Prova de vida do INSS começa nesta terça: Quem precisa fazer? Como?Renato Fontes
Colaboração para o UOL, de São Paulo
01/06/2021 04h00
A partir desta terça-feira (1º), aposentados e pensionistas voltam a ser obrigados a fazer prova de vida do INSS 2021. A prova de vida, que estava suspensa desde março de 2020 para contenção da covid-19, é essencial para não ter os benefícios bloqueados.
De acordo com o órgão federal, cerca de 36 milhões de pessoas devem realizar a prova de vida anualmente para continuar a receber seus benefícios. O procedimento serve para evitar fraudes. A volta dos bloqueios de pagamentos por falta de fé de vida estava prevista para maio, mas foi adiada em um mês.
Segundo o governo federal, o recadastramento será feito aos poucos, de forma escalonada. "Dividimos o programa em vários meses para que as pessoas não precisassem ir de forma concentrada aos bancos para fazer desbloqueio do benefício", afirmou Alessandro Roosevelt, diretor de Benefícios do INSS, em vídeo publicado no site do Instituto no dia 20 de maio.
Novo calendário de vencimento
O primeiro prazo de vida a vencer será daqueles que deixaram de realizar a renovação nos meses de março e abril de 2020. O prazo para esses será até o final deste mês de junho.
Quem deixou de realizar a prova de vida em maio e junho de 2020 tem até julho para renovar.
Para saber o período de vencimento da prova de vida, a advogada especializada em direito previdenciário Maria Faiock recomenda baixar o aplicativo Meu INSS (iOS ou Android) ou ir ao caixa eletrônico do respectivo banco e acessar a conta.
Nesses dois casos, será emitido um aviso da data em que a pessoa terá que fazer a prova de vida.
Uma normativa publicada no "Diário Oficial" da União pelo Ministério da Economia suspende até 30 de junho a prova de vida anual de servidores aposentados, pensionistas e anistiados políticos civis do Sipec (Sistema de Pessoal Civil da Administração Pública Federal).
O prazo da suspensão do recadastramento dos beneficiários, que terminaria dia 31 de maio, foi estendido até 30 de junho. Essa medida em nada interfere no período de prova de vida dos beneficiários do INSS.
Imagem: Arte UOL/Flourish
O que é a prova de vida do INSS?
É um procedimento exigido anualmente pelo INSS desde 2012 para que aposentados e pensionistas comprovem que estão vivos e aptos a receberem seus benefícios previdenciários por meio de contas correntes e poupança ou cartão magnético.
"A prova de vida é mais um reforço no combate a fraudes e pagamentos indevidos", explica Maria Faiock.
Quem é obrigado a fazer?
Todos os aposentados e pensionistas que recebem benefícios por meio de conta corrente, poupança ou cartão.
Quando é necessário fazer a prova de vida?
A prova de vida deve ser feita todos os anos, levando-se em conta o mês de vencimento do prazo de cada beneficiário.
Como o procedimento estava suspenso por conta da covid-19, o calendário do INSS foi retomado e voltou a ser obrigatório a partir de junho de 2021.
O que acontece se não realizar a prova de vida?
Segundo Luiz Almeida, advogado especializado em direito previdenciário, "o benefício do INSS poderá ser suspenso e bloqueado".
O segurado que por algum motivo perder o prazo para realizar a prova de vida deverá pedir a reativação do benefício pelo aplicativo Meu INSS, apresentando documentos pessoais e comprovante de residência.
Após concluir o procedimento pelo aplicativo, deverá comparecer ao banco por onde recebe o benefício.
A pessoa pode fazer prova de vida em qualquer estado do país?
Sim, mas isso vale apenas para quem tem biometria cadastrada no banco. Quem não tem "deverá observar as regras de atendimento do banco que mantém o pagamento do benefício, pois alguns poderão exigir que a prova seja feita diretamente na agência do segurado", declarou Maria Faiock.
Como funciona a prova de vida para quem mora no exterior?
Segundo Faiock, "os residentes no exterior poderão fazer a prova de vida no consulado brasileiro do país de residência ou por meio de procurador nomeado no Brasil", afirmou a especialista.
Prova de vida presencial
Pode ser realizada em caixas eletrônicos ou em caixas físicos da agência bancária.
Prova de vida pelo celular
Online, através do aplicativo do banco da pessoa, que varia em cada instituição.
Prova de vida por biometria facial
O projeto-piloto permite fazer a prova de vida por meio de aplicativo de celular (é importante que o aparelho tenha câmera).
De acordo com o governo federal, mais de 5,3 milhões de aposentados e pensionistas em todo o país poderão utilizar o serviço. Para isso, os convocados via SMS devem ter biometria cadastrada na Justiça Eleitoral ou CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Pode ser feito em caixas eletrônicos e também através da biometria facial, procedimento ainda em implantação que será realizado mediante convocação de cerca de 5 milhões de beneficiários do INSS.
Os beneficiários convidados a fazer a prova de vida pelo projeto-piloto da biometria facial e que ainda não realizaram o procedimento devem fazê-lo pelo Meu Gov.br, Meu INSS ou em uma agência do banco em que recebe o benefício.
É possível fazer a prova de vida em domicílio?
Sim. Segundo o advogado Paulo André Stein Messetti, beneficiários com mais de 80 anos ou aqueles com idade a partir de 60, mas que tenha alguma dificuldade de locomoção, desde que comprovada por atestado médico, podem solicitar pelo telefone 135 do INSS a visita em sua residência ou local informado para realização da comprovação de vida. Outra solução é cadastrar um procurador no INSS.
O que fazer em caso de bloqueio do benefício?
Deve realizar a prova de vida. Caso o benefício não seja reativado automaticamente e os pagamentos não sejam normalizados, o segurado deve fazer o pedido de reativação ao INSS.
Se mesmo assim o pagamento não acontecer, Luiz Almeida recomenda procurar um advogado especialista na área previdenciária, para que ele tome medidas judiciais.
Prova de vida da Caixa pelo celular
Baixe o aplicativo Meu INSS (disponível para Android e iOS) em seu celular.
Ao abrir o aplicativo "Meu INSS", você receberá no celular o alerta: "chegou a hora de fazer sua prova de vida" e um botão "Instale o Meu gov.br" (Android e iOS)
Depois baixar e se cadastrar no Meu gov.br, toque em "Autorizações", selecione a pendência e toque em "Autorizar"
Toque em "Realizar Validação" para aceitar a autorização
Escolha "Permitir" para que o aplicativo tenha acesso à câmera do seu celular
O sistema solicitará uma informação que esteja em um documento no cadastro do governo, como a data de emissão da CNH digital
Posicione seu rosto no círculo que vai aparecer na tela do celular.
O app vai pedir para você faça alguns movimentos até que fique verde
A mensagem "Validação Facial realizada com sucesso!" será exibida.
Prova de vida pelo Banco do Brasil
Além de ser renovada de forma presencial mediante apresentação de documento de identidade e comprovante de residência, o cliente pode baixar o aplicativo do Banco do Brasil:
Toque no menu "Serviços" e vá em "INSS".
Toque em "Prova de vida INSS".
Tire foto do seu documento de identificação (frente e verso) e uma selfie.
A validação virá pelo próprio aplicativo.
Prova de vida pelo Bradesco
Basta validar a biometria em um caixa eletrônico ou na rede Banco 24Horas. Caso tenha procurador ou representante legal cadastrado no INSS, a comprovação deve ser feita sempre na agência.
Prova de vida pelo Itaú
É renovada de forma automática por mais um ano ao usar a biometria para fazer movimentação no banco (como um saque, por exemplo). Outro jeito é ir até uma agência com documento atualizado com foto, cartão do banco (conta corrente ou poupança) ou do INSS.
Prova de vida pelo Santander
Pode ser feita por clientes com o uso da biometria nos terminais de autoatendimento. Além disso, os beneficiários podem realizar a comprovação na agência de forma presencial diretamente com o gerente.
