____________________ * "Casal HÉTERO": por que fala de CONRADO e SORVETÃO foi criticada por LGBTs? ____________________ * Ricardo Feltrin - Análise: COBERTURA mostra que CNN BRASIL JÁ está na DIREITA * ____________________ * Bolsonaro IRONIZA protesto, mas mantém SILÊNCIO sobre QUINHENTAS MIL mortes ____________________ * TRAGÉDIA atrás da NÉVOA: No oeste catarinense, a pequena MAREMA esconde o DRAMA de ser o município com MAIOR MORTALIDADE do país.

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____________________ * Arrependidos, ex-eleitores de Bolsonaro engrossam coro do protesto em São Paulo

Atraso na vacina, postura anticiência e crise financeira estão entre os motivos de adesão ao ato na av. Paulista

São Paulo

Era um momento para ficar na história. Em meio à multidão que carregava faixas e adesivos de protesto contra o governo e em defesa da vida e de vacinas, na tarde fria deste sábado (19), a estudante Rafaela Romano queria registrar os atos na avenida Paulista com o seu celular. Ali, sua maior conquista foi, sobretudo, ver a mãe, a dentista Patrícia Romano, soltar o grito de “Fora, Bolsonaro!”.

Patrícia contou que, na última eleição presidencial (2018), estava descontente com os governos do PT e votou em Bolsonaro, para o desespero da filha, que chorou com a atitude da mãe. “Ela nunca aceitou. Sempre considerou o Bolsonaro um desastre, um despreparado, um misógino”, disse.

A dentista lembra que, com o tempo, foi se desiludindo e agora se sente “muito arrependida” de ter escolhido o número 17 e ter dado seu voto a Jair Messias Bolsonaro.

A dentista Patrícia Romano, 50, ex-bolsonarista, com as filhas Rafaela (à esq.), 18, e Gabriela, 14, nos atos da avenida Paulista - Jardiel Carvalho/Folhapress

Ao lado das duas filhas, Rafaela, 18, e Gabriela, 14, Patrícia, 50, engrossava o coro dos que, no meio da multidão, pediam o impeachment. Gabriela usava um adesivo que trazia o desejo de afastamento do presidente. A irmã, Rafaela, ostentava a mesma mensagem numa faixa na cabeça. Já o adesivo da mãe, Patrícia, era a palavra de ordem “Vacina na veia, Bolsonaro na cadeia”.

A opinião das duas garotas influenciou a mudança de opinião política da mãe.

Rafaela lembra o descaso com a natureza, as queimadas na Amazônia e no Pantanal, o desrespeito com os povos indígenas. Fala também das atitudes machistas, racistas e homofóbicas do presidente.

A caçula, Gabriela, diz que é muito preocupante o incremento da pobreza no país e a ausência de ações mais enérgicas por parte do governo em relação aos mais pobres. “Esse auxílio não dá para comer.”

A família mora na Vila Leopoldina, bairro de classes média e alta, na zona oeste da capital.

“Agora, estou mais confiante. Ela não vai mais votar no Bolsonaro”, comemorava a filha Rafaela. “Como mãe de duas meninas, profissional da saúde, que vê o descaso do presidente com a Covid, uma pessoa que deveria dar o exemplo, mas não usa máscara, provoca aglomerações e desdenha da ciência, hoje não tenho mais dúvida. O meu voto ele não leva mais.”

Perto do parque Trianon, a advogada Patrícia Costa, 31, que trocou Belo Horizonte por São Paulo há cerca de seis meses, também não escondia seu arrependimento de ter votado no então candidato à Presidência pelo PSL.

Tentando não chamar a atenção de manifestantes ligados a movimentos e partidos de esquerda, ela diz que “queria um candidato que tirasse o PT do poder”. “As propostas econômicas de Bolsonaro me pareceram, naquela época, boas.”

A advogada Patrícia Costa, 31, que se arrependeu de ter votado em Bolsonaro, com o amigo, Fernando Vigui, 38, anti-bolsonarista - Jardiel Carvalho/Folhapress

Segundo a advogada, foi em algum período da pandemia, que já matou 500 mil brasileiros, que baixou a sensação de arrependimento. “Era para toda essa multidão já estar vacinada”, afirma. “Eu, pessoa com nanismo, não posso mais apoiar alguém que é contra a ciência. Não dá.”

