____________________ * JÁ ESTAMOS diante de uma TERCEIRA_ONDA de Covid-19, afirma Conass. * 'está começando a ESCALADA da MONTANHA' ____________________ * JN faz reportagem de 5 minutos sobre ABSOLVIÇÃO de LULA e parte para cima de Bolsonaro
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____________________ * JÁ ESTAMOS diante de uma TERCEIRA_ONDA de Covid-19, afirma Conass
____________________ * JN faz reportagem de 5 minutos sobre absolvição de Lula e parte para cima de Bolsonaro (vídeo)
____________________ * ABI reage às agressões de Bolsonaro contra repórter: "renuncie, presidente!"
____________________ * Augusto Aras assina parecer contra entrevista de Rodrigo Pilha ao 247 ________ A decisão caberá à ministra Cármen Lúcia, que é conhecida por ser ARDOROSA DEFENSORA da imprensa e por ter cunhado a célebre frase "cala boca já morreu"
____________________ * 'NÃO entendo por que AINDA ESTÁ no PODER, diz Xuxa sobre Bolsonaro
____________________ Juiz condena Carlinhos Metralha, amigo íntimo do torturador Brilhante Ustra, por sequestro e cárcere privado na Ditadura
____________________ * Por que os ESTADOS_UNIDOS já NÃO conseguem IMPOR seus DESÍGNIOS à CHINA?
____________________ * Bolsonaro tem 15 dias para EXPLICAR ao TSE declarações sobre supostas FRAUDES em URNAS
____________________ * FHC diz preferir nome do PSDB contra Bolsonaro, mas reconhece força de Lula: "ele sabe se colocar"
____________________ * Gabinete paralelo: MILÍCIA, CRIME e ÓDIO
____________________ * Pastor Ciro, e a política invisível - Ricardo Nêggo Tom
____________________ * Privatização da Eletrobras: a escassez induzida e o duplo assalto ao país
____________________ * Análise sobre o 19J e os desafios das próximas mobilizações
____________________ * América Latina e Teoria Crítica
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____________________ * JÁ ESTAMOS diante de uma TERCEIRA_ONDA de Covid-19, afirma Conass

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BRASÍLIA — O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, disse nesta segunda-feira que a contínua aceleração no número de casos de Covid-19 aponta que estamos “diante de uma terceira onda” da pandemia no país. Segundo ele, está começando" a escalada da montanha".
Lula justifica que o número de casos ativos, diários, não diminuiu desde março. O avanço da vacinação ajudou a diminuir o número de óbitos em março e abril, no entanto agora está sendo registrado um aumento no número de mortes. Neste último fim de semana, 12 estados tiveram óbitos em alta.
— Agora, com a contínua aceleração do número de casos, isso deixa claro que a gente já está diante de uma terceira onda — afirmou o presidente do Conass ao GLOBO.
O patamar da média móvel de óbitos voltou ficar acima de 2 mil. O país ultrapassou a marca de 500 mil mortes pela doença neste sábadao. E, ao longo dos últimos sete dias, o Brasil também foi o segundo país com mais mortos pelo coronavírus, atrás apenas da Índia.
Além disso, hoje é o primeiro dia de inverno no país. Com o início do período mais frio no Sul e no Sudeste, é esperado um aumento de casos de pacientes com problemas respiratórios.
— A gente já vai ter um incremento também de problemas respiratórios que devem aumentar o número de casos. De modo que eu quero acreditar que, sim, a gente está subindo a montanha. Está começando a escalada da montanha da terceira onda — disse Lula.
O Conass tem pontuado que é preciso acelerar a vacinação no país. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta segunda que toda a população adulta brasileira deve estar vacinada com a primeira dose até setembro.
Dados do Ministério da Saúde mostram que até o momento cerca de 58,8 milhões de pessoas foram imunizadas com a primeira dose no país. Inicialmente, setembro era a previsão da pasta para que fosse concluída a vacinação dos grupos prioritários.
____________________ * JN faz reportagem de 5 minutos sobre absolvição de Lula e parte para cima de Bolsonaro (vídeo)

247 - Reforçando a mudança recente de tom contra Jair Bolsonaro, combinando com o clima de mobilizações pelo País, a Globo usou seu principal telejornal na noite desta segunda-feira (21) para rebater com firmeza a agressão de Bolsonaro contra uma repórter de afiliada da emissora no interior de São Paulo.
Em sua fala, William Bonner afirmou que a imprensa no Brasil não deixará de cumprir seu trabalho por conta dos “gritos” e da “intolerância” de Bolsonaro.
Renata Vasconcellos disse que o chefe do Planalto, “descontrolado”, “insultou” a emissora.
Em outra reportagem prejudicial para a imagem de Bolsonaro, o JN deu destaque às investigações da CPI da Covid sobre a compra da vacina indiana Covaxin pelo governo por valores mais altos que os oferecidos pela Pfizer no mesmo período.
O Planalto teria pressionado servidores para acelerar o negócio.
“A CPI da Covid investiga uma decisão inusitada do governo Bolsonaro:
RETARDAR a compra da vacina Pfizer alegando preços muito altos, MAS comprar o imunizante indiano MAIS_CARO e ANTES da APROVAÇÃO da Anvisa”, disseram os apresentadores na abertura do telejornal.
O mesmo Jornal Nacional trouxe ainda uma longa reportagem - de quase cinco minutos - sobre a decisão que ABSOLVEU o ex-presidente Lula na Operação Zelotes, no caso da MP do setor automotivo.
Trata-se da primeira reportagem em MUITOS ANOS na emissora que TRATA LULA de maneira CORRETA.
Assista:
A edição do JN aconteceu dois dias depois de a Globo ter feito um duro editorial contra Bolsonaro por conta da trágica marca das 500 mil mortes desde o início da pandemia do coronavírus, no mesmo dia em que fez uma AMPLA COBERTURA sobre as MANIFESTAÇÕES da população em todo o Brasil que pediu vacinas, auxílio e troca do governo.
____________________ * ABI reage às agressões de Bolsonaro contra repórter: "renuncie, presidente!"

247 - Em nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pede a renúncia de Jair Bolsonaro após o chefe do Planalto ter agredido uma repórter nesta segunda-feira, 21.
“Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN”, denuncia a entidade.
“Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista”, continua.
Segundo a ABI, “diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022. É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados”.
Por isso, a associação defendeu novamente o impeachment de Jair Bolsonaro, mas apelou que, para o bem da democracia, a solução mais rápida seria renunciar ao governo federal.
Ataques à imprensa
Em mais um ato de descontrole, Jair Bolsonaro atacou, nesta segunda, uma jornalista de uma afiliada da TV Globo, além de insultar a própria emissora e a CNN Brasil.
Questionado por uma repórter sobre a dispensa do uso de máscara, Bolsonaro se irritou e passou a fazer uma série de ofensas à imprensa: "vocês não ajudam em nada".
Nem mesmo a própria equipe do governo escapou do surto de Bolsonaro, que mandou seu "staff" "calar a boca".
Nota oficial da ABI
Renuncie, presidente!
Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.
Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.
Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.
Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.
Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.
Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.
É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.
Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.
Outra solução – até melhor, porque mais rápida - seria que ele se retirasse voluntariamente.
Então, renuncie, presidente!
Paulo Jeronimo
Presidente da ABI
____________________ * Augusto Aras assina parecer contra entrevista de Rodrigo Pilha ao 247

247 - Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Augusto Aras, opinou por negar o pedido da TV 247 para entrevistar o ativista Rodrigo Pilha, que foi preso em Brasília, quando abriu uma faixa “Bolsonaro genocida”, numa manifestação contra o governo federal.
Em sua manifestação, Aras defende que o militante petista está preso e essa situação justifica a restrição aos seus direitos. "A liberdade de imprensa não é absoluta e não obriga o Estado a conceder à imprensa acesso extraordinário à informação que não está disponível para o público em geral", escreve Aras no parecer.
Após o parecer de Rodrigo Aras, a decisão caberá à ministra Cármen Lúcia, que é conhecida por ser ARDOROSA DEFENSORA da IMPRENSA e por ter cunhado a célebre frase "cala boca já morreu".
A prisão ocorreu no dia 18 de março deste ano e, depois disso, Pilha foi enviado para o presídio da Papuda, onde teriam ocorrido agressões e torturas, segundo seus advogados. Ao tomar conhecimento da denúncia, o juiz Luís Geraldo Sant'Ana Lanfredi, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, instaurou um procedimento para apurar o caso e solicitou informações à Vara de Execução Penal do Distrito Federal.
Em paralelo, a TV 247 solicitou à mesma vara o direito de entrevistar Pilha por videoconferência, o que foi negado em razão de supostos riscos sanitários - algo que não faz sentido por se tratar de entrevista remota, e não presencial. Em razão da negativa, a TV 247 recorreu ao STF.
____________________ * 'Não entendo por que ainda está no poder', diz Xuxa sobre Bolsonaro

247 - A apresentadora Xuxa Meneghel criticou Jair Bolsonaro nas redes sociais, ao compartilhar uma reportagem sobre a manifestação em Londres contra o governo brasileiro.
"E não sou petista, ok? Sou uma brasileira que não entende pelo qual essa pessoa ainda está no poder", escreveu no Instagram.
____________________ Juiz condena Carlinhos Metralha, amigo íntimo do torturador Brilhante Ustra, por sequestro e cárcere privado na Ditadura

Conjur - "A responsabilização de eventuais crimes de sequestro, crime permanente cuja consumação se protrai no tempo, praticados no contexto da repressão da ditadura, não está alcançada pela Lei de Anistia, seja por esse fato, isto é, pela perenidade de seus efeitos no tempo, seja também pelos inúmeros tratados internacionais dos quais o país faz parte e que classificam o desaparecimento forçado de pessoas como crime contra a humanidade, mesmo à época de vigência da Lei de Anistia".
Com esse entendimento, o juiz federal Silvio César Arouck Gemaque, da 9ª Vara Federal Criminal de São Paulo, condenou um ex-agente da ditadura militar por crimes políticos cometidos no período (artigo 148 do Código Penal). A sentença é da última sexta-feira (18/6). Trata-se do delegado aposentado Carlos Alberto Augusto, que atuava no Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops). Ele foi sentenciado em primeira instância a dois anos e 11 meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Augusto participou do sequestro do ex-fuzileiro naval Edgar de Aquino Duarte, desaparecido desde 1971. O condenado poderá recorrer da decisão em liberdade.
A sentença é resultado de uma denúncia que o Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou em 2012 contra o delegado e outros envolvidos no desaparecimento de Duarte. É um dos poucos casos relacionados a crimes da ditadura que tiveram andamento na Justiça. Segundo o MPF-SP, a maioria das mais de 50 ações penais propostas pelo MPF nos últimos anos foi rejeitada ou está paralisada em varas federais de todo o país, em descumprimento a normas e decisões internacionais que obrigam o Brasil a investigar e punir quem tenha atuado no extermínio de militantes políticos entre 1964 e 1985.
Além de Carlos Alberto Augusto, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações do II Exército (DOI-Codi) em São Paulo — e o ex-delegado Alcides Singillo também respondiam pelo sequestro de Duarte. Porém, eles deixaram de figurar como réus, pois morreram em 2015 e 2019, respectivamente. O caso teve ainda a participação de outras pessoas que permaneciam não identificadas ou também já haviam morrido quando o MPF ofereceu a denúncia — entre elas o ex-delegado Sérgio Paranhos.
O caso
Edgar de Aquino Duarte foi preso no dia 13 de junho de 1971, sem qualquer ordem judicial que embasasse a ação. Na época, trabalhava como corretor da Bolsa de Valores de São Paulo e já não tinha nenhum vínculo com grupos de oposição à ditadura. Expulso da Marinha em 1964 em decorrência do Ato Institucional nº 1, ele havia deixado a militância política desde que retornara do exílio, em 1968.
