__________________________________ * Israel ALERTA para POSSÍVEL nova ONDA de coronavírus __________________________________ * NOVA variante do coronavírus é IDENTIFICADA no RIO de JANEIRO

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____________________ * Israel alerta para possível nova onda de coronavírus

____________________ * NOVA variante do coronavírus é IDENTIFICADA no Rio de Janeiro

____________________ * Estátua de Marilyn Monroe exibindo calcinha gera protesto nos EUA

____________________ * Árvore que anda: "drag monstra" da Amazônia luta por igarapés e ribeirinhos

____________________ * 11,57% da população com 2 doses em 22 junho!!! Nem 12%. Vexame TOTAL.

____________________ * Por que RUA no CENTRO de SÃO PAULO está entre as "mais LEGAIS do MUNDO"?

____________________ * Com Ivete Sangalo, artistas formam frente anti-Bolsonaro que a oposição não obteve

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____________________ * 'Arco gigante' de galáxias que se estende por 3,3 bilhões de anos-luz não deveria existir, mas existe 

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____________________ * Israel alerta para possível nova onda de coronavírus

Naftali Bennett, novo primeiro-ministro de Israel, pediu aos israelenses que não viajem para o exterior - Ronen Zvulun/Reuters
Naftali Bennett, novo primeiro-ministro de Israel, pediu aos israelenses que não viajem para o exterior Imagem: Ronen Zvulun/Reuters

22/06/2021 16h12

O primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, alertou nesta terça-feira (22) que o país pode enfrentar uma nova onda de coronavírus devido ao aumento do número de doentes, causado pela chegada da variante Delta.

As autoridades detectaram 125 novos casos na segunda-feira, um aumento considerável depois de semanas em que as infecções diárias se restringiam a um punhado de pessoas.

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Mais da metade da população já recebeu duas doses da vacina contra o coronavírus.

"Decidimos reagir como se estivéssemos enfrentando uma nova onda" do vírus, disse Naftali Bennett, em visita ao aeroporto internacional de Tel Aviv.

"Nosso objetivo é acabar com isso, pegar um balde d'água e despejar em cima do fogo enquanto ainda é pequeno", acrescentou.

O número de mortes por covid-19 permanece, em qualquer caso, em níveis mínimos. Apenas uma morte foi relatada nesta terça-feira.

A variante Delta, que apareceu na Índia, é mais contagiosa do que as outras, disse Bennett.

Mais de 1.000 pessoas foram forçadas a ficar em quarentena em Binyamina (ao norte de Tel Aviv) após o retorno de viajantes de Chipre, acrescentou o primeiro-ministro em uma entrevista coletiva.

Bennett pediu aos israelenses que não viajem para o exterior.

As autoridades instalarão um centro de testagem adicional no aeroporto para garantir que todos os viajantes realizem um teste de PCR na chegada.

Israel permanece fechado para estrangeiros não residentes, exceto por motivos profissionais ou familiares convincentes.

____________________ * NOVA variante do coronavírus é IDENTIFICADA no Rio de Janeiro

Variante P.5 foi identificada no município fluminense de Porto Real  - Divulgação
Variante P.5 foi identificada no município fluminense de Porto Real Imagem: Divulgação

22/06/2021 22h15

Uma nova linhagem do coronavírus, originária da B.1.1.28, foi detectada no município fluminense de Porto Real, divisa com o estado de São Paulo. Nomeada como P.5, a linhagem tem a mesma estrutura da cepa original, porém sofre mutações no spike, como é conhecida a coroa do vírus que se liga à célula. A informação foi divulgada hoje (22) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

"Dezenove casos da mesma variante já foram localizados no estado de São Paulo e, até o momento, não é possível afirmar que ela seja mais letal ou transmissível", informou a secretaria, em nota.

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A descoberta ocorreu graças ao monitoramento genômico da Rede Corona-Ômica-RJ. O estudo faz parte de uma parceria entre Secretaria de Saúde, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Laboratório Central Noel Nutels, da Fiocruz, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Os dados do monitoramento mostram ainda que a linhagem P.1 (Brasil) continua sendo a mais frequente no estado. Além disso, registrou uma baixa frequência da VOC B.1.1.7 (Reino Unido) e o declínio da P.2, desde novembro do ano passado.

A Secretaria de Saúde ressaltou que, independentemente da cepa do vírus ou linhagem, as medidas de prevenção e os métodos de diagnóstico e tratamento da covid-19 seguem os mesmos. Sendo assim, não há alteração nas medidas sanitárias já adotadas como uso de máscaras, álcool em gel e lavagem das mãos. A secretaria lembra que também é necessário evitar a aglomeração.

"Além disso, é importante os municípios continuarem avançando no processo de vacinação contra a covid-19 e que a população retorne para receber a segunda dose. Apenas assim, é possível alcançar a completa eficácia da vacina. Estudos mostram que todas as vacinas disponíveis no Brasil são eficazes contra as variantes identificadas até o momento", concluiu a nota.

____________________ * Estátua de Marilyn Monroe exibindo calcinha gera protesto nos EUA

A estátua já existia e foi realocada em Palm Springs - Getty Images
A estátua já existia e foi realocada em Palm Springs Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 11h18

Atualizada em 22/06/2021 16h22

A inauguração de uma estátua de Marilyn Monroe em Palm Springs, nos Estados Unidos, gerou controvérsias no domingo (20). De acordo com o TMZ, manifestantes foram ao local apontar que a imagem foi representada de uma forma depreciativa para as mulheres.

Feita de aço inoxidável e com cerca de 8 metros, a escultura apelidada de "Forever Marilyn" possui uma estrutura em que o visitante pode ver a calcinha da representação da atriz quando se está por trás. A obra já existia e realocada na espera de atrair muitos turistas neste verão para aumentar a receita local.

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Atualmente, ela encontra-se a 100 metros da saída do Museu de Arte de Palm Springs. A instituição, de acordo com o TMZ, também questionou a instalação e preocupou-se que as pessoas pensassem que a estátua faz parte do acervo do museu.

"Quando você sai do museu, a estátua é projetada para você olhar para a virilha e para as nádegas e tirar fotos. E isso não é mais aceitável", afirmou Emiliana Guereca, diretora-executiva da Women's March Foundation, ao Desert Sun.

"Pode ter sido aceitável na década de 1950, mas estamos em 2021 lutando contra a mesma coisa e as mulheres estão dizendo que basta."

A estátua é baseada em uma cena do filme "O Pecado Mora ao Lado", de 1955, estrelado pela atriz.

____________________ * Árvore que anda: "drag monstra" da Amazônia luta por igarapés e ribeirinhos

"A Última Floresta - Fogo" - Performer: Uýra Sodoma/Fotografia e Edição: Matheus Belém
"A Última Floresta - Fogo" Imagem: Performer: Uýra Sodoma/Fotografia e Edição: Matheus Belém
Fred Di Giacomo

22/06/2021 06h00

Uma árvore que anda foi vista circulando em Manaus (AM). Repito, uma árvore que anda foi avistada entre os mais de dois milhões de habitantes da maior cidade da região Norte do país. Vídeos comprovam: a entidade indígena está entre nós e denuncia que a capital do Amazonas é uma das cinco piores cidades do país em saneamento básico — apenas 12% de seu esgoto é tratado. A "drag monstra", no entanto, não se contenta com o perímetro urbano da metrópole manauara, Uýra Sodoma atuou por dois anos na ONG Fundação Amazônia Sustentável, onde pôde "coordenar um projeto de arte-educação chamado Incenturita, que envolve mais de 200 crianças e jovens ribeirinhos e indígenas, e seus patrimônios culturais, em diversas localidades do Amazonas."

No princípio era o Igarapé

1 - Acervo Pessoal - Acervo Pessoal
Emerson Pontes da Silva encarna a entidade híbrida Uýra Sodoma Imagem: Acervo Pessoal

"O lugar era bem mais calmo que hoje. Tinha igarapés com água limpa, e praticamente todo mundo se conhecia. Eu morava com minha mãe, primas e tia-avó numa casa de madeira, à beira de um igarapé. Uma imagem muito forte era o barro amarelo, em bolotas, típico do caminho até nossa casa."

Enquanto a entidade indígena repousa, seu cavalo me conta sua história. Estamos ouvindo Emerson Pontes -- biólogo, arte educador e artista visual -- nascido em Santarém (PA), em 1991, rememorar sua primeira infância:

"Tinha um cheiro muito único e agradável. Eu sempre descia o quintal, comendo frutas, brincado com as galinhas. Gostava de ir comendo carambolas e coco até a beira do igarapé. Ali, eu falava por horas com ele. Gostava de ouvir seu silêncio e também ver os bichos que sempre apareciam de repente."

Em suas recordações, Emerson viaja para Mojuí dos Campos (PA), a cerca de três horas de Santarém, cidade onde nasceu. Ainda semente de menos de três anos, germinava, em seu interior, o futuro que eclodiria em capa da Vogue Brasil, participação no Prêmio EDP nas Artes 2020 do Instituto Tomie Ohtake e na vindoura exposição da 34ª Bienal de São Paulo.

