_____________________ * Na CPI, Osmar Terra (O LUNÁTICO) tenta NEGAR o próprio NEGACIONISMO _____________________ * Impeachment 'vai RESOLVER o quê?'; a CPI 'é um ERRO, afirma o presidente da Câmara * ENTREVISTA: 'A CPI não trará EFEITO algum', diz Arthur Lira, que NÃO vê 'CIRCUNSTÂNCIAS' para o IMPEACHMENT
________________________________________///////////////////////////////////////////////////////////////////////
///////////////////////////////////////////////////////////////////////
____________________ * Na CPI, Osmar Terra tenta NEGAR o próprio NEGACIONISMO
____________________ * Impeachment 'vai RESOLVER o quê?'; a CPI 'é um ERRO, afirma o presidente da Câmara * ENTREVISTA: 'A CPI não trará EFEITO algum', diz Arthur Lira, que NÃO vê 'CIRCUNSTÂNCIAS' para o IMPEACHMENT
____________________ * A debênture de CENTENAS de MILHÕES de DÓLARES que Eike vai PERDER
____________________ * O CRINGE sou EU (boomers, X, millenials, Z)
____________________ * Reformas para o projeto autoritário | Míriam Leitão
____________________ * Atrás dos “pitis” do presidente as AMEAÇAS REAIS à DEMOCRACIA | Míriam Leitão
____________________ * Os custos TANGÍVEIS e INTANGÍVEIS do projeto DEFEITUOSO da PRIVATIZAÇÃO da ELETROBRAS | Míriam Leitão
____________________ * Se minha posição pró-ciência não é agregadora, a quem querem agregar?, diz Luana Araújo
____________________ * Josias de Souza - Terra conduziu Bolsonaro para o Mundo da Lua
____________________ * PF retira de chefia delegado que comandou operação contra Salles
____________________ * Salve-se quem puder: o VENTO da SORTE sopra para Bolsonaro, o FURIOSO
____________________ * Protesto de indígenas no DF termina com 6 feridos após uso de bombas de gás
____________________ * POUPANÇA, NÃO!!! Os HÁBITOS que TODO investidor PRECISA ter
*
///////////////////////////////////////////////////////////////////////
///////////////////////////////////////////////////////////////////////
____________________ * Na CPI, Osmar Terra tenta NEGAR o próprio NEGACIONISMO

O deputado Osmar Terra está usando a CPI da Covid como palanque para repetir seu festival de mentiras sobre o coronavírus.
Na contramão da ciência, ele voltou a endossar o discurso do presidente Jair Bolsonaro contra as políticas de distanciamento social.
Disse que quarentena e lockdown "não funcionam", embora as duas medidas tenham sido usadas com sucesso em países que conseguiram conter a doença.
— O vírus está em toda parte, não tem como evitar o contágio — afirmou.
O ex-ministro negou diversos fatos já comprovados pela CPI, como a existência de um grupo que aconselhava o presidente na contramão da ciência.
— Não tem gabinete paralelo — disse.
Terra ficou conhecido por fazer previsões furadas sobre a Covid.
Entre outras coisas, garantiu que a epidemia ACABARIA em TRÊS MESES e mataria menos de DOIS MIL brasileiros.
Até ontem, MATOU MAIS de QUINHETOS E DOIS mil.
Ao ver suas cascatas exibidas no telão da CPI, o deputado se limitou a dizer que foi "OTIMISTA".
— Eu não sou negacionista — defendeu-se.
____________________ * Entrevista: 'A CPI não trará efeito algum', diz Arthur Lira, que não vê 'circunstâncias' para o impeachment

Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA - Incomodado com o trabalho da CPI da Covid no Congresso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defende que não houve atraso na compra de vacinas da Pfizer. Caso o governo Bolsonaro tivesse adquirido os imunizantes antes, diz Lira, “não teria resolvido o problema da pandemia”. O parlamentar lamenta as mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil, mas alega que essa tragédia não é motivo para instaurar um processo de impeachment contra o presidente da República. De acordo com Lira, falta uma circunstância política. O presidente da Câmara ainda afirma que a reforma administrativa deverá ser votada neste ano, mas promete que o texto final não vai afetar a vida dos atuais servidores públicos. Sobre a disputa eleitoral em 2022, com Bolsonaro e Lula no páreo, ele não acredita na possibilidade de uma terceira via.
A CPI da Covid no Senado tem ganhado protagonismo na agenda do Congresso. Qual a sua opinião sobre o trabalho da comissão?
Neste momento, a CPI é um erro. A guerra está no meio. Como é que você vai apurar crime de guerra no meio da guerra? Como vai dizer qual é o certo? Até dois meses atrás, o Chile era a nossa referência. Como está hoje? Por que está desse jeito se já vacinou 60%, 70%? No combate à pandemia, não tem receita de bolo pronta. Você não sabe qual variante (predomina), se fica ou sai de lockdown. A CPI polarizou politicamente e não vai trazer efeito algum, a não ser que pegue alguma coisa.
O senhor não acredita que a CPI esteja apontando caminhos importantes?
Não. Participei das conversas com a Pfizer, numa reunião em fevereiro com o Rodrigo Pacheco, o (Paulo) Guedes, o general (Luiz Eduardo) Ramos e o presidente Bolsonaro. Naquela época, não tinha autorização da Anvisa e achavam que o contrato era leonino. O que dissemos? Se tem dinheiro, se tem empenho, se o mundo todo está assinando esse contrato... Então, faça. Do dia em que a Pfizer propôs ao dia em que o governo fez (o contrato), se não errei as contas, alteraria em três milhões de doses (a mais). É muita dose. Ajudaria muita gente. Mas resolveria o problema da pandemia?
Mas a Pfizer já vinha negociando com o governo desde agosto...
Mas onde ela fechou em agosto, fora nos Estados Unidos e em Israel? Tinha 500 mil doses num canto, 100 mil doses em outro. Não tinha nada grande. Israel tem quantos habitantes? Seis milhões? Um país riquíssimo, com todas as proteções. Num país como Portugal, três milhões de doses vacinam 30% da população. Três milhões de doses no Brasil não vacinam Alagoas.
Mesmo assim seria importante salvar vidas.
Não estou dizendo que não é (importante). Estou dizendo que não é a salvação da pandemia. Qualquer vida é importante. Salvar uma vida é bom demais. Agora, não sou governo. A minha atuação nisso foi fazer com que assinassem.
Há condições de abrir processo de impeachment contra o presidente?
