KATHLEN ROMEU, 24 - Complexo do Lins - Zona Norte - Rio de Janeiro
___________________________________________________
******
___________________________________________________
Perdão, Kathlen | Ruth de Aquino - O Globo

Não sou preta, não nasci em favela.
Mas nada nesta semana me deixou com tanta náusea e tristeza quanto o tiro de fuzil que matou Kathlen Romeu, de 24 anos, no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A bala perfurou o tórax da menina-mulher, grávida de 14 semanas e ansiosa em saber o sexo de seu bebê, Maya ou Zayon.
Kathlen era formada em design de interiores, trabalhava como vendedora para loja de grife na Zona Sul.
Posava como gestante, linda, com brilho no olhar amendoado e o sorriso sereno de quem tudo pode.
Não entendo que o Rio inteiro não se insurja contra esse crime bárbaro.
Não aceito que os protestos se circunscrevam à favela e seu entorno carente.
Está errado.
Nossa pele branca não pode ser álibi para nos resignarmos em casa, como se o massacre de negros e pobres não acontecesse em nossa esquina.
O lugar de fala não pode nos servir, a nós, brancos, como permissão tácita para o silêncio.
Fingir que o Brasil não é racista e violento é ser cúmplice da desigualdade.
A PM não pode continuar a violar a determinação do Supremo de evitar operações policiais nas favelas durante a pandemia.
“Só casos absolutamente excepcionais”, disse o ministro Edson Fachin.
E a lei não pega e fica por isso mesmo.
Foram 29 mortos no Jacarezinho.
Agora, Kathlen e seu bebê.
Todo mundo continua a dormir bem?
Para sobreviver a essa insanidade e aplacar nossa culpa, muitos se alienam e outros promovem vaquinhas nas redes sociais para ajudar a família no enterro.
Escrevo uma coluna hoje. E só?
Nos últimos QUATRO anos, QUIZE grávidas foram baleadas no Grande Rio, OITO morreram, QUATRO em ações policiais.
NÃO foi fatalidade, NÃO foi tragédia e me RECUSO a falar em “bala perdida”, por ser mais uma BALA ANUNCIADA, numa ação policial ilegítima.
Nossa política de segurança é de morte.
A mãe de Kathlen, Jackeline, denunciou:
“Eles falaram que a minha filha GANHOU um TIRO. Ela NÃO ganhou um tiro. Foi EXECUTADA. A PM deu tiros inconsequentemente e EXECUTOU a minha filha.
Todos os moradores falam que NÃO havia troca de tiros.
Eles (os policiais) estavam dentro de uma casa, viram os bandidos e atiraram.
Não olharam para a rua para ver se alguém estava passando.
Na favela, não mora só bandido.
Bandido é que dá tiro a esmo. Polícia não. Polícia treina. A PM tirou a minha vida. O meu sonho. Parem de matar gente”.
Kathlen saiu da favela onde nasceu quando soube da gravidez.
Já tinha desenhado um destino luminoso, compraria uma casa com o companheiro, seria mãe.
O pai, Luciano Gonçalves, disse que ela vivia a melhor fase da vida.
Cheia de sonhos, inteligente, sonhava ser blogueira, modelo.
“A gravidez no começo foi um susto.
Ninguém esperava, mas foi uma bênção de Deus a gravidez da minha filha.
Ela estava apreensiva, mas feliz”.
Voltou ao Lins para visitar a avó, Sayonara.
Ao lado dela, morreu.
Não quero saber hoje de voto impresso, TCU, CPI.
Nem de devastação ambiental.
Devastada está a mãe de Kathlen, que pariu a única filha aos 15 anos, numa idade em que adolescentes ricas ganham viagem ou festa de debutante.
Foram apreendidos com os policiais 12 fuzis e 9 pistolas.
A Polícia Militar instaurou “um procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias do fato".
É a mesma enrolação de sempre.
Não foi “um fato”. Foi um crime.
“Procedimento apuratório”?
A PM afirma que o tiro veio de bandidos.
Kathlen está enterrada e, com ela, o bebê que teria pai e mãe formados, raridade nas favelas.
Não sei em que momento paramos de reagir à barbárie oficial.
Perdão, Kathlen, por nossa omissão.
*
Governo das sombras | Merval Pereira - O Globo
Por Merval Pereira
Os últimos dias revelaram dados concretos para confirmar o que já se intuía: Bolsonaro é um personagem político que se movimenta mais à vontade nas sombras, à margem das instituições oficiais. Gabinete paralelo na Saúde, gabinete do ódio no Planalto, ação paralela no TCU e por aí vai. Temos um chefe de governo que tenta montar uma estrutura extraoficial que interfere na ação de sua equipe formal quando lhe interessa, muitas vezes criando obstáculos à consecução de programas de governo, como no caso do combate à corrupção.
A interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, para controlar as informações que lhe convêm, é um caso típico dessa estrutura paralela. Alexandre Ramagem, delegado que Bolsonaro queria ver à frente da Polícia Federal, tornou-se íntimo da família e, não podendo, por interferência do STF, nomeá-lo, colocou-o na Abin, de onde alimenta um sistema informal de informações de que Bolsonaro se orgulha.
Funcionários do governo que vão à CPI dão uma versão dos fatos que a realidade desmente. Caso especial é o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde na era Pazuello, Elcio Franco, que assumiu, como se fossem oficiais, políticas públicas que deveriam estar banidas por decisão científica. Disse com todas as letras que a gestão a que serviu considerava que o tratamento precoce era uma maneira adequada de combater a Covid-19.
O que o governo escondia até então transformou-se, na boca de um membro do alto escalão do Ministério da Saúde, em política de governo. É difícil acompanhar esses depoimentos sem ver que é tudo uma farsa para encobrir as ações de fato do governo, como atrasar a compra das vacinas e apostar na imunidade de rebanho.
Acredito que a CPI já está constatando uma situação de inação proposital do governo. Essa questão do gabinete paralelo na Saúde é interessante. Uma assessoria informal de pessoas qualificadas não traz problema nenhum, os presidentes devem conversar com várias pessoas, não ficar apenas com a visão de seu ministro. Presidente e ministros podem ouvir quem quiserem, mesmo que não seja do governo. O problema é montar um esquema paralelo para desmentir e boicotar a própria política oficial. Não é possível recomendar uma medicação oficialmente dada como ineficaz, como o gabinete paralelo fez com a cloroquina.
Está ficando provado que o governo alimentou uma corrente minoritária da medicina para impor uma política de saúde no Brasil que não poderia ser assumida por ser ilegal. Outro gabinete paralelo é o que funciona no Palácio do Planalto para orientar e alimentar a trama de intrigas e fake news que é a base da mobilização social nas redes sociais.
O caso do pedido de arquivamento, pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, das investigações sobre ações antidemocráticas é exemplar de como o presidente age. Tentado pela possibilidade de ser nomeado para o Supremo Tribunal Federal, agora ou mais adiante, Aras procura garantir pelo menos sua recondução ao cargo. Não viu nenhuma transgressão onde as investigações, liberadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes a bem da sociedade, mostraram uma vasta rede de financiadores de ações ilegais por parte de empresários e seguidores de Bolsonaro.
Um submundo criminoso que funciona com o apoio da parte escura do governo, que vai tomando conta dos diversos setores. O ministro da Justiça, Anderson Torres, deu apoio público ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, investigado pela Polícia Federal, subordinada à Justiça, por corrupção num caso de contrabando de madeira.
Como se não bastasse, revela-se um escabroso caso de atividade ilegal no Tribunal de Contas da União (TCU), em que um servidor inseriu no site oficial do órgão, sem autorização, um estudo seu em que especula a hipótese de que as mortes por Covid-19 tenham sido muito menores do que se alardeia. O estudo em questão, citado pelo presidente Bolsonaro como trabalho oficial do TCU, não tem chancela oficial nem faz parte de nenhum trabalho formal do tribunal. Seu autor é um amigo dos filhos de Bolsonaro, e o presidente soube dele pelo pai, um militar seu amigo. É assim que a banda toca hoje no Brasil.
*
Conversa Bolsonaro-Modi prova defesa de empresa privada pelo presidente e derruba a mentira de Élcio Franco na CPI | Míriam Leitão - O Globo
Dirigente diz que Flamengo é a favor da volta do público: 'Covid é um processo natural, que todos nós vamos ter'

