo, pelos valores dominantes autoritários e, fundamentalmente, pela repressão à Esquerda. Houve ainda uma significativa mudança na relação de forças partidária. O eleitorado nacional cresceu 18% entre 1945 e 1964.[xxiii] PSD e UDN elegeram cerca de 80% dos deputados federais em 1945 e 51% nas eleições de 1962. O PTB passou de 7,6% a 28,3% no mesmo período.
A crise que levou ao golpe de 1964, diferentemente do que aconteceu em 1955, teve ampla participação do Congresso que buscou legalizar a intervenção militar ao declarar que o presidente João Goulart havia abandonado o cargo.
O conflito entre um Congresso conservador e um executivo pressionado por demandas reformistas de movimentos sociais acentuou-se no início dos anos 1960. As frações empresariais se uniram a militares conspiradores e à imprensa para preparar minuciosamente a intervenção armada.[xxiv] A conjuntura que combinou transformações estruturais da economia e da sociedade com os acontecimentos que precipitaram o golpe foi marcada pelo restabelecimento do presidencialismo, o Plano Trienal, as reformas de base, a Vigília Cívica e os conflitos de março de 1964.[xxv]
O sistema de alianças ruiu no Congresso porque no momento em que os grupos dominantes creram que seus privilégios fundamentais estavam em questão (a propriedade da terra e o controle total das decisões empresariais de investimento), seus representantes colocaram em segundo plano os privilégios de relacionamento com o governo central e foram seduzidos pelo histórico engajamento golpista da UDN. A contrarrevolução preventiva agora parecia possível. Por fim, os custos políticos de tentativas anteriores revelaram-se pequenos, já que os envolvidos sofriam punições brandas e voltavam a conspirar.
Democracia e empresariado
O regime de 1946 a 1964 não recebeu uma nomeação unânime da historiografia. Edgard Carone o chamou de “república liberal”; Pedro Estevam Pomar de “democracia intolerante”; Jorge Ferreira e Lucila Delgado foram mais otimistas e deram a um dos volumes de sua coleção Brasil Republicano o subtítulo de “o tempo da experiência democrática”. Carlos Marighela definiu o regime republicano brasileiro como uma “democracia racionada”[xxvi].
Essa dificuldade talvez venha a reaparecer com a retomada da crítica que a esquerda fazia nos anos 1980 ao termo Nova República, que de “nova” tinha muito pouco. Afinal, que tipo de República depende do arbítrio de empresários e militares a cada vez que forças progressistas ganham eleições?
A explicação depende de inúmeras considerações, como o baixo nível do excedente, o imperialismo, a posição geopolítica, o comportamento das camadas médias, a caracterização das sociedades latino americanas (ocidental, oriental, híbrida) etc. Mas se há algo que se deveria aprender logo é que não existe governo reformista que sobreviva sem um dispositivo militar. Ou melhor: sem que o partido militar considere que sua adesão à ruptura constitucional terá um custo muito alto em termos econômicos e corporativos.
As diversas intentonas de 1954 a 1964 ficaram impunes porque os líderes civis acreditaram que a conciliação demoveria os chefes militares de uma nova agressão à legalidade. Mas era exatamente o contrário: eles interpretavam a tibieza civil como uma falta de disposição para o exercício pleno do poder.
Se um futuro regime democrático usar a legalidade para punir as cliques privilegiadas das Forças Armadas e policiais que atuam como um partido militar, então saberemos que nome dar à próxima República.
Notas
[i]Versão desenvolvida de artigo originalmente publicado em Maria Antonia, USP, Gmarx, Ano 01 nº 67/ 2021.
[ii]Quartim de Moraes, J. “A guerra, a FEB e o golpe liberal”, in: Vários autores, Militares e política no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2018, p.128.
[iii]Silva, Helio, O Poder Militar. Porto Alegre, LPM, 1984, p. 167.
[iv]Carone, E. A República Liberal. Evolução Política. Evolução Política. São Paulo: Difel, 1985, pp. 90-103.
[v]Documento a favor da valorização das Forças Armadas e contra o aumento de 100% do salário mínimo proposto por João Goulart, ministro do Trabalho.
[vi]Sodré, N. W. História Militar do Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2010, p. 436.
[vii]Abrangia o Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Em 1956 passou a se denominar I Exército. Os Comandos das Zonas Militares eram: Sul, Centro, Leste e Norte, com sedes respectivamente, em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
[viii]Folha de S. Paulo, 11/11/1980.
