____________________ * NUDEZ histórica Ensaios de ATLETAS ajudaram movimento LGBTQIA+, mas acabaram APÓS caso ROGER e FALTA de SINTONIA com ATIVISMO

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____________________ * NUDEZ histórica Ensaios de ATLETAS ajudaram movimento LGBTQIA+, mas acabaram APÓS caso ROGER e FALTA de SINTONIA com ATIVISMO 

ANA FLÁVIA OLIVEIRA, AUGUSTO ZAUPA E VANDERLEI LIMADO UOL, EM SÃO PAULO

Imagine você adentrando uma banca de revista — aliás, você ainda consome este tipo de leitura e frequenta este ambiente? — e se deparando com uma publicação com fotos de nu artístico de Neymar, Gabigol ou Cássio. Há 20 anos, a G Magazine (e outras publicações do gênero) quebraram paradigmas ao estampar em suas páginas fotos sem roupas de Vampeta, Dinei, Túlio, Roger, entre outros.

Em pleno 2021, haveria público para consumir este tipo de trabalho? E os jogadores teriam coragem de ficar pelados em frente às câmeras? O UOL Esporte foi em busca da ex-publisher da G Magazine, ouviu líderes de grupos LGBTQIA+ e os "peladões" do início dos anos 2000 para debater o que mudou de lá para cá.

A reboque vem outro questionamento: por que o nu masculino é polêmico enquanto o feminino é naturalizado? Sim, o Brasil é um dos países mais machistas do mundo, o que reforça essa quebra de tabus tão recente com jogadores de futebol sem "nenhum uniforme".

Nesta reportagem especial, publicada no mês do orgulho LGBTQIA+, o UOL Esporte destaca a importância dos ensaios para o movimento, as consequências negativas (como o quase afastamento por indisciplina do goleiro Roger no São Paulo) e também fatos curiosos, como as amigas beatas da mãe de um dos jogadores que elogiaram as fotos de determinada edição, dos ensaios pioneiros do final dos anos 90.

Jogadores foram importantes para o movimento LGBTQIA+

Enquanto a nudez de mulheres era explorada massivamente por décadas e décadas, havia uma lacuna de mercado que contemplasse outros públicos, como mulheres heterossexuais e membros da comunidade LGBTQIA+. Foi então que, em maio de 1997, chegou às bancas a revista 'Bananaloca', que meses depois iria se tornar G Magazine. A publicação, que estreou com o ator e modelo Anderson Di Rizzi, ganhou destaque e, ao longo de 15 anos, teve mais de 170 edições.

O auge da revista foi no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Com jogadores de futebol e ex-participantes do Big Brother Brasil, chegou a vender 180 mil exemplares por mês. As personalidades que estampavam as capas faziam nu frontal — algumas vezes até mostravam ereção, como no caso de Vampeta. Responsável pela revista por uma década (120 edições, para ser mais exato), a jornalista Ana Fadigas revela que a exposição de jogadores de grandes clubes contemplou a carência de parte da sociedade.

"Por parte do público, teve grande agradecimento por ter jogadores. Eles gostavam, acharam que estavam sendo reverenciados pelos jogadores. Era uma coisa bem interessante. Aliás, nunca um jogador havia posado nu, explícito em ereção, no mundo. O Vampeta foi o que inaugurou. Ele, por ser uma pessoa bem moderna, tinha morado na Holanda. Vampeta é inesquecível, ele virou um selo da G, mas todos os outros foram também. Foi uma virada da revista. Na época, foi muito, muito bom. Muito bom para marca, em termos de mercado."

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, concorda que a exposição dos atletas satisfez a curiosidade da comunidade LGBTQIA+. No entanto, o ativista destaca que os jogadores não levantavam uma bandeira à época. "Eu avalio importante entre aspas porque, por exemplo, Vampeta posou porque é irreverente. Não tem engajamento nem com a comunidade negra, nem com outra. Não sei o que teria motivado ele, não se foi porque ele tem picão e queria mostrar para os outros. Vampeta, Dinei, Gaúcho... Eles não têm nenhum engajamento. Fizeram, talvez, porque são porra louca."

O Renato Gaúcho [saiu na Íntima, que era dedicada ao público feminino e não obrigava que os modelos mostrassem a genital] foi um ícone. Vampeta e outros jogadores de futebol menos famosos foram importantes porque abriram espaço do [nu] masculino, hétero, se dispondo a essa comunidade. Foi muito importante, apesar de eles não serem gays, estarmos cultuando uma estética masculina."

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia

Haveria público e jogadores com coragem para fazer o mesmo hoje em dia?

Atualmente, o mercado de publicações impressas passa por grave crise financeira. São poucas as revistas e os jornais ainda em circulação após a migração de leitores para dispositivos móveis. Porém, será que hoje ainda existiria público para consumir para ensaios assim? De acordo com os entrevistados, não.

"Posar nu não é mais necessário para quebrar paradigmas. Hoje não é o escopo do negócio. Hoje é indiferente. Acho que existem outras formas de qualquer jogador tentar levantar a bandeira da comunidade. Não é posando nu. Seria mais para ganhar likes, essas coisas. Não seria bem visto. Seria mais uma forma de 'ah, ele quer aparecer'. Se algum jogador quer ser bem visto na comunidade, comprar essa briga nossa, tem outro jeito de ele fazer isso, de ele realmente fazer uma campanha dentro do estádio, uma campanha com a torcida, uma campanha com outros jogadores", analisa Filipe Marquezine, presidente e fundador do grupo Unicorns Brazil, referência no esporte LGBTQIA+.

Para Ana Fadigas, a evolução do mercado do futebol nas últimas décadas indica que jogadores famosos não aceitariam ofertas para este tipo de ensaio. "Os jogadores hoje ganham muito mais dinheiro, são mais focados. O sucesso já está nesses nomes mais famosos, já tem uma permanência do sucesso. O público é outro, a visão do público seria outra. Eu acho que teria que ter essa pegada de mercado, envolta numa coisa mais social, até mesmo de limpar a barra, que fosse", opina a ex-publisher da G Magazine.

O preconceito é muito mais visível. Acho que a gente regrediu, não na luta pelos direitos, nem nada. Mas pela exposição. Não sei como seria a G hoje. Acho que ela trabalharia mais com causa social ou com transgêneros porque já houve uma mudança no movimento. Mas eu iria ser presa também, né? Hoje é muito complicado. Vivemos um momento horrível de foco no preconceito".

Ana Fadigas, ex-publisher da G Magazine

O ativista Marcelo Cerqueira aponta que o fácil acesso ao sexo explícito na internet também contribuiu para a queda do consumo destes ensaios. "A gente vive hoje numa época do sexo explícito. Melhor do que esse Neymar.... Seria interessante pelo que ele representa, mas ele nunca posaria porque não tem os atributos físicos que os gays gostam em geral. [Também] nunca imaginaria Gabigol posando nu. Ele não tem sex appeal, pelo menos para mim, não sei se para outros gays. Acho o sex appeal dele muito reduzido por causa da truculência, por causa da forma que ele joga."

Eles repetiriam o ensaio hoje?

Roger, ex-São Paulo

"Hoje não estou naquele vigor todo, por isso não faria. Brinco com o pessoal que, se fizesse hoje, só teria um problema que seria capa dupla porque naquela época eu estava em fase de crescimento, agora cresceu (risos). Estou um menino ainda, genética muito boa."

Dinei, ex-Corinthians

"Nunca mais faria isso, pelo amor de Deus. Foi uma história de vaidade, não foi nem por causa do dinheiro, porque acho que eu e o Vampeta não ganhamos muito. Hoje, com 50 anos, eu não sei nem por que eu saí. A cabeça hoje é outra, antigamente eu era meio avoado (risos)."

Não, hoje não, já é outro patamar, é outra história, outra conjuntura."

Túlio, ex-atacante de Botafogo e Corinthians

Roger foi afastado e emprestado pelo SPFC

Aproveitando o sucesso do Corinthians, que recém-havia conquistado o título do Brasileirão de 1999, a G Magazine abriu o ano 2000 com uma novidade: jogadores de futebol na capa da revista pela primeira vez na sua história. Logo em janeiro, a estrela foi Vampeta. No mês seguinte, Dinei foi o destaque. Mas a repercussão negativa só viria em outubro daquele ano, quando a atração foi Roger Noronha, goleiro reserva do São Paulo.

Além de ganhar o apelido de "Peladão", que o acompanhou por longo tempo no futebol, o atleta precisou deixar o clube do Morumbi por alguns meses após um atrito com o então treinador Paulo César Carpegiani.

"Nunca esperava que ia dar essa repercussão toda. O Dinei e o Vampeta já tinham feito, e eu fui o terceiro jogador a fazer. Eles estavam numa torcida mais exigente ainda, que é do Corinthians. Fizeram o mesmo trabalho e não deu nada. Foi um puta mal entendido essa repercussão que deu."

Roger conta que a diretoria e a comissão técnica sabiam da negociação com a revista há meses, mas que Carpegiani tentou que ele adiasse a publicação das fotos para o período de férias, para minimizar eventuais polêmicas. "Estávamos concentrados para um jogo no Morumbi. O Carpegiani veio falar comigo, queria que eu adiasse a revista. Disse que achava que não teria problema, mas que precisava ligar para o diretor da G Magazine, porque não dependia mais de mim. Esse diretor falou que seria tranquilo, era só ir colocando outras edições na frente e então só publicaria em janeiro", relembra.

Porém, a imprensa esportiva já estava ciente que o goleiro seria capa da revista nos próximos meses, e o assunto veio à tona na coletiva após uma partida.