Seu colega, o ator e professor Fernando Vigui, 38, dizia que não era um “cara de esquerda, muito menos de direita”. Na última eleição presidencial, foi de Fernando Haddad (PT).

“Jamais cogitei a possibilidade de votar em Jair Bolsonaro. Foi bom minha amiga ter-se conscientizado, mudado de opinião. Seria incoerente, diria até hipócrita, apoiar alguém que é contra a ciência. Digo isso não somente para nós, pessoas com nanismo, mas para todo o mundo.”

De olho no fluxo de pessoas que deixavam uma das saídas da estação Trianon-Masp, o ambulante Reginaldo Araújo, 59, oferecia fitas, faixas, máscaras e bandeiras, que custavam de R$ 10 a R$ 30.

As bandeiras traziam a cara de Lula com uma frase pró-impeachment do atual presidente e a de Bolsonaro em duas versões, com os dizeres “Não tirem a máscara, tirem o Bolsonaro” e “Bolsonaro Genocida”, nas cores branca e, sobretudo, vermelha, além de outras peças estampadas com o arco-íris, símbolo LGBTQIA+.

Eleitor de Bolsonaro, negro, morador de Cidade Tiradentes, zona leste paulistana, Araújo disse que estava impressionado com o número de participantes no protesto.

O ambulante Reginaldo Araújo, 59, eleitor fiel de Bolsonaro, com seu material contra o presidente - Jardiel Carvalho/Folhapress

"A economia anda esquisita demais. Isso influencia. O Jair demorou para vacinar o povo. Sem contar que ele fala muita besteira. Só falta mandar a gente para aquele lugar.”

Araújo, porém, não pretende mudar seu voto nas eleições do ano que vem. Seguirá fiel, diz ele, ao presidente.

“Não vou gritar ‘Fora, Bolsonaro’ para vender mais. Negócio, negócio; política, à parte.”

Na visão do ambulante, o fato de continuar acreditando no presidente não o impede de vender produtos que defendam o seu impeachment.

Sai-se, então, com uma comparação futebolística. “Sou são-paulino, mas isso não quer dizer que não irei aos estádios do Corinthians e do Palmeiras vender meus produtos para eles, né?”

Um empresário comprou de Araújo uma bandana contra o presidente. Pagou por ela R$ 10. Sob a condição de anonimato, contou ter votado em Bolsonaro e ter-se arrependido. “Não quero que coloque o meu nome, porque gente do meio e da minha família vão acabar brigando comigo. Prefiro não me expor”, disse.

Na opinião dele, um homem de 57 anos, “toda essa bateção de cabeça em torno da compra de vacinas foi a gota d’água”. “Perdi gente querida para a Covid que poderia estar viva se tivesse sido vacinada.”

Falou um bocadinho mais. Para ele, se os atos deste sábado não tivessem sido convocados pelo “pessoal da esquerda”, outros bolsonaristas arrependidos ali estariam.

____________________ * Bolsonaro ironiza protesto, mas mantém silêncio sobre 500 mil mortes

Bolsonaro não lamentou as 500 mil mortes causadas por covid-19 no Brasil, nem manifestou luto ou solidariedade - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agênci/Fotográfo/Agência Brasil
Bolsonaro não lamentou as 500 mil mortes causadas por covid-19 no Brasil, nem manifestou luto ou solidariedade Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agênci/Fotográfo/Agência Brasil

Colaboração para o UOL

20/06/2021 00h03

No dia em que o Brasil lamentou o registro de 500 mil mortes por causa de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não se manifestou sobre o assunto. Ele preferiu comentar outros assuntos e ironizar os protestos que aconteceram por todo país.

Lula sobre 500 mil mortos por covid-19: 'Isso tem nome e é genocídio'

Em diversas cidades, milhares de manifestantes criticaram o governo Bolsonaro e lamentaram as 500 mil mortes. Os organizadores estimaram que 750 mil pessoas participaram dos atos em todo país. Não houve uma contagem oficial.

