__________________________ * NÃO DÁ para MINIMIZAR o RISCO de APAGÃO | Opinião - O Globo __________________________ * FICHA começou a CAIR até para os BOLSONARISTAS de ALUGUEL * FREIO na CONSPIRAÇÃO | Bernardo Mello Franco

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Paulo* e Vini*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) - Fernando Moraes/UOL
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____________________ * Ronilso Pacheco - Meio milhão de mortos e silêncio e desprezo de bolsonaristas. É o fim

____________________ * FICHA começou a CAIR até para os BOLSONARISTAS de ALUGUEL * Freio na conspiração | Bernardo Mello Franco

____________________ * Mourão diz que discurso anticorrupção de Bolsonaro não está abalado e que não há espaço para impeachment

____________________ * NÃO dá para MINIMIZAR o RISCO de APAGÃO 

____________________ * Chemsex: jovens usam drogas para 'turbinar' sexo e testar limites do corpo

____________________ * SUPERPEDIDO de IMPEACHMENT vai à Câmara com caso COVAXIN, mas Bolsonaro AINDA tem BASE política para BARRA-LO. Oposição e ex-aliados UNIFICARAM pedidos de afastamento do presidente; são 23 TIPOS de ACUSAÇÕES 

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____________________ * FICHA começou a CAIR até para os BOLSONARISTAS de ALUGUEL * Freio na conspiração | Bernardo Mello Franco

Jair Bolsonaro dá entrevista no Parque Tecnológico de Sorocaba

Na sexta passada, Jair Bolsonaro culpou o teto de gastos pela falta de ações do governo. “Temos um teto e não temos dinheiro. Queremos fazer, mas tem cada vez menos dinheiro”, queixou-se. Na mesma entrevista, ele defendeu torrar R$ 2 bilhões para ressuscitar o voto impresso. “Já falei com o Paulo Guedes. Tá garantido”, disse.

A incoerência é o menor dos problemas da ofensiva presidencial. Ao atacar a urna eletrônica, o capitão prepara o terreno para contestar uma possível derrota em 2022. O discurso atiça extremistas que sonham com uma insurreição armada. “Vamos criar o caos”, avisou o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

A pregação golpista não é nova, mas Bolsonaro tem elevado o tom das ameaças. Em janeiro, sugeriu que pode imitar Donald Trump e sua invasão do Capitólio. “Se nós não tivermos voto impresso em 2022, vamos ter problema pior que os Estados Unidos”, prometeu. Em maio, disse que, “se não tiver voto impresso, não vai ter eleição”. “Acho que o recado está dado”, arrematou.

O capitão tem aliados para além da sua tropa de fanáticos. O procurador Augusto Aras, que não perde uma chance de mostrar serviço, já fez declarações em defesa do retrocesso. O deputado Arthur Lira permitiu que a ideia avançasse na Câmara. A relatoria foi entregue ao bolsonarista Filipe Barros, investigado no inquérito das fake news.

Como diz o ministro Barroso, o retorno ao voto impresso é uma solução arriscada para um problema inexistente. O sistema atual já é auditável e funciona há 25 anos sem registro de fraude. A pretexto de aperfeiçoá-lo, a proposta do governo ameaça o sigilo do voto e cria ambiente para tumultuar a eleição.

Com o capitão encurralado pelas pesquisas e pelo avanço da CPI, os alertas começaram a surtir efeito. No último sábado, presidentes de 11 partidos uniram-se em defesa da urna eletrônica. A frente incluiu siglas governistas como PP e PL. Sinal de que a ficha começou a cair até para os bolsonaristas de aluguel. Eles parecem ter percebido que não seriam poupados numa virada de mesa.

____________________ * Mourão diz que discurso anticorrupção de Bolsonaro não está abalado e que não há espaço para impeachment

Vice-presidente disse que cada ministro deve 'controlar o seu feudo'
O vice-presidente Hamilton Mourão junho/2021 Foto: Divulgação
O vice-presidente Hamilton Mourão junho/2021 Foto: Divulgação

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BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira que não considera que o discurso contra corrupção do governo está abalado e disse que não há "espaço" para um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro prosperar.

Mourão disse concordar com a frase de Bolsonaro de que não é possível saber tudo o que ocorre dentro dos ministérios. De acordo com o vice, cada ministro deve "controlar o seu feudo":

— Não acho isso (que o discurso contra corrupção esteja abalado). O que acontece? O presidente falou ontem uma coisa que é certa, ele não tem condições de controlar tudo que está acontecendo dentro do governo. Isso é uma realidade. Então, compete a cada ministro controlar o seu feudo. E, se for detectada alguma coisa que está irregular, você toma as providências de acordo com a lei — disse, ao chegar no Palácio do Planalto.

Nos últimos dias, o governo enfrenta desgaste pela compra da vacina indiana Covaxin, investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela CPI da Covid.

Em relação à possibilidade de um impeachment, Mourão ressaltou uma declaração do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que o Brasil "naturalizou" o instrumento e que é preciso "zelar para que o remédio não mate o doente"

— Acho que não há espaço para prosperar pedido de impeachment. Ontem, você viu que o próprio ministro Gilmar Mendes tocou nesse assunto em uma palestra que ele fez. Estamos aí a um ano e pouco das eleições, vamos deixar o processo prosseguir e chegar em outubro do ano que vem para ver o que acontece.

____________________ * Não dá para minimizar o risco de apagão | Opinião - O Globo

falta de energia

A presença na TV do ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, buscou tranquilizar a população para o risco de apagão. Mas há pouco motivo para tranquilidade e muito para preocupação. “Não dá para minimizar a gravidade da crise”, afirma Luiz Barroso, presidente da PSR, a maior consultoria do setor elétrico. Entre novembro e abril, o Brasil registrou o pior índice de chuvas em 91 anos. O nível dos reservatórios no Sudeste/Centro-Oeste, que concentra 70% da geração, está perto de 30% da capacidade. A estimativa dos técnicos é que chegue a novembro, fim da seca, abaixo de 8%.

É verdade que, hoje, a geração brasileira depende menos das hidrelétricas do que em 2001 (na época, 90%; hoje, 64%). Mas as distorções regulatórias que persistem têm inibido o uso racional da energia. Os modelos matemáticos que calculam o preço pago às geradoras têm mantido a energia hídrica artificialmente barata, incentivando seu uso mesmo em momentos de crise. O resultado se vê no nível da água.

Outras fontes também funcionam à base de incentivos artificiais. As energias solar e eólica, a cada dia mais maduras, continuam a desfrutar subsídios. As termelétricas, dependentes de combustível cotado em dólar e acionadas de modo intermitente, geram energia mais cara do que se o mercado funcionasse de modo mais fluido e natural.

Tudo isso é mais dramático porque, desde a desastrosa Medida Provisória 579 do governo Dilma Rousseff, o risco associado à geração passou a ser transferido ao consumidor. Como escreveu o ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana no jornal Valor Econômico: “Não se conhece manifestação das hidrelétricas, donas dos reservatórios, a questionar o mau uso da água. Por quê? Como quem paga a maior parte da conta é o consumidor, não há incentivo para que sejam mais aguerridas. É melhor esperar um decreto de emergência hídrica, novo apelido do pré-racionamento”.

É justamente esse o ponto a que chegamos. O governo prepara uma nova MP em que, a exemplo de 2001, criará um gabinete emergencial de crise. Ontem estabeleceu nova bandeira tarifária, com alta de 52% na conta de luz. O objetivo é financiar as termelétricas, que custarão R$ 9 bilhões neste ano. O impacto no consumo tende a ser pequeno diante da economia necessária.

A tarifa mais cara já impõe um racionamento velado. O governo precisará adotar outras medidas para afastar o explícito — e os apagões. Será preciso incentivar mudança de hábitos para evitar sobrecarga em horários de pico, em particular por indústrias e grandes consumidores. Também será necessário garantir a importação emergencial de Argentina e Uruguai e assegurar a geração de outras fontes, sobretudo as termelétricas. Será essencial uma campanha de comunicação eficaz para incentivar o uso racional da eletricidade.

Mais importante é não deixar de aproveitar a crise para corrigir as distorções. É preciso rever os modelos de remuneração das hidrelétricas, que superestimam a capacidade de geração. E também deixar de transferir riscos ao consumidor. O brasileiro já paga a segunda tarifa residencial mais cara do mundo. Consumidores cativos pagam quase 40% a mais do que deveriam. Ninguém aguenta mais. É preciso, por fim, lembrar que a crise não se restringe à energia. Afeta todo o uso da água, num planeta perturbado por mudanças climáticas. O país precisará de uma governança hídrica mais competente.

____________________ * Chemsex: jovens usam drogas para 'turbinar' sexo e testar limites do corpo

Paulo* e Vini*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) - Fernando Moraes/UOL
Paulo* e Vini*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) Imagem: Fernando Moraes/UOL

Daniel Lisboa

Colaboração para o TAB, de São Paulo

30/06/2021 04h01

Paulo*, 27, conheceu uma garota pelo Facebook e decidiu viajar de São Paulo ao interior do Paraná para vê-la. Ele achou que seria apenas um encontro casual. Acabou em suruba.

Ela o apresentou a "uma galera que curtia fazer um rolê regado a drogas". Todos bissexuais — ou, pelo menos, abertos a isso. Curtiam a noite em um bar, até a hora de ir para o apartamento de um deles. Choque. "Era gigantesco, com uns dez colchões espalhados ao redor de uma mesa de centro", lembra Paulo. "Se eu ainda não tinha certeza do que iria acontecer, naquele momento ficou um pouquinho óbvio."

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O aquecimento para a orgia começou com maconha. Até que alguém sacou uma droga inalante e, segundo Paulo, as coisas começaram a ficar meio turvas. "Acordei de manhã e vi aquela cena meio tragédia grega. Corpos jogados, drogas em cima da mesa e aquele sentimento de 'socorro, o que estou fazendo da minha vida'?"

Paulo* e Vini*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Maratonistas sexuais

Paulo havia acabado de passar pela sua primeira experiência com "chemsex", ou sexo turbinado por drogas. "Se for para classificar como boa ou ruim, eu diria que foi boa. Confusa pra cacete, mas boa", esclarece.

Talvez você nunca tenha ouvido o termo ("chemsex" é "sexo químico", em inglês). Governos de países como Espanha e Inglaterra, contudo, já o incorporaram como algo a ser acompanhado e, dependendo do caso, tratado.

O principal motivo para isso é a potência das substâncias ora envolvidas. Mefedrona, metanfetamina e GHB (ácido gama-hidroxibutírico) estão entre as drogas mais usadas na Europa. O uso delas aumenta, e muito, a capacidade dos usuários em "maratonar" no sexo e fazer coisas que não fariam sóbrios.

Uma rápida pesquisa na internet prova que a prática tem ganhado destaque na imprensa e em estudos científicos e de comportamento. Há diversas entradas sobre o assunto, e já existe até fórum para debatê-lo (European ChemSex Forum).

Vini* e Paulo*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Todos curtem

O uso de substâncias para "ajudar" ou melhorar a performance sexual está longe de ser uma novidade. A diferença aqui é o objetivo envolvido: nele, você não usa drogas e eventualmente acaba transando. Você usa drogas com a finalidade específica de fazer sexo.

Na Europa, suas consequências negativas mais visíveis são dependência química e overdose. O fenômeno vem sendo documentado especialmente entre homens gays, que em vários países já se mobilizam para lidar com a questão. Mas associar esse grupo social à prática pode descambar para o preconceito e para uma leitura errada da situação.

"Não temos dados sobre o 'chemsex' no Brasil. Na Europa, porém, estudos mostram que a prática acontece tanto entre homens e mulheres cis e heterossexuais quanto na comunidade LGBTQIA+", explica o psiquiatra e psicanalista Bruno Branquinho. "Há prevalência maior entre homens gays e bissexuais, mas não é uma diferença absurda."

Paulo* e Vini*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Elas estão aqui

Em seu consultório em São Paulo, Branquinho trabalha com foco na saúde mental da comunidade LGBTQIA+. Ele chama atenção para outra ideia preconcebida: a de que as drogas pesadas usadas na Europa não estão disponíveis no Brasil e por isso, aqui, a prática não é tão perigosa.

"O acesso às principais drogas usadas no 'chemsex' está muito mais fácil. A metanfetamina, que antigamente era bem difícil de encontrar, hoje é muito usada. É o mesmo caso do GHB", diz o psiquiatra. "Você encontra a droga em qualquer aplicativo e com qualquer traficante."

Uma reportagem publicada no TAB no fim de maio mostrou que, de fato, drogas antes alienígenas para os brasileiros já chegaram ao país. Quinta-feira passada (24), uma ação policial desmontou um laboratório de produção de metanfetamina ao lado de uma famosa balada sertaneja paulistana.

Por "encontrar no aplicativo", Branquinho se refere aos símbolos que, nos apps de paquera, indicam que a pessoa está em busca de sexo químico. O psiquiatra esclarece: emojis de raio e floco de neve são referências à cocaína. O sol é para poppers (os nitritos anti-hipertensivos, drogas inaláveis que são uma espécie de versão turbinada do lança-perfume). Aliança e diamante são usados para metanfetaminas. Chave e aquela gotinha de água referem-se aos anestésicos "key" (de ketamina, ou cetamina) e "gi" (o GHB). E o foguete é "slam", ou metanfetamina injetável.

