R$ 24,5 BI-LHÕES estão "esquecidos" no PIS

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O país DESABANDO. Se fosse 'Star Wars', vocês estariam do lado de DARTH_VADER. Deus do céu, precisa de CPI?!

Professor Thomas Sowell conta que foi educado pelos fatos

Sai nos EUA biografia do acadêmico que se tornou uma espécie de Cão da Terceira Hora do conservadorismo político e econômico

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R$ 24,5 bi estão "esquecidos" no PIS; veja se você tem direito ao dinheiro

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'Ainda estou em choque. Acordo e acho que não é real', diz Mônica Martelli sobre morte de Paulo Gustavo

Por que o 'gabinete paralelo' é uma peça-chave da CPI da Covid?

Os enganos de Paulo Guedes são seletivos

Ancorando no retrocesso. Políticas setoriais nos tornam reféns do seu fracasso

Mônica Martelli posa com quadro feito por Renê Machado. Nele, há um chapéu com a frase “rir é um ato de resistência” inscrita

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R$ 24,5 bi estão "esquecidos" no PIS; veja se você tem direito ao dinheiro

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

06/06/2021 04h00

Atualizada em 06/06/2021 14h42

Trabalhadores brasileiros têm R$ 24,5 bilhões a receber parados no banco. É um dinheiro de duas fontes diferentes: as cotas do PIS/Pasep e o abono salarial também do PIS/Pasep. Existe um prazo para cada uma dessas fontes. As cotas podem ser sacadas até maio de 2025, mas o prazo do abono termina no fim deste mês.

A diferença entre os dois pagamentos é a seguinte: as cotas do PIS/Pasep podem ser sacadas por quem trabalhou em empresas e órgãos públicos entre 1971 até 1988. Se o cotista morreu, os herdeiros têm direito. Os recursos podem ser sacados na Caixa Econômica Federal. O abono salarial é pago para quem trabalhou com carteira assinada ou como funcionário público no ano anterior. Para ter direito, é preciso preencher alguns requisitos, como ter recebido em média até dois salários mínimos por mês.

Pagamento de até R$ 1.100 do abono salarial é adiado de julho para 2022

O valor pago no abono é de até um salário mínimo (R$ 1.100, em 2021) e varia de acordo com o tempo que a pessoa trabalhou. Quem trabalha no setor privado pode fazer o saque na Caixa. Servidor público retira no dinheiro no Banco do Brasil.

Os R$ 24,5 bilhões parados no banco estão divididos assim:

  • R$ 22,8 bilhões são de cotas do extinto fundo PIS/Pasep, repassados ao FGTS
  • R$ 1,2 bilhão de recursos do abono salarial não sacados em outros anos
  • R$ 448,4 milhões de abono salarial do atual calendário

Tire dúvidas sobre os dois pagamentos a seguir. Primeiro o fundo PIS/Pasep:

Quem pode ter dinheiro na cota do PIS/Pasep?

De 1971 até 1988, as empresas e órgãos públicos depositavam dinheiro no fundo PIS/Pasep em nome de cada um dos seus funcionários e servidores contratados. Cada trabalhador, então, era dono de uma parte (cota) no fundo.

Portanto, quem trabalhou antes de 4 de outubro de 1988 como contratado em uma empresa privada tem uma cota no PIS e quem atuou como servidor público tem uma cota no Pasep.

Esses recursos não têm relação com o abono salarial do PIS/Pasep, que é pago anualmente a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos por mês.

As cotas do PIS eram sacadas na Caixa e as do Pasep no Banco do Brasil. Entretanto, o governo extinguiu os dois fundos e transferiu os recursos para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Com isso, os saques foram concentrados na Caixa.

Os valores sacados variam e precisam ser consultados na Caixa.

Herdeiros podem sacar as cotas?

Sim, se o trabalhador morreu, seus herdeiros podem sacar o dinheiro. Basta ir a qualquer agência da Caixa portando o documento oficial de identificação e o documento que comprove a condição de herdeiro (certidão de óbito e inventário).

Como fazer o saque de cotas do PIS/Pasep?

Quem ainda não fez o saque deve procurar uma agência da Caixa Econômica Federal. É preciso levar um documento oficial com foto.

Até quando posso fazer o saque das cotas do PIS/Pasep?

Os valores de cotas serão considerados abandonados a partir de 1º de junho de 2025, quando passarão à propriedade da União. Dessa forma, os valores das cotas do PIS, estarão disponíveis para saque até 31 de maio de 2025.

Agora veja como funciona o abono salarial do PIS/Pasep:

Quem tem direito a sacar o abono salarial do PIS/Pasep?

  • Quem trabalhou com carteira assinada por pelo menos 30 dias no ano anterior
  • Ganhou, no máximo, dois salários mínimos por mês, em média
  • Está inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos
  • É preciso que a empresa onde trabalhava tenha informado os dados corretamente ao governo

Como saber se tenho direito?

Para saber se tem direito ao abono salarial, é possível fazer a consulta das seguintes maneiras:

PIS (trabalhador de empresa privada):

Pasep (servidor público):

  • Pelos telefones da central de atendimento do Banco do Brasil: 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas); 0800 729 0001 (demais cidades) e 0800 729 0088 (deficientes auditivos)

Quanto é pago?

O valor pago é de até um salário mínimo (R$ 1.100, em 2021) e varia de acordo com o tempo que a pessoa trabalhou. Se ela trabalhou o ano todo, recebe um salário mínimo. Se trabalhou um mês, ganha proporcionalmente: 1/12 do salário mínimo.

Segundo o Ministério da Economia, os valores são arredondados para cima. Quem trabalhou por um mês, por exemplo, teria direito a R$ 91,67 de abono. Com o arredondamento, o trabalhador recebe R$ 92.

Depósitos pelo Caixa Tem

Em dezembro de 2020, a Caixa começou a pagar o abono salarial do PIS para quem não é correntista via aplicativo Caixa Tem —o mesmo usado para o pagamento do auxílio emergencial.

O banco abriu uma poupança social digital gratuita para quem ainda não tinha. Ela só pode ser movimentada pelo app, que está disponível para os sistemas de celular Android ou iOS. Pelo Caixa Tem é possível pagar boletos, fazer transferências e compras com cartão virtual.