Não é por aí. A minha função no impeachment é de neutralidade. Não sou eu que faço o impeachment. Você quer dizer que o presidente Bolsonaro não tem voto na Câmara para segurar um pedido de impeachment? Que ele não tem base de apoio popular para se contrapor a um pedido de impeachment? Então, o que é que estão querendo? Que eu desorganize o país, que eu comece uma conflagração de 122 votos que querem contra 347 que não querem? Vocês querem testar? O que a população quer é testar? Acha que é o caminho? Vamos testar. O que eu estou dizendo é que o impeachment é feito com circunstâncias, com uma política fiscal desorganizada, uma política econômica troncha. O impeachment é político.
E as 500 mil mortes por Covid não seriam uma justificativa?
499 mil (mortes) seriam. 501 mil seriam. Uma seria. A questão é sobre se tem (circunstâncias). Tem? Ou é uma parte que está pedindo? Vai resolver o quê? É o (vice-presidente Hamilton) Mourão que vai resolver? O que é que vamos fazer com o impeachment? Impeachment tem várias circunstâncias, e venho dizendo isso muito claramente. O (ex-presidente Michel) Temer tinha apenas 3% de aprovação popular, com o Janot (Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República) todo o dia disparando uma flecha. E passou por dois pedidos negados na Câmara. Lula teve o mensalão e não teve pedido de impeachment, com um rebanho de gente pedindo. Fernando Henrique teve. Rodrigo Maia, claramente de oposição a Bolsonaro, teve 67 pedidos de impeachment na gaveta. Pautou um? Por quê?
O que falta então para tocar o impeachment?
Falta circunstância. Falta um conjunto de coisas. Enquanto a economia tiver em crescimento... Veja bem, não estou faltando com respeito a nenhuma vítima. 499 mil, 501 mil, são todas significativas como uma vida. Pelo amor de Deus! O que estou dizendo é que o impeachment não é feito só disso.
Quais são seus compromissos de pauta de votação?
Tocando as reformas, a administrativa e a tributária. Fizemos a autonomia do Banco Central. Compromisso de votar as privatizações. Quando me candidatei, fui a seis frentes, das mulheres, ruralistas, anticorrupção. E hoje essas matérias estão vindo.
Mas as reformas administrativa e tributária, não.
Mas tudo a seu tempo. Todo mundo ficou pacientemente esperando o relatório (da tributária) por dois anos. O Aguinaldo (Aguinaldo Ribeiro, relator) ficou dois anos, e ninguém via uma linha do relatório dele.
E sobre a reforma administrativa?
Passou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Foi uma batalha. Criamos a comissão, abrimos para a participação de todos os partidos, mesmo aqueles que não têm direito regimental. Tem a versão de que vai acabar com a educação, acabar com o funcionalismo. Não vai mexer em um centímetro de direito adquirido, tenho dito isso. Não vamos permitir nada da promulgação para trás. Agora, da promulgação para a frente, é nossa obrigação fazer um Estado mais ágil, mais moderno.
Como o senhor avalia a disputa presidencial em 2022 com Lula no páreo?
Lula é um player importante. Presidente duas vezes. O que eu não acredito é em terceira via. Não tem condição. No Brasil, nunca houve isso. Ao menos depois da volta do voto para presidente. Foi Collor e Lula (em 1989), depois anos de Lula contra o PSDB e a Dilma também (contra o PSDB). E, em 2018, o Bolsonaro substitui o PSDB na disputa com o PT. O PT está sempre lá. Por que não estaria nessa?
Na semana passada, a Câmara aprovou a Lei de Improbidade. Qual a opinião do senhor?
Uma lei que vem num momento correto. Não tem essa história de que fui beneficiado. Foi escolhido um relator do PT (Ricardo Zarattini). E foi aprovada com 408 votos no plenário. Tem que mudar. A atual lei está errada. A lei foi feita depois do impeachment do Collor (em 1992), coisa analógica. Hoje, a Polícia Federal tem 800 instrumentos para fiscalizar, o Ministério Púbico outros 500. É tudo digitalizado.
____________________ * A debênture de centenas de milhões de dólares que Eike vai perder | Lauro Jardim - O Globo

O inferno astral de Eike Batista terá um novo capítulo nesta semana. O administrador judicial da falência da MMX vai apreender o único ativo de fato valioso do ex-bilionário. Trata-se de uma debênture emitida pela Anglo American em 2008, quando a mineradora britânica comprou a MMX.
Essa debênture, que garante ao seu detentor um percentual da produção de minério de ferro do Projeto Minas-Rio a partir de 2025, vale centenas de milhões de dólares — as estimativas variam entre US$ 200 milhões e US$ 400 milhões.
____________________ * O CRINGE sou eu
Os que nasceram do pós-guerra até 64 são os boomers. Os de 1965 a 1979, a geração X. De 79 a 95, millenials. 95 a 2009? Geração Z.
Sou de 68, um X no calendário.
A que vem essa informação de almanaque? Recebi mensagem de uma leitora, sobre a coluna da semana passada.
Me chama de vovô, porque escrevi “festa” e não “balada” ou “rolê”.
Até agora não entendi qual é o problema de ser vovô, em todo caso peço aqui desculpas se não usei a palavra do momento.
Talvez a implicância dela não seja com a minha escolha das palavras e sim com o X no calendário.
Ela deve acreditar que o meu tempo — ou o do vovô — já se foi.
Na semana passada também houve uma confusão sobre o assunto nas redes sociais.
Foi um choque de gerações, das novas gerações.
Fiquei horas lendo os comentários nos posts, para entender por que os mais jovens perdiam tempo brigando entre si.

Ao que parece os Z acham que os millenials são CRINGE, a palavra atual para a VERGONHA ALHEIA.
Para quem é X ou boomer, um mico.
Os millenials ficaram indignados com tal acusação, afinal eram eles que ainda ontem acusavam que os que vieram antes de cringe.
Como assim, devem ter se perguntado.
Nós millenials não estamos mais na crista da onda?
Não é atrás de nós que correm publicitários, caçadores de tendências e desorientados em geral?
Os millenials descobriram que o tempo passa. Nunca é tarde.
Mas vamos ao que interessa:
o que a geração Z acha cringe — a palavra é ainda pior que balada ou rolê — nos millenials?
