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Secom acusa 'The Economist' de sugerir a morte de Bolsonaro, e DISTORCE CONTEÚDO de reportagem

Ramos, sem perceber, confirma que Mandetta acertou | Míriam Leitão

Socorro! | Se o VOTO IMPRESSO voltar, dá pra imaginar uma porção de OUTROS RETROCESSOS

Contra a DESIGUALDADE, devemos enfrentar o FALSO discurso MERITOCRÁTICO, o MACHISMO e o RACISMO

Uma dupla atômica: Bill Gates e Warren Buffett se unem para criar reator nuclear avançado

‘Os EUA gostam de culpar outros países por seus problemas’, diz especialista americano sobre disputa com China

MASSACRE de TULSA: Como uma MENTIRA de jornal foi ESTOPIM para matança de NEGROS nos EUA

Antipetismo de esquerda fica isolado no PSOL e divide PDT

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Secom acusa 'The Economist' de sugerir a morte de Bolsonaro, e distorce conteúdo de reportagem

Revista The Economist traz reportagem com críticas a condução da pandemia no Brasil

Ao rebater no Twitter a reportagem "É hora de ir embora", da revista "The Economist", que trata sobre a pandemia no Brasil, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) distorceu o conteúdo da publicação e acusa a reportagem de sugerir a morte do presidente Jair Bolsonaro para superar a crise sanitária no país. De acordo com a sequência de posts da Secom, as críticas ao governo federal são parte de uma narrativa "falaciosa", "histriônica" e "exagerada" da oposição.

A série de tuítes "Posicionamento em defesa do Brasil" diz que a revista tem o objetivo de atacar o presidente e influenciar os rumos políticos do Brasil, com "uma retórica de torcida organizada". A Secom acusa ainda a "The Economist" de "conclamar o Exército brasileiro" para um golpe militar contra Bolsonaro. 

"A narrativa do texto, em suma, é a seguinte: o Presidente seria um ditador que estaria matando o próprio povo; seus apoiadores estariam dispostos à guerra civil e o Exército estaria disposto a intervir caso o Presidente perca as próximas eleições", diz a Secom. 

Nas postagens, a Secom destaca que a revista sugere que a solução para a crise no país seria "eliminar" Bolsonaro: "Vejam bem: não falam apenas em vencer nas urnas, superar, destituir. Falam em ELIMINAR. Estaria o artigo fazendo uma assustadora apologia ao homicídio do Presidente?".

No texto, que trata sobre possíveis desdobramentos e impactos da atual situação sanitária do país no cenário eleitoral de 2022, a revista usa a expressão “eliminá-lo” no contexto das eleições presidenciais, com uma eliminação nas urnas.

“The most urgent priority is to vote him out”, diz a revista. 

Diz ainda que a revista tenta interferir nas questões domésticas do país e desmerece o trabalho "em defesa da vida". 

"Talvez, justamente por reconhecer nossos avanços, a Economist esteja tentando interferir em nossas questões domésticas e, segundo o texto, defenda a eliminação do Presidente que está livrando o Brasil da corrupção e da sujeição às oligarquias que a revista parece representar", diz as postagens:

"Claro está que, com sua retórica insana, a revista busca desmerecer todo oincontestável trabalho de defesa da vida e de preservação do emprego, das liberdades e da dignidade dos brasileiros".

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Ramos, sem perceber, confirma que Mandetta acertou | Míriam Leitão - O Globo

Por Míriam Leitão

O ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos

Na entrevista ao "O GLOBO" no domingo, o ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, acabou fortalecendo Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde.

Ao ser perguntado pelos repórteres Thiago Bronzatto e Daniel Gullino sobre as decisões do STF, Ramos cometeu um ato falho sobre a situação trágica que o Brasil vive.

Disse que a decisão do STF foi tomada depois de uma “sessão de terror”, e que a testemunha ocular foi ministro da Advocacia-Geral da União André Mendonça. 

A reunião foi convocada Supremo, antes da decisão sobre a responsabilidade dos estados na condução do combate à pandemia.

– O ( então) ministro da Saúde, Henrique Mandetta foi convidado a ir ao Supremo e disse que na pandemia iam morrer 400 mil pessoas, que ia não sei o quê…

O André Mendonça disse que foi uma sessão de terror. 

Se sou ministro do STF e vejo quilo ali, fico assustado. 

Faltou debate, faltou a gente conversar.

