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Genro de Edir Macedo pede que fiéis doem auxílio emergencial para o ‘Senhor multiplicar’
A ANARQUIA MILITAR de Bolsonaro PREVALECEU
O novo patamar do risco militar | Míriam Leitão
Forças Aparvalhadas | Bernardo Mello Franco
E se não for bem assim? | Merval Pereira
Acorda, Brasil | Dorrit Harazim
Freixo RETIRA POSTAGENS e ex-promotora do 'caso Marielle' DESISTE de ação por dano moral
Luiz Fernando Guimarães fala dos 20 anos de 'Os normais' e da vida no campo
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A anarquia militar de Bolsonaro prevaleceu
O vice-presidente Hamilton Mourão tocou num nervo sensível da política de hoje: a necessidade de se “evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças”. Referia-se à escalafobética participação do general Eduardo Pazuello num palanque político, absorvida pelo comandante do Exército, abrindo um novo capítulo na história da anarquia militar, o da indisciplina bolsonarizada.
Não se pode prever a duração nem o desfecho dessa desordem.
Em 1964, o general Jair Dantas Ribeiro, ministro do Exército, foi ao comício de João Goulart no dia 13 de março. Ambos acreditavam que o governo se apoiava num dispositivo de oficiais e sargentos fiéis. (O general Castello Branco reconheceu-o, meio escondido, e mostrou sua surpresa ao colega Arthur da Costa e Silva).
É sabido que quando a política entra nos quartéis por uma porta, a disciplina sai por outra. Ela sai aos poucos. No século passado, o dispositivo palaciano juntava oficias e sargentos. Hoje, como na Venezuela e no último golpe boliviano, somam-se comandantes e oficiais de polícias. Piorou a anarquia.
Os repórteres Marcelo Godoy e Felipe Frazão mostraram que na indisciplina bolsonariana há um buraco mais embaixo.
No dia 4 de maio, um sargento da 15ª Brigada de Infantaria Motorizada participou de uma fala do deputado Major Vitor Hugo defendendo mudanças no sistema de promoções dos graduados. (Nada muito diferente do que fazia o capitão Jair Bolsonaro).
O general Ernesto Geisel definiu Bolsonaro como um “mau militar” e seu rigor pelo respeito à disciplina militar remete a um episódio ocorrido em fevereiro de 1972.
O Brasil era presidido pelo general Emílio Médici e faltavam dois anos para o fim de seu mandato. Ele proibiria que a imprensa tratasse da sua sucessão.
Geisel estava na presidência da Petrobras e, num país de cem milhões de habitantes, talvez fossem 500 as pessoas capazes de prever que ele seria o próximo presidente. Sabendo como seu nome vinha sendo costurado, não passavam de 50. Com intimidade para tratar do assunto com ele, talvez 20.
Para surpresa de Geisel, um sargento que havia sido seu motorista foi à sua casa para se despedir e perguntou-lhe quando iria para Brasília.
— Ah, eu não vou — respondeu o general.
— Vai, sim. O senhor vai ser presidente — informou o sargento.
Horas depois, Geisel contou a cena ao seu assistente, Heitor Ferreira, e expôs sua contrariedade:
— Quer dizer que (...) sargento também já está de novo se metendo nisso?
Enganos seletivos
O ministro Paulo Guedes informou à CPI da Covid que não destinou recursos específicos para o combate ao coronavírus no projeto da Lei Orçamentária porque “não se vislumbrou a continuidade bem como o recrudescimento da pandemia da Covid-19 no patamar atingido em 2021”: “Achávamos que a pandemia estava acabando não por má-fé, foi um engano”.
Põe engano nisso. Neste ano já morreram mais de 273 mil pessoas, contra 194 mil em 2020. Pode-se aceitar a boa-fé do doutor, mesmo sabendo-se que é o sumo sacerdote da economia num governo cujo presidente falou em “gripezinha”, decretou o “finzinho” da epidemia e chamou de “conversinha” a possibilidade da chegada de uma segunda onda. O próprio “Posto Ipiranga” mostrou, em abril de 2020, que acreditava em lorotas. Ele falou de um amigo inglês que oferecia 40 milhões de testes por mês.
Os enganos de Paulo Guedes são seletivos. Numa reunião para lá de esquisita do Conselho de Saúde Suplementar, contou a história do filho de seu porteiro, que tirou zero na redação no exame de uma universidade privada e conseguiu um empréstimo do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies. Esqueceu-se de datar o episódio. Ele só pode ter ocorrido antes de 2015, quando o ministro Cid Gomes acabou com essa mamata das universidades privadas. Era coisa daqueles que Guedes chamava de “criaturas do pântano político, piratas privados e burocratas corruptos, associados na pilhagem do Estado”.
Na reunião do Conselho de Saúde Suplementar, Guedes ouviu os pleitos das operadoras de medicina privada que articulam um avanço contra os recursos do SUS e o bolso de seus clientes. Trata-se de uma armação que rolou em segredo, foi denunciada, encolheu e ressurgiu no escurinho da pandemia.
