* ////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////________________ * Todo mundo precisa TRINCAR os DENTES, porque vem por aí UM ANO que TESTARÁ o BRASIL * //////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// ________________ * 'ARCO GIGANTE' de GALÁXIAS que se estende por 3,3 bilhões de anos-luz NÃO deveria EXISTIR, mas existe

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____________________ * 'ARCO GIGANTE' de GALÁXIAS que se ESTENDE por 3,3 bilhões de anos-luz NÃO deveria existir, MAS existe

____________________ * 50% das pessoas curadas da Covid-19 apresentam problemas cognitivos

____________________ * Lula já derrubou 14 denúncias contra ele e deve ter nova vitória no STF nesta quarta-feira

________________ * TODO MUNDO precisa TRINCAR os DENTES, porque VEM por aí UM ANO que TESTARÁ o BRASIL 

____________________ * Governo ataca a PF e o meio ambiente ao mesmo tempo, com punição a delegados que incomodaram Salles | Míriam Leitão

____________________ * Um ministro TERRIVELMENTE BOLSONARISTA para o STF | Bernardo Mello Franco

____________________ * Centrão fechado com Bolsonaro? | Vera Magalhães

____________________ * Com reforma administrativa, NÚMERO de cargos de LIVRE NOMEAÇÃO pode chegar a 1 MILHÃO 

____________________ * Avanço da variante DELTA atinge até ISRAEL e põe em XEQUE planos de REABERTURA pelo MUNDO 

____________________ * Teorias CONSPIRATÓRIAS mobilizam o BOLSONARISMO com explicações SIMPLÓRIAS da REALIDADE 

____________________ * Netinho, Zambelli e médico pró-cloroquina: bolsonaristas se encontram no “1º Fórum dos Conservadores da Bahia” | Bela Megale

____________________ * Casal morto no Leblon vivia auge e estava se conhecendo, contam amigos

____________________ * Casal é encontrado morto em banheiro de apartamento no Leblon

____________________ * Mortes no Leblon: Nathalia Marques era psicóloga e deixa um filho de 8 anos

________________ * Vazamento de gás, que pode estar por trás de mortes no Leblon, mata em até 3 minutos, diz perito

____________________ * Com fechamento de jornal pró-democracia, o antecipado fim de uma era em Hong Kong | Marcelo Ninio - O Globo

____________________ * Governo BIDEN chama ELEIÇÕES no Peru de 'LIVRES e JUSTAS, 'um MODELO de DEMOCRACIA, a despeito de denúncias de Keiko

____________________ * 'Um dos encontros mais especiais da minha vida', diz Gabriel Leone sobre Carla Salle

____________________ * Os homens fingem no trabalho, e um estudo feito por quatro gigantes do mercado financeiro comprova isso

____________________ * Universidade de Oxford anuncia NOVO TESTE de IVERMECTINA como tratamento para Covid-19

____________________ * Djavan: 'NÃO votei no Bolsonaro e NÃO apoio o seu governo'

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____________________ * 'Arco gigante' de galáxias que se estende por 3,3 bilhões de anos-luz não deveria existir, mas existe

atualizado em
22 de junho de 2021 @ 20:12
Imagem: Jeremy Thomas/Unsplash

Um conglomerado de galáxias recém-descoberto está intrigando a comunidade científica por desafiar algumas das suposições mais básicas sobre o cosmos. O conjunto de constelações mede 3,3 bilhões de anos-luz e já figura entre as maiores estruturas no universo. A descoberta é de Alexia Lopez, doutoranda em cosmologia na University of Central Lancashire (UCLan), no Reino Unido.

Batizado de “Arco Gigante”, o arranjo consiste em galáxias, aglomerados galácticos e quantidades massivas de gás e poeira. O grupo está localizado a 9,2 bilhões de anos-luz de distância da Terra e se estende por cerca de um décimo quinto do universo observável. A princípio, acreditava-se que toda essa estrutura, por conta de sua complexidade, não pudesse ser real. No entanto, Lopez, com a ajuda de outros pesquisadores, concluíram que havia menos de 0,0003% de probabilidade do Arco Gigante não ser real.

O Arco Gigante. As regiões em cinza mostram áreas que absorvem magnésio, o que revela a distribuição e aglomerados de galáxias. Os pontos azuis mostram quasares de fundo. Imagem: Alexia Lopez/UCLan

Lopez afirma que sua descoberta foi “acidental”, e aconteceu enquanto montava mapas de objetos no céu noturno usando a luz de cerca de 120 mil quasares — núcleos distantes e brilhantes de galáxias onde buracos negros supermassivos estão consumindo material e expelindo energia.

Conforme essa luz passa pela matéria entre nós e os quasares, ela é absorvida por diferentes elementos, deixando traços reveladores que podem fornecer aos pesquisadores informações importantes. Em particular, Lopez usou marcas deixadas pelo magnésio para determinar a distância para o gás e poeira intervenientes, bem como a posição do material no céu noturno. Dessa forma, os quasares agem como se fossem holofotes, iluminando o que está escuro. Foi então que, no meio dos mapas cósmicos, Lopez reparou em uma estrutura brilhante que viria a reveçar o Arco Gigante.

Princípio cosmológico

O Arco Gigante é maior do que outros conjuntos enormes, como a Grande Muralha de Sloan e a Parede do Pólo Sul, cada uma delas diminuída por características cósmicas ainda maiores. O fato de que essas entidades colossais se aglomeraram em cantos específicos do cosmos indica que talvez o material não esteja distribuído uniformemente em todo o universo.

Por conta do tamanho colossal dessas estruturas, os astrônomos se perguntam se elas são compatíveis com o chamado princípio cosmológico. Essa é uma teoria que sugere que o universo é homogêneo (mesma densidade em todo lugar) e isotrópico (mesma aparência ao ser observado de qualquer direção). Logo, os observadores terrestres não ocupam uma posição observacional restritiva ou distorcida dentro do universo.

____________________ * 50% das pessoas curadas da Covid-19 apresentam problemas cognitivos

por
Foto: Banco de imagens (Getty Images)

Que a Covid-19 pode ser devastadora ao longo do curso da doença, isso já ficou claro para os cientistas. Contudo, um novo estudo apresentado no Congresso da Academia Europeia de Neurologia (EAN em inglês) mostrou que, a longo prazo, os pacientes que tiveram infecção por coronavírus podem manifestar quadros de problemas cognitivos e comportamentais em até dois meses após a alta hospitalar.

A pesquisa foi produzida na Itália e envolveu exames de ressonância magnética cerebral e teste de habilidades neurocognitivas em pacientes que tiveram a SARS-CoV-2. Os exames foram feitos pelo menos dois meses depois do contágio e os pacientes foram acompanhados por oito semanas. Como resultado, os cientistas notaram que mais de 50% dos testados experimentaram distúrbios cognitivos; 16% tiveram problemas com a função executiva (relacionada ao pensamento flexível e processamento de informações), 6% tiveram problemas visual e espaciais (dificuldades para visualizar com profundidade e ver o contraste em imagens), 6% tiveram problemas de memória e 25% manifestaram uma combinação de todos estes sintomas.

O principal autor do estudo, Massimo Filippi, professor do Instituto Científico e da Universidade Vita-Salute San Raffaele, Milão, Itália, explicou à publicação que “o estudo confirmou que problemas cognitivos e comportamentais significativos estão associados ao Covid-19 e persistem vários meses depois remissão da doença”. 

Além disso, a pesquisa também descobriu que um em cada cinco pacientes relatou transtorno de estresse pós-traumático, com 16% apresentando sintomas depressivos. Os cientistas notaram que as pessoas que tiveram o maior impacto foram as que apresentaram a maior gravidade dos sintomas respiratórios agudos do coronavírus durante a admissão hospitalar. 

“Estudos maiores e acompanhamento de longo prazo são necessários, mas este estudo sugere que a Covid-19 está associada a problemas cognitivos e psicopatológicos significativos”, concluiu Elisa Canu, pesquisador do Hospital San Raffaele de Milão e primeiro autor do estudo. 

Contudo, em uma observação mais longa e aprofundada, feita por 10 meses nesses pacientes, mostrou uma redução dos distúrbios cognitivos de 53% para 36%, mas uma presença persistente de TEPT e sintomas depressivos.

Filippi ainda disse que o estudo se trata de uma descoberta particularmente alarmante. Segundo ele, essas mudanças nas funções executivas que encontraram podem tornar difícil para as pessoas se concentrarem, planejarem, pensarem com flexibilidade e se lembrarem das coisas. Esses sintomas afetam três em cada quatro pacientes na faixa etária de 40 a 50 anos. 

Ainda assim, apesar dos efeitos no comportamento do cérebro, o estudo não apontou nenhuma relação significativa entre o desempenho cognitivo e o volume cerebral.

“Acompanhamento e tratamentos adequados são cruciais para garantir que esses pacientes previamente hospitalizados recebam apoio adequado para ajudar a aliviar esses sintomas”, disse Canu à publicação. 

O estudo corrobora com as pesquisas apresentadas emwebinar realizado pela Fapesp, que aconteceu dia 2 de junho, e indicou que a Covid-19 pode apresentar danos às células neurais. 

Congresso da EAN começou no último sábado (19) e será finalizado amanhã (22). Até agora, o encontro já sugeriu outras três pesquisas sobre os impactos neurológicos causados pela doença. Uma delas, liderada pelo médico Mattia Pozzato do Osperdale Maggiore Policlinico em Milão, apontou que 77,4% de 53 pacientes relataram desenvolver pelo menos um sintoma neurológico e 46,3% apresentaram mais de três sintomas neurológicos entre cinco e dez meses após serem hospitalizados com coronavírus. As queixas mais comuns entre os pacientes foram insônia, em cerca de 65,9% dos casos, sonolência diurna, representando 46,3% das pessoas e dificuldade de locomoção. Além disso, outros sintomas menos frequentes eram dores de cabeça, falta de olfato e perda de paladar. 

Já o estudo apresentado pela chefe do Departamento de Neurologia e Psicologia Médica da Universidade de Karazin, Ucrânia,Tamara S. Mischenko, observou 42 pacientes com idade entre 32 e 54 anos após serem hospitalizados com coronavírus por um período de dois a quatro meses. A pesquisa indicou que a maioria, cerca de 95% apresentavam sintomas de comprometimento neurocognitivo. Todos eles apresentaram sintomas de ansiedade e depressão. Outros sintomas incluem problemas de equilíbrio, dores de cabeça e redução do olfato. Nos casos mais graves, cinco dos 42 pacientes sofreram AVC isquêmico nos dois meses após a hospitalização pelo vírus.

A última das quatro pesquisas, avaliou os danos ao tronco cerebral em pacientes vítimas da Sars-CoV-2. Uma autópsia revelou alta porcentagem de danos neuronais e um maior número de pequenas massas (chamadas corpos amiláceos) que são abundantes em doenças neurodegenerativas. Algumas biópsias também revelaram a presença do vírus no tronco encefálico 

O autor do estudo Tommaso Bocci, neurologista e neurofisiologista do Departamento de Ciências Neurológicas da Universidade de Milão, disse à publicação que o estudo fornece a primeira evidência neuropatológica, neurofisiológica e clínica do envolvimento do tronco cerebral relacionado ao COVID-19, especialmente no nível medular, sugerindo um componente neurogênico de insuficiência respiratória.

____________________ * Lula já derrubou 14 denúncias contra ele e deve ter nova vitória no STF nesta quarta-feira

247 - O ex-presidente Lula deve conquistar mais uma vitória nesta quarta (23) no julgamento da suspeição de Sergio Moro no STF (Supremo Tribunal Federal.