Ora, sem querer, ele confirma que Mandetta estava com os melhores cenários. 

Afinal estamos com mais de 473 mil mortos. 

Que conversa será que faltou? 

Faltou o governo ouvir o seu então ministro da saúde e não achar que aquele cenário era uma “sessão de terror”. 

Era o cenário realista.

Na entrevista o ministro Ramos justifica a presença de militares, inclusive na ativa, no governo Bolsonaro em manifestações políticas, o que é a grande irregularidade. 

Segundo ele, que estava na mesma manifestação, mas é da reserva, Pazuello estava ali como civil. 

Argumento completamente sem sentido.

Mas ele próprio Ramos participar de uma manifestação de Bolsonaro ainda quando estava na ativa.

O que será que os militares iriam dizer se militares da ativa participassem de uma manifestação a favor do PT, na campanha do Lula ou da Dilma?

Ou fossem para o palanque com Fernando Henrique, em 1994 ou em 1998? 

São dois pesos e duas medidas:

agora participam do governo Bolsonaro de forma explícita, inclusive quebrando as regras disciplinares das Forças Armadas.

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Socorro! | Se o voto impresso voltar, dá pra imaginar uma porção de outros retrocessos

No dia 13 de maio de 2021, a urna eletrônica fez bodas de prata. Completou 25 anos de casada com as eleições brasileiras. Esse casamento, celebrado nas eleições municipais de 1996, rendeu bons frutos.

Com o passar do tempo, os componentes de software e hardware foram aprimorados, em nenhuma eleição aconteceu qualquer indício de fraude, a confiabilidade na coleta e apuração dos votos aumentou, e a agilidade no anúncio dos resultados cresceu. Provando assim que o sistema digital é superior ao sistema impresso.

Estranhamente, nos últimos tempos, o governo federal iniciou uma forte campanha pelo retorno do voto impresso.

Os especialistas em política dizem que essa campanha acontece porque os votos no papel, depositados nas primitivas urnas de madeira, permitem contestar os resultados, alegando fraudes, como fez nas últimas eleições americanas Donald Trump, ídolo do presidente Jair Bolsonaro.

Alguns presidentes de partidos, como Carlos Lupi, do PDT, e Carlos Siqueira, do PSB, aderiram a essa campanha. E a deputada federal governista Bia Kicis (PSL-DF) contratou duas empresas, pagas com dinheiro público, para a missão de provar imperfeições nas urnas digitais.

Tomara que essa postura retrô não se concretize, mas, se ela ocorrer, dá pra imaginar uma porção de outros retrocessos que os políticos brasileiros poderiam tentar promover nos próximos tempos.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, poderia propor a proibição dos iPhones e a volta dos telefones pretos dentro das casas e nos estabelecimentos comerciais, assim como a instalação de alguns orelhões nas ruas.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, poderia propor a volta do vestido tubinho, coisa que a ex-bolsonarista e atual opositora Joice Hasselmann contestaria imediatamente por ser adepta do tomara que caia. E que caia já.

Ainda sobre a ministra Damares, que tempos atrás cogitou proibir o sexo entre os jovens, neste momento e aproveitando a possibilidade de volta ao passado, ela poderia proibir a pílula anticoncepcional, criada por John Rock e Gregory Pincus, em 1960.

O refrigerante Grapette, estrondoso fracasso de vendas, lançado no Brasil pela Anderson Clayton & Co, em 1961, poderia voltar ao mercado a partir de agora, mas obviamente não recomendado nas escolas pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, porque “quem bebe Grapette repete”.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, poderia criar condições privilegiadas para a Ford Motor Company voltar ao Brasil, desde que a empresa se comprometesse a relançar o Corcel cor de mel, e esse mesmo ministro poderia sugerir também o relançamento da Vemaguet e ajudar na ressurreição da Fábrica Nacional de Motores, com seus caminhões Fenemê.

Enquanto isso, o ministro da Cidadania, João Roma, poderia mandar distribuir pelo país toneladas de vidros de coalhadas, substituindo os iogurtes de frutas que a Danone francesa introduziu no Brasil a partir dos anos 1970.

Finalizando com um assunto do momento, a Covid-19 e a possibilidade de outras pandemias, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, poderia incentivar a população a hostilizar qualquer incentivador da vacinação, como foi feito com Oswaldo Cruz, em 1904, quando ele criou o programa de vacinação contra a varíola. E poderia também fingir não estar vendo as “motociatas” e passeatas nas principais capitais do país, que ocorrem sem o uso de máscaras, promovendo aglomerações e novas contaminações.

