NISE KKKKKKKKKKK

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Biden anuncia novas medidas contra a disparidade racial em aniversário de 100 anos de massacre de negros

Médico, Otto Alencar desmascara Nise Yamaguchi: “não sabe o que é vírus, brincou com a cara do povo brasileiro”

Teste rápido após vacina contra covid: 4 razões para fugir dele, segundo cientistas

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Médico, Otto Alencar desmascara Nise Yamaguchi: “não sabe o que é vírus, brincou com a cara do povo brasileiro”

Nise Yamaguchi e Otto Alencar

247 - Conselheira de Jair Bolsonaro, a médica Nise Yamaguchi, defensora do tratamento precoce e da imunidade de rebanho, foi DESMASCARADA pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que também é MÉDICO, durante seu depoimento à CPI da Covid.

Otto Alencar fez uma série de perguntas a Nise, como os nomes dos pacientes que passaram por seus testes de tratamento precoce contra a Covid e sobre seu conhecimento a respeito do coronavírus.

“A senhora se TRANSFORMOU em INFECTOLOGISTA de uma hora para outra, como muitos no Brasil”, disse o parlamentar.

“Me diga por favor a DIFERENÇA entre um protozoário e um vírus”, pedi Otto. 

Nise responde que o primeiro tem um organismo celular e o vírus tem DNA ou RNA.

“Não é isso. Não é isso, não. A senhora não soube nem explicar o que é um vírus”, rebateu o senador.

Otto Alencar perguntou em seguida sobre se a médica sabia a qual família pertencia o coronavírus. 

Nise disse que sim e começou a remexer papéis. 

“Pode buscar nos livros, que a senhora tem aí porque a senhora não sabe. Não estudou. De MÉDICO AUDIOVISUAL esse plenário tá cansado. De gente que VIU e NÃO LEU, e não se aprofundou. Eu falo na condição de quem tem lido tudo sobre essa matéria”, respondeu o senador.

Otto Alencar indagou ainda: “A senhora fez exames pré-clínicos e clínicos para os pacientes nos quais usou hidroxicloroquina?” Nise começou a responder: “A hidroxicloroquina é usada há muitos anos...”. Otto: “Para OUTRA DOENÇA, minha senhora, para MALÁRIA. A senhora está ERRADA. A senhora apostou em uma droga que podia dar certo ou não. E a ciência, por mais que a senhora tenha curso, não admite isso: querer APOSTAR no ESCURO ”. 

O senador indagou também qual é o exame que tem que se fazer para saber se o paciente tem imunidade celular ou não, para saber se houve imunidade de rebanho e falou sobre algumas de suas conclusões e orientações médicas:

“A senhora não sabe a diferença entre protozoário e vírus. Uma medicação para protozoário (caso da cloroquina, desenvolvida para tratamento contra a Malária) nunca poderia ser recomendada contra um vírus”.

“A senhora brincou com o povo brasileiro ao falar em imunidade de rebanho, em tratamento por cloroquina”, disse ainda. “A senhora maculou a sua imagem tomando essa iniciativa. Pode ter sido na tentativa de querer ajudar, mas pode ter sido também para querer ser ministra da Saúde e não conseguiu”, completou.

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Renan: tivemos acareação entre Nise e seus vídeos e ficou comprovado que ela não foi verdadeira

Nise Yamaguchi e Renan Calheiros

247 - O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, afirmou que a médica Nise Yamaguchi não foi verdadeira em seu depoimento nesta terça-feira (1º). Isso porque ela foi confrontada com seus próprios vídeos durante o depoimento, o que Renan considerou uma espécie de “acareação”.

“Tivemos a primeira acareação da CPI: Dra. Nise Yamaguchi com seus próprios vídeos. Ficou comprovado que a doutora presencial é uma e a dos vídeos a desmente categoricamente. Lamento dizer que ela não foi verdadeira. Por mais suave que tenha sido, suas palavras feriram os fatos”, comentou o senador no Twitter.

Em vários momentos, Nise deu declarações na CPI diferentes das que havia feito nos vídeos apresentados. Em um deles, ela disse por exemplo que o tratamento com cloroquina dispensava a prevenção contra a Covid-19 e defendeu a imunidade de rebanho da população para combater a infecção. Pessoalmente, defendeu a vacina.

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Aziz questiona Nise: 'como chama um cabra que nunca passou na faculdade e prescreve remédio? Para mim, é charlatão'

Nise Yamaguchi e Omar Aziz

247 - Presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) fez uma clara crítica a Jair Bolsonaro na sessão desta terça-feira (1), mesmo sem tê-lo citado nominalmente.

Aziz perguntou à depoente, a médica Nise Yamaguchi, defensora do suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19, como ela classificaria um "cabra" que "nunca passou na porta de uma faculdade" e que prescreve medicamentos deliberadamente.

"Vou fazer uma pergunta para a senhora, que é médica. A senhora passou no mínimo seis anos para se formar, para se graduar em medicina. Alguns anos ficou em residência. Em alguns outros muitos anos fazendo especialização. A senhora prescreve medicamento, com certeza. Como é que a senhora chama um 'cabra' que nunca passou na porta de uma faculdade e que prescreve remédio? Como é o nome de um 'cabra' desse para a senhora?", questionou.

Após a médica se esquivar, o senador cravou: "quero saber o nome. No meu estado é charlatão. No seu eu não sei qual é".

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Aras se manifesta contra ação que questiona relatório dos jornalistas "detratores" de Bolsonaro

Jair Bolsonaro cochicha com procurador-geral da República, Augusto Aras

247 - O procurador-geral da República, Augusto Aras, voltou a BLINDAR Jair Bolsonaro e manifestou-se contrário a ação apresentada pelo Partido Verde (PV) sobre os relatórios feitos pelo governo federal para monitorar jornalistas, nos MESMOS MOLDES dos realizados pelos órgãos de REPRESSÃO durante a DITADURA MILITAR, especialmente os DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social). 

A informação foi revelada pelo jornalista Rubens Valente, do UOL, em dezembro de 2020.

Para Aras, os relatórios tratavam-se apenas de um "trabalho que compila as principais tendências das redes sociais" sobre "assuntos de interesse público em debate na sociedade".

"Pode-se comparar o serviço de monitoramento de redes sociais aqui em exame àquele que muitos órgãos públicos utilizam: o clipping de notícias", declarou Aras em manifestação enviada nesta segunda-feira (31) à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia.

Os relatórios do governo classificavam jornalistas e influenciadores como "detratores", "neutros informativos" ou "favoráveis".

O PV argumenta que os documentos evidenciam uma "LESÃO ao PRECEITO da LIBERDADE de expressão, além de indícios de desvio de finalidade na prática de contratação de empresa PRIVADA com verba PÚBLICA a fim de monitorar perfis em redes sociais de parlamentares e jornalistas".

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CPI: estudo citado por Nise para defender cloroquina foi descontinuado em dezembro, aponta Alessandro Vieira

Nise Yamaguchi e Alessandro Vieira

Revista Fórum - Durante audiência da CPI do Genocídio com participação da oncologista Nise Yamaguchi, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) destacou que o estudo usado por ela para defender o suposto “tratamento precoce” com hidroxicloroquina contra a Covid-19 foi encerrado sem uma conclusão final.

“Ainda tenho a expectativa que um dia a senhora consiga fazer a volta e recuperar a credibilidade. Mas é inaceitável uma profissional de alta qualidade rejeitar estudos técnicos de entidades qualificadas e tentar valorizar ou divulgar estudos que foram encerrados, como é o estudo do [Sistema de Saúde] Henry Ford, por exemplo”, disse Vieira.

O senador, então, questiona a médica: “A senhora sabe que esse estudo foi descontinuado porque não gerou os resultados que a senhora está dizendo? A senhora sabe disso? A senhora tem conhecimento que esse estudo que a senhora citou para essa CPI como lastro científico foi descontinuado porque NÃO indicou NENHUM resultado que indicasse proveito da hidroxicloroquina?”.

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Vacinação contra Covid recua em maio e Brasil tem 5 milhões sem tomar segunda dose

Reuters - A interrupção na produção de vacinas por falta de insumos provocou um atraso na já lenta campanha de imunização brasileira contra a Covid-19 em maio e contribuiu para elevar o número de pessoas que não tomaram a segunda dose para 5 milhões, mais um revés para o Brasil, que se aproxima da marca de 500 mil óbitos no país.