Agora, Lula responde a apenas três dos 17 processos ou inquéritos dos quais já foi alvo.

Lula já foi inocentado em três processos em que foi acusado de obstrução de Justiça, formação de quadrilha e corrupção e tráfico de influência no caso da MP das montadoras. 

Duas outras denúncias apresentadas por procuradores foram rejeitadas e não viraram processos; uma outra foi trancada na Justiça por falta de indícios para seguir adiante, outras quatro foram arquivadas na fase de inquérito e quatro processos (os do tríplex, do sítio, da doação de um terreno para seu instituto e de outras doações para a mesma instituição) foram anuladas neste ano pelo ministro do STF Edson Fachin, informa a jornalista Mônica Bergamo.

O balanço positivo é fruto da atuação da defesa de Lula, representado nos processos pelo escritório Teixeira Zanin Martins Advogados

____________________ * Todo mundo precisa TRINCAR os DENTES, porque vem por aí UM ANO que TESTARÁ o BRASIL _____________________________ Ouçam Tasso Jereissati

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Em janeiro, quando os mortos da pandemia já passavam de 200 mil, olhando para a eleição do ano que vem, o senador Tasso Jereissati avisou:

— As instituições precisam ser fortes, trincar os dentes.

De lá para cá, Jair Bolsonaro continuou defendendo a cloroquina, combatendo o isolamento e as máscaras. Os mortos chegaram a meio milhão e, na segunda-feira, o presidente teve seu momento de destempero em Guaratinguetá (SP).

Coisa parecida só aconteceu em 1979, quando o general João Figueiredo saiu do palácio do governo de Santa Catarina e foi para a rua, tentando sair no braço com manifestantes que o hostilizavam. (Na ocasião, autoridades presentes e mesmo integrantes de sua comitiva entenderam que ele estava com um parafuso solto.)

Todo mundo precisa trincar os dentes, porque vem por aí um ano que testará o Brasil. A cena de Guaratinguetá, antecipada em inúmeras ocasiões, haverá de se repetir, como sucedia nos Estados Unidos com Donald Trump. As instituições americanas funcionaram, e, desde que ele foi para a Flórida, o mundo e o país se tornaram mais calmos e seguros.

Bolsonaro destempera-se com adversários e desentende-se com correligionários. Pouco a ver com os dois ministros da Saúde que dispensou em circunstâncias macabras. Rifou Gustavo Bebianno, que se juntou a ele quando os bolsonaristas cabiam numa Kombi. Dispensou o general da reserva Santos Cruz, que lhe deu apoio quando ele era visto na hierarquia como um capitão indisciplinado. O mesmo aconteceu com o vice-presidente Hamilton Mourão, que entrou na chapa supondo que viria a ser um parceiro.

(Em benefício do capitão, o presidente americano Franklin Roosevelt morreu em 1945 sem ter contado ao vice Harry Truman que a bomba atômica estava quase pronta. O piloto que haveria de jogá-la meses depois em Hiroshima já treinava num B-29 sem saber para quê. Roosevelt, contudo, cultivava a própria simpatia.)

Passeatas de motociclistas, manifestações políticas de militares e destemperos presidenciais haverão de se repetir. Daí, só trincando os dentes e contando os dias. Passada a eleição, contam-se os votos, e em janeiro assume o novo presidente. Caso perca, Bolsonaro já tem o roteiro (“fraude”) e ameaça (“convulsão social”).

Se Bolsonaro deve ter argumentos para sustentar que haverá fraude na eleição futura, bem que poderá mostrar os que tem da eleição passada, em que diz que saiu vencedor no primeiro turno. O ministro Luis Felipe Salomão, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, deu-lhe 15 dias para mostrá-los.

O Brasil poderia ter hoje uma agenda parecida com a dos Estados Unidos, enfrentando a pandemia e o desemprego. Em maio de 2020, a taxa de desemprego americana era de 13,3% e caiu para 5,8%. A brasileira era de 12,2% em março de 2020 e subiu para 14,7% em março deste ano, a maior da série histórica. Esse percentual significa que 14,8 milhões de pessoas não têm trabalho.

Bolsonaro chegou à Presidência numa eleição em que se apresentava como a melhor alternativa ao PT. Sua agenda era desconjuntada, mas parecia liberal e moralista. O presidente que se oferece para a reeleição (instituto que combatia e prometia rejeitar) não cavalga uma agenda, mas apenas as crises que provoca.

____________________ * Governo ataca a PF e o meio ambiente ao mesmo tempo, com punição a delegados que incomodaram Salles | Míriam Leitão

Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na Cúpula do Clima
O fato de o delegado da Polícia Federal Franco Perazzoni perder a chefia da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros do Distrito Federal é parte do trabalho do governo da demolição da Polícia Federal e mostra que a política de Salles é o projeto de Bolsonaro contra o meio ambiente. Perazzoni chefiou a operação que fez buscas em endereços do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a investigação de envio de madeira ilegal para o exterior na operação Akuanduba e agora perdeu o cargo de chefia, claramente como punição.
O recado é claro: Salles tem todo apoio do presidente e permanece forte porque ele é operador da política de destruição do meio ambiente do governo Bolsonaro. Ele nunca fez segredo em relação a isso. Sempre falou contra qualquer proteção ambiental.
Ontem, no lançamento do plano Safra, o presidente fez elogios rasgados ao ministro. Disse que Salles conseguiu conciliar meio ambiente e agricultura, quando todos sabem que ele tem feito ataques deliberados ao meio ambiente e nem esconde isso, como a sua proposta de “passar a boiada”. 
O caso mostra que quem investigar qualquer falha do governo será punido, e principalmente quem for atrás dos muitos indícios de crimes cometidos por Salles. Foi o que aconteceu com o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, que na operação Handroanthus fez a maior apreensão de madeira da História, o ministro Salles foi contra a operação, o delegado apresentou uma notícia crime contra o ministro. E, por isso, foi afastado da superintendência e removido para Volta Redonda (RJ).

Com essas duas punições aos delegados, o governo está avançando em seu projeto de acabar com a autonomia da PF, transformando-a em órgão bolsonarista, e ao mesmo tempo atacando o meio ambiente, que é o seu plano desde o início.

____________________ * Um ministro terrivelmente bolsonarista para o STF | Bernardo Mello Franco

O ministro André Mendonça em entrevista no Planalto

O pastor está mais próximo de vestir a toga de juiz. Na sexta passada, Jair Bolsonaro levou André Mendonça a um templo da Assembleia de Deus. No púlpito, sugeriu que ele ocupará a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal.

“Nós indicaremos um evangélico para que o Senado aceite o seu nome e encaminhe para o Supremo um irmão nosso em Cristo”, disse o presidente. A plateia explodiu em “aleluias”, e o advogado-geral da União deu um novo passo rumo ao olimpo do Judiciário.

A nomeação de um ministro “terrivelmente evangélico” é música para os ouvidos da bancada da Bíblia. O presidente já mantém três pastores no primeiro escalão do governo. Agora promete transferir um deles para a cadeira do decano Marco Aurélio Mello, que se aposenta em julho.

O lobby religioso sempre quis ter um porta-voz no Supremo. Na última década, a Corte reconheceu o direito à união homoafetiva, permitiu o aborto de anencéfalos e criminalizou a homofobia. Um “irmão nosso” assumiria com o compromisso de travar outras pautas progressistas.

Entre muitos juristas evangélicos, Bolsonaro tem um motivo para indicar Mendonça. O ministro é um servo fiel à agenda autoritária. Sua passagem pelo Ministério da Justiça ficou marcada pelo uso da Lei de Segurança Nacional para perseguir opositores.

De volta à AGU, o pastor continuou a dar provas de subserviência. Há duas semanas, tentou convencer o Supremo a autorizar a convocação de governadores à CPI da Covid. A ideia é ilegal, mas ajudaria o Planalto a desviar o foco das investigações.

Agora o ministro defende que civis acusados de ofender as Forças Armadas sejam processados e julgados pela Justiça Militar. A proposta remete aos inquéritos da ditadura para sufocar a liberdade de imprensa.

Entre o capitão e a Constituição, Mendonça costuma escolher o lado do chefe. Mais que um ministro “terrivelmente evangélico”, o Supremo corre o risco de ganhar um ministro terrivelmente bolsonarista.

____________________ * Centrão fechado com Bolsonaro? | Vera Magalhães

Jair Bolsonaro e Fabio Faria

O Centrão, quem diria, vai vivendo um relacionamento monogâmico e estável com um presidente em crise de popularidade. Nas relações anteriores, ao primeiro sinal de turbulência, aquela miscelânea de partidos com figuras proeminentes da velha política já fazia as malas e ia procurar outro amor.

Por que, então, figuras total flex, que rodam com combustível do PT ao PSL, como Arthur Lira, Ricardo Barros, Ciro Nogueira e Fernando Bezerra Coelho estão “fechados com Bolsonaro”, como diz a hashtag?

A principal chave para entender tanta fidelidade se chama Orçamento Geral da União. Foi só quando desenvolveu a engenharia que dá a parlamentares aliados o acesso sem intermediário a gordas fatias desse bolo, com direito a contemplar diretamente bases aliadas e até empresas amigas, que o presidente passou a ser blindado contra qualquer intempérie aos olhos do Centrão, de CPI a pedidos de impeachment.

Em entrevista ao GLOBO, Lira nem tentou disfarçar: minimizou as mortes pela pandemia, exagerou no otimismo com a economia, tudo para dizer, no fim, que o que falta para que ele decida deixar andar algum processo de impeachment são circunstâncias políticas. Em bom português, enquanto houver emenda não tem tempo ruim.

Mais difícil de decifrar é a conversão de alguém que, a despeito de ser herdeiro de uma família política tradicional, sempre se apresentou como um político moderno, do diálogo, pouco afeito a ideologias cegas e à demonização de adversários e da imprensa.

Estou falando do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que chegou ao governo com a missão, por um breve período bem sucedida, de afastar Jair Bolsonaro dos olavistas, estabelecer pontes com a imprensa e profissionalizar a política de comunicação do governo.

Ele prometia, por exemplo, limpar a EBC, a empresa pública que mantém a TV Brasil, de militares lá encostados, e fazer com que as mais diferentes áreas do governo passassem a ter maior interlocução com a mídia, a fim de que as notícias positivas não fossem ofuscadas pelas tretas diárias criadas pelo entorno do presidente e pelo próprio.

Faria assumiu o recriado Ministério das Comunicações em junho de 2020 e começou a tentar, de fato, desviar Bolsonaro da rota de colisão com as instituições e das declarações negacionistas relativas à pandemia.

Mas parece ter capitulado do propósito, dados os arroubos de agressividade com a oposição, com a qual seu trânsito era louvado, com a imprensa e até com artistas (logo ele, genro de Sílvio Santos e amigo de tantos e tantas celebridades) nos últimos tempos.

É incompreensível que alguém cuja intenção declarada era distensionar o ambiente tenha aderido de forma tão convicta à retórica bolsonarista empedernida. Mesmo em relação à CPI, alguém com o festejado traquejo do ministro poderia ajudar Bolsonaro a tentar uma redução de danos, ao invés de dinamitar os barcos.

A aposta na radicalização bolsonarista desses expoentes de diferentes siglas e vertentes do Centrão parece ser a de que a pandemia vai passar, a economia vai crescer, Bolsonaro será reeleito e as portas do Orçamento e dos cargos continuará aberta. Trata-se de uma jogada de alto risco que esse tipo de político não costuma fazer sem deixar ao menos uma reserva de contingência em um plano B. 