Claro que, se tudo isso acontecesse, o que restaria para a maioria dos brasileiros de bom senso seria pedir a volta do programa de rádio “Telefone pedindo bis”, do consagrado Enzo de Almeida Passos, na Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Telefonando para lá, esses brasileiros poderiam pedir que Enzo executasse mais uma vez aquela canção dos Beatles que foi um enorme sucesso em 1965 e acabou virando nome do novo LP e do segundo filme dos quatro rapazes de Liverpool.

Help!

Washington Olivetto - assinatura

Por Washington Olivetto

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Contra a DESIGUALDADE, devemos enfrentar o FALSO discurso MERITOCRÁTICO, o MACHISMO e o RACISMO 

Em pesquisa recente da Oxfam Brasil, o brasileiro foi questionado sobre os aspectos que circundam a desigualdade no país.

O relatório traz uma série de informações valiosas. Exemplo: 80% dos brasileiros entendem que, sem a redução das desigualdades, o país não prosperará. O que chama muito a atenção é que essa impressão está correta. O economista Daniel Duque defende que é preciso haver certo nível de desigualdade econômica na sociedade para que ela seja próspera. Para ter ideia, os países nórdicos têm um índice Gini (que mede esse dado) de 0,25, enquanto os EUA giram em torno de 0,4, e o Brasil está com 0,52. O consenso entre os especialistas é que o Gini acima de 0,5 gera um efeito negativo para a economia.

Podemos levantar mais dois pontos que se relacionam com a desigualdade: a meritocracia e o impacto do machismo e do racismo na mobilidade social.

Em 2020, 60% da população discordavam de que “uma pessoa de família pobre que trabalha muito tem a mesma chance de ter uma vida bem-sucedida que uma pessoa nascida rica que também trabalha muito”. Relacionado a esse ponto, 52% dos entrevistados não acreditam que “uma criança de família pobre que consegue estudar tem a mesma chance de ter uma vida bem-sucedida que uma criança nascida numa família rica”. Segundo a literatura especializada, no Brasil, se uma família A é duas vezes mais rica que a B, e ambas têm uma criança, quando elas virarem adultas, a renda da criança A será 70% maior que a da B. O jornalista Felippe Hermes aponta um exemplo impactante: apenas 7% das crianças mais pobres chegam a figurar entre os adultos 20% mais ricos do país. Portanto, não basta se esforçar para conseguir sucesso.

No tocante ao gênero e à raça, a opinião do brasileiro demonstra a conscientização de dois fatores imprescindíveis na equação da desigualdade. Sessenta e sete por cento dos brasileiros concordam que “mulheres ganham menos no mercado de trabalho por ser mulheres”, enquanto a cor da pele influencia a decisão de contratação por empresas, de acordo com a percepção de 76% dos brasileiros.

Mais uma vez, a voz do povo se torna a voz de Deus. Um estudo realizado pela Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul concluiu que, mesmo depois de consideradas todas as características que poderiam influenciar o salário, ainda persiste inexplicado um terço da diferença salarial entre homens e mulheres.

Noutra pesquisa, feita pela Universidade de Chicago, restou demonstrado que negros recebem, em média, 25% menos que pessoas brancas para fazer exatamente o mesmo serviço. Além disso, a chance de um negro obter resposta ao mandar um currículo é metade da chance de uma pessoa branca.

Fica evidente que nossas impressões acerca da sociedade em que vivemos, pelo menos no que diz respeito à desigualdade, estão em harmonia com os especialistas. Faltando colocar tudo em prática e nos movermos para combater aquilo que podemos enfrentar no nosso dia a dia, como o falso discurso meritocrático descontextualizado, o machismo e o racismo.

