____________________ * SAIBA o que você DEVE FAZER URGENTEMENTE se tiver o CELULAR ROUBADO ____________________ * Criminosos BURLAM dispositivos de SEGURANÇA e LIMPAM aplicativos de BANCOS

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____________ * SAIBA o que você DEVE FAZER URGENTEMENTE se tiver o CELULAR ROUBADO ________ ____________ * Criminosos BURLAM dispositivos de SEGURANÇA e LIMPAM aplicativos de BANCOS 

____________________ * Crítico de Bolsonaro, TICO_SANTA_CRUZ diz estar sendo AMEAÇADO de MORTE 

____________________ * Paulinho da Viola: "500 mil mortes é o PREÇO INACEITÁVEL do NEGACIONISMO"

____________________ * 'É um tapa na cara dos negros colocar alguém com linguagem de SUPREMACIA BRANCA na Fundação PALMARES', diz Laurentino Gomes

____________________ * Bolsonaro busca um PRETEXTO para a CONVULSÃO social, diz Merval Pereira

____________________ * À CPI, OSMAR TERRA cita erro em previsões e RELATIVIZA imunidade de rebanho

____________________ * CRIANÇA de FAVELA vê espaços para BRINCAR minguarem na pandemia * SEM escola NEM parquinho, pesquisa aponta que meninos e meninas têm brincado mais em CASA 

____________________ * PRÓXIMA PARADA: Sem medo da solidão, idosos internam-se VOLUNTARIAMENTE em RESIDENCIAL de LUXO na zona oeste de São Paulo

____________________ * CEDENDO a líder de EXTREMA-DIREITA, UEFA PROÍBE símbolo LGBT em estádio

____________________ * Quem é a jornalista atacada por Bolsonaro e que recebeu apoio de famosos

____________________ * Como agiu REDE INFORMAL que FLAGROU Lucas Lima e Patrick do Palmeiras

____________________ * Investigação contra jovem negro que comprou bicicleta furtada CAUSA_ESTRANHEZA, dizem advogados * Polícia apura se Matheus Ribeiro COMETEU RECEPTAÇÃO, após ter sido falsamente acusado de roubar veículo no Leblon

____________________ * Rosa Weber quebra o pé da TROPA da CLOROQUINA na CPI

____________________ * Ofensiva ANTI-INDÍGENA em Brasília * Votação prevista para esta terça na CCJ da Câmara é a EXPRESSÃO_CONCRETA da BOIADA_PASSANDO para EXTINGUIR_DIREITOS dos povos INDÍGENAS 

____________________ * Como Bolsonaro NÃO foi DEPOSTO? * A pergunta cabe já que temos 700 mil mortos, pois a SUBNOTIFICAÇÃO é quase UNIVERSAL, e 70 milhões de jovens contra o presidente

____________________ * JOEL Pinheiro da Fonseca: Vale dar PALCO a um NEGACIONISTA na CPI ?

____________________ * Aos idiotas da OBJETIVIDADE 

____________________ * Guilherme Boulos: As ruas e a história

____________________ * Luciano Huck é vacinado contra a covid-19: 'ORGULHO de ser BRASILEIRO' - BABACÓIDE!!! -

____________________ * Osmar Terra expõe IGNORÂNCIA ORGULHOSA do BOLSONARISMO e o MAL que causa ao país

____________________ * Bolsonaro REVIVE general da ditadura NEWTON CRUZ com cala-boca a jornalista. Compare os vídeos

____________________ * Racismo, vacinas, homofobia: CROÁCIA é a "rainha" das polêmicas na EUROCOPA 

____________________ * LUCAS LUCCO diz treinar desde os 13 anos e mostra ANTES e DEPOIS 

____________________ * Adnet ataca governo Bolsonaro: 'NÃO se INCOMODA de ser ASSASSINO' 

____________________ * MÉDICO ortopedista é indiciado por ASSEDIAR PACIENTE em Goiás

____________________ * Donos insistem em IGP-M, aluguel fica ALTO e INQUILINOS mudam ÀS_PRESSAS 

____________________ * Revelado SINTOMA da Covid-19 que apenas VACINADOS possuem

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mesas cheias de celulares roubados

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____________________ * Crítico de Bolsonaro, Tico Santa Cruz diz estar sendo ameaçado de morte

"Deixar público aqui o fato de que estão ameaçando minha família de morte. Não é a primeira vez que isso acontece. Mas a forma como estão fazendo é bastante grave! Então quero deixar registrado para que todos saibam dessa informação!", denunciou o músico Tico Santa Cruz nas redes sociais

Tico Santa Cruz
Tico Santa Cruz (Foto: Lula Marques)

247 - O músico Tico Santa Cruz usou as redes sociais para denunciar que ele e a família estão sendo ameaçados de morte. “Deixar público aqui o fato de que estão ameaçando minha família de morte. Não é a primeira vez que isso acontece. Mas a forma como estão fazendo é bastante grave! Então quero deixar registrado para que todos saibam dessa informação!”, escreveu no Twitter.

Tico Santa Cruz vem se posicionando de forma crítica ao governo e pedindo que outros artistas também se posicionem de forma contrária à gestão de Jair Bolsonaro. 

Confira a postagem de Tico Santa Cruz sobre o assunto. 

____________________ * Paulinho da Viola: "500 mil mortes é o preço inaceitável do negacionismo"

"O preço inaceitável do negacionismo nos é cobrado diariamente", afirmou o cantor Paulinho da Viola, após o Brasil atingir a marca das 500 mil mortes por Covid-19

Cantor Paulinho da Viola
Cantor Paulinho da Viola (Foto: Divulgação)

247 - O cantor e compositor Paulinho da Viola criticou o negacionismo de Jair Bolsonaro sobre os efeitos da Covid-19. "A terrível marca de 500.000 mortos por Covid que o país atingiu ontem é uma dor impossível de imaginar. Dói ainda mais saber que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas. O preço inaceitável do negacionismo nos é cobrado diariamente", disse o artista no Twitter. 

O Brasil atingiu a marca das 500 mil mortes por Covid no sábado (19). No dia seguinte, o número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a doença no país chegou a 63.187.356 (29,84% da população total), de acordo com balanço do consórcio de veículos de imprensa.

Entre os mais de 63,1 milhões de vacinados, 24.280.894 receberam a segunda dose (11,47%).

____________________ * 'É um tapa na cara dos negros colocar alguém com linguagem de supremacia branca na Fundação Palmares', diz Laurentino Gomes

"Se existe um tapa na cara do atual governo nos negros brasileiros é colocar um negro à frente da Fundação Palmares com linguagem de supremacia branca", disse o jornalista Laurentino Gomes, autor da trilogia "Escravidão". "Não espero que meus livros estejam na Fundação Palmares atual", afirmou. A entrevista foi concedida ao jornalista Luis Costa Pinto

Jornalista Laurentino Gomes e o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo
Jornalista Laurentino Gomes e o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo (Foto: Reprodução)

247 - O jornalista Laurentino Gomes, autor da trilogia "Escravidão", criticou o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que já fez várias declarações racistas.

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"Se existe um tapa na cara do atual governo nos negros brasileiros é colocar um negro à frente da Fundação Palmares com linguagem de supremacia branca. É uma coisa chocante", disse Gomes ao jornalista Luis Costa Pinto.

"Não espero que meus livros estejam na Fundação Palmares atual, nessa configuração. Na Fundação Palmares ideal, dos meus sonhos, sim, claro", acrescentou.

A Fundação Palmares está retirando obras do seu acervo. Um dos argumentos é o de que elas apresentam ideologia marxista.

Camargo tem histórico de atacar o movimento negro e suas lideranças. Ele já chamou Zumbi dos Palmares de “filho da puta” e o movimento negro de “escória maldita”

O dirigente também já defendeu o fim do feriado da Consciência Negra e afirmou que a escravidão foi "benéfica para os descendentes" de escravos no país.

____________________ * Bolsonaro busca um pretexto para a convulsão social, diz Merval Pereira

Colunista diz que ele age como um tresloucado à procura de um golpe

Merval Pereira e Bolsonaro em motociata
Merval Pereira e Bolsonaro em motociata (Foto: Reprodução | Alan Santos/PR)

247 – "À medida que vão crescendo os indícios de que o presidente Bolsonaro chegará muito fragilizado à eleição presidencial do ano que vem, vão se multiplicando seus atos tresloucados. A CPI da Covid está chegando perto de uma possível negociata em torno da compra de vacinas e cloroquina, e Bolsonaro reage. É tresloucado um presidente da República de país democrático advertir publicamente que uma 'convulsão social' poderá ocorrer se uma de suas vontades não for satisfeita, a aprovação do voto impresso", escreve o jornalista Merval Pereira, em sua coluna desta terça-feira.

"A alegação de que é preciso armar a população para que ela se defenda de governantes ditatoriais vai ganhando configuração perigosa quando se vê o trabalho contínuo de Bolsonaro para desmoralizar as instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF), que podem barrar suas pretensões ilegítimas", diz ainda o jornalista. "Tudo são pretextos para o objetivo final, perpetuar-se no poder", aponta.

____________________ * À CPI, Terra cita erro em previsões e relativiza imunidade de rebanho

O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) - Pedro Ladeira/Folhapress
O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 11h05

Atualizada em 22/06/2021 11h21

O deputado federal e médico Osmar Terra (MDS-RS) afirmou hoje à CPI da Covid que a imunidade de rebanho —quando o número de novos contágios diminui porque a população foi contaminada e desenvolveu anticorpos— "é uma consequência" e como "terminam todas as pandemias".

O parlamentar, que é apontado como um dos integrantes do chamado "gabinete paralelo", também afirmou que suas previsões equivocadas sobre a pandemia foram "baseadas na China".

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Não existe nenhuma proposta aqui de deixar a população se contaminar livremente. Nunca se fez isso. A imunidade de rebanho é uma consequência. A imunidade de rebanho é como terminam todas as pandemias, é o resultado final.
Osmar Terra, em depoimento à CPI da Covid

Segundo o deputado, desde o início da pandemia foram feitas previsões "apocalípticas" em cima de projeções matemáticas quanto ao número de mortes que "assustaram muito a humanidade" e que a imprensa ajudou a espalhar esse "pânico" em relação à pandemia.

"Assustaram e criaram um efeito de manada, vamos dizer assim, em decisões em cascata de governantes, fechando tudo, trancando tudo, em cima de uma proposta que era de supressão", declarou.

Ainda defendendo a imunidade de rebanho, Terra afirmou que "trancar" as pessoas em casa por 18 meses até que se tenha uma vacina é uma proposta "fora da realidade".

"Se trancar todo mundo em casa por 18 meses, as pessoas, em um mês, dois meses, vão morrer de fome. O mundo tem que funcionar para as pessoas se alimentarem, para terem assistência médica, para terem os serviços públicos mínimos, para terem segurança, para terem as coisas... A indústria não pode parar. Então, se criou um medo e um pânico", disse.

Previsões erradas sobre pandemia

Sobre a série de previsões equivocadas que fez sobre a pandemia, o parlamentar afirmou que elas foram baseadas "nos fatos que existiam na época", em fevereiro e março do ano passado, principalmente na China, onde o coronavírus surgiu.

"Os fatos concretos que existiam em fevereiro e março eram a epidemia da China. A China teve um surto completo. Ela começou, subiu, desceu e terminou. Tem 4.000 mortes na China até hoje. Era o surto que tinha na época para ser analisado: 4.000 mortes num país de 1,4 bilhão de habitantes nos levaram à ideia de que não seria uma coisa tão grave", declarou.

____________________ * Criança de favela vê espaços para brincar minguarem na pandemia * Sem escola nem parquinho, pesquisa aponta que meninos e meninas têm brincado mais em casa

Rio de Janeiro

Há alguns meses, Priscila Santos da Silva, 25, comprou um videogame para Felipe e Gustavo. O pedido dos dois filhos de cinco anos foi resultado das muitas horas que a família tem passado em casa depois que a escola parou.

Morando no Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo, os irmãos estão entre os milhares de crianças de favelas brasileiras que viram os espaços para brincar minguarem com o início da pandemia, ampliando mais uma das desigualdades entre ricos e pobres no país.

Gustavo e Felipe brincam ao lado da mãe, Priscila Santos da Silva, 26, no quintal de casa no Jardim Pantanal, em SP - Eduardo Knapp/Folhapress

A pesquisa "O Brincar nas Favelas Brasileiras", divulgada recentemente, mostra que 85% das mães de comunidades afirmam que os filhos têm se entretido, sobretudo, no quintal ou dentro da residência, o que acontecia em 63% dos lares antes da Covid-19.

