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____________________ * Com TUMOR, Françoise Hardy diz que irá morrer e aprova SUICÍDIO ASSISTIDO 

____________________ * Autora de 'Dawson's Creek' SE SUICIDA após um ano enfrentando COVID LONGA 

____________________ * Thiaguinho parabeniza a ex-mulher, Fernanda Souza: 'Melhor amiga'

____________________ * Angelina Jolie tatua frase judicial histórica após disputa com Brad Pitt. "eppur si muove" ("mas se movimenta" * "a verdade prevalece").

____________________ * Samantha Schmütz diz que errou ao criticar Deborah Secco: 'Estava chateada'

____________________ * Marcos Oliver fala sobre enteado de 11 anos que morreu após queda de prédio 

____________________ * Ator de 'Com Amor, Victor' sofre ameaças de morte por viver gay na série

____________________ * Morre atriz de 'Garota Exemplar' dez dias após ser atropelada em Nova York

____________________ * Deborah Secco brinca com marido ao lembrar simpatia para ter 'homem ideal'

____________________ * Os 'europeus da América' e 'gaúchos livres': como é o racismo na Argentina

____________________ * 5 mitos sobre manutenção e uso do carro que 'queimam' seu dinheiro à toa

____________________ * Embreagem: 5 erros que você comete e fazem a festa dos mecânicos

____________________ * 5 erros que jamais devemos cometer ao dirigir carros com câmbio automático

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Fiat Strada 2021 motor 1.3 Firefly - Divulgação - Divulgação

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____________________ * Com tumor, Françoise Hardy diz que irá morrer e aprova suicídio assistido

A cantora francesa Françoise Hardy - Reprodução/Divulgação
A cantora francesa Françoise Hardy Imagem: Reprodução/Divulgação

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/06/2021 19h14

A cantora francesa Françoise Hardy, de 77 anos, disse em uma entrevista para a revista Femme Actuelle que está perto de morrer e que aprova o suicídio assistido. A estrela foi diagnosticada com câncer linfático nos anos 2000 e e em 2018, com um tumor no ouvido, sendo que em 2015, ela ficou em coma induzido.

Por conta dos anos de radiação e imunoterapia, ela sente muita dor, não consegue engolir e até precisou conversar com o veículo por e-mail, por conta da sua dificuldade de falar..

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"Não cabe aos médicos atender a cada solicitação, mas abreviar o sofrimento desnecessário de uma doença incurável a partir do momento em que ela se torna insuportável", iniciou ela.

Françoise revelou ainda que sua mãe, que tinha a doença de Charcot-Marie-Tooth, um distúrbio neurológico, morreu por eutanásia "quando ela não podia ir mais longe nesta horrível doença incurável":

"No que me diz respeito, gostaria de ter essa oportunidade, mas dada à minha alguma notoriedade, ninguém vai querer correr ainda mais o risco de ser afastado da comunidade médica", opinou.

"Todos nós temos o sonho impossível de morrer em paz. Sei que a morte é só a do corpo que, com a entrega da alma, a liberta e lhe permite voltar à dimensão misteriosa da qual veio, enriquecida com tudo o que a sua última encarnação lhe ensinou. Meu sofrimento físico já foi tão terrível que tenho medo de que a morte me obrigue a passar por ainda mais sofrimento físico", continuou ela.

A artista ainda explicou que suas dores são tão fortes, que nem a morfina a alivia:

"Ela só pode ser administrada em doses massivas para que eu morra, e não em doses menores para que sofra menos. Também tenho medo da imensa tristeza da forma de separação dos seres que mais amamos no mundo, que é a morte", finalizou.

____________________ * Thiaguinho parabeniza a ex-mulher, Fernanda Souza: 'Melhor amiga'

Thiaguinho celebra aniversário de Fernanda Souza - Reprodução/Instagram
Thiaguinho celebra aniversário de Fernanda Souza Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/06/2021 17h31

Atualizada em 18/06/2021 17h36

Thiaguinho homenageou a ex-mulher, Fernanda Souza, na tarde de hoje. A atriz está completando 37 anos e ganhou uma declaração emocionante do cantor, que além de dizer que a ama, afirmou que a união dos dois é inabalável.

Por meio de uma publicação no feed de seu Instagram oficial, o pagodeiro compartilhou uma foto com a apresentadora:

"Feliz aniversário, Fernanda Souza. Dia de festa na família!
Sou muito grato por ter sua energia em minha vida! Que Deus abençoe demais seus caminhos e nossa união inabalável!
Tudo de melhor! Porque você merece demais! Uma das melhores pessoas que conheço e tenho a honra de ter por perto!
.Conta comigo pra sempre, tá! Felicidades! Amo você, minha MELHOR AMIGA!", legendou Thiaguinho na imagem.

Confira:

Thiaguinho e Fernanda Souza ficaram juntos por oito anos e anunciaram o término do casamento em 2019. Ambos não assumiram relação com ninguém desde então.

____________________ * Angelina Jolie tatua frase judicial histórica após disputa com Brad Pitt. "eppur si muove" ("mas se movimenta" * "a verdade prevalece").

Angelina Jolie - Reprodução/Divulgação
Angelina Jolie Imagem: Reprodução/Divulgação

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/06/2021 08h12

Atualizada em 17/06/2021 17h22

Angelina Jolie adquiriu uma nova tatuagem. A atriz, de 46 anos, tatuou uma frase de julgamento histórico que, supostamente, tem a ver com a briga judicial que trava desde 2016 com o ex-marido, Brad Pitt.

O jornal britânico Daily Mail e o site americano Page Six foram as fontes que "descobriram" o novo desenho. Nas fotos divulgadas pelos veículos, é possível ver a frase "eppur si muove" ("mas se movimenta", em tradução livre), que é atribuída a Galileu Galilei em 1633, onde ele usava a mesma para afirmar que "a verdade prevalece". Veja:

Briga judicial Pitt x Jolie

Em 2006, os artistas começaram a namorar e em 2014 se casaram. Porém, a relação chegou ao fim em 2016 e desde então, o ator de 57 anos vem lutando pela guarda dos filhos, Maddox, de 19 anos, Pax, de 17, Zahara, de 16, Shiloh, de 14 e os gêmeos Vivienne e Knox, de 12. No mês passado, Brad conseguiu a tão sonhada guarda conjunta dos jovens.

____________________ * Samantha Schmütz diz que errou ao criticar Deborah Secco: 'Estava chateada'

Samantha Schmütz diz que errou ao criticar Deborah Secco - Reprodução/Instagram
Samantha Schmütz diz que errou ao criticar Deborah Secco Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/06/2021 10h17

Atualizada em 20/06/2021 14h24

Na semana em que o ator e humorista morreu, ela concordou com uma crítica a alguns artistas que também eram amigos dele, como Bruna Marquezine e Deborah Secco. No comentário que a atriz apoiou, uma internauta criticava o fato de as atrizes seguirem a vida de forma normal e continuarem suas "dancinhas" no aplicativo TikTok.

Em entrevista ao jornal "O Globo", Samantha disse que errou.

"Falamos com tantas pessoas na internet e não estamos tratando de assuntos sérios. Não é para as pessoas pararem de fazer publicidade ou dancinhas. Não é isso. Mas é cruel fazer neste momento. Mais uma vez, não estou apontando o dedo para alguém. Todos nós temos que nos questionar: Será que é legal só mostrar a vida maravilhosa? Não quero transformar isso numa briga pessoal", afirmou.

"Estava muito chateada quando falei aquilo sobre a Deborah. A morte do Paulo estava muito recente. Eu errei, não foi legal. Não deveria ter feito. O dia que nos encontrarmos, quero falar sobre esse assunto com ela. Não desejo que isso vire uma grande coisa", disse.

"Choro todos os dias"

A atriz ainda falou sobre o sentimento de luto com a morte de Paulo Gustavo, que era um de seus melhores amigos.

Paulo levou a metade da alegria do Brasil. Ele era próximo de todo mundo. Se [a morte] dessa pessoa que era parente do país inteiro não nos comoveu a ponto de realmente nos levantar, o que vai? Choro todos os dias desde que meu amigo partiu. É difícil. Todo lugar em que vou eu me lembro dele. São muitas recordações.Samantha Schmütz

____________________ * Marcos Oliver fala sobre enteado de 11 anos que morreu após queda de prédio 

O ator Marcos Oliver lamentou hoje a morte do seu enteado, Lorenzo, de 11 anos, que não resistiu a uma queda do nono andar do prédio onde morava em Santos, no litoral sul de São Paulo. Em postagem nas redes sociais, o ex-participante de "A Fazenda" lembra a amizade do enteado com o filho, Daniel Monarca, que completa 13 anos. "Tenho certeza de que papai do céu já o recebeu de braços abertos. Obrigado, Lo, por toda sua amizade, seu carinho e sua felicidade com o Dani em todos os momentos que vocês estiveram juntos", escreveu... - Veja mais em https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/06/19/marcos-oliver-fala-sobre-enteado-de-11-anos-que-morreu-apos-queda-de-predio.htm?cmpid=copiaecola

____________________ * Autora de 'Dawson's Creek' morre após um ano enfrentando covid longa

Heidi Ferrer, uma das criadoras da série "Dawson"s Creek", cometeu suicídio  - Reprodução/Instagram
Heidi Ferrer, uma das criadoras da série 'Dawson's Creek', cometeu suicídio Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/06/2021 08h35

Heidi Ferrer, uma das criadoras da série "Dawson's Creek", faleceu no mês passado, aos 50 anos, após uma batalha contra a covid-19 longa que durou mais de um ano.

A morte de Heidi foi revelada por seu marido, o também roteirista Nick Guthe. À Revista "People", ele confirmou que a causa da morte foi suicídio.

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"A Heidi morreu hoje após 13 meses de batalha contra covid longa. Ela foi uma mãe maravilhosa. Ela lutou contra essa doença traiçoeira com a mesma ferocidade com a qual viveu. Vou te amar para sempre e te vejo no fim da estrada", escreveu Nick.

Muitos pacientes que sobrevivem à forma grave da covid-19 tende a apresentar sintomas prolongados ou sequelas da doença, condição que tem sido chamada de covid longa ou subaguda.

Heidi Ferrer foi diagnosticada com covid-19 em abril do ano passado. Segundo o tabloide "Deadline", ela estava acamada, com dores físicas constantes e sofrendo de graves tremores neurológicos e outros sintomas de agravamento.

Sofrimento relatado em blog

A roteirista chegou a escrever sobre como se sentia em seu blog "Girl to Mom".

"Nos meus piores momentos, disse ao meu marido que se não melhorasse, não queria viver assim. Não me achava suicida, só não conseguia ver nenhuma qualidade de vida a longo prazo e perspectiva de melhora", publicou Heidi.

Sei de pessoas vítimas de suicídio, incapazes de trabalhar e de se cuidarem, muitas vivem sozinhas e não tem onde morar. Sei de algumas que já fizeram isso. Apesar de não ser uma das pessoas que morreram dessa doença, não estou entre as mais sortudas, que não pegaram ou estão assintomáticas.

Heidi Ferrer deixa o marido e um filho de 13 anos.

____________________ * Ator de 'Com Amor, Victor' sofre ameaças de morte por viver gay na série

Michael Cimino, protagonista da série "Com Amor, Victor" (Netflix) - Reprodução/Instagram
Michael Cimino, protagonista da série "Com Amor, Victor" (Netflix) Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/06/2021 10h24

Michael Cimino, protagonista da série "Com Amor, Victor" (Netflix) revelou sofrer ameaças de morte de pessoas que fazem parte da comunidade LGBT. Isso porque o ator, que é heterossexual, interpreta um personagem gay na série.

"Eu definitivamente recebi algumas críticas da comunidade LGBT por estar no papel... Eu recebi ameaças de morte, o que é horrível. Mas a série é importante para mim. Eu entrei para o elenco sabendo que receberia ataques, independentemente do quão bom eu fosse", declarou em entrevista à revista "Attitude".

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"Há alguns atores heterossexuais que interpretam personagens gays e apoiam os direitos LGBT enquanto estão promovendo seu trabalho, mas, um ano depois, quando a produção acaba, eles meio que esquecem", complementou Michael.

Ele ainda declarou que foi aconselhado a não interpretar um personagem gay, pois as pessoas confundiriam ficção com realidade e entenderiam que Michael é homossexual.

Eu não sou um homem 'masculino' tradicional, então isso seria pessoas tentando me forçar a ser algo que não sou. Eu estou interpretando um personagem gay que pode não ser considerado masculino, devido a uma ideia desatualizada do que é masculinidade.

"É uma honra interpretar Victor e uma grande responsabilidade. Eu entrei com a intenção pura de representar isso corretamente e me esforcei para garantir que todos que acompanhassem essa história se sentissem representados", finaliza Michael.

____________________ * Morre atriz de 'Garota Exemplar' dez dias após ser atropelada em Nova York

Lisa Banes - Reprodução/Divulgação
Lisa Banes Imagem: Reprodução/Divulgação

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/06/2021 07h07

Atualizada em 15/06/2021 13h27

Lisa Banes, conhecida por viver a mãe de Amy (Rosamund Pike) em "Garota Exemplar", faleceu ontem, dez dias após ter sido atropelada em Nova York, nos Estados Unidos. As informações são do jornal The New Tork Post.

De acordo com a publicação, a atriz de 65 anos estava indo encontrar com sua mulher, Kathryn Kranhold, para juntas comparecerem a um jantar na casa de um amigo quando, no meio do caminho, foi atingida por uma scooter vermelha e preta ao atravessar a rua na faixa de pedestres. O veículo não tinha placa.

____________________ * Deborah Secco brinca com marido ao lembrar simpatia para ter 'homem ideal'

Deborah Secco e Hugo Moura - Reprodução/Instagram
Deborah Secco e Hugo Moura Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/06/2021 15h04

Atualizada em 15/06/2021 15h07

Deborah Secco brincou a respeito de seu passado em uma conversa com o marido, Hugo Moura. A atriz contou que chegou a fazer simpatias para Santo Antônio para atrair o homem ideal.

O papo foi revelado pela própria atriz em sua conta no Twitter. "Como saber que seu marido não leu sites e revistas de fofoca nos últimos 12 anos: - Amor eu colocava o Santo Antônio na geladeira para arrumar um homem como você", escreveu ela, que em seguida reproduziu o que Hugo disse sobre o assunto.

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"- Que estranho, Deborah, uma mulher como você não deve ter dificuldade de encontrar uma pessoa legal", respondeu ele.