Paulo Guedes, como muita gente boa, apresenta-se como um campeão da iniciativa privada e demoniza a ação do governo, capaz de criar maluquices como o Fies original. Sem os “piratas privados”, ele nunca teria existido, mas os maganos continuam aí, apoiando o governo.
Guedes gostaria de viver no mundo de professores da universidade de Chicago, onde se formou. Pena que a Chicago onde ele se meteu seja outra.
Sowell conta que foi educado pelos fatos
Acaba de sair nos Estados Unidos uma biografia do professor Thomas Sowell. Coincide com seu 90º aniversário e é pequeno, mas conta uma grande vida.
Sowell nasceu numa casa em que não tinha água encanada nem eletricidade e foi criado por uma tia-avó no Harlem de Nova York. Ralou na pobreza e se alistou no Corpo de Fuzileiros. Na juventude, não podia sentar-se em mesas de brancos nos restaurantes e foi marxista. Diplomou-se por Harvard aos 28 anos e dez anos depois doutorou-se pela Universidade de Chicago, debaixo das asas dos economistas Milton Friedman e George Stigler. Ambos recomendaram-no para uma bolsa de estudos argumentando que ele era socialista, “porém muito esperto para continuar assim por muito tempo”.
Na mosca. Sowell se tornou uma espécie de Cão da Terceira Hora do conservadorismo político e econômico. Contesta a eficácia das políticas afirmativas, das cotas aos estímulos à diversidade. A seu juízo, a eleição de Joe Biden pode vir a representar o início da decadência do Império Americano.
A migração de Sowell teve duas vertentes. Numa esteve o respeito aos números: “Quando você percebe a importância dos fatos, o jogo é outro”. Noutra, ficou longe do poder. Não é à toa que a biografia chama-se “Maverick”, algo como “dissidente”, numa tradução neutra, ou “porra-louca”, em versão maligna. Afinal, um negro saído da pobreza não deveria ser conservador, muito menos intransigente.
Milton Friedman teve a coragem de dizer que “a palavra ‘gênio’ tem sido tão esbanjada que perdeu o sentido, mas eu acho que Tom Sowell está perto de ser um deles”.
Com 36 livros publicados e centenas de artigos, Sowell celebrizou-se pela clareza de seus raciocínios. Um exemplo, tirado da sua análise do colapso das economias do finado mundo socialista:
“O sistema tinha um problema inerente de conhecimento. Em poucas palavras: quem tinha poder não tinha conhecimento e quem tinha conhecimento não tinha poder”.
Esse diagnóstico vale para o meio em que Paulo Guedes se meteu.
O novo patamar do risco militar | Míriam Leitão - O Globo

O risco institucional mudou de patamar. A impunidade de Pazuello, a submissão do general Paulo Sérgio às imposições do presidente Jair Bolsonaro deram um aviso eloquente de que o risco à democracia subiu consideravelmente. Há outros perigos. As polícias militares dão seguidos sinais de estarem se adaptando ao papel de forças políticas do presidente. As de Pernambuco atiraram contra uma manifestação pacífica e negaram socorro a um ferido. As do Ceará se sublevaram em 2020 e tiveram apoio do governo federal. Em Brasília, oficiais da PM bradaram slogan de campanha eleitoral. No Rio, policiais desfilaram no cortejo de motos como manifestantes. E não são apenas as forças de segurança. O secretário da Receita Federal fez atendimento domiciliar ao senador Flávio Bolsonaro para tirá-lo de apuros contábeis. A PGR está neutralizada. A PF tem apenas ilhas de resistência. Os órgãos ambientais e de proteção dos índios estão sendo demolidos.
A democracia brasileira nunca correu tanto risco quanto hoje. O pior perigo é subestimar as ameaças. Jair Bolsonaro sempre sonhou com um golpe. A partir da tibieza do comandante do Exército, ele ficou mais perto do seu objeto do desejo. O golpe — todos sabem — não é mais como no passado. Ele acontece após se corroer por dentro as instituições. Bolsonaro tem feito isso desde o primeiro dia e foi mais longe do que os especialistas em Forças Armadas imaginavam que ele poderia ir. Um deles me disse. “Não esperava essa capitulação absurda. Até aqui pensava que eles não se dobrariam. Não mais”. O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, que mantém relações próximas com militares da ativa e da reserva, alertou que é preciso reagir “antes que seja tarde”.
Bolsonaro fez o primeiro ataque às Forças Armadas quando demitiu o general Fernando Azevedo e os comandantes das três Forças em abril. O que ele queria era a cabeça do general Edson Pujol, para ter um Exército que desse mais “demonstrações de apreço”, como chegou a dizer dentro do governo. Naquele episódio, alguns analistas entenderam que ele recuara ao nomear o general Paulo Sérgio. Na época, eu escrevi que ele fingia recuar, mas já havia cravado sua estaca no terreno. Agora ele avança, usando a estaca cravada em abril.
Bolsonaro foi ardiloso. Ele sabia o que estava fazendo quando levou Pazuello para a quebra do estatuto das Forças Armadas e do regulamento disciplinar do Exército. Era hora de mostrar ao general Paulo Sérgio o sentido do lema Pazuello: “é simples assim, um manda e o outro obedece.” É um erro pensar que pelo fato de o presidente ser o comandante em chefe das Forças Armadas o que o Pazuello fez foi cumprir ordens. O próprio vice-presidente, diante desse argumento, dias atrás, afirmou que essa é uma visão “canhestra”. As Forças Armadas respeitam a autoridade do presidente dentro dos limites constitucionais e legais. A primeira lealdade do estamento militar tem que ser à Constituição.
