___________________________________ * MINERAÇÃO e GARIMPO disputam área MAIOR do que a BÉLGICA dentro da Terra Indígena YANOMAMI ___________________________________ * A TEIA BOLSONARISTA nos PORÕES da internet

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____________________ * Para que serve e como limpar a CERA de OUVIDO 

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____________________ * Mineração e garimpo disputam área maior do que a Bélgica dentro da Terra Indígena Yanomami

Sobrevoo regista áreas de garimpos ilegais dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, em abril de 2021.
Sobrevoo regista áreas de garimpos ilegais dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, em abril de 2021.CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE

Tiros de fuzil, bombas de gás, ameaças. Indígenas da terra Yanomami, um imenso território no coração da Amazônia, passaram o último mês sob ataque de garimpeiros. Desde 10 de maio, quando sete embarcações abriram fogo contra dezenas de indígenas sentados à beira do rio Uraricoera, nenhuma semana se passou sem que novas ameaças fossem registradas. A mais recente foi em 17 de junho, quando garimpeiros afundaram uma canoa com crianças a bordo, que precisaram nadar para se salvar do ataque.

Informações coletadas pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), dão conta de 43 pontos de garimpo ativos no rio Uraricoera, que nasce perto da fronteira com a Venezuela e chega quase até Boa Vista, capital de Roraima, tendo a aldeia de Palimiú como uma espécie de centro geográfico. A comunidade se transformou no epicentro da guerra com o garimpo ilegal depois que seus habitantes decidiram interceptar a rota fluvial de abastecimento dos acampamentos.

Agora, dados do Amazônia Minada, projeto do InfoAmazonia que monitora requerimentos de mineração em áreas protegidas da Amazônia, revelam uma outra camada desse conflito. A TI Yanomami, um vasto território de quase 10 milhões de hectares divididos entre Amazonas e Roraima, é a terra indígena brasileira com maior área formalmente requisitada para mineração. São cerca de 3,3 milhões de hectares (34,3% da área total da TI) requeridos para extração mineral em 500 pedidos registrados na Agência Nacional de Mineração (ANM) —uma extensão territorial maior do que a Bélgica (3 mi ha) ou que o estado de Alagoas (2,7 mi ha) em disputa com mineradores. Quase um terço de todos esses pedidos registrados buscam por ouro.

Canoa transportando insumos para o garimpo pelo rio Uraricoera, em registro de abril de 2021. Relatório da Hutukara estima em pelo menos 50 o número de embarcações circulando
diariamente no rio para abastecer o garimpo local.
Canoa transportando insumos para o garimpo pelo rio Uraricoera, em registro de abril de 2021. Relatório da Hutukara estima em pelo menos 50 o número de embarcações circulando diariamente no rio para abastecer o garimpo local.CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE

Palimiú está cercada por requerimentos e o próprio rio Uraricoera, de onde os garimpeiros atacam, está inteiramente tomado por protocolos de mineração registrados na Agência Nacional de Mineração.

A cobiça sobre o subsolo da TI Yanomami é tanta que a área desse território requerida para mineração supera até mesmo o volume somado de todos os demais pedidos de extração mineral incidentes sobre terras indígenas. Isso quer dizer que não há outra região no país sob disputa tão intensa com esse segmento.

São solicitações que não podem prosperar porque ainda não há no Brasil uma lei que autorize a exploração mineral em terras indígenas. Apesar disso, elas permanecem intocadas, na expectativa de uma mudança legislativa, que cresceu com a chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2019.

“O presidente já falou que iria lutar pela liberação da mineração nos territórios demarcados. Ele também apoia o garimpo, por isso que os garimpeiros têm avião, combustível, maquinários, armas muito pesadas”, critica Dário Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, que representa publicamente a etnia em ações judiciais ou no contato direto com órgãos públicos, por exemplo.

Garimpo e mineração, heranças da ditadura

A intensidade dos ataques neste último mês exige dos Yanomami uma mobilização especial. Sem medidas efetivas das autoridades, os indígenas decidiram monitorar seu território por conta própria, para prevenir novas investidas. “Nosso povo sabe se proteger em uma guerra e agora é isso que estamos fazendo. Sabemos onde o inimigo está”, revela a liderança. No último dia 14, o Ministério da Justiça autorizou o uso da Força Nacional para conter o conflito na região, mas até a conclusão desta reportagem nenhuma ação havia sido tomada.

A experiência desses indígenas na guerra contra o garimpo, entretanto, é longa. Começou nos anos 1970, quando a ditadura militar lançou o primeiro mapeamento mineral da região, o projeto Radam, que em pouco tempo atraiu pelo menos 500 garimpeiros para o território, ainda não reconhecido formalmente pelo país como terra indígena (o que só veio a acontecer em 1992). No auge dessa corrida pelas riquezas do subsolo, a região chegou a ter 40.000 garimpeiros — quase o dobro da população indígena atual. “Isso é um problema antigo, na década de 80, quando eu era criança, quem enfrentava os 40.000 garimpeiros que estavam aqui era o meu pai”, recorda Dário, herdeiro de Davi Kopenawa, xamã e porta-voz desse povo por décadas.

Foi esse mapeamento mineral promovido pela ditadura que despertou a cobiça pelo subsolo amazônico. Mais tarde, em 1986, uma pista de pouso aberta pelo Ministério da Aeronáutica foi o elemento que faltava para o boom de ilegalidades na área —ela fornecia acesso direto a 50 garimpos no interior da floresta, segundo registra o geógrafo Estevão Senra em sua tese de doutorado, defendida em janeiro na Universidade Nacional de Brasília (UnB). Senra é consultor da Hutukara e monitora as áreas abertas pelo garimpo na TI.

Os requerimentos minerários na TI Yanomami ativos na ANM são um testemunho da influência dos generais sobre a floresta: quase 70% dos pedidos dentro do território são anteriores à Constituição de 1988, marco inicial da era democrática recente brasileira.

“O projeto de colonização da Amazônia implementado na ditadura, de instalação de infraestrutura com vistas ao desenvolvimento, foi o que produziu as condições que a gente observa hoje. Antes havia alguns garimpos de diamante no entorno do Monte Roraima, mas foi o Radam que lançou a ideia de que Amazônia era uma província minerária”, observa Senra.

Agora, essa visão está mais viva do que nunca no discurso de Bolsonaro. Uma visita recente do presidente ao Amazonas marcou sua primeira incursão em uma terra indígena brasileira —mas foi interpretada como ato de apoio aos ilegais, embora na ocasião Bolsonaro tenha prometido respeitar a vontade dos indígenas sobre a exploração econômica de seus territórios. Além disso, a recente nomeação do militar da reserva Leandro Silva Peixoto da Costa como coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami Ye’Kuana da Funai reacende a memória de um passado que os Yanomami não querem esquecer, mas lutam para superar.

“Nossos territórios foram invadidos pela ditadura militar e hoje isso tudo está se repetindo”, lamenta Kopenawa. “A estratégia de Bolsonaro é a mesma de governos passados, é a lógica do pensamento do europeu que chegou, tomou a terra, extraiu minérios. Isso infelizmente continua”, conclui.

Atividade traz morte e violência aos indígenas

A ação da ditadura trouxe consequências brutais: segundo estimativas do Ministério da Saúde compiladas por Estevão Senra em sua pesquisa, entre 1987 e 1990, 14% da população Yanomami em Roraima morreu por conta de doenças associadas à invasão garimpeira. “Da mesma forma, a destruição do leito dos rios e a sua contaminação por mercúrio, óleo diesel e outros resíduos causaram danos significativos aos ecossistemas locais, impossibilitando os Yanomami de usufruir de numerosos recursos imprescindíveis para o seu sistema produtivo”, acrescenta o geógrafo.

Agora, um relatório publicado pela Hutukara em março deste ano apontou que o rio Uraricoera concentra mais da metade (52%) de toda a área degradada pelo garimpo, identificada por sensoriamento remoto na terra indígena. A devastação da mineração ilegal, que já havia crescido 30% em 2020, segue avançando: já são mais de 2.430 hectares destruídos na reserva pelas mãos de garimpeiros. As crateras produzidas na floresta pela atividade ilegal fez os pesquisadores do Instituto Socioambiental compararem o cenário à imagem de Serra Pelada, maior garimpo a céu aberto no mundo. As lideranças indígenas estimam que há hoje mais de 20.000 garimpeiros ilegais trabalhando em seu território —é quase o tamanho da população Yanomami inteira dentro da TI.

Acampamento em área de garimpo no rio Uraricoera, em abril de 2021.
Acampamento em área de garimpo no rio Uraricoera, em abril de 2021.CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE
Restaurante que atende garimpeiros no rio Uraricoera, na TI Yanomami.
Restaurante que atende garimpeiros no rio Uraricoera, na TI Yanomami.CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE
Mineradores ilegais assolam a Terra Indígena Yanomami. Atualmente, cerca de 20 mil garimpeiros operam ilegalmente no território.
Mineradores ilegais assolam a Terra Indígena Yanomami. Atualmente, cerca de 20 mil garimpeiros operam ilegalmente no território.CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE

Desde o ano passado, explodiram os casos de malária na área e, embora sejam parte do grupo prioritário para vacinação contra a covid-19, indígenas relatam que suas injeções foram parar nos braços de garimpeiros, com doses compradas a peso de ouro. “É um crime, mas no garimpo ilegal não tem lei. Nós fomos contaminados por garimpeiros e morremos bastante”, lamenta Kopenawa, indicando que ainda há indígenas à espera do imunizante em regiões muito afastadas e de difícil acesso.