Onde é feito o saque?

Recebeu o crédito em poupança digital? O saque pode ser realizado nos terminais de autoatendimento, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui a partir da geração de token diretamente no app Caixa Tem. O token também pode ser gerado nas agências, com a apresentação de documento de identificação com foto.

É correntista individual da Caixa? O abono é depositado diretamente na conta, caso haja saldo acima de R$ 1 e movimentação

É servidor público? O saque é feito nas agências do Banco do Brasil, com documento de identificação. Servidores correntistas do banco recebem o dinheiro diretamente na conta. Mais informações sobre o Pasep podem ser obtidas pelo telefone do BB: 0800 729 0001

Até quando posso sacar o abono salarial?

O abono salarial estará disponível para saque até o fim deste mês, 30 de junho.

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5 coisas que você costuma fazer no carro que dão multa e poucos sabem

Folha Imagem
Imagem: Folha Imagem

Do UOL, em São Paulo (SP)

06/06/2021 04h00

Estacionar em fila dupla, dirigir com o celular no ouvido, conduzir após ingerir bebida alcoólica e exceder o limite de velocidade são exemplos clássicos de condutas que dão multa e pontos no prontuário da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

No entanto, existem outros hábitos menos óbvios que também podem resultar em penalidades e até remoção do veículo - e poucos sabem.

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Veja cinco exemplos, de acordo com o especialista em legislação de trânsito Marco Fabrício Vieira - conselheiro do Cetran-SP (Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo) e autor do livro "Gestão Municipal de Trânsito".

1 - Comer ou beber durante a condução

Motorista comendo enquanto dirige - Freestock - Freestock
Imagem: Freestock

Essa conduta caracteriza infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na carteira.

"O Inciso V do Artigo 252 do CTB [Código de Trânsito Brasileiro] proíbe dirigir com apenas uma das mãos no volante, exceto se você for sinalizar uma manobra para os demais motoristas. Quem tem o costume de comer enquanto dirige corre o risco de ser multado", explica o especialista Vieira.

2 - Fumar enquanto dirige

Motorista fumando enquanto dirige - Pixabay - Pixabay
Imagem: Pixabay

De acordo com Vieira, o motorista que for pego fumando no carro e com apenas uma das mãos no volante pode igualmente ser enquadrado no Inciso V do Artigo 252 do CTB. Portanto, trata-se de infração média, com a mesma penalidade citada acima.

"Esse é um dos motivos pelos quais a maioria dos veículos já não é mais vendida com isqueiro e cinzeiro".

3 - Estacionar longe do meio-fio

estacionar longe do meio-fio - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Medo de ralar uma roda na guia ou deixar um "espacinho" extra para sair da vaga caso seja prensado por outros carros. Essa manobra de estacionar longe da guia pode render multa. A regra sobre a distância a ser guardada da calçada está prevista no CTB.

O Inciso III do Artigo 181 alerta que estacionar entre 50 cm e 1 metro da guia é uma infração leve. Isso significa que o condutor ou a pessoa no nome o carro está registrado vai receber três pontos na CNH e multa de R$ 88,38. Segundo Vieira, é possível, ainda, que o carro seja guinchado.

Se a distância for superior a um metro, a infração passa a ser grave, com cinco pontos na CNH e multa de R$ 195,33. Como na infração leve também pode incorrer em remoção do veículo.

4 - Ligar o pisca-alerta com carro em movimento

Pisca-alerta ligado com o carro - Marcelo Justo/Folha online - Marcelo Justo/Folha online
Imagem: Marcelo Justo/Folha online

Um clássico das estradas quando a velocidade diminui bruscamente, o pisca-alerta é acionado pelos motoristas com o carro em movimento. Além disso, nos centros urbanos, taxistas ou motoristas de aplicativo usam o mesmo recurso para avisar que vão parar.

Apesar de parecer "inteligente", esse uso do pisca-alerta é proibido, de acordo com Vieira. O Inciso I do Artigo 251 legisla sobre isso:

"O pisca-alerta deve ser acionado em caso de imobilização do veículo, em situações de emergência ou se a sinalização da vida assim determinar", diz.

A exceção a regra é o uso em vagas de estacionamento por tempo limitado, como na frente de farmácias, na qual a sinalização exija o uso do pisca-alerta no período.

5 - Usar fone de ouvido enquanto dirige

Fone de ouvido no carro - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

No Inciso VI do Artigo 252, a lei diz que é proibido dirigir usando fones de ouvido, considerando a infração média - quatro pontos - com multa de R$ 130,16. Contudo, afirma Vieira, que "o manual de fiscalização de trânsito, aprovado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), diz que o motorista não deve ser autuado, caso esteja com fone em apenas um dos ouvidos.

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Opinião - Marilene Felinto: Terceira onda de tortura

O que falta para derrubarem o governo assassino de Bolsonaro?

Torturados pelo medo de que falte ar, de que falte UTI, de que falte oxigênio, de sermos acometidos por uma febre ou tosse súbita, de perdermos nossos entes queridos pela falta de imunização —torturados pela falta de testagem e de vacinas, pelo descaso, pelo descompromisso com a vida.

Tortura é crime. E estamos sendo torturados todo dia pelo presidente Bolsonaro e seu governo criminoso. (Perdi o medo de me referir a Bolsonaro com a palavra “criminoso”. Estava esperando que alguém em quem confio dissesse isso primeiro). E disse: Luís Francisco Carvalho Filho, homem da lei, que sabe das coisas, advogado criminalista dos grandes, em artigo nesta Folha de 28/5. Disse, com todas as letras: “Presidente criminoso”.

Governo torturador. Tortura é crime: a lei 9.455/97, em seu artigo 1º, incisos e alíneas, fala de tortura como “constrangimento de alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental”.

Então! Bolsonaro nos ameaça constante e gravemente. O simples fato de termos que olhar para a cara dele e dizer que é um “presidente” já se constitui em violento constrangimento. Estamos em sofrimento mental há mais de um ano, apavorados, acuados pela falta de vacinas, afastados de familiares e amigos, ameaçados de morte, violentados pelo show de horrores que nos forçam a assistir: o comportamento irresponsável e inconsequente do governante motociclista.