Receba notícias em tempo real no app.
Vice-presidente de Relações Externas do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, deu uma declaração polêmica referente à pandemia de Covid-19. Em entrevista ao jornalista Venê Casagrande, nesta sexta-feira, o dirigente disse que o clube apoia o retorno de torcedores às partidas de futebol.
— O Flamengo é a favor da volta do público aos estádios. Covid não se pega somente em estádio de futebol. Eu entendo que a Covid é um processo natural, que todos nós vamos ter. A vacina não é uma garantia de que a pessoa não vai contrair o vírus — declarou o VP.
Essa não é a primeira vez que o Flamengo se manifesta contra os protocolos de Saúde Pública. Em maio, no período da final do Campeonato Carioca, o clube e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) chegaram a cogitar transferir o jogo para o Mané Garrincha, em Brasília, para poder contar com público no estádio.
A presença de 148 convidados no jogo de ida da final da competição, no dia 16 de maio, entre Flamengo e Fluminense, rendeu uma multa de mais de R$ 14 mil à administração do Maracanã. De acordo com nota da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, a liberação configurou uma "infração sanitária gravíssima".
*
Em entrevista à TV 247, Chico Buarque alerta: "estão preparando um golpe"

247 - O cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda está concedendo, na tarde desta quinta-feira (10), entrevista às jornalistas Regina Zappa e Hildegard Angel, na TV 247.
Um dos maiores artistas da história do Brasil, Chico Buarque relata sua convivência com a estilista Zuzu Angel, que foi morta pela Ditadura Militar após cobrar investigação e punição dos autores do assassinato de seu filho Stuart Angel Jones, pelos militares.
"Eles descobriam um aparelho [núcleo de oposição ao regime], mataram todo mundo. Depois fotografavam e às vezes plantavam armas, fuzis, como se os 'terroristas', 'subversivos', como eles os chamavam, tivessem atirado antes e foi uma reação natural das Forças Armadas em defesa da própria vida e da pátria", afirmou o compositor.
Chico Buarque se emocionou ao criticar o governo e alertou que Jair Bolsonaro prepara um novo golpe contra a democracia brasileira e a instauração de uma nova Ditadura Militar.
"Na Ditadura, nós não teríamos um programa como esse, não estaríamos falando disso aqui. E o que este governo quer, evidentemente, é a volta da Ditadura, no sentido da censura, da proibição da difusão de ideias, de maneira que o programa da Regina não possa mais ir ao ar, os sites de esquerda, de oposição ao governo seriam banidos. É tudo o que querem. Eles já estão plantando tudo isso, com estas campanhas todas, anunciando possível fraude na eleição, já estão se preparando para um golpe. A gente sabe que eles estão preparando um golpe e o golpe vai trazer tudo isso de volta que eu estou falando, além do que já existe, deste horror. A autorização, que vem lá de cima, para continuar a haver este morticínio [Chico se emociona e embarga a voz] de favelados. É foda", relatou Chico Buarque.
Em outro trecho da entrevista, Chico reforçou o alerta: "já estamos com o pé no fascismo. Bolsonaro, com apoio das Forças Armadas, é capaz, mesmo, de promover um Golpe de Estado. E eles vêm anunciando isso o tempo todo. Eles estão anunciando o golpe e algum pretexto vai ser usado para fechar de vez", afirmou.
*
Rua do centro de São Paulo é eleita uma das "mais legais do mundo"
De Nossa
10/06/2021 10h38
A "Time Out", revista britânica reconhecida por ser um guia para as melhores atividades em cidades de todo o mundo, liberou uma lista das "ruas mais legais do mundo" e o Brasil não ficou de fora. A Rua Três Rios, no bairro do Bom Retiro, figurou no 7º lugar do ranking.
Na publicação, o veículo destaca o valor histórico do Centro de São Paulo, onde a rua está localizada, afirmado ainda a sua identidade "diversificada e em constante evolução".
Viajando o Brasil e o mundo

A bordo de bicicleta, brasileiro viaja do interior de São Paulo ao México

A Pinacoteca é usada como ponto de referência para citar as belezas da Três Rios, que, segundo a "Time Out", deve ser reconhecida também por abrigar várias gerações de famílias de imigrantes que se mudaram para o Brasil ao longo dos séculos — da Itália, Coréia, Grécia, Bolívia, Europa Oriental e outros lugares.
Ainda no campo artístico, o centro cultural Casa do Povo e as lojas de tecido, "onde jovens designers brasileiros compram seus materiais", são outros lugares de destaque.

Gastronomia

Em "uma das paisagens gastronômicas mais emocionantes de São Paulo", como mencionado pela publicação, recomenda-se que os visitantes saboreiem dois restaurantes das redondezas: o Hwang Para Gil (Rua Guarani, 240), especializado em comida coreana, e o Acropóles (Rua da Graça, 364), fundado em 1959, que serve pratos gregos.
A "Time Out" elege ainda o café gelado da Padaria Bellapan (na Rua Prates, 563, transversal da Três Rios) como imperdível, "além das excelentes comidas brasileiras, coreanas, doces e bolos" oferecidos pelo estabelecimento.
Austrália conquista o 1º lugar

Para o ranking, feito por meio de uma pesquisa elaborada com a opinião de 27 mil residentes de todo o mundo, os editores da "Time Out" analisaram cada uma das ruas sugeridas, focando nos destaques de comida e bebida para cada indicação, além das ofertas culturais e de vida noturna.
A equipe também investigou como cada rua cultiva o sentimento de comunidade.
O primeiro lugar foi conquistado pela Smith Street, em Melbourne, na Austrália. A rua campeã é conhecida por suas lojas independentes, bares gays, locais de música ao vivo e ótimos restaurantes. O minúsculo cocktail bar Above Board é um dos locais da Smith Street destacados na lista.
A maneira como a comunidade local se reuniu em torno dos negócios da Smith Street durante os bloqueios de Melbourne ajudou a rua a conquistar o primeiro lugar, de acordo com a "Time Out".
Veja o top 10 completo das "ruas mais legais do mundo", segundo a "Time Out":
1. Smith Street, Melbourne, Austrália
2. Passeig de Sant Joan, Barcelona
3. South Bank, Londres, Reino Unido
4. San Isidro, Havana, Cuba
5. Sunset Boulevard, Los Angeles, EUA
6. Witte de Withstraat, Rotterdam, Holanda
7. Rua Três Rios, São Paulo, Brasil
8. Haji Lane, Singapura
9. Rua Rodrigues de Faria, Lisboa, Portugal
10. Calle Thames, Buenos Aires, Argentina
*
Reportagem: Mara Gama - Pesquisa da USP acha microplásticos em pulmões humanos