O erro fatal do comandante do Exército foi achar que ao ceder ele estancaria a crise. Na verdade, elevou seu patamar. Até porque, antes de decidir, ele ouviu o Alto Comando. O erro foi socializado com 15 outros generais. Passou a ser falha da instituição, ainda que alguns oficiais tenham discordado. O general Paulo Sérgio levou o Exército à rendição ao projeto político de um governo e, dessa forma, traiu o papel da Força como instituição do Estado.
A figura do ex-presidente Lula está sendo usada como um espantalho. Que ameaça para as Forças Armadas houve nos anos do PT no governo? Os militares sempre foram respeitados e nunca expostos ao risco que vivem hoje. Quem quer justificar a bolsonarização das Forças Armadas alega que tudo precisa ser feito para evitar a volta de Lula. Quem afirma isso já politizou as Forças Armadas. Uma das teses que os interlocutores sempre repetem é que a Comissão da Verdade foi um ultraje. Outra desculpa esfarrapada. A Comissão da Verdade não puniu ninguém e os únicos a serem interrogados foram dois notórios torturadores, os coronéis Brilhante Ustra e Paulo Malhães. O segundo confessou crime de tortura. Está faltando ao Exército liderança com lucidez e visão estratégica. Adiantará pouco uma nova nota dizendo que não entrarão numa aventura. Já entraram. Ainda há tempo de recuar. Pouco tempo.
(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)
E se não for bem assim? | Merval Pereira - O Globo
O arquivamento do processo de indisciplina contra o General Eduardo Pazuello, sob pressão do presidente Bolsonaro, foi um erro do Comandante do Exército, General Paulo Sérgio Nogueira, gerou insegurança e alimentou suspeitas de que o Exército sucumbiu a um projeto autoritário que está em curso. Suspeitas assumidas por mim, no impacto da notícia surpreendente.
A versão de que o Alto Comando do Exército acatou a decisão de não punir Pazuello para não criar mais uma crise militar pode denotar ingenuidade por parte dos generais quatro estrelas, mas anula a de que o golpe de Bolsonaro representa a submissão política de uma instituição de Estado ao projeto autoritário do governo da ocasião.
No caso específico, Comandante e Exército como instituição se encontravam numa verdadeira “escolha de Sofia”, ou, em português popular, numa “sinuca de bico”. O ato do Pazzuelo foi, sem dúvida, contrário aos regulamentos militares. Mas foi praticado, de fato, não pelo General, e sim pelo Presidente, ao chamar um General da ativa para uma manifestação política, e levá-lo ao palanque.
Mais, ao manifestar seu apoio ao general, o Comandante em Chefe colocou o Exército e seu comandante na seguinte situação:
1 - Mantém os regulamentos e pune o General – e implicitamente “pune” o seu comandante em Chefe – tendo como consequência a revogação da punição pelo Presidente e, em seguida, a demissão do General Paulo Sérgio Nogueira (o que, de fato, é um dos objetivos do Bolsonaro). Se o Exército aceita essa decisão está, de fato, “dominado”; se não aceita, tem de “demitir” o Presidente.
2 – Passa por cima da punição, numa aparente “derrota” imediata da disciplina, mas mantém a linha atual de comando, aprofunda o evidente “desgaste” do Presidente na Força ( não há militar que se preze que aceite de bom grado a violação de seus princípios), e com isso se fortalece para uma possível “resistência” futura.
Nesse caso, pode-se discordar da estratégia adotada pelo Comandante do Exército, mas não se deve desqualifica-la, pois teria tomado uma decisão como chefe de um órgão de Estado, e não de uma corporação. O importante é definir se as Forças Armadas, mais especialmente o Exército, respaldam o golpe que está sendo articulado por Bolsonaro, com o apoio em seus segmentos subalternos, das polícias militares, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Bolsonaro usa a disciplina para abusar das Forças Armadas, mas não podemos dar ao Exército o epíteto de golpista, mesmo porque, se fosse verdade, o jogo estaria terminado. E não está. A ojeriza dos militares ao PT e a Lula está por trás da condescendência com que Bolsonaro é tratado, mas não pode ser razão para a quebra da ordem democrática.
Além do fato de que Lula foi presidente por 8 anos, e não houve confronto entre o então Comandante em Chefe com as Forças Armadas. O caso ocorrido no governo Dilma, de tentativa de interferência no ensino militar, quando editou-se um decreto transferindo para o ministério da Defesa algumas das tarefas do Comandante do Exército, inclusive a definição dos currículos das escolas militares, é um osso atravessado na garganta dos militares.
Mas a solução não são as escolas militarizadas incentivadas pelo governo Bolsonaro, que representam uma tentativa de incutir as regras militares aos estudantes civis, numa ação tão perniciosa quanto a petista. No mundo moderno, não há lugar para aventuras comunistas, pelo menos em países como o Brasil, com um peso geopolítico específico de líder regional.