Mortandade. Genocídio. Que isso é parte de um crime organizado, não há mais dúvida —uma quadrilha na condução do país. Inimaginável o suplício de quem perdeu e está perdendo entes queridos, vivendo meses de angústia e indignação.

Sofrimento mental e sofrimento físico: quase 500 mil já padeceram de solidão e dor física incalculável, aterrorizados pela falta de ar, machucados por tubos que lhes desceram garganta abaixo ou simplesmente asfixiados pela falta de um cilindro de oxigênio.

Isso se chama tortura. Carnificina. Assassinato em massa. Crime. Uma aberração política: os titulares do exercício do poder atuando contra a comunidade de cidadãos, incentivando aglomerações, ridicularizando a ciência.

Desfile de gangues de motoqueiros neofascistas ignorando a pandemia é um atentado à nossa saúde coletiva. É a desqualificação de nossa inteligência. É puro horror.

Estamos em sofrimento mental há mais de um ano, aviltados em nossos direitos humanos: afinal, o artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que “ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes”.

Pois, então, nossa integridade pessoal está sendo violentamente ameaçada, quando não cruelmente violada ali mesmo no nascedouro: no útero das grávidas. Mortes de grávidas e de mães de recém-nascidos por Covid-19 estão acima da média da população em geral, segundo levantamento recente.

Já existe uma legião de órfãos da Covid. As grávidas pobres, as perseguidas de sempre, morrem mais: “Falta de acesso a UTI e intubação afeta até um terço das gestantes e das puérperas que morreram durante a pandemia”, segundo levantamento do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19.

Morticínio. O governo é assassino. É torturador. Dispensa tratamento degradante e desumano a nossa inteligência e a nossos corpos. Derrubem o assassino. Ele matou Paulo Gustavo, branco, rico, famoso, alegre. E matou centenas de milhares de outros Paulos, os da Silva, pretos, pobres, tristes ou alegres, anônimos. Ele assassinou Nicette Bruno, branca, rica, famosa. E não vacilou em matar também Nícia, Nicea, Nilce e outra Nicette: pretas e brancas, pobres, anônimas.

É urgente derrubar o assassino. Já se fala numa terceira onda de Covid-19 e de uma necessária terceira dose de vacina (que também não teremos). É mais tortura. Já se fala em 1,4 milhão de brasileiros que morrerão no total —tudo isso de vidas, de amores, de amigos, de familiares que perderemos para o crime de tortura e genocídio.

E eles —os titulares do exercício do poder, cupinchas bolsonaristas como o deputado Arthur Lira, comandante da Câmara dos Deputados, que mantém engavetadas dezenas de pedidos de impeachment contra o presidente criminoso— vão continuar matando se este é o custo da partilha e manutenção do poder.

Então! Repetindo: Bolsonaro nos ameaça constante e gravemente. O simples fato de termos que olhar para a cara dele e dizer que é um “presidente” já se constitui em violento constrangimento. Estamos em sofrimento mental (e físico) há mais de um ano.

Então, Congresso desacreditado, STF inacreditável, CPI só-por-deus, o que falta para derrubarem o governo assassino torturador?

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Opinião - Antonio Prata : O país desabando

Se fosse 'Star Wars', vocês estariam do lado de Darth Vader

Deus do céu, precisa de CPI?!

Um edifício irregular, num bairro irregular, numa cidade irregular, num estado irregular, num país irregular, desabou. Quando o delinquente Ricardo Salles fala em “passar a boiada”, em desregulamentar, ele está simplesmente aplicando à Amazônia os métodos da milícia em Rio das Pedras. A gente sabe como termina: em escombros, fogo e morte.

Rio das Pedras, o berço das milícias cariocas, do Escritório do Crime, dos assassinos da Marielle, é também curral eleitoral da família Bolsonaro. 

Local de grande influência do Fabrício Queiroz, capataz do presidente e babá de seus filhos. 

O MP-RJ tem gravação do Queiroz falando com a mulher sobre ajudar os milicianos do bairro. 

E isso deve ser só a ponta do iceberg.

Deus do céu, precisa de CPI?! Fabrício Queiroz até outro dia estava escondido na casa do advogado do senador Flávio Bolsonaro. Flávio que, segundo matéria do The Intercept, financiou com dinheiro da “rachadinha”, coletado por Queiroz, construções irregulares de milicianos em Rio das Pedras. Tipo essa que desabou. O dinheiro era dado ao matador Adriano da Nóbrega. Um homem que assassinava por dinheiro, mas também por prazer: se pudesse escolher, preferia a faca. O artesão do homicídio foi homenageado por Flávio Bolsonaro com a maior honraria legislativa do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes. Bolsonaro disse, em março deste ano, que foi ele quem mandou Flávio fazer a homenagem.

O prédio desabado em Rio das Pedras e a anistia das Forças Armadas a Pazuello são a mesma coisa: a destruição das estruturas. O desprezo à lei. Como é a mesma coisa o silêncio cúmplice do Conselho Federal de Medicina e dos CRMs diante de profissionais criminosos que recomendaram e seguem recomendando cloroquina. É a mesma coisa o apoio tácito ou explícito dos industriais, dos empresários, do mercado financeiro, do Facebook e do Twitter, que analisam a morte de 500 mil brasileiros de HP na mão. Talvez digam que já estava “precificado”. Se fosse “Star Wars”, vocês estariam do lado de Darth Vader. Como vocês dormem?

Ilustração mostra criança desenhada em verde e amarelo de frente para fenda de uma rachadura
Ilustração de Adams Carvalho para coluna de Antônio Prata - Adams Carvalho

Está errado dizer que Bolsonaro é um genocida: o genocida quer acabar exclusivamente com um grupo étnico, religioso ou cultural. Bolsonaro é mais generoso em sua morbidez. Ele passará por cima de quem for preciso para instalar seu projeto miliciano, para perpetuar-se em seu Gabinete do Crime e do Ódio, com a ajuda dos “consiglieri” de pós-doc na parede, óculos de tartaruga na fuça e sangue nas mãos. Guedes e Salles, o contador e o meirinho da máfia. Perdão pela comparação, Corleone, pois este bando não conhece a “omertà”.

Todos os que não estão se insurgindo agora diante do desmoronamento do país terão que explicar aos filhos e netos, um dia, quando esta mortandade for ensinada nas escolas: por que se calaram? Por que não fizeram nada quando os judeus embarcavam em trens de carga e o chicote cantava no pelourinho? Covardes.

