CORONAVAC: DUAS DOSES conseguem impedir internações (85%) e mortes (80%) em, respectivamente, 85% e 80% dos casos. __________ 《 Muito pouco...! 》
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Eosqteimais de 80/90 anos? - Put4killp4rill - APESAR da vacinação ACELERADA, Chile NÃO consegue evitar AUMENTO dos contágios
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Estamos SEM instrumentos de CONTENÇÃO da loucura, diz MIGUEL REALE Jr., um dos autores do pedido de IMPEACHMENT da presidente DILMA ROUSSEFF
O filósofo de BOTEQUIM Luiz Felipe PONDÉ apanha nas redes após CULPAR o PT pela DESTRUIÇÃO do Brasil por BOLSONARO
'É um absurdo a CNN dar espaço para a picaretagem de Alexandre Garcia', diz Joaquim de Carvalho
"Sinto que morri também, não estou mais viva", diz manifestante agredida por bolsonaristas em Vitória
Nestlé reconhece o óbvio: maioria dos seus produtos não é saudável
Boff questiona se Brasil ainda pode ser chamado de nação
Ministério da saúde ignorou por três dias pedido de oxigênio do Acre
Brasil vai enfrentar geração de crianças órfãs, diz chefe da Cruz Vermelha
Como nas Diretas Já, a grande mídia esconde protestos, com exceção da Folha
Tem que interditar: Bolsonaro solto é uma ameaça à saúde pública
Felipe Neto volta a chamar Bolsonaro de 'genocida' em evento internacional
Gabinete paralelo' recorreu a guru nos EUA para ter referencial antivacina
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Eosqteimais de 80/90 anos? Put4killp4rill. * Apesar da vacinação acelerada, Chile não consegue evitar aumento dos contágios

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Se nos Estados Unidos e em Israel a vacinação acelerada tem impulsionado uma drástica redução dos casos de Covid-19, este não é o caso do Chile.
O país onde acontece a campanha de imunização mais veloz da América Latina — 59,2% da população recebeu ao menos uma injeção anti-Covid — vê hoje uma média de quase 7,3 mil casos diários, 38% a mais que há um mês.
Para especialistas ouvidas pelo GLOBO, são múltiplos os fatores que contribuem para a piora da crise sanitária em território chileno:
passam pelo aumento da circulação, pelas novas variantes e pela fadiga com os 15 meses de restrições.
A piora deve-se também, no entanto, ao portfólio de vacinas adotado pelo governo chileno e a sua dependência do imunizante da SinoVac, conhecido no Brasil como CoronaVac.
Quase 80% das 19,6 milhões de doses já aplicadas no país são da fabricante chinesa — bastante eficiente para evitar casos graves da Covid-19, mas não tanto para barrar a transmissão.
Segundo um estudo feito pelo governo do Chile, as duas doses conseguem impedir internações (85%) e mortes (80%) em, respectivamente, 85% e 80% dos casos.
Sua capacidade de conter o contágio, no entanto, ficaria na casa dos 67%.
Notícias em imagens nesta sexta-feira pelo mundo