Mara Gama
Colunista do UOL
10/06/2021 06h00
Em achado científico inédito no mundo, nove tipos de microplásticos foram detectados em pulmões humanos em uma pesquisa feita em São Paulo. O estudo foi realizado pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e liderado pelo engenheiro ambiental Luís F. Amato Lourenço em seu pós-doutorado.
Foram encontrados fragmentos submilimétricos em tecidos pulmonares de 13 indivíduos, obtidos em autópsias, numa amostragem de 20 indivíduos.
Eram partículas menores do que 5,5 µm (mícrons ou micra, o equivalente a um milésimo de milímetro) e fibras que variavam de 8,12 a 16,8 µm.
As amostras foram coletadas em 2019 e as análises realizadas durante 2020. O trabalho foi reconhecido e aprovado no dia 12 de maio de 2021 pela publicação científica internacional Journal of Hazardous Materials e está online desde 24 de maio. Consta da programação para a edição de agosto da revista.
"Estudos anteriores já haviam demonstrado que estamos ingerindo e que havia microplásticos no ar de cidades como Paris e Londres. O que o estudo da USP identificou foi a presença de partículas dentro dos pulmões. É a primeira vez no mundo", diz a supervisora do estudo, a professora Thaís Mauad. "Conseguimos medir as partículas. Essa era uma questão: que tamanho consegue chegar ao pulmão? O que passa pelo nariz e pelos mecanismos de defesa respiratórios?", relata.
Além de encontrar os microplásticos, a pesquisa quantificou, mediu e tipificou os materiais através de espectroscopia Raman, análise realizada pelo Instituto de Química da USP. Foram identificados polipropileno, polietileno, cloreto de polivinila, acetato de celulose, poliamida, polietileno copolipropileno, poliestireno, poliestireno cocloreto de polivinila e poliuretano. Os mais comuns foram polipropileno e polietileno.
O polipropileno é usado em embalagens flexíveis, copos plásticos, tampas de refrigerantes, cadeiras e brinquedos. O polietileno serve para a fabricação de garrafas PET e sacolas plásticas.
"Coincidentemente, são os materiais mais usados em embalagens e produtos de uso único", diz Luís Amato, que também fez seu doutorado na área de poluição ambiental, no mesmo laboratório da USP. A presença de fibras de outros materiais, segundo ele, aponta para a origem em tecidos sintéticos e carpetes.
O pesquisador diz que foi surpresa verificar que os fragmentos atingiram várias partes dos pulmões. "Para chegar ao pulmão, a partícula tem de passar por uma série de barreiras físicas e também biológicas, porque o organismo tem mecanismos para se defender e expelir corpos estranhos. Mas vimos que elas chegam a regiões bem profundas. É assustador", observa.
"Nenhum outro grupo no mundo tinha chegado a esse resultado e feito a caracterização", afirma. Amato alerta para outras características encontradas nos fragmentos, como a coloração, indicativa de aditivos, e sinais de degradação do material.
"Com a temperatura e demais injúrias ambientais, as substâncias vão sendo expostas a bactérias que vão se grudando a esse material e têm potencial tóxico maior ainda", afirma Thaís Mauad. No prosseguimento dos estudos, a ideia é colocar essas partículas em cultura para compreender como se comportam dentro de um organismo e investigar quais os potenciais malefícios para a saúde.
Outro estudo em fase de finalização é a quantificação dos tipos de polímeros no ar da cidade, em ambientes internos e externos, um monitoramento também inédito na cidade.
"Para nós, da USP, esse achado é um orgulho. Com dinheiro da Fapesp, usando tecnologias nacionais, chegar a esse trabalho que vai contribuir com uma área do conhecimento que é nova e muito fragmentada", afirma Thaís Mauad.
"Plasticenta"
Na edição de janeiro de 2021 da revista "Environment International" foi publicado estudo revelando pela primeira vez a identificação de microplásticos em placentas de quatro mulheres. O artigo "Plasticenta: First evidence of microplastics in human placenta" foi realizado no hospital San Giovanni Calibita Fatebenefratelli, em Roma, na Itália, com seis gestantes que tiveram gestações e partos normais.
Os fragmentos eram nas cores azul, vermelho, laranja ou rosa e origem provável de embalagens, tintas, cosméticos e produtos de higiene pessoal. Estavam nos dois lados da placenta (no lado do feto e no lado materno) e também na membrana dentro da qual o feto se desenvolve.
Segundo os autores da pesquisa, é provável que as partículas tenham sido ingeridas ou inaladas pelas mães. O tamanho dos fragmentos - 10 mícrons (0,01 mm) - permitiria transporte pela corrente sanguínea e consequentemente a entrada nos corpos dos bebês durante a gestação.
O impacto não é conhecido, mas os pesquisadores indicaram que os microplásticos apontam prejuízo do crescimento fetal. Como carregam substâncias que atuam como desreguladores endócrinos, podem causar outros efeitos de longo prazo na saúde humana.
As mais lidas agora
*
Ao exigir adesão a medida contra máscaras, Bolsonaro se vinga de Queiroga por fala na CPI | Vera Magalhães - O Globo

Jair Bolsonaro mal conseguia disfarçar o regozijo sádico ao dizer que Marcelo Queiroga vai assinar uma medida normativa qualquer desobrigando pessoas que já se vacinaram -- e até as que já se contaminaram, pelo que se pode depreender da fala delinquente do presidente -- de usar máscaras.
Trata-se de uma coisa só: vingança de Bolsonaro contra o ministro da Saúde pelas suas declarações da véspera na CPI da Covid, quando em vários momentos se diferenciou das falas e das condutas do presidente e disse que não pode ser seu "censor".
Bolsonaro quer adesão total de Queiroga à sua política negacionista no trato da pandemia, ou dará a ele o destino imposto a Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.
O presidente não gostou de ver o seu ministro da Saúde contrariar sua defesa do tratamento precoce, sabidamente ineficaz, defender o uso de máscaras e de distanciamento social como as mais eficazes medidas "não farmacológicas" para enfrentar a pandemia e dizer que ela só será debelada quando a maior parte da população estiver vacinada.
O ministro também não mostrou entusiasmo pela realização da Copa América no Brasil e disse em muitas ocasiões que, após 70 dias, sua gestão estaria fazendo mudanças de rumo na pasta, e não promovendo a continuidade da gestão de Eduardo Pazuello.
Bolsonaro claramente não gostou, se enfureceu. E agora expõe publicamente o ministro à decisão de mostrar se é totalmente fiel ao chefe.
Acontece que o que está em jogo aqui é o juramento ético feito pelo médico Queiroga. Ele vai rasgar esse compromisso com a vida e subscrever uma medida que claramente vai contra tudo que a ciência e a medicina preconizam no enfrentamento da pandemia?
Pessoas já vacinadas e que tiveram covid-19 podem se reinfectar e podem ainda transmitir o vírus. Só é seguro prescindir de máscaras em locais públicos depois que um grande percentual da população já estiver vacinada, como têm feito vários países que já avançaram na imunização.
O Brasil ainda não tem 15% da população apta a se vacinar com duas doses. Os melhores prognósticos são de que apenas depois de outubro esse percentual seja próximo ao preconizado pela Ciência, ou seja, de pelo menos 70% da população.
Marcelo Queiroga está diante de uma escolha definitiva: vai ficar com Bolsonaro ou com a medicina?
*
Equipe de ministro da Saúde é surpreendida com fala de Bolsonaro sobre desobrigar uso de máscara | Bela Megale - O Globo

