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____________________ * P q votamos em Hitler. P q a ALEMANHA, país c/ um dos MELHORES sistemas de EDUCAÇÃO pública e a maior CONCENTRAÇÃO de DOUTORES do MUNDO na ÉPOCA, SUCUMBIU a um CHARLATÃO fascista?

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____________________ * DISPOSITIVOS AMAZON para tornar sua VIDA MAIS_PRÁTICA 

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____________________ * Juristas desistem de homenagear Marco Aurélio Mello após ele chamar Moro de "herói"

____________________ * EDITORIAL O GLOBO: Salles era só um COADJUVANTE. O ministro é BOLSONARO 

____________________ * Na reforma tributária, de novo, o governo distorce dados e fatos | Míriam Leitão

____________________ * Mais de 100 entidades manifestam apoio a TALÍRIA PETRONE após INTERPELAÇÃO de Arthur Lira

____________________ * Está pronta para ser julgada a ação de Xuxa contra Sikêra Jr e a Rede TV!

____________________ * Revitalização do Centro pode sufocar a Zona Sul, alerta Lindbergh Farias

____________________ * OVNIs analisados pelo Pentágono podem ter origem extraterrestre, diz físico de Harvard

____________________ * E-mail, o novo front na guerra da Apple contra Google e Facebook

____________________ * Justiça sentencia policial que matou George Floyd a 22 anos e meio de prisão nos EUA

____________________ * Vídeo de moradora registra instantes antes de desabamento em Miami

____________________ * Discovery Plus: Streaming chega ao Brasil em setembro e deve trazer mais de 40 obras originais

____________________ * Quase um Xbox: Microsoft quer que Windows 11 seja um console no PC

____________________ * Emissoras bolsonaristas e suas tentativas em escamotear fatos: caçada a Lázaro, a manobra da vez 

____________________ * NASA ainda não sabe o que causou apagão no telescópio Hubble e luta para reativá-lo

____________________ * Por que votamos em Hitler, digo Bolsonaro 

____________________ * Por que votamos em Hitler  Por que a ALEMANHA, o país com um dos MELHORES sistemas de EDUCAÇÃO PÚBLICA ____________________ e a maior CONCENTRAÇÃO de DOUTORES do MUNDO na ÉPOCA, ________________ SUCUMBIU a um CHARLATÃO fascista?

____________________ * Bolsonaro está tentando de tudo para abafar escândalo da Covaxin, escreve Bernardo Mello Franco

____________________ * 'MORO é a MAIOR AMEAÇA à DEMOCRACIA brasileira desde a DITADURA', diz Glenn Greenwal

____________________ * Felipe Neto sobre pesquisa que indica Lula vencendo no 1º turno: "se as eleições fossem hoje, a surra seria histórica"

____________________ * BURGER KING lança campanha sobre DIVERSIDADE e sofre ATAQUES de BOLSONARISTAS 

____________________ *“A aposta nos antidepressivos foi muito boa para a indústria, mas tornou a vida das pessoas bem ruim”, diz Sidarta Ribeiro

____________________ * FAMÍLIA BRASILEIRA vive TRAGÉDIA da Covid-19 à ESPERA de VACINA 

____________________ * Cúpula da CPI da Covid ACUSA Ministério da Saúde de OBSTRUIR INVESTIGAÇÃO 

____________________ * Viagem de jovens às Baleares causa surto de covid-19 na Espanha

____________________ * Deputado Luis Miranda INSINUA ter GRAVAÇÃO de Bolsonaro: “se ele negar, esquece 2022”

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____________________ * Juristas desistem de homenagear Marco Aurélio Mello após ele chamar Moro de "herói"

Marco Aurélio Mello

247 - Um grupo de juristas decidiu retirar textos de um livro que está sendo organizado para homenagear o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que se aposenta em julho.

Eles ficaram indignados com a homenagem do decano do STF a Sergio Moro na votação em que o ex-juiz foi considerado suspeito no julgamento de Lula no caso do triplex. Um dos que recuaram da homenagem foi o jurista Juarez Tavares, informa a jornalista Mônica Bergamo.

O jurista Lenio Streck também retirou um texto do livro, afirmando que chamar Moro de herói parece claramente o incentivo à criação de uma narrativa que pretende salvar o ex-juiz, o que "não é tolerável”.

____________________ * Salles era só um coadjuvante. O ministro é Bolsonaro

Por Editorial

Ricardo Salles

O novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite, aparentemente tem um perfil menos incendiário que o antecessor Ricardo Salles, que pediu exoneração na quarta-feira, acossado por graves denúncias envolvendo suspeitas de exportação ilegal de madeira e favorecimento de madeireiras. Leite era secretário da Amazônia na gestão Salles e, antes de ir para o governo, foi conselheiro por 20 anos da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Após dois anos e meio de gestão ambiental desastrosa, qualquer aceno de mudança merece crédito. É preciso, contudo, ver o que mudará de fato, se é que algo mudará. Como mostrou reportagem do GLOBO, Leite deverá manter a equipe de Salles, sob o argumento de que faz um trabalho técnico na “nova visão ambiental” implementada pelo antecessor.

A tarefa do novo ministro é árdua, diante do rastro de destruição de Salles. A começar pelo desmantelamento de órgãos como Ibama e ICMBio — e o consequente enfraquecimento da fiscalização. Não à toa, o número de multas tem caído, ao passo que o volume de denúncias aumenta. Chegou-se ao ponto de retirar a autonomia de fiscais, exigindo que as multas passem por uma reavaliação antes de efetivadas. Na prática, ficou mais difícil punir.

Sob a gestão Salles, o país bateu sucessivos recordes de desmatamento e queimadas, transformando em cinzas a imagem do país no exterior e trazendo prejuízos para o agronegócio, num mercado cada vez mais regido pelas boas práticas ambientais. Numa atuação caricata, Salles preferia demonizar as ONGs e questionar dados científicos que mostravam o avanço da devastação. Nas poucas vezes em que decidiu agir, foi nefasto. Quando o Centro-Oeste era consumido pelas chamas no ano passado, autorizou, no combate ao fogo, o uso de um produto químico criticado pelo próprio Ibama, devido aos danos ao meio ambiente.

O maior feito de Salles ficou gravado para a posteridade na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, quando exortou o governo a aproveitar o foco na pandemia para “passar a boiada” sobre normas ambientais. Assim foi feito em inúmeros casos, como na decisão que revogou a proteção a restingas e manguezais, absurdo que só não seguiu adiante porque o STF considerou o ato inconstitucional. Ao mesmo tempo, avançou na Câmara a legislação que enfraquece o licenciamento ambiental, sempre em nome de uma pretensa “facilidade” para fazer obras e estimular negócios.

Claro que a substituição de Salles por Leite pode ser um ponto de inflexão nesse desastre. Salles era, porém, apenas o executor da política ambiental ditada pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro de fato. Quando o então superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, entrou com notícia-crime contra Salles, acusando-o de atrapalhar as investigações sobre a maior apreensão de madeira da história, que fez Bolsonaro? Mandou exonerar o delegado, transferido para Volta Redonda. Franco Perazzoni, delegado federal que investiga contrabando de madeira, perdeu o cargo de chefia depois de empreender buscas contra Salles. O sinal do governo tem sido claro: não está do lado da lei. Como o ministro Marcelo Queiroga na Saúde, Leite terá o desafio de equilibrar uma balança sensível, em que um dos pratos já pende pesadamente para um lado, graças à mão de Bolsonaro

____________________ * Na reforma tributária, de novo, o governo distorce dados e fatos | Míriam Leitão

O ministro Paulo Guedes

A reforma tributária está sendo apresentada hoje para tentar afastar os olhos da CPI, evidentemente. Ela ainda não foi bem explicada, mas do anúncio feito no Congresso já se vê que o governo continua apresentando os fatos com várias discrepâncias em relação à realidade.

A promessa de Jair Bolsonaro durante a campanha foi elevar para cinco salários mínimos a faixa de isenção. Dois anos e meio depois de iniciado o governo, ele está elevando de R$ 1.903 para R$ 2.500. O ministro Paulo Guedes, como faz sempre, aumentou um pouco o número de mudança. Disse que dobrava o número de isentos, mas como disse a nota de Alvaro Gribel nesse blog, não chega a dobrar.
O que o ministro Guedes chama com nomes pomposos de “passaporte tributário” e “novo regime fiscal” é na verdade mais um Refis, ou seja, renegociação de dívidas tributárias. De novo, quem não pagou imposto terá vantagens sobre os pagadores.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que tudo bem a reforma ser “faseada”, porque a reforma da Previdência também foi. Não é verdade. A Reforma da Previdência dos trabalhadores e dos servidores civis foi apresentada num momento só. A única feita à parte foi a dos militares porque eles exigiram prepararem a sua própria “reforma” que na verdade foi um aumento de soldos.
O problema de a reforma tributária ser em pedaços é que cria muitas distorções e está sendo feita assim como um truque para atropelar a outra reforma que estava no Congresso, que unificava impostos sobre consumo, incluindo o ICMS. Isso foi posto de lado, com a ajuda de Lira, para o Ministério da Economia impor as suas propostas, do seu jeito. O CBS, que juntou Pis e Cofins, que está no Congresso eleva impostos, ao contrário do que afirma o governo.
O Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica cair é bom, e cobrar tributos sobre dividendos também. É preciso calcular se isso não aumentará a carga tributária no final das contas. É bom lembrar também que há um segundo imposto de renda sobre as empresas que é a Contribuição Social sobre Lucro Líquido. Paulo Guedes, de novo, afirmou que esse governo economizou R$ 400 bilhões com os juros da dívida. Deixou de dizer duas coisas: a maior parte da queda dos juros se deve à recessão provocada pela pandemia - que fez o BC jogar a Selic em 2% - e não por algum mérito do governo. Além disso, os juros já voltaram a subir.
Com esse governo, tudo que é dito precisa passar na peneira, porque na maioria das vezes não é bem assim.

____________________ * Mais de 100 entidades manifestam apoio a Talíria Petrone após interpelação de Arthur Lira | Ancelmo - O Globo

Leo Martins

Hoje, mais de 100 entidades e organizações sociais em defesa da liberdade de expressão e que apoiam os movimentos indígenas manifestaram apoio a deputada Talíria Petrone.

O movimento acontece após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, interpelar Talíria extrajudicialmente após ser chamado de racista.

O motivo foi a seguinte frase de Lira:"Na semana passada, só para ser fiel, existiram e chegaram aqui alguns representantes dos índios. Invadiram o Congresso Nacional, subiram ao teto das cúpulas e ficaram usando algum tipo de droga, fumando e dançando aqui em cima".

Organizações como MST, MTST, Apib, Terra de Direitos, MNU, Coalizão Negra Por Direitos, Instituto Marielle Franco, Uneafro e outros assinaram o manifesto.

Veja o manifesto na íntegra:

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, enviou uma interpelação extrajudicial à deputada Talíria Petrone demandando que a mesma responda acerca das motivações de sua fala em plenário denunciando o cunho racista das declarações do Presidente da Casa, sob pena de possíveis consequências jurídicas.

A deputada Talíria Petrone denunciou a fala racista de Arthur Lira, que classificou a ação dos indígenas como violenta, acusando-os de usar drogas, fumarem e “dançarem” na Câmara, além de afirmar que os mesmos invadiram a “casa do povo”. Tudo isso de maneira pejorativa, preconceituosa e desqualificante. É a expressão clássica do racismo e o etnocentrismo anti-indígena do país, que os trata como incivilizados, insolentes, desordeiros. Se não chamasse de racismo, chamaria de quê?

Pois bem, precisamos falar de racismo em um país que nunca foi capaz de superar a herança colonial e escravocrata, que o número de mortes violentas é também um retrato da desigualdade racial no país, em que 71,5% das pessoas assassinadas são negras ou pardas, com baixa escolaridade e não possuem o ensino fundamental concluído.