[ix]Boletim informativo nº 11, do Movimento Militar Constitucionalista, 10 de setembro de 1955. Manuscrito (datilografado), Arquivo Cpdoc, GV dc 1955.09.10
[x]O líder do Partido Socialista, João Mangabeira, depois se posicionou favorável à legalidade, embora sem assinar o manifesto contra o golpe. Havia setores de esquerda anti – Vargas. O próprio PCB se opusera em vários momentos ao governo. Mas depois apoiou a candidatura de Juscelino que era do PSD. Houve intelectuais de esquerda que apoiaram o golpe, como Mário Pedrosa. Carone, E. A República Liberal. Evolução Política. São Paulo: Difel, 1985, p.105.
[xi]Silva, H. O Poder Militar, cit, p. 103.
[xii]Oliveiros Ferreira, Vida e morte do Partido Fardado, Senac, São Paulo, 2000, p.43.
[xiii]Benevides, M.V. A UDN e o Udenismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p.139. Cabe recordar que, embora próximo ao governo Getúlio Vargas, Denys o teria “alertado” contra a entrega de um Comando no Sul do país para o General Estilac Leal. cf. Carta de Ernesto Dornelles a Getúlio Vargas transmitindo apreensão do General Denys face possibilidade do General Estilac Leal receber um comando militar no sul do país. Cpdoc, GV c 1953.06.00/1, junho de 1953.
[xiv]Teria Denys no 11 de novembro de 1955 atuado a favor de Lott só porque temia que o Movimento Militar Constitucionalista desse seu próprio “golpe revolucionário, Cf. Carloni, Karla. Forças armadas e democracia no Brasil. O 11 de novembro de 1955. Rio de Janeiro: Garamond, 2012, p.116.
[xv]Folha de S. Paulo, 27/5/1984.
[xvi]Apud Oliveira, Eliézer R. “Os militares como atores políticos na obra de Oliveiros S. Ferreira”, in: Kritsch, R.; Mello, L. e Vouga, C (Orgs). Oliveiros Ferreira: Um Pensador da Política. São Paulo: Humanitas/Fapesp, 1999, p.54. Ferreira se referia especificamente ao golpe de agosto de 1954.
[xvii]Vasconcelos, Cláudio Beserra de. A trajetória nacionalista dos oficiais cassados após o golpe de 1964. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH, São Paulo, julho 2011.
[xviii]Hipólito, L. PSD. De Raposas e Reformistas. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985. O livro projeta o PMDB da “transição democrática” de 1985 no velho PSD, visto como garantidor da estabilidade política.
[xix]Secco, Lincoln. “El golpe de abril de 2016”. Revista Política Latinoamericana, Buenos Aires, n. ja/jul. 2016
[xx]Carone, E. A República Liberal: Instituições e Classes Sociais. São Paulo: Difel, 1985, p.300.
[xxi]O termo remete aos coronéis da extinta Guarda Nacional (1831-1916). Os sertanejos davam o tratamento de coronel a todo e qualquer chefe político local. É o mesmo fenômeno denominado caudilhismo (Rio Grande do Sul) ou chefismo (vale do São Francisco) e possivelmente o caciquismo na Espanha. Carone, E. “Coronelismo: definição histórica e bibliografia”. Revista de Administração de Empresas, vol.11 no.3 São Paulo July/Sept. 1971.
[xxii]Benevides, M. V. O Governo Kubitschek. 2 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976, p. 113.
[xxiii]Id. Ibid., p.136.
[xxiv]Dreyfuss, R. A. 1964: A Conquista do Estado. 5 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Djurovic, Camila Alvarez. Impressões da direita: a ação editorial do IPES (1962-1966), USP, dissertação de mestrado, 2021.
[xxv] Ribeiro, Davi Ricardo S. Da crise política ao golpe de estado: conflitos entre o poder executivo e o poder legislativo durante o governo João Goulart. São Paulo, USP, dissertação de mestrado, 2013.
[xxvi]Secco, L. “La Democracia Racionada”. Contrapunto, v. 4, Montevidéu, 2014, pp. 137-152.
O Circo dos Horrores do Bolsonarismo - Cláudio Furtado
Por Cláudio Furtado
Alguns se deixam ludibriar pelo projeto ideológico do Bolsonarismo, mas a sua base, o que realmente o sustenta não é este projeto e sim um poderoso projeto econômico. É o Neoliberalismo que está por detrás deste projeto Neo Nazifascista, o qual está em voga aqui no Brasil para o profundo azar do povo brasileiro.