São objeções metafísicas, questões de ordem filosófica: as calças skinny dos millenials, por exemplo, eles acham ridículas. Usar emojis de maneira não irônica também. Gostar de gatos é cringe. A obsessão por Harry Potter e “Friends” também, assim como o cabelo repartido do lado. Risadas escritas como rsrs ou haha são cringe, o certo agora é kkk. Facebook? Rock? kkk. Café da manhã é coisa do passado: se você está agora sentado com uma xícara de café numa mão e um pão com manteiga na outra, é muito cringe. Não me perguntem o motivo, de manhã cedo eu traço até a pizza fria do dia anterior. Talvez a leitora do rolê e da balada saiba a razão.
O que mais achei graça é que a geração Z reclama que os millenials falam muito de boletos. Papo chato, dizem. Rsrsrs, riem os boomers e os Xs. As frases “na minha época” e “na sua idade” os irritam. Os Z, como todas as gerações que vieram antes, acham que antes tudo era mais fácil, para eles o “na sua idade eu já tinha isso ou feito aquilo”, que os millenials já começaram a repetir, não faz o menor sentido. Não desconfiam que seus tataravôs já falavam isso para seus bisavôs. A roda não para.
Diante desta briga, não vou me posicionar, serei isentão. Eles que lutem. Esse negócio de geração que entra e geração que sai é cansativo. Que me desculpem os publicitários e os desorientados, mas cheguei na idade de encarar o tempo de outra maneira: existe a geração dos que estão aqui e as dos que já se foram. Uns, na sua hora, outros, não. Com a ajuda deste governo, quinhentos mil se foram antes da hora. Se tivemos sorte, se conseguimos sobreviver ao caos e a pandemia, que nos desculpe a leitora com seus rolês e suas baladas, mas, cringe ou não, aqui estamos e nosso tempo é agora.
____________________ * Reformas para o projeto autoritário | Míriam Leitão - O Globo

Hoje, o presidente pode nomear seis mil pessoas que não fazem parte do setor público para os cargos em comissão. Com a reforma administrativa, poderá nomear 90 mil. Pessoas estranhas ao serviço público poderão exercer funções estratégicas. O governo poderá pagar o salário de funcionários de empresa privada. Tudo isso para economizar recursos? Não. No próprio texto da exposição de motivos está dito que não haverá impacto fiscal, orçamentário ou financeiro. A reforma administrativa é mais uma das propostas do governo Bolsonaro que serve a seu projeto de poder que, todos sabemos, é autoritário.
O mercado financeiro espera “as reformas” como um fetiche, afirmando que com elas o país retomará o crescimento e vai estabilizar a dívida pública. Balela. A MP da venda da Eletrobras virou um monstrengo, que custará caro ao consumidor por vários anos, mas tanto para o ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto para o mercado financeiro, isso não importa. O ministro quer reduzir um pouco o fiasco que é o seu programa de privatização, e o mercado quer ganhar dinheiro com a operação.
Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado, explica a mágica da multiplicação dos cargos que poderão ser ocupados por decisão única do governante de ocasião:
— A PEC permite um aparelhamento sem precedentes do Estado. Através do que eles chamam de “vínculos de liderança”. Hoje a Constituição diz que na administração pública há funções de confiança específica de servidores de carreira e cargos em comissão que podem ser ocupados por pessoas sem vínculos com a administração pública dentro de limites fixados pela lei. Hoje, a União tem 90 mil desses cargos, 70 mil são funções de confiança exercidas exclusivamente por servidores de carreira e os outros 20 mil são cargos em comissão. Desses, seis mil são livre provimento, e 14 mil devem ser ocupados por servidores. Os vínculos de liderança eliminam qualquer restrição a que todos esses cargos sejam de livre indicação política. Então estamos falando de um exército de 90 mil cabos eleitorais.
Esses números são só da União, mas a mesma regra valerá para o Legislativo, o Ministério Público, o Judiciário. E pode, em cascata, ir para estados e municípios. A reforma é em todos os poderes.
Quando o Coaf foi punido, lembra Rudinei, por ter feito o seu trabalho de revelar as “rachadinhas”, foi preciso a atuação dos funcionários para evitar que os cargos na instituição fossem preenchidos por pessoas que não eram servidores de carreira.
Pedro Pontual, que representa a Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, diz que a PEC permite que sejam transferidos recursos públicos para empresas privadas com fins lucrativos:
— Ela cria um instrumento de cooperação que autoriza pagar os recursos humanos das empresas privadas e também o uso de espaços físicos, fora da figura do aluguel. A PEC não coloca nenhum tipo de restrição a pagar salário a quem já estava na empresa. Isso pode servir para mascarar o gasto de pessoal.
Rodrigo Spada, presidente da Federação Brasileira de Associações Fiscais de Tributos Estaduais, alerta que a reforma não propõe algo realmente novo que poderia produzir um salto de eficiência no Estado:
— Essa PEC nada entrega de governo digital, capacitação, qualificação do servidor público, criação de escolas de governo, desburocratização.
Luciana Dytz, presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais, diz que há mudanças necessárias, mas não estão sendo propostas:
— A gente vem sofrendo com falta de estrutura, mas isso é questão fora da reforma administrativa.
Há vários outros pontos controversos, explicam servidores, ou pontos que parecem avanços e embutem armadilhas. A exposição de motivos, que acompanha a PEC, diz que o “Estado custa muito e entrega pouco”.
— O governo se esmerou em mostrar o custo — do qual divergimos — mas não houve qualquer esforço para mostrar que entrega pouco. Temos noção de que o serviço público pode ser melhorado, mas dizer que “entrega pouco” é suficiente apenas na mesa de bar — diz Pontual.
Este governo atacou órgãos, desmontou a máquina, nomeou inimigos da missão de cada setor. Imagine o que faria sem as amarras da Constituição.
____________________ * Atrás dos “pitis” do presidente as ameaças reais à democracia | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

O presidente Bolsonaro deu "piti" ontem duas vezes. Piti vem de ataque pitiático, que é um ataque histérico de quem tem mitomania. É o próprio. Mas atrás disso tem uma ameaça real à democracia.
Disse "acho que vou acabar com a manifestação dos petralhas". Depois, teve uma crise histérica com a repórter Laurene Santos, que continuou altiva, fazendo seu trabalho mesmo com ele a mandando calar a boca. E isto que ele fala quando não gosta da pergunta.
Isso é autoritarismo intrínseco ao presidente. É uma pessoa antidemocrática. Foi eleito democraticamente, mas passa o tempo todo conspirando contra a democracia
No meu programa da Globonews, entrevistei três candidatos da lista tríplice do Ministério Público. O presidente não vai escolher desta lista, mas mesmo assim o MP está fazendo hoje a eleição. Conversei com os subprocuradores Mario Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Nicolau Dino. Os três são membros do conselho superior do Ministério Público e têm criticas muito fortes ao procurador Augusto Aras. Acham que ele não tem cumprido seu papel constitucional. Quando o presidente escolhe um aliado, faz com que a PGR traia o seu papel.