A escola ou creche como espaço para as brincadeiras caiu de 50% para 9%, e a pracinha do bairro, por exemplo, encolheu de 21% para 14%, apesar de ambos estarem entre os lugares que as mulheres mais citam quando questionadas sobre onde gostariam que os pequenos se divertissem.

Com isso, a maioria das mães tem tido dificuldade em conciliar todas as suas atividades e achar tempo para estudar ou brincar com as crianças, que ficam principalmente assistindo à TV e brincando com os irmãos ou sozinhas.

A pesquisa foi feita pelos institutos Locomotiva e Data Favela em parceria com a agência Purpose e a Fundação Lego. Foram entrevistadas de forma online 816 mães de comunidades pelo país com filhos de até seis anos, entre 31 de outubro e 9 de novembro, além de abranger conversas e observações com 12 mulheres.

Elas são em sua maioria negras e se declaram chefes de família —pouco mais da metade está solteira ou separada. Cerca de um terço é dona de casa, e outro terço está desempregado, sendo que a renda média é de R$ 827, menos que um salário mínimo.

“Ocorreram dois fenômenos na pandemia. Um, mais óbvio, foi o aumento do déficit educacional entre crianças ricas e pobres, que não têm as mesmas tecnologias e acompanhamento dos pais. Mas houve também o aumento do déficit no direito de brincar”, diz Renato Meirelles, presidente do Locomotiva e fundador do Data Favela.

“A criança pobre não tem condomínio, espaço público à disposição, profissionais especializados na brincadeira como babás e professores, e as escolas públicas retornaram menos às aulas do que as privadas. Essa desigualdade ficou mais trágica agora”, afirma.

A ausência total de espaços para se divertir nas comunidades é relatada por 30% das mães, incluindo praças, parquinhos, quadras, ONGs, associações ou projetos culturais. As praças são os equipamentos mais comuns nessas áreas, citadas por metade das mulheres.

A pesquisa aponta ainda uma série de problemas urbanísticos que podem atrapalhar e gerar riscos, trazendo fotos de vias sem pavimento, becos irregulares, escadas e córregos sem proteção, lixo e poças d’água sujas.

Outro obstáculo importante é o contexto social da favela. Questionadas sobre os fatores que impedem que os filhos brinquem na rua, 72% das mães mencionam o uso de drogas ao ar livre e 64%, a violência na região. A presença de carros, brigas, “mau exemplo” dos moradores e bailes funk também estão entre os receios.

Morando a alguns passos de várias bocas de fumo, Priscila é uma das que não costuma deixar as crianças do lado de fora. “Tem gente que fica fumando maconha, aí não gosto que eles fiquem vendo. Aqui não tem tiroteio como no Rio, por exemplo, mas tem vez que os moleques roubam um carro e vêm para cá, aí entra polícia, tenho medo”, conta.

Todos esses fatores somados sobrecarregam ainda mais as mulheres. O estudo conclui que o maior tempo de convivência com os filhos na pandemia não as levou, necessariamente, a participar mais ativamente das brincadeiras, já que “boa parte desse tempo acabou preenchido por intermináveis tarefas domésticas”.

Questionadas sobre situações que estão enfrentando, 86% afirmam que não têm tempo para si e mais de 60% relatam problemas para conciliar o cuidado com a casa, o trabalho e as crianças. Consequentemente, a maioria tem dificuldade em achar tempo para auxiliá-las nos estudos e metade, para brincar com elas.

O resultado é que, quando estão atarefadas, elas acabam recorrendo às telas: 66% costumam deixar os filhos assistindo a desenhos na televisão e 48%, jogando no celular ou tablet, ainda que isso implique em uma série de preocupações quanto ao conteúdo visto.

“Ultimamente eles ficam bastante no videogame, que comprei porque estavam pedindo muito. Na Netflix veem mais desenho de criança, mas como o YouTube é mais aberto eu só deixo eles mexerem quando estou perto”, conta Priscila, que preferiu não levar os dois meninos de cinco anos às aulas presenciais após duas professoras pegarem Covid.

Meirelles, do instituto Locomotiva, analisa que a pandemia acabou com uma parte do brincar relacionada à educação. “O brincar na escola, socializando com outras crianças sob supervisão de alguém, foi fortemente prejudicado”, afirma.

Outro problema é que, na prática, os mais velhos deixam de fazer suas próprias coisas para cuidar dos mais novos. Quatro em cada dez mães dizem que é com os irmãos que os menores brincam quando elas estão ocupadas. O pai aparece em apenas 13% das respostas.

Essas dificuldades vão permanecer quando as escolas voltarem ao normal e a crise do coronavírus passar? Meirelles acha que algumas podem se dissipar, mas muitas são reflexos de problemas estruturais. “O déficit de espaços públicos, creches e outros problemas permanecem”, diz.

As mães de favelas lamentam diante da consciência da relevância que as brincadeiras têm no desenvolvimento da criança. Em uma escala de 0 a 10, 78% classificam como 9 ou 10 o nível de importância das brincadeiras para o aprendizado.

____________________ * PRÓXIMA PARADA: Sem medo da solidão, idosos internam-se voluntariamente em residencial de luxo na zona oeste de São Paulo

PRÓXIMA PARADA

Bruno Cirillo (texto) e Fernando Moraes (fotos)

Sentadas em duas fileiras de cadeiras, diante do retroprojetor conduzido por uma psicóloga, as sete velhinhas tinham de acertar, de memória, quais letras e números formavam um par, depois de observar uma tabela projetada no painel. Parece que gabaritavam. Em seguida, a psicóloga propôs o mesmo exercício com formas geométricas e, depois, palavras:

1-BOLO
2-AMOR
3-GARFO
4-BABOSA
5-MALUCA
6-PEQUENO

Jogos para driblar a senilidade, além de fisioterapia, pintura e artesanato, ocupam os dias dos 75 idosos que vivem no Lar Sant'Ana, residencial de alto padrão para a terceira idade no Alto de Pinheiros, bairro de classe média-alta na zona oeste da capital paulista.

Às 10h de uma quarta-feira, os residentes circulavam pelos três sobrados de arquitetura colonial. A maioria se espalhava pelo grande salão, cheio de poltronas e sofás, banhado pela luz que escapava de um jardim de inverno. Alguns deles tinham hora marcada para se exercitarem nas máquinas pneumáticas importadas da Finlândia, e boa parte se recolhia, após o café da manhã, a seus respectivos quartos.

O empresário aposentado Euclides Bacci Álvares, 84, que trabalhava na construção civil, era o único idoso na sala de artes. Ao lado do terapeuta, brincava com um jogo cognitivo de combinações silábicas. Desde 2018 ele mora no asilo com a esposa, com quem é casado há 54 anos. Álvares fala com gestos largos: "Aqui estamos nessa idade que não tem mais nada pela frente na vida. É comer, beber, dormir e se divertir".

A família, naturalmente, ficou sabendo da decisão. Aprovaram a transferência de Bacci e sua esposa para o asilo. "Nós já frequentávamos aqui. A gente vinha jogar. Depois, moramos aqui perto. Acabamos nos juntando às pessoas, nos tornamos conhecidos. Minha mulher se integrou, se enraizou. Ela gosta", lembrou.

O aposentado, que tem diabetes e faz hemodiálise, declara-se orgulhosamente "católico apostólico romano" e afirma não temer a morte. "Prefiro não pensar nisso. Sou muito ligado a Deus, sei que Ele me protege, então não tenho medo." Nessa questão, as respostas dos idosos consultados pela reportagem de TAB repetiram-se: não pensam e, portanto, não temem.

Via de regra, os asilos, residenciais e casas de repouso são procurados por famílias, e não pelos futuros internados. Há 350 mil pessoas vivendo nesse tipo de abrigo no país — 1,5% dos 32 milhões de velhos, segundo a SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

Enquanto nas ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos) a idade média dos internos está em torno de 80, no Lar é de 89. "Aqui é diferenciado porque tem um grande número de atividades", frisa a supervisora de gerontologia, Roberta Seriacopi, que indicou os velhinhos mais dispostos a falar. O custo mensal, no Lar Sant'Ana, começa em R$ 14.800. Segundo a SBGG, o custo médio de cada idoso internado no país é de R$ 8 mil ao mês.

A psicóloga lembra que o residencial, mantido pela Liga das Senhoras Católicas, tem duas unidades. A do Butantã atende idosos com demência e deficiências. Já a de Pinheiros é lar para um público mais lúcido e sem grandes dificuldades motoras. Quando a decrepitude acomete e debilita bastante um idoso em Pinheiros, ele vai para o Butantã.

No apartamento 107, pouco antes do meio-dia, o químico industrial aposentado Tharcísio Rosa, 95, arruma-se para receber a família e almoçar fora. "Deve ser horrível viver do passado", desconversa vagarosamente o homem magro, de nariz adunco e careca, por trás dos óculos e bigode, sentado à beira da cama numa suíte mobiliada com poltrona, sofá, cadeiras, computador e uma cruz na parede. A julgar pelo que diz, entre longas pausas e gestos contidos, envelhecer é viver o presente: "Você vive mais o dia-a-dia".

Sua mudança tem dois anos, numa decisão tomada por ele próprio — não queria dar trabalho, na velhice, para os quatro filhos (também idosos já aposentados) após o falecimento da esposa, em agosto de 2018.

As duas fotos do casal na parede lembram o casamento e a festa das bodas de ouro. "Vivemos 67 anos juntos, sempre tivemos uma vida moderada, sem exageros", recorda o ex-funcionário de carreira da CPFL Energia.

Há um ano, Rosa pegou covid-19 e se safou. Ele e os vizinhos já foram vacinados, mas as visitas são controladas. Sair para almoçar é exceção. As famílias têm feito contato por telefone ou por meio de um balcão na sala de leitura, com abertura para a área externa e uma placa de acrílico. Nas ILPIs, o novo coronavírus agravou o maior problema enfrentado pela terceira idade, segundo geriatras: a solidão pela ausência dos familiares.

Viúva há 25 anos, Maria José Sawaia, 84, considera-se muito bem acompanhada pelos vizinhos. "Sinto muita falta das crianças", diz a educadora aposentada, que lecionou e fez parte, nos anos 1950, da estruturação da rede de ensino municipal em São Paulo. "Eu saía de casa desanimada, nervosa, sem dormir direito, mas quando entrava na sala de aula, recebia uma energia tão boa que ficava me sentindo leve."

Depois do almoço, no decorado apartamento 121, o telefone toca e Sawaia atende Clélia Martins, mulher de Álvares, o engenheiro. "Alô? Estou falando com o rapaz que está filmando aqui", avisa.

Para ela, morar no residencial é melhor do que viver no antigo apartamento, vizinho ao local, ou no Guarujá, onde tem outro imóvel. Para evitar a solidão, ela passa todos os dias ocupada: três atividades de manhã, duas à tarde — quatro aulas de ginástica por semana, pilates, artesanato e pintura.

As atividades são mantidas por um batalhão com cerca de cem funcionários, que dividem o trânsito com os moradores e visitantes nos largos corredores da instituição, algo entre hotel cinco estrelas e hospital de primeira categoria. São sete enfermeiras, vinte auxiliares, quatro técnicos, terapeutas, fisioterapeutas e outras especialidades, como psicólogos, gestores, faxineiros e o pessoal da cozinha e manutenção.

"Não deu pra sentir muita solidão na velhice porque trabalhei na prefeitura, no estado e depois vim pra cá, então tive todo o tempo tomado", conta Sawaia, muito simpática e delicada ao falar, quase pomposa, impecavelmente arrumada para a ocasião. "Ficar desesperada porque me aposentei, porque sinto um vazio existencial? Nada disso", acrescenta.

Sobre a perda do marido, que infartou aos 39 anos, ela não titubeia. "Olha, pra dizer a verdade, ele me deu muito trabalho no final — e eu já tinha minha mãe com 101 anos pra cuidar. Então, depois que eles faleceram, nunca mais tive crises emocionais." Quando não está em atividade, Sawaia gosta de ler num caramanchão do lado externo dos sobrados. "Não deixe de ver o caramanchão", pontua ela.

Na área externa, Seriacopi comenta que há apenas um fumante no residencial. Cadeirantes são três. "Todos aqui devem ter um problema de saúde. Os mais comuns são hipertensão, pressão alta, diabetes, labirintite... se pegar o prontuário, tem muitos diagnósticos", observa a psicóloga, ressaltando ainda que a maior parte da residência é composta por mulheres (64) e há apenas onze homens. "Mulher vive mais. Mulher se cuida mais."