Ainda assim, o ex-fuzileiro naval entrou no radar das autoridades após ter seu nome citado no depoimento de José Anselmo dos Santos. Preso dias antes de Duarte, o Cabo Anselmo hospedava-se no apartamento do ex-colega de Marinha e viria a se tornar um agente infiltrado dos órgãos de repressão, sob supervisão de Carlos Alberto Augusto. Duarte poderia ser uma ameaça à atuação clandestina do colaborador caso o reencontrasse, desconfiasse das circunstâncias de sua soltura e revelasse a outras pessoas a suspeita sobre a parceria entre Anselmo e os militares.
Augusto, conhecido na época como "Carlinhos Metralha", participou diretamente da ação que resultou na prisão de Duarte e sua condução ao DOI-Codi. A detenção foi mantida sem comunicação judicial pelos dois anos seguintes. Nesse período, a vítima foi sucessivamente transferida entre a unidade comandada por Ustra e o Deops paulista, onde Augusto e Singillo integravam a equipe de Fleury. Duarte foi visto por testemunhas pela última vez em junho de 1973.
Decisão
Na sentença, a Justiça Federal reconheceu a responsabilidade penal do réu, comprovada "além de qualquer dúvida razoável" com documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo e diversos depoimentos de testemunhas. "Há provas mais do que suficientes no sentido de que o acusado Carlos Augusto participou da prisão da vítima e atuava em pelo menos um dos locais onde se encontrava detida ilegalmente", destacou o juiz federal Silvio César Arouck Gemaque, autor da sentença.
"Em hipótese alguma, é admissível que forças estatais de repressão, mesmo em regimes como os vivenciados naquela época, tivessem autorização para a prática de atos à margem da lei em relação a Edgar, permanecendo preso por pelo [menos] dois anos, incomunicável, submetido a toda a sorte de violências, torturas e tratamentos degradantes. Ora, espera-se das forças de Estado o exercício legítimo do direito da força, não a prática de crimes", ressaltou o juiz. Ele frisou que a ação contra Edgar ocorreu no contexto de um "sistema de terror" implantado pelo Estado, que "prendia sem mandado, sequestrava, torturava, desaparecia e matava pessoas por suas posições políticas".
A sentença considerou as circunstâncias do crime para negar a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos e definir o regime semiaberto para seu cumprimento. O MPF recorrerá da decisão para pedir o aumento do período de prisão fixado, bem como para que a Justiça acolha outros pleitos formulados na ação, como o cancelamento da aposentadoria de Carlos Alberto Augusto.
Crime contra a humanidade
A sentença reforça que o desaparecimento da vítima até os dias de hoje impede que o crime, ainda em prática, seja considerado prescrito. De acordo com a decisão, a anistia também não pode ser aplicada ao caso. O Brasil tem o dever de investigar, processar e punir ex-agentes envolvidos na repressão política durante a ditadura, por força tanto de tratados internacionais dos quais o país é signatário quanto de condenações que já sofreu na Corte Interamericana de Direitos Humanos determinando essa obrigação. Ações como o sequestro de Duarte foram efetuadas em um contexto de ataque generalizado do Estado brasileiro contra a população civil e, por isso, constituem crimes contra a humanidade.
"Sem dúvida nenhuma o caráter de um ataque sistemático de perseguição política praticado durante o período de maior perseguição política pós-64 aplica-se ao caso retratado na denúncia, como bem salientou o representante do MPF em suas alegações finais, uma vez que o crime de sequestro imputado ao acusado pode ser caracterizado como desaparecimento forçado de pessoas, na esteira do que vem decidindo sistematicamente a Corte Interamericana de Direitos Humanos", ressaltou o juiz.
O responsável pela ação que levou à condenação de Carlos Alberto Augusto é o procurador da República Andrey Borges de Mendonça.
____________________ * Por que os Estados Unidos já não conseguem impor seus desígnios à China? - Jair de Souza
Por Jair de Souza
Os Estados Unidos acabam de lançar um ultimato à China para que franqueie a seus agentes de espionagem o acesso a todos os seus dados relacionados com o aparecimento do vírus da covid-19, sob pena de sofrer fortes represálias. Os chineses responderam deixando claro que vão retrucar com igual ou maior violência às tentativas de ingerência inamistosa por parte dos Estados Unidos.
Até pouco tempo atrás, as ameaças de sanções feitas pelos representantes do imperialismo estadunidense tinham o poder de intimidar e encurralar a seus países desafetos, por maiores que estes fossem. Para fazer valer seus pontos de vista em detrimento do que aspiravam os demais, além de sua enorme superioridade militar, os Estados Unidos contavam com a força incomparável e a pujança de sua economia. Sim, assim eram de fato as coisas até recentemente.
Por sua vez, ao longo da história, com o avanço do mercantilismo e a expansão do colonialismo ocidental para a Ásia, a China passou a sofrer as consequências de sua debilidade bélica face às potências europeias e do atraso de suas estruturas econômicas em relação ao capitalismo que começava a preponderar no Ocidente.
Foi por isso que, embora contasse com uma história e uma cultura muito mais rica e diversificada do que a de seus invasores europeus, a China foi por eles subjugada e dominada. Por longos anos, os chineses foram material e moralmente ultrajados e humilhados por expedições armadas de países que nem de longe tinham alcançado o nível de sua riqueza cultural.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos despontaram como a principal potência do mundo capitalista, contando com uma imensa máquina bélica como jamais havia sido visto e, para reforçar seu predomínio, com a economia mais avançada e pujante entre todas as do planeta.
A partir do tratado de Bretton Woods, os Estados Unidos conseguiram transformar a sua moeda (o dólar estadunidense) na referência de trocas para o comércio internacional. Com isso, o caminho para o exercício indisputado da liderança mundial viu-se bastante facilitado. Posteriormente, com o fim da convertibilidade do dólar e sua transformação prática em moeda fiduciária generalizada, os Estados Unidos deixaram de se preocupar com a questão do déficit no comércio exterior, visto que, no final das contas, caberia às outras nações arcar com o rombo orçamentário estadunidense, que ia se agigantando como nunca antes.
A incapacidade da União Soviética de adequar seu desenvolvimento tecnológico do campo militar ao econômico acabou por impedi-la de resistir com êxito aos choques com os Estados Unidos. Como resultado desse fracasso, os Estados Unidos se impuseram como a única grande potência do planeta, tanto a nível militar como no econômico.