"Pela minha prática, já existe um problema no Brasil. Muitos pacientes me procuram porque não conseguem mais transar sem usar drogas, gastam muito dinheiro com elas e passam dias e dias transando sem parar. Ficam dois, três dias sem comer, sem beber água e sem tomar seus remédios", diz Branquinho.

Paulo* e Vini*, praticantes de chemsex (sexo sob efeito de drogas) - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Tudo começou no sofá

Ecstasy, lisérgicos em geral como cogumelos e LSD, anfetaminas e poppers estão entre as drogas que Paulo já usou enquanto transava. O bufê tóxico-transante, apesar de variado, ainda é um tanto distante do ofertado na Europa. Seu histórico com o sexo químico é parecido com o de Vini*, também de São Paulo.

"Sim. Foi neste sábado, inclusive!", responde o rapaz de 29 anos quando perguntado se já aguentou muitas horas seguidas de sexo sob o efeito de psicotrópicos. "Eu tenho duas namoradas e foi basicamente isso. A gente só não prolongou mais [o sexo] porque perderíamos a praia."

Vini já usou cocaína, ácido, cogumelo, MD, ecstasy e poppers em suas transas. "Estimulantes como cocaína e poppers vão te dar um gás, mas eu sou muito mais fã dos lisérgicos", explica. "Gosto da psicodelia porque ela traz uma questão mais sinestésica para o sexo. É a música que está tocando, a sensação que você tem ali na hora, que é totalmente diferente. Você descobre outra forma de fazer sexo que não necessariamente envolva penetração. Só o toque, só de você estar ali se esfregando já é um barato."

Ele se define como pansexual e conta que sua primeira experiência do tipo aconteceu em 2015. "Eu estava ficando com uma menina e o pessoal que morava comigo comprou MD. Começamos a tomar até que ficamos sozinhos na sala e transamos enquanto eles saíram para dar um rolê. Quando voltaram, estava a gente lá no sofá...".

Redução de danos

Paulo e Vini em nada já tiveram seus maus momentos, mas falam sobre o assunto de forma clara e responsável. Estigmatizar práticas que envolvem drogas nos leva tão longe quanto um pássaro atado a um botijão de gás.

A diferença objetiva entre um homem gay que tem uma overdose em uma sauna em Londres e um heterossexual em busca de sexo que entra em coma alcoólico na Festa do Peão de Barretos é muito pequena — quiçá, inexistente.

Inclusive nos riscos de alguém se aproveitar dos sentidos em ebulição para cometer violência sexual.

"Quem disser que não rola risco [de abuso sexual] está mentindo. A pessoa apaga e é abusada. Por isso, usar drogas para transar requer consentimento antes, durante e depois do sexo", diz Paulo. "Esse 'durante' às vezes fica uma coisa meio nebulosa, porque a pessoa está muito entorpecida. Por isso, escolhi fazer com pessoas que confio."

Paulo conta que já extrapolou, e já esteve com pessoas que extrapolaram, no consumo de drogas durante o "chemsex". "Tem que parar e falar que a pessoa não está legal, que é preciso dar uma segurada. Tenho consciência de que esses abusos acontecem. Principalmente com gente mais nova, sem tanta experiência. Eles são coagidos a fazer certas coisas", conta. "Tenho o privilégio do meu porte. Peso quase 100 quilos, então nunca conseguiram abusar de mim. Mas já houve tentativas e já presenciei pessoas que claramente não estavam em condições de estar ali."

Vini diz que ele próprio já sofreu abuso. Foi em uma relação heterossexual, e com uma pessoa próxima. A droga envolvida era cocaína. Justamente aquela que tanto ele quanto Paulo não recomendam para a prática do sexo químico. "Pode ser interessante para quem vai fazer o papel de passivo. Mas, para quem precisa bombear o sangue para o pênis, fica um pouquinho mais complicado", diz Vini.

A dica serve também em relação ao álcool. Não existe um manual de instruções para o "chemsex", mas, como muita gente sabe, bebidas alcoólicas podem potencializar o efeito de outras drogas e têm uma capacidade de te deixar dopado e vulnerável por vezes maior que outras substâncias.

"Não adianta falarmos apenas 'não use drogas'. Já vimos que não funciona. É preciso fornecer informações para que, caso a pessoa opte por usar, consiga reduzir os riscos e danos", argumenta Bruno Branquinho.

"Minhas dicas são: faça com alguém em quem você confie. Em um ambiente controlado, com uma substância que você já usou em outras circunstâncias. Tome cuidado se for misturá-las. Tenha tudo ao alcance da mão, como camisinhas. Compre sempre do mesmo fornecedor. Alimente-se bem durante o dia. É preciso se preparar para o momento", diz Vini.

* nomes trocados a pedido dos entrevistados

____________________ * Superpedido de impeachment vai à Câmara com caso Covaxin, mas Bolsonaro ainda tem base política para barrá-lo

Oposição e ex-aliados unificaram pedidos de afastamento do presidente; são 23 tipos de acusações

Brasília

Mais robusto do que o esperado há algumas semanas, um superpedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro será apresentado nesta quarta-feira (30) à Câmara dos Deputados por partidos de oposição e desafetos do chefe do Executivo.

As suspeitas de irregularidades nas negociações da vacina Covaxin —e a denúncia de suposta omissão do presidente ao ser avisado sobre o caso— deram fôlego ao discurso da esquerda para tirar Bolsonaro do cargo.

Cerca de 120 pedidos de impeachment serão reunidos em um só, apontando 23 tipos de acusações. Mas ainda faltam votos para que ele prospere na Câmara.

Apesar do ciclo de desgaste político do presidente e da baixa tração nas pesquisas eleitorais de 2022, o centrão permanece disposto a barrar a iniciativa de opositores ao governo. A fissura nessa aliança traz mais riscos para Bolsonaro no projeto de ser reeleito.

O centrão é um consórcio de partidos que se juntou a Bolsonaro quando o Palácio do Planalto passou a liberar cargos de indicação política e pagamento de verbas das emendas ao Orçamento.

Por ora, está mantida a blindagem para que o atual mandato seja concluído. Além disso, com o desgaste provocado pelas denúncias envolvendo a negociação da Covaxin, a avaliação é que esse grupo ganhou ainda mais poder de barganha junto ao Executivo.

A esquerda, por outro lado, conta com o aumento da mobilização nas ruas para pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a abrir o processo de impeachment.

“Temos que nos unir. Esses atos [protestos] vão mostrar que o Brasil pede: Fora, Bolsonaro”, disse o vice-presidente nacional do PT, deputado José Guimarães (CE).

Lira é líder do centrão. Foi eleito com apoio —e esforço— do Planalto. Aliados dele não veem clima político para eventual afastamento de Bolsonaro. A aposta é na retomada da economia, prometida pelo ministro da área, Paulo Guedes.

Bolsonaristas dizem que o superpedido de impeachment é uma tentativa da oposição de atrapalhar o governo, pois não há fatos que sustentem o início de um processo de investigação do presidente.

“É um ato puramente político e em total falta de consonância com o momento que estamos vivendo. Além disso, não há motivo [para abertura do processo]; não há clima nem político, nem popular”, afirmou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

A oposição não tem conseguido mostrar muita força na Câmara, onde Bolsonaro e Lira têm acumulado vitórias. O plano do impeachment, para ganhar mais peso político, precisaria ultrapassar os limites da esquerda. Ou seja, ele depende dos independentes —partidos como MDB, PSDB, DEM e Solidariedade.

A maioria desse grupo, porém, tem evitado se posicionar sobre o assunto, que não chegou, por exemplo, às bancadas do MDB e PSDB.

No Solidariedade, sigla que caminha para uma coalizão com o PT em 2022, a visão é que insistir num impeachment agora é perda de tempo. “Eu acho que não tem que ter impeachment. Se for para tirar o Bolsonaro, tiramos na eleição”, disse o presidente da legenda, deputado Paulinho da Força (SP).

Líder do PSOL na Câmara, a deputada Talíria Petrone (RJ) afirma que o superpedido conjuga os aspectos de todos os processos já encaminhados à Casa presidida por Lira.

"A gente tem à frente desse processo movimentos sociais, entidades e também partidos de direita e esquerda", disse. "Há um sentimento conjunto da necessidade dessa unidade e de interromper um ciclo de mortes expresso na figura de Jair Bolsonaro."

“A denúncia do esquema da Covaxin reforça muito a necessidade de afastar Bolsonaro, não apenas por ser mais um crime de responsabilidade, mas também porque tudo indica que o governo retardou a compra de vacinas em que não havia a possibilidade de desviar dinheiro para comprar outras, em que havia. Ou seja, dezenas de milhares de brasileiros podem ter sido levados à morte por interesses escusos. É o que de mais grave pode haver”, afirmou Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara.

A articulação para unificar todas as acusações de suposto crime de responsabilidade atribuído a Bolsonaro começou ainda em abril. O movimento envolveu a esquerda (PT, PDT, PSB, PC do B, PSOL, entre outras siglas) e ex-aliados do presidente, como os deputados Alexandre Frota (PSDB-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP).

O documento a ser apresentado nesta quarta-feira aponta mais de 20 tipos de supostos crimes contra a lei de responsabilidade. É, portanto, uma lista de indícios de infrações que, na avaliação dos autores, sustentam a necessidade de o Congresso abrir uma investigação contra Bolsonaro.

Ameaças ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal), além do apoio e a participação em manifestação antidemocrática, são exemplos de acusações incluídas no superpedido.

Ainda há menção a declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que atribuiu a Bolsonaro uma tentativa de interferência na Polícia Federal para favorecer familiares do presidente.

Omissões e falhas na condução do combate da pandemia da Covid-19 também devem fundamentar a peça, que ganhou impulso com a acusação de que Bolsonaro não teria agido quando informado pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) de supostas irregularidades na compra da vacina Covaxin.

A existência de denúncias de irregularidades em torno da compra da vacina indiana foi revelada pela Folha no dia 18, com a divulgação do depoimento sigiloso ao MPF (Ministério Público Federal) do servidor, que é chefe da Divisão de Importação da Saúde.

De abril até o fim de maio, o grupo, que reúne a esquerda e desafetos do governo, não estava tão alinhado. Alguns acreditavam que era melhor trabalhar por um desgaste contínuo de Bolsonaro, em vez de concentrar esforços no impeachment. O argumento é que o presidente pode ganhar capital político num discurso de ser vítima de um golpe.

Ainda existe essa ala da esquerda que resiste ao plano do impeachment. Ela, contudo, diminuiu nos últimos meses. As manifestações de rua contra Bolsonaro em maio e junho animaram opositores ao governo.

O discurso oficial é que, por se tratar de iniciativa supraideológica, o pedido de afastamento de Bolsonaro tende a ganhar força e elevar a pressão para que Lira analise as acusações.

Mas, se o clima na Câmara não mudar, o movimento terá a tarefa de dar sustentação ao mote “fora, Bolsonaro” nas manifestações de rua e prolongar o desgaste do presidente até 2022.

Um dos autores do superpedido, o advogado Mauro Menezes afirmou que a iniciativa envolveu grupos, como cientistas, ambientalistas, indígenas, representantes da comunidade LGBT, sindicalistas.

“São diferentes forças políticas que estão unidas em torno de um propósito comum. Há uma atuação sistemática do presidente de afrontar a Constituição”, segundo Menezes.

O caminho para um processo de impeachment é longo. No caso da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foram 273 dias.

O presidente da Câmara dos Deputados é o responsável por analisar pedidos de impeachment do presidente da República e encaminhá-los.

Se o pedido for aceito, a denúncia é encaminhada a uma comissão especial e depois ao plenário da Casa. São necessários os votos de pelo menos 342 dos 513 deputados para o processo seguir para o Senado.

A próxima etapa seria uma votação para o Senado confirmar ou não a abertura da investigação. Se o processo for aberto na Casa, o presidente da República é afastado até a conclusão do julgamento e é substituído pelo vice.