Com a polarização entre Bolsonaro e Lula, fica mais difícil para essas figuras manterem um pé em cada canoa. Diante de tantos compromissos assumidos por Bolsonaro, seja com gastos da pandemia, seja com promessas como a do novo Bolsa Família ou de verba para o voto impresso, nada indica que o Orçamento continuará sendo um maná inesgotável por muito tempo. Será a hora do teste final de fidelidade dos caciques por ora fechados com o presidente. 

____________________ * Com reforma administrativa, número de cargos de livre nomeação pode chegar a 1 milhão

Mudança na proposta pode ampliar em 207,3 mil as vagas para funções que hoje são exercidas exclusivamente por servidores, diz , consultoria do Senado
Esplanada dos Ministérios, em Brasília: reforma admistrativa amplia número de cargos comissioados Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Esplanada dos Ministérios, em Brasília: reforma admistrativa amplia número de cargos comissioados Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

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BRASÍLIA — Mudanças de regras para ocupação de cargos de confiança previstas na reforma administrativa proposta pelo governo Jair Bolsonaro pode fazer com que União, Estados e Municípios tenham 1 milhão de postos para livre nomeação, inclusive para pessoas sem concurso, como antecipou a colunista do GLOBO Miriam Leitão.

Serão mais 207,3 mil vagas para cargos que hoje são ocupados exclusivamente por servidores, pelo menos. A informação está em uma nota técnica elaborada pela Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle (Conorf), do Senado Federal

— Com a alteração proposta pela PEC 32/20 (reforma administrativa), o número de cargos ocupados por indicações políticas pode chegar a em torno de 1 milhão considerando as três esferas, sendo 90 mil apenas no Executivo federal - diz o consultor legislativo Vinícius Leopoldino do Amaral, autor do estudo.

Ele continua:

- Isso favorecerá o patrimonialismo e irá fomentar a corrupção, como mostram diversos estudos.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma administrativa transforma cargos comissionados e funções gratificadas (reservado a servidores) em novos cargos de liderança e assessoramento.

Deputado Arthur Maia (DEM-BA) é o relator da reforma administrativa na comissão especial da Câmara Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Deputado Arthur Maia (DEM-BA) é o relator da reforma administrativa na comissão especial da Câmara Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Contratação sem concurso

Isso abre a possibilidade de contratação sem concurso para cargos de confiança, na avaliação do consultor do Senado.

O relator da proposta, deputado Arthur Maia (DEM-BA), afirmou na terça-feira que vai modificar esse ponto do texto.

— O nosso relatório irá modificar esse ponto ou manter como é hoje: separando cargos de chefia de cargos em comissão - disse.

O levantamento do consultor mostra que na União, há 174.987 cargos em comissão e funções de confiança distribuídos pelos três poderes. Para Estados e Distrito Federal, esse número é de pelo menos 180.702 e nos municípios, 559.642.

“Com a PEC, assim, haveria uma relevante expansão na quantidade de postos que poderão ser ocupados por pessoas sem vínculo com a administração pública”, diz a nota técnica.

A expansão seria de, no mínimo, 207,3 mil postos: são 156.028 funções de confiança e 51,3 mil cargos em comissão ocupados por servidores de carreira.

“Teríamos, assim uma expansão de pelo menos 29% no montante de postos que podem ser ocupados por pessoas sem vínculo”, observa.

No caso do governo federal, especificamente, são 90.271 cargos em comissão e funções de confiança que poderão ter livre nomeação – atualmente, a indicação está restrita a cerca de 6 mil cargos.

Sem indicações políticas, diz Economia

Procurado, o Ministério da Economia disse que em nenhum momento a proposta da reforma administrativa fala em indicações políticas.

"Ao contrário: o texto prevê expressamente que mesmo para os cargos de liderança e assessoramento deverão existir critérios mínimos de acesso e que a ocupação desses cargos observará regras mínimas comuns a todos os entes e Poderes".

A pasta diz que essas regras mínimas serão definidas por lei, aprovada pelo Congresso Nacional, que poderá, inclusive, prever critérios mais rígidos para a ocupação desses cargos do que os que são utilizados atualmente no Executivo federal.

"Ou seja, a profissionalização das posições de lideranças é priorizada", afirma.

Esplanada dos ministérios: reforma administrativa permitirá nomeação livre para 1 milhão de cargos Foto: Michel Filho / Agência O Globo
Esplanada dos ministérios: reforma administrativa permitirá nomeação livre para 1 milhão de cargos Foto: Michel Filho / Agência O Globo

O governo argumenta que haverá uma regulamentação de critérios mínimos e diretrizes para ocupação desses cargos a serem definidos em lei posterior. Para Amaral, essa justificativa é frágil por dois motivos principais: não haver prazo para a regulamentação e tampouco garantia do conteúdo.

— Assim, o que a PEC propõe é substituir uma regra constitucional vigente por uma hipotética regulamentação futura, cujo conteúdo é desconhecido e que poderá jamais vir a existir – pontua.

Funções estratégicas

Na avaliação de José Henrique Nascimento, líder de Causas do Centro de Liderança Pública (CLP), há pontos positivos na proposta do governo, como o estabelecimento de requisitos mínimos para contratação desses cargos de liderança e a realização de processo seletivo simplificado. Mas a proposta tem riscos que precisam ser corrigidos.

Um deles seria a inclusão da lógica do processo seletivo para esses cargos no texto da PEC. O outro se refere à redação do trecho que explicita a possibilidade de os cargos de liderança e assessoramento serem aplicados para “funções estratégicas, gerenciais e técnicas”.

— Esse termo “técnicas” precisa ser suprimido, porque abre margem para que substituamos o trabalho do servidor efetivo pelo trabalho de um comissionado, e aí é um problema gravíssimo – aponta.

Ele cita como exemplo o problema que poderia ser criado com a livre nomeação de uma pessoa sem vínculo com a administração pública para uma função técnica de consultor jurídico, que poderia vir a substituir um procurador concursado. Para Nascimento, esse exemplo mostra como essa mudança poderia afetar até mesmo as carreiras típicas de estado.

— O grande risco dos cargos em comissão está relacionado a essa lógica de execução dos trabalhos técnicos. Esse é o grande risco e grande preocupação. Com isso suprimido, nós acreditamos que já existe um avanço por prever de processo seletivo em uma legislação complementar – alertando para a importância de essa discussão caminhar em paralelo.

____________________ * Avanço da variante Delta atinge até Israel e põe em xeque planos de reabertura pelo mundo

País poderá exigir quarentena de pessoas que tiveram contato com infectados e retomou uso de máscaras em determinados locais; realização de finais da Euro 2020 é questionada por autoridades sanitárias
O Globo e agências internacionais
23/06/2021 - 12:19 / Atualizado em 23/06/2021 - 14:32
Adolescente recebe dose da vacina da Pfizer em Tel Aviv. Israel defende expansão da vacinação entre mais jovens para conter novos surtos da Covid-19 Foto: JACK GUEZ / AFP
Adolescente recebe dose da vacina da Pfizer em Tel Aviv. Israel defende expansão da vacinação entre mais jovens para conter novos surtos da Covid-19 Foto: JACK GUEZ / AFP

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JERUSALÉM, LONDRES E TÓQUIO — O avanço da variante Delta do novo coronavírus pelo mundo, apontada como mais letal e mais contagiosa por autoridades de saúde, vem provocando uma explosão no número de novos casos em vários países e pondo em xeque os planos de retomada até em nações onde a vacinação está avançada, como Israel, que começaram a reimpor medidas restritivas. O órgão de prevenção de doenças da União Europeia (UE) indicou nesta quarta que, até o fim de agosto, 90% dos novos casos de Covid-19 no bloco poderão ser causados pela variante Delta. 

Em Israel, país que já vacinou com duas doses quase dois terços da população e que praticamente não observava mais medidas de restrição de contato, foram registrados na segunda e terça-feira  mais de 100 novos casos diários. O novo surto ocorreu em sua maioria no sistema educacional da cidade de Binyamina-Giv’at Ada, no Norte. A área foi colocada no alerta laranja, o que indica um contágio “moderado” — é a primeira vez que a classificação é usada desde abril.

Por causa das infecções, o governo apertou o cerco especialmente em pontos de chegada do exterior, como aeroportos e postos de fronteira, e poderá impor uma quarentena obrigatória de 14 dias para quem esteve em contato com pessoas contaminadas. A medida vale inclusive para aqueles que já foram vacinados. Máscaras voltam a ser obrigatórias em aeroportos, postos de fronteira e instalações médicas — restrições de viagem a países como o Brasil, Argentina e México seguem em vigor.

Estudantes em escolas com casos de Covid-19 precisarão ficar em quarentena, e os pais serão obrigados a pagar multa de 5 mil shekels (R$ 7,6 mil) caso o isolamento seja violado. Ao mesmo tempo, as autoridades fazem um apelo para que os mais jovens sejam vacinados — as doses da Pfizer estão disponíveis a pessoas entre 12 e 15 anos desde o mês passado.

Mais agressiva

Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a variante Delta, que caminha para se tornar a predominante no planeta, espalha-se mais rapidamente e é mais letal que as demais variantes. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Enfermidades (ECDC), essa variante deve representar 90% de todos os novos casos na UE até o final de agosto. Países como a Noruega apresentam as mesmas projeções para as próximas semanas.

Na Rússia, a variante é apontada como responsável por uma forte elevação no número de casos em Moscou: foram mais de 9 mil infecções diárias nos dias 18 e 19 de junho, chegando a 6.534 nesta quarta. A capital russa registrou nesta quarta-feira 548 mortes, o maior número para um só dia desde fevereiro. Os contágios estão "em alta em todas as regiões da Rússia" e há uma "disseminação explosiva da doença", alertou a vice-primeira-ministra da Saúde, Tatiana Golikova.

— A situação se tornou explosiva,  e continuará difícil — disse o prefeito de Moscou, Serguei Sobianin.

Apesar de as vacinas serem eficazes contra a variante — no caso da Pfizer, a eficácia é de 88%, contra 97% para evitar casos sintomáticos da versão “original” da doença ou 93% no caso da variante Alfa — existe a possibilidade de infecção mesmo entre pessoas imunizadas.  Na prática, isso significou uma mudança nos planos de retomada em muitos países que já visavam o retorno de turistas e da plena atividade econômica já no final do primeiro semestre.

É o caso de Portugal, que teve quase 1,5 mil novos casos na terça-feira, maior número desde fevereiro, um aumento que coincide com a reabertura a turistas vindos de países como o Reino Unido, onde a variante Delta prevalece. Para conter os novos casos no país, o governo português tenta aumentar o percentual da população plenamente vacinada, hoje em 30%.

Também por causa do aumento de casos, o Reino Unido adiou em quatro semanas a reabertura completa do país. Na terça-feira, a média de novas infecções ficou em torno de 10 mil, oito mil a mais do que a média de um mês atrás. As autoridades afirmam que 99% dos casos são relacionados à variante Delta. Mesmo assim, o premier Boris Johnson disse, na semana passada, estar confiante de que a reabertura, agora prevista para o dia 19 de julho, vai ocorrer como previsto.

Mas fora do Reino Unido há preocupação com o ritmo das infecções no país. Nesta quarta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu que os países da UE  imponham uma quarentena de 14 dias a todos passageiros vindos de cidades britânicas, como ocorre na Alemanha. Em discurso ao Parlamento, ela disse que “a pandemia ainda não acabou. Ainda estamos pisando em gelo fino".