Numa fala em defesa dos povos indígenas em luta - em lutas pelas terras, contra as invasões, pela demarcação de terras indígenas, contra os ataques brutais do governo Bolsonaro – a deputada reforça o quanto o presidente da Câmara desqualifica, rebaixa e secundariza as lutas e a cultura de um povo, na intenção de desvalorizar os processos de resistência em curso.

Podemos falar de Lélia Gonzalez, Abdias Nascimento, Florestan Fernandes, Clóvis Moura, Aníbal Quijano para definir racismo, mas de modo geral o racismo acontece quando um grupo é subjugado por outro e é subjugado em toda sua expressão de vida: as suas crenças, a sua visão de mundo, as suas verdades. Quando o presidente da Câmara diz que os indígenas estão sendo violentos, qual a verdade que está sendo imposta? Quem é o violento? Quem luta pela vida e seus direitos ou quem retira terras, contra as demarcações, a favor das invasões de terras e pelo fim dos direitos conquistados com muita luta?

O racismo é tão violento que, ao desumanizar, desqualificar e hierarquizar povos e sujeitos, acaba por impor uma lógica de mundo e vida da classe dominante, no caso branca e burguesa, para o conjunto da sociedade. Isso se agrava diante da tentativa de calar uma deputada negra, socialista, feminista, mulher eleita para defender as pautas e os direitos do nosso povo. A tentativa de silenciamento é a mais evidente prova do racismo institucional.

Nós abaixo assinados, repudiamos qualquer tentativa de racismo e silenciamento das representantes do povo. Seguimos firmes na luta e na denúncia! Não nos calarão!

____________________ * Está pronta para ser julgada a ação de Xuxa contra Sikêra Jr e a Rede TV! | Ancelmo - O Globo

Por Nelson Lima Neto

A disputa entre Xuxa e Sikêra vem desde 2020

Esta semana, a 45ª Vara Cível de SP recebeu as manifestações da apresentadora e artista Xuxa Meneghel, do também apresentador Sikêra Jr. e da Rede TV! sobre a ação em que a artista cobra R$ 500 mil por danos morais, além de requisitar outras punições.

Xuxa reclama de uma declaração do jornalista em seu programa na Rede TV!, que foi ao ar em outubro de 2020. Nele, Sikêra Jr. diz que Xuxa quer “levar as crianças à travessura, prostituição e suruba” com seu novo livro por abordar a temática LGBTQIA+. Xuxa também cita outras ocasiões em que o jornalista teria atacado a sua honra.

Além de indenização, a apresentadora pede que o programa seja retirado do ar e a suspensão do seu registro como jornalista.

____________________ * Revitalização do Centro pode sufocar a Zona Sul, alerta Lindbergh Farias | Ancelmo - O Globo

Despenca  preço de metro quadrado do Centro do Rio

Vice-líder da bancada do PT na Câmara do Rio, o vereador Lindbergh Farias chamou a atenção para alguns pontos do programa Reviver Centro, aprovado esta semana pela Câmara.

Têm relação com a polêmica questão da operação interligada, que permite a empresários da construção civil erguerem novos empreendimentos em áreas mas adensadas e valorizadas da cidade, como a Zona Sul, caso invistam também no Centro da cidade.

“Serão 216 novos prédios em Leme, Copacabana e Ipanema. Acho um equívoco esta “troca”. Copacabana é o bairro mais adensado do Rio e agora permitiremos a construção de 147 novos prédios. Só na Av. Nossa Senhora de Copacabana serão mais 40 prédios”, alertou.

____________________ * OVNIs analisados pelo Pentágono podem ter origem extraterrestre, diz físico de Harvard

'Encontrar suas relíquias em nosso quintal nos economiza a longa viagem até seu ponto de origem', afirma Avi Loeb, chefe do Departamento de Astronomia da universidade americana em entrevista à Época
Objeto não identificado filmado pela Marinha em espaço aéreo norte-americano Foto: Reprodução
Objeto não identificado filmado pela Marinha em espaço aéreo norte-americano Foto: Reprodução

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RIO — As expectativas de entusiastas de explorações espaciais crescem conforme se aproxima a data da divulgação de um relatório do governo americano sobre OVNIs filmados no céu nos últimos anos. O jornal “The New York Times” adiantou a informação, no início de junho, de que o Pentágono não identificou uma origem extraterrestre para os fenômenos registrados, mas também não descarta totalmente a possibilidade. O que ficou claro é que, se os aparatos forem tecnológicos, então eles foram produzidos de forma que os Estados Unidos desconhecem.

Para o físico israelense-americano Avi Loeb, chefe do Departamento de Astronomia da Universidade Harvard e autor do livro “Extraterrestre”, publicado este ano pela editora Intrínseca no Brasil, a hipótese de que os OVNIs sejam naves alienígenas antigas deve ser considerada com seriedade.

Chefe do Departamento de Astronomia de Harvard e autor de livro comenta a possibilidade
Chefe do Departamento de Astronomia de Harvard e autor de livro comenta a possibilidade


— A maioria das estrelas se formou bilhões de anos antes do Sol e, portanto, civilizações tecnológicas anteriores à nossa tiveram a oportunidade de desenvolver equipamentos mais avançados do que nossas tecnologias centenárias — afirmou em entrevista à Época.

Loeb não descarta que a maioria dos equipamentos que teriam sido implantados no espaço por essas civilizações possa já não estar mais em operação.

— Encontrar essas relíquias em nosso quintal nos economiza a longa viagem até seu ponto de origem. Colocando nossas mãos em tais equipamentos e tentando reproduzi-los na Terra, podemos salvar muitos milênios de nosso próprio desenvolvimento tecnológico.

Para Época, Loeb disse que espera se engajar em um experimento científico para coletar dados abertos sobre OVNIs:

— É um momento oportuno para a comunidade científica dar uma olhada mais de perto nos OVNIs, coletando e analisando novos dados com os melhores instrumentos e computadores em uma configuração controlada. Os novos dados podem ser obtidos por dispositivos de medição com capacidades que excedem em muito os equipamentos que forneciam dados de OVNIs anteriores.

'Tecnologia extraterrestre'

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Apesar da divulgação de três vídeos, um de 2004 e outros dois de 2015, com imagens de OVNIs, Pentágono não endossa versão de que seriam de origem alienígena. Apenas os classificou como fenômenos aéreos não identificados, procurando dissociá-los da denominação mais popular - OVNIs (UFO em inglês). Reportagem do The New York Times, em 2017, já havia divulgado as imagens. Veja os vídeos
Apesar da divulgação de três vídeos, um de 2004 e outros dois de 2015, com imagens de OVNIs, Pentágono não endossa versão de que seriam de origem alienígena. Apenas os classificou como fenômenos aéreos não identificados, procurando dissociá-los da denominação mais popular - OVNIs (UFO em inglês). Reportagem do The New York Times, em 2017, já havia divulgado as imagens. Veja os vídeos

O empresário brasileiro Wanderley Abreu Junior, convidado para trabalhar na Nasa após hackear o sistema da agência espacial americana, também se mostrou otimista com a possibilidade de haver vida inteligente fora do planeta Terra ou de a tecnologia desenvolvida pelos humanos ser capaz de realizar viagens interplanetárias.

— Hoje eles dizem que é uma tecnologia desconhecida pelo país, que não é efetivamente americana. Isso é um grande passo para o reconhecimento de que existe mesmo uma tecnologia extraterrestre — disse.

Abreu Junior, CEO do StormGroup, considera que, mesmo se os fenômenos aéreos não identificados (UPA, na sigla em inglês) pelo Pentágono forem de um equipamento tecnológico de humanos, trata-se de uma nova possibilidade a ser implementada no espaço.

— Eles não podem dizer que não é algo extraterrestre, mas também não acharam nada dizendo que é, então não podem descartar que seja de outras nações ou de uma empresa privada — pondera o engenheiro.

 — Estamos muito próximos, talvez nos próximos 10 anos, de ter o reconhecimento formal de que há uma inteligência extraterrestre e de que pelo menos uma delas já nos visitou alguma vez. Pode até não ser extraterrestre. Neste caso, é ainda melhor, porque nós estaríamos próximos do lançamento de uma supertecnologia. Qualquer que seja a verdade, vai ser ótimo para a espécie humana. A não ser que a gente os irrite.

Criação alienígena

No livro “Extraterrestre”, Loeb analisa o que se sabe sobre o estranho objeto Oumuamua, observado em 2017, cuja origem é até hoje misteriosa. Para ele, devem-se levar em conta os indícios de ter sido uma criação alienígena, ainda que não esteja mais em funcionamento.

— Havia apenas quatro propostas para explicar as anomalias de Oumuamua além da minha. Todas sugeriram objetos que nunca havíamos visto antes. Portanto, argumento que devemos deixar em aberto a origem artificial até obtermos dados melhores — explica.

As propostas, segundo ele, envolvem um iceberg de hidrogênio (que evaporaria rapidamente ao longo de sua jornada antes de chegar ao Sistema Solar); um iceberg de nitrogênio (que requer muito mais matéria-prima de elementos pesados do que disponível nas estrelas da Via Láctea); um fragmento de interrupção de maré (que produziria um objeto alongado em vez de um objeto plano) ou um tufo de poeira que é cem vezes menos denso que o ar (que não manteria sua integridade quando aquecido por centenas de graus conforme se aproxima para o Sol).

Considerando os desafios que essas propostas enfrentam e o fato de contemplarem algo que nunca havíamos visto antes, a possibilidade de uma origem artificial deve ser levada em conta.

Por isso, Loeb defende que é preciso continuar monitorando o céu na busca por objetos semelhantes ao Oumuamua.

— Se um (objeto) for descoberto um ano antes de sua abordagem mais próxima, podemos enviar uma nave que interceptará sua trajetória e tirará uma foto em close dele — avalia.

— Um novo estudo científico que reproduz os avistamentos de OVNIs demonstraria o poder da ciência em responder a uma pergunta que é de grande interesse para o público: “a origem dos OVNIs é natural, humana ou extraterrestre?”

De acordo com Loeb, encontrar uma resposta conclusiva com base em dados abertos aumentará a confiança do público no conhecimento baseado em evidências.

— Caso contrário, o mistério de OVNIs ou fenômenos aéreos não identificados em torno da interpretação inconclusiva do relatório do Pentágono alimentaria especulações infundadas — ressalta.

— Um experimento científico decisivo promete esclarecer as dúvidas.

Procurado, o Pentágono não respondeu aos contatos da reportagem.

____________________ * E-mail, o novo front na guerra da Apple contra Google e Facebook

Novo recurso da dona do iPhone vai dar mais privacidade aos usuários ao ler suas mensagens, evitando coleta de dados pessoais
Tim Cook: privacidade dos usuários será protegida também nas mensagens de e-mail Foto: BROOKS KRAFT / AFP
Tim Cook: privacidade dos usuários será protegida também nas mensagens de e-mail Foto: BROOKS KRAFT / AFP

CUPERTINO, Califórnia - Exercer influência sobre nossa caixa de entrada de e-mails há muito tempo é privilégio do Google, cujo serviço Gmail tem relegado mensagens a guias chamadas "promoções" e "social" (uma espécie de purgatório entre o inferno de nossa pasta de spam e o paraíso da inbox principal) desde 2013. Agora, a Apple  está entrando em ação para competir com a gigante de buscas nesse setor.

Em sua conferência anual de desenvolvedores no início de junho, ela revelou ferramentas destinadas a dar aos usuários de seu aplicativo de e-mail maior controle sobre quais dados compartilhar. Mas, ao proteger o usuário, a Apple também está servindo aos seus próprios interesses.