Mas o presidente quis ironizar a quantidade de manifestantes. Ele não manifestou solidariedade ou luto. Mas publicou um vídeo em que poucas pessoas, aparentemente debaixo de chuva, aparecem andando com uma faixa contra o presidente. Segundo Bolsonaro, trata-se de uma manifestação em Paranaguá, no Paraná. Ele escreveu na legenda: "manifestação contra Bolsonaro fecha rua e paralisa o centro de Paranaguá/PR".

Até a meia-noite de ontem, esse foi o único comentário de Bolsonaro nas redes sociais sobre os protestos. Mas ele fez publicações sobre outros assuntos. Mais cedo, desejou força aos policiais na busca pelo suspeito Lázaro Barbosa.

Depois Bolsonaro também fez uma publicação para ironizar o Ministério Público Eleitoral. O presidente reclamou por ter sido acusado de fazer propaganda eleitoral antecipada. Recentemente ele exibiu, em evento público, uma camiseta que se referia à eleição de 2022. Hoje o presidente escreveu que apenas recebeu um presente. O Ministério Público pediu que Bolsonaro seja multado

____________________ * Tragédia atrás da névoa: No oeste catarinense, a pequena Marema esconde o drama de ser o município com maior mortalidade do país

Alcides Lunardi, 80, tinha seis anos quando virou pioneiro involuntário da cidade que agora vê do alto do morro em que vive. O pai gostava de caçar e queria morar no meio do mato. "A gente se mudou pra cá no lombo do cavalo por picadas no meio das árvores. Não passava nem carroça. Depois da minha família é que chegaram as outras", conta. "Tinha tanta cerração por aqui que o sol só saia lá pra uma da tarde."

A memória fica mais turva quando ele tenta lembrar de abril, mês que passou hospitalizado. Perdeu 18 quilos e ficou 14 dias intubado. Sua mulher Gecilda, 76, também adoeceu. "Só não morri porque não era minha hora, mas fiquei com o pé na cova. Minha senhora não teve a mesma sorte", fala. O olhar logo fica vazio e desvia para a paisagem de dez ruas.

Sua companheira durante 58 anos foi uma das 14 pessoas que morreram de covid-19 em Marema, cidade de Santa Catarina de apenas 1.750 habitantes. O município lidera o ranking nacional de mortalidade proporcional à população, tabulados pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa (MG), a partir de dados de todas as secretarias estaduais da Saúde. No Brasil, a mortalidade está em 234 a cada 100 mil habitantes. Em Marema, a proporção é de 800 mortos a cada 100 mil.

Numa época de tanta desinformação e cortina de fumaça, essa lista revela o drama concentrado nas pequenas comunidades, dando rosto à estatística de mais de 500 mil brasileiros mortos na pandemia. "Aqui todos se conhecem, e as mortes abalaram muito. Não tem ninguém que não perdeu um parente ou um amigo", resume Marli Lunardi, ao lado do pai e sem a mãe.

UTI MÓVEL E KIT COVID

O nome da cidade vem de maremma, termo italiano para áreas alagadiças que também virou exclamação pejorativa, porque era nos pântanos que se espalhava a malária pela Itália. Mas a situação foi para o brejo na localidade catarinense por outra doença.

Depois de registrar dois mortos ao longo de 2020, Marema sentiu a segunda onda da covid-19, que chegou com força em toda a região, matando dez munícipes entre fevereiro e abril de 2021. Fora a cepa de Manaus e grande movimentação nas férias do verão, contribuíram para a alta mortalidade a grande proporção de idosos (mais de 35% da população) e a falta de leitos na área.

No início do pico, o único posto de saúde do município tinha apenas uma ambulância e um médico atendendo casos da doença. Quem precisava ser internado tinha de ser transferido para Xanxerê, Xaxim e Chapecó, as cidades mais próximas. Lá os enfermos enfrentaram filas e aglomerações nos hospitais, aumentando a transmissão da doença.

Depois do desastre sanitário, a administração municipal contratou outro médico e outra ambulância (essa com UTI móvel) e distribuiu "kits de prevenção" com vitaminas e ivermectina (remédio antiparasitário de ineficácia comprovada para o vírus).