Além disso, no ano passado dois Yanomami foram assassinados por garimpeiros na região de Parima e uma adolescente indígena foi sequestrada pelos invasores em Surucucu. Os registros acenderam um alerta na comunidade, recordando o trágico episódio conhecido como massacre de Haximu, ocorrido em 1993, em que garimpeiros exterminaram 16 indígenas, incluindo crianças e idosos. Foi o primeiro caso de genocídio no Brasil reconhecido formalmente pela Justiça.

“A violência envolvendo mineração ilegal sempre aconteceu. O que está diferente hoje são as armas, que têm um potencial de letalidade muito maior: se antes os garimpeiros atiravam com espingardas, hoje eles têm fuzis”, alerta Senra.

Pedidos de mineração são ilegais

O Ministério Público Federal entende que a ANM deveria indeferir imediatamente esses pedidos porque a mineração em terras indígenas é proibida enquanto não houver lei que os autorize. Com esse argumento, o MPF do Amazonas conseguiu uma liminar no ano passado (ainda em vigor) que derrubou 75 pedidos sobrepostos à parte do território Yanomami que fica no estado. Eram 645.000 hectares da parte oeste do território demandados pela mineração.

A Constituição de 1988 determina que terras indígenas só podem ser abertas para a mineração quando uma lei específica sobre o assunto estabelecer as condições em que essa exploração deve acontecer —por exemplo, garantindo os direitos de consulta e veto às etnias atingidas e também a distribuição de royalties, segundo o impacto provocado. Muitas tentativas já foram feitas ao longo do tempo —todas sem sucesso— mas desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse, em janeiro de 2019, o apelo pela mudança cresceu, acompanhando seu discurso antipreservacionista.

Bolsonaro apresentou seu próprio projeto de legalização da mineração em áreas protegidas. “O PL 191/2020 é super complicado, envolve mineração, hidrelétricas, petróleo, gás, transgênicos. É um pacotão que vai muito além do dispositivo da Constituição e já foi elencado como prioritário pelo governo” explica explica Marcio Santilli, fundador do Instituto Socioambiental que participou dos debates na época da elaboração da carta magna brasileira e avalia a proposta como “a pior já apresentada” na história da democracia brasileira.

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) calculou que a mudança pode significar uma devastação na Amazônia do tamanho da Venezuela.

Devastação: mais de 200 hectares de floresta foram derrubados pelo garimpo na Terra Yanomami no primeiro trimestre de 2021.
Devastação: mais de 200 hectares de floresta foram derrubados pelo garimpo na Terra Yanomami no primeiro trimestre de 2021.CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE

O Planalto também tem como meta a aprovação de um PL mais antigo, de 2007, que dificulta as demarcações de terras indígenas e legaliza o garimpo.

Não à toa, os dois primeiros anos de mandato de Bolsonaro representaram um recorde no volume de pedidos de mineração sobrepostos a terras indígenas. “Na visão do povo Yanomami, a mineração em terras indígenas significa morte e violência. O governo vai acabar com o povo Yanomami”, alerta Kopenawa.

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____________________ * Pela primeira vez, Justiça condena penalmente repressor da ditadura brasileira e abre precedente histórico

Manifestação no Rio de Janeiro em 1968 contra a ditadura militar.
Manifestação no Rio de Janeiro em 1968 contra a ditadura militar.ARQUIVO NACIONAL/CORREIO DA MANHÃ

O delegado aposentado Carlos Alberto Augusto, conhecido como “Carlinhos Metralha” ou “Carteira Preta”, se tornou o primeiro réu a ser condenado criminalmente por atuar na perseguição a opositores do regime militar brasileiro (1964-1985). Sentenciado pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo a dois anos e 11 meses de prisão, Augusto foi acusado pelo Ministério Público Federal pelo crime de sequestro qualificado do ex-fuzileiro naval Edgar de Aquino Duarte, desaparecido há meio século. A condenação do ex-agente da ditadura militar e colaborador de célebres repressores e torturadores é inédita e resultado de uma denúncia feita em 2012 pelos procuradores. À diferença dos países vizinhos que também viveram governos ditatoriais no século XX, na Justiça brasileira havia até agora feito raras condenações e apenas no âmbito civil. O Judiciário, incluindo o Supremo Tribunal Federal, ainda considera válida a lei de 1979 que anistiou os crimes do regime militar, apesar dos vereditos contrários na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Em sua decisão, o magistrado Silvio César Arouck Gemaque pontuou que a responsabilidade criminal de Carlos Alberto Augusto foi comprovada ao longo do processo e que em crimes de graves violações a direitos humanos —como é o caso do sequestro de Edgar Aquino de Duarte— aplica-se o mesmo arcabouço jurídico dos crimes contra a humanidade. O juiz destacou que sua decisão não baseou-se somente em prova testemunhal, um “ouvi dizer”, mas sim em um amplo mosaico probatório que aponta para a responsabilidade de “Carlinhos Metralha”. Na sentença, Gemaque também ressaltou que a detenção de pelo menos dois anos do ex-fuzileiro Edgar de Aquino Duarte sem qualquer acusação formal, e que resultou em seu sumiço, ocorreu no contexto de um “sistema de terror” implantado pelo Estado, que “prendia sem mandado, sequestrava, torturava, desaparecia e matava pessoas por suas posições políticas”.

No processo, o MPF acusa “Carlinhos Metralha” de sequestro, tortura, execução e ocultação de cadáver. Na decisão, o magistrado afirma que o desaparecimento da vítima até os dias de hoje impede que o crime seja considerado prescrito, uma vez que segue em prática. O juiz acatou a tese do MPF de que o desaparecimento forçado de Duarte pode ser enquadrado em um contexto de ataques e perseguição política do Estado, com uma sistemática de operações repressivas que configuram crimes contra a humanidade, e portanto, imprescritíveis e insuscetíveis de anistia.

O veredito foi comemorado por procuradores, ativistas e historiadores. Em sua página oficial, o MPF informa que a maioria das mais de 50 ações penais propostas pelo órgão sobre crimes cometidos na ditadura foi rejeitada ou está paralisada em varas federais de todo o país. Na sentença, o magistrado Gemaque reiterou que o Brasil é signatário de tratados internacionais sobre o tema e já foi condenado em ações da Corte Interamericana de Direitos Humanos que o obrigam a investigar, processar e punir ex-agentes envolvidos na repressão política durante a ditadura. A sentença contra Carlos Alberto Augusto estaria em consonância com decisões sobre casos como o de Gomes Lund e Herzog feitas pela corte internacional. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, ratificou a validade da Lei da Anistia e ainda ignora essas decisões da CIDH. Em 2018, a então procuradora-geral, Raquel Dodge, pediu ao STF que reavaliasse seu posicionamento em ação pela reabertura do caso Rubens Paiva, deputado morto pelo regime também em 1971. O caso ainda não foi analisado pelo plenário. Em fevereiro deste ano, o MPF anunciou a intenção de reencaminhar o caso de Rubens Paiva para o STF.

O crime pelo qual “Carlinhos Metralha” foi condenado

Edgar de Aquino Duarte foi preso no dia 13 de junho de 1971, sem qualquer ordem judicial para embasar a ação policial. Na época, o ex-fuzileiro naval, expulso da Marinha em 1964 em decorrência do Ato Institucional nº 1, o primeiro da ditadura, trabalhava como corretor da Bolsa de Valores de São Paulo. Duarte havia deixado a militância política desde que retornara do exílio em 1968, mas entrou no radar das autoridades após ter seu nome citado, dias antes, no depoimento de José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, que estava hospedado no apartamento do ex-colega da Marinha. Preso dias antes de Duarte, o Cabo Anselmo viria a se tornar um agente infiltrado dos órgãos de repressão, sob supervisão de Carlos Alberto Augusto.

Sem qualquer acusação formal ou comunicação judicial, Duarte ficou detido por pelo menos dois anos e durante o período foi transferido sucessivamente entre o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP) —onde “Carlinhos Metralha” trabalhava e a unidade comandada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Torturador reconhecido pela Justiça e ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações do II Exército (DOI-Codi) em São Paulo, Ustra é tratado como herói por Jair Bolsonaro. Duarte foi visto por testemunhas pela última vez em junho de 1973. Sem provas ou registro de seu óbito nem informações sobre seu paradeiro, o ex-fuzileiro permanece formalmente sequestrado até hoje.

“Carlinhos Metralha” trabalhou como investigador no Deops/SP de 1970 a 1977, sob ordens de Sérgio Paranhos Fleury, outro conhecido agente da repressão. Conhecido pela truculência e espancamentos de presos, seu apelido vem do fato de que Augusto tinha o hábito de andar pelos corredores portando uma metralhadora. Além do desaparecimento de Edgar de Aquino Duarte, é acusado de envolvimento em outros casos de desaparecimentos e torturas e na participação na operação que resultou no chamado Massacre da Chácara São Bento de 1973, em Pernambuco. Na operação, seis militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram executados.