A maioria dos boletins informativos ou e-mails de marketing que recebemos no e-mail incluem imagens que não estão incorporadas na mensagem, mas são hospedadas remotamente em outro servidor. Ao abrir o e-mail, o servidor envia um comando para fazer o download do gráfico.

Mas, ao fazer isso, ele também informa ao remetente a hora em que você abriu a mensagem, sua localização aproximada e o dispositivo que está usando, por exemplo. Marcas usam esses dados para avaliar a eficácia de seu conteúdo.

Veja a listas dos bilionários americanos que enriqueceram ainda mais este ano

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Mark Zuckerberg aumentou em US$ 8,1 bilhões sua fortuna somente nesta quinta-feira, com a força dos resultados do primeiro trimestre do Facebook. Foto: Stephen Lam / Reuters
Mark Zuckerberg aumentou em US$ 8,1 bilhões sua fortuna somente nesta quinta-feira, com a força dos resultados do primeiro trimestre do Facebook. Foto: Stephen Lam / Reuters
O fundador da Amazon, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, ficou US$ 11,7 bilhões mais rico este ano Foto: ALESSANDRO DI MARCO / ANSA
O fundador da Amazon, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, ficou US$ 11,7 bilhões mais rico este ano Foto: ALESSANDRO DI MARCO / ANSA
Larry Page, do Google, adicionou US$ 26,6 bilhões este ano depois que a empresa sediada na Califórnia registrou lucro recorde no ano passado Foto: Eduardo Munoz / Reuters
Larry Page, do Google, adicionou US$ 26,6 bilhões este ano depois que a empresa sediada na Califórnia registrou lucro recorde no ano passado Foto: Eduardo Munoz / Reuters
Elon Musk, cofundador da Tesla, teve a fortuna aumentada US$ 5,1 bilhões desde janeiro Foto: Bloomberg
Elon Musk, cofundador da Tesla, teve a fortuna aumentada US$ 5,1 bilhões desde janeiro Foto: Bloomberg
Bilionário do setor financeiro Warren Buffet também está na lista dos americanos que aumentaram suas riquezas este ano: ganho com ações Foto: AFP
Bilionário do setor financeiro Warren Buffet também está na lista dos americanos que aumentaram suas riquezas este ano: ganho com ações Foto: AFP

A Apple resolveu acabar com essa invasão de privacidade  com um recurso que chamou de “Proteção de Privacidade do E-mail”. A ferramenta irá baixar automaticamente os dados hospedados remotamente, quer você abra o e-mail ou não, enquanto ao mesmo tempo protege sua localização.

O remetente será, portanto, informado de que o e-mail foi aberto, mesmo que não tenha sido, e não receberá mais informações sobre o destinatário.

De olho nas mensagens

O recurso também posiciona a Apple como um espécie de guardião para sua caixa de entrada de e-mails. Isso é significativo: cerca de metade de todos os e-mails hoje são abertos em aplicativos da Apple, estima a empresa de análise Litmus Software, de Cambridge, Massachusetts.

Usar o recurso privativo, por outro lado, prejudicará os anunciantes e editores de boletins informativos que dependem desses dados. E acirra a batalha da Apple com a indústria de tecnologia de publicidade on-line, um mercado dominado por Google, Facebook e Amazon.

As iniciativas anteriores do CEO da Apple, Tim Cook, para impedir que os anunciantes rastreiem a navegação na web e o uso de aplicativos se mostraram eficazes: os gastos com anúncios no iOS aumentaram apenas 10% nas dez semanas desde 22 de março, enquanto aumentaram 21% no Android do Google, de acordo com dados da empresa de marketing Warc.

Preservando a venda de dispositivos

Mas a medida também posiciona a Apple de forma mais poderosa como a porta de entrada para anunciar em iPhones.

“Eles estão focando muito na privacidade, mas a Apple está interessada no mercado de publicidade e já ganha muito dinheiro lá”, disse Andy Yen, CEO do provedor de e-mail criptografado Proton Technologies.

As iniciativas de privacidade atendem ao lado dos usuários. Mas elas também ajudam a proteger o negócio de hardware de US$ 220 bilhões da Apple contra as incursões de seus rivais.

Enquanto a Apple ganha a maior parte de seu dinheiro com dispositivos, o Google e o Facebook ganham a maior parte de sua receita vendendo anúncios com base nos dados que coletam sobre os hábitos e interesses de seus usuários. Isso significa que eles podem vender smartphones, alto-falantes inteligentes ou fones de ouvido de realidade virtual a  preços mais baratos, porque o custo é subsidiado pelo valor dos usuários como público-alvo de um anúncio.

Em resumo, nossos e-mail são o mais novo front de uma guerra muito maior.

____________________ * Justiça sentencia policial que matou George Floyd a 22 anos e meio de prisão nos EUA

Promotoria afirmou que ações de Derek Chauvin 'traumatizaram a sociedade'; caso foi o estopim para um dos maiores movimentos pelos direitos civis da história dos EUA

O Globo e agências internacionais
25/06/2021 - 16:55 / Atualizado em 25/06/2021 - 17:38
Juiz Peter Cahill durante a sessão de determinação da pena do ex-policial Derek Chauvin , condenado pela morte do homem negro George Floyd, em maio de 2020 Foto: POOL / Pool via REUTERS
Juiz Peter Cahill durante a sessão de determinação da pena do ex-policial Derek Chauvin , condenado pela morte do homem negro George Floyd, em maio de 2020 Foto: POOL / Pool via REUTERS

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MINNEAPOLIS, EUA — Treze meses depois da morte de George Floyd, um incidente gravado em câmeras de celulares e que serviu de estopim para uma das maiores ondas de protesto contra o racismo estrutural nos EUA, o policial Derek Chauvin, considerado culpado em três acusações relacionadas ao caso, foi sentenciado a 22 anos e meio de prisão por um tribunal de Minneapolis.

Ao pronunciar sua decisão, já considerada "insuficiente" por alguns analistas que defendiam a pena máxima, o juiz Peter Cahill declarou que ela foi tomada com base em fatos.

— Não baseio minha sentença na opinião pública ou tento através dela mandar uma mensagem. O trabalho de um juiz é aplicar as leis com base nos fatos e lidar com casos individuais — afirmou, antes de anunciar a pena do ex-policial. Pelas leis locais, ele poderá deixar a prisão daqui a 15 anos, quando passará por um período de liberdade condicional. A decisão também veta o acesso a armas de fogo ou explosivos pelo resto de sua vida.

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Chauvin é o policial branco que colocou o joelho sobre o pescoço de Floyd, um homem negro, por cerca de nove minutos, e em abril um júri o considerou culpado por homicídio em segundo e terceiro graus e por homicídio culposo em segundo grau. Durante o processo, ele se declarou inocente, mas os jurados apontaram que havia provas suficientes contra o ex-policial.

Na primeira acusação, de homicídio em segundo grau, o que se considerou é que Chauvin causou, de forma não intencional, a morte de Floyd enquanto cometia outro crime, a agressão. No caso do homicídio em terceiro grau, que o ex-policial matou Floyd ao tomar uma atitude perigosa e que colocou sua vida em risco. No último, homicídio culposo em segundo grau, que Chauvin, ao ser imprudente, assumiu o risco de matar Floyd. Ele se declarou inocente de todas as acusações no início do julgamento.

Ao pedir uma pena de 30 anos de prisão (o máximo pela legislação local é de 40 anos), a promotoria declarou que ela “refletiria o profundo impacto que a conduta do réu teve sobre a vítima, a família da vítima e a comunidade”, apontando ainda que o Chauvin “assassinou brutalmente o sr. Floyd, abusando da autoridade conferida por sua insígnia”.

“Suas ações traumatizaram a comunidade. Sua conduta chocou a consciência da nação”, disseram os promotores. nas declarações prévias. Durante a sessão, o promotor assistente, Matthew Frank, declarou que especialmente em meio à pandemia do novo coronavírus, que deixou muitas famílias em luto, eles precisaram lidar com outro tipo de sofrimento, a morte de Floyd sob custódia da polícia. Ao lembrar fatores agravantes apresentados ao longo do julgamento, ele pediu que o juiz aplicasse a maior pena prevista pela lei estadual.

— Esse não foi um caso apenas sobre policiais, todos os policiais. Não foi sobre policiamento. Foi sobre Derek Chauvin desconsiderar todo o treinamento que recebeu e atacar o sr. Floyd e o sufocar até a morte — declarou.

Antes do anúncio, pessoas da família de Floyd fizeram declarações, como sua filha, Gianna Ford, que disse em vídeo sentir saudades do pai, e que queria saber o motivo de alguém "tê-lo machucado". O sobrinho dele, Brandon Williams, pontuou o impacto provocado por Chauvin na família, que não terá mais Floyd em seu convívio, afirmando que estarão "quebrados" para sempre, defendendo ainda que a pena máxima fosse decretada. O irmão, Terrence Floyd, em uma fala emocionada, disse que buscava saber de Chauvin os motivos para que ele tivesse feito o que fez. Seu outro irmão, Philonise, lembrou da repetição constante da imagem da morte de Floyd no julgamento, e que "todos os dias implorou para que a justiça fosse feita".

Com a decisão, o advogado da família, Ben Crump, declarou que esse foi um "passo histórico" para os EUA.

"A sentença histórica leva a família Floyd e nossa nação um passo mais perto da reconciliação ao permitir virar essa página e apontar responsabilidades", publicou no Twitter. Mas muitos ativistas negros declararam que a pena de 22 anos e meio, além da possibilidade de que o ex-policial seja libertado em 15 anos, como insuficiente.

— Não vamos ver aqui razões para comemorar, a justiça teria sido feita se George Floyd não tivesse sido morto — declarou o reverendo Al Sharpton, um dos principais nomes na luta pelos direitos civis no país. O promotor-geral do estado, Keith Ellison, disse que, apesar da sentença "não ser suficiente", ele mantém a esperança de que ela ajude o país a "andar adiante na estrada da justiça".

Já o presidente Joe Biden apontou a jornalistas na Casa Branca que a pena "parecia ser apropriada", mas reconheceu não conhecer os detalhes da decisão.

'Razões legais'

A defesa de Chauvin apostava em pedido de leniência, com a concessão de liberdade condicional e o desconto do período de prisão preventiva sobre o total da pena. Em meio a declarações sobre a saúde do ex-policial, demitido dias depois do caso, o advogado Eric Nelson afirmou que ele seria “um alvo” na prisão, e que já estava isolado dos demais detentos para evitar ataques. Ao mesmo tempo em que a defesa afirma que Chauvin é o produto de um “sistema rachado”, referência a uma suposta cultura de violência nas forças de segurança, ela não aponta qualquer sinal de remorso sobre a morte de Floyd.

“O sr. Chauvin não estava ciente de que cometia um crime. Na realidade, em sua mente, estava apenas realizando seu dever legal de apoiar outros agentes na prisão de George Floyd”, disse a defesa, em suas declarações prévias à Corte.

Durante a sessão, Chauvin afirmou que não poderia fazer uma declaração "por razões legais". Ele prestou condolências à família Floyd e disse, sem elaborar, que novas informações seriam reveladas no futuro e esperava que isso lhes desse alguma "paz de espírito". A fala durou cerca de um minuto.

Antes, sua mãe, Carolyn Pawlenty, rejeitou as acusações de que o filho seria racista ou violento, o descrevendo como um "bom homem" e dedicado a proteger a sociedade, pontuando que, quando ele for libertado, "nem ela nem seu pai" devem estar vivos. Seu advogado, Eric Nelson, tentou mostrar o lado humano do ex-policial, e declarar que ele era um excelente profissional, sem violações prévias da lei.