Eu sei o que direi aos meus filhos. Olivia e Daniel, deixo aqui registrado: eu e muitos à minha volta estávamos lutando pela lei, pela verdade, pela justiça. Estávamos escrevendo, nos manifestando, reportando, unindo forças, arrecadando dinheiro para a resistência e assim continuaremos até o fim, o nosso ou o da tragédia, para que vocês e todos os outros brasileiros, brancos e pretos, homens e mulheres, possam um dia viver num país decente. Pode soar piegas, mas eu não quero ser original, eu quero sobreviver.

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Opinião - Elio Gaspari: Professor Thomas Sowell conta que foi educado pelos fatos

Sai nos EUA biografia do acadêmico que se tornou uma espécie de Cão da Terceira Hora do conservadorismo político e econômico

Acaba de sair nos Estados Unidos uma biografia do professor Thomas Sowell. Coincide com seu 90º aniversário e é pedestre, mas conta uma grande vida.

Sowell nasceu numa casa que não tinha água encanada nem eletricidade e foi criado por uma tia-avó no Harlem de Nova York. Ralou na pobreza e alistou-se no Corpo de Fuzileiros. Na juventude não podia sentar-se em mesas de brancos nos restaurantes e foi marxista. Diplomou-se por Harvard aos 28 anos e dez anos depois doutorou-se pela Universidade de Chicago, debaixo das asas dos economistas Milton Friedman e George Stigler. Ambos recomendaram-no para uma bolsa de estudos argumentando que ele era socialista, "porém muito esperto para continuar assim por muito tempo".

Na mosca. Sowell tornou-se uma espécie de Cão da Terceira Hora do conservadorismo político e econômico. Contesta a eficácia das políticas afirmativas, das cotas aos estímulos à diversidade. A seu juízo, a eleição de Joe Biden pode vir a representar o início da decadência do Império Americano.

A migração de Sowell teve duas vertentes. Numa esteve o respeito aos números: "Quando você percebe a importância dos fatos, o jogo é outro". Noutra, ficou longe do poder. Não é à toa que a biografia chama-se "Maverick", algo como "dissidente", numa tradução neutra, ou "porra-louca", em versão maligna. Afinal, um negro saído da pobreza não deveria ser conservador, muito menos intransigente.

Milton Friedman teve a coragem de dizer que "a palavra 'gênio' tem sido tão esbanjada que perdeu o sentido, mas eu acho que Tom Sowell está perto de ser um deles".

Com 36 livros publicados e centenas de artigos, Sowell celebrizou-se pela clareza de seus raciocínios. Um exemplo, tirado da sua análise do colapso das economias do finado mundo socialista: "O sistema tinha um problema inerente de conhecimento. Em poucas palavras: quem tinha poder não tinha conhecimento e quem tinha conhecimento não tinha poder".

Esse diagnóstico vale para o meio onde Paulo Guedes se meteu.

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Mônica Bergamo: 'Ainda estou em choque. Acordo e acho que não é real', diz Mônica Martelli sobre morte de Paulo Gustavo

Atriz e apresentadora conta que tenta elaborar a dor pela morte do ator, afirma que generosidade era a essência da vida dele e lembra de quando se conheceram, em 2005: "Rimos juntos pela primeira vez e ali nos apaixonamos"

Já faz um mês que Mônica Martelli desperta sabendo que não receberá uma chamada telefônica de seu melhor amigo pela manhã. Paulo Gustavo morreu às 21h12 de uma terça-feira, aos 42 anos de idade. Era 4 de maio de 2021, e a morte prematura do ator por um vírus para o qual já há vacina comoveu o país de forma inédita —como apontam levantamentos feitos nas redes sociais—, embora outros 411 mil já tivessem sido sepultados por causa da Covid-19.

Mônica e Paulo se conheceram há 16 anos numa pizzaria do Baixo Leblon, na capital fluminense. Ela apresentava uma peça, ele planejava a sua num calhamaço guardado em uma pasta. “Rimos juntos pela primeira vez e ali nos apaixonamos”, relembra a atriz, autora e apresentadora de 53 anos. No dia seguinte, um DVD da cantora Beyoncé inauguraria a amizade dos dois.

Juntos, dividiram roteiros, ensaios e cenas em trabalhos como os longas “Minha Vida em Marte” e “Minha Mãe É uma Peça”. Para o pós-pandemia, preparavam um filme, uma peça de teatro e uma série de TV. “Já tínhamos planejado até a nossa velhice”, conta a atriz.

No dia 29 de maio, ela levou o nome do ator inscrito em um cartaz à avenida Paulista, em São Paulo, onde participou de ato contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na parte inferior da peça, que citava o número de mortos no país, uma acusação: “Genocídio”. “A CPI da Covid nos mostra o que já sabíamos. Que houve negligência, descaso e irresponsabilidade.”

Em entrevista concedida excepcionalmente por email à coluna, devido a seu resguardo e luto, Mônica diz acreditar que amizades são histórias de amor —e conta a sua a seguir.

Mônica Martelli posa com quadro feito por Renê Machado. Nele, há um chapéu com a frase “rir é um ato de resistência” inscrita
Mônica Martelli: "Esse quadro que estou abraçando é do Renê Machado. No dia da missa do Paulo Gustavo, ele veio até mim e me deu como um presente. É o chapéu que ele sempre usava, e uma das frases mais marcantes do Paulo Gustavo", diz sobre a inscrição “rir é um ato de resistência” - Vitor Lisboa/WAY Star/Divulgação

O PRIMEIRO ENCONTRO

“Foi em maio de 2005. Eu estava no Baixo Leblon, na pizzaria Diagonal, logo após uma sessão da minha peça ‘Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou’. A peça tinha estreado recentemente e virado um grande sucesso no Rio de Janeiro. Eu estava sentada numa mesa do restaurante. Se agachou uma pessoa com um olhar vibrante, empolgado, acelerado, ao meu lado, e disse: ‘Oi, meu nome é Paulo Gustavo. Sou de Niterói, eu sou ator também. Já vi sua peça quatro vezes e queria te falar que também quero fazer um monólogo. Posso te mostrar meu projeto?’