Outras pesquisas apontam que a taxa poderia ser ainda menor. Em seu aval para o uso emergencial da CoronaVac, concedido no mês passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a vacina preveniu casos sintomáticos em 51% dos adultos inoculados. A Anvisa, em janeiro, autorizou seu uso no Brasil, onde é produzida em parceria com o Instituto Butantan, com uma eficácia global de 50,4%.
Isso se reflete no resultado da vacinação chilena como um todo. De acordo com um levantamento feito pela Universidade do Chile em abril, a campanha tem uma efetividade de 56,5% na prevenção do contágio entre quem recebeu as duas doses (hoje, cerca de 45% da população do país). Entre aqueles que tomaram apenas uma injeção, a taxa cai para apenas 3% — constatação que fez Santiago acelerar a aplicação da dose final.
— Nós reduzimos a probabilidade de contágio e protegemos as pessoas, porém ainda não em um nível suficiente para poder chegar à imunidade de rebanho ou conter a transmissão — disse ao GLOBO María Soledad Martínez, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade do Chile.
Contágio entre os jovens
Apesar das limitações, o impacto da vacinação já é sentido, principalmente entre aqueles com mais de 70 anos, os primeiros a serem imunizados. Se no início de janeiro 66% das mortes no país ocorriam nesta faixa etária, no fim de maio o percentual havia caído para 52% — 14 pontos percentuais a menos, apesar da média móvel de casos diários ter mais que dobrado desde janeiro.
Entre a população geral, as mortes aumentaram, mas não na mesma proporção dos casos: há um mês, o país registrava uma média de 94,1 óbitos diários e hoje, cerca de 108, um aumento de 14,8%. A explicação para isso passa pela vacinação, mas também pelos avanços no tratamento da doença e pela menor faixa etária dos infectados.
Hoje, a campanha de imunização no país está aberta para todos com mais de 22 anos, mas a participação está aquém do esperado entre os adultos: segundo as autoridades, cerca de 900 mil pessoas entre 23 e 49 anos ainda não foram se vacinar, mesma faixa etária na qual se concentram os novos casos.
Na terça, pela primeira vez desde o início da pandemia, a maior parte dos pacientes que ingressou em leitos de terapia intensiva tinha menos de 39 anos, muitos deles ainda esperando para se vacinar ou para receber a segunda dose. Entre todos os internados na UTI, disse o governo nesta semana, 86% não completaram o ciclo de vacinação.
Para Martínez, o Chile deve levar entre três e quatro meses para aplicar as vacinas em todos que estão aptos para recebê-las. A partir daí, a expectativa é que os casos diminuam, mas isso não significará o fim da circulação do vírus: seja pelo fato de as doses não garantirem cobertura completa ou pelo fato do uso infantil ainda não ter sido amplamente autorizado. Sem que as crianças sejam vacinadas, será difícil chegar à imunidade de rebanho.
As limitações da CoronaVac explicam em parte porque os EUA e Israel, onde a vacinação também está avançada, viram os novos casos caírem respectivamente 36% e 64% nas últimas duas semanas. O Chile, enquanto isso ultrapassou um total de 30 mil mortes na segunda-feira e anunciou que manterá suas fronteiras fechadas até ao menos o fim do mês.
Outros fatores
Americanos e israelenses usam maciçamente as vacinas da Pfizer e, no caso dos EUA, da Moderna, que têm uma eficácia de 91% na prevenção de novas infecções, segundo um estudo publicado neste mês pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano. Diante da escassez planetária de doses e da dificuldades de comprá-las, no entanto, a melhor vacina é aquela que cada um tem ao seu alcance:
— Há sim vacinas melhores no que diz respeito à prevenção da transmissão, mas essa é a que temos à nossa disposição — disse Claudia Cortés, infectologista da Universidade do Chile.
As vacinas por si só, no entanto, não explicam o agravamento epidemiológico no Chile. A situação do país é hoje similar à britânica: ambos já imunizaram mais de 40% de sua população com as duas doses, mas lutam contra novas variantes mais contagiosas.
No Reino Unido, onde os casos aumentaram 131% nas últimas duas semanas, a culpa recai sobre a Delta, variante originária da Índia. No Chile, circulam uma cepa andina e a variante Gama, mais contagiosa, descoberta no fim de 2020 em Manaus. Segundo um estudo divulgado no fim de maio pelo Instituto Butantan, a CoronaVac é eficiente contra a mutação amazônica. Ainda não há muitas informações sobre a cepa dos Andes, mas tudo indica que ela também responde à vacina.
E se o vírus se dissemina hoje com maior facilidade, isso deve-se também ao aumento da circulação de pessoas. Para Cortés, isso é indissociável de um tropeço de comunicação do governo de Sebastián Piñera. Se a gestão teve sucesso em comprar as doses velozmente, ao contrário de muitos países da região, errou ao declarar uma vitória prematura:
— Eles deram a entender que se você se vacinava, pronto, o problema acabou. Houve um relaxamento muito grande — disse ela.
Vacinação maciça
O país atravessou uma segunda onda em março, quando chegou a pôr 85% de sua população em quarentena, o que de fato ajudou a reduzir os casos, o durou até o início de maio. O contágio, ainda assim, permaneceu alto, sinal de uma baixa adesão às restrições, da fadiga natural da população e de uma economia em que, no último trimestre de 2020, quase 27% da população trabalhava informalmente.
Neste momento, o Palácio de La Moneda recorre a medidas restritivas como toques de recolher e seu plano Passo a Passo, que impõe restrições mais ou menos duras a depender do nível de contágio em uma região. Em seu nível máximo, há uma quarentena que permite apenas serviços essenciais — ontem, o governo anunciou que a medida vai vigorar a partir de sábado em toda a região metropolitana de Santiago, atingindo 7 milhões de pessoas.
Em sua nível mais branda, ficam permitidas reuniões com até 40 pessoas e o funcionamento de restaurantes a céu aberto, por exemplo. O plano, evidentemente, não vem sendo suficiente para conter o contágio. No fim de maio, o governo se viu diante de uma nova polêmica ao implementar um passe de mobilidade para facilitar o deslocamento dos já vacinados. As críticas foram tantas que as autoridades reviram alguns de seus termos, mas não chegaram a aboli-lo.
Diante da falta de efeito das restrições, diz Cortés, o caminho para evitar uma piora do surto atual é a imunização maciça no país, onde já há uma estrutura de saúde primária bem consolidada e uma forte cultura de vacinação. Além da CoronaVac, o país usa as doses da Oxford-AstraZeneca, da Pfizer — cujo uso foi recentemente autorizado nos jovens entre 12 e 16 anos — e da CanSino, de dose única, aplicada principalmente nas áreas mais remotas do território.
— É preciso buscar os pacientes que ficaram para trás, que não tomaram as vacinas porque decidiram não fazê-lo ou porque, por exemplo, não conseguiram sair do trabalho — disse ela, afirmando que são necessárias maiores flexibilidades por parte dos empregadores para que seus funcionários consigam sair para se vacinar.
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Leonardo Sakamoto - Ataque de Bolsonaro à máscara reforça mentira de que STF não o deixa agir
Colunista do UOL
11/06/2021 11h27
Após atuar como um Jim Jones pandêmico, nesta quinta (10), declarando que "um tal de Queiroga" estava preparando um "parecer visando a desobrigar" o uso de máscara por pessoas que já haviam pegado covid ou tomado a vacina, Jair Bolsonaro afirmou, um dia depois, que "quem decide na ponta da linha é governador e prefeito".
Bolsonaro é tosco, mas não politicamente burro. Ele sabe que os decretos estaduais e municipais tornariam sem efeito qualquer parecer, recomendação ou decreto federal que queira tornar desnecessário o uso de máscaras. Mesmo assim, agiu como se a decisão só dependesse dele.
Renata Vasconcellos chorando, Bonner emocionado: jornalista também é gente?
Em abril do ano passado, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a competência concorrente de estados, Distrito Federal, municípios e União no combate à covid-19. Traduzindo: todos podem e devem participar da elaboração de execução da política contra a pandemia.
Desde então, Bolsonaro, que desejava do STF a autorização para impedir quarentenas e lockdowns, vem espalhando a mentira de que a corte decidiu que o combate ao coronavírus cabe apenas a governadores e prefeitos. E a ele teria restado apenas o repasse de recursos para as ações.
Com isso, ele vem terceirizando a responsabilidade por mortos e desempregados. E, buscando a estratégia de imunidade de rebanho, negou-se a comprar vacinas no ano passado, defende remédios sem eficácia, promove aglomerações e tem atacado, como ontem, o uso da máscara.
Falando para os seus fãs em frente ao Palácio do Alvorada, o presidente reforçou esse entendimento nesta sexta: "Eu não apito nada, né? Segundo o Supremo, quem manda são eles. Mas nada como você estar em paz com a sua consciência".
Não tenham dúvidas que ele usará reações tanto à sua declaração quanto à tentativa de desobrigar o uso de máscaras para reforçar a mentira de que o STF o alijou do processo decisório sobre a pandemia. De olhos na montanha de mortos, que deve alcançar meio milhão nos próximo dias, ele precisa reforçar justificativas para tirar o corpo fora.
Além dessa dimensão, a declaração estapafúrdia e criminosa desta quinta teve múltipla serventia.
Ajudou a sabotar os esforços de quem combate a pandemia, empoderou o naco negacionista de seus seguidores, colocou a população em risco ao atacar uma das únicas formas de se proteger, uma vez que metade do país já estaria completamente vacinada, neste momento, se ele tivesse aceitado a oferta da Pfizer e do Instituto Butantan para o fornecimento de doses ainda no ano passado.
Mas também serviu para cutucar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que reconheceu que a cloroquina não tem eficácia contra a covid-19 em sua segunda visita à CPI da Covid.
E para jogar uma cortina de fumaça sobre o avanço das investigações da comissão sobre as relações incestuosas entre o presidente e os empresários que produzem cloroquina. A fase de "seguir o dinheiro" da CPI pode ser bastante comprometedora para Bolsonaro.
Pipocam pelo Brasil casos de pessoas que se negam a usar máscara em ambientes públicos e privados. Algumas até fazem ameaças com armas de fogo, que se tornaram facilmente acessíveis durante o mandato de Bolsonaro. A necropolítica escorre pela sociedade, chegando à sua base eleitoral, que, fortalecida pelo presidente, mostra que o capricho pessoal vale mais que a saúde coletiva.
Não há, entre todas as consequências possíveis das declarações da quinta, nenhuma que proteja a vida e a economia. Em nome de seus ganhos políticos, Bolsonaro aceita de bom grado o país se tornar um cemitério.
Estamos SEM instrumentos de CONTENÇÃO da loucura, diz MIGUEL REALE Jr., um dos autores do pedido de IMPEACHMENT da presidente DILMA ROUSSEFF
Do UOL, em São Paulo
11/06/2021 09h43
O jurista Miguel Reale Jr. disse hoje, em participação ao UOL News, que o Brasil enfrenta um momento difícil em relação à conduta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) frente à pandemia do novo coronavírus, com a falta de instrumentos para conter o que chama de loucura e irresponsabilidade.
Ex-ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, Miguel Reale Jr. fez o comentário em meio a críticas à atuação do procurador-geral da República, Augusto Aras.
Marco Aurélio rebate Bolsonaro sobre máscaras: estados e municípios decidem
"Eu sei muito bem o que é ficar órfão de uma procuradoria que não atua", disse, relembrando o tempo em que era ministro da Justiça.
Sensação que temos é de orfandade. Nós estamos no meio da pandemia, nas vésperas de ter 500 mil mortos [pela covid-19] e estamos sem instrumentos de contenção da loucura, da irresponsabilidade. Nós estamos soltos, ao léu, estamos abandonados. A sensação é de abandonoMiguel Reale Jr., jurista
Miguel Reale Jr. ainda disse que se sente envergonhado do país em decorrência da "sensação de abandono". "Nós estamos abandonados. Estamos sem recursos, sem ninguém que cuide de nós", disse.
Para o jurista, é preciso que haja um movimento de procuradores para pressionar Augusto Aras a mudar sua postura em relação ao Governo Federal, considerada por opositores como subserviente ao presidente.
"Única forma é atuar dentro do MP junto a procuradores para que haja um movimento de anteposição, revolta contra a posição do procurador-geral", disse.
Pondé apanha nas redes após culpar o PT pela destruição do Brasil por Bolsonaro