Carlos Alberto Augusto em 2016, durante protestos contra a então presidenta Dilma Rousseff
Carlos Alberto Augusto em 2016, durante protestos contra a então presidenta Dilma Rousseff FOTO: REPRODUÇÃO

Aposentado como delegado de Polícia de 1ª Classe desde 2014, recebe aposentadoria no valor bruto de 21.518,63 reais. À época do anúncio de sua jubilação, o procurador da República Andrey Borges de Mendonça, responsável pela ação que resultou em sua condenação, havia anunciado sobre a possibilidade de pedir a suspensão dos benefícios de Augusto, mesmo depois da aposentadoria. Antes disso, procuradores da República haviam tentado tirar o policial da ativa, mas o pedido havia sido negado pela Justiça e foi reiterado na sentença de Gemaque, já que o ex-delegado, de 77 anos, já encontra-se aposentado.

Além de Carlos Alberto Augusto, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e o ex-delegado Alcides Singillo também respondiam pelo sequestro de Duarte. Porém, eles deixaram de figurar como réus após falecerem em 2015 e 2019, respectivamente. O caso teve ainda a participação de outras pessoas que permaneciam não identificadas ou também já haviam falecido quando o MPF ofereceu a denúncia, entre elas o ex-delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Ativo politicamente, Carlos Alberto Augusto participou de manifestações políticas contra a então presidenta Dilma Rousseff (2011-2016). Era um crítico feroz da Comissão Nacional da Verdade que, com atraso em relação aos vizinhos, elencou as vítimas e os repressores da ditadura brasileira em documento divulgado em 2014. “Carlinhos Metralha” foi condenado em regime inicial semiaberto e poderá recorrer da decisão em liberdade.

____________________ * Preso por assédio sexual um integrante da segurança da seleção uruguaia

A seleção uruguaia e a da Argentina, durante a Copa América. / NELSON ALMEIDA / AFP
A seleção uruguaia e a da Argentina, durante a Copa América. / NELSON ALMEIDA / AFPNELSON ALMEIDA / AFP

Um segurança da delegação uruguaia que participa da Copa América foi preso nesta segunda-feira pela polícia sob a acusação de intimidar e assediar sexualmente uma funcionária da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Os fatos ocorreram na noite deste domingo, quando o suspeito, de 45 anos e cuja identidade não foi divulgada, teria assediado uma mulher de 46 anos no hotel onde a equipe uruguaia está hospedada em Cuiabá, segundo a Polícia Militar da cidade.

De acordo com o comunicado divulgado pela Polícia Militar, a mulher, uma funcionária da segurança contratada pela Conmebol, disse que por volta das 22 horas o homem a cumprimentou e logo em seguida começou a assediá-la.

Em uma das ocasiões, ele perguntou a que horas ela iria sair e quanto ganhava, lhe pediu um beijo e pôs uma nota de 10 reais no banco onde estava sentado. Ela recusou, mas ele colocou outra nota de 10 reais no bolso de seu casaco”, disse o comunicado.

A polícia disse que membros da equipe de segurança do hotel viram o que acontecia pelas câmeras de vigilância e, quando perceberam que o homem estava agarrando a mulher pelo braço, foram ao local, mas ele já tinha ido embora.

O suspeito foi intimado pelas autoridades quando estava em seu quarto e negou as denúncias da mulher. Posteriormente, foi levado para a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, onde foi multado por importunação e assédio sexual e encaminhado para uma audiência de custódia.

Diante do ocorrido, a Conmebol emitiu uma breve declaração na qual assinala que rejeita e condena “energicamente” qualquer forma de assédio sexual e que permanecerá atenta às decisões das autoridades que tratam da denúncia. “A Conmebol continuará a trabalhar por um futebol livre de discriminação, violência e assédio, e em favor do esporte como instrumento de desenvolvimento e crescimento das pessoas e da sociedade”, acrescentou.

A polêmica acompanha a Copa América. A seleção chilena quebrou os protocolos de saúde neste fim de semana. A Federação Chilena e a comissão técnica admitiram que um cabeleireiro entrou no hotel da concentração em Cuiabá e que os jogadores de futebol desrespeitaram as diretrizes na bolha sanitária a menos de 24 horas de enfrentarem o Uruguai nesta segunda-feira. Os jogadores envolvidos, cujos nomes foram omitidos, serão punidos pela sua federação e também pela Conmebol. O Brasil enfrenta uma terceira onda de contágios da covid-19 e já ultrapassou meio milhão de mortes.

____________________ * A TEIA BOLSONARISTA nos PORÕES da internet

Ministério Público do Tribunal de Contas da União pede ao Supremo compartilhamento do inquérito que levanta a ENGRENAGEM nas redes para financiar os atos ANTIDEMOCRÁTICOS. 

TENTÁCULOS passam pelos endereços da primeira-dama e assessores dos filhos do presidente Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro entre apoiadores e o filho Eduardo (à direita), em 12 de junho de 2021, durante um protesto bolsonarista em São Paulo.
O presidente Jair Bolsonaro entre apoiadores e o filho Eduardo (à direita), em 12 de junho de 2021, durante um protesto bolsonarista em São Paulo.MARCELO CHELLO / AP
Flávio Freire

A pandemia do novo coronavírus já havia fechado fronteiras de diferentes países e ganhava corpo no Brasil em maio do ano passado. O país contabilizava, à época, 100.000 casos e 7.000 mortes pela covid-19, e seguia numa progressão que já se mostrava descontrolada, sobretudo pelo descompasso das ações do Governo ao que até hoje é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na manhã do dia 3 daquele mês, um domingo ensolarado, o presidente Jair Bolsonaro devotou-se a apoiar manifestantes em frente ao Palácio do Planalto. Não usava máscara, tampouco seguia a orientação de autoridades médicas e científicas para evitar ―ou ajudar a formar― aglomeração. Diante de fiéis seguidores, disse que havia chegado ao seu limite, e que pedia a Deus para não ter problemas.

Cercado de seguranças, gravou um vídeo para a equipe responsável pelas suas redes sociais. Nele, minimizava os primeiros efeitos da pandemia, a qual, mais de um ano depois, colocaria o Brasil na lista dos países com um dos mais altos índices de mortalidade em decorrência da covid-19: “Sabemos o efeito do vírus, infelizmente muitos serão infectados e perderão suas vidas, mas é uma realidade.” O indisfarçável desdém em relação à doença, no entanto, tinha um outro propósito naquele dia.

O colérico convescote à porta da sede do Governo reunia uma trupe de homens e mulheres de camisas e faixas verde e amarela, alguns enrolados em bandeira do Brasil, não para exigir medidas sanitárias que pudessem conter o avanço da doença, mas aguerridos em campanha pela reedição do Ato Institucional 5 (AI-5) e por intervenção militar, processo inconstitucional dada a apologia contra a democracia.

Os principais alvos eram o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, após medidas contrárias ao pensamento bolsonarista. “Queremos a independência verdadeira dos três Poderes, não apenas uma letra da Constituição. Não vamos mais admitir interferência”, disse Bolsonaro, em tom peremptório se comparado à preocupação com as vítimas do coronavírus desde àquela ocasião.

Dias antes, um dos ministros do STF, Alexandre de Moraes, havia barrado o nome de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal, sob o argumento de que a nomeação representava um desvio de finalidade do Governo para interferir politicamente na PF. Ramagem é amigo dos filhos do presidente, e a tentativa de acomodá-lo no cargo levou à crise do Planalto com o ex-juiz Sergio Moro, que abandonou o barco quando percebeu que não tinha carta branca para, como ministro da Justiça, indicar sequer alguém para o maior posto da PF.

Considerados antidemocráticos, os atos realizados pelo país àquela altura eram apenas a face visível de um trabalho estrategicamente elaborado desde a campanha presidencial nos porões da internet, com ajuda de apoiadores da chamada linha de pensamento conservador que ganhou brado com a chegada de Bolsonaro ao poder. Para investigar as denúncias de mau uso das redes por parte do Governo a fim de insuflar uma faixa do eleitorado contra os Poderes constituídos, a polícia então instaurou em abril do ano passado um inquérito com a finalidade de investigar quem são os responsáveis pela atuação nas redes, quem financia e qual a relação de cada um deles com o comando do Governo federal. Revelou-se, a partir daí, uma ação coordenada entre os mais diferentes agentes, de parlamentares a empresários, passando por influenciadores digitais e donos de sites colocados sob suspeita pela PF.

Com a popularidade por vezes em xeque, o Governo era apontado como um incentivador de perfis dominados por robôs, que, com nomes e apelidos diferentes, repetiam à exaustão uma mesma crítica (muitas vezes com igual erro de português) ao STF ou a algum parlamentar na mira dos bolsonaristas. Com 1.023 páginas, o inquérito montado em oito meses de investigação revela a estreita relação de agentes públicos e apoiadores também com os filhos do presidente. Segundo o relatório, aliados ao clã Bolsonaro formavam o que foi batizado de gabinete do ódio, o que já se sabia há tempos, mas agora desvelado nas investigações com detalhes até então resguardados pela privacidade das redes sociais. Trecho do documento diz que o grupo incitava “parcela da população à subversão da ordem política ou social e à animosidade das Forças Armadas contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional”. Eduardo e Carlos Bolsonaro foram intimados na condição de testemunha para falar sobre os atos antidemocráticos. Assíduos nas redes sociais, eles fazem críticas costumeiras às medidas adotadas pelo STF e pelo Congresso contra o Governo do pai.

Nunca antes um inquérito da PF havia vasculhado tamanho volume de indícios que colocam o governante do país em situação tão desconfortável quando o assunto é a destituição do Judiciário ou do Legislativo.