"Quando eu cheguei na minha casa, tinha mais de dez repórteres na porta do meu prédio, não entendi nada o que estava acontecendo. O Carpegiani disse na entrevista que, se esta revista fosse para a banca, eu não iria jogar mais no São Paulo. No dia seguinte, ele me chamou perguntando se eu tinha conseguido. Mas, com a polêmica gerada na entrevista, falaram que não ia ter jeito e publicaram. Só que o Carpegiani disse que tinha dado a palavra dele de que eu não jogaria e não iria voltar atrás. O São Paulo se absteve, e eu preferi pedir para o presidente para me emprestar para o Vitória para jogar o resto do Campeonato Brasileiro."

Na época, Carpegiani justificou à Folha de S.Paulo que a posição de goleiro "é de extrema confiança, e ele [Roger] perdeu a minha. Não é a primeira vez que o Roger erra, já fez coisas mais graves", mas não explicou detalhes sobre como o ensaio representava quebra de confiança.

Foram quatro meses desgastantes para mim, pela repercussão desnecessária. A precipitação do Carpegiani criou este mal-estar todo desnecessário."

Roger, ex-jogador do São Paulo, sobre a polêmica gerada pelo ensaio na G Magazine

Depois do Roger, eles [os jogadores de futebol] foram proibidos de posar. Criou-se um contrato nos clubes que eles não poderiam mais fazer ensaios."

Ana Fadigas, ex-publisher da G Magazine

Amigas religiosas da mãe de Roger aprovaram o ensaio

Natural de Cantagalo, pequeno município do Rio de Janeiro, Roger também tem boas histórias para recordar sobre o ensaio nu. Tanto que as amigas de igreja da sua mãe fizeram questão de comprar a revista na época — e aprovaram as fotos.

"A minha mãe era ministra da igreja católica da legião de Maria, aqui na minha cidade. Você imagina a conversa que deu na minha cidade, com 25 mil habitantes tradicionais. As amigas dela, de 60 anos, 70 anos, diziam: 'oh!, eu comprei a revista do Roger. Na época foi muito bacana. Acho que ajudei a quebrar o preconceito. As coisas se modernizaram e ficou bem natural. Deixou de ser estranho."

Apesar da polêmica que enfrentou no São Paulo, o ex-goleiro afirma que foi muito bem recebido pelo público LGBTQIA+. "Eu ficava mais constrangido do que elas e eles, porque a revista era voltada mais para o público gay. Sempre fui muito tranquilo: quando vinha alguém com a revista para pedir o autógrafo na capa. Era muito legal o carinho de todas as classes."

Foi uma experiência bacana, um trabalho profissional, era uma coisa nova época. Foi bom por causa do cachê. O futebol é um esporte machista, não era como os dias de hoje, mas, na época, o pessoal ria, o pessoal achava graça. Mas não me afetou nada em termos de carreira."

Túlio, ex-jogador da seleção brasileira

Foi tranquilo, porque o Corinthians estava bem, ganhando tudo de 98 até 2000. Se estivesse mal, estava morto. O assédio com a mulherada aumentou, com gays também. Gay toda a hora ficava olhando pra gente, com todo respeito, tá! Cada um com a sua opção sexual."

Dinei, campeão brasileiro com o Corinthians, se referindo, na verdade, à orientação sexual

Ensaio de Vampeta é bandeira em protestos na web

Já são 20 anos desde a publicação das fotos de Vampeta pelado, em janeiro de 1999, mas o ensaio ainda repercute no Brasil e em outros países. Até porque o ex-volante atuou na Holanda, França, Itália e fez parte do grupo da seleção que conquistou o pentacampeonato mundial em 2002.

O ensaio, que rendeu R$ 80 mil de cachê ao jogador (cerca de R$ 435 mil, em valores corrigidos para atualmente), virou também uma forma de protestos nas redes sociais. Recentemente, o UOL Esporte contou que quando o músico norueguês Varg Vikernes, ex-vocalista da banda de black metal Burzum, atacou o Brasil ao chamar o nosso povo de "Untermensch" (palavra usada pelos nazistas para designar os "povos inferiores"), o gerente de projetos paulista André Honorato resolveu contra-atacar ao lotar o perfil do artista no Twitter com fotos do ex-jogador Vampeta pelado.

Outros brasileiros também mandaram tantas fotos do ensaio do ex-jogador na "G Magazine" que Varg precisou fechar seu perfil. Foi mais uma edição do protesto virtual batizado de "vampetaço".

O movimento já havia ocorrido em junho de 2020, quando o deputado estadual Douglas Garcia (PSL) publicou no Twitter mensagem pedindo aos seus seguidores que denunciassem antifascistas e enviassem o nome completo dos conhecidos para o seu e-mail funcional na Assembleia Legislativa de São Paulo. O político foi bombardeado com fotos do "Velho Vamp" pelado na G Magazine.

Uma prova inconteste que a breve onda de ensaios nus de jogadores está na história da cultura popular no Brasil.

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____________________ * Anatomia do Vampetaço: Fotos de Vampeta pelado na 'G Magazine' são usadas em controversos protestos na internet

Adriano Wilkson
Do UOL, em São Paulo

O músico Varg Vikernes é uma pessoa que odeia. Ex-vocalista da conhecida banda de black metal Burzum, o norueguês nutre ódio a tudo que é diferente de si. Ele odeia o que não seja europeu e odeia ainda mais a miscigenação, a mistura dos povos.

Quando, em agosto do ano passado, ele foi ao Twitter elencar os países que mais odeia e acrescentou à lista o Brasil, chamando os brasileiros de "Untermensch" (palavra usada pelos nazistas para designar os "povos inferiores"), o gerente de projetos paulista André Honorato resolveu contra-atacar. E encheu o perfil de Varg de fotos do ex-jogador Vampeta pelado.

Ele não foi o único. Naquele dia, os brasileiros mandaram tantas fotos do ensaio de Vampeta na "G Magazine" que Varg, inundado por uma nudez não solicitada, precisou fechar seu perfil. Foi mais uma edição do protesto virtual batizado de "vampetaço".

O vampetaço é uma espécie de cancelamento. Sempre que alguma figura pública faz ou diz algo que desagrade a massa, ela pode ser vítima do vampetaço. O Twitter, com sua tolerância à nudez, é a rede social preferencial dos manifestantes.

Já aconteceu com participantes do Big Brother Brasil e com um deputado bolsonarista. Trata-se da ressignificação de um ensaio de 1999, no qual o então volante do Corinthians exibiu sua masculinidade de uma maneira que nunca havia acontecido antes.

UOL Esporte relembra os bastidores daquele ensaio e mostra como, 22 anos depois, aquelas fotos estão sendo usadas como uma forma de protesto nas redes sociais. E discute o que o fenômeno do vampetaço pode nos ensinar sobre o racismo e o antirracismo no Brasil.

Vampeta elogia o vampetaço

Comentarista na "Jovem Pan" e na "Gazeta", Vampeta disse não se incomodar com o compartilhamento em massa de suas fotos como forma de protesto. Em conversa com a reportagem, ele chegou a elogiar a iniciativa.

Não me incomoda, acho da hora. Queria dar os parabéns pra quem criou isso."

Ensaio causou frisson em 1999 e fez fama da G Magazine

A "G Magazine" causou frisson no final dos anos 90 ao contratar o volante do Corinthians, campeão brasileiro de 98 e 99, e também da seleção. Fundada em 1997 sob o nome de "Bananaloca", a "G" já havia triplicado sua tiragem ao publicar o ensaio nu do ator Matheus Carrieri.

Mas foi Vampeta quem elevou o nome da revista a todas as rodas de conversa do país. "Nudez de Vampeta sacode o futebol", estampou a "Folha de S.Paulo", anunciando a edição seguinte da revista. "Sua atitude de posar nu, inédita entre astros do futebol, rompe um tabu nesse esporte no país, marcado pela recusa de dirigentes, técnicos e dos próprios jogadores em discutir publicamente a presença de homossexuais nas equipes."

Nu frontal empoderou gays, afirma editora

A jornalista paulista Ana Fadigas foi uma das responsáveis pelo "escândalo". Ela foi a fundadora e era editora da revista em 1999. "Estávamos passando de uma revista com nu de modelos pra uma revista com nu de famosos. Não tinha isso no mundo. E o Vampeta tinha vivido fora do país [na Holanda], tinha a cabeça mais aberta", conta a jornalista.

Ela acredita que os ensaios da "G" tiveram um aspecto "revolucionário e empoderador" porque era a primeira vez que famosos exibiam uma ereção para ser apreciada por outros homens na imprensa nacional.

"No início, a revista não mostrava ereções, só o bumbum. O ensaio do Mateus Carrieri foi o primeiro com pênis ereto. Os leitores pediam muito", conta Ana. "Com o Vampeta conseguimos a foto mais emblemática que a 'G' poderia ter. Era ele com o pinto ereto furando a rede do gol. Com essa foto a gente estourou, inclusive na Europa. A 'G' mudou por causa disso."

O ensaio teve uma mídia espontânea muito boa pra gente. O Faustão falava, o Jô falava. No Brasil de hoje eu seria uma bruxa queimada na rua."

Ana Fadigas, fundadora da 'G Magazine'

Se eu pude ajudar [a comunidade gay], fico feliz. Não tenho preconceito nenhum contra nada. Recebi carta pra caramba no Corinthians, fui em programas de TV onde jogadores não iam. A verdade é que me ajudou muito e não me prejudicou em nada."

Vampeta, ex-volante do Corinthians e da seleção

Bastidores: Vampeta precisou de ajuda para posar nu

A produção da revista precisou de uma megaoperação para evitar vazamentos nos dois dias de ensaio. Os detalhes seguem na memória do produtor Paulo Branco, que atuou também na direção de Vampeta.

"Quando estávamos na chácara do ensaio, começou a chegar helicóptero pra tentar filmar. Tivemos que parar tudo e nos esconder", relembra. Outro desafio foi deixar o jogador à vontade. Como Vampeta era o primeiro atleta a posar pra revista, havia o receio de que não rolasse "química" entre o modelo e a produção, formada toda por homens gays.