247 – O filósofo de botequim Luiz Felipe Pondé hoje aparece com destaque nas redes sociais por ter feito uma postagem estúpida, responsabilizando o Partido dos Trabalhadores pela destruição do Brasil por Jair Bolsonaro. "Bolsonaro está comprando as polícias como Chávez fez na Venezuela e o legislativo e o STF estão deixando. Vão dividir a grana entre eles e nos ferrar . Este é o país que o PT nos legou", escreveu em seu twitter.
A ascensão do fascismo no Brasil é resultado do golpe de 2016, que derrubou a ex-presidente Dilma Rousseff com discursos de ódio e fake news. Pondé um dos co-responsáveis pela destruição do País.
'É um absurdo a CNN dar espaço para a picaretagem de Alexandre Garcia', diz Joaquim de Carvalho

247 - O jornalista Joaquim de Carvalho, em participação na TV 247 neste sábado (12), criticou a CNN Brasil por dar espaço ao negacionismo e à "picaretagem" de Alexandre Garcia.
Garcia, segundo documentos enviados pelo Google à CPI da Covid e obtidos pela jornalista Natália Portinari, do jornal O Globo, foi quem mais lucrou com a propagação de mentiras relacionadas à Covid-19.
"Picareta como o Alexandre Garcia tem em todo lugar. Agora, a CNN dar espaço para uma propaganda da morte é um absurdo. Ele fez um vídeo tomando ivermectina e dizendo 'tomo um por semana', 'a coisa funciona', e ele tendo mídia para isso. Deveria ter alguma responsabilidade", manifestou Joaquim de Carvalho.
Ele ainda lembrou de um episódio marcante na CNN dos Estados Unidos em 2020 no qual um âncora da emissora simplesmente interrompeu uma entrevista ao vivo com um assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump porque ele estava propagandeando o suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19. "Na CNN dos Estados Unidos, quando um assessor do Trump, em uma entrevista ao vivo, começou a falar da cloroquina, o âncora cortou, ele encerrou. Primeiro ele disse para não falar porque aquilo desinformava. O cidadão continuou falando e ele tirou, falou 'corta'. Depois ele explicou: 'aqui não há espaço para charlatanismo. Aqui há espaço para o conhecimento provado, que é a ciência'. E o Alexandre Garcia tem esse espaço, eu acho um absurdo".
"Sinto que morri também, não estou mais viva", diz manifestante agredida por bolsonaristas em Vitória