"Ao mudar pra Manaus muita coisa mudou: lembro bem de estar chegando no porto de Manaus, dentro de um barco, de noite, aos seis anos, e me assustar com todos os prédios e luzes da cidade. A partir daí eu não sentiria mais o mesmo cheiro do barro da infância. Passei a morar em uma periferia, com casa à margem de um igarapé, mas este já era poluído, e quando enche afeta toda a habitação humana."

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"As ruas das cidades tropicais têm floresta dormindo debaixo delas".

2 - Performer: Uýra Sodoma/Fotografia e Edição: Matheus Belém - Performer: Uýra Sodoma/Fotografia e Edição: Matheus Belém
"Série Mil Quase Mortos, Ensaio Caos? Imagem: Performer: Uýra Sodoma/Fotografia e Edição: Matheus Belém

Quem fala agora? Me parece ser ela, Uýra Sodoma, uma das estrelas do especial "Falas da Terra", exibido no "dia do índio" pela Rede Globo, mais popular canal de televisão do país:

"Rua, para mim, é um lugar de [re] imaginação: as ruas são muito retas, cobriram muitas voltas de rios, e também são feitas de e do concreto, daquilo que está posto, onde a encantaria é lida como o folclore, aquilo que não existe para além da pista. Mas a rua na cidade é o seu caminho, e ela pode e precisa ser mais que uma estrutura feita para o trabalho humano que mantêm a cidade, ou um lugar de desgraça e violência aos corpos impedidos de transitar. As ruas das cidades tropicais têm floresta dormindo debaixo delas, como diz Krenak. Me movo para lembrar que Vovó (a floresta) nunca nos abandonou, ela está aqui e insiste em nos cuidar embalando nos braços."

Emerson performa Uýra, metamorfose encarnada que dialoga tanto com saber ancestral dos povos da floresta, quanto com o "Manifesto Ciborgue", de Donna Haraway, ou a "virada vegetal" de Emanuele Coccia, queridinhos da vanguarda europeia pensante, "gerando imagens que nos convocam a olharmos as florestas presentes em toda a paisagem urbana e a repensarmos arraigadas noções de 'natureza'."

Minha arte visual nasce do mato e da periferia, de ser mato (indígena) e do estudo do hábitos e habitats das coisas vivas - tudo isso se nutrindo e crescendo dentro de mim, a ponto de expressar-se: Uýra.Emerson Pontes."Nas comunidades [ribeirinhas e indígenas] aprendi que para que as pessoas se envolvam na preservação e defesa da Vida, é importante reinseri-las com respeito e simplicidade num processo educativo, utilizando linguagem popular. Aprendi, depois de muito cartesianismo, que o coração é importante, pois é o canal para se promover reais mudanças no mundo." Comunicar a urgência da disrupção climática que vivemos de forma simples para a maior parte da população que é excluída do debate, mas sofre suas consequências na pele, eis a sabedoria ancestral de Uýra.

A violência como paisagem

3 - Selma Maia - Selma Maia
Uýra Sodoma em Xaperipë, 2018 Imagem: Selma Maia

O Brasil é o terceiro país que mais mata ativistas ambientais no mundo. O número de desmatamento em áreas de conservação avançou 312% no último ano. Somos campeões em números totais de homicídios no mundo. Matar por aqui se tornou coisa banal, especialmente quando a vítima é LGBTQIA+, indígena ou negra. "Chega de transformar a violência em paisagem", resume Uýra Sodoma em entrevista à Mídia Ninja.

"A agressão física que sofri em 2015 foi mais uma deste tempo que habitamos. Não gosto de dizer que Uýra nasce desta ferida, mas evitá-la e cicatrizá-la em tantas outras corpas passou a guiar meus passos."

Mas a violência vivenciada por Uýra/Emerson não se restringe à agressão homofóbica na saída de um bar, vivenciada por ela. É uma violência estrutural, que marca o choque da sociedade "do povo mercadoria" em que vivemos com o que o escritor Daniel Munduruku chama de "aqueles que ainda seguram a fronteira do capitalismo, que se chocam frontalmente com isso. A última fronteira a ser conquistada." Estamos falando, é claro, dos povos indígenas.

4 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Emerson "Uýra Sodoma" passou 6 meses dando aulas de educação ambiental para crianças e jovens Imagem: Arquivo Pessoal

"Como indígena sem povo identificado neste momento, resultado de uma diáspora do Brasil para o Brasil, eu me sinto como as urnas funerárias indígenas, soterradas para a construção da cidade colônia Manaus, ao mesmo tempo que estou hoje aqui, habitando este território junto aos meus parentes. Indígenas nesta cidade são vistos como as árvores para o avanço da modernidade: um problema, algo a ser abandonado. Por quê? Por sermos Natureza, algo que parece dever ser coberto por esta Cultura."

Mas existe, de fato, a separação entre Natureza e Cultura? Entre homem e meio ambiente? Entre cidade e floresta? Civilização e barbárie?

"A separação entre Cultura e Natureza é um problema estrutural e praticamente irreparável nas sociedades não-indígenas ou pretas atuais. De um lado, existem nós indígenas que nos compreendemos como partes de Vovó, como natureza; do outro, está a sociedade predominante, de visão e valores arraigados pela superioridade humana sobre tudo que vive, que não se vê natureza, mas dominadora dela. (...) Diversas sociedades humanas se foram e irão, mas sempre quem ficou (e ficará) foi Vovó."

A nossa espécie é muito inteligente e cheia das suas peculiaridades, mas é apenas mais uma neste mundo. , Uýra Sodoma

____________________ * 11,57% da população com 2 doses em 22 junho!!! Nem 12%. Vexame TOTAL.

Brasil já tem 24,5 milhões de pessoas vacinadas com duas doses contra a covid-19 - Evandro Leal/Enquadrar/Estadão Conteúdo
Brasil já tem 24,5 milhões de pessoas vacinadas com duas doses contra a covid-19 Imagem: Evandro Leal/Enquadrar/Estadão Conteúdo

22/06/2021 20h09

Atualizada em 22/06/2021 20h44

Nesta terça-feira (22), o Brasil chegou à marca de 24,5 milhões de vacinados com duas doses contra a covid-19. Até o momento, 24.509.708 pessoas receberam a dose de reforço contra a doença, o que representa 11,57% da população nacional. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

A primeira dose de imunizante foi aplicada em 1.218.105 brasileiros entre ontem e hoje, elevando para 65.654.739 o total de vacinados nesta etapa inicial —o equivalente a 31% da população do país. Outros 118.832 receberam a segunda dose nas últimas 24 horas.

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Capitais têm vacinação suspensa da 1ª dose contra covid-19

Os laboratórios responsáveis pela produção da CoronaVac, Oxford/AstraZeneca e Pfizer/BioNTech recomendam a aplicação de duas doses da vacina para o combate mais eficiente ao novo coronavírus.

Proporcionalmente, Mato Grosso do Sul se mantém na liderança entre os estados com maior aplicação da primeira dose: 38,53% da população local.

O Rio Grande do Sul continua em primeiro lugar entre aqueles que, em termos percentuais, mais vacinaram com a segunda dose: 15,08% de seus habitantes.

Vacinação primeira dose - 22/06 - UOL - UOL
Imagem: UOL

Preço que governo pagou pela Covaxin foi 1.000% mais alto

Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a vacina indiana Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Déli de agosto do ano passado, ao qual o jornal O Estado de S.Paulo teve acesso, informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha o preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose).

Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia "custaria menos do que uma garrafa de água". Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) —a mais cara das seis vacinas adquiridas até agora.

A ordem para a aquisição da vacina partiu pessoalmente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A negociação durou cerca de três meses, um prazo bem mais curto do que o de outros acordos.

No caso da Pfizer, foram quase 11 meses, período em qual o preço oferecido não se alterou (US$ 10 por dose). Mesmo mais barato que a vacina indiana, o custo do produto da farmacêutica americana foi usado como argumento pelo governo Bolsonaro para atrasar a contratação, só fechada em março deste ano.

Vacinação nos estados segunda dose - 22/06 - UOL - UOL
Imagem: UOL

Veículos se unem pela informação

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de saúde das 27 unidades da federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes de autoridades e do próprio presidente durante a pandemia colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

Você utiliza a Alexa? O UOL fornece informações à inteligência artificial por voz da Amazon, com boletins de notícias e dados atualizados do número de brasileiros vacinados contra a covid-19. Para saber sobre a vacinação no país ou no seu estado com a credibilidade do UOL, pergunte: "Alexa, quantas pessoas já foram vacinadas no Brasil?", por exemplo, ou "Alexa, quantas pessoas foram vacinadas?". Nos encontramos lá!

____________________ * Por que rua no Centro de São Paulo está entre as "mais legais do mundo"?

Nossa entrevistou comerciantes e visitantes da rua Três Rios, no bairro do Bom Retiro, no Centro de São Paulo, para falar sobre ranking feito pela revista britânica "TimeOut" - Keiny Andrade/UOL
Nossa entrevistou comerciantes e visitantes da rua Três Rios, no bairro do Bom Retiro, no Centro de São Paulo, para falar sobre ranking feito pela revista britânica "TimeOut" Imagem: Keiny Andrade/UOL

Gustavo Frank

De Nossa

22/06/2021 04h00

Há aproximadamente uma semana, a revista britânica "TimeOut", publicação conhecida por ser uma guia de viagens ao redor do mundo, colocou a Três Rios em sua lista das ruas "mais legais do mundo" — no ranking, ela ocupa o 7º lugar. Entre as justificativas, destaca-se a identidade "diversificada e em constante evolução" e alguns dos pontos turísticos que cercam o local, como a Pinacoteca, por exemplo.