Não podemos virar uma Venezuela com sinal trocado, nem uma Bielorússia. O fato é que estamos isolados no mundo, e temos que voltar a nos unir aos organismos internacionais que regem os países democráticos do Ocidente. O receio da volta da esquerda ao poder nos aproxima de um pensamento regressivo que torna o Brasil um pária internacional. Não é possível que a maioria das Forças Armadas admita respaldar um regime autoritário comandado por um capitão que abusa do “seu Exército” em nome da proteção contra uma assombração esquerdista. É o mesmo erro cometido pelos que consideravam as milícias uma solução para a segurança pública.
Acorda, Brasil | Opinião - O Globo
Urge colocar um cabresto na cabeça do presidente da República, Jair Bolsonaro. E calibrar rápido essas correias para frear o insano galope presidencial em curso. Como demonstrou o engavetamento do processo disciplinar contra o general da reserva e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o desfibrilado Alto-Comando do Exército abriu porteira a uma anarquia fardada de cima para baixo. Com as PMs de vários estados já bandeadas como linha de frente do capitão, Bolsonaro sabe que também pode contar com a confraria fortemente armada das milícias, que aguarda apenas a ordem para sair das sombras e atropelar o que resta de Brasil civil e civilizado. Uma pesquisa de julho do ano passado já mostrava que 12% dos policiais militares eram favoráveis à prisão de ministros do STF e ao fechamento do Congresso.
As minudências do “episódio/provocação Pazuello”, desencadeado por Bolsonaro, conseguiram eclipsar por um dia outras constantes nacionais como o descontrole da Covid-19, cuja curva de mortandade aponta para a inimaginável marca de 500 mil vidas descartadas, além de 13 estados com UTIs novamente lotadas e uma CPI que desenterra os porões da (ir)responsabilidade do governo. O desmatamento da Amazônia também acaba de atingir o pior índice para maio desde 2016, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), enquanto a brutalidade policial contra o cidadão comum está cada dia mais escancarada. É um desmatamento institucional de vidas — a humana, a animal, a ambiental, a política —pela força.
Não bastasse, ainda temos a Copa América, rebatizada de Copa das Cepas pelo escritor Ruy Castro. Se é que Copa haverá. A absurda realização do evento deslocado às pressas para solo brasileiro, com a participação de dez seleções e um número indefinido de possíveis variantes do vírus, corre o risco de ter apenas um torcedor desvairado —Jair Bolsonaro. Além,é claro, da quadrilha de sempre — a CBF. O presidente apostou forte no poder anestesiante de uma bola rolando em estádios, com um possível triunfo da seleção canarinho.
Errou feio.
Cinquenta e um anos atrás, outro capitão, o jogador Carlos Alberto, tornara o Brasil o primeiro tricampeão do mundo ao marcar o último gol do histórico 4 a 1 contra a Itália, no México. Naquele junho de 1970, vivia-se aqui a fase mais repressiva da ditadura militar, mas a pátria dos “90 milhões em ação” comemorou como se não houvesse o amanhã da tortura, dos mortos e desaparecidos, do aniquilamento da vida nacional. Naqueles anos sombrios, venceu o “Ame-o ou deixe-o”.
Desta vez, será diferente: essa Copa bolsonarista tem tudo para dar errado. O enjeitado torneio, expelido da Colômbia e da Argentina por motivos diferentes, fará pouso arriscado num país que se arrasta em 79º lugar entre 180 países no ranking mundial de vacinados com duas doses. Somada à notícia de que vários convocados da seleção canarinho, atuantes em times europeus, poderão até desistir de jogar —seja por pressão, precaução ou convicção —, deve ter acendido alerta brabo nos organizadores. Mesmo que o evento seja disputado nos quatro estados acordados, a possibilidade de um desempenho pífio do Brasil agravará o efeito político bumerangue da coisa.
A propensão de Bolsonaro por gerar crises e planejar estultices é deliberada, fruto de sua insegurança conspiratória na Presidência. Impregnado de estratagemas usados à exaustão por Donald Trump, o primeiro presidente dos Estados Unidos a utilizar a expressão “meus generais” e a tentar um autogolpe para manter-se no poder apesar de derrotado nas eleições, o capitão no Planalto já quase oficializou sua estratégia para 2022, caso saia surrado nas urnas: simplesmente invalidar o resultado, convencer seus apoiadores de que houve fraude e convocá-los a mantê-lo no poder somando o uso da força ao caos nacional.
Convém não esquecer que, embora o assalto ao Congresso promovido por Trump não tenha conseguido impedir a posse de Joe Biden em 2021, a ala majoritária do Partido Republicano sustenta até hoje que o processo eleitoral foi fraudado e promete troco nas próximas eleições legislativas (2022) e presidenciais (2024). As conspirações para abalar a democracia nos Estados Unidos são bem financiadas, persistentes e alarmantes. Felizmente, nem todas chegam ao desvario do general da reserva Michael Flynn. Semanas atrás, o ex-assessor de Segurança Nacional de Trump sugeriu publicamente que as Forças Armadas dos EUA dessem um golpe de Estado semelhante ao dos militares de Mianmar, que causou perto de 800 mortes quatro meses atrás.