Já era tarde: Marema encabeçava a estatística de óbitos por habitantes, seguida por Pimenteiras do Oeste, cidade na fronteira de Rondônia com a Bolívia, e Parisi, no noroeste paulista. Esse dado, tão importante para definir políticas públicas certeiras, deveria ser divulgado e levado em conta pelo Ministério da Saúde. Mas, como tantos outros conhecimentos objetivos, perdeu-se na zona cinzenta que virou o combate à pandemia pelo governo federal.

LÁGRIMAS E LEITE DERRAMADOS

Em junho, Marema organiza a Festa da Polenta, suspensa nos dois últimos anos. A popularidade do prato se pode ver nas mercearias locais, onde os sacos de cinco quilos de farinha de milho disputam lugar com os de arroz e de feijão e revelam a forte influência da colonização italiana (mais exatamente vêneta).

A polenta mole com formai (queijo) e fortaia (omelete com salame) é a base alimentar da região, principalmente nas noites frias. No dia seguinte, ela é grelhada na frigideira para acompanhar o café antes de ir para a roça e meter a mão na geada.

O brasão do município ostenta um boi, um porco, uma galinha, um pé de milho e muitas araucárias, evidenciando o perfil agrário. Mais da metade dos habitantes mora na área rural, onde os caminhões de grandes frigoríficos e laticínios transitam constantemente. Entre os sitiantes está a família Ambrosi, detentora de 32 vacas leiteiras.

Eles perderam dois integrantes para a covid-19. "Nem falamos muito para não sofrer mais e chorar. Nos primeiros dias foi só dor. Depois vem a saudade." Uma lágrima resvala pelo rosto de Roseli, enquanto a ordenha mecânica suga o leite das vacas. Ela perdeu o marido, Valdecir, e a sogra, Idalina, num intervalo de quatro dias.

Roseli diz que na pandemia a família se isolou no sítio e não tinha contato nem com entregador de ração nem com o caminhoneiro que levava o leite deles, que vinha dia sim, dia não. A suspeita é de que Valdecir pegou quando a mãe dele precisou se internar.

No final de fevereiro, Dona Idalina saiu de sua casa de madeira, típica dos colonos, para um jazigo coberto de porcelanato e flores de tecido colorido no cemitério local. "Só tinha os de casa e o pedreiro no enterro. Agora acho bem estranho viver sozinho: a gente se cuidava um do outro, sabe?", lamenta Clóvis Ambrosi, 51, o filho que morava com ela. Idalina era cadeirante. Clóvis usa muletas há duas décadas, após anos de trabalho pesado, operações no fêmur e próteses no quadril. Não há razão de ocultar as cicatrizes quando elas são sua única companhia.

LUTO NO REDUTO

"Ele dizia que estava bom, que iria trabalhar. Mas a gente viu que não estava normal. Mandemo ele ir pro médico. Quando saiu de casa, vi pela janela que vomitou ao lado da estrebaria." Assim o agricultor Zelindo Ferrari descreve o último dia em que viu vivo o filho, Sandro, de 33 anos.

Sandro subiu na moto e rumou para outro destino: um quarteirão antes da garagem onde costumava pegar o trator ou a escavadeira, o operador de máquinas virou e entrou no posto de saúde. Dali foi para o hospital em Xanxerê e depois para o fim.

A prefeitura local decretou três dias de luto pela morte do servidor. "Era um piazão que nunca ficou doente. Tinha mês que acumulava 60 horas extras de tanto que ajudava as pessoas, abrindo caminho, tapando buraco, dragando inundação. E ele foi enterrado que nem bicho, tudo fechado, tudo apressado", queixa-se o pai.

A morte fora dos grupos de risco revoltou Zelindo. "É muito duro um pai enterrar um filho. Acabou com minha vida." Ele toma fôlego e critica o papel do governo federal. "O povo está sofrendo demais por causa desse presidente que não acreditou nessa doença. Foi uma matança sem sentido."

Marema, como a grande maioria das cidades catarinenses, deu vitória nos dois turnos para Jair Bolsonaro, em 2018. O reduto, porém, sente as consequências da escolha.