Mas o que torna a rua no Centro de São Paulo, mais especificamente no bairro do Bom Retiro, tão legal assim? Para entender, Nossa foi até lá procurar por respostas.

Sem perrengue: trilhas no Brasil ideais para quem não tem experiência

Quem chega no endereço dá de cara com uma das tradicionais ruas na região. Os arranha-céus modernos que tomam conta da capital paulistana, na Três Rios, são inexistentes. Os prédios, em sua maioria, não passam dos dez andares e agregam a arquitetura histórica de outras construções que também fazem parte do restante dos bairros ao redor, como República e Santa Cecília.

O movimento é constante. Se vê de tudo: jovens, adultos e idosos coreanos; judeus com suas tradicionais quipás; colombianos falando entre si em espanhol; e, claro, brasileiríssimos misturando-se entre todos esses — como já é de nosso hábito.

A Casa do Povo

Fachada da Casa do Povo na rua Três Rios, no bairro do Bom Retiro - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Fachada da Casa do Povo na rua Três Rios, no bairro do Bom Retiro Imagem: Keiny Andrade/UOL

No coração da Três Rios fica a Casa do Povo, centro cultural erguido logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, e fundado por judeus a fim de dar continuidade à cultura judaica laica e humanista que o nazi-fascismo tentou silenciar na Europa.

Casa do Povo - Keiny Andrade/UOL
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Keiny Andrade/UOL
Casa do Povo - Keiny Andrade/UOL

O prédio moderno do arquiteto Ernest Carvalho Mange é, como diz a "TimeOut", "lendário".

"A gente fala que é a rua mais legal faz tempo! Demorou para estar em uma lista", diz Mayara Vivian, coordenadora de ação comunitária da Casa do Povo. "Parte do bairro ainda não entende a sua diversidade. Temos desde pessoas que criaram suas fábricas e lojas aqui até imigrantes que chegaram ontem. Isso é o que deixa a rua tão interessante."

Mayara Vivian, 31, coordenadora de ação comunitária da Casa do Povo - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Mayara Vivian, 31, coordenadora de ação comunitária da Casa do Povo Imagem: Keiny Andrade/UOL

Se a gente gentrifica e constrói prédios padronizados, a partir de um processo de "higienização" e exclusão, vamos ser só mais uma rua chata e cheia de gente sem graça."

Quando menciono os comentários, que confundem o termo "mais legal" com a "mais bonita", Mayara opina: "A rua mais bonita pode até ser a Oscar Freire, por exemplo, mas a gente não tem nem dinheiro para comprar um café lá. Então, se ela é 'legal e bonita' para uma parte pequena da população, é porque não é legal e bonita. É só fachada."

"É uma rua internacional"

David Ben Avram, 75, dono da lanchonete "Burikita" - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
David Ben Avram, 75, dono da lanchonete "Burikita" Imagem: Keiny Andrade/UOL

A poucos metros da Casa do Povo, David Ben Avram está sentado em uma das primeiras mesas para quem entra no "Burikita", lanchonete cheia de guloseimas iugoslavas. O salgado que dá nome ao estabelecimento é exaltado pelo senhor, de 75 anos, de bigode farto e cabelo dividido ao lado: "É uma massa folheada recheada com queijo branco. Tudo fabricado aqui mesmo".

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O local em questão, hoje administrado por ele, nasceu na cozinha de casa com a sua mãe, Matilda, que estampa um retrato que decora o ambiente ao lado do marido, Avraham — ambos da Iugoslávia, atualmente no território da Sérvia.

"Nós temos história. Meus pais chegaram há 76 anos e o Burikita está aqui há 60", conta ele, que é de família judaica e, assim como toda a família, nasceu na Iugoslávia. "Não conheço o mundo inteiro, mas a Três Rios é realmente interessante."

É um local de várias raças: italiano, coreano, judeu, peruano, boliviano. É uma rua internacional".

Seu irmão, Miki, que tinha uma ótica também na rua, complementa: "Outros bairros podem até ter muitas coisas, mas aqui temos de tudo o que você precisa: supermercados coreanos, brasileiros, muitas lanchonetes, vários tipos de lojas".

David Ben Avram ao lado do irmão, Miki - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
David Ben Avram ao lado do irmão, Miki Imagem: Keiny Andrade/UOL

Mistura de origens

A coreana Jin Sook Ahni ao lado da amiga e colega, a paraguaia Nancy Elizabeth - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
A coreana Jin Sook Ahni ao lado da amiga e colega, a paraguaia Nancy Elizabeth Imagem: Keiny Andrade/UOL

A paraguaia Nancy Elizabeth, de 35 anos, conheceu Jin Sook Ahni, 52, enquanto caminhava na rua Três Rios e observou uma placa anunciando que a lanchonete de comida coreana precisava de uma nova funcionária.

A gente concorda que a Três Rios é uma das ruas mais legais do mundo por causa da movimentação que temos aqui", diz Nancy.

Jin, que é dona do estabelecimento há 14 anos, reforça que, além da miscigenação presente no local, a alegria dos brasileiros é um dos pontos cruciais para o sucesso da rua.

"São todos muito educados", opina ela com o sotaque carregado. "É muita alegria. Tenho um filho pequeno e gosto muito que ele aprenda tudo aqui".

Jin Sook Ahni e Nancy Elizabeth - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Jin Sook Ahni e Nancy Elizabeth Imagem: Keiny Andrade/UOL

Tecendo historias

Maria Aparecida Merlini e Sibecio Alves Santos (Berlim)  - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Maria Aparecida Merlini e Sibecio Alves Santos, conhecido como Berlim Imagem: Keiny Andrade/UOL

As lojas de tecido são citadas como um destaque pela "TimeOut", que se refere a elas como um "polo para os jovens designers de São Paulo que procuram pelo material para as suas criações".

O argumento é reforçado por Sibecio Alves Santos, de 46 anos, mais conhecido como Berlim, que trabalha em uma delas.

"A loja existe há mais de 30 anos", explica. "Muitos jovens vêm atrás de tecidos para fazerem roupas. Vejo isso há 25 anos trabalhando aqui. Além disso, a Três Rios é cheia de cultura por todos os lados".

Maria Aparecida Merlini, a funcionária mais antiga da loja de tecidos, não hesita em falar como a rua é "maravilhosa".

"Eu acho maravilhoso, tudo aqui e maravilhoso", diz repetidas vezes. "O Bom Retiro como um todo, na verdade. Moro aqui há 30 anos, meus filhos estudaram pela região, eu trabalho aqui. Minha vida toda está nessa região".

Nascido e criado na Três Rios

Os advogados Caroline Lourenço, 32, e Washington Rocha, 28 - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Os advogados Caroline Lourenço, 32, e Washington Rocha, 28 Imagem: Keiny Andrade/UOL

Na Praça Coronel Fernando Prestes, que dá fim à Três Rios, os advogados Caroline Lourenço, 32, e Washington Rocha, 28, caminham com sua dupla de goldens retriever: Ted e Moa.

"Tem de tudo aqui, a diversidade é muito grande", diz Carol, que mora em uma das paralelas à Três Rios. "Comida, bebida... Perto do Teatro, da Casa do Povo. A gente costuma vir aqui para passear com os cachorros".

Washington, que nasceu e até hoje mora na rua, entretanto, levanta também o perigo que cerca o local.

"Depois que a prefeitura fez um hospital aqui perto, achei que mudaria. Eles inauguraram o lugar, mas não acolheram, de fato, as pessoas de rua. Elas ficam vagando por aí sem qualquer estrutura. Muita gente reclamando que tem medo de sair."

O "lado B" da Três Rios é reforçado por Caroline, que, ao contrário dos outros entrevistados, afirma que a falta de infraestrutura da rua, como a iluminação, por exemplo, deixa a desejar.

"É perigoso à noite", afirma. "Sempre tem postes que dão problema. [...] E tem gente que é usuário e morador de rua que a gente até conhece, mas tem uns que não. Alguns deles saem da região da Luz e acabam roubando celular. Na verdade, o que você tiver, eles roubam".

A outra realidade

Rua Três Rios, no bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo - Keiny Andrade/UOL
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Placa indicando o começo e o fim da Três Rios, no Bairro do Bom Retiro, em São Paulo

Keiny Andrade/UOL
Rua Três Rios - Keiny Andrade/UOL

Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

Keiny Andrade/UOL

Apesar da riqueza de diversidade que a rua Três Rios acolhe, com o vaivém de diversas miscigenações, como aponta a "TimeOut", a pobreza também é escancarada, assim como no restante de todo a região central de São Paulo.