No meio da tarde, sete velhinhas reuniam-se na sala de artes, em volta de uma mesa repleta de tinta acrílica, panos de prato e folhas ilustradas. Pouco a pouco, mais internas iam apinhando — Sawaia por último — num total de doze participantes. Todas elas estavam muito bem vestidas e enfeitadas com brincos e colares de pérolas, usando maquiagem para disfarçar as rugas e penteados carregados de laquê.

Oriette da Silva, que faz 89 anos em junho, conta que foi a responsável pelas reuniões diárias na capela para rezar o terço. "Começamos o terço na pandemia, para rezar pelo fim da doença e manter a tradição católica", explica, interrompendo a pintura de um pano de prato.

Há cinco anos, ela perdeu o marido para o Alzheimer, em Curitiba, e decidiu se mudar para o residencial em São Paulo. Tem seis filhos e uma aposentadoria devido à carreira de orientadora social no SESC. "Me sinto como se tivesse 14 anos, muito bem, feliz e alegre."

Apesar de figurar entre as instituições filantrópicas, que hoje representam cerca de metade dos asilos no país, o Lar Sant'Ana é um ponto fora da curva. Trata-se de um local luxuoso, que não reflete o cenário comum.

São Paulo tem cerca de 387 lares de idosos em atividade, entre públicos e privados. A prefeitura oferece acolhimento integral para idosos em 14 endereços, segundo a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Esses locais públicos atendem mais de 14 mil idosos em situação de vulnerabilidade pessoal e social, oferecendo abrigo temporário (de curta ou prolongada estadia), atividades e proteção.

Mas, durante a pandemia, a situação das ILPIs piorou com a restrição à entrada de novos pacientes. A mortalidade, consequentemente, também aumentou. Entre janeiro e março, 39% das mortes registradas nos abrigos da terceira idade ocorreram em função do vírus.

Flanando pelo salão principal até repousar numa mesa próxima ao jardim de inverno, Jeanne Aires de Abreu, 88, estava fora do roteiro da visita. Internada há sete meses, suspeitam que ela sofre de Alzheimer. Vestia um suéter cinza. De corte chanel e unhas pintadas de vermelho, falava bem baixinho e devagar. "Aqui é muito bom, tranquilo e organizado. Fiz bastante amizade e o pessoal é muito comunicativo", elogiou. Para se distrair, tem um jogo preferido: o dominó.

Ao redor, as muitas mesas espalhadas eram ocupadas apenas por um velhinho cada, exceto por um ou outro casal (são cinco vivendo na residência). Todos olhavam vagamente para o além ou para a televisão, cujo ruído, à distância, era irreconhecível.

____________________ * Jamil Chade - Cedendo a líder de extrema-direita, Uefa proíbe símbolo LGBT em estádio

Estádio de Budapeste na partida entre Hungria e França -  Darko Bandic - Pool/Getty Images
Estádio de Budapeste na partida entre Hungria e França Imagem: Darko Bandic - Pool/Getty Images
Jamil Chade

Colunista do UOL

22/06/2021 08h32

Resumo da notícia

  • Governo Orbán passou a controlar o futebol na Hungria, impondo valores ultraconservadores
  • Com eleições em 2022, extrema-direita amplia uso do esporte como plataforma nacionalista
  • Nova lei anti-LGBT proíbe acesso de menores ao assunto na escolas; Alemanha queria protestar

Pressionada pelo governo de extrema-direita da Hungria, a Uefa anunciou que está vetando o pedido de autoridades da Alemanha de iluminar o estádio em Munique para a Eurocopa 2020 com um arco-íris, o símbolo do movimento LGBT.

Nesta quarta-feira, Alemanha e Hungria se enfrentam pela última rodada da fase de grupos. Mas, em protesto contra a ofensiva do primeiro-ministro Viktor Orbán contra gays, as autoridades alemãs seguiram a nova iluminação.

A Uefa alegou que o evento não pode ser politizado e que, portanto, vetava a proposta. Mas ofereceu aos alemães o uso do símbolo em outras datas da Eurocopa.

A decisão dos cartolas europeus foi imediatamente aplaudida pelo governo de extrema-direita de Budapeste. Na semana passada, Orbán aprovou uma nova lei que proíbe menores de 18 ano de ter acesso a qualquer material que possa fazer referências à homossexualidade nas escolas. Empresas também terão de limitar a publicidade que possa sugerir qualquer tipo de símbolos ou imagens de gays. A lei foi denunciada pela UE e por ativistas de todo o mundo.

Mas o veto da Uefa ao protesto foi considerada como um reconhecimento por parte dos cartolas da influência de Orbán hoje na instituição. Governos como o da França criticaram e lamentaram a escolha da Uefa, enquanto movimentos LGBT denunciam cumplicidade por parte do mundo do futebol.

No jogo de abertura do time da casa, entre Hungria e Portugal, cartazes foram identificados na torcida com referências contra o movimento gay.

Essa não é a primeira vez que o governo húngaro veta qualquer referência LGBT no esporte. Em 2020, Budapeste aprovou uma lei que praticamente impede casais gays de adotarem crianças. Dias depois, o goleiro da seleção Péter Gulácsi declarou seu apoio a "famílias arco-íris". Imediatamente ele passou a ser questionado sobre seu "verdadeiro patriotismo" e se deveria continuar na seleção.

Quando János Hrutka, um ex-jogador, saiu em defesa do goleiro, ele perdeu seu emprego de comentarista num canal controlado por aliados de Orbán.

Antes da Eurocopa começar, Orbán ainda defendeu os torcedores húngaros que vaiaram os jogadores da Irlanda que, em um amistoso, se ajoelharam em protesto contra o racismo. "Isso é uma provocação", declarou o primeiro-ministro, que insistiu que tal protesto "não tinha lugar" em sua "cultura".

Já no jogo entre Hungria e França, neste final de semana, a Uefa foi obrigada a abrir investigações depois de receber denúncias de cartazes no público húngaro contra os protestos anti-racistas. Jogadores como Kylian Mbappe e Karim Benzema também foram alvo de sons imitando macacos quando pegavam na bola.

Política e Futebol

Na Uefa, a relação com Orbán de fato ganhou novos contornos nos últimos meses. Budapeste recebeu jogos de torneios de clubes que não puderam ser disputados em outros locais, por conta da covid-19. Além disso, durante a Eurocopa, o estádio na Hungria é o único a ter uma capacidade autorizada de público de 90%.

Com eleições previstas em 2022 e uma frente ampla sendo formada para tentar frear mais uma vitória do líder ultraconservador, Orbán foi procurar no futebol um instrumento para elevar sua popularidade.

Para a Euro, ele construiu o estádio mais caro do evento, o Puskás Aréna e que simbolicamente foi erguido no local do estádio construído na era comunista. A obra custou 600 milhões de euros.

Ao longo dos onze últimos anos, dez novos estádios foram erguidos no país, sempre por aliados do governo.

Na pequena cidade natal de Orbán, com 1,5 mil habitantes, o primeiro-ministro garantiu recursos para que a prefeitura construísse uma moderna arena com capacidade para três vezes a população da cidade.

Se não bastasse, os caciques do Fidesz - partido de extrema-direita de Orbán - passaram a controlar dez dos doze times da primeira divisão.

____________________ * Quem é a jornalista atacada por Bolsonaro e que recebeu apoio de famosos

Laurene Santos, repórter da TV Vanguarda - Reprodução/Instagram
Laurene Santos, repórter da TV Vanguarda Imagem: Reprodução/Instagram

Mari Monts

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 04h00

A repórter ofendida pelo presidente é Laurene Santos. A jornalista tem 27 anos e trabalha há três na afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba (SP) e região.

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Formada na Universidade de Taubaté, cidade onde mora, ela também passou pela Band. Lá, atuou como produtora e editora por mais de quatro anos.

Laurene também tem MBA em gerência empresarial, com foco em recursos humanos.

Nas redes sociais, a jornalista compartilha sua rotina como repórter da TV Vanguarda, momentos com o namorado, a família, amigos e o cachorro de estimação.

Apoio de jornalistas

Após o descontrole do presidente, Laurene vem recebendo apoio nas redes sociais de colegas de profissão.

Vera Magalhães, apresentadora do "Roda Viva" (TV Cultura), manifestou-se: "Sua altivez, sua coragem e sua calma fazem a diferença e ajudam a iluminar o momento histórico grave que vivemos. Força e continue sempre em frente. Viva o jornalismo. Vamos juntas!".

Renata Lo Prete, âncora do "Jornal da Globo", publicou a seguinte mensagem no Twitter:

Minha solidariedade à repórter Laurene Santos. Que profissionalismo, que senso de missão, que contraste com a indignidade diante do microfone.

Luciano Huck, apresentador da emissora, também se pronunciou sobre o ocorrido, que chamou de "covardia".

Em nota publicada nas redes sociais, a Rede Vanguarda se solidarizou com a repórter Laurene Santos, "que estava apenas fazendo seu trabalho", e repudiou a postura do presidente, "que tirou a máscara durante a entrevista para agredir verbalmente com palavrões a jornalista".

____________________ * Como agiu rede informal que flagrou Lucas Lima e Patrick do Palmeiras

Patrick de Paula posta vídeo se desculpando nas redes sociais - Instagram
Patrick de Paula posta vídeo se desculpando nas redes sociais Imagem: Instagram

Diego Iwata Lima

De São Paulo

22/06/2021 04h00

Não existia um grupo específico de mensagens com planos para flagrar Lucas Lima e Patrick de Paula, do Palmeiras. Ambos foram abordados furando protocolos do Plano SP de prevenção à covid-19 em eventos clandestinos. O meia foi flagrado à 1h de sexta-feira. Patrick, na noite de domingo. O clube anunciou que vai multá-los e afastá-los do elenco por tempo indeterminado.

"Não existe grupo organizado", afirmou ao UOL André Guerra, presidente da Mancha Alviverde.

Convidados presentes ao evento fechado em que Lucas Lima se encontrava, na Vila Olímpia, na sexta-feira (18), mandaram mensagens para conhecidos. Os vídeos viralizaram no WhatsApp, foram postados em perfis nas redes sociais, e só então torcedores das redondezas ligados à organizada se mobilizaram para se dirigirem até lá.

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No domingo, o que aconteceu foi parecido. A informação de que Patrick estava em uma casa noturna no Tatuapé, zona leste da cidade, veio de pessoas que estavam no evento. As mensagens foram enviadas e, por volta das 23h, segundo os torcedores relatam, Patrick foi abordado.

Patrick atacou em público, mas pediu desculpas à torcida

Em vídeo publicado na noite desta segunda-feira (21) em redes sociais, Patrick, de cabelos novamente pintados de preto e sem brincos, comentou o assunto. Afirmou que estava em um restaurante com a namorada e amigos, do qual tentou sair antes das 22h, e não conseguiu, por conta da fila no caixa.

O relato difere um pouco do que foi publicado por sua assessoria de imprensa mais cedo na segunda. Na versão dos assessores, ele estava no local com familiares.

No vídeo, Patrick também repudia a violência com que foi abordado. No comunicado no Instagram, ele pede desculpas "ao verdadeiro torcedor palmeirense". O UOL apurou que o jogador mandou mensagem pedindo desculpas à Mancha Alviverde por meio do Instagram, conforme fizera no domingo, após o incidente com o brinco durante o jogo contra o América-MG.

____________________ * Investigação contra jovem negro que comprou bicicleta furtada causa estranheza, dizem advogados * Polícia apura se Matheus Ribeiro cometeu receptação, após ter sido falsamente acusado de roubar veículo no Leblon

Rio de Janeiro

Uma semana depois de ser acusado falsamente de furtar uma bicicleta elétrica, o instrutor de surfe Matheus Ribeiro, 22, passou de vítima a investigado na delegacia do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Descobriu-se que o seu veículo, que havia comprado pela internet, era produto de outro furto.

A iniciativa de iniciar uma apuração contra ele pelo crime de receptação no último sábado (19), porém, gerou críticas sobre uma suposta recriminalização do jovem, que é negro. Para advogados consultados pela Folha, abrir uma investigação em um contexto como esse de fato é incomum.

Ribeiro aguardava a namorada em frente a um shopping no Leblon no dia 12 quando um casal branco se aproximou e o questionou sobre o roubo de sua bicicleta, o que o fez denunciá-los por racismo —segundo a polícia, o crime foi cometido por Igor Martins Pinheiro, 22, preso na sexta (18).

"Causa estranheza esse tipo de investigação [por receptação], desconheço outros casos nesse sentido. Talvez pela repercussão midiática", diz Thiago Minagé, presidente da Abracrim-RJ (Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas).

"Se [o comprador] não sabe que é produto de crime, não há como caracterizar receptação, salvo se as condições de aquisição forem absurdamente desproporcionais. E mesmo assim é importante não confundir um 'negócio vantajoso' com receptação", ele afirma.