Integrantes da equipe de Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde foram pegos de surpresa com a fala do presidente Bolsonaro, nesta tarde, sobre o fim da obrigatoriedade do uso de máscara para pessoas vacinadas ou que já se infectaram pela Covid-19. Segundo funcionários do ministério relataram à coluna, o assunto até então nunca tinha sido abordado.
– Acabei de conversar com um tal de Queiroga. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem sua utilidade, para quem está infectado – anunciou o presidente Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto.
Em reservado, integrantes do Ministério da Saúde criticaram a iniciativa do presidente e lembraram que Queiroga defendeu o uso de máscaras em seu depoimento na CPI da Covid-19, na última terça-feira. Procurada, a pasta informou que estava apurando informações sobre o tema. Posteriormente, Queiroga gravou um vídeo em que disse que Bolsonaro solicitou "um estudo sobre o uso das máscaras" e não citou nenhum parecer. O ministro disse que o presidente está "muito satisfeito" com o ritmo da campanha de vacinação do Brasil.
Queiroga afirmou que Bolsonaro vê que em outros países onde a vacinação avançou as pessoas estão flexibilizando o uso das máscaras. Os Estados Unidos, que tem 43% da sua população imunizada, flexibilizou a obrigatoriedade do item de proteção. O Brasil tem 11% da população vacinada.
*
Bolsonaro diz que Ministério da Saúde vai desobrigar uso de máscaras para vacinados e pessoas que já se contaminaram

Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, irá publicar um parecer desobrigando o uso de máscaras para aqueles que já foram vacinados contra a Covid-19.

— Por coincidência, olha a matéria para a imprensa, acabei de conversar com um tal de Queiroga. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem sua utilidade, para quem está infectado — disse o presidente.
O parecer prometido vai contra o que é defendido por especialistas, que afirmam que a continuidade do uso de máscaras é essencial mesmo para aqueles que se vacinaram, uma vez que não há consenso sobre a possibilidade de transmissão da Covid-19 por pessoas imunizadas. Os especialistas afirmam também que quem já teve o coronavírus precisa usar máscara para evitar transmissões e porque não se sabe por quanto tempo os anticorpos permanecem no corpo humano.

O infectologista Julio Croda, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alerta que as vacinas não evitam a infecção de quem já imunizado. Isso significa que ele tem menos chances de ter a forma grave da doença, mas que pode continuar transmitindo o vírus.
— O objetivo da vacina é prevenir a forma grave da doença. Então ela pode estar protegida de ser hospitalizada e de vir a óbito, mas pode virar uma fonte de transmissão para outras pessoas. Imagina isso nos ônibus. Do ponto de vista ténico, é uma medida totalmente inadequeda.
Na avaliação de Paulo Almeida, advogado do Instituto Questão de Ciência, a determinação do Ministério da Saúde não anularia normas estaduais ou municipais que determinem o uso das máscara.
— Esse tipo de movimentação, ainda mais com a CPI tão esquentada, é mais uma tática de cortina de fumaça para desviar a atenção de outros assuntos do que uma medida prática. Inevitavelmente, será derrubada — afirma.
Mais tarde, durante transmissão em suas redes sociais, o presidente diminuiu o tom. Após dizer que Queiroga iria realizar um parecer para a desobrigação do uso de máscara, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o ministro da Saúde se comprometeu a realizar um estudo sobre o tema.
— É o que eu falei pro Queiroga agora. Eu não impus nada para ele, se bem que eu tenho também que dar minhas peruadas ali, no bom sentido. É possível a Saúde apresentar um estudo da desobrigatoriedade da máscara para quem já foi vacinado ou para quem já foi contaminado e curado, poxa? Ele falou é possível, é possível — disse Bolsonaro.
Durante a "live", Bolsonaro voltou a dizer que existe uma opressão pelo uso das máscaras e criticou as multas aplicadas sobre aqueles que não se protegem da Covid-19.
O Brasil notificou, na última quarta-feira, 2.484 mortes por Covid-19. São, no total, 479.791 vidas perdidas para o coronavírus no país desde o começo da pandemia. No Senado, o governo Bolsonaro é investigado pela demora na negociação de vacinas com a farmacêutica americana Pfizer e por promover o uso de cloroquina para o tratamento da doença, apesar de evidências científicas apontando que o medicamento não combate o coronavírus.
Bolsonaro não explicou quando a norma será publicada, nem deu mais detalhes. Durante o discurso, realizado durante evento do Ministério do Turismo, Bolsonaro citou diversas realizações do seu governo.
O presidente voltou a criticar medidas restritivas e de lockdown adotadas por governadores e prefeitos. Bolsonaro voltou a repetir a teoria, sem comprovação científica, de que houve supernotificação de óbitos por Covid.
No início da semana, o presidente citou um documento, incluído de forma supostamente irregular no sistema do Tribunal de Contas da União, que afirmava que mais da metade dos óbitos de Covid-19 notificados no ano passado não foram causados pela doença.
— Em cima desse relatório, que é do próprio TCU, que se investigue quanto porcento de óbitos não foram vitimados por Covid. Porque se se confirmar, apesar de não ser conclusivo, mas com indício muito forte de que 60% (de mortes não foram por Covid), segundo projeções, digo, não confirmadas pelo TCU, e subtrairmos do número de morte (total), o Brasil será um dos países de menor número de mortes por milhão de habitantes por Covid-19 — afirmou o presidente.
Assim como repetido ontem, em agenda com igrejas evangélicas de Goiás, Bolsonaro atribuiu esse resultado, que não tem comprovação, ao uso de hidroxicloroquina no tratamento de Covid-19.
Durante o discurso, Bolsonaro defendeu alguns dos integrantes do chamado "gabinete paralelo" que o aconselhou durante a pandemia, muitas vezes indo contra a recomendação do Ministério da Saúde.
— E se tudo se confirmar, pelo que, se Deus quiser, parece que vai se confirmar com as evidências, estávamos no caminho certo — afirmou.
*
Queiroga irá desobrigar uso de máscara pois quer continuar no cargo, diz Renan

Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA — O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já demonstrou querer continuar no cargo e, por isso, irá acatar a ordem do presidente Jair Bolsonaro e publicar um parecer desobrigando o uso de máscaras para aqueles que já foram vacinados contra a Covid-19 ou se contaminaram com a doença.
— Primeiro, a avaliação que a gente tem é que o Queiroga vai fazer, vai acatar e vai fazer o ato. Porque ele demonstrou sobretudo que ele quer continuar no cargo. Ele já foi desautorizado pelo Bolsonaro e mais uma vez demonstra que não tem autonomia, tal qual os ministros anteriores — disse Renan, ao GLOBO.
Para o senador, a pasta da Saúde se tornou um “ministério paralelo” e o comando da resposta à pandemia é feita pelo Palácio do Planalto.
— Isso transforma o ministério numa espécie de ministério paralelo, porque o comando do enfrentamento à pandemia se faz no Palácio do Planalto. Ou pelo presidente, ou pelo gabinete paralelo — afirmou.
Renan disse ainda que um dos objetivos da CPI era impedir declarações e atos de Bolsonaro como esse, mas isso não será possível.
— Um dos objetivos da CPI é dissuadir essas loucuras, mas definitivamente com relação ao Bolsonaro não vamos conseguir, porque ele continua a fazer as mesmas coisas que fazia. Ele continua de uma forma ou de outra, agravando, colaborando para a elevação do contágio da população. Isso aí é uma maneira de ajudar a propagação do vírus e elevar o contágio da população.
*
Especialistas criticam medida proposta por Bolsonaro de desobrigar vacinados e quem já se infectou de usar máscara