Depois de aplicar mais de 24,5 milhões de vacinas em abril, o Brasil administrou 21 milhões de injeções de imunizantes contra o novo coronavírus no mês passado, um recuo de 14,2%, de acordo com dados compilados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) junto às Secretarias Estaduais de Saúde.

A queda ocorreu exclusivamente na aplicação das segundas doses, que passou de 10,6 milhões em abril para 6,6 milhões em maio -- mês em que o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) paralisaram suas linhas de produção temporariamente por falta de insumos, respectivamente, das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, cerca de 5 milhões de pessoas não compareceram para tomar a segunda dose de ambos os imunizantes desde o início da campanha de imunização.

"O Conass está conversando com o Ministério e vendo o que consegue fazer para acelerar a vacinação", disse ele à Reuters.

Até o momento, o Brasil vacinou 21,5% da população com uma dose contra a Covid-19, mas menos da metade (10,5%) com as duas doses, segundo dados do Ministério da Saúde. O país é o segundo do mundo com mais óbitos pela doença, atrás dos Estados Unidos, com mais de 462 mil mortes, e tem média nos últimos 7 dias de mais de 1.800 mortes a cada 24 horas.

O ritmo lento da campanha de imunização, junto com o afrouxamento das medidas de restrição de circulação, colocam o Brasil a caminho de um agravamento ainda maior da pandemia nas próximas semanas, com risco de se tornar o país com o maior número de vítimas fatais da Covid no mundo, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.

No mês de junho, o ministério tem a expectativa de entregar aos Estados 41,9 milhões de doses, sendo 20,9 milhões de doses da vacina da AstraZeneca fornecidas pela Fiocruz; 12 milhões de doses da vacina da Pfizer; 5 milhões de doses da Coronavac e 4 milhões de vacinas a serem recebidas por meio do programa global Covax.

SEM CORONAVAC

O maior problema no atraso da segunda dose diz respeito à Coronavac, devido a uma escassez de doses no país em decorrência da falta do insumo farmacêutico ativo (IFA) enviado pela China ao Butantan.

A vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac foi aplicada como primeira dose em 20,7 milhões de brasileiros desde o início da campanha em janeiro, mas apenas 17,8 milhões receberam a segunda dose, de acordo com dados da plataforma de vacinação do Ministério da Saúde atualizados até 31 de maio.

Os dados do ministério não especificam se as quase 3 milhões de pessoas que não tomaram a segunda dose estão dentro ou fora do prazo estipulado em bula de até 28 dias entre as doses, mas desde o mês passado a vacina tem sido utilizada exclusivamente para a dose de reforço e cidades de todo o país têm reclamado da falta do imunizante para completar o esquema vacinal dentro do prazo previsto.

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) na semana passada apontou que em ao menos 435 cidades brasileiras houve falta de doses da Coronavac para a segunda dose.

"Houve uma falta da Coronavac, que ficou muito restrita, e mesmo assim para vários locais não tem Coronavac", disse à Reuters o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). "A gente vai ter um percentual de pessoas que estão aguardando e ainda vão continuar aguardando, isso atrapalha todo o andamento."

A última entrega do instituto ao Ministério da Saúde ocorreu em 14 de maio e a próxima será apenas em meados de junho, após a chegada de um novo lote de IFA na semana passada. Segundo o Butantan, declarações do presidente Jair Bolsonaro --que chegou a dizer que a vacina jamais seria usada no Brasil-- contra a China podem ter contribuído para um atraso na exportação pelos chineses.

Procurado, o Ministério da Saúde não informou o número de pessoas que não compareceram para tomar a segunda dose das vacinas contra a Covid. Em abril, quando divulgou seu único balanço a respeito, a pasta informou que 1,5 milhão de pessoas estavam com a segunda dose atrasada.

A pasta informou em nota que enviou o quantitativo necessário para completar o esquema vacinal com a segunda dose. "Mais de 5 milhões de vacinas Coronavac foram enviadas entre os dias 7 e 19 de maio, após o levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)", disse.

Inicialmente, o Ministério da Saúde enviava as doses da Coronavac aos Estados com recomendação para divisão entre doses 1 e 2 e orientação para armazenamento da segunda dose, mas a pasta mudou essa orientação em março, autorizando a aplicação de todas as vacinas como primeira dose, afirmando ter garantia de entrega de vacinas pelos fornecedores -- o que acabou não se concretizando.

"FAKE NEWS"

No caso da vacina da AstraZeneca, que tem maior disponibilidade de doses atualmente e poucos relatos de falta de vacinas, praticamente todas as injeções têm sido destinadas à primeira dose para ampliar o número de pessoas imunizadas em um esforço para conter a pandemia.

A estratégia, porém, também pode representar um risco se houver interrupção de fornecimento do IFA --que também é proveniente da China-- quando chegar o momento da dose de reforço.

"A AstraZeneca tem essa facilidade desse período maior, de 3 meses, entre as doses, mas mesmo assim está sendo aplicada muita primeira dose e o Brasil precisa se organizar para que as segundas doses não vençam quase todas juntas e a gente não tenha como vacinar as pessoas, porque se a gente tiver interrupção no cronograma vai acontecer o que está acontecendo com a Coronavac agora, vai acontecer com a AstraZeneca", disse o pesquisador em saúde pública Diego Xavier, da Fiocruz.

Além da escassez de vacinas, há outras questões por trás do não comparecimento para se tomar a segunda dose, como boatos contra a vacina, falta de informação sobre a importação do reforço e a desistência de pessoas que tiveram efeitos colaterais normais após a primeira dose, de acordo com especialistas.

"As pessoas estão com dois temores em relação à segunda dose, dois tipos de ´fake news': não precisa da segunda dose, a primeira já protege, e a outra é que a vacina é perigosa. As duas coisas prejudicam a campanha de vacinação", disse o pesquisador Christovam Barcellos, coordenador do Laboratório de Informação em Saúde da Fiocruz.

"Com uma campanha bem feita, pouquíssima gente se nega a tomar a vacina. Tem que reforçar a ideia de que a pessoa tem que retornar e até mesmo levar a vacina até a casa das pessoas que têm dificuldades para ir aos locais de vacinação", acrescentou.

Apesar de ter prometido ainda em abril lançar uma campanha para reforçar a necessidade da segunda dose, até o momento o Ministério da Saúde não avançou em nenhum programa nesse sentido.

"Ainda há uma comunicação inadequada para falar da importância da segunda dose", disse a epidemiologista Carla Domingues, ex-chefe do Programa Nacional de Imunização.

A importância da segunda dose tem sido confirmada em diversos estudos com as vacinas pelo mundo. No caso específico da CoronaVac, o imunizante tem eficácia de apenas 16% para evitar uma infecção sintomática em pessoas que receberam apenas uma dose, de acordo com estudo realizado pelo Ministério da Saúde do Chile.

Um estudo do Butantan na cidade de Serrana, no interior de SP, mostrou uma redução de 95% nas mortes por Covid-19 após a imunização com as duas doses, mas cinco pessoas acima de 60 anos morreram no intervalo entre as duas aplicações.

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Negacionista, Nise confessa que se recusou a tomar vacina mesmo estando em grupo prioritário

Nise Hitomi Yamaguchi em depoimento na CPI da Covid no Senado

247 - A médica Nise Yamaguchi afirmou em seu depoimento à CPI da Covid que já teve Covid-19 e que, embora esteja incluída no grupo prioritário da área de saúde, não se vacinou por ser portadora da Síndrome de Raynaud, uma doença autoimune. A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), porém, indica que tais pessoas são do grupo prioritário para imunização contra a doença. 

"Eu já tive covid e eu não posso me vacinar porque eu tenho uma doença autoimune. Existem pessoas que não podem se vacinar como aquelas que têm vasculites – é o meu caso, eu tenho Síndrome de Raynaud, outras pessoas que têm doenças maiores, hepáticas ou renais, em situações graves”, afirmou Nise nesta terça-feira (1). 

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, porém, o site da SBR destaca que ser portador de uma doença autoimunes não é um impeditivo definitivo à vacinação e que, dependendo da fase da doença, o caso deve ser discutido com um médico. 

"A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) destaca que essas pessoas foram incluídas no grupo prioritário para vacinação contra o novo coronavírus, dentre os descritos com comorbidades. Neste grupo, estão portadores de artrite reumatoide, espondiloartrites, artrite psoriásica, lúpus, a esclerose sistêmica (esclerodermia), síndrome de Sjögren, miopatias inflamatórias e as vasculites", diz a SBR em seu site. A Síndrome de Raynaud, citada por Nise Yamaguchi, é uma vasculite.