Alertas esportivos

Autoridades sanitárias e mesmo lideranças europeias também questionam os planos do Reino Unido de abrir os estádios para até 60 mil pessoas para as semifinais e a final da Euro 2020, previstas para julho. O premier italiano, Mario Draghi,  defendeu uma mudança de local, mas a Uefa, a instituição que comanda o futebol no continente, disse “não ter planos” para levar os jogos a outros países.

Outro evento esportivo que preocupa são os Jogos Olímpicos de Tóquio, que começam daqui a 30 dias. A capital japonesa deixou de lado o estado de emergência, mas especialistas alertam que o cenário pode mudar com o fim de algumas restrições e a chegada de milhares de atletas, treinadores e jornalistas ao país. Todos estarão sujeitos a testes diários e regras dentro da Vila Olímpica e de arenas esportivas — os (poucos) espectadores não poderão falar alto, beber álcool ou confraternizar com outros torcedores. Apenas pessoas com residência no Japão podem comprar ingressos.

Na Austrália, um dos locais no mundo onde a pandemia está mais sob controle, foram impostas medidas locais de controle em Sydney, incluindo o uso de máscaras em locais fechados, para conter o avanço de casos da variante Delta, localizados em áreas de grande movimento da cidade. Esse cenário levou a Nova Zelândia a elevar o nível de alerta, ainda mais depois de um turista australiano testar positivo depois de passar o fim de semana no país. Desde abril, viajantes entre os dois países não precisam mais se submeter a quarentenas obrigatórias.

____________________ * Teorias conspiratórias mobilizam o bolsonarismo com explicações simplórias da realidade

Prática do presidente Bolsonaro e de aliados políticos, disseminação de teses sem comprovação alimenta narrativas como fraude nas urnas e ‘cristofobia’
Camila Zarur, Filipe Vidon e Marlen Couto
23/06/2021 - 04:30 / Atualizado em 23/06/2021 - 13:24
Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis Foto: Reprodução
Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis Foto: Reprodução

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RIO — A divulgação do relatório paralelo falsamente atribuído ao Tribunal de Contas da União (TCU) expôs outra vez uma prática recorrente do presidente Jair Bolsonaro e de políticos que compõem sua base de apoio: a disseminação de teorias conspiratórias. No documento, afirma-se, sem provas, que 50% das mortes por Covid-19 não teriam sido causadas pelo vírus. Desde o início da pandemia, o presidente e parlamentares bolsonaristas ventilam a ideia de que há sobrenotificação de óbitos pelo novo coronavírus, quando especialistas apontam o contrário, a subnotificação de casos e mortes devido à falta de testagem em massa no país.

A adesão a discursos conspiratórios não fica restrita à pandemia. O GLOBO reuniu exemplos dessas narrativas sem evidências presentes em declarações e postagens em redes sociais do presidente, de integrantes do governo e de parlamentares da base bolsonarista no Congresso. Os casos vão do uso do 5G pela China para espionar o Brasil à tentativa de criar um corredor ecológico na Amazônia, compreendendo territórios de diversos países, que levaria à perda da soberania nacional na região.

Um dos casos mais emblemáticos são as afirmações de que a urna eletrônica não é confiável. Um projeto para instituir um modelo com a impressão dos votos está em discussão no Congresso. Apoiadores da proposta, como os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), têm citado a possibilidade de fraude ao defender a medida. No entanto, não há qualquer episódio de fraude em urnas eletrônicas no processo eleitoral brasileiro, desde que o equipamento passou a ser usado na década de 1990, que justifique a desconfiança.

Outro exemplo são as teorias envolvendo a China. Com a pandemia, o presidente e seus aliados passaram a chamar o coronavírus de “vírus chinês”. No mês passado, sem citar a China diretamente, Bolsonaro insinuou que o país asiático pode ter criado o vírus. A afirmação contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta que o Sars-CoV-2 provavelmente teve origem animal.

Além da Covid-19, Eduardo e o ex-chanceler Ernesto Araújo também já acusaram, sem evidências, o Partido Comunista Chinês de querer usar o 5G para espionagem. O filho do presidente fez uma declaração no Twitter ao anunciar a adesão do Brasil à chamada Clean Network (Rede Limpa), articulada pelo governo americano de Donald Trump junto a outros países e cujo objetivo é banir a chinesa Huawei dos serviços de tecnologia. A publicação foi excluída.

- Foto: Editoria de Arte
- Foto: Editoria de Arte

A antropóloga Isabela Kalil, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que a pandemia se tornou uma oportunidade de ampliação de teorias já em circulação e que muitas dessas narrativas se conectam. Ela destaca que momentos de crise favorecem as explicações fora da realidade. A disseminação de narrativas semelhantes ocorreram, por exemplo, após o assassinato do ex-presidente americano John F. Kennedy, nos anos 1960, e na epidemia de Aids na década de 1980, em que também circularam teorias de que a doença não existia.

—  As teorias vão mostrar uma explicação em momentos em que é difícil não ter uma resposta para coisas importantes. Em contextos de situações dramáticas, socialmente, a gente fica mais suscetível a ter teorias conspiratórias. No caso do Brasil, é mais fácil acreditar do ponto de vista humano que a pandemia não existe que lidar com a realidade. É o caminho mais confortável — analisa Kalil, que publicou recentemente com outros pesquisadores na revista científica Global Discourse, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, um artigo sobre o uso de teorias conspiratórias sobre a Covid-19 como discurso oficial de Estado no governo Bolsonaro.

Outra teoria usada pelo presidente e aliados é a da perseguição contra fiéis das religiões cristãs, a cristofobia — termo que o presidente usou na abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU. O discurso já foi propagado pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Pelas redes sociais, Damares já compartilhou fotos de igrejas pegando fogo e escreveu: “Depois de ver templos cristãos queimados assim ainda existem dúvidas sobre a cristofobia?”. De acordo com a ONG Portas Abertas, que monitora o preconceito de cristãos pelo mundo, porém, o Brasil não consta na lista dos 50 países onde há mais perseguição. Tampouco faz parte do rol da organização dos 74 países em observação.

Também no âmbito das relações internacionais, Bolsonaro, ainda na condição de presidente eleito, em novembro de 2018, pediu para que o Brasil não sediasse a Conferência do Clima da ONU em 2019, a COP-25, com base em uma teoria conspiratória. Ao explicar a decisão, o presidente citou que “estaria em jogo o Triplo A”, que ele acredita ser uma “ameaça à soberania brasileira na Amazônia”. Na época, Bolsonaro ainda aventou a possibilidade de retirar o Brasil do Acordo de Paris sob a mesma justificativa e indicou no Twitter, um mês depois, um texto que informava que “sob o pretexto de ‘deter as mudanças climáticas’, escondem-se interesses na mais rica região do mundo”. Idealizado pela fundação colombiana Gaia Amazonas, o Triplo A seria um corredor ecológico ligando Andes-Amazônia-Atlântico, que abrangeria mais de 300 áreas protegidas e mil territórios indígenas. O projeto nunca foi adiante nem discutido no Acordo de Paris, o que não impediu a teoria conspiratória de prosperar entre apoiadores do presidente.

Impacto das teorias

A partir de um amplo levantamento, pesquisadores da USP e FGV analisaram mais de 4,5 mil discursos oficiais de membros do governo, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020, para compreender o impacto das teorias conspiracionistas sobre a política diplomática brasileira. Os dados revelam que 20% das menções da política externa de Bolsonaro têm referências a teorias conspiratórias ligadas ao globalismo.

Segundo o cientista político Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos idealizadores do estudo, o globalismo é alimentado pela visão de que há um grande complô internacional organizado pelo Partido Comunista Chinês para implementar o marxismo cultural sobre outras nações. Dessa maneira, instituições sólidas como a OMS e a ONU passaram a ser questionadas pelos seguidores desta teoria.

— Conspiradores acreditam em uma simplificação óbvia da realidade, e isso se torna evidente na dificuldade de relacionamento do Brasil com a China, na medida em que é colocada como inimiga pelo governo. A China ascender significa a aniquilação do Brasil para essas pessoas — afirma o pesquisador.

Em discursos oficiais sobre política externa, o estudo aponta Eduardo Bolsonaro como o maior conspirador sobre o globalismo, presente em quase 60% das falas do filho do presidente. Ele é seguido por Filipe Martins, assessor especial da Presidência, com quase 50%, e por Ernesto Araújo, que citou o tema em cerca de 20% de seus discursos. Quando analisadas as postagens no Twitter, o estudo identificou que 9 dos 30 perfis que mais disseminam teorias sobre o globalismo são ou foram integrantes do governo federal, sendo responsáveis por aproximadamente 30% dos tuítes publicados no Brasil sobre o tema.

As teorias também têm alto impacto entre o eleitorado de Bolsonaro. Uma análise feita pelo diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), Oswaldo Amaral, vinculado à Unicamp, identificou correlação entre apoio a Bolsonaro e acreditar em desinformações sobre a pandemia. O levantamento teve como base uma pesquisa do Instituto Democracia, realizada entre 20 e 27 de abril, com 2.031 entrevistados. Entre os ouvidos, 51% disseram acreditar, por exemplo, que o coronavírus foi criado pelo governo chinês, mesmo que não exista qualquer evidência nessa direção, mas, entre os que mais apoiam Bolsonaro, o percentual chega a 64%, segundo os dados divulgados no portal Uol.

Uma saída para a disseminação de teorias conspiratórias, na avaliação de Kalil, é as instituições ampliarem sua transparência. A antropóloga chama atenção para o fato de que, embora exista quem crie deliberadamente teorias conspiratórias para causar caos, um número significativo dos que acreditam nelas agem de boa fé e buscam essas explicações porque têm dúvidas sobre determinados assuntos. Outro aspecto é que ninguém vira conspiracionista de uma hora para a outra. Há um longo processo de construção dessas realidades paralelas. Uma das principais consequências das explicações conspiratórias é a criação de inimigos, que podem servir a propósitos políticos.

— Se existe medo e perigo, vamos tentar descobrir quem criou esse perigo. Então, você abre espaço para criar um inimigo. O pânico aflora sentimentos mais fáceis de manipular — diz a antropóloga.

Nesse contexto, Guimarães avalia que os principais integrantes do governo federal utilizam as teorias da conspiração para manter a ideia entre seus apoiadores de “mobilização total e constante contra um inimigo existencial”.

—A simplificação e manipulação da realidade é usada para que se convença o maior número de pessoas sobre como funciona a política e o mundo, motivando uns a convencerem outros sobre esses temas — conclui Guimarães.

____________________ * Netinho, Zambelli e médico pró-cloroquina: bolsonaristas se encontram no “1º Fórum dos Conservadores da Bahia” | Bela Megale 

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Os expoentes do bolsonarismo vão marcar presença no “1º Fórum dos Conservadores da Bahia”. O evento, que prevê reunir ao menos 150 pessoas em um auditório em Porto Seguro, tem participação confirmadas das deputadas federais Carla Zambelli, Bia Kicis e Aline Sleutjes. O cantor de axé Netinho também irá ao encontro, além do médico Alessandro Loyola, conhecido pela defesa do tratamento precoce contra a Covid-19.

O evento acontece no momento que a média diária de mortos pelo coronavírus gira em torno de 2 mil pessoas, com tendência de alta de 14%.

A organização do evento é do pastor evangélico e escritor Geraldo Márcio Soares, que destaca a “unidade da direita” como motivo do fórum. Geraldo Márcio é marido da médica Raissa Soares, secretária de Saúde de Porto Seguro e defensora da cloroquina e outros medicamentos sem eficácia para combater a Covid-19. 

Raissa ganhou fama ao gravar um vídeo pedindo a Bolsonaro que enviasse o remédio para a cidade baiana. Depois, chegou a discursar ao lado do presidente em um evento no Palácio do Planalto, que reuniu médicos a favor do tratamento precoce.