Receba notícias em tempo real no app.
RIO - Especialistas em saúde pública alertam que a proposta do presidente Jair Bolsonaro de desobrigar o uso de máscaras por quem já se vacinou ou se infectou pela Covid-19 é “totalmente inadequada” e pode contribuir para o aumento do número de casos da doença no país.
O infectologista Julio Croda, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alerta que as máscaras formam uma barreira física ao vírus, o que impede a contaminação de pessoas que não estão infectadas. Por isso, estes também precisam usar máscaras.
Além disso, segundo Croda, as vacinas não evitam a contaminação de quem já foi imunizado. Isso significa que essas pessoas têm menos chances de contrair a forma grave da Covid-19, mas que podem transmitir o vírus.
— O objetivo da vacina, neste momento, é prevenir os casos graves. A pessoa imunizada pode estar protegida de ser hospitalizada e de vir a óbito, mas pode virar uma fonte de transmissão para outras. Imagina isso nos ônibus, por exemplo. Do ponto de vista técnico, é uma medida totalmente inadequada.
Em pronunciamento na noite desta quinta-feira, o presidente afirmou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai “ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados”.
— Para tirar esse símbolo... que obviamente tem sua utilidade, para quem está infectado — disse o presidente.
De acordo com a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, colunista do GLOBO, mesmo os imunizados podem adoecer.
— Embora as vacinas que estamos usando sejam de muito boa taxa de proteção, elas não fazem milagre quando a transmissão na comunidade está muito alta. Enquanto nós não diminuirmos o contágio e obtivermos uma taxa de vacinação de 70%, ainda estamos sob risco — afirmou, à Globonews.
Essa é, na avaliação dela, a diferença do Brasil com os EUA, que liberaram o uso de máscara por pessoas vacinadas, mas apenas em locais abertos. Lá, a taxa de contágio está em menos de 10 casos por cem mil habitantes, enquanto no Brasil varia entre 25 e 35. Além disso, já vacinou 43% da população.
— Eles estão com a epidemia absolutamente controlada, com baixo contágio e ocupação dos leitos. Enquanto aqui, vemos cidades voltando a taxas de transmissão próximas a 1, o nível mais perigoso que indica situação muito grave — avalia.
Mesmo que saia do papel, uma determinação desobrigando o uso de máscara feita pelo Ministério da Saúde não deve ter efeitos práticos, na avaliação de Paulo Almeida, advogado do Instituto Questão de Ciência. Segundo o especialista, ela não anularia normas estaduais ou municipais que obrigam o uso do equipamento.
— Esse tipo de movimentação, ainda mais com a CPI tão esquentada, é mais uma tática de cortina de fumaça para desviar a atenção de outros assuntos do que uma medida prática. Inevitavelmente, será derrubada — afirma.
De acordo com o advogado, o STF decidiu, no começo da pandemia, que estados e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública com a União e também podem determinar regras de isolamento, quarentena e restrição de transporte para combater a pandemia, além de determinar o uso obrigatório de máscaras.
— Essa decisão do STF se mantém. O que pode acontecer é, eventualmente, o governo judicializar a questão, ela voltar para o Supremo, mas muito provavelmente a União perde de novo.
Nas redes sociais, Queiroga afirmou que havia recebido “há pouco” o pedido do presidente da República, Jair Bolsonaro, para produzir um estudo que trate da flexibilização do uso de máscaras, conforme o avanço da vacinação no país.
Também pelas redes, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, afirmou que, com quase 60 mil casos novos e 1.800 mortes por dia, não é momento de flexibilizar o uso de máscaras.
“Esse é o único resultado possível que um estudo razoável pode apontar. Não permita que o não uso de máscaras faça com que nossos terríveis números piorem ainda mais”, escreveu o secretário.
*
Presidente da Fundação Palmares ironiza método adequado de conservação de livros

Receba notícias em tempo real no app.
Na última quarta-feira (09/06) o presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo, postou em seu perfil no Twitter fotos de exemplares do "Manifesto Comunista" que serão retirados do acervo da instituição para serem doados. Camargo fez vários posts desde o fim do mês passado afirmando que iria excluir da coleção livros que promovem 'doutrinação marxista', 'pedofilia', 'sodomia' e 'necrofilia.
"Gente, é muito carinho. Cuidadosos lacinhos de pano protegiam edições antigas do Manifesto do Partido Comunista e da história do Partido na URSS, de Lenin a Stalin. Isso você só vê na Palmares! Não é uma gracinha? Ownn", postou Camargo em suas redes.
Segundo a encadernadora e restauradora Christiane Lee, esse é um procedimento apropriado e comum para manter livros íntegros até passem por uma restauração.
— É absolutamente comum esse tipo de cuidado. Usar papel branco alcalino, livre de acidez, que não interfere no livro, envolvido por amarração de cadarço de algodão, tudo isso para manter o livro protegido até que ele vá passar por uma limpeza ou outro tratamento adequado — explica.
A restauradora explicou, também, que livros mais antigos devem ser manuseados com cautela devido a características próprias, que devem ser conservadas.
— Além da informação contida no livro, há um tipo de papel e de encadernação específicos de cada época. Os materiais que compõem os livros em questão, por exemplo, parecem ser do inícios dos anos 1900, feito de papel madeira, que é sujeito a acidificação e torna o papel amarelado e quebradiço. Aapesar de ser mais fácil de fabricar, são mais frágeis. Então é importante manusear bem esses livros com cuidado— conclui.
A seleção dos livros que serão expurgados está a cargo de Marco Frenette, ex-assessor de Roberto Alvim, demitido do cargo de secretário da Cultura por apologia ao nazismo, que em março foi nomeado coordenador-chefe do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra. Camargo vem fazendo uma espécie de contagem regressiva até esta sexta-feira, data prevista para a publicação do relatório, em que diz que ocorrerá "a exclusão do Marxismo na Palmares".
Vídeo: Testemunha de Daniel Silveira ataca Moraes, chama autoridades de 'estrume' e defende prisão de membros da CPI

Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA — Envolvido em três ações por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) indicou testemunhas de defesa que podem mais prejudicá-lo do que facilitar o arquivamento de seus casos. Na acusação de incitação à violência e de ameaças que faz num vídeo que postou após manifestação no Rio em maio de 2020, Silveira indicou para defendê-lo no conselho o major da reserva da Polícia Militar Elitusalém de Freitas, ex-vereador pelo PSC.
Em depoimento na quarta-feira ao conselho, Elitusalém defendeu o parlamentar, fazendo críticas ao ministro Alexandre de Moraes, responsável no STF por inquéritos contra bolsonaristas radicais e que determinou a prisão de Silveira. O chamou de 'grande violador da Constituição' e que não aceita ser criticado.
— O ministro Alexandre de Moraes viola diversas vezes a Constituição quando instaura um inquérito que não é da competência dele — disse a testemunha.