Os dois são casados desde 2015, e são pais de Maria Flor, de 5 anos. O casal costuma falar abertamente sobre a vida a dois. Em abril, Deborah participou do programa "É de Casa" e revelou curiosidades sobre o casamento. Ela deu detalhes sobre a convivência durante a pandemia de covid-19 e também contou que cobra o marido por mais beijos de língua.

"Gosto de beijar de língua. No casamento a gente esquece do beijo de língua. Às vezes, falo pra ele: 'bota a língua'", revelou a atriz.

Ela também contou que se surpreendeu por ficar mais apaixonada por Hugo durante a pandemia, mesmo com o isolamento social. Enquanto muito casais se desgastaram por ficar mais tempo juntos, ela diz que "não conseguiria passar por esse momento sem ele" e deu detalhes sobre a rotina, destacando que foi importante respeitar as diferenças.

"Às vezes, fico na sala de TV e ele no quarto. Às vezes, eu falava que queria ficar sozinha. Ele gosta de ouvir música e eu gosto de ficar no celular vendo o BBB. Temos entendimento que são vontades diferentes e nem sempre estamos dispostos a fazer as mesmas coisas juntos".

____________________ * Os 'europeus da América' e 'gaúchos livres': como é o racismo na Argentina

Mulher argentina protesta em Buenos Aires contra a violência policial, após a morte de George Floyd, nos EUA - Muhammed Emin Canik/Anadolu Agency via Getty Images
Mulher argentina protesta em Buenos Aires contra a violência policial, após a morte de George Floyd, nos EUA Imagem: Muhammed Emin Canik/Anadolu Agency via Getty Images

Edison Veiga

Colaboração para o TAB, de Bled (Eslovênia)

20/06/2021 04h01

"Os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros da selva, e nós, chegamos em barcos [?] que vinham da Europa." Desastradamente racista, a declaração do presidente argentino Alberto Fernández, proferida em um encontro com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez no último dia 9, expõe uma ferida aberta: o mito eurocêntrico da formação dos argentinos, perpetrado a partir da primeira metade do século 19.

A fala de Fernández não foi uma broma -- ou piadinha de tiozão -- original. Em 1982, o roqueiro argentino Litto Nebbia lançou o álbum "Llegamos de Los Barcos". Na canção-título, ele canta os versos: "Os brasileiros saem da selva, os mexicanos vêm dos índios, mas nós, os argentinos, chegamos de barcos".

A canção de Nebbia, contudo, não pode ser tachada de libelo racista. Está mais para ironia fina sobre a própria maneira com que a historiografia argentina acabou consagrando a questão. O compositor exalta a diversidade. "Queria escrever um samba que falasse de nós e desta terra que amamos -- e que é uma mistura de todos", dizem versos seguintes.

"Esse embate sobre o 'quem somos' na história da Argentina vira e mexe é alimentado, como nessa declaração tosca do presidente. Mas bebe numa tradição, numa ideia muito presente no país", comenta ao TAB o historiador Marcelo Cheche Galves, professor na Uema (Universidade Estadual do Maranhão).

Há uma frase semelhante à do roqueiro atribuída ao poeta e diplomata mexicano Octavio Paz (1914-1998), Nobel de Literatura de 1990, em uma tentativa de contextualizar a formação do povo argentino. "Os mexicanos descendem dos astecas, os peruanos, dos incas, e os argentinos, dos barcos", teria dito Paz.

O presidente argentino Alberto Fernández, durante visita do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez à Casa Rosada, em Buenos Aires - Matias Baglietto/NurPhoto via Getty Images - Matias Baglietto/NurPhoto via Getty Images
O presidente argentino Alberto Fernández, durante visita do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez à Casa Rosada, em Buenos Aires Imagem: Matias Baglietto/NurPhoto via Getty Images

Como a Argentina foi formada? Embora celebre como sua independência a Revolução de Maio, ocorrida em 1810, não foi de uma hora para a outra que o antigo vice-reino do Rio da Prata se converteu em nação. "A primeira Constituição argentina é de 1853, mesmo assim com resistências", contextualiza Galves. "Nesse contexto de construção de um país, de um projeto de Argentina, há um autor fundamental para o pensamento argentino, Domingos Faustino Sarmiento [(1811-1888)]." Ele publicou, em 1845, um livro chamado "Civilização e Barbárie", em que o europeu está no primeiro extremo -- e o indígena, no segundo. "Para ele, o argentino é um europeu nascido na América", explica o historiador. "Não tem essa questão de incorporação de populações ameríndias nem africanas."

E a imigração? Em 1868, Sarmiento se tornou presidente da Argentina. Passou a promover uma intensa política de imigração europeia. "A ideia dele era um país que, em duas décadas, equivaleria aos EUA do ponto de vista de uma população branca. Para ele, somente uma população de matriz europeia seria capaz de promover o progresso", diz Galves. "Ele potencializa a imigração."

Não havia indígenas ali? Antes da onda imigratória europeia iniciada na segunda metade do século 19, a formação étnica do povo argentino era resultado da política colonial. Como se tratava de uma área menos relevante economicamente -- excetuando o porto de Buenos Aires, a região não tinha clima adequado para culturas como cana-de-açúcar nem a fartura de minerais encontrados pelos espanhóis em outros pontos da América Latina. "Por consequência, não teve uma grande capacidade de investimento na mão-de-obra escravizada", afirma ao TAB Tomaz Paoliello, professor de relações internacionais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Qual era a proporção? Enquanto se estima que pelo menos 4,8 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil, calcula-se que tenham sido pouco mais de 200 mil os que foram levados às colônias hispânicas do sul do continente. Como o número de habitantes no que é hoje é a Argentina era pequeno, dada a pouca relevância econômica, a proporção de negros na formação da população chegou a ser grande. "Há relatos de uma presença importante de africanos em algumas cidades e províncias argentinas no período colonial, em alguns casos chegando a 50%", diz Paoliello. Isso muda consideravelmente com a intensa chegada de imigrantes europeus entre o fim do século 19 e início do século 20 -- foram cerca de 7 milhões, sobretudo italianos e espanhóis.

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Partitura da canção 'De La Vida Milonguera' - LLC/CORBIS/Corbis via Getty Images - LLC/CORBIS/Corbis via Getty Images
Partitura da canção 'De La Vida Milonguera' Imagem: LLC/CORBIS/Corbis via Getty Images

Apagamento histórico. Com o branqueamento resultante da chegada dessas levas de europeus, a historiografia oficial encarregou-se de consolidar a autoimagem argentina, relegando os não-brancos a segundo plano. "Na busca de se criar uma identidade para o país, os livros silenciaram quanto à presença de escravos, a presença afro", diz ao TAB o historiador Sérgio Ribeiro Santos, coordenador do curso de História da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Eles sempre estiveram lá entre o povo, na periferia, mas não nos canais oficiais de comunicação e nos livros de história. Tornaram-se invisíveis para a mídia, para a população. E isso, esse silêncio deliberado [quanto aos outros povos] criou a ideia de país europeu."

Outro lado. Sempre houve contrapontos teóricos e práticos a essa ideia de Argentina europeia. Em 1872, o poeta e jornalista José Hernández (1834-1886) publicou "Martín Fierro", no qual defendia que o povo argentino era na verdade o gaúcho, o indígena livre dos pampas, que vivia nas campanhas. O ápice dessa "disputa" de versões ocorreu quando Juan Domingo Perón (1895-1974) chegou ao poder, na metade do século 20. "Sua massa eleitoral era formada por esses gaúchos empobrecidos que vieram para Buenos Aires trabalhar nas indústrias", contextualiza Galves. "Perón proibiu o livro de Sarmiento, porque entendia que era um livro de traição sobre quem seria o verdadeiro argentino."

E o êxodo rural? A partir dos anos 1930, com a industrialização, muitos trabalhadores de origem indígena migram para Buenos Aires em busca de emprego, instalando-se na periferia. Pejorativamente, ganham a alcunha de "cabecitas negras". Acabou se transformando em arma política: como o operariado se tornou a base de apoio dos peronistas, os antiperonistas passaram a utilizar o termo de modo ofensivo, ressaltando que eles, a elite, eram brancos. "Eles eram os migrantes internos, em oposição aos imigrantes europeus. Tornaram-se a população da periferia em oposição às classes média e alta", contextualiza o historiador Santos. "O apagamento cultural [das origens indígenas] passa a ocorrer na tentativa de se construir uma identidade, a de um país de origem europeia. Isso se faz a partir do silenciamento e da interdição do outro."

Soy latino-americano? Paoliello analisa que na Argentina há, por exemplo, um sentimento de identidade e pertencimento latino-americanos muito mais forte que no Brasil. "Soma-se a isso um apagamento histórico da ancestralidade e origem africana e indígena. Os sobrenomes são europeus, as línguas são europeias, a religião é europeia? De maneira geral, diria que esse apagamento foi ainda mais profundo na Argentina. Mas a presença de africanos e indígenas na formação social e cultural argentina se demonstra em expressões no idioma, na música, culinária, cultos e crenças." Em 2010, pela primeira vez, o censo da Argentina perguntou se as pessoas tinham ascendência africana — apenas 0,4% declararam que sim. Pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em 2008, a partir de análise genética, constatou que 9% dos argentinos atuais são afrodescendentes e 31% têm origem indígena.

____________________ * 5 mitos sobre manutenção e uso do carro que 'queimam' seu dinheiro à toa

Limpeza dos bicos injetores é um serviço que não está previsto no plano de manutenção de veículos e deve ser feito somente em caso de necessidade, alerta engenheiro - Fabio Braga/Folhapress
Limpeza dos bicos injetores é um serviço que não está previsto no plano de manutenção de veículos e deve ser feito somente em caso de necessidade, alerta engenheiro Imagem: Fabio Braga/Folhapress

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

20/06/2021 04h00

Carros não estão baratos e vale a pena cuidar bem do seu, de forma a prolongar a vida útil e evitar, ali adiante, gastos elevados com oficina.

Apesar da boa intenção, muitos hábitos e práticas comuns entre motoristas e proprietários de automóveis são simplesmente desnecessários ou têm efeito contrário ao pretendido.

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Por outro lado, enquanto uns pecam pelo excesso de zelo, outros ignoram algumas práticas fundamentais relacionadas à manutenção, por acreditarem que, simplesmente, não são necessárias.

Confira abaixo cinco mitos bastante comuns relacionados ao seu carro e evite-os para não ficar no prejuízo.

1 - Mito - Bicos injetores pedem limpeza regular

Limpeza dos bicos injetores - Fabio Braga/Folhapress - Fabio Braga/Folhapress
Limpeza dos bicos não tem quilometragem indicada e só é necessária quando há alguma obstrução Imagem: Fabio Braga/Folhapress

"Hoje não está prevista a limpeza de bicos injetores no plano de manutenção, ao menos nos manuais que eu já consultei. Desconheço montadoras que recomendam a prática ao atingir determinada quilometragem", afirma Erwin Franieck, mentor de tecnologia e inovação em engenharia avançada da SAE Brasil.

Dono de um carro com mais de 130 mil km rodados, o engenheiro diz que nunca solicitou o serviço e até hoje nenhum dos veículos que já teve necessitou do serviço.

"Essa cultura vem do tempo do tempo do carburador, quando era preciso remover o depósito de resíduos que se formava. Com a melhora na qualidade do combustível, o surgimento da injeção eletrônica e a evolução dessa tecnologia, a limpeza em intervalos regulares já não é obrigatória ", pontua.

Para o especialista, essa intervenção deve ser realizada apenas quando o motor apresenta falha de funcionamento comprovadamente causada por bico entupido.

"Tem de avaliar caso a caso. O sensor de oxigênio, a popular sonda lambda, pode identificar redução na vazão em um ou mais bicos injetores. Porém, o problema pode estar relacionado a outros componentes, como filtro obstruído e falha na bomba de combustível", explica.

2 - Mito - Câmbio automático não requer troca de óleo

Dono do carro lendo a especificação do óleo do motor em sua embalagem - Foto: Shutterstock - Foto: Shutterstock
Imagem: Foto: Shutterstock

Muitos acreditam que o câmbio automático não requer manutenção regular e essa crença pode gerar prejuízos pesados se a transmissão quebrar. Especialmente na configuração dotada de conversor de torque e engrenagens, o câmbio, da mesma forma que outros componentes mecânicos, requer lubrificação.

As especificações e os prazos para troca do fluido são indicados no manual do veículo e devem ser respeitados. A troca do óleo, inclusive, pode ser antecipada dependendo das condições de uso do automóvel.

Vale destacar que, de fato, alguns modelos não trazem a recomendação de troca de óleo, que supostamente dura por toda a vida útil do veículo.

No entanto, isso não significa que a transmissão automática esteja livre de problemas de lubrificação.

"Pode acontecer algum vazamento, o que reduz o nível do lubrificante, elevando o atrito entre partes internas e elevando a temperatura, que é uma grande vilã quando se trata de carros automáticos", alerta o engenheiro Edson Orikassa.

O especialista destaca que, além da redução no nível, o óleo pode receber algum tipo de contaminação por agentes externos, o que reduz a sua eficiência.

"Vale verificar o óleo durante as revisões. Se apresentar uma aparência escurecida, isso pode sinalizar que já não apresenta as características necessárias de lubrificação.

Problemas com o óleo apresentam sintomas comuns, como trancos na troca de marchas. A transmissão também pode "patinar", ou seja, ao acelerar o carro demora alguns instantes para tracionar as rodas.

3 - Mito - Carro flex deve alternar entre etanol e gasolina

Bomba combustível - Shutterstock - Shutterstock
Imagem: Shutterstock

De acordo com o engenheiro Fabio Uema, não é necessário realizar um "rodízio" entre etanol e gasolina para se obter o funcionamento ideal de um motor flex.

No entanto, há um alerta: se o veículo estiver abastecido 100% com etanol ou gasolina e for realizada a troca após o tanque se esgotar, é necessário um período, curto, para que a ECU, a central eletrônica do motor, faça as adaptações necessárias no sistema de injeção.

Isso acontece, segundo Uema, porque o etanol tem poder calorífico menor do que a gasolina e exige que o propulsor injete mais combustível.

"Ao fazer a substituição, é necessário rodar alguns quilômetros para que haja esse 'aprendizado' da ECU. O tempo ou a quilometragem necessárias variam de acordo com o modelo do carro. Essa informação geralmente está disponível no manual do proprietário".

A identificação do novo combustível não é imediata porque é necessário que o antigo que resta nos dutos seja queimado e que a sonda de oxigênio e/ou o sensor de etanol identifiquem a troca, explica.

Fabio Uema enfatiza que, se a substituição for feita de gasolina para etanol, é ainda mais importante respeitar esse tempo de aprendizado.