Tempos brabos, em resumo. Portanto, tempos de o Brasil encarar o pesadelo nacional de olhos bem abertos.

Por Dorrit Harazim
Freixo retira postagens e ex-promotora do 'caso Marielle' desiste de ação por dano moral | Ancelmo - O Globo

Lembra-se do caso que saiu aqui na Coluna, em março, da cobrança feita no TJ do Rio por Carmen Eliza Bastos de Carvalho, promotora de Justiça do MP do Rio, contra o deputado federal Marcelo Freixo, do Psol?
Pois ela encerrada dias atrás. É que Freixo comunicou em juízo que retirou do ar as postagens feitas contra Carmen, após ela ser escolhida para comandar a 170ª Zona Eleitoral, que será responsável por julgar uma das investigações que correm contra o senador Flávio Bolsonaro na Justiça Eleitoral.
Freixou insinuou alguma vantagem a Flávio pelo fato da promotora ser madrinha de casamento da advogada do senador.
Ao ter ciência da retirada das postagens, a promotora desistiu de cobrar R$ 50 mil por danos morais, como previsto na inicial do processo.
Carmen ficou conhecida por ter integrado o grupo que apurava a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ela foi afastada após fotos suas apoiando Jair Bolsonaro circularem nas redes sociais.
Forças Aparvalhadas | Bernardo Mello Franco - O Globo

O capitão enquadrou os generais que imaginavam comandá-lo. A avaliação é do cientista político João Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de São Carlos. Um dos principais estudiosos da atuação das Forças Armadas no país, ele vê Jair Bolsonaro como uma criatura que dominou os criadores.
“A eleição de Bolsonaro teve apoio decidido da cúpula das Forças Armadas. O objetivo era voltar ao poder e controlar o presidente, mas esse projeto não deu certo. Desde a demissão do general Santos Cruz, no início do governo, ficou claro que ele seria incontrolável”, afirma.
Na quinta-feira, o Exército se dobrou a Bolsonaro e arquivou o processo disciplinar contra o general Eduardo Pazuello, que participou de ato político com o presidente. Para Martins Filho, a decisão de não punir o ex-ministro enfraquece o comandante Paulo Sérgio Nogueira e estimula a insubordinação nos quartéis.
“A atitude correta seria punir o general e esperar as consequências. Bolsonaro poderia demitir o comandante do Exército, mas sairia desgastado do episódio. Agora quem saiu enfraquecido foi o comandante”, avalia o cientista político.
O presidente arrastou Pazuello para o palanque no momento em que aparece em queda nas pesquisas e se vê cercado pela CPI da Covid. Antes disso, trocou os três comandantes militares e entregou o Ministério da Defesa ao general Braga Netto, que o professor define como “bolsonarista de carteirinha”.
“Levar Pazuello para o ato foi uma provocação aberta”, diz Martins Filho. “Quanto mais o governo se enfraquece, mais as Forças Armadas parecem aparvalhadas. Os generais do Alto Comando que pensam na institucionalidade devem estar desnorteados”, aposta.
O capitão se projetou na política ao ser punido por indisciplina nos quartéis. Agora estimula a insubordinação militar para se agarrar ao poder, avalia o cientista político. “A estratégia de Bolsonaro é semear o caos. Ele sempre tenta fugir para a frente. Enquanto puder, vai gerar instabilidade até as eleições de 2022”, prevê.
O cenário do tumulto já está desenhado. Ao atacar o voto eletrônico, o presidente indica que se insurgirá contra uma possível derrota nas urnas. Enquanto a eleição não chega, ele investe na politização de policiais militares e de oficiais de baixa patente das Forças Armadas.
“Hoje os governadores têm medo de suas polícias. Se houver uma rebelião nas PMs, só quem pode segurá-las é o Exército. Bolsonaro está brincando com fogo”, alerta Martins Filho.
O professor aponta semelhanças entre o caso Pazuello e o atentado do Riocentro, em 1981. Há 40 anos, militares contrários à redemocratização tramaram um ato terrorista para frear a abertura. O plano fracassou porque uma das bombas explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu no local.
Em vez de punir os responsáveis, o governo de João Figueiredo preferiu acobertá-los. O inquérito foi arquivado sob a alegação de que os militares teriam sido vítimas de uma armadilha. “A diferença é que agora o agitador é o presidente da República”, observa Martins Filho.
A ação indispensável
O mundo passa por um mau momento: não é só a pandemia, é a aflição do amanhã; olhando-se em volta, pouco se vê a não ser a preocupação com a sobrevivência e o pouco ânimo com as doenças. E não é para menos.
Apesar disso, enquanto estivermos por aqui é melhor, se não der para agir, pelo menos sonhar. O pior é que se nos envolvermos muito com o dia a dia, mesmo no sonho, o que há, é pesadelo. Principalmente se no devaneio aparecer a política. Mas, vamos lá...