Para os desavisados, isto indicaria também uma definitiva vitória ideológica. Tudo parecia se dirigir em confluência para aquilo que o teórico pró-capitalismo Francis Fukuyama chamara de “O fim da história”, com a supremacia definitiva do capitalismo sobre o socialismo, e com os Estados Unidos à cabeça da nova ordem mundial.
No entanto, naqueles momentos de turbulência, entre a liderança da Revolução Chinesa, havia gente que não estava de acordo com esse destino já traçado que dava como certa a vitória final do capitalismo e a imposição eterna do domínio dos Estados Unidos sobre o resto do mundo.
Diferentemente do que ocorrera com os soviéticos, os líderes chineses souberam explorar a necessidade de crescimento do capital internacional e puderam atraí-lo para seu território. Para construir sua base industrial moderna e tecnologicamente avançada, os governantes chineses ofereceram aos conglomerados industriais dos países capitalistas condições extremamente favoráveis para a obtenção de altas taxas de lucro.
Sendo assim, em pouco mais de duas décadas, boa parte das grandes empresas dos Estados Unidos e de outros países capitalistas ocidentais tinham redirecionado suas plantas industriais para a China.
Em contraste com o que costuma acontecer com os países não desenvolvidos quando recebem investimentos do exterior, as autoridades chinesas se preocuparam em criar condições para que os sacrifícios aceitos para desenvolver a base industrial lhes rendessem também a possibilidade de alcançar sua independência real.
Hoje, não há dúvidas de que a China é um país independente, dono de seu próprio destino. Não apenas isto. A China se tornou o centro do dinamismo da economia mundial. Ao permitir que o capital estrangeiro se instalasse em seu território para se aproveitar das vantagens em função da média salarial muito mais baixa, os líderes chineses tomaram os cuidados para garantir que a tecnologia para lá levada não servisse tão somente para a satisfação dos ganhos imediatos de seus proprietários capitalistas estrangeiros.
Portanto, atualmente, a China conta com o maior parque industrial do planeta. Os produtos feitos na China estão presentes em todos os mercados imagináveis. E com um peso e uma intensidade tão significativos que não podem simplesmente ser eliminados sem que haja consequências muito sérias para os países relacionados.
Também foi parte das preocupações dos responsáveis pelo destino econômico da China a melhoria do padrão de vida das massas populares chinesas e, consequentemente, com o crescimento acelerado do mercado interno. Em vista disto, a China se tornou um dos mais importantes importadores de bens e produtos de países de todos os continentes.
Em relação ao que acabamos de nos referir, basta observar o que ocorre com a economia de um país como o nosso Brasil. Embora Bolsonaro e seus ministros sejam torpes, preconceituosos, filo-estadunidenses e imbecis antichineses, eles simplesmente não têm como impedir a continuidade dos negócios entre Brasil e China. O que seria de nossa economia se Bolsonaro decidisse pôr em prática seu sonho de cortar todos os vínculos com a China? O Brasil entraria em colapso, nosso agronegócio (tão bolsonarista) seria destruído, entre outras catástrofes.
É por isso que também a nível mundial os Estados Unidos não têm como impor suas decisões por sobre todos os outros países. A própria economia dos Estados Unidos depende, para seu funcionamento, da economia chinesa. Para tirar a China do mercado, os Estados Unidos teriam que estar dispostos a arrasar com sua própria economia. Além de sua importância direta no intercâmbio de mercadorias, a China é o maior credor da dívida externa estadunidense. São mais de 1 trilhão de dólares em títulos que estão em mãos chinesas.
O dinamismo da economia chinesa já ultrapassou em muito a dos Estados Unidos. Devido a isto, na atualidade, seria impossível para os Estados Unidos exercer qualquer protagonismo econômico global sem se aproveitar da vantagem artificial de ser o dono da moeda de aceitação generalizada. À medida que os países vão procurando fugir do comércio com base no dólar estadunidense, a situação vai se tornando mais crítica para a supremacia dos Estados Unidos no conjunto das nações.
Não é à toa que a China já não se amedronta diante das ameaças externadas pelos agentes do imperialismo estadunidense. A cada golpe sofrido, os chineses sabem que podem revidar com contragolpes muito mais demolidores.
____________________ * Bolsonaro tem 15 dias para explicar ao TSE declarações sobre supostas fraudes em urnas
Jair Bolsonaro, sem provas, já afirmou que, por exemplo, a eleição de 2018 foi manipulada e que somente venceu o pleito por ter tido muito mais votos que Haddad

247 - O ministro Luís Felipe Salomão, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 15 dias para que Jair Bolsonaro explique as declarações sobre supostas fraudes eleitorais por meio das urnas eletrônicas.
Por mais de uma vez, Bolsonaro afirmou que as eleições no Brasil são fraudadas e que somente ganhou o pleito em 2018 por ter tido muito mais votos que seu adversário, o ex-ministro Fernando Haddad. O chefe do governo federal, no entanto, nunca apresentou provas.
O ministro ainda determinou a abertura de procedimento administrativo para apurar se houve de fato alguma fraude em 2018.
____________________ * FHC diz preferir nome do PSDB contra Bolsonaro, mas reconhece força de Lula: "ele sabe se colocar"
Articulador do golpe contra Dilma, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira que "Bolsonaro se comporta mal na condução do Brasil"

247 - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), articulador do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (21), falou sobre o cenário para as eleições presidenciais de 2022.
O tucano voltou a defender a chamada "terceira via" para enfrentar Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula no pleito, mas reconheceu a "força" do petista. Ele disse ainda preferir que o PSDB lance um candidato, apesar de admitir a possibilidade de o partido apoiar outras siglas.
Questionado se Lula poderia "aglutinar" integrantes da chamada "terceira via" diante da falta de um nome específico, FHC respondeu: "depende do que ele vier a dizer e fazer".
"Eu conheço o Lula há muitos anos, há muitos anos mesmo. Já fomos aliados, já fomos adversários, mas eu respeito a força do presidente Lula. Ele se situa, ele sabe se colocar. Eu prefiro que alguém do PSDB, mais jovem, também seja capaz de fazer a mesma coisa, eu prefiro, mas se não fizer e o Lula fizer, o que nós vamos fazer? Em política você não escolhe o adversário, o adversário existe", falou.