O objectivo de um argumento é expor as razões (premissas) que sustentam uma conclusão. Um argumento é falacioso quando parece que as razões apresentadas sustentam a conclusão, mas na realidade não sustentam. Da mesma maneira que há padrões típicos, largamente usados, de argumentação correcta, também há padrões típicos de argumentos falaciosos. A tradição lógica e filosófica procurou fazer um inventário e dar nomes a essas falácias típicas e este guia faz a sua listagem.
Falácias da dispersão
Cada uma destas falácias caracteriza-se pelo uso ilegítimo de um operador proposicional, uso que desvia a atenção do auditório da falsidade de uma certa proposição.
Falso dilema
É dado um limitado número de opções (na maioria dos casos apenas duas), quando de facto há mais. O falso dilema é um uso ilegítimo do operador “ou”. Pôr as questões ou opiniões em termos de “ou sim ou sopas” gera, com frequência (mas nem sempre), esta falácia. Exemplos:
Ou concordas comigo ou não. (Porque se pode concordar parcialmente.)
Reduz-te ao silêncio ou aceita o país que temos. (Porque uma pessoa tem o direito de denunciar o que entender.)
Ou votas no Silveira ou será a desgraça nacional. (Porque os outros candidatos podem não ser assim tão maus.)
Uma pessoa ou é boa ou é má. (Porque muitas pessoas são apenas parcialmente boas.)
Prova: Identifique as opções dadas e mostre (de preferência com um exemplo) que há pelo menos uma opção adicional.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 136
Apelo à ignorância (argumentum ad ignorantiam)
Os argumentos desta classe concluem que algo é verdadeiro por não se ter provado que é falso; ou conclui que algo é falso porque não se provou que é verdadeiro. (Isto é um caso especial do falso dilema, já que presume que todas as proposições têm de ser realmente conhecidas como verdadeiras ou falsas). Mas, como Davis escreve, “A falta de prova não é uma prova”. (p. 59) Exemplos:
Os fantasmas existem! Já provaste que não existem?
Como os cientistas não podem provar que se vai dar uma guerra global, ela provavelmente não ocorrerá.
Fred disse que era mais esperto do que Jill, mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso.
Prova: Identifique a proposição em questão. Argumente que ela pode ser verdadeira (ou falsa) mesmo que, por agora, não o saibamos.
Referências: Copi e Cohen: 93; Davis: 59
Derrapagem (bola de neve)
Para mostrar que uma proposição, P, é inaceitável, extraiem-se consequências inaceitáveis de P e consequências das consequências... O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários passos “se... então...” que constituem o todo do argumento. Exemplos:
Se aprovamos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas, e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas.
Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
Se eu abrir uma excepção para ti, terei de abrir excepções para todos.
Prova: Identifique a proposição, P, que está a ser refutada e identifique o evento final, Q, da série de eventos. Depois mostre que este evento final, Q, não tem de ocorrer como consequência de P.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 137
Pergunta complexa
Dois tópicos sem relação, ou de relação duvidosa, são conjugados e tratados como uma única proposição. Pretende-se que o auditório aceite ou rejeite ambas quando, de facto, uma pode ser aceitável e a outra não. Trata-se de um uso abusivo do operador “e”. Exemplos:
Deves apoiar a educação familiar e o Direito, dado por Deus, de os pais educarem os filhos de acordo com as suas crenças.
Apoias a liberdade e o direito de andar armado?
Já deixaste de fazer vendas ilegais? (São duas questões: já cometeste ilegalidades? Já te deixaste disso?)
Prova: Identifique as duas proposições conectadas e mostre que acreditar numa não implica acreditar na outra.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 86; Copi e Cohen: 96
Apelo a motivos (em vez de razões)
As falácias desta secção têm em comum o facto de apelarem a emoções ou a outros factores psicológicos. Não avançam razões para apoiar a conclusão.
Apelo à força (argumentum ad baculum)
O auditório é informado das consequências desagradáveis que se seguirão à discordância com o autor. Exemplos:
É melhor admitires que a nova orientação da empresa é a melhor — se pretendes manter o emprego.
A NAFTA é um erro! E se não votares contra a NAFTA, então “votamos-te” para fora do escritório.
Prova: Identifique a ameaça e a proposição. Argumente que a ameaça não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 151; Copi e Cohen: 103.
Apelo à piedade (argumentum ad misercordiam)
Definição: Pede-se a aprovação do auditório na base do estado lastimoso do Autor. Exemplos:
Como pode dizer que eu reprovo? Eu estava mais perto da positiva e, além disso, estudei 16 horas por dia.
Esperamos que aceite as nossas recomendações. Passámos os últimos três meses a trabalhar desalmadamente nesse relatório.
Prova: Identifique a proposição e o apelo à autoridade e argumente que o estado lastimoso do argumentador nada tem a ver com a verdade da proposição.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 151; Copi e Cohen: 103, Davis: 82.
Apelo às consequências (argumentum ad consequentiam)
O argumentador, para “mostrar” que uma crença é falsa, aponta consequências desagradáveis que advirão da sua defesa. Exemplos:
Não podes aceitar que a teoria da evolução é verdadeira, porque se fosse verdadeira estaríamos ao nível dos macacos.
Deve-se acreditar em Deus, porque de outro modo a vida não teria sentido. (Talvez. Mas também é possível dizer que, como a vida não tem sentido, Deus não existe.)
Prova: Identifique as consequências e argumente que a realidade não tem de se adaptar aos nossos desejos.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 100; Davis: 63.
Apelo a preconceitos
Termos carregados e emotivos são usados para ligar valores morais à crença na verdade da proposição. Exemplos:
Os portugueses bem intencionados estão de acordo em plebiscitar a pena de morte.
As pessoas razoáveis concordarão com a nossa política fiscal.
O primeiro-ministro tem a veleidade de pensar que as novas taxas de juro ajudarão a diminuir o déficit. (O uso de “tem a veleidade de pensar” sugere sem argumentos que o primeiro ministro está enganado.)
Os burocratas do parlamento resistem às leis de defesa do património. (Compare-se com: “Os parlamentares rejeitaram a proposta de lei de defesa do património”.)
Prova: Identifique os termos preconceituosos usados: (p. ex.:. “portugueses bem intencionados” ou “Pessoas razoáveis”). Mostre que discordar da conclusão não é suficiente para dizer que a pessoa é “mal intencionada” ou “pouco razoável”.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 153; Davis: 62.
Apelo ao povo (argumentum ad populum)
Com esta falácia sustenta-se que uma proposição é verdadeira por ser aceite como verdadeira por algum sector representativo da população. Esta falácia é, por vezes, chamada “Apelo à emoção” porque os apelos emocionais pretendem atingir, muitas vezes, a população como um todo. Exemplos:
Se você fosse bela poderia viver como nós. Compre também Buty-EZ e torne-se bela. (Aqui apela-se às “pessoas bonitas”)
As sondagens sugerem que os liberais vão ter a maioria no parlamento, também deves votar neles.
Toda a gente sabe que a Terra é plana. Então por que razão insistes nas tuas excêntricas teorias?
Referências: Copi e Cohen: 103; Davis: 62.
Fugir ao assunto (falhar o alvo)
As falácias desta secção fogem ao assunto, discutindo a pessoa que avançou um argumento em vez de discutir razões para aceitar ou não aceitar a conclusão. Em algumas ocasiões é aceitável citar autoridades (por exemplo, citar o médico para justificar o uso de um medicamento); mas quase nunca é apropriado discutir a pessoa em vez dos seus argumentos.
Ataques pessoais (argumentum ad hominem)
Ataca-se pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que apresentou. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo, o carácter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo tem algo a ganhar com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias.
Há três formas maiores da falácia ad hominem:
Ad hominem (abusivo): em vez de atacar uma afirmação, o argumento ataca pessoa que a proferiu.
Ad hominem (circunstancial): em vez de atacar uma afirmação, o autor aponta para a relação entre a pessoa que a fez e as suas circunstâncias.
