____________________ * Por que pessoas que tomaram DUAS_DOSES da vacina PEGAM covid e até MORREM ?____________________ * Como as vacinas agem em quem tem o SISTEMA imunológico DEFICIENTE _______________________ ____________________ * Estudo revela 3 RAZÕES que EXPLICAM COMO a covid-19 se ESPALHOU pelo BRASIL
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____________________ * Jamil Chade - No exterior, governo omite 500 mil mortos e defende ciência contra covid-19


Jamil Chade
Colunista do UOL
21/06/2021 09h52
Resumo da notícia
- Na OMS, Marcos Pontes diz que lição da pandemia é de que a ciência é "única arma". Mas ignora estratégia de Bolsonaro por tratamentos sem base.
- Na ONU, Itamaraty diz que está oferecendo vacinas "para todos" e apresenta plano sobre como salvou 10 milhões de postos de emprego
Com 500 mil mortos, desemprego em alta, a fome de volta à agenda e incapaz de lidar com a crise sanitária, o governo brasileiro opta por vender uma imagem no exterior que não condiz com a realidade do país. Se para o público doméstico o discurso sobre a pandemia é um, as autoridades nacionais usaram as tribunas de organismos internacionais para defender a "ciência" contra o vírus e esconder os atos do presidente Jair Bolsonaro.
Num evento na OMS nesta segunda-feira, o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, adotou um tom radicalmente diferente da narrativa do governo e do presidente sobre a covid-19. O evento marcou um esforço da OMS para ampliar a produção de vacinas pelo mundo, justamente para garantir maior distribuição e superar a escassez que afeta dezenas de países.
Sem citar em nenhum momento a dimensão da crise brasileira, Pontes usou o palco da OMS para defender a "importância da ciência". Em nenhum momento ele citou a ofensiva do governo na busca de tratamentos sem respaldo da ciência.
"A pandemia tem sido um enorme problema para todos os países e, claro, nos deu importantes lições", disse. "Por exemplo, a importância da ciência como a única arma que temos para lidar contra o inimigo, o vírus", disse.
Pontes também defendeu que países possam "trabalhar juntos" e "congratulou a OMS", contradizendo a postura do governo que, por meses, insistiu que as agências internacionais não deveriam fortalecidas na resposta à pandemia.
Para o representante do governo, uma das lições da pandemia é ainda a importância da produção local de vacinas. O ministro defendeu que haja um "solução regional" na América do Sul para a crise sanitária e apoiou transferência de conhecimento. "Temos de evitar perder tempo, dinheiro e trabalhar juntos podemos ter soluções mais sustentáveis", disse.
A estratégia brasileira: acesso a ingredientes e vacinas é um "problema".
Ao explicar a resposta do governo diante da pandemia, o ministro apresentou uma estratégia ampla. Mas omitiu decisões do governo de não comprar vacinas e gestos do presidente de promover aglomerações e sugerir o fim da máscara.
Segundo Pontes, um dos pilares da resposta seria o lado operacional, liderado pelo Ministério da Saúde e com o apoio do Instituto Butantan e Fiocruz. "Temos um sistema muito bom para entregar vacinas", garantiu.
Pontes, porém, admitiu que "existem problemas em termos de logística das vacinas". "Precisamos ter as vacinas aqui e os ingredientes ativos aqui", disse.
Portanto, para ajudar a superar tal obstáculo, ele cita uma segunda parte da estratégia nacional, que seria o desenvolvimento de tecnologia nacional, com 15 projetos de vacinas em andamento e três deles já em testes clínicos.
Em nenhum momento foi admitido que o governo optou por não comprar vacinas oferecidas e nem ampliar seu envolvimento na Covax, que poderia ter assegurado 86 milhões de doses ao país.
"Vacinas para todos"
Também nesta segunda-feira, o governo brasileiro omitiu em um outro debate na ONU qualquer referência ao fato de o país ter atingindo 500 mil mortes pela covid-19 e insistiu que vem tomando medidas para salvar vidas e renda da população.
Numa reunião no Conselho de Direitos Humanos da ONU, governos de todo o mundo ouviram um recado claro por parte do organismo sobre o fato de que a pandemia tem explicitado a desigualdade. Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, alertou que é "papel do estado" dar uma resposta diante da crise.
A participação do Brasil, porém, foi marcada por uma narrativa distante da realidade do país. Ao tomar a palavra, a delegação do Itamaraty na ONU disse que a avaliação da entidade ia na mesma direção da política brasileira de defender o acesso universal à saúde, proteção de vidas e renda, e garantia de direitos de minorias e da população mais vulnerável.
"Desde que pandemia começou, o Brasil forneceu auxilio emergencial para proteger os mais vulneráveis - especialmente os mais pobres e trabalhadores informais, beneficiando 68 milhões de pessoas", disse.
De acordo com ela, mecanismos foram estabelecidos que "salvaram 10 milhões de empregos". "Também promovemos segurança alimentar para povos tradicionais e comunidades durante o distanciamento social", afirmou. A delegação não mencionou os ataques constantes do presidente Jair Bolsonaro contra medidas de confinamento.
"O Brasil oferece vacinas contra a covid-19 de forma universal e gratuita para todos nossos habitantes, incluindo não-residentes, migrantes e refugiados, sem discriminação", declarou.
"Mais de 61 milhões de pessoas receberam pelo menos a primeira dose, com prioridade para indígenas e quilombolas", completou.
____________________ * Estudo revela 3 razões que explicam como a covid-19 se espalhou pelo Brasil

Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió
21/06/2021 06h00
Um artigo científico publicado hoje por pesquisadores brasileiros na revista "Scientific Reports" revela o caminho que a covid-19 percorreu até se espalhar aos 5.570 municípios brasileiros. Eles apontam que, sem medidas de controle implantadas, o novo coronavírus —que já matou meio milhão de pessoas no país— se disseminou livremente nas cinco regiões.
O artigo é assinado pelos cientistas Miguel Nicolelis, Rafael Raimundo, Pedro Peixoto e Cecilia Andreazzi. Eles citam que, durante o estágio inicial da epidemia, os casos de covid-19 começaram a crescer rapidamente nas capitais dos principais aeroportos internacionais.
Casos voltam a subir, e Araraquara (SP) terá novo lockdown, diz secretária
Após a chegada, eles listam três fatores que influenciaram no início da dinâmica do vírus pelo Brasil.
São Paulo, a metrópole
O primeiro ponto citado é a importância da cidade de São Paulo no processo. "Dados de mobilidade humana revelaram que, durante as primeiras três semanas da epidemia, só a cidade de São Paulo foi responsável pela disseminação de mais de 85% dos casos originais que se espalharam pelo Brasil", alegam os pesquisadores.
"Por causa de uma contribuição inicial incrível, e do fato de que [a cidade] nunca caiu para menos de 30% nos três meses seguintes, São Paulo foi a principal cidade superespalhadora da epidemia", completa o artigo.
Mas a capital paulista não está só nesse processo. "Ao adicionar apenas 16 outras cidades em expansão, contabilizamos 98-99% dos casos notificados durante os primeiros três meses da pandemia no Brasil", afirmam.
As 16 cidades:
Rodovias levam --e trazem-- covid-19
Com a transmissão comunitária da covid-19 estabelecida nas 16 cidades "superespalhadoras" do Brasil, os casos começaram então a chegar ao interior do país. O principal caminho foram as BRs. O artigo cita que 26 rodovias federais foram responsáveis por cerca de 30% da propagação de casos.
"Esta propagação impulsionada pela rodovia foi o principal mecanismo através do qual os primeiros casos chegaram a todas as cidades brasileiras. Assim, em cerca de 30 dias, o SARS-CoV-2 foi transportado para todas as cinco regiões, através do eixo norte-sul do Brasil, uma distância de 5.313 quilômetros", explicam.
Com o aumento dos casos no interior do Brasil, entra em cena o chamado "efeito bumerangue". Esse terceiro fator ocorreu por causa do fluxo de pessoas que buscaram tratamento de centros menores para metrópoles por conta da má distribuição leitos UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) —concentrados nas capitais e grandes cidades dos estados.
"Assim, pacientes graves que moram no interior tiveram que ser transportados para as capitais dos estados para acessar esses leitos, criando um 'efeito bumerangue' que contribuiu para distorcer a distribuição de mortes pela covid-19", avaliam.
Um dado catalogado pelos pesquisadores aponta que São Paulo, por exemplo, recebeu pacientes de 464 diferentes cidades do Brasil, seguido por Belo Horizonte (351 cidades), Salvador (332 cidades), Goiânia (258 cidades) e Recife (255 cidades).
"São Paulo era também a cidade que mais enviou moradores para internação em outras cidades (158 cidades), seguida pelo Rio de Janeiro (73 cidades), Guarulhos (41 cidades), Curitiba (40 cidades), Campinas (39 cidades), Belém (38 cidades) e Brasília (35 cidades)", revela.
Faltaram medidas
Segundo os pesquisadores, se o governo brasileiro tivesse tomado ações no começo da epidemia, poderia ter reduzido o número de casos e mortes, evitando também uma superlotação de hospitais.
"A nossa análise mostrou claramente que, se um lockdown nacional e bloqueios sanitários nas rodovias ao redor das cidades superespalhadoras brasileiras, particularmente na cidade de São Paulo, tivessem sido implementados, o impacto da covid-19 durante a primeira onda da pandemia teria sido significativamente menor", afirma Miguel Nicolelis, da Duke University Medical Center (EUA).
Ele ainda traça um paralelo com a formação da segunda onda, no início do ano. "Igualmente, se estas mesmas medidas fossem aplicadas em janeiro de 2021, também teriam diminuído o número de casos e mortes durante a segunda e mais devastadora onda da pandemia", afirma.
Nicolelis compara ainda que, de junho de 2020 a junho de 2021, o número de óbitos por covid-19 no Brasil foi de 50 para 500 mil. "É um aumento de dez vezes em 12 meses. Este dado por si só ilustra como o governo federal brasileiro abdicou de forma explícita e crassa de seu dever de proteger o povo brasileiro da maior catástrofe humanitária da sua história", relata.
____________________ * Esquerda quer ampliar pressão por impeachment de Bolsonaro, mas esbarra em adesão do centro e tom eleitoral dos atos _________ Pandemia, pautas econômicas e resistência de partidos de centro a pedir saída do presidente são entraves para unidade nas ruas _________________ (contra a DILMA pode RAPIDINHO, nésseusfilhosdaputa!!!)
Com aumento de público entre 29 de maio e 19 de junho, organizadores dos protestos de oposição veem espaço para que a mobilização pelo impeachment de Jair Bolsonaro se amplie e fazem acenos ao chamado centro.
Por outro lado, entre quem rejeita tanto o presidente como Lula (PT), há resistência de partidos a pressionar pela saída de Bolsonaro e de movimentos a integrar manifestações vistas como eleitorais, em apoio ao petista.
Uma reunião de avaliação dos atos e planejamento de possíveis novas manifestações está marcada para terça-feira (22). As ações de rua são vistas com cautela por parte dos organizadores em meio à pandemia do coronavírus.
Neste sábado (19), o país chegou a 500 mil mortos, com o ritmo de mortes e contaminações em alta. A grande maioria dos manifestantes usou máscara, mas houve aglomerações.