Irapuã Santana - assinatura

Por Irapuã Santana

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Uma dupla atômica: Bill Gates e Warren Buffett se unem para criar reator nuclear avançado

Projeto, de US$ 1 bi, tem apoio do governo americano e visa a gerar esse tipo de energia de forma mais 'sustentável'
O Globo, com agências
07/06/2021 - 10:45 / Atualizado em 07/06/2021 - 11:10
Warren Buffett e Bill Gates jogam pingue-pongue em evento beneficiente: dupla atômica Foto: Nati Harnik / AP
Warren Buffett e Bill Gates jogam pingue-pongue em evento beneficiente: dupla atômica Foto: Nati Harnik / AP

SEATTLE E WASHINGTON - Uma nova funcionalidade no sistema Windows? Um novo investimento bilionário em ativos? Quando se imagina a junção de esforços de Bill Gates, da Microsoft, e Warrren Buffett, da Berkshire Hathaway, é nisso que se pensa. Mas os dois estão juntos no... projeto de um reator nuclear a ser construído no lugar de uma usina de carvão desativada no estado americano de Wyoming. O reator já foi até batizado: Natrium.

Segundo o jornal britânico The Guardian, as empresas TerraPower, fundada por Gates há cerca de 15 anos, e a ePacifiCorp, de Warren Buffett, estão encarregadas da empreitada.

Nova tecnologia

A ideia do reator, que é menor que os tradicionais e cuja tecnologia seria mais eficiente, é combinar sódio com sais fundidos armazenados num esquema que poderia produzir mais de 345 megawatts e energia, chegando a 500  megawatts e alimentando cerca de 400 mil residências. A energia gerada seria um complemento a outras formas sustentáveis como a energia solar e a eólica, visando a reduzir as emissões de gás carbônico no planeta.

Mas o reator nuclear não deixará as formas tradicionais de alimentação: também se valerá de urânio empobrecido ou natural como combustível, segundo a BBC.

— Consideramos que o Natrium representará uma verdadeira mudança no jogo para a indústria de energia — afirmou Gates numa entrevista coletiva.

A TerraPower avalia o custo do projeto da nova usina (destinada à prova de conceito do Natrium) em US$ 1 bilhão.

Apoio do governo dos EUA

O projeto levará pelo menos sete anos para ficar pronto, segundo o presidente da empresa, Chris Levesque. Ele disse ao  Guardian que esse tipo de energia "será necessário ao grid de eletricidade nos anos 2030".

Esquema de como será a operação do novo reator nuclear Foto: Reprodução/TerraPower
Esquema de como será a operação do novo reator nuclear Foto: Reprodução/TerraPower

O governo americano está interessado no projeto. O Departamento de Energia dos EUA concedeu à TerraPower US$ 80 milhões a título de financiamento inicial, e prometeu mais fundos ao longo da construção do reator.

Cientistas alertam para riscos

Especialistas, no entanto, alertam que os chamados reatores avançados representariam mais riscos, já que a combinação de combustíveis precisaria ter um tratamento a taxas mais altas que as usuais.

Um levantamento da Union of Concerned Scientists, que reúne cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, alerta para  o risco de iniciativas como a do Natrium.

"Descobrimos que os projetos que analisamos provavelmente não são (...) mais seguros do que as usinas nucleares de hoje. Na verdade, certos projetos alternativos de reatores representam ainda mais riscos de segurança e ambientais do que os atuais", afirma o estudo.

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‘Os EUA gostam de culpar outros países por seus problemas’, diz especialista americano sobre disputa com China

Kevin Gallagher, que participa nesta segunda de debate na UFRJ, diz que seu país precisa aumentar investimento interno em vez de tentar impedir ascensão chinesa e aponta como a rivalidade entre as duas potências pode prejudicar o Brasil
André Duchiade
07/06/2021 - 04:30
Kevin Gallagher, que dirige o Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston; ele participa hoje de debate na UFRJ Foto: Boston University / Divulgação
Kevin Gallagher, que dirige o Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston; ele participa hoje de debate na UFRJ Foto: Boston University / Divulgação

Diretor do Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, Kevin Gallagher ocupa uma posição cada vez mais rara: americano com especialização na China, ao mesmo tempo em que é um defensor do sistema multilateral e das instituições democráticas, também se mantém crítico da postura de seu país em relação a Pequim. Com experiência em desenvolvimento econômico, política comercial, política ambiental internacional e América Latina, ele considera o comportamento agressivo americano como arriscado do ponto de vista da economia global. Aproveitando a sua participação nesta segunda, às 10h, em um painel ao lado de André Lara Resende e Mariana Mazzucato, dentro da conferência Amanhãs Desejáveis, organizada pela UFRJ, Gallagher conversou com o GLOBO sobre os riscos que a rivalidade entre os países podem acarretar, inclusive para o Brasil.