"Achei que ele podia talvez ser um homem meio bronco, mas fiquei encantado com ele. Nos tratou como se a gente se conhecesse há anos, supersimpático e acessível. Acabamos nos divertindo muito e eu virei fã." A relação deu tão certo que, quando Vampeta teve dificuldades em algumas fotos, o produtor quebrou uma regra que costumava seguir em seus trabalhos.

Eu sempre quis que os ensaios fossem artísticos, então eu montava uma equipe reduzida e não permitia que mulheres estivessem para ajudar os modelos a ficarem eretos. Na hora eles se masturbavam e pronto. Só que o Vampeta estava com dificuldade e chegou uma hora que ele disse: 'Cara, não vai rolar, eu preciso ter uma pessoa do lado'. Então eu liberei e foi a namorada dele ajudar. Foi o único que permiti isso."

Paulo Branco, produtor e diretor do ensaio

Dificuldade? Porra nenhuma! Se hoje com 47 anos eu não tenho, imagina quando tinha 22, na flor da idade, voando."

Vampeta, que na verdade tinha 24 anos na época do ensaio

Minha namorada achava que eu tava brincando quando falei pra ela. Ela disse: 'Velho, você é maluco, vai acabar com sua carreira'. Depois, ela foi no ensaio me ajudar."

Vampeta

____________________ * Tão cedo: Morte trágica em 92 interrompeu carreira de Alexandre

Tão cedo

Morte trágica em 92 interrompeu carreira de Alexandre, goleiro tratado como "melhor do que Ceni" no São Paulo

FÁBIO SHIMAB E VANDERLEI LIMADO UOL, EM SÃO PAULO

Tão cedo: Morte trágica em 92 interrompeu carreira de Alexandre, goleiro tratado como "melhor do que Ceni" no São Paulo

Primeiro filho de João Batista e Marilene, depois veio a Renata, Alexandre Escobar Ferreira nasceu em Sorocaba no dia 2 de janeiro de 1972. Seu grande sonho, ser jogador, se realizou ao desembarcar no São Paulo Futebol Clube. Inicialmente, foi treinado por Cilinho. Depois, cairia nas mãos do cultuado Telê Santana.

O veterano treinador identificou habilidades incomuns em Alexandre, com mãos e pernas, e incentivou o goleiro a cobrar faltas. O jovem ganhou seu primeiro título no Campeonato Paulista de 1991. No ano seguinte, foi titular e vice-campeão da Copa SP de Juniores, tendo Rogério Ceni como seu reserva. Sua grande oportunidade surgiu com a expulsão de Zetti, nas oitavas de final da Libertadores do mesmo ano, contra o Nacional, do Uruguai. Segurou a vitória por 1 a 0, com um homem a menos, no estádio Centenário. Mais tarde, acabou campeão sul-americano.

Como a maioria dos jogadores iniciantes, Alexandre comprou um carro novo. O Kadett branco, que saiu da concessionária no dia 17 de julho de 1992, veio a contragosto de seu pai, que o aconselhou a guardar o dinheiro. Sonho realizado, ele e alguns colegas de clube aproveitaram a folga na sexta-feira e organizaram um churrasco em um sítio em São Roque (SP). Mesmo aconselhado a ficar, Alexandre voltou sozinho para a capital para fazer uma surpresa à família.

Por volta de 6h30 do dia 18 de julho de 1992, no km 13,5, da Rodovia Castelo Branco, ele perdeu o controle de seu carro novo e bateu em uma mureta de proteção. Foi levado ao Hospital Universitário, mas não resistiu. O corpo do jogador foi velado no CT do São Paulo.

Rogério Ceni cresceu como jogador do São Paulo nos anos seguintes, até virar um ícone tricolor. Durante a trajetória, chegou a reconhecer: Alexandre era melhor.

Velocidade incrível de movimentos, excelente chute, bonito de ver jogar. Telê Santana adorava! Ele era apenas um ano mais velho do que eu. Ocuparia a sua posição por muito tempo. Quem sabe até hoje. Minha carreira, com certeza, seria completamente diferente caso Alexandre não tivesse partido.

Rogério Ceni, em depoimento sobre o colega morto em 1992, presente no livro "Maioridade Penal"

Reprodução/Folha S. Paulo

Cochilo no volante

Marilene acredita que seu filho Alexandre deu uma cochilada ao volante e por isso bateu o carro. O que a deixa com a consciência tranquila em relação à tese de embriaguez é que nenhum vestígio de bebida alcoólica foi encontrado.

Os amigos relataram que o goleiro ficou acordado o tempo inteiro em São Roque. Por várias vezes, tentaram demovê-lo da ideia de viajar sozinho. Sidnei Lobo, ex-jogador do São Paulo e hoje auxiliar-técnico da comissão de Mano Menezes, estava em outro carro, logo atrás de Alexandre. "A gente ia para o CT, e o Alexandre para o Morumbi. Eu vinha atrás dele e na hora que eu vi, já tinha batido", conta.

Sidnei lembra que, naquele dia, a visibilidade na estrada estava comprometida. Com muito nevoeiro na pista, guiar era uma missão difícil para o motorista. Na época, os bombeiros relataram que Alexandre puxou o volante com o braço esquerdo, pois era canhoto, e acertou a mureta de proteção.

No churrasco antes do acidente, além de Sidnei, também estavam outros de seus companheiros de Tricolor: o lateral Menta e o atacante Suélio.

O pai e a mãe tiveram crises de depressão na época. Marilene, até hoje, guarda a faixa de campeão paulista, camisas, fotos, e até a roupa de batizado de Alexandre. Apesar de ser dona de um brechó em Sorocaba, diz que as relíquias jamais serão vendidas. O goleiro não chegou a conhecer seu irmão, Murilo, que nasceu com síndrome de Down dois anos após a sua morte.

O Telê Santana ficou muito bravo. O Telê mandou todos que estavam com ele na chácara em São Roque embora, me parece. O Telê não quis mais eles no São Paulo. O Alexandre veio sozinho dirigindo, e o Telê ficou bravo por isso. Me chamaram para o churrasco, mas não fui.

Macedo, ex-atacante do São Paulo na década de 90

Dor e sonho de conhecer Ceni

A mãe de Alexandre recebeu um calmante da patroa antes de ouvir a notícia trágica sobre a partida do filho. "Eu não conseguia chorar, eu não conseguia dormir e até hoje eu não sei que calmante é esse, no cemitério eu também não conseguia chorar, só depois que caiu a ficha e foi terrível. O Alexandre está enterrado aqui em Sorocaba, aqui perto de mim, no cemitério da Saudade."

Foi difícil para Marilene tocar a vida após julho de 1992. Por muito tempo a mãe do goleiro são-paulino manteve hábitos domésticos, como se o filho estivesse presente.

"Eu só ficava arrumando a mesa, porque, quando o Alexandre vinha, mandava fazer bolo pra ele, fazer coisas que ele gostava. Eu arrumava a mesa e eu continuei a mesma coisa na época, arrumando a mesa mesmo depois que ele faleceu. Eu ficava esperando ele, isso foi por muito tempo."

Para o pai, João Batista, os anos que vieram a seguir após o acidente também foram igualmente complicados: "eu fiquei mais ou menos uns quatro anos bem ruim".

O pai do goleiro conta que não recomendou o filho comprar o Kadet usado no dia fatal. "Ele chegou a me dizer que ia comprar um carro, eu falei: 'Alexandre, não compra esse carro, dá um tempo com esse dinheiro. Mas ele comentou comigo: 'pai, mas é sonho meu comprar um Kadet'. Daí ele comprou esse Kadet na sexta-feira e quando foi no sábado cedo ele morreu. Ficou com o Kadet um dia."

A dor da família não passou, mas a conexão sentimental com o São Paulo permanece, principalmente para Marilene. Depois da morte de Alexandre, a moradora de Sorocaba teve outro filho, Murilo, que de tanto ouvir do time do Morumbi acabou virando um são-paulino convicto.

"Eu queria sabe o quê? Ver o Rogério Ceni, eu não conheço o Rogério Ceni pessoalmente, tenho esse desejo, quero tanto", diz a mãe de Alexandre. "Ele (Murilo) não é muito de falar, mas se perguntar qual time torce, fala São Paulo. Então eu queria tanto mostrar o Murilo para o Rogério Ceni", emenda.

Arquivo pessoal

No bolso, uma aliança de noivado

Alexandre estaria próximo de fazer uma grande surpresa para a sua então namorada, Ana Maria Barboza Lopes. No bolso, ele levava um anel, que serviria para um pedindo de noivado, que seria realizado quatro dias depois do acidente. No dia 21 de julho de 1992, o goleiro jogaria pelo São Paulo contra o Ituano, pelo Campeonato Paulista.

"Ele estava com as alianças porque depois desse jogo ele ia me pedir em noivado, eu nem sabia", relata Ana Maria.

A informação foi confirmada pela mãe do jogador, Marilene. Ana Maria e Alexandre se conheceram na escola Dona Ana Rosa de Araújo, na Vila Sônia, onde estudaram juntos. Além disso, existia uma outra coincidência, já que ambos nasceram em janeiro -- ela no dia 1º e ele no dia 2. Na época a jovem tinha 18 anos e o atleta, 17. Eles se relacionaram por quatro anos, entre 1988 e 1992.

Ana Maria revelou que até hoje permanece solteira, apesar de ter três filhos, sendo dois meninos e uma menina. "O Alexandre era incrível como namorado e pessoa. Era um filho maravilhoso, pois estava sempre presente na vida dos pais." Atualmente com 50 anos, ela não tem dúvidas de que iria se casar com o goleiro se os caminhos da vida permitissem.

"Com certeza se não fosse o acidente as coisas seriam bem diferentes. A gente se gostava muito e poderia dar casamento, sim". Para homenagear Alexandre, ela transformou as alianças em um anel com a letra A, as iniciais dos nomes de ambos.