Nosso presidente não decepciona. Atua como se nada houvesse de grave.... Mesmo eu que, por motivos óbvios, prefiro não falar dos incumbentes, de vez em quando tenho vontade. Não é possível tratar a epidemia como se nada tivesse a ver com ela. Todos temos. Com mais forte razão quem deveria cuidar de nosso bem-estar. Não vou exagerar: cada indivíduo precisa se cuidar. E a crise de saúde não é “culpa do governo”. Fizesse o que fizesse o governo, o vírus estaria pronto a atacar.
Mas daria para ter um pouco mais de cuidado. Se a ação for pouco responsável, que pelo menos as palavras sejam cuidadosas. Não é o que se vê.
Deixemos de lado, contudo, o modo de ser e falar. Esqueçamos mesmo o aspecto médico-hospitalar da crise atual. Não dá para deixar de lado o óbvio: a recuperação da economia demandará tempo e precisa de ação. Já.
Vejo declarações dizendo que a recuperação econômica será breve. Confesso que as leio com preocupação. Com base em quê? Talvez, mas por enquanto se trata mais de uma aposta do que de uma verificação baseada em dados ou na experiência. Ainda que seja essa a tendência, o que sentirão os desempregados que escutam, sem ter poder de decisão, que o futuro será promissor e a recuperação será em breve.
Um pouco de empatia e solidariedade não faz mal a ninguém. E em nosso meio, se não dá para curar, que pelo menos se mostre preocupação com o que está ocorrendo. Tomara a recuperação da saúde e do bem-estar venha depressa. Para tanto, mais do que nunca, é preciso vacinar. Vacina boa é a vacina no braço das pessoas. Há, portanto, que buscá-las, literalmente, custe o que custar. Mas enquanto não vêm, que pelo menos os que têm autoridade falem com mais compaixão e atuem com maior discernimento.
Parece que na Ásia — Japão, Coreia e China à frente — o mal-estar sanitário vai passando sem tantas vítimas (isso se não olharmos para a Índia...). Por quê? Possivelmente o próprio povo aprendeu a se cuidar, mas não terá sido só por isso. As autoridades também colaboraram. Além da vacinação em massa, os asiáticos e os europeus investiram na testagem, identificação e isolamento dos doentes. Nesse ponto também estamos mais do que atrasados. Se não sabemos muito bem as causas, tratemos de estudar as experiências bem-sucedidas e aplicar seus ensinamentos.
A ignorância ou a inação frente aos efeitos do coronavírus sobre as pessoas, a sociedade, o emprego e a renda dos que mais precisam, é mal de custosa cura. Custosa em termos do número de vítimas diretas causadas pela moléstia e indiretas, se considerarmos os muitos que são vítimas da retração econômica.
É só andar pelas ruas ou ler os jornais para ver quantas lojas, quantos restaurantes e mesmo empresas produtivas não estão trabalhando. Ao voltarem à ativa — as que voltarem —, precisarão de apoio financeiro e de governos. É isso que aumenta a preocupação: a falta de previsão sobre ações de apoio, além da realidade do vírus.
Sei que os atuais governantes foram eleitos e acho que o voto deve ser respeitado. Já tivemos alguns impeachments, e a experiência deixou um sabor amargo em muitos. Por isso mesmo, em vez de pregar tal método, prefiro bater em outra tecla: já que o governo parece não dar a devida atenção à crise de saúde, que pelo menos dê à saúde econômica. Ainda que movido pelo afã (vão, torço eu) da reeleição, que pelo menos atue logo para evitar que a crise econômica nos atinja por muito tempo.
É disso que precisamos. De governos (e há bons exemplos estaduais e locais) que além de falar, prevejam e atuem para que, pelo menos no âmbito de suas ações, a sociedade não tenha que pagar futuramente preços tão elevados. Graças ao SUS temos um sistema de saúde eficiente. O trabalho de nossos médicos e cientistas nos orgulha e alenta. Aprendemos a bem cuidar e a vacinar. Usemos plenamente o conhecimento adquirido, mas não descuidemos da vida produtiva. Enquanto há tempo.
Reitero: de imediato, as pessoas querem se salvar; por isso, ações de saúde pública são indispensáveis. Distanciamento social, uso de máscaras, higiene das mãos, ventilação dos ambientes fechados salvam vidas. Cada um que se cuida, cuida dos outros. Mas, tão logo terminem essas aflições, quererão viver: com pouco trabalho e renda diminuída, a insatisfação poderá aumentar. Se não fosse isso — o que de si já é importante para quem manda — é obrigação pública cuidar de melhorar as condições de vida do povo e do crescimento do país. Não há desculpas, pois, para a imprevidência. A saúde e o bolso, ambos são indispensáveis.
Luiz Fernando Guimarães fala dos 20 anos de 'Os normais' e da vida no campo - Patrícia Kogut, O Globo
Thayná Rodrigues

Luiz Fernando Guimarães, logo depois dos cumprimentos iniciais, identifica uma vozinha no telefone. "'Tô' ouvindo o bebê aí ao fundo... É isso? Sempre bom. São uns anjos. É luz". Parecia se tratar de um Luiz Fernando ansioso por falar do tema que tomou a sua vida há seis meses: a paternidade. Exercer essa função isolado no sítio da família, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, quase fez o Rui de "Os normais" esquecer uma data importante: os 20 anos da série.