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Nise revela que participou de reuniões com Arthur Weintraub e Carlos Wizard para discutir cloroquina

Nise Yamaguchi, Carlos Wizard e Arthur Weintraub

247 - Em depoimento na CPI da Covid no Senado nesta terça-feira (1), a médica Nise Yamaguchi revelou que participou de reuniões com o empresário Carlos Wizard e o olavista Arthur Weintraub para discutir tratamentos da Covid-19. 

Segundo a médica, Wizard integrou um "conselho científico independente". Ela disse que participou de duas reuniões presenciais com o bilionário sobre o uso da hidroxicloroquina no "tratamento precoce" da Covid-19. 

Sobre Weintraub, Nise disse que ele discutiu com ela em diversas ocasiões "a possibilidade de médicos prescreverem esses medicamentos". Ela revelou que o olavista esteve em reuniões dos Médicos Pela Vida.

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Mudança na bula da cloroquina: veja minuta entregue por Nise Yamaguchi à CPI da Covid

Nise Yamaguchi

247 - A médica Nise Yamaguchi, em depoimento à CPI da Covid-19 nesta terça-feira (1), entregou aos senadores o que diz ter sido a minuta do decreto presidencial que, segundo o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, tinha por objetivo alterar a bula da cloroquina para incluir a Covid-19 entre as doenças para as quais o medicamento é indicado.

O documento foi obtido por Valdo Cruz, do G1.

Segundo Nise, o esboço do decreto não tratava de alteração na bula, e sim da distribuição do medicamento pelo país.

Ela relatou que a minuta foi apresentada por um médico e que tinha potencial de expor Bolsonaro.

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Nise Yamaguchi entrega a cabeça de um personagem central da trama da cloroquina: o tenente Luciano Dias Azevedo, da Marinha

Luciano Dias Azevedo, Jair Bolsonaro e Nise Yamaguchi

247 - Depoente desta terça-feira na CPI da Covid, a médica Nise Yamaguchi trouxe elementos que jogam luzes sobre um personagem central na trama da cloroquina: o tenente-médico Luciano Dias Azevedo, que tentou empurrar o remédio ineficaz contra a covid-19 à toda a população brasileira, por meio da rede pública de saúde. "Oi Luciano este decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta a pesquisa clínica. Tem normas próprias. Exporia muito o Presidente", disse Nise Yamaguchi, no documento levado à CPI. Luciano foi o autor da minuta do decreto que mudaria a bula da cloroquina.

Saiba mais em reportagem da Reuters:

Por Ricardo Brito (Reuters) - A médica Nise Yamaguchi apresentou nesta terça-feira à CPI da Covid do Senado a minuta de um decreto discutido pelo governo que permitiria o uso em toda a rede pública da cloroquina e outras medicações sem eficácia comprovada contra a Covid-19, segundo cópia do documento entregue por ela à CPI e visto pela Reuters.

No documento que teve sua autenticidade reconhecida em um Cartório de Notas, Nise reproduz toda a minuta e faz um alerta sobre a sua eventual divulgação, que poderia comprometer o presidente Jair Bolsonaro.

"Oi Luciano este decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta a pesquisa clínica. Tem normas próprias. Exporia muito o Presidente", alertou.

A discussão sobre a confecção pelo governo de um decreto que poderia liberar um uso em massa da cloroquina e outras medicações sem eficácia comprovada contra Covid-19 foi revelada em depoimentos anteriores na CPI, como do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

Na minuta de decreto entregue à CPI, consta que a "adesão ao tratamento medicamentoso ora em estudo da Covid" deverá ser acordado entre médico e paciente, sendo que este último deveria assinar um termo de livre consentimento.

No depoimento à CPI, Nise continuou a defender o uso da cloroquina e outras medicações do chamado tratamento precoce. No entanto, a médica negou que tenha havido uma minuta de decreto para mudar a bula da cloroquina para incluir o medicamento no tratamento contra a doença.

Ela também negou ter feito parte de um gabinete paralelo que tomaria decisões sobre o enfrentamento da pandemia à revelia de orientações dadas pelo Ministério da Saúde, mas admitiu ter atuado como uma espécie de "consultora eventual" do governo.

A médica chegou a receber diárias do governo por esse último trabalho e, na documentação que entregou à CPI, fez uma devolução de 224,20 reais em diárias que disse ter recebido a mais para desempenhar o seu trabalho.

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“Exporia muito o presidente”, escreveu Nise Yamaguchi sobre minuta de decreto da cloroquina

Nise Yamaguchi e Jair Bolsonaro

247 - A médica Nise Yamaguchi, que depõe nesta terça-feira (1º) à CPI da Covid no Senado, entregou à comissão um documento no qual contém o registro de uma troca de mensagens por WhatsApp entre ela e um médico chamado Luciano Dias Azevedo, revela reportagem da CNN.

A conversa aconteceu no dia 6 de abril de 2020. Na mensagem, Nise recebe uma minuta de decreto que trata da distribuição de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina a “toda rede de saúde”, e que ela negou diversas vezes aos senadores se tratar de uma tentativa de mudança da bula da cloroquina, como foi questionada e como haviam relatado o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, e o ex-ministro da Saúde Nelson Teich.

Ao fim da mensagem, a médica questiona: “Oi, Luciano. Este decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta a pesquisa clínica. Tem normas próprias. Exporia muito o Presidente”.

De acordo com o texto, médico e paciente decidiriam pela “adesão ao uso experimental das medicações descritas na doença Covid-19 no intuito de tratar e iniciar protocolos de pesquisas clínicas”. O acompanhamento clínico do paciente seria de forma obrigatória e seguindo “protocolos de tratamento estabelecidos na atualidade”.

Durante seu depoimento à CPI, Nise Yamaguchi, que é defensora da cloroquina, do tratamento precoce e da imunidade de rebanho contra a Covid-19 negou que houve tentativa de alterar a bula do medicamento para incluir o tratamento contra a doença. “Não existiu ideia de mudança de bula por minuta ou decreto”, disse. Segundo ela, a minuta citada por outros depoentes falava da possibilidade de disponibilização de medicamentos.

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Acossado pela CPI, Bolsonaro agora tenta se vender como pró-vacina

Bolsonaro e vacina

Juliana Barbosa, Metrópoles - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou o Twitter para comemorar a marca de 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 distribuídas aos estados. Segundo o chefe do Executivo, a notícia não é “tão boa para os que torcem contra o próprio país”.

A farmacêutica Pfizer envia ao Brasil, nesta terça-feira (1º/6), a primeira remessa de vacinas contra a Covid-19 para o mês de junho. Nos próximos 30 dias, a empresa deve mandar um total de 12 milhões de unidades ao país. O primeiro lote conta com 936 mil unidades e deve pousar no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), por volta das 20h.

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Ex-ministro de Lula, Temporão nega que Nise Yamaguchi trabalhou em crise da H1N1 nos governos do PT

José Gomes Temporão e Nise Yamaguchi

GGN - médica Nise Yamaguchi disse em depoimento à CPI da Covid, na manhã desta terça (1/6), que não tem governo de estimação e que trabalhou para o Ministério da Saúde nos governos Lula e Dilma, na gestão dos ex-ministros José Gomes Temporão e Alexandre Padilha. 

Nise ainda frisou que no surto de H1N1, ela foi defensora do uso off-label (ou seja, fora da bula) do Tamiflu para tratar a doença.

“Eu não estou aqui para defender um governo, mas para defender o povo brasileiro”, disse Nise.

“Eu sou uma colaboradora eventual de qualquer governo que precise de mim”, reafirmou, citando trabalhos também em outros países, como Chile, México e Canadá.

De acordo com a jornalista Daniela Lima, da CNN Brasil, Temporão teria procurado a CPI para desmentir Nise.

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A médica Nise Yamaguchi em depoimento à CPI da Covid

No início de julho de 2020, a médica Nise Yamaguchi disse à TV Brasil que a imunidade de rebanho seria atingida “sem muitos traumas”.

No dia da entrevista, o país registrava 61.990 mortes pela Covid. Depois disso, o número disparou. Ontem chegou a 462.966.

Nise depõe à CPI como integrante do chamado “gabinete paralelo”, que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro na contramão das diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

Questionada pelo senador Renan Calheiros, Nise agora tenta explicar a defesa da tese macabra.

— Nós tínhamos uma realidade diferente. Para aquele momento, a discussão era pertinente — justificou-se.