O crime em questão é descrito no Código Penal como "adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime", que prevê um a quatro anos de prisão e multa.

Uma possibilidade é que o caso de Ribeiro seja enquadrado na forma culposa do delito (sem intenção), no parágrafo que diz: "Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso", com reclusão de até um ano e multa.

Outro trecho da lei também diz que, nessa hipótese, se o criminoso é primário, o juiz pode deixar de aplicar a punição considerando as circunstâncias.

Em nota sobre a nova investigação, a polícia disse que o jovem "disse não possuir [nota fiscal do produto] e não se lembrar do nome da pessoa que o vendeu. Posteriormente, Matheus apresentou na delegacia um comprovante em nome da namorada no valor de R$ 3.600, preço bastante inferior ao de mercado".

Também escreve que "a pessoa que vendeu a bicicleta para Matheus já foi identificada e, em seu depoimento, em nenhum momento diz que apresentou algum tipo de documento para Matheus. O que este outro investigado afirma é que avisou a Matheus desde o início que não possuía nota fiscal e por isso o preço estava abaixo do mercado".

A apuração pegou o instrutor de surfe de surpresa. “A gente está lutando por uma inocência em um caso, e a gente vai ter que provar nossa inocência em outro”, declarou ele em entrevista ao Fantástico, dizendo que por ser uma bicicleta usada não desconfiou do preço —cerca de metade de uma nova— e que pediu a nota, mas o vendedor não a enviou. A Folha não conseguiu contato com ele.

Para o advogado criminal Guilherme Furniel, a desproporção nos valores precisaria ser muito gritante para se supor a receptação culposa, o que também depende de um levantamento feito pela polícia em sites de revenda e tabelas de preços, além da interpretação dos delegados e do Ministério Público.

"Fazendo uma busca rápida na internet, achei dezenas de bicicletas por preço igual ou menor. Não acho que foi algo tão desproporcional", diz ele, acrescentando que a lei não obriga a população a andar com a nota fiscal de suas propriedades.

Furniel também cita a forma como a apuração começou. "É comum, sim, a investigação de receptação culposa de carros ou celulares frutos de roubos de carga, por exemplo. Mas nesse caso ela me parece mais iniciada por um caso fortuito e uma divulgação midiática", declara.

Antônio Santoro, professor de processo penal da UFRJ (Universidade Federal do RJ), concorda. "A investigação por receptação normalmente se faz porque alguém comunicou que teve um bem roubado, e aí a polícia acha esse bem e a pessoa com o bem é investigada. Ou porque existe uma suspeita de uma rede de comércio de coisas roubadas", afirma.

Ele opina que há uma inversão da lógica investigativa no caso, que retrata o racismo estrutural da sociedade. "Para investigar uma receptação você investiga tudo, o site, os fatos, e não uma pessoa. Senão você não está preocupado em saber o que aconteceu. Há uma seletividade", analisa.

Segundo a Polícia Civil, a apuração contra Ribeiro foi aberta após uma perícia feita para confirmar se as bicicletas dele e do casal Mariana Spinelli e Tomás Oliveira eram idênticas, como eles alegaram, e "para constatar a tipificação do crime: calúnia, racismo, ou qualquer outro".

Ainda segundo a corporação, "posteriormente foi apontado que a chave da bicicleta que estava com Matheus era visivelmente adulterada de uma moto Honda". O jovem diz que também não desconfiou disso porque o proprietário poderia ter perdido a chave e feito uma cópia.

Questionada, a polícia disse que ainda não tem a informação sobre o site no qual Ribeiro comprou a bicicleta, já que o comprovante apresentado por ele não era desse site. Apesar de esse comprovante estar em nome da namorada, nem ela nem a empresa estão sendo investigadas.

"O inquérito segue em andamento e apura também o furtador da bicicleta", afirma, subtraída em fevereiro em Ipanema. O veículo foi apreendido e seria "devolvido ao seu legítimo proprietário", segundo nota divulgada no sábado.

Na sexta, a defesa de Matheus Ribeiro pediu que a outra investigação, de racismo contra o casal, passe para a Delegacia de Crimes Raciais e Intolerância (Decradi). A delegacia do Leblon tem tratado a ocorrência como calúnia.

"Entre outras coisas, argumentamos que a interpretação apenas pelo crime de calúnia causou estranhamento e revolta na comunidade negra e antirracista", escreveu o advogado Bruno Cândido nas redes sociais. Ele alega que a unidade também descumpriu uma lei estadual de 1994 que obriga delegacias a registrar ocorrências quando a vítima alegar racismo.

Procurada, a Polícia Civil respondeu que "o caso segue em apuração na 14ª DP (Leblon), unidade com atribuição legal para investigar o fato". "Não existem nos autos, até o presente momento, nenhuma prova da existência do crime de injúria racial ou racismo. O fato foi registrado e segue em apuração em estrita obediência a Constituicão Federal e ao Código de Processo Penal", diz.

____________________ * Rosa Weber quebra o pé da tropa da cloroquina na CPI

Colunista do UOL

22/06/2021 02h23

Ao suspender o depoimento de governadores à CPI da Covid, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, deixou manco o pelotão da cloroquina. A principal estratégia traçada por Bolsonaro para sair das cordas já não fica em pé.

O Planalto pretendia empurrar os governadores para o centro do ringue. Rosa informou que a convocação de executivos estaduais pela CPI fere o pacto federativo. Decidiu que, se quiserem, os desafetos de Bolsonaro podem comparecer à comissão como convidados, não como convocados.

A pedido de Rosa, a decisão será submetida aos outros dez ministros da Suprema Corte num julgamento virtual que começa na quinta e vai até sexta-feira. O veredicto deve ser confirmado.

Bolsonaro não cultiva o hábito da leitura. Mas deveria desperdiçar um naco do seu tempo correndo os olhos pelo despacho de Rosa. Nele está escrito que a situação dos governadores é semelhante à do presidente da República, que também não pode ser convocado pela CPI.

Quer dizer: Bolsonaro mostra a corda aos governadores sem se dar conta de que pode apertar o nó no seu próprio pescoço. De resto, a CPI havia decidido convocar apenas governadores já encrencados em inquéritos da Polícia Federal sobre desvio de verbas da Saúde.

Os senadores chutariam portas já arrombadas. Ao quebrar o pé do bloco governista, Rosa oferece à CPI a oportunidade de dedicar 100% de suas atenções ao fiasco da gestão Bolsonaro na CPI. Algo que o procurador-geral da República Augusto Aras não teve interesse em procurar.

Em conversa telefônica com o senador Jorge Kajuru, Bolsonaro pediu ajuda ao interlocutor para fazer "do limão uma limonada" na CPI. O diálogo foi gravado pelo senador. "Se não mudar a amplitude, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa, pra fazer um relatório sacana", disse Bolsonaro.

No linguajar de sarjeta do presidente, a CPI está muito perto de expor sacanagens detectadas na negociação da vacina indiana Covaxin e na aquisição de hidroxicloroquina. Rosa jogou pimenta na limonada de Bolsonaro.

____________________ * Ofensiva ANTI-INDÍGENA em Brasília * Votação prevista para esta terça na CCJ da Câmara é a EXPRESSÃO_CONCRETA da BOIADA_PASSANDO para EXTINGUIR_DIREITOS dos povos INDÍGENAS 

Votação prevista para esta terça-feira (22) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é a expressão concreta da boiada passando para extinguir direitos dos povos indígenas. O texto em votação (PL 490/2007) agrupa 14 projetos num saco de maldades avassalador.

Entre outras medidas, propõe transferir do governo federal para o Congresso a competência de demarcar terras indígenas, abre a possibilidade de anular demarcações já feitas, legaliza garimpos, permite a exploração econômica predatória e fragiliza a proteção de povos isolados. Indígenas estão acampados em Brasília para tentar impedir esse correntão.

Diante de tamanho ataque, adquire especial relevância a votação prevista para o dia 30 de junho no STF que envolve disputa entre o governo de Santa Catarina e a terra indígena Ibirama-Laklãnõ, da etnia Xokleng. A decisão terá repercussão geral, servindo de baliza para as demais instâncias judiciais.
No centro da controvérsia está a tese do chamado “marco temporal”, sustentado pelos ruralistas.

Raposa Serra do Sol registra primeira invasão garimpeira desde demarcação

Nesse sentido, a história dos Xokleng é exemplar. Conforme estudos do antropólogo Silvio Coelho dos Santos (1938-2008), em pleno século 20, eram comuns as expedições de “bugreiros” para massacrar os Xokleng e tomar suas terras, a mando de oligarcas locais.

O depoimento de um desses “bugreiros”, recolhido pelo antropólogo, é autoexplicativo: “Primeiro, disparavam-se uns tiros. Depois, passava-se o resto no fio do facão. O corpo é que nem bananeira, corta macio. Cortavam-se as orelhas. Cada par tinha preço”. É preciso virar a página de violência contra os indígenas no Brasil, em definitivo. Espera-se que o STF confirme o direito dessas populações aos seus territórios e a viver em paz.

____________________ * Como Bolsonaro não foi deposto? * A pergunta cabe já que temos 700 mil mortos, pois a subnotificação é quase universal, e 70 milhões de jovens contra o presidente

O fim de semana foi agitado, mas as duas grandes notícias do feriado, os 500 mil mortos e as manifestações contra Bolsonaro, não me comovem muito. 

Calma, eu explico. 

Cada uma das mortes é uma tragédia e ver as pessoas se mobilizando para depor o pior presidente da história é positivo. 

Receio, porém, que a forma como essas notícias se colocam obscurece a gravidade da situação.

Meu pendor racionalista faz com que eu não veja diferença de escala ou essência entre 500.000 e, digamos, 502.324, mas, mesmo que aquiesçamos ao fetiche humano por números redondos, a marca do MEIO MILHÃO já foi ULTRAPASSADA um bom tempo atrás.

O fenômeno da subnotificação é quase universal. 

Até há países como a Bélgica em que o cômputo dos óbitos pelo Sars-CoV-2 é praticamente o mesmo que o do excesso de mortes em relação a anos não pandêmicos, só que isso é uma raridade.

Na maioria das nações, a contagem oficial fica sistematicamente abaixo da de óbitos não esperados. 

Em casos extremos, como o de alguns estados indianos, o número real de vítimas pode ser até dez vezes maior que o oficial.

Para o Brasil, estudos como o da infectologista Ana Luiza Bierrenbach estimam uma subnotificação da ordem de 30%. 

Isso significa que ultrapassamos os 500 mil lá pelo meio de abril e já nos aproximamos dos 700 mil.

Algo parecido ocorre com as manifestações

Como prefiro medidas objetivas a impressionismos, dou mais relevo a pesquisas que a fotos.

E o Datafolha nos diz que 49% dos brasileiros COM MAIS DE 16 anos defendem o IMPEACHMENT

Estamos falando de um universo de descontentes da ordem de 75 milhões de pessoas, o que empalidece até as mais fantasiosas estimativas dos organizadores sobre o número de manifestantes no sábado.

A moral que extraio dessas considerações é que estamos atrasados. 

Com quase 700 mil mortos e maioria relativa a favor do afastamento, como Bolsonaro continua no poder?

____________________ * Narcisista, maquiavélico ou psicopata: sexting pode revelar personalidade

Ana Canosa

Colunista de Universa

22/06/2021 04h00

Receber um nude ou uma mensagem de texto mais picante faz parte do jogo sexual dos novos tempos, principalmente para as pessoas que têm perfis em redes sociais e apps de relacionamento.

Pensando nisso, um estudo recente, realizado com mais de 6.000 participantes com jovens de 13 a 30 anos investigou a relação entre as três modalidades de sexting e os traços de personalidade da conhecida tríade negra: narcisismo, maquiavelismo e psicopatia.

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Enquanto alguns indivíduos se adaptam ao ambiente social para interações pró-sociais, portanto, esforçando-se para serem agradáveis, conscienciosos e honestos, outros adotam abordagens mais orientadas para si mesmas, incluindo estratégias socialmente aversivas, conectadas a traços de personalidade mal adaptados.

O sexting é cada vez mais comum, o que não significa necessariamente que isso seja recebido com alegria. Receber mensagem assim sem consentimento é frequentemente sentido como violência, mesmo aqueles vídeos pornôs que as pessoas mandam no grupo de whatsapp dos amigos.

Como em tudo nessa vida há prós, contras e graduações, um sexting pode ser extremamente excitante para provocar o erotismo de um casal, explorar a sensualidade e a identidade. A essa modalidade chama-se sexting experimental e ele está relacionado com reforço de imagem corporal, aumento da autoestima, diversão, intimidade e paixão, sendo comum entre casais comprometidos e também entre crushs que estejam começando a estabelecer um jogo erótico. No entanto, há ainda duas formas que envolvem a prática.