Em vistas das mobilizações nacionais contra a pandemia, a crise provocada pela Covid-19 também é, em larga medida, uma crise relacionada à dívida. Como o senhor avalia a resposta global para alívio das dívidas até agora?

Se você for um dos países mais pobres do mundo, não é tão ruim. Por outro lado, os países de renda média foram abandonados pelo sistema global. O esquema do G-20 para a iniciativa de suspensão do serviço da dívida exclui todos os países de renda média, e a maior parte da dívida está nestes países. Se você está no Brasil, na Colômbia ou na África do Sul, a única coisa que pode fazer é recorrer ao FMI. E não preciso dizer a ninguém do Brasil como isso não é lá muito bom, para dizer o mínimo.

Quais podem ser as consequências desse abandono?

Não quero dizer nada de ruim sobre os países pobres. Mas, quando os países de renda média têm crises, há maior chance de elas se tornarem sistêmicas. Há algumas décadas, quando o Brasil teve uma crise, ela foi para a Argentina. Depois pode se espalhar para a Rússia, e se mover pelo mundo. Enquanto, com todo o respeito ao Haiti, mas, se houver uma crise financeira lá, ela não sairá do país. E eu acho que o sistema multilateral abandonou os países de renda média. Em parte, por causa da rivalidade entre EUA e China — porque, obviamente, seria necessário conceder alguns benefícios e criar algumas políticas que favoreceriam a China, e há um eleitorado que não quer isso.

Apesar da competição entre Washington e Pequim, Biden com frequência afirma que os EUA estão prontos para cooperar com a China, sobretudo contra a mudança climática. Como avalia essa cooperação até agora?

Em relação ao governo Trump, foi uma mudança significativa. Com Trump, qualquer coisa que a China fizesse era terrível, enquanto o governo Biden percebe que há algumas coisas nas quais as duas maiores economias do mundo precisam cooperar. No entanto, o Gabinete de Biden tem muitas cabeças, e há uma batalha interna. Só alguns setores do governo entendem que áreas como crises financeiras, comércio, mudança climática,  e a pandemia exigem que trabalhem juntos. E é muito cedo para fazer uma avaliação definitiva. De concreto, não há nada que possa apontar, exceto para uma espécie de grupo de trabalho sobre as mudanças climáticas que será montado. Espero que seja um sinal de cooperação.

Em quem o senhor pensa quando diz que há setores dispostos a cooperar? O primeiro encontro entre os chefes das diplomacias foi um desastre marcado por trocas de insultos.

Sim, a cúpula do Alasca foi embaraçosa, em função do excesso de arrogância da parte dos americanos. Você não pode simplesmente abandonar o sistema multilateral por quatro anos e depois voltar e pensar que pode simplesmente dizer a outros países o que fazer. Penso em John Kerry, o enviado especial para mudança climática. O Departamento de Estado está menos comprometido [com a cooperação]. O grande problema a ser observado é como o escritório do representante de Comércio dos Estados Unidos vai reagir. Ainda não houve novas medidas, há um momento de paz no conflito comercial EUA-China. Mas também não houve nenhuma resolução. E isso afeta um país como o Brasil de maneira direta e imediata.

Como?

As exportações brasileiras para a China, como aço e minério de ferro, viram produtos que são vendidos para os EUA. Portanto, nesse nível, se a guerra comercial não diminuir, isso pode ter um impacto negativo sobre o Brasil. Mas, por outro lado, o Brasil se beneficiou um pouco porque os Estados Unidos já foram o maior exportador de soja para a China, e o Brasil conseguiu pegar um pouco delas para si. Mas esses são os impactos diretos. Quando os Estados Unidos e a China estão em um grande conflito comercial na comunidade de investimento global, todos ficam nervosos, e isso realmente perturba os mercados financeiros, o que pode levar à fuga de capitais. Fora isso, há esse projeto de lei do senador Bob Menendez, apelidado de “a Lei da Guerra Fria”. Com ele, um aumento de capital para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) só seria aprovado se os países começassem a considerar a redução de seus financiamentos da China

Quais seriam os efeitos de tal medida?

De acordo com estimativas de meu centro, nas últimas duas décadas, os bancos de desenvolvimento chineses forneceram mais financiamento para os países latino-americanos, especialmente o Brasil, do que o BID. Ou seja,  poderia acarretar em uma perda líquida nos fluxos financeiros.