— Estou aqui na roça. De repente, vi chegarem muitas notificações no meu celular e pensei: "Ué... Alguma coisa está acontecendo!" Eram as pessoas me marcando em cenas da série. Tenho recebido muitas mensagens. Curioso é que tem umas que nem eu nem Nanda (Fernanda Torres) lembrávamos de ter feito. A gente fez muito. Então, tem umas sequências que escapam. Hoje fico mexido e me sinto privilegiado de as pessoas reviverem isso, mesmo com tanta coisa tendo acontecido de lá para cá. E vêm tantas recordações... Para ter uma noção de como era fazer, é só olhar a lista de convidados. Tinha uma época que eram uns dois ou três por programa. E o clima era de como se a gente estivesse recebendo pessoas em casa: tinha um buffet, aquela coisa de ficar conversando perto da mesa — recorda-se o ator de 71 anos a respeito da produção, que teve 71 episódios, ficou dois anos no ar a partir de 2001 e está em reprise no Viva.
Luiz lembra que a escalação de Fernanda Torres, sua amiga desde antes de estrelarem a produção, teve total responsabilidade sua:
— Lembro que eu e Nanda tínhamos acabado de voltar de uma viagem à África. E ela estava chorando por um romance. Ela chorava e falava com a mãe (Fernanda Montenegro). Pensei: "Ela não vai ficar assim". Aí enquanto isso eu estava conversando com o Alexandre (Machado, roteirista) e ele me disse: "Escrevi um programa que é sua cara!" E eu imadiatamente pensei nela para a Vani. Eu colava fotos da Fernanda vestida como Vani no camarim. Isso que surgiu lá na nossa viagem que fez Rui e Vani nascerem. A gente não imaginava que ia ser o sucesso que foi. O programa vinha depois do "Globo repórter", tinha uma hora. Aí depois de um tempo após a estreia ouvimos dizer que um grupo de pessoas da classe média só saía para a balada depois que "Os normais" terminava. Percebemos que estava dando certo. Mas o início foi despretensioso. É bom quando é assim, né? Quando não existe toda aquela pressão e aquela expectativa em cima.
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Era comum a série despertar no telespectador um riso simultâneo ao dos protagonistas:
— A gente ensaiava muito pouco. Nós somos amigos demais. Então, nos entendíamos. Ah! Inclusive acho que para "Os normais" bater texto não seria muito próprio. Nem o Alvarenga (o diretor, José Alvarenga Jr.) dava bola para isso. E o texto da Fernanda Young e do Alexandre já vinha na nossa embocadura. O que acontecia nessas cenas é que qualquer coisa diferente que eu ou que a Nanda colocássemos já fazia perguntar: "O que foi isso, Vani?" ou "O que foi isso, Rui?" Às vezes a gente ficava com vontade de rir, e isso não era cortado. O final dos episódios, sim, era improviso. E acho que aquela conversa é quase uma mensagem de como as pessoas podem, independentemente de serem um casal, se relacionar melhor. Rui e Vani são ótimos parceiros, riem deles mesmos. Eles nunca davam certo, mas riam da própria falta de jeito. Nenhum ser humano é igual, nenhum vive sempre em harmonia. É um momento ou outro.
O modo intuitivo de encarar o trabalho é uma de suas marcas, acredita o ator:
— Na minha história, que é a asdrubalina (diz ele, em referência ao grupo teatral "Asdrúbal Trouxe o Trombone", reconhecido por seu estilo cômico e anárquico nos anos 1970), não sei dizer se sou de muitos personagens. Me organizo para aquela situação e vou. Também venho da TV Pirata (programa humorístico exibido na Globo de 1988 a 1992). Lá, se você botava um bigode, seu personagem aparecia assim. Era o acessório que jogava você para um afluente ou para o outro.
Luiz Fernando sabe que as novas gerações que acompanham "Os normais" nem sempre captam as antigas referências. A série as fisga por sua capacidade de reconstruir situações comuns.
— Outro dia fiquei sabendo que meu sobrinho pré-adolescente assiste e ama. Os filhos da Nanda também. O programa falava de sexo, mas tinha uma sacanagem juvenil. Não era proibitivo. A gente fazia brincando, se divertindo. Sempre ouvi homens dizerem que se identificavam com o Rui. O fato de ele fica parado enquanto a mulher vivia borboletando ao redor dele. Eu estava vendo uma cena da Vani tentando abrir um plástico enquanto o Rui lia o jornal. Ele tomando café com ela e ela tentando abrir um embrulho. Era para ser só um café, mas ela se irritava porque não conseguia abrir o saco. Tinha muitas coisas assim — recorda-se.
Questionado se acredita que a série seria cancelada atualmente, o artista afirma:
— Nós estamos passando por um momento em que as pessoas estão com pedra na mão. Mas eu não vejo "Os normais" como indecente nem exagerado. Se uma produção passa do ponto, fica excessivo e constrangedor. Ali não era o caso. Eu, como ator, sei do meu limite e comento quando não me sinto à vontade com alguma coisa. Hoje há muitas posturas radicais, mas não passo o programa por essa peneira. Acho que principalmente por não ver conotações políticas.
