"Quem votou em BRANCO em 2018 e CONTINUA afirmando que votaria DE NOVO é CONIVENTE com TUDO o que está acontecendo no país. Se TODA a DESTRUIÇÃO e GENOCÍDIO promovidos por BOLSONARO NÃO mudou a sua OPINIÃO é porque VOCÊ é parte do PROBLEMA - Samantha_Schmütz

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VANILDO MARANHÃO, MALDITO fdp fascista coronel da PM é ENVIADO para RESERVA porque ordenou ação CONTRA atos PACÍFICOS no Recife 

Como nosso DNA prova que nação brasileira foi produzida na desigualdade

Entenda de uma vez por todas o que é e pra que serve NFT

"Quem votou em BRANCO em 2018 e CONTINUA afirmando que votaria DE NOVO é CONIVENTE com TUDO o que está acontecendo no país. Se TODA a DESTRUIÇÃO e GENOCÍDIO promovidos por BOLSONARO NÃO mudou a sua OPINIÃO é porque VOCÊ é parte do PROBLEMA - Samantha_Schmütz

Witzel usa CPI como palco de enganação

MICROESPAÇOS __________________________________ Apê com 29 m² acomoda até QUATRO pessoas, com direito a área de HOME OFFICE

Após LIDERAR luta no PASSADO, idosos LGBTQIA+ estão em busca de ACOLHIMENTO

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Coronel da PM que ordenou ação contra ato no Recife é enviado para reserva

Ex-comandante da PM-PE, Vanildo Maranhão, não faz parte mais do pessoal ativo da corporação  - Divulgação/PM-PE
Ex-comandante da PM-PE, Vanildo Maranhão, não faz parte mais do pessoal ativo da corporação Imagem: Divulgação/PM-PE

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

16/06/2021 11h58

O coronel e ex-comandante da PM (Polícia Militar) de Pernambuco Vanildo Maranhão foi transferido para a reserva remunerada da corporação. A publicação com o ato foi feita ontem no Diário Oficial de Pernambuco, mas é retroativa ao dia 2 de junho.

O envio de Vanildo à reserva ocorreu um dia após ele deixar o comando da PM. Ele deixou o cargo após repercussão negativa sobre o ataque da PM a manifestantes no centro do Recife na manhã do último dia 29. Foi dele a ordem para para encerrar o protesto.

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O ato ocorria de forma pacífica, mas foi encerrado com uso de bombas, tiros de bala de borracha e spray de pimenta.

A ação militar resultou em dois homens atingidos com balas de borracha no olho e que perderam parte da visão. Além disso, a vereadora Liana Cirne (PT) foi agredida com spray de pimenta no rosto. Os policiais ainda teriam recusado socorro a um dos feridos baleados.

Homem é ferido no olho pela PM de Pernambuco - Reprodução - Reprodução
Homem é ferido no olho pela PM de Pernambuco no ato do dia 29 Imagem: Reprodução

A operação da PM causou forte reação pública e das autoridades de Pernambuco. De imediato, o governo do estado afastou os policiais que comandaram a ação e os que agrediram a vereadora. O MP (Ministério Público) de Pernambuco também apura o caso. Dezesseis militares estão afastados das ruas respondendo por ações.

Documentos revelados na semana seguinte à ação da PM revelaram que a ordem para encerrar o protesto partiu de Vanildo. O relato destinado ao subcomandante do Batalhão de Choque, major Valdênio Corrêa Gondim Silva, foi feito por um oficial que teve o nome preservado. No ofício, ele afirma que, "por determinação do comandante-geral da PMPE", a Tropa de Choque deveria realizar a dispersão dos manifestantes usando dos "meios dispostos".

O comandante da PM não falou com a imprensa sobre o episódio.

Para o protesto marcado para o próximo sábado, o governo do estado se antecipou e criou um grupo para debater a organização do ato.

Vanildo foi comandante da PM na gestão de Paulo Câmara (PSB) durante quatro anos e três meses. Ele assumiu o cargo em fevereiro de 2017, aos 50 anos, após passagem pelo comando do Batalhão de Choque e do policiamento durante eventos como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.