O major ainda chamou os antifascistas de terroristas e, sem dar nomes, se refere a autoridades como estrume. Declarou ainda que alguns integrantes da CPI da Pandemia deveriam estar presos.
— Autoridades que se portam como um pedaço de estrume, a senhora, com todo respeito, não me entenda mal, têm que ser tratadas pelo nome. E aí a gente vê uma vergonha que este país está passando, inclusive nesta CPI aí, onde autoridades que têm condutas deploráveis, que deveriam estar presas, estão inquirindo pessoas e se portando como juízes morais de alguém, onde não têm moral nenhuma para falar — completou Elitusalém, em reposta à relatora do caso, deputada Rosa Neide (PT-MT), que o questionou sobre ataques de Silveira a autoridades do país, se essas críticas são cobertas pela imunidade parlamentar.
Quebra 'magistral' da placa de Marielle
Também testemunha de Daniel, o estudante de Direito João Daniel Silva defendeu até mesmo o gesto do parlamentar de quebrar uma placa com o nome de Marielle Franco, durante da campanha eleitoral de 2018. Ele foi ouvido na semana passada.
— O deputado também é processado aqui por ter quebrado a placa de Marielle, coisa que eu teria feito também...Daniel Silveira não era deputado quando quebrou magistralmente a placa da senhora Marielle Franco, não porque era a placa com o nome dela jamais. Respeitamos aqui todo e qualquer ser humano. Mas porque era uma placa falsa que estava ali sobre uma placa verdadeira no centro histórico do Rio de Janeiro — afirmou João Daniel.
O estudante confrontou a relatora algumas vezes, e chegou a ser alertado pelo presidente do conselho, Paulo Azi (DEM-BA). Perguntado se achava normal um deputado fazer ameaças de morte a quem se manifesta contra o fascismo, foi áspero.
— Essa pergunta é tendenciosa, sim. Eu sou um estudante de direito. Eu não sei se os senhores aqui são formados em direito, estudam direito, sabem o que é direito, o que é ordenamento jurídico, mas a pergunta é tendenciosa. Então, a minha resposta é... Se quiser anotar aí a resposta, anote. A minha resposta é a seguinte: essa pergunta é tendenciosa. Portanto, não irei responder.
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) criticou a postura das testemunhas e disse a Daniel Silveira:
— O senhor traz testemunhas que em vez de testemunhar que Vossa Excelência é uma pessoa afável em outros momentos ou alguma coisa que minimize a potência da agressividade Vossa Excelência traz testemunhas que são sua imagem e semelhança, que tem a mesma linguagem — disse Valente.
As testemunhas falaram em processo aberto por conta de gravação em que Silveira promete disparar um "tiro na caixa do peito" de um manifestante antifascista, chamado de comunista e filho da puta por ele.
Bolsonaro promete acabar com cobrança de laudêmio de imóveis no litoral

Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira, em transmissão em suas redes sociais, que o governo federal pretende, em breve, extinguir a cobrança do laudêmio.
Trata-se de uma taxa paga por proprietários de imóveis que ficam em terrenos que pertencem à União, em áreas que são popularmente chamadas de "área de marinha".
De acordo com o presidente, a isenção da taxa deverá beneficiar cerca de 600 mil imóveis. A maioria deles fica no litoral do país.
— Estamos na iminência, via portaria, de acabar com aquela prisão dos laudêmios. São mais ou menos 600 mil imóveis que ficarão livres do laudêmio brevemente — afirmou.
Bolsonaro afirmou que a cobrança não faz mais sentido:
— É uma medida excepcional. O laudêmio vem de lá atrás. Era um dinheiro pago para a Coroa, para (nos) proteger dos piratas, mais ou menos isso aí. Isso está valendo até hoje. Vamos acabar com isso. Vai ser uma carta de alforria para quem tem casa em terreno de Marinha.
Taxa é relacionada à cessão de terreno
Como a maioria dos terrenos no litoral é considerada de propriedade da União, o governo cede o chamado domínio útil sobre o imóvel.
Pela concessão desse domínio, são pagas taxas baseadas no preço de avaliação do imóvel.
O foro é a taxa anual paga pelos proprietários de imóveis que supostamente ocupam "área da marinha" e, portanto, devem ressarcir a União pela ocupação.
Já o laudêmio é uma taxa de 5% paga também à União pelas transações entre particulares de compra e venda desses imóveis.
Ou seja, é impossível fazer uma escritura de transferência do domínio útil desse imóvel sem o pagamento do laudêmio.
Origem colonial
A cobrança dessa taxa, como afirmou o presidente, vem desde o período colonial.
Com o objetivo de povoar o litorla brasileiro, a Coroa Portuguesa concedeu a algumas pessoas a possibilidade de usufruir de propriedades.
Em contrapartida à concessão dessa titularidade, cobrava o laudêmio.
*
Companhia elétrica em Porto Rico sofre ataque cibernético e incêndio; milhares ficam sem luz

SAN JUAN - Um incêndio em uma subestação elétrica em Porto Rico deixou milhares de pessoas sem luz nesta quinta-feira, pouco depois de a companhia elétrica reportar um ciberataque DDoS, que a empresa não vinculou imediatamente ao fogo.
"Ocorreu um incêndio em um transformador na subestação Monacillo", no município de San Juan, informou a companhia elétrica Luma Energy, que começou a operar em 1º de junho para melhorar o sistema de transmissão de eletricidade na ilha caribenha. "O incêndio causou apagões significativos em toda a ilha", publicou a empresa em sua página no Facebook.
Fotos e vídeos postados nas redes sociais mostram um grande clarão e fumaça preta sobre a subestação. Duas horas antes, a companhia havia informado que estava sofrendo um ataque DDoS, que produziu 2 milhões de visitas por segundo e impediu os clientes de acessarem suas contas.
Autoridades não divulgaram até o momento informações sobre o número de usuários que ficaram sem serviço devido ao apagão, ou se estudam a possibilidade de ligação entre os dois episódios.
A representante de Porto Rico perante o Congresso em Washington, Jenniffer González, tuitou que o apagão afetou 500 mil pessoas, e prometeu trabalhar para que o caso seja investigado.
"O incêndio em Monacillos, o apagão que afetou mais de meio milhão de residentes, setores sem luz por uma semana não parecem acontecimentos isolados", publicou no Twitter, referindo-se a outros episódios recentes. "Tenho alertado entidades federais da lei e da ordem para que cada evento seja investigado. Prejudicam o povo, são eles que sofrem", continuou.
A Luma Energy é uma empresa criada para atender Porto Rico - território dos Estados Unidos no Caribe - sob as empresas-mãe ATCO e Quanta Services, ambas líderes na América do Norte.
A resposta da socialite acusada pelo ex-marido de desvio na compra de um imóvel na Av. Atlântica | Ancelmo - O Globo

Lembra-se da nota que saiu aqui semanas atrás sobre uma disputa judicial que envolve um apartamento na Av. Atlântica, em Copacabana? A defesa da socialite Luciana Fasano rebateu as acusações feitas pelo seu ex-marido, Robert Jenkins.
Segundo os advogados de Luciana, todos os bens do casal, incluindo o apartamento na Av. Atlântica, estão bloqueados em função de um processo movido pela socialate contra Jenkins na Vara de Família de SP.
Luciana ainda acusa o ex-marido de deixar o Brasil para atrasar a tramitação de processos movidos contra ele.
Como se sabe, Jenkins acusa a socialate de ter desviado R$ 2 milhões na negociação da compra do imóvel na orla do Rio de Janeiro. A ex-companheira se defende informando que "são aleivosas e caluniosas as acusações lançadas por Robert, fruto de vingança e tendo sido formulada somente após tomar conhecimento da ação ajuizada por Luciana na Vara da Família e dos Inquéritos Policiais que apuram o cometimento de delitos diversos: difamação, furto qualificado, extorsão, violação de sigilo profissional e organização criminosa."
*
Eletricista faz vasectomia, mulher engravida, casal se separa e caso vai parar na Justiça | Ancelmo - O Globo
Por Ana Cláudia Guimarães