Apesar de pessoas que trabalham na divulgação do fórum apontarem Raissa como uma das organizadoras do encontro, ela nega qualquer vínculo com a organização. 

Segundo seu marido, Geraldo Márcio Soares, os custos do evento têm saído do seu cartão de crédito e de ajudas pontuais. 

– Quem está fornecendo o recurso, por enquanto, é meu cartão de crédito. Também tem uma doação pontual, você paga aqui, depois outro paga ali. A gente faz um ‘poolzinho’ de dinheiro e consegue finalizar – disse ele à coluna.

O evento seria em um hotel de luxo em Arraial D’Ajuda, que fica no distrito de Porto Seguro, mas teve que mudar de endereço, porque o local se recusou a abrigar o encontro. No momento, o organizador busca outro auditório para recebê-los.

Mesmo com sua esposa e com participantes a favor do tratamento precoce, o organizador do evento garante que a cloroquina não será tema do encontro.

– O doutor Alessandro Loyola não vai falar sobre tratamento precoce. Vai falar como devemos agir e pensar depois dessa pandemia, porque esse negócio de Covid já tá saturado demais. Dezessete meses falando de Covid, já tá batido isso, né?” – disse Geraldo Márcio. 

Loiola ganhou fama com vídeos na internet sobre pandemia que costumam ser compartilhados por bolsonaristas. Em um deles, o médico colocou em xeque a segurança de algumas vacinas contra Covid e chegou a dizer que elas poderiam causar câncer.

Quando a coluna entrou em contato com o número de WhatsApp divulgado no site do fórum, foi informada, por meio de mensagem, que o encontro era gratuito, mas que, para participar, era necessário “concordar em fazer parte do Grupo dos Conservadores para receber as informações oficiais do evento”. Questionado se o fórum criará um banco de dados dessas pessoas, Geraldo Márcio nega.

____________________ * Casal é encontrado morto em banheiro de apartamento no Leblon

Polícia investiga e perícia poderá comprovar se os dois foram vítimas de um vazamento de gás no imóvel
Paolla Serra e Rafael Nascimento de Souza
22/06/2021 - 23:56 / Atualizado em 23/06/2021 - 12:24
Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, achados mortos em box de banheiro no Leblon Foto: Reprodução
Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, achados mortos em box de banheiro no Leblon Foto: Reprodução

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RIO - Um casal foi encontrado morto, na noite desta terça-feira, dia 22, em um apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio. Os corpos de Mateus Correia Viana e de Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, estavam no box do banheiro de um imóvel na Avenida Bartolomeu Mitre. Eles podem ter sido vítimas de um vazamento de gás, pois o aquecedor de água fica dentro do cômodo. Equipes da 14ª DP (Leblon) estiveram no local, até o início da madrugada desta quarta-feira, dia 23, aguardando a chegada da equipe de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil.

De acordo com a perícia feita de madrugada, não há sinais de que a residência tenha sido arrombada ou invadida. O banheiro possui gás encanado. Segundo os peritos, um problema no exaustor do aquecedor pode ter causado as mortes. Os dois teriam inalado monóxido de carbono.

O caso é acompanhado pela 14ª DP (Leblon). Em nota, a Civil afirma que "informações preliminares indicam que a causa das mortes teria sido um vazamento de gás no banheiro onde as vítimas estavam”. O cômodo possui gás encanado. De acordo com a Polícia Militar, também por meio de nota, a equipe do 23° BPM (Leblon) encontrou o casal desacordado, e o "óbito foi constatado por uma equipe do SAMU que esteve no local, e de acordo com as primeiras informações, a causa da morte teria sido um vazamento de gás".

Nathalia estava desaparecida desde a última segunda-feira (21). Parentes e amigos já haviam divulgado cartazes em redes sociais em busca de informações. A família se preocupou porque Nathalia, que é psicóloga, é sócia de uma clínica na Freguesia, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, e não desmarcou os pacientes agendados para esta terça-feira nem foi ao trabalho. Num cartaz que foi divulgado pela família nas redes sociais, o último contato feito por ela ocorreu por volta das 16h de segunda-feira. Segundo amigos, a psicóloga deixou o filho de 8 anos na escola, na Freguesia, e depois almoçou com a mãe. Familiares disseram ainda que ela pediu para que a mãe buscasse a criança. Após o encontro, ela não foi mais vista e não atendeu mais o celular.

Os amigos de Nathalia chegaram a pensar que o carro dela teria sido roubado por ter passado por câmeras de radares na cidade, em pontos diferentes dos habituais, no caminho entre Jacarepaguá e o Leblon, para encontrar com  Mateus, na segunda-feira. Na tarde de terça-feira, ele usou o carro da psicóloga para buscar a bateria de uma moto, o que criou mais uma rota diferente da habitual. O veículo foi localizado pelos policiais estacionado próximo ao prédio de Mateus.

Mateus era empresário e, de acordo com os amigos, o apartamento era dele. Ele deixou de falar com os amigos e familiares na manhã de ontem, terça-feira.

Amigos tinham senha da chave eletrônica

Segundo os PMs que atenderam a ocorrência, os próprios amigos de Mateus que, estranhando o desaparecimento, foram até o apartamento no Leblon. Ainda de acordo com os policiais, o imóvel possui uma fechadura eletrônica, e os colegas dele tinham a senha. Foram os amigos que alertaram os bombeiros.

De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, o quartel da Gávea chegou a ser acionado às 22h29 por uma pessoa, que relatava haver dois jovens desacordados no imóvel. Minutos depois, no entanto, outra ligação cancelava o chamado e informava sobre a morte das vítimas.

____________________ * Mortes no Leblon: Nathalia Marques era psicóloga e deixa um filho de 8 anos

Psicóloga almoçou com a mãe na segunda-feira e pediu que ela buscasse o neto na escola
Psicóloga tinha 30 anos e deixa filho de 8 Foto: Reprodução
Psicóloga tinha 30 anos e deixa filho de 8 Foto: Reprodução

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RIO — A psicóloga Nathalia Guzzardi Marques, de 30 anos, que foi encontrada morta no box do banheiro de um apartamento no Leblon, deixa um filho de 8 anos. A família da jovem não tinha informações sobre ela desde as 16h de segunda-feira. O desaparecimento chegou a ser registrado na 41ª DP (Tanque), e amigos compartilharam nas redes sociais publicações pedindo informações sobre o sumiço.

Na segunda-feira, depois de almoçar com a mãe, a psicopedagoga Ana Guzzardi, de 67 anos, na Freguesia, Nathalia explicou que tinha um compromisso e pediu que a mãe buscasse o filho dela na escola. A mãe da jovem levou o neto para a casa da filha, no Pechincha. Como não conseguiu falar com a psicóloga, acabou dormindo no local com a criança.

No dia seguinte, a mãe de Nathalia ligou por volta de meio-dia para a clínica onde ela trabalhava e da qual era sócia, mas descobriu que a filha não tinha ido trabalhar e nem havia desmarcado os pacientes agendados. Foi quando a família decidiu registrar o desaparecimento na Polícia Civil.

— Ela era uma pessoa maravilhosa, que tinha muitos amigos, muito competente no trabalho. Foi uma fatalidade — comentou a mãe da psicóloga.

Uma prima de Nathalia contou que parentes e amigos estão em choque.

— A Nathalia era uma pessoa maravilhosa. Boa mãe, boa profissional. Linda por dentro, linda por fora. Só tenho memórias muito boas com ela. A gente está em choque. Todas as pessoas da nossa família, amigos... É até difícil ter palavras nesse momento. Ela vai fazer muita falta, muita falta mesmo — contou a prima, em entrevista ao "RJ1".

Sócia de Nathalia no Espaço Clínico e Terapêutico da Freguesia, a nutricionista Nayana Scalabrin, de 30 anos, estranhou quando a psicóloga não apareceu para trabalhar na terça-feira e sua agenda de pacientes não havia sido desmarcada. Seus temores se confirmaram após ela recebera a informação sobre a morte da colega de trabalho.

— Ela era um ser humano de muito luz, uma mãe guerreira, e uma profissional excepcional — diz Nayana.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o pai do filho de Nathalia, emocionado, afirmou que ela tinha medo de vazamento de gás. "A Nathalia sempre foi uma pessoa que tinha medo de tudo. Andava com o vidro fechado na rua, sempre teve medo de vazamento de gás", contou ele.

A Polícia Civil informou à família de Nathalia que o GPS do carro dela indicava que ela passou pelo túnel Rebouças na tarde de segunda-feira. 

O veículo foi encontrado na Rua Adalberto Ferreira, a poucos metros do apartamento de Mateus, localizado na Rua Bartolomeu Mitre, onde foram encontrados os corpos.

____________________ * Mortes no Leblon: amante da natureza e dos animais, Mateus Viana criava tilápias

Empresário e formado em Direito, rapaz comemorou aniversário de 30 anos no último dia 11
Pedro Zuazo, Paolla Serra e Lucas Altino
23/06/2021 - 09:32 / Atualizado em 23/06/2021 - 14:34
Mateus foi encontrado morto na noite desta terça-feira Foto: Reprodução
Mateus foi encontrado morto na noite desta terça-feira Foto: Reprodução

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RIO — Mateus Correia Viana, que foi encontrado morto no box do banheiro de um apartamento no Leblon, era formado em Direito e estudava para concurso de Delegado. Enquanto o sonho da carreira policial não se concretizava, ele trabalhava na fazenda da família, a Fazenda Correia, no interior do estado, onde criava tilápia e produzia alimentos orgânicos. Nascido e criado na Tijuca, na Zona Norte do Rio, o jovem se mudou para a Zona Sul há cerca de três anos. Ele completou 30 anos no último dia 11.

As publicações em seu perfil no Instagram mostram que Mateus teve uma vida social ativa: era músico e estava sempre rodeado de amigos. Também era amante dos animais e da natureza. Em uma foto na qual aparece junto a um tanque-rede de tilápia, ele escreveu: "Orgulho do que me tornei. Grato pelo que tenho. Grato pelo que terei".

Nas redes sociais, Mateus se apresenta como empreendedor e oferece encomendas de tilápia: "Sou um pequeno produtor em uma fazenda de orgânicos no interior do Rio de Janeiro. Vendo filé de tilápia congelado e embalado a vácuo, ovos orgânicos, queijo, mel e algumas verduras", descreve ele.

Na fazenda onde trabalhava, também montava a cavalo Foto: Reprodução
Na fazenda onde trabalhava, também montava a cavalo Foto: Reprodução

Na Fazenda Correia, onde trabalhava, ele também gostava de montar a cavalo. Em uma foto feita em julho de 2019, ele aparece empinando um cavalo. Nos comentários, amigos brincam chamando-o de Zorro e Beto Carrero. Em outra imagem, de 2018, Mateus fica de cabeça para baixo em cima do animal, plantando bananeira com a cabeça apoiada na cela.

O jovem também aparece abraçado com cachorros. Em uma foto, junto a um boxer, ele escreveu: "Tudo pra mim".

Nos tempos vagos, Mateus exibia seu dom para a música. Em vídeos publicados nas redes sociais ele canta e toca violão. Em sua última publicação no feed do Instagram, feita no dia 3 de maio, ele aparece cantando a música "Samurai", do Djavan, e escreve na legenda: "Music is everything" (música é tudo).

O jovem era aventureiro: gostava de andar de moto, praticava wakesurf e snowboard. Em vídeo publicado em abril do ano passado, ele aparece saltando em um lago do alto de uma ribanceira de cerca de cinco metros de altura. Os amigos brincam, nos comentários, sobre seu desempenho atlético: "Tokyo 2021".