Entenda o superpedido de impeachment

Alguns dos partidos e entidades que assinam o documento

  • PT
  • PDT
  • PSB
  • PCdoB
  • PSOL
  • ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia)
  • Coalizão Negra por Direitos
  • Ambientalistas, como Rafael Echeverria Lopes e Enilde Neres Martins
  • MBL (Movimento Brasil Livre)
  • Advogado Mauro Menezes, ex-presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República
  • Ex-aliados de Bolsonaro, como deputados Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP)

Alguns dos crimes mencionados no pedido

  • Crime contra a existência política da União
    Ato: fomento ao conflito com outras nações
  • Crime contra o livre exercício dos Poderes
    Ato: ameaças ao Congresso, STF e interferência na PF
  • Tentar dissolver ou impedir o funcionamento do Congresso
    Ato: declarações do presidente e participação em manifestações antidemocráticas
  • Ameaça contra algum representante da nação para coagi-lo
    Ato: disse que teria que “sair na porrada” com senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), membro da CPI da Covid
  • Opor-se ao livre exercício do Poder Judiciário
    Ato: interferência na PF
  • Ameaça para constranger juiz
    Ato: ataques ao Supremo
  • Crime contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais
    Ato: omissões e erros no combate à pandemia
  • Usar autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder
    Ato: trocas nas Forças Armadas e interferência na PF
  • Subverter ou tentar subverter a ordem política e social
    Ato: ameaça a instituições
  • Incitar militares a desobedecer a lei ou infração à disciplina
    Ato: ir a manifestação a favor da intervenção militar
  • Violar direitos sociais assegurados na Constituição
    Ato: omissões e erros no combate à pandemia
  • Crime contra a segurança interna do país
    Ato: omissões e erros no combate à pandemia
  • Permitir a infração de lei federal de ordem pública
    Ato: promover revolta contra o isolamento social na pandemia
  • Crime contra a probidade na administração
    Ato: gestão da pandemia e ataques ao processo eleitoral
  • Expedir ordens de forma contrária à Constituição
    Ato: trocas nas Forças Armadas
  • Proceder de modo incompatível com o decoro do cargo
    Ato: mentiras para obter vantagem política
  • Negligenciar a conservação do patrimônio nacional
    Ato: gestão financeira na pandemia e atrasos no atendimento das demandas dos estados e municípios na crise de saúde
  • Crime contra o cumprimento das decisões judiciárias
    Ato: não criar um plano de proteção a indígenas na pandemia
  • Blindar subordinados em caso de delitos
    Ato: não pediu investigação de suposta irregularidade na Covaxin

O CAMINHO DO IMPEACHMENT

  • O presidente da Câmara dos Deputados é o responsável por analisar pedidos de impeachment do presidente da República e encaminhá-los
  • O atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é aliado de Jair Bolsonaro. Ele pode decidir sozinho o destino dos pedidos e não tem prazo para fazê-lo
  • Nos casos encaminhados, o mérito da denúncia deve ser analisado por uma comissão especial e depois pelo plenário da Câmara. São necessários os votos de pelo menos 342 dos 513 deputados para autorizar o Senado a abrir o processo
  • Iniciado o processo pelo Senado, o presidente é afastado do cargo até a conclusão do julgamento e é substituído pelo vice. Se for condenado por pelo menos 54 dos 81 senadores, perde o mandato
  • Os sete presidentes eleitos após a redemocratização do país foram alvo de pedidos de impeachment. Dois foram processados e afastados: Fernando Collor (1992), que renunciou antes da decisão final do Senado, e Dilma Rousseff (2016)

____________________ * O MELHOR e o PIOR cenário para Bolsonaro diante do ESCÂNDALO das VACINAS 

O presidente Jair Bolsonaro: refém do imprevisível   - Adriano Machado/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro: refém do imprevisível Imagem: Adriano Machado/Reuters
Thaís Oyama

Colunista do UOL

30/06/2021 11h41

O céu ameaça cair sobre a cabeça de Bolsonaro.

Em 24 horas, duas bombas explodiram no colo do ex-capitão por envolver, direta ou indiretamente, Ricardo_Barros, o líder do governo na Câmara que o presidente decidiu manter no cargo mesmo diante de fortes indícios de prática de corrupção.

Notícia-crime da CPI pode ajudar Bolsonaro a afastar ameaça de impeachment

O que virá a partir de agora?

Há, basicamente, dois cenários: 

o desejado pelo governo e o temido por ele.

No primeiro cenário, Bolsonaro irá repetir o argumento de que não houve corrupção no seu governo porque ele não desembolsou um centavo nas negociações.

Ricardo Barros renunciará ao posto de líder na Câmara para se dedicar às muitas reuniões que terá de ter a partir de agora com seus advogados.

E a chave do impeachment continuará segura e bem guardada nas mãos do presidente da Câmara, Arthur Lira, que, sentado sobre os 11 bilhões em recursos do Orçamento da União, é neste momento a ÚLTIMA PESSOA na face da terra a quem interessa o afastamento do presidente.

Nesse cenário, o escândalo das vacinas fica sob controle e tende a ser cozido em banho-maria até 2022.

Já no segundo cenário, o imprevisível toma conta da situação e o caldo corre o risco de transbordar.

Dentre os muitos eventos imprevisíveis que podem contribuir para esse desfecho está, por exemplo, a possibilidade de o diretor Roberto Ferreira Dias, exonerado ontem, se recusar a afundar sozinho.

Parece improvável que o diretor de logística do Ministério da Saúde, acusado de pedir 1 dólar de propina por cada dose de vacina da AstraZeneca a ser adquirida pelo governo, tenha agido por conta própria ou seja o último elo da cadeia do aventado esquema de corrupção na pasta.

Assim, é bom lembrar que o instituto da delação premiada não morreu com a Lava Jato. Continua vivo, operante e à disposição daqueles que desejarem expiar suas culpas, inclusive por se sentirem injustiçados e abandonados.

Ainda no campo do imprevisível: 

é sabido que a CPI já quebrou bem mais de uma dúzia de sigilos bancários e telemáticos, o que pode ter rendido aos parlamentares muita informação relevante.

Seria para se adiantar a elas que o empresário representante da AstraZeneca decidiu revelar o pedido de propina supostamente recebido do governo?

Se foi, isso reforça a hipótese de que, a partir das muitas quebras de sigilo que ainda virão, surja outra leva de denunciantes e também de suspeitos, inclusive com sobrenomes ilustres - esse o cenário mais temido pelo governo.

____________________ * Senadores acusam Wizard pelos crimes de charlatanismo, curandeirismo e exercício ilegal da medicina

Carlos Wizard Martins, Omar Aziz e Renan Calheiros

247 - O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), exibiu um vídeo do empresário bolsonarista Carlos Wizard - que usou o direito assegurado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para não prestar depoimento ao colegiado - defendendo o uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada contra a Covid-19 e acusou o bilionário de mentir e praticar charlatanismo. 

“Flagrantemente o depoente mentiu e incorreu em vários crimes, inclusive o de charlatanismo e por isso está sendo investigado”, disse Renan. O senador Humberto Costa (PT-PE) imputou mais dois crimes ao empresário: exercício ilegal da medicina e curandeirismo. 

____________________ * Ronilso Pacheco - Meio milhão de mortos e silêncio e desprezo de bolsonaristas. É o fim

Cemitério em Manaus (AM) em meio à pandemia de coronavírus - Bruno Kelly/Reuters
Cemitério em Manaus (AM) em meio à pandemia de coronavírus Imagem: Bruno Kelly/Reuters
Ronilso Pacheco

20/06/2021 13h14

Sábado, 19 de junho. O Brasil chegou a triste marca que já parecia ser iminente que chegaria: ultrapassamos 500 mil mortes por covid-19 no país. Meio milhão de vidas perdidas. É assustador, impactante e frustrante que não tenhamos, mais de um ano depois, conseguido evitar algo tão doloroso.

No momento em que a imprensa começava a divulgar esta triste notícia, no sábado à tarde, as notícias foram se confundindo com postagens de pesar, luto, dor, solidariedade, espanto, tristeza. De formas diferentes, foram surgindo reações sobre o que significava, e o que se sentia, ao ver o país chegar nesse número de mortos pela pandemia.

Nesse momento, minha curiosidade foi ver como os bolsonaristas mais fiéis a Bolsonaro reagiriam à notícia. Era importante saber se havia algum limite para o negacionismo e a indiferença com relação à situação do país. Mas não houve decepção quanto a isso.

Na bolha bolsonaristas, parlamentares, pastores, apoiadores, figuras públicas que ignoraram solenemente meio milhão de mortes. Enquanto a população se pergunta se há hoje algum brasileiro que não tenha perdido alguém diretamente ou não conheça alguém que tenha perdido alguém para a pandemia, os bolsonaristas seguiram brincando de afirmar a "popularidade" de Bolsonaro.

No perfil do próprio presidente Bolsonaro estava entre zombar das manifestações e divulgar a entrega de títulos de propriedade feita por ele em Marabá, com uma comitiva que incluía desde ministros ao pastor Silas Malafaia.

O perfil da ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, não tem postagens desde o dia 16, e parece que meio milhão de mortos não teve apelo o suficiente para exigir qualquer publicação até o momento. O perfil do ministério no Twitter, igualmente silêncio.

Isto é particularmente grave, vindo do principal ministério que deveria demonstrar importância e cuidado com a vida das 500 mil famílias que perderam pessoas amadas. Nada a dizer para as muitas mulheres, filhas, mães, avós, que perderam alguém para a covid.

O deputado federal pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy, não apenas ignorou os meio milhão de mortos, como sua postagem foi uma foto em que ele participava de um churrasco que comemorava o PL 1208/21, proposto por ele. A imagem de uma celebração em um churrasco enquanto o mundo ao redor lamentava 500 mil mortos se tornou emblemático de como pensa o mundo bolsonarista.

O pastor Marco Feliciano, que desde 29 de abril mantém fixado em seu twitter uma postagem que diz que seu "amor por Israel e pelo povo judeu está imortalizado", não escreveu uma única linha sobre o fato do seu país ter perdido 500 mil vidas para a pandemia. Caberia saber se, enquanto pastor, nenhum membro de sua igreja em São Paulo foi afetado pela covid.

Igualmente, o bolsonarista Silas Malafaia, integrava a equipe do presidente na entrega de títulos de Marabá. Suas postagens se dedicaram a hostilizar as manifestações contra Bolsonaro e vídeos que buscavam mostrar como o presidente era "querido" pelo povo. Os pêsames e o luto por 500 mil mortos não foi lembrado.

Ontem, em meio as manifestações, milhares de evangélicos fizeram memória dos 500 mil mortos. Muitas manifestações tiveram minute de silêncio, orações, momento de luto, homenagens. Não deve haver nada de surpreendente nisso. É um mínimo que se espera de sacerdotes e lideranças religiosas em momentos como esses. Não se deve esperar de bolsonaristas.

As deputadas Carla Zambelli e Bia Kicis, também integrantes da tropa de choque de Bolsonaro, silenciaram sobre os mortos na pandemia. Nas redes sociais as postagens vão de hostilizar as manifestações a ataques ao ministro Luis Roberto Barroso, do STF, sobre o voto impresso, a exibir o "avanço" do Brasil no ranking desempenho de vacinação dos países.

O único a "furar a bolha" de frieza, desprezo e indiferença do universo bolsonarista foi o senador Marco Rogério. Ainda no dia 19 a noite, fez uma postagem em sua conta no Twitter, que falava de luto por "500 mil histórias interrompidas". É que tenhamos de "celebrar" que alguém expressou mínimas condolências por 500 mil mortos.

Esse silêncio diz muito sobre o mundo bolsonarista. E o que diz é profundamente entristecedor. Não há sensibilidade e solidariedade de um governo amante de armas, violência e militarismo. Como um grupo de crianças pirracentas e insatisfeitas, se divertem atacando e hostilizando adversários, manifestações contrárias, esquerda, comunismo, qualquer coisa. Este é o dilema. Um governo que não respeita seus mortos, não vai mesmo valorizar a vida, de ninguém.

____________________ * Nina Lemos - Silkêra Jr: discurso homofóbico pregando ódio não é "excesso", é crime

Sikêra Jr fez discurso de ódio homofóbico ao vivo na TV - Reprodução / Internet
Sikêra Jr fez discurso de ódio homofóbico ao vivo na TV Imagem: Reprodução / Internet
Nina Lemos

Colunista de Universa

30/06/2021 13h22

"Raça desgraçada". Essa foi uma das expressões usadas pelo apresentador Sikêra Jr na semana passada para atacar a comunidade LGBTQIA+. Em um discurso de ódio exibido em rede nacional na última sexta-feira (25), no programa Alerta Nacional, na Redetv, o apresentador disse, também, que homossexuais "promovem safadeza e querem acabar com a família'' entre outros absurdos.

Discurso de ódio a um grupo não pode passar impune. E não passa, não hoje em dia. No mundo que, para pessoas como Sikêra ficou chato demais (eu acredito que ficou melhor) existe uma sociedade organizada que não aceita mais esse tipo de coisa impunemente. Pois bem, em quatro dias, Sikêra perdeu grande parte dos seus patrocínios por pressão. O dinheiro pesa, né? Sim, e por isso, em seu programa de ontem, ele "se desculpou".

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"Eu preciso reconhecer que me excedi, no calor do comentário, defendendo a inocência de crianças que eu sempre defendi. Posso ter usado palavras que me arrependo, sou humano. Errei, erro e vou errar". Essa foi a "desculpa" proferida por ele ontem no meio aos contratos quebrados.

É óbvio que ele só pediu desculpas porque começou a perder dinheiro e viu sua carreira em risco, além da possibilidade de processos. E, mesmo assim, ninguém (nem as marcas que ainda o apoiam) deve pensar que essas desculpas resolvem alguma coisa.

Homofobia não é "excesso", é crime. Sim, desde 2019, homofobia é crime equiparado ao racismo. Isso significa que quem pratica homofobia pode ficar preso por até cinco anos. Falar em "excesso" pelo uso de algumas palavras seria o mesmo que alguém dizer que roubou "em excesso".