O eletricista Anderson Gonçalves Faria, 48 anos, entrou na Justiça pedindo indenização por erro contra médico e laboratório por causa de uma vasectomia.
Anderson, segundo o advogado Pedro Monteiro de Barros, fez o procedimento com o médico Adão Lúcio Delgado, em 2018, após a mulher ter tido gravidez de risco (eclâmpsia) e o bebê ter nascido com síndrome hepática. Como o casal humilde já tinha três filhos, decidiu fazer planejamento familiar e uma vasectomia.
Pois bem.
O médico COMPROVOU o SUCESSO da CIRURGIA de Anderson, inclusive, APÓS exames feitos no laboratório Patologia Clínica São Paulo.
Só que, em julho do ano passado, a mulher de Anderson ficou grávida.
Anderson pediu separação pensando que havia sido traído.
Mas fez NOVOS EXAMES e descobriu que tinha 68% de ESPERMATOZOIDES VIVOS.
O quarto filho do casal, ambos desempregados, tem hoje 1 ano.
O caso está na 30ª Vara Cível de Belo Horizonte.
Lula diz que aliança do campo democrático no Rio é essencial para derrotar Bolsonaro

Da Agenda do Poder - Em reunião na noite desta quarta-feira, com lideranças do campo progressista, no Hotel Pestana, em Copacabana, o ex-presidente Lula disse que, para Jair Bolsonaro ser derrotado, é necessário unir não só a esquerda, mas todos setores democráticos do Rio. Numa frente ampla nas eleições de 2022. Não por acaso, revelou, ele estava começando sua caminhada pelo país a partir do estado.
Ao discursar, lembrou a importância do Rio nas eleições presidenciais em que foi vitorioso (2002 e 2006), garantindo-lhe ampla vantagem sobre os adversários e neutralizando o eleitorado de São Paulo e Minas Gerais, de tendência mais conservadora.
Apesar do consenso em torno de sua candidatura, Lula disse que está aberto ao debate sobre outros nomes que eventualmente surjam com viabilidade. Lamentou a ausência do PDT na frente democrática firmada naquele ato; disse que entende a posição do partido de lançar candidatura própria, mas discordou da postura de Ciro Gomes pelas críticas que lhe feito.
- Ciro precisa decidir quem é o inimigo principal neste momento. Não será nos criticando que ele conseguirá crescer – afirmou.
Lula disse ainda que ficaria feliz em disputar o segundo turno com Ciro Gomes. Na sua opinião, se os dois chegassem ao confronto final nas eleições, a política se engrandeceria, pois teríamos em jogo dois grandes projetos para o país.
- Com Bolsonaro derrotado no primeiro turno, ganharia o Brasil – acrescentou.
O Presidente da Alerj, André Ceciliano, afirmou que o Rio precisa muito de Lula, com sua experiência e capacidade para ajudar o estado a derrotar a crise. Segundo Ceciliano, a volta de Lula ao comando do Governo Federal daria ao Rio a possibilidade de novos investimentos com a retomada da economia e a garantia de políticas sociais efetivas nas periferias e favelas. O deputado disse ainda que o Rio nunca precisou tanto de Lula como agora, dado o agravamento da crise em função da pandemia.
Discursaram também a deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, os deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ), o deputado Carlos Minc (PSB-RJ), o vereador Lindbergh Farias e o ex-deputado federal Wadih Damous, entre outros.
Bolsonaro após Brasil passar de 480 mil mortes: "o milagre para termos poucos óbitos é o remédio da malária e o do piolho"

247 - Jair Bolsonaro voltou a defender o ineficaz tratamento precoce contra a Covid-19, nesta quinta-feira, 10, em live nas redes sociais, no dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 480 mil mortos oficiais pela doença.
Ele declarou que o “milagre” para o Brasil ter “poucos óbitos” foi o tratamento precoce foi o tratamento precoce. "Talvez eu tenha sido o único chefe de estado no mundo a apostar nisso, mas não apostei nisso de graça, não foi um chute da minha cabeça", argumentou em live.
Ainda, reforçando o que afirmou em discurso no Palácio do Planalto mais cedo, Bolsonaro novamente citou parecer falso - já desmentido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) - segundo o qual cerca de 50% das mortes por Covid-19 em 2020 tiveram outras causas. O auditor da Corte que tentou inserir os dados no sistema foi afastado.
Ele afirmou que trabalha com “fortes sinalizações” de que houve supernotificação de mortes pelo novo coronavírus no país.
As principais suspeitas, no entanto, é que haja subnotificação de casos e óbitos por Covid-19 no país, uma vez que o Brasil é um dos países que menos testa contra a doença.
Bolsonaro ganha "fuzil artesanal" e debocha: "essa máquina à noite em uma comunidade. Sai correndo ou não?"

Fórum - Durante transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro ganhou de presente uma arma “artesanal” produzida por um ex-motorista da Polícia Federal, segundo ele. Ao receber o “mimo”, o mandatário fez uma piada de mal gosto com as favelas.
“Tô muito feliz. Essa máquina aí numa comunidade, sai correndo ou não?”, disse Bolsonaro, rindo da situação, ao coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, comandante da Força Nacional. O militar foi o responsável por buscar o presente do presidente.
“Se estiver na Avenida Brasil, por exemplo, um caboclo desses na sua frente naquela pista lateral com o trânsito parado, vai fazer o que coronel?”, completou Bolsonaro.
Bolsonaro ganha "fuzil artesanal" e debocha: "Essa máquina à noite em uma comunidade. Sai correndo ou não?" | Revista Fórum
Bolsonaro ganha “fuzil artesanal” e debocha: “Essa máquina à noite em uma comunidade. Sai correndo ou não?”
Confira o trecho em que o presidente faz piada com a violência no Rio de Janeiro na mesma semana em que morreu a jovem Kathlen Romeu, grávida de 14 semanas
Durante transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro ganhou de presente uma arma “artesanal” produzida por um ex-motorista da Polícia Federal, segundo ele. Ao receber o “mimo”, o mandatário fez uma piada de mal gosto com favelas.
“Tô muito feliz. Essa máquina aí numa comunidade, sai correndo ou não?”, disse Bolsonaro, rindo da situação, ao coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, comandante da Força Nacional. O militar foi o responsável por buscar o presente do presidente.
“Se estiver na Avenida Brasil, por exemplo, um caboclo desses na tua frente naquela pista lateral com o trânsito parado, vai fazer o que coronel?”, completou Bolsonaro.
O comentário do presidente, que estimula a criminalização da pobreza, foi feito na mesma semana em que a jovem Kathlen Romeu, grávida de 14 semanas, morreu vítima da violência policial no Rio de Janeiro. A designer de interiores, de 24 anos, faleceu depois de ter sido baleada, na terça-feira (8), em um dos acessos ao bairro do Lins, na Zona Norte.
Confira o trecho e a íntegra:
Ao receber uma réplica de fuzil artesanal, o presidente @jairbolsonaro sugeriu usar o armamento em comunidades ou contra “um caboclo andando devagar na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro”.
A cidade tem registrado ações violentas em comunidades. pic.twitter.com/JgJWieB4s9
*
“Temos um Jim Jones na presidência da República”, diz Renan Calheiros (vídeo)

247 - Em discurso na CPI da Covid, no Senado, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) criticou, nesta sexta-feira (11), Jair Bolsonaro pelo mau gerenciamento da pandemia.
“Temos um Jim Jones na presidência. A diferença para o americano é que ele induziu ao suicídio e a pessoa que está na Presidência, ele induz a esse morticínio e isso não pode acontecer”, disse. Jim Jones foi um religioso que levou 918 fiéis de sua seita ao suicídio coletivo em 1978, na Guiana.
O parlamentar reforçou que Bolsonaro “desdenhou a eficácia da vacina”. “Depois de ser pego no flagrante de fazer lobby de empresa privada para a cloroquina, ele ataca a máscara”.
Também na CPI, a microbiologista Natalia Pasternak destacou a falta de eficácia da cloroquina para o tratamento de pessoas diagnosticadas com a Covid-19. O remédio foi defendido por Bolsonaro. “Já testamos a cloroquina em tudo e não funciona. Só não testamos em emas porque elas fugiram”, disse ela.
*
Natalia Pasternak destrói genocida Bolsonaro na CPI e diz que seu negacionismo mata milhares de brasileiros