As investigações se concentraram por um tempo numa figura de zerada expressão pública, mas com trânsito aparentemente livre entre Bolsonaro e seus familiares. Tido como um dos participantes do gabinete do ódioTercio Arnaud Tomaz é lotado como assessor no gabinete de vereador de Carlos Bolsonaro, no Rio, mas dava expediente no Palácio do Planalto numa sala contígua a do gabinete presidencial, no terceiro andar. Ao lado de outros assessores, Arnauld opera ou administra, segundo a polícia, perfis disseminadores de falsas informações. Há cerca de dois anos, ele foi chamado para “impulsionar” as redes bolsonaristas.

O foco das investigações em torno de Arnauld ganhou tinta quando a polícia descobriu ―e o STF decidiu divulgar ao liberar o sigilo do inquérito― que a atuação dele não se restringia aos corredores palacianos. Ex-recepcionista de hotel alçado à condição de mentor intelectual do grupo que produziria fake news, além de memes e piadas para atacar moralmente os adversários do presidente, Arnaud teve suas redes devassadas. Foram encontradas 31 pessoas vinculadas a contas operadas ou administradas por ele.

Mas foi ao quebrar o sigilo dos perfis que a polícia descobriu um elo ainda mais forte da atuação dos Bolsonaros no ambiente profundo do mundo virtual. Arnauld já havia acessado as contas Bolsonaronews e Tercio Arnaud Tomaz através da rede da primeira-dama Michelle Bolsonaro. E não foi em Brasília. “Trata-se, ao que tudo indica, do endereço residencial do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro”, segundo um dos analistas da PF que relatou no inquérito.

Todos os integrantes da família Bolsonaro negam irregularidades no uso de suas redes sociais. A polícia descobriu ainda que tais perfis administrados por Arnaud foram acessados 1.045 vezes também de computadores do Senado Federal, da Câmara, da Presidência da República e até do Comando da Brigada de Artilharia Antiaérea. “Ao que tudo indica, as contas objeto desta análise, removidas pelo Facebook de suas redes sociais, se enquadram na tipologia ‘Operações executadas por um governo para atingir seus próprios cidadãos. Isso pode ser particularmente preocupante quando combinam técnicas enganosas com o poder de um Estado’”, diz o relatório da PF.

Assessores ligados aos filhos de Bolsonaro atuam, de acordo com a investigação, em contas sem autenticação usadas para atacar opositores do Governo. Para tentar entender melhor como funciona a dinâmica dos ataques na internet, a PF foi abastecida com informações da Atlantic Council, empresa especializada em analisar comportamentos inautênticos nas redes sociais. Verificou-se, a partir daí, que três grupos ―chamados Rio, Brasília e São Bernardo do Campo― tinham atuação relevante entre os bolsonaristas.

Uma das informações obtidas através da Atlantic é que Fernando Nascimento Pessoa operava seis contas ocultas em redes sociais. Pessoa é assessor de Flávio Bolsonaro desde 2014 e investigado no caso da rachadinha à época em que trabalhava para Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O relatório destaca nomes como a ativista Sara Giromini (conhecida como Sara Winter) e o jornalista Oswaldo Eustáquio. Mais que apoiadores, ambos tinham cargo no Governo e atuavam a favor do presidente Bolsonaro enquanto recebiam salários no ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado pela religiosa Damares Alves. Sara e Eustáquio chegaram a ser presos durante a investigação, e desde então diminuíram, ao menos publicamente, suas presenças nas redes.

Foram oito meses de investigação, até dezembro, quando a Polícia Federal encaminhou o inquérito para o STF. Alexandre de Moraes, então, enviou o documento para a Procuradoria Geral da República, que, cinco meses depois, em maio deste ano, pediu o arquivamento do processo. O ministro do STF solicitou mais informações à Procuradoria, antes de decidir se daria ou não por encerrado o processo que investiga aliados do Governo. Antes, porém, Moraes liberou o sigilo de toda a investigação, resguardando apenas os documentos obtidos ao longo da apuração.

Na última quinta, a PGR reiterou ao STF pedido de arquivamento dos processos contra deputados com trânsito livre na Presidência. O vice-procurador Humberto Jacques de Medeiros afirmou: “Não se pode prolongar investigação sabidamente infrutífera”. O procurador-geral, Augusto Aras, aliado de Bolsonaro, tenta uma indicação para o STF.

A julgar pela transcrição das mensagens, fotos e cópias de documentos anexados ao inquérito, as investigações devem dar fruto. O que já era percebido nas redes sociais foi revelado com detalhes pelas investigações. Os dois primeiros anos do Governo Bolsonaro foram marcados por forte atuação de agentes da Secretaria Epecial de Comunicação (Secom) junto às chamadas redes aliadas para propagar o que era de interesse do Governo, consequentemente, contra as ações do Congresso e principalmente do STF. Foram ataques direcionados a Moraes que levaram o deputado bolsonarista Daniel Silveira à prisão, de onde saiu obrigado a usar tornozeleira eletrônica.

O inquérito mostra que o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, abraçou a causa bolsonarista e estabeleceu, em sua gestão, uma forte relação com os influenciadores digitais da direita. Segundo relatório da PF, em abril de 2019 Wajngarten assumiu o comando da Secom e tratou de se aproximar do blogueiro Allan dos Santos, dono do site Terça Livre e amigo dos filhos do presidente.

Na ocasião, mostra o documento, Wajngarten se apresentou para Allan dizendo que poderia aproximá-lo de veículos tradicionais de imprensa e que, naquela semana, já havia promovido encontros de parlamentares com a cúpula do SBT, da Band e se encontraria com “bispos da Record”. Wajngarten nega que tenha havido interesse político na aproximação. “Minha gestão sempre foi técnica e profissional. Cabe à Secom atender a todos os veículos de maneira equânime”, afirmou.

O foco da operação policial nas ações que vinham sendo tomadas por pessoas próximos ao presidente terminou por um revés no comando das investigações. A delegada Denisse Ribeiro, responsável pelo caso, foi afastada do posto duas semanas depois de pedir ao STF autorização para realizar busca e apreensão nos gabinetes da Secom e da Presidência.

O conteúdo conservador dos blogs e páginas em rede social não rendem apenas seguidores com o mesmo viés ideológico. Desde a campanha de Bolsonaro à Presidência, pelo menos 12 perfis já receberam 4 milhões de reais via monetização de suas redes de apoio ao Governo. As páginas ganham reforço financeiro também de doadores espontâneos. O relatório da PF identificou que apenas o site Terça Livre, de propriedade de Allan dos Santos, receberia 100.000 reais por mês via plataformas de crowdfunding. “Durante busca e apreensão executava na residência de Allan dos Santos foi encontrada uma planilha de doadores do canal com mais de 1.700 linhas”, diz o documento da PF.

Nesse material consta, por exemplo, a doação de 70.000 reais por parte de uma servidora do BNDES, além de outros 40.000 reais por parte de um funcionário da secretaria da Fazenda, no Rio. O engajamento de pessoas simpáticas ao ambiente conservador tem suscitado desconfiança entre os investigadores. Allan dos Santos nega irregularidades ou responsabilidade na divulgação de notícias falsas. “Resta saber se essas doações são por pura simpatia à causa ou se tem gente tendo que rachar salário para abastecer um ambiente perverso à democracia”, diz um delegado da PF de São Paulo que ajudou nas investigações ao longo do ano passado.

Diz o documento: “Segundo os dados discutidos por pessoas ligadas à gestão financeira do Terça Livre, entre 13 de abril e 2020 e 13 de maio de 2020, foram realizadas 1.581 transações, das quais 659 sem reconhecimento de identificação de CPF.” À letra da lei, transações financeiras que ocultam a identificação dos negociadores revelam, no mínimo, uma dinâmica inapropriada. No rol de aliados também ouvido pela Polícia Federal, o empresário Otavio Fakhoury aparecia até então não só como um entusiasta do Governo bolsonarista, mas um dos grandes críticos ao STF e ao Congresso, fórmula capaz de transformar em aliado qualquer amigo de primeira hora da família Bolsonaro.

Uma análise feita no celular de Fakhoury mostra sua disposição em atacar o STF quando o assunto desagrada o Governo, como aconteceu quando o ministro Luís Roberto Barroso o criticou o uso de hidroxicloroquina como medicamento para prevenir a covid-19, num tratamento precoce sem qualquer comprovação científica, mas até hoje usado como uma bandeira bolsonarista.

Numa conversa em maio de 2020, semanas depois daquele domingo ensolarado em que Bolsonaro apoiou o ato contra o STF, Fakhoury endossou as críticas da deputada Bia Kicis (PS) contra o ministro Barroso. Defensora fervorosa da atual Administração, o que lhe rendeu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara, Kicis reclamou com o empresário que Barroso estava tentando barrar o uso do remédio como tratamento precoce a covid-19. “Canalhas. Olha, vai ser muito difícil terminar esse governo sem entrar de cabeça numa guerra institucional contra eles, porque eles é que invadem o Executivo”, respondeu Fakhoury.

Dois meses antes, o empresário havia procurado Eduardo Bolsonaro para que o deputado tentasse lhe ajudar a conseguir um dial de FM para migrar a rádio que ele administra na internet. Numa das mensagens interceptadas pela polícia, o empresário dispara: “Precisamos da FM, nossa arma para a guerra política.” O empresário declarou que a expressão “guerra política” não ultrapassa o limite do debate de ideias.