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Como nosso DNA prova que nação brasileira foi produzida na desigualdade

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Bárbara Therrie

Colaboração para Tilt

16/06/2021 04h00

Atualizada em 16/06/2021 17h03

Não é nenhuma novidade que somos um povo super miscigenado. Basta olhar ao nosso redor para vermos a mistura de raças, etnias e culturas. As ciências humanas têm explicado há anos em que contexto tudo isso se deu. Agora, é o nosso DNA quem nos ajuda a contar essa história. E o código genético é a prova de que a nossa origem foi violenta e baseada na desigualdade.

Os primeiros resultados do projeto DNA do Brasil, que quer montar a maior biblioteca de genomas do nosso país para tratar de questões de saúde pública, mostrou que 75% da nossa herança genética paterna é europeia, 14,5% é africana e apenas 0,5% é indígena. Do lado materno, 70% da nossa herança vem de mulheres africanas e indígenas.

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Foram sequenciados e analisados o DNA de 1.247 pessoas em várias partes do Brasil. Até o final deste ano, o projeto pretende mapear o genoma de 15 mil pessoas.

Laura Moutinho, coordenadora do programa de pós-graduação em antropologia social da USP (Universidade de São Paulo), contou durante a sua participação no painel "Como o DNA reconstruiu a história do Brasil", promovido por Tilt na conferência para desenvolvedores TDC (The Developer's Conference), que os dados confirmam o que a historiografia, antropologia e sociologia já sabiam.

"O Brasil é uma nação miscigenada, os dados do projeto DNA do Brasil vêm para confirmar que essa nação foi produzida na desigualdade. Esse tipo de dado, olhar isso através do DNA é uma forma de reconsiderar o nosso próprio trabalho, (...) traz uma outra perspectiva e uma interlocução entre ciências e produções científicas distintas", disse.

Tilt publicou no fim do ano passado uma reportagem especial sobre esse tema.

"O estupro foi frequente"

Moutinho, que também é autora de "Razão, Cor e Desejo: uma análise dos relacionamentos afetivo-sexuais inter-raciais no Brasil e África do Sul", explica que existe uma ideia de que a nossa nação foi construída a partir de portugueses que "gostavam" mais de interagir com mulheres indígenas, africanas e mestiças.

"Eu diria que o estupro foi frequente, e mesmo quando negociado, não deixa de ser violento, porque tem uma relação de desigualdade. Eu acho que o genoma ajuda a gente a qualificar nossa hipótese a respeito da violência que está na base da produção da nossa nação", afirmou.

A pesquisadora destacou ainda que os portugueses não chegaram ao Brasil para criar um paraíso. Era uma máquina de guerra, um processo de colonização e incorporação de territórios. "O estupro é uma arma de guerra e é também uma forma de incorporação de outras sociedades. E as mulheres são parte constitutiva do processo colonial", explica.

Após ser questionada sobre a ideia romântica de um encontro de raças e da ideia de amor entre colonizadores e mulheres oprimidas passada pelas telenovelas, Tábita Hünemeier, professora de genética evolutiva da Universidade de São Paulo, reitera que não dá para falar de amor em uma estrutura violenta, com quatro séculos de escravidão seguidos por pelo menos mais meio século de uma política eugenista.

"Ninguém veio para cá para fazer amigos, eles vieram para cá para explorar o país. Claro que vai existir essa ideia de romantizado do brasileiro ser, não ser fruto disso, mas isso não se encaixa nem com os fatos históricos", disse a pesquisadora, que também é uma das coordenadoras do projeto DNA do Brasil.

Genocídio indígena

Hünemeier contou ainda que, do ponto de vista demográfico, até o século 17 só 10% da população era europeia, a maioria dela formada por homens. Por isso, o fato de termos 75% de cromossomo Y (herança paterna) europeu é de uma assimetria enorme e é resultado dessa política de dominação violenta.

Segundo ela, isso é explicado pelo declínio de 90% da população indígenas e pelo fato de os escravos terem sido trazidos para trabalhar e morrer de exaustão.