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Oito contradições de Nise Yamaguchi na CPI da Covid

Médica defensora da cloroquina deu declarações contraditórias que vão desde dosagens do medicamento para tratar a Covid-19 à vacinação para pessoas em grupos de risco
Camila Zarur
01/06/2021 - 16:24 / Atualizado em 01/06/2021 - 17:33
Médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi durante CPI da Covid Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi durante CPI da Covid Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

RIO — A oncologista e imunologista Nise Yamaguchi deu ao menos oito declarações contraditórias em seu depoimento à CPI da Covid, no Senado, nesta terça-feira. As contradições da médica defensora da cloroquina, cuja eficácia não é comprovada para o tratamento da Covid-19, vão desde as dosagens do medicamento  à vacinação para pessoas em grupos de risco e encontros que teve com o presidente Jair Bolsonaro. Yamaguchi também divergiu dos depoimentos do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta e do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, sobre a minuta para mudar a bula da cloroquina.

Veja as contradições da médica:

Doença autoimune e vacinação

Ao ser questionada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) se a médica já teria sido vacinada contra o novo coronavírus, Yamaguchi respondeu que não poderia ser imunizada por ter uma doença autoimune.

— Eu não posso me vacinar, porque tenho uma doença autoimune — disse a médica, que depois afirmou: — Existem pessoas que não podem se vacinar, principalmente aquelas que têm vasculites, como é o meu caso, eu tenho uma síndrome de Raynaud. Outras pessoas que têm doenças maiores, hepáticas ou renais que sejam situações graves.

No entanto, a Sociedade Brasileira de Reumatologia já explicou que pacientes com doenças autoimunes reumatológicas, como é o caso de Yamaguchi, fazem parte do grupo prioritário para a vacinação contra a Covid-19. 

A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) também afirmou que pessoas com doenças autoimunes devem receber a vacina contra a Covid.

Dosagem alta de cloroquina

Durante a sessão desta terça-feira, Nisa Yamaguchi citou um estudo feito em Manaus para analisar o impacto de diferentes dosagens da cloroquina em pacientes com a Covid-19.  

— Eu conversei com os técnicos sobre dosagens da cloroquina, que não poderiam ser muito altas, porque havia saído recentemente um artigo com as doses tóxicas utilizadas num estudo de Manaus. Eu tomei o cuidado, então, de esclarecer que as doses deveriam ser mais baixas — afirmou a médica. 

A pesquisa, feita em março do ano passado, foi suspensa após a morte de 22 pacientes analisados. No entanto, conforme o próprio estudo concluiu, nenhuma morte estava ligada diretamente ao uso da droga. Além disso, os óbitos também não foram exclusivos àqueles que tomaram a maior dosagem do remédio — 16 morreram enquanto estava no regime de alta dose, enquanto seis morreram tomando a dosagem mais baixa. 

O mesmo estudo foi citado de forma enganosa pela secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, em seu depoimento à CPI. 

Mudança na bula

Yamaguchi afirmou que não discutiu a mudança na bula da cloroquina para indicar que o medicamento poderia ser usado para tratar a Covid-19. A fala contradisse o depoimento do ex-ministro Mandetta e do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

A declaração da médica foi uma resposta ao relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), que questionou se em uma reunião em abril do ano passado foi discutida a alteração da bula

— Não. Inclusive, depois da reunião, eu descobri que eles estavam se referindo a uma minuta, e essa minuta jamais falava de bula, ela falava sobre a possibilidade de haver uma disponibilização de medicamento — afirmou. 

Tanto Mandetta quanto Barra Torres afirmaram na CPI que, na reunião, foi falado sobre a possibilidade de mudar a indicação para o uso da cloroquina. Com a afirmação de Yamaguchi, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), disse que poderia fazer uma acareação com a médica e o presidente da Anvisa sobre o caso. 

Encontros com o presidente

A médica oncologista afirmou que nunca teve um encontro privado com Bolsonaro. No entanto, de acordo com agenda oficial de Bolsonaro, os dois tiveram uma reunião a sós no dia 15 de maio do ano passado. Além disso, há também o registro de ao menos outras três reuniões entre Bolsonaro e Yamaguchi com a presença de demais pessoas. 

Confira as datas que o presidente se reuniu com a médica: 

  • 6 de abril de 2020 — Além de Nise Yamaguchi, estavam o anestesista Luciano Dias Azevedo e o deputados Osmar Terra. Havia a presença de alguns ministros, mas não de Luiz Henrique Mandetta, à época no comando da Saúde.
  • 15 de maio de 2020 — Nise Yamaguchi em reunião a sós com Bolsonaro
  • 21 de maio de 2020 — Nise Yamaguchi, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco, ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella.
  • 8 de setembro de 2020 - Nise Yamaguchi e integrantes do grupo "Médicos pela Vida", que defende o uso de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19

Sondada para Ministério da Saúde

Questionada por Renan Calheiros se foi convidada por Bolsonaro para ser ministra da Saúde ou integrar o gabinete de crise, Yamaguchi negou. A médica repetiu que não foi chamada para chefiar a pasta em diversos momentos da CPI.

— Reitero que o presidente nunca me convidou para ser Ministra da Saúde — enfatizou.

No entanto, em entrevista à Veja em julho do ano passado, a médica falou sobre a possibilidade assumir o ministério. Yamaguchi foi cotada para o cargo logo após a saída de Nelson Teich da pasta. 

— Ele não precisa me sondar, ele já me conhece. A gente conversa direto. O bom para mim é que eu já passei pelos escrutínios. Porque falavam que eu era do PT, que eu era melancia, vermelha por dentro, verde por fora. Se eu tiver que ir por ministério, eu abro mão do salário, fico de segunda a sexta. Entro de férias sexta à noite e volto segunda de manhã — disse a médica na entrevista gravada em vídeo. 

Eficácia do lockdown em Nova York

À comissão, Yamaguchi afirmou que o governador de Nova York, Andrew Cuomo, havia apresentado um estudo que mostrava a ineficácia do lockdown para conter o contágio do novo coronavírus. 

— Esse dado foi dado pelo governador de Nova York. Eles fizeram um estudo mostrando que os pacientes vinham de casa e que o lockdown somente não resolveria o problema — disse.

A fala faz referência a um levantamento feito no estado americano, que indicou que 66% dos novos pacientes em Nova York eram pessoas que estavam isoladas em casa. No entanto, diferentemente do que disse Yamaguchi, Cuomo afirmou que o contágio aconteceu justamente porque havia pessoas que não respeitavam o isolamento social e, por isso, levavam o vírus para casa. Ele disse ainda que a medida de restrição funcionava bem. 

OMS sobre lockdown

Ainda sobre o lockdown, medida restritiva mais rígida para que a população fique em casa e só saia em casos essenciais, Yamaguchi afirmou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não tinha uma orientação definida para a restrição em junho do ano passado.

—  A própria Organização Mundial da Saúde não sabia se deveria fazer lockdowns absolutos, lockdowns horizontais — afirmou.

A entidade internacional, no entanto, já falava sobre lockdown naquela — a medida havia sido adotada por alguns países da Europa, o então epicentro da doença no mundo. A OMS também orienta, em suas diretrizes sobre a pandemia, que a “medidas de distanciamento físico em grande escala e restrições de movimento, muitas vezes referidas como "lockdowns", podem retardar a transmissão da Covid-19, limitando o contato entre as pessoas”.

Estudo da Henry Ford Foundation

Ao longo da sessão desta terça-feira, Nise Yamaguchi, defendeu a eficácia da cloroquina no tratamento para a Covid-19. Em um desses momentos, citou um estudo feito pela Henry Ford Foundation.

— Então, a gente tem realmente uma eficácia comprovada, através da Henry Ford Foundation

O estudo em questão, feito entre março e maio do ano passado, afirma que a taxa de mortalidade entre os pacientes analisados poderia estar associada ao tratamento com a hidroxicloroquina, seja sozinha ou associada à azitromicina. No entanto, a própria pesquisa afirmava em sua conclusão que eram necessários mais estudos para comprovar o impacto e eficácia dos medicamentos.

Além disso, uma metanálise publicada pela revista britânica “Nature”, em abril deste ano, concluiu que não há eficácia no uso da cloroquina e, no caso da hidroxicloroquina, há uma relação do uso da droga com o aumento na mortalidade de pacientes com a Covid-19. Essa pesquisa foi assinada por 94 cientistas e analisou colaborativamente 28 ensaios clínicos publicados ou não, nos quais participaram 10.319 pacientes.