"Dependendo da situação, o automóvel pode demorar a pegar posteriormente, por identificar que ainda tem gasolina no tanque. Após dar a ignição, siga a recomendação do manual para que finalmente a ECU faça a adaptação".

4 - Mito - Vale 'esquentar' motor antes de sair rodando

Motor - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Antigamente, era costume deixar o carro ligado por alguns minutos para o motor "esquentar". Na época anterior à injeção eletrônica, inclusive, automóveis saíam da fábrica com um botão conhecido como "afogador", que enriquecia a mistura ar-combustível, restringindo o fluxo de ar no carburador, para facilitar a partida.

Hoje em dia, muitos têm a dúvida: permanecer estacionado até que o motor atinja a temperatura ideal de funcionamento traz vantagens, como reduzir o consumo de combustível e prolongar a vida útil de componentes internos?

Clayton Zabeu, membro do Comitê Técnico de Motores Ciclo Otto da SAE Brasil, para esclarecer a questão. De acordo com o especialista, salvo exceções, a prática não proporciona benefícios quando se trata de veículos modernos.

"Se for um carro fabricado 20, 30 anos atrás, a prática de esquentar o motor é muito mais necessária e aplicável do que em modelos atuais. Hoje, componentes como cilindros, bielas e pistões trazem folgas muito mais justas e são muito mais duráveis do que há três décadas", destaca.

Segundo Zabeu, os motores e os respectivos lubrificantes hoje são projetados para lidar sem problemas com a fase fria, na qual as peças metálicas ainda não se expandiram e o lubrificante ainda não aqueceu adequadamente. "Prova disso é que hoje todos os motores que equipam automóveis novos são testados, no fim da linha de montagem na fábrica, ainda frios e com rotação máxima", exemplifica.

5- Mito - 'Amaciar' motor é coisa do passado

Conta-giros - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Hoje, muitos proprietários de veículos novos simplesmente desconhecem a prática ou pensam que é coisa do passado.

Porém, o "amaciamento" ainda é essencial para prolongar a vida útil do motor - e também para que ele atinja o desempenho e o consumo de óleo lubrificante e combustível para o qual foi projetado.

A diferença é que, por conta da tecnologia mais avançada e precisa adotada na construção de motores, a quilometragem necessária para o "amaciamento" ficou bem menor: 1.500 km, aproximadamente.

As orientações para "amaciar" o motor, inclusive, podem ser verificadas no manual do proprietário, como antigamente.

O manual do Renault Sandero, por exemplo, diz: "Até atingir os primeiros 1.000 km, não ultrapasse 130 km/h na troca de marcha mais elevada ou 3.000 a 3.500 rpm". O mesmo manual informa que somente após cerca de 3.000 km rodados o veículo vai "proporcionar todo seu desempenho".

De acordo com Erwin Franieck, da SAE Brasil, apesar dos avanços tecnológicos, os projetos atuais de motores a combustão interna ainda levam em conta o período de "amaciamento" e nada indica que isso vá mudar em um futuro próximo.

"A superfície de componentes metálicos internos de um motor novo apresenta rugosidade, ou seja, variações no relevo que não são as ideais. Isso vale para todo o trem de força, incluindo engrenagens, eixos e mancais, que precisam de quilometragem para atingir esse assentamento natural", explica o especialista.

____________________ * Embreagem: 5 erros que você comete e fazem a festa dos mecânicos

Andar com o pé apoiado na embreagem é um hábito que deve ser evitado, mas há outros que também encurtam a vida útil do componente - foto: Shutterstock
Andar com o pé apoiado na embreagem é um hábito que deve ser evitado, mas há outros que também encurtam a vida útil do componente Imagem: foto: Shutterstock

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

29/05/2021 04h00

Um dos itens mais exigidos em um carro com câmbio manual é a embreagem. O componente é responsável por fazer o "meio de campo" entre o motor e transmissão, atuando durante as trocas de marcha para igualar a rotação entre essas partes.

Com essa missão, é natural que ela sofra um desgaste natural e precise ser trocada com o tempo - a durabilidade é alta e o mais comum é que isso ocorra próximo dos 60 mil quilômetros rodados. Mas, por se tratar de um mecanismo sujeito à ação do motorista, esse prazo pode ser encurtado ou estendido de acordo com os hábitos ao volante.

Por que encher o tanque do carro eleva o consumo de combustível

Detectar que uma embreagem chegou ao final da vida útil é algo relativamente simples. O que ocorre, geralmente, é que o material de atrito já não promove a mesma fricção, deixando a sensação de que o carro está "patinando" ao trocar de marchas e, muitas vezes, emitindo um cheiro de queimado.

A boa notícia é que a ação dos condutores também pode manter a embreagem sadia por mais tempo. "O que pouca gente fala é que, com bons hábitos, a vida útil da embreagem pode ser até maior do que o previsto", comenta Almiro Moraes Júnior, membro da Comissão Técnica de Transmissões e do Simpósio Powertrain da SAE Brasil.

Para isso, porém, é preciso evitar alguns hábitos. Confira alguns deles.

1 - Andar com o pé apoiado na embreagem

Pé apoiado no pedal de embreagem - Almeida Rocha/Folha Imagem - Almeida Rocha/Folha Imagem
Imagem: Almeida Rocha/Folha Imagem

Esse é um mau hábito que muitos motoristas têm e nem percebem. Geralmente, os carros contam com uma área de apoio para o pé esquerdo, mas é comum ignorar essa solução.

Por mais que a força exercida sobre o pedal não seja grande, a embreagem tende a sofrer, já que carros de passeio "comuns" têm o pedal mais macio e sensível.

"Isso faz com que a embreagem fique em um ponto no qual não está nem acoplada, nem desacoplada. Ela superaquece nessa condição, o que aumenta o desgaste", explica Júnior.

2 - Segurar o carro na embreagem

ladeira íngreme - Eduardo Anizelli/Folhapress - Eduardo Anizelli/Folhapress
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Partir com o carro em aclives costuma ser um desafio, especialmente para quem está começando na vida de motorista. Os medos aqui são os mais variados, que vão desde o carro morrer até mesmo algo mais sério, como andar para trás e acabar causando algum acidente.

Alguns modelos contam com freio automático para essa situação, que prorroga a ação de frenagem e dá tempo para que o motorista saia sem ter que ser rápido com os pedais. Mas uma solução que muitos motoristas encontram é segurar o carro na embreagem, aplicando uma rotação no motor e deixando o pedal da esquerda em um ponto de equilíbrio entre o acoplamento e o desacoplamento do componente.

O que ocorre é algo similar com o relatado no item anterior: isso causa um superaquecimento na embreagem e abrevia a sua vida útil. Uma alternativa nesses casos, caso não esteja acostumado a soltar rapidamente o pedal de freio e já acelerar, é usar o freio de mão para evitar que o carro ande para trás, permitindo que se saia com tranquilidade.

3 - Manter a embreagem pressionada ao parar

Carro parado no semáforo - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Seja por pressa ou por (mau) hábito, há motoristas que não desengatam o carro em situações como paradas de semáforo.

Esse tipo de comportamento deve ser evitado por várias razões - uma distração, por exemplo, pode fazer o carro avançar e causar um acidente -, mas uma delas é que a embreagem pode ter componentes afetados pela prática.

"O material de atrito, em si, não sofre nesse caso, mas há um componente chamado colar de embreagem que é um rolamento que empurra as molas do sistema e funciona sempre que pisamos no pedal. Manter o pedal pressionado vai gerar uma carga desnecessária sobre ele e pode abreviar sua vida útil", aponta Júnior.

4 - Usar marcha errada

Troca de marcha câmbio manual - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Sair da imobilidade em segunda, "pular" marchas em trocas ou usar alguma que faça o motor trabalhar em uma rotação muito baixa - às vezes tentando economizar combustível com isso - também são hábitos que devem ser evitados.

Aqui, há dois problemas principais: sair da imobilidade com marchas mais altas do que o normal exige "queimar" a embreagem, o que causa seu desgaste. Já no caso de pular marchas - tanto em acelerações quanto em redução -, há uma diferença grande entre a rotação do motor e da transmissão, o que faz o componente trabalhar mais do que o necessário.

"O problema é quando se troca marchas para uma que exigiria uma velocidade maior, já que a diferença de rotação entre motor e câmbio acaba causando um deslizamento maior da embreagem do que o ideal. É um problema que também ocorre quando se reduz pulando marchas ou se acelera demais antes de engatar", alerta Júnior.

Com o carro em movimento, andar com uma marcha mais alta do que a ideal para o momento não afeta a embreagem, mas pode causar desgaste prematuro da transmissão e do motor. Ah, importante: pode ser que o carro até consuma mais nessa situação.

5 - Carga excessiva

Porta-malas bagagem carro - Getty images - Getty images
Imagem: Getty images

Por fim, quanto mais peso o carro estiver carregando, mais a embreagem vai sofrer. Essa é uma regra geral, mas o dimensionamento do sistema leva em conta o limite de carga determinado para o veículo e, sendo assim, andar com passageiros ou porta-malas cheio, desde que dentro desse limite - que pode ser consultado no manual do proprietário - não tende a causar nenhum desgaste fora do previsto.

O problema é quando se excede esse limite e ocorre, especialmente, durante saídas a partir da imobilidade, quando exige-se que o pedal fique mais tempo pressionado em uma posição intermediária entre acoplamento e desacoplamento completos.

____________________ * 5 erros que jamais devemos cometer ao dirigir carros com câmbio automático

Câmbio automático traz conforto, mas também exige alguns cuidados - Divulgação
Câmbio automático traz conforto, mas também exige alguns cuidados Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

10/04/2021 04h00

Atualmente, cerca de metade dos carros zero-quilômetro vendidos no Brasil é equipada com algum tipo de câmbio automático.

Especialmente nas vias congestionadas das grandes cidades, essa tecnologia é uma verdadeira 'mão na roda', proporcionando mais conforto ao motorista.

Também é verdade que a transmissão automática costuma dar menos despesa com manutenção. No entanto, quando acontece algum problema, geralmente o gasto necessário para o reparo é consideravelmente maior na comparação com carros manuais.

UOL Carros consultou especialistas para contar os erros mais comuns que aceleram o desgaste e podem até danificar o câmbio sem pedal de embreagem.

1 - Engatar a ré com o carro ainda em movimento

Peugeot 3008 câmbio automático - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Essa é uma prática tão comum quanto prejudicial. Ao manobrar o veículo apressadamente, é comum engatar a ré com o carro ainda se movimentando para a frente.

Edson Orikassa, vice-presidente da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), alerta que o tranco decorrente desse hábito vai causando danos ao sistema de transmissão, podendo causar, com o passar do tempo, falha grave e cara para corrigir.

Selecionar a posição "P" como o automóvel rodando é outro hábito a ser evitado.

Nesse caso, não há sobrecarga do câmbio e sim da trava que protege a transmissão de danos causados por eventual movimentação enquanto o carro estiver estacionado.

Se essa trava for continuamente forçada, poderá se romper. "Certifique-se de que o automóvel esteja totalmente parado antes de colocá-lo na posição "R" ou "P", recomenda o engenheiro.

2 - Fazer o motor 'pegar no tranco'

Carro empurrado - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

De acordo com Erwin Franieck, mentor de tecnologia e inovação em engenharia avançada da SAE Brasil, é possível usar o método em carros com transmissão automática para fazer o motor ligar. No entanto, a prática deve ser evitada por causa dos riscos envolvidos.

"O mais importante é nunca colocar o câmbio na posição "P" com o veículo andando, o que travaria imediatamente as rodas. Nessa situação, podem ocorrer danos", alerta o especialista.

Franieck explica que, ao selecionar "P", é acionado um pino que trava o eixo que conecta o câmbio ao motor, que pode quebrar, além de outros componentes como o sincronizador.

Para "pegar no tranco", ele orienta a posicionar o seletor em "N" e colocar em "D" ou "2" quando o veículo atingir uma velocidade de aproximadamente 20 km/h. Com isso, o motor deve ligar.

Ao mesmo tempo, esse "tranco" força componentes e, se for realizado de forma contínua, as chances de dor de cabeça aumentam e muito.

"Se a bateria ficar descarregada, o recomendado é fazer a 'chupeta' ou recarregá-la usando aparelho específico para este fim. Se a bateria já não retiver a carga, aí é necessário trocá-la por uma nova", ensina Orissaka.

3 - Exceder a carga útil

Carro carregado - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

O câmbio automático tem se tornado cada vez mais popular no Brasil e isso inclui as picapes.

Rodar com carga acima da especificada no manual do proprietário é um costume relativamente comum, porém bastante nocivo.

Levar peso demasiado compromete a segurança, ampliando o espaço necessário para a frenagem, trazendo risco até de tombamento, no caso de carga muito alta.

O mau hábito também submete uma série de componentes a um esforço acima da sua especificação, reduzindo sua vida útil.

Isso vale para itens como suspensão, motor e, claro, transmissão.

4 - Dirigir na banguela

15.nov.2012 - Trânsito na rodovia Régis Bittencourt, na descida Serra do Cafezal, em São Paulo (SP), nesta quinta-feira, feriado da Proclamação da República - Marcio Cassol/ Futura Press - Marcio Cassol/ Futura Press
Imagem: Marcio Cassol/ Futura Press

Um hábito prejudicial é andar na "banguela" com a expectativa de poupar combustível. A prática não faz o carro beber menos e ainda compromete a segurança, bem como traz risco de danos à transmissão.

"Colocar o câmbio em neutro na verdade faz o carro gastar mais combustível do que se estivesse engrenado. O sistema de injeção é calibrado na fábrica para entrar em modo de baixo consumo assim que você tira o pé do acelerador, com a transmissão em "D". Isso faz com que o motor receba apenas a quantidade necessária de combustível para mantê-lo girando", explica Orikassa.

Especialmente em uma descida de serra, colocar o câmbio em "N" ainda traz risco de acidentes. "Com as rodas de tração livres, você acaba sobrecarregando os freios, que podem superaquecer, perdendo a eficiência", esclarece o especialista.

Camilo Adas, presidente do conselho executivo da SAE Brasil, complementa: "Deixar o carro rodar em neutro e voltar para a posição "D" com o veículo ainda em movimento pode até danificar uma ou mais engrenagens do câmbio", alerta o engenheiro.

5 - Descuidar da manutenção

Dono do carro lendo a especificação do óleo do motor em sua embalagem - Foto: Shutterstock - Foto: Shutterstock
Imagem: Foto: Shutterstock

Muitos acreditam que o câmbio automático não requer manutenção regular e essa crença pode gerar prejuízos pesados se a transmissão quebrar. Especialmente na configuração dotada de conversor de torque e engrenagens, o câmbio, da mesma forma que outros componentes mecânicos, requer lubrificação.