Mateus praticava wakesurf Foto: Reprodução
Mateus praticava wakesurf Foto: Reprodução

Em uma foto publicada no ano passado, já em meio à pandemia, ele contou sentir falta de grandes eventos. "Que saudade daquela aglomeração", comentou ele, publicando uma foto antiga de uma festa. Em outros posts, há imagens dele abraçado a amigos no carnaval e no revéillon.

Os corpos do casal Mateus Correia Viana e de Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio, pouco antes das 6h desta quarta-feira. Durante a manhã, peritos do IML farão as perícias nos corpos para identificar o que motivou as mortes. Investigadores, neste primeiro momento, acreditam que eles possam ter sido vítimas de um vazamento de gás, pois o aquecedor de água fica dentro do cômodo.

Criação de tilápia

Em 2015, Mateus começou um projeto de criação de tilápia, descrito por ele como um dos peixes mais nutritivos e de carne "magra" do mundo. A piscicultura se tornou um negócio em 2017, quando ele anunciou nas redes sociais o início oficial do empreendimento.

"No inicio o intuito era produzir meu próprio alimento extremamente saudável, pois não é segredo pra ninguém que eu sou adepto há anos de um estilo de vida voltado para os esportes e a saúde, e poderia assim comer uma carne completamente limpa, tendo a certeza de sua quantidade de nutrientes e o não uso de 'venenos'. Após começar a produzir para meu consumo e vender os peixes inteiros excedentes para algumas peixarias locais, eu evolui minha produção para que pudesse produzir em maior quantidade e passei a fazer os filés e embala-los a vácuo para uma melhor conservação e durabilidade, chegando assim a ter a condição de atender diretamente o consumidor final", explicou ele.

Após começar a vender para amigos que tinham o mesmo estilo de alimentação saudável, ele decidiu aumentar a escala do negócio. Nos anúncios do protudo, prometia no melhor preço do mercado e a maior qualidade possível.

Vizinho simpático

Vizinhos de Mateus Viana e comerciantes das redondezas do prédio em que ele morava, na Rua Bartolomeu Mitre, descreveram o jovem uma pessoa simpática e tranquila. Ele costumava passear pelas ruas próximas com seus dois cachorros e tinha um carinho especial pela sua moto Harley Davidson, que ficava estacionada em frente a uma barbearia, ao lado de sua residência.

Nesta segunda à tarde, Mateus foi a uma oficina mecânica próxima, na Rua Tubira perguntar perguntar pelo preço de uma bateria de moto. Foi uma das últimas vezes em que ele foi visto antes do acidente.

— Ele vinha aqui de vez em quando, para manutenção da moto. No sábado, precisou fazer uma chupeta e depois disse que ia dirigir até a região serrana — afirmou Renê Soares, que trabalha no local há 20 anos e disse que nunca teve notícia de casos de vazamento de gás na região. — Ele costumava vir sozinho aqui, era um rapaz tranquilo e simpático.

Funcionário de uma distribuidora de gelo, Bevenilton Santos afirma que o viu trocando a bateria da moto em frente ao prédio, na tarde de segunda, por volta das 15h. Em seguida, ele e um amigo, cada um em sua moto, seguiram viagem.

Ele morava sozinho no prédio, há cerca de três anos, segundo um dos porteiros. Dois vizinhos, que não quiseram se identificar, explicaram ter pouco contato com ele. Uma delas, porém, costumava comprar tilápias com ele, que cultivava o peixe em uma fazenda.

— Eu moro no andar de cima e não ouvi nada na noite do acidente. Uma tragédia. Não tinha muito contato com ele, só para comprar a tilápia que ele vendia — afirmou a vizinha.

Além da moto, Mateus também tinha um carro. Ele não frequentava a barbearia que fica colada no prédio, mas era amigo de alguns clientes.

— Ele já entrou no salão para cumprimentar os amigos. Era um cara tranquilo. E eu sempre o via aqui em frente, passeando com os cachorros, ou de moto ou com o carro. Esse negócio de gás infelizmente é muito perigoso — disse Fábio Santos, funcionário do salão Calypso.

____________________ * Vazamento de gás, que pode estar por trás de mortes no Leblon, mata em até 3 minutos, diz perito

Polícia suspeita de que vazamento tenha sido a causa da morte de casal em banheiro de apartamento na Zona Sul do Rio; basculante estava fechado
Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, achados mortos em box de banheiro no Leblon Foto: Reprodução
Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, achados mortos em box de banheiro no Leblon Foto: Reprodução

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RIO — A principal suspeita de policiais da 14ª DP (Leblon) é que Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, tenham morrido, na noite de terça-feira, em decorrência de um vazamento de gás em banheiro do apartamento 601 do prédio 980 da Rua Bartolomeu Mitre, no Leblon, na Zona Sul do Rio. De acordo com especialistas, esse tipo de acidente pode levar a uma parada cardíaca rapidamente. A perícia no local constatou que o basculante do banheiro estava fechado, impossibilitando qualquer ventilação no local.

— Em casos em que o aquecedor de água fica dentro do banheiro, como se trata esse episódio, com o vazamento de gás, o queimador interno consome todo o oxigênio do ambiente. Em um minuto, as vítimas têm a perda da consciência, em três têm a morte cerebral e em dez a morte completa, paradas cardíaca e respiratória. Essas fatalidades ocorrem mais em ocasião do tempo frio, com os banheiros fechados e banhos demorados, sobretudo com crianças e casais — explicou o perito Nelson Massini, professor titular Medicina Legal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Massini explica que, nesses casos, existem três possíveis causa da morte: asfixia gasosa, causada pelo vazamento do gás natural que alimenta o aquecedor; asfixia gasosa, causada pela queima do gás de petróleo que provoca o resíduo monóxido de carbono que, por defeito na exaustão, fica no ambiente; e  o chamado confinamento, provocado quando o aquecedor está localizado no interior do banheiro e o fogo da queima consome o oxigênio do ambiente.

Os corpos de Mateus e Nathalia foram encontrados, por amigos do jovem, no box do banheiro do imóvel dele. Eles chegaram a acionar o quartel do Corpo de Bombeiros da Gávea, mas, por volta de 22h30m, constataram que o casal já estava morto. Durante a madrugada, estiveram no apartamento agentes da 14ª DP e peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). No local, não foi constatado, até o momento, nenhum indício de crime.

Os corpos do casal já estão no Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio. Os cadáveres chegaram pouco antes das 6h. Durante a manhã, peritos do IML farão as perícias nos corpos para identificar o que motivou as mortes. Investigadores, neste primeiro momento, acreditam que eles possam ter sido vítimas de um vazamento de gás, pois o aquecedor de água fica dentro do cômodo. Investigadores disseram que não há sinais de que a residência, na Rua Bartolomeu Mitre, tenha sido arrombada ou invadida. De acordo com os PMs que atenderam a ocorrência, amigos de Matheus, estranhando o desaparecimento, foram até o imóvel da Bartolomeu Mitre. Ainda segundo os policiais, o imóvel possui uma fechadura eletrônica, e os amigos do dono tinham a senha. Foram eles que alertaram os bombeiros.

____________________ * Casal morto no Leblon vivia auge e estava se conhecendo, contam amigos

Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques foram encontrados mortos no Leblon (RJ) - Reprodução/Instagram
Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques foram encontrados mortos no Leblon (RJ) Imagem: Reprodução/Instagram

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

23/06/2021 19h53

Sonhos interrompidos e um relacionamento que tinha tudo para dar certo. Amigos e familiares de Nathalia Guzzardi Marques e Mateus Correia Viana, ambos com 30 anos, lamentam a morte precoce do casal, que se aproximou havia cerca de seis meses.

Os dois foram encontrados ontem à noite no banheiro da casa de Mateus, no Leblon, zona sul do Rio.

Casal é encontrado morto em apartamento no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro

laudo de necropsia do IML (Instituto Médico Legal) aponta que foram encontrados "sinais gerais de asfixia, como coloração carminada dos tecidos, sugestivo de intoxicação exógena", reforçando a principal linha da Polícia Civil, de que o casal pode ter morrido em decorrência de um vazamento de gás.

Mateus 1 - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Mateus Correia Viana, encontrado morto no Leblon, gostava de esportes radicais Imagem: Reprodução/Instagram

Nos últimos anos, Mateus Viana costumava passar a maior parte dos dias na Fazenda Correia, uma propriedade familiar que fica no interior do Rio, onde, desde 2017, empreendia com a venda de tilápias. Em uma postagem nas redes sociais, ele falou dos resultados positivos que estava tendo: "Orgulho do que me tornei. Grato pelo que tenho. Grato pelo que terei".

Formado em direito, havia se mudado para a zona sul havia cerca de três anos e tinha uma vida social ativa. Ele morava sozinho no apartamento da rua Bartolomeu Mitre, onde o casal foi encontrado.

Mateus 3 - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Formado em direito, havia se mudado para a zona sul há 3 anos e tinha uma vida social ativa Imagem: Reprodução/Instagram

"Ele me ensinou muita coisa, acho que ele ensinou muita coisa para todo mundo. Um cara alto-astral, adorava curtir a vida, estava muito feliz com o crescimento do projeto dele na fazenda. Há uns seis anos que ele falava disso, que queria focar nessa produção, estava indo superbem, várias pessoas comprando. Ele estava tão feliz e não vai poder continuar vivendo esse sonho", disse o amigo Bruno Debois.

Em vídeos publicados por Mateus Viana, é possível ver que tinha o gosto pela música: cantava e tocava violão. O jovem gostava de andar de moto, praticar esportes radicais e sempre aparecia em fotos com animais. Além disso, era adepto a uma alimentação saudável, o que o estimulou a tocar o projeto na fazenda.

"Sempre gostou de viajar, era muito 'família', um cara tranquilo, que não arrumava confusão, sorriso largo. Ele sempre gostou de se cuidar, estar em forma. Isso ajudou até na decisão de focar nessa carreira de que ele tanto gostava, de incentivar os outros a comer melhor. A família dele está muito mal, todos nós estamos", contou o advogado Leonardo Pereira.

Mateus 2 - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Nos últimos anos, Mateus costumava passar a maior parte dos dias na Fazenda Correia, no interior do Rio, onde criava tilápias Imagem: Reprodução/Instagram

Psicóloga e mãe batalhadora

Mãe de um menino de oito anos, Nathalia Guzzardi Marques era psicóloga e trabalhava no Espaço Clínico e Terapêutico da Freguesia, na zona oeste, havia seis anos. Era uma jovem que adorava a natureza e era muito religiosa.

"Ela era uma mãe muito dedicada, batalhadora, sempre queria saber do filho. Era uma ótima profissional, uma pessoa incrível e meiga", disse Raquel Lopes, amiga de Nathalia.

Nathalia Guzzardi Marques - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Nathalia Guzzardi Marques era psicóloga e trabalhava na zona oeste havia seis anos Imagem: Reprodução/Facebook
A psicóloga morava com o filho em um apartamento no bairro do Pechincha, na zona oeste. A mãe dela, Ana Guzzardi, estava com o neto nessa casa e deu falta da filha.

A jovem almoçou com a psicopedagoga na segunda-feira (21). Como tinha um compromisso, pediu que a mãe buscasse o filho na escola. Desde então, não fez mais contato.

"Ela sempre agradecia pelas conquistas dela, pelo trabalho, pelo filho. Mesmo com os problemas do dia a dia, ela sempre tentava pensar no lado positivo. A família está muito arrasada e não consegue falar agora. Estão todos preocupados com ele [filho de Nathalia]", disse a amiga Lívia Salles.