A pesquisa da Henry Ford também é um estudo retrospectivo, isto é, baseado em dados anteriores ao momento em que se iniciou o estudo. No caso dessa pesquisa, foi analisado o prontuário dos pacientes que tomaram os medicamentos. Já a metanalise publicada na "Nature" era um estudo prospectivo, que acompanha os pacientes ao longo do tempo da pesquisa. Além disso, foi escolhido de forma aleatória aqueles tomariam a cloroquina, o que diminui as chances de interferência de fatores que poderiam ser associados com o prognóstico.

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Com estudo científico, Otto Alencar rebate defesa ao tratamento precoce propagandeada por Nise Yamaguchi

Médico, o senador classificou as declarações da imunologista como “levianas”. Medicamentos têm ineficácia comprovada contra a Covid-19
Melissa Duarte, Natália Portinari e André de Souza
01/06/2021 - 15:35 / Atualizado em 01/06/2021 - 18:30
Em pronunciamento na CPI da Covid, senador Otto Alencar (PSD-BA) Foto: Jefferson Rudy / Jefferson Rudy/Agência SenadoAg
Em pronunciamento na CPI da Covid, senador Otto Alencar (PSD-BA) Foto: Jefferson Rudy / Jefferson Rudy/Agência SenadoAg

BRASÍLIA — Médico por formação, o senador Otto Alencar (PSD-BA) apontou falhas e refutou declarações da oncologista e imunologista Nise Yamaguchi acerca do tratamento precoce. Também apresentou estudou do Hospital Israelita Albert Einstein, onde ela trabalhou, que mostra que a cloroquina “não tem efeito em pacientes leves e moderados” com Covid-19.

— Como é que a senhora, com a responsabilidade que tem, diz que tratou 370 e tantos doentes, sem comprovar os doentes, sem mostrar os exames? Isso é leviano! Não dá para dizer que tratou e não apresentar comprovação. (...) Isso não é honesto. É fundamental que façam exames para mostrar a evolução do paciente — rechaçou.

Medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, que integram o kit Covid, têm ineficácia comprovada contra a Covid-19. O rol de remédios é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e apoiadores. 

— A senhora apostou numa droga (cloroquina) que poderia dar certo ou não. Essa é a grande realidade e a ciência, doutora, por mais que a senhora seja formada e tenha cursos, não admite isto de se apostar no escuro, querer testar uma droga para ver se dá certo ou errado — criticou Otto.

Nise tergiversou quando indagada sobre a diferença entre vírus e protozoário, microrganismo unicelular causador a malária, doença para a qual a cloroquina é indicada — assim como lúpus e artrite reumatoide.

— A senhora não é infectologista, se transformou de uma hora para a outra. (...) A senhora não soube nem explicar o que é um vírus. Vírus não são nem considerados seres vivos. Portanto, uma medicação contra protozoário nunca cabe para vírus. Quando surgiu H1N1, a ciência foi atrás de um medicamento antiprotozoário ou antiviral?

— Foi um antiviral — respondeu Nise.

— Pois bem, não foi um antiprotozoário. (...) A senhora sabe a que família, a que grupo pertence a Covid-19?

— Ao Coronaviridae. Ele é um coronavírus.

— A senhora não sabe nada de infectologia. Nem estudou, doutora. A senhora foi aleatória mesmo, superficial. A Covid-19 é da família dos betacoronavírus.

— Sim...

— A senhora não disse. (...) A senhora sabe quando aconteceu a primeira manifestação do coronavírus no mundo, o primeiro caso? A senhora sabe a data?

— Sei.

— E que tipo de coronavírus foi?

— Exatamente.

— Diga o nome, diga o nome. Pode pegar os livros aí, porque a senhora certamente não leu, não estudou. Ih, doutora, de médico audiovisual esse plenário está cansado. De alguém que viu e ouviu, mas não leu, não se aprofundou e não tem estudado.

A assessora de comunicação de Yamaguchi, Jane Silva, disse ter sido expulsa da reunião pelo presidente da CPI, Omar Aziz. Ela se queixou do tratamento dado à depoente e Aziz, segundo ela, pediu que ela fosse "expulsa" e não voltasse mais para a sala.

— Eu disse 'desculpe, senadores, estou com vergonha dessa Casa'. E ele (Omar Aziz) disse 'expulsa ela, não deixa ela voltar aqui não' — disse Jane.

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Trazer a Copa América para o Brasil, uma JOGADA política DIABÓLICA de Bolsonaro - Mais circo que pão

Aparentemente, não foi preciso subornar ninguém para trazer a Copa América para o Brasil, depois que países vizinhos, todos envolvidos em crises sanitárias e políticas, ficaram inviabilizados como sede de um torneio de futebol que pode não ter importância maior, mas que, na hora do vamos ver, fará com que os torcedores esqueçam a irresponsabilidade que é organizá-la num país às vésperas de uma terceira onda da Covid-19, com 463 mil mortes nas costas e 14 milhões de desempregados.

Uma jogada diabólica de Bolsonaro, em sentido político, mas também quase literal, dado o perigo de disseminação do vírus. A camisa verde e amarela da seleção brasileira, apropriada indevidamente pelos bolsonaristas, estará espalhada pelo país, dando a ilusão de que os adeptos do presidente são mais numerosos do que na realidade. Desde a Roma Antiga, pão e circo são fatores políticos fundamentais, aqui no Brasil temos hoje mais circo do que pão na mesa do cidadão comum, com a inflação e o desemprego em alta.

O Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 sete anos antes, no governo Lula, e teve um longo e tortuoso caminho até o momento decisivo. Dilma, que fora eleita com tranquilidade em 2010, chegou à Copa já capengando graças aos escândalos de corrupção que voltavam a atingir o PT com o petrolão e a Operação Lava-Jato. A vaia que a presidente petista recebeu na abertura da Copa do Mundo, a crise econômica e os desvios de dinheiro público nas obras de construções de estádios pelo Brasil afora — hoje, muitos elefantes brancos sem utilidade prática que poderão ser aproveitados agora na Copa América — levou-a fragilizada à campanha presidencial, vencida por uma vantagem mínima que já previa o desastre que encerraria prematuramente seu segundo mandato.

Bolsonaro, como na campanha em que não precisou participar dos debates devido ao atentado que sofreu, não passará pelo teste de popularidade do Maracanã devido à pandemia. Duvido que seja autorizada a presença do público na final. Aglomeração, seja de esquerda ou de direita, não pode ser considerada uma atitude correta, por melhores que sejam os objetivos. O direito à vida deve superar as disputas políticas. Não compro a ideia de que “ir ao espaço público sempre comporta riscos, mas deixar as ruas — grande motor das transformações sociais ao longo da nossa História — como monopólio da extrema-direita, de viés neofascista, é risco maior”, como me mandou dizer numa mensagem o vereador Chico Alencar, criticando minha coluna de domingo, em que lamentava as manifestações da esquerda, por considerar que tiravam da oposição o peso moral de condenar as atitudes do presidente Bolsonaro e de seus seguidores na pandemia. Pelo jeito, Lula também concorda. Segundo Bela Megale, ele não compareceu às manifestações para preservar sua capacidade de criticar as aglomerações bolsonaristas.

Com relação ao futebol, as infecções de jogadores pela Covid-19 falam por si contra a normalização dos jogos, mesmo com protocolos de segurança rígidos e sem a presença de público. Copa América no Brasil, a esta altura do campeonato ( perdão pelo trocadilho), é uma maluquice total, um absurdo que confirma o descaso do governo Bolsonaro com a pandemia.

O Brasil está na iminência de uma terceira onda, quando começar a Copa América devemos estar com cerca de 500 mil mortos. É um desrespeito completo marcar um evento esportivo desse tamanho no Brasil agora, neste momento. O Japão está com dificuldade de confirmar as Olimpíadas em julho, e nós agora vamos fazer um evento dessa magnitude no Brasil... É mais uma tentativa de fingir que está tudo bem entre nós. Foi uma decisão claramente política, que a CBF ajudou a montar.

Um populismo irresponsável, quase suicida. Não há nenhum sentido, o Brasil é atualmente um pária mundial. Os brasileiros estão impedidos de viajar ao exterior, porque somos considerados uma fonte de grande disseminação do coronavírus, e vamos trazer gente de fora para fazer uma grande manifestação esportiva. Com direito a espalhar novas cepas. Acredito até que algumas seleções não venham porque a imagem sanitária do Brasil não favorece a realização de nada internacional por aqui.