Como bem já disse o analista político Breno Altman, o Neofascismo e o Neoliberalismo andam juntos nos dias atuais. São unha e carne. Não funcionam separados, estão sempre um apoiando o outro. No caso do Brasil, ao que parece, é mais adequado chamarmos de Neo Nazifascismo, pois vemos o atual governo vez outra flertando com o Fascismo, vide os macabros passeios de motocicleta que foram feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo, lembrando o passeio de motocicleta feito por Mussolini com seus apoiadores, e outras vezes flerta com o Nazismo, como foi visto por exemplo na citação feita em uma mensagem publicada pela SECOM (Secretaria Especial de Comunicação Social): “O trabalho, a união e a verdade libertarão o Brasil”; o qual se assemelha ao slogan nazista escrito em vários campos de concentração – incluindo Auschwitz I (“O trabalho liberta”, “Arbeit macht frei” em alemão).
Mas toda esta ideologia que vem aterrorizando a população brasileira, com todo o retrocesso cultural e social ao qual está a submetendo, vem acompanhado de um choque Neoliberal, o qual tardiamente está sendo feito no país. O fim do estado está dia a dia sendo colocado em pauta e em prática pelo governo de Bolsonaro. Ou deveríamos chamar de “desgoverno”? Seja lá como formos chamá-lo, é claro e evidente que Bolsonaro está entregando exatamente aquilo para o qual foi contratado. Está entregando todas as riquezas naturais do Brasil e de forma ampla podemos dizer que está destruindo a soberania do país como um todo. Mas este plano já vem de muito tempo. E agora finalmente o intento do Poder Econômico da Classe Opressora que esmaga os trabalhadores está sendo executado amplamente, de forma cruel e muito rápida.
Com certeza lembramos da “Petrobrax”, uma tentativa de privatização da Petrobras que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez, mas não conseguiu realizar em seus dois mandatos presidenciais. Mas Bolsonaro ao contrário está tendo sucesso neste intento, pois já entregou para a iniciativa privada o Pré-Sal, a BR Distribuidora, vendeu a refinaria Landulpho Alves da Bahia e pretende vender muitas outras refinarias da Petrobras. E dessa forma o projeto de destruição da Petrobras está sendo colocado em prática a todo vapor pelo “desgoverno” ao qual estamos submetidos.
E este plano de destruição da soberania não para aí, pois mais privatizações estão em andamento. Correios, Caixa Econômica Federal e Eletrobras são algumas das metas de privatização do “desgoverno”. Mais uma vez lembremos que tudo isso começou bastante tempo atrás com o chamado “príncipe” da Sociologia, o qual em seus dois mandatos de governo realizou várias privatizações, como por exemplo a privatização do Sistema TELEBRAS. E agora como podemos constatar nos dias atuais, a espoliação do país está seguindo de forma acelerada.
Com o governo golpista de Temer, o povo brasileiro perdeu seus direitos trabalhistas e o choque Neoliberal aprofundou estas perdas ainda mais, pois é assim que funciona o Neoliberalismo. Não basta espoliar o país, tem também que retirar os direitos dos trabalhadores e financeirizar toda a economia. E assim foi feita a Reforma de Previdência que fez com que os brasileiros tenham um futuro totalmente incerto em sua velhice, pois a aposentadoria se tornou uma meta praticamente inatingível para a população. Já a financeirização da economia tornou improdutivo o capitalismo brasileiro, pois o que o que conta agora é a especulação na bolsa de valores e não o investimento em produção. Isso sem falar na ruralização do país, o Brasil está se tornando um local onde o foco é o agronegócio e o extrativismo, onde o que importa é a venda de commodities. A indústria nacional está dando os seus últimos suspiros. Voltamos a ser um país exportador de matéria prima e importador de bens industrializados. Ou seja, hoje vendemos o milho a baixo preço e importamos a pipoca a alto custo. Um péssimo negócio.