Tu quoque: esta forma de ataque à pessoa consiste em fazer notar que a pessoa não pratica o que diz.
Exemplos:
Podes dizer que Deus não existe mas estás apenas a seguir a moda (ad hominem abusivo).
É natural que o ministro diga que essa política fiscal é boa porque ele não será atingido por ela (ad hominem circunstancial).
Podemos passar por alto as afirmações de Simplício porque ele é patrocinado pela indústria da madeira (ad hominem circunstancial).
Dizes que eu não devo beber, mas não estás sóbrio faz mais de um ano (tu quoque).
Prova: Identifique o ataque e mostre que o carácter ou as circunstâncias da pessoa nada tem a ver com a verdade ou falsidade da proposição defendida.
Referências: Barker: 166; Cedarblom e Paulsen: 155; Copi e Cohen: 97; Davis: 80.
Apelo à autoridade (argumentum ad verecundiam)
Ainda que às vezes seja apropriado citar uma autoridade para suportar uma opinião, a maioria das vezes não o é. O apelo à autoridade é especialmente impróprio se:
A pessoa não está qualificada para ter uma opinião de perito no assunto.
Não há acordo entre os peritos do campo em questão.
A autoridade não pode, por algum motivo ser levada a sério — porque estava brincar, estava ébria ou por qualquer outro motivo.
Uma variante da falácia do apelo à autoridade é o “ouvi dizer” ou “diz-se que”. Um argumento por “ouvir dizer” é um argumento que depende de fontes em segunda ou terceira mão. Exemplos:
O famoso psicólogo Dr. Frasier Crane recomenda-lhe que compre o último modelo de carro da Skoda.
O economista John Kenneth Galbraith defende que uma apertada política económica é a melhor cura para a recessão. (Apesar de Galbraith ser um perito, nem todos os economistas estão de acordo nesta questão.)
Encaminhamo-nos para uma guerra nuclear. A semana passada Ronald Reagan disse que começaríamos a bombardear a Rússia em menos de cinco minutos. (Claro que o disse por piada ao testar o microfone.)
Sousa disse que nunca perdoaria ao Pinto. (Trata-se de um caso de “ouvir dizer” — de facto ele apenas disse que Pinto nada tinha feito para ser perdoado.)
Prova: Mostre uma de duas coisas (ou ambas):
A pessoa citada não é uma autoridade no campo em questão;
Entre os especialistas não há consenso sobre o assunto discutido.
Referências: Cedarblom and Paulsen: 155; Copi e Cohen: 95; Davis: 69.
Autoridade anónima
A autoridade em questão não é nomeada. Isto é uma forma de apelo à autoridade porque quando a autoridade não é nomeada é impossível confirmar se se trata de um perito. Esta falácia é tão comum que merece uma menção especial. Uma variante desta falácia é o apelo ao rumor. Como a fonte do rumor é, em regra, desconhecida, não é possível verificar se o rumor merece crédito. Rumores falsos e caluniosos são lançados muitas vezes intencionalmente com o objectivo de desacreditar o oponente. Exemplos:
Um membro do governo disse que uma nova lei sobre posse e uso de armas será proposta amanhã.
Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.
Sabe-se que milhares de operações desnecessárias são realizadas todos os anos.
Diz-se que o primeiro-ministro vai decretar outro feriado antes das eleições.
Prova: Argumente que pelo facto de não conhecermos a fonte e a base da informação, não temos maneira de avaliar a fiabilidade da informação.
Referências: Davis: 73.
Estilo sem substância
Pretende-se que o modo como o argumento ou o argumentador se apresentam contribui para a verdade da conclusão. Exemplos:
Nixon perdeu o debate presidencial porque tinha suor na testa.
Trudeau sabe dirigir as massas. Ele deve ter razão.
Por que não aceitas o conselho daquele jovem elegante e bem parecido?
Prova: É um facto que o modo como o argumento é apresentado, influencia a crença das pessoas na verdade da conclusão. Mas a verdade da conclusão não depende do modo como o argumento é apresentado. Para mostrar que esta falácia está a ser cometida, mostre que, neste caso, o estilo não afecta a verdade ou a falsidade da conclusão.
Referências: Davis: 61.
Falácias indutivas
O raciocínio indutivo consiste em inferir das propriedades de uma amostra para as propriedades de um elemento não pertencente à amostra ou para as propriedades da população como um todo. Suponha-se, por exemplo, que temos uma lata com 1000 feijões. Alguns são pretos e outros são brancos. Suponha agora que retirámos da lata uma amostra de 100 feijões e que 50 eram brancos e outros 50 eram pretos. Então, podemos inferir indutivamente que metade dos feijões da lata (500 feijões) são pretos e que a outra metade é branca.
Todo o raciocínio indutivo depende da semelhança entre a amostra e a população. Quanto maior for a semelhança entre a amostra e a população como um todo, maior fiabilidade terá a inferência indutiva. Por outro lado, se a amostra tiver diferenças relevantes face à população, então a inferência indutiva não será fiável.
Mesmo que as premissas de um raciocínio indutivo sejam verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. Apesar disso, uma boa inferência indutiva dá-nos uma boa razão para pensar que a conclusão é verdadeira.
Generalização precipitada
A amostra é demasiado limitada e é usada apenas para apoiar uma conclusão tendenciosa. Exemplos:
Fred, o australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os Australianos são ladrões. (Claro que não devemos julgar os Australianos na base de um exemplo.)
Perguntei a seis dos meus amigos o que eles pensavam das novas restrições ao consumo e eles concordaram em que se trata de uma boa ideia. Portanto as novas restrições são populares.
Prova: Identifique as dimensões da amostra e a população em questão. Depois mostre que a amostra é insuficiente. Note-se que uma prova formal requer cálculo matemático porque está em jogo a teoria das probabilidades. Mas em muitas situações podemos confiar no bom senso.
Referências: Barker: 189; Cedarblom and Paulsen: 372; Davis: 103.
Amostra limitada
Há diferenças relevantes entre a amostra usada na inferência indutiva e a população como um todo. Exemplos:
Para ver como os Portugueses vão votar na próxima eleição sondou-se uma centena de pessoas em Bragança. Isto mostra, sem dúvida, que a direita vai limpar as eleições. (As pessoas de Bragança tendem a ser mais conservadoras e, portanto, mais propensas a votar em partidos de direita do que as outras pessoas no resto do país.)
As maçãs do topo da caixa parecem boas. Todas as maçãs desta caixa devem ser boas.(As maçãs com bicho, claro, estão em camadas mais fundas...)
Prova: Mostre que há diferenças relevantes entre a amostra e a população como um todo. Depois, argumente que por a amostra ser diferente, a conclusão é provavelmente diferente.
Referências: Barker: 188; Cedarblom e Paulsen: 226; Davis: 106.
Falsa analogia
Numa analogia mostra-se, primeiro, que dois objectos, a e b, são semelhantes em algumas das suas propriedades, F, G, H. Conclui-se, depois, que como a tem a propriedade E, então b também deve ter a propriedade E. A analogia falha quando os dois objectos, a e b, diferem de tal modo que isso possa afectar o facto de ambos terem a propriedade E. Diz-se, neste caso, que a analogia não teve em conta diferenças relevantes. Exemplos:
Os empregados são como pregos. Temos de martelar a cabeça dos pregos para estes desempenharem a sua função. O mesmo deve acontecer com os empregados.
Governar um país é como gerir uma empresa. Assim, como a gestão de uma empresa responde unicamente ao lucro dos seus accionistas, também a governação deve fazer o mesmo. (Mas os objectivos da governação e da gestão de uma empresa são muito diferentes; assim, provavelmente têm de encontrar critérios diferentes.)
Prova: Identifique os dois objectos ou eventos que estão a ser comparados e a propriedade que se diz que ambos possuem. Mostre que os dois objectos diferem de tal modo que a analogia se torna insuficiente.
Referências: Barker: 192; Cedarblom and Paulsen: 257; Davis: 84.