Ele ainda criticou a gestão de Jair Bolsonaro na Presidência e afirmou que não há força política para o impeachment. "No meu modo de entender, o presidente Bolsonaro se comporta mal nessa crise, e não só nessa crise, mas na condução do Brasil. Então eu acho que é preciso que nós nos unamos para encontrar alguém que seja capaz de ter uma outra visão do que é o desenvolvimento do Brasil, que tenha sensibilidade com os mais necessitados, inclusive com o coronavírus. Então eu acho isso. Se o Lula for capaz e não havendo outro, o que eu posso fazer? Não pode ser neutra a terceira via, tem que ser uma coisa com força. Eu sempre me dei bem com o Lula pessoalmente, nunca tive problema. O Bolsonaro eu não conheço, e não desejo conhecer, mas é presidente da República, eu respeito. O Lula, mais do que respeitar, eu conheço bem, conheço há muitos anos, já estivemos em campo juntos contra a ditadura".
____________________ * Gabinete paralelo: Milícia, crime e ódio - Ricardo Mezavila
Por Ricardo Mezavila
São considerados milicianos, os militares, paramilitares ou cidadãos comuns armados que, teoricamente, não integram as forças armadas de um país. No Rio de Janeiro estão organizados e possuem braços nas polícias e na política.
Não é mais novidade a aproximação da milícia carioca com o poder executivo federal. Personagens como Fabrício Queiroz, Ronnie Lessa, Adriano Nóbrega, Élcio Vieira, são milicianos ligados à família Bolsonaro e ao escritório do crime, organização criminosa localizada no bairro Rio das Pedras.
O que esperar de um presidente que sempre teve ligação com milícias de bairro?
Dentro do governo, Bolsonaro utiliza a lógica miliciana de substituir o legítimo pelo improvisado. Em reunião, com a participação do presidente, o virologista Paolo Zanotto, falou sobre a existência de um ‘gabinete das sombras’, que seria um gabinete paralelo formado por influenciadores de fora do governo que orientam as ações do presidente.
Quando depõem na CPI, os integrantes e ex-integrantes do governo, mesmo os que não consideram tal hipótese, deixam transparecer que não passam de marionetes em seus cargos. Quem decide tudo é o presidente, que ouve mais o gabinete paralelo do que seus ministros e secretários nomeados.
Bolsonaro tem experiência com gabinetes, tanto das sombras, quanto do ódio. Devido a isso, não é de surpreender que do gabinete paralelo tenha saído as orientações sobre imunidade de rebanho e tratamento precoce contra o coronavírus através da hidroxicloroquina.
O gabinete paralelo reúne a nata do negacionismo, é um espectro do governo que arrasta correntes e conduz o país aos incríveis índices de mortes.
O deputado Osmar Terra, médico formado na UFRJ, que previu ‘apenas’ oitocentas mortes por Covid, é considerado o ‘padrinho’ do gabinete paralelo, o ministro da saúde do governo das sombras.
____________________ * Pastor Ciro, e a política invisível - Ricardo Nêggo Tom
Por Ricardo Nêggo Tom
O que Ciro Gomes, a Bíblia e a Constituição têm em comum? Se você respondeu uma diversidade de interpretações, acertou! Aliás, ultimamente o político tem mostrado as suas facetas mais ocultas. Certamente, sob mentoria de João Santana, seu novo marqueteiro, mas não sem contar com uma dose de rancor guardado no peito. Essa, sem dúvida, é que tem permitido a Ciro interpretar o pior papel de sua história política. O Bolsonaro do bem.
Não bastasse os constantes ataques a Lula e ao PT, politicamente carregados de ódio e agressões gratuitos, Ciro agora apela para uma espécie de fundamentalismo religioso cult, acreditando que isso vai dar em milhões de votos a seu favor. Não vai não! De olho nos votos dos cristãos bolsonaristas decepcionados com o messias que o neopentecostalísmo os enviou, ele segurou a Bíblia em uma das mãos e a Constituição na outra, para dizer que, apesar de o estado ser laico, ambos os livros não são conflitantes porque o Brasil foi construído sob valores do cristianismo.
Ciro Gomes tem razão. A Bíblia e a Constituição não são livros conflitantes. Uma prova disso é que, tanto pastores picaretas, como políticos genocidas, manipulam suas ovelhas e seus gados oportunizando as brechas interpretativas existentes em ambos. O problema é que Ciro resolveu adotar a pauta de costumes e de valores cristãos depois do Rubinho Barrichello. Além disso, ignora que boa parte de seu eleitorado sempre foi composto por uma classe média terrivelmente laica e que sempre criticou o oportunismo e a manipulação religiosa na vida política.
Publicar um vídeo falando em ideais centrais do cristianismo que inspiram a vida de todos que lutam por um Brasil melhor, e intitular a peça publicitária como “Religião e Política”, prova que Ciro se perdeu no vasto conhecimento que, inegavelmente, ele possui. É assumir que foi prolixo durante anos, apesar de seu conteúdo ser acima da média, e se juntar à turma que nivela a política por baixo usando o nome de Deus para ganhar votos.
Ciro também apela para “valores espirituais” e fala de uma “boa política” capaz de impedir que sonhos se desfaçam, oferecendo ao mundo condições materiais e espirituais para que eles floresçam e frutifiquem. Os portugueses, dos quais possivelmente Ciro herdou o Gomes do seu sobrenome, aqui chegaram oferecendo aos indígenas uma proposta de realização de sonhos bem parecida e mais um espelho de brinde. Deu no que já sabemos bem.
Os valores espirituais e cristãos do colonizador eram bem seletivos e relativizados de acordo com a sua vontade e interesse. Tanto, que era permitido escravizar e sacrificar seres humanos em prol do progresso econômico. Apesar de também estabelecerem uma harmonia entre religião e política, Bíblia e o que constituíram como lei na época, a tal fábrica de sonhos não deu frutos para todos. O que colhemos hoje estruturalmente, é consequência do cristianismo sequestrado para vantagens pessoais de um determinado grupo.