Eduardo Bolsonaro, deputado federal mais votado nas eleições para a Câmara em 2018, decidiu atender prontamente ao pedido do empresário e buscou apoio do bispo RR Soares. Dia depois do encontro com o religioso, disse ao empresário que pelo menos três rádios estariam à venda, e que ele (Fakhoury) deveria tratar com os negociadores. Procurada, a assessoria de imprensa do deputado não respondeu sobre as conversas com o empresário.

Sem precedentes no Brasil, a investigação pela Polícia Federal de atos antidemocráticos revelou uma relação dissoluta do Governo com sua base fisiológica, dentro e fora do poder. Ao que tudo indica, a dinâmica adotada pelo clã Bolsonaro para blindar o Planalto já não é uma dúvida para as autoridades federais, resta saber se, quando, quanto e quem pode ter recebido recursos para jogar nas trincheiras pró-bolsonaristas.

Nesse sentido, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União decidiu pedir, na última quinta-feira, ao STF que compartilhe dados não só a respeito da organização, mas do financiamento desses atos, virtuais ou não. A ideia é entender se houve dinheiro público nesse custeio. “Chegar ao financiador nos permitirá descobrir quem está por trás da tentativa de perpetuar um governo que faz questão de acabar com instituições democráticas”, diz um senador integrante da CPI da Pandemia, que, assim como o inquérito dos atos antidemocráticos, também investiga toda a sorte de informações falsas responsáveis por prejudicar a luta contra a covid-19 no país.

____________________ * Para que serve e como limpar a cera de ouvido - BBC News Brasil

  • Série "Trust me, I'm a doctor"
  • BBC
Em foto de estúdio, mulher coloca dedo no ouvido
Legenda da foto, Nojenta? Não, a cera de ouvido é mais importante para a saúde auditiva do que parece!

Antes de chegar à parte acessível dos ouvidos, prestes a ser limpa por nós (muitas vezes da forma errada), a cera tem funções muito importantes nos nossos canais auditivos.

É algo tão relevante que a otorrinolaringologista britânica Gabriel Jessie Weston vem pesquisando justamente as melhores e piores maneiras de limpar as orelhas.

Mas antes de chegarmos às suas conclusões sobre esses cuidados, ela enumera algumas das funções da cera produzida nas glândulas internas do ouvido — como evitar que o revestimento do canais auditivos seque e rache, e blindar a região de sujeiras e de água, o que ajuda a prevenir infecções.

Conforme falamos, mastigamos e movemos nossas mandíbulas, a cera se move lentamente a partir do tímpano em direção ao orifício do ouvido, onde geralmente seca e cai.

A cera geralmente não é um problema, mas se for produzida em excesso pode causar um bloqueio, levando à dor ou até perda da audição.

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Com tantos produtos à venda prometendo remover ou limpar a cera do ouvido, Weston revela também algo que pode ser surpreendente: na maioria das vezes, nossos canais auditivos limpam-se sozinhos.

Então, que tipo de cuidados nesta área realmente são desejáveis à saúde?

Legenda da foto,

Ainda que sejam comuns para limpar cera, os cotonetes não servem para uso nos canais auditivos — segundo seus próprios fabricantes

Embora muitas pessoas usem os cotonetes para limpar os ouvidos, as fabricantes deste item não recomendam seu uso no canal auditivo.

Na melhor das hipóteses, é algo inútil: quando usamos estes utensílios, o que realmente acabamos fazendo é enfiar a cera de volta no ouvido, fazendo muitas vezes com que chegue em partes mais difíceis de serem limpas.

Mas o uso dos cotonetes, assim como dos dedos, pode gerar problemas maiores.

A cera que acaba sendo empurrada de volta para dentro do ouvido pode carregar consigo bactérias, que levam risco de infecção.

O ato também pode irritar a pele da região — fazendo com que uma pessoa toque ainda mais nessa parte, gerando um ciclo vicioso.

Em alguns casos, se o cotonete for inserido muito profundamente, existe o risco de perfuração do tímpano, causando dor repentina, sangramento e perda temporária de audição.

Legenda da foto,

Apesar de serem vendidas como solução para limpar a cera do ouvido, as velas trazem riscos

As velas de ouvido, ou cones, são vendidas como uma solução simples para quem deseja se livrar da cera.

A técnica envolve colocar uma vela longa, fina e acesa dentro de um cone e posicioná-la dentro da orelha.

Mas estudos já mostraram que as velas de ouvido não são eficazes na remoção da cera e ainda apresentam riscos como queimaduras na região e no rosto, danos ao tímpano e resquícios de cera no canal auditivo.

Legenda da foto,

Aplicação de gotas de azeite de oliva e óleo de amêndoa pode ajudar a desbloquear o canal auditivo

Existem muitos produtos à venda nas farmácias, contendo ingredientes ativos como peróxido de hidrogênio, bicarbonato de sódio e cloreto de sódio, que podem amolecer ou soltar a cera, permitindo que ela siga seu curso natural.

Elas podem ser eficazes, mas podem também causar irritação em pessoas com pele sensível.

Em vez disso, gotas de azeite de oliva e óleo de amêndoa parecem ser menos propensos a gerar irritação e tão eficazes quanto produtos comerciais mais caros.

Se você quiser experimentar, recomendamos que você aqueça um pouco destes óleos até atingir a temperatura do corpo e deite-se de lado.

Use um conta-gotas para aplicar algumas gotas do óleo no ouvido e fique nessa posição por 5 a 10 minutos.

Se você sentir que seu ouvido ainda está bloqueado, pode ser necessário repetir o procedimento duas ou três vezes ao dia por três a cinco dias para amolecer a cera acumulada.

Irrigação do ouvido

Sob recomendação médica, uma pessoa com problema persistente de acúmulo de cera de ouvido pode receber a indicação da lavagem com seringa ou um bulbo.

A técnica envolve o uso da seringa para esguichar água no canal auditivo, de modo a remover a cera.

Pelo risco de danificar o tímpano e por ser doloroso, é importante que a adoção desse método seja acompanhada por um médico.

____________________ * Professora viraliza com homenagem a pai, mãe e avó mortos sem vacina - BBC News Brasil

  • Vinícius Lemos - @oviniciuslemos
  • Da BBC News Brasil em São Paulo
Tallyta é vacinada e segura papel com datas de mortes dos familiares e mensagem a favor das vacinas
Legenda da foto, Tallyta recebeu a primeira dose da AstraZeneca no último sábado e quis homenagear familiares

No momento em que recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19, na manhã de sábado (19/6), a professora Tallyta Cerqueira levantou um cartaz em homenagem a familiares que morreram pela doença.

"A vida não espera!", diz o recado. Na folha, ela colocou as datas em que perdeu a avó, o pai e a mãe para a enfermidade causada pelo novo coronavírus. Ao fim, a tag #vacinasim.

Em março deste ano, ela perdeu os familiares em menos de 20 dias: primeiro a avó materna, depois o pai e por último a mãe.

Os três foram infectados pelo novo coronavírus em fevereiro. Tallyta relata que foram quase 50 dias de angústia, dor e medo.

"Tudo, tudo o que vivermos daqui para frente terá um pouquinho, senão muito, das três pessoas maravilhosas que nos deixaram", escreveu a professora em uma homenagem aos familiares em seu perfil no Facebook.

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Quando soube que seria vacinada contra a covid-19, Tallyta pensou em uma forma de homenagear os entes queridos, que não tiveram a chance de ser imunizados contra a covid-19.

"Não consigo definir com um único sentimento o fato de ser vacinada hoje. É um misto de gratidão, euforia, tristeza e impotência, por não ter visto meus familiares tendo a mesma oportunidade", escreveu Tallyta, ao publicar a foto do momento em que recebeu a primeira dose do imunizante da AstraZeneca.

"Como eu queria ter todos ao meu lado, vacinados, aguardando a segunda dose, saudáveis, e presentes fisicamente. Infelizmente, a vida não espera, não deixa pra depois, não dá uma segunda chance…", acrescentou a professora no texto.

A publicação de Tallyta viralizou nas redes sociais. Somente no perfil dela no Instagram foram mais de 87 mil curtidas. Diversas páginas compartilharam a imagem. "Não sabia que daria tamanha repercussão", relata a professora à BBC News Brasil.

Legenda da foto,

Família foi abalada pela covid-19. Na foto, em preto e branco estão Inês, Terezinha e Wilson. Tallyta está no centro, ao lado do marido e junto com o filho. Na ponta está o irmão dela.

Tallyta, de 32 anos, é de Ponta Grossa, no Paraná, mesma cidade em que os entes queridos dela moravam. Por volta da segunda semana de fevereiro, a família começou a apresentar sintomas de covid-19.

A primeira a testar positivo para a doença foi a pensionista Terezinha Camera, avó materna da professora. "Ela se cuidava muito e eu fazia mercado e outras atividades para ela. Mas uma hora ou outra a minha avó dava uma escapada para comprar algo ou ir ao banco", diz Tallyta sobre como a idosa pode ter contraído o novo coronavírus.

A professora e o marido, que na época moravam com a idosa, descobriram dias depois que também foram infectados. O filho deles não apresentou sintomas.

Os pais da professora, a dona de casa Inês de Fátima Camera e o motorista de caminhão Wilson Alves, também foram infectados. Na época, os familiares, apesar de morar em casas separadas, mantinham contato frequente.