Neste momento em que as empresas do país estão sendo entregues ao capital internacional, vemos vários políticos e comunicadores – também chamados de Youtubers – denunciando este roubo que está sendo feito no patrimônio nacional. Leonardo Stoppa é um destes comunicadores que elevou sua voz para falar contra todo este absurdo, inclusive está escrevendo um livro sobre a importância da Eletrobras. E o que aconteceu com ele? Recebeu um “strike” do YouTube e ficou sob a ameaça de perder o seu canal. Percebem como este jogo é pesado e sujo? Mas isso não pára por aí, pois estamos vendo muitos outros absurdos acontecendo como por exemplo a prisão do militante Rodrigo Pilha, o ataque feito a Vereadora Liana Cirne em Recife, a prisão do militante André Constantine no Rio de Janeiro e a prisão do vereador Renato Freitas em Curitiba. É esta a opressão que os opositores a este “desgoverno” estão infelizmente enfrentando.
Vemos também que o poder econômico, o qual está por trás de toda esta loucura, protege seus agentes claramente. Não é coincidência que muitos destes agentes moram ou se refugiam nos EUA. É o caso de Olavo de Carvalho, o “guru” desta seita macabra, o qual a vários anos mora em Richmond, Virgínia, de Abraham Weintraub, ex-Ministro da Educação que foi premiado com um cargo de diretor executivo no Banco Mundial após ser exonerado do cargo de ministro e do ex-youtuber Alan dos Santos. Isso sem falar em Sérgio Moro, o ex-juiz ladrão, nas palavras do deputado Glauber Braga, o qual ganhou seu “paraquedas dourado” na empresa de consultoria norte-americana Alvarez & Marsal. Lembrando que Bolsonaro não seria presidente se não fosse esta operação criminosa conhecida como Lava Jato, da qual Moro é um dos principais lesa-pátria que participou deste plano de destruição das empresas nacionais.
Agora temos a Copa América, mais uma tentativa de prover circo para o povo. Mesmo que este circo signifique um aumento da contaminação e das mortes. Pois o que conta para o sistema bolsonarista é a escalada de poder necessária para continuar “passando a boiada”, como disse o Ministro Ecocida Ricardo Salles, na reunião bizarra que veio à tona para espanto dos opositores do “desgoverno” e para deleite dos bolsonaristas. Isso mesmo, os bolsonaristas - mais comumente chamados de “gado”, pois mais parecem um rebanho que se movimenta de acordo com as ordens de seu “Mito” - adoraram toda a bizarrice que foi revelada nesta tenebrosa reunião. Em verdade o Bolsonarismo funciona mais como uma seita religiosa, onde seus fiéis creem cegamente e divulgam sem a mínima ponderação os maiores absurdos que são ditos por Bolsonaro. Só que neste caso, o Negacionismo e o Obscurantismo do “desgoverno” com relação a pandemia, não coloca apenas os fiéis desta seita em risco de vida, mas todo o povo brasileiro. Desta forma é possível afirmar que toda a população brasileira está com a vida em risco com a proliferação do Bolsonarismo, pois na mesma medida que eles proliferam as Fake News, também proliferam o Sars-Cov-2 (vírus que causa o Covid-19), o qual já levou a óbito mais de 490 mil brasileiros.
A máxima “pão e circo” não vale para o Brasil. Neste Circo dos Horrores do Bolsonarismo, a morte foi banalizada - está valendo até matar seus próprios “fiéis”, à lá Jim Jones - e o ódio entrou na pauta diária das mídias de notícias. O pão, por sua vez, está cada vez mais difícil de ser adquirido, já que a decolada desenfreada da inflação e o aumento descomunal do desemprego lamentavelmente recolocou o Brasil no mapa da fome. O Bolsonarismo é o mal que está destruindo o país de forma aceleradíssima. Expurgar esse mal é urgente e necessário para preservação do povo brasileiro.
Marco Frenette, ex-editor de Caros Amigos é o homem BRANCO por trás da “QUEIMA” de livros na Fundação Palmares * Ele foi uma das pessoas MAIS HUMANISTAS e EDUCADAS que conheci. * É algo que supunha IMPOSSÍVEL quando tomávamos cerveja e outras bebidas e falávamos de CULTURA e POLÍTICA nos bares da Vila Madalena.

Entre as obras que estão sendo descartadas por Marco Frenette, que foi por alguns anos editor da revista Caros Amigos, está o clássico Dicionário do Folclore Brasileiro de Câmara Cascudo
Marco Frenette é o personagem por trás da “queima” de livros da Fundação Palmares.
Tanto ele como seu chefe e amigo de infância Sérgio Camargo alegam que os livros não serão queimados.