Partidos de esquerda, como PT, PSOL, PC do B, PCB, UP, PCO e PSTU, também integram a organização dos atos.
A segunda manifestação teve novas adesões —centrais sindicais, o Movimento Acredito e siglas como PSB, PDT e Rede, que dizem não estimular as aglomerações, mas não proibiram a presença de seus quadros.
O próprio PT e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), até então mais discretos, resolveram endossar a segunda manifestação com mais afinco.
Para parte dos organizadores ouvida pela Folha, a mobilização anti-Bolsonaro tem vias para se expandir, seja pela crescente indignação com ações negacionistas do presidente ou seja pelo esperado aumento do percentual de vacinados nos próximos meses.
Mas, principalmente, a avaliação é a de que a mobilização só deixará de representar apenas um desgaste para Bolsonaro e se tornará uma pressão efetiva para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), paute o impeachment se houver adesão do centro.
Líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos lembra que as manifestações pela saída de Dilma Rousseff (PT) atingiam campos maiores da sociedade, “de apoiadores da ditadura militar a tucanos”, diz.
Na esquerda, os exemplos de unidade bem-sucedidos citados são as Diretas Já e o impeachment de Fernando Collor, em 1992.
O tema da unidade é espinhoso na esquerda. Embora alguns líderes façam acenos e não rechacem a união de esforços com o centro, há resistência em marchar com quem sustentou o impeachment da ex-presidente Dilma e a eleição de Bolsonaro —e agora advoga pela terceira via na eleição de 2022 e mantém a defesa do Estado mínimo.
Tampouco há consenso no centro e na direita não bolsonarista. Presidentes de partidos ouvidos pela reportagem afirmaram, nos bastidores, que tal união é impossível e que os movimentos de sábado foram marcadamente partidários.
Além disso, com parte da bancada governista, não veem clima para impeachment. Outros, no entanto, não descartam que a pressão da rua, caso a crescente se mantenha, sensibilize parlamentares de centro e vire o jogo pelo impeachment no Congresso.
Apesar da resistência, parte da esquerda entende que é preciso ao menos tentar ampliar o espectro político representado nas ruas. Lula deu o tom, em entrevistas e nas redes sociais, ao afirmar que o ato de sábado foi “em defesa da vida” e convocado “pela sociedade brasileira”.
Para não inflar o caráter eleitoral, que emerge em faixas e cantos pró-Lula, o ex-presidente decidiu não comparecer, mas incentivou seus apoiadores a tomarem as ruas. O petista também busca evitar aglomerações para se contrapor a Bolsonaro.
Raimundo Bonfim, coordenador da CMP, Iago Montalvão, presidente da UNE, e Vagner Freitas, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), afirmaram à Folha neste domingo (20) que uma união com o centro não é impossível e que esse debate será feito no fórum de organizadores.
Eles defendem a ampliação dos atos e que a disputa de 2022 fique em segundo plano, mas lembram que as manifestações também trazem temas sociais e econômicos defendidos apenas pela esquerda.
Neste domingo, petistas divulgaram nas redes um vídeo que traz os ex-presidentes Lula, Dilma, Michel Temer (MDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) lamentando grandes tragédias.
A peça lembra a postura de Bolsonaro na pandemia e finaliza pedindo seu impeachment —foi lida como mais um sinal ao centro.
Presente no ato em São Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) provocou o governador paulista, João Doria (PSDB), a fazer o PSDB endossar o impeachment.
“Bolsonaro está aí para a cumplicidade dessa burguesia, que não tem coragem de pautar o impeachment. É o que o Doria devia estar fazendo, ao invés de ficar criticando o Bolsonaro”, disse.
A fala, no entanto, foi criticada por João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, central não ligada ao petismo, justamente por, em sua visão, criar segregação e não unidade.
“Será que Haddad tem que questionar Doria numa manifestação anti-Bolsonaro? Se formos por esse caminho, as manifestações não aumentarão. É imprescindível que a direção do movimento esteja aberta à participação de todos os democratas”, tuitou.
Josué Rocha, coordenador do MTST, afirma que a campanha trabalha para ter as manifestações mais amplas possíveis, mas lembra que existe um escopo.
“Qualquer pessoa que se sinta à vontade para ir às ruas pelo ‘fora, Bolsonaro’ é bem-vinda. Mas a manifestação é também contra cortes na educação, contra privatizações, contra o genocídio da população negra. É contra Bolsonaro e toda a política que ele representa”, diz.
Não é só o teor petista dos atos ou as bandeiras sociais que afugentam membros do centro, da direita e até da esquerda. Líderes ouvidos pela reportagem citaram as aglomerações como motivo inibidor para ir aos protestos.
Para o MBL, que rechaçou aderir às manifestações passadas e talvez futuras da Campanha Fora, Bolsonaro, é uma mistura das duas coisas.
“A gente vai entrar em campo, mas temos uma posição contra aglomeração”, diz Renan Santos, para quem a vacinação vai permitir atos de rua a partir de agosto ou setembro.
Renan diz querer Bolsonaro preso e avalia que as manifestações da esquerda foram importantes para o impeachment, mas descarta “ilusões infantis”. Ele cita pautas das quais discorda nos atos, como o fim do teto de gastos, e afirma que a mobilização é eleitoreira.
“Não dá para a gente ir numa manifestação que fica saudando Lula. É tão independente quanto manifestação bolsominion que fala que é marcha cristã”, ironiza.
“Seria uma pacificação gigante se fosse um ato só pelo ‘fora, Bolsonaro’, sem caminhão de som, sem bandeiras de partido. A gente está disposto a isso, seria um recado claro, mas temos que resolver a questão sanitária.”
Hoje Renan não vê espaço para unidade. Neste domingo, militantes do MBL e da esquerda se engajaram em brigas na internet a respeito da receptividade a eles.
“O melhor mesmo é que essa quadrilha de mentirosos difamadores e assediadores digitais que ajudou a eleger o genocida não apareça nas manifestações”, tuitou Jean Wyllys (PT).
O contorno eleitoral é minimizado por apoiadores de Lula, que apontam predominância de cidadãos independentes na manifestação de São Paulo. Em outros partidos de oposição, a questão também é tida como lateral.
"Não estou preocupado com isso. Não tem como dividir [apoiadores de Lula e outros] na rua. Vai ser uma mistura geral, o que vai unir todo mundo é o desejo de ver o 'fora, Bolsonaro' vencer”, diz o presidente do PDT, Carlos Lupi, que lançou Ciro Gomes (PDT) à Presidência e aposta nas vacinas para ampliar os atos.
“Nós até agora não temos aconselhado a ir [aos atos] por causa da pandemia. Mas a gente não controla a militância do partido, a revolta da juventude é muito grande.”
O presidente do Cidadania, Roberto Freire, esteve no protesto em Brasília e diz: “Foi uma grande mobilização e vai crescer muito mais, é um processo”.
“Muitos favoráveis ao impeachment não quiseram ir porque ficaram com a ideia de que é uma manifestação à esquerda. Isso está sendo superado. O que une as pessoas não é palavra de ordem contra privatização ou faixa de Lula, é quando pede ‘fora, Bolsonaro’ que todo mundo grita”, afirma.
“Os principais organizadores [de esquerda] podem estar dando a tônica, mas vão ter a racionalidade de saber que não será só com bandeiras vermelhas que vamos botar Bolsonaro para fora, tem que ter muita gente”, completa Freire, que afirma ter visto muitas bandeiras do Brasil na manifestação.
Ele diz ainda que a adesão da maioria do Cidadania aos atos foi uma sinalização importante e que, com o tempo, outros partidos podem se posicionar pelo impeachment. “A começar pelo PT, que está dividido”, aponta, em referência ao debate sobre impeachment versus desgastar Bolsonaro até 2022.
Entre os organizadores da manifestação de sábado, há a constatação de que o descontentamento com Bolsonaro é grande e que um clima de mobilização se instalou.
“Muita gente que estava na rua não era militante organizado, isso foi o grande saldo do protesto. O debate não é eleitoral, isso se dará em 2022. O Brasil precisa de unidade de democratas em torno do impeachment”, diz Freitas, da CUT, para quem Lira deve ser o alvo maior dos atos.
Bonfim, da CMP, afirma que a união é um grande desafio, mas vê disposição para isso. “Se, de fato, muitos setores tomarem a decisão de que o impeachment é saída.”
Ele sugere, como estratégia, vincular uma próxima manifestação à apresentação do superpedido de impeachment, mas pondera sobre os riscos da pandemia.
“Não é uma questão de esquerda, é uma questão de civilização contra a barbárie, por isso tem caminhos de construir com esses setores”, afirma Montalvão, da UNE, sobre o centro.
Para ele, é natural que partidos de esquerda levem suas pautas e seus militantes nos atos, “mas isso não é um problema”. “Em 29 de maio já teve essa marca e, mesmo assim, a manifestação cresceu.”
Bolsonaro ironiza manifestação pequena, e apoiadores criticam violência
A reação do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores, assim como no protesto anterior, foi a de minimizar a dimensão da mobilização e, desta vez, de apontar episódios de violência para deslegitimá-la.
“Manifestação contra Bolsonaro fecha rua e paralisa o centro de Paranaguá”, disse nas redes sociais. O vídeo mostra um grupo de oito pessoas caminhando sob a chuva, com uma faixa que traz a mensagem “Fora Bolsonaro! Vacina para todos já! Auxílio emergencial de R$ 600”.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, postou uma risada nos comentários. Outras pessoas criticaram com imagens de atos de grande porte em diferentes cidades.
Eduardo e outros deputados bolsonaristas usaram a depredação de duas agências bancárias e um episódio de hostilidade contra uma equipe da CNN Brasil para criticar os manifestantes.
Segundo a rede de TV, um homem agindo sozinho lançou fogos de artifício na direção de seus profissionais que acompanhavam o ato no terraço da sede da emissora, na avenida Paulista. Ninguém se feriu.
Ainda de acordo com a CNN Brasil, o responsável pelos fogos estava no lado oposto da avenida e logo se misturou à multidão.
Nas redes sociais, Eduardo comparou o caso com o lançamento de fogos contra a sede do Supremo Tribunal Federal por um grupo de extremistas de direita, em 2020, e disse que é "inacreditável" chamar a manifestação deste sábado de pacífica e ordeira.
Em maio, um jornalista da CNN foi hostilizado, no Rio, em ato a favor do presidente e teve que deixar o local sob escolta policial.
____________________ * Como as vacinas agem em quem tem o sistema imunológico deficiente