'Não consigo respirar'

No dia 25 de maio de 2020, agentes foram chamados para atender uma denúncia sobre o suposto uso, por Floyd, de uma nota de US$ 20 para comprar cigarros. Mesmo algemado, ele foi jogado no asfalto e Chauvin o imobilizou colocando o joelho sobre seu pescoço, uma manobra que, segundo responsáveis pelo programa de treinamento da polícia de Minneapolis ouvidos no julgamento, não fazia parte das ações da corporação, e desrespeita as normas éticas e as normas da polícia local.

cena foi filmada por cidadãos e transmitida ao vivo em redes sociais, mostrando a agonia de Floyd dizendo que não conseguia respirar. Cerca de nove minutos depois, ele estava inconsciente. Dois paramédicos disseram, também durante o julgamento, que o encontraram sem sinais de vida, e que as tentativas de reanimação não tiveram sucesso.

Além de Chauvin, outros três policiais que participaram da ação, Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, serão julgados em agosto.

A morte de George Floyd se tornou o símbolo de um movimento que ganhou corpo ao longo de 2020 para colocar em xeque a cultura de racismo sistêmico dentro das instituições dos EUA e a violência policial contra negros e minorias no país.

Os protestos rapidamente ganharam as ruas das maiores cidades dos Estados Unidos e de outros países, levando a mudanças por parte de alguns governos e uma reação por vezes violenta de grupos ligados à extrema direita, incluindo apoiadores do ex-presidente Trump. Os atos ainda impactaram a campanha presidencial do ano passado, com Trump adotando uma postura crítica aos atos e convocando a Guarda Nacional para as ruas em resposta ao que chamou de “anarquia”, e Biden se aproximando de lideranças do movimento negro e prestando solidariedade às famílias das vítimas.

Estátuas vandalizadas

Horas antes da decisão judicial, uma estátua em homenagem a George Floyd, inaugurada há poucos dias em Nova York, foi vandalizada por neonazistas. Eles pintaram o nome do grupo com tinta preta, e o caso já está sendo investigado como um possível crime racista pela polícia local. Um vídeo divulgado pelas autoridades mostra quatro indivíduos pintando a estátua com spray em uma região do Brooklyn.

"Vou ser absolutamente claro com o grupo neonazista que fez isso: saia do nosso estado!", tuitou o governador de Nova York, Andrew Cuomo. O prefeito da cidade, Bill de Blasio, prometeu “levar esses covardes à Justiça". Horas antes, uma outra estátua em homenagem a Floyd, em Newark, no estado de Nova Jersey, também foi vandalizada aparentemente por pessoas ligadas ao grupo neonazista.

____________________ * Vídeo de moradora registra instantes antes de desabamento em Miami

Tragédia ocorreu durante a madrugada e uma morte foi confirmada
Câmera de segurança mostrar instantes antes de desabamento em Miami Foto: Reprodução/Twitter
Câmera de segurança mostrar instantes antes de desabamento em Miami Foto: Reprodução/Twitter

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MIAMI, EUA — A câmera de segurança de um dos apartamentos do prédio que desabou parcialmente em Miami, nos Estados Unidos, registrou momentos que antecederam o acidente. O vídeo foi captado pouco antes do sistema parar de funcionar e mostra a queda de bastante entulho da estrutura que estava desmoronando. É possível ouvir ainda um barulho alto da construção rachando e logo depois a casa tomba para o lado esquerdo. As imagens foram publicadas por Rosie Santana no Twitter. Ela contou que não estava em casa no momento da tragédia.

Mais de 80 equipes de resgate estão no local. Até o momento, a polícia confirmou a morte de uma mulher. Ao todo, 35 pessoas que estavam presas na parte do prédio que resistiu foram resgatadas sem ferimentos. Dez pessoas ficaram feridas e foram tratadas no local. Outras duas precisaram ser transferidas para hospitais. De acordo com a polícia, há 99 desaparecidos.

O desabamento ocorreu por volta de 2h no horário local (3h no horário de Brasília). O prefeito de Surfside, Charles Burkett , informou que o edifício havia iniciado o processo para renovar a licença de construção e o telhado estava sendo refeito, mas não é possível estabelecer no momento alguma relação entre a obra e o desastre.

Segundo Burkett, as famílias que conseguiram sair do prédio sozinhas foram levadas para um centro comunitário. Ele acrescentou ainda que agentes da Cruz Vermelha estão trabalhando para encaminhar o grupo para hotéis da região.

— Tínhamos cães farejadores atuando de madrugada, procurando sobreviventes nos escombros, mas era tão perigoso e tão escuro que eles passaram apenas uma única vez, sem sucesso. O problema é que o prédio literalmente ruiu. Ele caiu. É de partir o coração. Não sei se teremos o sucesso que gostaríamos para encontrar pessoas vivas — ressaltou durante entrevista coletiva.

O prédio faz parte do condomínio Champlain Towers South, que terminou de ser construído em 1981, tem mais de 100 apartamentos e está localizado na Avenida Collins, na vila de Surfside. Unidades de um a quatro quartos têm preços que variam de US$ 600 mil a US$ 700 mil, até R$ 3,5 milhões na cotação atual do câmbio.

Casa Branca envia ajuda

O presidente Joe Biden entrou em contato por telefone com a prefeita do distrito de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, e ofereceu apoio e recursos da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA, na sigla em inglês) para o caso.

"Nossos sentimentos aos familiares e amigos que perderam seu entes queridos neste terrível acidente, bem como para as famílias que aguardam com angústia pelo trabalho das equipes de salvamento e resgate", informa o comunicado da Casa Branca.

Durante uma entrevista coletiva ainda pela manhã, o governador da Flórida, Ron DeSantis,ressaltou que o rápido trabalho das equipes de primeiros socorros salvou vidas, mas lamentou que o governo estava se "preparando para algumas más notícias, dada a destruição que estamos vendo".

Tempestade pode atrapalhar buscas

A previsão do tempo não é favorável ao trabalho de buscas por vítimas do desabamento. Há possibilidade de chuva forte na região, principalmente a partir da tarde, e autoridades já avisaram que podem ser obrigadas a suspender a ação no local por conta do mau tempo.

____________________ * Dispositivos Amazon para tornar sua vida mais prática

Amazon trouxe para o mercado dispositivos eletrônicos que tornam o cotidiano mais prático. O que antes era uma fantasia cinematográfica de casa do futuro hoje é realidade.

No texto de hoje, trouxemos algumas ofertas de dispositivos da Amazon. Assinantes Prime ganham frete grátis nessas compras. Saiba mais sobre o programa de assinaturas da Amazon aqui.

Dispositivos Echo

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____________________ * Discovery Plus: Streaming chega ao Brasil em setembro e deve trazer mais de 40 obras originais - Gizmodo Brasil

por
Discovery +
Imagem: Discovery

Discovery anunciou que o Discovery Plus, novo serviço de streaming, chegará em setembro ao Brasil.

Será mais um “plus” de assinatura de entretenimento que vai competir contra gigantes que estão no país como NetflixAmazon Prime VideoParamount PlusDisney PlusGloboplay e HBO Max (que chega na América Latina em 29 de junho).

A plataforma reunirá diversos canais que compõem a Discovery Inc. como Discovery Channel, Discovery Kids, Discovery Home and Health, Discovery Turbo, Discovery Science, TLC, Food Network, Animal Planet, ID e HGTV.

Recentemente, a AT&T anunciou a fusão da Discovery Inc. e a Warner Media em um novo conglomerado chamado de Warner Bros. Discovery.

O conteúdo da Warner Media – como filmes da DC e Harry Potter – são carro-chefe da HBO Max, que tinha empresa mãe a AT&T. Ainda não se sabe o efeito prático e como irão operar as duas plataformas no ar simultaneamente.

Mais conteúdo por vir

Fernando Medin, presidente da Discovery na América Latina, disse em comunicado à imprensa que a equipe de produção está trabalhando com produtoras locais e globais em mais de 40 títulos para estrear até o final de 2022, e está desenvolvendo mais de 150 programas.

“Estes títulos complementam a incrível oferta de conteúdos criados para o Discovery+ nos Estados Unidos e no mercado internacional, que inclui mais de 200 novos títulos originais com estreia prevista para 2021, e muito mais pela frente”, disse.

[Via LABS]

____________________ * Quase um Xbox: Microsoft quer que Windows 11 seja um console no PC - Gizmodo Brasil

por
publicado em
24 de junho de 2021 @ 19:43

No evento de anúncio do Windows 11, a Microsoft mostrou como ela quer tratar os PCs como um Xbox. A observação foi feita pelo pessoal do Kotaku, que lembrou que os dois principais destaques dos Xbox Series X e S (loading mais rápido e HDR automático) também apareceram no anúncio do Windows 11 — além do Game Pass, o carro-chefe de assinaturas da Microsoft.

Game Pass terá sua própria interface integrada ao Windows 11. Os assinantes da versão para PC terão acesso a todos os seus jogos para download ou streaming, além de acesso rápido ao Xbox marketplace para comprar jogos.

A Microsoft mostrou o HDR automático em The Elder Scrolls V: Skyrim (game desenvolvido pela Bethesda, que foi comprada pela Microsoft). As capturas de tela fazem um trabalho razoável de demonstrar a diferença que as cores de alta faixa dinâmica fazem em um ambiente de jogo.

Windows 11

A Microsoft também anunciou que a interface de programação de aplicativos, originalmente projetada para a Xbox Velocity Architecture, chegaria ao PC em setembro passado. Os computadores com hardware compatível, que têm drives SSD super-rápidos, poderão desfrutar de jogos com carregamento mais curto graças às taxas de transferência de dados rápidas.

É importante lembrar que muito do material técnico depende do hardware. Não espere que o Windows 11 funcione mais rápido se você ainda tiver um HD antigo.

____________________ * NASA ainda não sabe o que causou apagão no telescópio Hubble e luta para reativá-lo - Gizmodo Brasil

por
Imagem: NASA/Smithsonian Institution/Lockheed Corporation
Imagem: NASA/Smithsonian Institution/Lockheed Corporation

Um computador defeituoso da década de 1980 está causando dores de cabeça para uma equipe de operações da NASA que luta para colocar o Telescópio Espacial Hubble novamente online.

O problema começou em 13 de junho, quando a máquina de carga útil do Hubble, que controla e coordena os instrumentos científicos da espaçonave em órbita, parou de funcionar. O computador principal entrou em ação colocando todos os instrumentos científicos em modo de segurança, e tem sido assim desde então. Até o momento, todas as tentativas de reiniciar o telescópio falharam.

Um módulo de memória degradado teria provocado a falha de comunicação. Contudo, segundo a NASA explicou na última terça-feira (22), “uma parte diferente do hardware do computador pode ter causado o problema, sendo os erros de memória apenas um sintoma”. A agência agora considera o hardware de Interface Padrão (STINT) uma possível fonte da anomalia. O STINT fornece um link de comunicação para o Módulo de Processamento Central (CPM) do computador de carga útil e outros dispositivos, e o problema também pode ter a ver com o próprio CPM.

“A equipe de operações do Hubble trabalha para coletar todos os dados disponíveis para isolar o problema e determinar o melhor caminho a seguir para trazer o computador de volta às operações”, explicou um porta-voz da NASA em comunicado por e-mail. Contudo, o representante da agência espacial destacou que ainda não há um cronograma definitivo para trazer o dispositivo de volta online.

Se o problema atual persistir, a equipe pode mudar para o hardware STINT e CPM no computador de carga útil de backup. Se isso acontecer, “vários dias serão necessários para avaliar o desempenho do computador e restaurar as operações científicas normais”. Ligar o dispositivo de backup pode ser um movimento arriscado, uma vez que o aparelho não liga desde a sua instalação em 2009.

Um velho de guerra

Lançado em 1990, o telescópio espacial Hubble impactou todos os campos da astronomia. No entanto, o telescópio de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,28 bilhões na conversão direta) está começando a mostrar sua idade. O computador com carga útil que está com defeito é um substituto do módulo original. E embora essa substituição tenha acontecido em 2009, os componentes usados datam da década de 1980.