Longe da TV desde a novela "O tempo não para", em 2018, ele fez de seu Instagram um espaço para matar a saudade dos fãs e mostrar também sua vida pessoal:
— Eu tenho uma relação muito aberta com a rede social. Faço vídeos no meu sítio, acordo de manhã com cara de sono e posto foto. Me pedem coisas e eu faço (risos). Não vou acordar na minha casa e gravar um vídeo maquiado. Ali eu tenho uma forma afetiva muito clara, evidente, fica à mostra. Às vezes falo de temas que acho importantes ou ajudo alguém que me pede um socorro. Não me exponho muito, mas não omito as coisas boas da vida.
Luiz Fernando é casado há 20 anos com o empresário Adriano Medeiros, com quem adotou um menino e uma menina (Olívia, de 8 anos, e Dante, de 10 anos) há seis meses no Amazonas. A família vive num sítio localizado entre a Costa Verde e a Baixada Fluminense e tem dezenas de animais no local. Luiz Fernando detalha como têm sido os últimos meses da família no lugar:
— Meus filhos são uma comédia. Eles nos trazem muita juventude e animação. Dou muita risada! Nosso mundo está à parte. Vivemos em uma floresta que tem muitos bichos. O Adriano está registrando tudo. É um sonho. Ontem eles fizeram a cama no nosso quartão. Como eles fazem ginástica olímpica, do nada Olívia dá um salto. A gente aplaude como se fosse plateia. E o Dante subindo em árvores, pegando calango... É uma coisa linda. É o que me faz sorrir.
Será inevitável que filho de peixe vire peixinho. Luiz Fernando explica:
— Dante com certeza vai ser um talento. E eu quero muito que eles me vejam em um teatro o mais breve possível. Quero que vem o pai em ação ao vivo.
Com uma família admirada pelos fãs e seguidores, o ator rememora como se deu sua formação:
— Não esperávamos (a a adoção), então não adotamos. Eles nos adotaram. Eles eram muito tímidos, pequenos. Dante era mais comunicativos, mas não esperávamos essas duas crianças. O Amazonas nos aproximou. A socialização e a transformação deles foi muito rápida. Nos surpreendemos a cada momento. Vê-los interagindo é uma realização. Estamos construindo filhos fortes e autossufcientes. É um sonho que estamos vivendo. Não queremos que eles percam suas origens (as crianças são do Norte do país). De vez em quando eles falam entre eles, mas estão começando a conversar sobre tudo.


Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, pede que fiéis doem auxílio emergencial para o ‘Senhor multiplicar’

Revista Fórum - O bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, pediu aos fiéis que doem à instituição o auxílio emergencial recebido pelo governo na pandemia. Em vídeo publicado no YouTube da Universal, ele alega que as contas da igreja foram afetadas pelo isolamento social e ataca governadores. As informações são da Folha de S. Paulo.
Com a pergunta “vocês preferem o auxílio emergencial ou o auxílio providencial?”, o bispo estimula a doação do benefício concedido na pandemia, que parte de R$ 150 e chega até R$ 375, dependendo da família.
Leia a íntegra na Fórum.
Genro de Edir Macedo pede que fiéis doem auxílio emergencial para o 'Senhor multiplicar' | Revista Fórum
Genro de Edir Macedo pede que fiéis doem auxílio emergencial para o ‘Senhor multiplicar’
"Vocês preferem o auxílio emergencial ou o auxílio providencial?", questiona Renato Cardoso, bispo da Igreja Universal, durante culto
O bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, pediu aos fiéis que doem à instituição o auxílio emergencial recebido pelo governo na pandemia. Em vídeo publicado no YouTube da Universal, ele alega que as contas da igreja foram afetadas pelo isolamento social e ataca governadores. As informações são da Folha de S. Paulo.
Com a pergunta “vocês preferem o auxílio emergencial ou o auxílio providencial?”, o bispo estimula a doação do benefício concedido na pandemia, que parte de R$ 150 e chega até R$ 375, dependendo da família.
No vídeo, Cardoso diz que as doações se multiplicarão da mesma forma que Jesus Cristo fez proliferar pães e peixes durante peregrinação no deserto. “Aqui, dentro desse cesto está a sua palavra. A sua palavra não mudou. O que o Senhor fez no passado, faz hoje, e multiplica para todos aqueles que confiarem em ti”, afirma, ajoelhado em frente a um cesto destinado para receber o dízimo.
“Eu quero ouvir testemunhos, meu Pai, nesta semana ainda, de pessoas que colocaram no cesto o seu pão e peixe, a sua oferta, o seu desafio de fé, e o Senhor multiplicou”, completou.
Na oração, Cardoso também menciona a situação de fiéis que não podem trabalhar na pandemia e culpa governadores. “Meu Deus, eu não posso trabalhar, minha renda foi cortada pelo governador”, diz o bispo.
Nas redes sociais, pastores de igrejas que apoiam Bolsonaro, como a própria Universal, a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada pelo missionário RR Soares, e a Associação Vitória em Cristo, de Silas Malafaia, têm feito pedidos de dízimo na pandemia. As instituições também se posicionam contra o isolamento social e defendem o chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19, que não tem eficácia comprovada contra a doença.
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