Todo dia tem uma ameaça. Em entrevista à "Veja", o general Luiz Carlos Gomes Mattos, do STM, disse que 'estão esticando a corda'. Ao ser questionado quem estaria fazendo isso, ele respondeu que são as pessoas que são contra o governo. Ele estava fazendo uma ameaça contra a sociedade civil brasileira.
Estamos em um momento perigoso. São sinais sérios e graves de ameaça contra a democracia. E precisamos ficar atentos a estes riscos.
____________________ * Os custos TANGÍVEIS e INTANGÍVEIS do projeto DEFEITUOSO da PRIVATIZAÇÃO da ELETROBRAS | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

O Congresso armou uma armadilha para evitar vetos do presidente Jair Bolsonaro à MP que permite a privatização da Eletrobras. Colocou todos os jabutis em um mesmo parágrafo, com 650 palavras, e lá também está a capitalização da Eletrobras. Como o presidente não pode vetar uma parte, apenas, é preciso aprovar tudo. O governo ficou amarrado.
Mas o governo durante todo o período de tramitação desta MP não fez esforço nenhum para tentar tirar os jabutis. Para o Ministério da Economia, o importante era privatizar alguma coisa para dizer que privatizou. Ele vai criar uma estatal para privatizar outra. É um fiasco esta privatização, com custos muito altos, tangíveis e intangíveis.
O governo diz que não haverá repasses para os consumidores porque haverá queda de preços. Mas não explica os seus números. O grupo União pela Energia, que reúne 45 entidades do setor elétrico, fez as contas com um custo de R$ 84 bilhões que recairão sobre os consumidores. O que estamos pagando hoje de aumento de energia são erros passados. Esses erros de agora, desta MP, vão pesar nos próximos anos.
Há ainda um custo intangível, que é fazer o linhão de transmissão de Tucuruí passando por cima de leis e talvez até da Constituição, sem licenciamento ambiental e autorização da Funai. Vai passar pela etnia waimiri atroari, que foi muito impactada, violentamente impactada, pela ditadura militar. Morreu quase metade da etnia. Agora, eles serão atropelados. Esse custo humano é intangível.
O governo comete um erro junto com a sua base no Congresso.
____________________ * Se minha posição pró-ciência não é agregadora, a quem querem agregar?, diz Luana Araújo
Médica que teve indicação retirada para cargo na Saúde rebate nova versão dada por Queiroga em CPI e avalia insistência em cloroquina como 'ideia delirante'
Anunciada em maio como nova secretária especial de Enfrentamento da Covid e dispensada dez dias depois, a médica infectologista Luana Araújo rebate a nova versão dada em CPI pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que afirmou ter retirado a indicação por conta própria em razão de resistências na classe médica ao nome da especialista.
"O que depreendi da fala do ministro é que o meu comportamento pró-ciência é desagregador. Mas, se o comportamento agregador não é o pró-ciência, a quem estamos querendo agregar?", questiona a infectologista, que é mestre em saúde pública pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
Em entrevista à Folha, Araújo avalia que a resposta à epidemia parou no tempo, que o Brasil nunca saiu da primeira onda da Covid e que a priorização de "estratégias equivocadas" vem colocando o país "em situação bastante sensível".
Para a médica, que ficou conhecida por fazer críticas na CPI à busca por medicamentos sem eficácia, gastar tempo, energia e dinheiro em discussões como a cloroquina é uma ideia delirante.

Seu depoimento na CPI gerou muita repercussão, mas também ataques. Como tem sido desde então? Tem sido tranquilo dentro do que a situação permite. Acabei sendo exposta e envolvida politicamente numa questão que era absolutamente técnica. E esse movimento político não reflete meu posicionamento, mas o ambiente tóxico que o país vive.
Muitas coisas ocorreram desde o depoimento. Houve muitas tentativas de saber quem eu sou, porque como nunca fui uma pessoa pública e não sou ligada a nenhum tipo de filiação partidária ou a político nenhum, as pessoas talvez não esperassem que quem fosse indicado para ocupar um lugar como esse fosse uma pessoa isenta e técnica.
Houve uma tentativa esdrúxula de me encaixotar e de me classificar, o que não é possível, lamento.
Logo após seu depoimento, o ministro da Saúde mudou de versão sobre a retirada da sua indicação para a secretaria de Enfrentamento da Covid, afirmando ter sido uma decisão dele, e não do Planalto. Como viu essa mudança? O que aconteceu descrevi na CPI [quando disse que ouviu do ministro que seu nome não havia sido aprovado pelo Planalto]. E o que depreendi da nova fala do ministro é que o meu comportamento pró-ciência é desagregador.
Então me faz pensar que o comportamento agregador não é exatamente o pró-ciência. E, se não é o pró-ciência, a quem estamos querendo agregar?
Em meio a essa mudança de versões, o que acha que pesou mais para que seu nome não fosse aprovado? Nunca houve nenhuma dificuldade técnica. Pelo contrário. O que aconteceu é que foram resgatadas declarações minhas [de antes de assumir o cargo, contra o uso de cloroquina para a Covid, por exemplo].
O ministro chegou a falar em uma questão de validação política que, para mim, técnica, não filiada e apartidária, só pode ter sido atribuída a meu posicionamento pró-ciência. Mas um cargo técnico ter virado questão de validação política é extremamente temerário. Isso me deixa um pouco constrangida com eventuais rumos.
Temos um governo que é reconhecidamente negacionista. O que a levou a aceitar o convite ao ministério? Já não imaginava que esse tipo de situação pudesse ocorrer? A falta de informação não é uma exclusividade brasileira. Você precisa aprender a fazer o melhor que pode com o que tem. E o que entendi a partir daquele convite é que existia possibilidade de fazer melhor do que estava acontecendo.
Não esperava que fosse uma situação ideal ou fantástica, mas sabia que poderia contribuir dentro da minha expectativa, que foi alinhada quando fui a Brasília e perguntei: "Teremos autonomia para isso?". Não pleiteei insubordinação. O que me interessava era fazer melhor do que estava sendo feito.
Algumas das suas falas na CPI geraram muita repercussão. Uma delas é quando disse que a ideia de tratamento precoce é uma "discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente". Na sua visão, o que leva a essa insistência no país e até mesmo de membros do governo em torno de algo que não existe? Por questões completamente alheias à ciência, nossa resposta [à epidemia] parou no tempo.