OS PIÁS MORTOS

Quase na zona rural está o bairro dos "cablocos", como a "gringada" se refere aos mestiços de indígenas, pretos e brancos. Maria Moreira, que afirma ter 110 anos, diz que veio do Rio Grande do Sul, como a maioria dos colonizadores do oeste catarinense. Filha de mãe indígena e pai "castelhano", ela viveu tanto para sobreviver à pandemia da gripe espanhola em 1917 e 1918 quanto para ver a da covid-19, em 2020 e 2021.

Mas perdeu um irmão, Orlando, e um filho, Dorvalino, para o vírus atual. "Fico louca só de lembrar como Deus levou devagarinho os dois. Eles ficaram atacados do fôlego que nem conseguiam prosear. Meu filho era um piá que nunca me deixou sozinha. Agora, outra filha veio me cuidar."

O contato dos europeus com a população nativa espalhou o conhecimento das ervas da medicina popular. E, ao lado do posto de saúde de Marema, há uma horta e um pequeno laboratório para produzir remédios fitoterápicos para a população. "Fizemos um composto que ajudou a fortalecer o sistema imunológico e respiratório de quem pegou", contou a professora e terapeuta Leonice Rebelatto, responsável pelo local.

No total, 401 foram contaminadas com covid-19 no município, o que representa 23% da população. A letalidade da doença por lá é mais que o dobro da média nacional (5,88% contra 2,41%).

NA LAMA

Com a lataria cheia de terra de tanto andar pelas "linhas" no campo, o carro da vigilância sanitária de Marema faz ronda dia e noite, incluindo fins de semana e feriados, para fiscalizar que não haja gente sem máscara e aglomerada.

"Mesmo com tanta morte por aqui, ainda tem gente que desrespeita. Os fiscais pegaram oito homens fazendo churrasco em um posto de lavagem. Jogaram até a churrasqueira fora, com carne e tudo. É indignante como as pessoas não aprendem", afirma Jaquelini Moro, secretária municipal de Saúde.

Assim como outros 13 municípios da região, Marema decretou lei seca, e os comércios estão proibidos de vender bebidas alcoólicas para consumo no local.

Um sistema de busca ativa convoca os moradores em casa para se vacinarem no posto. Quem falta recebe mais visitas de médicos ou enfermeiros para convencê-lo. Em último caso, os desconfiados devem assinar um termo explicando o porquê da recusa.

"Sei que isso é impossível em cidades maiores, mas aqui é importante. O cenário é diferente: a contaminação se dá dentro das famílias, e é preciso protegê-las", argumenta a secretária.

Pela cidade, cada vez mais vazia pela migração dos jovens, pela quarentena e pelas mortes, os pés de bergamota estão repletos nesse final de outono. As frutas caem e mofam no chão. E a cena, ao cabo, parece uma metáfora do desperdício de tanta vida que aquelas serras testemunharam nos últimos meses.

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Publicado em 19 de junho de 2021.

Reportagem Rodrigo Bertolotto | Fotos e vídeo Caio Guatelli | Edição Olívia Fraga | Arte Mathias Pape

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____________________ * Globo muda postura em relação a protestos contra Bolsonaro um mês depois

Leandro Carneiro

Colunista do UOL

19/06/2021 20h53

As manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tiveram uma mudança no estilo de cobertura. O grupo Globo alterou a forma de noticiar a presença de milhares de brasileiros nas ruas pedindo a saída do líder do país.

Há um mês, a GloboNews não deu espaço para as manifestações e isso gerou diversas críticas nas redes. Hoje, quando a população repetiu o ato, a emissora mostrou cenas desde o começo do dia. À tarde, chegou a entrar com imagens ao vivo da Avenida Paulista, em São Paulo, local de maior concentração de manifestantes.

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O impacto também foi nítido na cobertura do "Jornal Hoje" e "Jornal Nacional". A matéria na hora do almoço de hoje ocupou 3 minutos e 15 segundos do meio do telejornal, quando há um mês teve apenas 2 minutos, para encerrar o programa. Naquela ocasião, os protestos não fizeram parte da escalada, hoje, eles sim.