247 - A jovem Maria Clara Gama, de 27 anos, mestranda em Direito na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), foi verbalmente agredida na sexta-feira (11) por bolsonaristas no aeroporto de Vitória, no Espírito Santo. Ela protestava contra a chegada de Jair Bolsonaro à cidade e permaneceu em pé e em silêncio com um cartaz lembrando dos quase 500 mil mortos pela Covid-19 no país.
Ao jornal O Globo, a manifestante disse que sua intenção era dar “boas-vindas” a Bolsonaro e lembrar que o chefe do Executivo Nacional estava fazendo campanha política antecipada no estado, e não trabalhando. "Não escrevi ‘genocida’, nem falei as palavras de ordem comuns, nem ‘Fora Bolsonaro’. Só queria registrar que ele estava vindo ali criar aglomeração, para fazer campanha política antecipada aqui no Espírito Santo, não para trabalhar. E queria dar minhas boas-vindas lembrando a situação que a gente está vivendo. Mas não fiz nenhuma crítica explícita".
Maria Clara, no entanto, não conseguiu fazer contato visual com Bolsonaro. Ela ficou cara a cara com os raivosos apoiadores do governo. Um deles chegou a rasgar o cartaz que a manifestante segurava. A jovem contou não ter sido agredida fisicamente. "Não sofri nenhum ferimento, não fui agredida fisicamente. Mas já fui sabendo que isso poderia acontecer. Já sabia que eles iam chegar perto, ficar gritando perto de mim. Não falei nada, fiquei só com o meu cartaz".
O protesto silencioso, contou Maria Clara, foi uma maneira de reagir à sua sensação de impotência. "Estou respeitando o distanciamento social desde o início da pandemia, fazendo tudo o que posso. Vejo essas coisas acontecendo e parece que não é realidade. E eu não posso fazer nada. Sinto que morri também, não estou mais viva. Meu corpo está vivo, mas minha alma morreu junto com as pessoas. Todo mundo fala que um dia isso vai acabar, que vamos voltar à vida normal. Mas a gente nunca vai deixar de ser alguém que viu essa barbárie, essa indiferença com a vida. Nunca vamos voltar ao estado de antes. Vamos viver o resto das nossas vidas marcados por isso".
Nestlé reconhece o óbvio: maioria dos seus produtos não é saudável - Chico Junior
Por Chico Junior
No final do mês de maio o jornal inglês “Financial Times” publicou, com base em um documento interno da Nestlé, que a empresa suíça e maior produtora de alimentos do mundo reconhece que a maior parte de seu catálogo de alimentos e bebidas não é saudável, já que 63% dos produtos da empresa não atenderiam aos padrões necessários.
Segundo o documento, "algumas de nossas categorias e produtos nunca serão 'saudáveis', não importa quanto renovamos".
Segundo o "Financial Times", não entram na classificação e nos dados fórmulas alimentares para bebês, rações para animais de estimação, café e nutrição médica especializada.
Esses 63%, que certamente são de alimentos ultraprocessados, se referem a produtos que representam cerca da metade da receita anual total da Nestlé, que é de US$ 103 bilhões (R$ 537 bilhões).
Esse documento mostra algumas obviedades, como o fato de que a Nestlé, assim como a grande maioria dos conglomerados produtores de alimentos industrializados, que, mais importante do que a saúde do consumidor, o objetivo principal é o lucro. Para se ter uma ideia, o lucro da Nestlé em 2020 foi de US 13,65 bilhões. É muita grana.
Apesar dessa dinheirama toda, e de suas vendas terem crescido 3,6% no Brasil, em 2020, a Nestlé tem fechado linhas de produção no país, causando desemprego, como as fábricas de Palmeiras das Missões (RS) e Itabuna (BA). Além disso, diminuiu o valor do vale refeição nas unidades da Bahia, de São Paulo e de Pernambuco.
Segundo o professor Carlos Monteiro coordenador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP), “a indústria percebeu que poderia ganhar muito dinheiro com alimentos de baixo custo, que aproveitam componentes de outros alimentos e têm sabor que as pessoas gostam e viciam”.
Não saudáveis
Ainda em relação ao tal documento, outra coisa óbvia: devemos diminuir cada vez mais o consumo de alimentos ultraprocessados, que de alimento mesmo têm muito pouco.
O “refresco” mais vendido do Brasil, o Tang (Mondelez), não é saudável. Trata-se de um pó artificial que eles chamam de suco.
O caldo Knorr, o mais vendido do mundo, não é saudável. A linha de ultraprocessados com a marca Knorr (caldos em cubinhos, sopas desidratadas, temperos, molhos, massas, acompanhamentos e refeições semiprontas), é vendida em mais de 90 países e é a segunda maior e mais valiosa marca da Unilever, com faturamento de €3.2 bilhões por ano.
A Coca-Cola não é saudável. Na realidade, refrigerantes, de maneira geral, não são saudáveis.
O hamburger do McDonald’s não é saudável.
Margarina não é saudável. Manteiga é, desde que consumida comedidamente.
Ultraprocessado, em suma, não é saudável. Vários estudos científicos realizados em diversos países têm mostrado que o uso abusivo dos ultraprocessados causam problemas sérios de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e, principalmente, obesidade.
Boff questiona se Brasil ainda pode ser chamado de nação

247 – "Uma nação que tolera ou é cúmplice de alguém que está intencionalmente matando sua população, pode se considerar ainda uma nação?",
questiona o escritor e teólogo Leonardo Boff.
"O homem comete um crime atrás do outro e tudo fica por isso mesmo.
Tudo tem limites.
Teve até para Hitler.
Aqui parece que não haver limite para matar", pontua.
No Brasil, epicentro da covid-19 no mundo, Jair Bolsonaro quer flexibilizar o uso de máscaras. Saiba mais:
(Reuters) - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta sexta-feira que estão sendo realizados estudos para se ter "posições sólidas" sobre a possibilidade de flexibilização do uso de máscaras contra Covid-19, conforme havia pedido o presidente Jair Bolsonaro na véspera.
Queiroga chegou a se irritar com repórteres quando afirmava que países avançados na vacinação já estavam fazendo essa flexibilização e foi confrontado com o fato de não ser o caso do Brasil neste momento.
"Países que alcançaram uma cobertura vacinal ampla já assistimos a uma flexibilização do uso de máscaras",
disse Queiroga a jornalistas em São Paulo.
Ao aparte feito por uma repórter de que não é o caso do Brasil, o ministro disse "vai ser o nosso caso".
Como a repórter insistiu não ser o caso do Brasil "hoje", o ministro repetiu mais rispidamente "vai ser o nosso caso".
E completou:
"e nós estamos estudando para ter posições sólidas e nos anteciparmos em relação a todas as medidas que devem ser colocadas no enfrentamento à pandemia".
Até o momento, segundo dados oficiais, 23,5 milhões de pessoas já foram vacinadas com duas doses de imunizantes contra Covid-19 no país, o que representa apenas 11,2% da população.
Ao ser lembrado que na manhã desta sexta o presidente disse que a posição final acabaria sendo de prefeitos e governadores, o ministro afirmou:
"eu não sou censor da fala do presidente da República".
Ministério da saúde ignorou por três dias pedido de oxigênio do Acre

Lauriberto Pompeu
Brasília
12/06/2021 08h44
O Ministério da Saúde demorou três dias para responder a um e-mail da Secretaria de Saúde do Acre, que solicitava ajuda para não ficar sem estoque de oxigênio medicinal, usado no tratamento de pacientes com covid-19. O pedido foi feito em 12 março e respondido pelo governo de Jair Bolsonaro apenas no dia 15, quando o general Eduardo Pazuello deixou o comando da Saúde. As informações constam de documentos entregues pelo próprio ministério à CPI da Covid no Senado.
"Prezados, encaminho o Ofício no. 634/2021/SE/GAB/SE/MS, que trata do risco iminente de desabastecimento de oxigênio nos municípios do Estado do Acre. Solicito confirmação de recebimento", escreveu a Secretaria de Saúde do Acre. Três dias depois, uma funcionária de apoio ao gabinete do Ministério da Saúde, identificada no e-mail como Leíse, respondeu: "Boa tarde! Acuso recebimento. Desculpe a demora".
CPI: Ernesto Araújo e Mayra Pinheiro acionam o STF contra quebra de sigilo
Naquele 15 de março, a pasta se comprometeu a enviar para o Acre 300 cilindros de oxigênio. A primeira leva foi entregue no dia 17, cinco dias após o pedido da secretaria, com o envio de 60 cilindros.
Na ocasião, o Estado não chegou a ficar sem estoque de oxigênio, mas precisou adotar um plano de contingência para racionar o uso da substância na rede pública e privada. Embora não tenha faltado, ao menos duas empresas privadas, Oxiacre e Oxivida, chegaram a anunciar que não tinham mais o produto para fornecer.
Na capital Rio Branco há três hospitais particulares e somente um deles tem usina própria de distribuição de oxigênio. Os três hospitais públicos do Estado têm usinas próprias de distribuição. As unidades também sofriam colapso na época pela alta demanda de pacientes. Alguns tiveram que ser transferidos para Manaus no dia 13 de março.
Atrasos em respostas a pedidos de socorro também ocorreram durante a crise no abastecimento de oxigênio vivido pelo Amazonas, em janeiro. Uma carta da empresa White Martins e uma nota assinada pelo então secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, acabaram contradizendo declarações dadas em maio por Pazuello à CPI da Covid.
A multinacional mostra na carta que alertou o governo do Amazonas sobre a necessidade de apoio e "esforços adicionais" para suprir a necessidade de oxigênio diante do aumento exponencial de casos de covid-19 no Estado.
Avisada, a Secretaria da Saúde entrou em contato com Pazuello. Em entrevista transmitida pelas redes sociais, na tarde de 18 de janeiro, o então ministro disse ter ficado "surpreso" com o colapso no sistema de saúde do Amazonas. Em Manaus, pessoas morreram asfixiadas por falta de oxigênio hospitalar.
"No dia 8 de janeiro, nós tivemos a compreensão, a partir de uma carta da White Martins, de que poderia haver falta de oxigênio se não houvesse ações para que a gente mitigasse esse problema. Mas aquela foi uma surpresa tanto para o governo do Estado quanto para nós (Ministério da Saúde)", afirmou Pazuello na entrevista. A correspondência da empresa tem a data de 7 de janeiro.
O Ministério da Saúde informou que atendeu prontamente ao pedido do estado do Acre e entregou 140 cilindros de oxigênio até o dia 25 de março. Após essa data, a pasta também prestou apoio no transporte de cilindros adquiridos pela Secretaria Estadual de Saúde.
Além disso, foram enviados, para Porto Velho (RO), mais de 200 mil m³ de oxigênio líquido, suficientes para cerca de 19 mil cilindros, que foram utilizados também para abastecimento do Acre.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Brasil vai enfrentar geração de crianças órfãs, diz chefe da Cruz Vermelha

Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió
12/06/2021 04h00
O presidente da Cruz Vermelha Brasileira, Júlio Cals, fazia um curso no Panamá, no início de 2020, quando viu a covid-19 estourar na Europa. "Voltei ao Brasil, me reuni com os presidentes estaduais e disse: 'Possivelmente teremos uma situação difícil no nosso país'."
Ele estava certo. Hoje a entidade atua com um corpo de 25 mil voluntários espalhados pelo país para tentar amenizar problemas e ajudar a população.
Covid: capitais têm diferença de até 31 anos na idade mínima para vacinação
Aos 38 anos, ele é o mais novo presidente da ONG (organização não governamental) em um país. Ao UOL, durante passagem por Maceió para lançar um projeto de vacinação com um ônibus, ele afirma que vê a guerra política como o maior empecilho ao combate da pandemia no país.
"A gente enxerga todo mundo brigando, mas as pessoas estão morrendo, estão se colocando em uma situação de vulnerabilidade social ainda maior. Eles deveriam se unir para salvar vidas", diz.

Leia os principais trechos da entrevista:
UOL - Como a Cruz Vermelha está atuando durante a pandemia no Brasil?
Júlio Cals - Desde o início da pandemia, a gente convocou todos os voluntários de todas as filiais. Eu estava no Panamá fazendo um curso de formação humanitária. A gente já monitorava de lá, porque temos 192 unidades nacionais pelo mundo.
Quando cheguei ao Brasil, me reuni com os presidentes estaduais e disse: 'Possivelmente teremos uma situação difícil no nosso país e vamos nos organizar para dar uma resposta à sociedade'.
Nos organizamos com nossos parceiros, nossos doadores, para dar essa ajuda. Fomos vendo o que estava faltando: kits de proteção individual, questão de educação em saúde, insegurança alimentar. E a gente atua com a entrega de cesta básica e transferência de efetivo [renda]. A gente entrega às famílias um cartão com R$ 350. Atuamos em várias frentes.
Muita gente participa?
Empregamos mais de 25 mil voluntários, e 7 milhões de brasileiros já foram beneficiados por nossas ações. Foram 32 mil itens de saúde para indígenas do Oiapoque (AP). Equipamos todos os centros de saúde de lá, doamos 1.600 cestas básicas. É um trabalho incansável.
E vocês estão vacinados?
Eu estou com a primeira dose. Mas não foi fácil. Nós tivemos que pedir, em uma carta ao Ministério da Saúde, o entendimento de que a Cruz Vermelha era uma força auxiliar de linha de frente da pandemia. Eles reconheceram. Só que tem muitos estados que infelizmente não enxergam dessa forma.
Hoje quem financia a Cruz Vermelha nessa ação no Brasil?
Temos o apoio de embaixadas aqui no Brasil, de grandes empresas.
E governos daqui?
Governos ainda não apoiam. Nem estadual, nem federal, nem municipal. A gente tem uma frente parlamentar de apoio à Cruz Vermelha, que busca muito o apoio junto ao governo federal. A gente tem uma boa interação também, mas financeiramente não recebemos nada, de nenhum governo. A gente oficia algumas coisas, pede recursos. Mas no Brasil a parte burocrática interfere muito, às vezes não é nem pelo gestor.
Você dialoga com governos, viajou todo o país, fala com pessoas de outros países. Como avalia a resposta do Brasil à pandemia?

Mas não existe um entendimento dos nossos governantes de que essa briga resvala na população. Agora é momento de união. As pessoas não podem estar brigando politicamente. Elas deveriam se unir para salvar vidas.
A gente enxerga todo mundo brigando, mas as pessoas estão morrendo, estão se colocando em uma situação de vulnerabilidade social ainda maior. A pandemia veio mostrar o tamanho do abismo social em que vivemos. Ele já existia, e era invisível para muita gente.
Rodei todos os estados na pandemia, vi muita coisa. Peguei covid em uma missão da instituição, quase perdi minha vida me dedicando ao próximo.
A situação social piorou muito com a pandemia, não?
Muito. Você não sabe o que é chegar a um igarapé, no meio da selva, e ter uma criança chorando na beira do rio com fome. Ela chegar para você e dizer: 'Tio, eu estou triste porque estou com fome, ainda não comi nada'. Isso porque o pai e a mãe estão sem emprego. Dói no coração.
O Brasil precisa se preparar porque a gente vai ter uma geração de crianças órfãs por uma pandemia. Olha a cabeça dessas meninas e meninos que vão crescer no nosso país.
Então essa briga seria o ponto central da falha na nossa resposta?
Acredito que sim. Tudo o que desagrega não ajuda. Em um momento desses, em que você precisava de união dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, está todo mundo brigando. O que eu entendo é que não é briga pelo povo, mas pelo poder. E os únicos poderes que deveriam agir são: poder fazer, poder agir, poder contribuir.
Enquanto estão se degladiando, puxando cada um para um lado, quem está se esfarelando é o povo.
O país teve uma redução no valor e no número de beneficiários do auxílio emergencial em 2021. Isso impactou nesse cenário?