Religião + política sempre foi igual a merda. E não será Ciro Gomes que fará essa equação ter um cheiro mais agradável ou números igualmente positivos para todos os brasileiros. Só faltou promoter transformar água em vinho, chão em céu, pau em pedra e cuspe em mel. Nada para ele parece impossível. Nem mesmo fazer política invisível, para cego ver. Acho que o marqueteiro dele continua trabalhando para o PT e só ele não está percebendo isso.
Que vaciro!
____________________ * Privatização da Eletrobras: a escassez induzida e o duplo assalto ao país - Denis Castilho
Por Denis Castilho
Por Denis Castilho
Na última quinta-feira (17 de junho), a Medida Provisória que viabiliza a privatização da Eletrobras (MP 1.031 de 2021) foi aprovada no Senado. Essa MP, conforme divulgam seus idealizadores, visa capitalizar a Eletrobras. Uma análise atenta, contudo, revela um conjunto de articulações que tornarão a operação bastante onerosa ao consumidor brasileiro e ainda pode desencadear uma desestruturação sem precedentes ao setor elétrico do país.
Depois que passou pela Câmara dos Deputados e, agora, pelo Senado, a Medida sofreu alterações e acréscimos em função de lobbys e pressões. Esses acréscimos são conhecidos como “jabutis”, expressão inusitada que diz respeito às manobras para inclusão de pontos que beneficiam interesses muito específicos. Em outras palavras, são acréscimos traiçoeiros e que mostram o caráter leviano de seus atores e da própria Medida.
Essa MP foi elaborada a toque de caixa, sem consulta pública, sem debate com especialistas e muito menos com representantes de entidades ligadas ao setor elétrico. Mais que um absurdo, é um crime contra um setor estratégico ao país. Como deixar restrito a parlamentares (muitos deles lobistas) decisões que demandam amplo debate e que irão impactar a economia e a vida de milhões de pessoas?
É contraditório utilizar Medida Provisória para situações que impactam a sociedade de maneira estrutural. O próprio Artigo 62 da Constituição Federal deixa muito claro que o pressuposto de uma Medida Provisória é a urgência – devendo ser utilizada para casos e situações pontuais. Longe disso, intervenções no setor elétrico não podem ser tomadas sem um amplo e bem articulado planejamento estratégico.
Essa medida, portanto, é um atentado à Constituição. Mas a situação é ainda pior. Vejamos o porquê.
Uma medida anacrônica e que conduz o país ao atraso
Um primeiro ponto que merece destaque diz respeito ao texto dessa MP. Nele há obrigação de construção de novas usinas térmicas a gás natural no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, regiões que, em sua maioria, não são servidas por gasodutos.
Ao texto original foram acrescentados dispositivos que determinam a contratação de 8 GW dessas termelétricas. No total, estima-se que as alterações realizadas na Câmara trarão custo extra de R$ 41 bilhões. Depois de ter passado pelo Senado, com os novos “jabutis”, esse custo subiu para R$ 56 bilhões. Somando impostos e benefícios setoriais, o grupo de entidades empresariais União pela Energia calcula que o impacto será de R$ 84 bilhões, os quais serão repassados à conta do consumidor, conforme mostra Montenegro (2021).
Se considerarmos que a capitalização a ser levantada pela MP está muito abaixo desse valor (em torno de R$ 60 bilhões), não é difícil identificar o modo como será configurada a extração de valor em benefício dos acionistas. Além da entrega de um setor estratégico e que torna alheio o sistema de controle do insumo mais importante e elementar do território nacional, a privatização também configura um verdadeiro sistema de assalto ao consumidor.
Não é difícil imaginar, contudo, que nos próximos meses teremos uma chuva de propagandas em defesa dessa privatização. Por um lado, haverá a narrativa enganosa a respeito da crise hídrica – que na verdade diz respeito a uma falta de gestão governamental dos recursos hídricos direcionados à geração de energia e ao abastecimento. Por outro, o marketing centrará sua estratégia na divulgação das aplicações (os 60 bilhões), também enganosa porque omitirá o custo final ao consumidor e o revés derivado da entrega do ativo público.
Por trás dessa privatização há uma forte articulação para expansão de gasodutos no país, o que certamente impactará na estrutura tarifária da energia elétrica. Além dos aumentos e adicionais já aprovados - vide Conta-Covid, conforme discutimos em texto anterior (Castilho, 2021), a privatização poderá aumentar em até 20% a conta de energia, valor também previsto em levantamento realizado pela Associação de Grandes Consumidores Industriais e de Consumidores Livres (Abrace).
Na contramão do que acontece no mundo, essa Medida também prorroga os subsídios às termelétricas movidas à carvão de 2027 para 2035, evidenciando um forte lobby dos grupos que controlam essas chaminés. Na conjuntura em que o sistema enfrenta adversidades, sabe-se da função e relevância dessas usinas, mas a prioridade não pode ser creditada em uma insistência que desconsidera as tendências de inovação e as mudanças que irão alterar a geopolítica da energia mundial. Justamente nesse período histórico marcado pela transição energética, um país tropical e de dimensões como o Brasil (com ampla possibilidade de diversificação e ampliação de seu parque gerador), continua a insistir em um tipo de geração de energia poluente, insustentável e bastante onerosa. Indiscutivelmente, essa é uma Medida anacrônica e que, além de não apresentar soluções inovadoras que há muito o sistema carece, ainda conduz o país ao atraso.
Crise hídrica ou escassez induzida?
O atual sistema de geração bem como de transmissão opera próximo ao seu limite. Sabe-se que o governo não apresentou nos últimos anos um plano bem articulado de ampliação desse sistema por meio de um conjunto de ações coordenadas e de investimento em ciência, tecnologia e inovação do setor.
É sabido também que mais de 63% do sistema nacional guarda dependência direta às condições climáticas (Brasil, 2020). Esse governo sequer elaborou um plano coordenado para prevenção contra irregularidades climáticas e/ou secas prolongadas que, embora ocorram em regiões específicas, interferem no Sistema Interligado Nacional. Além disso, o que o governo chama de crise hídrica (jogando “a culpa” nas condições climáticas) esconde, na verdade, uma crise planejada.