"Essa política violenta se estendeu até 1945, até a [Segunda] Guerra [Mundial], quando ficou chato seguir com a eugenia. A gente tem muito pouco tempo de história tendendo a ser igualitária no Brasil. A construção do Brasil foi com essas assimetrias enormes", afirmou.

Um outro ponto que chamou bastante atenção nos resultados do projeto DNA do Brasil foi a baixíssima porcentagem dos indígenas na herança genética paterna.

"É impressionante esse massacre quando a gente olha a pequena porcentagem paterna no caso da população indígena que é 0,5%", disse Laura Moutinho.

"Eles desapareceram, é raríssimo encontrar uma linhagem masculina indígena no Brasil. Isso mostra um modelo: destrói os homens e assimila as mulheres", concluiu Hünemeier.

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Deu Tilt #19: Entenda de uma vez por todas o que é e pra que serve NFT

Thiago Varella

Colaboração para Tilt

16/06/2021 04h00

Que tal pagar milhões de dólares para ser o feliz proprietário de um quadro original de Pablo Picasso? Sonho, né. E desembolsar alguns milhares de reais pelo original de um meme? Ou mesmo por uma obra de arte digital? Isso ainda soa esquisito.

Mas é justamente pra isso que existe o NFT, ou token não-fungível. Esse foi o assunto do 19º episódio do podcast Deu Tilt com Gustavo Torrente, que é coordenador acadêmico de MBAs da FIAP e especialista em Blockchain, e Paula Menezes, que é advogada e membro da comissão de propriedade intelectual da OAB-SP.

Algo fungível é quando você consegue trocar por outra coisa de mesmo valor, como uma nota de dinheiro. Já não fungível é o contrário, como uma obra de arte. Uma pintura do Picasso não tem preço, por isso vai a leilão e quem pagar mais, leva.

Segundo Torrente, NFT é aquilo que você não consegue duplicar e tem valor único, como por exemplo uma obra de arte digital ou o primeiro tweet (ouça a partir de 02:05).

"Mas não tem como a pessoa tirar um print e ter o mesmo arquivo? Tem. Mas aí eu devolvo a pergunta. Você nã consegue ter o quadro da Monalisa na sua casa se imprimir na internet? Sim, mas você não tem a verdadeira. No NFT você garante a autoridade e que aquele arquivo é o original", explicou.

Para garantir que determinado arquivo é o original, o NFT está associado ao blockchain, a mesma tecnologia das criptomoedas que garante que aquilo é imutável (ouvir a partir de 05:56).

"Se você for revender ou passar adiante, o blockchain tem rastreabilidade do arquivo, evitando fraudes. E esse é o grande valor que tem o blockchain", disse Torrente.

Segundo Menezes, o NFT já é usado por artistas para financiamento de projetos. Ela citou o exemplo de um músico que oferece 1% de sua obra musical por meio do NFT. O interessado vai lá e compra essa pequena cota (ouvir a partir de 26:14).

"Se essa obra musical vai para uma novela, por exemplo, quem comprou vai ganhar muito mais do que aquele valor inicial que ela pagou porque daí ela vai passar a ser titular de uma parte do direito daquela obra. Então toda vez que aquela obra for executada, a pessoa recebe também", contou.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir "Deu Tilt", por exemplo, no Spotify, na Apple Podcasts e no YouTube.

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Samantha Schmütz manda indireta para Huck após ele revelar voto em branco

Samantha Schmütz - Reprodução/Instagram
Samantha Schmütz Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/06/2021 13h14

Em seu Twitter oficial, a atriz de 42 anos compartilhou que aqueles que votam ou votaram em branco em eleições são coniventes com o governo do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Porém, a postagem não está mais no perfil da artista.

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"Quem votou em branco em 2018 e continua afirmando que votaria de novo é conivente com tudo o que está acontecendo no país. Se toda a destruição e genocídio promovidos por Bolsonaro não mudou a sua opinião é porque você é parte do problema".

Ao se depararem com o tuíte de Samantha, os internautas apontaram o recado como uma direta para o marido de Angélica:

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Josias de Souza - Wilson Witzel usa CPI como palco de enganação

Colunista do UOL

16/06/2021 16h56

Wilson Witzel dançou com os senadores da CPI da Covid a coreografia da enganação. Cassado por corrupção, o ex-governador do Rio usou a comissão como palco para encenar o negacionismo do crime que o derrubou: o assalto às verbas da saúde em plena pandemia.