Você disse que quase morreu de covid-19. Como foi isso?
Eu tive covid e fiquei com 78% de comprometimento nos pulmões. Quando se fala em tratamento precoce, as pessoas entendem muito sobre a utilização de medicamentos. Mas o tratamento precoce é quando ele procura um médico antes de agravar a covid.
Essa doença não tem receita pronta para o médico passar um remédio eficaz. O que temos são tentativas. Por exemplo: fiz dois tratamentos não convencionais. Um deles foi o uso do capacete Elmo. Não fui intubado por conta dele, que diminuiu em 60% as intubações quando utilizado. E eu recebi plasma convalescente, que no meu organismos fez toda diferença: dormi com os índices todos alterados e, quando fizeram os exames no outro dia, meus índices tinham baixado.
Veja como é essa doença, tenho 38 anos, sou faixa preta de judô, saudável e quase perdi minha vida.
Como você vê a questão da desinformação ter atrapalhado as pessoas a fazerem ações de prevenção, por exemplo?
Com certeza absoluta, isso foi percebido. As redes sociais serviram para dar uma agilidade à informação, mas serviram para desinformar ou para colocar a população como massa de manobra. Quando você solta uma informação errada, uma fake news, você manobra aquela população.
Brigo demais pelas nossas crianças e adolescentes. Quando você não trata da educação, elas não vão ter entendimento nem intelecto preservados e serão utilizadas como massa de manobra. Uma fake news postada para uma pessoa sem entendimento fará ela acreditar. E ela vai ser vítima daquilo.
Opinião: Balaio do Kotscho - Como nas Diretas Já, a grande mídia esconde protestos, com exceção da Folha
Ricardo Kotscho
Colunista do UOL
30/05/2021 14h10
Como aconteceu na campanha das Diretas Já, todos os principais veículos da mídia brasileira, com exceção da Folha/UOL, esconderam da população o tamanho e o significado da primeira grande manifestação popular contra o governo Bolsonaro, que foi às ruas neste sábado, em mais de 200 cidades, de todos os Estados, e também no exterior.
Em 1984, os primeiros grandes comícios contra a ditadura militar só tiveram destaque neste mesmo jornal, que desde o início encampou a luta por eleições diretas para presidente da República.
O amor: a vacina da resistência contra a era do ódio
Foi ali que o regime dos generais começou a desmoronar e logo o país reconquistaria a democracia
Os demais veículos só entrariam para valer na cobertura quando multidões já tomavam as ruas de todo o país e não tinha mais jeito de esconder.
Não escrevo isso para agradar a empresa onde trabalho, já pela quarta vez, agora no UOL. Escrevo porque, como repórter da Folha, cobri toda a campanha, do início ao fim, e sou testemunha ocular do que aconteceu.
Esta é apenas uma constatação sobre fatos que já fazem parte da nossa história, e agora se repetem, ao mesmo tempo como farsa e como tragédia, por quem ainda se imagina com poderes para controlar a opinião pública. Se alguém tiver dúvidas, basta consultar o Google.
Foi-se o tempo. Naquela época, quando ainda não existiam as novas mídias da internet, era só pelos jornais, rádios e televisões que os brasileiros podiam se informar sobre o que estava acontecendo em seu país.
Nas localidades mais remotas, onde chegavam poucos exemplares da Folha, o jornal era vendido no câmbio negro e as pessoas tiravam cópias de xerox, pois era o único que cobria todos os eventos da campanha.
Hoje, com seu celular na mão, todo brasileiro pode transmitir em tempo real, por exemplo, o ataque da tropa de choque da Polícia Militar de Pernambuco contra manifestantes no Recife, que levou ao imediato afastamento do comandante da operação, não autorizada pelo governo do Estado.
Só pela internet dava para ver, ao vivo, o Brasil voltando às ruas em defesa da democracia e do direito à vida, sonegado pelo governo negacionista que é responsável, sim, pelas quase 500 mil mortes na pandemia, um crime investigado pela CPI do Senado, que já não dá mais para esconder. .
Desta vez, ao contrário do que acontecia nas manifestações contra o governo de Dilma Rousseff, a GloboNews não entrou ao vivo o dia inteiro, convocando a população a sair às ruas. A CNN ainda não existia naquela época, mas agora também só mostrou pequenos flashes gravados, que não davam ideia da dimensão dos protestos contra o governo em todo o Brasil.
Da mesma forma, o Jornal Nacional foi bastante discreto na cobertura, para dizer o mínimo, como se as manifestações estivessem acontecendo em algum outro país distante daqui.
Assim como fez em 1984, quando tentou transformar o grande comício das Diretas Já na praça da Sé, com 300 mil pessoas, como se fosse comemoração do aniversário da cidade, no dia 25 de janeiro, a Globo reduziu o protesto a uma notícia qualquer.
Seus concorrentes, SBT e Record, nem isso fizeram, limitando-se a dar notas cobertas envergonhadas, sem dizer que o principal mote das manifestações era o "Fora Bolsonaro", como se as únicas reivindicações fossem mais vacinas e o aumento do auxílio emergencial.
Os jornais Estadão e O Globo passaram vergonha ao dar chamadas minúsculas em suas capas, sem fotos, exatamente como faziam no início da campanha das Diretas Já.
Só a Folha abriu a manchete "Milhares saem às ruas contra Bolsonaro pelo país", com uma grande foto da avenida Paulista tomada pela multidão, assim como fez o site do Guardian, de Londres, um dos jornais mais influentes do mundo, ainda no sábado.
Aqui no Brasil ainda há publishers, editores e colunistas que se acham mais importantes do que a notícia e só publicam o que lhes interessa, criando sua própria história e dando uma banana para os fatos, mais ou menos como faz o próprio Bolsonaro, que eles só criticam até certo ponto, enquanto não encontram uma terceira via para apoiar.
Daqui a 30 anos, quem sabe, farão uma nova autocrítica, mas eu já não estarei mais aqui para ver.
Um dia, espero, algum historiador do futuro contará qual foi o papel da mídia e da Lava Jato na criação do "fenômeno Bolsonaro", ao impedir a volta do ex-presidente Lula ao governo, em parceria com os militares, os tribunais superiores e o mercado. .
Também não escrevo isso porque já fui, há quase 20 anos, assessor de imprensa do ex-presidente.
Como repórter, que nunca deixei de ser nos últimos 57 anos, eu só não posso brigar com os fatos.
Vida que segue.
Opinião: Balaio do Kotscho - Tem que interditar: Bolsonaro solto é uma ameaça à saúde pública