Foi até a mesa dele e voltou com o projeto numa pasta. Paulo Gustavo não deixava nada para amanhã. Ele era o hoje. Foi a primeira impressão que tive dele. Ele tinha urgência em viver. Abri a pasta —foi quando eu vi pela primeira vez a foto da dona Hermínia— e estava escrito ‘Minha Mãe É uma Peça’. Folheei o projeto, olhei pra ele e falei: ‘Faz! Essa peça vai mudar a sua vida. Assim como ‘Os Homens São de Marte’ mudou a minha. Você está fazendo exatamente o que eu fiz, escrevendo a sua vida, contando a sua verdade. Faz do jeito que puder. Eu fiz um livro de ouro com a família para arrecadar algum dinheiro e montar. Não tinha dinheiro nenhum’.

Mônica Martelli no monólogo "Minha Vida em Marte", em 2018 - Guga Melgar/Divulgação

Aí ele falou: ‘Mas sua peça já tá sucesso, você ainda tá encalacrada em cheque especial ou já tá pagando jantar?’. Rimos juntos pela primeira vez e ali nos apaixonamos. Acredito que as amizades são histórias de amor. No dia seguinte, ele já me ligou pra falar da peça dele, de Déa [mãe de Paulo Gustavo], Juliana, irmã dele, da Cal (o curso de teatro que nós dois fizemos) e foi lá pra casa com um DVD da Beyoncé. Nunca mais nos separamos.

Exatamente um ano depois desse primeiro encontro ele estreou ‘Minha Mãe É uma Peça’ no mesmo teatro em que eu estreei ‘Os Homens São de Marte’ —o Teatro Candido Mendes, em Ipanema.

Ele estreou no dia 4 de maio de 2006, às 21h. Ele se foi no dia 4 de maio de 2021, às 21h12.”

COISA PRA SE GUARDAR

“Juntos, éramos como crianças. Ele me fazia rir e eu o fazia rir. E isso é muito poderoso. O riso te coloca num outro patamar, te eleva, te cura. Ele me imitava, eu amava me ver sob o olhar genial dele. Desde o início, nasceu uma parceria, uma integração, uma afinidade, uma admiração [de] um pelo outro e uma identificação muito grande.

Viemos do mesmo lugar. Viemos da classe média de Macaé e Niterói, filhos de mães professoras da rede pública. Tenho família também em Niterói. Nosso jeito de falar sempre foi muito parecido. A primeira vez que ouvi Paulo Gustavo falar ‘vou pra casa ‘de’ Mônica’ e não ‘pra casa ‘da’ Mônica’ me deu uma sensação de que estava falando com um irmão.

Eu sempre pude contar com ele. Você saber que tem com quem contar te dá uma segurança, um acolhimento muito grande. Ele cuidava. Talvez o mais importante era a confiança que tínhamos um no outro. Construímos uma amizade na confiança. A gente, quando confia no outro, não tem medo de errar, e assim a gente pode ser quem a gente é. É um sentimento libertador. Eu contava tudo pra ele, era muita intimidade.

Eu gostava de fazer tudo com ele, trabalhar, viajar, sair, me arrumar, conversar, não fazer nada juntos, fofocar. A gente só não transava. Quando eu falava isso pra ele, ele falava: ‘Ainda bem, né, senhora?!’.” O amor da amizade é um amor que conversa com o seu melhor.”

NOSSO MELHOR

“O nosso processo de trabalho era nós dois em pé, na sala da casa dele ou na de Susana Garcia, minha irmã e diretora dos nossos filmes e séries. A gente ficava criando e improvisando enquanto Susana ia escrevendo e gravando tudo o que era falado. Ela direcionava o que precisávamos naquela cena e a gente ia inventando, elaborando e rindo muito, sempre. Temos todo esse material gravado. Temos áudios de todos os nossos encontros. Um dia espero poder conseguir revisitar essa preciosidade. Vai ser muito difícil ouvir aquela gargalhada gostosa, aquela voz que sempre trazia uma genialidade.

A gente ia pro set com o roteiro já bastante amadurecido, mas havia tanto entrosamento que mesmo com um roteiro muito pronto, a gente criava na hora. Era uma parceria incomum. Entre a gente não existia competição, que acontece muito em duplas. A gente ficava um dando piada pro outro: ‘Fala essa você, Paulo Gustavo. Essa vai ser melhor você falando’. ‘Fala essa você, Mônica. Essa é melhor pra Mônica.’ Essa parceria sem competitividade está explícita nas nossas cenas e passa essa harmonia pro público.

Contracenar com ele fez eu reforçar o meu melhor. Não fui atrás dele, não fui no registro dele em momento nenhum, e aí é que foi o grande lance. Eu tinha um caminho e ele, outro. E isso me reforçou, me potencializou. Eu sabia qual era o meu melhor e ele, o dele. Nos admirávamos em cena e fora de cena.”

O VÍRUS

“Ele tinha muito medo de contrair Covid-19. Falávamos muito sobre o assunto. Ele tomou todos os cuidados possíveis. Todos os cuidados cientificamente comprovados como eficientes e necessários. Máscara, distanciamento, álcool em gel. Foi a pessoa mais cuidadosa com quem atravessei a pandemia.

Ele era um crítico da irresponsabilidade do governo em negar a ciência. Era casado com um médico, ficava muito impressionado e preocupado com esse negacionismo. Um país que tem um presidente da República que chama coronavírus de ‘gripezinha’ é uma barbárie. Os posicionamentos de um chefe de nação, por mais absurdos que sejam, sempre têm um significado forte: ficam no inconsciente coletivo gerando comportamentos irresponsáveis em todas as classes sociais. Conversávamos muito sobre todas essas questões.

Era preocupação atrás de preocupação. Quando aconteceu a tragédia em Manaus [em janeiro de 2021], ele imediatamente providenciou oxigênio para mandar. Ajudou muitas pessoas a sofrerem menos. Sempre colaborando efetivamente com ajuda financeira e nunca divulgava, as pessoas não sabiam.

Paulo Gustavo esteve ligado todo o tempo com os efeitos da tragédia da Covid-19. Até no hospital, antes de ser intubado, ele se preocupava com as famílias dos funcionários da saúde que estavam cuidando dele. Não ficava só teorizando. Ele partia para a realização: ‘Quem tem fome precisa de comida. Quem não respira precisa de oxigênio’.