As especificações e os prazos para troca do fluido são indicados no manual do veículo e devem ser respeitados. A troca do óleo, inclusive, pode ser antecipada dependendo das condições de uso do automóvel.

Vale destacar que alguns modelos não trazem a recomendação de troca de óleo, que supostamente dura por toda a vida útil do veículo.

No entanto, isso não significa que a transmissão automática está livre de problemas de lubrificação.

"Pode acontecer algum vazamento, o que reduz o nível do lubrificante, elevando o atrito entre partes internas e elevando a temperatura, que é uma grande vilã quando se trata de carros automáticos", alerta Edson Orikassa.

O especialista da AEA destaca que, além da redução no nível, o óleo pode receber algum tipo de contaminação por agentes externos, o que reduz a sua eficiência.

"Vale verificar o óleo durante as revisões. Se apresentar uma aparência escurecida, isso pode sinalizar que já não apresenta as características necessárias de lubrificação.

Problemas com o óleo apresentam sintomas comuns, como trancos na troca de marchas. A transmissão também pode "patinar", ou seja, ao acelerar o carro demora alguns instantes para tracionar as rodas.

Motor 'fervendo' pode estragar câmbio automático:

____________________ * Sócio da oficina: 7 maus hábitos que multiplicam gastos com o mecânico

Se há um lugar do qual muitos donos de carro querem ficar longe é a oficina; alguns hábitos podem tornar as visitas recorrentes - Divulgação
Se há um lugar do qual muitos donos de carro querem ficar longe é a oficina; alguns hábitos podem tornar as visitas recorrentes Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

02/06/2021 04h00

Poucas coisas são tão capazes de determinar a vida útil de um carro quanto os hábitos de quem o dirige.

Dependendo do estilo de condução e da periodicidade das manutenções (ou da falta delas), componentes que deveriam durar uma determinada quilometragem podem ter sua vida bastante abreviada. O resultado é sempre o mesmo: prejuízo.

Consumo de combustível: veja quanto bebem os 5 SUVs mais vendidos

Aí, não tem jeito: as chances de você ter de visitar o mecânico com uma frequência maior do que a desejada aumentam.

Para evitar isso, confira abaixo sete armadilhas das quais você tem de manter distância.

1 - Fazer alterações para potência extra

Cena de drifting em Velozes e Furiosos: Tokyo Drift - Reprodução - Reprodução
Mexer no carro em busca de mais performance pode elevar gastos com manutenção Imagem: Reprodução

A central eletrônica pode ser considerada o cérebro do motor, já que ela comanda parâmetros como o tempo de abertura das borboletas, sensibilidade do acelerador e ajustes da injeção de combustível, dentre outros.

É o que buscam as pessoas que "chipam" o carro, uma forma relativamente simples de fazê-lo andar mais. Por vezes, esse tipo de alteração vem acompanhado de outras mais "invasivas", como instalação de turbo.

De qualquer maneira, mexer em componentes do motor é algo não recomendado para quem quer ver o seu carro funcionando de forma saudável.

"Fazer o conjunto de motor e transmissão trabalhar acima do limite para o qual foi especificado gera muitos efeitos indesejados. O catalisador, por exemplo pode 'derreter' por conta das altas temperaturas, se já não tiver sido removido, gerando aumento nas emissões", explica Erwin Franieck, mentor de tecnologia e inovação em engenharia avançada da SAE Brasil.

Ao trabalhar com uma carga maior do que a que foram projetados, componentes como velas, bicos injetores e até o motor como um todo podem apresentar uma série de problemas e ter sua vida útil abreviada.

2 - Não trocar filtros no prazo

Filtro de ar - Thais Roland/UOL - Thais Roland/UOL
Remover filtro de ar entupido em caso de emergência é medida de alto risco, diz especialista Imagem: Thais Roland/UOL

Nós já falamos aqui sobre o tamanho do prejuízo que um filtro de óleo em mau estado pode causar. A questão é que isso também se aplica a componentes do tipo usados em outras partes do veículo, como na captação de ar pelo motor e também do combustível armazenado no tanque.

Geralmente, o prazo para a troca desses componentes está estipulado no manual do proprietário e a substituição é contemplada no plano de manutenção preventiva do veículo. Cabe, então, seguir as orientações à risca. E, também, ficar atento a possíveis sinais do carro.

"É comum perceber que o filtro de ar está saturado quando o motor começa a falhar. Em caso de emergência, muitos removem o filtro até chegarem em uma oficina, mas basta rodar alguns minutos sem ele para que haja problemas sérios no motor", diz Franieck.

No caso desse componente, a sua ausência - ou até mesmo o uso de produtos de menor restrição e, por tabela, com menor capacidade de reter detritos - pode fazer com que partículas acabem dentro do motor e risquem as paredes dos cilindros. Caso isso ocorra, o óleo lubrificante pode acabar se misturando ao combustível, fazendo com que uma fumaça branca seja expelida pelo escapamento. O que, inclusive, é um sinal de que algo não está nada bem com o motor.

Já o filtro de óleo tem um potencial destrutivo muito grande se não estiver em perfeitas condições. Isso porque, se ele entupir, pode acabar se rompendo e causando um vazamento de grandes proporções. Em caso extremo, o motor pode funcionar sem lubrificação e acabar fundindo.

Por fim, há o filtro de combustível que, se atrapalhar o respectivo fluxo - seja por entupimento ou final da vida útil -, acaba sobrecarregando a bomba de combustível. Segundo Franieck, essa, inclusive, é uma das causas mais comuns para bombas de combustível queimarem.

3 - Abastecer com combustível adulterado

Teste Combustível fiscal ANP - ANP/Divulgação - ANP/Divulgação
Fiscal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) testa qualidade de gasolina Imagem: ANP/Divulgação

O preço dos combustíveis está alto e, naturalmente, isso faz com que o ato de pesquisar para abastecer em postos com preços mais em conta seja comum. O problema aqui é que, muitas vezes, o barato acaba saindo caro, especialmente quando resolvemos tentar a sorte naquele posto que cobra muito menos do que a concorrência.

O risco, claro, é o de acabar colocando combustível adulterado no tanque. Os tipos mais comuns de fraudes são a adição de solventes na gasolina e de água no etanol.

É pouco provável que o carro tenha problema sérios logo após consumir combustíveis do tipo, sendo que sintomas mais comuns são perda de performance e consumo elevado. Em médio e longo prazo, porém, os problemas tendem a ser mais graves.

"O solvente danifica componentes como dutos, vedações e peças emborrachadas, além causar a formação de depósitos no interior do propulsor. Etanol com mais água do que determina a especificação acelera a corrosão de itens e traz funcionamento irregular", alerta Franieck.

4 - Não trocar o óleo no prazo

Troca de óleo carro - Lucas Lacaz Ruiz/A1 - 26.02.2011 - Lucas Lacaz Ruiz/A1 - 26.02.2011
Troca do óleo e do respectivo filtro não é ditada apenas pela quilometragem do veículo Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/A1 - 26.02.2011

O óleo é aquele caso de componente que deve ser trocado por quilometragem ou tempo. O problema é que, muitas vezes, quem roda pouco com o carro acaba não se atentando ao fato de que o lubrificante tem, sim, prazo de validade. A melhor maneira de saber isso é consultando o bom e velho manual do proprietário - e seguindo à risca o estipulado.

Uma vez que ele ultrapasse esse tempo, o óleo começa a ter suas propriedades degradadas e perde, pouco a pouco, a sua capacidade de reduzir o atrito dos componentes do motor.

Outro ponto que frequentemente não é observado é o tipo de uso que se faz do carro, o que também gera impacto na vida útil do fluido. O tal do uso severo, que compreende veículos que transitam em ruas não pavimentadas, carregados ou sob tráfego intenso, também implica que o óleo deve ser trocado em períodos mais curtos.

5 - Usar o carro apenas em trajetos curtos

Fiat Strada 2021 motor 1.3 Firefly - Divulgação - Divulgação
Motor precisa atingir temperatura de funcionamento ideal para receber lubrificação adequada Imagem: Divulgação

Para chegar às condições ideais de funcionamento, o motor precisa ficar ligado por um tempo.

"Dirigir durante menos de 15 minutos nem esquenta o óleo do motor, impossibilitando a lubrificação adequada. Tem carro com baixa quilometragem que apresenta mais desgaste na comparação com um exemplar mais rodado, que no entanto funciona a maior parte do tempo na temperatura ideal", aponta Franieck.

Por consequência, quem usa o carro o tempo inteiro em trajetos curtos pode ter problemas, com desgaste acelerado de peças e um consumo médio mais alto do que o que seria normal.

Carros movidos à etanol que não contam com sistema de preaquecimento tendem a sofrer mais com isso, especialmente em regiões e dias mais frios.

"Em dias frios, a partida de motor abastecido com etanol tende a ser mais difícil em carros antigos, sem sistema de preaquecimento. Injeta-se mais combustível no arranque e a parte não queimada do etanol gera água como resíduo. Se o motor não esquentar adequadamente, a água não evapora e acaba contaminando o óleo, comprometendo sua performance", alerta.

6 - Carro parado por muito tempo

concessionária volkswagen Comercial Gaúcha Covipa estrela Otmar Essig Reginaldo de Campinas 2011 Fusca Série Ouro 1996 - Arquivo pesoal - Arquivo pesoal
Carro parado por muito tempo sofre com efeitos da corrosão e apresenta outros problemas Imagem: Arquivo pesoal

Você já deve ter ouvido que "carro parado dá mais prejuízo do que andando", certo? E aqui não falamos de questões como tributos ou seguro, mas sim da parte mecânica do veículo.

"Água e outros fluidos parados durante muito tempo no mesmo lugar aceleram processos corrosivos e contribuem para o ressecamento de borrachas, mangueiras e dutos em geral. É comum a corrosão formada dentro do tanque soltar resíduos que vão parar na bomba de combustível, danificando-a", diz Franieck.

E não é só isso: a própria gasolina tem prazo de validade e se torna inadequada ao uso após meio ano.

Por fim, carros parados na mesma posição tendem a deformar os pneus, além de ter a sua bateria descarregada.

Para evitar problemas caso você preveja que seu carro passará um bom tempo parado é tentar pedir para alguém de confiança rodar com ele nesse período pelo menos uma vez por semana. "Isso também serve para lubrificar rolamentos e componentes da suspensão que precisam se movimentar com regularidade", complementa Franieck.

7 - Transformar o carro em um 'trio elétrico'

Bateria do carro - Smith Collection/Gado/Getty Images - Smith Collection/Gado/Getty Images
Instalar acessórios não homologados sem adequação penaliza bateria e traz risco de pane elétrica Imagem: Smith Collection/Gado/Getty Images

A ideia de dar uma melhorada no som do carro e instalar novos acessórios, como centrais multimídia com funções adicionais, é tentadora. O que pouca gente sabe, no entanto, é que encher o seu carro de acessórios que consomem eletricidade pode causar uma bela dor de cabeça.

Isso porque a instalação de acessórios do tipo não homologados pelo fabricante do veículo e sem qualquer tipo de adequação do sistema elétrico, tende a causar muitos problemas, já que acaba havendo uma demanda de energia maior do que a prevista no projeto do carro.

A consequência mais óbvia, especialmente no caso de aparelhos que não desligam totalmente quando não estão em uso, é a redução da vida útil da bateria e possíveis situações nas quais ela fica sem carga para, por exemplo, dar a partida no carro.

Os problemas, contudo, vão além. "Ao reter menos carga, a bateria fornece menos tensão e sobrecarrega o alternador e a respectiva correia. Também ocorre maior variação de tensão no sistema. Isso eleva a incidência de pane elétrica, acompanhada por danos a uma série de componentes", diz Franieck.

Dentre esses componentes estão lâmpadas, ventoinhas, motor de arranque, entre outros.

____________________ * "Você por aqui?" Relatos de quem encontrou amigos e familiares no swing

Relatos de quem passou por situação embaraçosa em casas de swing - iStock
Relatos de quem passou por situação embaraçosa em casas de swing Imagem: iStock
Mayumi Sato

Colunista de Universa

20/06/2021 04h00

Dia desses li uma notícia de que o Tinder vem testando uma funcionalidade para bloquear números de pessoas com as quais você não quer se deparar durante o uso do aplicativo. E pensei que isso, na minha época ativa por lá, teria me livrado de algumas situações mais embaraçosas.

Mas, convenhamos, nada se compara ao temor de encontrar familiares e conhecidos em situações um pouco mais, digamos, difíceis. Lá no Sexlog, por exemplo, a gente tenta evitar a exposição das pessoas ao máximo e por isso existe uma regra de que foto de rosto você só mostra ou envia, no privado. Assim, dá tempo de ganhar um pouco mais de intimidade com a pessoa, trocar algumas mensagens, para avaliar se é mesmo uma boa decisão (as nudes, por outro lado, estão todos liberados).

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"Não gosto de penetração": elas relatam não sentir prazer. É normal?

Fiz uma pesquisa com algumas pessoas por lá e descobri que 80% morre de medo encontrar gente da família num ambiente de swing, 32% também não quer encontrar pessoas com as quais tem algum contato pelas redes sociais tradicionais e 30% sai correndo ao encontrar, também, amigos de amigos.

É claro que ouvi muitas histórias sobre o tema, algumas de terror, outras com um tom de conto erótico e até algumas engraçadas.

Vou compartilhá-las aqui:

"Encontrei, sem querer, um conhecido no swing": relatos

"Já encontrei um cliente meu e outra vez um fotógrafo que foi fazer um trabalho para minha família. Sem querer achei o perfil dele com a mulher."

"Encontrei a minha cunhada. Dei match no Tinder e ela também. Não tinha foto, mas acabei descobrindo que era ela. Tentei dar dicas de quem eu era, mas ela não notou. Falávamos de putaria e combinamos de nos encontrar às escuras em um bar distante. Quando ela me viu, disse que tinha quase certeza que era eu, mas não queria admitir. Bebemos, fomos ao motel, transamos e depois fomos pra casa como se nada tivesse acontecido. Transamos muitas vezes até que ela arrumou um namorado, casou e nunca mais tivemos nada."

"Uma vez encontrei uma pessoa que eu conhecia e sabia que eu era casado, mas não conhecia minha esposa. Ela chegou me dando bronca, falando que eu era casado e não deveria estar ali, foi bem desagradável. Pior que eu até era a fim dela, mas nunca tinha tentado nada."

"Já encontrei conhecidos numa rede social de swing, mas consegui contornar sem constrangimento. Eu descobri a pessoa, mas ela não percebeu quem eu era, então abortei a conversa e preservei a identidade da pessoa."