E, claro, ele não parece nem um pouco arrependido. Tanto que continua insistindo que quer proteger as crianças. Como assim?

O ataque de ódio do apresentador aconteceu após ele se revoltar com uma propaganda da rede Burger King, que tinha como tema "Como ensinar LGBTQIA + para crianças". Na propaganda, fofa e nada pesada, crianças falam mensagens de afeto como "para mim todo mundo pode amar todo mundo" ou "quando eu vejo dois homens de mão dada, eu penso 'menino gosta de menino'".

A propaganda, feita com filhos de famílias diversas, não faz mal nenhum às crianças. O que deve assustar crianças é discurso de ódio onde seres humanos são chamados de "raça desgraçada".

No caso das marcas que rompem contratos com o apresentador, a opção é óbvia. Ser associado a discurso de ódio em um mundo onde a pluralidade conta cada vez mais, definitivamente, não é um bom negócio. Os "Sikêras" da vida não vão mudar, mas podem pelo menos pensar de novo antes de fazer discurso de ódio na TV. É pouco, mas já é alguma coisa.

____________________ * Lula vê chances mínimas de ‘superpedido’ de impeachment de Bolsonaro avançar, mas defende movimento

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Lula não vê grandes chances de avanço para o “superpedido” de impeachment de Bolsonaro apresentado por deputados de esquerda e de direita. Para o petista, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), seguirá honrando o compromisso que firmou com Bolsonaro, de não acatar nenhum pedido para afastá-lo do Palácio do Planalto.

A visão de integrantes do PT é a mesma de Lula. Há a avaliação, porém, de que, se as denúncias envolvendo as vacinas avançarem na CPI, a pressão sobre Lira será cada vez maior. Tanto o ex-presidente quando integrantes da sigla destacam a importância do gesto político do pedido, que reúne ícones de diferentes ideologias contra Bolsonaro.

Os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Kim Kataguiri (DEM-SP) e Joyce Hasselmann (PSL-SP) apresentaram o “superpedido” de impeachment na Câmara nesta quarta-feira. A peça conta com 46 signatários, entre partidos e instituições da sociedade civil e unifica os 124 pedidos levados à Casa.

____________________ * "Se não falar PORTUGUÊS, não COME"

O retorno do idioma perdido: Proibidos de usar a própria língua por anos, indígenas kokamas lutam contra a extinção do seu povo

ECOA
O retorno do idioma perdido
Paula Rodrigues
de Ecoa, em São Paulo (SP)
Raphaela Corsi/UOL

Um povo quase desapareceu por completo, e não porque todos morreram ou sumiram do mapa — pelo contrário, continuavam com o coração pulsando em três países diferentes: Brasil, Peru e Colômbia. De nascença, sangue e espírito eram todos e todas kokamas, uma das 305 etnias indígenas que sobrevivem no Brasil, mas com o tempo passaram a se identificar de outras formas: alguns diziam-se parte de diferentes etnias, outros nem indígenas se consideravam mais. Foram dados como desaparecidos porque muitos precisaram deixar de ser ou esconder o que eram.

Como conta a doutora em linguística Altaci Corrêa Rubim, "foram tempos em que tinha muito preconceito e muita vergonha de se dizer kokama". 

Por imposição religiosa e do Estado, os kokamas, desde o primeiro contato com o homem branco, foram obrigados a desaparecer aos poucos.

Perderam os nomes indígenas, deixaram de realizar muitos costumes tradicionais da etnia e tiveram que esquecer toda e qualquer palavra do idioma.

São gerações de pais e mães que, proibidos de falar a própria língua materna, não puderam repassar as palavras do jeito que conheciam para os filhos e filhas.

Só nas últimas décadas a situação começou a mudar. 

A língua kokama, que permanecia adormecida nas lembranças dos falantes mais velhos da etnia, no final da década de 1980 começou a acordar na forma de palavras escritas em novos livros didáticos e faladas em gravações em áudio que narram a história e a cultura desse povo antes proibido de contá-las em voz alta.

"Se não falar português, não come"

No Brasil, segundo Altaci, são cerca de 20 mil pessoas da etnia que vivem na região do Alto e Médio Solimões e na capital Manaus (AM). Desse total em solo brasileiro, apenas 20 têm a língua kokama como a principal — o que a levou para a lista das 190 línguas indígenas que correm perigo de extinção, organizada pela Unesco, em 2010.

A história que Altaci conta por telefone ilustra o motivo do quase desaparecimento desse idioma e, consequentemente, dessa etnia. Filha de um homem kokama com uma mulher ticuna, ela narra os momentos que seguiram a morte da avó materna. O pai tinha apenas dez anos. Certo dia, brincando no cais com alguns amigos, viu um missionário religioso se aproximar oferecendo um chocolate e uma proposta: para conseguir o doce, as crianças só precisariam acompanhá-lo. Tendo aceitado o chocolate, o pai de Altaci foi sequestrado e mandado a um abrigo, onde ficou até os 18 anos, quando conseguiu fugir do local.

"Aconteceu com muitas crianças kokamas isso, muitos foram levados para orfanatos. Chegando lá, ouviram ameaças. A principal era: se não falar português, não come", relata Altaci. As situações vividas pelo pai e tantas outras crianças e jovens kokamas criou uma cicatriz profunda, um trauma que os fez assumir a língua portuguesa como idioma principal. Nas lembranças de criança que Altaci revira durante essa entrevista, ela retira a forma como as vezes escutava os tios-avós falando como se fossem abelhas.

Cresceu e aprendeu que o zumbido que Tio Pedro e Tia Marcina faziam ao conversarem entre si era, na verdade, o barulho que algumas palavras na língua kokama faziam. As abelhas eram o som parecido com "dza" que palavras iniciadas com "ÿ", como "yawara (cachorro)" fazem em kokama.

"Às vezes a gente pegava meu pai falando assim também. Ele ia para casa da minha tia Marcina falar em kokama com ela sem contar pra ninguém. Quando a gente pegava ele falando assim, ele parava de falar", diz a doutora em linguística. Em uma espécie de segredo coletivo que ficou muito bem guardado, alguns kokamas ficaram sabendo só depois de adultos que eram indígenas. A professora Jardeline dos Santos Costa, por exemplo, relata que só descobriu que era indígena quando tinha 17 anos.

"Um dia meus pais vieram falar pra mim sobre a nossa origem. Minha mãe contou que por muito tempo era proibido falar disso. Os padres proibiam, porque as crianças tinham que aprender a língua portuguesa. Ela ficou envergonhada e também com medo de sofrer represália na época. E nesse dia ela veio falar que não ia mais se esconder, não ia esconder isso dos filhos porque nós precisamos saber quem éramos de verdade."

A volta de uma nação "extinta"

Foi um acidente com barco cheio de crianças que serviu de estopim para mudar o rumo dessa história de vez. Com as perseguições que sofriam no Alto Solimões, os kokamas precisaram se esconder no meio dos ticunas. Muitos casaram com pessoas dessa etnia e passaram a se apresentar como tal. Altaci conta que foi frequentando reuniões e encontros desse povo que os kokamas começaram a aprender a se organizar politicamente.

Mas, para conseguirem estudar, a única opção era frequentar uma escola ticuna que ficava do outro lado do rio. Era preciso cruzar a água remando em uma canoa. Certo dia, uma forte chuva caiu e as crianças quase morreram na travessia. Sabendo disso, seu Antônio Samias, uma grande liderança kokama, decidiu que era hora de seu povo ter uma escola própria.

Em um encontro com agentes da Funai (Fundação Nacional do Índio), ele fez o pedido pela instituição de ensino. "Só que o agente não sabia dos kokamas. Ele perguntou: 'Seu Samias, mas vocês não são ticunas?'. Quando ouviu a resposta de que aquele povo era kokama, ele ficou surpreso", conta Altaci. O encontro terminou com o técnico instruindo os indígenas a procurarem a Funai para que todos pudessem tirar o Rani (Registro Administrativo de Nascimento de Indígena).

"Aí formou-se uma assembleia reunindo toda comunidade para falar que todos que estavam ali não eram ticunas, eram kokamas. Muitos não aceitaram. Muitos saíram da comunidade depois disso. Por isso, uma frase que ficou marcada para a gente foi a do seu Samias, que falou 'eu sou kokama no céu, na Terra e no inferno' ", diz Altaci.

"O que falta para eu ser índio?!"

Mesmo a ida até a Funai para conseguir o documento não foi fácil. Foram três tentativas de Sebastião Castilho Gomes, outra liderança, para conseguir o reconhecimento das famílias kokamas. Na terceira, já irritado com as negativas do órgão em recebê-los, tomou a atitude de arrancar todas suas roupas e esbravejar em alto e bom som: "Eu quero saber o que falta para eu ser índio?!".

Saíram de lá e organizaram uma reunião de "rebatizamento", já que durante os anos em que a pressão religiosa se fez presente contra esse povo, muitos foram as vezes que nomes tipicamente kokamas foram substituídos em cartórios.

Depois disso, professores de linguística da UnB (Universidade de Brasília) e kokamas passaram a visitar comunidades no Alto Solimões para documentar por meio de gravações em áudio conversas com os mais velhos da etnia.

Covid matou 75 dos 95 anciãos kokamas

Os materiais em que a professora Jardeline se baseia para criar as aulas e ensinar o idioma são fruto do trabalho de revitalização da língua. Em cada território, como conta a professora, existe uma metodologia diferente. Materiais didáticos com histórias, grafismos e fotos foram criados para servir de guia nas salas de aulas, dicionários foram estruturados e existe até um aplicativo de tradução da língua para facilitar o processo de aprendizagem.

Já as histórias passadas de forma oral pelos mais velhos são registradas por escrito e ganham novos destinos, como a criação de livros e jogos. Além disso, muitas oficinas e palestras são dadas com frequência, especialmente entre kokamas que migraram para Manaus e lá estabeleceram uma forte comunidade em prol da recuperação da língua na aldeia Nova Esperança Kokama.

Mas tanto Altaci quanto Jardeline relembram que esse é um processo que leva tempo porque mesmo os professores kokamas ainda estão aprendendo sobre o idioma. Ainda assim, acreditam que é por meio da língua que a história e cultura adormecida vão despertando.

"Na maioria dos casos é o linguista que convence os povos que a língua está se perdendo, né? No nosso foi diferente. Ficamos no limite de perder e acordamos a tempo, com todos juntos nessa retomada, cada um na sua área fazendo de diferentes maneiras. Se nós acordássemos só hoje, eu nem consigo dizer o que poderia acontecer. A perda seria gigantesca porque só no ano passado, com a covid, 75 dos 95 anciãos kokamas se foram", diz Altaci.

Nós temos uma língua que ainda corre perigo de extinção, mas que possui um grande potencial para reverter isso. Quando você pensa em uma educação kokama, fala-se 'ya eran', que é ensinar a cosmovisão a partir do coração. Se a gente perde [a língua], se isso desaparece, deixamos de ser kokamas. Para nós, a língua que falamos é a própria vida.

Altaci Corrêa Rubim, doutora em linguística

A Curadoria Ecoa

  • Elaíze Farias

    As histórias e pessoas apresentadas todos os dias a você por Ecoa surgem em um processo que não se limita à pratica jornalística tradicional. Além de encontros com especialistas de áreas fundamentais para a compreensão do nosso tempo, repórteres e editores têm uma troca diária de inspiração com um grupo de profissionais muito especial, todos com atuação de impacto no campo social, e que formam a nossa Curadoria. Esta reportagem, por exemplo, nasceu de uma conexão proposta por Elaíze Farias, curadora de Ecoa.

    Imagem: Juliana Pesqueira/UOL

____________________ * Ele contrariou o médico e secou 76 kg sem cirurgia: "Meta era 1 kg por vez"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Thamires Andrade

Colaboração para o VivaBem

01/07/2021 04h00

Após ganhar um videogame na infância, Thiago Castro, 36, acabou se tornando sedentário e começou a engordar. Ele chegou a pesar 155 kg e ouviu do médico que não teria a menor chance de emagrecer sem bariátrica. Então, decidiu mudar de vida e conseguiu chegar a 79 kg com exercícios e alimentação saudável

"Até os sete anos eu era magrinho. Fui criado no interior e vivia brincando e correndo na rua. Mas aí, ganhei um videogame e comecei a ficar sedentário. Passava o dia dentro de casa, comendo bolacha na frente da televisão. Foi então que se iniciou minha briga constante com a balança.

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Engordei e sofri bullying na escola. Tinha vários apelidos relacionados ao meu peso e sempre era o último a ser escolhido nas aulas de educação física. Foi um período muito difícil. Fiz todos os tipos de dietas possíveis, incluindo algumas que via em revistas e não eram saudáveis. Também tomei remédio para emagrecer e procurei orientação de nutricionistas, mas nunca seguia o cardápio por muito tempo.

Como emagreci - Thiago - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Depois de tantas tentativas sem resultado, já tinha aceitado que nunca conseguiria perder peso e ser magro. Foram crenças limitantes que coloquei para mim. Fiz faculdade de jornalismo e meu sonho era ser âncora de telejornal, mas comecei a sentir que também não conseguiria realizar meu sonho profissional por conta do excesso de peso.