Indução preguiçosa
A conclusão apropriada de um argumento indutivo é negada apesar dos dados. Exemplos:
Hugo teve doze acidentes nos últimos 6 meses. No entanto, ele continua a dizer que se trata de coincidência e não de culpa sua. (Indutivamente, as provas apontam irresistivelmente para a culpa de Hugo.) Este exemplo foi retirado de Barker, p. 189.
Sondagens e mais sondagens mostram que o N.D.P. ganhará menos de 10 lugares no Parlamento. Apesar disso o líder do Partido insiste em que o Partido terá muito mais votos do que as sondagens sugerem. ( De facto o N.D.P. só obteve 9 lugares.)
Prova: Acima de tudo pode insistir na força da inferência.
Referências: Barker: 189.
Omissão de dados
Dados importantes, que arruinariam um argumento indutivo, são excluídos. A exigência de que toda a informação relevante e disponível seja incluída num argumento indutivo, é chamada “princípio da informação total”. Exemplos:
O João é alentejano, e a maioria dos alentejanos vota no PCP, portanto o João provavelmente votará no PCP. (A informação deixada de fora é que o João vive em Évora e a maioria dos eborenses vota PS.)
Muito provavelmente o Benfica vai ganhar este jogo porque ganhou nove dos últimos dez jogos. ( Oito das vitórias foram obtidas sobre equipas de escalões secundários, na fase de preparação, e o Benfica vai agora defrontar uma equipa de primeiro plano.)
Prova: Exponha os dados em falta e mostre que eles mudam a conclusão do argumento indutivo. Note-se que não basta mostrar que nem todas as provas foram incluídas — é preciso mostrar que as provas em falta justificam outra conclusão.
Referências: Davis: 115.
Falácias com regras gerais
Uma regra geral é um enunciado habitualmente verdadeiro mas nem sempre o é. As regras gerais são indicadas, muitas vezes, por expressões como “quase sempre” ou “a maioria”. Por exemplo, “a maioria dos conservadores favorecem cortes na Segurança Social”. Algumas vezes usamos a palavra “geralmente”, como em “Geralmente os conservadores são a favor de cortes na Segurança Social”. Mas algumas vezes nenhuma palavra específica é usada, como, por exemplo, em “Os conservadores favorecem cortes na Segurança Social”. As regras gerais nem sempre são estritamente verdadeiras. Portanto, quando alguém trata uma regra geral como se fosse estritamente sempre verdadeira, comete uma falácia.
Falácia do acidente
É aplicada a regra geral quando as circunstâncias sugerem que se deve aplicar uma excepção à regra. Exemplos:
A lei diz que não deves conduzir a mais de 50 Km/h. Portanto, mesmo que o teu pai não possa respirar, não deves passar dos 50 km/h.
É bom devolver as coisas que nos emprestaram. Portanto, deves devolver essa arma automática ao louco que te a emprestou. (Adaptado de Platão, A República, I).
Prova: Identifique a regra geral em questão e mostre que não é uma regra geral estrita. Depois mostre que as circunstâncias deste caso sugerem que a regra não deve aplicar-se.
Referências: Copi e Cohen: 100.
Falácia inversa do acidente
Aplica-se uma excepção à regra geral a casos em que se deve aplicar a regra geral. Exemplos:
Se deixarmos os doentes terminais usar heroína, devemos deixar toda a gente usá-la.
Se deixou que Joana, a tal moça que foi atropelada por um camião, entregasse o trabalho mais tarde, também deveria permitir que toda a turma entregasse o trabalho mais tarde.
Prova: Identifique a regra geral em questão e mostre que o caso especial é uma excepção à regra.
Referências: Copi e Cohen: 100.
Falácias causais
Os argumentos causais são os argumentos onde se conclui que uma coisa ou acontecimento causa outra. São muito comuns mas, como a relação entre causa e efeito é complexa, é fácil cometer erros. Em regra, diz-se que C é a causa do efeito E se e só se:
Geralmente, quando C ocorre, também E ocorre; e
Geralmente, se C não ocorre, então E também não ocorre.
Diz-se “geralmente” porque há sempre excepções. Diz-se, por exemplo, que riscar o fósforo é a causa da chama porque:
Geralmente, quando riscamos o fósforo ele acende (excepto quando riscamos o fósforo dentro de água...); e
Geralmente, quando o fósforo não é riscado, ele não acende (excepto quando o acendemos com um maçarico...).
Muitos especialistas requerem também que uma afirmação causal seja apoiada por uma lei da natureza. Por exemplo, a afirmação “riscar o fósforo é a causa da chama” é justificado pelo princípio “a fricção produz calor, e o calor produz o fogo”.
Depois disso, por causa disso (post hoc ergo propter hoc)
O nome em Latim significa: “depois disso, logo, por causa disso”. Isto descreve a falácia. Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta. Exemplos:
A imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou. Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da prosperidade.
Tomei o EZ-Mata-Gripe e dois dias depois a minha constipação desapareceu...
Prova: Mostre que a correlação é coincidência, mostrando: 1) que o “efeito” teria ocorrido mesmo sem a alegada causa ocorrer, ou que 2) o efeito teve uma causa diferente da que foi indicada.
Efeito conjunto
Sustenta-se que uma coisa causa outra mas, de facto, são ambas o efeito de uma mesma causa subjacente. Esta falácia é muitas vezes apresentada como um caso especial de falácia post hoc ergo propter hoc. Exemplos:
Estamos a viver uma fase de elevado desemprego que é provocado por um baixo consumo. (De facto, ambos podem ser causados por taxas de juro muito elevadas.)
Estás com febre e isso está a fazer com que te enchas de borbulhas. (De facto, ambos os sintomas são causados pelo sarampo.)
Prova: Identifique os dois efeitos e mostre que ambos são provocados pela mesma causa subjacente. É preciso indicar a causa oculta e provar que ela causa cada efeito.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 238.
Causa genuína mas insignificante
O objecto ou evento identificado como a causa de um efeito, é uma causa genuína — mas insignificante quando comparada com outras causas desse evento. Note-se que não se trata desta falácia quando todas as outras causas são igualmente insignificantes. Não é falacioso dizer que a sua ajuda causou a derrota do partido do governo, porque o seu voto tem o mesmo peso de qualquer outro voto e, portanto, é igualmente parte da causa. Exemplos:
Fumar causa a poluição do ar em Edmonton. (É verdade mas o efeito do fumo do tabaco é insignificante comparado com o efeito poluente dos automóveis.)
Deixando a tua fornalha acesa durante a noite contribuis para o aquecimento global do planeta.
Prova: Identifique uma causa mais significativa.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 238.
Tomar o efeito pela causa
A relação entre causa e efeito é invertida. Exemplos:
O cancro faz fumar.
A propagação da SIDA foi provocada pela educação sexual. (De facto, o desenvolvimento da educação sexual foi provocado pela propagação da SIDA.)
Prova: Exponha um argumento causal, mostrando que a relação entre causa e efeito foi, de facto, invertida.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 238.
Causa complexa
O efeito é provocado por um certo número de objectos ou eventos, dos quais a causa identificada é apenas um parte. Uma variante disto são os ciclos de feedback onde o efeito é ele mesmo parte da causa. Exemplos:
O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto. (Certo, mas o acidente não teria ocorrido se o condutor não estivesse bêbado, e se o peão tivesse prestado atenção ao trânsito.)
A explosão do Challenger foi causada pelo tempo frio. (Verdadeiro, mas não teria ocorrido se as juntas tóricas tivessem sido bem fabricadas.)
As pessoas estão com medo por causa do incremento do crime. (Certo, mas as pessoas têm sido levadas a violar a lei em consequência do seu medo. O que ainda aumenta mais o crime.)
Prova: Mostre que todas as causas e não apenas aquela que foi mencionada são precisas para explicar o efeito.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 238.
Falhar o alvo
Estas falácias têm em comum o facto de falharem a prova de que a conclusão é verdadeira.