Há situações descabidas para um setor como o da eletricidade. Em 2020, por exemplo, autorizaram a abertura de comportas de Itaipu. O reservatório ficou com 80% de sua capacidade e registrou queda de quase 25% em sua geração. Isso beneficiou as usinas localizadas à montante, sendo a maioria operada por grupos privados. A aceleração na produção dessas usinas, obviamente, impactou negativamente a vazão dos reservatórios.
O resultado está aí: reservatórios com baixa vasão e sem condições de serem poupados no período que se avizinha. Nos últimos cinco anos tem chovido abaixo da média em bacias do Centro-Sul do país, região onde se situam importantes hidrelétricas. Contudo, a manutenção do baixo volume de chuvas na região, como relatam Rabello e Coimbra (2021), era previsto por serviços de meteorologia.
Isso significa que faltou coordenação. Também é preciso considerar outros fatores, a exemplo da utilização de água por pivôs centrais que drenam milhares de metros cúbicos na montante das bacias, a derrubada da vegetação nativa em regiões do Cerrado e Amazônia, a diminuição da infiltração nos lençóis freáticos e as erosões que aumentam o volume de sedimento nos cursos d’água. Isso tudo também interfere na vazão dos reservatórios e mostra que a sua variação não pode ser relacionada apenas ao volume de chuvas, mas também ao uso predatório dos recursos naturais.
Essa ausência de uma política bem coordenada para o uso racional dos recursos hídricos voltados à geração de energia suscita uma questão: ela resulta da incompetência do governo ou de uma ação premeditada? Fato é que será difícil conter uma grave crise no setor elétrico, especialmente em 2022, quando os racionamentos certamente serão utilizados como novas justificativas para o desmonte do setor. Uma insanidade que, não sendo impedida, poderá levar o setor a um inevitável colapso energético.
Ficará patente que a escassez veio de um conjunto deliberado de ações (ou da ausência delas), como estratégia pré-privatização. A gestão que articula os bastidores dessa Medida não é inocente - é uma gestão geradora de crise.
O projeto da escassez ancora-se na premissa indispensável para futura apropriação privada de um ativo público porque é fonte de convencimento. Contudo, considerando que o sistema opera quase em seu limite, estariam os grupos privados dispostos a realizarem investimentos sem retorno ou divisas? Todos os cenários apontam para um preço muito alto à população e à própria economia do país, seja pela necessidade de ampliação do sistema, seja pela inclusão dos “jabutis” na MP, seja pela venda do megawatt que poderá custar três vezes o valor atualmente praticado pela Eletrobrás.
A viabilização dessa privatização acontece no momento em que o setor mais carece de inovações e de diversificação em seu parque gerador. Na contramão desse processo, além de representar um duplo assalto ao consumidor e ao patrimônio público formado por 125 usinas, 71 mil quilômetros de rede de transmissão e 366 subestações, essa MP ainda coloca o país no descompasso da transição energética mundial e ainda reforça um modelo de gestão com ineficiência já comprovada, bastando lembrar dos sucessivos apagões no Amapá.
Não bastasse isso, um dos setores mais estratégicos do país corre sério risco de ser entregue ao apanágio dos acionistas, transferindo à racionalidade do mercado de ações, o insumo que deveria compor a racionalidade da soberania e do desenvolvimento deste país.
Referências
BRASIL. Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2020, ano base 2019. Ministério de Minas e Energia; Empresa de Pesquisa Energética, 2020.CASTILHO, Denis. Conta-covid: você sabe o que é? Pragmatismo Político, 8 de junho de 2021. Disponível em: https://bit.ly/35Gsqau (acesso: 18/06/2021). HESSEL, Rosana. Abrace prevê aumento de até 20% na conta de luz com privatização da Eletrobras. Correio Brasiliense, 19 de maio de 2021. Disponível em: https://bit.ly/3zQBGa6 (acesso: 18/06/2021). MONTENEGRO, Sueli. Custo da MP da Eletrobras sobe para R$ 84 bi. Canal Energia, 17 de junho de 2021. Disponível em: https://bit.ly/3xwCUFq (acesso: 18/06/2021). RABELLO, Nestor; COIMBRA, Leila. Seca continuará em 2021. Agência Infra, 15 de abril de 2021. Disponível em: https://bit.ly/3gGHsn1 (acesso: 18/06/2021).
____________________ * Análise sobre o 19J e os desafios das próximas mobilizações - Igor Felippe Santos
Por Igor Felippe Santos
Por Igor Felippe Santos
As manifestações de 19 de junho foram expressivas e mantiveram o vigor das forças populares nas ruas, com a mobilização de mais de 750 mil pessoas em mais de 400 municípios. Houve um salto quantitativo em comparação com a jornada de 29 de maio, especialmente em relação à expansão em novas cidades. Mesmo com a ampliação de entidades na convocação, os atos nas capitais não tiveram um crescimento expressivo no número de participantes.
As cores da bandeira do Brasil, o verde e amarelo, apareceram com mais destaque em bandeiras gigantes, faixas e cartazes, em meio ao mar de vermelho. A jornada teve um perfil de manifestantes nas grandes cidades muito próximo ao da jornada anterior, com segmentos dos setores médios, juventude estudantil e lideranças das organizações da classe trabalhadora. Ou seja, houve uma "ampliação horizontal" nessas camadas sociais, com baixa participação da classe trabalhadora nas grandes cidades.
A organização de atos em um número maior de municípios médios e pequenos teve um peso relevante no aumento do número de mobilizados e abre margem para ampliar a participação de segmentos da sociedade, como camadas da classe trabalhadora e dos trabalhadores rurais.
A marca de 500 mil mortos pelo coronavírus e as manifestações por todo o país impulsionaram a ação nas redes sociais. Foram mais de 202 mil participantes no Twitter, com mais de 1.8 milhão de postagens. O bolsonarismo ficou isolado, com 20% das postagens, enquanto o campo de oposição se dividiu em agrupamentos de organizações e lideranças políticas, imprensa e jornalistas e artistas e figuras públicas.