Esse era o Paulo Gustavo. Um homem de ação.”

O ÚLTIMO ANO JUNTOS

“Estivemos juntos muitas vezes. Escrevemos uma nova peça eu, ele e Susana. Íamos estrear assim que terminasse a pandemia. Seria a nossa primeira vez juntos no palco. Faço monólogo há 20 anos e ele também. Trabalhávamos remoto, mas algumas vezes presencial, porque a gente funcionava muito juntos, em pé, improvisando e tendo ideias.

Eu faço teste de PCR [para detectar o novo coronavírus] de duas a três vezes por semana. Faço para o [programa do canal GNT] ‘Saia Justa’, fazia sempre para nos encontrarmos, e ele também o tempo todo. Ele até brincava que, pra gente, o cotonete de algodão já não fazia mais efeito no nariz. Que tinha que ser uma vassoura de piaçava, o cotonete virou carinho.

Fiz um ‘Saia Justa’ remoto da casa dele na serra, em Itaipava [Rio de Janeiro], onde ele passou a maior parte da pandemia. E mesmo em casa e testados, nós mantínhamos distanciamento, com tudo sempre muito aberto e ventilado. Ele era muito preocupado.

Nossos encontros durante a pandemia sempre foram uma mistura de alegria, preocupação, planos e muitos sonhos. Sua abordagem existencial era otimista e de imenso amor à vida.”

INTERROMPIDOS

“Eram muitos planos. Tínhamos já certo uma peça de teatro, um filme e uma série de TV, que não conseguimos realizar. Já tínhamos planejado até a nossa velhice. Conversávamos sobre o medo que a gente tinha de chegar na velhice e cair no esquecimento do público. Aí ele falou pra mim: ‘Eu terei sempre olhos pra você!’. E eu falei: ‘E eu estarei sempre te aplaudindo!’. E na mesma hora completei: ‘Já temos o final da nossa peça’. E a gente se abraçou emocionados.

Mônica Martelli e Paulo Gustavo na piscina
Mônica Martelli e Paulo Gustavo em cena do filme 'Minha Vida em Marte' - Ique Esteves/Divulgação

Sou muito grata de ter registrado no filme ‘Minha Vida em Marte’ o amor da nossa amizade. O texto final do filme, que a minha personagem Fernanda fala, é: ‘Com o tempo a gente vai entendendo o verdadeiro significado de um amigo. Eu nunca valorizei tanto os bons momentos que eu tenho ao lado desse meu grande amigo. O que existe de mais forte entre dois amigos? É a cumplicidade? O respeito? A admiração? Eu acho que é amor mesmo’. Eternizados no cinema."

DO OUTRO LADO DA TELA

“A última vez que nos falamos foi por videochamada, do hospital, quando ele ainda estava só no cateter de oxigênio. Ele conseguia falar, apesar da dificuldade respiratória. E ele só falava do sofrimento que estava passando e da sua grande preocupação com as pessoas que estavam na mesma situação e que não tinham os recursos que ele tinha. Ele falava que assim que se curasse, ia sair pelo país contando o que tinha sofrido e que ia ajudar o máximo de pessoas que pudesse. Ele era muito generoso.

E eu falava para ele que estaria na porta do hospital para recebê-lo, que aquele sofrimento ia acabar. Nunca, nem nos pensamentos mais pessimistas, eu poderia imaginar que Paulo Gustavo não sairia pela porta daquele hospital vivo. Não consigo acreditar que ele não está mais aqui por uma doença que já tem vacina. Ele precisava apenas de duas doses de uma vacina que já existe. Dói muito. Sinto dor e indignação.”

PRA QUEM FICA

“Cada vez que eu falo dele, tento elaborar essa dor. Estou na realização da perda. É difícil relembrar alguns momentos. Eu ainda estou em choque. Às vezes acordo e acho que não é real. Quando inauguraram a placa na rua com o nome dele, foi uma grande vitória pra esse momento que estamos vivendo, foi muito significativo sair o nome de um coronel e entrar o nome de um comediante. Ele merece tudo. Mas, quando vi, a primeira sensação foi: ‘Meu Deus, não é possível. Já virou nome de rua, então é verdade mesmo’. Foi mais uma constatação. A cada homenagem, vem a certeza de que aquilo é real. Na missa de sétimo dia, no Cristo [Redentor, no Rio], sentia como se ele fosse aparecer ali. Parecia uma estreia dele. A obra dele, o gênio que ele é, os filmes, as séries, vão ficar vivos pra sempre, mas o amigo que acordava e me ligava, que interferia na minha vida em tudo, de forma tão intensa, não vou ter mais.

Vou ter que lidar com esse vazio que vai passar a fazer parte de mim. A minha dor é do tamanho do amor e da ligação que eu tinha com ele.”

Retrato da atriz, autora e apresentadora Mônica Martelli - Vitor Lisboa/WAY Star/Divulgação

REDE DE APOIO

“Esse grupo [de WhatsApp] foi criado por Susana, que além de diretora é médica. Ela participou de tudo diretamente com os médicos e também no hospital ao lado de Thales [Bretas, marido de Paulo Gustavo]. Ela passava as informações para os amigos mais próximos. Quando ele foi intubado, Preta Gil sugeriu que ela fizesse o grupo para facilitar a vida dela porque a demanda por informações seria enorme. Ela explicava tudo o que estava acontecendo, com otimismo e amor, a voz ou a escrita dela nos acalmava e nos informava. Quando Susana começava a digitar no grupo, a gente já corria lá e começava [a falar] ‘gente, Susana digitando!’ ou ‘Susana gravando!’.

Acompanhávamos várias vezes por dia o estado de Paulo Gustavo. Rezamos juntos 54 dias. Rezamos, rimos, desesperamos, tivemos muita esperança, choramos de medo, passamos noites em claro. Tudo foi vivido nesse grupo.

Esse grupo tem amigos meus de uma vida inteira como Ingrid Guimarāes e Heloisa Périssé. Os outros amigos vieram através dele: Anderson Baumgartner, meu empresário e do Paulo Gustavo —meu amado 'Dando'. Juliana, irmã de Paulo Gustavo. Fil Braz, amigo de infância de Paulo Gustavo, de Niterói, roteirista dos filmes e séries dele. Malu Valle, Carol Trentini, Regina Casé, Fiorella Mattheis, Preta Gil, Tatá Werneck, Angélica e Ivete Sangalo.