Que serão simplesmente retirados do acervo e doados para quem os desejar.
Como se a ação não tivesse o mesmo significado.
Entre os livros que estão na mira de Frenette se encontram obras como Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, porque segundo o relatório o livro está “gramatical e ortograficamente desatualizado e com folhas soltas exibindo um forte cheiro de mofo”.
Frenette também está descartando obras de Machado de Assis, pelo mesmo “problema”.
O livro não respeita as normas ortográficas atuais que foram implementadas em 2009.
Ou seja, pela lógica de Frenette todo livro antes do novo acordo é lixo.
Veja o que ele diz no relatório da Fundação Palmares sobre uma edição de 1938 do livro Papéis Avulsos de Machado de Assis.
“Hoje, quem desejar ler na Palmares, por exemplo, “Papéis Avulsos”, de Machado de Assis, encontrará uma edição de 1938, a qual prestará um desserviço ao estudante brasileiro, pois ele aprenderá a escrever “chronica” em vez de crônica; “Hespanha” em vez de “Espanha”; e “annos” em vez de “anos”.”
Entre outras obras, Frenette também está propondo o descarte de títulos de Foucault, “por conta de seu conteúdo erótico e incentivador de homossexualidade e pedofilia”.
E de “Porcos com Asas”, um clássico de Marco Radice, por ser um “livro de pornografia juvenil, com incentivos à masturbação, ao sexo livre e à erotização”.
QUANDO trabalhou na Caros Amigos, Frenette NÃO era de EXTREMA-DIREITA.
Ao contrário, se comportava como humanista e priorizava em suas reportagens e artigos questões da periferia e do combate à violência policial.
Neste texto de 1998, na edição número 12 de Caros Amigos ele fala sobre a banda Racionais MC.
“Pela primeira vez na história da música popular brasileira, temos à nossa disposição uma obra musical que realmente retrata, de A a Z, as agruras e sofrimentos que todo jovem pobre de periferia conhece de cor e salteado:
a violência policial temperada com o preconceito racial, o som nervoso dos tiroteios noturnos entre traficantes, a banalidade do mal presente nos acertos de conta, a destruição dos jovens pelas drogas, a decadência de meninas que até ontem brincavam com bonecas e hoje são prostitutas mirins, a visão de mães angustiadas imaginando o maldito dia em que correrão para a rua e chorarão em cima de seus filhos tombados à bala.”
Marco Frenette também fazia matérias sobre a violência contra o MST, como no caso do Estado do Paraná, na edição de junho de 1999, na edição número 27 de Caros Amigos.
Naquela edição, denunciou a perseguição sistemática ao MST por parte do Estado paranaense que, por sua vez, não agiu de forma tão “eficaz” contra os abusos dos grandes proprietários rurais, que contratam capangas para assassinarem integrantes do movimento sem-terra”.
Do texto de Frenette:
“Um soldado me deu uma rasteira e me derrubou, me algemaram com as mãos para trás, depois me mandaram levantar e o mesmo policial deu quatro tiros para cima perto de mim.
Depois me levaram junto com os outros, um outro policial me deu dois chutes e bateu com aquele pau na minha cabeça…”, contava E S.R.L, adolescente de dezessete anos.
Além de trabalhar na Caros Amigos por muitos anos, Frenette também colaborou em algumas edições impressas da Revista Fórum e lançou pela editora Publisher Brasil, que edita a revista, dois livros:
“Preto e Branco, a importância da cor da pele”, obra que o colocou em evidência no debate sobre a questão racial, e “Os Caiçaras Contam”, uma grande reportagem a partir de entrevistas com antigos moradores de Ubatuba que narram como foram sendo retirados de suas terras por conta da grilagem e da especulação imobiliária.
Atualmente, em 5 de janeiro deste ano, Frenette escrevia em seu twitter:
“A vagabundagem faz de tudo para impedir a atuação do governo Bolsonaro, e depois finge lamentar a “inércia” do presidente.
Todo antibolsonarista é um animal trabalhando para a criminalidade esquerdista, pouco se importando com o futuro do povo brasileiro.”
Por fim, Frenette era habitué das grandes entrevistas que marcaram época feitas pela Caros Amigos.
Uma delas foi com Chico Buarque.
Para ir entrevistá-lo, Frenette encarou uma longa viagem de carro de São Paulo até o Rio de Janeiro numa kombi com outros entrevistadores, tamanha era a admiração que lhe tinha.