Fui contratado para trabalhar em um jornal da cidade e me afundei no trabalho. Minha vida era comer, fumar, beber e trabalhar. Estava totalmente entregue. Quando tinha direito a férias, vendia, pois não queria ter esse tempo livre. Não tinha perspectiva de nada.

Como emagreci - Thiago - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Depois, comecei a trabalhar como assessor de imprensa do prefeito na época. Nesse emprego, fui obrigado a tirar férias e viajei para o Rio de Janeiro. Conversando com um conhecido lá, ele disse que estava precisando de um ator com o meu perfil. Sempre sonhei em ser ator, mas também abafei esse desejo.

Quando voltei, fui em uma consulta médica para ver a possibilidade de fazer uma cirurgia bariátrica. Estava com 155 kg e tinha gastrite, esofagite, refluxo e depressão, pois meu pai tinha falecido há pouco tempo.

Perguntei ao médico qual era a chance de eu conseguir emagrecer sem a cirurgia e ele respondeu que nenhuma. Eu me senti um lixo, mas aquela resposta me deu um baque. Interrompi o que ele estava falando e disse que ia conseguir emagrecer sozinho. Estava com ódio de mim mesmo por ter chegado nessa situação aos 26 anos

Comecei a fazer dieta e exercícios, pedi demissão, vendi meu carro e fui para o Rio de Janeiro fazer um curso de teatro, para realizar o sonho de atuar. Quando cheguei no Rio, já tinha emagrecido 10 kg.

Como emagreci - Thiago - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Estava feliz com toda a mudança e comecei a me interessar por uma garota da escola de atores, mas sabia que ela não ia querer nada comigo. Então, coloquei como meta que toda semana chegaria mais magro ao curso. Via que isso estava dando resultado e coloquei na cabeça que hoje ia ser melhor do que ontem e amanhã, melhor do que hoje.

Passei a fazer exercícios todos os dias: comecei caminhando na areia e depois me matriculei na academia —inclusive, me apaixonei pela musculação.

Já na alimentação, tirei os industrializados e fast-foods do cardápio e passei a consumir mais alimentos naturais. Eu já sabia o que era saudável ou não, pois já tinha ido a várias consultas com nutricionistas. Sempre comi muito, então, preferi mexer na qualidade dos alimentos do que na quantidade.

Como emagreci - Thiago - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Ao todo, eliminei 76 kg. Meu peso chegou a 79 kg, sem cirurgia, contrariando o que disse o médico. Sempre digo que eliminei 1 kg 76 vezes. A meta de perder 76 kg é dura e exige muito tempo. Pensar em perder 1 kg de cada vez, em melhorar um pouco a cada dia, tornou o processo menos árduo. Mas só foi possível emagrecer pela constância, persistência e energia que coloquei nesse processo de querer estar cada vez melhor.

Um tempo depois passei por um momento difícil na minha vida. Vivia brigando com a mãe do meu filho e essa situação começou a impactar os meus negócios. Na época, já trabalhava como coach, mas era muito difícil cuidar das pessoas quando não estava nem cuidando de mim mesmo. Comecei a desmarcar as sessões, me separei, vi meu negócio falir e comecei a engordar novamente. Afinal, o emocional tem impacto completo no nosso corpo.

Como emagreci - Thiago - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Quando a pandemia estourou, estava com 115 kg e resolvi retomar o foco! Comecei a treinar em casa e me alimentar corretamente. De lá para cá, já se foram 25 kg. Ainda que não tenha voltado a ter gominhos no abdômen, meu corpo voltou a ficar definido. Também voltei a atender profissionalmente como coach.

Passar novamente por um processo de emagrecimento, agora com mais maturidade e de forma consciente, tem sido muito positivo para mim. Não existe segredo! É preciso fazer a reeducação alimentar e atividade física. O emagrecimento é consequência do cuidado. E muitas vezes o que atrapalha a gente é a ansiedade, sabotagem, a crença limitante e a depressão. Hoje, não encaro acordar às 5h como sacrifício, e sim como dever de casa."

Quer emagrecer? Receba um plano gratuito com treino e dieta em seu email

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____________________ * Nas PMs, defesa do voto impresso acompanha avanço do bolsonarismo

Policiais militares acompanham de perto protesto contra Bolsonaro em São Paulo em junho deste ano - Amanda Rossi/UOL
Policiais militares acompanham de perto protesto contra Bolsonaro em São Paulo em junho deste ano Imagem: Amanda Rossi/UOL
Maria Carolina Trevisan

Colunista do UOL

01/07/2021 04h00

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra as urnas eletrônicas reverbera também entre os policiais militares. É o que revela um levantamento feito pelo Instituto Ideia (antigo Instituto Ideia Big Data), obtido com exclusividade pelo UOL.

Foram realizadas 150 entrevistas com policiais militares de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Pernambuco, ao longo de três anos, que responderam às questões em seis oportunidades durante esse período.

Em outubro de 2018, antes da posse, 30% dos entrevistados declararam confiar muito na urna eletrônica. Essa taxa diminuiu pela metade em 2021. Na mão inversa, houve um aumento de 20 pontos percentuais entre 2018 e 2021, chegando a 55% dos entrevistados que disseram não confiar na urna eletrônica. Essa variação é muito significativa.

As sondagens foram feitas em outubro de 2018, em junho e dezembro de 2019, em junho e dezembro de 2020 e em maio de 2021, como mostra o gráfico a seguir. É importante registrar que as coletas não têm o mesmo peso de uma pesquisa de opinião, com amostragem e margem de erro. Trata-se de um levantamento com resultados expressivos, que mostram uma mudança de opinião e uma tendência desse grupo em não confiar na urna eletrônica.

Os policiais militares fazem parte da base de apoio ao presidente Bolsonaro —e ele conta com esse contingente, principalmente se decidir emplacar o discurso da fraude nas eleições de 2022.

Segurança nas urnas - Arte/uol - Arte/uol
Imagem: Arte/uol

Caso a disputa presidencial seja apertada, a ideia de fraude pode ganhar mais força. As afirmações de Bolsonaro encontram eco também na população em geral. Uma pesquisa nacional do Instituto Ideia, com 1.200 entrevistas, revela que, em outubro de 2018, 42% da população confiava muito na urna eletrônica. Em maio de 2021, essa parcela caiu para 27%.

Por outro lado, aqueles que não confiavam na urna eletrônica em 2018 eram 22%. Esse percentual aumentou ano a ano, chegando a 33% em 2021.

Com a queda de popularidade de Bolsonaro, ele tem focado nas Polícias Militares para manter sua base. Em consequência, parte do contingente das corporações não obedece mais às ordens dos governadores e prefere atender aos desejos do presidente da República.

Mais ainda quando ele usa a máquina do Estado para agradar esse público. Na última semana, operou para obter, por exemplo, isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a compra de automóveis e créditos imobiliários.

Nesses anos de governo, Bolsonaro tem frequentado eventos da área de segurança pública e de entidades ligadas às Polícias Militares. Defende a "excludente de ilicitude", que isenta ações letais de policiais em confrontos.

Em março de 2020, quando houve o motim da Polícia Militar do Ceará, o presidente minimizou a ilegalidade, chamando a ação de "greve". A Constituição proíbe a paralisação de policiais militares. Durante os 13 dias de motim, 241 pessoas foram assassinadas.

Ao mesmo tempo, há maior presença de militares no Poder Legislativo federal. Um levantamento do Instituto Sou da Paz divulgado na segunda (28) mostrou que entre 2010 e 2018 o número de deputados policiais ou militares das Forças Armadas eleitos saltou de quatro, nas eleições de 2010, para 42 nas eleições de 2018. Um aumento de 950%.

Voto impresso "auditável"

A urna eletrônica completa 25 anos em 2021. Mas sua credibilidade nunca foi tão contestada. Um momento importante que marca o início da contestação do sistema eleitoral com urnas eletrônicas foi a eleição presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) ganhou de Aécio Neves (PSDB) em uma disputa apertada (51,64% x 48,36%).

Naquele momento, o PSDB pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que verificasse a "lisura" da eleição. A partir da eleição de Bolsonaro, em 2018, a argumentação a favor do voto impresso tem ganhado espaço nas redes sociais. A análise de redes feita pelo Instituto Ideia, entre janeiro e maio de 2021, mostra que a defesa do voto impresso é mais numerosa do que as publicações sobre urna eletrônica.

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) desponta como uma das principais articuladoras dessa pauta nas redes sociais e no Congresso Nacional. Ela é também a autora da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 135/19), que torna obrigatório o voto impresso.

A proposta teve parecer favorável do deputado Filipe Barros (PSL-PR). "Não se pretende a substituição das urnas eletrônicas e o retorno à votação em cédulas de papel como ocorria no passado", disse o relator do texto, na segunda (28).

A mudança de nomenclatura é uma estratégia. Os defensores do voto impresso passaram a chamá-lo de "voto auditável" para evitar associar com a volta ao papel. Seria um sistema híbrido, presente em outros países: permite imprimir o voto feito na urna eletrônica para conferência.

Mesmo assim, a mudança implicaria muito mais gastos e troca de logística, um investimento de mais R$ 2 bilhões. A ideia não faz sentido, do ponto de vista da auditoria. A fonte do voto é a mesma, a impressora estaria ligada à urna eletrônica. A quem interessa?

O presidente do TSE, ministro Luis Roberto Barroso, tem defendido a urna eletrônica diariamente desde que uma comissão se formou na Câmara para aprovar a PEC de Kicis. Barroso afirmou que o voto eletrônico no formato adotado no país atualmente é inteiramente auditável. Segundo ele, a implementação do voto impresso seria uma forma de viabilizar o "voto fraudável".

"Ninguém ache que se está criando um novo mecanismo de auditoria. Está se criando um argumento para potencializar o risco de fraude", afirmou, em recente entrevista coletiva. É muito mais fácil fraudar uma eleição com voto impresso do que a urna eletrônica, que não está ligada à internet e, portanto, não pode ser hackeada. O ministro alerta para o risco de golpe.

"Quanto mais disputada for a eleição, mais o discurso da fraude eleitoral ganha relevância", afirma Maurício Moura, diretor do Instituto Ideia, economista e professor da George Washington University (EUA).

O problema é que Barroso, o sistema de Justiça, a política e o sistema eleitoral estão em descrédito. A população ainda se informa pelas redes sociais, WhatsApp e acessa fake news. Há uma parte dos políticos que se aproveita dessa desconfiança. Foi o que tentou Trump nos Estados Unidos, sem sucesso, o que resultou na invasão do Capitólio, com cinco mortos.

O discurso que antecipa a fraude é o que Bolsonaro tem adotado como estratégia política, já que está se enfraquecendo. Com um contingente cada vez maior de pessoas que acreditam ser possível fraudar a urna eletrônica, há um perigo real de ruptura democrática, que pode ser operada pelas forças policiais bolsonaristas, cada vez mais coesas e numerosas. Se a eleição for apertada, esse risco aumenta.

Para retomar a crença na urna eletrônica, seria necessário fazer campanhas sobre o funcionamento da urna eletrônica e sobre o processo eleitoral com lideranças de diferentes partidos políticos, atuar na educação, explicando o passo a passo que envolve uma eleição, e tomar medidas de maior transparência, com auditoria externa. Sem demora.

____________________ * Negacionismo e revanchismo marcam retomada de eventos públicos de Trump

O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após discursar para apoiadores em Dalton, na Geórgia - Mandel Ngan/AFP
O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após discursar para apoiadores em Dalton, na Geórgia Imagem: Mandel Ngan/AFP
Fernanda Magnotta

Colunista do UOL

01/07/2021 04h00

Poderia ser 2016, mas é 2021. Donald Trump retomou, nos Estados Unidos, sua agenda de comícios e eventos públicos. O ex-presidente escolheu Wellington, em Ohio, para iniciar uma sequência de atividades presenciais que deve se entender para diversos outros estados e regiões nos próximos meses.

Banido das redes sociais, que constituíam sua principal forma de engajamento público, o ex-presidente vinha se manifestando apenas por meio declarações curtas postadas em seu site oficial. Engana-se, no entanto, quem tem a percepção de que ele tenha desaparecido. Enquanto lida com investigações sobre fraude fiscal conduzidas pelo Ministério Público de Nova York, Trump produziu incontáveis notas públicas nos últimos meses e tem articulado nos bastidores do partido republicano.

Veto de Trump no Facebook é recado eloquente para populistas do século 21

Depois de Ohio, Trump já tem, na agenda, atos programados na Flórida, na fronteira com o México e na Geórgia. Apelidada como "turnê da vingança" pela imprensa norte-americana, a empreitada promete ser marcada por ataques para todos os lados.

A estratégia, tanto nas manifestações digitais pregressas quanto nos comícios que agora têm lugar deve ser a mesma: apostar na narrativa da fraude eleitoral para deslegitimar o governo eleito e atacar, não apenas os democratas e o presidente Biden, como também a ala republicana que Trump considera traidora de sua confiança.

É bastante provável que, se tiver condições, Trump concorra ao pleito de 2024. Justamente por isso, o ex-presidente sabe que precisa pavimentar o caminho para enfraquecer a capacidade de realização do governo democrata nos próximos anos e, com isso, fragiliza-lo, ao mesmo tempo em que precisa mobilizar republicanos para garantir sua viabilidade eleitoral pelo partido.