Petição de princípio (petitio principii)
A verdade da conclusão é pressuposta pelas premissas. Muitas vezes, a conclusão é apenas reafirmada nas premissas de uma forma ligeiramente diferente. Nos casos mais subtis, a premissa é uma consequência da conclusão. Exemplos:
Dado que não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente. (Neste caso teríamos de concordar primeiro que Deus existe para aceitarmos que ele escreveu a Bíblia.)
Prova: Mostre que para acreditarmos nas premissas já teríamos de aceitar a conclusão.
Referências: Barker: 159; Cedarblom e Paulsen: 144; Copi e Cohen: 102; Davis: 33.
Conclusão irrelevante (ignoratio elenchi)
Um argumento prova uma coisa diferente da pretendida. Exemplos:
Deves aceitar a nova política de arrendamento. Não podemos continuar a ver pessoas a viver nas ruas, devemos ter rendas mais baratas. (Podemos pensar que é inaceitável ver pessoas a viver nas ruas e, no entanto, não estarmos de acordo com as novas rendas)
A lei deve estipular uma percentagem mínima de mulheres nos cargos políticos, repartições e empresas. Os homens dominam praticamente todos os cargos importantes. Só uma sociedade discriminatória o pode suportar. Não fazermos nada para alterar esse estado de coisas é inaceitável. (Podemos concluir, com o argumentador, que a nossa sociedade é machista sem termos de aceitar que a discriminação positiva que ele propõe é a solução.)
Prova: Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até pode concordar, não é a conclusão que ele pretendia tirar.
Referências: Copi e Cohen: 105.
Espantalho
O argumentador, em vez de atacar o melhor argumento do seu opositor, ataca um argumento diferente, mais fraco ou tendenciosamente interpretado. Infelizmente é uma das “técnicas” de argumentação mais usadas. Exemplos:
As pessoas que querem legalizar o aborto, querem prevenção irresponsável da gravidez. Mas nós queremos uma sexualidade responsável. Logo, o aborto não deve ser legalizado.
Devemos manter o recrutamento obrigatório. As pessoas não querem o fazer o serviço militar porque não lhes convém. Mas devem reconhecer que há coisas mais importantes do que a conveniência.
Prova: Mostre que o argumento oposto foi mal representado, mostrando que os opositores têm argumentos mais fortes. Descreva um argumento mais forte.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 138.
Falácias da ambiguidade
As falácias desta secção são, todas elas, falácias geradas pela falta de clareza no uso de uma frase ou palavra. Há dois modos de isto suceder:
A palavra ou frase pode ser ambígua, caso em que tem mais de um sentido distinto;
A palavra ou frase pode ser vaga. Nesse caso não tem um sentido distinto.
Equívoco
A mesma palavra pode ser usada com dois significados diferentes. Exemplos:
Criminalidade é ilegalidade. O julgamento de um roubo ou assassínio são acções criminais. Os julgamentos de roubos e assassínios são designados de acções criminais. Logo, os julgamentos de roubos e assassínios são ilegais. (Exemplo retirado de Copi.)
Os assassinos de cianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças. (O argumento joga com os significados moral e descritivo de “humano”)
Para ser grande ou pequeno um objecto tem, primeiro, de ser. Logo, o ser do objecto surgiu primeiro. (Jogo com os significados lógico e físico de “ser”)
Prova: Identifique a palavra que é usada mais de uma vez. Depois, mostre que a palavra surge com diferentes definições, adequadas num dos seus usos e desadequadas noutros.
Referências: Barker: 163; Cedarblom and Paulsen: 142; Copi e Cohen: 113; Davis: 58.
Anfibologia
Uma anfibologia ocorre quando a construção da frase permite atribuir-lhe diferentes significados. Exemplos:
No teu emprego todos gostam de um carro. Portanto, há um carro muito especial. (Todos gostam de um carro qualquer ou do mesmo carro?)
O Oráculo de Delos disse a Croseus que se ele continuasse a guerra destruiria um reino poderoso. (O Oráculo não disse que seria o seu próprio reino...)
Prova: Evidencie a ambiguidade da frase, mostrando que pode receber diferentes interpretações.
Referências: Copi and Cohen: 114.
Ênfase
A ênfase é usada para sugerir uma proposição diferente daquela que, de facto, é expressa. Exemplos:
Não há CERVEJA GRÁTIS!
A ex-namorada, procurando vingar-se do capitão, escreveu no jornal: “Hoje, o capitão estava sóbrio”. (Ela sugere, com a ênfase, que habitualmente o capitão está bêbado. Copi, p. 117)
Prova: Explicite a proposição sugerida, contrastando-a com a proposição realmente expressa.
Referências: Copi e Cohen: 115, 117.
Erros categoriais
Estas falácias ocorrem porque o autor pressupõe erroneamente que as partes e o todo devem ter propriedades semelhantes. No entanto, as coisas podem ter, como um todo, propriedades diferentes das que cada uma tinha em separado.
Falácia da composição
Por as partes de um todo terem uma certa propriedade, argumenta-se que o todo tem essa mesma propriedade. Esse todo pode ser tanto um objecto composto de diferentes partes, como uma colecção ou conjunto de membros individuais. Exemplos:
Cada tijolo tem três polegadas de altura, portanto a parede de tijolo tem três polegadas de altura.
As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é feito de células, não tem consciência.
Prova: Identifique o todo e as partes em questão. Mostre que, em geral o todo não têm de ter as propriedades das partes, ou, podendo ser mais específico, mostre que o todo em questão não tem as propriedades das partes.
Falácia da divisão
Como o todo tem uma certa propriedade, argumenta-se que as partes têm essa propriedade. O todo em questão, pode ser tanto um objecto como uma colecção ou conjunto de membros individuais. Exemplos:
A parede de tijolo tem 1,90 m de altura. Portanto os tijolos têm 1,90 de altura.
Como o cérebro tem consciência, cada célula do cérebro deve ter a consciência.
Como tudo tem uma causa, então há uma causa de tudo.
Como todos têm uma mãe, então há uma mãe de todos.
Prova: Mostre que as propriedades em questão são propriedades das partes mas não do todo. Se for preciso, descreva as partes para mostrar que elas não têm as propriedades do todo.
Referências: Barker: 164; Copi e Cohen: 119.
Non sequitur
O termo non sequitur significa literalmente “não se segue que”. Nesta secção descrevemos falácias que ocorrem em consequência da forma de argumento usado ser inválida.
Falácia da afirmação da consequente
Esta falácia deriva da confusão entre condição suficiente e condição necessária. Por exemplo: dadas as proposições
P = Hitler levou com a bomba H. Q = Hitler morreu.
Se admitir que P é verdadeira, concluirei que Q é verdadeira. P é suficiente para Q. Q é necessária para P (não há P sem Q). Mas, do facto de Q ser verdadeira, não posso concluir que P o seja (Q não é suficiente para P). Logo, todo o argumento com a seguinte forma é inválido:
Se P, então Q. Ora, Q. Logo, P.
Exemplos:
Se jogamos bem, ganhamos. Ora, ganhámos. Logo, jogámos bem. (De facto jogámos mal, mas o adversário jogou pior e o árbitro ajudou)
Se estou em Faro, estou no Algarve. Ora, estou no Algarve. Logo, estou em Faro. (Claro que posso estar em Olhão ou em Sagres.)
Se a fábrica estivesse a poluir o rio, então veríamos o número de peixes mortos aumentar. Há cada vez mais peixes a morrer. Logo, a fábrica está a poluir o rio.
Prova: Mostre que, mesmo sendo as premissas verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. Em geral basta mostrar que Q pode ser consequência de outra coisa que não P. Por exemplo, a morte dos peixes pode ser provocada pela aplicação de pesticidas e não pela fábrica.
Referências: Barker: 69; Cedarblom e Paulsen: 24; Copi e Cohen: 241.
Falácia da negação da antecedente
Nesta falácia confunde-se a condição suficiente com a condição necessária. Com uma frase condicional (Se P, então Q) dizemos que se P for verdadeira, Q também é; mas não dizemos que a recíproca é verdadeira. Por isso, os argumentos com a seguinte forma são inválidos:
Se P, então Q. Não-P. Logo, não-Q.