"No meu caso, foi tranquilo: encontrei um amigo muito antigo que eu sabia que era solteiro, mas estava como casal nessa rede social. Aí percebi que essa suposta esposa era só alguém para o swing. Mas acabei deixando pra lá, pois não era do meu interesse e sabia que ele também não toparia o encontro."

"Moro em uma cidade com apenas 70 mil habitantes, então encontrar conhecidos em todos os aplicativos não é difícil. Meu marido e eu, inclusive já saímos com um amigo dele de infância, que encontramos num site de swing."

E você, já passou por uma situação como essas? Como você reagiria? Compartilha nos comentários!

____________________ * Emicida: "Temos sido sequestrados pelo ódio" _________ "Sei com qual país SONHO, mas SEI em qual país vivo VIVO"

No Trip Transformadores, o estilista Ronaldo Fraga bate um papo com o rapper e escritor sobre literatura, amor, diálogo e resistência

São muitos os motivos pelos quais Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, pode ser considerado sinônimo de transformação. Nascido e criado no Jardim Fontales, periferia da zona norte de São Paulo, o jovem que se destacou nas batalhas de freestyle por sua rapidez de raciocínio se tornou um dos nomes mais importantes do rap nacional, e hoje abre espaço para cada vez mais referências negras na cultura brasileira. Além disso, é escritor de dois livros infantis e dono do hub de entretenimento Laboratório Fantasma. 

De sua casa em São Paulo, Emicida bateu um papo com o estilista e amigo Ronaldo Fraga no programa Prêmio Trip Transformadores, que vai ao ar todo sábado, às 22h, na TV Cultura. Na conversa, o cantor fala sobre sua relação com a terra, a história do Brasil e a importância do diálogo na construção de um mundo justo e coletivo: "A pergunta que me acompanha em toda a vida é: onde a gente se encontra e constrói uma realidade que seja melhor para todo mundo?". Assista a alguns trechos do papo ou leia a entrevista a seguir.

Ronaldo Fraga. Em uma entrevista, você disse que a sua influência vinha de lugares diferentes. Da igreja evangélica, que você escutava em casa, ao candomblé; do universo do hip hop aos repentistas nordestinos. Quando vi isso, eu falei: esse cara é o brasileiro, mestiço em tudo. E agora, o rapper mais famoso do Brasil se revela um dono de casa, está fazendo yoga, fazendo seu próprio queijo, cuidando da horta. O menino de 15 anos atrás entenderia o homem que você é hoje?

Emicida. Nesse momento em que estamos vivendo, não é só importante, mas urgente que a gente parta do básico. E o básico é entender que somos um animal como qualquer outro, e que a gente precisa se relacionar harmonicamente com a terra. Fazer a manutenção, cuidar dela, tirar meu alimento. Compartilhar sobre isso é minha maneira de dizer para as pessoas que há coisas muito simples que constituem nossa existência, e que a gente não pode se desconectar delas. Tem um poema do Mário Quintana em que ele fala que tem uma foto dele quando era criança. Às vezes, quando ele olha nos olhos daquele menino, ele vira o retrato de costas, porque tem medo do que o menino está pensando dele hoje. Eu acho que aquele menino que me olha do retrato teria muita alegria de ver essa possibilidade de ser humano. 

“Em outros tempos da nossa história, amar foi importante. Hoje, é essencial. A gente precisa partir disso se quisermos construir uma ponte”
Emicida

Quando estourou, você descortinou para o Brasil a realidade de um lugar que todo mundo sabe que existe, mas todo mundo finge que não. Eu e você viemos de bairros pobres, perdemos os pais muito cedo, e o desenho era a nossa forma de nos colocar no mundo. Quando eu vi você falando sobre desenho, eu pensei: "Somos da mesma matilha". Mas teve um outro ponto, que aí você foi no fundo do coração, quando você diz que seu mentor intelectual era o mesmo que o meu, que é Mário de Andrade. Eu acho Mário de Andrade uma figura cara ao Brasil que estamos vivendo. Qual face do Mário que o coloca como um mentor intelectual para você? A característica que mais me fascina no Mário de Andrade é a busca. É até redundante dizer isso hoje, mas a história do Brasil que a gente entende como oficial é muito violenta, muito agressiva, ela soterrou várias histórias. Acho que o Mário se provocou a produzir, a tentar positivar um encontro, e esse encontro é uma realidade. Assim como é um completo equívoco tentar redefinir o Brasil, com toda sua riqueza, pela perspectiva do europeu, a gente também não pode tentar refazer essa história desconsiderando esse componente. O Mário não só sonhou, se arriscou a contar e conhecer o Brasil com as limitações e as liberdades da época, como também se aventurou em tentar construir o Brasil que ele sonhava. 

Quintana, Mário de Andrade, vamos agora para Clarice Lispector. Ela disse em Descoberta do Mundo que "amar os outros é a única salvação que conheço. Ninguém estará perdido se der amor em troca". E você realizou um projeto que, no futuro, quando formos entender essa época, com certeza será citado. É um projeto que tem amar no próprio nome, o AmarElo. E ele foi desenvolvido justamente em um momento em que o ódio é o prato principal que está sendo servido na mesa dos brasileiros. A gente já sabe que só amar ou falar de amor já é um ato de transgressão, mas como é isso para você? Eu acho que, em outros tempos da nossa história, amar foi importante. Hoje, amar é essencial. A gente precisa partir disso se quisermos construir uma ponte. Há algum tempo temos sido sequestrados pelo ódio com frequência. Observando a natureza do Brasil, das decisões que acontecem aqui, não houve muito local para o amor florescer. E abrir espaço para que isso aconteça é abrir espaço para que nasça uma ponte entre eu e você.

“Eu preciso produzir uma sociedade onde a gente vença coletivamente. E isso é fazer uma política que seja pautada no amor”
Emicida

Em geral, colocamos o amor nessa perspectiva individualista, romântica, afetivo-sexual. O amor é colocado nesse lugar onde parece que ele não tem força para construir coisas coletivas, do ponto de vista de uma sociedade. Mas a verdade é que o amor é a única coisa que me faz observar você e pensar: "O Ronaldo é um ser como eu". É o amor de um indivíduo para outro, de um ser humano para outro. Eu preciso produzir uma sociedade onde a gente vença coletivamente. E isso é fazer uma política que seja pautada no amor. Uma política pública de cuidado coletivo é uma fantasia que o amor veste quando ele quer ficar visível ao olho nu. É nisso que eu acredito. 

Nunca estivemos tão expostos. Não tem mais como nos escondermos, ter uma imagem pública de um jeito e uma imagem privada de outro. Eu acho que está virando uma coisa só e isso é muito bom. Mas vivemos em bolhas, vivemos a cultura do cancelamento e, enquanto na bolha, falamos para os nossos. Como você vê isso, de furar as bolhas e estabelecer diálogo com outras frentes? Uma das características mais bacanas que a vida me deu, e isso não é uma característica com a qual eu nasci, eu fui aprendendo, é que eu sei com qual país eu sonho, mas eu sei em qual país eu vivo. É quase um super poder ser um sonhador e não confundir essas duas coisas. É urgente que a gente pare de trocar baldes e resolva a goteira que está no nosso telhado. Porque o que aconteceu é que o Brasil encenou conciliações que ele não produziu realmente nas ruas. A gente se orgulha do desenvolvimento de São Paulo, do desenvolvimento do Sudeste, do desenvolvimento do Brasil, só que o momento, meu mano, é de envolvimento. O Brasil não se relaciona com o lugar no qual ele existe. Não é o momento de a gente se desenvolver, é o momento de a gente se envolver com as causas. Porque as questões culturais, as questões políticas, embora pareçam intransponíveis nesse momento, nem são a pergunta de um milhão de dólares do nosso tempo. A pergunta de um milhão de dólares do nosso tempo é: o que a gente vai fazer com as questões climáticas quando a gente se entender entre nós?

“Em um momento como esse, de tanta escuridão, temos que encontrar a luz que tem dentro de nós e fazer ela virar caminho para outras pessoas”
Emicida

Existem várias bolhas que se identificam comigo, mas eu não me considero parte de nenhuma delas, porque eu troco ideias com todo mundo. E isso é uma das coisas pelas quais muitas vezes eu sou apedrejado, porque no entendimento estrito de algumas pessoas, eu deveria conversar com um único grupo. A pergunta que me acompanha em toda a minha vida é: onde a gente se encontra e constrói uma realidade que seja melhor para todo mundo? Eu acho que a vida só é uma possibilidade quando a gente se encontra. Esse contexto no qual a gente está vivendo é a negação completa do encontro. E nada mais didático neste momento do que essa experiência destrutiva produzida pelo Bolsonaro. É isso que a gente quer ser? Não. Então a gente precisa produzir um encontro melhor do que esse aí. E a gente não vai produzir encontro se a gente estiver falando só para quem concorda, e não para quem precisa. Um momento como esse, de tanta escuridão, é um momento onde a gente tem que encontrar a luz que tem dentro de nós e fazer essa luz virar o caminho para outras pessoas. Por isso eu bato na tecla da saída coletiva. 

Eu sou um artista, eu vivo de show, meu ativo maior foi suspenso há um ano. Eu estou aqui, não demitimos ninguém, estamos nos desafiando e nos reinventando nesse momento. E eu vejo artistas que têm popularidade para conseguir fazer uma pressão no poder público, e todos eles estão em silêncio. E aí eles levantam as vozes deles para dizer que é o momento dos shows serem liberados novamente? Passando de mil pessoas morrendo todos os dias, no meio de um tiroteio absurdo? E aliás, às vésperas de ser literalmente um tiroteio, porque todo mundo pode ter seis armas, mas não pode ter uma vacina. No meio de tudo isso, só tem uma forma de sair. Não adianta eu pensar no que é a salvação do meu setor, no que é a salvação da minha bolha, no que é a salvação do meu bolso, não é sobre isso. É sobre pessoas. E se a gente não salva pessoas, é melhor se entregar para a barbárie. 

Emicida

Vivemos em um país de distâncias abissais, onde temos uma Finlândia e uma África lado a lado. Nesse momento, seja pela pandemia ou por um governo pandemônico, nossas fraturas estão ainda mais expostas. E uma fratura que já vem de tempos, da formação do povo brasileiro, é a questão relacionada ao racismo, que gera essa desigualdade racial gigante. Mais do que nunca, os negros estão associados à imagem de resistência, de luta. Isso para você, em algum momento, é um peso? Ou um estereótipo que, ao invés de libertar, te aprisiona? Sim. Eu acho que as pessoas pretas são entendidas como fortes não porque elas tiveram necessariamente a oportunidade de mostrar suas forças, mas porque todo mundo já subentende que essas pessoas vivem em um ambiente muito difícil. E isso é uma faca de dois gumes. Por um lado, é importante que a gente seja incentivado a resistir, porque vivemos em uma realidade que não é nada fácil. Por outro lado, a gente não quer resistir. Quem quer viver resistindo? A gente quer existir. Por isso que eu canto: "Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes". Porque até quando as pessoas são bem intencionadas, elas me limitam a ser o que me traumatizou, e não eu mesmo. As pessoas que sofreram de alguma forma com a desigualdade racial são colocadas no posto de referência a respeito da desigualdade racial, quando a minha luta é para que a gente possa ser tudo. 

“Se a gente permite que um professor seja agredido debaixo dos olhos de todo mundo, que tipo de país a gente está permitindo que nasça? ”
Emicida

No documentário AmarElo ficou muito claro que você tem um fascínio, tem conhecimento sobre a história do Brasil, e acho que isso é o que te diferencia dos seus pares. Quando você olha para o passado, você tenta pensar o presente, mas de olho na construção de um futuro. Por que você acha que a história se repete sempre aqui nessa terra? Se a gente realmente estudasse a história do Brasil, não estaria condenado a repeti-la. Por que a gente não aprendeu com a nossa história? Porque a gente não a estudou direito. No momento em que a gente tiver conhecimento das catástrofes que o Brasil produziu, sejam elas a escravidão ou o genocídio indígena, a gente vai querer se distanciar disso. O Brasil não consegue entender o poder revolucionário, do ponto de vista humanitário, de uma escola. O professor é a pessoa que constrói o intelecto da geração que está por vir. Se a gente permite que um professor seja agredido debaixo dos olhos de todo mundo, que tipo de país a gente está permitindo que nasça? A gente tem o desafio de fazer esse Brasil real, esse Brasil pulsante, esse Brasil que inspirou a gente a ser quem a gente é, ocupar um lugar de reverência que consiga criar um outro parâmetro para essa sociedade. E aí a gente vai terminar tipo o Gonzaguinha. O Gonzaguinha não cantava "eu fico com a pureza da resposta das crianças"? Mas o que estamos dando para as nossas crianças? O que a gente está ensinando para elas? Estamos sendo professores delas também. 

Você é um artista brasileiro. No meio desses 35 anos de trajetória, você vendeu a alma para o diabo em algum momento? Enquanto criador, a gente é consequência do sonho e da luta de muita gente. Para você pegar um lápis, uma folha de papel e conseguir fazer um desenho, eu imagino a quantidade de infernos que as pessoas que cuidaram de você seguraram, para que existisse a paz que você precisava para fazer o que estava dentro da sua cabeça ir parar no papel e hoje você ser o Ronaldo Fraga. Dessa mesma forma aconteceu na minha vida. Como eu digo 'obrigado' para várias dessas pessoas que nem estão aqui mais? Qual é o tamanho do 'obrigado' que eu devo para essas pessoas? Para mim, é eu nunca esquecer da minha origem, e cada vez que eu vencer, abrir portas para que cada vez menos infernos cerquem essas pessoas.

Eu tive a oportunidade de ver muita gente trabalhar e manter suas convicções. Mas infelizmente não havia circulação de informação e possibilidade de emancipação para que essas pessoas dissessem os 'não' que eu disse. Elas tiveram que se entregar a outras coisas. E aí eu acho que parte da minha vitória e parte da minha obrigação como um vencedor é anistiar todas essas pessoas, não dizer para elas que elas se entregaram antes de mim. Porque o contexto era muito difícil. Se para a nossa geração de criadores é difícil, imagina 50 anos atrás, querendo fazer justiça, construir um país melhor. Mas que espaço havia para se sonhar com um país melhor nas ruas do Brasil? 