Sem surpresa, portanto, Trump mira no curto prazo: nas eleições legislativas de meio de mandato. Em 8 de novembro do próximo ano todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 34 das 100 cadeiras no Senado serão disputadas. Entre 2020 e 2021, durante a primeira metade de seu governo, Biden detém o controle do Congresso: 222 das 435 cadeiras na Câmara (lembrando que 218 deputados configuram maioria) e 50 assentos (somando democratas e independentes) no Senado, no qual o voto de minerva é da vice-presidente Kamala Harris.

Isso favorece o avanço da agenda do presidente, principalmente em políticas ambiciosas envolvendo transformações estruturais do país. Caso perca as maiorias nas casas legislativas em 2022, Biden poderá enfrentar dificuldades em construir o legado que prometeu. Trump aposta precisamente nessa desidratação para os últimos dois anos do mandato democrata.

No meio tempo, Trump também tem como desafio se fortalecer dentro do próprio partido. Muito embora o trumpismo tenha, em algum momento, capturado mentes e corações republicanos, não está claro como as polêmicas dos últimos meses da gestão podem ter impactado essa relação. No final de abril desse ano, uma pesquisa da NBC News apontou que 50% dos republicanos afirmavam apoiar mais ao partido do que a Trump. Somente 44% dos republicanos diziam o contrário. Foi a primeira vez, desde 2019, que uma pesquisa apontou que os devotados ao partido superaram os adeptos de Trump.

Enquanto Trump tenta escapar da verdade desconfortável que foi sua rejeição no pleito de 2020, e aposta em um discurso inflamado de revanche que cheira naftalina, relembramos, feito mantra, o ensinamento de Benjamin Franklin, que certa vez, professou que a vingança apenas serve para multiplicar injúrias. Em um país profundamente dividido e polarizado, não parece bom.

____________________ * Pedido de impeachment de Bolsonaro contra Dilma cai como luva para si mesmo

Colunista do UOL

01/07/2021 03h07

Enfeitiçado pelo próprio feitiço, Bolsonaro descobre da pior maneira que a Terra é plana, mas dá voltas. Em pedido de impeachment que protocolou na Câmara em março de 2015 contra Dilma, o capitão disparou balas perdidas que acertam a sua própria Presidência. Falou de despreparo, desvios éticos, más companhias e abandono da sociedade.

Decorridos seis anos, há na peça que Bolsonaro esgrimiu contra Dilma parágrafos que poderiam ser reproduzidos num pedido de impeachment contra ele próprio sem mexer numa vírgula. Bastaria fazer um ajuste de gênero, trocando "denunciada" por denunciado. Num dos parágrafos, a transposição é tão perfeita que Bolsonaro poderia dedicar a si mesmo numa leitura em frente ao espelho.

Diz o seguinte: "Mais do que despreparo, mostra-se evidente a omissão da denunciada [Dilma] ao deixar de adotar medidas preventivas e repressivas para combater o câncer da corrupção em seu governo, mantendo, perto de si e em funções de alta relevância da administração federal, pessoas com fortes indícios de comprometimento ético e desvios de conduta. Deixou de agir em defesa da sociedade da qual é responsável máxima na administração pública."

Clássico enfezado, pobre, apático e apagado. Covarde também

Em julho de 2015, o deputado Eduardo Cunha, então mandachuva da Câmara, desengavetou 11 pedidos de impeachment protocolados contra Dilma. Um deles era o de Bolsonaro. Cunha deu dez dias ao capitão para promover ajustes no seu documento, "adequando-o aos requisitos da Lei número 1.079/1950 e do regimento interno da Câmara dos Deputados." A lei mencionada por Cunha define os crimes de responsabilidade.

Suprema ironia: quando pegava em lanças contra Dilma, Bolsonaro era um deputado do baixo clero filiado ao PP, partido do centrão que ajudou Eduardo Cunha a puxar o tapete da então inquilina do Planalto. Agora, Bolsonaro é um presidente sem partido que se casou com o centrão e acorrentou o seu futuro aos humores de Arthur Lira, um cacique do PP que o Planalto ajudou a transformar numa caricatura de Cunha.

Escorada no centrão, a base partidária que dá suporte a Bolsonaro no Congresso é muito parecida com a de Dilma. Para ficar idêntica, faltam apenas a traição e o impeachment.

____________________ * O que pode vir após Justiça proibir a exclusão de post de Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Carlos Affonso

30/06/2021 04h00

Atualizada em 01/07/2021 10h35

Imagine um mundo em que nada poderia sair da internet sem ordem judicial. As redes sociais não poderiam agir proativamente para remover conteúdos ofensivos. Um mundo em que mesmo sendo denunciada por outros usuários, o provedor tivesse que recorrer ao Poder Judiciário para tentar excluir uma simples publicação. Nesse mundo, a única exceção que existiria fora desse mecanismo bizantino seria a exposição indevida de conteúdo íntimo.

Esse mundo existe na decisão proferida pela 4ª Turma Civil do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). O Tribunal condenou o Facebook a restaurar uma publicação que havia sido excluída, de autoria do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e condenou a empresa a pagar ao político uma indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil.

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De qual publicação estamos falando?

A revista Época fez uma matéria em que um jornalista se fez passar por paciente da psicóloga e esposa de Eduardo Bolsonaro, Heloísa Wolf, buscando assim obter informações sobre o político. A repercussão da matéria foi bastante negativa, gerando inclusive um pedido de desculpas por parte do Conselho Editorial do Grupo Globo e mudanças na editoria da revista.

Heloisa Wolf e Eduardo Bolsonaro - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Heloisa Wolf e Eduardo Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram

O deputado postou então em redes sociais administradas pelo Facebook uma crítica aos jornalistas da Época, expondo fotos da diretora de redação e do editor-chefe da revista.

O que fez o Facebook?

O Facebook decidiu remover a publicação após receber denúncia de que a mesma estaria violando as regras da plataforma.

Pelo que consta da mensagem recebida pelo deputado (reproduzida abaixo), a remoção teria ocorrido por uso de imagem de terceiros sem autorização.

remoção foto eduardo bolsonaro facebook - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Eduardo Bolsonaro processou então o Facebook para que a sua publicação fosse reativada nas redes sociais, pedindo ainda que a empresa fosse condenada a pagar danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil Reais). O deputado argumentou que os seus comentários estariam protegidos pela liberdade de expressão.

O que decidiu o tribunal?

Em primeira instância, o TJDFT entendeu que o Facebook poderia sim aplicar as suas regras e remover a postagem de Eduardo Bolsonaro. O deputado recorreu e, em sede de apelação, a 4ª Turma Civil do Tribunal determinou não apenas o retorno da publicação, como também a condenação do provedor por danos morais.

A ementa (síntese) da decisão ficou assim:

"Apelação cível. Ação de obrigação de fazer c/c indenização por danos morais. Provedor de serviços de internet. Rede social 'Facebook'. Remoção de conteúdo. Violação do devido processo legal. Ato de censura e controle do exercício dos direitos individuais fundamentais. Ato ilícito configurado. Restabelecimento da publicação. Danos morais. Pessoa de imagem pública. Repercussão negativa à sua imagem. Apelação conhecida e provida."

Pela ordem, senhor presidente!

Vale botar os pingos nos is. Os tribunais brasileiros podem ser acionados caso os usuários de redes sociais e demais aplicações se sintam prejudicados pela moderação de conteúdo e de contas realizadas pelos provedores a partir de suas próprias regras.

Os termos de uso das plataformas não são ilegais (são contratos de adesão), nem implicam em censura a priori. Mas também não existe nada de errado em o deputado Eduardo Bolsonaro buscar uma medida judicial caso entenda que essas regras foram aplicadas de forma abusiva, errônea e em descompasso com as leis nacionais.

O resultado da decisão em si, que manda voltar ao ar a postagem e condena o provedor de aplicações também não é nenhuma novidade.

Os tribunais nacionais contam com centenas de decisões que ora confirmam a moderação feita pelas plataformas, ora revertem as decisões das empresas (não raramente também condenando os provedores ao pagamento de indenizações por danos materiais e/ou morais).

Por que essa decisão é importante?

O que chama atenção no caso não é o resultado dela, mas como se chegou até lá. Para o tribunal, o Facebook deve ser responsabilizado porque removeu a publicação do deputado sem provocar o Poder Judiciário, aplicando suas próprias regras (e de modo pouco transparente). Aqui vale prestar atenção porque, se a moda pega, vai faltar juiz para tanta ação.

A tradição cartorial brasileira tem sono leve. Não custa muito para ela despertar e burocratizar atividades que poderiam ser bem mais simples.

Nesse caso, de modo ainda mais preocupante, a obrigação de se recorrer ao Judiciário nem mesmo protege mais os direitos dos usuários, já que conteúdos danosos vão permanecer no ar enquanto algum advogado de empresa vai caçar uma liminar.

As regras das plataformas podem ser vistas como medidas de primeiros socorros quando algo dá errado.

Redes sociais deveriam servir para conectar as pessoas, mas também podem servir para a disseminação de discursos ilícitos e danosos. Nesses casos, ter regras (e processos) claros sobre como o provedor pode agir é fundamental.

A decisão não apenas reconhece que o processo adotado pelo Facebook ao remover o conteúdo foi pouco transparente, como também anula qualquer possibilidade da empresa excluir a publicação sem antes buscar o Judiciário.

Conforme consta da própria decisão:

Quem se julgar prejudicado deverá provocar o Poder Judiciário, justiça comum ou juizado especial, que fará a remoção ou não do conteúdo. A partir do recebimento da determinação judicial, e o provedor, possuindo acesso ou contato com o usuário, comunicará a razão da indisponibilização da postagem, bem como prestará as informações a respeito dessa ordem judicial, como o foro, o juízo, a parte requerente, etc."

O que diz o Marco Civil da Internet?

O sistema brasileiro, desenhado no Marco Civil da Internet, protege a liberdade de iniciativa, a autonomia privada e a tutela de direitos. Os provedores podem criar suas regras, promover a sua aplicação e, em caso de abusos e ilícitos, resta ao Poder Judiciário a última palavra, aplicando as leis nacionais.

O TJDFT interpretou o Marco Civil da Internet como sendo uma lei que obriga os provedores a só removerem conteúdos depois de uma ordem judicial. Essa linha de entendimento já apareceu também com algum destaque no TJSP. Acontece que em nenhum momento o texto do Marco Civil determina essa vinculação.

O que diz o Marco Civil da Internet é que provedores de aplicações apenas serão responsabilizados por conteúdo de seus usuários ou de terceiros em geral caso não venham a cumprir a ordem judicial que obriga a sua remoção.

Mas isso não significa que os provedores estão de mãos atadas e não precisam fazer nada até que venha a ordem judicial. Muito pelo contrário, até como uma forma de zelar pelos direitos de seus usuários, deve o provedor atuar na moderação de conteúdo e de contas.

Qual é o problema de se judicializar a remoção de conteúdo?

O mundo todo caminha na direção de se aperfeiçoar os processos de moderação de conteúdo, inclusive criando iniciativas regulatórias que incentivem uma moderação mais ativa e efetiva.

O Brasil, se prevalecer a interpretação do TJDFT, vai no sentido contrário, mandando tudo para o Judiciário. A única exceção reconhecida pelo tribunal seria a divulgação de conteúdo íntimo. Nesse caso, havendo denúncia, o provedor poderia agir e remover a publicação.

O cenário gerado pela decisão do TJDFT acaba dificultando a remoção de qualquer outro tipo de conteúdo. O Poder Judiciário acaba virando o Posto Ipiranga da moderação de contas e de conteúdo.

A postagem parece discurso de ódio? Se quiser remover tem que ir no Poder Judiciário. Viola a propriedade intelectual de terceiros? Tem que ir no Poder Judiciário. É desinformação, propaganda de tratamento precoce contra a covid-19 sem comprovação científica ou discurso antivacina? Poder Judiciário.

O que vem pela frente?

As plataformas têm um longo caminho a percorrer para melhorar a forma pela qual realizam a moderação de conteúdo. Os processos ainda são pouco transparentes, confusos e incoerentes. Mas é aperfeiçoando a moderação de conteúdo, e não proibindo a mesma e fazendo tudo passar pelo Judiciário, que vamos melhorar a internet e as aplicações que usamos todos os dias.

Vale lembrar que o governo federal vem ensaiando publicar um decreto que restringe bastante as medidas de moderação de contas e de conteúdos por uma série de empresas, de redes sociais a de meios de pagamento. A decisão do TJDFT consegue ser ainda mais limitadora do que as regras do eventual decreto.

No front judicial, é provável que a decisão seja objeto de recurso especial para o STJ. Vai ser importante acompanhar como o tema evolui, até porque no Supremo Tribunal Federal (STF) existe também uma ação que discute a constitucionalidade do próprio desenho do regime de responsabilização de provedores gerado pelo Marco Civil da Internet.

Até aqui a decisão do TJDFT é um ponto fora da curva, que vem a somar com algumas outras do TJSP.