De acordo com o último censo levantado pela Prefeitura de São Paulo, em 2019, o número de pessoas que vivem nas ruas de toda a cidade saltou de 15 mil para 24 mil no período de 2015 a 2019. No Centro, a falta de assistência social a esses indivíduos é ainda mais evidente pela proximidade à região conhecida como Cracolândia, na Luz, em que diversas ações policiais são realizadas constantemente e resultados não são entregues à população, aos comerciantes e, principalmente, aos moradores de rua.

Como noticiou a Folha de S. Paulo, antigos albergues que serviam de moradia para parte dos frequentadores da Cracolândia foram desapropriados e concretados e devem ser demolidos nos próximos meses. O serviço municipal mais próximo dos usuários, que ficava na rua Helvétia, chamado de Atende 2, foi fechado e derrubado no início da pandemia.

A Casa do Povo, citada no início desta matéria, realiza projetos semanais de assistência a essas pessoas, desde a distribuição de cestas básicas até oficinas. Para maiores informações sobre os serviços, acesse este link.

____________________ * Com Ivete Sangalo, artistas formam frente anti-Bolsonaro que a oposição não obteve

União da classe artística ajudou a derrubar a ditadura militar

A cantora baiana Ivete Sangalo
A cantora baiana Ivete Sangalo Divulgação
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Ivete Sangalo capitulou. Depois de anos evitando se posicionar, com o mesmo empenho com que o Cascão foge do banho, a cantora baiana finalmente desceu do muro.

No sábado (21), dia em que o Brasil atingiu a marca trágica de 500 mil mortos pela Covid-19, Veveta extravasou sua indignação no Instagram. "É estarrecedor pensar sobre as milhares de vidas ceifadas e dores irreparáveis em torno dessas perdas", escreveu ela. "Não é sobre partidos, é sobre humanidade".

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Só que esta última frase caiu mal. Sem citar a colega, Anitta logo respondeu pelo Twitter: "500 mil mortos... É sobre Fora, Bolsonaro, sim! A favor da democracia, da economia, da saúde, da educação, do senso coletivo".

Não demorou para Felipe Neto entrar na discussão. "Desculpa, Ivete, sua música continua no meu coração, mas o quanto eu já te amei como ídola, infelizmente, foi interrompido pelo seu em cima do murismo", tuitou o influenciador. "Anitta mandou o papo. É sobre política e partidos, sim. É sobre #ForaBolsonaro, sim. Sei que um dia você vai perceber."

Não foram só eles. Muitos outros internautas, famosos ou não, cobraram um posicionamento mais claro de Ivete Sangalo. Nem foi a primeira vez: desde, pelo menos, 2018, que a cantora vinha se recusando a dizer de qual lado estava na arena política brasileira.

Em outros tempos, até daria para defendê-la. Muitos artistas alegam que sua missão é fazer o público esquecer de seus problemas. Também dizem que têm fãs de todas as tendências e que não querem alienar ninguém.

Beleza. Só que, agora, temos mais de 500 mil mortos, e um culpado óbvio por tamanha mortandade: Jair Bolsonaro, um presidente despreparado e incompetente, para não dizer mal-intencionado. Chega a ser um dever moral denunciá-lo por seus crimes e trabalhar ativamente para evitar que ele seja reeleito em 2022.

Uma das maneiras de conseguir isto, afirmam os cientistas políticos, seria formar uma frente ampla, reunindo partidos da direita à esquerda. Isso foi feito recentemente em Israel, e o resultado foi que Binyamin Netanyahu deixou o cargo de primeiro-ministro depois de 12 anos.

Só que a oposição a Bolsonaro não se entende. Há inúmeros postulantes à Presidência da República, muitas ambições desenfreadas, pouco senso de patriotismo. Cabe, portanto, à sociedade se organizar neste sentido.

E os artistas são uma das pontas de lança da sociedade. Eles tiveram um papel importantíssimo na derrocada da ditadura militar (1964-1985), no começo da década de 1980. Acabaram incentivando políticos de todos os matizes a aderirem à campanha das Diretas-Já, que acelerou o fim do regime.

Talvez esteja acontecendo algo parecido agora. Até porque a própria classe artística foi atingida em cheio pela má gestão da pandemia: nomes como Paulo GustavoAldir BlancNicette BrunoEduardo Galvão e tantos outros já não estão mais entre nós.

Tantas perdas fizeram com que a atriz Samantha Schmütz, por exemplo, se tornasse uma voz aguerrida, exortando colegas como Juliana Paes a se manifestarem. Assim, aos poucos, vemos surgir um consenso entre os artistas.

E não, nem todos querem a volta do PT ao poder. Muito menos, a restituição da imaginária "mamata", que nunca existiu. Querem, simplesmente, alguém adequado para o cargo mais alto da nação.

"Esse governo que aí está não me representa nem mesmo antes de a ideia de ele existir", escreveu Ivete Sangalo nesta terça (22), em suas redes sociais. "E isso vamos resolver quando unirmos forças nas próximas eleições, através do poder do voto."

Que os políticos a ouçam.

____________________ * Bolsonaro pressente deposição e reage: desconfia dos militares - Luís Costa Pinto

Por Luís Costa Pinto

Por Luís Costa Pinto

Augusto Heleno, general-de-Exército da reserva, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, está fora de combate. Tomado por uma crise aguda de depressão clinicamente diagnosticada, submete-se a tratamento rigoroso.

Com o comandante fora da trincheira do GSI, a coordenação da segurança presidencial foi entregue a militares com os quais Jair Bolsonaro não tem intimidade e que não gozam da confiança dos filhos do presidente.

O vereador Carlos Bolsonaro, integrante do clã presidencial que mais se imiscui nos porões palacianos, foi o responsável indireto pela espoleta que fez o pai explodir qual pistola com bala de festim na última segunda-feira em Guaratinguetá (SP).

Tão logo saltou do veículo que o conduzia, Bolsonaro foi saudado por gritos de “genocida!”, “impeachment, já!”, “vacina no braço, comida no prato!”. Sempre aziago, o mal humor presidencial desandou de vez. Ele lançou um olhar enfurecido pelo oficial do GSI responsável pela segurança do evento e passou-lhe uma descompostura de fazer corar até alguns dos sem-vergonha que o acompanhavam (foi o caso da deputada federal Carla Zambelli e do prefeito do município do interior paulista).

A covardia do presidente

Frouxo e covarde, com temor explícito às reações e reprimendas do general Heleno que, sabia, não viriam dado as condições clínicas do militar que comanda o GSI, o presidente então deu vezo às reclamações contra sua equipe: sabia que não haveria rebate pelo superior do militar a quem fora designada a missão de garantir sua segurança em Guaratinguetá.

Àquela altura, ele já fora informado que diversos veículos de imprensa tinham informações dando conta da compra de vacinas indianas Covaxin superfaturadas em 1.000% e o líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR) e assessores do ex-ministro Eduardo Pazuello haviam se envolvido diretamente no negócio. Não sabia, ainda, que o site Uol receberia mais tarde o vazamento de um relatório da Agência Brasileira de Informações (Abin, controlada por militares) levantando suspeitas sobre a fortuna e o rápido enriquecimento do amigo Luciano Hang, o grotesco dono das Lojas Havan.

Exalando o mau humor que lhe é peculiar e o azedume dos maus bofes que marcam a sua personalidade, Jair Bolsonaro explodiu contra os repórteres que improvisaram uma entrevista coletiva no corredor que era caminho único para seu evento no interior paulista. Sem guardar resquícios da compostura exigida para um Chefe de Estado, soltou impropérios contra a imprensa em geral e a Rede Globo e a TV CNN em particular (também lançou perdigotos ao léu, contra as repórteres encarregadas de cobrir o ato, ao tirar ilegalmente a máscara em meio a um acesso de ira quase animal).

No regresso ao comboio presidencial, o oficial do GSI destacado para coordenar aquele deslocamento da comitiva presidencial foi mais uma vez desancado como égua arisca nas mãos de capataz bêbado em estrebarias de fazendas de gado nos rincões de Goiás.

Militares geram desconfiança

Bolsonaro desconfia cada dia mais dos militares que o cercam. E crê ter razões de sobra para manter acesas tais suspeições.

Um dos catalisadores dos acessos de cólera do presidente é seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão. Nos últimos cinco dias, em pelo menos três pronunciamentos públicos, Mourão deixou claro que não é ouvido pelo titular da chapa por meio da qual galgou à vice-presidência. A um interlocutor comum dele e do cabeça-de-chapa de 2018 disse que não há “nosso governo”.

Haveria, sim, um “governo dele (Bolsonaro)”. Os erros e descaminhos da gestão, portanto, seriam frutos exclusivos das escolhas e das companhias do presidente da República.

Jair Bolsonaro sabe que não era a primeira opção dos militares na última eleição. Organizados nos Clubes Militares, os oficiais da reserva até denotavam uma preferência por eles. Mas, além de não terem voz ativa, eram minoria. Liderados pelos generais Sérgio Etchegoyen, Eduardo Villas-Boas e Silva e Luna, os quarteis do Exército não escondiam desconforto pelo primarismo de Bolsonaro. Torciam pela decolagem, na campanha, de nomes como Geraldo Alckmin, João Amoedo e até Luciano Huck (que refugou no lançamento de sua candidatura).