247 - A microbiologista Natalia Pasternak liquidou com a conduta do governo Jair Bolsonaro e desmontou por completo a farsa da cloroquina em sua apresentação inicial na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no Senado, na manhã desta sexta-feira.
"Cloroquina é uma mentira espalhada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde e ela mata", disse Pasternak, que apresentou telas de estudos científicos sobre a cloroquina.
Com ironia fina, desmoralizou Bolsonaro:
“Já testamos a cloroquina em tudo e não funciona.
Só não testamos em emas porque elas fugiram”.
A microbiologista fez uma exposição detalhada dos estudos científicos sobre os efeitos do uso da cloroquina contra o novo coronavírus:
“Cloroquina só funciona in vitro, em laboratório”.
E completou:
“O caminho que o vírus usa para entrar nas células é outro.
Cloroquina não funciona para células do trato respiratório, não funciona em roedores, macacos e humanos”.
Para a cientista, a insistência no tema da cloroquina, que não existe como discussão global desde 2020,
é “NEGACIONISMO da Ciência PERPETUADO pelo GOVERNO ”.
Ele explicou, diante de vários senadores negacionistas, que “a CIÊNCIA NÃO é uma questão de OPINIÃO.
NÃO É uma questão de DESRESPEITAR a OPINIÃO alheia.
Mas a CIÊNCIA vai em busca de FATOS ”.
Ela atacou o negacionismo com vigor:
“Isso é negacionismo.
NÃO é FALTA de INFORMAÇÃO.
É uma MENTIRA.
No caso triste do brasil é uma mentira ORQUESTRADA pelo governo.
NEGACIONISMO É a propagação INTENCIONAL da MENTIRA.
NÃO podemos NUNCA permitir que NEGACIONISTAS ocupem POSIÇÕES de PODER ”.
Em seguida, o médico sanitarista Claudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa e da Fiocruz fez sua exposição.
*
Jamil Chade - G7 convida aliados para cúpula, mas frustra planos de Bolsonaro
Resumo da notícia
- Ambição do governo brasileiro de se aproximar de economias liberais do G7 não se concretiza
- Organizadores da cúpula que começa nesta sexta-feira optaram por convidar Índia, Coreia do Sul e Austrália
- Bolsonaro também ficou de fora da cúpula do G7 em 2019, quando Macron optou por convidar Chile, África do Sul e Egito
As principais economias do mundo desenvolvido realizam nesta sexta-feira sua cúpula, com uma pauta que inclui a resposta à pandemia, a recuperação do crescimento econômico e meio ambiente.
A relação com a China e Rússia também irá dominar as conversas, num debate evidente sobre a reconstrução do sistema internacional para a era pós-pandemia.
O G7, neste ano, optou por repetir o que já é uma tradição e convidou aliados.
Mas deixou o presidente Jair Bolsonaro de fora, frustrando os planos do governo brasileiro de se aproximar dos países ricos.
No evento que é sediado pelo governo britânico, o G7 (formado por Canadá, Reino Unido, Itália, Japão, França, EUA e Alemanha) estendeu o convite para Índia, Coreia do Sul e Austrália.
Há dois anos, na França, o presidente Emmanuel Macron também fez convites a parceiros e emergentes durante a cúpula do G7.
Mas, uma vez mais, o Brasil ficou de fora.
Paris optou por chamar o Chile, Egito, África do Sul, Senegal, Índia e Ruanda.
Em 2020, Bolsonaro anunciou que Donald Trump o havia convidado para a cúpula, que seria organizada nos EUA.
Mas a pandemia e a derrota eleitoral do republicano obrigaram a Casa Branca a reconsiderar o evento.
Dentro do governo brasileiro, as esperanças eram elevadas de que Trump incluiria o Brasil em uma nova aliança para repensar o mundo, no período pós pandemia.
Em abril de 2020, numa reunião ministerial, o então chanceler Ernesto Araújo chegou a comentar que apostava numa redefinição do sistema internacional diante da covid-19 e indicava que haveria uma possibilidade real de que o Brasil fizesse parte de uma espécie de novo diretório mundial, ao lado dos EUA.
"Eu tô cada vez mais convencido de que o Brasil tem hoje as condições, tem a oportunidade de se sentar na mesa de quatro, cinco, seis países que vão definir a nova ordem mundial", disse o então ministro, naquele encontro com a presença de Bolsonaro.
"É, outro dia a...na conversa do presidente com o primeiro ministro da Índia, o indiano disse que vai ser tão diferente o pós-coronavírus do pré quanto pós Segunda Guerra do pré", explicou Araújo.
Mas a ausência na mesa das maiores economias do mundo passou a ser uma frustração para o governo brasileiro que, desde que chegou a poder, demonstrou que tinha como objetivo se alinhar aos interesses do Ocidente.
Parte da estratégia ainda envolve uma adesão à OCDE.
Enquanto isso, o governo brasileiro esvaziou o Mercosul, desfez alianças na América do Sul, se afastou de projetos na África e passou a minimizar a cúpula dos Brics.
Mas a aproximação esperada com as economias ricas não se concretizou da forma que se esperava e o Brasil continuou fora da mesa de negociações.
No G7, se a ausência da China ocorre por uma questão estratégica e geopolítica, a situação do Brasil é interpretada no meio diplomático como um sinal da perda de prestígio internacional do país e de resistência por parte dos países ricos em aceitar a presença de Bolsonaro na mesa de negociações.
A primeira real participação do Brasil nos eventos das economias desenvolvidas ocorreu em 2003, quando o então presidente Jacques Chirac convidou o país e outros emergentes para a cúpula em Evian e que, naquele momento, era conhecida como G8.
O Brasil fez parte dos eventos de 2005, na Escócia.
Em 2006, Angela Merkel uma vez mais convidou o Brasil para a cúpula que ela organizava, algo que se repetiu no ano seguinte no Japão e em 2008 na Itália.
A partir de 2009, diante da crise econômica mundial, o G20 tomou o espaço que era do G7.
Com as economias emergentes se transformando em um novo motor do crescimento global, uma das metas dos BRICS era justamente a de retirar o peso político do G7 e transferir para o novo grupo o papel de diretório do mundo.
Naquele momento, o então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a dizer que "o G8 morreu".
"Não representa mais nada", disse.
"Eu não sei como vai ser o enterro, às vezes o enterro ocorre lentamente."
"Hoje, por qualquer critério, economias como China, Brasil e Índia são economias importantes, que têm um efeito na economia mundial maior do que muitos outros que estão no G8", disse.
A partir daquele momento, o Brasil passou a se distanciar do G8, mas por uma ação deliberada do governo.
O cenário muda radicalmente com o fim do governo de Dilma Rousseff.
Mas o caráter transitório do governo de Michel Temer não credenciava o país a voltar à mesa dos grandes.
A morte do G8, como previa Amorim, não ocorreu.
Quando finalmente Bolsonaro assume, sua política externa tem como ambição convencer americanos e europeus a lidar com o Brasil como um aliado Ocidental e com projetos econômicos liberais.
Mas, pelo menos por enquanto, o presidente brasileiro continua fora dos debates.
Em 2022, sua última chance dependerá de um convite da Alemanha, país que presidirá o G7 no próximo ano.
*

Comentários
Postar um comentário