Tallyta e o irmão caçula, Marllon Camera, tiveram sintomas leves. O marido dela chegou a ser internado por pouco mais de uma semana e se recuperou.

Já a avó dela teve quadro considerado gravíssimo. Terezinha foi internada em um hospital particular de Ponta Grossa em meados de fevereiro e logo foi intubada.

Depois, Inês também precisou ser internada e posteriormente foi intubada. No início de março, o estado de saúde de Wilson também se agravou e ele foi levado ao hospital.

Com os três familiares internados, Tallyta relata ter vivido período de aflição intensa e angústia. Ela e o irmão passavam os dias à espera de notícias dos parentes.

Em 11 de março, Terezinha, de 73 anos, morreu após ficar intubada por semanas. O quadro de saúde da idosa havia se agravado após uma pneumonia, em decorrência da covid-19. "A minha avó era saudável e muito ativa. A gente tinha esperanças de que ela fosse se recuperar", lamenta a professora.

Dois dias depois, Wilson, de 52 anos, também não resistiu às complicações causadas pela covid-19.

____________________ * Novo museu lembra alemães expulsos após a Segunda Guerra

Por Volker Witting | Alemanha | 21.06.2021
Sala de exposição do centro de documentação em BerlimNovo centro em Berlim aborda episódio traumático da história do país: a expulsão de 14 milhões de alemães de territórios perdidos após o conflito. Para Merkel, museu fecha "lacuna na reavaliação da história da Alemanha"


Foi inaugurado em Berlim nesta segunda-feira (21/06) o Centro de Documentação Fuga-Expulsão-Reconciliação. Ele foca nos 14 milhões de alemães do leste da Europa obrigados a deixar suas casas após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, bem como sua integração dessas pessoas nas Alemanhas Ocidental e Oriental após 1945.

Sociedade | 18.06.2021

Mundo tem número recorde de refugiados e deslocados

Família de refugiados venezuelanos próxima a uma faixa da Cruz Vermelha na Colômbia

O centro também fornece informações sobre outras formas de migrações forçadas durante o século 20 na Europa e atualmente na Síria e em Mianmar, entre outros lugares.

“O hiper-nacionalismo é uma das principais causas da guerra e da migração forçada - eles quase sempre andam juntos”, afirma o curador Jochen Krueger, explicando a abordagem do museu em contextualizar a expulsão dos alemães como consequências do desastre provocado pelas políticas expansionistas dos nazistas.

Na abertura, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, enfatizou que o centro de documentação fecha "uma lacuna na reavaliação da história da Alemanha". A fuga e a expulsão teriam sido "ocultadas" na antiga Alemanha Oriental e "largamente ignoradas" na Ocidental por um longo tempo. Entretanto, segundo Merkel, é necessário manter viva a memória do sofrimento passado para moldar um bom futuro.

Política | 10.03.2021

Alemanha cria plano para integração de estrangeiros

Sala de aula cheia de alunos. Há bandeirinhas da Alemanha sobre algumas mesas.
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Histórias humanas

Ao final da Segunda Guerra Mundial, Em 1945, as potências vencedoras decidiram redesenhar o mapa da Europa. A Alemanha acabou perdendo 25% do território que possuía em 1937. Boa parte desses territórios foram entregues à Polônia e uma parte à Rússia. No processo de anexação, mais de uma dezena de milhões de alemães foram expulsos. 

Cidades como Breslau, Königsberg, Stettin, Danzig, que há séculos eram habitadas por alemães, acabaram sendo repovoadas como poloneses e russos. No processo, também foram expulsos milhões de outros alemães que viviam como minorias étnicas em países como a Tchecoslováquia e Hungria e dos Bálcãs. Estima-se que no processo de expulsão morreram pelo menos 600 mil pessoas. O processo de expulsões se estendeu até 1950 e hoje é largamente ignorado fora da Alemanha.  

A guerra destruiu todos os planos de Stefan Ferger quando ele tinha apenas 14 anos de idade. Em vez de poder estudar num internato, veio a expulsão. Sua família, junto com outros alemães étnicos, teve de fugir do norte da Sérvia, em 1945 parte da Iugoslávia, para escapar das tropas do Exército Vermelho. Stefan era o mais velho do grupo de refugiados e, portanto, recebeu a tarefa de dirigir os expatriados até a Áustria.

Deutschland Berlin | Dokumentationszentrum Flucht, Vertreibung, VersöhnungCarroça usada pelos deslocados para sair do leste da Europa em direção à Alemanha

Esta é uma das histórias descritas no centro de documentação. O local serve de lembrete sobre o lado mais sombrio da história alemã e de suas repercussões. Ele fica a apenas um quilômetro e meio do que é provavelmente o memorial mais famoso dos horrores da era nazista, o Memorial do Holocausto.

"Entender o que significa perda"

A pesquisadora Gundula Bavendamm é a diretora do Centro de Documentação desde 2016. Ela vê o local como um lugar de aprendizagem e lembrança: "O Centro de Documentação trata de fuga e expulsão de alemães, mas também sobre as muitas outras pessoas".

Um princípio está acima de tudo, segundo Bavendamm: "Compreender o que significa a perda".

Aleppo

Objetos expostos explicitam a ideia de perda.  Chaves de uma casa de uma família alemã em Königsberg - atual Kaliningrado, na Rússia -, abandonada em 1945, e de uma casa em Aleppo, na Síria, abandonada em 2015 aparecem lado a lado na exposição.

Setenta e seis anos após o fim do conflito, ela afirma que a Alemanha finalmente está pronta para falar sobre seu sofrimento, embora ainda precise reconhecer a culpa sem paralelo dos nazistas.

“Não somos o único país que precisou de algum tempo para enfrentar capítulos dolorosos e difíceis de sua própria história”, disse ela. “Às vezes, leva várias gerações e as constelações políticas certas.”

Dr. Gundula Bavendamm | Direktorin der Stiftung Flucht, Vertreibung, VersöhnungGundula Bavendamm dirige o centro

No primeiro andar da exposição permanente, os visitantes conhecem uma história europeia e global de migração forçada; até a expulsão de pessoas da Síria ou da minoria muçulmana rohingya de Mianmar, país predominantemente budista.

O que aconteceu com aproximadamente 14 milhões de alemães expulsos do leste europeu, como descrito no segundo andar, só é acessível a quem passou pelas estações da era nazista, do Holocausto e do papel dos Aliados. Assim o visitante adquire uma compreensão da causa e das consequências históricas.

Maioria dos expulsos não era bem-vinda

A terceira seção da exposição permanente é dedicada à chegada e distribuição das pessoas deslocadas pelas zonas de ocupação na Alemanha, então controladas pelos vencedores da 2ª Guerra.

Nos mais de 5 mil metros quadrados do centro estão distribuídos exposições, vídeos de testemunhas oculares e painéis informativos. O centro está alojado na chamada Deutschlandhaus (casa da Alemanha, em tradução literal). O prédio histórico foi renovado a um custo de 63 milhões de euros.

Os nazistas haviam estendido uma guerra devastadora e de extermínio sobre a Europa, que custou a vida de dezenas de milhões de pessoas. Quando a guerra terminou, começou a expulsão e a fuga para muitos alemães do leste da Europa, que em sua maioria tiveram que deixar territórios da Alemanha anexados pela Rússia e Polônia, mas também para numerosos poloneses e húngaros, que por sua vez tiveram que deixar áreas que passaram a fazer parte da Romênia e Belarus.

Deutschland Berlin | Dokumentationszentrum Flucht, Vertreibung, VersöhnungA rota dos deslocados alemães

Os deslocados, chamados "Heimatvertriebenen", tiveram que fugir para o oeste europeu, para as zonas administradas pelas quatro potências vitoriosas. Na zona soviética, por exemplo, cerca de um quarto de todos os habitantes eram refugiados pós-guerra. No início, a maioria deles não era bem-vinda, em uma época em que havia escassez e fome em todos os lugares devido à destruição causada pela 2ª Guerra.

Muitos dos que chegaram à então Alemanha Ocidental se uniram mais tarde em associações de expulsos, geralmente de orientação conservadora. Nos primeiros anos da República Federal da Alemanha, os expulsos e refugiados representavam mais de 20% do eleitorado.

Já na Alemanha Oriental, os deslocados foram chamadas de "reassentados". Inicialmente, eles receberam assistência para sua integração, mas a partir de 1950 o tema da expulsão passou a ser praticamente tabu no Estado alemão controlado pelos soviéticos.

Polêmica sobre a forma correta de recordar

O fato de a exposição chegar a ser inaugurada é um pequeno milagre. Foram necessários 22 anos desde a ideia inicial até a abertura. Isto tem a ver com o fato de que o tema dos deslocados ter repetidamente provocado controvérsias políticas.

O museu também era visto com ressalvas por causa do antigo envolvimento da política ultraconservadora Erika Steinbach, que entre 1998 a 2014 atuou como presidente da outrora influente Federação dos Expulsos (BdV, do nome em alemão), que tem cerca de 1,3 milhão de membros e representa os interesses dos expulsos. Por muitos anos, a organização era conhecida por suas ligações com a ultradireita. 

Já no final do último milênio, ela teve a ideia de fundar um centro. Sua localização, orientação e organização foram objeto de uma longa disputa, que levou até mesmo a desacordos diplomáticos com os países vizinhos República Tcheca e, acima de tudo, a Polônia. Havia um certo ceticismo de que os alemães se estilizassem como vítimas e assim desviassem a atenção de sua culpa pelo nazismo.