Ricardo Kotscho
Colunista do UOL
12/06/2021 16h51
Depois de liderar uma manifestação com milhares de motoqueiros até Jundiaí, que fez lembrar cenas e discursos da ascensão de Adolf Hitler na Alemanha e de Benito Mussolini na Itália nos anos 1930, Jair Bolsonaro subiu no palanque do carro de som montado em frente ao Parque do Ibirapuera para fazer o discurso mais assustador dos seus dois anos e meio de mandato.
Confesso que fiquei espantado ao ouvi-lo se esgoelar no microfone contra todas as medidas de contenção do coronavírus, mentir compulsivamente sobre as vacinas, a supernotificação do número de mortos e o uso de máscaras, defender de novo o "tratamento precoce", que não cura mas pode matar, e louvar Deus, os militares e a PM, aos gritos, como se estivéssemos em guerra.
Bolsonaro continua ameaçando a saúde pública, na contramão da ciência e da OMS, dobrando a sua aposta no negacionismo doentio que já deixou quase 500 mil mortos no país. Tem que ser interditado urgentemente.
Os alvos principais do seu discurso delirante foram o isolamento social, o governador paulista João Doria e a CPI da Pandemia, que investiga, e já tem centenas de provas da responsabilidade do governo federal no enfrentamento da pandemia. Milhares de brasileiros não precisavam ter morrido, vai ser a conclusão.
O tempo todo sem máscara, aglomerando e acenando para os seguidores, o presidente ainda teve a coragem de dizer que não está em campanha eleitoral. Qual foi, então, a finalidade do novo rolê de motos, que congestionou o trânsito na cidade e interditou rodovias?
Em seu discurso, Bolsonaro amitiu que estamos com um problema sério do vírus, o que já é um avanço, mas se mostrou mais preocupado com a economia, o desemprego e a fome, e garantiu que o Brasil estará entre os cinco países com maior crescimento econômico no mundo este ano, sem citar a fonte de onde tirou esta afirmação. Foi o Paulo Guedes quem lhe falou?
A manifestação motorizada sobre duas rodas foi batizada de "Acelera para Cristo", mais uma vez misturando política com religião . Para homenagear os devotos, o capitão levou na garupa da sua moto o deputado Cezinha de Madureira, líder da Frente Parlamentar Evangélica.
"Eu nunca mandei fechar igrejas", proclamou, como se alguém o tivesse acusado disso. Era a senha para os apoiadores gritarem "Fora Doria".
Como se estivessem bem ensaiados, quando falou que quem já foi vacinado não precisa mais usar máscaras, o que é uma mentira, a massa de motoqueiros exultou: "Eu autorizo".
Pulando de um assunto a outro, cada vez mais empolgado, só faltava atacar a imprensa. Lá pelas tantas, mirou na Folha _ "jornal que não serve nem para limpar chiqueiro" _ para dizer que o país "não está despiorando, mas melhorando".
Em sua campanha para desmoralizar o quarto ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu novamente um decreto para "flexibilizar" o uso de máscaras, a única defesa de quem não pode manter o isolamento social porque precisa trabalhar.
Em resumo, ao dizer que nunca se curvou à pandemia, o discurso do presidente da República foi todo dirigido à CPI, para justificar as ações e omissões do seu governo, que estão sendo reveladas nos depoimentos, e provar que ele sempre esteve certo, ao boicotar as vacinas e receitar cloroquina.
"Eu peguei Covid, tomei cloroquina e, no dia seguinte, estava curado", voltou a repetir, para os aplausos da plateia.
Quem sabe, poderia também ter tomado um suco de laranja, que teria o mesmo efeito. Mas assim como acontece com seus devotos, não há argumento científico capaz de faze-los mudar de ideia. Eles têm ideia fixa.
No meio do passeio do Dia dos Namorados, o governador Doria multou Bolsonaro em R$ 500 por não usar máscara, o que é troco perto do que custou ao governo do Estado a montagem do esquema de segurança do presidente.
Para protegê-lo, foram mobilizados 1.433 policiais, cinco aeronaves, 10 drones e 600 viaturas, sem contar os agentes da Polícia Federal, do GSI e da PRF, requisitados para garantir o sucesso do passeio presidencial. Custo total: 1,2 milhão.
Se ninguém conter e interditar esta insanidade, milhares de brasileiros continuarão a morrer e ser contaminados todos os dias pelo coronavírus, superlotando hospitais e cemitérios.
E eles continuarão alegremente passeando e se divertindo pelas ruas e rodovias deste país, com direito a um discurso do grande líder no final.
Qualquer semelhança com imagens do passado não é mera coincidência.
Vida que segue.
Felipe Neto volta a chamar Bolsonaro de 'genocida' em evento internacional

Do UOL, em São Paulo
12/06/2021 11h15
Opositor de Jair Bolsonaro (sem partido), Felipe Neto voltou a falar sobre a gestão do presidente durante a pandemia do novo coronavírus.
Em participação no evento virtual internacional "Global Scholars Symposium", organizado pelas universidades de Cambridge e Oxford, o youtuber brasileiro chamou Bolsonaro de genocida.
Justiça do RJ arquiva processo contra Felipe Neto por corrupção de menores
Temos um presidente genocida, um presidente cujo guru oficial é um cara que acredita que a Terra poderia ser plana. Começou dizendo Felipe, em inglês, se referindo a Osmar Terra
Felipe ainda citou a narrativa contra o isolamento social e o uso de máscara, usada com frequência pelo presidente.
Ele muda a narrativa o tempo todo para que as pessoas acreditem que ele está lutando pela liberdade. [...] Ele é apenas um genocida. Se pudesse, já teria derrubado o congresso. Isso é muito claro. Estamos enfrentando uma posição muito perigosa no Brasil. Considerou o youtuber
Reconhecendo sua influência nas redes sociais, Felipe também afirmou que aproveita seus inúmeros seguidores para dar "algum sinal de alerta às pessoas." Apesar disso, ele reconheceu a força de Bolsonaro na internet.
Bolsonaro explora todas as fraquezas das mídias sociais para apresentar essa forma radical de pensar. Ele conseguiu números incríveis ao fazer isso. Nós podemos ser otimistas, mas também precisamos lutar muito. Finalizou
'Gabinete paralelo' recorreu a guru nos EUA para ter referencial antivacina