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Protesto em São Paulo ganhou força no final da tarde em passeata pela avenida Paulista - Anahi Martinho/UOL

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Maria Fernanda Uehara, 32, e a filha Tereza, 4, chamaram atenção com o cartaz feito por Tereza contra Bolsonaro. "Eu contei a situação para ela e perguntei o que ela queria dizer no cartaz. Ela disse várias coisas, a gente resumiu para caber. Ela falou que 'ele mente muito e todo mundo vai ficar bravo'. É o que ela mais entende que é errado", disse a mãe, que é professora

Anahi Martinho/UOL

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Durante o protesto na avenida Paulista, um homem foi preso pela polícia por furto de celular

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Manifestante na Paulista leva cartaz com número de mortos pela covid

Amanda Rossi/UOL

Manifestantes na Paulista carregam faixa criticando o governo do presidente Jair Bolsonaro

Anahi Martinho/UOL

Policiais militares acompanham de perto o protesto contra Bolsonaro em São Paulo

Amanda Rossi/UOL
Dinho Ouro Preto foi à manifestação contra Bolsonaro em São Paulo - Lucas Ramos / AgNews
Dinho Ouro Preto

O músico Dinho Ouro Preto participou da manifestação em São Paulo

____________________ * Globo abre mão da vinheta do plantão para anunciar 500 mil mortos por covid

Cesar Tralli foi o responsável por dar a notícia após logo do "Jornal Hoje" - Reprodução/TV Globo
Cesar Tralli foi o responsável por dar a notícia após logo do "Jornal Hoje" Imagem: Reprodução/TV Globo
Leandro Carneiro

Colunista do UOL

19/06/2021 14h33

A Globo não usou a tradicional vinheta do plantão para anunciar uma notícia triste hoje. A emissora chegou a cortar "Toma Lá, Dá Cá" para informar os 500 mil mortos, mas não teve a música que assusta tanto os telespectadores do canal.

Para isso, a Globo recorreu a música do "Jornal Hoje", que havia acabado minutos antes, e o logo do próprio jornal. Assim, Cesar Tralli, apresentador do programa, anunciou os 500.022 mortos vítimas de covid no Brasil.

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"Eu volto ao vivo com você para trazer uma notícia muito triste e importante. O Brasil ultrapassou a marca de 500 mil mortos por covid-19 até 2 horas da tarde, sábado, 19 de junho, hoje. 500 mil mortos", falou.

A entrada de Tralli durou, somando a vinheta, foi de 1 minuto e 13 segundos. O apresentador ainda falou que chegamos ao "trágico número" e lamentou.

"Nosso mais profundo sentimento de pesar para as famílias e amigos dessas 500.022 vidas perdidas", completou.

Vale ressaltar que "Toma Lá, Dá Cá" foi ao ar exatamente cinco minutos antes do consórcio de imprensa divulgar a atualização dos números.

____________________ * Ricardo Feltrin - Análise: Cobertura mostra que CNN Brasil já está na direita

Resumo da notícia

  • Dados mostram que cobertura já pende claramente à direita
  • Emissora cobriu motociata de Bolsonaro por mais de 4h ao vivo
  • Semanas antes, dedicou só 40 min aos protestos contra governo
  • Nova CEO disse a esta coluna: "Emissora sempre será de centro"

Apesar de sua nova CEO ter afirmado a esta coluna que a CNN Brasil "sempre será de centro" (nem de esquerda nem direita), não é isso que os primeiros dados relativos a coberturas na emissora em sua gestão mostram.

coluna fez um levantamento do tempo gasto pela CNN em duas coberturas distintas: a "motociata" de Bolsonaro na semana passada, e a manifestação antigoverno em 29 de maio.

A CNN Brasil transmitiu ao vivo o ato governista no Rio de Janeiro por mais de 4 horas e 15 minutos.

Em São Paulo, o evento pró-Bolsonaro foi exibido por quase 3 horas e meia, o que equivale a mais de dois jogos completos de futebol incluindo os intervalos.

Para comparação, na semana passada a Band News exibiu ao vivo a "motociata" de SP das 10h15 às 11h30. Depois, apenas "flashes".

Na "motociata" do Rio, a Band News entrou com 02 flashes.

A GloboNews, por sua vez, praticamente nem deu nada da manifestação bolsonarista ao vivo.

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No comparativo, a CNN mostrou o evento antigoverno por apenas 40 minutos ao vivo.

Ontem (18), outras provas de que o "centro" da CNN Brasil parece já estar aninhada ao lado do poder:

Foi a única emissora que não transmitiu a coletiva dos senadores Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros, da CPI da Covid.