O sexting é "de risco" quando envolve outros comportamentos como ingestão de álcool e drogas e envio de conteúdo para pessoas desconhecidas ou conhecidas apenas online, sem intimidade prévia. Depois está o sexting agravado, quando se compartilham imagens ou textos publicamente sem consentimento ou ainda que envolvam coerção ao destinatário ou sob pressão de parceiro(a) ou amigos. Essas duas últimas formas de sexting podem ter consequências negativas significativas para as vítimas, especialmente quando envolve intenção de prejudicá-las.

Os pesquisadores descobriram que as 3 modalidades de sexting tiveram associação positiva com os traços de personalidade da tríade, com algumas variações: o narcisismo tem menos associação a formas mais negativas de sexting, o maquiavelismo tem associação com as 3 e a psicopatia com pouquíssima associação à versão positiva do sexting (experimental)

O narcisismo é caracterizado por uma visão inflada de si mesmo; fantasias de controle, sucesso e admiração com um motivo impulsionador por trás do comportamento insensível de reforço do amor-próprio. Os narcisistas geralmente parecem populares, charmosos e queridos à primeira vista, mas assim que a interação afetiva se torna mais estreita, se tornam arrogantes, agressivos e, em geral, menos amáveis.

Indivíduos com alto narcisismo geralmente exibem mais comportamentos online voltados para a auto apresentação, tendem a usar imagens e palavras para se comunicarem sobre si mesmos com mais frequência e, principalmente, de maneiras positivas.

Espere receber nudes e conteúdo autopromocional deste grupo de pessoas. Já os maquiavélicos se caracterizam por colocarem a conveniência acima de todos os princípios, adotando táticas manipuladoras no trato com as outras pessoas para obterem o que desejam. Com frequência avaliam as pessoas como fracas, falíveis e manipuláveis e são exploradores por natureza.

O maquiavelismo está associado ao sexting não consensual, como parte de uma estratégia, o que torna as pessoas vulneráveis a chantagens, por exemplo e também ao sexting movido por pressão do grupo, na tentativa de manter a "popularidade". Crimes cibernéticos são comuns por aqui.

Já os traços de psicopatia conduzem a pessoa a agir instintivamente e sem se preocupar com sua reputação e há forte associação entre psicopatia e perpetração de comportamentos sexualmente desviantes, incluindo formas de assédio sexual online.

Pessoas com altos níveis de psicopatia são mais inclinadas a atitudes irrestritas em relação à promiscuidade e, especialmente, à falta de apego. Trocam mais entre estranhos, são mais impulsivas e têm menos medo.

O estudo trouxe ainda um dado importante: rapazes mais jovens têm mais propensão a se envolver em sexting "de risco" e "agravado" (o tipo não consensual e sob pressão), enquanto jovens mais velhos enviam mais nudes e também se envolvem em sexting de "risco".

Esse tipo de estudo é importante para que se adotem estratégias na conscientização, prevenção, e na punição das formas de sexting não consensuais e abusivas. A educação para novas tecnologias é, certamente, a disciplina da vez!

____________________ * JOEL Pinheiro da Fonseca: Vale dar PALCO a um NEGACIONISTA na CPI?

Osmar Terra pode responder questões sobre gabinete paralelo e cloroquina

Questiona-se se é uma boa ideia colocar o deputado Osmar Terra para depor na CPI. Afinal, o deputado, ao longo de 2020, defendeu o uso de cloroquina e, com mais insistência, a imunidade de rebanho.

Na previsão do deputado, o Brasil teria menos de 800 mortos no total (previsão repetida pelo presidente em live). E estávamos sempre às vésperas do fim da pandemia: maio, junho, setembro, dezembro; a imunidade de rebanho estava sempre ali do lado, já ia chegar. No mundo real, as mortes se acumulavam e não paravam de subir. Até hoje não se desculpou. Não duvido que já esteja prevendo imunidade de rebanho para julho.

O receio de quem critica sua ida à CPI é que, com isso, dar-se-á palco ao charlatanismo que ele vem defendendo. Esse receio faria sentido algumas décadas atrás. No passado, manter alguém fora dos meios institucionais da comunicação —as colunas de jornais, entrevista na TV, cadeiras universitárias ou mesmo um depoimento público numa CPI— era de fato limá-la do debate público. Suas visões jamais chegariam ao grande público.

No caso da cloroquina, ela já está literalmente na boca do povo. É tarde para impedir isso. Ela teve, é claro, um importante impulsionamento institucional: o próprio presidente a promoveu em seus canais de comunicação (nas redes sociais).

Nesses meios, Osmar Terra é celebridade. Tê-lo na CPI não alterará o alcance da propaganda cloroquinesca. Pelo contrário: confrontá-lo na CPI é uma chance de apresentar à população que acompanha o deputado algum tipo de refutação ou discurso alternativo, que mostre o estado real da ciência.

Considero um erro transformar a CPI em palco de um debate científico, porque não é esse seu objetivo. A presença de cientistas sem ligação direta com o governo pouco adiciona às investigações.

Osmar Terra é um caso diferente. Ele foi diretamente relevante na condução da política do governo federal. Bolsonaro citava os números de Terra em suas lives e aderiu à sua crença na imunidade de rebanho natural. Ele era um dos possíveis integrantes do gabinete da Saúde paralelo formado pelo empresário Carlos Wizard.

Segundo o próprio Wizard disse em uma live, a missão do gabinete —promover o uso da cloroquina— lhe fora dada pelo ministro Pazuello.

Sim, a política de saúde pública brasileira durante a pandemia foi terceirizada a um gabinete paralelo integrado por charlatães vendedores de um remédio ineficaz, sem nenhum tipo de transparência ou possibilidade de prestação de contas. A CPI tenta sanar isso.

Muitas questões permanecem: com base no quê o presidente decidiu se tornar garoto-propaganda deste remédio? Quem o aconselhou, e se não era gente do Ministério da Saúde, de onde era? Houve tentativa de beneficiar empresas aliadas ao presidente? Quanto dinheiro público foi gasto para produzir, comprar e distribuir cloroquina e para fazer e lançar o aplicativo TrateCov? Quem ganhou esse dinheiro?

E, por fim: a promoção do remédio, aliada ao simultâneo combate ao isolamento social e à vacinação, tinha como finalidade acelerar a imunidade de rebanho entre a população? Manaus foi palco de teste dessa hipótese? Osmar Terra, caso seja obrigado a falar a verdade, pode nos ajudar a responder essas perguntas.

____________________ * Aos idiotas da OBJETIVIDADE 

Marília Ruiz

22/06/2021 09h13

Idiotas da objetividade era como o genial/inesquecível Nelson Rodrigues chamava aqueles que viam o mundo de forma absolutamente objetiva. A crônica que deu origem a esse termo incorporado ao vocabulário diário de muitos brasileiros tinha como meta criticar "vocês da imprensa" que reportam notícias sem levar em conta as causas e consequências que levaram a formação daquela informação.

A chuteira usada por Jô é corinthianamente inviável. Aceitem.

A higienização do nosso futebol com a importação de modelos e fórmulas europeias tem muita a ver com nossa tendência vira-lata, mas também tem a ver com a transformação do discurso da imprensa esportiva em monocórdica e empolada análise de desempenho. É o nosso jeito de valorizar nosso trabalho de conversar, reportar e analisar jogos de futebol. É um jeito bastante eficiente para falar dos 90 minutos, mas o futebol, senhores, começou 40 minutos do nada e não acaba nunca mais.

As histórias do gramado ficam.

A chuteira o Jô perdurará mais do que as estatísticas do 0 a 0 na Bahia.

Porque o futebol é das pessoas, dos torcedores.

E, aceitem, o Corinthians das suas pessoas não usa verde.

O torcedor, de todas as cores, tem manias, tem camisas da sorte, tem amuletos, tem rituais. Respeitemos.

Os torcedores do Corinthians têm uma mania coletiva: não se usa verde.

Respeitemos.

PS: Esse texto não exclui a necessidade urgente e primordial dos diretores do Corinthians respeitarem os seus torcedores, o patrimônio do clube e o mínimo decoro antes de soltarem notas hipócritas e tardias. Onde estava o senhor diretor de futebol quando Jô treinou com a chuteira polêmica? Ele não trabalha no CT, que está fechado para a imprensa? Qual ginástica jurídica será feita para multar Jô, já que a legislação não permite multa pecuniária em casos de "indisciplina"? Ora, ora, respeitem nossa inteligência antes de defenderem seus cargos dos ataques dos torcedores organizados... Informação: tem mais corinthiano fora das organizadas do que dentro delas.

____________________ * Guilherme Boulos: As ruas e a história

As manifestações colocam Bolsonaro na defensiva, têm o potencial de pautar o impeachment e representam barreira popular à sua estratégia autoritária

As manifestações do último sábado consolidaram a retomada das ruas pela oposição. A suposição de que os atos de 29 de maio teriam sido episódicos, mais um desabafo do que o impulso para uma mobilização nacional, caiu por terra. Desta vez, ocorreram manifestações no dobro de cidades e com público ainda maior, justamente no dia em que o genocídio brasileiro atingiu a marca de 500 mil mortos.

O foco das ruas tem sido o impeachment de Bolsonaro, em contraponto à ideia de simplesmente aprofundar seu desgaste até as eleições de 2022. As perdas humanas e sociais que podemos ter até lá caso ele continue no comando são incalculáveis.

É verdade que o impeachment encontra um grande obstáculo na aliança do governo com o centrão, feita à base de distribuição de emendas e ministérios. No entanto a queda de popularidade de Bolsonaro —sobretudo no Nordeste, onde está a força eleitoral de muitos deputados do centrão— pode mudar o ambiente no parlamento. Se forem forçados a escolher entre o cálculo da própria reeleição e a fidelidade ao governo, não hesitarão. O grito das ruas pode ser o empurrão que faltava. Até quando Arthur Lira conseguirá fingir que não ouve?

Mas, para além da viabilidade do impeachment, as manifestações têm um sentido histórico fundamental. São uma demonstração de força contra a marcha autoritária de Bolsonaro, uma espécie de barreira popular a seu projeto golpista, que toma contornos cada vez mais claros. Ao mobilizar seus partidários em passeios de moto, levar Pazuello a quebrar a hierarquia militar e intensificar a narrativa do voto impresso, Bolsonaro vai preparando o clima de uma ruptura institucional.

Mobiliza sua tropa para agir, com armas se for preciso, caso o impeachment avance e, principalmente, antecipando uma derrota eleitoral. O que Trump tentou de improviso, no episódio do Capitólio, Bolsonaro prepara com um ano de antecedência. Desacreditar o sistema eleitoral é peça-chave desta estratégia. Aposta na velha máxima do cinismo: “cara, eu ganho; coroa, você perde”. Se vencer nas urnas, é porque prevaleceu a vontade popular, se perder, é porque houve fraude. Alguém consegue imaginar Bolsonaro passando a faixa para um sucessor?

O discurso do golpe está montado. A preparação consiste em manter sua base mobilizada e apelar para milicianos e setores das polícias militares e do Exército. Por isso, as manifestações de rua são tão importantes: colocam Bolsonaro na defensiva, têm o potencial de pautar o impeachment e representam uma barreira popular à sua estratégia autoritária. Por isso é fundamental seguir e fazê-las crescer ainda mais. Nas encruzilhadas da história, a omissão é sempre o pior caminho.

____________________ * Veja o que se sabe sobre furto de celulares e o que fazer se você for vítima

____________________ * Criminosos burlam dispositivos de segurança e limpam aplicativos de bancos

São Paulo

Quadrilhas em São Paulo têm se especializado em furtar celulares com o objetivo de acessar aplicativos bancários e fazer transferências ou empréstimos para contas de terceiros, como a Folha noticiou nos últimos dias.

Esse tipo de fraude aumentou desde o início da pandemia, de acordo com o delegado Roberto Monteiro, responsável pelos distritos da Polícia Civil na região central de São Paulo. Segundo ele, os criminosos estão conseguindo burlar os dispositivos de segurança com mais facilidade e miram aparelhos que já estão abertos pelos usuários.

Veja o que se sabe até agora sobre esses crimes e o que fazer caso você seja uma vítima.

mesas cheias de celulares roubados
Celulares apreendidos pela polícia de SP na região central da capital com suspeito de receptação - Divulgação Polícia Civil

Como os criminosos conseguem entrar nas contas?
A polícia ainda não tem certeza. Boa parte dos casos ocorre em celulares com sistemas operacionais desatualizados ou levados ainda abertos, quando o usuário está em aplicativos como Waze ou Uber. O mais provável é que, nessas situações, os ladrões consigam recuperar informações no próprio aparelho para entrar nas contas bancárias.