Exemplos:
Se fores atingido por um carro quando tiveres 6 anos, morres jovem. Mas não foste atingido por um carro aos 6 anos. Portanto, não vais morrer jovem. (Claro que ele poderia ser atingido por um comboio com a idade de 6 anos e, nesse caso, morria jovem)
Se estou em Faro, então estou no Algarve. Não estou em Faro. Logo, não estou no Algarve. (Mas pode estar em Olhão...)
Prova: Mostre que a conclusão pode ser falsa mesmo que as as premissas sejam verdadeiras. Em particular, mostre que a consequente, Q, pode ocorrer mesmo que P não ocorra.
Referências: Barker: 69; Cedarblom e Paulsen: 26; Copi e Cohen: 241.
Falácia da inconsistência
O argumentador avança pelo menos duas proposições que não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Em tais casos as proposições podem ser contrárias ou contraditórias. Exemplos:
Montreal está a cerca de 200 km de Otava, enquanto Toronto está a 400 km de Otava. Toronto está mais perto de Otava do que Montreal.
John é maior do que Jake, e Jake é maior do que Fred, enquanto Fred é maior do que John.
Prova: Parta de uma das afirmações e use-a como uma premissa para mostrar que a outra é falsa.
Referências: Barker: 157.
Falácias da explicação
Uma explicação é uma forma de raciocínio que tenta dar resposta à pergunta “Porquê?” Por exemplo: é com uma explicação que respondemos a uma pergunta como “Por que é que o céu é azul?” Uma boa explicação será baseada numa teoria científica ou empírica. A explicação do azul do céu será dada em termos da composição dos céus e das teorias da reflexão.
Invenção de factos
Uma explicação pretende dizer-nos por que razão acontece certo fenómeno. A explicação é falaciosa se o fenómeno não ocorre ou se não houver prova de que possa ocorrer. Exemplos:
A razão da timidez da maioria das pessoas solteiras reside no carácter possessivo das suas mães. (É uma tentativa de explicar por que razão a maioria das pessoas solteiras são tímidas. No entanto, não é verdade que a maioria das pessoas solteiras sejam tímidas.)
João entrou na loja porque queria ver a Maria. (Isto é uma falácia porque, de facto, João não entrou na loja.)
A razão pela qual a maioria das pessoas se opõem à greve é o medo de perder o emprego. (Pretende-se explicar a oposição dos trabalhadores à greve. Mas suponha que eles votam a continuação da greve. Então não há, de facto, oposição à greve.)
Prova: Identifique o fenómeno que está a ser explicado. Mostre que não há razão para acreditar que o fenómeno tenha de facto ocorrido.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 158.
Distorcer factos
Uma explicação pretende dizer-nos por que razão acontece certo fenómeno (facto). O fenómeno ou facto está estabelecido, o argumento visa estabelecer a explicação. Neste tipo de falácias, no entanto, apesar de algo semelhante ao fenómeno a explicar ter ocorrido, ele é falsificado, apresentado de forma parcial ou baseado em provas ad hoc. Exemplos:
A timidez da maioria dos solteiros explica-se pelo carácter dominador das mães. (Pretende-se explicar a timidez da maioria dos solteiros. No entanto provou-se que o autor baseou a sua argumentação em dois solteiros que conheceu em tempos, sendo ambos tímidos... Isto está longe de ser artificial: é assim que muitas vezes formamos a nossa opinião sobre diversos grupos humanos)
A razão pela qual obtenho boas classificações é que os meus alunos me apreciam. (Isto é uma falácia quando as avaliações com menos de 70% são eliminadas com a justificação de que os alunos não compreenderam a questão...)
Prova: Identifique o fenómeno que está a ser explicado. Mostre que as provas avançadas para afirmar a existência do fenómeno foram, de algum modo, manipuladas.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 160.
Irrefutabilidade
A teoria que foi concebida para explicar a ocorrência de algum fenómeno não pode ser testada. Testamos uma teoria por meio das suas previsões. Por exemplo, uma teoria pode prever que a luz muda de trajectória em certas condições, ou que um líquido muda de cor com o ácido, ou que um psicótico responda mal a certos estímulos. Se o evento previsto não ocorrer, então a informação obtida contradiz a teoria. Uma teoria não pode ser testada se não faz previsões. Também não pode ser testada se prevê acontecimentos que podem ocorrer independentemente de a teoria ser verdadeira. Exemplos:
Um avião desapareceu no meio do Atlântico devido ao efeito do Triângulo das Bermudas, uma força tão subtil que não pode ser medida por qualquer instrumento. (À “força” do Triângulo das Bermudas não se atribui mais nenhum efeito além do desaparecimento ocasional de um avião. Por isso, a única previsão que permite é que mais aviões se irão perder. Mas isto é o que pode muito bem acontecer independentemente de a teoria ser verdadeira ou falsa. )
Ganhei a lotaria porque a minha aura psíquica me fez ganhar. (Uma maneira de testar esta teoria é tentar ganhar de novo a lotaria. Mas a pessoa responde que essa aura só o faz ganhar uma vez. Não há, portanto, uma maneira de determinar se ganhou em resultado da aura ou do acaso.)
A razão pela qual tudo existe é que Deus tudo criou. (Isto pode ser verdade, mas como explicação não tem qualquer peso porque não temos meios para testar tal teoria. Nenhuns factos no mundo podem mostrar que esta teoria é falsa porque, de acordo com tal teoria, todos os factos foram criados por Deus.)
Ny Quil fá-lo dormir devido à sua fórmula dormitiva. (Quando pressionado, o fabricante definirá a “fórmula dormitiva" como “qualquer coisa que o faz dormir”. Para testar esta teoria, teríamos de descobrir outra coisa que contivesse a fórmula dormitiva e verificar se ela faz dormir. Mas como encontramos alguma coisa que contenha a fórmula dormitiva? Procuramos por coisas que façam dormir! Mas nós podemos prever que as coisas que fazem dormir fazem dormir, não interessando o que a teoria diz. Esta teoria é vazia.)
Prova: Identifique a teoria. Mostre que ela não faz previsões, ou que as previsões feitas com a teoria são falsas ou que as previsões que ela faz podem ser verdadeiras mesmo que a teoria seja falsa.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 161.
Âmbito limitado (ad hoc)
A teoria só explica um fenómeno e nada mais. Exemplos:
Havia hostilidade em relação aos hippies dos anos 60 por causa do ressentimento dos seus pais em relação às crianças. (Esta explicação é deficiente porque explica a hostilidade em relação aos hippies e nada mais. Uma teoria melhor seria dizer que havia hostilidade em relação aos hippies porque os hippies são diferentes, e as pessoas temem coisas diferentes. Esta teoria explicaria não só a hostilidade em relação aos hippies, mas também outras formas de hostilidade.)
As pessoas tornam-se esquizofrénicas porque as diferentes partes do seu cérebro funcionam separadas. (Esta teoria explica a esquizofrenia e nada mais.)
Prova: Identifique a teoria e o fenómeno que ela explica. Mostre que a teoria não explica nada mais. Argumente que as teorias que só explicam um fenómeno são, na melhor das hipóteses, incompletas.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 163.
Pouca profundidade (superficialidade)
As teorias explicam os factos apelando a causas ou fenómenos subjacentes. As teorias que não apelam a causas subjacentes e apenas apelam à pertença a uma categoria (apenas incluem o fenómeno em uma classe de fenómenos) são superficiais. Exemplos:
A minha gata gosta de atum porque é uma gata. (Esta teoria apenas afirma que os gatos gostam de atum, sem explicar este facto.)
Ronald Reagan era militarista porque era americano. (Certo, ele era americano. Mas, em que é que o facto de ser americano o torna militarista? O que o levou a agir dessa maneira? A teoria não nos diz isso e, portanto, não nos dá uma boa explicação.)