E lhe perguntou:
“Marco Frenette – Li uma história que um dia você pegou um livro raro da biblioteca do seu pai e ficou andando com ele pelos corredores da faculdade…
Chico Buarque -Tomei um esporro do Flávio Motta (professor de História da Arte na FAU, e pintor), porque era o Macunaíma, autografado pelo Mário de Andrade para o meu pai, primeira edição.
Eu estava lendo e, aquela coisa, vida de faculdade, você ia para o grêmio, bebia e tal.
E o Flávio Motta:
“O que você está fazendo com esse livro, rapaz?”
E esses livros alguns não estão na Unicamp, ficaram com a família.
Tenho O grande sertão, primeira edição autografada, dedicada ao meu pai, tenho Vidas secas, História da música brasileira, do Mário de Andrade, tenho Oswald de Andrade, algumas primeiras edições com autógrafo para o meu pai.
Tenho O estrangeiro, do Camus, dedicado à minha mãe, quando ele esteve no Brasil.
Esse eu roubei da minha irmã. (risos)”.
PS: Tive uma relação próxima e de amizade com Marco Frenette por alguns bons anos.
O ajudei como amigo e editor na produção de “Preto e Branco, a importância da cor da pele” e de “Os Caiçaras Contam”.
Frenette foi uma das pessoas mais humanistas e educadas que conheci.
É muito triste vê-lo comandando essa ação de perseguição a livros e autores, defendendo a liberação de armas e chamando progressistas de quadrilha, gangue e assassinos.
É algo que supunha impossível quando tomávamos cerveja e outras bebidas e falávamos de cultura e política nos bares da Vila Madalena.
Caso de racismo na CNN Brasil contra jornalista completa dois meses sem respostas
Funcionários da emissora relataram comentários pejorativos sobre cabelo e pele da jornalista Basilia Rodrigues, um dos principais nomes do canal em Brasília

247 - Nesta semana completou dois meses desde o anúncio da CNN Brasil de que havia aberto investigação para apurar um caso de racismo contra a jornalista Basilia Rodrigues, revelado pelo site Alma Preta.
A reportagem é do portal Veja.
Funcionários da emissora relataram, na ocasião, comentários pejorativos sobre cabelo e pele, além de tentativa de retirar a jornalista, um dos principais nomes do canal em Brasília, de cena.
Integrantes do jornalismo da CNN Brasil teriam reclamado sobre ela estar “descabelada” e “desgrenhada”, além de ocultar a imagem de Basilia, deixando apenas a voz no ar.
A reportagem ainda acrescenta que o caso levou a emissora a emitir notas oficiais e a prometer um processo para reformular sua política interna.
Essas mudanças até hoje não foram implementadas.
Fontes do canal dizem que o TRABALHO conduzido pelo setor de COMPLIANCE foi concluído e que os RESULTADOS ainda NÃO foram divulgados internamente.
Coca-Cola e Uefa se posicionam sobre caso envolvendo Cristiano Ronaldo
"Toda pessoa tem direito às suas preferências no que se refere a bebidas”, disse um porta-voz da Coca-Cola.
A Uefa preferiu exaltar o seu patrocinador.
O craque português retirou duas garrafas de coca-cola da mesa para trocar por uma de água durante uma entrevista coletiva

247 - Um porta-voz da Coca-Cola e a Uefa amenizaram o gesto do jogador da seleção portuguesa Cristiano Ronaldo, que retirou duas garrafas do refrigerante da mesa para trocar por uma de água durante uma coletiva de imprensa, na segunda-feira (14), na Eurocopa.
Após o gesto, a empresa teve um prejuízo de US$ 4 bilhões em ações.
"Toda pessoa tem direito às suas preferências no que se refere a bebidas”, disse um porta-voz ao jornal britânico Daily Mail.
"Aos jogadores é oferecido água, como Coca-Cola e Coca Zero na chegada ao local das conferências de imprensa", acrescentou.
O relato foi publicado pelo site MKTEsportivo.
A Uefa exaltou o seu patrocinador.
Segundo ela, "sem a Coca-Cola seria impossível organizar um torneio com tanto sucesso para jogadores e torcedores".
A entidade acrescentou que a marca investe "para garantir o desenvolvimento do futebol em toda a Europa", e que possui um portfólio "para todos os gostos e necessidades, desde água a bebidas isotônicas, sucos, café e chá".
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