Apesar da preocupação de astrônomos e cientistas terrestres, o Hubble deve permanecer em operação. Atualmente, instrumentos científicos funcionam em modo de segurança. Mas o telescópio de 2,4 metros continua de olho para o cosmos seguindo um cronograma pré-definido. Paul Hertz, diretor de astrofísica da NASA, disse que “a razão de fazermos isso é para que o telescópio continue mudando sua orientação em relação ao sol da maneira que havíamos planejado, e isso mantém sua estabilidade térmica”.

O Hubble é um sobrevivente e tem superado problemas técnicos de forma consistente. O telescópio pode estar envelhecendo, mas espera-se que ele dure até 2030.

____________________ * Emissoras bolsonaristas e suas tentativas em escamotear fatos: caçada a Lázaro, a manobra da vez - Cristiano Lima

Por Cristiano Lima

O cenário brasileiro, de uma forma geral, tem tido como pano de fundo os desmandos e mandos de um presidente que se propôs em uma aliança com um dos maiores inimigos do mundo: o novo coronavírus, o que já não é nenhuma novidade, ao contrário, é uma verdade que a todo instante adquire mais fundamentação através de suas atitudes inegavelmente negacionistas.

Nessas últimas semanas a CPI da Pandemia, que investiga as atitudes de Jair Messias Bolsonaro, frente a pandemia tem apresentado fatos que cada vez mais comprovam o compromisso de Bolsonaro e seus pares com uma política antivida. A cada depoimento soma-se mais uma descoberta, o que tem provocado mais desgaste e impopularidade ao governo genocida.

Bolsonaro, cego por popularidade, ainda empurrou ao Brasil, através de uma solicitação da Conmebol, a realização da Copa América, após a recusa, que diga-se de passagem, responsável da Argentina e Colômbia. Porém a utilização da Copa América, como manobra para desviar a atenção popular de seu desastroso governo não teve o resultado esperado, pelo contrário, a rejeição popular diante ao torneio é coerente ao momento que vivemos, e ainda, o esperado, infelizmente aconteceu: já são dezenas de infectados entre comissão técnica, jogadores e trabalhadores do evento.

Enquanto isso, a CPI da pandemia avança sobre Bolsonaro, que acuado, ataca e distribui xingamentos à imprensa. Porém, quando falamos em imprensa atacada, não podemos, aqui, incluir o conglomerado de emissoras pró-governo: SBT, Record, Rede TV e Band, que vêm de forma descarada escamoteando, há tempos, os desastres de seu padrinho, ainda, presidente do Brasil, o genocida, Bolsonaro.

Um fato tomou a grade destas emissoras nas últimas semanas, e não foram notícias da CPI da Pandemia ou o aumento do número de casos e mortes, nem tão pouco o fracasso da motociata pró Bolsonaro. Pois bem, na semana em que o ex-Juiz, parcial, Sérgio Moro foi considerado suspeito em processos contra Lula, por 7 votos a 4 no STF, e que Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado inocente em 11 acusações, na semana em que é investigada a negociação, superfaturada, de uma vacina que não foi utilizada no Brasil, o contrato de compra foi fechado pelo Ministério da Saúde em 25 de fevereiro. Envolvia a aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin, com entregas em cinco lotes a partir de meados de março, e ainda, na mesma semana em que o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, alvo de investigações, pede demissão, este conglomerado de emissoras pró-governo, limita-se destacar em sua grade a cobertura do caso de Lázaro Barbosa, um assassino que está foragido depois de praticar crimes no interior de Goiás.

É inegável o histórico de algumas dessas emissoras com o sensacionalismo, porém a abordagem em telejornais locais, em Estados que estão a quilômetros de distância do fato da notícia, em dias consecutivos, ignorando qualquer outra notícia é escancaradamente claro o compromisso em tentar desviar a atenção da massa popular de determinados fatos. Lázaro, um assassino, já diagnosticado como psicopata, ou descrito por alguns apresentadores como possuidor de poderes ocultos vem sendo esticado pelas 4 extremidades a fim de ser transformado em cortina, seria a manobra da vez?

É claro que a captura de um assassino, é essencial para a segurança dos moradores daquela região, isso é irrefutável. Porém o movimento feito por estas emissoras já se tornou desconfortável aos olhos humanos. A caçada a Lázaro está sendo transformada em um reality dos horrores, contando, até mesmo, com a absurda realização de enquetes, como no caso da rede Record TV, insensível às vítimas e seus familiares.

____________________ * Por que votamos em Hitler, digo Bolsonaro - Mauro Nadvorny

Por Mauro Nadvorny

Existem muitas razões para explicar como Bolsonaro chegou ao poder. Afinal de contas o Brasil tinha experimentado um crescimento econômico, saído do mapa da fome, estava livre de dívidas internacionais, emprestava dinheiro ao FMI, o petróleo descoberto no Pré-Sal garantia saúde e educação para as próximas gerações, havia pleno emprego e milhões de brasileiros ascendiam socialmente. 

Em primeiro lugar, os brasileiros tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva dos corruptos cujas políticas forjaram uma crise econômica. Buscava-se um novo rosto. Um antipolítico promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Bolsonaro ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Bolsonaro sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Bolsonaro usava um linguajar simples, espalhava fake-news e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Ele era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada fala era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. 

Em terceiro lugar, muitos brasileiros sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Bolsonaro prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que estavam em voga com as mulheres se tornando cada vez mais independentes e a comunidade LGBT ganhando visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Bolsonaro eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, subverter a ordem para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Bolsonaro fazer declarações ultrajantes – como a de que negros deveriam ter seu peso medido em arrobas e gays deveriam ser mortos - muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos brasileiros que tinham amigos gays ou negros votaram em Bolsonaro, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Bolsonaro poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Bolsonaro ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas, seu bode expiatório favorito. Os brasileiros "verdadeiros" não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: "Brasil acima de tudo", "O Trabalho Liberta", "Um povo, uma nação, um líder."

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Bolsonaro porque ele prometeu -- e implementou -- um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiou grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Bolsonaro.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 2018, falar contra Bolsonaro tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que o apoiavam, ameaçavam verbalmente os oponentes.  Muitos brasileiros que não apoiavam o então candidato preferiam ficar calados para evitar problemas com os bolsonaristas.

Três anos depois, com mais de 500 mil mortos pela Covid-19,  muitos brasileiros que votaram em Bolsonaro disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao Brasil. “Se soubesse que ele trataria a pandemia desta maneira, eu nunca teria votado nele ”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Bolsonaro falou publicamente que era preciso matar uns 30 mil antes da campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, respondeu minha avó, cujo irmão morreu de Covid.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os brasileiros caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas do país. Diferentemente do que se sabe hoje em dia, Bolsonaro não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade brasileira.

Bolsonaro não chegou ao poder porque todos os brasileiros eram bolsonaristas ou homofóbicos, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os brasileiros porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do bolsonarismo estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

Este artigo é um "plágio" de uma publicação do El País de outubro de 2018, assinada por Oliver Stuenkel, intitulada "Por que votamos em Hitler". Eu apenas fiz a adaptação com a intenção de trazer ao nosso cenário atual que dispensa maiores explicações.

Recomendo muito a leitura do artigo original.

____________________ * Por que votamos em Hitler ______________________________ Por que a ALEMANHA, o país com um dos MELHORES sistemas de EDUCAÇÃO PÚBLICA __________________ e a maior CONCENTRAÇÃO de DOUTORES do MUNDO na ÉPOCA, SUCUMBIU a um CHARLATÃO fascista?

GETTY IMAGES

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. Como escreveu em seu livro "Minha Luta":

Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular (...), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (...) A arte da propaganda consiste precisamente em poder despertar a imaginação do público através de um apelo aos seus sentimentos.

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas. Os judeus - que representavam menos de 1% da população total - eram o bode expiatório favorito. Os alemães "verdadeiros" não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: "Alemanha acima de tudo", "Renascimento da Alemanha", "Um povo, uma nação, um líder."

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prometeu -- e implementou -- um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Hitler.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos alemães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evitar problemas com os nazistas.

Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu nunca teria votado nele ”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou publicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

____________________ * Bolsonaro está tentando de tudo para abafar escândalo da Covaxin, escreve Bernardo Mello Franco

"O covidão sobe a rampa do Planalto", escreve o colunista do Globo

Tribunal de Contas da União (TCU)
Tribunal de Contas da União (TCU) (Foto: ABr | Reprodução)

247 - "O bolsonarismo queria usar a CPI da Covid para investigar governadores e prefeitos de oposição. Agora o presidente ganhou um escândalo bilionário para chamar de seu", escreve o jornalista Bernardo Mello Franco em sua coluna no Globo.

"O rolo da Covaxin já exibia potencial para comprometer o Ministério da Saúde. Sob gestão militar, a pasta contratou a vacina indiana em tempo recorde. Aceitou pagar R$ 80 por dose, valor mais alto entre todos os imunizantes comprados pelo país".

"A negociação ainda envolveu um atravessador sob suspeita, a Precisa Medicamentos. Em 2018, sócios da empresa aplicaram um calote no ministério. Venderam por R$ 20 milhões remédios que nunca foram entregues".

Mello Franco considera que o destempero do governo mostra a preocupação com o caso e que "Bolsonaro está tentando de tudo para abafar o assunto".

____________________ * 'MORO é a MAIOR AMEAÇA à DEMOCRACIA brasileira desde a DITADURA', diz Glenn Greenwald

Jornalista responsável pela "Vaza Jato" definiu Sergio Moro como "mais do que um juiz corrupto". Moro foi declarado pelo STF em definitivo como parcial e suspeito em processos contra o ex-presidente Lula

Glenn Greenwald e Sergio Moro
Glenn Greenwald e Sergio Moro (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado | Lula Marques)

247 - O jornalista Glenn Greenwald, responsável pela série de reportagens intitulada "Vaza Jato", que teve origem nas mensagens obtidas pelo hacker Walter Delgatti Netto a partir de celulares de integrantes da Lava Jato de Curitiba, comentou nesta quinta-feira (24) pelo Twitter o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos processos contra o ex-presidente Lula.

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O ex-juiz foi definitivamente declarado suspeito e parcial em sua atuação em processos que envolviam o petista na Lava Jato. Para Greenwald, "Moro é mais do que um juiz corrupto".

"Não é hiperbólico dizer que o ex-ministro de Bolsonaro representa a maior ameaça à democracia brasileira desde o fim da ditadura", completou o jornalista.

____________________ * Felipe Neto sobre pesquisa que indica Lula vencendo no 1º turno: "se as eleições fossem hoje, a surra seria histórica"

"Maior pânico do Bolsonaro é ele tomar uma surra tão grande que nenhum argumento do mundo sustentaria sua tese de fraude”, declarou o youtuber Felipe Neto ao comentar a pesquisa Ipec que aponta o petista vencendo já no primeiro turno das eleições de 2022

Felipe Neto,  Lula e Bolsonaro
Felipe Neto, Lula e Bolsonaro (Foto: Divulgação | Ricardo Stuckert | Reuters)

247 - O youtuber Felipe Neto comentou em suas redes sociais nesta sexta-feira (25) sobre  a pesquisa Ipec que aponta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencendo já no primeiro turno das eleições de 2022, numa disputa contra Jair Bolsonaro. 

“O maior pânico de Bolsonaro é ele tomar uma surra tão grande que nenhum argumento do mundo sustenta sua tese de ‘fraude’. Se as eleições fossem hoje, a surra seria histórica”, disse o youtuber. 

Saiba mais 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida para a sucessão presidencial do ano que vem, com 49% das intenções de voto, 26 pontos percentuais à frente de Jair Bolsonaro, que tem apenas 23%, aponta o Ipec em sua primeira pesquisa. 