Luiza Vidal
Do VivaBem, em São Paulo
21/06/2021 04h00
Resumo da notícia
- Os imunossuprimidos são pessoas com o sistema imune deficiente seja por um doença congênita ou outras condições
- As vacinas podem ter respostas imunes mais baixas do que em uma pessoa saudável
- Em alguns casos, é preciso o reforço da dose, como no caso da hepatite B e, futuramente, talvez da covid-19
- Mesmo assim, imunizantes são essenciais para proteger pacientes contra diversas doenças
O sistema imunológico do nosso corpo é responsável por nos proteger de vírus, bactérias e outros agentes estranhos. Mas em algumas pessoas esse "exército protetor" pode não funcionar perfeitamente.
Há pessoas que nascem com uma falha neste sistema por causa de doenças congênitas, as chamadas de imunodeficiências primárias, ou algum problema genético. Existem também os casos das imunodeficiências secundárias, como pacientes com HIV, pessoas em tratamento de câncer ou quem passou por um transplante e necessita dos imunossupressores pelo resto da vida. O grau de imunossupressão divide-se em leve, moderado e grave.
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Por ter um sistema imunológico mais debilitado, a resposta imune para as vacinas, por exemplo, pode não ser a mais esperada. Mesmo com a resposta mais baixa do que em pessoas saudáveis, é de extrema importância que elas tomem todas as vacinas disponíveis —aqui, você pode conferir o calendário especial do CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais).
"É uma questão polêmica. A depender do tipo de imunodeficiência, a pessoa terá pouca resposta à vacina. Mas qualquer resposta é melhor do que nada. Mesmo porque, por estarem nesta condição, esses pacientes têm maior possibilidade de evoluir com doença grave", explica Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), em referência ao imunizante contra a covid-19.
Mas isso também vale para outras vacinas, segundo Ronney Correa Mendes, membro do Departamento Científico de Imunização da Asbai e diretor clínico da Alergocenter Vacinação de São Luís (MA).
"De fato, a resposta desses pacientes às vacinas não vai ser igual, vai ser menor. Uns mais e outros menos. Curiosamente, em algumas pessoas quase não há diminuição, vai depender. Mesmo assim, ainda vale a pena. Um pouco de imunidade é melhor do que zero".
Reforço extra nos imunizantes
As vacinas contra a covid-19 ainda são recentes, mas as que estão em uso há mais tempo já possuem, inclusive, esquemas diferenciados. Como um reforço da dosagem, que já ocorre com o imunizante contra hepatite B. "A gente usa 0,5 ml na população geral, em três doses. Na população imunossuprimida, fazemos 1 ml em 4 doses. Como a resposta não é ótima, tentamos dar essa resposta imunológica mais robusta", explica Diniz.

Para a imunologista, mais para frente, talvez seja necessário também dar esse reforço da vacinação contra a covid-19, mas ainda não é capaz de prever quando. Inclusive, um estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine, no dia 15 de junho, já mostra que uma terceira dose do imunizante pode ajudar a proteger pacientes com sistema imune enfraquecido.
Os cientistas utilizaram uma amostra pequena de pacientes, foram 30 no total. Todos passaram por um transplante de órgãos e já tinham tomado duas doses das vacinas da Pfizer ou da Moderna. Eles descobriram que 24 participantes não criaram anticorpos contra a covid-19. Os seis restantes desenvolveram uma resposta baixa.
Após aplicarem novamente uma dose dos imunizantes da Pfizer, Moderna ou da Janssen, os níveis de anticorpos foram medidos duas semanas depois. Em pacientes que não tinham anticorpos no início, oito tiveram um aumento após a terceira dose da vacina. E nos seis pacientes que começaram com níveis baixos, todos tiveram aumento de anticorpos contra o coronavírus.
Algumas vacinas necessitam de cautela
Há também os imunizantes que devem ser evitados, como os de "vírus vivo" enfraquecido, que podem causar de fato a doença, como de febre amarela e a tríplice viral. Claro, há exceções, como quando há um surto da doença e, após decisão do médico, é levado em conta o risco/benefício.
"Os vírus ou as bactérias atenuados, nessa população, podem evoluir para a própria doença. Mesmo sendo vírus e bactérias enfraquecidos, o sistema imunológico deles também estará enfraquecido e, ao invés de produzir a resposta imunológica, ele pode evoluir para a doença, com surgimento de sintomas", explica Lorena.
Não é que essas pessoas não podem, nunca, tomar essas vacinas, mas é preciso precauções e cuidados específicos. Quem esclarece melhor é Mônica Levi, presidente da Comissão de Revisão de Calendários de Vacinação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
"De um modo geral, as vacinas de 'vírus vivo' são contraindicadas para imunossuprimidos, mas é preciso avaliar caso a caso, cada vacina e cada situação. Às vezes, os benefícios ficam a favor da vacinação."
Para exemplificar, a médica cita a vacina de tríplice viral que pode, sim, ser aplicada em pessoas com HIV. Assim como a vacina contra catapora também pode ser feita em crianças com convalescência de leucemia.
Há ainda um componente importante para esse grupo, o "melhor momento da vacina". Levi dá mais um exemplo na prática: uma jovem que descobre o lúpus, doença autoimune, e que quer tomar a vacina contra HPV.
"Geralmente, a primeira parte do tratamento é mais agressiva para controlar a doença, com uma 'paulada' de imunossupressor. Não é o período ideal para fazer vacinação", esclarece a imunologista.
Já as vacinas de gripe, covid-19, pneumocócica, com o "vírus morto", são mais que indicadas a este público. Eles devem tomar.

Há mais formas de protegê-los
Os médicos já explicaram que, mesmo com um sistema imune mais fraco, essas pessoas devem, sim, ir atrás dos imunizantes. Mas existem outras formas que nós, pais, avós, amigos, professores e familiares, podemos ajudar essas pessoas.
Há uma estratégia chamada de "casulo", pensada especialmente para proteger os recém-nascidos contra diversas doenças, como a coqueluxe, mas que também pode ser utilizada em pessoas imunossuprimidas. Isso significa que quem convive com esse grupo (incluindo os bebês) precisa ter a vacinação em dia.
Inclusive, os CRIEs oferecem as vacinas de contactantes, isto é, para quem mora com uma pessoa imunossuprimida. Um exemplo é a vacina de gripe que tende a ser gratuita, especialmente para os idosos num primeiro momento. Mas quem vive com um paciente transplantado, por exemplo, pode conseguir acesso ao imunizante pelo CRIE antes.
____________________ * Famosos iludem público e recorrem a mentiras para faturar com publicidade

Daniel Palomares e Renata Nogueira
De Splash, em São Paulo
21/06/2021 04h00
Pabllo Vittar vai se casar. Fiuk mandou nudes para amigos. Marina Ruy Barbosa está loira. Simone e Simaria não serão mais uma dupla. Todas essas notícias chamaram a atenção do público, nos últimos meses. E ganharam espaço na imprensa.
Todas são mentiras. Afirmações falsas distribuídas em redes sociais e, às vezes, por meio de assessorias de imprensa disfarçadas de campanha de marketing. As agências também têm investido nessa estratégia para o lançamento de produtos. A Renault fez todo o mundo achar que um filme de "A Caverna do Dragão" estava prestes a ser lançado. A Comfort levou os fãs do Roupa Nova à loucura inventando que o nome do grupo mudaria.
Todas essas notícias —distribuídas como se fossem reais— ocuparam parte do noticiário e colocaram em xeque um valor importante: a credibilidade da imprensa.
"As redes sociais viraram porta-voz dos artistas, e muitos veículos grandes acabam caindo nesse tipo de estratégia", lamenta Danilo Saraiva, editor-chefe da "Quem". "Fazer isso não é inofensivo."
Parecia verdade, mas não era: outros casos de jogadas de marketing


Celina Locks, mulher de Ronaldo Fenômeno, simulou uma gravidez e disse estar com "uma felicidade imensa dentro de mim" em post no Instagram. O filho? Era sua nova marca de cosméticos, a Celina Locks Beauty.

Falando em gravidez, Gleici, campeã do BBB 18, também confirmou que estaria grávida nos bastidores de uma campanha. Mas tudo não passava de uma pegadinha de Matheus Mazzafera.

Sasha Meneghel chamou atenção com um novo look nas redes: cabelo cor-de-rosa! Mas a filha de Xuxa nunca tingiu as madeixas. Era tudo para divulgar um novo produto da Eudora.

Simaria, da dupla com Simone, Malía e Giulia Be lançariam novo single: "Te Sigo Somando". Só esqueceram de avisar que se tratava de um jingle para a Riachuelo e não uma música tradicional.

Simone e Simaria anunciaram que deixariam de ser uma dupla, ganhando uma nova integrante. Quem era a terceira? A cerveja Brahma que inventou toda a história para uma campanha da marca com as sertanejas.

Fiuk fez stories bombásticos: ele mandaria nudes para alguns grupos nas redes sociais. Só que tudo não passava de uma ação pro Dia dos Namorados do Habib's.
Danilo não está sozinho. Se o jornalismo trava uma verdadeira batalha para ser reconhecido e respeitado em um momento no qual tanta gente é enganada por notícias falsas, cair numa "pegadinha" de artistas, influenciadores e marcas é um verdadeiro pesadelo.
"A mentira não pode ser relativizada. Quando a imprensa checa uma informação com fonte oficial e recebe confirmação de uma notícia falsa, a seriedade e a credibilidade desse meio de comunicação ficam comprometidas em nome do marketing. Isso é inadmissível. Especialmente em um momento como o atual, em que lutamos dia a dia contra fake news", afirma Alexandre Gimenez, gerente geral de Notícias e Entretenimento do UOL.
Daniela Tófoli, diretora editorial dos títulos "Quem", "Marie Claire", "Galileu", "TechTudo", "Crescer", "Casa e Jardim" e "Monet", na Editora Globo, tem uma linha de pensamento parecida.
"Em outro momento, poderia ser encarado só como uma brincadeira, mas acaba sendo de muito mau gosto. Os veículos de imprensa não podem compactuar com isso. É uma estratégia errada e no pior momento possível. Acho que não vale o buzz a qualquer preço."
Virar "o assunto do momento" é garantia de engajamento, uma forma orgânica de chamar a atenção. E, muitas vezes, o caminho que artistas escolhem para isso é iludir o público. Postam e compartilham conteúdos falsos, usam linguagens vagas com o intuito de gerar confusão e contam com a repercussão do que plantam em redes sociais.
A "notícia" desperta curiosidade genuína, mas pode gerar decepção na mesma dose quando a verdade finalmente é revelada.