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Libertação de assassino do juiz Giovanni Falcone provoca indignação na Itália

Giovanni Brusca passou 25 anos atrás das grades e deverá permanecer em liberdade condicional por quatro anos; episódio gerou críticas de políticos de esquerda e de direita
Da AFP
01/06/2021 - 13:14
Em foto de arquivo, policiais escoltam o mafioso Giovanni Brusca, condenado pelo assassinato do juiz Giovanni Falcone, morto em 1992 Foto: Tony Gentile
Em foto de arquivo, policiais escoltam o mafioso Giovanni Brusca, condenado pelo assassinato do juiz Giovanni Falcone, morto em 1992 Foto: Tony Gentile

ROMA — A libertação antecipada de Giovanni Brusca, condenado, entre outros crimes, pelo assassinato em 1992 do famoso juiz siciliano antimáfia Giovanni Falcone, causou indignação nesta terça-feira na Itália, onde a notícia apareceu na primeira página de todos os jornais.

Giovanni Brusca, de 64 anos, foi libertado na segunda-feira por bom comportamento na prisão romana de Rebibbia, depois de passar 25 anos atrás das grades, tempo durante o qual aceitou colaborar com as autoridades.

Segundo as leis italianas, ele deverá permanecer em liberdade condicional durante os próximos quatro anos.

"Libertam Brusca, o mafioso mais cruel", afirmou o jornal La Republicca.

— É uma notícia que me dói como pessoa, mas é a lei, uma lei que meu irmão quis e que é preciso respeitar — reagiu a irmã do juiz Falcone, Maria, citada pelo jornal.

A Justiça determinou que Giovanni Brusca foi quem, em 1992, acionou o controle remoto que detonou a bomba que destruiu o carro do juiz nas proximidades de Palermo, causando a morte de Giovanni Falcone, sua esposa e de três guarda-costas.

A esposa de um dos guarda-costas, Tina Montinaro, manifestou nesta terça-feira sua "indignação" com a libertação de Brusca.

— Vinte e nove anos depois ainda não sabemos a verdade, e o homem que destruiu a minha família está livre — lamentou.

Brusca, um dos colaboradores mais próximos de Toto Riina, o temido chefe máximo da máfia siciliana Cosa Nostra, foi detido em 20 de maio de 1996. Após ser preso, aceitou colaborar com a Justiça e depor em vários julgamentos.

Conhecido por ser um criminoso sanguinário, ele também foi condenado pelo sequestro e assassinato em 1983 de Giuseppe Di Matteo, o filho de 11 anos de um arrependido da máfia, que foi estrangulado e depois teve seu corpo dissolvido em ácido, um ato de vingança contra o pai do menino, que havia aceitado colaborar com a Justiça.

Sua libertação foi criticada por muitos líderes políticos, tanto de direita quanto de esquerda. O líder do Partido Democrático, de centro-esquerda, Enrico Letta, a classificou como "um soco no estômago [que] te deixa sem palavras".

— Uma pessoa que cometeu esses atos, que dissolveu uma criança em ácido, que matou Falcone, na minha opinião é uma fera e não pode sair da prisão — reagiu o líder do partido de extrema direita Liga, Matteo Salvini.

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Biden anuncia novas medidas contra a disparidade racial em aniversário de 100 anos de massacre de negros

Democrata se torna o primeiro presidente americano a ir a Tulsa e faz discurso a favor da revisão da História oficial: 'Não podemos escolher aprender só o que nos é conveniente'
O Globo
01/06/2021 - 18:17 / Atualizado em 01/06/2021 - 18:30
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa em Tulsa nesta terça-feira Foto: CARLOS BARRIA / REUTERS
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa em Tulsa nesta terça-feira Foto: CARLOS BARRIA / REUTERS

TULSA, OKLAHOMA - A cidade de Tulsa, em Oklahoma, um dia foi tão próspera que era conhecida como “A Wall Street Negra”. Há exatos 100 anos, no entanto, uma multidão de brancos promoveu um massacre no distrito comercial negro da cidade, incendiando dezenas de quarteirões e deixando centenas de mortos e feridos.

Nesta terça-feira, Joe Biden tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir à cidade para uma cerimônia em homenagem às vítimas, onde anunciou novas medidas para redução da desigualdade racial nos Estados Unidos.

Por décadas, o incidente foi pouco conhecido fora de Oklahoma, não estando presente nem mesmo no currículo escolar do estado. Não se sabe o número exato de vítimas, mas calcula-se que até 300 pessoas tenham morrido e 800 tenham ficado feridas na destruição provocada no bairro de Greenwood. A prefeitura da cidade disse que começaria a exumar uma vala comum da época do massacre, para estimar o número de vítimas.

Biden fez uma crítica ao tempo que o episódio ficou esquecido:

— Estou aqui para ajudar a preencher o silêncio. Porque no silêncio, as feridas se aprofundam. E, por mais doloroso que seja, somente na lembrança as feridas cicatrizam. Temos que escolher lembrar. — afirmou Biden. — Não podemos escolher aprender só o que nos é conveniente.  Devemos conhecer o que é bom, o que é mau, tudo.

O presidente disse que os episódios de Tulsa “não foram uma rebelião, mas sim um massacre”. Ele fez descrições detalhadas de cenas de violência:

— As portas do inferno se abriram. As próprias portas do inferno se abriram — disse. — Uma família negra inteira foi assassinada pendurada na cerca de sua casa. Aviões particulares lançaram explosivos. O primeiro e único ataque aéreo doméstico desse tipo.

Além do discurso, o presidente se reuniu com sobreviventes e descendentes das vítimas, visitou o centro cultural erguido em memória do incidente e apresentou novas medidas de seu governo para reduzir a disparidade racial.

Biden anunciou que o governo federal usará o seu poder de compra para aumentar as compras feitas de pequenas empresas — muitas delas de propriedade de minorias — em 50%. A Casa Branca disse que isso se traduzirá em US$ 100 bilhões adicionais em investimentos em cinco anos.

Na manhã de 1 de junho de 1921, uma multidão de brancos atacou o promissor bairro negro de Greenwood, em Tulsa, destruindo casas e lojas. Mais de 200 pessoas morreram e 10 mil ficaram desabrigadas. A confusão havia começado na véspera, quando um jovem negro, ao entrar no elevador, teria esbarrado em uma ascensorista que era branca.
Na manhã de 1 de junho de 1921, uma multidão de brancos atacou o promissor bairro negro de Greenwood, em Tulsa, destruindo casas e lojas. Mais de 200 pessoas morreram e 10 mil ficaram desabrigadas. A confusão havia começado na véspera, quando um jovem negro, ao entrar no elevador, teria esbarrado em uma ascensorista que era branca.

O presidente também anunciou uma nova iniciativa para reduzir a desigualdade na avaliação de casas e para combater agressivamente a discriminação habitacional, um problema comum nos Estados Unidos. As normas para a compra e aluguel de imóveis com frequência são consideradas discriminatórias.

O Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA publicará duas regras de habitação justa, bem como restaurará as definições e certificações a padrões anteriores ao do governo de Donald Trump.

Biden também anunciou fundos de revitalização para a comunidade de Tulsa, a ser direcionado a comunidades hoje economicamente carentes e subdesenvolvidas como Greenwood.

O fundo apoiará a adaptação de prédios e vitrines vazios para fornecer espaço de baixo custo para serviços e empreendedores comunitários, incluindo centros de saúde, artes e espaços culturais, programas de treinamento profissional, incubadoras de empresas e mercados comunitários. Também apoiará a remoção de resíduos tóxicos para a criação de novos parques e hortas comunitárias.

Suas ações contrastam com o de políticos republicano, sobretudo em estados do Sul, que recentemente aprovaram leis que proíbem as escolas de ensinar que o racismo está inserido na cultura dos Estados Unidos, bem como novas leis eleitorais que diminuiriam a participação eleitoral de negros e outras minorias

Biden fez uma referência a uma reforma eleitoral que garanta direitos de voto, dizendo que sua vice-presidente, Kamala Harris, liderará a iniciativa. O presidente também fez muitas críticas a supremacistas brancos nos Estados Unidos contemporâneos, observando que esses grupos têm se fortalecido.

— Nós não podemos oferecer um porto seguro ao ódio — disse Biden.