Estás a dizer isso só porque pertences ao sindicato. (Esta tentativa de rejeição do argumento pretende explicar o comportamento do opositor como manifestação de frivolidade. Falha, no entanto, porque não é uma explicação. Suponhamos que toda a gente do sindicato dizia o mesmo. E daí? Tínhamos de ir mais fundo — tínhamos de perguntar por que razão toda a gente do sindicado dizia isso, antes de podermos concluir que as afirmações do opositor são frívolas.)
Prova: As teorias desta espécie tentam explicar um fenómeno, mostrando que ele é parte de uma classe ou categoria de fenómenos semelhantes. Aceitando esse facto, exija uma explicação mais vasta para os fenómenos dessa categoria. Argumente que uma teoria explicativa deve referir causas e não apenas classificações.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 164.
Erros de definição
Usamos definições para tornar os nossos conceitos mais claros. O propósito da definição é enunciar com exactidão o significado de uma palavra. Uma boa definição deve permitir que o leitor a aplique a casos concretos sem ajuda exterior. Por exemplo, suponhamos que queremos definir a palavra “maçã”. Se a definição for bem-sucedida, então o leitor deve poder aplicá-la a cada maçã que existe e só a maçãs. Se o leitor falhar algumas maçãs ou incluir outros objectos (como pêras) ou não puder dizer se algo é maçã ou não, então a definição falha. As definições não são argumentos. Por isso, não se pode, com rigor, falar de “Falácias da Definição”. Mas as definições incorrectas, por vezes tendenciosas, são muitas vezes incluídas em argumentos tornando-os falaciosos.
Definição demasiado lata
A definição inclui mais do que devia incluir. Exemplos:
Uma maçã é um objecto vermelho e redondo. (O planeta Marte é vermelho e redondo. Portanto está incluído na definição. Mas é óbvio que Marte não é uma maçã.)
Uma figura é quadrada se e só se tiver quatro lados de igual comprimento. (Não são só quadrados que têm quatro lados de igual comprimento. Os losângulos também.)
Prova: Identifique o termos que está a ser definido. Identifique as condições da definição. Procure um objecto que preencha as condições da conclusão mas que obviamente não seja uma instância do termo a definir.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 182.
Definição demasiado restrita
A definição não inclui tudo o que deveria incluir. Exemplos:
Uma maçã é algo vermelho e redondo. (Há muitas maçãs, e deliciosas maçãs, que, não sendo maçãs vermelhas, não estão incluídas na definição e deveriam estar.)
Um livro é pornográfico se e só se contiver fotografias de pessoas nuas. (Os livros escritos pelo Marquês de Sade não contêm fotografias. No entanto, são tidos como pornográficos. Portanto, a definição é demasiado limitada.)
Uma coisa é música se e apenas se for tocável num piano. (Um solo de bateria não pode ser tocado num piano e, no entanto, não deixa de ser música.)
Prova: Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições da definição. Apresente um item que seja uma instância do termo mas não preencha essas condições.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 182.
Definição pouco clara
A definição é tão ou mais difícil de compreender do que o termo a definir. Exemplos:
Uma pessoa é dissoluta se e só se for lasciva. (Pretende-se definir o termo “dissoluta”. Mas o significado do termo “dissoluta” é tão obscuro como o do termo “lasciva”. Assim a definição falha o seu objectivo de clarificação.)
Um objecto é belo se e só se for esteticamente bem-sucedido. (O termo “esteticamente bem-sucedido” é mais difícil de compreender do que o termo “belo”.)
Prova: Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições da definição. Mostre que as condições não estão mais claramente definidas do que o termo a definir.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 184.
Definição circular
A definição inclui o termo definido como parte da definição. Uma definição circular é um caso especial da falta de clareza. Exemplos:
Um animal é humano se e só se tem pais humanos. (Pretende-se definir “humano”. Mas para encontrarmos um ser humano temos de encontrar pais humanos. Para encontrarmos pais humanos temos já de saber o que o que é um ser humano.)
Um livro é pornográfico se e só se contiver pornografia. (Teríamos já de saber o que é a pornografia para dizer se um livro é ou não pornográfico.)
Prova: Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições da definição. Mostre que pelo menos um termo usado nas condições é o mesmo que o termo que está a ser definido.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 184.
Definição contraditória
A definição é autocontraditória. Exemplos:
Uma sociedade é livre se e só se a liberdade for maximizada e as pessoas forem legalmente obrigadas a tomar a responsabilidade das suas acções. (As definições deste tipo são muito comuns, especialmente na Internet. Mas, se uma pessoa for legalmente obrigada a fazer alguma coisa, já não podemos dizer que a liberdade foi maximizada.)
As pessoas podem candidatar-se à carta de condução se: (a) não tiverem experiência anterior de condução (b) tiverem acesso a um veículo, e (c) tiverem operado veículos motorizados (Uma pessoa não pode ter operado veículos motorizados se não tiver experiência prévia de condução)
Prova: Identifique as condições da definição. Mostre que nem todas podem ser, ao mesmo tempo, verdadeiras. Em particular, parta de uma das condições e, depois, mostre que uma das outras é falsa).
Referências: Cedarblom and Paulsen: 186.
Noções de lógica proposicional
Operadores proposicionais
Os operadores proposicionais aplicam-se a uma ou duas proposições para formar novas proposições.
Quando o valor de verdade da nova proposição é determinado unicamente
Pelos valores de verdade das proposições ligadas, e
Pelo operador aplicado,
diz-se que o operador é verofuncional.
Há cinco operadores proposicionais verofuncionais: negação, conjunção, disjunção, condicional e bicondicional.
Negação
Qualquer proposiçãoP pode ser negada mediante o operador negação, gerando uma nova proposição complexa: Não-P
A proposição Não P será verdadeira apenas se P for falsa. Será falsa apenas se P for verdadeira. A tabela de verdade de Não P é a seguinte:
P
Não-P
V
F
F
V
Conjunção
Quaisquer duas proposições, P e Q, podem ser conectadas gerando uma proposição nova e complexa: “P e Q”. A proposição “P e Q” será verdadeira se e apenas se “P” e “Q” forem verdadeiras. Com qualquer outra combinação de valores de verdade será falsa.
Uma proposição é o conteúdo verdadeiro ou falso expresso por uma afirmação. Usamos frases para exprimir proposições. Mas nem toda a frase exprime uma proposição: ordens, perguntas, conselhos só em casos especiais exprimem proposições. Exemplos:
As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
Está a chover.
Esta llooviendo.
It is raining.
Il pleut.
*
OPINIÃO
Caio Castro e Thammy: respeitar o homofóbico não é respeitar todo mundo
Caio Castro: respeitar todo mundo é exigir que que não respeita respeite tambémImagem: Reprodução/Instagram
Luciana Bugni
Colunista do UOL
31/05/2021 12h30
Uns anos atrás, podia ser socialmente aceito que um homem batesse no peito com os amigos no bar para dizer que era homofóbico.
Hoje, a "piada" de mau gosto é inaceitável.
E mesmo que ridicularizar membros da comunidade LGBT ainda seja uma prática comum nos almoços de família, os risos são cada vez mais constrangidos.
Todo mundo tem um amigo, um primo, um colega de trabalho um vizinho LGBTQIA+.
Quase todo mundo sabe que não é mais socialmente aceito fazer "brincadeiras" homofóbicas.
Entre os convidados do show estava Thammy, um homem trans.
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Ciúme de nudez: você deixaria seu cônjuge participar de Largados e Pelados?
Como Fiuk, quem consegue ficar consigo mesmo leva melhor o BBB e a pandemia
__________
O pastor oprimido que tolera gays
No vídeo compartilhado, o pastor se emociona falando das dificuldades que teve na infância.
O pai se casou oito vezes e, a cada mudança, ele se sentia desprezado de alguma forma.
Foi expulso de casa algumas vezes.
Até que morou com alguém que ele chama de irmão, mas esclarece que não tinha laços sanguíneos.