Como especialista em China americano, como o senhor vê este conflito?

Eu não minimizo algumas das coisas que a China tem feito. Penso que Xi Jinping consolidou seu regime de maneira autoritária, e não apoio o que tem sido feito em Hong Kong ou contra os uigures. Mas não é esta a razão pela qual há tanta desigualdade e populismo nos Estados Unidos. Isto acontece porque os Estados Unidos não têm investido em seu próprio povo. E os Estados Unidos sempre gostam de culpar outros países por seus problemas. Não deveria ser nenhuma surpresa se a China tem investido 40% do PIB em sua economia por 40 anos, enquanto os Estados Unidos não o fazem, que o país que investe se saia melhor. Não se pode culpar a China por os Estados Unidos não terem investido em si. Agora temos uma competição,  e ela se dá da pior maneira. Em vez de tentarmos nos tornar competitivos, buscamos bloquear a China do resto do mundo. Isso é perigoso para a economia global.

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Massacre de Tulsa: Como uma mentira de jornal foi estopim para matança de negros nos EUA | Blog do Acervo - O Globo

Homem em meio a ruínas de Greenwood após Massacre de Tulsa, em 1921

Os ponteiros marcavam algo em torno de 16h de uma segunda-feira quando o engraxate Dick Rowland, de 19 anos, foi ao Edifício Drexel para usar o único banheiro permitido para negros nos arredores de onde ele trabalhava, no centro da cidade americana de Tulsa. 

Quando ele entrou no elevador, a ascensorista Sarah Page, uma adolescente branca de 17 anos, não se sabe por que motivo exatamente, deu um grito e atraiu a atenção de outros funcionários no prédio. 

Em uma questão de segundos, Rowland se tornara suspeito de tentar molestar a menina.

Ocorrida no dia 30 de maio de 1921, a cena deu início a uma série de acontecimentos que, menos de 48 horas depois, desembocaram no tenebroso episódio conhecido como o Massacre de Tulsa. 

Cerca de 300 pessoas negras foram mortas por turbas de homens brancos armados que invadiram o distrito de Greenwood, em Tulsa, Oklahoma, entre a noite de 31 de maio e a madrugada de 1° de junho, há cem anos. 

Capítulo emblemático da história dos Estados Unidos, a chacina vem sendo relembrada em séries de TV como "Watchmen" e "Lovecraft country", que mostram como aquela mortandade está, até hoje, enraizada na sociedade americana.

Ruínas do distrito de Greenwood após o Massacre de Tulsa, em 1921

Mesmo após cem anos da confusão no Edifício Drexel, ninguém sabe precisar o que houve. 

Historiadores dizem que Rowland pode ter tropeçado e, ao tentar evitar uma queda, segurou-se no braço de Sarah, que berrou assustada. 

A polícia foi chamada, mas a suposta vítima sequer prestou queixa contra o rapaz.

Segundo relatos, eles até se conheciam, já que o engraxate trabalhava na área e, provavelmente, usava o banheiro do prédio com frequência. 

Até então, tudo parecia um mal-entendido típico de uma sociedade racista que culpa o jovem negro em situações como aquela.

Na manhã seguinte, dois policiais detiveram Rowland na Avenida Greenwood e levaram-no à delegacia.

Na tarde do mesmo dia, o diário "Tulsa Tribune", de propriedade de um homem branco, publicou um texto na primeira página sob o título "Negro preso por atacar garota em elevador". 

O jornal relatou o episódio da véspera de forma mentirosa (e racista), afirmando que o engraxate molestara a menina, "arranhando" seu rosto e  "rasgando" suas roupas. 

A matéria  descrevia Rowland como um criminoso, e Sarah como uma órfã que trabalhava para pagar os estudos. 

Testemunhos dão conta de que o "Tulsa Tribune" também publicou um editorial sob o título "Lichamento de negro hoje", mas não há registro físico deste artigo.

Família dentro de um carro após o Massacre de Tulsa, em 1921

"Assim que o 'Tulsa Tribune' chegou às ruas, em cerca de meia hora, havia conversas sobre linchamento nas ruas de Tulsa", disse em entrevista à emissora "NBC News" o historiador Scott Ellsworth, autor do recém-lançado livro "The ground breaking: 

Uma cidade americana em sua busca por Justiça", sobre as sequelas ainda vivas em Tulsa  cem anos após o massacre. 