Lula tem 11 pontos percentuais a mais do que a soma de seus possíveis adversários, e venceria o pleito em primeiro turno, caso as eleições fossem hoje. 

O pedetista Ciro Gomes (PDT) tem 7%, empatado tecnicamente com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 5%. Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, aparece com 3%. Brancos e nulos somam 10%, e eleitores que não sabem ou não respondem, 3%. A margem de erro é de dois pontos. 

No Nordeste, Lula ganha disparado com um elevado índice de intenção de voto (63%), contra 15% de Bolsonaro. 

____________________ * Burger King lança campanha sobre diversidade e sofre ataques de bolsonaristas

Rede lançou uma campanha sobre a importância da diversidade e bolsonaristas subiram a #BurgerKing lixo para promover boicote ao consumo

(Foto: Reprodução)

247 - A rede internacional Burger King lançou uma campanha sobre a importância da diversidade e bolsonaristas subiram a #BurgerKing lixo nos assuntos mais comentados do Twitter para promover boicote ao consumo dos lanches. 

Por outro lado, diversos internautas elogiaram a peça publicitária e rechaçaram os ataques homofóbicos. 

____________________ *“A aposta nos antidepressivos foi muito boa para a indústria, mas tornou a vida das pessoas bem ruim”, diz Sidarta Ribeiro

Neurocientista condenou a prescrição em massa de remédios antidepressivos. Ele explicou que os estudos que embasam o consenso médico podem ser questionados em diversos níveis e defendeu o uso de tratamentos alternativos que tenham ênfase terapêutica. “A substância é poderosa, mas o mais importante é o vínculo, é a questão humana, é o contato, a terapia…”. Assista sua entrevista à TV 247

Sidarta Ribeiro
Sidarta Ribeiro (Foto: ABr | Cícero Oliveira/UFRN)

247 - O neurocientista Sidarta Ribeiro, em entrevista à TV 247, condenou o uso de medicamentos antidepressivos, utilizados em massa pela população brasileira. Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o Brasil como o País mais deprimido da América Latina. Além disso, entre 2014 e 2018, o uso de antidepressivos cresceu 23%.

Segundo Sidarta, esses medicamentos possuem eficácia baixa para justificar seu uso em escala tão elevada. Citando uma metanálise da revista científica The Lancet de diversos antidepressivos, ele afirmou que a eficácia de boa parte dos medicamentos é pouco acima que uma dose de placebo. “Todos eles têm muitos efeitos colaterais, que podem tornar a vida da pessoa bem ruim, sobretudo quando combinados com outros remédios. Em quase todos os casos desses estudos, as pesquisas vão até oito semanas, mas estamos numa sociedade onde se tornou normal tomar um monte de antidepressivos, estabilizadores do humor, tranquilizantes, pílulas para dormir, etc., por anos a fio, e de maneira progressiva e crescente”, disse o professor.

“Como chegamos nisso? Por que é que tanta gente usa tanto remédio se nem tem essa base científica que o efeito é muito bom, que dura muito?”, questionou o cientista. 

Ele explicou que, nos anos 80, a classe média americana foi convencida de que a insatisfação na vida “não é um problema do sistema, das relações, dos vínculos, nem do modo de produção capitalista. É um problema da baixa serotonina no cérebro delas”. “Essa teoria é extremamente influente, e ela não é verdadeira. O buraco é muito mais embaixo”, ressaltou. 

“A serotonina tem muito a ver com o nosso humor, sim, mas não necessariamente uma pessoa que está com ela em alta estará feliz ou uma pessoa que está com ela baixa estará triste. É bem mais complicado que isso, há muitos fatores em jogo. Mas como havia uma explicação em tese científica isso funcionou muito bem. No público americano, as pessoas se convenceram disso. E, de fato, sabemos que tem um efeito positivo, mas ele é pequeno”. 

“Uma nova terapêutica”

Um dos principais nomes da pesquisa brasileira sobre o uso de drogas alternativas no tratamento de transtornos mentais, o neurocientista defendeu o uso de tratamentos com ênfase terapêutica, como aqueles baseados no uso de plantas e fungos sagrados:  “O que está ficando bem claro é que a aposta da indústria na medicalização, com todas essas substâncias que já estão aí, deu bem errado do ponto de vista do povo e deu muito certo para as indústrias. Agora, vem uma nova terapêutica, que é bem antiga, porque tem a ver com os ancestrais, com plantas sagradas, fungos sagrados, animais sagrados, mas é uma terapêutica que a ênfase não é na substância. A substância é poderosa, mas o mais importante é o vínculo, é a questão humana, é o contato, a terapia, a música, o som, o cheiro, o que foi dito e o que foi lembrado. Então, é um retorno para aquilo que é mais profundo”.

“É um retorno muito interessante, que permite juntar de um lado aquilo que a psicologia de profundidade propôs com Freud e Jung, e de outro lado aquilo que o xamanismo propõe há milhares de anos, que é toda essa riqueza ameríndia, siberiana, da Índia, da China, do Afeganistão, dos aborígenes australianos”, completou. 

____________________ * OMS: variante DELTA está se PROLIFERANDO RAPIDAMENTE 

Resumo da notícia

  • Mutação identificada originalmente na Índia já chegou a mais de 80 países e acelera contágio entre pessoas não vacinadas
  • Risco, segundo OMS, é de que transmissão intensa gere novas mutações que escapem do efeito da vacina
  • Mundo repete com covid-19 erros da Aids no acesso a tratamento, diz OMS
  • Variantes continuarão a surgir se transmissão não for freada
  • OMS alerta que passaporte de vacina ameaça aprofundar desigualdade

Sem vacinas para os mais pobres e diante de uma nova variante que ganha o mundo, a pandemia entra em um momento crítico. O alerta é de Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, que deixou claro que está "preocupado" com o avanço da variante Delta, inicialmente detectada na Índia.

Para ele, se não houver uma ação para frear a transmissão do vírus e a intensificação de medidas sociais, o risco é de que novas mutações ocorram e que possam escapar da proteção das atuais vacinas.

Para a agência, com dezenas de países sem acesso às vacinas, a proliferação da mutação pode ter um impacto "devastador" e está ocorrendo de forma "acelerada".

"Delta é a mais transmissível entre as variantes, está se espalhando rapidamente entre os que não estão vacinados e já está em mais de 80 países", declarou Tedros, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira em Genebra. "Vemos uma maior transmissão pelo mundo", lamentou.

Segundo ele, o maior número de casos significa uma taxa maior de hospitalização e, portanto, uma maior pressão sobre o setor de saúde. "O risco de morte aumenta", alertou.

Novas mutações que escapem das vacinas

A OMS alerta, porém, que a variante delta não é a última a aparecer. "Novas variantes são esperadas. Isso é o que virus fazem", disse Tedros. O temor é de que, quanto maior for a transmissão, maior o risco de que uma mutação apareça que possa driblar os efeitos das vacinas que estão no mercado.

Hoje, todos imunizantes são capazes de lidar com as variantes. Mas isso pode mudar se novas mutações aparecerem.

Segundo Tedros, porém, esse cenário pode ser evitado se a transmissão do vírus for interrompida. "É simples: mais transmissão, mais variantes. Menos transmissão, menos variantes", disse.

Tedros, diante do cenário, voltou a pedir para que governos usem "todos os instrumentos" para impedir a continuação da transmissão. Isso inclui tanto a manutenção de medidas sociais, como distanciamento e uso de máscara, mas também a garantia de distribuição de vacinas.

"A situação é frágil", disse Maria van Kerkhove, diretor técnica da OMS. A especialista deixou claro que é ainda o momento de cautela no mundo, apesar das imagens de europeus e americanos voltando a festejar nas ruas. "A variante Delta é muito perigosa", disse. "Em alguns locais vemos trajetórias verticais de expansão", afirmou. Para ela, seja num churrasco ou num estádio, a sociedade ainda precisa manter as medidas de distanciamento e uso de máscara.

OMS: "Não temos vacinas" para os mais pobres

Num apelo no qual demonstrou sua impaciência, Tedros ainda deixou claro que a crise da escassez de vacinas atingiu um ponto crítico. De acordo com a OMS, o mecanismo Covax não recebeu nenhuma dose da AstraZeneca e nem da Janssen no mês de junho para ser distribuída aos países mais pobres.

Enquanto isso, menos de 2% da população africana foi vacinada. "A situação é terrível e ninguém tem dose para entregar pois outros estão fazendo demandas e vacinando seus jovens", criticou Bruce Aylward, em uma crítica aos países mais ricos.

Segundo ele, a África vive uma escala de proliferação da variante Delta, com um aumento de 50% nos casos.

Tedros não poupou críticas aos países ricos. Segundo ele, a situação na África está ficando "muito perigosa". "A diferença é entre os que têm e o que não têm. E isso mostra a injustiça e desigualdade do nosso mundo", declarou, visivelmente irritado.

"O mundo está fracassando. Estamos repetindo o mesmo erro da Aids, que levou 10 anos para que tratamentos chegassem aos países mais pobres. No caso do H1N1, a vacina apenas chegou aos países mais pobres depois que pandemia acabou. Não podemos aprender?", questionou.

Tedros afirmou que as pessoas estão "cansadas de lockdown" e que a reação das populações nos países ricos, vacinados, é a prova disso. "As pessoas estão felizes com a reabertura nos locais onde existe a vacina. E ai temos os outros, que estão
em confinamento sem vacinas", alertou.

O diretor da OMS também acusou países ricos de afirmarem que economias mais pobres não estão prontas para receber as doses, como argumento para não distribuir as vacinas. "Durante a Aids, também usaram esse argumento para justificar. Essa atitude precisa ficar no passado", disse.

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, lembrou ainda que países em desenvolvimento têm ampla experiência em campanhas de vacinação. Para ele, tal postura dos países ricos é "paternalista" e "colonialista".

"Dê-nos as vacinas", insistiu Tedros. "Não há vacinas. E isso está levando a pandemia a ganhar dois caminhos. Os países que têm vacinas começam a reabrir. Os que não têm vivem situações sérias e mortes. Essa é a realidade agora", lamentou.

As novas previsões da Covax falam em entregas que ficariam a um patamar bem abaixo do que era planejado inicialmente. Apenas para a América Latina, a região terá 100 milhões de doses a menos do que se esperava em dezembro.

Passaporte digital cria "dupla desigualdade"

Para Mike Ryan, a disparidade ainda torna a ideia da criação de um passaporte de vacinação um obstáculo ainda maior para os países mais pobres. "Isso será uma dupla desigualdade. Pessoas sem vacinas e sem poder viajar", alertou.

A OMS não recomenda tais documentos, principalmente diante da escassez de doses e da disparidade que poderia ser ampliada. Para Ryan, tal instrumento somente poderia existir se houvesse uma garantia de vacinas para todos e a preços justos.

____________________ * Família brasileira vive tragédia da Covid-19 à espera de vacina

25/06/2021 17h15

Ana Coelho da Cunha levantou cedo na última quarta-feira de fevereiro, vestiu uma roupa chique e se borrifou com o perfume favorito. Era um dia especial: a idosa de 85 anos seria vacinada.

Alívio se espalhou pela unida família brasileira da matriarca, que havia esperado meses pela vacina, assistindo, com inveja, a nações mais ricas lançarem campanhas de imunização, enquanto seu país sofria com atrasos em sua vacinação. Pela primeira vez em um ano de pandemia, seus 10 filhos e 22 netos conseguiam ver a luz no fim do túnel: o fim do distanciamento forçado, dos banquetes de feijoada cancelados, do medo constante.

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"Todo mundo ficou tão animado", disse a neta Lidiane, praticamente criada pela Dona Ana - como todos chamam a geniosa octagenária. "Parecia que as coisas estavam prestes a mudar".