Compartilhamos momentos muito fortes ali. Hoje eu sei a força e o significado dos grupos de ajuda mútua. Luto deve ser partilhado. Juntos atravessamos o sol e a tempestade. É uma impermanência de sentimentos. Estamos juntos, dando suporte um pro outro, amparando, rindo, chorando, consolando, lembrando. Paulo Gustavo nos uniu para sempre.

Nesta rede de apoio, além do grupo criado, a minha família, meu namorado, minha filha e muitos amigos estão me ajudando a fazer essa travessia.”

THALES

"Nos falamos sempre. O Thales é um ser amoroso. Quando a gente conversa com ele, ele fica fazendo carinho. Essa relação é de muito afeto, acolhimento e admiração. Paulo Gustavo era tão intenso e inteligente que só poderia mesmo ter amado um homem tão especial. Eram muito parceiros. Não saiu do lado de Paulo Gustavo no hospital, foi incansável. Thales sabe que pode contar comigo. Estarei aqui para ele sempre."

Paulo Gustavo com os filhos Romeu e Gael e o marido, Thales - @paulogustavo31 no Instagram

TUA PRESENÇA

“Quando me lembro dele, ainda vem o choque dessa perda brutal e prematura. Às vezes, vejo alguns vídeos, mas vem logo a perplexidade e a saudade, aí paro. Vou respeitar meu tempo. A cura não vai vir do esquecer, acho que vai vir do lembrar sem dor.

Mas hoje recebi uma foto de uma placa do trânsito de Niterói. Estava escrito:

Praia de Icaraí — Trânsito bom
Rua Ator Paulo Gustavo — Intenso

Na hora dei um sorriso e pensei: ‘Essa rua agora será sempre intensa, como Paulo Gustavo era na vida’.”

COMOÇÃO

“A morte de Paulo Gustavo foi um choque de realidade nessa tragédia nacional. Paulo Gustavo entrava em todos os lares brasileiros levando alegria, irreverência, leveza. A morte dele foi sentida por toda a população brasileira como a perda de um amigo, de um irmão querido. Ele foi além. Através da sua genialidade, levantou questões políticas seríssimas. Ele iniciou um processo novo de militância, sem partido político e sem levantar bandeira. Através da dona Hermínia, mãe de um filho gay, mostrou ao Brasil que o que importa é pautar a vida pelo amor sem preconceitos. Ele transformou muitos lares homofóbicos. Levou essa causa política através do humor, da leveza e da transparência.

O choque vem de perdermos brutalmente uma pessoa que representava o melhor Brasil. Uma morte que poderia ter sido evitada. Esse choque conscientiza o brasileiro em relação ao governo federal. Hoje muitos se perguntam: ‘Por que até hoje não temos vacinas suficientes? Quantos dos 500 mil mortos poderiam ter sido salvos?’.”

GOVERNO JAIR BOLSONARO

“[O governo federal é] Completamente responsável. Antes tínhamos evidências, mas o escândalo da realidade está aí. Através dos depoimentos, a CPI da Covid nos mostra o que já sabíamos. Que houve negligência, descaso e irresponsabilidade. O governo federal rejeitou três ofertas da Coronavac. Ignorou propostas da Pfizer. Tratou as instituições científicas desrespeitosamente. Sem tantas recusas e atropelos, poderíamos ter começado a vacinação antes.

Mônica Martelli participa de ato contra o presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo - 29.mai.2021/@monicamartelli no Instagram

O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação. Poderíamos ter sido o exemplo global, porque temos um Sistema Único de Saúde —o SUS— que é exemplo internacional de eficiência. Um sistema que percorre todo o Brasil, que chega em todos os lugares desse país. Os mais complexos. Chegam de canoa, a cavalo, de carroça. Os profissionais do SUS carregam vacinas nas costas, mas chegam. Só em dois anos e meio de governo, tivemos quatro ministros da Saúde.”

LEGADO

“Ele colocou o humor no lugar merecido, de respeito. Arrastou multidões para o teatro e para o cinema e transformou a vida de muita gente através do humor. O humor tem esse poder de demolir preconceitos e transformar a vida das pessoas. Não tem discurso de militância que transforme mais que a arte de rir. Dona Hermínia puxava todo mundo para fazer essa travessia. Mesmo os preconceituosos. A arte é uma militância. Para a nossa sociedade, ele deixa um legado humanitário.

Ele nos mostrou que o amor está acima de tudo. Não importa a configuração de família que você tenha. Isso é revolucionário. E a generosidade dele ajudou e melhorou a vida de muita gente. Ele fazia muito por muitos, sem falar, sem divulgar. No anonimato. Amor e generosidade. A essência da vida de Paulo Gustavo.”

Dona Hermínia (Paulo Gustavo) em Minha Mãe é Uma Peça
Paulo Gustavo como dona Hermínia em "Minha Mãe É uma Peça" - Victor Pollak/TV Globo
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Opinião - Bruno Boghossian: Por que o 'gabinete paralelo' é uma peça-chave da CPI da Covid?

Sob orientação do grupo, presidente desenvolveu política de propagação intencional do coronavírus

Na CPI da Covid, os senadores e depoentes falaram 45 vezes na existência de um "gabinete paralelo" que orientava Jair Bolsonaro na pandemia. Outras 41 referências foram feitas a variantes como "aconselhamento paralelo", "estrutura paralela", "comando paralelo" ou, nas palavras do relator Renan Calheiros (MDB), "ministério da doença".

A comissão reuniu documentos e declarações que mostram que o presidente discutiu os passos do governo com médicos e leigos sem ligação com o Ministério da Saúde. Pode parecer uma bobagem que rendeu só frases de efeito e organogramas em PowerPoint, mas os relatos têm papel relevante na investigação.

A CPI quer mostrar que Bolsonaro desenvolveu, sob orientação desses conselheiros, uma política de propagação intencional do coronavírus. A sabotagem a medidas de restrição, a recusa de vacinas e o investimento na cloroquina não foram simplesmente escolhas erradas de um presidente descuidado, mas um caminho traçado por esse gabinete.