A greve dos caminhoneiros de maio de 2018, episódio que terminou de derrubar quaisquer aspirações de Michel Temer a sair um pouco melhor do Palácio do Planalto depois de ter usurpado a cadeira presidencial entrando pela porta dos fundos na sede de governo, pôs os militares definitivamente na mediação da crise política nacional. Bolsonaro cresceu naquele momento, disseminou o próprio nome entre os grevistas, mas, não foi ali que se converteu na alternativa militar.

Disputando pelo obscuro PSL, Jair Bolsonaro só passou a ser o “Plano Único” dos estrategistas fardados depois do episódio do atentado a faca do qual foi vítima em Juiz de Fora (MG). Divisor de águas no curso da campanha e responsável por determinar uma guinada patética da cobertura da mídia no processo eleitoral, a conversão do atual presidente em “vítima” do sistema (algo que nunca foi, muito pelo contrário) concedeu ao seu nome um verniz de outsider. Era um falso brilhante. O verniz, contudo, foi decisivo para a vitória.

Generais manobraram a Justiça

Sérgio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional de Temer, e Eduardo Villas-Boas, chefe do Estado Maior do Exército sob Dilma e que seguiu no posto após o golpe jurídico/parlamentar/classista que apeou a ex-presidente porque serviu à construção do enredo golpista, foram personagens ativos na ascensão eleitoral de Bolsonaro em 2018 no curso de uma campanha assimétrica.

Etchegoyen entrincheirou-se no Tribunal Superior Eleitoral e, em reuniões nas quais inflava o clima de conspiração e de conflagração nos quarteis, açulou os ministros da Corte eleitoral a concederem benefícios de campanha a Bolsonaro – tais como dar uma entrevista individual à TV Record no mesmo dia e hora do derradeiro debate entre os candidatos no primeiro turno.

Alegando mal-estar, Bolsonaro recusara o convite para o debate. No segundo turno, o TSE, por meio de uma decisão do então ministro Admar Gonzaga, permitiu que todos os debates fossem cancelados, no lugar de terem sido convertidos em entrevistas. O candidato apoiado explicitamente pelos militares transformou sua campanha em notas oficiais lidas em off pelos telejornais, ausentando-se do debate de ideias e do cotejamento de propostas.

A urdidura de Etchegoyen teve o auxílio vergonhoso de Admar Gonzaga, então ministro do TSE que havia sido advogado de Carlos Bolsonaro e deixou o tribunal por lhe terem sido impostas contingências da Lei da Maria da Penha (foi acusado de agredir a esposa). Ao deixar o TSE, Gonzaga virou advogado e secretário-geral do grupo que tenta criar um partido para Bolsonaro.

Villas-Boas, como é público e notório, é réu confesso do crime de ameaça ao Supremo Tribunal Federal. Em dois tuítes, na véspera de a Corte Suprema decidir sobre a possibilidade, ou não, de o ex-presidente Lula disputar a Presidência (ele era o favorito naquele momento em todas as pesquisas pré-eleitorais do pleito de 2018), o então Comandante Geral do Exército soprou eflúvios de veneno golpista e de interrupção da construção democrática brasileira caso o STF não tirasse Lula da corrida eleitoral. Acovardados, os ministros do Supremo acolheram a chantagem militar.

Os comandantes foram ingênuos?

Ouriçados com a vitória do pupilo, os comandantes militares das três forças estavam crentes na capacidade que teriam para tutelar a criatura primária, de rala formação moral e escasso preparo intelectual, que se elegera.

Péssimos estrategistas, os integrantes da cúpula militar estavam enganados. Na melhor das hipóteses, foram ingênuos em demasia. Ninguém tutela um presidente da República eleito com 54 milhões de votos, tampouco uma personalidade deformada como a de Jair Bolsonaro. Ele é um ser acometido de possessões diárias da “Síndrome da Pequena Autoridade”, os mesmos desvios de caráter e de conduta que se verificam nos famosos “guardas da esquina” nos processos de ascensão de regime nazi-fascistas.

Quanto mais reivindica lealdade dos militares a seu projeto de poder personalista, dando pistas de que não se resignará a uma derrota nas urnas de 2022 que parece iminente e óbvia a dezesseis meses do pleito, mais distante Bolsonaro fica da meta almejada de reunir o consenso das Forças Armadas a si.

Tendo cruzado o rubicão da política e aberto os portões dos quarteis para um debate franco em torno de opções eleitorais – o que é descabido e impensável entre militares profissionalizados e ciosos do papel de garantidores da Constituição que detêm – os atuais comandantes das três forças desejam se manter influentes e afluentes no poder. Contudo, sabem que o caminho tomado por Bolsonaro inviabiliza da manutenção do Brasil no rol das nações consideradas democracias institucionais maduras.

Não passa pela cabeça nem pela prancheta dos comandos militares brasileiros quaisquer tipos de golpes tradicionais como o de 1964. Há uma janela aberta, com fresta exígua, para um golpe parlamentar como o de 2016 que depôs Dilma Rousseff sem crime de responsabilidade – fazer o presidente da Câmara, Arthur Lira, mudar de lado nos próximos meses e aceitar um pedido de impeachment.

Um impeachment clássico (razões e crimes de responsabilidade não faltam no prontuário de Bolsonaro) é o melhor caminho para conservar o esmalte “democrático” do Brasil no exterior e dar margem e poder de manobra para o vice Hamilton Mourão convocar um breve governo de “conciliação e união” do centro à direita e tentar se viabilizar candidato ou inventar uma chapa “liberal-democrática” com seu apoio nos moldes do que foi construído pela dupla Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso em 1994.

Bolsonaro e “O Retrato de Dorian Gray

No momento, uma certeza dilacera os militares que colaram suas reputações e seus projetos pessoais em Jair Bolsonaro: ele perde a eleição para qualquer um em 2022 e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, é o favorito em todos os cenários pré-eleitorais.

Na caserna, não se crê em recuperação da economia, muito menos no programa de privatizações vendido pelo ministro Paulo Guedes como panaceia – espécie de cloroquina econômica. Só ao custo de uma divisão inédita dos comandos militares as Forças Armadas perfilariam a favor de uma aventura de não reconhecimento do resultado do pleito presidencial.

A imagem de Jair Messias Bolsonaro afixada nas fotos oficiais dos QGs brasileiros assemelha-se, a cada dia que passa, ao retrato de Dorian Gray, no romance homônimo do escritor e dramaturgo britânico Oscar Wilde.

Assim como o personagem de Wilde, Bolsonaro vendeu sua alma aos comandantes militares e firmou uma profissão de fé de que seriam felizes juntos e para sempre no comando do País. Contudo, ao se descobrir Presidente, acreditou ser onipotente e deixou vazar os matizes mais grotescos e bizarros de sua alma deformada. Assustados com as perversões que ajudaram a implantar no Palácio do Planalto e envergonhados com a péssima figura externa que o Brasil faz hoje no mundo, os chefes das Forças Armadas querem apagar a foto e exorcizar a culpa que têm por terem-na encomendado. Dar cabo dessa missão, entretanto, é tarefa para um Estadista – e não há biografias disponíveis no espectro de direita com tamanha envergadura para suportar a dimensão desse adjetivo superlativo.

____________________ * The Lancet: como os países ricos sabotaram a estratégia global de vacinação contra a Covid-19

Socialista Morena - Um artigo publicado no sábado, 19 de junho, pela prestigiosa revista científica britânica The Lancet mostra como os países ricos sabotaram a estratégia global de vacinação do consórcio COVAX Facility, iniciativa criada em abril de 2020 pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para ampliar o acesso igualitário à imunização contra a Covid-19 no mundo e garantir que os países mais pobres não ficassem de fora da vacinação. A ideia era reduzir a desigualdade na aquisição de vacinas com a distribuição de 2 bilhões de doses até o final de 2021, sem distinguir quais países tinham condições de pagar ou não por elas.

“Era um programa bonito, nascido da solidariedade, mas infelizmente não se concretizou. Os países ricos se comportaram pior do que nossos piores pesadelos”, disse Gavin Yamey, pesquisador da Duke University que atuou na criação do consórcio, à autora Ann Danaya Usher, que publicou o artigo sob o título A beautiful idea: how COVAX has fallen short (Uma ideia bonita: como a COVAX fracassou).

A explicação para o fracasso, segundo a revista, é que os países ricos, em vez de se comprometerem com a iniciativa, preferiram fechar acordos bilaterais com as companhias farmacêuticas e garantir seu próprio estoque. “Farinha pouca? Meu pirão primeiro”, como diria um brasileiro. Os EUA, por exemplo, em agosto de 2020 já tinham conseguido fechar acordos com seis empresas e garantido para os norte-americanos 800 milhões de doses de vacina, suficientes para vacinar 140% da população. O Reino Unido, por sua vez, fechou cinco acordos que permitiriam vacinar 225% de seus habitantes.