Essa era uma discussão —e por isso chamei de anacrônica— que tínhamos em fevereiro de 2020. Estamos em junho de 2021 e existe uma estrutura governamental e federal do Senado, por exemplo, discutindo uma questão que é completamente fora de propósito. E falo da CPI porque ela existe, e existe um comportamento que está sendo investigado. Mas que isso ainda seja motivo de tempo, energia e dinheiro nosso, de novo, é delirante.
É esdrúxulo porque não consigo justificar isso para ninguém que me pergunta lá fora: 'Por que razão as pessoas ainda falam isso? Será que não viram os artigos?'. E é absolutamente contraproducente porque deveríamos estar usando esse dinheiro, essa energia e essa discussão toda na busca de soluções adaptadas ao nosso sistema, para aquilo que funciona no nosso nível de vulnerabilidade.
Mas, enquanto isso, estamos falando sobre validade de máscaras, se vacina funciona ou não funciona, se faz ou não medicações que são comprovadamente ineficientes.
Muitos médicos também se posicionaram nos últimos meses a favor desses medicamentos sem eficácia para a Covid. Como vê o papel de parte da classe médica? Existe uma falha na educação médica que sempre foi importante, mas que a pandemia evidenciou. Uma dificuldade enorme de compreensão de epidemiologia, do que é um artigo científico, como interpreta metodologias.
Nesse período todo a classe médica também foi deixada à míngua. Foi colocada nas costas de cada médico, a despeito de sua capacidade técnica, uma decisão que deveria ser coordenada entre as sociedades científicas e o resto do mundo: "A sua autonomia lhe permite fazer o que você quiser, mas as evidências são essas".
O médico ficou muito vulnerável e como existe um gap [intervalo] grande entre produção e atualização científica, as pessoas ficaram a mercê da própria capacidade, o que nem sempre é possível.
Foram dez dias à frente da secretaria no ministério. O que encontrou na pasta? Ela foi criada para promover uma coordenação da resposta à pandemia. Se foi criada para isso, significa que o ambiente até esse momento era de falta de coordenação, ou de pelo menos uma coordenação efetiva.
A ideia era puxar equipes sob quatro pilares: ciência e epidemiologia; educação, com comunicação para as pessoas e educação de profissionais; plano de vacinação; e, por último, insumos críticos. Nada disso se concretizou.
Não conseguir implementar foi uma questão de tempo curto ou sentiu também alguma resistência? Não tive nenhuma resistência. As dificuldades que encontrei foram dificuldades para trazer pessoas externas ao ministério, por causa dessa questão de sobrepairar a questão política. As pessoas tinham medo de fazer parte disso, e não quiseram se expor nesse nível. E, depois dessa situação toda, como dizer que estão erradas?
Os dados da epidemia já mostram novo aumento de casos. Podemos falar em terceira onda? Falar de terceira onda só funciona se estiver falando de avaliação epidemiológica geograficamente restrita, em que se pode determinar que houve uma ascendência e depois uma queda de número de casos suficiente para caracterizar que uma onda acabou. Se falar nacionalmente, não pode nem dizer que acabou onda nenhuma. Viemos subindo degraus.
A população faz um esforço enorme, e existe um preço socioeconômico alto, mas essa morosidade da vacinação e priorização de estratégias equivocadas vai nos colocando em uma situação que é bastante sensível.
Quando fala em estratégias equivocadas, quais seriam? Investimento em medicações que não são apropriadas como estratégia prioritária de política pública, a falta de informação clara, precisa e única para a população, pouco investimento na testagem, a não utilização da atenção primária como ferramenta básica de combate à epidemia e o direcionamento da resposta à atenção terciária [rede de hospitais].
Isso mostra que estamos atrasados, porque, quando se foca apenas em abrir leito e não em prevenir a doença, em uma doença viral pandêmica, estamos enxugando gelo.
Vimos o presidente Jair Bolsonaro propor desobrigar o uso de máscaras. E uma resposta do ministro de que iria estudar essa medida. Como vê essa proposta e essas investidas do presidente? Acho que a saída sempre é a educação do povo. É isso que muda as coisas. Se as pessoas tiverem acesso à informação correta e condição crítica de avaliar o que é oferecido a elas, não interessa o que o gestor fale.
O governador de São Paulo, João Doria, disse que pretendia convidá-la para auxiliar nas ações contra a Covid. Pretende aceitar? Não tenho nenhuma pretensão de assumir cargos em administrações públicas. No momento político tóxico que vivemos, qualquer outra manifestação nesse sentido vai ser vista como política, e não técnica, e não é esse meu objetivo.
No meio da enxurrada de mensagens pós-CPI, sua posição política foi bastante questionada. Chegou a apoiar o governo Bolsonaro em algum momento? Tecnicamente essa posição política é absolutamente irrelevante. O que precisa ser feito é resolver os problemas, e não me interessa quem está lá.
A CPI tem evidenciado cenas de machismo. Você chamou a atenção na CPI para o fato de que não havia senadoras presentes. Como foi depor nesse ambiente? Conforme vamos ascendendo nas questões profissionais, vemos menos mulheres. E estamos acostumadas com um ambiente que é potencialmente tóxico e misógino.
Quando cheguei na CPI, não me senti intimidada. Mas isso não quer dizer que não me incomode chegar ali e não ver uma senadora.
Uma delas disse que estavam atuando em comissões diferentes, e entendo. Mas também entendo que homens também participam de outras comissões. Então por que diabos não tínhamos mais mulheres ali?
E também entendi que a participação da bancada feminina teve de ser pleiteada. Em que mundo vivemos que precisamos pleitear uma bancada de gênero para fazer perguntas em uma CPI técnica?
Com relação a ataques que vieram depois, isso era absolutamente esperado. O que eu falei na CPI foi o consenso científico. E, como não se consegue rebater o consenso científico, ataca-se o mensageiro. E nesse país uma técnica bisonha para isso é a misoginia.
Luana Araújo, 40
Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006), com residência médica em infectologia pela mesma universidade (2010). É mestre em saúde pública pela Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos, 2019-2020). Recebeu para o mestrado a bolsa de estudos Sommer, que reconhece estudantes com excelência acadêmica ou potencial para liderança em saúde. Atua como consultora em saúde pública global
____________________ * Josias de Souza - Terra conduziu Bolsonaro para o Mundo da Lua
Colunista do UOL
22/06/2021 15h55
Não se deve julgar ninguém pelas aparências. O depoimento do deputado Osmar Terra à CPI da Covid revela que as coisas nem sempre são tão ruins quanto parecem. Elas podem ser bem piores. Confirmou-se a impressão de que foram as teses de Terra que transportaram Bolsonaro durante a pandemia para o Mundo da Lua. E ficou claro por que o presidente demora a colocar os pés no chão.