Reprodução

Olhos de Zetti na conquista da Libertadores 1992

Existe aquela máxima que o futebol é decidido nos detalhes. E foi isso que aconteceu na conquista da Libertadores pelo São Paulo, em 1992. Zetti confirmou que seu reserva Alexandre teve papel fundamental na final, diante do Newell's Old Boys, da Argentina. A pedido do goleiro titular, o jovem trabalhou como um verdadeiro espião.

"Eu tinha combinado com o Alexandre de ele ficar de frente pra mim. O lado que esse cara chuta, você aponta com os dedos, faz o gesto, se ele bate no chão, no alto, forte. Ninguém imaginava isso e foi muito legal. Dos cinco pênaltis, eu acertei quatro cantos", relembra Zetti, um dos heróis naquela conquista tricolor.

Zetti também lembrou que a disputa das cobranças de falta entre Alexandre e Rogério Ceni começou com uma brincadeira de chutar a bola na trave aos finais dos treinos. Quem perdia, pagava uma Coca-Cola ou servia o almoço.

O Alexandre batia com muita qualidade. Canhoto, ele tinha essa precisão, e o Rogério (Ceni) foi também aprimorando isso e levou essa brincadeira muito a sério.

Zetti, ex-goleiro do São Paulo, sobre os reservas que treinavam cobranças de falta

Arquivo pessoal

Forcinha de ídolo são-paulino

Antônio Carlos Gisoldi foi o primeiro técnico de Alexandre nas escolinhas de futebol do Grêmio Esportivo Sorocabano, em 1984. Lá, o jogador já atuava como goleiro pela sua altura (1,80 m) e também demonstrava habilidade com os pés, tanto que na várzea, aos finais de semana, exercia a função de meia-esquerda do Paulista.

No começo de 1986, o goleiro foi jogar um torneio em Porto Alegre, na categoria infantil, pelo São Bento de Sorocaba, Voltando ao interior paulista, Alexandre foi dispensado pelo clube e voltou a atuar pelo Grêmio Esportivo Sorocabano. Amilton, que era um dos treinadores, não satisfeito com a recusa, o levou para a Portuguesa.

Pedido um tempo para esperar, Antônio Carlos o indicou ao jogador Paraná, ex-ponta esquerda do São Paulo e da seleção brasileira de 1966. Como olheiro, o antigo ídolo ajeitou um teste para Alexandre no Tricolor. Ele foi aprovado e lá ficou.

O pai de Alexandre, João Batista, confessou que o goleiro era corintiano por influência da família, mas virou são-paulino depois, como atleta. Pelo filho, João também virou à casaca, viajando à capital paulista sempre que dava para ver os jogos do jovem e até a torcer pelo Tricolor do Morumbi.

Naquela época, o Zetti ia ser vendido, parece que para Alemanha, e o Alexandre que ia subir, nem falavam em Rogério Ceni. O Alexandre era goleiro de nível de seleção brasileira.

Paraná, ex-jogador do São Paulo nos anos 60 e 70

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

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Folhapress

Final SPFC x Palmeiras há 29 anos consolidou 'Era Telê' e abriu caminho para 'time da Parmalat'.

____________________ * O músico Varg Vikernes é uma pessoa que odeia. 

Ex-vocalista da conhecida banda de black metal Burzum, o norueguês nutre ódio a tudo que é diferente de si. 

Ele odeia o que não seja europeu e odeia ainda mais a miscigenação, a mistura dos povos.

Quando, em agosto do ano passado, ele foi ao Twitter elencar os países que mais odeia e acrescentou à lista o Brasil, chamando os brasileiros de "Untermensch" (palavra usada pelos nazistas para designar os "povos inferiores"), o gerente de projetos paulista André Honorato resolveu contra-atacar. E encheu o perfil de Varg de fotos do ex-jogador Vampeta pelado.

Ele não foi o único. Naquele dia, os brasileiros mandaram tantas fotos do ensaio de Vampeta na "G Magazine" que Varg, inundado por uma nudez não solicitada, precisou fechar seu perfil. Foi mais uma edição do protesto virtual batizado de "vampetaço".

O vampetaço é uma espécie de cancelamento. Sempre que alguma figura pública faz ou diz algo que desagrade a massa, ela pode ser vítima do vampetaço. O Twitter, com sua tolerância à nudez, é a rede social preferencial dos manifestantes.

Já aconteceu com participantes do Big Brother Brasil e com um deputado bolsonarista. Trata-se da ressignificação de um ensaio de 1999, no qual o então volante do Corinthians exibiu sua masculinidade de uma maneira que nunca havia acontecido antes.

UOL Esporte relembra os bastidores daquele ensaio e mostra como, 22 anos depois, aquelas fotos estão sendo usadas como uma forma de protesto nas redes sociais. E discute o que o fenômeno do vampetaço pode nos ensinar sobre o racismo e o antirracismo no Brasil.

Vampeta elogia o vampetaço

Comentarista na "Jovem Pan" e na "Gazeta", Vampeta disse não se incomodar com o compartilhamento em massa de suas fotos como forma de protesto. Em conversa com a reportagem, ele chegou a elogiar a iniciativa.

Não me incomoda, acho da hora. Queria dar os parabéns pra quem criou isso."

Ensaio causou frisson em 1999 e fez fama da G Magazine

A "G Magazine" causou frisson no final dos anos 90 ao contratar o volante do Corinthians, campeão brasileiro de 98 e 99, e também da seleção. Fundada em 1997 sob o nome de "Bananaloca", a "G" já havia triplicado sua tiragem ao publicar o ensaio nu do ator Matheus Carrieri.

Mas foi Vampeta quem elevou o nome da revista a todas as rodas de conversa do país. "Nudez de Vampeta sacode o futebol", estampou a "Folha de S.Paulo", anunciando a edição seguinte da revista. "Sua atitude de posar nu, inédita entre astros do futebol, rompe um tabu nesse esporte no país, marcado pela recusa de dirigentes, técnicos e dos próprios jogadores em discutir publicamente a presença de homossexuais nas equipes."

Nu frontal empoderou gays, afirma editora

A jornalista paulista Ana Fadigas foi uma das responsáveis pelo "escândalo". Ela foi a fundadora e era editora da revista em 1999. "Estávamos passando de uma revista com nu de modelos pra uma revista com nu de famosos. Não tinha isso no mundo. E o Vampeta tinha vivido fora do país [na Holanda], tinha a cabeça mais aberta", conta a jornalista.

Ela acredita que os ensaios da "G" tiveram um aspecto "revolucionário e empoderador" porque era a primeira vez que famosos exibiam uma ereção para ser apreciada por outros homens na imprensa nacional.

"No início, a revista não mostrava ereções, só o bumbum. O ensaio do Mateus Carrieri foi o primeiro com pênis ereto. Os leitores pediam muito", conta Ana. "Com o Vampeta conseguimos a foto mais emblemática que a 'G' poderia ter. Era ele com o pinto ereto furando a rede do gol. Com essa foto a gente estourou, inclusive na Europa. A 'G' mudou por causa disso."

O ensaio teve uma mídia espontânea muito boa pra gente. O Faustão falava, o Jô falava. No Brasil de hoje eu seria uma bruxa queimada na rua."

Ana Fadigas, fundadora da 'G Magazine'

Se eu pude ajudar [a comunidade gay], fico feliz. Não tenho preconceito nenhum contra nada. Recebi carta pra caramba no Corinthians, fui em programas de TV onde jogadores não iam. A verdade é que me ajudou muito e não me prejudicou em nada."

Vampeta, ex-volante do Corinthians e da seleção

Bastidores: Vampeta precisou de ajuda para posar nu

A produção da revista precisou de uma megaoperação para evitar vazamentos nos dois dias de ensaio. Os detalhes seguem na memória do produtor Paulo Branco, que atuou também na direção de Vampeta.

"Quando estávamos na chácara do ensaio, começou a chegar helicóptero pra tentar filmar. Tivemos que parar tudo e nos esconder", relembra. Outro desafio foi deixar o jogador à vontade. Como Vampeta era o primeiro atleta a posar pra revista, havia o receio de que não rolasse "química" entre o modelo e a produção, formada toda por homens gays.

"Achei que ele podia talvez ser um homem meio bronco, mas fiquei encantado com ele. Nos tratou como se a gente se conhecesse há anos, supersimpático e acessível. Acabamos nos divertindo muito e eu virei fã." A relação deu tão certo que, quando Vampeta teve dificuldades em algumas fotos, o produtor quebrou uma regra que costumava seguir em seus trabalhos.

Eu sempre quis que os ensaios fossem artísticos, então eu montava uma equipe reduzida e não permitia que mulheres estivessem para ajudar os modelos a ficarem eretos. Na hora eles se masturbavam e pronto. Só que o Vampeta estava com dificuldade e chegou uma hora que ele disse: 'Cara, não vai rolar, eu preciso ter uma pessoa do lado'. Então eu liberei e foi a namorada dele ajudar. Foi o único que permiti isso."

Paulo Branco, produtor e diretor do ensaio

Dificuldade? Porra nenhuma! Se hoje com 47 anos eu não tenho, imagina quando tinha 22, na flor da idade, voando."

Vampeta, que na verdade tinha 24 anos na época do ensaio

Minha namorada achava que eu tava brincando quando falei pra ela. Ela disse: 'Velho, você é maluco, vai acabar com sua carreira'. Depois, ela foi no ensaio me ajudar."

Vampeta

Outros jogadores que posaram pra "G"

Dinei

O atacante do Corinthians surfou na onda de Vampeta e também posou em 99. O resultado não causou a mesma repercussão. "Ele foi respeitoso, mas estava muito travado", diz Paulo Branco.

Túlio

O atacante, então no Atlético-GO, posou em 2003. Tinha 34 anos. Na capa da revista, ele trazia uma bola na frente da cintura sob o título "Gol de placa! Túlio Maravilha exibe seu maior troféu".