No entanto, o destino da família Cunha mostra em detalhes assustadores o perigo ainda enfrentado por quem vive no mundo em desenvolvimento, onde vacinas - ou a matéria-prima para produzi-las - estão chegando a conta-gotas a países que ainda precisam lidar com um vírus violento.

Dona Ana, viúva, exigia trato constante. Quatro dos seus filhos cuidavam dela, alternando-se na grande casa amarela e branca que a família construiu meio século atrás nos subúrbios de Belo Horizonte.

Tentaram contratar uma enfermeira, mas ela recusou. Queria que a família ficasse próxima.

A preocupação cresceu com a onda ascendente de infecções no Brasil, que se tornou o país com a epidemia mais mortal depois dos Estados Unidos, e que nos últimos meses tem sido afetado por uma nova variante altamente transmissível que tem cada vez mais atingido as jovens gerações brasileiras.

Mas finalmente Dona Ana recebeu a vacina desenvolvida na China, CoronaVac, uma das duas dominantes no Brasil. Após receber a dose, ela agradeceu a Deus.

Naquela noite, em um grupo da família no WhatsApp, outra neta perguntou sobre a "poderosa e vacinada" Dona Ana. Seu filho mais velho, José Gonçalves, respondeu que ela estava "bem, feliz por ter sido vacinada".

Dois dias depois, a segunda filha mais velha de Dona Ana, Ivanilda, estava na casa da mãe fazendo faxina. Fazia um frio incomum e, ao terminar, ela tossiu.

A mulher de 64 anos não deu muita importância. Atribuiu ao tempo frio e à poeira da casa - ela sempre sofreu com alergias. Passou o fim de semana com a mãe e a entregou aos cuidados do irmão mais velho José Gonçalves na segunda-feira seguinte.

Falta de vacinas

Em países ricos como Reino Unido, Estados Unidos e Israel, multidões de recém-vacinados estão comemorando a liberdade que redescobriram com churrascos e jogos de futebol, imaginando quando devem receber uma dose de reforço.

Mas no Brasil, a Covid-19 segue avançando, com mais de 500.000 mortos.

Menos de 12% dos brasileiros estão completamente imunizados, com cerca de 30% tendo recebido a primeira dose. Ao redor da América Latina, que agora representa quase metade das mortes diárias por coronavírus ao redor do mundo, a proporção de vacinados é ainda menor.

Outras partes do mundo também estão sofrendo, mais notavelmente a Índia, onde aproximadamente 17% da população recebeu a primeira dose, em meio a um ataque terrível de outra variante.

Na casa dos 80 anos em uma população relativamente jovem, Dona Ana estava perto da frente da fila, mas sua dose ainda foi aplicada quase três meses depois de o Reino Unido iniciar sua campanha de vacinação.

Cidades brasileiras foram forçadas a interromper suas vacinações pela falta de vacinas, com atrasos de envios de insumos da China.

À medida em que a variante se consolidava no Brasil, Lidiane assistia impotente de sua casa no Canadá, com uma conversa com seu marido cada vez mais latente em sua cabeça.

"Se um deles pegar, vai se espalhar e será uma tragédia", ela se lembra de ele ter alertado. "E foi exatamente o que aconteceu".

Uma tossinha

O vírus invadiu a casa dos Cunha da mesma maneira que tantas vezes o fez ao redor do mundo, disfarçado de algo mundano. Naquele dia no fim de fevereiro, Ivanilda culpou a mudança do tempo pela sua indisposição.

"Simplesmente não me ocorreu que pudesse ser...", afirmou Ivanilda, antes de se dispersar, deixando o vírus por dizer.

Ao longo do fim de semana na casa de sua mãe, a tosse piorou e ela teve uma baixa febre, mas permaneceu convicta de que não era nada mais do que uma gripe comum - e disse isso a sua família. Entre cuidar da mãe e ficar em casa, ela mal havia ido à rua em meses.

Na segunda-feira, José Gonçalves, 67, assumiu os cuidados e Ivanilda foi para casa. Na residência de Dona Ana, os irmãos compartilhavam o mesmo quarto, entre idas e vindas para cuidar da mãe. Não foi diferente naquela vez, e José Gonçalves dormiu na mesma cama que a irmã mais nova havia acabado de usar. Ele cuidou da mãe, como fazia há muitos anos. Filho mais velho, grande parte do fardo recaiu sobre seus ombros magros, mas robustos.

Na manhã de quarta-feira, após outro irmão ter aparecido para o próximo turno, José Gonçalves foi para casa. Sua esposa, Maria, lhe deu um abraço e um beijo quando ele passou pela pesada porta de madeira marrom, feliz que ele havia voltado.

Em poucas horas, tudo mudou. Ivanilda havia testado positivo para o coronavírus.

O resultado caiu sobre a família como uma espessa nuvem. Maria estava sentada no sofá da sala de estar, com a televisão ligada, quando o marido lhe contou.

"O que que Ivanilda foi fazer?", lembra Maria, repetindo uma vez atrás da outra. "O que que ela foi fazer?"

No entanto, por um tempo, nada aconteceu. Ivanilda estava na cama, em casa, mas José Gonçalves se sentia completamente bem, a sua mãe também. Eles fizeram um teste apenas para ter certeza.

Positivo. Eles esperaram a doença chegar.

Ao redor do Brasil, uma brutal segunda onda estava em andamento, levando os hospitais à beira do colapso e lotando os cemitérios do país. Centros de tratamento intensivo estavam abarrotados de pacientes de todas as idades sofrendo para respirar.

Em 11 de março, um dia depois de quando deveria receber a segunda dose, Dona Ana desabou em casa. Os médicos não vacinam quem já está infectado com o vírus porque é ineficaz, e a equipe médica lhe disse que ela teria que esperar algumas semanas até que a infecção passasse para receber a segunda dose.

Estudos entre o mundo real mostraram que a Coronavac é muito eficiente em prevenir internações e mortes duas semanas depois das duas doses serem aplicadas. Mas Dona Ana parece ter sido exposta ao vírus apenas alguns dias depois de ter recebido a primeira, o que provavelmente a deixou com uma proteção mínima.

Um estudo preliminar publicado no Brasil no mês passado também mostrou que a vacina chinesa é menos eficaz contra a infecção sintomática em pessoas mais velhas, especialmente acima de 80 anos.

O instituto responsável pela produção da vacina no Brasil, o Butantan, emitiu um comunicado dizendo que era normal que estudos encontrassem diferentes eficácias e que os dados de mortalidade mostravam que a Coronavac estava salvando vidas entre a população idosa.

José Gonçalves, que havia ficado com a mãe após os dois testarem positivo, carregou-a ao carro e dirigiu para um hospital privado nas redondezas que aceitava o seu plano de saúde. O lugar estava sobrecarregado, e os enfermeiros lhe disseram que o hospital não poderia dar à sua mãe o nível de cuidado que ela precisava. Pediram que ele ficasse para ajudar. José Gonçalves ficou a noite inteira ao lado da mãe, sabendo que também era portador do vírus.

No dia seguinte, foi para casa. Sua filha Lidiane suspeita que ele já estava começando a se sentir doente, embora tenha lhe dito que estava bem. Em 14 de março, ele também foi levado ao hospital, com níveis perigosamente baixos de oxigênio no sangue. Rapidamente ficou claro que ele precisava de tratamento intensivo, mas não havia leitos disponíveis.

Os hospitais estavam tão sobrecarregados que estavam sem sedativos básicos necessários para facilitar a entrada dos pacientes aos ventiladores. Mas os médicos não tinham escolha e, em 15 de março, José Gonçalves foi intubado em uma unidade provisória.

Sua família passou os dias seguintes ligando para hospitais, lutando por um leito de UTI de verdade, porque sua saúde piorava. Seus rins davam sinais de falência. José Gonçalves teve mais sorte do que muitos. Em 18 de março, foi transferido para um leito completo de UTI em outro hospital. Seu plano de saúde privado fez com que conseguisse um leito enquanto muitos aguardavam e morriam na fila de espera.

Ivanilda também foi colocada em um ventilador, lutando pela vida. Para outros, a luz já estava se apagando.

Dona Ana morreu no domingo, 21 de março. Sua família ficou preocupada durante todo aquele dia, ligando várias vezes para o hospital em busca de notícias, com medo do silêncio. À noite, o hospital finalmente ligou, confirmando os temores. As suas últimas palavras, para um enfermeiro, em um lampejo de consciência, foi um pedido para ver sua família: "Quero morrer em casa".

16.mai.2021 - Um membro da família Cunha, Ivanilda Cunha, que perdeu parentes durante a pandemia da doença do coronavírus (COVID-19), posa para uma foto em Belo Horizonte - Washington Alves/REUTERS - Washington Alves/REUTERS
16.mai.2021 - Um membro da família Cunha, Ivanilda Cunha, que perdeu parentes durante a pandemia da doença do coronavírus (COVID-19), posa para uma foto em Belo Horizonte Imagem: Washington Alves/REUTERS

Três gerações atingidas

No Brasil, as famílias muitas vezes ocupam espaços onde não há Estado, seja uma carona para jogar futebol ou para a escola pela falta de transporte público ou cuidar um do outro por lacunas no sistema de saúde. Muitos brasileiros também preferem dessa maneira, o pessoal ao impessoal. Muitas gerações frequentemente moram na mesma casa ou separadas apenas por alguns quarteirões.

Os membros da família Cunha compreendem que a proximidade lhes custou caro. Mas muitos não veem como poderiam ter agido de outra maneira. Dona Ana recusou uma enfermeira particular. Ela precisava de cuidados; seus filhos não tiveram muita escolha além de ajudá-la.

Eles dizem que culpam muito mais a vacilante campanha de vacinação do país do que suas próprias falhas em manter o distanciamento social. Algumas semanas antes e Dona Ana teria sido completamente vacinada - potencialmente sendo salva e impedindo a progressão do vírus. Nos EUA ou no Reino Unido, Ivanilda e José Gonçalves também teriam sido vacinados antes que o vírus atingisse a família. Mas as inoculações foram interrompidas repetidas vezes no Brasil, com a taxa de vacinação caindo em maio, em comparação a abril, após atrasos em importações terem levado a uma escassez de doses. Cidades ao redor do país foram forçadas a adiar as segundas doses por causa do fornecimento baixo de vacinas.

O Ministério da Saúde não comentou a tragédia da família Cunha. Havia dito anteriormente à Reuters este mês que segue ampliando as vacinações.

No dia seguinte a José Gonçalves ser transferido à UTI, sua esposa, Maria, também foi levada ao hospital. A filha Regiane, 37, ficou ao seu lado, temendo pela sua mãe. Maria pediu que Regiane fosse embora, lembrando que ela tinha uma criança pequena que precisava dela, mas sua filha recusou.

"Mãe, não vou te abandonar", lembra Maria, 65, ter ouvido de sua filha várias vezes.

Em outro ramo da família, um padrão similar se desenvolvia.

O teste positivo de Ivanilda chegou tarde demais para isolar e proteger seu marido, José Pedro. Após Ivanilda ser intubada, ele ficou mais doente, e sua filha, Erika, que vive no andar de baixo, cuidou dele, levando comida e remédios.

Erika, mulher de 40 anos e em forma, temeu pelos seus pais, mas não pensou muito em si mesma. Usou máscara e tentou manter a distância, mas, quando também testou positivo, mal se preocupou. Em um primeiro momento, usou a seu favor, se mudando para o andar de baixo para ficar mais próxima do seu pai. "Eu nunca tive problemas de saúde. Imaginei que passaria por isso tranquilamente", disse.

Mas sua tosse ficou tão ruim que ela mal conseguia respirar. Seu pai já havia sido levado ao hospital e, alguns dias depois, Erika foi também. Em 25 de março, um dia depois de Erika ser internada, ela foi colocada em um ventilador. Seu pai morreu no mesmo dia.