Costuma-se dizer que Terra fez previsões erradas sobre a pandemia. Engano. O deputado fez afirmações categóricas, não suposições. Exibiram-se vídeos com as tolices ditas pelo personagem ao longo da crise sanitária. Submetido a uma espécie de acareação consigo mesmo, o deputado perdeu o nexo. Mas não deu o braço a torcer.
Num instante, Terra admitiu ter exagerado no otimismo. Noutro momento, reafirmou seu negacionismo com uma ponta de orgulho. No geral, manteve de pé as falsidades que norteiam as posições de Bolsonaro.
O depoente tachou de "inútil" as medidas restritivas usadas por governadores e prefeitos para regular a fila das UTIs. Justificou a inação de Bolsonaro repetindo a versão mentirosa de que o Supremo amarrou as mãos do presidente.
Terra como que enalteceu a imunidade obtida por meio da infecção, ressaltando que o vírus fornece mais proteção do que a vacina. Deu de ombros para o fato de que o vírus também propicia mortes e sequelas.
Nos vídeos exibidos na CPI, Bolsonaro surgiu como ator coadjuvante, ecoando o negacionismo do amigo. A justaposição dos comentários converteu o presidente da República numa espécie de boneco de ventríloquo do deputado.
Em março de 2020, quando o coronavírus produzia as primeiras mortes no Brasil, Terra dizia que morreriam menos de mil pessoas. Declarava coisas assim: "A Gripe suína, H1N1, matou duas pessoas a cada dia no Brasil em 2019. Este número, deve ser maior que as mortes que acontecerão pelo coronavírus aqui. E não se parou o país nem se destruiu a economia, como está acontecendo agora. É o fato e a versão do fato."
Em abril do ano passado, Terra declarou que o pico do contágio do coronavírus seria atingido em "no máximo duas semanas, até menos". À medida que o número de casos ia crescendo, o deputado esticava o calendário. Nos lábios de Terra, o ocaso da pandemia estava sempre na virada da próxima esquina. Final de abril, início de maio, alvorecer de junho...
Categórico, Terra disse que a pandemia acabaria "sem a vacina." A imunização do rebanho nacional seria alcançada por meio da exposição dos brasileiros ao vírus. Tratou como invenção o agravamento da crise que levaria à morte por falta de oxigênio no Amazonas. Disse que não haveria variantes do vírus. Agora, atribui seus próprios erros ao surgimento da P1, a nova cepa de Manaus.
O negacionismo de Osmar Terra não é coisa do passado. Exibiu-se imagem de dezembro de 2020 na qual ele soa assim: "É bem provável que em algumas semanas cheguemos à imunidade coletiva, ou imunidade de rebanho, e o surto epidêmico termine". Nada de vacinas. O vírus se encarregaria de prover a "imunidade natural" dos brasileiros.
Em fevereiro deste ano de 2021, Terra reafirmou que a saída da pandemia não estava na vacinação. Chamou a defesa das vacinas de "desinformação com objetivo de assustar as pessoas". Sob influência das lorotas de gente como Terra, Bolsonaro administrou a pandemia operando com duas verdades: a deles e a verdadeira.
No Mundo da Lua, a pandemia era uma "gripezinha" que estava no "finzinho". E e segunda onda não passava de "conversinha". No universo real, a pandemia já matou mais de meio milhão de pessoas, o vírus surfa a terceira onda e a vacinação é interrompida em várias capitais por falta de vacinas.
Na abertura do seu depoimento à CPI, Osmar Terra declarou: "Eu sei que vão mostrar um monte de vídeos meus falando das previsões. Eu já quero antecipar aqui dizendo para vocês que as previsões que eu fiz foram baseadas não num estudo matemático apocalíptico, como foi o do Imperial College, mas nos fatos que existiam na época, em março."
Confrontado com suas batatadas, esquivou-se: "Aquelas previsões ali, senador, são baseadas no que eu disse antes. E são minhas conclusões, são conclusões pessoais. São baseadas na China: quem diria que a China, com 1 bilhão e 400 milhões de habitantes, tivesse 4 mil mortes até hoje? Diante desses dados, que eram os únicos que tínhamos na época, me permitiu ser otimista."
Suprema ironia: num depoimento em que desancou a política do "fique em casa", Osmar Terra escorou sua irresponsabilidade sanitária no êxito da China. Logo a China, que se serviu da mão forte do regime ditatorial para trancar a metrópole de Wuhan em casa pelo tempo que foi necessário. Na raiz do negacionismo que inspira Bolsonaro, quem diria, está um êxito comunista.
____________________ * PF retira de chefia delegado que comandou operação contra Salles

Rafael Neves
Do UOL, em Brasília
22/06/2021 16h13
Atualizada em 22/06/2021 18h01
O delegado Franco Perazzoni, que comandou no mês passado uma operação contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi retirado da chefia da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros da PF (Polícia Federal). A exoneração de Perazzoni, que é especialista na investigação de crimes ambientais, foi publicada ontem no Diário Oficial da União, com data retroativa ao último dia 17.
Perazzoni esteve à frente da Operação Akuanduba, que executou buscas e apreensões nos endereços de Salles e outros 21 investigados, entre servidores do ministério, dirigentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e empresários do ramo madeireiro.
MPTCU pede afastamento de Salles por suposta "ingerência indevida" no Ibama
Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a investigação apura se Salles atuou para afrouxar o controle do Ibama sobre a exportação de madeira. Segundo as investigações, ele reuniu-se em março do ano passado com um grupo de madeireiros no Pará que vinham tendo cargas de madeira retidas em portos no exterior por falta da autorização do Ibama.
No mesmo dia da reunião com o ministro, estes empresários pediram oficialmente ao presidente do Ibama, Eduardo Bim, que publicasse uma norma liberando as exportações sem o documento de autorização do órgão, que era exigido até então. Dias depois, o pedido foi atendido. Bim foi afastado da presidência do Ibama por ordem do STF.
Esta não é a primeira vez que um delegado da PF é removido pouco tempo depois de uma ação contra Salles. Em abril, o então superintendente da PF no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, foi retirado do cargo menos de uma semana depois de enviar, ao STF, uma notícia-crime contra Salles por interceder em favor de madeireiros alvos de uma operação contra desmatamento ilegal. Este caso está nas mãos da ministra Cármen Lúcia.