Nayana Scalabrin, que trabalhava com a jovem, disse que ela e Mateus "não eram namorados, mas estavam se conhecendo e ela estava gostando dele".

A nutricionista conta que estranhou quando a jovem faltou ao trabalho, ainda mais porque agenda de pacientes não havia sido desmarcada.

"Eu estava muito preocupada, porque ela não era de fazer isso, sempre foi muito profissional, adorava o que fazia, não deixava os pacientes esperando. Não consigo acreditar."

Thiago Sines, pai do filho de Nathalia, lamentou as mortes. Ele disse que Nathalia "sempre foi uma pessoa que tinha medo de tudo, se preocupava com tudo, estudo, trabalho". "Ela estudou, se formou, montou a parada dela, estava estourando agora. O cara parecia ser gente boa também e vem e acontece uma coisa dessa", disse.

____________________ * Com fechamento de jornal pró-democracia, o antecipado fim de uma era em Hong Kong | Marcelo Ninio - O Globo

Homem passa em frente à sede do jornal Apple Daily, o último grande veículo pró-democracia em Hong Kong, após o tablóide anunciar seu fechamento

O fechamento do jornal de Hong Kong Apple Daily é mais um passo da caminhada do território semiautônomo em direção ao abraço apertado de Pequim. Fundado em 1995 pelo empresário Jimmy Lai, que fugiu da fome na China dos anos 1950 e ficou milionário em Hong Kong no ramo da moda, o jornal era uma das poucas publicações pró-democracia na cidade ainda abertamente críticas ao Partido Comunista chinês. Com Lai e vários executivos do jornal presos, e estrangulado financeiramente após ter suas contas congeladas pelo governo, o jornal confirmou nesta quarta-feira que fechará as portas. “Fim de uma era”, descreveu o Honk Kong Free Press (HKFP), portal dedicado à liberdade de imprensa.

É um golpe não só para a liberdade de imprensa, mas em um dos pilares do modelo “um país, dois sistemas”, que em tese deveria garantir que a ex-colônia britânica mantivesse seu estilo de vida por 50 anos a partir do retorno ao controle chinês, ocorrido em 1997. O jornal anunciou que deixará de circular nesta quinta, uma semana depois do bloqueio das contas e da batida policial em sua sede que levou presos alguns de seus principais editores.

Criado em 1995, o Apple Daily (“maçã diária” em inglês, uma brincadeira que comparava o hábito saudável de consumir a fruta à importância da imprensa livre) foi desde seu aparecimento um incômodo constante para o governo. Com estilo irônico e muitas vezes escandaloso, reportagens investigativas, fofocas sobre celebridades e altas doses de crítica política, o tablóide inspirava amor e ódio em Hong Kong, assim como o seu polêmico fundador. O jornal se tornou um dos principais alvos de Pequim principalmente após sua cobertura agressiva sobre os protestos pró-democracia de 2019, quando passou a convocar a população a ir às ruas.

O princípio de “um país, dois sistemas” está na Lei Básica de Hong Kong, a mini-Constituição do território que entrou em vigor em primeiro de julho de 1997, o dia em que teve fim o domínio britânico. A data, aliás, é oficialmente a mesma do aniversário de fundação do Partido Comunista chinês, que este ano chega ao seu centenário. Hong Kong é um dos principais ícones do “século de humilhação” sofrido pela China, iniciado justamente na primeira Guerra do Ópio (1839-1842), quando os britânicos tomaram o controle do território com uma combinação de tráfico de entorpecentes e força militar.

Com essa carga pesada na memória histórica da China, seria ingenuidade esperar que um Partido Comunista cada vez mais nacionalista fosse permitir que Hong Kong de fato se mantivesse como um sistema totalmente à parte do resto do país até 2047. Mas o que fez o governo de Pequim perder de vez a paciência foram os protestos pró-democracia dos últimos anos, liderados por jovens de Hong Kong e apoiados por potências ocidentais.

O golpe de misericórdia nas ilusões dos ativistas foi a promulgação pelo China da Lei de Segurança Nacional, há quase um ano. Com ela, Pequim criou um instrumento jurídico para tirar de cena os focos de oposição em Hong Kong, sob a ameaça de aplicar penas que podem chegar à prisão perpétua. Desde então, dezenas de ativistas foram presos e condenados, entre eles o empresário Jimmy Lai. Na prática, a legislação aproximou o território autônomo da realidade vivida pela população da China continental, onde não há espaço para contestar as decisões do governo.

A lei desencadeou uma onda de repressão à imprensa de Hong Kong que apoiava os protestos contra Pequim. Preso logo depois, Jimmy Lai foi condenado a 20 meses de prisão por participação em protestos considerados ilegais.

Para completar, em março deste ano o Parlamento chinês aprovou mudanças na lei eleitoral de Hong Kong, para garantir que só candidatos alinhados ao Partido Comunista possam governar o território. Antes vibrante, o mercado editorial e de imprensa de Hong Kong passou a se sentir encurralado. Com 118 anos de história, o mais tradicional jornal em inglês do território, o “South China Morning Post”, continua fazendo jornalismo de qualidade, mas sob pressão cada vez mais intensa. No começo do ano o “Wall Street Journal"  informou que o governo chinês estava em contato com os controladores do jornal, o grupo Alibaba do bilionário Jack Ma, para que se desfizesse da publicação e de outras empresas de mídia, a fim de reduzir sua influência no mercado de comunicação do país.

Sim, Hong Kong é um assunto doméstico da China, como costumam repetir as autoridades chinesas quando criticadas sobre a crescente intervenção no território. Mas o que acontece lá tem consequências muito além de seus cerca de mil quilômetros quadrados (mais ou menos o mesmo tamanho de Macaé, mas com uma das maiores densidades populacionais do planeta, com seus 7,2 milhões de habitantes). Primeiro, a erosão de garantias fundamentais, seja na China continental, em Hong Kong ou em qualquer lugar do mundo, importa a quem considera a liberdade de expressão e de imprensa direitos humanos básicos. Segundo, a intervenção chinesa em Hong Kong confirma que a repressão política está no centro da estratégia de poder do governo de Pequim. E, em se tratando de um país com crescente presença e influência diplomática e que caminha para se tornar a maior economia do mundo, é claro que há um impacto nas relações internacionais.

Além disso, Hong Kong virou um dos pontos de atrito entre a China e o Ocidente, e tende a ser mais um fator de tensão geopolítca, principalmente entre Washington e Pequim. O governo de Joe Biden manteve a decisão tomada por Donald Trump, que foi o primeiro presidente americano a revogar o tratamento especial dado a Hong Kong, por concluir que o território já não é autônomo.

____________________ *Governo Biden chama eleições no Peru de 'livres e justas', 'um modelo de democracia', a despeito de denúncias de Keiko

Apoio americano à lisura do pleito enfraquece acusação desprovida de provas de fraude eleitoral de candidata conservadora
Apoiadores de Pedro Castillo, vencedor virtual das eleições peruanas, em protesto em Lima no último sábado Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP 19-6-21
Apoiadores de Pedro Castillo, vencedor virtual das eleições peruanas, em protesto em Lima no último sábado Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP 19-6-21

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um comunicado na noite desta terça-feira no qual classifica a recente eleição presidencial do Peru como "um modelo de democracia", apesar dos esforços da candidata conservadora Keiko Fujimori para, em denúncias de fraude eleitoral desprovidas de provas , anular votos e reverter sua derrota.

"Em nome do povo dos Estados Unidos, parabenizo o povo do Peru por participar do segundo turno da eleição presidencial de 6 de junho", diz o comunicado, assinado pelo porta-voz do Departamento de Estado.

"Parabenizamos as autoridades peruanas por administrar com segurança outra rodada de eleições livres, justas, acessíveis e pacíficas, mesmo em meio a desafios significativos da pandemia de Covid-19. Essas eleições recentes são um modelo de democracia na região".

A apuração oficial terminou há uma semana, e indica a vitória do professor e sindicalista Pedro Castillo, que concorreu pelo partido da esquerda radical Peru Livre, e, por pouco mais de 44 mil votos, terminou em primeiro na contagem oficial. Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, ainda tenta reverter o resultado na Justiça. Na sexta-feira, ela foi derrotada em primeira instância, mas ainda há um recurso a ser julgado.

Sobre os recursos, o governo americano limita-se a dizer que "apoia a concessão de tempo às autoridades eleitorais para processar e publicar os resultados de acordo com a legislação peruana".

O apoio americano à lisura do pleito enfraquece as denúncias da candidata conservadora. Antes disso, observadores eleitorais da Organização de Estados Americanos (OEA) já tinham afirmado que a votação foi limpa, sem "irregularidades graves".

O comunicado encerra ressaltando a amizade entre os países, em áreas como "saúde pública, os meios de subsistência, a segurança e a proteção ambiental". "Os Estados Unidos esperam continuar esta importante parceria com o candidato devidamente eleito pelo povo peruano, conforme confirmado pelas autoridades eleitorais peruanas", diz o comunicado.

Nesta terça-feira, militares da reserva protestaram contra o resultado das eleições. Durante o ato, alguns trajavam uniformes militares e chegaram a carregar espadas e sabres — aparentemente uma resposta à presença de partidários de Castillo que, em um ato realizado há alguns dias, carregavam facões e outras ferramentas usadas no campo. Havia ainda menções ao chapéu usado pelo candidato da esquerda, típicos dos camponeses na região de Cajamarca.

O protesto foi convocado depois que o presidente interino, Francisco Sagasti, condenou de forma veemente os pedidos feitos por parte dos militares da reserva para que as Forças Armadas atuassem para impedir que Castillo assuma a Presidência.

Nesta segunda-feira, um juiz negou um novo pedido de prisão preventiva contra Keiko, por denúncias ligadas a suposta corrupção nas campanhas presidenciais de 2011 e 2016. A dirigente do partido Força Popular pediu para seus apoiadores enviarem "documentos e provas" de supostas irregularidades eleitorais.

____________________ * 'Um dos encontros mais especiais da minha vida', diz Gabriel Leone sobre Carla Salle

Atores estão juntos há cinco anos; ele está em filme inspirado em música da Legião Urbana
Gabriel Leone Foto: Jeff Segenreich
Gabriel Leone Foto: Jeff Segenreich

Tudo começou no Ensino Médio, 11 anos atrás, num colégio da Tijuca. Para ganhar nota em história, os alunos teriam que montar uma peça sobre a vida de Cazuza. O cantor foi interpretado pelo jovem e inexperiente Gabriel Leone, hoje consagrado e com currículo de peso, com participações nas novelas “Velho Chico” e “Verdades secretas”. “Era uma apresentação sem maiores pretensões, apenas para os pais. Mas, naquele momento, fui ‘mordido por um bichinho’. Eu me senti estranhamente confortável no palco. Na sequência, entrei para uma companhia de teatro e as coisas foram acontecendo aos poucos. Descobri que era apaixonado pela atuação”, conta o rapaz.

Celebrado como um dos grandes talentos de sua geração, Gabriel, de 27 anos, é um desses atores versáteis. Além de interpretar, dança, canta e toca instrumento em cena se precisar. Em “Um lugar ao sol”, próxima trama das 21h, ainda sem data de estreia, vai mostrar o lado musical. “Na escola, cheguei a ter uma banda de rock, mas a vida foi me levando para outras situações. Na novela, essa minha versão estará bem latente”, antecipa o ator carioca, que fará par com Andréa Beltrão, com quem já havia trabalhado no seriado “A grande família”.