Roger

O goleiro do São Paulo foi ameaçado pelo técnico Carpegiani caso aceitasse o convite: "Nenhum jogador meu vai posar nu". A edição saiu em outubro de 99. No mesmo mês, foi para o Vitória.

Vampetaço como fenômeno sociopolítico e chacota

Babu x Fadas Sensatas

Quando os fãs do ator Babu Santana entenderam que ele estava sendo vítima de perseguição no Big Brother Brasil do ano passado, promoveram um vampetaço contra as "fadas sensatas", como ficou conhecido o grupo capitaneado por Manu Gavassi. Os perfis do grupo foram inundados com o ex-jogador nu.

Douglas Garcia x Antifascistas

Em agosto do ano passado, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) abriu um canal para receber denúncias contra os líderes dos movimentos populares que estavam nas ruas pedindo o impeachment de Jair Bolsonaro. No meio das denúncias, o deputado passou a receber uma série de nudes de Vampeta.

Benfica x Torcida do Flamengo

Quando o Benfica anunciou a contratação do técnico Jorge Jesus, em julho do ano passado, a torcida flamenguista não recebeu bem a novidade. Em reação, os rubro-negros encheram a postagem anunciando o treinador campeão da Libertadores com fotos do ex-volante, chocando os tuiteiros portugueses.

Ilustrador considera vampetaço antinazista e antirracista

O gerente de projetos e ilustrador André Honorato fez parte do vampetaço contra o músico neonazista Varg Vikernes, mas foi além. Um desenho seu mostrando Vampeta dando um chute no cantor acabou viralizando depois de ser compartilhado pelo perfil do roqueiro João Gordo. A ilustração também foi parar em memes, camisetas e foi curtida pelo próprio Vampeta, um printscreen que André guarda com orgulho.

O ilustrador acredita que o vampetaço é uma forma muito particular de luta antirracista. Nessa leitura, ter respondido às falas preconceituosas de um extremista com as fotos de brasileiro pelado seria uma forma de valorizar o povo brasileiro e a miscigenação, a partir da figura de Vampeta.

"Ele é um cara bem-sucedido, um negro que conseguiu muito sucesso, super respeitado e ao mesmo tempo consegue rir de si mesmo. É a figura do bom malandro, o cara que todo mundo gosta", afirma André. "A galera começou a utilizar a imagem dele como uma arma contra o fascismo e racismo."

Ex-BBB, cientista social aponta coisificação da pessoa negra

Apesar do vampetaço ser também uma manifestação inserida no terreno do humor, é possível localizar o gesto no debate sobre o racismo à brasileira. O sociólogo Rodrigo França, que participou da edição de 2019 do BBB, afirma ver no fenômeno o que ele chama de "coisificação ou desumanização da pessoa negra", valorizada apenas por seu físico ou por seu sexo.

"A hipersexualização do negro, uma herança do período escravocrata, nega qualquer aspecto de intelectualidade e valoriza apenas questão sexual e braçal. Muitas vezes até pessoas negras acreditam que esse é seu único ponto positivo e acabam reproduzindo essa lógica racista", afirma ele, que prefere valorizar a contribuição de Vampeta, pentacampeão mundial em 2002, para o futebol brasileiro.

"O histórico do Vampeta no futebol brasileiro acaba ficando em segundo plano para valorizar apenas uma parte do seu corpo. E ridicularizar essa questão sexual. Vamos verificar a singularidade, a subjetividade dele ou vamos focar só no corpo, num membro sexual?", questiona.

O que Vampeta acha disso?

Isso [vampetaço] não me incomoda. Até agradeço pela defesa [feita por Rodrigo França], mas não me incomoda. Eu sei o que eu fiz dentro de campo, eu sei o que eu fiz na G. Cabe bem na história um pedacinho de cada."

Vampeta

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____________________ * Por trás do brilho: Salário BAIXO, CALOR extremo e quarto com 12 PESSOAS: a REALIDADE dos TRABALHADORES da Copa do QATAR-2022 

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____________________ * Gilmar diz que Lava Jato foi a "mais concreta" ameaça à democracia no país

Gilmar Mendes

Conjur - "Não vi ameaças mais concretas à democracia no país senão a partir de iniciativas de grupamentos corporativos de procurador, juiz, órgãos da Receita e Polícia Federal. Esse conúbio colocou em risco aquilo que entendemos como Estado de Direito e devido processo legal", afirmou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (29), no lançamento do Anuário da Justiça Brasil 2021.

Durante o debate “Justiça e Democracia”, o ministro voltou a fazer críticas à “lava jato” e às “dez medidas contra a corrupção”, pacote que tramitou no Congresso Nacional. Gilmar Mendes, com uma visão privilegiada da democracia brasileira, depois de ter passado pela Casa Civil e pela Advocacia-Geral da União antes de chegar ao STF, lembrou de propostas “fortemente autoritárias” apresentadas pelos procuradores ao Parlamento: permissão para o uso de provas ilícitas e restrição brutal à concessão de Habeas Corpus.

“Só na ditadura o HC sofreu limitação, ainda assim no AI-5. As dez medidas desenhavam um modelo autoritário, estávamos muito próximos de ser submetidos à ditadura de Curitiba”, disse. É preciso estarmos atentos aos salvadores da pátria — venham eles do Legislativo, Executivo ou Judiciário — recomendou o ministro, e acrescentou que esse é o legado que fica da fase crítica da "lava jato".

Gilmar Mendes também falou sobre o uso das delações premiadas pelos procuradores de Curitiba. “A nossa luta contra a ditadura foi pelo devido processo legal, pelo Estado de Direito, pelo fim da tortura. Com as delações premiadas, você introduz um elemento de tortura para obter a delação”, disse. “Descemos muito na escala das degradações”.

O lançamento do Anuário da Justiça Brasil 2021, que aconteceu na manhã desta terça-feira (29/6) e foi transmitido pela TV ConJur, teve a participação dos presidentes do STF, Luiz Fux; do Conselho de Curadores da Faap, Celita Procópio; do STJ, Humberto Martins; do TST, ministra Maria Cristina Peduzzi; do TSE, Roberto Barroso; do STM, Luis Carlos Gomes Mattos; do PGR, Augusto Aras; do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz; e da AMB, Renata Gil — cada um deles com um breve panorama do último ano e suas perspectivas para 2021.

Em seguida, houve o debate “Justiça e Democracia — A visão da Justiça, do Ministério Público e da Advocacia” com a participação do ministro Gilmar Mendes, do STF; do procurador-geral da República Augusto Aras; e do advogado e ex-presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. A mediação foi do repórter especial da ConJur Rodrigo Haidar.

O Anuário da Justiça Brasil é uma publicação da ConJur que tem o apoio da Faap — Fundação Armando Alvares Penteado.

A versão digital do Anuário da Justiça Brasil 2021 é gratuita e já está disponível no site anuário.conjur.com.br ou por meio do app Anuário da Justiça. A versão impressa está à venda exclusivamente na Livraria ConJur.

____________________ * Bolsonaro participou ‘em todos os momentos’ do caso de corrupção da Covaxin, diz Renan

Renan Calheiros e Jair Bolsonaro

Rede Brasil Atual - O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta terça-feira (29) que o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro no escândalo da vacina Covaxin é “muito mais grave” do que apenas a suspeita de prevaricação. “Ele não só teve conhecimento. Ele participou em todos os momentos”. Renan então sugeriu que Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, receitasse um “memoriol” ao titular do Palácio do Planalto.

Renan lembrou que, em 8 de janeiro, Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pedindo celeridade na liberação de 20 milhões de doses da Covaxin. Ao mesmo tempo, destacou que o Ministério da Saúde havia “recusado” a aquisição de 170 milhões de doses dos imunizantes da Pfizer, do Butantan (a Coronavac) e do consórcio Covax Falicity, da OMS.

“No dia 25 de fevereiro, o acordo foi fechado”, destacou Renan. Depois disso, em 10 de março, o presidente sancionou a Medida Provisória que autorizava a importação excepcional de vacinas contra a covid-19.

Foi nesta MP que o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), incluiu uma emenda facilitando a importação do imunizante. Na última sexta-feira (25), o deputado federal Luís Miranda disse que Bolsonaro se referiu a Barros como o suposto responsável pela negociata.

“Quando Miranda foi falar com ele, foi 10 dias depois, em 20 de março. Disse que o presidente sabia da negociação em detalhes, com todos os pormenores”, ressaltou o relator da CPI.

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) havia acusado a CPI de antecipar conclusões do relatório. Isso porque três parlamentares levaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime com indícios de prevaricação cometida por Bolsonaro. Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão, disse se tratar de uma iniciativa individual dele e dos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO).

Disputa no Amazonas

O embate entre Renan e Bezerra Coelho ocorreu durante o depoimento do deputado estadual do Amazonas Fausto Junior (PRTB). Ele foi relator da CPI da Saúde em seu estado, que investigou a atuação da pasta entre 2011 e 2020. Convocado pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), a expectativa é que o parlamentar pudesse contribuir com informações sobre a crise de desabastecimento de oxigênio em Manaus, no início deste ano. Contudo, Fausto Junior afirmou que o tema não entrou no seu relatório, concluído ainda em setembro do ano passado.

Também se esquivou quando perguntado por que não houve o pedido de indiciamento do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Fausto afirmou que Lima já respondia a processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por suspeita de corrupção na compra de respiradores. Segundo ele, os desvios, realizados por meio de uma loja de vinhos, foram identificados através de uma investigação da Polícia Federal (PF), e não da Comissão.

No entanto, ele apresentou uma lista com valores pagos em “processos indenizatórios” na Saúde amazonense. Foi quando ele disparou um ataque ao senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid. “Todos os governadores investigados pela CPI mereciam ser indiciados. Eu propus isso, e não foi aceito. O certo era ter indiciado inclusive o ex-governador Omar Aziz.”