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Mônica Bergamo: Renan aponta 13 contradições de Nise Yamaguchi à CPI da Covid

Relator da comissão contrapôs falas da médica com fatos apurados e outros depoimentos

São Paulo

O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, e a equipe técnica que o acompanha na comissão compilaram uma tabela na qual apresentam contradições da médica Nise Yamaguchi em seu depoimento à comissão nesta terça (1º).

Entre elas constam falas na qual, de acordo com o relatório produzido por Calheiros, ela confirmaria a existência de um gabinete paralelo —que aconselharia o presidente Jair Bolsonaro em questões ligadas à epidemia de Covid-19.

"[Yamaguchi] esteve com Arthur Weintraub [ex-assessor da presidência] em reuniões na Presidência, em cerimônias e, inclusive, em evento denominado 'médicos para a vida', aquele discutiu possibilidades e estratégias para se viabilizar e distribuir medicamentos para tratamento precoce. Também participou de diversas reuniões no Ministério da Saúde", aponta o documento da equipe do relator da CPI.

A médica doutora Nise Yamaguchi
A médica doutora Nise Yamaguchi - Pedro Ladeira/Folhapress

Ainda segundo o documento, há contradições quando a médica afirmou afirmou que não participa de discussões sobre vacinas e que o presidente Jair Bolsonaro não tratou com ela a respeito de cargos de ministro ou qualquer outro.

O relatório de Renan rebate essas falas alegando, respectivamente, que Yamaguchi conversou com Bolsonaro, em um almoço no qual o ex-ministro Osmar Terra esteve presente, sobre a importância do tratamento precoce com cloroquina e a hidroxicloroquina, inclusive em favor da imunidade de rebanho; e que ela foi convidada pelo presidente para integrar reuniões o gabinete de crise do Planalto.

Ela também afirmou que nunca teria se encontrado sozinha com Bolsonaro. "Falsa declaração: documentos obtidos pela CPI comprovam que no dia 15/5/20, às 10h45, a declarante esteve no Palácio do Planalto, em reunião com o presidente da República", rebate Renan.

Sobre a fala da médica dizendo que tratamento precoce no Amapá teria resultado no menor índice de mortes, em todo o mundo, a tabela argumenta que "checagem mostra que, na verdade, o Amapá é o 6º Estado do Brasil em mortes por COVID-19, por 100 mil habitantes".

"Importante: foi declarado pela médica que o presidente da República afirmou que haveria algum tratamento precoce para Covid-19 em outros país e a questionou sobre o fato. Isso teria impulsionado a declarante, segundo suas próprias afirmações, a procurar o Conselho Federal de Medicina para ratificar o tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina", afirma o relatório.

Yamaguchi negou à CPI que teria sugerido mudança na bula da cloroquina para recomendá-la para o tratamento da Covid. Segundo o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, o documento foi apresentado em reunião no Planalto em 2020. "Ambos afirmaram que a depoente foi quem avançou e insistiu em mudar a bula da cloroquina para constar nela indicação para Covid-19", aponta Renan.

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Mônica Bergamo: Mandetta reafirma proposta de alterar bula da cloroquina e diz que Nise agia 'como urubu na carniça'

Ex-ministro da Saúde afirma que se encontrou com a médica no dia em que seria demitido do Ministério da Saúde

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O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta reafirmou à coluna que ele encontrou a médica Nise Yamaguchi no dia 6 de abril de 2020 no Palácio do Planalto e que ela sugeriu, sim, a mudança da bula da cloroquina/hidroxicloroquina por meio de decreto presidencial. A ideia era que a Covid-19 fosse incluída na lista de doenças para as quais servem esses medicamentos.

Nise negou nesta terça (1º) em depoimento à CPI da Covid que tenha feito a propos ta. Disse que houve um equívoco e que a ideia sempre foi orientar o protocolo de prescrição desses recursos farmacológicos.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta durante o depoimento à CPI da Covid no Senado
O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta durante o depoimento à CPI da Covid no Senado - Jefferson Rudy - 4.mai.2021/Agência Senado/via AFP

"Eu fui ao Palácio do Planalto, era o dia em que eu seria demitido [conforme anunciavam os jornais]. A Nise estava lá com outro médico, um cardiologista. Estavam como urubu na carniça", afirma ele.

Segundo Mandetta, o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, também participou da reunião, bem como o então chefe da Casa Civil, general Braga Netto, e o então secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira.

"Cheguei no Planalto e o Braga Netto me disse 'temos que subir para o quarto andar, tem uns médicos lá'", relembra Mandetta.

"Entrei na sala e estava ela. Perguntei: 'Qual é o seu nome?'. E ela: 'Nise Yamaguchi'. Falei: 'Ah, você é a Nise'", relembra o ex-ministro.

Ele afirma que viu sobre a mesa a minuta do decreto que mudaria a bula da cloroquina. "O Barra Torres ficou indignado e disse que a Anvisa não permitiria aquilo", afirma Mandetta.

O ex-ministro diz ainda que afirmou a Nise que, caso ela quisesse fazer uma pesquisa sobre a eficácia da hidroxicloroquina para a Covid-19, o Ministério da Saúde poderia financiá-la, como já estava fazendo com outros estudos.

Diante da reação dele e de Barra Torres, o secretário-geral recolheu o papel e disse que aquilo não teria continuidade.

Mandetta ganhou uma curta sobrevida no cargo: naquele dia, os militares palacianos ainda tentavam convencer Jair Bolsonaro a mantê-lo à frente da pasta.

No dia 16 de abril, o presidente finalmente demitiu o ministro.

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'Me sinto agredida, em um gabinete de exceção', diz Nise na CPI da Covid

Médica Nise Yamaguchi durante depoimento na CPI da Covid, no Senado Federal, em Brasília (DF) - Adriano Machado/Reuters
Médica Nise Yamaguchi durante depoimento na CPI da Covid, no Senado Federal, em Brasília (DF) Imagem: Adriano Machado/Reuters

Rayanne Albuquerque, Luciana Amaral e Hanrrikson de Andrade*

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

01/06/2021 16h02

Atualizada em 01/06/2021 18h55

Nise Yamaguchi declarou em depoimento como convidada à CPI da Covid que se sente "agredida" em ser vista como participante de um "gabinete de exceção". A médica imunologista se referiu às referências do colegiado a um "gabinete paralelo" de aconselhamentos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre como a condução das ações de enfrentamento da pandemia deveriam ser adotadas.

Yamaguchi acredita que a leitura que os senadores estão fazendo da situação não observam que ela e os integrantes do que chamou de "conselho científico independente" atuaram não para atrapalhar o combate a pandemia, uma vez que estariam "trabalhando tecnicamente e cientificamente".

Para médica Nise Yamaguchi, comunidade científica conspira contra a vida

Eu tenho que colocar meu repúdio a situação que estou colocada ali, em um gabinete de exceção. Estou me sentindo aqui bastante agredida neste sentido porque eu estou como colaboradora eventual de várias ações de uma relação direta com a situação clinica dos nossos pacientes e eu gostaria de ter, portanto, senador, a necessária avaliação dessa posição."Nise Yamaguchi

O pedido de fala foi feito pouco após o retorno da sessão, interrompida após fala do senador Otto Alencar (PSD-BA). Insatisfeito com as respostas, o senador interrompeu Nise diversas vezes e chegou a classificá-la como "médica audiovisual", em uma tentativa de expor, em tom elevado, desconhecimento da médica sobre temas ligados à pandemia.

A senhora nem estudou, doutora. A senhora foi aleatória mesmo, superficial."Otto Alencar

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, uma assessora da médica foi expulsa da sala onde ocorre a sessão após criticar a fala do senador. A sessão foi interrompida após o episódio.

A imunologista Nise Yamaguchi, aliada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e defensora do tratamento precoce com remédios sem eficácia comprovada, como a cloroquina. Durante a sessão de hoje, a médica disse em depoimento à CPI da Covid que irá disponibilizar suas conversas no WhatsApp que comprovam que ela não sugeriu a mudança na bula da cloroquina.

Yamaguchi foi apontada pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Antonio Barra Torres como a responsável por defender a alteração da bula da cloroquina por meio de um decreto. A versão apresentada por Barra Torres foi dada durante o depoimento como testemunha ao colegiado da Comissão Parlamentar de Inquérito.

O pedido de acesso às conversas do WhatsApp da médica foi feito pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), após a médica entrar em contradição em relação às datas de apresentação da minuta que seria convertida em decreto.