"A gente não quer enganar as pessoas"
Em 2019, A DPZ&T, uma das maiores agências de publicidade do país, investiu em uma campanha ousada, mirando na memória afetiva do público que cresceu nos anos 1980 e 1990 assistindo à "Caverna do Dragão" - desenho animado de sucesso antes dos anos 2000. Antes de lançar os comerciais com os personagens da série usando carros da Renault em suas aventuras, algumas imagens foram vazadas e geraram a expectativa de um possível filme.
"Isso gerou especulação em torno da campanha", lembra Eduardo Simon, CEO e sócio da DPZ&T. Ele afirma que a agência tem "cuidado com a grande imprensa". "A gente não quer enganar as pessoas. No case da 'Caverna do Dragão', quase todos os jornalistas, no processo de divulgação, diziam que tinha uma marca por trás. Por quê? Porque tomamos um cuidado enorme de não dar a entender que era iniciativa de um estúdio."
Quando foi revelada a ação da Renault, no entanto, nem todo o mundo gostou. Em uma das reportagens publicadas na época, os comentários negativos superaram os positivos. "Em um primeiro momento, muita gente reclamou. Achou sacanagem da Renault. Só que isso vai se transformando em curiosidade e, quando esse sentimento muda, lançamos a campanha", detalha.
Simon tem convicção de que nunca foi desonesto com os consumidores. "A gente não mente. Em nenhum momento dissemos que havia um filme da 'Caverna do Dragão'. A gente vazou as cenas e assumiram que aquilo era um filme."
O case de "Caverna do Dragão" conquistou grandes prêmios internacionais de publicidade, como o Grand Effie no Effie Awards 2019, o Grand Play e outros dois troféus no YouTube Works. Ainda venceu como melhor comercial do Brasil no mesmo ano pelo SBT.
Eduardo Simon, que também é integrante do Conar, lembra que o mercado de propaganda se autofiscaliza.
"Pode ter certeza de que, se essas campanhas fizessem o uso de fake news, o próprio mercado teria suspendido. São peças elogiadas e premiadas, usaram uma estratégia vencedora. Foi um jeito diferente de abordar a audiência e envolvê-la."
É fake news? É ilegal?
Especialistas ouvidos por Splash argumentam que a tática adotada por campanhas de marketing que, de alguma forma, levam o público a informações falsas não deve, no entanto, ser chamada de fake news.
"As fake news são uma fábrica que tem a intenção de espalhar mentiras, provocar sentimentos de ódio, revolta, descrença e raiva", explica Julianne Caju, mestra em Educação pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).
Estudos recentes com foco na desinformação têm evitado adotar o termo —que é mais ligado à falsificação de relatos jornalísticos. Fake news, em teoria, seriam fraudes de forma e conteúdo. E têm, quase sempre, origem desconhecida, pois sua intenção é causar dano: político, econômico, de imagem, de direitos.
"As fake news vêm com uma má intenção. Elas querem enganar alguém e extrair uma vantagem disso. Querem destruir. Toda fake news é dolosa", afirma Eugênio Bucci, professor titular da ECA -USP.
No caso de campanhas de marketing, embora muitas divulguem informações não reais —ou induzam o público a acreditar nelas—, a intenção não é prejudicar nada nem ninguém. Não há um alvo a ser derrubado. A motivação é fazer barulho em cima de determinado tema, de forma a gerar publicidade orgânica. E sempre é possível identificar a fonte daquela campanha —mesmo que só num segundo momento.
"Toda mentira que tenta se passar por verdade usando uma redação jornalística para isso causa prejuízo, é uma prática ruim", reforça Bucci. "Mas as campanhas de marketing eu trataria mais como uma intervenção cultural. O caso das celebridades é uma travessura que pode ser até de mau gosto, mas não é fake news."
Mas se enganar os outros para promover algo não é fake news, então qual é o problema?
"A gente vive hoje uma outra pandemia, além da pandemia de covid-19, que é a pandemia de informação. Ao criar um falso acontecimento, você acaba contribuindo para gerar mais desinformação", explica Emílio Moreno, gestor de comunidades no Redes Cordiais, organização que trabalha para construir redes mais confiáveis.
Moreno lembra que esse tipo de estratégia teve início na política. "Agora, as celebridades e os influenciadores estão usando isso para caçar likes, gerar buzz ou repercutir um lançamento. Só que o público já começa a olhar com desconfiança."
Ana Paula Passarelli, da agência de marketing de influência Brunch, concorda que o momento é delicado para trabalhar campanhas desse tipo. "O ponto mais sensível é que estamos conduzindo narrativas em torno de inverdades, num momento em que mensagens falsas são compartilhadas com facilidade. É uma questão de responsabilidade."
A estratégia de lançar uma isca para medir a reação do público tem nome na publicidade: teaser. E não é ilegal, como explica Flavia Penido, advogada especializada em direito digital. "Teaser, segundo o Conar, não precisa ser sinalizado [como publicidade]", afirma, referindo-se ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária.
"Pode ser visto como algo de mau gosto, mas, legalmente, não vejo nada de errado", conclui Flavia.

'Quem me conhece sabe que eu sou piranha'
O lançamento da música "Ama Sofre Chora" foi pensado por Pabllo, pelo empresário artístico Yan Hayashi e pelo time da gravadora Sony. Como o clipe da música mostra a artistas vestida de noiva, surgiu a ideia de divulgar um casamento falso.
"Eu e minha equipe já estávamos pensando, quando fui cantar no 'BBB', que seria o momento propício para anunciar o meu noivado em rede nacional", contou a cantora, em entrevista coletiva à imprensa no lançamento da música.
A drag queen mais seguida do mundo no Instagram (são quase 12 milhões de pessoas) conta que, no início, os fãs ficaram divididos com a novidade. "A cada foto postada, eles ficavam: 'Será que ela vai se casar? Será que é música?'. Mas quem me conhece mesmo sabe que eu sou piranha, que eu não ia me casar nada."
No entanto, pensar apenas no próprio público na hora de planejar um lançamento assim pode ser perigoso, alertam especialistas em marketing. E um dos riscos é o tão temido cancelamento nas redes.
"Pode acabar gerando uma crise de imagem para o artista, pois cria uma desconfiança na audiência", avalia Moreno.

'Foi o público que deduziu!'
Marina Ruy Barbosa, uma das figuras mais queridas e disputadas do mundo da publicidade, também participou de uma campanha que usava esse tipo de estratégia, em 2019. A atriz, conhecida por cultivar com apego seus fios ruivos, chocou o Brasil ao surgir loira platinada. Dias depois, os fãs descobriram que era, na verdade, uma peruca. E a mudança no visual fazia parte de uma campanha da Renault.
Além da montadora francesa, Marina tinha um time de peso por trás da estratégia, que começou com um post no Instagram dela —o perfil tem hoje quase 38 milhões de seguidores. A campanha também levou a assinatura da DPZ&T, mesma responsável pela promoção de "Caverna do Dragão".
"Precisamos achar um jeito de as pessoas fazerem parte da campanha", explica Eduardo Simon, CEO e sócio da agência. Segundo o executivo, Marina não só topou "ficar loira", como participou ativamente da idealização do projeto.
Mas Simon defende que Marina não mentiu ao mostrar seu cabelo loiro. Ela compartilhou o novo visual e o público, curioso, deduziu que ela teria pintado.
"Acho muito ruim enganar o consumidor. Isso, sim, tem prazo de validade. Agora, quando você brinca com a curiosidade, é válido. A ideia é que as pessoas se divirtam com as propagandas dos nossos clientes."

Com que Roupa?
E quando uma banda com 40 anos de carreira resolve mudar de nome do dia para a noite? Foi o que aconteceu com o Roupa Nova em janeiro do ano passado. O anúncio chocou os fãs, que, 24 horas depois, descobriram que tudo não passava de uma ação com a Comfort.
Uma agência grande estava por trás da campanha, que fez o nome "novo" da banda, Roupa Sempre Nova, ir parar nos trending topics do Twitter.
"O Roupa Nova foi muito aberto, tivemos uma conversa tranquila. Eles entenderam que fazia tanto sentido para a marca quanto para eles", relembra Fernanda Fontes, diretora de criação da agência F.biz, que criou a publicidade.
Parte da imprensa chegou a cair na pegadinha, mas a publicitária, que também é jornalista, destaca a importância de um conceito básico nesse sentido: a apuração.
"As ações são alinhadas. Temos esse cuidado para as assessorias saberem o que está acontecendo. Não é só entrar numa onda, é preciso checar."
Nesse caso, a desconfiança inicial de que alguma marca estivesse envolvida na mudança de nome foi comprovada. "Estava todo o mundo avisado e foi resolvido rápido. Logo anunciamos. Entrou no trending topics, você tem que aproveitar o máximo possível para revelar antes que morra."
A questão, aqui, é que a campanha foi além de apenas insinuar algo —como aconteceu no caso da "Caverna do Dragão"— e deixar que as pessoas confabulassem a respeito do que estava acontecendo. A propaganda de Comfort incluía a divulgação de uma notícia não verdadeira —caso semelhante ao do casamento da cantora Pabllo.
Ana Paula Passareli analisa: "Quando você transforma a mentira em publicidade é complicado".

É disso que o povo gosta?
Prestes a lançar uma parceria com MC Rebecca, Anitta se meteu em mais uma polêmica na internet. As duas trocaram indiretas no Twitter e deixaram de se seguir no Instagram. Os fãs, claro, notaram a picuinha e ficaram perplexos. Mas era tudo estratégia de divulgação da música "Tô Preocupada (Calma Amiga)".
A ideia de gerar o buzz na internet partiu das artistas. Só faltou avisar parte da equipe. "Foi um assunto entre elas. Eu mesmo quase caí na brincadeira", admite Paulo Pimenta, assessor de imprensa de Anitta. Procurada pela reportagem, a equipe de MC Rebecca não se manifestou.
Pimenta acredita que a estratégia tenha sido bem-sucedida, mas alerta: "Não posso falar pela Anitta, mas meu conselho, como parceiro de comunicação, seria não repetir. Não porque não tenha funcionado, mas porque entendemos que fazer algo repetido não traria o efeito desejado".
Mariana Madjarof comanda há dez anos a agência Access Midia e tem em seu cast nomes como Manu Gavassi e Rafa Kalimann. Para a relações públicas, é essencial que o artista trabalhe sempre com a verdade.
"As pessoas querem a espontaneidade, e a Juliette [do 'BBB 21'] está aí para provar isso. O público está carente da verdade."
Para o assessor de Anitta —o mesmo de Juliette—, a expectativa das pessoas sobre os artistas também influencia o jogo. "O público gosta do buzz e de saber sobre a vida pessoal dos artistas. O que posso garantir é que nem tudo é marketing. O público fantasia. É o famoso 'é disso que o povo gosta'", aposta Paulo Pimenta.