“Hoje, dez países administram 75% de todas as vacinas contra a Covid-19, mas, nos países pobres, os profissionais de saúde e as pessoas com doenças subjacentes não podem acessá-las. Isso não é apenas injusto, é também contraproducente”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, conforme citado na The Lancet. “A COVAX distribuiu mais de 72 milhões de doses em 125 países, mas isso é muito menos do que os 172 milhões que deveria ter entregue até agora.” Dos 2,1 bilhões de doses da vacina contra a Covid-19 administradas em todo o mundo até agora, o COVAX foi responsável por menos de 4%.

É por isso que agora Joe Biden pode posar de”amigão do mundo” doando o excedente a países da América Latina, inclusive o Brasil. A sobra das vacinas também tem servido para o presidente dos EUA fazer proselitismo contra a China: doou 2,5 milhões de doses contra a Covid-19 a Taiwan, o que foi recebido pelo governo chinês como uma provocação. Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, criticou o uso das vacinas para “manipulação política” pelos estadunidenses. Aliado aos EUA, o governo da ilha havia recusado as ofertas de vacinas chinesas.

Segundo o pesquisador Yamey, era esperado que os países ricos fechassem acordos bilaterais, mas que também comprassem da COVAX como garantia, em caso de algumas se provassem ineficazes. No final, “três dúzias de países driblaram a COVAX e fecharam acordos gigantescos diretamente com os fabricantes. Deram sorte que as vacinas funcionaram. E como eles limparam as prateleiras, não sobraram doses suficientes para a COVAX”, disse Yamey à Lancet.

____________________ * A vingança dos fracos | O Cafezinho - FLOW

Depois de semanas extremamente difíceis para sua campanha, em função da reentrada do ex-presidente Lula no jogo político, pesquisas negativas, além de seus próprios erros, Ciro Gomes finalmente conseguiu produzir um fato político de extraordinário impacto positivo, que foi uma entrevista de quase cinco horas para o Flow, um dos maiores podcasts do país.

A entrevista, que durou exatamente 4 horas e 42 minutos, conseguiu picos de audiência de mais de 100 mil espectadores simultâneos, um patamar bastante raro de alcançar, sobretudo em se tratando de conteúdo político.

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Em poucas horas, o vídeo já atingiu 1,4 milhão de visualizações, e já se tornou o conteúdo de Ciro com maior audiência de sua campanha, até agora.

Tanto a magnitude da audiência quanto a duração do programa não são estranhas ao canal. A entrevista com Fernando Haddad, por exemplo, transmitida há trinta dias, durou 4 horas e 30 minutos e está com 1,4 milhão de visualizações.

Danilo Gentili, que talvez seja candidato a presidente da república, apoiado pelo MBL, também foi entrevistado pelo Flow e seu vídeo tem hoje 8,2 milhões de visualizações.

O sucesso do Flow se deve à qualidade da produção do programa e ao incrível talento de seus apresentadores, Monark e Igor, que se fingem de “burros” e “ignorantes”, mas que certamente estão entre os comunicadores mais astutos da internet brasileira.

Para um comunicador popular, sobretudo para alguém que visa atingir o público jovem, cuja maioria é despolitizada, a pior coisa é parecer “inteligente”. O público geralmente associa – com toda a razão – esse esforço de parecer inteligente e politizado com vaidade pueril.

Falemos de Ciro Gomes.

Independente da questão dos números, a entrevista de Ciro Gomes foi muito boa para sua campanha, porque ela efetivamente, como se diz, “furou a bolha”.

O público atingido pela entrevista me parece exatamente aquele que Ciro Gomes precisa para evitar o risco de esvaziamento de sua campanha, e para consolidar um núcleo militante que, eventualmente, poderá crescer,  e se transformar num centro de atração gravitacional para receber os descontentes com a polarização.

Sobre o título do post, eu o escolhi porque ele é o mote para uma crítica construtiva que eu gostaria de fazer ao candidato.

Seria uma lamentável distorção dessa teoria tão bonita e hoje tão comprovada (apesar de um ajuste ou outro que se faz a ela), o darwinismo, associá-la à lei da “sobrevivência do mais forte”. Não são os mais fortes que sobrevivem, e sim os que melhor se adaptam às circunstâncias. A quantidade gigantesca de espécies imensamente frágeis que existem hoje no mundo é a prova incontestável.

As grandes feras do planeta, como o leão, o tigre, a onça, e similares, estão hoje quase todas em extinção, e só não foram completamente eliminadas porque, em muitos países, há políticas públicas de proteção e conservação dessas espécies. Ninguém nega, todavia, que são animais extremamente fortes, bonitos, rápidos, e inteligentes.

Por outro lado, os cães e gatos, bichinhos imensamente vulneráveis, vem se multiplicando a um ritmo impressionante, há séculos.

Eu mesmo tenho uma cadelinha de dois quilos, chamada Zizi, que me motivou a dar esse exemplo, porque pensei: como é possível que um animalzinho tão frágil tenha resistido às intempéries da história, enquanto outros bichos enormes e ferozes tenham sucumbido? A resposta é fácil: a inteligência emocional da minha pet é incrivelmente desenvolvida. Ela tem uma linguagem corporal sofisticada, com a qual expressa com grande inteligência como está se sentindo. Esse talento me faz amá-la e querer protegê-la. E assim a sua espécie se perpetua e se multiplica, enquanto a de animais ferozes e perigosos perece.

Isso vale para a política e a comunicação.

A genialidade dos apresentadores do Flow está, justamente, em simular uma fragilidade intelectual que induz o internauta a protegê-los, a amá-los, e a ficar na expectativa de que eles, assim como nós, podem aprender. Os entrevistados, como Ciro Gomes, sentem algo parecido. Eles sentem que estão diante de pessoas que tem a humildade de não se pretenderem donos da verdade, como a maioria dos jornalistas – especialmente os jornalistas políticos – acham que são. Eles se mostram abertos. Se são sinceros, não sei. Estou falando de suas personas públicas.

Eles não se mostram como os campeões do conhecimento e da política. São pessoas simples, dispostas a mudar de opinião, e, como tal, são premiados com a empatia de milhões de pessoas.

Ciro Gomes também deveria aprender com isso.

Quando posa de “sabe tudo”, repete números decorados sobre o número de desempregados, ele ganha a admiração de alguns, mas essa não é a verdadeira empatia.

Isso explica, inclusive, suas dificuldades de conquistar o voto popular.

E explica também a força de Bolsonaro. A ignorância de Bolsonaro produz empatia, porque as pessoas também são ignorantes.

As pessoas perdoam a ignorância, todavia, mas não a estupidez. Sobretudo, desprezam aqueles que se recusam a aprender. Por isso Bolsonaro está em declínio.

Ciro comete erros, e as pessoas perdoam. Mas quando ele demonstra que se recusa a corrigi-los, ele perde a estima dos eleitores. Perdoa-se o erro, jamais a teimosia obtusa.

Digo isso, porque, dois dias antes dessa entrevista com o Flow, Ciro Gomes deu uma outra, ao humorista Rafinha Bastos, que também coordena um excelente programa de entrevistas, chamado “Mais que oito minutos”, no qual o candidato cometeu alguns lamentáveis erros.

Perguntado se repetiria o gesto de 2018, quando viajou a Paris após o resultado do segundo turno, se recusando a fazer campanha para Haddad, Ciro respondeu que iria mil vezes a Paris, e que não votaria em “bandido”.

Os ciristas mais esclarecidos tentaram explicar a frase dizendo que Ciro não havia se referido a Haddad. O “bandido”, no caso, seriam os políticos com os quais o PT se associou no segundo turno, tentando romper o isolamento político.

A emenda ficou pior que o soneto. Quase todos os eleitores de Ciro no segundo turno votaram em Haddad. Eles votaram em “bandido”? O raciocínio é um insulto a todos os eleitores de Ciro, portanto.

Ciro Gomes também resolveu insistir na tese de que Lula “não é inocente”, apesar de todos processos contra o ex-presidente terem sido anulados, porque não teria havido uma “absolvição” no sentido estrito do termo. Ora, Ciro é professor de Direito. A Constituição é muito clara. Todo cidadão tem a presunção da inocência. Se ele não é condenado, então é presumido inocente. Ponto final.

Tudo bem, houve corrupção nos governos petistas, e não se deve culpar Ciro por explorar isso. Deveria fazê-lo, porém, sem apelar para esse tipo de ilação medíocre, ainda mais numa sociedade tão traumatizada com o lavajatismo, que era a síntese da falta de respeito com esses princípios constitucionais mais básicos.

Entretanto, o maior erro de Ciro, em minha opinião, é a maneira preconceituosa com que usa o termo “lulopetismo”. Até pouco tempo, ele insistia em usar a horrorosa expressão “lulopetismo corrompido”.

A fala de Ciro contaminou sua militância, que passou a usar a expressão petismo ou lulopetismo com lamentável preconceito político.

A opção de tantos brasileiros de se associar politica ou ideologicamente ao PT ou a Lula, ou a ambos, deveria ser profundamente respeitada por um democrata. Ao se referir ao “lulopetismo” de maneira tão desrespeitosa, Ciro Gomes comete dois erros crassos, do ponto-de-vista de seus próprios interesses: ele abre espaço para o preconceito contra a sua própria militância, de um lado, e ajuda o “lulopetismo” a se reorganizar.