Hanrrikson de Andrade
Do UOL, em Brasília
12/06/2021 04h00
Atualizada em 12/06/2021 16h34
Membros do que tem sido chamado de "gabinete paralelo", o grupo investigado pela CPI da Covid por assessorar informalmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia da covid-19, recorreram a uma guru nos Estados Unidos em busca de um referencial antivacina.
Trata-se da médica de extrema direita Simone Gold, ativista contra a imunização e que ficou conhecida por participar da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro desse ano. Na ocasião, ela acabou detida pela polícia de Washington.
CPI da Covid quer que documentos sigilosos do governo sejam reclassificados
Simone é militante fundadora do "America's Frontline Doctors", organização que tem atuado desde o início da pandemia na difusão de ideias e crenças que vão na contramão da comunidade científica. Ela também prega a existência de um esquema global de corrupção e conflito de interesses dentro da indústria farmacêutica, a teoria conspiratória do "big pharma".
Em uma de suas manifestações, a médica chegou a dizer, sem qualquer comprovação, que as vacinas contra o novo coronavírus poderiam causar doenças autoimunes e infertilidade. O conteúdo se espalhou rapidamente pela internet por meio de vídeos compartilhados nas redes sociais, em janeiro de 2021.
Procurado pelo UOL, o "America's Frontline Doctors" não comentou a situação do Brasil e do governo Bolsonaro, mas encaminhou uma nota por meio da qual Simone afirma existir um "ceticismo justificável" em relação às vacinas. Na visão dela, isso ocorre devido "à velocidade sem precedentes" com a qual os imunizantes se tornaram viáveis e forneceria um "impulso adicional" à adoção de "terapias anti-infecciosas", como os casos da cloroquina e da ivermectina —remédios sem eficácia no tratamento dos sintomas.
Para a líder da entidade, nos Estados Unidos, o "esforço repetido e internacional para limitar o uso de medicamentos preventivos e profiláticos" tem sido uma das "maiores tragédias" observadas em face da pandemia. "Apoiamos os esforços para fornecer informações não filtradas e não censuradas a pacientes e médicos para que os americanos possam tomar decisões bem fundamentas sobre suas necessidades de saúde."
Alvo de ações judiciais nos EUA
No ano passado, a militante já havia chamado atenção depois de afirmar que a covid-19 teria "cura" e que as máscaras seriam dispensáveis. Ela é alvo de ações judiciais nos Estados Unidos por disseminação de fake news.
O comando do Palácio Planalto tomou conhecimento do ideário de Simone por intermédio do ex-assessor especial do Planalto Arthur Weintraub, que é irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.
Sem qualquer vínculo com o Ministério da Saúde, o ex-assessor foi destacado por Bolsonaro para liderar o chamado "gabinete paralelo". A informação faz parte do escopo de investigação da CPI da Covid, no Senado Federal.

De acordo com parlamentares da comissão, depoimentos obtidos até então mostram que cabia a Weintraub realizar buscas em blogs, fóruns de discussão e outras fontes na internet, sem validação científica, para municiar Bolsonaro com informações que são rebatidas pela ciência.
Em várias manifestações públicas durante a crise sanitária, Bolsonaro utilizou referências repassadas pelo "gabinete paralelo" na tentativa de fundamentar as suas falas. Não houve menção direta ou nominal a Simone, mas as informações coletadas pelo ex-assessor especial ajudaram a compor a "narrativa bolsonarista" no decorrer da pandemia.
Assim como o presidente, Simone é uma entusiasta da prescrição da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento dos sintomas da covid e foi a principal voz contra a obrigatoriedade da vacinação nos Estados Unidos em 2020. Após a sucessão de Donald Trump pelo democrata Joe Biden, no entanto, a ativista perdeu espaço na mídia do país. Atualmente, a sua bandeira prioritária é impedir que crianças sejam vacinadas.
Na quinta-feira (10), em discurso realizado em evento do Ministério do Turismo, o presidente confirmou que parte da rotina de Weintraub —ele deixou o cargo de assessor especial e foi designado para atuar na OEA (Organização dos Estados Americanos)— era trazer "documentos", "pesquisas" e "fazer contatos".
"Não errei uma sequer [referindo-se às decisões tomadas por ele durante a pandemia]. E não foi da minha cabeça. Foi conversando com pessoas. Como um anônimo entre nós por muito tempo, Arthur Weintraub. Quando fui com ele para o Japão, em 2018, ele foi lendo uns manuais e chegou falando o básico de japonês em 48 horas. Consegui entrar no Japão graças a ele, que em 48 horas aprendeu o básico... Uma mente privilegiada."
"Trazia documentos para mim, pesquisas, fazia contatos. E a gente foi se... Aprendendo o que era aquilo", completou ele, em referência à covid-19.
No mesmo evento, Bolsonaro afirmou ter solicitado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um "parecer" para avaliar a possibilidade de desobrigar o uso de máscaras para quem foi vacinado ou quem já foi contaminado pelo coronavírus. A dispensa do item de proteção, sob falsa alegação de ineficiência, foi uma das primeiras bandeiras levantadas por Simone nos Estados Unidos, no ano passado.
Interação com o 'gabinete paralelo'
Além da pregação antivacina, que a ativista americana ainda promove apesar de a imunização em massa ter colocado o país na vanguarda do combate à pandemia, Simone faz campanha pelo uso da cloroquina e hidroxicloroquina.
Em sua página no Twitter, há postagens da médica que fazem referência ao Brasil e a estudos sobre o uso desses medicamentos em Manaus em 6 de agosto do ano passado. Foi nesse período que Weitraub tentou se aproximar dela. Naquele mesmo mês, o Brasil ignorava uma oferta da Pfizer para adquirir 70 milhões de doses de vacina —fato que também é investigado na CPI no Senado.

Uma semana depois, em 13 de agosto, Weintraub conseguiu conversar com Simone e trocar ideias e experiências a respeito do uso da cloroquina e hidroxicloroquina, contestações quanto à eficácia de vacinas, entre outros temas.
Dois dias depois, imerso em pesquisas sobre o ideário da ativista, Weintraub interagiu com ela nas redes sociais e publicou vídeo em sua defesa.

Nos meses seguintes ao contato entre os dois, Weintraub publicou várias mensagens com o intuito de levantar dúvidas quanto à eficácia das vacinas que estavam sendo estudadas tanto no Brasil quanto no exterior.
Ele também promoveu lives em seu canal no YouTube e fez a ponte entre o Palácio do Planalto e um grupo de médicos entusiastas e defensores da cloroquina, o "Médicos pela Vida".

Simone também virou referência para outras pessoas apontadas como membros do "gabinete paralelo", como o virologista Paolo Zanotto e o médico e tenente da Marinha Luciano Dias Azevedo.

Zanotto, biólogo com mestrado e doutorado em virologia, tornou-se um dos alvos da CPI da Covid depois de um vídeo revelado pelo portal "Metrópoles", na semana passada. As imagens mostram o "gabinete paralelo" em ação, com uma reunião no Palácio do Planalto da qual participaram Bolsonaro, o deputado Osmar Terra (MDB-RS), a médica Nise Yamaguchi e outros defensores da cloroquina.
Durante o encontro, Zanotto aconselha Bolsonaro a tomar "extremo cuidado" com as vacinas contra a covid-19. "Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3", afirmou ele, à época. Posteriormente, em raciocínio semelhante ao da americana Simone Gold, o biólogo declara que talvez fosse melhor não ter o imunizante.
"Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não."

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