“Eu tenho a consciência que eu sou a junção de um monte de coisas que o Brasil odeia, mas que ele odiando, eu ainda consiga atravessar”
Emicida

Para encerrar, vamos falar de Estela e Teresa, suas filhas. Que Brasil você imagina que elas vão receber? Essa é uma reflexão que me pega, por uma série de elementos. O primeiro é a responsabilidade enquanto homem de criar duas meninas. Eu sempre me pergunto: "Em que momento o homem se torna uma barreira para o sonho de uma mulher?". Eu preciso construir uma atmosfera que possibilite que essas meninas sonhem o mais alto que elas conseguirem. Eu não posso permitir que nenhuma estrutura, que não seja o amor que eu tenho por elas, interfira nesse sonhar. E no Brasil de hoje eu estou sendo esperançoso de teimosia, só para mostrar que eu não sou igual a isso aí. Eu vivo em paz porque eu tenho a consciência que eu sou a junção de um monte de coisas que o Brasil odeia, mas que mesmo ele odiando eu ainda consiga atravessar. Porque eu sou uma pessoa preta, inteligente, bem-sucedida, com consciência de classe e que não esqueceu de onde veio. A junção dessas cinco coisas é uma parada que o Brasil não consegue lidar com facilidade, mas também não é uma coisa que o Brasil consegue derrubar com facilidade. 

Essas duas meninas têm a oportunidade de ver todos os dias que elas não podem se render a nenhuma estrutura desumanizante, e que é possível vencer olhando no espelho, sentindo orgulho de quem você é. E vencer nunca é individual, é sempre coletivo. Elas veem isso em nós, elas veem isso na Laboratório Fantasma, nas pessoas que se relacionam com as músicas, na retidão do tratamento de todas as pessoas que nos rodeiam. E isso é vitória, é isso que eu vou deixar. Então, em geral a gente se pergunta: "Que mundo a gente vai deixar para os nossos filhos?" Mas uma das coisas que mais pacifica o meu coração e me alegra é que filhas eu estou deixando para esse mundo. E eu estou deixando pessoas incríveis para esse mundo. 

____________________ * Descobri doença rara, perdi emprego, amigos e me senti abandonada"

Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) - Arquivo pessoal
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Arquivo pessoal
Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) - Arquivo pessoal

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

20/06/2021 04h00

Aos 28 anos, a designer de interiores Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) ou, recém-batizada, Trombocitopenia Imune. Com sintomas que incluem manchas roxas pelo corpo e hemorragias devido ao baixo nível de plaquetas, hoje, a embaixadora do Brasil na Aliança Global da PTI, conta sua luta contra a doença.

"Os primeiros sintomas da PTI começaram com o surgimento de algumas manchas roxas no meu corpo, a primeira foi na minha perna direita, achei que tivesse batido fazendo algum exercício na academia. No dia seguinte, apareceu outro roxo na perna esquerda. Em cinco dias, contabilizei sete manchas roxas, além de um sangramento uterino —percebi que havia algo de errado.

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"Fiquei quase 6 meses com dores nas costas até descobrir mieloma múltiplo"

No dia 10 de novembro de 2014, acordei com fraqueza e cansaço, mas mesmo assim fui trabalhar. Desmaiei durante o expediente e fui ao pronto-socorro da Santa Casa, de São Paulo.

Fui examinada, contei dos sintomas e fiz um hemograma completo. Após algumas horas de espera, o neurologista chegou com o resultado e disse que precisaria me internar. Estava com 2.000 plaquetas no sangue, o mínimo ideal seria 150 mil.

O médico suspeitava de duas doenças: leucemia e outra que parecia um palavrão bem comprido, que ele não lembrava o nome. Fui internada e fiquei em observação.

Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

No dia seguinte, fiz um outro exame de sangue e fui diagnosticada com Púrpura Trombocitopênica Idiopática. A hematologista me explicou que a PTI é uma doença autoimune e que meu corpo estava atacando as plaquetas do sangue.

Quando as plaquetas ficam baixas, nosso sangue fica fino, a gente não tem coagulação e pode ter sangramentos. Minha reação foi perguntar: 'O que vamos fazer agora?'.

Ao longo da minha internação, que durou três meses entre idas e vindas, tive todos os sintomas da PTI, incluindo as petéquias, fiquei com o rosto e corpo cheio de pintinhas.

Um dos maiores cuidados era evitar provocar qualquer tipo de sangramento, além dos que eu já tinha naturalmente, na boca, nariz, olhos (manchas de sangue) e hemorragia uterina.

Tive que me adaptar a algumas situações para não piorar meu quadro. O mais difícil foi ter que dormir sentada por meses. Não podia abaixar para nada porque o sangue poderia ir para a cabeça. Segundo a médica, o risco de ter um AVC hemorrágico era grande.

Uma outra situação era que eu não podia escovar os dentes com escova e creme dental por causa da gengiva, só podia fazer bochecho.

Durante a internação, perdi 12 kg e passei por seis tratamentos. A primeira etapa foi tomar corticoide, mas não deu certo, minhas plaquetas continuavam baixas. A segunda foi tomar imunoglobulina, a terceira foi fazer algumas sessões de quimioterapia.

Cheguei ao ponto de ficar com quase zero plaquetas. Como não estava respondendo bem às medicações, a médica sugeriu retirar o baço.

No dia 12 de janeiro de 2015, fiz a cirurgia e comecei uma outra medicação, que finalmente começou a dar resultado.

Tive alta no dia 15 de fevereiro. Fiquei os primeiros dois meses de repouso, só tomando remédio e fazendo monitoramento a cada 15 dias no hospital.

"Perdi emprego, amigos e entrei em depressão"

Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Os primeiros dois anos e meio após o diagnóstico foram bem difíceis: perdi meu emprego, minha independência, meus amigos e entrei em depressão.

Em 2016, até tentei voltar para o mercado de trabalho, mas não consegui. Os recrutadores viam um buraco no meu currículo —da época do tratamento e questionavam o motivo. Explicava a doença, dizia que não era contagiosa, mas deixava claro que, como precisava fazer acompanhamento, teria que me ausentar da empresa nos dias de exames e das consultas.

Eles faziam uma cara feia, diziam que iam retornar e não retornavam. Sabia que era por preconceito, pois tinha muita experiência e conhecimento na minha área profissional. O jeito foi começar a oferecer meus serviços para os verdadeiros amigos que sobraram e virar autônoma.

Ao descobrir que tinha uma doença rara, me senti abandonada, sozinha no mundo, como se ninguém compreendesse minhas limitações.

Ao conhecer a equipe do Instituto Vidas Raras, tive uma sensação de pertencimento, de saber que existem pessoas que entendem minhas dores físicas e emocionais.

Em 2017, comecei a escrever um livro contando a minha história com PTI, mas ainda não lancei. Nesse mesmo ano, criei uma página, PTI Brasil, no Facebook e no Instagram (@pti_brasil), em que exerço os cargos de fundadora e diretora.

A ideia veio após participar de alguns grupos fechados de PTI nas redes sociais e perceber que não existia informação de qualidade sendo compartilhada e que os pacientes tinham muitas dúvidas. Após formar o grupo, me tornei embaixadora do Brasil na Aliança Global da PTI.

Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Estou em remissão da doença desde 2016 e faço acompanhamento a cada seis meses. Parei de projetar o futuro e foco os meus sonhos em coisas que posso realizar a curto prazo, como ter viajado para Inglaterra, Espanha e Estados Unidos —nunca tinha viajado para fora do país antes. Fu viajar sozinha para superar os meus medos.

Na minha opinião, mais do que hemorragia, o que mata na PTI é a falta de informação. A PTI impactou minha vida, meu modo de ver o mundo, as pessoas e me trouxe um propósito, que é levar conteúdo e apoio aos outros pacientes, algo que não tive quando recebi o diagnóstico".

O que é a PTI?

A PTI é uma doença adquirida e, geralmente benigna, de causa desconhecida que se caracteriza pela queda da contagem das plaquetas. Como doença autoimune, as plaquetas são reconhecidas como estranhas ao organismo, que produz um anticorpo antiplaquetas. Quando o conjunto plaquetas/anticorpos chega no baço, ocorre a ativação do complemento, provocando a lise ou destruição das plaquetas.

Outro mecanismo envolvido na PTI é uma produção deficiente de trombopoetina pelos megacariócitos da medula óssea, que reduz a liberação de plaquetas para o organismo, tendo como consequência uma redução do número de plaquetas. A PTI pode, ainda, ser decorrente de medicamentos, vacinas, infecções virais ou associadas a lúpus e HIV. Pode ser classificada como forma adulta e infantil e, quanto à evolução, como aguda e crônica.

Quais os sintomas da PTI?

  • Aparecimento de petéquias (manchas roxas, são microhemorragias no interior da pele, que parecem picada de pernilongo) ou equimoses (conjunto de petéquias) na superfície da pele.
  • Sangramento gengival ou fluxo menstrual mais abundante são frequentes em jovens.
  • Sangramento intestinal grave e no sistema nervoso central são mais raros, mas podem ocorrer.

Como é feito o diagnóstico?

Marília Lia, 34, descobriu ter uma doença rara: a Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Pelo aparecimento de petéquias e equimoses de caráter espontâneo (ou seja, sem trauma). O hemograma com níveis normais de hemoglobina e leucócitos, associada à queda da contagem de plaquetas é suficiente para o diagnóstico, na ausência de febre e queda do estado geral.

O mielograma (exame da medula óssea), associada à pesquisa do anticorpo antiplaquetas, pode ajudar no diagnóstico nos casos mais difíceis.

Qual é o tratamento?

A primeira linha de tratamento é a administração de corticoide em altas doses por alguns dias, posteriormente, com a redução progressiva da dose inicial. O corticoide é um agente imunossupressor e diminui a produção de anticorpos antiplaquetas.

A segunda etapa inclui um anticorpo monoclonal e imunoglobulina em altas doses. Em alguns casos, a retirada do baço pode ser indicada e realizada em jovens e adolescentes.

Quais as maiores dificuldades e queixas do paciente com PTI?

As maiores dificuldades são a insegurança em relação ao provável sangramento fatal, por exemplo, na cabeça ou intestino, e o convívio com os eventos adversos dos medicamentos, principalmente os corticoides que causam aumento de peso, inchaço generalizado e aparecimento de um tipo de diabetes induzido pelo corticoide.

A PTI tem cura?

Pacientes submetidos a esplenectomia e aqueles que obtêm uma rápida resposta ao corticoide podem ficar livres do problema e sem retorno da doença.

Entretanto, alguns podem evoluir para a forma crônica e terem de conviver com uma contagem de plaquetas baixas, com todas as suas limitações. Nesses casos, o indivíduo deve evitar esportes de contato, como luta livre, com o risco de ter hematomas decorrentes do trauma.

Também deve tomar cuidado com o risco de sangramento durante uma cirurgia de urgência, como uma apendicite, ou retirada de dente do siso, por exemplo.

Fonte: Celso Massumoto, coordenador da residência médica em hematologia do Hospital 9 de Julho (SP), doutor em hematologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), membro da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, e ex-clinical fellow do Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle, Washington (EUA).

Referências: Kurtzberg J, Stockman JA. Idiopathic autoimmune thrombocytopenic purpura. Adv Pediatr.1994;41:111-34; e Abrahamson PE, Hall SA, Feudo-Tepie M. The incidence of idiopathic thrombocytopenic purpura among adults: a population-based study and literature review. Eur J Haematol.2009;83(2):83-9.

____________________ * Crítica - Samuel Pessôa: Langoni, a verdade da direita

A distinção interessante entre esquerda e direita é sobre como as sociedades funcionam

Morreu de Covid, há uma semana, aos 76 anos, o economista Carlos Geraldo Langoni.

Langoni é responsável por dois dos melhores trabalhos em economia aplicada sobre o Brasil de todos os tempos: sua tese de doutoramento defendida em Chicago e publicada no Brasil em 1974, "As Causas do Crescimento Econômico do Brasil", e seu trabalho mais conhecido, um clássico, "Distribuição de Renda e Crescimento Econômico do Brasil", cuja primeira edição é de 1973.

Empregando a definição do cientista político italiano Norberto Bobbio, a diferença entre esquerda e direita seria "uma maior sensibilidade [da esquerda] para diminuir as desigualdades". Podemos inferir que, para Bobbio, a esquerda está disposta a pagar o preço de menor crescimento se for efeito colateral de medidas que reduzam a desigualdade.

O economista Carlos Geraldo Langoni, que morreu no dia 13 de junho em decorrência de complicações da Covid-19 - Zeca Guimarãe - 17.mar.1996/Folhapress

Essa distinção entre esquerda e direita é normativa, refere-se a diferentes desejos de construção de uma sociedade. Sempre achei a definição de Bobbio pouco interessante. Acho que, por ela, 95% do Congresso se autodenominará de esquerda.

A distinção interessante entre esquerda e direita é de natureza positiva. São diferentes visões de como as sociedades funcionam. Para a esquerda, pobreza, desigualdade e crescimento econômico são resultado das relações sociais ou internacionais. Para a direita, são realidades intrínsecas aos indivíduos ou aos países.

No entanto, a vida é complicada, e, como nos ensinou Aristóteles, em geral, a verdade está em algum ponto no meio do caminho.

O baixo investimento em educação observado nas décadas de 1930 até 1980 explica muito de nosso subdesenvolvimento. Isso não impede que pobreza e desigualdade tenham dimensões relacionais.

Por exemplo, fazem todo sentido políticas públicas de estímulo a mecanismos de contratação --no setor público e privado-- que sejam impessoais e independentes das cadeias de amizades e conhecimento pessoal. Analogamente, justificam-se políticas públicas que estimulem a maior participação de negros em meios de comunicação, em razão da importância dessa presença na formação das identidades individuais.

Langoni mostrou-nos que a taxa de retorno do investimento em educação, 28% ao ano, era superior ao investimento em capital físico, de 16%. O retorno era ainda maior se o foco da política educacional fosse o primeiro ciclo do fundamental, o antigo primário, cuja taxa de retorno era de 32% em 1960. O crescimento aumentaria se priorizássemos a educação fundamental.

No trabalho sobre as causas da piora da distribuição de renda entre 1960 e 1970, Langoni mostrou que havia forte correlação entre o aumento da desigualdade no período e o aumento do retorno da educação. Se empregarmos como medida de desigualdade a variância da renda, 35% da piora da desigualdade observada na década de 1960 foi fruto da elevação da desigualdade educacional, e 23%, de alterações da renda associada aos diversos níveis educacionais.

Langoni empregou a melhor base de dados e a melhor estatística disponível à época. Como escreveu Delfim Netto no prefácio, "a pesquisa do professor Langoni está aqui para ser superada".

Uma crítica pertinente aos trabalhos de Langoni é que haver associação estatística entre duas variáveis não significa que uma seja causa da outra. É perfeitamente possível a elevação dos retornos à educação ter sido causada pelas políticas de contenção do salário mínimo dos trabalhadores desqualificados urbanos na década de 1960.