Deutschland Berlin | Dokumentationszentrum Flucht, Vertreibung, VersöhnungUrsinho feito com restos de tecido e cobertores de soldados serviu de consolo à menina refugiada Monika Klingener

Em 2008, o Bundestag decidiu criar a fundaçãoe Erika Steinbach perdeu influência. Ela saiu da União Democrata Cristã em 2017 e desde então tem apoiado a populista de direita AfD. A diretora Gundula Bavendamm nem a convidou para a inauguração.

"Reconciliação dos alemães consigo mesmos"

O Conselho da Fundação do Centro de Documentação inclui representantes do governo, das Igrejas, da Federação dos Expulsos, e também políticos. Por exemplo, o membro da União Social Cristã no Bundestag Stephan Mayer. Em sua resposta a uma pergunta da DW, ele aponta explicitamente que o centro está especialmente próximo de seu coração por ser "neto dos alemães dos Sudetos".

Segundo ele, o memorial contribui para a "reconciliação dos alemães consigo mesmos". Os expulsos agora finalmente teriam um lugar onde "é lembrado o que  sucedeu a milhões de pessoas e que serve como reavaliação do último capítulo da Segunda Guerra Mundial".

O Centro de Documentação Fuga, Expulsão, Reconciliação abre ao público no dia 23 de junho e a entrada é gratuita.

Criança síria observa seus parentes carregando pertences em caminhão antes de deixarem a cidade de Binnish, no noroeste da província de Idlib
População síria sofre em meio à guerra brutal


Famílias fogem da província de Idlib

As tropas sírias intensificaram a luta pelo último grande enclave rebelde do país – um "prelúdio para sua derrota total", segundo o presidente Bashar al-Assad. Violência e deslocamento em massa podem resultar no maior horror humanitário do século 21, afirmou o diretor de ajuda humanitária da ONU, Mark Lowcock. As crianças, em particular, se tornaram o rosto desse sofrimento.

Famílias sírias são vistas em cima de um caminhão com seus pertences a caminho de zonas mais seguras em Idlib

População síria sofre em meio à guerra brutal

Maior êxodo desde a Segunda Guerra

Dos quase 900 mil forçados a deixar suas casas e abrigos nos últimos três meses, 80% eram mulheres e crianças, relatou um porta-voz da ONU. Cerca de 300 mil deles fugiram apenas desde o início de fevereiro. A onda de deslocamento é o maior êxodo de civis desde a Segunda Guerra Mundial.

Campo de refugiados durante um dia de frio intenso em Idlib
População síria sofre em meio à guerra brutal

Temperaturas mortais

Com temperaturas atingindo 7 ºC negativos em campos de deslocados nas colinas perto da fronteira com a Turquia, sete crianças morreram devido às más condições de vida. A organização Save the Children afirma que as famílias queimam tudo o que encontram para se aquecer, e que o número de mortos pode aumentar.

Veículos blindados turcos passam pela província de Hatay, na Turquia, para apoiar as unidades na fronteira do paísPopulação síria sofre em meio à guerra brutal

Esforços por cessar-fogo suspensos

Comboios turcos se dirigiram à antiga "zona de desescalada", enquanto forças sírias apoiadas pela Rússia intensificaram seus esforços para retomar a área no fim de janeiro. No início de fevereiro, após a morte de 13 soldados turcos estacionados no local para apoiar rebeldes, os esforços diplomáticos para intermediar um cessar-fogo foram sustados.

Uma família é vista a caminho de zonas mais seguras com seus pertencesPopulação síria sofre em meio à guerra brutal

Rodovia para lugar nenhum

A ofensiva de Assad para retomar a estratégica rodovia M5, que passa pela província de Idlib e segue até a segunda maior cidade da Síria, Aleppo, tem sido um objetivo de longo prazo. Depois de bombardeios russos ajudarem as forças sírias a capturarem todas as cidades ao longo da rota em fevereiro, combates violentos no oeste de Aleppo forçaram mais de 43 mil a fugir em direção à fronteira turca.

Fumaça é vista após um ataque aéreo em IdlibPopulação síria sofre em meio à guerra brutal

Ataques indiscriminados contra civis

O grande número de ataques russos e sírios contra campos de deslocados, hospitais e escolas "sugere que nem todos podem ser acidentais", disse Rupert Colville, porta-voz da ONU para direitos humanos. Seu escritório registrou 299 mortes de civis em 2020, 93% causadas pelo governo sírio e seus aliados. Michelle Bachelet, chefe de direitos humanos da ONU, chamou os ataques de "indiscriminados".

Sírios inspecionam destroços de um helicóptero militar do governo após ele ter sido abatido sobre a província de AleppoPopulação síria sofre em meio à guerra brutal

Rebeldes atacam

Rebeldes apoiados pela Turquia foram capturados pela ofensiva, assim como os jihadistas que não são oficialmente apoiados por Ancara. Um grupo islâmico, Hayat Tahrir al-Sham, conseguiu uma rara vitória em meados de fevereiro, ao derrubar um modelo específico de helicóptero que as forças sírias supostamente usam para lançar bombas de barril sobre civis.

Homem está sentado com seus filhos na frente de um forno em um acampamento improvisado em IdlibPopulação síria sofre em meio à guerra brutal

Busca por segurança

Michelle Bachelet observa que "nenhum abrigo está seguro agora" e que os campos de deslocados estão sobrecarregados pelo grande número dos que fogem da violência. Muitos deixaram os campos para tentar a vida fora. A chefe de direitos humanos da ONU pediu a criação de corredores humanitários para permitir aos civis escaparem.

Famílias sírias são vistas em um acampamento em Turmanin, perto da fronteira com a TurquiaPopulação síria sofre em meio à guerra brutal

Sem rota de fuga

A Turquia, que já abriga 3,5 milhões de refugiados, fechou suas fronteiras para impedir um novo afluxo de sírios. Isso deixa a população de Idlib sem ter uma rota de fuga. Mais de 500 mil dos deslocados são crianças.

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____________________ * Infecções seguem em queda na Alemanha, mas variante delta preocupa

Alemanha | 21.06.2021
Três pessoas sentadas a uma mesa na área externa de um restaurante de frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, sendo servidas por uma garçonete de máscara. Autoridades sanitárias registram menor número de infecções em dez meses. Mas políticos pedem cautela e sinalizam preocupação com a variante delta e possíveis consequências após as férias de verão.


A Alemanha tem registrado uma queda contínua nos números de casos de covid-19. Pela primeira vez em dez meses o país contabilizou nesta segunda-feira (21/06) menos de 500 novos casos de infecção em 24 horas e a taxa de incidência de sete dias por grupo de 100 mil habitantes esteve abaixo de 10 contágios pelo terceiro dia consecutivo.

Saúde | 14.06.2021

Com infecções em queda, Alemanha discute futuro da máscara

Mulher de máscara diante de placa que indica obrigatoriedade da proteção na Alemanha


No entanto, apesar da queda no número de casos de covid-19, a reimplementação de medidas restritivas mais rígidas não estão excluídas na Alemanha. No momento, tem aumentado no país a preocupação sobre a variante delta do novo coronavírus, uma variante originalmente registrada na Índia e considerada mais contagiosa. No Reino Unido, por exemplo, a variante delta forçou o adiamento da fase final do desconfinamento, após um aumento de quase 100% em apenas uma semana no número de novos casos de infecções somente com mutação indiana – de 42 mil para 76 mil contágios.

"Estimo que a variante delta seja a variante predominante na Alemanha dentro de um mês", disse o governador do estado alemão de Hessen, Volker Bouffier, em entrevista à rede editorial alemã Redaktionsnetzwerk Deutschland (RND).

Bouffier não descartou o retorno de medidas anticoronavírus mais restritivas e afirmou que a questão seguinte a ser analisada deveria ser como as vacinas existentes reagem à variante delta. Além disso, não pode ser descartado que muitas pessoas voltem infectadas das férias de verão.

Saúde | 07.06.2021

Alemanha libera vacina contra covid-19 para todos

Médico aplicando uma vacina contra a covid-19 em um jovem alemão
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De acordo com o ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, a atual fase da pandemia exige encontrar o equilíbrio correto, sem deixar de focar na variante delta. "Agora podemos afrouxar", disse Spahn na noite de domingo em entrevista à emissora pública alemã ARD. Porém, os ânimos devem permanecer contidos. "Portanto, mantemos confiança para o verão, mas também cautela, principalmente para o outono e inverno", disse.

Oposição exige cronograma para os meses frios

Políticos da oposição exigiram um cronograma concreto do governo federal sobre como a variante delta deverá ser combatida.

"O fracasso político que tivemos que vivenciar no ano passado devido à falta de filtros de ar nas escolas, ônibus e trens lotados e falta de proteção em locais de trabalho não pode se repetir", disse a líder do grupo parlamentar do partido A Esquerda, Amira Mohamed Ali, em entrevista ao jornal alemão Die Welt. "O governo federal deve finalmente aprender com seus erros e criar as estruturas que permitam um bom outono e inverno."

O especialista para temas relacionadas à saúde no Partido Verde, Janosch Dahmen, também pleiteou por medidas concretas para conter um estimado avanço da variante delta. "Precisamos se consequentes e implementar regras rigorosas de quarentena para viajantes. E precisaremos usar máscaras constantemente em aglomerações públicas como em estádios de futebol", afirmou.