Aziz afirmou, então, que Fausto havia feito um “gol contra” com tal acusação. Isso porque sua mãe, Yara Lins, é conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), e votou a favor das contas do então governador. Quando perguntado sobre o tema por Otto Alencar, o deputado afirmou se tratar “de uma falta de respeito”.

Armadilha

Aziz ainda destacou que são os secretários, e não o governador, os responsáveis pela organização das despesas orçamentárias. E que seu subordinado nem sequer havia sido indiciado. Marcos Rogério comparou então ao caso Covaxin, tentando livrar Bolsonaro de envolvimento nas negociações suspeitas. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, disse Aziz, que acusou Rogério de estar agindo de “má fé”, ao utilizar o depoimento de Fausto Junior para atacá-lo. Disse que o deputado amazonense ainda teria “prevaricado”, se sabia de algum ilícito cometido sem ter denunciado.

____________________ * Em meio ao escândalo da Covaxin, Augusto Aras diz que NÃO CABE à PGR investigar Bolsonaro por PREVARICAÇÃO 

Ricardo Barros, Jair Bolsonaro e Augusto Aras

247 - Um dia após senadores enviarem ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro por prevaricação no possível caso de corrupção na compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde, o procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que não cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar o presidente por este motivo.

A declaração ocorreu durante participação de Aras no debate "Justiça e Democracia" nesta terça-feira (29), organizado pela ConJur, mas a fala foi feita fora do ar. A manifestação do PGR não é oficial e não tem impacto na notícia-crime enviada por Rosa Weber, relatora do pedido dos senadores, a Aras. 

Os parlamentares pedem que Bolsonaro seja investigado por conivência diante da revelação feita a ele de que haveria um esquema de corrupção na compra do imunizante, conforme relatado pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) à CPI da Covid na última semana. A acusação é de prevaricação, mas eles também não descartam outros crimes, como corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de improbidade administrativa.

Para Aras, é atribuição do PGR única e tão somente denunciar o presidente por crime comum. Em caso de crime de responsabilidade, esta atribuição é do Poder Legislativo, sustenta Aras.

Ele defendeu, no entanto, que não cabe mover ação por prevaricação contra o presidente. Embora seja um servidor público, Bolsonaro só poderia ser denunciado por crime de responsabilidade, segundo Aras.  

____________________ * Francieli Fantinato, que substituiu Luana Araújo, deixa secretaria de combate à Covid-19

247 - A enfermeira Francieli Fontana Fantinato deixou o comando da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, do Ministério da Saúde. A informação foi divulgada no Twitter pelo jornalista Luis Costa Pinto.

A enfermeira havia substituído a médica Luana Araújo, que foi demitida antes de tomar posse oficialmente por criticar o chamado "tratamento precoce", que não tem eficácia contra a Covid-19, e após trabalhar por dez dias na pasta. 

Francieli Fantinato foi escolhida no dia 6 de abril para assumir a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19. Segundo Costa Pinto, o motivo para a saída de Francieli Fantinato teria sido a insistência do governo na liberação de medicamentos como cloroquina e a ivermectina.

Francieli Fantinato teve a quebra de sigilos telefônico e telemático aprovada pela CPI da Covid. Além da quebra de sigilos, a CPI também aprovou uma acareação entre Fantinato e a médica Luana Araújo. 

O requerimento foi apresentado pelo senador Otto Alencar (PSD-BA). “A doutora Franciele Francinato editou nota técnica aos Estados, recomendando a vacinação de gestantes que tinham recebido a primeira dose da Astrazeneca, com qualquer vacina que estivesse disponível, sem nenhuma comprovação de segurança ou eficiência disso em gestantes”, justificou Alencar.

____________________ * À beira de novos apagões, governo Bolsonaro eleva bandeira vermelha da conta de luz em 52%

247 - A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) definiu nesta terça-feira (29) um novo valor para a bandeira vermelha patamar 2, que está sendo cobrada atualmente na conta de luz. Pela decisão, a taxa passa de R$ 6,243 por 100 kWh para R$ 9,49 por 100 kWh. O novo valor representa aumento de 52%.

A justificativa do governo é que o aumento seria supostamente o valor necessário para cobrir todo o custo adicional do acionamento de termelétricas ao longo do segundo semestre deste ano, evitando um apagão no país.

Segundo reportagem do portal UOL, as bandeiras são cobradas na conta de luz dependendo das condições de geração de energia no setor elétrico. Diante da falta de chuvas, de acordo com a área técnica da Aneel, o aumento na bandeira vermelha patamar 2 deveria ter sido ainda maior, levando a taxa para R$ 11,50 (aumento de 84%). O acréscimo envolveria uma mudança na metodologia de cálculo das bandeiras. Por isso, a decisão da agência foi de implantar um aumento menor agora e convocar uma consulta pública para debater as alterações de metodologia. Assim, há a possibilidade de a bandeira ser novamente reajustada após a consulta pública.

O relator do processo, diretor Sandoval Feitosa, foi voto vencido. Ele sugeriu que a bandeira vermelha patamar 2 fosse elevada em apenas R$ 0,25, de R$ 6,243 para R$ 6,49. A ideia era submeter o aumento mais significativo a consulta pública, o que levaria a uma nova discussão em agosto.

O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, porém, afirmou que essa decisão poderia deixar custos descobertos. Segundo ele, já há um déficit de R$ 1,5 bilhão no valor arrecadado pelas bandeiras, e, em julho, o rombo deve aumentar. O argumento de Pepitone, acompanhado por outros diretores, foi de que manter a bandeira vermelha em patamar menor agora poderia elevar ainda mais a conta no futuro, prejudicando os consumidores.

____________________ * Barros desafia Bolsonaro e Lira e diz que não sai da liderança do governo

Ricardo Barros, Bolsonaro e Arthur Lira

247 - O deputado Ricardo Barros (PP-PR), no centro do escândalo da CPI da Covid, anunciou desafiadoramente numa reunião com aliados que não deixará a liderança do governo na Câmara. A afirmação soa como uma resposta a Jair Bolsonaro e ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que não estão empenhados em defendê-lo publicamente. “Eu sei me defender. Não vou sair da liderança”, disse o parlamentar, de acordo com a coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo.

A declaração foi feita durante uma reunião de líderes do governo realizada nesta segunda-feira (28). A avaliação de aliados, porém, é que Barros está em uma situação delicada, uma vez que Lira o considera como um desafeto e o vê como um adversário. Já Bolsonaro tem optado pelo silêncio desde que o deputado Luis Miranda (DEM) insinuou ter uma gravação que envolveria o ex-capitão no caso de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin.

Ainda segundo a reportagem, Barros também teria negado ser o responsável pelas pressões sofridas pelo servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda para liberar a importação da vacina indiana. Ele e o irmão, o deputado Luis Miranda, afirmam que denunciaram o caso a Bolsonaro no final de março, no Palácio da Alvorada, e que ele teria citado o nome de Ricardo barros como responsável pelo “rolo”. 

A CPI deverá votar nesta semana o requerimento de convocação de Ricardo Barros. O parlamentar deverá ser ouvido na próxima semana. 

____________________ * Luis Miranda deixa claro que irmão gravou conversa e que ela aparecerá: Bolsonaro "não é maluco de mentir assim" (vídeo)

Deputado Luís Miranda, o irmão Ricardo Miranda, o Ministério da Saúde e a vacina Covaxin

247 - O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) insinuou existir uma gravação sobre uma reunião com Jair Bolsonaro, que, segundo o parlamentar, teve um secretário responsável por receber mensagens no WhatsApp com alertas sobre corrupção no Ministério da Saúde envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin. "Ele não vai mentir. Ele não é maluco", disse Miranda ao Congresso em Foco. "Ele deve ter um pouquinho de juízo. Ele não vai me fazer acabar com a minha vida política e com a dele mostrando algo que eu não quero mostrar. Não estou mentindo", afirmou.

Ao ser questionado se o irmão Luis Ricardo Miranda pode ter gravado uma conversa com Bolsonaro, o congressista relatou que "na hora certa tudo pode aparecer". O parente do parlamentar é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde e disse ter sido pressionado dentro da pasta para agilizar a aquisição da vacina indiana.

A CPI da Covid também apura denúncias de superfaturamento na aquisição do imunizante. O valor da compra foi 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela fabricante. Outro detalhe é que a compra do imunizante foi a única para a qual houve um intermediário, a empresa Precisa, sem vínculo com a indústria de vacina.

Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, Fabiano Contarato e Jorge Kajuru apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro por prevaricação.

Principal denunciante do esquema junto com o irmão, o deputado Luís Miranda acionou a Polícia Federal alegando ter recebido ameaças de morte

____________________ * Carlos Bolsonaro apela e posta imagem de Jair em cirurgia numa cena que coloca em xeque a “facada”

Vereador Carlos Bolsonaro

247 - O vereador Carlos Bolsonaro resolveu postar no Twitter uma imagem chocante de seu pai, Jair Bolsonaro, no hospital, com uma cicatriz decorrente de um procedimento cirúrgico que teria sido feito em consequência da suposta facada de Adélio Bispo contra o então candidato a presidente em 2018 no município de Juiz de Fora (MG). 

A imagem, no entanto, colocou em xeque a suposta facada e mostrou que a cicatriz pode ter tido outro motivo, por sua extensão.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo em abril deste ano, Bolsonaro fez ao menos sete cirurgias desde setembro de 2018, mas nem todas foram consequência do ataque sofrido em Minas.

O vereador também reclamou que não foram quebrados os sigilos da defesa de Adélio Bispo. 

Em junho, o advogado Frederick Wassef apresentou em nome de Jair Bolsonaro uma petição pedindo que seja revista a decisão judicial de não autorizar a quebra dos sigilos telefônicos dos advogados do autor da suposta facada. 

Em junho, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux decidiu que é do Tribunal Regional Federal da 1ª Região a competência para julgar o mandado de segurança contra a decisão judicial que decretou a quebra de sigilo bancário do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior e a apreensão do seu telefone celular de uso pessoal. 