Mas vale lembrar que, em 1960, a inflação era alta e crescente. Em 1970, era baixa e decrescente. A política de salário mínimo contribuiu para esse resultado. Fica a pergunta: qual teria sido a desigualdade em 1970 se não tivesse havido o combate à inflação?

____________________ * Chega de passar raiva! Veja como limpar o computador e deixá-lo mais rápido

Uma boa faxina no seu computador vai fazer com que ele funcione melhor - Getty Images
Uma boa faxina no seu computador vai fazer com que ele funcione melhor Imagem: Getty Images

De Tilt, em São Paulo

20/06/2021 04h00

Seu computador trava toda hora e demora horas para abrir um único arquivo? Isso pode ser um sinal claro de que ele anda precisando de uma limpeza geral.

Claro que a lentidão pode ter a ver com um problema mais complexo de ser resolvido. Mas pode ter certeza que uma boa faxina vai fazer com que ele funcione bem melhor do que antes.

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Tilt separou algumas dicas para que você mesmo faça uma limpeza geral no seu computador com sistema operacional Windows. Você vai precisar:

  • Limpar arquivos temporários;
  • Excluir programas que não usa mais;
  • Desfragmentar o disco.

Limpe arquivos temporários

Durante o uso do Windows, os programas vão criando vários arquivos temporários. Até a nossa navegação na internet deixa rastros e sujeira dentro do HD.

Fazendo a limpeza do disco, todos esses arquivos serão apagados e o computador ficará com mais espaço para funcionar. O passo a passo abaixo pode ser uma etapa ou outra diferente dependendo da versão do Windows que tiver. Mas todas possuem um jeito parecido de fazer a limpeza.

  • Vá na barra de tarefas do computador (localizada na borda inferior da tela no lado esquerdo) e encontre o símbolo da Lupa. No Windows 10, é só abrir a barra e digitar direto o texto abaixo;
  • Digite "Limpeza de Disco" (se o sistema estiver em Inglês, digite 'Disk Cleanup');
  • Selecione a opção na lista de resultados;
Digite Limpeza de Disco na lupa do Windows para limpar seu PC - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução
  • Uma nova janela vai surgir com algumas sugestões. Você deve selecionar os tipos de arquivos que deseja remover;
  • Se tiver alguma dúvida, clique no item para ler uma descrição sobre ele (alguns exemplos são: arquivos da lixeira e de internet temporários);
  • Depois de selecionar o que quer, é só ir no 'OK' e confirmar. O sistema vai abrir uma janela perguntando se você deseja realmente continuar o processo.

Ao confirmar, todos os arquivos selecionados serão excluídos, sem chance de recuperação.

A parte dois da limpeza de arquivos desnecessários do PC   - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Exclua programas que não usa mais

No mesmo local da Limpeza de Disco aparece um item chamado "Mais opções". Ao clicar, uma nova janela vai surgir com todos os programas instalados em seu PC.

Análise um por um e veja quais você não usa já há algum tempo. Decidiu qual quer apagar?

  1. Clique nele e em seguida aperte o botão "Desinstalar".
  2. Siga os passos seguintes exibidos na tela; e pronto.

Desfragmente o disco

A dica agora serve para que o Windows analise os arquivos que estão espalhados (fragmentados) pelo HD. O próprio sistema acaba fazendo essa desordem durante o seu funcionamento. Por isso, é bom repetir o processo de tempos em tempos.

Seguindo os passos abaixo, o computador consegue se reorganizar para economizar mais espaço. Consequentemente, ele fica mais rápido.

  1. Volte para a barra de pesquisa e digite "Desfragmentar e Otimizar Unidades";
  2. Ao abrir, selecione a unidade C:/ e vá no botão "Analisador";
  3. Depois que o PC fizer sua análise é só pressionar "Otimizar";
  4. O processo pode demorar bastante (até horas) dependendo do caso.
  5. Depois de seguir é só dar um OK para concluir.
Como desfragmentar o disco - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

E uma recomendação: só faça a desfragmentação quando não tiver riscos de falha na rede elétrica (como em caso de um temporal). O risco é o computador desligar no meio do caminho e perder alguns dados.

____________________ * Manu Ríos fala sobre trisal, sexo e nudez em 'ELITE': 'Personagem pedia'

Para ator, Patrick ajuda, e não atrapalha, casal queridinho Omar e Ander

Manu Ríos
Manu Ríos Netflix/Divulgação
  • compartilhamento Especial

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São Paulo

Um é pouco, dois é bom, três é ideal? É isso que tenta esclarecer a série "Elite", da Netflix, cuja quarta temporada estreou nesta sexta-feira (18) com a chegada de um novo vértice para abalar (ou seria fortalecer?) um dos casais mais queridinhos do público: Omar (Omar Ayuso) e Ander (Arón Piper).

Quem entrou na trama com essa missão foi Patrick, interpretado pelo novato Manu Ríos, 22. Ele chega à exclusivíssima Las Encinas debaixo da asa do pai, o novo diretor da escola, e acompanhado das irmãs, Ari (Carla Díaz) e Mencía (Martina Cariddi). Porém, logo mostra ter personalidade própria.

  1. Atores de 'Elite' dão detalhes da 4ª temporada: 'Surtamos lendo roteiro'

A homossexualidade do personagem não chega a ser uma questão. Ela é tratada de forma natural na trama. Ao chegar à instituição, ele se interessa por Ander, mas não fica tão desapontado ao descobrir que o rapaz já tem namorado. Pelo contrário, quando é convidado para se juntar aos dois em um "ménage à trois", não se faz de rogado.

Em entrevista exclusiva ao F5, Manu Ríos confessa que ficou menos à vontade que o personagem nas cenas de sexo e em outras tantas de nudez no chuveiro coletivo do colégio. "Ficava um pouco desconfortável no começo."

"Porém, ajuda ter uma equipe tão profissional e colegas que também levam isso da melhor forma possível", diz o intérprete de Patrick. "Fiquei com um pouco de vergonha, qualquer um ficaria. Mas era necessário e o que o personagem pedia, então fizemos da melhor forma possível."

Ele diz que foi recebido com muito carinho pelos colegas, que já fazem sucesso desde a primeira temporada e têm vasta torcida na internet (inclusive com a hashtag #Omander). Por isso mesmo, ele diz acreditar que o personagem pode dividir opiniões.

"Ao fim e ao cabo, cada um é livre de expressar se tem mais ou menos simpatia por um personagem, cada pessoa vai ter uma opinião", lembra. "O que eu posso dizer é que, interpretando o personagem, vi que ele não faz nada com má intenção, mesmo que às vezes possa parecer."

Ele também afirma que a relação com Patrick pode beneficiar o casal. "Ele vai contribuir com algumas coisas para o casal", avalia. "Omar e Ander vão descobrir coisas sobre eles próprios com a entrada de Patrick. Ou seja, tem um lado positivo."

Com relação ao personagem, Manu Ríos explica que Patrick é muito guiado pelo desejo. "Tem uma personalidade muito passional", conta. "É muito impulsivo e se deixa levar pelas emoções do momento. Ele não se controla em algumas situações e isso faz com que, às vezes, ele acabe se prejudicando."

"Ele é um pouco autodestrutivo nesse aspecto", analisa. "Mas também é preciso entender de onde ele vem, a história que há por detrás disso. Não acredito que ele seja uma pessoa má, ele só não sabe muito bem administrar a si mesmo."

E será que criador e criatura têm algo em comum? "Somos bem diferentes", garante o ator. "O que temos de parecido é que também sei muito bem o que quero, desde criança sabia o que queria fazer, mas ainda assim fazemos isso de pontos de vista diferentes."

"Patrick é mais instável e maluco", entrega. "Ele leva as coisas a cabo de uma forma que eu não faria na vida normal. Acho que eu faria tudo com muita mais calma e paciência."

Ríos diz que chegar ao personagem foi um trabalho compartilhado com a direção da série. "Tivemos a sorte de ter bastante tempo de preparação, ensaios, fizemos mil exercícios diferentes para entender a história do personagem e dar vida a ele da forma mais genuína possível", conta. "Teve o meu esforço pessoal, mas também muito trabalho lado a lado com os diretores."

Parte disso foi feito com os demais atores que entraram na temporada. "Cala [Díaz] e Martina [Cariddi] têm mais ou menos a mesma idade que eu", lembra. "Sabemos o impacto da série e o que pode vir a ter essa nova temporada, então vivemos isso da mesma forma. Nos entendemos e criamos um vínculo muito grande. Agora somos irmãos também na vida real, estamos sempre juntos."

E, claro, entrar numa série que já faz sucesso em 190 países, dá, sim, um pouco de ansiedade. "É inevitável ficar impressionado e impactado ao entrar em um projeto tão grande", confessa. "Mas eu sempre tomei o trabalho com muito entusiasmo e vontade."

"Entendo que os seguidores da série sintam falta de alguns dos personagens que saíram —é também inevitável com todo o amor que a série recebe—, mas esses novos personagens vão contribuir com muitas coisas lindas e frescas e tenho certeza de que as pessoas vão gostar."

"ELITE" - 4ª TEMPORADA

  • Quando Disponível on demand
  • Onde Na Netflix
  • Classificação 18 anos
  • Elenco Miguel Bernardeau, Itzan Escamilla, Arón Piper, Omar Ayuso, Claudia Salas, Georgina Amorós, Carla Díaz, Martina Cariddi, Manu Ríos, Pol Granch e Diego Martín, entre outros.

____________________ * Cachorro salva pequeno veado de afogamento e não desgruda dele

Cãozinho chamado Harley ajudou veado a cruzar um lago - Reprodução/Facebook
Cãozinho chamado Harley ajudou veado a cruzar um lago Imagem: Reprodução/Facebook

16/06/2021 13h37

Ralph Dorn não conseguia encontrar seu cão Harley. Então, ele começou a olhar no lago que fica na região onde mora no estado norte-americano da Virginia. Para sua surpresa, ele avistou o animal nadando ao lado de um pequeno veado.

"Não tenho certeza de como o veado foi parar lá, mas o Harley claramente não perguntou, ele simplesmente entrou em ação", escreveu Dorn em seu Facebook.

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Os dois animais nadaram juntos até a margem do lago. Ralph ajudou os dois a subirem e contou que Harley começou a lamber o veado.

"Ele não queria sair do lado do veado. Ele só ficava interagindo com ele, lambendo, cuidando dele", declarou o homem à revista People.

A mãe do veado apareceu no gramado pouco depois. Dorn levou seu cão para casa e a mãe e seu bebê seguiram seu caminho.

Mas, na manhã seguinte, Ralph e sua mulher, Patricia, perceberam que Harley estava agitado, correndo de um lado para o outro. Ao abrir a porta, ele percebeu que o veado estava lá.

Depois do breve encontro, o veado mais uma vez foi embora com sua mãe.

"Nós sabíamos de cara, mesmo como um filhote, ele [Harley] tinha um coração do bem. Ele sempre agiu assim com crianças e animais. Ele ama todos", diz Dorn

____________________ * O país NÃO reconhecido mais BONITO do MUNDO, ABKHÁZIA quer mais turistas

Beautiful aerial view on Black Sea coastline, Abkhazia


43°00'N, 41°02'L

Antigo Edifício do Conselho dos Ministros
Sokhumi, Sokhumi, Geórgia [Abkházia]*

É uma história que se repete. Vizinhos de diferentes origens convivem em certa harmonia há gerações. Religião, etnia ou convicções políticas pouco importam. Até que a guerra estoura e eles passam a se odiar mortalmente. Nos anos 1990, Ruanda e Bósnia-Herzegóvina mostraram ao mundo seus horrores.

Mas não só lá. Em outro cantinho da Europa, tão esquecido que os desavisados (ou preconceituosos?) acham que lá nem Europa é (ser europeu é chancela de superioridade?), um pequeno país tentou conquistar a independência, mas foi devastado por isso. Se tivesse conseguido, a Abkházia seria mais um dos novos estados independentes que brotaram dos escombros soviéticos.

Verde e fértil no litoral, com belas praias costeando o Mar Negro, mas sem perder de vista os picos nevados e estações de esqui do interior montanhoso, a Abkházia era um refúgio dos soviéticos mais afortunados. Tudo em um território pouco maior que o Distrito Federal.

(Crédito: Getty Images)

Os abecazes, de maioria muçulmana, conviviam com os georgianos, cristãos ortodoxos, por mais de um milênio. Mas os ventos que derrubaram impérios no século 20 sacudiram esse equilíbrio. "No século 19, os abecazes fizeram muito mais oposição aos russos do que os georgianos", explica a autora norueguesa Erika Fatland em The Border, livro que percorre as fronteiras da Rússia, da Coreia do Norte à Noruega (não há edição brasileira, mas outro livro dela, Sovietistão, foi traduzido).

O Império Russo anexou a Geórgia no fim do século 18, mas a Abkházia ficou boa parte do 19 no meio do cabo de guerra dos russos com o império vizinho rival, o Otomano. Os abecazes se aliaram aos circassianos, povo do outro lado das montanhas, no norte do Cáucaso. Em 1864, os russos eliminaram a resistência na região e puniram circassianos e abecazes.

O mapa mostra diversas repúblicas não independentes do Cáucaso, como Abkházia (Geórgia) e Carachai-Circássia (Rússia).

Centenas de milhares de pessoas foram espremidas em barcos lotados e despachadas para o território otomano. Outras milhares tiveram que fugir. A costa da Abkházia ficou vazia. Aqueles que insistiam em lutar acabaram deportados, até que a Rússia baniu de vez os abecazes de viverem na costa e nas maiores cidades. Georgianos, armênios e gregos acabaram ocupando as vilas.

Nos anos 1930, sob a sombra de Stálin, que, além de tudo, era georgiano, tudo ficou ainda pior. A Abkházia fazia parte da República Socialista Soviética da Geórgia (que por sua vez era uma das integrantes da URSS). Lavrentiy Beria, fiel aliado de Stálin, assumiu o comando do Partido Comunista da União Soviética no Cáucaso do Sul. Pertencente a uma minoria georgiana da Abhkázia, ele estimulou a migração em massa de georgianos. Em 1939, somente 17% da população da Abkházia era composta de abecazes, enquanto 45% eram georgianos.

ANOS 1990

Cinquenta anos se passaram, o socialismo soviético dava seus últimos suspiros e, em 1989, milhares de abecazes assinaram uma declaração que pedia a fundação de uma república soviética independente para o país. A Geórgia, é claro, não gostou nem um pouco, o clima esquentou, mas em abril de 1990 o exército soviético tomou as ruas de Tbilisi, capital georgiana, e acalmou as coisas – do jeito que exércitos desastrados fazem: aumentando a tensão e matando e ferindo cidadãos.