No entanto, também há relatos de fraudes praticadas por meio de celulares bloqueados e que pedem reconhecimento facial ou biometria. De acordo com Gustavo Monteiro, diretor da AllowMe, empresa especializada em proteção de identidades digitais, ainda não está claro qual é a brecha.

Segundo uma vítima, o fraudador entrou em contato com a XP Investimentos se passando por ela e, dizendo estar com problemas com o sistema de reconhecimento facial, conseguiu transferir o dinheiro.

O que fazer após ser furtado?
O Procon recomenda que as vítimas de furto ou roubo de celulares façam a comunicação primeiro aos bancos, para bloqueio das contas. Só depois devem procurar as operadoras de telefonia celular e outros serviços.

Isso pode evitar que a instituição culpe o cliente pela demora na comunicação de eventuais fraudes nas contas.

Na sequência, recomenda-se: 1) bloquear o chip, ligando para a operadora de celular; 2) bloquear o aparelho com o uso do Imei (Identidade Internacional de Equipamento Móvel, em português); 3) desconectar-se das contas dos aplicativos remotamente, acessando-os pelo computador.

É importante registrar um boletim de ocorrência para que as autoridades possam mapear os crimes e aprimorar a resposta a eles.

O banco é obrigado a restituir o valor roubado?
De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), cada instituição tem sua própria política de análise e ressarcimento. Para isso, o banco se baseia, segundo a entidade, nas evidências apresentadas pelos clientes e nas informações das transações realizadas.

Como se proteger desse tipo de ação?
Especialistas consultados pela Folha dão algumas dicas de segurança. As principais são:

Nunca utilize os recurso de "lembrar/salvar senha" em navegadores e sites, assim como não anote senhas em emails, blocos de notas ou mensagens de WhatsApp.

Não use a mesma senha em diferentes aplicativos ou em sites de compras.

Não deixe armazenadas no aparelho imagens de cartão de crédito.

Utilize senhas fortes, compostas de números, letras (maiúsculas e minúsculas) e símbolos, preferencialmente aleatórios.

Como proteger o celular?
Diminua o tempo de bloqueio automático de tela. Quanto menor, maior sua segurança.

Desative o conteúdo de notificações de SMS na tela de bloqueio. O objetivo é que não sejam exibidas publicamente informações de recuperação de senha, tokens e códigos de validação.

Ative o bloqueio de PIN do seu SIM card (chip) –entre em contato com sua operadora para saber como. Isso evita que sejam lidas informações de recuperação de senha em outros celulares.

Como se desconectar remotamente de aplicativos?
Os smartphones costumam se integrar a outros dispositivos do mesmo usuário e permitem o acesso aos aplicativos mesmo sem estar com o celular nas mãos. Ao entrar no seu email do Google, por exemplo, vá em “gerenciar sua conta do Google”, clique em “segurança” e, em “seus dispositivos”, escolha a opção “gerenciar dispositivos”. À direita da imagem, clique no menu (3 pontinhos) do aparelho que deseja deslogar e selecione “sair”.

No caso dos bancos, dirija-se a um caixa eletrônico ou agência.

Aumenta cobiça de criminosos por celulares

O que dizem as fabricantes de celular?
Como mostrou a Folha na sexta-feira (18), o Procon notificou empresas que atuam em São Paulo para que explicassem, em até 72 horas, como os criminosos conseguem invadir contas bancárias após o furto de celulares.

A Samsung informou, por meio de nota, que recebeu a notificação e que responderá ao órgão no prazo adequado. A Apple disse que não vai comentar o assunto. A Motorola ainda não se manifestou.

O que dizem os bancos?
A Febraban afirma que os aplicativos de bancos são seguros, desde o seu desenvolvimento até a sua utilização, e que não há registro de violação dessa segurança.

O Itaú Unibanco diz que realiza investimentos em tecnologias, sistemas e melhores ferramentas de segurança, além de constantemente reforçar orientações para conscientização dos clientes sobre segurança.

O Bradesco informa que seus aplicativos contam com elevado grau de segurança desde o seu desenvolvimento até a sua utilização, “não existindo qualquer registro de violação dessa segurança”.

O Mercado Pago diz que apenas o usuário é capaz de fazer movimentações pelo aplicativo.

O PicPay informa que segurança é prioridade da empresa e que os clientes contam com diversas ferramentas para prevenir fraudes.

A XP Investimentos diz que segue os mais rigorosos padrões internacionais de segurança.

O Nubank informa que possui mecanismos de autenticação de contas, sistemas de monitoramento e comunicação em tempo real de todas operações que estão sendo realizadas e contratadas.

____________________ * Luciano Huck é vacinado contra a covid-19: 'Orgulho de ser brasileiro' - BABACÓIDE!!! -

Luciano Huck toma vacina contra a covid-19 no Rio de Janeiro - ADÃO/ AgNews
Luciano Huck toma vacina contra a covid-19 no Rio de Janeiro Imagem: ADÃO/ AgNews

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/06/2021 08h43

Atualizada em 22/06/2021 11h07

Luciano Huck foi vacinado contra a covid-19 na manhã de hoje, no Rio de Janeiro.

O apresentador do "Caldeirão do Huck" e futuro titular dos domingos da Globo realizou uma transmissão ao vivo em seu Instagram para mostrar o momento da imunização.

Huck apoia manifestações: 'O recado de mudança foi claro, forte e plural'

"A picadinha foi uma sensação de esperança", contou Luciano.

Luciano Huck - ADÃO/ AgNews - ADÃO/ AgNews
Apresentador Luciano Huck recebeu primeira dose da vacina Imagem: ADÃO/ AgNews

Ao lado de enfermeiros e médicos, ele também posou para fotos após receber sua primeira dose, elogiou a organização dos profissionais que trabalham na campanha e revelou que tomou a vacina da Pfizer.

Isso mostra a força do SUS. [Tenho] orgulho de ser brasileiro

Luciano Huck - ADÃO/ AgNews - ADÃO/ AgNews
Após receber dose, Luciano huck tira fotos com profissionais da saúde na zona sul do Rio Imagem: ADÃO/ AgNews

"Toda a minha solidariedade à repórter Laurene Santos. A jornalista foi atacada ao fazer perguntas pertinentes. Rodeado de bajuladores, o presidente se sentiu à vontade pra humilhar uma mulher que apenas cumpria seu dever profissional de informar. Covardia total", afirmou em publicação em seu Twitter.

____________________ * Osmar Terra expõe IGNORÂNCIA ORGULHOSA do BOLSONARISMO e o MAL que causa ao país

Canal UOL: Osmar Terra na CPI - Reprodução/UOL
Canal UOL: Osmar Terra na CPI Imagem: Reprodução/UOL
Kennedy Alencar

Colunista do UOL

22/06/2021 12h08

O depoimento do deputado federal Osmar Terra à CPI da Pandemia é uma síntese do despreparo administrativo, da ignorância orgulhosa e do negacionismo criminoso do governo Bolsonaro, uma mistura que tem causado um mal enorme ao Brasil. Ele mentiu, reafirmou as mentiras e negou o que dissera publicamente.

Diante de vídeos que mostraram previsões furadas, nas quais minimizava o número total de mortos e o prazo de duração da pandemia, Terra (MDB-RS) não deu o braço a torcer.

Num momento, ele disse que suas previsões foram "conclusões pessoais" feitas com base nos dados que existiam na época. Depois, admitiu que divulgou prognósticos "otimistas" que não se confirmaram e evitou fazer novas previsões. "Ninguém sabe", respondeu à indagação de quantos mais morreriam no Brasil.

Terra repetiu as fake news bolsonaristas de que lockdown não funciona e de que quarentena não salva vidas. Faltou com a verdade ao falar de imunizantes. "Sempre que eu tive vontade de falar com o presidente, eu defendi as vacinas", disse.

Mentira.

Vídeo gravado em 8 de setembro do ano passado mostra Terra coordenando, no Palácio do Planalto, uma reunião na qual houve críticas à possibilidade de produção de vacinas e elogios à cloroquina e outros medicamentos que não funcionam contra a covid-19.

Sobre imunidade de rebanho, ele negou ter sido uma estratégia do governo. Disse que seria um caminho natural diante do grande número de infectados. Nesse ponto, ele seguiu a orientação jurídica para proteger o presidente Jair Bolsonaro e a si mesmo.

O fato é que Terra defendeu a imunidade de rebanho, fez previsões de que já havia percentual da população contaminado para baixar a taxa nacional de infecção e que a pandemia terminaria em breve. Nada disso aconteceu.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a exibir vídeos que desmentiriam Terra. Ele apareceu na tela inúmeras vezes dizendo que a pandemia só acabaria quando mais de metade da população tivesse se infectado e que nenhuma medida poderia enfrentar a doença com eficiência. O deputado respondeu que os vídeos foram "pinçados" e descontextualizados.

Foi constrangedor, porque os vídeos exibiram os raciocínios completos de Terra na defesa de teses indefensáveis. "Nós estamos discutindo aqui porque tenho opinião", disse à CPI. Não se trata de debate sobre opiniões respeitáveis. Não há dois lados que mereçam crédito.

Existe o lado da ciência, que salva vidas. Terra está ao lado do negacionismo, que levou mais brasileiros a morrer e adoecer sem necessidade. Ele foi um dos principais responsáveis pela resposta negligentemente homicida de Bolsonaro à pandemia. Terra coordenou a montagem de um gabinete paralelo que orientou o presidente a sabotar as medidas de mitigação e desprezar a compra de vacinas.

Médico, Terra seguiu o discurso do governo ao atribuir a "novas cepas" o tamanho da tragédia no Brasil, que conta hoje mais de 500 mil mortos por covid-19. Essa é uma desculpa esfarrapada a fim de tentar acobertar os crimes do genocida e de seus cúmplices.

O deputado se contradisse o tempo. "Não tem como evitar o contágio", disse. Na sequência, afirmou que "as pessoas têm de tomar as medidas de proteção" para evitar se contaminar.

Outra pérola: "Vírus não se comportam como bactérias. Se comportam como vírus." Ora, ele poderia explicar isso aos defensores do chamado "tratamento precoce", uma falácia criminosa disseminada todo dia por Bolsonaro e que tem o endosso do CFM (Conselho Federal de Medicina).

Orgulhoso da própria falta de inteligência, Terra expôs na CPI o que é bolsonarismo e quão prejudicial ele tem sido para a saúde dos brasileiros.

Por volta do meio-dia, Renan Calheiros exibiu o vídeo de setembro passado com a reunião do gabinete paralelo. Nele, Bolsonaro apontava que Terra seria uma espécie de "líder" do conselho negacionista. Terra disse não ter conhecimento da existência de gabinete paralelo, afirmou que se tratou de apenas uma reunião com Bolsonaro e minimizou a sua influência junto ao presidente.

____________________ * Bolsonaro revive general da ditadura com cala-boca a jornalista. Compare os vídeos

General Newton Cruz mandou jornalista calar e partiu para cima dele após se irritar com pergunta Reprodução Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro resgatou um personagem temido da ditadura que vive dias de esquecimento: o general Newton Cruz, hoje com 96 anos, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e do Comando Militar do ex-presidente João Baptista Figueiredo. Ao agredir verbalmente ontem a jornalista Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da Globo, Bolsonaro reviveu um dos casos mais explícitos de cala-boca a um profissional de imprensa no exercício de seu trabalho.

"Deixa eu falar" e "cala a boca" foram duas expressões utilizadas tanto pelo capitão quanto pelo general para fugir de perguntas incômodas. No caso de Bolsonaro, o não uso da máscara de proteção contra a covid na chegada a Guaratinguetá. Já Newton Cruz reagiu a questionamento sobre a falta de democracia no país (compare as duas situações no vídeo acima, editado pelo Congresso em Foco).

"Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa. Cala a boca, vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha, canalha, que não ajuda em nada. Vocês não ajudam em nada. Vocês destroem a família brasileira, destroem a religião brasileira. Vocês não prestam", reagiu aos gritos o presidente da República nessa segunda-feira.

Leia mais
21 jun, 2021

Em 17 de dezembro de 1983, Newton Cruz convocou uma entrevista coletiva para "prestar contas à nação" sobre as medidas de emergência em vigor desde 19 de outubro. Brasília e outras cidades do país estavam em estado de sítio. O então chefe militar acusou a imprensa de má-fé e de transmitir notícias mentirosas. Discurso semelhante ao feito por Bolsonaro também no episódio de ontem.