O "depoente" fez pose de vítima de "perseguição política". Lançou sobre a cabeça do presidente da República quase todas as bolas que o relator Renan Calheiros levantou para ele cortar. Bateu boca com o ex-cabo eleitoral Flávio Bolsonaro.

Quando os senadores da bancada governista da cloroquina começaram a hostilizá-lo, Witzel sacou o habeas corpus do Supremo que tornara sua presença na CPI facultativa. E tomou o rumo da porta de saída.

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Muito cedo, logo na exposição inicial, Witzel deixou claro que é muito tarde para levá-lo a sério. Referiu-se ao seu impeachment como "vergonha internacional". Falou sobre si mesmo como uma terceira pessoa de respeitabilidade planetária. "As pessoas lá fora sabem quem é o governador Wilson Witzel."

Não disse nada de verdadeiramente aproveitável para os rumos da investigação parlamentar. Deu obviedades em cacho aos senadores do mesmo modo que a bananeira dá bananas. Referiu-se, por exemplo, ao negacionismo científico do presidente e sua hostilidade no trato com os governadores.

Sustentou que foi "praticamente zero" a cooperação do Ministério da Saúde para o combate à pandemia. "O presidente deixou os governadores à mercê da desgraça que viria", disse, abstendo-se de dimensionar as verbas federais que recebeu como governador.

Sabe-se que Witzel caiu em desgraça junto a Bolsonaro depois que admitiu, no ano passado, que gostaria de concorrer ao Planalto. Mas o governador afastado alega que passou a sofrer retaliações federais depois que Bolsonaro lhe atribuiu uma falsa intervenção na investigação sobre o assassinato de Marielle Franco.

"Tudo começou porque mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle", disse Witzel, que hostilizou a vereadora assassinada na campanha eleitoral e não priorizou a elucidação do crime enquanto foi governador.

Ao escorar seus ataques no túmulo de Marielle, Witzel insinuou que tem algo a dizer sobre o relacionamento dos Bolsonaro com milicianos do Rio. Mas condicionou a revelação das "coisas graves" que teria a dizer à realização de uma sessão secreta.

Ainda que a promessa de Witzel fosse verdadeira, caberia indagar: o que a morte de Marielle tem a ver com a pandemia, objeto da investigação parlamentar? Nada, eis a resposta. Mas a CPI mordeu a isca.

Randolfe Rodrigues, vice-presidente da comissão, anunciou a intenção de requerer a oitiva secreta de Witzel. O grupo majoritário da CPI, o G7, decidiu que seria melhor enviar uma delegação para ouvir o ex-governador, evitando armar mais um palco no Senado, dessa vez secreto.

Se a presença de Witzel na CPI teve alguma serventia foi para lembrar ao país que fim levou a autoproclamada nova política. Pouco antes de assumir o governo do Rio, o ex-juiz disse que seria implacável com a corrupção e com a bandidagem. Disse a célebre frase: "A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e..fogo! Para não ter erro."

Antes de completar dois anos no poder, Witzel demonstrou que a criminalidade no Rio não seria uma exclusividade do submundo dos morros. O Ministério Público, a Polícia Federal, o Superior Tribunal de Justiça e a corte mista do impeachment esclareceram que os palácios Laranjeiras e Guanabara continuavam sob o domínio de uma organização criminosa.

E a família Bolsonaro finge que não tem nada a ver com Witzel. Ironicamente, deve-se à obsessão do Planalto em jogar os estados no ventilador da CPI a montagem do palco em que se realizou o strip-tease da virtude.