O delegado Perazzoni informa, em seu currículo, que é especialista em direito ambiental, doutorando em sustentabilidade social e desenvolvimento de livros e artigos nas áreas de crimes ambientais, polícia judiciária e investigação criminal. Para o seu lugar na chefia da DRCOR, a PF nomeou o delegado Gustavo Buquer dos Santos. O UOL procurou a PF para saber se o motivo da remoção de Perazzoni do cargo e aguarda resposta.
____________________ * Salve-se quem puder: o VENTO da SORTE sopra para Bolsonaro, o FURIOSO

Thaís Oyama
Colunista do UOL
22/06/2021 10h21
A lei qualifica como indivíduos "incapazes" e, portanto, passíveis de serem representados por um tutor, os menores de 16 anos; os que não podem exprimir sua vontade; e os que, por doença ou deficiência mental, "não têm o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil".
O presidente Jair Bolsonaro é maior de 16 anos, consegue exprimir seus desejos e não tem enfermidade nem deficiência mental diagnosticadas.
Embora episódios recentes indiquem que falta ao presidente equilíbrio para o convívio em sociedade, ainda não se provou que ele careça também de "discernimento para a prática dos atos da vida civil" - ou seja, não é certo que Bolsonaro precise de tutela para tomar decisões como comprar, vender e assinar contratos.
Bolsonaro já tem pretexto para incendiar o país e esquerda ajudou nisso
Ocorre que está em vista um teste crucial para o ex-capitão.
A alta das commodities caiu do céu, e o Brasil, com mais da metade de suas exportações concentrada nesses produtos, pegou o que economistas chamam de "vento de cauda" - aquele que sopra na direção do voo e dá um belo e bem-vindo impulso ao avião.
No caso do Brasil, o impulso já pode ser sentido pelo aumento da expectativa de crescimento do PIB para mais de 5% neste ano e a perspectiva de fechar 2021 com um superávit que não dava as caras desde 2007.
Juntando-se a isso a malvada mãozinha da inflação, o governo pode entrar em 2022 com um espaço de até 130 bilhões de reais no teto de gastos.
O que o governo fará com essa folga é uma incógnita e uma temeridade.
Pode aproveitar o respiro para insistir nas reformas, investir em infraestrutura e no aumento da produtividade — em outras palavras, pode optar por usar o dinheiro para reconstruir o país e pavimentar o seu futuro.
Mas pode também decidir torrar tudo no populismo das balas e figurinhas destinadas a adoçar um ano eleitoral, distribuindo reajustes salariais a rodo, por exemplo, como já tem cogitado fazer.
O vento da sorte não vai soprar para sempre e a questão é saber se o governo pretende aproveitá-lo ou transformá-lo numa maldição.
A decisão, salve-se quem puder, está em última instância nas mãos de Jair Bolsonaro - ainda um presidente capaz, ao menos aos olhos da lei.
____________________ * Protesto de indígenas no DF termina com 6 feridos após uso de bombas de gás
Eduardo Militão
Do UOL, em Brasília
22/06/2021 14h06
Atualizada em 22/06/2021 17h24
Pelo menos três indígenas, um policial, um segurança da Congresso e um servidor administrativo do Legislativo foram feridos em uma manifestação em Brasília nesta, segundo informações da Apib (Articulação dos Povos Indígenas), da Polícia Militar do Distrito Federal e da Câmara dos Deputados. O tumulto foi no anexo 2 da Câmara, em Brasília, que dá acesso à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que votava proposta que os indígenas consideram perigosa por permitir atividades comerciais em suas terras.
O protesto teve a participação de 500 a 850 indígenas. Houve lançamento de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás de pimenta. Segundo os índígenas, houve também disparo de balas de borracha —- a Câmara nega. Segundo a Câmara, houve disparo de flechas. Em virtude da confusão, uma reunião que discutiria o projeto de lei na CCJ foi cancelada.

Senadores Randolfe e Heinze discutem na CPI: 'O senhor é fake news aqui'
A assessoria da Câmara acusa os manifestantes de tentarem invadir a Casa. Os indígenas negam.
A Apib alega que os indígenas foram atingidos pela polícia com balas de borracha por volta das 12h. A organização distribuiu imagens das pessoas machucadas, que mostravam bombas de gás lacrimogêneo sendo lançadas em direção aos manifestantes.
Já a PM e a Câmara dizem que responderam a ataques dos indígenas após eles derrubaram barreiras de segurança colocadas para evitar a entrada nas dependências da Casa, que não está permitida por causa da pandemia de coronavírus.
Duas vítimas indígenas, um homem e uma mulher, estão no Hospital de Base, "com ferimentos graves", segundo a Apib. O homem foi "ferido na costela e bateu a cabeça com a queda", disse a assessoria ao UOL. A Articulação afirmou que uma terceira vítima estava em observação.
Mais tarde, em uma nota à imprensa, mencionou genericamente "uma dezena" de feridos de forma leve: "Uma dezena de crianças, idosos e mulheres tiveram ferimentos leves e estão em atendimento na tenda da saúde do Acampamento Levante pela Terra (ALT), ao lado do Teatro Nacional", contou a Articulação.
A PM informou à reportagem que um agente foi ferido no pé com uma flechada disparada pelos indígenas. Uma foto compartilhada por policiais legislativos também mostra um agente com uma flecha na coxa direita —- num vídeo, o organizador da segurança da Câmara confirma a queixa diante do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). A Apib diz não ter informações sobre o fato.
Segundo um segurança do Congresso, o servidor vai ter que fará cirurgia na coxa ainda hoje. Em nota, a Câmara negou o uso de balas de borracha relatado pelos indígenas.
Não houve disparo de tiros ou qualquer tipo de agressão física contra os manifestantes"Assessoria de imprensa da Câmara
Indígenas dizem que policiais iniciaram confronto
Segundo a assessoria da Apib, a manifestação era pacífica, mas a polícia atacou os indígenas quando eles estavam na frente do Anexo 2. "Os manifestantes vinham em marcha pacífica pela Esplanada dos Ministérios. Os cerca de 850 indígenas que participam da mobilização, de 48 povos diferentes de todas as regiões do Brasil, foram ao local para acompanhar a votação do projeto."