De modo majoritário, o Judiciário brasileiro vem entendendo que provedores podem sim moderar contas e conteúdos dentro dos limites traçados por suas regras e que cabe ao mesmo Judiciário atuar quando esse processo de moderação gerar condutas abusivas ou ilícitas.

Será que isso vai mudar? Pergunta lá no Poder Judiciário.

____________________ * Drauzio Varella: Variante delta da Covid impõe vacinação em massa e reforço da prevenção

O uso de máscara precisa ser promovido e incentivado exaustivamente por campanhas educativas

A variante delta do coronavírus foi detectada pela primeira vez na Índia, em dezembro de 2020. Ao chegar a Nova Delhi, ela varreu do mapa a variante alfa, então dominante. Em abril, já provocava pelo menos 30 mil casos diários na cidade.

Da capital, ela se espalhou pela Índia inteira e para diversos países, nos cinco continentes. No Reino Unido, é responsável por 90% das infecções, segundo a revista Science, prevalência coincidente com o aumento das hospitalizações que obrigaram o governo a adiar os planos de reabertura completa das cidades.

Causadora de mais de 90% dos casos em Portugal, a variante levou o governo a proibir viagens entre Lisboa e o resto do país no último fim de semana. Nos Estados Unidos, os Centers for Disease Control reconheceram que a prevalência entre os americanos duplicou em duas semanas, chegando a 20%.

No Brasil, a delta está presente em vários estados. Em abril, uma gestante foi a primeira brasileira a perder a vida.

A entrada da variante nos países que ainda não tiveram acesso às vacinas, bem como naqueles que imunizaram pequena parcela da população, pôs a Organização Mundial da Saúde em alerta.

Os serviços de saúde pública do mundo inteiro querem saber: 1) A delta se dissemina, de fato, mais depressa do que as três mais contagiosas em circulação pelo mundo, surgidas no Reino Unido, na África do Sul e em Manaus? 2) A doença provocada por ela é mais agressiva? 3) Qual o padrão das mutações que facilitam disseminação tão rápida? 4) As vacinas disponíveis têm eficácia contra ela?

Modelos epidemiológicos criados na London School of Hygiene & Tropical Medicine estimam que a capacidade de contágio da delta seja 50% a 100% maior do que a da variante alfa, detectada pela primeira vez no Reino Unido no segundo semestre do ano passado.

Como essa variante alfa, do Reino Unido, é cerca de 50% mais contagiosa do que a originária da China,
e a delta é 50% a 100% mais contagiosa do que alfa, estamos diante de uma cepa duas vezes mais contagiosa do que aquela do início da pandemia.

No Reino Unido, os dados iniciais sugerem que a variante delta duplica o risco de hospitalização, possibilidade assustadora em países com populações não vacinadas ou com índices baixos de imunização. A necessidade de hospitalização está diretamente ligada ao aumento da mortalidade.

Estudos indicam que a primeira dose das vacinas AstraZeneca e Pfizer oferece menos proteção contra a delta do que contra as demais variantes. Depois da segunda dose, entretanto, os níveis de proteção contra casos graves e hospitalizações é o mesmo.

Um vírus que, em um ano e meio de pandemia, conseguiu produzir variantes cada vez mais contagiosas, precisa ter sua disseminação interrompida. Essa tarefa depende de duas estratégias: vacinação em massa e adesão às medidas de prevenção recomendadas desde o início da pandemia, higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social.

Num país como o nosso, em que o ritmo das vacinações é lento, temos de reforçar a prevenção. O uso de máscara precisa ser promovido e incentivado exaustivamente por campanhas educativas, como fizemos no passado com a camisinha na prevenção à Aids.

pistoleiro do velho oeste encara vírus em duelo
Ilustração de Líbero Malavoglia para a coluna de Drauzio Varella publicada em 30 de junho de 2021 - Líbero/Folhapress

É ignorância liberar do uso de máscara os que já foram vacinados. Embora as vacinas evitem hospitalizações e mortes, nenhuma delas reduz a zero o risco de contrair o vírus. Pessoas vacinadas
podem ficar doentes, desenvolver sequelas que chegam a durar meses e transmitir o vírus para os familiares.

Países como Estados Unidos, Israel e Reino Unido, que suspenderam as restrições assim que os índices de vacinação provocaram redução significativa das mortes, sem levar em conta opiniões contrárias de vários de seus cientistas, correm risco de ter de voltar a trás.

Esse coronavírus demonstrou habilidade para criar variantes mais contagiosas, que aumentam o número de mortes como consequência do maior número de pessoas infectadas. Até aqui, por sorte, não surgiu uma cepa resistente às vacinas, claramente mais virulenta e letal.

É muito cedo para relaxar. Como nos ensinou Charles Darwin, a seleção natural é sobretudo imprevisível.

____________________ * Audiência de Loki em queda pode evidenciar o preconceito com sexualidade

Loki (Tom Hiddleston) e Sylvie (Sophia Di Martino) em episódio da série - Reprodução / Internet
Loki (Tom Hiddleston) e Sylvie (Sophia Di Martino) em episódio da série Imagem: Reprodução / Internet
Guilherme Ravache

Colunista do UOL

01/07/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Diferentemente dos antecessores "WandaVision" e "Falcão e o Soldado Invernal", "Loki" está perdendo audiência
  • As buscas em torno da série diminuíram no mesmo compasso em que aumentaram os comentários negativos com relação à bissexualidade do personagem
  • Tornar Loki bissexual é ser fiel à história, visto que nos quadrinhos o personagem já tinha essa orientação sexual
  • O mercado LGBTQIAP+ é gigantesco e move bilhões do chamado "pink money"
  • Mas ainda há uma grande distância entre o discurso das marcas e como elas atuam no dia a dia em seus investimentos em mídia

Esse mês vimos empresas e pessoas no mundo inteiro celebrando o dia do Orgulho LGBTQIAP+, que aconteceu ontem. Com poucos dias de diferença, Loki, protagonista da série de mesmo nome no Disney+, revelou sua bissexualidade.

Foi de uma forma leve e natural. Durante um diálogo entre Loki (Tom Hiddleston) e Sylvie (Sophia Di Martino), ela perguntou se Loki, como príncipe de Asgard, já tinha encontrado "uma candidata a princesa... ou um outro príncipe". Ao que ele respondeu: "Um pouco dos dois".

Apesar do furor nas redes sociais com a novidade (que nem é tão novidade assim, já que nos quadrinhos o personagem é bissexual há mais de uma década), aconteceu um fenômeno estranho. Diferentemente dos antecessores "WandaVision" e "Falcão e o Soldado Invernal", "Loki" sofreu uma brusca queda de audiência no terceiro episódio.

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Segundo dados do serviço de medição de audiência Samba TV, 890 mil TVs sintonizaram a estreia de "Loki" no primeiro dia, mas apenas 727 mil assistiram ao terceiro episódio. Isso significa que "Loki" começou com números maiores do que os antecessores da Marvel Studios, "WandaVision" (759.000 espectadores no primeiro dia) e "O Falcão e o Soldado Invernal" (655.000 espectadores no primeiro dia), mas sofreu uma brusca queda de audiência.

Mensurações e números de audiência são problemáticos, como já discuti aqui. A Samba TV, por exemplo, mede uma amostra limitada de lares americanos onde o software da empresa está ativo nos aparelhos de TV.

Buscas em queda e desconforto

O site de notícias We Got This Covered traz outro dado importante: as pessoas estão procurando por "Loki" menos do que antes e dizem que a sexualidade do personagem seria o motivo.

Obviamente, a série pode estar perdendo audiência apenas porque não caiu no gosto do público. "O Legado de Júpiter", na Netflix, decepcionou apesar da grande expectativa em torno dos heróis do celebrado Mark Millar.

Mas o preconceito está aí para quem quiser ver. Dos apresentadores e políticos espumando raiva aos comentários nos fóruns de fãs. Sikêra Jr. é um exemplo, como aponta meu colega Leandro Carneiro. Nas redes sociais não falta gente atacando a Disney e Loki pelo simples fato do personagem ter assumido sua bissexualidade. É um lembrete importante de que a luta pela diversidade não se limita a um dia e que ainda estamos muito distantes do minimamente aceitável.

"É notório que as pessoas gostam de LGBTs quando esses não balançam seus status quo ou mexem com lembranças que elas criaram para si, sem levar em consideração o que a obra queria dizer com aquilo? 'Star Wars' e 'Star Trek', que são franquias longevas e que têm personagens com sexualidade fluida ou já discutiram temas como racismo e preconceito contra a mulher, vivem essa dicotomia", diz Hilário Júnior, publicitário e um dos criadores do podcast POC de Cultura.

A Disney tomou uma atitude corajosa ao levar para as telas a bissexualidade de Loki em um de seus principais produtos e deve ser louvada por isso. Também vale ressaltar o histórico da empresa e seu know-how em criar negócios multibilionários.

"O pink money é um mercado muito lucrativo. A comunidade é muito carente de exemplos e figuras públicas que normalizem o seu dia a dia e que não necessariamente aparecem só levantando uma bandeira. É muito legal um vilão aclamado numa superprodução ser bissexual? e também mostrar que ele tem vulnerabilidades e afins", diz Júnior.

Ou seja, se a sua empresa, ao contrário da Disney, ainda ignora a comunidade LGBTQIAP+, há boas chances de ser um péssimo negócio. Mas não adianta a marca colorir o perfil e patrocinar influenciadores e causas LGBTQIAP+ somente alguns dias do ano, essa é uma luta constante e do ano inteiro.

E se você ainda não assiste a uma série porque a orientação sexual do personagem te deixa desconfortável? desculpe informá-lo, você não entendeu nada.

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____________________ * China aposta bilhões na indústria de chips em nova batalha contra os EUA

MasterTux/ Pixabay
Imagem: MasterTux/ Pixabay
Felipe Zmoginski

01/07/2021 04h00

A disputa tecnológica travada entre uma potência consolidada, os Estados Unidos, e um poder ascendente, a China, encontrou no desenvolvimento e fabricação de processadores e semicondutores um ponto decisivo para as pretensões americanas de "chutar a escada" da escalada chinesa ou, por outro lado, assegurar a caminhada ao topo da nação asiática.

Embora tenha apresentado progressos inegáveis em áreas como uso de inteligência artificial, conectividade 5G e aplicações blockchain, a China vive a fragilidade de não dominar plenamente a cadeia de fabricação de processadores.

As tecnologias da Huawei, Baidu, BYD ou Tencent valem pouco sem processadores a rodar suas engenhosas aplicações. Maior fabricante mundial de eletrônicos para uso comercial e pessoal, o país importa 96% dos chips que embarca nos dispositivos made in China.

Em tempos normais, isto não seria um problema. Como maior exportador mundial, é até simpático que a China compre chips de produtores taiwaneses, alemães, japoneses ou coreanos. Assim, ao menos, diminui-se o déficit destes países com a China, criando condições mais equilibradas de comércio internacional.

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Ocorre que, desde a gestão Trump, empresas estrangeiras que comercializam itens tech com a China podem sofrer penalidades no mercado americano, o que fez acender as luzes amarelas, vermelhas, roxas, enfim, de todas as cores de alerta em Pequim.

Ciente da necessidade de não depender de estrangeiros, a China tem feito o possível --e um pouco mais-- para diminuir sua desvantagem no setor de processadores.

À taiwanesa TSMC, uma das maiores fabricantes mundiais de chips, a China ofereceu vantajosos acordos para exploração de seu multibilionário mercado interno, desde que fábricas da empresa fossem construídas na porção continental do país, o que efetivamente aconteceu.

Talentos de Taiwan, aliás, vêm sendo recrutados por companhias chinesas de modo agressivo, ao ponto de o governo da antiga de Formosa deter alguns "agentes de recursos humanos de Pequim" que faziam "prospecção de talentos" em Taipei.

De janeiro a maio deste ano, US$ 6,2 bilhões foram derramados por fundos de venture capital em startups chinesas que se comprometem a desenvolver processadores, de acordo com a consultoria JW Insights.

O montante é uma enormidade, se levarmos em conta o cenário de pouco dinheiro de risco à disposição no primeiro ano pós-pandemia no país. O montante investido nos cinco meses de 2021 equivalem ao total investido no setor, na China, ao longo de todo 2020.

A aposta chinesa é, como o próprio nome diz, uma aposta. Projetos apoiados por "venture capital" possuem mais chances de dar errado do que de dar certo. Mesmo assim, os investimentos no setor seguem em alta, beneficiados por novas leis que garantem subsídios e vantagens fiscais aos investidores que apoiarem o esforço nacional pela indústria de semicondutores.

O fenômeno é ruim para a China, ao menos no curto prazo, que perdeu o acesso a vários fabricantes internacionais de chips --e pior ainda para estes fabricantes. Japoneses, coreanos e alemães veem suas valiosas indústrias ociosas em função da política externa americana. É ruim também para o consumidor, que no final do dia paga mais caro pelo notebook ou smartphone.

Para a hegemonia americana, no entanto, esta é uma estratégia central. Como não pode impedir a China de criar seus próprios chips, a administração Biden anunciou, este mês, um novo plano: vai apoiar a indústria local a criar mais e melhores chips, tão poderosos que mantenham os rivais chineses sempre um passo atrás.