Quando Erika acordou do coma induzido nove dias depois, ela não tinha ideia que seu pai estava morto. Com medo que a notícia prejudicasse sua recuperação, a família a omitiu por mais três semanas.

Os cientistas não sabem por que a variante parece estar atingindo os jovens com mais força. Alguns acreditam que é predominantemente devido a fatores comportamentais porque os mais jovens tomam menos precauções e, por isso, mais deles contraem o vírus. Mas cada vez mais os médicos brasileiros acreditam que há algo na composição da variante que está afetando os jovens mais do que a versão anterior do vírus que se espalhou pelo país ano passado.

A demografia das pessoas internadas em tratamento intensivo no Brasil mudou drasticamente. Em março, dados dos hospitais mostravam que, pela primeira vez, a maioria dos pacientes da UTI tinha 40 anos ou menos. O Ministério da Saúde também notou um risco maior em gestantes e aconselhou as mulheres a evitarem a gravidez no momento, se possível.

Enquanto mais membros da família eram internados, a condição de Maria melhorava. Os médicos chamavam sua resistência de "milagrosa". Em 1º de abril, ela enviou uma mensagem à família pelo WhatsApp dizendo que teria alta no dia seguinte. Seus filhos enviaram mensagens alegres de volta, mas Regiane ficou em silêncio. "Aí eu já suspeitei que tinha alguma coisa errada", disse Maria.

Dias antes, Regiane havia sido levada ao hospital com níveis perigosamente baixos de oxigênio. Ela estava acima do peso e sofria de trombose, mas sua família ficou chocada pelo dano que o vírus estava causando em alguém tão jovem. Maria, ainda se recuperando e respirando por oxigênio em casa, pediu que a família não compartilhasse notícias ruins com ela. Mas o silêncio, ela lembra, lhe disse tudo que ela não queria saber.

Em 3 de abril, seu marido, José Gonçalves, morreu de ataque cardíaco após quase três semanas no ventilador. O leito que a família havia conseguido para ele com tratamento intensivo o havia ajudado a viver mais, mas não fora suficiente. Eles dizem que ainda pensam se o resultado teria sido diferente se ele tivesse sido internado na UTI imediatamente.

Regiane resistiu por mais um mês. Mas, ao fim de abril, ela havia desenvolvido uma infecção generalizada e não estava mais respondendo a fortes antibióticos. Ela morreu em 1º de maio, a terceira geração da família a perder a vida para a Covid-19 em um intervalo de seis semanas.

Maria mal saiu à rua desde que voltou do hospital para uma casa vazia. Sua psicóloga recomendou que ela caminhasse, mas tem dificuldade para encontrar forças, paralisada pelo medo, ciente de que o vírus ainda está lá fora.

Ivanilda ainda não passou uma noite em casa. Está ficando com a filha. Ela diz que também está com medo das memórias que virão quando estiver sozinha. Ela questiona como Deus permitiu que isso acontecesse.

Ela pediu desculpas à família.

"Aquela vez que eu peguei, o pessoal pegou também, dá a impressão que foi causado por mim, começou por mim". Sua cabeça gira em torno das possibilidades de onde pode ter contraído o vírus. Talvez quando levou o marido ao hospital para um checkup, talvez por meio de um vizinho.

Ela perdeu o marido, o irmão, a sobrinha e a mãe. "Minha mãe era tudo para mim", disse. "Ela era tudo para mim e continua sendo tudo".

____________________ * Cúpula da CPI da Covid acusa Ministério da Saúde de obstruir investigação

"Esta CPI não vai aceitar essas manobras obstrutivas e protelatórias do governo", disse Renan Calheiros - Edilson Rodrigues/Agência Senado
"Esta CPI não vai aceitar essas manobras obstrutivas e protelatórias do governo", disse Renan Calheiros Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

25/06/2021 14h52

Atualizada em 25/06/2021 15h37

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) reclamou hoje sobre a demora do Ministério da Saúde em autorizar o acesso de uma equipe especializada aos processos administrativos relacionados à compra de vacinas contra a covid-19. Segundo Calheiros, o ministro Marcelo Queiroga estaria deliberadamente criando obstáculos para fornecer essas informações e, assim, obstruir a investigação.

"Hoje, mais uma vez, fizemos um contato com a assessoria parlamentar do Ministério da Saúde, que disse que a questão dependeria de uma reunião com o ministro [Queiroga] que só seria realizada amanhã. Precisamos dizer que esta CPI não vai — até porque não pode — aceitar essas manobras obstrutivas e protelatórias do governo", disse o senador ao início da sessão de hoje.

Covaxin: os personagens da compra da vacina indiana investigada pela CPI

Por isso, senhor presidente [Omar Aziz (PSD-AM)], eu solicito que Vossa Excelência tome as providências enérgicas, como sempre, contra obstruções do ministro Marcelo Queiroga, que, inclusive, já é investigado nesta própria CPI e está incorrendo numa nova prática delituosa, criando obstáculo ao acesso à documentação do ministério. (...) Nós temos uma manobra obstrutiva, fundamental, sobre documentos de aquisição de vacinas, e há 25 dias o ministério ainda não se reuniu com o ministro para dar o acesso, como quer a CPI.Renan Calheiros, relator da CPI

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), fez coro às críticas de Calheiros e disse que a atitude "omissa" do governo federal fere o artigo 4º da lei nº 1.579, de 1952, que rege o funcionamento das comissões parlamentares de inquérito.

Além disso, segundo a legislação, constitui crime "impedir ou tentar impedir, mediante violência, ameaça ou assuadas" os trabalhos de uma CPI — o que, para Randolfe, foi o que aconteceu durante pronunciamento do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, na última quarta-feira (23).

"Me parece que foi o que ocorreu notadamente com a fala do senhor Onyx, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e de um investigado. O governo não responde sobre a [vacina] Covaxin e coloca um investigado pela CPI para responder. Ali já caracterizava [crime]", opinou o senador, fazendo referência ao ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, que estava ao lado de Onyx durante o discurso.

"É necessário reiterar as responsabilizações que existem sobre a omissão de documentos à CPI. Esta não é a única. Outras informações que estão sendo pedidas por essa CPI estão vindo erradamente, ou não vem. Tem tido omissão deliberada por parte do governo", acrescentou.

Líder defende governo

O líder do governo do Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), respondeu a Renan Calheiros, dizendo haver "disposição plena" do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para atender a todos os pedidos da comissão. Ele também atribuiu à "alta demanda" a demora no fornecimento de informações.

"Muitas dessas informações... Eu ouso dizer mais de 90% das informações solicitadas foram encaminhadas a esta CPI. Mas renovo aqui esse compromisso com todos os membros da comissão, em especial com o senhor relator e o senhor presidente [Omar Aziz (PSD-AM)], que o ministro Marcelo Queiroga irá autorizar o pleno acesso a essa documentação", reforçou.

UOL também procurou o Ministério da Saúde para pedir um posicionamento sobre as acusações de obstrução e aguarda retorno.

____________________ * Viagem de jovens às Baleares causa surto de covid-19 na Espanha

Sete das 17 regiões do país detectaram casos ligados ao foco de contágios nas Ilhas Baleares - fabrefumi/Flickr/Creative Commons
Sete das 17 regiões do país detectaram casos ligados ao foco de contágios nas Ilhas Baleares Imagem: fabrefumi/Flickr/Creative Commons

Em Madri (Espanha)

25/06/2021 12h38

Atualizada em 25/06/2021 13h12

Uma viagem de estudantes espanhóis ao arquipélago turístico das Ilhas Baleares desencadeou um grande surto de covid-19, com centenas de pessoas infectadas e milhares isoladas em sete regiões do país.

A região de Madri é a mais afetada, com 320 jovens diagnosticados e mais de 2 mil em quarentena, após uma semana de festa na mediterrânea ilha de Mallorca, informou hoje a diretora regional de Saúde Pública, Elena Andradas.

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Guedes: Se pandemia persistir até outubro, auxílio será novamente estendido

"Tudo indica, com base nos testes de PCR, que se trata da variante britânica", batizada de alpha, disse ela em entrevista coletiva.

No total, sete das 17 regiões do país detectaram casos ligados a esse foco de contágio.

Com idades compreendidas entre 17 e 19 anos, os estudantes madrilenos que participaram desta última viagem de estudos "confirmam um descumprimento generalizado da obrigatoriedade de uso da máscara" durante sua estada em oito hotéis da ilha, disse Andradas.

Os funcionários desses estabelecimentos estão sendo submetidos a testes de diagnósticos por parte da região das Baleares.

Este megassurto, de grande repercussão na imprensa espanhola, surge em um momento de clara melhora da situação sanitária do país, graças ao avanço da campanha de vacinação.

As restrições estão sendo suavizadas e, amanhã, será suspensa a obrigação generalizada do uso de máscara ao ar livre.

De acordo com os últimos números do governo, um terço (32,9%) dos 47 milhões de espanhóis já foi totalmente vacinado contra o vírus, e metade (50,7%) recebeu pelo menos uma dose.

____________________ * Deputado Luis Miranda insinua ter gravação de Bolsonaro: “se ele negar, esquece 2022”

Luis Miranda e Jair Bolsonaro / Covaxin

247 - Uma informação revelada em meio às mais de sete horas de depoimento do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, à CPI da Covid nesta sexta-feira (25) recebeu pouca atenção. O parlamentar insinuou ter uma gravação de Jair Bolsonaro no caso de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin.

Ao dizer aos senadores que Bolsonaro teria dito o nome de um deputado durante o encontro no Palácio da Alvorada, onde ele e seu irmão foram revelar as suspeitas no contrato da vacina, Luis Miranda alegou não se lembrar de quem era. Questionado mais de uma vez, insistiu que não se lembrava do nome do deputado.

“Esse deputado tem relação com a base do governo?”, indagou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Tem”, respondeu Luis Miranda. Em seguida, indagado por Omar Aziz (PSD-AM) se o parlamentar citado continuava a fazer parte da base até hoje, respondeu que não se lembrava exatamente quem era a pessoa. “São 513 deputados, é complicado lembrar o nome de todos”.

“Mas eu posso lembrar. A senadora perguntou ‘o senhor gravou a conversa?’. Eu tinha mania de gravar algumas conversas, mas… eu gravava… Posso procurar a gravação, assim o presidente não poderia me desmentir”, declarou ainda. Horas depois, o depoente acabou admitindo que se tratava do líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR).

Neste sábado (26), em entrevista ao Antagonista, Luis Miranda foi indagado se não temia que, em algum momento, nos próximos dias, ficasse a palavra dele contra a do presidente. 

“Aí ele vai ter a surpresa mágica. Se ele fizer isso, vou ter que fazer algo que nunca um parlamentar deve fazer com um presidente. Aí ele vai ficar constrangido. Muito. Porque eu tenho como provar. Mas na hora certa”, respondeu. O deputado acrescentou ter como provar que Bolsonaro “escutou tudo” o que ele falou para o presidente. “É melhor ele não fazer isso, é desnecessário, é uma loucura, esquece 2022. Porque aí vai ter um Brasil inteiro descobrindo que ele mentiu”.

Ao lado do irmão, autor da denúncia no contrato da Covaxin, o parlamentar relatou ainda, possivelmente em referência à live feita por Bolsonaro nas redes sociais depois do depoimento na CPI: “Ontem ele teve uma falha na fala que eu e meu irmão falamos assim… ‘cara, ele não tá acompanhando o caso’”.

Em outra declaração na entrevista, o deputado insinuou a possibilidade de o irmão ter gravado a conversa no Alvorada. “Tinham duas pessoas na sala. Com ele três. Eu como parlamentar não gravaria o presidente”.

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