Quando o pessoal chegou na frente do Anexo II, começaram a atirar com bala de borracha, depois com spray de pimenta e gás. Não teve uma provocação aparente. Aí, começou a confusão generalizada"Assessoria da Apib
Segundo a assessoria, os manifestantes não fizeram provocações. Os auxiliares não souberam dizer se os policiais imaginaram que haveria uma invasão, mas duvidaram dessa possibilidade. Isso porque o protesto contava com crianças e idosos. "Ninguém vai fazer manifestação com criança e idoso, em linha de frente, atacando."
A articulação destacou que, desde o dia 8 de junho, são feitos protestos pacíficos, e nunca houve problemas com a polícia.
"Fomos brutalmente atacados de forma covarde antes de chegarmos para acompanhar a votação", disse Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib, em comunicado. "Nós temos indígenas feridos e a polícia jogou bomba em cima dos paramédicos dificultando o atendimento."
Seguranças dizem que indígenas desrespeitaram barreira
A Câmara acusou os manifestantes de tentarem uma invasão. "Cerca de 500 indígenas, em sua maioria armados com flechas e tacapes, tentou invadir o Anexo II da Câmara dos Deputados
Uma pessoa ligada à segurança da Câmara informou ao UOL que, desde o início dos protestos, foram colocadas barreiras para separar os manifestantes das dependências do Congresso. Hoje, essas grades teriam sido recuadas para dar mais espaço a eles. No entanto, os seguranças receberam uma informação de que seria feita uma tentativa de invasão à Câmara.
Ainda de acordo com essa pessoa, que pediu anonimato, os indígenas derrubaram o gradeado e, pouco depois, dispararam fechas e pedras contra os policiais legislativos. Como resposta, os seguranças lançaram granadas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, como mostram imagens divulgadas em vídeo pela Apib.
"A PM foi acionada e chegou ao local pouco tempo depois", informou a Polícia Militar do DF. "Um policial militar foi atingido por uma flechada no pé. Ele foi socorrido pelo serviço médico do Congresso. Ele passa bem."
Deputada chamou colegas para negociar
Nos vídeos que circulam em redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens, é possível ver a fumaça e o barulho das bombas. Uma deputada do PCdoB disse ao UOL que recebeu telefonemas pedindo socorro. "Fui recebendo as imagens", contou. "Cheguei primeiro e as bombas ainda estavam sendo jogadas. Fiquei com os olhos ardendo. Fui ligando para os deputados e pedindo para virem ajudar. Não sei exatamente como começou"
Em dos vídeos que circulam entre parlamentares, lideranças e policiais, deputados da oposição se reúnem com os indígenas na rua, do lado de fora da Câmara. Ali, pedem que eles voltem no dia seguinte para aumentar os protestos contra o projeto. "Mas amanhã eles vão estar de novo, para matar nós aqui na frente?", diz um indígena à parlamentar.
Projeto de lei é alvo de protesto
Os indígenas se manifestavam contra o PL (Projeto de Lei) 490/2007, em análise na Câmara. O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) acusa o projeto de inviabilizar a demarcação de terras indígenas e permitir que elas sejam usadas para o agronegócio, a mineração e a construção de hidrelétricas.
A proposta está em análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa. Se for aprovada pelos deputados, ainda precisa ir para o Senado. A reunião da comissão que estava programada para hoje foi cancelada após a manifestação.
____________________ * Guia do Investidor UOL: Os hábitos que todo investidor precisa ter

22/06/2021 11h00
Existem hábitos que ajudam você a ser um investidor melhor. Se você ainda não investe, ter esses hábitos pode ajudar a dar os primeiros passos. Para mostrar quais são eles, reunimos Tito Gusmão, fundador e CEO da Warren, uma das maiores plataformas de investimentos do país, e Fabio Macedo, diretor comercial do Easynvest by Nubank, para este encontro do Guia do Investidor UOL, do UOL Economia+.
Para continuar, cadastre-se grátis
Fabio Macedo é engenheiro civil e tem pós graduação em Finanças e Banking pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV). Ele começou a carreira como trainee em um grande banco, e já atuou em outras instituições financeiras.
Já Tito Gusmão se diz apaixonado por finanças e investimentos desde pequeno. Aos 12 anos, ele afirma que deu início ao seu primeiro projeto de compra e venda de produtos para ganhar dinheiro. Atuou por oito anos na XP, uma das maiores corretoras do país. Em 2017, com ajuda de mais dois sócios, abriu as portas da Warren, que hoje tem mais de 60 mil clientes.
O Guia do Investidor UOL é uma série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL Economia+ que vai apresentar todos os passos para quem quer aprender a investir e entender melhor sobre o mercado financeiro.
____________________ * 1997, agosto, 31: Últimas palavras de Diana em acidente são reveladas por chefe dos bombeiros

Colaboração para o UOL, em São Paulo
22/06/2021 10h46
Atualizada em 22/06/2021 15h13
O ex-chefe dos bombeiros de Paris Xavier Gourmelon, um dos primeiros a prestar socorro à princesa Diana no acidente que a vitimou, em 1997, aos 36 anos, contou ao jornal Daily Mail quais foram as últimas palavras dela.
Ele disse que não fazia ideia de quem estava no acidente quando as equipes foram enviadas ao túnel da Ponte l'Alma. Quando chegou ao local, Gourmelon percebeu que se tratava de um grave acidente, pela quantidade de pessoas presentes. Ele também notou que o guarda-costas de Lady Di, Trevor Rees-Jones, estava muito agitado e queria saber como estava Diana, que ainda estava presa no carro.
Família real está "feliz" por nascimento de filha de Harry e Meghan, que leva o nome da rainha e Diana
Segundo Gourmelon, a princesa estava falando e se mexendo "Após Dodi Al-Fayed (namorado dela) ser removido, fiquei por conta da passageira. Ela falava em inglês e perguntou 'meu Deus, o que aconteceu?'. Entendi e então tentei acalmá-la. Segurei a mão dela", revelou.
Ele disse que Diana tinha um ferimento no ombro, mas não tinha nenhum outro machucado aparente e que a respiração e o pulso estavam bons quando ela foi levada ao hospital. O sargento, aliás, só soube de quem se tratava quando ela foi colocada na ambulância que a levou para o Hospital da Salpêtrière, em que morreu. "Ela me disse quem era e então a reconheci, mas até aquele momento eu não sabia."
Princesa Diana morreu em 31 de agosto 1997, após um acidente de carro, em Paris, na França, enquanto era perseguida por paparazzi. A princesa do povo será homenageada em 1º de julho, por seus filhos, os príncipes William e Harry, com uma estátua no jardim do Palácio de Kensington, em Londres, na Inglaterra, onde morava.
Comentários
Postar um comentário