Se o “lulopetismo” é visto como uma chaga “moral”, então o “cirismo” também o será.

Se um brasileiro, numa roda de conterrâneos, fala mal do Brasil, isso é a coisa mais normal do mundo. Mas se um estrangeiro faz o mesmo, a reação natural é que todos os brasileiros se sintam unificados num sentimento de repúdio contra o estrangeiro. Da mesma forma, sempre que Ciro se refere ao lulopetismo de maneira tão negativa, ele ajuda o “lulopetismo” a colocar suas divergências de lado e a se reunir num sentimento unido de repúdio a… Ciro, e ao “cirismo”. Com isso, nenhum líder político tem ajudado tanto o petismo a se unificar como… Ciro Gomes.

Além de ser contraproducente, isso é eticamente equivocado, porque o que Ciro chama de “lulopetismo” é um conceito vago, abstrato, para se referir aos valores políticos e morais de milhares de militantes que estão nos movimentos sociais e nos sindicatos fazendo uma luta muito difícil.

Esses militantes podem não ser leitores da Mariana Mazzuctato, podem não ter uma consciência muito apurada sobre a necessidade de um projeto de reindustrialização do país, mas estão presentes nas lides populares, organizam manifestações, participam dessas pequenas (ou grandes) lutas sociais que dão vida à política nacional.

É um erro terrível tratar uma identidade social tão arraigada, capilarizada, com esse tipo de linguagem preconceituosa. Até porque generalizações são fúteis. Se há petistas autoritários, também há os que não o são. E isso valeria, de qualquer forma, para militantes de qualquer movimento, inclusive do “cirismo”, cujos defeitos e virtudes, hoje está claro, não são assim tão diferentes do que os de qualquer outro movimento de esquerda. Os ciristas frequentemente também cancelam, também agridem, também são “radicalzinhos”.

Não adianta Ciro Gomes posar de campeão do projeto nacional, de ter na ponta da língua todos os dados. O povo não quer um computador falante no poder. Em política, esse tipo de “força” não é tão importante assim. Assim como na natureza, não é o mais forte que vence, mas o que tem mais carisma, o que mostra saber se adaptar melhor às circunstâncias.

Ciro está conseguindo se consolidar como a única terceira via com alguma chance de crescer. Sergio Moro andou se engraçando novamente, nos últimos dias, com a possibilidade de ser candidato, e tomou um susto. Nem dar uma palestra consegue mais, tamanha a rejeição que tem na comunidade jurídica. É um candidato absolutamente inviável.

Os outros concorrentes de Ciro na terceira via também não apresentam nenhuma condição de se tornarem competitivos.

As análises de que a terceira via nunca teve chance no Brasil, por sua vez, me parecem truísmos idiotas, do tipo: “nunca alguém que ficou em terceiro lugar ficou em segundo lugar”.

Parece-me claro que não há nenhum impedimento “histórico” contra a terceira via, e a maior prova é a eleição de Bolsonaro.

O problema da terceira via não é a história e sim o fato de que a maioria das pessoas, segundo as pesquisas, ainda não se interessaram por nenhum candidato da terceira via. Enquanto isso, o tempo passa, as forças políticas e partidárias começam a se organizar e a estabelecer compromissos para 2022.

Além disso, o nome mais forte dessa terceira via, Ciro Gomes, comete erros sucessivos, ao passo que seu principal concorrente no campo progressista, Lula, tem costurado apoios com velocidade e astúcia impressionantes. Lula tem errado pouco.

Outro grave desafio de Ciro Gomes é de ordem ideológica. Seu objetivo hoje é remover Bolsonaro do segundo turno. Entretanto, Bolsonaro é hoje o principal representante do campo conservador. Seu problema, o de Bolsonaro, é ser conservador “demais”, ao ponto de constranger setores um pouco mais progressistas e esclarecidos desse campo. Entretanto, quando esses setores conservadores descontentes olham para Ciro, eles vêem um candidato ainda mais à esquerda do que Lula, tanto no campo econômico como no de costumes. Apesar dos esforços retóricos de Ciro de contornar isso, ele não consegue disfarçar que é favorável à descriminalização das drogas, por exemplo. Ciro é moderno nesse ponto, o que é uma grande qualidade política, mas um obstáculo eleitoral. Também é contra o tripé econômico, e isso ele definitivamente não disfarça. Enfim, é um candidato contra o qual o centro político encontra enormes resistências.

Nesse sentido, Ciro Gomes é o adversário ideal para Lula. Diferentemente de Marina Silva em 2014, que oferecia uma alternativa muito mais palatável às elites, Ciro Gomes é verdadeiramente um outsider, uma figura estranha à direita e à esquerda. E isso não é um elogio.

Se Ciro se mostrar capaz de aprender com seus próprios erros, e, sobretudo, rever sua postura preconceituosa e sectária contra a militância petista, ele poderá contribuir muito para qualificar o debate político e eleitoral em 2022.

Quanto a possibilidade dele ocupar a vaga no segundo turno que hoje parece destinada a Bolsonaro, as chances são remotas, mas existem, pois o presidente se mostra um verdadeiro psicopata que deveria estar na prisão.

Entretanto, se Ciro não corrigir seu rumo, se não demonstrar respeito pelos adversários de seu próprio campo político, ele pode até chegar ao segundo turno, mas ao custo de ter vendido sua alma. E essa será a pior derrota de todas.

____________________ * "Quando O Globo fará uma autocrítica?", questiona o jornalista José Chrispiniano

247 - O assessor de imprensa do ex-presidente Lula (PT), o jornalista José Chrispiano, cobrou uma autocrítica do jornal O Globo, por ter entregue o prêmio “Faz a Diferença” para o ex-juiz da Lava Jato de Curitiba, Sergio Moro, que condenou o petista sem provas e, assim, promoveu a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018.

“Será que o Globo pensa em pedir desculpas pelo prêmio ‘Faz a Diferença’ entregue em mãos para Sérgio Moro em 2015? Não há dúvidas que Sérgio Moro fez a diferença para eleger Bolsonaro”, argumenta o jornalista.

“O Globo até hoje esconde dos seus leitores o conteúdo das mensagens da operação Spoofing, que mostram procuradores da Lava Jato colaborando de forma irregular com autoridades estrangeiras, atuando politicamente contra o Partido dos Trabalhadores e rindo do fato de que quebrariam grupos nacionais que empregavam dezenas de milhares de brasileiros. Trabalhadores brasileiros que, no final das contas, foram os que mais sofreram, e seguem sofrendo, com a perseguição injusta contra Lula e o impacto dela nas eleições de 2018”, ressalta.

Leia nota publicada no portal do ex-presidente Lula

Quando O Globo fará uma autocrítica?

Por José Chrispiniano

No sábado, o jornalista Ascânio Seleme escreveu uma coluna que comete uma série de equívocos sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fatos recentes da história do Brasil.

Diferente do que foi publicado na abertura do texto, o ex-presidente hoje não está preparando uma segunda “carta aos brasileiros”, porque já foi presidente da República por dois mandatos exercidos democraticamente, dos quais saiu com 87% de aprovação. O bom momento vivido pelos brasileiros quando Lula foi presidente é mais eloquente do que qualquer carta.

O artigo também promove erros factuais já desmentidos – Lula nunca apelidou Paulo Roberto da Costa de “Paulinho” ou teve qualquer intimidade com ele, como o próprio Paulo Roberto já reconheceu em depoimento na justiça no dia 23 de novembro de 2016 – pra defender a tese absurda de que o ex-presidente teria que se desculpar por ter sido julgado por um juiz suspeito, condenado por “atos indeterminados”, ter sido preso inconstitucionalmente e impedido de disputar as eleições de 2018, em um ambiente de negação da política que levou a eleição de Jair Bolsonaro.

Será que o Globo pensa em pedir desculpas pelo prêmio “Faz a Diferença” entregue em mãos para Sérgio Moro em 2015? Não há dúvidas que Sérgio Moro fez a diferença para eleger Bolsonaro. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que ele publicou na semana da eleição de 2018 trechos da delação de Antonio Palocci – delação sem provas ou fatos, rejeitada até pelo Ministério Público – para influenciar no resultado eleitoral contra o PT. O Supremo também já atestou que Moro conduziu um julgamento incompetente e parcial para tirar das eleições de 2018 o favorito Lula, indo depois ser ministro da Justiça de Bolsonaro, onde tentou processar críticos do seu chefe com a Lei de Segurança Nacional, antes de sair do governo para viver, vacinado, nos Estados Unidos e trabalhar para escritório que lucra com a falência das empresas que ele quebrou.

Lula, por sua vez, foi inocentado em todos os processos julgados fora da vara de Moro, inclusive naquele que analisou, em Brasília, o chamado “quadrilhão do PT”, que indicaria se Lula tinha relação com desvios na Petrobras. O juiz foi claro quando arquivou a denúncia: ela não tinha elementos suficientes para processar Lula e se tratava de clara tentativa de “criminalização da política”.