As redes de TV cobriram os atos desde a manhã do sábado, apresentaram as pautas (contra o presidente Bolsonaro, pela aceleração da vacinação e por políticas de renda, como o auxílio emergencial de R$600) e anunciaram as organizações responsáveis pela convocação (Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e Coalizão Negra). Deram a dimensão dos atos, com tomadas dos carros de som e imagens aéreas de drones ou helicópteros. No domingo, os principais jornais impressos registraram na capa fotos e fizeram matérias sobre a manifestação, apresentando os dados dos organizadores.
As preocupações com as medidas sanitárias nos atos foram reconhecidas pela imprensa empresarial que registrou, mais uma vez, que os manifestantes usavam máscaras, diferenciando dos protestos bolsonaristas, e que os organizadores reforçavam no carro de som a necessidade de manter um distanciamento e usar álcool gel.
A organização de dois atos expressivos em um período de três semanas demonstra que a mobilização se mantém firme, mas a última jornada não representou um salto de qualidade. A convocação da primeira manifestação de massa pela esquerda durante a pandemia, o 29/5 marcou a mudança na conjuntura para uma situação mais favorável para as forças populares. Por isso, as manifestações de maio tiveram um efeito excepcional, porque geraram uma curiosidade e uma surpresa, com a mobilização de milhares de pessoas pelo país, fruto do efeito psicossocial de sair às ruas pela primeira vez para protestar e colocar para fora a indignação com o governo.
Diante disso, os protestos de 19 de junho tiveram, em comparação, um impacto político-social menor. Esse diagnóstico multiplica os desafios para as forças populares em relação às próximas jornadas para manter o patamar alto e evitar uma certa "banalização", chamando atos em um curto período de tempo, com um número de participantes parecido e as mesmas pautas. Mais mobilizador do que fazer sinalizações à direita não bolsonarista, que está bastante enfraquecida no cenário político, a massificação passa por atrair segmentos da massa de trabalhadores.
A necessidade de dar salto qualitativo para derrotar o presidente Jair Bolsonaro e avançar na ofensiva tática das forças populares impõe intensificar um processo de mobilização a partir das categorias, com a adesão das centrais sindicais, e do trabalho nos bairros mais populares, envolvendo camadas maiores da classe trabalhadora, o que talvez seja possível apenas depois da vacinação cobrir a maior parte da população.
É necessário também discutir as linhas de massa para agregar a classe trabalhadora das grandes cidades. As bandeiras das manifestações, que têm unidade na palavra de ordem "Fora Bolsonaro" precisam ganhar maior concretude, expressando os problemas vividos pelas maiorias e apresentando propostas possíveis de se efetivar para adensar segmentos que se movem a partir de interesses econômicos.
____________________ * América Latina e Teoria Crítica - Michel Zaidan
Por Michel Zaidan
Coube a Boaventura de Souza Santos a paternidade pela criação das "epistemologias do sul", para fugir do etnocentrismo europeu e norte-americano. O mestre lusitano vem dando um exemplo concreto de sua famosa "hermenêutica diatópica", diálogo multicultural com pesquisadores das nações do sul sobre direitos humanos, democracia e outros temas. Projeto multicontinental que envolve a Ásia, a África, a América Latina e a Europa.
Para Boaventura Santos, nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Nem relativismos culturais, nem etnocentrismo europeu. A hermenêutica diatópica é um diálogo entre culturas diferentes, com um pé ficado numa cultura e o outro na cultura estrangeira a respeito de questões isomórficas.
Esta discussão vem à tona em razão do neologismo criado pelos Departamentos de Estudos Culturais ou pós-coloniais: "decolonialidade ou decolonização. Um nova palavra para designar a luta contra a colonização das mentalidades, antes submetidas ao jugo colonial. E o problema que se põe é se seria possível uma ruptura tão completa com o pensamento e os valores das nações colonialistas, a ponto de se poder falar em um novo pensamento autóctone, original, novo.
Neste ponto, a experiência das guerras de libertação das nações , a formação dos estados nacionais, o fim do socialismo real e a retribalização dos antigos estados nacionais não seria uma grande lição no que diz respeito ao abandono dos modelos da modernidade ocidental para "modernização" dos países descolonizados? É possível elaborar um modelo de sociabilidade e de política sem remissão nenhuma aos modelos europeus?
Este ponto.
Até que ponto podemos falar numa nova experiência constitucional latinoamericana ou em transconstitucionalismo, como querem alguns? É possível a elaboração de um pensamento, uma sociabilidade, uma política inteiramente nova nessas nações ex-colonizadas aqui e alhures? - Ou aquilo que chamamos de novo não passa do uso do vocabulário europeu para engendrar novas expressões e formas institucionais? sempre nos termos desse vocabulário?
A esse respeito o debate havido ontem sobre a relação do pedagogia do oprimido e a Teoria Critica pode ser exemplificativa. Até onde se pode reconhecer a elaboração pedagógica de Paulo Freire a presença de elementos da reflexão Frankfurtiana sobre a racionalidade ocidental? O que nos teria a dizer Adorno, Horkheimer, Marcuse, Fromm, Benjamin sobre os acertos ou os erros da Pedagogia do Oprimido, cujas as marcas da situação latinoamericana são muito claras. Como compatibilizar a teoria do discurso racional habermasiano com a diversidade étnica, de genero, religião, justiça das diversas nações americanas e seu patrimonio multiétnico originário?
os teologos da "Teologia da Libertação latinoamericanos foram os primeiros a criticar o etnocentrismo da Teoria crítica e as marcas de nascença da Europa Central. As femininistas e outros "outsiders" também criticaram a Teoria Crítica, como teoria branca, machocentritica e cristã. Apropria Europa e os Estados Unidos tornaram-se um cadinho de inúmeras raças, etnias, culturas muito diferentes entre si. E o enorme risco da injustiça cultural contra minorias e etnias estrangeiras, praticada por um governo de brancos e cristãos reformados. O próprio Habermas chegou a falar em "patriotismo da constituição" como forma de evitar o rolo compressor de uma cultura hegemônica sobre as outras.
Então voltamos ao ponto inicial: o que temos a aprender com a teoria Critica sobre a descolonização de nossas sociedades?
Temos?
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