Este é o senador Omar Aziz, presidente da CPI da Covid

Essa visão reforça o dolo de Bolsonaro na pandemia. Para evitar prejuízos para o governo, o presidente estimulou os brasileiros a circularem normalmente, sob a ilusão de que estariam protegidos por estoques de cloroquina. A ideia era atingir uma imunidade natural, sem vacinação. O resultado foi a aceleração do contágio e o aumento das mortes.

A imagem do "gabinete paralelo" dá um peso adicional à história. Para senadores da comissão, o presidente escolheu se reunir com um grupo que pudesse dar aparência pretensamente técnica a essas escolhas, ignorando deliberadamente as vozes que diziam que aquilo tudo era maluquice –mesmo aquelas que estavam dentro do Ministério da Saúde.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), afirma que esse é um ponto central da investigação. "Eu sempre disse: o presidente não sonhou com tratamento precoce e imunização de rebanho. Alguém convenceu ele a fazer isso", declara. "Há um convencimento de que aquele grupo é responsável por crimes contra a vida."

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Opinião - Elio Gaspari: Os enganos de Paulo Guedes são seletivos

Ministro gostaria de viver no mundo de professores da Universidade de Chicago, onde se formou

ministro Paulo Guedes informou à CPI da Covid que não destinou recursos específicos para o combate ao coronavírus no projeto da lei orçamentária porque "não se vislumbrou a continuidade bem como o recrudescimento da pandemia da Covid-19 no patamar atingido em 2021": "Achávamos que a pandemia estava acabando não por má-fé, foi um engano".

Põe engano nisso. Neste ano já morreram mais de 273 mil pessoas, contra 194 mil em 2020. Pode-se aceitar a boa-fé do doutor, mesmo sabendo-se que é o sumo sacerdote da economia num governo cujo presidente falou em "gripezinha", decretou o "finalzinho" da epidemia e chamou de "conversinha" a possibilidade da chegada de uma segunda onda. O próprio "Posto Ipiranga" mostrou, em abril de 2020, que acreditava em lorotas. Ele falou de um amigo inglês que oferecia 40 milhões de testes por mês.

Os enganos de Paulo Guedes são seletivos. Numa reunião pra lá de esquisita do Conselho de Saúde Suplementar, contou a história do filho de seu porteiro, que tirou zero no exame de uma universidade privada e conseguiu um empréstimo do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, o Fies.

Esqueceu-se de datar o episódio. Ele só pode ter ocorrido antes de 2015, quando o ministro Cid Gomes acabou com essa mamata das universidades privadas. Era coisa daqueles que Guedes chamava de "criaturas do pântano político, piratas privados e burocratas corruptos, associados na pilhagem do Estado".

Na reunião do Conselho de Saúde Suplementar, Guedes ouviu os pleitos das operadoras de medicina privada que articulam um avanço contra os recursos do SUS e o bolso de seus clientes. Trata-se de uma armação que rolou em segredo, foi denunciada, encolheu e ressurgiu no escurinho da pandemia.

Paulo Guedes, como muita gente boa, apresenta-se como um campeão da iniciativa privada e demoniza a ação do governo, capaz de criar maluquices como o Fies original. Sem os "piratas privados", ele nunca teria existido, mas os maganos continuam aí, apoiando o governo.

Guedes gostaria de viver no mundo de professores da Universidade de Chicago, onde se formou. Pena que a Chicago onde ele se meteu seja outra.

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Opinião - Marcos Lisboa: Ancorando no retrocesso

Políticas setoriais nos tornam reféns do seu fracasso

Política setorial é obra de longa duração e de alto risco. Mesmo que as medidas fracassem, pode ser bastante difícil revertê-las.

Angra 3, por exemplo, foi iniciada em 1981 e ainda não está pronta. Estima-se que serão necessários mais de R$ 14 bilhões para terminá-la ou R$ 12 bilhões para desmontá-la.

Outro caso são os benefícios tributários, distribuídos com impressionante facilidade no Brasil. Recentemente, o Estado de São Paulo tentou reduzir em 20% a desoneração de produtos que pagam menos ICMS do que os demais. Manifestações duras, incluindo tratoraços, constrangeram o governo.

Usualmente, argumenta-se a necessidade de uma proteção temporária para que um setor se torne competitivo. Na prática, por vezes isso não acontece, e as empresas passam a defender que sua sobrevivência depende da manutenção do auxílio oficial.

A proteção à indústria automobilística, Inovar-Auto, converteu-se no Rota 2030. Empresários do setor químico não aceitam o fim do Reiq, o regime especial que os beneficiam. O Pronampe tornou-se permanente.

“Persistência de política” é o termo utilizado por Stephen Coate e Stephen Morris para denominar esse fenômeno. Uma vez criada a proteção setorial, o governo fortalece grupos que dependem do favor oficial e que se organizam em associações para acessar os gabinetes e influenciar o Legislativo.

São muitos os casos em que remover os privilégios de poucos seria benéfico para a grande maioria. Os lobbies, contudo, barram as reformas. Mancur Olson estudou esse problema em um livro clássico, “A Lógica da Ação Coletiva”. Como os benefícios da revogação são difusos, o restante da sociedade não se mobiliza, ao contrário dos grupos de interesse.

Isentar motos de pagar pedágio vai onerar o de carros em pouco centavos. Há também propostas para beneficiar caminhões. De pouco em pouco, vai se construindo uma rede de grupos que usufruem as estradas pagando menos, onerando o restante com pedágio mais caro.

Um caso importante é o setor de energia. Existe uma teia impressionante de subsídios cruzados. Diferentes consumidores pagam preços diferentes. Alguns pagam para usar a linha de transmissão, outros, não.

A lei que privatiza a Eletrobras vai agravar esse quadro. Claudio Sales, Eduardo Monteiro e Richard Hochstetler estimam, no Valor Econômico de 4 de junho, que somente três das novas proteções custarão R$ 8,8 bilhões.

Esse é apenas um exemplo das distorções que têm sido discutidas recentemente pelo Congresso e pelo Executivo. Tem mais na fila, como o subsídio para financiar caminhoneiros e a expansão do conteúdo nacional para o setor de óleo e gás. Estamos nos ancorando no retrocesso.

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