Em abril de 1991, a Geórgia declarou independência, mas a Abkházia tentou permanecer fiel a Moscou. Em julho do ano seguinte, enquanto os atletas das ex-repúblicas soviéticas competiam em Barcelona sob o nome "Comunidade dos Estados Independentes", a Abkházia tentou buscar a sua própria independência. Um mês depois, tanques georgianos tomaram as ruas de Sokhumi, a capital abecaze (chamada por eles de Sukhum). Foi uma guerra suja, protagonizada por um jovem exército constituído de prisioneiros recém-libertados, que cometeram estupros e pilhagem.

Metade da costa do Mar Negro da Geórgia fica na Abkházia. Cerca de 270 mil georgianos viviam no país. Não era um lugar qualquer, a Geórgia tinha muito a perder. A guerra matou 10 mil pessoas e praticamente todos os georgianos tiveram que fugir quando as forças abecazes tomaram o controle de Sukhumi. Os inimigos assinaram um cessar-fogo em 1993.

Em 2008, a Geórgia tentou reaver o controle de outra região problemática, a Ossétia do Sul, mas a Rússia respondeu com vigor. Na sequência, reconheceu a independência da Abkházia, declarada em 1999. Hoje, apenas ela e outros quatro países, entre eles a Venezuela, reconhecem a Abkházia como um país soberano. Para a Geórgia e seus aliados em Washington, trata-se de um território ocupado pela Rússia. Com suas bases militares, Moscou exerce o controle de fato da Abkházia.

(Crédito: Getty Images)

Sokhumi, cidade que nasceu colônia grega e cresceu na era de ouro da Geórgia (século 11) mantém sua vocação de destino de veraneio, com praias, clima ameno e belos jardins à beira-mar. Mas, bastante afetada pela guerra e distanciada do mundo há quase 30 anos, ela foi coberta por um manto de decadência.

Escadaria em prédio abandonado de Sukhumi, Abkhazia (Crédito: Getty Images)

Desde o reconhecimento russo, mais turistas chegam a cidade, mas ainda longe do potencial e dos tempos soviéticos. Este ano, o governo aguarda um fluxo maior de visitantes russos. Como boa parte das fronteiras permanecerá fechada por causa da pandemia, a Abkházia aparece como uma opção viável.

Em 2017, o prédio do Conselho de Ministros, abandonado, servia de ponto de encontro para jovens em noites quentes, segundo o jornal britânico The Guardian. Típico colosso soviético instalado no centro da cidade, ele foi um dos palcos da guerra e, desde então, segue abandonado. É um testemunho decrépito e monumental, arquitetura brutalista arruinada, estranho troféu que lembra a vitória abecaze e a expulsão dos georgianos.

Poderia ser bem diferente. Diz um dos entrevistados do livro de Fatland: "Se não fosse a guerra, a Abkházia podia ser como Mônaco hoje".

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* Rússia, Nicarágua, Venezuela, Nauru e Síria reconhecem a Abkházia como um país independente. Para a maioria dos países, ela integra a Geórgia. Na prática, a Geórgia não exerce nenhum poder sobre o território, que tem governo próprio – controlado por Moscou, segundo a maior parte da comunidade internacional.

____________________ * Hoje tranquila, ILHA (¿ Ilhas Banda-Molucas-Indonésia ?) na Ásia motivou GUERRAS e TRATADOS que MUDARAM o mundo

(Crédito: iStock)

4º33'S, 129º41'L
Ilha Run
Ilhas Banda, Molucas, Indonésia

Houve um tempo em que noz-moscada era mais cara do que bitcoin ou carne bovina. É que ela era valorizada em excesso, pois servia de tempero e de medicamento (para a peste ou uma simples tosse) e porque sua oferta era muito limitada na Europa.

Ao lado de outras especiarias, a noz-moscada moldou a economia europeia nos séculos 16 e 17. 

"Literalmente valendo seu peso em ouro, o cravo, a noz-moscada, a canela, o gengibre e a pimenta geraram uma nova era de economia revolucionária baseada no crédito, o surgimento de um sistema bancário rudimentar e, em última instância, a livre iniciativa", escreveu o inglês Giles Milton em Nathaniel's Nutmeg, livro que narra a trajetória de Nathaniel Courthope, um dos principais exploradores britânicos nesse mercado.

Um arquipélago na atual Indonésia, habitado há séculos por navegadores e comerciantes sagazes, tornou-se a única fonte de noz-moscada dos europeus, o que contribuiria um pouco para sua glória – e muito para sua ruína. 

Existiam variedades da especiaria da Índia à Nova Guiné, mas só a produzida nas Ilhas Banda eram conhecidas e desejadas.

Essas ilhas vulcânicas se estabeleceram como um importante entreposto comercial no Sudeste Asiático há cerca de dois milênios. 

Vendiam e revendiam uma série de artigos de luxo para chineses e papuásios e viviam em vilas autônomas. 

Uns dez séculos se passaram e seus habitantes começaram a cultivar moscadeira, cujos frutos geram a noz-moscada. 

A qualidade do produto e o talento nos negócios renderam fama entre javaneses, malaios e chineses.

No século 15, comerciantes árabes entraram na lista de clientes fiéis e espalharam a palavra na Europa. 

Navegadores europeus queriam descobrir a localização dessas ilhas e chegar à fonte das especiarias. 

Em 1511, os portugueses conquistaram o Sultanato de Malaca e fizeram dele uma base importante para outras investidas no Sudeste Asiático. 

Encontraram as Banda, mas jamais as conquistaram.

(Crédito: iStock)

Em 1599, os holandeses chegaram e impuseram sua força. 

Exigiram o monopólio do comércio de especiarias e foram atendidos.

Ou acreditaram nisso por um tempo, porque, quando os britânicos deram as caras, quatro anos depois, os bandaneses também fizeram negócios com eles.

Os ingleses estavam dando voltas e voltas pelo globo atrás de noz-moscada, de olho na assombrosa valorização de 32.000% que o produto ganhava ao ser comercializado na Europa. 

Em 1616, Nathaniel Courthope tomou posse de uma das dez ilhas do arquipélago, Run, ao assinar um acordo com os habitantes locais. 

"Não sem orgulho Jaime I viria a ser denominado rei da Inglaterra, Escócia, Irlanda, França, Puloway e Puloroon", escreveu o historiador John Keay no livro The Honourable Company, sobre a Companhia Britânica das Índias Orientais.

Cabe uma explicação. 

"França" porque, naquela época, os reis britânicos reivindicavam, formalmente, o trono francês (fruto das infindáveis tretas entre os dois países). 

Já a Irlanda só conquistaria a independência no século 20. 

"Pulo" vem de pulai, que é "ilha" em indonésio.

Então o título se refere à ilha Roon (ou Run) e à ilha Way (ou Ai), uma ilhota vizinha à Run, que os ingleses também abocanharam.

Outro exemplo, ainda mais impressionante (e muito mais relevante), do valor que se dava a essas ilhas. 

Quando os portugueses conquistaram Malaca em 1511, o sinal de alerta disparou em Madri, que deu o troco dois anos depois na corrida pelo suposto domínio global quando Vasco Núnez de Balboa atravessou o Istmo de Darien, no Panamá, e chegou ao Pacífico.

Os dois países viviam o contexto do Tratado de Tordesilhas, que em 1494 estabeleceu que os territórios a leste da linha definida no Atlântico pertenceriam a Portugal e aqueles a oeste, à Espanha. 

Mas oeste até onde? 

Leste até onde? 

Se a Terra é redonda (ela é, fera), então as Molucas, o disputado arquipélago onde ficam as Ilhas Banda, pertenceriam a quem?

O mapa espanhol, de 1601, mostra, no canto inferior esquerdo, a divisão que eles queriam: a oeste, onde está Malaca, para os portugueses, e todo o resto, no leste, para os espanhóis. A disputa ainda levaria algumas décadas, e quem levou a melhor não foi nem Portugal nem Espanha.

Um navegador português que participou da conquista de Malaca acabou se desentendendo com seu rei, dom Manuel I, e em 1517 passou a trabalhar para os espanhóis. Seu nome era Fernão de Magalhães e em 1519 ele zarpou de Sanlúcar de Barrameda a fim de chegar às "Ilhas das Especiarias" pelo Ocidente. "Não há nenhuma prova de que Magalhães tinha a intenção de circundar o globo. Sua proposta de expedição era uma calculada viagem comercial com o objetivo de superar o controle português da rota marítima para o arquipélago indonésio através do cabo da Boa Esperança, navegando não para leste, mas para oeste", explica o historiador britânico Jerry Brotton em Uma História do Mundo em Doze Mapas (Zahar).

Magalhães morreu no meio do caminho, mas sua viagem foi a primeira a dar a volta ao globo. A Questão das Molucas, como ficou conhecida, foi resolvida entre as partes em 1526, com o Tratado de Saragoça, em que os portugueses ficaram com as ilhas, pagando uma multa aos espanhóis. "Para Portugal, a perda das Molucas ameaçava acabar com o monopólio estabelecido sobre o comércio de especiarias, que havia transformado o reino, em menos de uma geração, de um território pobre e isolado na ponta da Europa em uma das potências imperiais mais poderosas e ricas do continente", segue Brotton.

Mas, como vimos, Portugal penou para manter sua influência na área. No século seguinte, eram holandeses e ingleses – que estavam se lixando para os acordos dos ibéricos de dividirem o mundo entre si – que disputavam as ilhas.

A COLÔNIA DA NOZ

(Crédito: iStock)

Em 1621, os neerlandeses apertaram mais o cerco e forçaram a saída dos britânicos. Jan Pieterszoon Coen, chefe de operações da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), decidiu implementar um tipo de monopólio mais radical: substituir os bandaneses por agricultores de outras colônias, já assimilados.

A VOC foi uma das mais poderosas empresas da história – e das mais brutais. Os holandeses trouxeram escravos de outras colônias enquanto mercenários japoneses contratados por Coen esquartejaram 48 orang kaya (os líderes das comunidades autônomas) e exibiam suas cabeças empaladas em bambus. Queimaram vilas e escravizaram cerca de 800 habitantes, que foram enviados a Batávia, cidade que se tornaria a atual Jacarta. Houve relatos de pessoas que preferiam se jogar de abismos a se entregar. A população das ilhas caiu de cerca de 15 mil para 2 mil.

Os bandaneses que fugiram se estabeleceram em outras ilhas e criaram outras atividades comerciais. Alguns daqueles escravizados em Batávia foram levados de volta a fim de ensinar o cultivo de moscadeira.

A brutalidade da VOC estabeleceu as condições para os holandeses iniciarem a colonização das Índias Orientais Holandesas, que dariam origem à moderna Indonésia. Mas isso não quer dizer que os ingleses pararam de importunar os planos de Amsterdã na região.

Alguns atritos e batalhas depois, em 1667 eles assinaram o Tratado de Breda, em que os britânicos abriam mão de Run, permitindo aos holandeses o controle total das ilhas. Em troca, os ingleses pegaram outro assentamento holandês, na América do Norte: Nova Amsterdã, a colônia fundada na ponta sul de uma pantanosa e sem graça ilha chamada Manhattan.

Por décadas, os holandeses surfaram como ninguém a onda daquele pozinho, que ajudou a bancar a chamada era de ouro do país. Mas, eventualmente, os preços da noz-moscada e de outras especiarias começou a cair conforme tabaco, chá, café e outros estimulantes ganhavam público na Europa.

Na virada do século 18 para o 19, a Holanda já não era aquilo tudo. Dominado pelas tropas napoleônicas, o reino era um Estado vassalo, sem poder de reação quando os britânicos invadiram as ilhas Banda e atacaram os fortes Bélgica e Nassau, na ilha Banda Neira.

Os holandeses eventualmente recuperaram o controle, mas o estrago (para eles) estava feito: os ingleses transportaram mudas de moscadeira para outras colônias asiáticas e, consequentemente, o preço da noz-moscada desabou de vez. Os holandeses perderam o interesse pelas Banda e passaram a se concentrar nas ilhas maiores e mais importantes da Indonésia.

(Crédito: iStock)

Talvez você já tenha ouvido falar de Run, ou das Banda em geral, por causa da troca por Manhattan, que seria o suprassumo das negociações colonialistas estúpidas no longo prazo, um erro crasso, exemplo de monocultura e sua maior sequela, a falta de visão. Meus professores de história e geografia adoravam a história, e com razão.

Mas a importância do acordo, na verdade, é outra, como disse o historiador indonésio Bonnie Triyana ao jornal australiano The Sydney Morning Herald: "Ele demonstra como o colonialismo era levado pelas nações ocidentais no Novo Mundo. Inglaterra, Países Baixos, Portugal e Espanha competiam para encontrar novas colônias impulsionados pelo desejo por riqueza. Eles arbitrariamente tratavam o que encontravam como meras commodities. Esses processos na História moldam a nossa situação atual."

É claro que a interpretação contemporânea é boa demais para ser posta de lado, afinal estamos comparando uma pequena e pobre ilha esquecida em uma economia emergente do Sudeste Asiático com uma pequena e outrora pobre ilha onde cresceu a cidade mais importante do mundo. Mas essa é uma realidade que tem um século e olhe lá.

Há 350 anos, os holandeses garantiram a manutenção de seu negócio por mais muitas e lucrativas décadas. Os ingleses penariam ainda um bocado na América, e quem fez Nova York virar Nova York foram os americanos e os seus imigrantes.

Portugal, Espanha, Inglaterra e Países Baixos não são mais as grandes potências que foram um dia. Talvez em 2370, daqui a uns 350 anos, o contraste entre Run e Manhattan não seja tão nítido assim.

PARA AQUELAS BANDAS

(Crédito: iStock)

Run tem uma população de cerca de 2 mil pessoas, que ainda produzem noz-moscada. Com a independência da Indonésia, após a Segunda Guerra, as fazendas passaram a ser propriedade do governo. Mas, desde os anos 1980, os ilhéus assumiram o controle das plantações e distribuíram mudas entre todas as famílias, em uma forma de produção que remonta aos tempos pré-coloniais, de acordo com o site Atlas Obscura.

(Crédito: iStock)

Elas oferecem trilhas em vulcões ativos, bons pontos de mergulho e ruínas dos tempos holandeses. O Forte Bélgica segue de pé, assim como o antigo palácio do governador e um um templo chinês de 300 anos, que lembra que não eram só potências ocidentais que buscavam a riqueza da noz-moscada.

Melhor buscar uma boa história, de preferência com alta octanagem de ironia. Quando estiver em Run, você pode se hospedar na pousada Manhattan. Nova York não ofereceria uma vista dessas.

(Crédito: iStock)

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