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Após liderar luta no passado, idosos LGBTQIA+ estão em busca de acolhimento

Antes da pandemia, Eternamente Sou promovia encontros, cursos, oficinas e palestras para o público LGBTQIA+ com mais de 50 anos - Arquivo Pessoal
Antes da pandemia, Eternamente Sou promovia encontros, cursos, oficinas e palestras para o público LGBTQIA+ com mais de 50 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Paula Rodrigues

De Ecoa, em São Paulo

16/06/2021 06h00

Ele tinha se programado para ficar apenas três minutos em cada ligação. A lista grande de números para ligar não permitiria demorar muito na conversa com um ou com outro. Mas Otto Santo nunca conseguiu manter seu próprio plano. Primeiro porque ele é daqueles que gosta de falar e parece ficar ainda mais feliz ouvindo o que os outros têm para compartilhar. Segundo porque, em um desses telefonemas, ouviu algo que o quebrou por dentro. "Me falaram bem assim: 'Faz um ano e meio que esse meu celular não toca'", conta. Aqueles três minutos se transformaram, então, em algumas horas de conversa.

Otto tem se acostumado a ouvir esses relatos ao telefone desde que a pandemia chegou no Brasil. Em abril de 2020, quando se juntou a um amigo para fazer essas ligações, ele já estava preocupado com a solidão que muitas pessoas poderiam estar vivendo naquele momento — assim como ele estava.

Enquanto pegava o telefone para discar para alguém, o paulistano guardava no peito o luto por ter perdido Mauro, seu amor, com quem foi casado por 33 anos e que morreu no final de 2018. Desde então, tentava lidar com a vida sozinho, ao mesmo passo que ganhava ganhava consciência de como o tempo tinha passado rápido sem perceber. "Eu achava que tinha 30 anos ainda! O Mauro era 14 anos mais velho que eu, então fiquei nesses últimos anos focado na velhice dele, vivendo a velhice dele. Assim esqueci da minha", diz Otto, hoje com 60.

Foi essa vontade de entender melhor o próprio envelhecer que o fez se interessar pela Eternamente Sou, uma associação sem fins lucrativos que nasceu em São Paulo (SP), em 2017, para acolher e apoiar pessoas LGBTQIA+ com mais de 50 anos. Ou, como explica o vice-presidente Luis Otavio Baron, 60, "é para tentar garantir uma velhice boa para essa comunidade de lésbicas, bissexuais, gays, transsexuais, travestis."

As ligações feitas por Otto foram justamente para essas pessoas, os Eternos, como são conhecidos os assistidos pela ONG. Mas ele não é o único. Desde o início da pandemia, vários desses Eternos aderiram à moda de usar os computadores e celulares para poder compartilhar momentos, conhecimentos e fofocas. Já criaram essas salas para falar e fazer de tudo um pouco: aula de inglês, conversas sobre viagens, uma ceia de Natal juntos e até uma audionovela sobre um prédio só de idosos que se passa em 2030.

Dupla invisibilidade

Apesar de aos 30 estar longe dos 60 anos, idade que uma pessoa precisa ter para ser considerada idosa, segundo o Estatuto do Idoso, Rogério Pedro foi quem criou a Eternamente Sou.

"Meus avós sempre estiveram presentes em minha mente, né? E uma vez que eu me espelhava neles, eu também tentava me enxergar no futuro e me deparava muito com essa questão de como seria ser um gay idoso. Como seria isso para a sociedade, para o movimento? Porque ninguém falava e ninguém sabia onde estavam os idosos LGBTQIA+, não surgiam em questões de políticas públicas. Nada, né?", diz.

É fácil encontrar falas parecidas com a de Rogério. Conversando com os assistidos da Eternamente Sou para essa reportagem, todos responderam que a principal motivação que os levou até a associação foi a falta de iniciativas que olhassem com mais atenção para esse público em específico.

Para Milton Crenitte, que é médico geriatra do Hospital das Clínicas, em São Paulo (SP) e voluntário da associação, um dos grandes problemas dessa dupla invisibilidade é a dificuldade que pessoas LGBTQIA+ com mais de 60 anos têm de conseguir ajuda. Pela falta de estudos e dados sobre essa população, ele começou a pesquisar mais sobre o assunto na área da saúde. Analisando 7 mil respostas de idosos por todo o Brasil, ele chegou à conclusão de que, entre essas pessoas que responderam o questionário, ser LGBTQIA+ é um fator de risco. "Não estamos falando só sobre conseguir entrar em uma UBS, tem que em tudo: tem transporte para essa pessoa chegar até o atendimento? Ela tem dinheiro para a passagem? Essa pessoa vai ser bem recebida? Vai poder usar o banheiro com tranquilidade?", diz.