Na primeira oportunidade em que foi questionado pelo radialista Honório Dantas, da Rádio Planalto, que lhe perguntou sobre a falta de democracia, Newton Cruz se irritou e pediu para falar. Honório respondeu: "pode falar, general". E ouviu: "Cale a boca, deixa eu falar e desligue essa droga".

"Peça desculpas, moleque"

Dantas desligou o gravador na frente do general e, ao se afastar, ligou o aparelho novamente. "De minha parte, depois de ser empurrado pelo general Newton Cruz, me sinto muito honrado", declarou o radialista. Quando saía da coletiva, Cruz partiu para cima do jornalista e lhe deu uma chave-de-braço, exigindo que o repórter lhe pedisse desculpas. Tudo diante das câmeras de TV.

"Peça desculpas, moleque", cobrou o general. "Desculpas", disse o radialista. "Não é assim. Diga eu peço desculpas", prosseguiu o militar, ainda insatisfeito.

Em agosto do ano passado, Bolsonaro ameaçou um jornalista de O Globo, em agosto. "Minha vontade é encher tua boca na porrada", disse o presidente ao ser questionado sobre cheques que teriam sido depositados por Fabrício Queiroz e a mulher na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Dez meses depois, a pergunta continua sem resposta.

Em maio de 2014, Newton Cruz foi denunciado, juntamente com quatro oficiais da reserva do Exército e outros dois réus, por crimes no atentado a bomba no Rioentro, em 1981. Mas se livrou do julgamento após o Tribunal Regional Federal da 2ª Região considerar que a acusação estava prescrita. O general também foi apontado como responsável pela morte do jornalista Alexandre von Baumgarten, ex-agente do SNI. O militar foi absolvido por falta de provas.

Assista à agressão de Newton Cruz ao jornalista Honório Dantas:

____________________ * Justiça decide que Castanhari deve pagar indenização de R$ 100 mil a Melhem

O youtuber Felipe Castanhari - Reprodução / Instagram
O youtuber Felipe Castanhari Imagem: Reprodução / Instagram

Marina Marini

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 12h13

Atualizada em 22/06/2021 13h17

O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou que Felipe Castanhari pague uma indenização de R$ 100 mil a Marcius Melhem — com correção monetária e juros —, além de fazer uma publicação em suas redes sociais sobre o conteúdo da sentença.

UOL teve acesso à decisão, que foi publicada ontem e assinada pelo juiz Valentino Aparecido de Andrade. Nela, também é indicado um reembolso das despesas processuais de Melhem.

Lucas Lucco é condenado por plágio em música 'Mozão'

Reconhecido existir ato ilícito e praticado pelo réu, condeno-o a reparar o dano moral suportado pelo autor nas circunstâncias retratadas nos autos. Diz o documento

Melhem abriu o processo contra Castanhari em janeiro deste ano. O que motivou o ex-diretor da TV Globo foi uma publicação do youtuber feita no dia 5 de dezembro de 2020, no Twitter. Nela, Castanhari dizia:

Não caiam nesse discursinho de merda do Marcius Melhem. Esse cara é um criminoso, um escroto, um assediador que merece cadeia por todo sofrimento que causou.

Também em janeiro, o TJSP determinou que Castanhari retirasse a publicação do ar. Em outra decisão, a Justiça determinou que o youtuber apagasse outro post, em que acusava Melhem de promover "censura e intimidação."

Procurado pela reportagem via assessoria de imprensa, Melhem afirmou que a decisão "joga luz na cultura de cancelamento e ódio das redes sociais."

"Essa decisão é importante porque joga luz na cultura de cancelamento e ódio das redes sociais, que se apressam em prejulgar, ofender e condenar de forma irresponsável. É preciso mostrar que rede social não é terra de ninguém e também tem lei", afirmou.

UOL também tentou contato com Castanhari, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta nota.

Melhem abriu vários processos

Marcius Melhem abriu processos na Justiça de São Paulo e do Rio de Janeiro contra a revista Piauí, Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marcos Veras e Felipe Castanhari.

Os processos foram protocolados em meio às acusações de assédio contra Marcius Melhem que foram divulgadas detalhadamente pela reportagem da revista Piauí. A defesa do humorista também entrou com uma ação de indenização por danos morais e materiais contra Dani Calabresa.

____________________ * Racismo, vacinas, homofobia: Croácia é a "rainha" das polêmicas na Eurocopa

Ao contrário da Inglaterra, jogadores da Croácia não se ajoelham antes das partidas da Euro - Getty Images
Ao contrário da Inglaterra, jogadores da Croácia não se ajoelham antes das partidas da Euro Imagem: Getty Images
Rafael Reis

22/06/2021 04h00

Assim como nas duas primeiras rodadas da Eurocopa, os jogadores da Croácia não irão se ajoelhar no gramado momentos antes do pontapé inicial da partida contra a Escócia, a partir das 16h de hoje (Brasília), no Hampden Park, em Glasgow.

Tal como algumas outras seleções participantes, sobretudo as do Leste Europeu, a atual vice-campeã mundial - que precisa vencer na última rodada da fase de grupos para ter chance de avançar na competição - decidiu não aderir ao gesto característico do movimento em prol da igualdade racial.

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De acordo com a federação croata, a negativa não é um ato discriminatório. O comunicado emitido pela entidade diz que os jogadores simplesmente optaram por esse caminho porque ajoelhar-se no gramado "não guarda quaisquer laços simbólicos com a luta contra o racismo e a discriminação no contexto da cultura e tradição croatas."

Mas, apesar dessa explicação formal vinda de quem comanda o futebol da terra de Luka Modric e Mateo Kovacic, não é difícil perceber que a Croácia é a seleção que mais tem se metido em polêmicas nesta edição da Eurocopa.

Alguns dos jogadores que integram o elenco do técnico Zlatko Dalic, remanescente da histórica campanha na Copa do Mundo de 2018, têm histórico de atitudes normalmente ligadas com o pensamento ultraconservador. E se envolveram em questões delicadas nos últimos tempos.

O meia-atacante Josip Brekalo, uma das caras novas do grupo, é um exemplo disso. Em 2018, o jogador do Wolfsburg disse que não gostaria de aderir à campanha da Bundesliga de fazer com que os capitães de todas as equipes do Campeonato Alemão usassem uma bandeira do movimento LGBTQIA+ como braçadeira de capitão.

"Devo dizer que não apoio completamente essa ação porque ela contradiz a minha fé cristã, já que fui criado em um meio religioso. Não tenho problema nenhum com pessoas que têm um estilo de vida diferente porque isso é problema delas. Mas não quero e não vou carregar um símbolo que os represente", disse o jogador, em entrevista à revista alemã "Kicker".

Já o veterano zagueiro Dejan Lovren, ex-Liverpool e hoje no Zenit São Petersburgo, compartilhou em suas redes sociais várias fake news a respeito da eficiência das vacinas contra a covid-19.

Em janeiro, o defensor negou ser contrário à vacinação, mas defendeu que cada pessoa deve ter o direito de escolher se quer ou não ser imunizada. Antes da disputa da Eurocopa, o jogador, assim como todo o elenco da Croácia, recebeu duas doses de proteção contra o coronavírus.

A aproximação dos croatas com as ideias e políticas ligadas à extrema-direita é histórica. Durante o período da Segunda Guerra Mundial, a nação foi comandada pelo Utasha, partido ultranacionalista bastante próximo a Adolf Hitler e Benito Mussolini, que também implantou políticas genocidas e utilizou expedientes como campos de concentração.

Por isso, os croatas foram atacados pelas forças aliadas, especialmente as da União Soviética e dos seus braços comunistas. Um dos bisavôs do lateral direito Sime Vrsaljko, do Atlético de Madri, foi morto em um combate contra essas forças de esquerda.

Após o conflito global, a Croácia foi reanexada pela Iugoslávia e passou quase 50 anos sendo governada por um governo socialista e linha-dura liderado por sérvios. O país só se tornou novamente independente em 1992.

Atualmente, quem comanda a nação é o primeiro-ministro Andrej Plenkovic, normalmente descrito como um político conservador moderado ou de centro-direita.

As partidas de hoje (22) da Eurocopa vão definir a classificação final do Grupo D, que tem Inglaterra e República Tcheca com quatro pontos e Croácia e Escócia, com um. A primeira fase da competição vai até amanhã. E os playoffs decisivos começam no próximo sábado.

O sucessor de Portugal no posto de campeão europeu de seleções será conhecido no dia 11 de julho. O estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra), receberá a decisão.

Originalmente, o torneio era para ter sido disputado no meio do ano passado. No entanto, a pandemia da covid-19 fez com que ele fosse adiado em 12 meses.

A novidade desta edição é que não há uma sede fixa. Para comemorar os 60 anos do continental, a Uefa decidiu realizar a competição em 11 cidades espalhadas por 11 países diferentes (alguns que nem classificaram suas seleções).

Além da Inglaterra, sede da última partida, a Euro-2020 (sim, ela manteve esse nome mesmo com o adiamento da data) também passará por Itália, Azerbaijão, Dinamarca, Alemanha, Escócia, Espanha, Hungria, Holanda, Romênia e Rússia.

____________________ * Lucas Lucco diz treinar desde os 13 anos e mostra antes e depois

Lucas Lucco compartilhou fotos - Reprodução/Instagram @lucaslucco
Lucas Lucco compartilhou fotos Imagem: Reprodução/Instagram @lucaslucco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/06/2021 23h59

Atualizada em 22/06/2021 11h16

Lucas Lucco surpreendeu seu público ao mostrar um 'antes e depois' impressionante. O cantor de 30 anos revelou a um fã que começou a treinar o físico sarado, que é sua marca registrada, aos 13 anos de idade.

No entanto, ele mostrou como o Lucas do início da adolescência era antes dos músculos conquistados ao longo dos anos.

____________________ * Adnet ataca governo Bolsonaro: 'Não se incomoda de ser assassino'

Marcelo Adnet foi o convidado do "Papo de Segunda" - Vídeo/Reprodução
Marcelo Adnet foi o convidado do "Papo de Segunda" Imagem: Vídeo/Reprodução

Colaboração para o UOL

21/06/2021 23h21

Atualizada em 22/06/2021 09h54

Marcelo Adnet disparou contra o governo do presidente Jair Bolsonaro e a forma como ele e seus apoiadores reagem as suas imitações críticas.

"O bolsonarismo, ele tem uma coisa assim, que tudo bem matar as pessoas, não tem problema matar, afinal de conta as pessoas merecem morrer na cabeça dessas pessoas. Só que se você chamar, por exemplo, você falar 'Bolsonaro é viado'. Isso vai machucar ele. Porque ele não se incomoda de ser assassino. Mas são pessoas que são extremamente preconceituosas, tem coisas que a ofendem muito", afirmou o humorista durante participação no "Papo de Segunda" de hoje.

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Adnet continuou: "É engraçado isso. É um cara (Bolsonaro) que foi muito incomodado pelo humor. (...) Eles temem essa desconstrução, eles temem essa porrada. E é importante pra caramba no Brasil que a gente tá vivendo (...) O bolsonarista, ele se ofende com certas brincadeiras. Chamar de assassino, que mal tem? Mas beijo gay é o problema."

O assunto surgiu quando Porchat questionou Adnet sobre incômodos gerados por caricaturas. "Tem uma coisa sobre o governo Bolsonaro, quando ele deu aquele ataque de pelanca contra minha pessoa, que era um absurdo eu ter feito um vídeo sobre o Mário Frias... E não tinha nada no vídeo. Como eles ficaram muito chateados, chateadíssimos. Eles sentiram aquilo".

O humorista continuou falando contra o governo ao comentar a cobertura que tem feito da CPI da Covid. Perguntado por Porchat se a ideia de cobrir a mesma veio do ódio, Adnet respondeu diretamente:

"Eu prefiro ser odiado, perder seguidores, perder trabalhos, mas não guardar aqui dentro as coisas que eu penso. Acho isso horripilante. Acompanhar a CPI é muito importante. (...) Tá todo mundo revoltado, chateado, os absurdos são diários, você não consegue digerir um absurdo porque vem outro logo depois. É muito problema, muito estresse, a gente fica muito abalado e cada um faz o que pode. Narrar essa CPI tem uma coisa de levar as pessoas a olharem pra ela, porque ela é muito importante. E numa linguagem popular, engraçada. Então acho que tem a ver com isso sim, você botar pra fora", confessou.