____________________ * Fernando Bezerra (MDB-PE), LÍDER do GOVERNO no SENADO poupa Bolsonaro e Pazuello e diz que ex-número 2 da Saúde apurou e nada encontrou sobre Covaxin

Estratégia do Palácio do Planalto de apresentar novo nome é fortalecer tese de que presidente NÃO IGNOROU as denúncias

Brasília

Um dia após senadores pedirem ao STF (Supremo Tribunal Federal) investigação do presidente Jair Bolsonaro pelo suposto crime de prevaricação, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou nesta terça-feira (29) que as denúncias em torno da compra da vacina Covaxin foram apuradas de maneira “cautelosa e criteriosa” por Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

O ex-número 2 da pasta, então sob o comando de Eduardo Pazuello, teria concluído que “não houve irregularidades contratuais” para a compra da vacina indiana.

A estratégia do Palácio do Planalto de apresentar esse novo nome é fortalecer a tese de que o chefe do Executivo não ignorou as denúncias sobre a compra da Covaxin e sim pediu que o Ministério da Saúde esclarecesse as supostas irregularidades na negociação do governo em torno da vacina.

  • O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga

A existência de denúncias de irregularidades em torno da compra da vacina indiana Covaxin foi revelada pela Folha no dia 18, com a divulgação do depoimento sigiloso de Luis Ricardo ao Ministério Público Federal, que relatou pressão "atípica" para liberar a importação da Covaxin.

Desde então, o caso virou prioridade da CPI no Senado. A CPI suspeita do contrato para a aquisição da imunização, por ter sido fechado em tempo recorde e prever o maior valor por dose da vacina, em torno de R$ 80. Além disso, é o único feito por um intermediário, a Precisa Medicamentos.

A crise chegou ao Palácio do Planalto após o deputado Luís Miranda (DEM-DF), irmão do servidor, relatar que o presidente havia sido alertado por eles em março sobre as irregularidades. Bolsonaro teria respondido, segundo o parlamentar, que iria acionar a Polícia Federal para que abrisse uma investigação.

Bezerra agora relata que a apuração dos fatos foi levada adiante pelo então braço-direito de Pazuello, o coronel Elcio Franco. Pazuello e Franco integram a lista de 14 nomes que passaram da condição de testemunha para investigados pela CPI.

“Diante do encontro relatado pelo deputado federal Luis Miranda, o presidente da República entrou em contato com o então Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no dia 22 de março de 2021, segunda-feira, a fim de solicitar a realização de uma apuração preliminar acerca dos fatos relatados quanto ao contrato de compra da vacina Covaxin”, afirmou o líder do governo, em um pronunciamento lido na CPI da Covid.

“No regular exercício do poder de autotutela da administração pública, ato contínuo após a ordem do presidente da República, o ministro determinou que o então secretário-executivo, Elcio Franco, realizasse uma averiguação prévia dos indícios de irregularidades e ilicitudes apontados”, completou.

Bezerra justifica que Elcio Franco foi responsável por todas as negociações, contratações e aquisições de vacinas contra a Covid. Por isso seria o agente público com “maior expertise” para apurar eventuais irregularidades.

“Após a devida conferência, foi verificado que não existiu irregularidades contratuais, conforme já previamente manifestado, inclusive pela Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde”, afirmou Bezerra.

Na segunda-feira, três senadores, incluindo o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ingressaram com uma notícia-crime no STF (Supremo Tribunal Federal) contra Bolsonaro pelo crime de prevaricação.

O documento também é assinado por Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO). A denúncia se baseia nos fatos recentes relacionados ao contrato para a aquisição da vacina indiana Covaxin. A ministra Rosa Weber foi sorteada relatora do processo e encaminhou no mesmo dia o pedido para a PGR se manifestar.

Os autores do documento requerem, com a eventual aceitação da denúncia, que o procurador-geral da República, Augusto Aras, seja intimado a promover a denúncia contra o presidente pela prática do crime de prevaricação —quando o agente público retarda ou deixa de agir em benefício do bem público.

Os senadores também pedem na peça jurídica que Bolsonaro seja intimado e responda em 48 horas se foi comunicado das denúncias envolvendo irregularidades na aquisição da Covaxin, se apontou o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) como provável responsável pelo ilícito e se adotou as medidas cabíveis para apurar as denúncias.

Por último, a notícia-crime também pede a intimação da Polícia Federal para que explique em 48 horas se houve a abertura de inquérito para apurar denúncias sobre aquisição da vacina Covaxin e ofereça destaques sobre o procedimento.

A sessão desta terça foi destinada a ouvir o deputado estadual do Amazonas Fausto Junior (MDB), que foi o relator da CPI da assembleia legislativa estadual.

A oitiva foi tumultuada, com diversos momentos de discussões acaloradas entre o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o depoente.

O deputado foi pressionado a explicar por que não recomendou o indiciamento do governador Wilson Lima (PSC) e rebateu atacando Aziz.

"O certo era para ser indiciado, inclusive, o ex-governador Omar Aziz, pela gestão dele na saúde, inclusive o ex-governador Omar Aziz. E não somente o governador Wilson Lima; todos têm participação", afirmou, dando início a uma discussão.

Em outro momento, Aziz aparece dirigindo a fala fora do microfone ao depoente, que afirmou estar sendo ameaçado de prisão.

"Vossa Excelência está me ameaçando. Vossa Excelência acabou [de dizer] 'vai sair daqui preso'. Foram essas as palavras que Vossa Excelência usou", completou.

Aziz por sua vez acusou de corrupção a mãe do depoente, a conselheira do Tribunal de Contas do Estado Yara Lins.

O QUE ACONTECEU APÓS A REVELAÇÃO DO CASO PELA FOLHA

Reportagem aponta pressão atípica (18.jun)
Em depoimento mantido em sigilo pelo MPF (Ministério Público Federal) e obtido pela Folha, Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, afirmou ter sofrido pressão de forma atípica para tentar garantir a importação da vacina indiana Covaxin

'É bem mais grave' (22.jun)
Irmão do servidor do Ministério da Saúde, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse à Folha que o caso é "bem mais grave" do que a pressão para fechar o contrato

Menção a Bolsonaro (23.jun)
Luis Miranda afirmou ter alertado o presidente sobre os indícios de irregularidade. "No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão, e levamos toda a documentação para ele"

CPI aprova depoimentos (23.jun)
Os senadores da comissão aprovaram requerimento de convite para que o servidor Luís Ricardo Miranda preste depoimento. A oitiva será nesta sexta-feira (25) e o deputado Luis Miranda também será ouvido.
Os parlamentares também aprovaram requerimento de convocação (modelo no qual a presença é obrigatória) do tenente-coronel Alex Lial Marinho, que seria um dos autores da pressão em benefício da Covaxin. A CPI também decidiu pela quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de Lial Marinho

Denúncia grave (23.jun)
Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que as denúncias de pressão e a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro tenha tido conhecimento da situação talvez seja a denúncia mais grave recebida até aqui pela comissão

Bolsonaro manda PF investigar servidor e deputado (23.jun)
O presidente mandou a Polícia Federal investigar o deputado Luis Miranda e o irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda. O ministro da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, e Elcio Franco, assessor especial da Casa Civil e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, foram escalados para fazer a defesa do presidente. Elcio é um dos 14 investigados pela CPI

Empresa diz que preço para Brasil segue tabela (23.jun)
A Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, afirmou que o preço de US$ 15 por dose da vacina oferecido ao governo segue tabela mundial e é o mesmo praticado com outros 13 países

Governistas dizem que Bolsonaro repassou suspeitas a Pazuello (24.jun)
Senadores governistas da CPI afirmaram que o presidente pediu que Pazuello verificasse as denúncias envolvendo a compra da Covaxin assim que teve contato com os indícios

'Acusação é arma que sobra' (24.jun)
Bolsonaro fustigou integrantes da CPI, repetiu que não há suspeitas de corrupção em seu governo e afirmou que a acusação sobre a vacina é a arma que sobra aos seus opositores. "Me acusam de quase tudo, até de comprar uma vacina que não chegou no Brasil. A acusação é a arma que sobra", disse o presidente na cidade de Pau de Ferros, no Rio Grande do Norte

'Foi o Ricardo Barros que o presidente falou' (25.jun)
Em depoimento à CPI da Covid, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que é irmão do servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, afirmou ter alertado Bolsonaro. “A senhora também sabe que foi o Ricardo Barros que o presidente falou", disse o parlamentar à senadora Simone Tebet (MDB-MS). Segundo ele, Bolsonaro afirmou: "Vocês sabem quem é, né? Sabem que ali é foda. Se eu mexo nisso aí, você já viu a merda que vai dar, né? Isso é fulano. Vocês sabem que é fulano"

____________________ * Planalto desconfia de que Arthur Lira INCITOU Luís Miranda

Tales Faria

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

29/06/2021 10h42

Nunca antes na história deste governo o presidente Jair Bolsonaro e seus principais auxiliares estiveram tão irritados e tão preocupados com uma denúncia quanto esta dos irmãos Miranda contra o líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR).

A irritação aumenta com a versão que corre solta no Planalto, de que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), teria incentivado o deputado Luís Miranda (DEM-DF) a divulgar que Bolsonaro apontou Ricardo Barros como envolvido nas falcatruas no Ministério da Saúde.

Por conta dessa afirmação, senadores deram entrada em ação no STF contra o presidente da República por prevaricação, já que ele nada teria feito, após ser avisado pelo deputado e o irmão, Luís Ricardo Miranda, das pressões para apressar o contrato de compra da vacina Covaxin.

Segundo Luís Miranda contou na CPI, Bolsonaro acusou Ricardo Barros na conversa que tiveram no Palácio da Alvorada.