E se você colocar marcadores como cor da pele, gênero, se a pessoa for uma travesti preta, por exemplo, a situação piora muito. E existe dificuldade no acesso a um atendimento de saúde de qualidade por alguns motivos, como a presunção inicial ser que aquele paciente é hétero ou cisgênero, e até mesmo a desistência da pessoa em procurar ajuda por medo de sofrer algum tipo de preconceito
Milton Crenitte, geriatra

Eternamente Sou - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Criada em São Paulo (SP) por Rogério Pedro (à esquerda), Eternamente Sou oferece assistência médica, psicológica e jurídica a população LGBTQIA+ idosa Imagem: Arquivo Pessoal

Tirando a velhice LGBTQIA+ do armário

Para tentar ocupar o vazio de serviços ou políticas públicas para essa população, a associação se apoia em uma base com cerca de 5 mil profissionais voluntários, como assistentes sociais, médicos, psicólogos e advogados que atendem os mais de 1.500 assistidos espalhados pela capital paulista, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Foram alguns desses profissionais que assumiram o trabalho voluntário iniciado por Otto de ligar para as pessoas da ONG durante a pandemia. A ação acabou virando um programa da Eternamente Sou, com protocolos a serem seguidos e assistência psicológica por telefone.

Mas o trabalho que a associação realiza é muito diverso e até certo ponto bem misturado, sendo comum encontrar assistidos que acabaram virando voluntários, como o próprio Otto e a Sueli de Sousa, 62, que entrou no primeiro ano da ONG, em 2017, quando buscava por alguma iniciativa como a Eternamente Sou, e não quis sair mais por causa dos novos amigos que encontrou por lá.

"Achei muito legal porque vi pessoas com histórias de vida muito parecidas com a minha. Sabe, eu sou de uma geração que não se expunha muito", Sueli começa a contar. "A gente viveu nossa juventude durante a ditadura, imagina! E ainda sou da geração HIV, né? Muitos amigos meus morreram naquela época." Na associação, Sueli acabou ganhando um programa culinário, chamado Cozinha de Verdade, em que toda semana ensina uma receita nova para os assistidos.

"Tenho um lema: quem é mais velho é quem tem que ter juízo! A gente que já viveu mais, tem que exercer nossa sabedoria e conversar mais com as gerações mais novas, aprender com eles também. Eu acreditei por um tempo que a responsabilidade de cobrar uma vida mais digna, com políticas públicas principalmente, era mais deles, mas vi que tem que ser compartilhada", afirma.

Futuras velhices

Em um futuro próximo, a população brasileira será mais idosa do que jovem, de acordo com as projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2060. E apesar de não existir um dado que mostre quantos são os idosos LGBTQIA+ no Brasil, a Eternamente Sou tem se esforçado para construir uma aposentadoria mais saudável e acolhedora para essas pessoas.

"A gente sente a necessidade muito grande de falar sobre políticas públicas agora", diz Rogério. Ele explica que são as demandas dos próprios idosos que moldam as ações da ONG. Entre os relatos que recebem, há histórias de gente que, sem acolhimento familiar ou de amigos, precisa fingir que é heterossexual ou cisgênero para conseguir uma vaga em casas de acolhimento para a população idosa em geral.

"Para mim, isso tudo significa pensar no futuro. Hoje a gente está pavimentando as estradas para que elas sejam mais confortáveis para os gays, as lésbicas, as trans que são jovens hoje e vão envelhecer no futuro. Tem um trabalho muito longo pela frente, mas eu estou esperançosa, tem muita gente boa fazendo coisas por aí", afirma Maria Tereza Tauile — ou Tete, como ela prefere ser chamada — de 68 anos, também assistida e professora de português voluntária da associação.

Por isso, a conquista da primeira sede da Eternamente Sou no centro de São Paulo (SP) é comemorada. O espaço já nasceu pioneiro: é o primeiro centro de convivência voltado para o público idoso LGBTQIA+. Mas ainda não foi inaugurado por causa da pandemia.

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