"O que aconteceu depois daquilo foi uma multidão de licnhamento e aí as coisas começaram a acontecer muito rapidamente".

Em uma entrevista ao jornal "The Tulsa Daily World" publicada em 2 de junho de 1921, dia seguinte ao massacre, o chefe de polícia James Patton afirmou que a polícia estava conduzindo a investigação de forma cautelosa. 

Segundo ele, Sarah Page disse apenas que Dick Rowland agarrara seu braço e fugira quando ela gritou de susto. 

De acordo com Patton, não fosse a versão enganosa dos fatos publicada pelo "Tulsa Tribune", provavelmente, todo o episódio de extrema violência que se sucedeu no distrito de Greenwood não teria ocorrido.

Análises reconhecem a influência do jornal nos acontecimentos, mas afirmam que a tensão racial era um barril de pólvora pronto para explodir. 

OKLAHOMA é um estado no Sul dos EUA, região de histórica segregação racial. 

Naquela época,  vigoravam leis de discriminação contra descendentes de africanos em diversos espaços públicos. 

O distrito de Greenwood era conhecido como a "Wall Street negra", endereço de pessoas bem sucedidas de pele negra, como advogados, dentistas e comerciantes. 

Muitos moradores da "parte branca" de Tulsa se ressentiam desse êxito.

Entrada de um acampamento de refugiados após o Massacre de Tulsa, em 1921

O clima esquentou no início da noite, quando homens brancos se aglomeraram na porta do tribunal de Tulsa, onde Rowland seria levado à presença de um juiz. 

Três deles entraram no prédio e chegaram a pedir às autoridades que o engraxate fosse entregue ao grupo. 

Queriam matá-lo.

Como não se podia confiar na competência (e nem na boa vontade) da polícia para proteger o engraxate, por volta das 21h30, dezenas de homens negros, muitos deles veteranos da Primeira Guerra Mundial, armados com rifles e revólveres, chegaram ao tribunal.

A partir de então, a situação ficou fora de controle. 

Por volta das 23h, havia cerca de 2 mil homens brancos, boa parte deles também armados, na porta do tribunal. 

Não demorou até que uma briga entre os dois grupos desse início a uma troca de tiros. 

Os homens negros, em minoria, retiraram-se na direção do distrito de Greenwood, mas foram perseguidos pela turba de homens brancos, que começaram a saquear os estabelecimentos pelo caminho e a disparar também contra pessoas negras que nem estavam envolvidas naquela confusão.

Foi um caos.

Fumaça de casas de famílias negras incendiadas no Massacre de Tulsa, em 1921

A madrugada de 1º de junho viu a brutalidade se espalhar por horas. 

Residências e prédios comerciais foram queimados.

Parte dos moradores revidaram os ataques com tiros, mas os agressores eram maioria. 

Mais de 30 quarteirões foram incendiados. 

Após aquela noite, muitas famílias deixaram Tulsa para nunca mais voltar. 

Segundo Scott Ellsworth, é preciso continuar pesquisando para se chegar a um total de mortos, mas todas as estimativas informam que o número de negros que perderam a vida é muitas vezes maior do que o de brancos.

Depois dos distúrbios, enquanto os agressores ainda se gabavam de sua participação no massacre, as autoridades de Tulsa se esforçaram para apagar seus registros, como fotos e outros documentos. 

O episódio nunca foi totalmente esquecido, mas, quando a série "Watchmen" foi ao ar, em 2019, muitos americanos confessaram jamais ter ouvido falar na tragédia. 

Mesmo entre as comunidades negras há desconhecimento sobre o assunto, já que muitas famílias, traumatizadas, sentiram dificuldade em falar daquilo para seus filhos e netos.

Ruínas do distrito de Greenwood após o Massacre de Tulsa, em 1921
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Bolsonaro recusou vacina quando a Pfizer venderia ao Brasil com 50% de desconto

247 - Jair Bolsonaro ignorou proposta da Pfizer de vender a vacina contra a Covid-19 por US$ 10 a dose, quando o valor chegava a US$ 20 em outros países.

O governo de Jair Bolsonaro considerou caro o preço cobrado pela Pfizer e deixou de comprar em agosto de 2020 até 70 milhões de doses, que poderiam ter sido entregues pela farmacêutica a partir de dezembro, informa a Folha de S.Paulo

A vacinação antecipada teria evitado mortes e os prejuízos bilionários provocados pelo fechamento da economia.