Carla Salle e Gabriel Leone Foto: Divulgação
Carla Salle e Gabriel Leone Foto: Divulgação

Enquanto o folhetim não estreia, ele pode ser visto na série “Dom”, a primeira da Amazon no Brasil, na qual dá vida ao criminoso Pedro Dom. “Esse projeto está presente no mundo todo praticamente. Foi dublado em 30 idiomas. Olha que máximo. Conversei com jornalistas da Índia, da Alemanha e dos Estados Unidos. O retorno está sendo incrível”, observa Gabriel, que namora há quase cinco anos a atriz Carla Salle. “Foi um dos encontros mais especiais da minha vida. Nunca deixamos de fazer nada para não sermos vistos. Encaramos tudo numa boa. A exposição faz parte do nosso ofício.”

Na ficção, uma outra grande história de amor espera para ser exibida. O ator é um dos protagonistas do filme “Eduardo e Mônica”, inspirado no sucesso da banda Legião Urbana, sem data para chegar aos cinemas. E “quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração”.

____________________ * Os homens fingem no trabalho, e um estudo feito por quatro gigantes do mercado financeiro comprova isso

Pesquisa apoiada por Black Rock, Goldman Sachs, Barclays e Citi mostra que eles fingem apoiar a equidade de gênero apenas para se destacarem profissionalmente. Empresas com esse tipo de liderança tendem a fracassar com o avanço da agenda ESG

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Mais uma pesquisa, desta vez apoiada por grupos como Black Rock, Goldman Sachs, Barclays e Citi, comprova o óbvio: o preconceito contra as mulheres no mercado de trabalho. Porém, há algo inédito e revelador neste estudo: a tendência de alguns homens fingirem empatia na gestão de mulheres!

Isso mesmo, como apoiar a ascensão de mulheres no mercado de trabalho é uma competência valiosa nos dias de hoje, alguns homens, em vez de fazerem a sua parte, fingem-se apoiadores desta causa apenas para se destacarem profissionalmente. Atenção aos exemplos a seguir, para que passe a identificar o “fala mas não faz”.

Um exemplo clássico é aquele que discursa a favor da diversidade, equidade e inclusão enquanto, na prática, rodeia-se do grupo dominante na diretoria, no networking e nas happy hours.

Outro exemplo é aquele que tira foto para redes sociais de reuniões compostas por um grupo diverso, mas assume como próprias as ideias e projetos das mulheres, uma prática conhecida como bropriating.

Vale citar também os grupos de WhatsApp do trabalho exclusivos dos “brothers”, dos quais as mulheres são excluídas, para que eles possam continuar se divertindo com piadas machistas, pornográficas ou homofóbicas, perpetuando a cultura do patriarcado dentro das organizações.

Quase me esqueço deste outro exemplo, aquele que ainda insiste no discurso “somos todos iguais, não vejo sexo, raça ou idade”. Este discurso me cansa: lógico que não vê, convive apenas com pessoas parecidas com si mesmo. Possui o chip implantado do viés de afinidade: se não se parece ou pensa como ele, está excluído do grupo dos fortes.

Em relatório apresentado pela Women In Banking and Finance e pela London School of Economics, os autores informam que alguns homens, aparentemente abaixo da média, muitas vezes sucedem porque fazem "boa política" e trazem a pauta da diversidade para sua gestão, agindo como guardiões de oportunidades para mulheres talentosas emergirem. Porém, na prática, mulheres competentes acabam sendo menos propensas a receber oportunidades sob esses líderes, e muitas vezes vendo seu progresso bloqueado.

Precisamos dar um BASTA à discriminação contra as mulheres no ambiente de trabalho.

A solução não é fácil de ser encontrada porque exige investimento e tempo. Por isso, sugiro que você rapidamente invista nesta pauta antes que seja tarde e sua empresa perca a contribuição de talentosas mulheres para a concorrência. 

A primeira medida a se fazer é a fotografia da alta liderança. Quem são as pessoas que compõem esta foto? Ela representa um time diverso? Se a resposta for não, o próximo passo é sensibilizar e capacitar estas pessoas para serem líderes responsáveis e, por fim, definir as metas claras e acompanhar os progressos para que ninguém na sua empresa impeça novos investimentos, inovação, lucro, atração e retenção de talentos.

Ao que tudo indica, o avanço da agenda ESG será uma exigência global que vem garantir a sustentabilidade dos negócios e do planeta. As organizações que não se adequarem, em curto período de tempo, deixarão de existir.

Por isso, deixo a pergunta: na sua empresa, quem finge empatia ao gerenciar mulheres apenas para se autopromover?

____________________ * Universidade de Oxford anuncia novo teste de ivermectina como tratamento para Covid-19

Medicamento teve resultados inconclusivos em testes anteriores e OMS, agências reguladoras dos EUA e da União Europeia são contrários ao uso contra a doença
Ivermectina faz parte do tratamento precoce, que, segundo cientistas e instituicoes de pesquisa renomados não funciona. Foto: Agencia Enquadrar / Agência O Globo
Ivermectina faz parte do tratamento precoce, que, segundo cientistas e instituicoes de pesquisa renomados não funciona. Foto: Agencia Enquadrar / Agência O Globo

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LONDRES - A Universidade de Oxford informou nesta quarta-feira que incluiu a ivermectina, medicamento aprovado para uso contra piolhos, na lista de drogas a serem testadas contra a Covid-19. A droga fará parte de um ensaio clínico de grande escala com apoio do governo britânico, e será administrada em pacientes não internados.

A universidade afirma que incluiu a droga no projeto depois de ela ter apresentado bons resultados preliminares em testes in vitro, feitos em amostras de células em laboratório. Alguns ensaios clínicos preliminares indicaram que a droga reduz a carga viral e a duração dos sintomas para alguns pacientes com sintomas leves.

O projeto Principle, programa de Oxford que vai incorporar agora a ivermectina, é o mesmo que concluiu em janeiro que os antibióticos azitromicina e doxiciclina são ineficazes contra a Covid-19 em estágios iniciais.

A decisão da universidade surpreendeu parte da comunidade médica, porque o uso da ivermectina em Covid-19 possui recomendação contrária da da Organização Mundial da Saúde (OMS), e da FDA (agências reguladora de fármacos nos EUA) e da EMA (reguladora europeia)

Os países onde a droga vem sendo usada em caráter experimental ou informal incluem Índia, Argentina e Brasil.

— Ao incluir a ivermectina em um ensaio clínico de grande escala como o Principle, o que esperamos é gerar evidências robustas para determinar quão eficaz esse tratamento contra a Covid-19 é e se há benefícios ou danos associados ao seu uso — afirmou o vice-chefe do projeto, Chris Butler.

Segundo a universidade, não serão recrutados para o teste voluntários que tenham problemas hepáticos graves, que estejam tomando varfarina (medicamento para afinar o sangue) ou outros fármacos para os quais já se sabe que há interação medicamentosa com a ivermectina.

A ivermectina, da classe dos antiparasitários, é o sétimo tratamento a ser investigado no projeto Principle e atualmente está sendo avaliada juntamente com o antiviral favipiravir, informou a universidade.

Conexão brasileira

A notícia de que a ivermectina foi incluída na lista de drogas a serem testadas pelo Principle foi comemorada por defensores do medicamento, que faz parte do controverso kit de "tratamento precoce", foi promovido pelo Ministério da Saúde, ao lado da cloroquina.

Na esteira dessa promoção, a droga se popularizou mesmo sem ter recebido aval da Agência de Vigilância Sanitária para uso fora da prescrição habitual, contra piolhos. A principal agremiação médica da área, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), também não endossa seu uso para Covid-19.

"A SBI não recomenda tratamento farmacológico precoce para Covid-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício" afirma o último documento de diretrizes clínicas da entidade, publicado em dezembro passado. "Não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a COVD-19."

Segundo Mauro Schechter, professor titular de infectologia da UFRJ, não faz sentido que defensores da cloroquina comemorem a inclusão da ivermectina numa pesquisa de Oxford, porque ensaios clínicos da universidade britânica estão entre os que mais contribuíram para a desrecomendação da cloroquina. Essa outra droga foi testada ali, e reprovada.

— Isso é um contrassenso completo, porque se eles valorizassem Oxford tanto assim, eles reconheceriam que Oxford diz que a cloroquina não funciona depois de a terem testado no estudo Recovery — diz o médico, sobre os defensores do kit do "tratamento precoce".

Segundo Schechter, com base no status atual de evidências, é legítimo que alguns cientistas queiram ampliar os testes clínicos da ivermectina. Em sua opinião, porém, não é uma aposta com grande chance de sucesso, pois os estudos que sinalizaram efeito positivo não tiveram auditoria externa e não passaram em revisão por pares nos periódicos científicos mais rigorosos.

— A dose que se mostrou eficaz contra o coronavírus nos estudos in vitro, em teoria, é alta demais para uso em humanos, e pode se mostrar toxica. É improvável que uma dosagem menor funcione, mas nós só teremos certeza com o resultado dos testes — explica o infectologista.

— A ivermectina tem seus efeitos colaterais. Por não ser isenta de riscos, como qualquer droga, só deveria ser usada em larga escala após ter sua eficácia comprovada e ter sido aprovada  — afirmou.

____________________ * Djavan: 'Não votei no Bolsonaro e não apoio o seu governo'

Dois anos após se dizer 'esperançoso', músico vai às redes afirmar que não apoia o presidente
Cantor e compositor Djavan Foto: reprodução
Cantor e compositor Djavan Foto: reprodução

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O cantor e compositor Djavan fez um post no Instagram afirmando que não apoia o governo Bolsonaro. Ele disse:

"Em 2018, tentaram me associar a esse governo por eu ter dito em entrevista que tinha esperança no futuro do Brasil. O futuro, para mim, pertence ao povo que sempre poderá buscar - nas ruas e nas urnas - as transformações sociais que farão do Brasil um país livre e próspero. Depois de dizer algumas vezes que aquilo era mentira, eu percebi que de nada adiantaria: o desmentido na internet tem efeito contrário, coloca a mentira em evidência. Tenho décadas de vida pública e uma longa carreira, e quem me conhece sabe dos meus posicionamentos sobre política, problemas sociais, culturais, raciais, homofobia, xenofobia etc. Por isso, é impossível haver qualquer compatibilidade entre mim e um governo errático, que tem atuado na contramão da ciência e que, sempre que pode, demonstra seu desprezo pela democracia. Não tem cabimento. Eu NÃO votei no Bolsonaro e NÃO apoio o seu governo.Djavan”

Em 2019, logo após Bolsonaro assumir a presidência, o artista foi duramente criticado ao dizer em uma entrevista que estava "esperançoso" com o novo governo. Na entrevista, que viralizou das redes sociais, ele afirmou:

"Eu estou muito esperançoso. Eu sou uma pessoa otimista. Eu tenho uma esperança de que o Brasil vai dar certo. Tudo o que acontece agora aponta para um futuro melhor. A gente não pode garantir, porque o governo ainda não está atuando, está apenas se formando, mas estou esperançoso".

Depois da repercussão negativa, Djavan chegou a fazer um post explicando sua posição e dizendo que era contra qualquer tipo de intolerância, a favor do desarmamento e que acreditava no futuro do país. Alguns seguidores do músico continuaram reclamando e contestaram a sua argumentação. "Amado, a gente quer que você fale explicitamente 'não apoio governo fascista de Bolsonaro'. Pronto”, pediu uma seguidora. Agora, dois anos depois, o músico se posiciona como pediram os fãs.

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____________________ * 50% das pessoas curadas da Covid-19 apresentam problemas cognitivos

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________________ * TODO MUNDO precisa TRINCAR os DENTES, porque VEM por aí UM ANO que TESTARÁ o BRASIL 

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