Adnet completou: "Eu não odeio de querer matar ninguém. Queria apenas poder conversar com as pessoas. Mas infelizmente encontraram aí uma forma de criminalizar a classe artística. Como se cultura fosse errado. E essa narrativa tá dando muito certo. Eleger grandes inimigos. Então hoje o Bonner é o inimigo, quem poderia imaginar? Eu sou um canalha, ladrão. Porchat é um ladrão de Roaunet (...) Criou uma guerra cultural e a gente tá no meio dela".

Papel da imitação

O humorista aproveitou ainda a oportunidade para falar sobre o papel da imitação e como ela pode ofender alguém. "A imitação tem uma coisa de desvendar alguém. Quando o imitador ele manda bem, consegue acertar uma imitação, ele consegue desnudar o imitado. Ele fica com seus vícios revelados. Vícios de linguagem, vícios corporais. É uma espécie de tradução. Você traduz aquela figura, com manias, gestos. Porém você pode sim incomodar, ofender alguém, se você fizer uma imitação que não é baseada necessariamente nos trejeitos daquela pessoa, mas baseada em preconceito sobre ela. É um papo complicado, exige muita sensibilidade e bom senso. Acho que quem é imitador, a gente sabe quando a gente tá sacaneando, desnudando alguém, e afrontando ou desrespeitando."

João Vicente perguntou a Adnet se ele não sentia medo de que, de alguma forma, as imitações passassem a impressão errada de que "aquilo" é engraçado. O humorista respondeu: "Eu já ouvi que eu tava humanizando ele, conferindo a ele uma humanidade que ele não tem. Eu acho a crítica válida, mas eu acho que o trabalho que eu fiz desde a eleição presidencial um trabalho importante de oposição, porque como já falei, ele desnuda o presidente, ele mostra as intenções por trás das falas."

"Agora ele já descontrolado, já chutou o balde, mas foi uma fase muito importante. (...) Quando eu tava lá, criticando o Bolsonaro, foi uma fase onde ele era querido. Era querido pelo mercado financeiro. Lembro de receber e-mail do banco, se o Haddad ganhar o dolár a 5, Bolsonaro ganhar o dolár a 2. Então assim, acho que lá atrás, foi importante. A crítica vale mais que essa consideração. Eu não voltaria atrás", completou, acrescentando que respondeu o banco em questão questionando como eles mandavam esse e-mail para um artista."

Paternidade

O humorista conversou com os apresentadores sobre a chegada de Alice, sua primeira filha com a esposa, Patrícia Coelho. A bebê nasceu em dezembro do ano passado.

"Eu não botei muita regra não. A gente decidiu que não ia ter babá, por causa da pandemia e também por um certo orgulho, de falar que não preciso, eu aguento. E talvez essa seja a primeira coisa que tô começando a repensar. Já tô doente de novo, meu sono foi pro cacete, eu durmo em qualquer horário, tô acordado seis da manhã, tô acordado meia noite, não tem hora pra dormir. Então essa é a primeira coisa, que é um orgulho meu. A outra coisa é que eu não queria que ela visse muita televisão, olhando pra tela. Depois de 1 mês, ela já tava vendo desenho, TV Globinho. Sei todas as músicas da TV Globinho", comentou Adnet.

"Na hora que o cansaço bate, a gente vê que o importante é a gente tá bem. Porque se eu tiver mal, acabado, derrubado, doente, eu não vou ser um bom pai para a minha filha", desabafou o humorista.

Mulheres no humor

Adnet comentou também no programa sobre o espaço que as mulheres tem ganhado cada vez mais no ramo do humor, durante um debate sobre o uso da ironia e do humor no dia a dia. "Foi esperado delas beleza, perfeição, tem que tá bonita, maquiada, tem que ta em casa, tem que cuidar das crianças. É uma coisa que a sociedade moldou. Eu vi muito a Dani Calabresa. Hoje a gente vê mulheres poderosíssimas como a Tatá Werneck, a Juliette, Juliette não é comediante, mas é engraçada. Então são mulheres poderosas que quando chegam, chegam com tudo. A gente não tá acostumado a ver essas meninas brincando consigo mesma".

O "Papo de Segunda" vai ao ar toda segunda-feira, às 22h30min, no "GNT".

____________________ * Médico ortopedista é indiciado por assediar paciente em Goiás

O médico Otacílio Rodrigues de Barros Neto foi indiciado pela Polícia Civil acusado de assediar uma paciente - Divulgação/Polícia Civil de Goiás
O médico Otacílio Rodrigues de Barros Neto foi indiciado pela Polícia Civil acusado de assediar uma paciente Imagem: Divulgação/Polícia Civil de Goiás

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 08h01

Atualizada em 22/06/2021 08h30

A Polícia Civil de Goiás indiciou um médico ortopedista pelo crime de violação sexual mediante fraude, cometido contra uma paciente de Iporá no último dia 31 de maio, em Iporá.

Segundo a investigação, a pretexto de realizar um exame físico nas costas da paciente, o médico pediu para que ela levasse as duas mãos para trás e, em seguida, esfregou o pênis na vítima. A paciente começou a gritar por socorro e foi rapidamente atendida por médicos e enfermeiras do hospital.

Caso Lázaro: Caçada tem trotes, buscas dificultadas e troca de delegados

Além da paciente, o delegado Igor Moreira confirmou que uma enfermeira relatou ter sido assediada sexualmente de forma semelhante pelo mesmo médico. Na ocasião, ela diz que ele tentou praticar sexo com ela em seu consultório.

Otacílio foi indiciado e pode ser condenado a até 6 anos de reclusão. A polícia também pediu que ele seja impedido de exercer a medicina enquanto aguarda a decisão judicial. O Conselho Regional de Medicina de Goiás foi comunicado para instaurar processo disciplinar por infração ético-profissional.

O médico já trabalhou no Hospital Municipal de Iporá e atualmente atende no Hospital São Paulo e em outras cidades do interior do estado.

A Polícia Civil divulgou a foto do médico com o objetivo de identificar outras possíveis vítimas do autor. O delegado orienta a qualquer mulher que tenha sido vítima de atos semelhantes praticados pelo profissional para entrar em contato pelo telefone (64) 3603-7428.

____________________ * Donos insistem em IGP-M, aluguel fica alto e inquilinos mudam às pressas

Gustavo Carvalho e Gabriel Santos e Roberta Buongermino buscam nova casa por causa do aluguel alto - Arquivo pessoal
Gustavo Carvalho e Gabriel Santos e Roberta Buongermino buscam nova casa por causa do aluguel alto Imagem: Arquivo pessoal

Isaac de Oliveira

Do UOL / Em São Paulo

22/06/2021 04h00

Quando decidiu alugar um apartamento com o namorado na cidade de Osasco (SP), em dezembro de 2019, o analista de PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro) Gustavo Carvalho, 25, planejava ter liberdade. E eles conseguiram, por cerca de um ano, até que se viram forçados a buscar um novo lar em 2021. O motivo foi a disparada do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) e a impossibilidade de negociação com a imobiliária.

Apesar de ter desacelerado na segunda prévia de junho deste ano, o indicador, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), acumula alta de 36,65% em 12 meses.

Aluguel sobe 25%, e inquilino deve tentar mudar inflação do contrato

Quando a atualização dos valores foi anunciada ao casal em dezembro do ano passado, o índice, comumente utilizado para reajustar os aluguéis no país, tinha alta acumulada de 23,14% em 12 meses. Essa variação elevou a locação em mais de R$ 250.

Muito acima do reajuste de salários

"Os nossos salários não são reajustados dessa forma. Era o nosso primeiro apartamento, que ficava bem próximo de uma estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que é necessária tanto para irmos para a faculdade quanto para o trabalho", diz Carvalho.

Com a impossibilidade de fechar um acordo, o analista conta que precisou arranjar tempo com o parceiro, Gabriel Santos, 21, em meio à rotina de estudo e trabalho para encontrar um novo apartamento.

A mudança para a casa nova aconteceu em janeiro deste ano, mas ele lamenta ter deixado para trás não só o vínculo com o "primeiro apê", como também o investimento financeiro para deixar o espaço com as cores e a "cara" do casal.

"Colocamos chuveiros novos, pintamos a sala e decoramos. Tivemos que trocar também o encanamento da cozinha e do banheiro. Ou seja, fizemos tudo isso para no final ter que ir embora e deixar tudo lá do jeito que estava", diz Carvalho.

Insistência pelo IGP-M inviabiliza negociações

A Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo) estima que os reajustes dos contratos dos aluguéis, em 2021, estão variando entre 6% e 10%, conforme levantamento mais recente, de março deste ano.

Devido à forte alta do IGP-M, alguns contratos passaram a ser corrigidos de acordo com outros indicadores, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Em maio, o índice acelerou a 0,83%, a maior taxa para o mês desde 1996. Com isso, o IPCA acumula alta de 3,22% em 2021 e 8,06% no período de um ano.

Aumento de 32%

Jonatas Rodrigues, morador de Osasco que vai mudar de apartamento após reajuste do aluguel - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Jonatas Rodrigues procura um novo apartamento, em Osasco, após aumento do aluguel Imagem: Arquivo Pessoal
O analista de infraestrutura Jonatas Rodrigues, 33, conta que o aluguel do apartamento onde mora em Osasco foi atualizado em junho em 32%.

"Acionei a imobiliária, pois esse aumento é exorbitante. Não obtive nem 4% de aumento salarial e meu aluguel aumentar este valor é totalmente inviável", diz Rodrigues.

O analista afirma que tentou negociar o aumento com a imobiliária, sugerindo o IPCA como parâmetro de correção, mas que só conseguiu uma "bonificação", de modo que o aumento ficou em torno de 10% do valor do aluguel.

"Ainda não fiquei contente e reclamei que esse aumento ainda era muito alto, porém o proprietário não aceitou outra contraproposta e tive que aceitar esse valor", declara Rodrigues, que está buscando outro apartamento na mesma região onde mora.

"Falta de humanidade e respeito"

Mas chegar a um consenso ainda não é um caminho possível para muitos inquilinos. A coordenadora educacional e DJ Roberta Buongermino, 37, pretende se mudar do apartamento onde mora desde dezembro de 2019, na capital paulista, após uma elevação de mais de R$ 700 no valor do aluguel.

Além da perda de uma das fontes de renda na pandemia, devido à paralisação de eventos, ela diz que todos os custos do lar ficaram por sua conta depois que se separou no ano passado.

"Essa situação tem sido muito traumática porque eu passei por outros problemas pessoais. Houve um pouco de falta de humanidade e respeito porque estamos falando de um momento muito específico da história, em que o mundo está passando por uma pandemia", diz Buongermino.

Durante seis meses, a DJ afirma que conseguiu pagar metade do aumento pedido, mas que a partir deste mês o proprietário do imóvel está cobrando o valor integral.

A solução encontrada por ela foi buscar outro apartamento, enquanto também negocia sua saída do lugar sem a cobrança de uma multa.

"Quando falo de lar, não é só um apartamento, é a minha casa. Eu a pintei toda, instalei coisas, fiz uma parede verde na minha sala, coloquei prateleira industrial. Ou seja, fiz um investimento considerando que ia morar por muito tempo e nunca imaginei que o aluguel ia subir dessa maneira", diz Buongermino.

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Febre Amarela: conheça sintomas, transmissão e como funciona a vacina fracionada

Sputnik - Os vacinados no início de doença espirram frequentemente, segundo os dados do maior estudo do coronavírus e aplicativo para rastrear os casos da infecção, ZOE COVID Symptom Study.

Entre as pessoas não vacinadas o espirro não é considerado um sintoma da COVID-19, sendo mais associando com resfriado ou alergia.

"Embora muitas pessoas com COVID-19 possam espirrar, esse não é um sintoma definitivo porque espirrar é muito comum, especialmente nos meses quentes quando as pessoas podem ter rinite alérgica", disseram os cientistas.

As pessoas que receberam a vacina e depois ficaram infectadas pelo vírus, mesmo de forma leve, destacam o espirro como um dos sintomas da doença.

O espirro não está entre os sintomas frequentes do coronavírus, entre quais se incluem febre, perda de olfato e paladar, fadiga, dor de cabeça, diarreia, corrimento nasal, falta de ar e tosse persistente, entre outros.

"Se você foi vacinado e começou a espirrar muito inexplicavelmente, você deve ficar em casa e fazer o teste da COVID-19, especialmente se você mora ou trabalha com pessoas que estão em maior risco da doença", segundo os pesquisadores.

Anteriormente, vários cientistas alertaram sobre o PERIGO da cepa INDIANA (DELTA) do SARS-CoV-2, INCLUINDO para os VACINADOS

A cepa tem DUAS MUTAÇÕES que REDUZEM em DUAS ou TRÊS vezes a DEFESA imunológica em VACINADOS e RECUPERADOS.

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