Vai ficando cada vez mais claro, com amplas provas, que Moro, em conluio com os procuradores de Curitiba, corrompeu a causa do combate à corrupção: fecharam acordos com criminosos, que viraram delatores – nenhum deles hoje está preso – para criar uma narrativa e no processo destruiram empresas,  os setores de óleo e gás, as indústrias navais e de construção pesada. Fizeram o contrário do que seria correto, que seria punir criminosos e preservar empregos e empresas, como foi feito na Alemanha com a Siemens, na França com a Alstom e na Coreia do Sul com a Samsung, todas empresas que não foram destruídas por terem tido episódios de corrupção. Segundo estudo do Dieese, a Lava Jato destruiu 172 bilhões em investimentos potenciais e 4.4 milhões de empregos.

A perseguição política contra Lula e o PT, que contou com apoio acrítico de parte da imprensa brasileira, ajudou a levar ao poder Bolsonaro, o pior presidente do mundo no combate à pandemia do Covid, que nega a ciência e estimula a população contra medidas para proteger sua saúde, e é incapaz de uma palavra de solidariedade diante da morte de 500 mil brasileiros. E que também está desmontando todas as medidas de combate à corrupção e transparência implantadas pelos governos do PT.

O Globo até hoje esconde dos seus leitores o conteúdo das mensagens da operação Spoofing, que mostram procuradores da Lava Jato colaborando de forma irregular com autoridades estrangeiras, atuando politicamente contra o Partido dos Trabalhadores e rindo do fato de que quebrariam grupos nacionais que empregavam dezenas de milhares de brasileiros. Trabalhadores brasileiros que, no final das contas, foram os que mais sofreram, e seguem sofrendo, com a perseguição injusta contra Lula e o impacto dela nas eleições de 2018.

____________________ * Câmara dos Vereadores aprova projeto Reviver Centro, que busca revitalizar área central do Rio

No total, foram incluídas 51 emendas das 126 apresentadas ao longo da discussão na Casa, nesta terça-feira, dia 22
Projeto recebeu 126, das quais 51 foram aprovadas Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Projeto recebeu 126, das quais 51 foram aprovadas Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

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RIO — Após discutirem durante toda a tarde desta terça-feira, dia 22, o projeto Reviver Centro, os vereadores aprovaram no final da noite o pacote de medidas da prefeitura para incentivar a ocupação da região central do Rio, esvaziada ainda mais durante a pandemia. No total, foram apresentadas 126 emendas, sendo que 51 acabaram incluídas. O texto — já com as propostas que passaram pelo crivo da Câmara Municipal — recebeu 36 votos favoráveis e dez contrários, sem abstenções. Pelos cálculos da prefeitura, em dez anos, o Reviver Centro poderá elevar em cerca de 20% a população na área, hoje de cerca de 42 mil habitantes, de acordo com o IBGE.

O ponto mais polêmico apresentado pelo Executivo, e que passou na votação, envolvia a chamada Operação Interligada. A meta da operação é atrair investidores: os que fizerem obras para erguer ou reconverter imóveis no Centro e na Lapa poderão, mediante pagamento de contrapartida ao município, fazer construções com mais pavimentos no Leme, em Copacabana, em Ipanema e em áreas nobres da Zona Norte. Cerca de 500 imóveis, dos quais 200 na na Zona Sul, poderão sofrer intervenções dentro das novas regras estabelecidas.

Foram 36 fotos favoráveis à aprovação contra dez contrarios, sem abstenção Foto: Câmara dos Vereadores / Reprodução
Foram 36 fotos favoráveis à aprovação contra dez contrarios, sem abstenção Foto: Câmara dos Vereadores / Reprodução

— O que sempre faltava ao Centro era o componente econômico. O retrofit é muito desafiador, o custo é alto e segue uma lógica de reforma. Há pouca produção de retrofit no Brasil e no Rio. E o mercado imobiliário da cidade ou procura áreas que já são valorizadas ou grandes espaços na Zona Oeste. Tem sido assim nos últimos 20 anos, enquanto a produção no Centro é nula — afirmou o secretário municipal de Planejamento Urbano, Washington Fajardo, após a aprovação do pacote, defendendo a Operação Interligada, que foi alvo da oposição. — O objetivo de Reviver Centro é aumentar oferta e a demanda. Tivemos a preocupação de procurar um desenho urbanístico que atraia famílias, não só criando estúdios e lofts, com a reconversão de prédios comerciais e também sobrados e prédios históricos.

Devido à grande quantidade de emendas apresentadas, as negociações antes da votação foram complexas. As emendas foram dividas em blocos, sendo que cerca de 70 tinham posição desfavorável do governo, formando um único grupo que acabou rejeitado pela maioria. O secretário municipal de Governo e Integridade Pública, Marcelo Calero, acompanhou pessoalmente as discussões na Casa.

— Impedir a Operação Interligada é tornar o projeto inócuo — declarou antes da votação o líder do governo, Átila Nunes (DEM), sobre a emenda apresentada pelo PSOL que excluía a operação do pacote.

O vereador disse, que por outro lado, o governo era a favor da emenda que permite a reunião de diferentes imóveis no Centro para, com o instrumento da Operação Interligada, sejam feitos investimentos em outras regiões. Também foi incluída a criação do Distrito de Vivência e memória Africana, na área do Porto, perto da Praça Mauá. O objetivo é preservar os espaços históricos e a cultura africana com apoio das artes e da economia criativa.

De todas as emendas apresentadas, 70 era de autoria da vereadora Tainá de Paula (PT), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, que defendia a obrigatoriedade de estudos de impacto de vizinhança no Centro e nas áreas das zonas Sul e Norte que fazem parte da Operação Interligada. Uma emenda que gerou muita discussão e acabou aprovada é a que exclui a realização desses levantamentos, de autoria do do vereador Pedro Duarte (Novo).

— Queremos (com o projeto) atender a uma classe média que sequer existe na cidade do Rio de Janeiro — criticou Tainá, que defendia mais incentivos à produção de moradia para a população com renda entre zero e três salários mínimos e medidas direcionadas aos trabalhadores informais. — É importante que possamos permitir a inserção (no Reviver Centro) daqueles que mais sofrem e são mais vulneráveis.

Pelo projeto da prefeitura, os novos residenciais que destinarem no mínimo 20% das unidades para o Programa de Locação Social terão acréscimo do mesmo percentual no total de área edificável.

____________________ * 'Arco gigante' de galáxias que se estende por 3,3 bilhões de anos-luz não deveria existir, mas existe - Gizmodo Brasil

atualizado em
22 de junho de 2021 @ 20:12
Imagem: Jeremy Thomas/Unsplash

Um conglomerado de galáxias recém-descoberto está intrigando a comunidade científica por desafiar algumas das suposições mais básicas sobre o cosmos. O conjunto de constelações mede 3,3 bilhões de anos-luz e já figura entre as maiores estruturas no universo. A descoberta é de Alexia Lopez, doutoranda em cosmologia na University of Central Lancashire (UCLan), no Reino Unido.

Batizado de “Arco Gigante”, o arranjo consiste em galáxias, aglomerados galácticos e quantidades massivas de gás e poeira. O grupo está localizado a 9,2 bilhões de anos-luz de distância da Terra e se estende por cerca de um décimo quinto do universo observável. A princípio, acreditava-se que toda essa estrutura, por conta de sua complexidade, não pudesse ser real. No entanto, Lopez, com a ajuda de outros pesquisadores, concluíram que havia menos de 0,0003% de probabilidade do Arco Gigante não ser real.

O Arco Gigante. As regiões em cinza mostram áreas que absorvem magnésio, o que revela a distribuição e aglomerados de galáxias. Os pontos azuis mostram quasares de fundo. Imagem: Alexia Lopez/UCLan

Lopez afirma que sua descoberta foi “acidental”, e aconteceu enquanto montava mapas de objetos no céu noturno usando a luz de cerca de 120 mil quasares — núcleos distantes e brilhantes de galáxias onde buracos negros supermassivos estão consumindo material e expelindo energia.

Conforme essa luz passa pela matéria entre nós e os quasares, ela é absorvida por diferentes elementos, deixando traços reveladores que podem fornecer aos pesquisadores informações importantes. Em particular, Lopez usou marcas deixadas pelo magnésio para determinar a distância para o gás e poeira intervenientes, bem como a posição do material no céu noturno. Dessa forma, os quasares agem como se fossem holofotes, iluminando o que está escuro. Foi então que, no meio dos mapas cósmicos, Lopez reparou em uma estrutura brilhante que viria a reveçar o Arco Gigante.

Princípio cosmológico

O Arco Gigante é maior do que outros conjuntos enormes, como a Grande Muralha de Sloan e a Parede do Pólo Sul, cada uma delas diminuída por características cósmicas ainda maiores. O fato de que essas entidades colossais se aglomeraram em cantos específicos do cosmos indica que talvez o material não esteja distribuído uniformemente em todo o universo.

Por conta do tamanho colossal dessas estruturas, os astrônomos se perguntam se elas são compatíveis com o chamado princípio cosmológico. Essa é uma teoria que sugere que o universo é homogêneo (mesma densidade em todo lugar) e isotrópico (mesma aparência ao ser observado de qualquer direção). Logo, os observadores terrestres não ocupam uma posição observacional restritiva ou distorcida dentro do universo.

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