O dono da franquia jornalística, o empresário do ramo de construção civil, Rubens Menin, e seu filho, defenderam o tratamento precoce "com medicação" (leia-se cloroquina) contra a Covid em posts no Twitter.

Especialistas do mundo todo afirmam que o único "tratamento precoce" (se é que se pode chamar assim) com eficácia comprovada é o distanciamento social e o uso de máscaras.

Outro lado

Procurada pela coluna para se manifestar sobre os dados acima, a direção da CNN Brasil afirmou que "o levantamento não reflete a cobertura jornalística da CNN, que é independente e isenta".

____________________ * "Casal hétero": por que fala de Conrado e Sorvetão foi criticada por LGBTs?

O cantor Conrado e a mulher, a ex-paquita Andréa Sorvetão, foram criticados após postarem vídeo pedindo para fazerem publicidade por serem um casal hétero e cristão - Reprodução/Instagram
O cantor Conrado e a mulher, a ex-paquita Andréa Sorvetão, foram criticados após postarem vídeo pedindo para fazerem publicidade por serem um casal hétero e cristão Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

20/06/2021 04h00

No Dia dos Namorados, o casal Andrea Sorvetão e Conrado publicou um vídeo no Instagram para pedir patrocínio de algumas marcas destacando o fato de que são "héteros, cristãos e tradicionais".

O vídeo recebeu críticas na rede social, principalmente de pessoas LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuais e outras variações) e outros que viram a reafirmação da heterossexualidade como "falta de empatia e respeito" a outros casais. Até Xuxa, com quem Sorvetão trabalhou anos como paquita, criticou a fala.

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"Casal hétero, cristão e tradicional, como se isso fosse algo melhor ou acima das outras relações", comentou uma seguidora. "Que preconceituosos. Será que vocês se acham melhores do que os outros por serem héteros?", comentou outro. Parte dos seguidores também afirmou que Sorvetão e Conrado são um "exemplo a ser seguido".

A publicação segue repercutindo na internet. Conrado gravou um vídeo se explicando. O cantor disse que a intenção não foi ofender ninguém e que a mulher estava muito abalada com os comentários de ódio que eles têm recebido.

Para Hamilton Kida, psicólogo clínico e proprietário da empresa Rainbow Psicologia, que conecta profissionais de psicologia com a comunidade LGBTQIA+, comentários assim reforçam preconceito contra minorias por causa da orientação sexual.

Segundo ele, quando os famosos reafirmam o orgulho de serem heterossexuais eles esbarram no conceito de visibilidade das minorias — principalmente as ligadas à orientação sexual e à identidades de gênero, mas não só elas.

"Quando alguém reforça que é heterossexual, há uma questão de visibilidade, porque a heterossexualidade já é uma maioria", explica a Unversa. "Então, isso reitera tanto o preconceito quanto as violências para quem não é visto, como os grupos LGBTs, negros, indígenas e mulheres."

Vídeo de Conrado e Andrea Sorvetão recebe críticas

O psicólogo avalia que o fato de o casal também ter valorizado o conceito "tradicional" denota a percepção de que quem não é como eles "não está dentro da norma". "Tradicional se diz daquilo que é o certo, de uma cultura que deve ser seguida. Então, parece que quem não está nisso é considerado errado".

O discurso, avalia Hamilton, também atinge os direitos das pessoas LGBTs. "É como se estivesse reforçando o direito pelo que já é garantido. Como se fizéssemos uma campanha para garantir o casamento entre 'héteros'" E cabe lembrar que uma pessoa ter orgulho de quem é não ameaça o orgulho da outra de ser o que é também".

Publicidade e personalidades LGBTQIA+

No vídeo sobre o posicionamento do casal, Conrado explica que a mensagem foi direcionada às empresas que promoviam patrocínios e publicidades por causa do Dia dos Namorados.

A data fez com que marcas levassem ao público alguns comerciais com casais LGBTs, com outras identidades raciais e de diferentes corpos, pontua Hamilton. E isso tem a ver com inclusão. "É justamente para ter um lugar para quem nunca esteve ali. E incluir não significa excluir pessoas heterossexuais e brancas."

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