Para assessores do presidente no Planalto, Bolsonaro tem chances razoáveis de se livrar do problema na Justiça. Primeiro, porque Luís Miranda teria que provar o teor da conversa com Bolsonaro. Caso prove, teria que ser provado que nada foi feito para apurar irregularidades.

O problema é político. As acusações contra Bolsonaro só avançarão se houver condições políticas para se decidir pelo afastamento de um presidente da República.

Para isso, a crise econômica teria que perdurar por muito tempo e a pandemia, também. Os assessores do presidente avaliam que a economia já está dando sinais de melhora e a vacinação tende a aumentar seu ritmo, estancando o avanço da pandemia no médio prazo.

A crise política só se instalaria, então, nessa avaliação, se houvesse um rompimento com o centrão, maior grupo de partidos do Congresso e que dá sustentação ao governo. O PP, de Arthur Lira e Ricardo Barros, é a maior legenda do centrão. E ainda um eventual pedido de impeachment teria que passar pelo crivo de Lira.

Daí porque assusta tanto ao Planalto a versão de que o presidente da Câmara está por trás da afirmação de Luís Miranda envolvendo Ricardo Barros.

O sinal vermelho acendeu quando, durante seu depoimento na CPI, Luís Miranda admitiu ter procurado Arthur Lira para falar de Ricardo Barros. Segundo o deputado, o presidente da Câmara teria respondido: "Mas por que você está me procurando?" O Planalto entendeu esse novo relato do deputado como um recado.

Há muito tempo Arthur Lira e o líder do governo não se bicam. Ricardo Barros assumiu o cargo contra a vontade do presidente da Câmara, que já defendeu no Planalto seu afastamento e não conseguiu.

Também o líder do governo tem peso próprio dentro do PP e, por isso, o partido até agora não apoiou seu afastamento do cargo. Um fortalecimento demasiado de Arthur Lira ameaça o comando que o presidente nacional da sigla, o senador Ciro Nogueira (PI), tem sobre seus filiados.

Foi o que aconteceu no DEM com o fortalecimento do deputado Rodrigo Maia (RJ), então um cacique do partido, quando comandava a Câmara. Assim que foi possível, o presidente da sigla, ACM Neto, articulou a derrubada de Maia.

O mesmo ocorreu com ex-presidente da República Michel Temer, que também presidiu o MDB. Acabou se indispondo com um seu antigo aliado no partido, Eduardo Cunha (RJ), quando este presidia a Câmara e tentou sobrepor seu poder ao de Michel.

É quase que uma questão histórica: praticamente todos os presidentes da Câmara pós-redemocratização tentaram sobrepor seu poder ao do chefe do Executivo. No caso de Luís Eduardo Magalhães (DEM-BA), foi seu pai, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), quem assumiu essa disputa.

Agora Bolsonaro sabe que terá que pisar em ovos com Arthur Lira: amigos amigos, negócios à parte.

Se o presidente da Câmara achar necessário, sempre poderá criar problemas de difícil solução.

____________________ * Kennedy: suspensão de contrato é TENTATIVA de 'LIMPAR a BARRA de Bolsonaro

Colaboração para o UOL

29/06/2021 18h33

Atualizada em 29/06/2021 19h02

Para o colunista do UOL Kennedy Alencar, a suspensão do contrato da vacina indiana Covaxin é uma tentativa de "limpar a barra" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na avaliação de Kennedy, a estratégia é "frágil".

"Essa decisão faz parte de uma tentativa de 'limpar a barra' do presidente da República. É uma tentativa frágil de evitar que Bolsonaro seja acusado de prevaricação", disse, em participação no UOL News.

CPI: Líder do governo diz que Bolsonaro mandou Pazuello apurar caso Covaxin

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou hoje a suspensão do contrato para compra de 20 milhões de doses da Covaxin. O acordo feito com a Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, foi temporariamente cancelado após suspeitas de irregularidades e suposta corrupção.

A CGU (Controladoria-Geral da União) terá pelo menos 10 dias para analisar o caso.

A decisão acontece um dia após três senadores apresentarem uma notícia-crime contra Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) pelo crime de prevaricação. O pedido é para que a PGR (Procuradoria-geral da República) investigue se o presidente "optou por não investigar o suposto esquema de corrupção levado a seu conhecimento" pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF).

Em depoimento à CPI da Covid, o deputado disse que Bolsonaro prometeu acionar a Policia Federal. "Como ele não fez isso, como ele prevaricou, agora o governo criou essa versão fantasiosa", disse Kennedy.

Para o colunista do UOL, é possível que a CGU analise o caso e conclua que não há erro, mas que o ministro da Saúde opte por não dar prosseguimento à compra da Covaxin porque "não cumpriu o prazo contratual de entrega".

Depoimento de Wizard pode mostrar presidente "corrupto"

Kennedy Alencar avaliou, também, que o depoimento do empresário Carlos Wizard, marcado para amanhã, será muito importante para juntar elementos capazes de acusar o presidente Jair Bolsonaro de "ser responsável por uma estratégia que matou mais gente e fez mais gente adoecer no Brasil".

Apontado pela CPI da Covid como um dos integrantes do "gabinete paralelo" - grupo que aconselhava o presidente durante a pandemia. A suspeita é que o aconselhamento tenha priorizado medidas não científicas no combate à pandemia de covid-19.

"A partir do caso da Covaxin e do que a gente está vendo agora, a CPI foi por um outro caminho no qual o Wizard também pode estar envolvido em uma negociação de vacinas na China que seja inadequada, suspeita, como é da Covaxin", opinou.

Para Kennedy, por ser próximo ao presidente e do governo, há uma expectativa muito grande que, por esse depoimento, "se consigam mais provas".

"Além da questão do 'genocida', como o presidente tem sido chamado, poder se fortalecer o epíteto de 'corrupto'", disse.

____________________ * Balaio do Kotscho - Governo tira sofá da sala para livrar Bolsonaro do caso Covaxin

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anuncia suspensão da compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin - Divulgação/PR
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anuncia suspensão da compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin Imagem: Divulgação/PR
Ricardo Kotscho

Colunista do UOL

29/06/2021 18h52

Em clima de barata voa, o governo dá várias versões e bate cabeça para livrar Bolsonaro do escândalo da Covaxin.

Um dia após o presidente ser alvo de notícia-crime no STF por prevaricação, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, leu na CPI da Covid um informe sobre as providências tomadas para investigar as denúncias dos irmãos Miranda.

Na semana passada, Bezerra foi porta-voz de uma reunião no Planalto em que deu uma primeira versão: o presidente não acionou a Polícia Federal porque entregou o caso para o general Eduardo Pazuello investigar o contrato com o laboratório indiano, e que ele não encontrara nenhuma irregularidade.

Só aí se descobriu que o ministro da Saúde foi demitido no dia seguinte e não teria tido tempo de investigar nada.

Diante disso, a nova versão apresentada nesta terça-feira por Bezerra informa que Pazuello repassou a investigação para o seu número 2, coronel Elcio Franco, que também seria demitido dias depois.

Segundo o líder do governo, as denuncias foram apuradas de forma "cautelosa e criteriosa" por Franco, que concluiu não ter encontrado "irregularidades contratuais" na compra da Covaxin.

Acontece que o coronel era o responsável por todos os contratos de aquisição de imunizantes e foi sua equipe que pressionou o servidor Luís Ricardo Miranda a apressar a aprovação da compra intermediada pela Precisa Medicamentos.

Foi como pedir para a raposa investigar o galinheiro e ver se tinha alguma coisa errada por lá. Bezerra só não explicou por que o presidente não acionou a Polícia Federal, como prometeu aos irmãos Miranda.

Como a nova versão também não colou, no fim da tarde o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou no Palácio do Planalto que a compra da Covaxin fora suspensa, por recomendação da Controladoria Geral da União (CGU).

Ou seja, resolveram tirar o sofá da sala para livrar a barra de Bolsonaro da denúncia de prevaricação.

Assim que o presidente terminou de fazer um discurso sobre a produção de pesca, Queiroga apressou-se para falar com ele, disse algumas poucas palavras e, em seguida, dirigiu-se para o general Augusto Heleno, que reapareceu num evento oficial.

Ao lado de Queiroga o chefe da CGU, Vagner do Rosário, informou que fará uma auditoria nos contratos e, no máximo em dez dias, anunciará o resultado. "Por orientação da CGU, por uma questão de conveniência e oportunidade, decidimos suspender o contrato para que análises mais aprofundadas sejam feitas", explicou o ministro da Saúde.

O que seria uma questão de "conveniência e oportunidade?" Para quem? Não ficamos sabendo.

Até então, o governo vinha negando qualquer irregularidade no acordo de compra da Covaxin, no valor de R$ 1,6 bilhão, assinado no dia 25 de fevereiro, pagando US$ 15 a dose, valor bem mais alto do que o dos outros imunizantes já adquiridos pelo Ministério da Saúde.

É tudo um jogo de cena para dizer que Bolsonaro não se omitiu depois de receber as denúncias dos irmãos Miranda, no Palácio da Alvorada, no dia 20 de março, motivo da notícia-crime apresentada ao STF na segunda-feira.

Por isso mesmo, os senadores da CPI da Covid decidiram manter para quinta-feira o depoimento do empresário Francisco Emerson Maximiniano, sócio da Precisa Medicamentos, que poderá esclarecer muitas coisas.

Por exemplo, quanto sua empresa ganharia com a intermediação da compra pelo governo brasileiro e por que o fabricante indiano tentou receber um adiantamento de R$ 500 milhões a ser pago numa offshore em Cingapura, antes de entregar o primeiro lote de vacinas?

Poderá também contar qual foi a participação de Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, citado na conversa dos Miranda com Bolsonaro, e qual a sua relação com Flávio Bolsonaro, que o levou para uma reunião no BNDES.

Ainda há muitas pontas desamarradas nesta história, a primeira e única vez até agora em que o governo brasileiro precisou de um intermediário para comprar vacinas.

Aguardem os próximos capítulos.

Vida que segue.

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