Segundo Dahmen, as crianças não podem ser a classe negligenciada após as férias de verão. O governo federal necessita realizar os preparativos adequados, como a instalação de filtros de ar e impulsionar a digitalização necessária.

A Associação Federal dos Médicos do Serviço de Saúde Pública também pediu por uma boa preparação do país para uma possível quarta onda de covid-19. "Ninguém sabe se e em qual escopo haverá uma quarta onda. Mas quando vier, precisamos estar bem preparados. É muito importante que as autoridades de saúde consigam adquirir profissionais especializados adicionais rapidamente", disse a presidente da associação, Ute Teichert, ao diário alemão Rheinische Post.      

Sars-Cov-2

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, agradeceu nesta segunda-feira aos profissionais atuantes em instalações médicas por seu grande emprenho na crise do coronavírus. Médicos, enfermeiros e outros funcionários têm atuado há meses à beira de seus limites físicos e psicológicos.

Merkel enfatizou que a terceira onda de covid-19 foi dominada e superada. Segundo ela, o coronavírus não está eliminado, mas representa "um grande alívio" que o debate em torno dos hospitais não esteja mais concentrada apenas no gerenciamento de crises agudas.

Menor número de infecções em dez meses

Pela primeira vez em dez meses, as autoridades regionais de saúde relataram menos de 500 novas infecções em 24 horas ao Instituto Robert Koch (RKI), a agência governamental para o controle e prevenção de doenças infecciosas na Alemanha. Nesta segunda-feira, o RKI registrou 346 novos casos. A taxa de incidência de sete dias no país é de 8,6 casos por grupo de 100 mil habitantes – 8,8 no dia anterior, 16,6 na semana anterior e 67,3 no mês anterior.

Inicialmente detectada na Índia, a variante delta foi detectada no Reino Unido em abril. No início de maio, representava cerca de 25% dos casos, enquanto em junho as novas infecções têm sido exclusivas da variante delta. O RKI estima que a aproximadamente 6% das novas infecções registradas na primeira semana de junho na Alemanha estão relacionadas à variante delta.

Ainda de acordo com dados do RKI, mais de 25,8 milhões de residentes – ou pouco mais de 31% da população da Alemanha – estão totalmente imunizados contra a covid-19. Pouco mais de 42 milhões de pessoas receberam ao menos a primeira dose.

pv (dpa, ots)

Tueren reinigen (picture-alliance/dpa Themendienst/F. Gabbert)Onde se escondem os coronavírus


Maçanetas contaminadas

Os coronavírus conhecidos permanecem infecciosos em superfícies como maçanetas por quatro a cinco dias, em média. Como todas as infecções por gotículas, o Sars-Cov-2 se propaga por mãos e superfícies tocadas com frequência. Embora seja ainda relativamente desconhecido, os especialistas partem do princípio que os conhecimentos sobre as variedades já estudadas se aplicam ao novo coronavírus.

Kostenloses Schulessen in Berlin (picture-alliance/dpa/J. Kalaene)Onde se escondem os coronavírus


Refeições arriscadas

Por isso é necessário certo cuidado durante o almoço no refeitório do trabalho – se ainda estiver funcionando. Em princípio, coronavírus contaminam pratos ou talheres se alguém infectado espirra ou tosse diretamente neles. No entanto, o Departamento Federal alemão de Avaliação de Riscos (BfR) enfatiza que "até agora não se sabe de infecções com o Sars-Cov-2 por esse meio de transmissão".

Baden-Württemberg Spielzeug vor Kindern (picture-alliance/dpa/S. Gollnow)Onde se escondem os coronavírus


Medo de importados?

Ainda segundo o BfR, os pais não precisam temer um contágio através de brinquedos importados. Até o momento não pôde ser comprovado nenhum caso desses. Os estudos sugerem que o novo coronavírus seja relativamente instável em termos ambientais: os patógenos permaneceriam infecciosos durante vários dias sobretudo a temperaturas baixas e alta umidade atmosférica.

Kabinett verabschiedet Gesetz gegen Retouren-Vernichtung (picture-alliance/dpa/T. Weller)Onde se escondem os coronavírus


Vírus pelo correio?

Em geral, coronavírus humanos não são especialmente resistentes sobre superfícies secas. Como sua estabilidade fora do organismo humano depende de diversos fatores ambientais, como temperatura e umidade, o BfR considera "antes improvável" um contágio por pacotes de correio – embora ressalvando ainda não haver dados mais precisos sobre o Sars-Cov-2.

Coronavirus - Italien (picture-alliance/dpa/AP/A. Tarantino)Onde se escondem os coronavírus


Pingue-pongue entre cão e dono?

Meu cachorro pode me contagiar e eu a ele? Também o risco de contaminação de animais domésticos é considerado muito baixo pelos especialistas, embora não o descartem. Os próprios animais não apresentam sintomas patológicos. Caso infectados, contudo, é possível transmitirem o coronavírus pelas vias respiratórias ou excreções.

Italien Menschen mit Schutzmasken (picture-alliance/Kontrolab/IPA/S. Laporta)Onde se escondem os coronavírus


Verduras assassinas?

Igualmente improvável é a transmissão do Sars-Cov-2 através de alimentos contaminados, na avaliação do BfR, não sendo conhecidos casos comprovados. Lavar cuidadosamente as mãos antes do preparar da refeição continua sendo mandatório nos tempos da covid-19. Como os vírus são sensíveis ao calor, aquecer os alimentos pode reduzir ainda mais o risco de contágio.

Deutschland Frau kauft tiefgefrorenes Gemüse ein (picture-alliance /imageBROKER/J. Tack)Onde se escondem os coronavírus


Longa vida no gelo

Embora os coronavírus Sars e Mers conhecidos até o presente reajam mal ao calor, eles são bastantes resistentes ao frio, permanecendo infecciosos a -20 ºC por até dois anos. Também aqui, contudo, não há qualquer indício de cadeias infecciosas do Sars-Cov-2 por meio do consumo de alimentos, mesmo supercongelados.

China Karsthöhle mit dem Namen "Laogan Cave" (picture-alliance/Photoshot/H. Huan)Onde se escondem os coronavírus


Animais silvestres são tabu

Um efeito positivo do surto de covid-19 é a China ter proibido o consumo de carne de animais selvagens. Há fortes indícios de o novo coronavírus ter sido transmitido aos seres humanos por um morcego. O animal, porém, não teve qualquer culpa: ele foi possivelmente servido como iguaria, certamente contra a própria vontade. E agora os seres humanos amargam a "maldição do morcego que virou sopa"...

____________________ * PM de Brasília volta a atacar indígenas com grande violência (vídeos)

247 - Os indígenas foram agredidos com extrema violência por policiais do DF nesta terça-feira (22) em frente ao Congresso (assista aos vídeos). Os povos indígenas protestam contra mudanças no Estatuto do Índio analisadas pela CCJ da Câmara. É o segundo ataque em poucos dias - o primeiro aconteceu dia 17.

Na semana passada, indígenas e policiais militares do Distrito Federal entraram em confronto, em frente à sede da Funai, na Asa Sul.

Os índios usaram pedras e flechas para enfrentar a polícia depois que o presidente da Fundação Nacional do Índio, Marcelo Augusto Xavier da Silva, se recusou a recebê-los.

Numa cena dramática é possível ver um grupo de indígenas resgatando um índio ferido no confronto:

____________________ * Parlamentares da oposição criticam violência policial contra povos indígenas em Brasília

Parlamentares Gleisi Hoffamnn, Jandira Feghali, Marcelo Freixo e Erika Kokay mais a violência contra índios ao fundo

247 - Parlamentares foram às redes sociais repudiar a violência policial contra indígenas no Distrito Federal. Agentes da polícia usaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os índios, que atiraram flechas contra os seguranças. Os manifestantes protestam contra o PL 490, defendido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A proposta prevê a criação de um marco temporal para delimitar o que são terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas, além de outras medidas. 

A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), disse no Twitter que "a imbecilidade política levou a violência". "O q os indígenas queriam era tirar o projeto 490 da pauta até dia 30, qdo STF decide s/ o marco temporal das terras indígenas. A direção da Câmara tem de explicar pq sua polícia dispersou os manifestantes e chamou a PM. Vários feridos", escreveu a petista.

De acordo com o deputado federal Marcelo Freixo (RJ), "o que está sendo aprovado no Congresso é um retrocesso civilizatório". "Nós vamos ter que agir, porque isso acontece no entorno da Câmara dos Deputados e não é possível que a população indígena seja tratada dessa maneira no Parlamento. Isso é muito grave e triste, é um sinal de tudo aquilo que a gente falou. Talvez seja a materialização de tudo o que a gente falou que tem que enfrentar", disse o parlamentar durante a cerimônia de filiação do PSB.

Os deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Erika Kokay (PT-DF) classificaram a ação como "covarde". "Não vamos tolerar violência!", afirmou, também no Twitter, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA).

Segundo a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), é necessário prestar atenção na manipulação de quem atacou os indígenas. "É sempre a mesma história. Atacam uma minoria ou maioria minorizada de todas as formas possíveis desde sempre mas só chamam de violência a reação dela aos ataques. Minha solidariedade aos povos indígenas que lutam!", afirmou.

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____________________ * MINERAÇÃO e GARIMPO disputam área MAIOR do que a BÉLGICA dentro da Terra Indígena YANOMAMI 

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