Essa rapaz o ajudava, emprestava roupas, o aceitava e era gay.
O pastor chora ao tentar explicar que "não acha errado achar errado" (ser gay). Mas que não os vê como inimigos. No fim do discurso, um abraço emocionado em Thammy, que concorda com ele. O público encantado apoia, aplaude e grita empolgado.
Caio teve que explicar o compartilhamento.
Para isso, tentou contrapor a diferença entre respeitar e aceitar — para ele, é possível respeitar o homofóbico, mas não aceitá-lo.
"Sou contra ele ser contra, mas respeito a opinião dele".
É confuso mesmo.
Toda a confusão pode ser descrita no "Paradoxo da intolerância", do filósofo britânico Karl Popper.
Resumidamente, temos que ser tolerantes com todo mundo, certo?
É mais ou menos o que defende Caio Castro em suas desculpas.
Mas quando somos tolerantes com um intolerante, fazemos a intolerância crescer.
E ela pode abocanhar a tolerância.
Traduzindo:
quando eu digo que um homofóbico tem o direito de pensar assim, eu fortaleço a cultura da homofobia.
Ela não se trata apenas do seu tio que faz "piadas" no almoço, ou das "piadas" que você encaminha no Whatsapp dizendo que o MUNDO de HOJE é MUITO CHATO.
Tem gente que sai na rua disposto a agredir casais homoafetivos.
O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo.
Quantos de seus amigos gays e lésbicas foram expulsos de casa na adolescência?
A cultura homofóbica também é isso.
E não se pode ser tolerante com violência e atitudes criminosas.
Como respeitar a homofobia então?
Aí está o paradoxo:
quando eu respeito todo mundo, e digo que todos podem ter opiniões diversas, que desrespeitem terceiras pessoas, eu FORTALEÇO o DESRESPEITO.
É exatamente o contrário do que a máxima "respeite todo mundo" prega.
Como um adolescente religioso e gay recebe tudo isso?
Thammy concordou com o pastor em toda sua fala.
Um homem trans maduro, Thammy teve sua transição acompanhada pela imprensa e público e consegue se bancar.
Mais que isso, tem o apoio de sua mãe, Gretchen.
Ele não sofre intolerância no seu núcleo familiar, o que lhe dá força para encarar as dificuldades que certamente sofre na sociedade para encarar as dificuldades de ser um homem trans no país que mais mata passoas transgênero e travestis no mundo.
Seu abraço ao pastor é de acolhimento porque ele está melhor resolvido que o religioso.
Mas imagine um adolescente confuso a respeito de sua orientação sexual, que não recebe o menor apoio em casa (porque a religião não tolera LGBTs).
Ele vai ao culto ouvir o pastor em busca de algum conforto.
O pastor diz que não gosta de gays.
Que não acha que é certo ser gay, ou, como disse na TV, "não negocia com adultério, divórcio ou homossexualismo (SIC)".
A própria expressão está denotando algo negativo — o sufixo ISMO remete a uma doença e não é mais usado há anos.
O que acontece com esse jovem?
Ele cresce forte como um membro da comunidade LGBT como Thammy?
Não, ele se sente violentado.
A gente não precisa ter um parente ou uma pessoa querida diferente de nós para respeitar o outro.
O respeito a todos, que Caio pregou, parte do princípio que o homofóbico não pode existir.
Para isso, claro, talvez seja necessário o acolhimento.
O pastor Claudio já deu um passo que outros homofóbicos não dariam ao abraçar um homem trans.
Mas ele consegue ouvir quem não concorde com ele?
É preciso dar muitos outros para que possa dizer que respeita todo mundo.
Ouvir o outro, pensar sobre si mesmo e repensar costumes que estão muito fixados em nossa personalidade é o primeiro passo para se tornar alguém melhor e respeitar todo mundo.
Desconstruído, Caio Castro se desculpa, mas continua respeitando homofobia
Caio CastroImagem: Reprodução/Instagram
Nina Lemos
Colunista de Universa
01/06/2021 04h00
"Eu tenho uma relação autoral com a moda. Curto acompanhar as tendências, mas gosto de usar a moda com liberdade."
A frase foi dita pelo ator e empreendedor Caio Castro, que anunciou no fim do ano passado que agora é um dos donos de uma loja on-line de moda masculina Key Design. Ele também é sócio de uma hamburgueria e de empreendimentos de apartamentos descolados.
É o perfeito exemplo de um metrossexual, aquele homem hétero que adora moda, decoração, design. Ele é tão "fashion" que fotos da sua casa, com grafites e estilo industrial, viralizaram e viraram até nome de um estilo de casa, a "casa Caio Castro", que parece um bar em Nova York.
Tudo em Caio é cheio de modernidade. Até que ele compartilhou nas redes sociais o post de um pastor que dizia:
"Eu tenho valores, não vou abrir mão deles. Se você me perguntar se eu acho certo, eu não acho. Mas isso não nos torna inimigos"
Não acha certo?
O mesmo vídeo foi compartilhado por Rafa Kalimann, que apagou o conteúdo e se desculpou.
Depois da repercussão negativa, Caio publicou uma explicação no Instagram, na qual dizia que era a favor do casamento gay e toda forma de amor. Mas que respeitava também a opinião do pastor.
Não convenceu. Alguns comentários sobre ele no Twitter: "Tradução do que Caio Castro disse, respeitem a homofobia".
"Segundo o Caio Castro eu tenho que respeitar quem é contra a minha existência e a minha forma de amar."
Caio parece ser um representante de um tipo de homem que existe desde o início dos anos 2000, quando eu fazia com amigas, aqui mesmo no UOL, um site chamado "02 Neuronio". Na época, chamávamos esse sujeito de "o careta disfarçado de moderno". O tempo passa, a palavra careta foi substituída por "reaça". O moderno por desconstruído. Mas o comportamento pouco mudou.
O reaça disfarçado de moderno da atualidade pinta as unhas de preto, faz a barba no barbeiro e tem rotina de beleza. Mas, por trás dos móveis moderninhos e de design e do fato de saber cozinhar comida vegana, os comportamentos não são tão diferentes daqueles homens que são reaças também no jeito de se vestir e que jamais pintariam a unha de preto.
Basicamente, ele tem os mesmos valores que aquele seu primo que acha que moda é coisa de mulher. Só que eles, ao contrário do seu primo, usam coque.
Hoje em dia, cada vez mais homens usam saia, gostam de moda, fazem a barba em barbearias caras e cuidam do cabelo. Isso é ótimo, claro! Que bom que os homens se sentem mais livres para gostar de moda, testar cortes de cabelos novos e cuidar da decoração da casa. O único "senão" é que muitas vezes toda essa embalagem faz com que a gente ache que eles são super desconstruídos. E não, eles não são. Como diria uma música da Legião Urbana muito antiga, escrita nos anos 80, "a sua roupa nova é só uma roupa nova". Ou seja, pelo jeito, esse tipo hoje é mais bem vestido, mas já existe há quarenta anos. De moderno? Não tem nada.
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Patrícia Abravanel minimiza homofobia: 'LGDBTYH têm de ser compreensivos' Patrícia Abravanel comentou polêmica envolvendo Caio Castro e Rafa Kalimann e defendeu pediu compreensão "a quem não entende" Imagem: Reprodução/SBT Colaboração para o UOL, em São Paulo 01/06/2021 12h01 Atualizada em 01/06/2021 16h01
No "Vem pra cá" (SBT) de hoje, Patrícia Abravanel comentou a polêmica envolvendo Caio Castro e Rafa Kalimann que tomou conta das redes ontem. A filha de Sílvio Santos minimizou a homofobia e pediu compreensão com quem "ainda está aprendendo". "Eu acredito que nós, mais velhos, e nós que fomos educados por pais mais conservadores, a gente está aprendendo, a gente está se abrind...
- Veja mais em https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/06/01/patricia-abravanel-minimiza-homofobia-lgbthy-tem-de-ser-compreensivos.htm?cmpid=copiaecola
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