Com o atraso nos contratos, as primeiras doses da Pfizer só chegaram ao Brasil em abril. Oito meses se passaram entre a primeira oferta e a entrega.

O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contabilizou 53 e-mails enviados pela Pfizer ao governo a partir de agosto cobrando resposta sobre a oferta dos 70 milhões de doses.

Em depoimento à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, considerou a proposta da Pfizer como “agressiva” e disse que o preço da dose por US$ 10 era muito caro, valor pelo qual meses depois o próprio Pazuello autorizou comprar.

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Antipetismo de esquerda fica isolado no PSOL e divide PDT

24.jan.2018 - O ex presidente Lula abraça Guilherme Boulos após confirmação de condenação na Operação Lava Jato. Boulos defende que PSOL apoie Lula em 2022 - Nelson Antoine/UOL
24.jan.2018 - O ex presidente Lula abraça Guilherme Boulos após confirmação de condenação na Operação Lava Jato. Boulos defende que PSOL apoie Lula em 2022 Imagem: Nelson Antoine/UOL

Pedro Venceslau

São Paulo

07/06/2021 08h00

Atualizada em 07/06/2021 09h02

Fortalecido após chegar ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de São Paulo no ano passado, o líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, deve se consolidar como a principal liderança nacional do PSOL e isolar as correntes antipetistas da legenda em setembro, quando o partido vai realizar seu próximo congresso.

Pelas projeções de líderes do partido ouvidos pelo "Estadão", a chapa articulada por Boulos deve vencer a corrente que é contra uma aliança com o ex-presidente Luiz Inácio da Silva na disputa presidencial do ano que vem —o petista, que recuperou os direitos políticos, lidera as pesquisas de intenção de voto à Presidência.

Boulos anuncia novo protesto contra Bolsonaro para 19 de junho

Fundado a partir de uma dissidência do PT, o partido lançou candidatura própria em todas as eleições presidenciais desde a sua criação, em 2005. Com um discurso de oposição sistemática à esquerda aos governos petistas, o PSOL caminha agora para uma nova correlação interna de forças.

Batizada como "Revolução Solidária", a corrente criada por Boulos se uniu ao grupo "Primavera Socialista", liderado pelo deputado Ivan Valente, que também prega uma aproximação com o PT.

"Essa vai ser a principal disputa no congresso do PSOL: uma posição pública sobre 2022. Na nossa avaliação, não há um cenário que indique vitória do Bolsonaro no 1° turno. Não faz sentido o PSOL abrir mão de sua independência e programa", disse a deputada federal Sâmia Bomfim (SP).

Ela integra o grupo MES (Movimento Esquerda Socialista), que é contra o apoio a Lula a até "lançou" o deputado Glauber Braga (RJ) como pré-candidato ao Palácio do Planalto.

"Desde que recuperou seus direitos políticos, o Lula sinaliza mais para o Centrão e a direita liberal do que à esquerda. Seria irresponsabilidade o PSOL não apresentar um nome próprio", disse.

Dissidente do PT e um dos fundadores do partido, Ivan Valente discorda. "Lula é muito competitivo e tem uma atração muito forte na base do eleitorado progressista. Ainda tem gente com a visão de que o PT pode cooptar o PSOL. Não vejo esse risco", afirmou.

Procurado, Boulos não se manifestou sobre a disputa interna, mas seus aliados dizem que ele vai entrar "com tudo" no congresso do partido após filiar militantes do MTST, do movimento estudantil e de movimentos sociais que o apoiaram na eleição. Alinhado com Boulos, o atual presidente do PSOL, Juliano Medeiros, deve ser reconduzido ao cargo.

Enquanto o PSOL se move para a órbita de Lula, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) adotou o antipetismo como uma estratégia em busca do eleitor de esquerda que se decepcionou com o ex-presidente. Esse discurso causou reações no PDT.

O primeiro a vocalizar a discordância foi o deputado federal Túlio Gadelha (PE), que se reuniu recentemente com Boulos e outras lideranças do PSOL em uma sinalização de que pode mudar de partido. Em entrevistas, Gadelha disse achar um "erro" os ataques de Ciro a Lula.

O ex-deputado Miro Teixeira (RJ), que deixou a Rede e voltou ao PDT este ano para coordenar a campanha de Ciro, disse que discorda "dessa linha radical contra Lula".

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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