Gina Raimondo, secretária de comércio do governo americano, enviou ao Senado do país um projeto chamado de "Innovation and Competition Act" que prevê alocar US$ 52 bilhões ao longo dos próximos oito anos para o setor de tecnologia, com manifesta preocupação em "acelerar o desenvolvimento de novas gerações de chips".

Ao menos um aspecto podemos antecipar desta disputa: os processadores ficarão melhores e mais rápidos já nos próximos anos.

____________________ * Aluno queer tem microfone desligado em discurso de formatura nos EUA; veja

Bryce Dershem, orador da formatura que teve discurso interrompido ao falar sobre ser aluno LGBTQIA+ nos EUA - Reprodução/YouTube
Bryce Dershem, orador da formatura que teve discurso interrompido ao falar sobre ser aluno LGBTQIA+ nos EUA Imagem: Reprodução/YouTube

Do Universa, em São Paulo

30/06/2021 12h00

Bryce Dershem, estudante de 18 anos que se assumiu queer teve o microfone cortado na semana passada durante seu discurso de formatura na escola Eastern Regional High School, de ensino médio de Nova Jersey (EUA).

"Depois que me tornei um calouro queer, me senti tão sozinho. Não sabia a quem pedir apoio", disse Dershem antes que o seu microfone fosse cortado pelo diretor. Depois, ele ainda pega de Dershem os papeis com o texto que seria lido. O público pede que o discurso continue.

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Alguns instantes depois, outro funcionário entregou um microfone para que Dershem prosseguisse com o discurso. Seu pai, Michael, registrou toda a cena em um vídeo divulgado nas redes sociais (veja o vídeo abaixo).

"Eu sou um lutador e hoje sou um sobrevivente. Estou tão orgulhoso de estar aqui hoje", diz Dershem, que encerra o discurso pedindo que os estudantes da turma de 2021 acreditem neles mesmos. "Cada um de vocês é suficiente. Cada um de vocês pode e vai mudar este mundo."

Ao participar do programa "Good Morning America", Dreshem disse que ficou "em choque" com a atitude do diretor. "Ele subiu ao palco e pegou o discurso no qual eu trabalhei tanto e amassou na frente de um público de 2.000 pessoas, na frente da minha classe. E ele me disse que eu deveria ler o discurso que ele praticamente escreveu para mim ou que eu não deveria ler mais nada", completou.

Em um comunicado enviado à rede NBC, o superintendente do Distrito Escolar Regional do Condado de Eastern Camden, Robert Clautier, disse que "todos os anos, todos os alunos oradores são auxiliados na formulação do discurso, e todos os discursos dos alunos - que são acordados e aprovados com antecedência - são mantidos na pasta no pódio para que o diretor conduza a cerimônia de formatura". A escola não se manifestou.

No fim de semana, o governador de Nova Jersey, Phil Murphy, compartilhou uma mensagem de apoio a Dreshem.

"Para Bryce Dershem - estou muito orgulhoso de você por falar a verdade ao poder e por sua resiliência e coragem. A todos os nossos jovens LGBTQIA + você pertence, é amado e continuaremos a lutar ao seu lado pela igualdade, inclusão e respeito ", disse Murphy.

____________________ * Como limpar o vaso sanitário? Saiba deixar sua privada parecendo nova

Limpar um vaso sanitário parece uma tarefa simples, mas requer alguns cuidados e muita atenção - Getty Images
Limpar um vaso sanitário parece uma tarefa simples, mas requer alguns cuidados e muita atenção Imagem: Getty Images

Michele Loureiro

Colaboração para Nossa

30/06/2021 04h00

Em tempos de pandemia os cuidados com a higiene estão redobrados. Dentro de nossas casas, um dos maiores focos para proliferação de bactérias é o vaso sanitário e, por isso, mantê-lo limpo é de extrema importância para evitar doenças. Afinal, quem nunca se deparou com manchas ou cheiro desagradável na privada do banheiro? O importante é saber como limpar da melhor maneira.

Maria Germânia Freire Lima, administradora da empresa Arrume Limpe, indica que o vaso deve ser limpo, no mínimo, duas vezes por semana, sendo uma delas uma limpeza "pesada", quando é preciso escova e o uso dos produtos químicos.

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"A principal dica é fazer uma limpeza minuciosa no vaso pelo menos uma vez por semana. Nos demais dias, higienizá-lo de forma mais superficial", afirmou Maria, que reforça que o segredo é tirar toda a água antes de iniciar a limpeza pesada.

Existem também objetos específicos para a higienização do vaso sanitário, que exigem atenção em seus armazenamentos. Franciele Moulaz, diretora da Climp, soluções de limpeza e organização, reforça que eles devem ser usados única e exclusivamente no item do banheiro e em mais nenhuma outra parte da casa.

"É válido lembrar que os itens de limpeza do vaso sanitário devem ser separados: uma escovinha, uma luva e um pano, que deve ser descartado. Assim evitamos contaminação cruzada. Nunca usar, por exemplo, em pias", explicou Franciele.

Para o dia a dia, as profissionais informam que água sanitária, desinfetante e detergente neutro já são capazes de promover a limpeza necessária. Caso seja necessária uma ação mais pesada, outros produtos podem ser usados, como o restaurador. Já as soluções caseiras, aquelas que passam de geração para geração, não são indicadas pelas especialistas.

Existem muitas soluções caseiras, sendo as mais comuns o uso de bicarbonato de sódio. Mas não aconselho a mistura de produtos. Muitas pessoas misturam aqueles produtos multiuso, bicarbonato, água sanitária e detergente e isso pode ser prejudicial à saúde e não realizar a limpeza esperada", conta Franciele.

"Cada sujidade exige um produto adequado para sua remoção. O uso de opções caseiras muitas vezes causa danos irreversíveis. O ideal mesmo é aplicar a técnica de limpeza com produto profissional específico e adequado a cada sujidade para não correr o risco de danificar e, pior, não conseguir limpar", explicou Maria Germânia.

Confira produtos que vão auxiliar na limpeza do vaso sanitário:

Desodorizador Sanitário Pato Gel Adesivo - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Desodorizador sanitário Pato gel adesivo - Raid

Preço: R$ 12,29

O produto limpa a cada descarga, tem duração de cerca de seis semanas e impede a formação do limo na peça.

Pedra Sanitária Aroma Plus Flores Do Campo, Harpic - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Pedra sanitária - Harpic

Preço: R$ 2,03

A pedra sanitária é dos produtos mais conhecidos para manter o vaso limpo e cheiroso. A instalação é simples e não requer manutenção.

Limpador Sanitário Desinfetante Líquido Cloroforte 500 ml, Harpic - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Limpador sanitário desinfetante líquido Cloroforte - Harpic

Preço: R$ 8,62

O produto elimina 99,9% dos germes e bactérias, segundo a fabricante, e pode ser usado a cada descarga. É só aplicar o produto e usar a escovinha na sequência. A embalagem é de 500ml.

Limpador Sanitário Pato Marine - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Limpador sanitário Pato - Raid

Preço: R$ 12,30

O Pato Limpador Sanitário possui fórmula avançada que atua na remoção de manchas e elimina 99. 9% dos germes e bactérias, segundo a fabricante. A embalagem é de 750 ml.

Bloco Sanitário Para Caixa Acoplada Harpic Fresh - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Bloco sanitário para caixa acoplada - Harpic

Preço: R$ 15,41

O produto é específico para vasos com caixa acoplada e deve ser colocado dentro dela. A cada descarga, ele limpa e colore a água.

Desinfetante Lysoform Bruto Original 5 Litros - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Desinfetante bruto original 5 litros - Lysoform

Preço: R$ 36,90

Ideal para quem tem casa com vários banheiros ou espaço comercial, a embalagem de 5 litros é ideal para locais com grande fluxo de pessoas. Produto pronto para uso, limpa e desinfeta.

Desinfetante Lysoform Bruto Original 1L - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Desinfetante bruto original - Lysoform

Preço: R$ 8,98

A embalagem de 1 litro do desinfetante é ideal para quem possui um ou dois banheiros no ambiente. É germicida, bactericida e fungicida.

Desinfetante Bak Ypê Lavanda 1 Litro, Ypê - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Desinfetante Bak Lavanda - Ypê

Preço: R$ 4,79

Mais uma opção de desinfetante para a limpeza do vaso, o aroma de lavanda deixa o ambiente ainda mais agradável após o procedimento.

Desinfetante Pinho Sol Original 3,8L - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Desinfetante - Pinho Sol

Preço: R$ 23,90

Um dos produtos mais tradicionais na limpeza da casa, o desinfetante Pinho Sol elimina 99,9% das bactérias, germes e fungos. A embalagem é econômica.

Escova Sanitária com Suporte, Alklin - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Escova sanitária com suporte - Alklin

Preço: R$ 13,50

A escova possui cerdas firmes que ajudam na limpeza pesada do vaso sanitário. Formato arredondado para melhor alcance. Possui suporte para acomodar a escova.

Brinox Easy Decorline Escova Para Banheiro - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Escova Para Banheiro - Brinox

Preço: R$ 75,90

O modelo tem cabo e suporte em aço inox, o que aumenta o tempo de uso e conservação e deixa o acabamento do produto mais bonito. O suporte tem sistema de abertura e fechamento.

Escova sanitária Condor - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Escova sanitária - Condor

Preço: R$ 15,99

Mais uma opção de escova, o modelo tem um exclusivo tufo angulado para limpar os cantos mais difíceis. Cerdas sintéticas resistentes que duram mais, segundo a fabricante.

Escova Multiúso com Cabo, Alklin - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Escova multiuso com cabo - Alklin

Preço: R$ 6,39

O modelo de escola possui cerdas macias em forma de leque e também um cabo com pendurador.

Você já conhece o serviço Programe e Poupe da Amazon? Com ele você pode receber entregas recorrentes de produtos do dia a dia com 10% de desconto desde a primeira entrega e frete grátis a partir da segunda entrega. E o melhor: sem taxa de adesão. Basta selecionar um produto participante, determinar a quantidade e frequência do recebimento e programar suas entregas.

* Os preços e a lista foram checados no dia 28/06/2021 para atualizar este texto. Pode ser que eles variem com o tempo.

____________________ * Por R$ 549, Huawei lança relógio fitness Band 6 com bateria de 2 semanas

Huawei Band 6 - Divulgação
Huawei Band 6 Imagem: Divulgação

Guilherme Tagiaroli

De Tilt, em São Paulo

01/07/2021 08h00

Ainda que tenha interrompido a venda de smartphones no Brasil, a Huawei continua trazendo dispositivos de outras linhas para o mercado local. Nesta quinta-feira (1º), a empresa chinesa começa a vender a Huawei Band 6, um relógio fitness de tela grande, monitoramento cardíaco e que aguenta até duas semanas sem precisar carregá-lo.

O preço convencional do relógio é R$ 549. No entanto, até o dia 14 de julho, ele estará disponível por R$ 349 no Submarino, Shoptime e Americanas.

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Huawei Band 6: pulseira ou relógio?

Havia uma divisão clara entre smartwatches e pulseiras fitness. Os primeiros têm tela redonda ou retangular (como o Apple Watch), enquanto os segundos costumam ser finos e com uma tela discreta, geralmente da mesma largura da pulseira, para mostrar informações básicas (como contagem de passos, horário ou notificações).

Com o Band 6, a Huawei manteve o nome que a caracteriza como pulseira ("band", em inglês), mas colocou uma "telona retangular" de 1,47 polegada Amoled, que o deixa mais parecido com um relógio inteligente (smartwatch) convencional.

O vestível não conta com GPS para monitorar corridas, no entanto, ele vem com monitoramento contínuo de SpO2 (saturação de oxigênio) - nos gadgets anteriores da Huawei, a medição só era feita quando a pessoa quisesse. Esta funcionalidade ajuda a pessoa que se exercita a entender melhor sua capacidade cardiopulmonar.

Nesses tempos de covid-19, a medida também ajuda a saber se o pulmão de uma pessoa pode estar com algum problema. Mesmo assim, a Huawei ressalta que seu dispositivo não é um equipamento médico, e que se as pessoas suspeitam que podem ter algum problema de saúde, que procure a ajuda apropriada.

O Huawei Band 6 ainda conta com monitoramento contínuo de batimento cardíaco e análise de sono, indicando as diferentes fases (leve, pesado e REM).

Para quem curte se exercitar, o vestível suporta até 96 modos de exercício, que vai de spinning a boxe. Automaticamente, ele consegue detectar quatro atividades físicas: caminhada, corrida, remada e elíptico.

Diferente de outros relógios, com autonomia de até dois dias, o Huawei Band 6 aguenta, segundo a empresa, até 14 dias de uso moderado. Em uso intenso, a fabricante fala em até 10 horas.

Huawei Band 6 - Divulgação - Divulgação
Huawei Band 6 Imagem: Divulgação

Dá para usar o dispositivo enquanto toma banho tranquilamente, pois ele é à prova d'água. De acordo com a Huawei, ele suporta até 5 ATM, ou até 50 metros submerso.

O Huawei Watch 6 será disponibilizado em duas cores no Brasil: preto (grafite black) e rosa (sakura pink).

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