Questão de credibilidade
No início deste ano, uma notícia explodiu nos portais brasileiros. Luiza Ambiel, que havia passado como um furacão por "A Fazenda", estaria namorando Mauro Machado, o pai de Anitta.
Na hora em que Luiza compartilhou um clique ao lado de Painitto no Instagram, falando do namoro, vários jornalistas entraram em contato com sua assessoria de imprensa, que confirmou a informação. Só que tudo não passava de uma pegadinha do apresentador Maurício Meirelles, que trolla famosos na internet.
"Ele fez um estardalhaço, fiquei nos trending topics do Twitter, até verificaram minha conta. Ganhei seguidores no Instagram", relembra Luiza. Ela revela que alguns jornalistas ficaram realmente incomodados com a brincadeira, confirmada como se fosse real. "Teve jornalista que me xingou."
Maurício sabe do sucesso de suas pegadinhas e só vê vantagens nesse tipo de estratégia. "No final, é bom para todo o mundo. Artista ganha divulgação, jornalista ganha o clique, o público ganha entretenimento", conclui.
Para Luiz Gustavo Pacete, editor da Fast Company Brasil, que trabalha com mídia de negócios, o resultado não é tão positivo assim. "Acho que está desconectado do momento em que vivemos. Desde o início da pandemia, começou uma discussão sobre ressignificar a influência. Será que as marcas vão apostar em alguém que simulou situações?", questiona.
"Os influenciadores surgiram e explodiram por serem autênticos. Antes, a gente só conhecia a propaganda cheia de plástica e roteiro. Conforme vemos casos assim, as pessoas vão perdendo a credibilidade", encerra Pacete.
____________________ * Bolsonaro já tem pretexto para incendiar o país e esquerda ajudou nisso

Thaís Oyama
Colunista do UOL
21/06/2021 12h45
"Nem tudo aquilo que Bolsonaro propõe é ruim apenas porque ele propôs. É o caso do voto impresso auditável". Quem diz isso, e não é de hoje, é o insuspeito professor da USP Pablo Ortellado, especialista em gestão de política pública, de quem não se pode dizer que tenha ligações ou simpatias bolsonaristas.
Ortellado considera "bastante razoável" a ideia de um sistema que permita a impressão do voto eletrônico como forma de ampliar as possibilidades de conferência dos resultados da eleição, mas observa que, no Brasil, discutir as vantagens e desvantagens do modelo virou tarefa impossível.
Para empresários, Lula aposta no "nós contra eles" ao mirar teto de gastos
Isso porque, diz, Bolsonaro virou um Midas ao contrário: tudo em que ele põe a mão fenece ou descamba para uma final de jogo com pancadaria. A culpa pelo fenômeno, nesse caso, não é só do ex-capitão e seu histórico de ideias fixas, oportunistas e letais, mas da polarização cega e furiosa que ensurdece, emburrece e inviabiliza qualquer debate hoje no Brasil.
O voto impresso para fins de conferência não é nenhuma jaboticaba.
Ele existe de alguma forma em 30 dos 46 países que adotam o sistema de voto eletrônico - ou seja, na maior parte deles. Esses países optaram pelo modelo não porque desejam "ressuscitar o voto de cabresto", como se repete por aí (o que, de resto, não vale como argumento, dado que o eleitor não tem acesso à cédula impressa, que cai automaticamente na urna), mas porque entendem que ele serve para ampliar as possibilidades de checagem da apuração e, portanto, aumentar a segurança de uma eleição.
Mas a implementação do voto impresso auditável não é coisa simples. Só para começar, as urnas que receberiam os votos impressos teriam de ser projetadas, depois armazenadas e mais tarde transportadas para os locais de contagem dos votos. Demandaria praticamente o mesmo esforço e planejamento que exige uma votação não eletrônica.
Vale a pena? É o tipo de discussão que não se ouve e não se ouvirá, dado que quem se atreve hoje a dar palpite em favor do voto impresso é imediatamente alçado à condição de bolsonarista; e quem é contra Bolsonaro tem obrigação de ser também contra o voto impresso.
Assim, o ex-capitão segue livre para, com sua conversa de fraude anunciada, repetida hoje no cercadinho do Palácio da Alvorada, se colocar como vítima de mais uma conspiração em caso de derrota em 2022. Será um discurso com consequências incendiárias, e que poderia ser esvaziado se tivesse sido precedido de um debate técnico e desapaixonado sobre a pertinência ou não do voto impresso, depois da qual o Brasil poderia chegar inclusive à conclusão de que do jeito que está, está bom.
Mas isso exigiria uma discussão com base na razão e nisso parece que nem bolsonaristas nem anti-bolsonaristas estão muito interessados.
____________________ * Sociólogo diz que morte de Ecko não freia milícias: 'têm poder na União'
Colaboração para o UOL
21/06/2021 11h38
Atualizada em 21/06/2021 13h50
A morte de Ecko, que era chefe da maior milícia do Rio de Janeiro, foi anunciada pelo governo estadual como uma grande vitória. Mas especialistas que participaram hoje do UOL Debate explicaram que isso está longe de resolver os problemas ligados a esse tema. O sociólogo José Cláudio Souza Alves afirmou que as milícias têm poder dentro da União e do Congresso, então não é a morte de Ecko que vai acabar com toda estrutura.
"A milícia tem uma dimensão econômica, urbana e sobretudo política, favorecendo uma estrutura poderosa. Não é um cara morto por ação policial que vai frear uma estrutura de cinco décadas, com poder na União e no Senado. Isso é uma estrutura muito consolidada. Para mudar isso tem que fazer ações muito mais fortes. Estamos patinando", analisou Alves.
Segundo ele, existe até um interesse eleitoral na morte de Ecko. Na visão do sociólogo, ele foi morto agora para aumentar os conflitos entre policiais e traficantes, o que reforço o discurso de "bandido bom é bandido morto", o que é interessante para muitos políticos durante as eleições.

Contabilidade de Ecko, chefe de milícia morto no RJ, traz mais de cem fuzis
"Sempre souberam onde o Ecko estava. Decidiram matar agora porque é um cronograma de agenda política. Você mata agora, abre disputa interna, com novos arranjos econômicos e vê quem vai pagar mais já visando o ano eleitoral. Abre instabilidade na milícia com Comando Vermelho. Amplia a tensão e, com isso, fortalece a lógica do extermínio praticada no Rio de Janeiro. Isso vai fortalecer o discurso de 'bandido bom é bandido morto'. Isso é discurso político para 2022", apontou.
Daniel Hirata, também sociólogo, reforçou essa visão no debate. Ele explicou que as milícias se sustentam com base em atividades ilegais de diversas áreas - roubos, contrabando e transporte alternativo, por exemplo -, controle de atividades legais - dos setores de imobiliária, água e luz, por exemplo - e também pelo poder político.
"Há uma rede de sustentação política da milícia, que vai se associar a políticos nos 3 níveis de poderes que temos. A morte de Ecko é a morte de alguém que organizava, mas há uma rede miliciana muito mais extensa, sobre a qual deveríamos nos deter muito mais para entender as milícias", explicou Hirata.
A jornalista Cecília Oliveira também participou do debate e explicou que o poder de Ecko não vai acabar - apenas passará para outro chefe, que ainda não foi definido.
"O Ecko é só mais uma peça nesse tabuleiro. Com a morte dele, tem duas opções. Uma opção de a milícia que ele dominava ir para mãos do Tandera, que era seu sucessor natural até ano passado, quando eles romperam. E há possibilidade que fique com a família do Ecko. Mas um irmão dele está preso. Então Tandera sai na frente porque está livre, tem conhecimento dos negócios e sabe como Ecko trabalhava. É mais fácil ele sentar nesse trono que está temporariamente vago", disse Cecília.
Sobre possíveis soluções para o enfrentamento das milícias, os sociólogos apresentaram diversas propostas, mas ressaltaram que nada está sendo feito na prática. Cecília indicou que é importante "seguir o dinheiro" e aumentar a fiscalização das condutas dos policiais - exatamente o contrário do que foi feito recentemente.
"Precisa ver o controle financeiro. Siga o dinheiro. Boa parte dos milicianos está na folha de pagamento do Estado, então seria mais fácil. Mas não podemos deixar de citar o enfraquecimento da fiscalização da má conduta policial, depois do fim do grupo que fiscalizava isso no Ministério Público. Só depois de muita pressão, o Ministério Público recriou um grupo similar temporário. Mas esse grupo de investigação precisa ser reforçado, não enfraquecido", opinou a jornalista.
Já o sociólogo José Cláudio Souza Alves apontou que os conflitos dentro das comunidades, que são vistos como solução por alguns políticos, deviam ser interrompidos e substituídos por ações mais educativas.
"Você não disputa jovens do Jacarezinho dando tiro e matando 28 pessoas. Disputa dando emprego, possibilidades de educação, cultura, dando acesso à saúde e construindo políticas de ação social", destacou Alves, lembrando da operação militar que resultou em mortes na favela do Jacarezinho.
____________________ * De olho nas promoções da Amazon? Cuidado com milhares de links falsos

Nicole D'Almeida
Colaboração para Tilt
21/06/2021 12h54
Atualizada em 21/06/2021 13h20
Entre os dias 21 e 22 de junho, rola o Prime Day, evento em que a varejista Amazon oferece descontos e ofertas para assinantes do Amazon Prime, serviço de assinatura que dá direito a entregas grátis, por exemplo). De olho no aumento da procura pelas promoções, os cibercriminosos criaram uma estratégia para enganar clientes: direcionando-os para páginas falsas.
As falsificações de domínios têm como objetivo roubar dinheiro e/ou dados sensíveis dos usuários. Com esses registros semelhantes, os golpistas redirecionam os consumidores mais distraídos para sites com malware ou que incitam o fornecimento de informações pessoais.
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De acordo com a Check Point Research (CPR), empresa de segurança online, 46% dos novos domínios registrados com a palavra "Amazon" detectados por ela são maliciosos: 32% dos que usam a palavra "Amazon" são suspeitos e 32% dos links que utilizam "Amazon Prime" são falsos.
No último mês, foram registrados mais de 2.303 domínios relacionados à empresa, representando um aumento de 10% em relação à edição de 2020 (com 2.137 registros).
Dependendo do golpe, os cibercriminosos, se escondendo atrás da marca Amazon, encaminham emails para os compradores do Prime Day, levando-os a clicar em algum link malicioso ou respondendo com algum dado pessoal.
Como funcionam alguns dos golpes já detectados
- Roubo de identidade do "Atendimento ao Cliente" da Amazon
Neste caso, um email de phishing foi enviado ao comprador. Nele o cibercriminoso se passa pelo "Serviço de Atendimento ao Cliente" da Amazon e convida o destinatário a verificar a sua conta. O link, na verdade, é malicioso e tem como intuito obter informações pessoais.