Eu não tive acesso a esse decreto, tanto é que registrei o horário disso, que foi Às 20h, explicando claramente. Em primeiro lugar, isso foi originado pela acusação que eu recebi de colocar decreto em bula Nise Yamaguchi

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Teste rápido após vacina contra covid: 4 razões para fugir dele, segundo cientistas

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Laís Alegretti - @laisalegretti

Da BBC News Brasil em Londres

01/06/2021 08h24

Com avanço da vacinação, ainda que lentamente, brasileiros têm buscado testes que medem anticorpos para supostamente checar se estão protegidos contra a covid-19. Entenda por que esses testes não são essa resposta, segundo pesquisadores.

Tomei vacina contra a covid-19, fiz um teste rápido de anticorpos e deu negativo. Devo entender que a vacina não fez efeito?

Você não deve ter essa interpretação e nem mesmo deveria ter feito esse tipo de teste com essa finalidade, segundo cientistas.

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A BBC News Brasil ouviu especialistas em biologia, virologia e doenças infecciosas e explica, em quatro pontos, por que o teste rápido de anticorpos não deve ser usado como forma de "checar se a vacina fez efeito".

"Um teste sorológico rápido feito na farmácia não vai medir se a pessoa está protegida ou não após a vacina. Tome cuidado com isso", diz Silvia Costa, médica especialista em doenças infecciosas e professora da Universidade de São Paulo (USP).

A bióloga Natalia Pasternak, fundadora do Instituto Questão de Ciência, também faz este alerta.

"Testes rápidos de anticorpo de farmácia não servem para dar uma resposta individual, se você está protegido ou não. Eles não servem para isso, eles só servem para fazer análises populacionais. É jogar dinheiro fora e criar minhoca na cabeça. A pessoa vai ficar preocupada à toa."

E provoca: "Eu gostaria de saber quem levou os filhos pequenos, após tomar vacina contra sarampo, para fazer teste de anticorpo pra ver se a vacina pegou. Não, né, gente? A gente simplesmente vacina nossos filhos. É a mesma coisa."

A explicação sobre por que esses testes não são uma forma de verificar como seu corpo reagiu à vacina tem a ver com a baixa sensibilidade deles e com o fato de analisarem só um pedaço da resposta do sistema imunológico. Veja as quatro razões principais:

1. Testes rápidos de anticorpos foram elaborados contra infecção viral (e não vacina)

O virologista Flávio da Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que, primeiro, devemos lembrar que esses testes não foram desenvolvidos com a finalidade de checar como o corpo reagiu a vacinas.

"Esses testes foram todos construídos e testados contra infecções virais. Nenhum teste foi desenvolvido contra a vacina. Então há variações na resposta imune que os testes podem não pegar", resume o pesquisador, que integra o Comitê Permanente de Enfrentamento do Novo Coronavírus da UFMG.

Testes sorológicos, segundo os especialistas, têm papel importante do ponto de vista coletivo - quando são feitos em muitas pessoas em uma determinada comunidade, ajudam a responder sobre a circulação do vírus naquele ambiente.

"O teste sorológico é importante para ver quanto o vírus já circulou. Por exemplo, eu faço em Manaus, após a detecção da P1, e aí vejo, entre assintomáticos, quem já tem a sorologia positiva", explica Silvia Costa.

2. Rápidos, mas com baixa sensibilidade

O segundo ponto a ser levado em conta, quando se trata da tentativa de chegar a uma resposta individual, é que esses testes não vão além de uma resposta de "sim ou não".

"O teste de farmácia, rápido, é o menos sensível. Ele só tem uma vantagem: é rápido. Ele tem uma taxa de falso negativo elevada e, por ser um teste de verificação visual, a sensibilidade dele é menor", diz Fonseca.

Pasternak também aponta que esse tipo de teste tem taxa de erro alta e que depende de uma determinada quantidade de anticorpos para ser capaz de detectá-los na amostra de sangue.

"Mesmo que você não esteja dentro dessa faixa de erro - ou seja, o teste 'funcionou', mas não acusou anticorpos -, tem a questão da sensibilidade do teste, do quanto você precisa ter minimamente de anticorpos no sangue naquele momento que você testou para que o teste tenha capacidade de detectar", diz ela.

Esse é um dos motivos que explicam por que um resultado negativo nesses testes não significa necessariamente que você não tem anticorpos.

3. Só medem um componente da resposta imune

Outra razão central pela qual os cientistas não recomendam o teste como forma de checar efeito da vacina é que eles só medem um componente da resposta do sistema imunológico.

"Há outros componentes da resposta imune que você não mede ao fazer teste sorológico. Ele mede simplesmente anticorpos", diz Fonseca.

Pasternak reforça que, mesmo para um corpo vacinado e preparado para reagir a uma infecção, o teste poderia dar negativo, já que ele mede só um componente da resposta imune.

"Esse teste não consegue dizer se você tem células de memória, se você tem resposta celular de linfócitos T... Ele só vai te dizer um tipo de anticorpo e só se a quantidade for detectável de acordo com a sensibilidade do teste. Isso não quer dizer que você não está protegido. Você pode estar cheio de células de memória, prontinhas para secretar um monte de anticorpos no seu sangue na hora que você tiver contato com o vírus", diz.

Dependendo do teste e da vacina tomada, ele pode nem mesmo estar buscando identificar o elemento correto.

"Os testes de farmácia geralmente procuram anticorpos contra a proteína N, do núcleo capsídeo, e não a proteína S, da espícula, que é justamente a proteína que está presente na maior parte das vacinas. Então, todas as vacinas que trabalham com subunidade ou as vacinas genéticas vão gerar anticorpos contra a proteína S e isso não vai aparecer no teste de farmácia porque ele procura anticorpos contra a proteína N", explica Pasternak.

4. Comportamento do sistema imunológico não é estático

Outro ponto é que o resultado do teste seria uma fotografia do momento e não te daria uma garantia de como seu corpo estará amanhã ou depois, dizem os especialistas.

"O comportamento do sistema imunológico não é estático, ele é dinâmico. Então, se fizer um teste hoje, amanhã o resultado será diferente. Para chegar a uma conclusão, tem que ter pelo menos dois pontos - um comparando com outro, para entender a dinâmica", diz Fonseca.

Os pesquisadores ainda buscam identificar quanto tempo a vacina terá efeito em nosso corpo. Enquanto isso e com a circulação do vírus tão alta como está no Brasil, esclarecem que as pessoas devem confiar nos testes de eficácia das vacinas, além de tomar as duas doses e não abandonar medidas de proteção - como uso de máscaras, distanciamento social e evitar principalmente locais fechados.

"Quase todas as vacinas até o momento precisam de duas doses e essa proteção vai ocorrer após, pelo menos, duas semanas da segunda dose. Então, entre uma e outra, se o indivíduo tiver uma exposição, ele pode ter a doença e pode ser grave. Em menos de duas semanas após a segunda dose, também. Então as pessoas precisam continuar se protegendo", diz Silvia Costa.

Pasternak reforça que a eficácia da vacina já está testada e que as pessoas precisam entender que a vacinação é um movimento coletivo e não individual:

"Confie nos testes clínicos. O que disse que a vacina funciona são os testes clínicos de fase 3, quando a gente comparou grupo de pessoas vacinadas com grupo de pessoas não vacinadas. A vacina é uma atividade coletiva, não é uma atividade individual. Ela funciona na população: quanto maior o número de pessoas vacinadas, mais a doença deixa de circular e ficamos todos protegidos."

E os testes sorológicos de laboratório?

Os testes sorológicos feitos em laboratórios são mais sensíveis que os de farmácia e podem, segundo os pesquisadores, mostrar resultados diferentes em relação aos resultados aferidos num teste rápido.

Mesmo assim, não recomendam que as pessoas busquem esses testes com essa finalidade e sem acompanhamento médico.

"A sensibilidade do teste de um laboratório diagnóstico é muito maior, mas, de novo, só vai te dizer se você tem anticorpos, não vai te dizer que tipo de anticorpos são, não vai te dizer qual é a sua resposta celular, se você tem células de memória, então novamente você vai estar medindo apenas um aspecto da resposta imune, quando na verdade a resposta imune é muito mais ampla", diz Pasternak.

Silvia Costa diz que o resultado pode ser um relaxamento indevido ou uma preocupação desnecessária.

"As pessoas podem ficar preocupadas se o teste for negativo e ao contrário, também podem achar que são superprotegidas com um teste que não tem um significado de proteção. Então, não recomendamos a realização do teste sorológico após a vacina. Pode só criar esse estresse, essa preocupação."

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