- Site falso da Amazon no Japão
Um outro golpe identificado pelos pesquisadores da Check Point Research consiste em um site imitando a página oficial da Amazon no Japão. Outra forma de cibercriminosos conseguirem dados sensíveis de consumidores, além de dinheiro.

Como não cair no golpe?
Aqui vão algumas dicas de segurança para você não cair em golpes relacionados ao Prime Day.
- Se vir uma promoção boa, cheque diretamente no site da Amazon para ver se ela é real;
- Preste atenção aos erros ortográficos presentes no domínio, como por exemplo, ".co" ao invés de ".com";
- Procure pelo certificado de segurança da página. Só compre em sites que contenham um certificado de segurança SSL (indicado por um cadeado perto do endereço) ou o protocolo https (quando a página tem url com formato "https://");
- Compartilhe apenas informações que forem extremamente necessárias. As compras online exigem o compartilhamento de alguns dados, entretanto, preste atenção ao que está sendo pedido e desconfie. Nenhum varejista de compras online precisa do seu aniversário ou número de identidade para fazer a transação;
- Use sempre senhas fortes. Uma dica: combine pelo menos oito caracteres de letras, números e símbolos;
- Evite usar redes públicas, ou seja, redes de Wi-Fi públicas ou que você não sabe a quem pertence. Essas redes podem não são protegidas, facilitando golpes;
- Desconfie das boas ofertas. Se a promoção está muito boa, desconfie. Sempre leve em conta o valor do desconto, o produto em promoção e a data de lançamento. Além disso, atente-se para o tempo de desconto. Em caso de ciberataques, ele costuma ser limitado;
- Prefira usar cartões de crédito. Os cartões de débito estão vinculados às contas bancárias, o que faz com que a probabilidade de os cibercriminosos terem acesso aos dados seja muito maior.
____________________ * Pelo direito de existir: Ao pedir direito à morte assistida, Neon Cunha entrou para história e mudou a vida de mulheres trans do Brasil
Pelo direito de existir
"Uma vez que as pessoas fazem questão de reafirmar quando é que você transicionou, colocam para a gente a pauta da transição, eu coloco sempre que é sobre percebimento. A transição é secundária quando você percebe que é a sua condição e quem é você no gênero. Então nas minhas palavras Neon Cunha é uma mulher negra, ameríndia e transgênera, na ordem de percebimento e de importância. Sou uma mulher de 51 anos tentando entender o que foi reservado para mim no mundo.
A minha mãe demorou para me dizer, mas ela sempre quis ter uma filha e hoje diz que fiz jus ao desejo dela, que foi atendida. É um processo muito importante para mim porque também tem a dor de uma outra mulher.
Fiz também o pedido de morte assistida com 44 anos porque eu não tinha mais nada a ganhar ou a perder. É muito pesado ter que ficar o tempo todo implorando e mendigando por respeitabilidade e eu falei 'não vou esperar mais para ser reconhecida como mulher'.
Foi um processo importante porque trouxe além do autorreconhecimento, o uso da constituição e uma sentença que passou a ser citada em outros processos pela nossa luta.
Eu estava pronta mesmo. Já tinha morrido tantas outras vezes [por ter os direitos negados] e eram tão próximas e violentas as mortes das minhas iguais. Eu me recusava a ser diagnosticada com uma patologia. Aí me tornei Neon Cunha."
Existência interseccional
A trajetória de Neon é marcada por diferentes tipos de preconceito desde a sua infância: racismo, LGBTfobia, preconceito social, marcado por uma percepção da pobreza, e a ausência de uma sensação de pertencimento. "Eu nasci em Belo Horizonte e com uns dois anos me mudei para São Bernardo do Campo. Eu não tenho pertencimento em nenhum dos dois lugares. Fico procurando esse lugar de pertencimento como qualquer pessoa trans", diz.
Também muito cedo se entendeu como mulher e o papel que arbitrariamente é imposto a elas por uma sociedade machista e patriarcal. "Eu passei a participar da manutenção da casa muito cedo. Limpar fralda, lavar a louça e cuidar de uma série de coisas que eu entendia tranquilamente como lugar perfeito de uma mulher. O papel feminino na casa, né?".
Na escola primária começam as primeiras violências pela LGBTfobia. Com quatro para cinco anos, Neon recorda que por assim se identificar, estava sempre com as meninas, e que era muito acolhida pela professora Lucia, a qual se recorda com carinho. Mas, também foi nesse período que começaram as primeiras repressões. Na sequência, veio o racismo e a percepção da pobreza.
Apaixonada por leitura e pelos livros escolares, Neon não tinha condições de adquirir os livros e, por isso, tinha que copiar a matéria e exercícios dos livros de colegas.
Quando nasci tudo mudou, o céu ficou rosa, meio alaranjado e minha mãe diz que sabia que vinha algo diferente. A gente é muito apaixonada uma pela outra, que também foi um direito a afetividade que nós elaboramos. Aquela mulher para mim sempre foi gigante, ela sempre foi maior que tudo
Neon Cunha

Olheira e contato com mulheres trans
O contato com as primeiras mulheres trans aconteceu em 1982, em um período em que já era obrigada a estudar no período noturno, desde os 12 anos, para poder trabalhar na prefeitura de São Bernardo do Campo, onde está até hoje.
Neon estava no centro da cidade e seu olhar encontrou Gracie, uma mulher que vivia na praça. Pouco tempo depois, aos 14 anos, com um amigo chamado Alexandre, que é definido como "precoce em tudo", passou a frequentar a noite paulistana e teve contato com outras mulheres trans.
Os contatos, conta ela, aconteciam na Praça da República, tradicional ponto de prostituição de São Paulo, e, ao mesmo tempo que houve acolhimento, também houve o que ela define como utilitarismo.
"Eu não me drogava então era uma vigia para elas, mas também era a mais nova. Era adolescente e também 'limpa' [não tinha HIV], então elas me negociavam, principalmente com policiais. Era a mais nova, a mais pura e sem doença. Mas também me aconselharam não abrir mão do emprego e agradecer por frequentar a escola, diziam que ali não seria ninguém além de uma prostituta", recorda.
Foi uma sensação de pertencimento no submundo, e também de fascínio. Todas tinham pênis e sabiam porque estavam ali. Também me ensinaram a fingir passar mal, porque os policiais não podiam ter alguém com um infarto ali
Neon Cunha

Entrando para a história
Por sempre ter se visto e reconhecido como mulher, Neon conta que não houve um exato momento de "assumir a transição". Apenas percebeu que não era mais possível viver daquele jeito. "Vamos colocar o peito? Vamos. Foi o momento em que eu percebi que era impossível não ser mais eu".
Neon não imaginava que com essa virada de chave interna mudaria a realidade de todas as pessoas transgênero no Brasil - e para melhor. O impacto da luta de Neon está diretamente ligado ao direito de ser, existir, e ter nome e gênero legalmente reconhecidos sem a necessidade de um processo judicial.
Quando decidiu retificar seus documentos em 2014, ela enfrentou uma longa batalha e também entrou para a história. Na época, pessoas trans precisavam obrigatoriamente receber laudo médico que atestasse que eram de fato transgênero. Após ver seu direito de ser e de existir serem negados pelo estado brasileiro, entrou com um pedido de morte assistida à OEA (Organização dos Estados Americanos) caso seu gênero e sua identidade não fossem reconhecidos. Neon também foi a primeira mulher trans a falar no local.
"Imagina limitar no limite do limite do limite a vida de uma pessoa. Eu acreditava na possibilidade de morte assistida e não tinha nada a ganhar ou perder. Já tinha até o método que eu queria, era injeção letal sem dor nenhuma".
Já tinham pessoas que haviam conseguido a retificação sem a necessidade da cirurgia de redesignação sexual, mas o que Neon queria era que não fosse necessário ter mais que confrontar o Estado para conseguir os direitos. "Após o apoio do advogado Eduardo Mazzilli esperei por um ano e decidi que não ia esperar mais porque era a decisão dos outros sobre mim".
A decisão final foi de vitória para Neon. A morte assistida não foi autorizada e, desde então, graças à jurisprudência, o processo de retificação de nome e gênero se tornou um pouco menos difícil no Brasil.

A Casa Neon Cunha
Como uma forma de reconhecimento a toda a sua luta, trajetória e importância para o movimento trans no Brasil, Neon ganhou uma homenagem ainda em vida. Em 2018, por iniciativa de Paulo Araújo, surgiu a Casa Neon Cunha. Localizada em São Bernardo do Campo, é um espaço que evidencia a contribuição social de Neon para além do direito à retificação de nome e gênero.
O espaço busca a promoção e inclusão da diversidade que vem se fortalecendo na luta pelos direitos dessa população, sobretudo de pessoas transgênero. Atualmente a casa atua principalmente no campo da segurança alimentar e na distribuição de materiais de higiene. Entre 150 e 200 pessoas são acompanhadas de acordo com a coordenadora da entidade, Symmy Larrat, que também é presidenta da ABLGBT (Associação Brasileira Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
Durante a pandemia, mais de 1 mil cestas básicas foram destinadas para a população LGBTQIA+. O próximo passo dessa luta é tentar viabilizar um espaço físico que possa acolher pessoas LGBTQIA+ que são expulsas de casa e acabam vivendo em situação de extrema vulnerabilidade.
Além disso, também há a pretensão de tomar o espaço um local de atividades culturais, cursos e formações de capacitação profissional, além de apoio psicológico e assistencial.
Como ajudar?
Quem quiser enviar doações para a Casa Neon pode fazer transferência bancária para a conta abaixo ou PIX.
Banco: Bradesco
Agência: 1844
Conta Corrente: 71301-5
CNPJ: 37.211.131/0001-28
PIX: 37.211.131/0001-28 (CNPJ)
Você precisa conhecer, por Neon Cunha

Fabiana Moraes
Mulher pernambucana é jornalista e socióloga e autora do livro "O nascimento de Joicy: Transexualidade, jornalismo e os limites entre repórter e personagem", que conta a história de transição de gênero de uma mulher. Também é professora e pesquisadora do Núcleo de Design e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (NDC/UFPE) e vencedora dos prêmios Esso, Petrobras e Embratel. (@fabi2moraes)
Imagem: Reprodução/Instagram
Dandara Rudsan
Travesti preta e defensora dos direitos humanos no Estado do Pará. É Secretária Geral do Movimento Negro de Altamira e também Coordenadora Executiva do Coletivo Amazônico LesBiTrans, o primeiro grupo de luta social no ativismo LGBTQI+ formado na Cidade de Altamira (PA). (@lesbitrans_amazonia)
Imagem: Arquivo pessoal
Symmy Larrat
Ativista, primeira mulher trans presidenta da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) e diretora da Casa Neon Cunha. Também foi coordenadora nacional LGBT no governo Dilma e coordenadora na implementação do programa Transcidadania da prefeitura de São Paulo. (@larratsymmy)
Imagem: Arquivo pessoal
Aretha Sadick
Multiartista, trans e negra que ocupa lugares e discute pautas através de suas criações. Também é atriz formada pela Escola de Teatro Martins Pena e performa como drag queen. Busca sempre trabalhar as questões de gênero, raça e sexualidade. (@arethasadick)
Imagem: Arquivo pessoal
Uma Luiza Pessoa
Artista travesti que participou da intervenção "Virada Cena Trans" em 2019, junto com outros artistas trans. Se define como uma pessoa cantadeira e poeta, que trás em sua poesia/música uma forma de enfrentamento aos obstáculos cotidianos e faz deles o maior tema e matéria-prima para sua arte. (@umalupessoa)
Imagem: Arquivo pessoal
____________________ * Opinião - Celso Rocha de Barros: Por que Bolsonaro deixou morrer 500 mil?
Hoje em dia parece claro que, além de um crime, foi um erro
Como previsto pelos especialistas, chegamos no meio milhão de brasileiros mortos por Covid-19 antes do fim do primeiro semestre. Só agora começamos a calcular quantos, dentre eles, foram mortos diretamente, documentadamente, pelas decisões de Jair Bolsonaro.
As revelações da CPI sobre os contratos de compra de vacinas, quando inseridas em modelos epidemiológicos construídos com o que já sabemos sobre a relação entre vacinação e mortandade, colocava 90 mil mortes nas costas de Bolsonaro com os números até o final de maio. Isso foi antes de sabermos que ele se recusou a comprar 43 milhões de doses do consórcio Covax Facility. Com as novas informações e os mortos de junho, mal dá para ver a marca de cem mil no retrovisor.

Desde fevereiro, quando, segundo estimativas do jornal O Estado de S. Paulo, já teria sido possível vacinar todos os idosos brasileiros se a oferta do Butantã em 2020 tivesse sido aceita por Bolsonaro, o número de brasileiros mortos dobrou.
Por que Bolsonaro fez isso? Hoje em dia parece claro que, além de um crime, foi um erro. Se Bolsonaro perder a eleição de 2022, terá sido pelas centenas de milhares, talvez pelo milhão de mortes que causou entre 2020 e 2021.
Por que, você deve estar pensando, esse idiota não comprou as vacinas? Por que este imbecil não tentou unir o país com um discurso de mobilização nacional contra a pandemia? Se tivesse feito isso, sua reeleição seria certa. Bolsonaro foi um dos poucos líderes mundiais cuja popularidade não subiu no começo da pandemia.
Bolsonaro deixou essa gente toda morrer por três motivos.
O primeiro foi ideologia: uma desconfiança populista dos especialistas, aversão ao "globalismo" da Organização Mundial de Saúde, ódio visceral dos chineses, a influência ideológica de Donald Trump e da direita radical americana, a dificuldade de encaixar problemas complexos do mundo real na retórica paranoica do bolsonarismo. É sempre bom lembrar que a primeira demonstração clara de insatisfação de Bolsonaro contra as medidas de isolamento social foi sua reação aos apelos para que cancelasse a primeira de suas manifestações golpistas de 2020.
O segundo motivo foi cálculo eleitoral. Bolsonaro temia que as medidas de contenção da pandemia derrubassem a economia e ameaçassem sua reeleição em 2022. Com sua aposta na promoção da "imunidade de rebanho", documentada em estudo dos pesquisadores Deisy Ventura, Fernando Aith e Rossana Reis, Bolsonaro esperava que os curados ficassem imunes, a economia continuasse rodando e os mortos não votassem em 2022. Se os brasileiros se mostrassem um rebanho recalcitrante, Bolsonaro lhes ofereceria a falsa esperança de cura pela cloroquina.
Quase deu certo. A popularidade de Bolsonaro sobreviveu bem à primeira onda da pandemia, e só voltou a cair porque o auxílio emergencial foi cancelado, com requintes de crueldade, na hora em que a segunda onda se formava. Mesmo assim, se a alta das commodities ajudar a economia, Bolsonaro pode testar de novo ano que vem a hipótese de que genocídio não custa voto.
Mas o terceiro motivo pelo qual Bolsonaro mandou tantos brasileiros para a morte por asfixia é o que realmente deve nos preocupar como país.
Foi porque nós deixamos.

____________________ * Amostra de duas semanas da loucura que virou o Brasil dos 500 mil mortos - Mensageiro Sideral
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O plano hoje era falar dos buracos negros supermassivos que existem no coração de cada galáxia e como eles agem como maestros, controlando a produção de estrelas em seu entorno. Mas como, diante da marca de 500 mil mortos?
Quando chegamos aos 100 mil, escrevi algo sobre responsabilidade compartilhada, nosso fracasso em comunicar adequadamente a ciência e instigar resposta coletiva responsável. Menos de um ano e 400 mil mortes depois, nada mudou. É desesperador.
Fique apenas com exemplos anedóticos do meu entorno mais imediato – histórias acumuladas em um intervalo de dez dias, coisa assim. Suspeito se tratar da média da situação em que todos estamos envoltos.
Uma parenta cava um emprego novo, ganhando menos do que no antigo, claro. Lá ninguém usa máscara. A pessoa que a treina conta casualmente que o namorado está com Covid, mas ela não pega. Três dias depois, 7 pessoas na empresa testam positivo em exame sorológico. A parenta testa negativo. Chama uma amiga para visitar, sexta-feira passada. No dia seguinte, apresenta sintomas. “Deve ter sido a friagem.” No domingo, teste de antígeno positivo. A filha, que mora com ela, pegou também. O prognóstico das duas é bom. Infelizmente, a corrente de transmissão do vírus segue intacta. Não vai tardar a atingir alguém que entre na fila dos 500 mil. Mas calma que piora.
Ao comunicar a empresa, ela recebe dos patrões um “kit Covid”, junto com uma “receita”, distribuída por Whatsapp. São oito drogas ao todo: hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D, zinco, vitamina C, azitromicina, rivaroxabana e prednisona. E um avisinho no final: faça tomografia do pulmão entre o sétimo e o décimo dia para ver como está. A única coisa sensata.
Aí a parenta conversa com outro médico. Que diz que nada daquilo funciona. Mas conversa também com um grupo de Whatsapp dos contaminados da empresa, que a essa altura já são 14. Lá estão tomando azitromicina e estão melhorando. Ela resolve tomar. (Que o futuro nos perdoe pelas bactérias superresistentes que estamos cultivando agora enquanto tentamos futilmente atacar vírus com antibióticos, sem qualquer critério.)
Enquanto isso, ouvi a história de um amigo de mais idade que teve de sair para trabalhar. Pegou o vírus. Levou para casa, sentindo-se a pior das pessoas: “destruí minha família”, conta quem esteve lá. Piorou, piorou, piorou, foi para o hospital. Intubaram. Extubaram. Intubaram de novo. Parada cardíaca. Morreu. Uma morte sem sentido, uma família sem chão, em meio à nuvem do negacionismo.
Outro parente, semana passada, contou que a namorada testou positivo para Covid. Ele já havia tomado as duas doses da Coronavac. Segue assintomático. A vacina chegou a tempo para ele e teve quem o convencesse a tomá-la. Teve a dupla sorte que muitos não tiveram. E assim seguimos. Nada muda, exceto os “placares”.
Esta coluna é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.
____________________ * Marginais no poder? Como atores nas franjas do sistema tornam-se protagonistas em democracias
Como partidos (movimentos) nas franjas do sistema político tornam-se atores centrais? Na atual onda populista, a tendência é acompanhada de um processo de destruição criadora pela qual agremiações longevas são eclipsadas pelos novos entrantes. Veja, entre outros, a Front National (agora RN) e o virtual desaparecimento do PS francês; os Verdes e o declínio do SPD alemão; ou o M5S ou Lega na Itália, após o colapso de seu sistema partidário.
Esses partidos comportam-se inicialmente como startups monotemáticas focando as migrações, União Europeia, e meio ambiente que são ortogonais à dimensão redistributiva que vertebra o sistema político durante décadas, ancorada em questões como distribuição de renda e emprego. Na Europa, foram criados 110 partidos deste tipo entre 1960 e 2010, e muitos surgiram depois. Em 18 países, 25% deles ultrapassaram o limiar de 5% do eleitorado.
Eles tornam-se competitivos porque introduzem novas dimensões da competição política em conjunturas críticas após choques, como mostram De Vries e Holbot; os partidos dominantes reagem aos novos temas absorvendo-os ou rechaçando-os. Muitos falham. Os principais perdedores têm sido os partidos socialistas e social-democratas. O choque da dupla crise econômica e migratória a partir de 2010 foi o divisor de águas.
Os principais ganhadores foram os partidos radicais à direita e à esquerda, embora sua taxa de sobrevivência seja baixa: a grande maioria malogra. Mas são considerados tóxicos pelos partidos estabelecidos e só raramente logram participar de coalizões de governo (caso de Salvini hoje). A falta de experiência no poder e ausência de quadros explica o desempenho pífio quando chegam lá.
Na América Latina, o choque chegou na forma de fim do boom de commodities e da exposição brutal da corrupção. Os casos do Peru e do Brasil são extremos (há aqui também um elo comum: a Odebrecht). A corrupção torna-se a nova dimensão estruturante da disputa política juntamente com segurança pública e costumes, que deslocou a dimensão redistributiva que vertebrara a disputa política por décadas. O colapso de sistema partidário pouco institucionalizado (Brasil) ou quase inexistente (Peru) baixou o sarrafo para a entrada de outsiders.
A devastação causada pela pandemia trouxe de volta às questões redistributivas, mas surge uma nova dimensão: democracia x autoritarismo. A disputa torna-se trágica e multidimensional: redistribuição, democracia, corrupção. No Peru, a corrupção avassaladora sob Fujimori foi o foco de Castillo, do partido marxista-leninista-mariateguista Peru Libre, deslocando o tema da ameaça autoritária que também lhe afetava frontalmente.
____________________ * Ronaldo Lemos: BitClout é genial e demoníaco * Site que funde redes sociais e criptomoedas é uma distopia totalmente nova
Há um abalo sísmico acontecendo na internet. Seu nome é BitClout e consiste na fusão entre as redes sociais e as criptomoedas.
Na superfície, o BitClout funciona como o Twitter. Os usuários postam textos curtos, com links, vídeos e imagens. No entanto o buraco é muito mais profundo. Todo e qualquer usuário do BitClout transforma-se em uma criptomoeda única.
Por exemplo, na semana passada criei meu perfil no BitClout. Com isso, qualquer pessoa pode investir dinheiro comprando ou vendendo as criptomoedas do meu perfil, apostando assim se a minha influência vai subir ou descer (a palavra “clout” significa justamente influência).

Só para deixar claro, não faça isso. Guarde seu dinheiro para outras coisas. Inclusive para investir em você mesmo se você entrar no BitClout. Se você achar que vai bombar no Bitclout, pode comprar moedas de si mesmo e apostar que elas irão se valorizar. Assim você “monetiza” a sua própria influência.
A ideia do Bitclout é ao mesmo tempo demoníaca e genial. O site conjurou o que existe de mais perverso ao transformar cada pessoa em um produto a ser comercializado na hora. É como se todos os usuários que entram no BitClout estivessem fazendo uma oferta pública de si mesmos.
Outro aspecto demoníaco é que no site já estão os perfis da maioria dos influenciadores, que nem sequer se inscreveram. Mesmo não estando oficialmente lá, o mercado das suas moedas já está em ebulição.
Por exemplo, Elon Musk não se juntou ao site, mas sua moeda já vale US$ 55 mil a unidade. Como cada perfil ganha um percentual toda vez que alguém negocia sua moeda, já tem US$ 5,9 milhões à espera de Musk assim que ele assumir sua página.
Felipe Neto também não está no site, mas sua moeda está em negociação e já vale US$ 177 a unidade. Há uma “poupança” de US$ 19 mil à sua espera assim que ele se juntar.
Um efeito possível do BitClout, se a plataforma decolar, vai ser ensinar todos o seus usuários o bê-á-bá sobre criptomoedas. Por exemplo, todo o mundo que entra na plataforma ganha uma “chave-pública”, conceito hoje compreendido por poucas pessoas.
É um efeito parecido com o que o Orkut teve no Brasil. Em 2004, quando surgiu, acabou ensinado a muita gente o básico da internet, por exemplo, como fazer o upload de uma foto, postar e assim por diante. Não eram atividades óbvias à época para a maioria das pessoas, assim como não é hoje lidar com criptomoedas.
Por fim, o BitClout tem sua própria criptomoeda nativa. Para investir em qualquer perfil, é preciso primeiro comprar BitClouts e então usá-los para investir nos perfis individuais. Esse é outro aspecto demoníaco do site. No dia em que este artigo foi escrito, um BitClout custava US$ 177.
Em síntese, o site é uma forma de remunerar os usuários por sua influência. Mais do que isso, é um portal para uma distopia totalmente nova. Se vai dar certo, não sei. Se coisas boas ou ruins virão de lá, também não.
Reader
Já era Não ter nenhuma remuneração como criador de conteúdo online
Já é Serviços de assinatura como OnlyFans e Substack para remunerar criadores com assinaturas
Já vem Remunerar criadores de conteúdo com criptomoedas e outros tipos de token
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____________________ * [[▪︎]] Monstro está solto, mas o impeachment de Bolsonaro depende do imponderável
____________________ * Anitta relaciona 500 mil mortes a Bolsonaro e fãs apontam indireta a Ivete
Colaboração para o UOL, em São Paulo
21/06/2021 12h10
Atualizada em 21/06/2021 13h20
No início desta manhã, Anitta se pronunciou sobre a marca de 500 mil mortos por covid-19 no Brasil. A cantora relacionou o número ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pediu sua saída da presidência.
"500 mil mortes... é sobre FORA BOLSONARO sim! A favor da democracia, da economia, da saúde, da educação, do senso coletivo", escreveu Anitta.

O influenciador Felipe Neto foi mais um que relacionou o post de Anitta ao comentário de Ivete, e concordou com a primeira.
Desculpa Ivete, sua música continua no meu coração, mas o quanto eu já te amei como ídola, infelizmente foi interrompido pelo seu 'emcimadomurismo'. Anitta mandou o papo. É sobre política e partidos SIM. É sobre Fora Bolsonaro SIM. Sei que um dia você vai perceber...
Ataques
Poucos minutos após o post, Anitta tuitou que estava sendo atacada por bolsonaristas, que citaram a tatuagem no ânus feita por ela.
Lá vem os 'bolsonarers' (sim, o presidente tem um fã clube) me "atacarem" com um grandessíssimo insulto mandando eu retocar a tatuagem do meu c*... Ainda não desbotou? Quando desbotar eu retoco porque é linda (duvido que os machão não iam adorar). Até porque, o cara tá empurrando no c* de vocês sem pena e vocês ainda vão pra rua de motoca pedir mais.
Em resposta ao jornalista Marlon Farias, a cantora ainda revelou que corre o risco de perder parcerias ao se posicionar, mas que a prioridade não é "seu bolso".
Outros famosos se posicionaram
Além de Anitta e Felipe Neto, Bruno Gagliasso e Daniela Mercury também relacionaram à marca ao governo federal e pediram Fora Bolsonaro.
500 mil brasileiros mortos é sobre um basta na política de morte que nos impuseram. É sobre um freio no negacionismo que nos tirou a vacinação em tempo recorde. É sobre FORA BOLSONARO e seus asseclas incompetentes. Bruno Gagliasso
"Não há como isentar o governo federal da responsabilidade. O governo federal descumpriu a obrigação de elaborar e executar, de modo eficiente, um plano nacional contra a covid", escreveu Daniela Mercury, que acrescentou uma hashtag referente às 500 mil mortes.
____________________ * Por que pessoas que tomaram duas doses da vacina pegam covid e até morrem?
Gustavo Cabral
Colunista do VivaBem
21/06/2021 13h53
O Brasil atingiu, no último sábado (19), a triste marca de 500 mil mortes provocadas pelo coronavírus. Enquanto o número de contaminados e óbitos em nosso país volta a subir, vemos que outras nações que estão com a vacinação avançada começam a retomar a "vida normal". Isso ajuda a deixar claro o quanto a vacinação em massa é essencial para conseguirmos controlar a covid-19.
Mesmo assim, alguns ainda têm dúvidas sobre a eficácia e segurança dos imunizantes. Esses indivíduos muitas vezes são influenciados por notícias falsas que circulam nas redes sociais ou até mesmo por "conversas entre vizinhos". Uma questão que tenho recebido bastante é: "Se as vacinas funcionam, por que tem gente adoecendo e até morrendo após tomar a segunda dose?".
Para compreender melhor isso, primeiramente é preciso entender que as vacinas disponíveis atualmente no Brasil que exigem duas doses (CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer) conferem a maior proteção contra a covid-19 cerca de 14 a 20 dias depois da aplicação da segunda dose. Ou seja, se a pessoa "pegou o coronavírus" antes desse tempo, a resposta para a dúvida está aí: ela ainda não estava totalmente imunizada.
"Ah, Gustavo, mas tem gente ficando doente mais de 20 dias após tomar a segunda dose da vacina..." Sim, tem. E a explicação para isso também é simples. Nenhuma vacina protege 100% —e isso vale também para outras vacinas, não só a contra a covid-19. Como já expliquei, as imunizações contra a covid-19 não evitam que a pessoa contraia o coronavírus mas, sim, protegem que ela desenvolva casos graves de covid, que exigem hospitalização e causam mortes.
Para quem acha que não precisa se vacinar pois a imunização não protege contra o vírus, vamos falar o português bem claro. A vacina não impede que você pegue o vírus, mas protege você da morte e/ou de um sofrimento absurdo, que pode fazer com que você precise de um tratamento intensivo, na UTI, e de intubação.
Nunca é demais lembrar que a pessoa vacina pode contrair e transmitir o coronavírus para outras pessoas. Dessa forma, aquela maluquice que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) propôs semana passada, para que as pessoas vacinadas ou que já tenham sido infectadas não precisem usar máscara, não merece ter ouvidos, mas sim repúdio.
Por que pessoas vacinadas estão morrendo?
"Ah, Gustavo. Você diz que a vacina evita que a pessoa tenha covid grave e morra, mas eu li que tem gente morrendo mesmo após tomar as duas doses. E agora, doutor, como explicar isso?"
Quando alguém falar isso para você desmerecendo a vacina, a primeira coisa que você deve fazer é desconfiar dessa pessoa, pois alguém que tenta tirar a credibilidade da melhor arma para a prevenção e combate a doenças infecciosas, que é a vacina, não merece a menor atenção. Porém, o problema que esse tipo de indivíduo causa muitos danos social, pois gera medo nas pessoas e prejudica o progresso da vacinação.
Realmente, pessoas podem morrer mesmo após tomar as duas doses de uma vacina. Mas isso não diminui a eficácia e segurança da imunização e precisamos avaliar individualmente o que levou a essa fatalidade. Qual era a idade dessa pessoa que morreu? Ela tinha alguma deficiência imunológica ou doença crônica que aumenta o risco de morte precoce ou de morte por outras patologias? Essa pessoa buscou atendimento médico rapidamente quando a covid-19 começou a se agravar?
Tenha em mente que há muitos, muitos fatores mesmo que precisam ser analisados para compreender por que essa pessoa morreu. Não dá para simplesmente "culpar a vacina". A vacina é a principal arma para nos proteger das formas graves da covid-19, mas não dispensa outros cuidados.
Confie na vacina e tenha em mente que, para sairmos dessa crise sanitária terrível não podemos pensar apenas individualmente. A pandemia é um problema coletivo, combatido por uma vacinação que também precisa ser coletiva. Ou todos se imunizam o quanto antes para controlarmos a covid-19, ou ninguém terá paz tão cedo e essa doença continuará trazendo tristeza para muitas famílias.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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